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“Democracias modernas: o fim da história política?

Introdução

{1} Democracia, como é costumeiramente elucidado, é uma palavra de origem grega surgida
da junção dos termos dêmos (povo) com kratía (força, poder), significando literalmente “poder
do povo”. Como sistema político, foi adotada pela primeira vez em meados do século V a.c.,
em Atenas, na Grécia. O modelo de democracia que vigorou nesse período histórico foi o de
participação direta, no qual aqueles que eram considerados cidadãos (homens livres acima do
18 anos cujos pais e mães fossem atenienses) detinham o direito legal de atuar ativamente
na Eclésia (assembleia popular), local onde eram decididas questões relativas à vida
pública [Pedro P. Funari 2002, p. 36].

{2} Excetuando-se essa experiência histórica bastante conhecida atualmente, a democracia


como modelo de organização política foi ignorada na prática e no campo da filosofia política
durante séculos, tendo perseverado ao redor do mundo, em graus distintos, o sistema
monárquico, onde o poder fica concentrado na mão do rei ou monarca.

{3} A mudança nesse panorama político começou a ocorrer na Inglaterra, primeiramente com
o advento da Magna Carta em 1215. Ela foi precursora não apenas do ideário básico
constitucional, como da Petition of Rights (Petição de Direitos), de 1628, que, além de ter
reforçado as previsões normativas presentes no documento anterior, também abriu margem
para o fortalecimento definitivo do poder do Parlamento britânico sobre o monarca, poder
este o qual se consubstanciou de forma definitiva somente em 1688 com o Bill of Rights –
declaração de direitos [José A. da Silva 2005, p. 151-153].

{4} Em segundo lugar, o Iluminismo, um movimento filosófico que se espalhou pela Europa
entre os séculos XVII e XVIII, trouxe para os mais diversos campos do conhecimento posições
diferenciadas e relativamente novas sobre o indivíduo, a sociedade e o Estado, buscando no
geral o bem comum e o progresso da humanidade, o que abriu espaço para o surgimento do
interesse sobre o modelo democrático [Ernst Cassirer 1994].

{5} Foi neste ambiente de transformações sociais, econômicas e políticas, que começaram a
aparecer defesas filosóficas que levaram não apenas a construção de teorias políticas
inspiradas, diretamente ou não, na democracia ateniense, como em revoluções políticas que
serviram de fermento para a aplicação dos ideais democráticos.

Teoria Democrática

{6} Na área da filosofia política, foram dois os primeiros pensadores a se destacarem por suas
contribuições ligadas a ideia de democracia: John Locke (1632–1704) e Jean-Jacques Rousseau
(1712–1778), considerados os “pais” da democracia moderna.

{7} Locke foi o grande responsável pelo embasamento teórico da monarquia constitucional na
Inglaterra, advinda da Revolução Gloriosa (1688–1689) [Christopher Hill 1987, p. 19]. Em sua
principal obra política, intitulada Dois Tratados do Governo Civil, Locke ataca e descontrói a
noção do direito divino do rei (no primeiro tratado) e defende que a fonte legítima do poder
político provém dos governados (no segundo tratado) [Leonel I. A. Mello 2001, p. 83-84].

{8} Conhecida como Segundo Tratado Sobre o Governo Civil, a segunda parte da obra de Locke
é a mais relevante historicamente por não somente delinear uma completa teoria política
lançada sobre novas bases (o consentimento popular como legitimador do governo), como
também ser o marco inaugural da filosofia política liberal, abrindo espaço para a
implementação em alguns países de um Estado Liberal.

{9} O ponto mais significativo das ideias políticas de Locke reside na concepção
de representação na esfera pública. Ao contrário do modelo de democracia direta ateniense,
ele defendia que a população deveria eleger indivíduos que os representassem politicamente
no Parlamento, atuando estes em defesa dos interesses dos governados. Essa representação
política se daria sobre um período de tempo delimitado, no qual, ao fim do prazo, caberia à
população reeleger os seus atuais representantes ou eleger novos para ocupar os mesmos
cargos durante um novo período. É a síntese do modelo de democracia representativa.
Conforme Locke descreve [John Locke 1994 (1690), p. 168-169]:

“Só o povo pode estabelecer a forma de comunidade social, o que faz instituindo o poder
legislativo e designando aqueles que devem exercê-lo. E quando o povo disse que queremos
nos submeter a regras e ser governados por leis feitas por tais pessoas, seguindo tais formas,
ninguém pode dizer que outras pessoas diferentes legislarão por elas; nem o povo pode ser
obrigado a obedecer quaisquer leis, exceto aquelas promulgadas por aqueles a quem ele
escolheu e autorizou para fazer as leis em seu nome. […] O legislativo não deve nem pode
transferir para outros o poder de legislar, e nem também depositá-lo em outras mãos que não
aquelas a que o povo o confiou”.

{10} O objetivo central da noção de representação política exposta por Locke era permitir que
o homem comum pudesse se dedicar em grande parte a esfera privada, ou seja, aos assuntos
particulares de sua vida cotidiana, não se fazendo necessário, portanto, que este despendesse
parte significativa do seu tempo para cuidar de questões relativas ao interesse público [Carlos
F. Alverga 2011].

{11} A visão liberal de Locke sobre a política influenciou em certo nível os ideais políticos de
outros filósofos, tanto contemporâneos como posteriores, como foi o caso de David Hume
(1711–1776), o qual fica patente em seus escritos sobre política [David Hume 1963 (1742), p.
163].
{12} Por sua vez, Rousseau teve papel importante na história por servir em grande parte,
juntamente com outros filósofos iluministas, de arcabouço filosófico à Revolução Francesa
(1789–1799) [Thomas Carlyle 1962]. A sua principal obra política é O Contrato Social, no qual
defende que uma sociedade se origina tendo por base um pacto unânime entre todos os seus
membros sobre as regras sociais que serão igualmente aplicados entre eles, ou, em outros
termos, seus direitos e deveres.

{13} O jurista e historiador francês Chevallier descreve da seguinte forma a concepção de


pacto social dada por Rousseau [Jean J. Chevallier 1999, p. 166]:

“Significa isto que cada associado aliena-se totalmente e sem reserva, com todos os seus
direitos, à comunidade. Assim, a condição é igual para todos. Cada um se compromete para
com todos. Cada um, dando-se a todos, a ninguém se dá. Cada um adquire, sobre qualquer
outro, exatamente o mesmo direito que lhe cede sobre si mesmo. Cada um ganha, pois o
equivalente de tudo quanto perde, e mais força para conservar o que possui. Como se vê, o
compromisso deve toda a sua originalidade ao fato de que cada contratante está obrigado
sem, no entanto, estar “sujeito” a pessoa alguma, ao fato de que cada um, unindo-se a todos,
só obedece, “no entanto, a si mesmo, permanecendo tão livre quanto antes”.

{14} A grande contribuição à teoria moderna de democracia dada por Rousseau reside na
noção de vontade geral. Ao contrário do que se possa imaginar, esta não significa o conjunto
das vontades particulares nem tão pouco a vontade de todos ou de determinada maioria. A
vontade geral seria de fato o interesse geral, ou seja, aqueles interesses que beneficiam o
coletivo, superando assim os interesses particulares dos indivíduos, estes quais seriam frutos
dos instintos naturais e desejos egoístas. Para ele, somente com a prevalência da vontade
geral sobre as vontades individuais, os indivíduos se tornariam verdadeiramente livres, pois a
obediência àquela seria a expressão da superação sobre as próprias paixões.

{15} A forma como a vontade geral seria “descoberta”, segundo Rousseau, se daria por meio
da votação pelo povo das leis que fossem propostas ao corpo político, o qual é formado por
todos os membros da sociedade. Dessa forma, é possível concluir que “o voto de um projeto
de lei não tem por fim, na realidade, aprovar ou rejeitar esse projeto, mas dizer se é conforme
ou não à vontade geral, que só será conhecida após o voto”[Jean J. Chevallier 1999, p. 167].
{16} Portanto, se opondo ao tipo de sistema político proposto por Locke, Rousseau defende
um modelo de democracia participativa, rejeitando, por uma questão de coerência lógica, a
ideia de representação política, dado que o exercício da vontade geral não pode ser
transmitido de um indivíduo para outro [Jean J. Rousseau 1996 (1762), p. 33].

{17} Quando se analisa as principais ideias tanto de Locke como de Rousseau é possível
perceber que a democracia moderna possui elementos de ambas as teorias democráticas. Se
por um lado a concepção lockeana de representação política se sobrepôs, como demonstram
bem as eleições realizadas periodicamente para eleger ou não candidatos a cargos no Estado,
a possibilidade de exercício legislativo direto do povo, como imaginava Rousseau, é
contemplada, ao menos na democracia brasileira, pelas normas constitucionais que preveem o
plebiscito e o referendo, instrumentos pelos quais o povo avaliza ou não determinada lei.

{18} Cabe ainda nesse tópico, a título de adendo, destacar a contribuição dada à teoria
democrática moderna pelo filósofo e político francês Montesquieu (1689–1755), o qual
defende (1) em seu principal livro, O Espírito das Leis, a ideia da separação do Estado em
poderes (Executivo e Legislativo, este último subdividido em Câmara de Lordes e Câmara dos
Comuns, respectivamente nossos atuais Senado e Câmara Federal). Essa defesa encontrava
exemplo político na estrutura do Estado inglês, a qual Montesquieu admirava como modelo.

{19} O objetivo fundamental desta separação é que, desta forma, segundo ele, a organização
política nacional se beneficiaria do sistema de “freios e contrapesos”, pelo qual a existência de
um poder seja capaz de se opor a outro poder, havendo, portanto, uma conexão de forças
entre estes poderes [J. A. Guilhon Albuquerque 2001, p. 119-120].

História da Democracia Moderna

{20} Apesar das revoluções europeias dos séculos XVII e XVIII terem sofrido influências das
ideias de Locke, Rousseau e Montesquieu, em nenhuma delas houve realmente a conversão
ou criação de um sistema político essencialmente democrático. É o que se observa analisando
o que ocorreu na Inglaterra, que graças à Revolução Gloriosa “democratizou” seu Estado
monárquico, e na França, que apesar de 10 anos de um processo revolucionário que deu
origem a Primeira República do país terminou se tornando um Império liderado por Napoleão
Bonaparte.

{21} Esclarecida essa questão, é possível afirmar que a primeira nação a adotar como sistema
político a democracia nos seus moldes modernos foi os Estados Unidos da América. Quando os
EUA declararam sua independência política da Inglaterra em 1776 e criaram sua Constituição
em 1787, as influências das ideias democráticas de Locke em ambos os processos políticos são
bastante nítidas.

{22} No primeiro momento histórico, a Declaração de Independência dos EUA invoca


diretamente o chamado “direito a rebelião”, presente na obra Segundo Tratado sobre o
Governo Civil (2), para justificar a separação política das 13 colônias. Já no segundo momento,
a ideia de Locke do contrato social como fonte legitimadora do poder do governo se faz
evidente no preâmbulo da Constituição do país (3):

“Nós, o Povo dos Estados Unidos, a fim de formar uma União mais perfeita, estabelecer a
Justiça, assegurar a tranquilidade interna, prover a defesa comum, promover o bem-estar
geral, e garantir para nós e para os nossos descendentes os benefícios da
Liberdade, promulgamos e estabelecemos esta Constituição para os Estados Unidos da
América.” (Grifos nossos)

{23} Outro filósofo a exercer grande influência na formação do governo dos Estados Unidos
traçada pela carta constitucional americana foi Montesquieu, o qual era grandemente
admirado por James Madison (1751–1836), principal formulador da Constituição [Robert Dahl
2001, p. 27]. Madison justificou a separação em poderes do Estado, com funções bem
delimitadas pelas normas constitucionais, afirmando que “se os homens fossem anjos não se
tornaria necessário governo algum. Se os anjos governassem os homens, não seriam
necessários controles nem externos nem internos” [Hamilton et Madison 1964, p. 61].

{24} Ao se analisar toda a estrutura legal que deu origem à república dos EUA é visível como
esta serviu de modelo básico para a formação e fundamentação de outras nações republicanas
e democráticas ao redor do planeta nos séculos seguintes. O sistema democrático moderno
tornou-se um exemplo a ser copiado pelos demais países.

{25} Um dos grandes responsáveis pela divulgação da moderna democracia americana na


Europa foi o francês Alexis de Tocqueville (1805–1859), o qual por meio de sua obra A
Democracia na América, descreveu de forma detalhada o Estado democrático dos EUA, em sua
forma e funcionamento, além de delinear as características sociais, psicológicas e culturais do
povo e da sociedade americana em face de sua relação com seu governo [Jean J. Chevallier
1999, p. 248-277].

{26} A função primordial do trabalho de Tocqueville era servir de inspiração as nações


europeias, incluindo a novíssima República Francesa, conforme este adverte no prefácio de
sua obra [Alexis Tocqueville 2005 (1835), p. 4-5]:

“As instituições da América, que eram tão somente um objeto de curiosidade para a França
monárquica, devem ser um objeto de estudo para a França republicana. Não é apenas a força
que assenta um novo governo; são as boas leis. […] Não voltemos nossos olhares para a
América a fim de copiar servilmente as instituições que ela se deu, mas para melhor
compreender as que nos convêm, menos para aí buscar exemplos do que ensinamentos, antes
para tomar-lhe emprestados os princípios do que os detalhes de suas leis. As leis da República
francesa podem e devem, em muitos casos, ser diferentes das que regem os Estados Unidos,
mas os princípios sobre os quais as constituições americanas repousam, esses princípios de
ordem, de ponderação dos poderes, de liberdade verdadeira, de respeito sincero e profundo
ao direito são indispensáveis a todas as Repúblicas, devem ser comuns a todas […].”
{27} Outro que contribuiu com a propagação dos ideais democráticos na Europa foi o filósofo
inglês John Stuart Mill (1806–1873), que estabeleceu a defesa desse sistema político no seu
livro Sobre o Governo Representativo. Mill deixa evidente em suas considerações sobre ciência
política o quanto foi influenciado pela famosa obra de Tocqueville, optando em se posicionar
politicamente ao lado deste do que de seu mentor, o também filósofo Jeremy Bentham (1748–
1832).

{28} Mill pode ser considerado o grande responsável pela união contemporânea entre os
ideais democráticos e o pensamento liberal, ao advogar em favor do voto universal, que
englobaria a nova classe trabalhadora fruto da Revolução Industrial, e da emancipação política
da mulher. Na visão de Mill, o governo e tudo que a ele fosse vinculado é de interesse de
todos, portanto se faz fundamental a ampla participação dos mais diversos grupos sociais,
tanto por meio do voto como de outros mecanismos assecuratórios de participação
política [Elisabeth Balbachebsky 2001, p. 195].

{29} Nas próprias palavras de Mill [John Stuart Mill 1981, p. 89]:

“[…] É uma injustiça pessoal negar a qualquer um, a menos que seja para prevenir males
maiores, o direito elementar de ter voz na condução dos assuntos que lhe interessam tanto
quanto aos outros cidadãos. Se ele é obrigado a pagar, se pode ser obrigado a guerrear, se lhe
é exigido implicitamente que obedeça, ele deveria ter o direito de saber o porquê, de dar ou
negar seu consentimento, de ter sua opinião contada pelo que ela vale […]. Não devem existir
párias em uma sociedade adulta e civilizada; as pessoas não podem sei impedidas de exercer
seus direitos. […] Portanto, nenhum sistema de sufrágio que excluir pessoas ou classes, ou
seja, em quo o privilégio eleitoral não esteja à disposição de todas as pessoas maiores de idade
que o desejarem, poderá ser permanentemente satisfatório.”

{30} Em conformidade com as defesas teóricas de todos esses filósofos e do exemplo político
de democracia o qual o EUA se tornara, o modelo democrático se espalhou gradualmente
entre os mais diversos lugares nos últimos séculos, algumas vezes por meio de processos
revolucionários e de independência que fundaram novas nações e repúblicas e outras vezes
pela via de reformas que democratizaram as antigas instituições políticas monárquicas.

{31} O que se observa atualmente é que a democracia se tornou, para além de um sistema
político, um princípio basilar tanto dentro das fronteiras nacionais como nas relações
internacionais. Isso pode ser constatado ao se analisar o número de nações que possuem
sistemas democráticos ou híbridos (onde há traços de elementos democráticos e
antidemocráticos). Segundo o Índice de Democracia realizado pela consultoria
britânica Economist Intelligence Unit no ano de 2012, com base em critérios como processo
eleitoral, funcionamento do governo, liberdades civis, participação política e pluralismo
partidário, os países ao redor do mundo que podem ser considerados democráticos, ainda que
numa escala variável, correspondem ao total de 79 nações (4).

{32} O grande desafio que enfrentam hoje em dia os países democráticos não reside mais em
conferir direitos de participação política a grupos sociais, gênero, étnicos ou religiosos,
anteriormente sem representação nas decisões políticas, mas o de criar mecanismos que
efetivem o exercício dessa participação, objetivando assim que a sociedade desenvolva-se de
forma relativamente uniforme.

Superação do Ideal Democrático

{33} O liberalismo é uma filosofia que está assentada sobre quatro pilares essenciais: a vida, a
liberdade, a propriedade e a tolerância. Diferentemente das duas outras mais importantes
correntes da filosofia política dos últimos séculos, o conservadorismo e o socialismo, o
liberalismo baseia sua doutrina política sobre o indivíduo e não sobre um coletivo ou classe
social. Na filosofia liberal, o indivíduo é o agente principal da transformação social, política,
econômica e cultural. Justamente por isso, no campo político, o liberalismo sempre defendeu
os direitos básicos dos indivíduos das ameaças de grupos sociais ou do Estado.

{34} Analisando em retrospectiva a história da democracia moderna, é possível notar como a


filosofia política liberal desenvolveu-se de forma paralela a esta, percepção aferível diante da
quantidade de defensores liberais deste sistema político e do pioneirismo na aplicação destes
ideais tanto em processos revolucionários como em movimentos de independência inspirados
nas teorias destes filósofos. Essa simbiose tem como justificativa histórica a noção defendida
por importantes filósofos liberais de que a democracia é um sistema que, dentre os existentes,
possuía uma maior capacidade de preservar as liberdades individuais do que a antiga
monarquia.

{35} Se por um lado é possível afirmar que o liberalismo político contribuiu diretamente no
surgimento e na expansão dos ideais democráticos modernos, por outro também partiu de
alguns dos representantes dessa corrente filosófica, fortes alertas e duras críticas aos riscos do
desvirtuamento das instituições democráticas, dado que estas poderiam conferir um
revestimento legitimador às leis e legislações que violassem os direitos individuais.

{36} Tocqueville chegou a apontar nos dois volumes de A Democracia na Américaque o sistema
democrático contém dois grandes perigos à sociedade. O primeiro denomina-se “Tirania da
Maioria”, que seria o resultado da massificação da população como consequência provável da
igualdade de condições que a democracia proporciona. Não visão de Tocqueville, ao favorecer
certa homogeneidade cultural, moral e política, as minorias poderiam ser silenciadas,
discriminadas ou afastadas das decisões relativas à coisa pública por ausência de
representação no Estado [Célia G. Quirino 2001, p. 154-156].
{37} Já o segundo perigo apontado por Tocqueville também provém da igualdade social
oriunda do processo democrático, que é a apatia política que os cidadãos poderiam adotar ao
não se dedicarem devidamente às questões relativas ao interesse público. O perigo nesse caso
reside na possibilidade dos governantes e burocratas se utilizarem desse desinteresse político
para aumentarem seu poder interventor sobre a sociedade, atacando porventura os direitos
fundamentais dos indivíduos.

{38} Stuart Mill, assim como Tocqueville, também alertou sobre os riscos da democracia se
converter numa forma de governo que atendesse a interesses exclusivos de determinadas
classes, fossem estas compostas por uma minoria ou uma maioria:

“Um dos maiores perigos, portanto, da democracia, bem como de todas as outras formas de
governo, consiste nos interesses sinistros dos detentores do poder; é o perigo da legislação de
classe; do governo que visa (com sucesso ou não) o benefício imediato da classe dominante,
em perpétuo detrimento da massa. […] Se considerarmos uma classe, politicamente falando,
como um número qualquer de pessoas com o mesmo interesse sinistro — ou seja, cujo
interesse direto e aparente aponta para o mesmo tipo de medidas nocivas; o objetivo
desejável seria que nenhuma classe, ou nenhuma associação de classes passíveis de se
associarem, deveria ser capaz de exercer uma influência preponderante sobre o
governo.” [John Stuart Mill 1981 (1861), p. 68]

{39} Se na Inglaterra, Stuart Mill representou o espectro político liberal que aprofundou de
forma definitiva à ligação quase que umbilical entre o liberalismo e as ideias democráticas,
coube a outro liberal, dessa vez na França, no mesmo período, defender uma descrença na
democracia. Este pensador observou que o sistema democrático na prática terminava por,
assim como as demais formas de governo, desvirtuar as funções exclusivas que os liberais
pretendiam conferir ao Estado, que é garantir a paz social, por meio da segurança, e as normas
de conduta, por meio da lei.

{40} O economista e político francês Frédéric Bastiat (1801–1850) escreveu em sua pequena
obra A Lei, sobre a facilidade com que a legislação, no sistema democrático, pode ser
deturpada de sua função primordial, de acordo com a teoria política liberal, que é garantir a
proteção dos direitos individuais, quais sejam, o direito a vida, a liberdade e a propriedade.
Observando a realidade política democrática da França durante a época em que atuou como
representante político no Congresso, Bastiat criticou severamente a prática legislativa dos
demais representantes políticos eleitos democraticamente, por converterem o Estado numa
grande ficção jurídica que “tenta enriquecer todas as classes, à custa umas das
outras”[Frédéric Bastiat 2010 (1863), p. 21], buscando pela via legal criar benefícios para
determinadas categorias econômicas e grupos sociais.

{41} É importante esclarecer que, ao contrário de Mill e Tocqueville, que defenderam uma
ampla e ativa participação popular no campo político para evitar abusos cometidos pelos
governantes, Bastiat enxergava que, na prática, os interesses que os novos grupos de eleitores
e seus representantes eleitos buscavam concretizar na política, se resumiam a conseguir, por
meio do Estado, benfeitorias de todos os tipos. Isso se deve, na visão dele, pela funesta
tentativa dos legisladores de buscarem através da lei o bem-estar da nação ou de
determinadas classes sociais, ao invés de direcioná-la devidamente a sua real finalidade que é
“impedir a injustiça de reinar”[idem. ibid. p. 26].

{42} Bastiat denominou o processo pelo qual “a lei beneficia um cidadão em detrimento dos
demais, fazendo o que aquele cidadão não faria sem cometer crime”, de “espoliação legal”:

“A espoliação legal pode ser cometida de infinitas maneiras. Possui-se um número infinito de
planos para organizá-la: tarifas, protecionismos, benefícios, subvenções, incentivos, imposto
progressivo, instrução gratuita, garantia de empregos, de lucros, de salário mínimo, de
previdência social, de instrumentos de trabalho, gratuidade de crédito etc.” [Idem. Ibid. p. 21]

{43} A crítica de Bastiat ao modelo de governo democrático não nega que o que ele denomina
de “espoliação legal” ocorra num sistema monárquico, mas sim que esta ganha uma
organização bem mais ampla na democracia por conta do sufrágio universal, que torna
potencialmente todos os anseios e desejos egoístas dos membros da população passíveis de
serem satisfeitos pela via legal. Conclui assim Bastiat em sua análise, que a democracia
converte um modelo onde há uma “espoliação parcial”, que beneficia os governantes e seus
aliados (monarquia), em um sistema que pratica a “espoliação universal”, em que todas as
classes sociais buscam explorar umas as outras. [Idem. Ibid. p. 21]

{44} Essa análise é particularmente surpreendente, do ponto de vista filosófico, não apenas
por ser o primeiro grande golpe de um liberal ao ideal democrático como sistema político mais
favorável para à proteção dos direitos individuais, mas por realizar uma distinção teórica que
se tornaria fundamental no que se pode denominar de sociologia liberal: a ação produtiva e a
espoliativa.
{45} O sociólogo alemão Franz Oppenheimer (1864–1943) desenvolveu de forma mais
aprofundada, em sua obra O Estado, essa distinção apontada por Bastiat no século XIX:

“Existem duas formas fundamentalmente opostas através das quais o homem, em


necessidade, é impelido a obter os meios necessários para a satisfação dos seus desejos. São
elas o trabalho e o furto, o próprio trabalho e a apropriação forçosa do trabalho dos outros. Eu
proponho, na discussão que se segue, chamar ao trabalho próprio e à equivalente troca do
trabalho próprio pelo trabalho dos outros, de “meio econômico” para a satisfação das
necessidades enquanto a apropriação unilateral do trabalho dos outros será chamada de
“meio político”. O Estado é a organização dos meios políticos.” [Murray Rothbard 2012 (2009),
p. 13]

{46} O que se observa é que, historicamente, essa definição sociológica acabou por promover
fissuras teóricas no liberalismo, de onde várias vertentes cresceram. Por um lado, alguns
liberais deram prosseguimento à defesa empreendida por Stuart Mill de unir os ideais liberais
com os democráticos, desde que o “Estado Mínimo”, ou seja, aquele dedicado exclusivamente
a fornecer segurança (interna e externa) e justiça, fosse mantido. Estes foram denominados de
liberais clássicos.

{47} Por outro lado, certos liberais expandiram teoricamente a base de ação do Estado
proposta pela concepção clássica, alegando que os indivíduos necessitavam ter sua liberdade
legal transformada em liberdade real, o que só poderia ocorrer por meio da atuação estatal
para suprir certas necessidades materiais básicas, além de defenderem que caberia ao Estado
oferecer os serviços em que o livre mercado “falhasse” em fornecer. Esta vertente é conhecida
como liberalismo social.

{48} Por fim, o restante dos liberais, rejeitando completamente a posição dos teóricos do
liberalismo social, especialmente nos EUA, e apontando a ingenuidade dos liberais clássicos
em acreditar que o Estado, democrático ou não, se limitará as suas funções liberais,
embasaram sua posição política sobre uma defesa de total e completo voluntarismo advindo
da liberdade de ação dos indivíduos, desde que estes atos não gerassem agressão à liberdade
dos demais. Esta última corrente liberal foi denominada de libertarianismo [Ubiratan B.
Macedo 1995, p. 37-44].
{49} Destaca-se ainda que a conclusão sociológica a que chegou Franz Oppenheimer
influenciou claramente a posição política e econômica de uma sub-vertente dentro do
libertarianismo, que começou como uma descrença no sistema democrático e terminou dando
origem a uma completa oposição teórica entre a filosofia liberal e qualquer forma de governo:
o anarcocapitalismo.

{50} Como citado anteriormente, a grande preocupação dos teóricos políticos liberais ao longo
da história foi formular meios de implementar socialmente e garantir legalmente direitos e
liberdades individuais, os quais permitem o progresso da sociedade. A solução
costumeiramente apontada por estes era que o papel de guardião destes direitos
fundamentais caberia invariavelmente ao Estado, fosse ele democrático ou não. Essa
conclusão partia da presunção econômica de que somente o Estado poderia fornecer
adequadamente os serviços de segurança e justiça [Ludwig Von Mises 2010, p. 63-66].

{51} Tendo por base os princípios da Economia Clássica, os liberais, em especial os da vertente
clássica, entenderam que certas áreas de prestação de serviços exibiam as famigeradas “falhas
de mercado”, onde somente o Estado teria meios de satisfazer a demanda por estes serviços.
Por causa dessa noção que os serviços fornecidos exclusivamente pelo Estado terminaram
conhecidos como “bens públicos” [Friedrich A. Hayek 1989, p. 6-8].

{52} O economista Friedrich A. Hayek conceitua da seguinte maneira os denominados “bens


públicos”:

“Há vários tipos de serviço que os homens desejam, mas que, se fornecidos, não poderão ser
limitados aos que se dispõem a pagar por eles; assim, só podem ser fornecidos se os recursos
forem compulsoriamente arrecadados. Desde que exista um aparelho de coerção, e em
especial se lhe for dado o monopólio da coerção, é óbvio que ele também será incumbido de
suprir meios para o fornecimento de tais ‘bens coletivos’, como os economistas chamam esses
serviços que só podem ser prestados a todos os membros de vários grupos. […] Um interesse
coletivo só se tornará um interesse geral na medida em que todos se considerem que a
satisfação de interesses coletivos de grupos particulares, com base em algum princípio de
reciprocidade, redundará para eles num ganho maior que o ônus que deverão
suportar.” [Idem. Ibid. p. 6]

{53} Os teóricos anarcocapitalistas foram os primeiros liberais a questionarem a validade


econômica dessa afirmação e, por conseguinte, a necessidade fática da existência do Estado
como prestador monopolista dos intitulados “bens públicos”. O anarcocapitalismo, apesar de
algumas divergências entre seus principais representantes teóricos, possui pontos em comum
que o tornam uma filosofia política bastante coesa.

{54} As principais proposições dadas pelo anarcocapitalismo são a [Outhwaite et Bottomore


1996, p. 527]:

“Abolição de todas as restrições estatutárias referentes a planejamento, poluição, segurança


industrial, drogas e sexo (a ação pertinente estará a cargo das partes interessadas);
privatização de toda a propriedade e infraestrutura pública (como as estradas); privatização da
previdência social, lei e ordem e defesa (a serem fornecidas através de seguros privados e de
agências de proteção).”

{55} Como apontaram os teóricos anarcocapitalistas, existem enormes problemas relacionados


ao conceito de bens públicos. O primeiro deles é que não há de fato como alegar que um
determinado bem, por gerar externalidades a não-consumidores, sejam elas positivas ou
negativas, deva necessariamente ser fornecido pelo Estado; e mesmo que se admitisse que há
uma lógica nessa correlação, não há como afirmar que o Estado poderia fornecer esse bem ou
serviço, de forma compulsória, tão bem quanto a iniciativa privada [Hans-Hermann Hoppe
2010, p. 189-190].

{56} O segundo problema é que existem muitos bens e serviços que atualmente são
categorizados como públicos que são parcialmente ou totalmente fornecidos pela iniciativa
privada, como é o caso dos serviços jurisdicionais prestados por câmaras de arbitragem e os
serviços de proteção fornecidos por empresas de segurança privada.

{57} O terceiro problema com a teoria dos bens públicos é o de ordem ética, segundo aponta o
filósofo Hans-Hermann Hoppe [Idem. Ibid. p. 193]:

“A norma requerida para alcançar a conclusão acima é a seguinte: sempre que de algum modo
se possa provar que a produção de um bem ou serviço particular tem um efeito positivo para
alguém, mas não seria produzido por ninguém, ou não seria produzido em uma quantidade ou
qualidade definidas a menos que outros participassem de seu financiamento, então o uso de
violência agressiva contra estas pessoas é permitido, seja direta ou indiretamente com a ajuda
do estado, e estas pessoas podem ser forçadas a compartilhar da necessária carga financeira.
Não é necessário muito comentário para mostrar que o caos resultaria da implementação
desta regra.”

{58} Justamente em face disso, que, ao longo do tempo, teóricos como Gustave de Molinari
(1819–1912), Murray Rothbard (1926–1995), David Friedman (1945–), Hans-Hermann Hoppe
(1949–), Jesus Huerta de Soto (1956–), Robert P. Murphy (1976–) entre outros, defendem em
seus escritos não apenas a desnecessidade da existência do Estado, como, por consequência, a
dispensabilidade do sistema democrático como melhor forma de desenvolver a sociedade e,
ao mesmo tempo, preservar os direitos e liberdades individuais.

Uma Proposta de Superação

{59} Um problema que se faz presente é o fato da maioria desses filósofos serem pouco afeitos
à ciência jurídica, motivo pelo qual o desenvolvimento desse novo sistema jurídico ainda é
muito incipiente.
{60} O mais importante jusfilósofo propriamente dito é David Friedman, professor de direito
da Santa Clara University, que buscou sintetizar as bases de um sistema de produção legal
policêntrico.

{61} Segundo Friedman, leis, proteção policial e tribunais de resolução de conflitos são serviços
econômicos como quaisquer outros, não havendo grau de importância entre esses serviços e
outros serviços, como o ensino ou a prática médica, serviços esses prestados pelo mercado de
maneira corriqueira.

{62} Essa assertiva, embora chocante em um primeiro momento, pode ser aferível na prática.
Advogados frequentemente criam leis privadas para regular a relação privada entre indivíduos
livres de uma sociedade democrática, havendo grande concorrência entre escritórios de
advocacia, o que garante a alta qualidade do serviço jurídico em questão. O mercado de
proteção privada de segurança é um dos mais prósperos no Brasil. Por fim, cada vez mais se
usa o expediente da resolução autônoma de conflitos (acordos extrajudiciais entre escritórios)
e heterônoma privada (arbitragem), no Brasil, especialmente, desde 1996 (5).

{63} O que o professor pede é um exercício de imaginação, não para eventos contratualmente
estabelecidos, pois esses são de fácil resolução, bastando se aplicar o que está disposto em
contrato, mas sim para situações sem estipulação contratual pré-constituída, como no caso de
um atropelamento ou de um roubo.

{64} Neste caso, as agências de segurança em livre-mercado passariam a competir para


apresentar leis mais seguras e seu cumprimento mais correto, e as agências com leis mais
obscuras e pouco eficientes na sua aplicação perderiam naturalmente esse mercado
consumidor, precisando se ajustar às necessidades legislativas e de segurança da população,
sua clientela.

{65} A grande diferença entre o modelo de legislação de mercado e a democracia, ou


legislação de Estado, está no fato de que os incentivos econômicos naturais da legislação de
mercado estariam a favor do consumidor comum, o que não ocorreria na legislação de Estado.

{66} Na legislação de mercado, quanto maior e mais complicado o ordenamento jurídico,


maiores os seus custos de produção e execução, e esse encarecimento leva a uma perda de
competitividade frente aos seus concorrentes, o que se leva a crer que os incentivos naturais
para que a legislação seja simples, objetiva e imparcial.

{67} Na legislação de Estado, por outro lado, quanto maior e mais complicado o ordenamento
jurídico, maior será também a necessidade de recursos, e como na democracia o Estado é
suportado por pagamentos compulsórios, os impostos, a população se vê obrigada a pagar
cada vez mais por essa estrutura. Outro problema grave se dá por conta da “teoria da
captura”. Segundo essa teoria, grupos que se relacionam com frequência com o caixa do
Estado tendem a se organizar politicamente melhor para usufruir de maneira mais eficiente
das benesses públicas, ao passo que, para o cidadão comum, essa organização é
demasiadamente cara, então vários grupos de pressão acabam por aprovar leis que
concentram para si o retorno desses impostos, que são cobrados de maneira diluída de toda a
população. A legislação democrática acaba se tornando complexa, subjetiva e parcial.

{68} Restaria então comprovada a eficácia natural da legislação de mercado frente a legislação
democrática. Mas como se resolveriam os conflitos entre agências?
{69} De acordo com Friedman, ao contrário do Estado, que precisa que existam confrontos
para que se justifiquem os aumentos de arrecadação para o combate à violência, no mercado,
se as agências entrarem constantemente em conflito, elas perderão muito dinheiro, já que
guerras são extremamente custosas, perdendo, portanto, competitividade no mercado, o que
levaria as agências a certos padrões mínimos de relacionamento entre elas. No limite, um novo
mercado de resolução de conflitos entre agências seria criado, bem como um mercado de
seguros para suportar eventuais conflitos e prejuízos.

{70} As soluções de mercado para os conflitos seriam, portanto, os mais vastos e criativos
possíveis, reduzindo o desperdício da riqueza social e canalizando os incentivos naturais do
mercado em prol da paz social.

{71} A viabilidade desse arranjo pode ser visto na prática, a cada momento em que uma
arbitragem é bem sucedida, ou um acordo entre escritórios se realiza, sem sangue e sem dor.
Não é um sistema perfeito, pois o homem não é perfeito, mas canaliza bons incentivos para a
resolução de conflitos sociais, onde a democracia hoje falha a olhos vistos.

{72} Disse uma vez o ex-Premiê britânico Winston Churchill (6) que “a democracia é a pior
forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em
tempos”, e ele tinha razão, mas talvez esteja na hora de superarmos esse modelo em prol de
outro, baseado na soberania e na responsabilidade individual, bem como na liberdade
contratual, para vermos se, na prática, esse novo modelo, também imperfeito, se torna menos
pior que a deteriorada democracia.

Notas

(1) Na separação de poderes apresentada por Montesquieu, o Judiciário não é considerado um


poder como os demais, sendo somente um braço do Legislativo responsável pela aplicação da
lei. É desta visão que corresponde a sua famosa frase “os juízes são a boca que pronuncia as
palavras da lei”.

(2) “Qualquer pessoa que usar a força ilegalmente […] coloca-se em estado de guerra contra
aqueles contra quem ele a usa, e nesse estado todos os vínculos anteriores são cancelados,
todos os outros direitos cessam e cada um tem o direito de se defender e resistir ao
agressor.” [Petrópolis: Vozes, 1994, pág. 225]

(3) UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. Constituição dos Estados Unidos da América – 1787.
Disponível em: http://www.direitoshumanos.usp.br/index.php/Documentos-anteriores-
%C3%A0-cria%C3%A7%C3%A3o-da-Sociedade-das-Na%C3%A7%C3%B5es-at%C3%A9-
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(4) ECONOMIST INTELLIGENCE UNIT. Democracy Index 2012. Disponível


em: https://www.eiu.com/public/topical_report.aspx?campaignid=DemocracyIndex12Acesso
em: 21 de mai. 2013.

(5) A arbitragem no Brasil teve um grande avanço com a regulamentação feita através da Lei
no 9.307, de 1996.

(6) Discurso na Casa dos Comuns (Parlamento Britânico), em 11 de Novembro de 1947.

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