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Processo Civil I (2018-2º Semestre)

Plano da 1a. Aula


Noções Fundamentais de Processo Civil (1ª Parte)
Faculdade de Direito da PUCSP
2º Período Matutino/Noturno (Turmas MG/NB2)

Professor - Francisco da Silva Caseiro Neto (KIKO)


(caseironet@pucsp.br) - 98401-4768 (whatsapp)

Monitor – Victor Henrique Ortencio Cabral ( victor_ckv@hotmail.com)

976111303

Legislação básica:

CF – Art. 5º Caput, XIV, XXXV, XXXVII, LIII, LIV, LV, LVI, LX,
LXXVIII; 93-IX

Pacto de São José da Costa Rica

CPC/15 – Artigos. 1º/12

Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (Redação dada pela Lei nº


12.376, de 2010)

1ª Aula - Noções Fundamentais de Processo Civil (1ª


Parte)

A – Conceito
B- Princípios Norteadores: Constitucionais e Infra
Constitucionais)
C - Relação com Outros Ramos do Direito
D – Seminário]
E - Bibliografia

1
1. Noções Fundamentais de Processo Civil (1ª Parte)

A - Conceito de Direito Processual Civil

Conjunto de normas que regulam a atividade


jurisdicional do Estado, bem como a estrutura e funcionamento do
Poder Judiciário, encarregado da operacionalização da
distribuição de Justiça.

“O direito processual civil é o ramo do direito que


se volta a estudar a forma de o poder judiciário (Estado-juiz) exercer a
sua atividade-fim, isto é, prestar a tutela jurisdicional a partir do
conflito de interesse (potencial ou já existente) que exista entre duas ou
mais pessoas”- (Cássio Scarpinella Bueno, “Manual de Direito Processual Civil”, 2017, 3ª
Edição, Saraiva, São Paulo, pág. 43).

“O Direito Processual Civil é o ramo do direito


que contém as regras e os princípios que tratam da jurisdição civil,
isto é, da aplicação da lei aos casos concretos, para a solução dos
conflitos de interesses pelo Estado-Juiz”- (Marcus Vinícius Rios
Gonçalves, Novo Curso de Direito Processual Civil, Saraiva Jur, São
Paulo, 2018, pág. 25).
.

B - Princípios Norteadores da Ciência Processual Civil

O modelo constitucional do processo civil


brasileiro, é impulsionado por diretrizes principiológicas, que
emanam da Constituição Federal e do próprio Código de
Processo Civil (que encampou e repetiu alguns daqueles em seu próprio
texto), além de outros textos legais, como a LINDB.

“Eles ocupam-se especificamente com a conformação do


próprio processo, assim entendido o método de exercício da função
jurisdicional. São eles que fornecem as diretrizes mínimas, embora
fundamentais, de como deve se dar o próprio comportamento do
Estado-juiz” (Cássio, obra mencionada, pág. 47).

Podem, portanto, ser elencados na seguinte ordem:

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1º) Constitucionais e Infraconstitucionais (conjuntamente)

1º) Inafastabilidade do Controle Jurisdicional (5º-


XXXV c/c 3º, 140 do CPC/15 c/c 4º e 5º da LINDB)

Nenhuma lesão ou ameaça de lesão que


possa sofrer qualquer pessoa, estará isenta de apreciação pelo
Poder Judiciário – por via do Processo Civil, sendo estimulados o
juízo arbitral, a conciliação e a mediação, na conformidade do art.
3º do CPC/15.

Todos terão essa garantia constitucional,


insculpida no art. 5º XXXV da Constituição Federal e o primeiro
com a obrigatoriedade de respeito a ela é o próprio legislador (que
não pode legislar contra ela), seguido do próprio juiz (que não pode se
abster de julgar a causa trazida a seu conhecimento) (Art. 140 do CPC/15)
arts. 4º e 5º da LINDB).

2º) Devido Processo Legal (5º LIV CF/88)

Uma vez trazida a controvérsia a juízo,


haverá ela de, aqui, submeter-se ao denominado “princípio
síntese” (passim Cássio, pág. 49), devido processo legal, itinerário que a
Lei Maior (Art. 5º LIV) sinaliza para seu desenvolvimento e
deslinde.

Portanto, todo o sistema jurídico (a começar


pela CF/88) e a estrutura do Poder Judiciário, deverão estar
presentes em quaisquer medidas que possam importar na privação
de bens ou solução do conflito.

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3º) Contraditório e Ampla Defesa (LIV e LV do art. 5º
da CF/88 c/c 6º, 9º e 10º do CPC/15)

Compreendem a “ciência e resistência” (Cássio,


obra acima, pág. 50), dentro do processo, desdobrando-se nos arts. 6º, 9º
e 10º no NCPC, em suas Normas Fundamentais.

“a) direito de ser ouvido; b) o direito de


acompanhar os atos do processo; c) o direito de
produzir provas; d) o direito de ser informado
regularmente dos atos praticados no processo; e) o
direito à motivação da sentença; f) o direito de
impugnar as decisões”(LOPES, João Batista, “Curso...”, pág.
42).

Há uma relativização neste princípio,


quando encontramos , por exemplo, o art. 300§2º do CPC/15, que
autoriza a concessão de tutela provisória de urgência ou de
evidência (inclusive a monitória (701)), liminarmente, “inaudita
altera parte” (sem a oitiva da outra parte), quando verificar que o
conhecimento da medida postulada pelo réu, pode frustrar seu
cumprimento ou quando ela for muito evidente.

É o que se denomina contraditório


diferido (ou adiado), como no exemplo de uma liminar de busca e
apreensão de menores submetidos a maus tratos por um dos
cônjuges detentores da guarda.

Ainda se pode falar da ampla defesa, que


não significa defesa abusiva ou desenfreada (que pode até gerar uma
tutela de evidência, tal como previsto no art. 311- I).

Compreende todos os fundamentos de


ordem constitucional, processual ou material, seja na petição
inicial e demais manifestações do autor, seja na conformidade do
que dispõem os arts. 335/343 (Contestação do Réu) .

Em alguns casos, a Lei mitiga a amplitude


da defesa, como é o caso da Desapropriação (DL 3365 de
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21/6/1941, art. 20 (vício do processo expropriatório ou valor do bem))
ou na Busca e Apreensão de Bens Alienados Fiduciariamente
(DL 911/69, art. 3º parágrafo 2º), (pagamento do débito, purgação da
mora ou cumprimento das obrigações contratuais)) ou ainda do art. 72
da Lei 8245/91 (Locação Predial Urbana) (reduz a defesa do locador
na ação renovatória, a quatro alegações).

Também leva outros contornos a ampla


defesa, no processo de execução (ou cumprimento de sentença),
na medida em que o devedor, em regra, não pode contestar a ação
e sim oferecer embargos (535 ou 917 do CPC/15) ou impugnação
(525§1º do CPC/15).

4º) Isonomia entre as Partes (5º-I CF/88 c/c 7º e


139-I do CPC/15)

Admitindo-se a “desigualdade entre os


desiguais” de Aristóteles, aqui vem consagrado o cânone
processual da igualdade entre as partes litigantes.

Decorre este princípio, do art. 5º caput da


CF/88 e inciso I e vai se alojar nos arts. 139-I do CPC/15,
ordenando ao juiz a dispensa de tratamento igualitário às partes
contendentes, concedendo-lhes os mesmos prazos, as mesmas
oportunidades de manifestação, mesma possibilidade de produção
de provas, etc.

Só não o fará em virtude das desigualdades


acima, posto que, por exemplo, o consumidor é o hipossuficiente
na relação jurídica de consumo e por isso gozará de alguns
privilégios processuais, dentre os quais a inversão do ônus da
prova, competência do foro de seu domicílio para as ações e
outras (art. 6º e 101-I do CDC).

Também é o caso da Fazenda Pública. Da


Defensoria Pública (na verdade, os necessitados que ela representa) ou

5
do Ministério Público, que, pelos arts. 180, 183 e 185 do CPC/15
têm prazo em dobro para manifestarem-se nos autos.

Ou ainda, que, pelo art. 496 do mesmo


Código, tem a Fazenda Pública direito à Remessa Necessária
(endereçada ao Tribunal pelo próprio Juízo, sem qualquer provocação das
partes), quando condenados a valores superiores a 100, 500 ou
1.000 Salários Mínimos, conforme a natureza municipal, estadual
ou federal do Poder Público que litiga.

Pode-se falar ainda, dos menores, dos


idosos, dos deficientes físicos, dos funcionários públicos, dentre
outras situações sócio-econômicas de desigualdade, que podem
ensejar tratamento diferenciado.

5º) Juiz Natural (5º XXXVI e LIII) e 284 do CPC/15

Decorre dos incisos XXXVII e LIII do Art.


5º da CF/88 e significa que somente os Tribunais já instituídos
pela Organização Judiciária, por meio de seus juízes concursados
e empossados - e desde que competentes absoluta e relatvamente-
, é que poderão pronunciar-se jurisdicionalmente.

Podem as partes, contudo, em questões


patrimoniais disponíveis, eleger árbitros (Lei 9.307/96, arts. 13 e
18), não se submetendo tal decisão a recurso ou homologação do
Poder Judiciário, somente reexame de eventual nulidade e
execução forçada de seus julgados.

Também chamado de “princípio da


vedação de tribunais de exceção” (Cássio, obra acima, pág. 52).

6º) Proibição das Provas Ilícitas (5º - LVI da CF/88 e


art. 369 do CPC/15).

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Prova tem a missão de demonstrar os fatos
alegados pelas partes. E não se pode usar de meios ilícitos na
obtenção dessas provas.

Provas ilícitas, do ponto de vista


constitucional, contrariam a Constituição (5º - III, X, XII) , os
Princípios Gerais de Direito, o Código de Processo Civil, o
Código Civil ou mesmo a moral e os bons costumes.

Não se pode querer demonstrar o fato, por


exemplo, violando a privacidade de alguém, com escutas
clandestinas de telefone (o “grampo”) ou suas correspondências.

Não se pode, como outro exemplo, querer


demonstrar o fato que irá conferir o direito, mediante a violação
do segredo da senha do computador da parte contrária.

No entanto, do ponto de vista doutrinário e


jurisprudencial, tem sido levada em conta a proporcionalidade,
onde se pode fazer um cotejo entre o princípio ou norma violada
e o princípio que se pretende defender com a violação. Por ex.,
filme clandestino que demonstra prática criminosa de um dos
cônjuges que disputam a guarda do filho menor. Ou então,
invasão de domicílio (ou câmera oculta), tendente a demonstrar
maus tratos a idoso em pedido de interdição. Ou ainda, escuta
telefônica onde o pai revele maus tratos ao filho menor, em ação
de destituição do poder familiar.

7º) Publicidade dos Atos Processuais (CF/88, 93-IX


c/c 11CPC/15)

Dentro do desenvolvimento do processo,


como corolário dos arts. 5º XIV e LX, bem como do art. 93, IX
todos da CF/88, refletidos no art. 11 do CPC/15, é autorizada a
ampla publicidade de todos os atos ali desenvolvidos, até como
manifestação do Estado Democrático de Direito e da Cidadania.

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Observe-se que todas as decisões do Juiz
são publicadas no Diário Oficial Eletrônico!

No entanto, estes próprios dispositivos,


anunciam circunstâncias em que os atos judiciais poderão ter essa
publicidade coarctada ou mesmo mitigada.

No aspecto infra constitucional, temos o


referido art. 11 parágrafo único das Norma Fundamentais do
Processo Civil, complementado pelo art. 189, todos do CPC/15
que, em sintonia com os dispositivos constitucionais acima,
vedam a publicidade dos autos e da audiência, para os casos de
segredo de justiça (por ex. separações litigiosas). As publicações dos
despachos dos juízes, nesses casos, somente indicarão as iniciais
das partes e os nomes de seus advogados.

8º) Duplo Grau de Jurisdição (CF/88 - 5º LV, LXXVII


c/c Pacto de São José da Costa Rica 8º item 2H, 994 do
CPC/15)

É um princípio implícito, decorrente da


leitura de vários dispositivos constitucionais (por ex.,102, 105), a
começar pelo acima aludido inciso LV, que preceitua:

“...LV – aos litigantes, em processo judicial


ou administrativo, e aos acusados em geral são
assegurados o contraditório e ampla defesa, com os
meios e recursos a ela inerentes.”...(grifos nossos)

É assegurado o inconformismo com as


decisões de Io Grau e assegurada uma espécie de fiscalização pelo
Tribunal (Colegiado) das decisões monocráticas de Io Grau,
como se vê consagrado pelos arts. 994 e seguintes do CPC/15,
bem como 41/43 da Lei 9099/95.

Também vem orientação nesse sentido, do


Pacto de São José da Costa Rica (Convenção Interamericana de
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Direitos Humanos) (Art. 8º, item 2 H), reconhecido e aprovado pelo
Brasil (Decreto Legislativo 678/92), na forma do parágrafo 3º do
inciso LXXVII da CF/88, o que significa apresentar-se ele como
Emenda Constitucional.

9º) Motivação das Decisões Judiciais (CF/88, 93-IX


c/c 11 caput do CPC/15)

Decorre do art. 93- IX da CF/88 e é


refletido no art. 11caput “in fine” do CPC/15 Constitui
transparência da atividade pública jurisdicional. É dever dos
juízes e direito dos cidadãos. Assegura proteção e controle da
atividade pelos Órgãos Superiores e pela própria população,
inclusive através da imprensa.

Dirige-se tanto a sentenças de mérito,


quanto às decisões interlocutórias (por ex. liminares ou antecipações
de tutela) e, se for o caso, até aos despachos ordinatórios. E a
fundamentação deve ser adequada e compatível com o
convencimento que o magistrado expuser (489§1º do CPC/15).

Por exemplo, a parte que tem sua pretensão


de produzir uma determinada prova indeferida, tem o direito de
saber qual é o motivo jurídico que fez o juiz indeferi-la.

Se o réu vê a reintegração de posse julgada


procedente, deve ver no conteúdo da sentença, os fundamentos de
fato e de direito que levaram o Meritíssimo a chegar a tal
conclusão.

10º) Livre Convencimento e Persuasão Racional

Sintonizado com o art. 93-IX da CF/88,


vem consagrado com o art. 371/489§1º do CPC/15, na medida em
que a convicção do magistrado é livre, mas deve ser
fundamentada nos elementos dos autos.

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11º) Razoável Duração do Processo ( CF/88 - 5º -
LXXVII, 93-XV c/c 4º do CPC/15)

Consagrado pelo “caput” do inciso LXXVIII da


CF/88, foi nela inserido pela Emenda Constitucional 45 de
8/12/2004, em sintonia com a busca pela efetividade do processo,
também vem sinalizado pelo art.4º (que o estende à execução) e pelo
art. 93-XV também da CF/88, que fixa a obrigatoriedade de
distribuição imediata dos recursos endereçados aos Tribunais de
2ª Instância (Wambier/Talamini, “Curso Avançado de Processo Civil”, 2016, Thomson
Reuters/RT, São Paulo, pág. 79).

Dessa forma, princípio de difícil aplicação,


ordena do ápice da pirâmide legal, que todos os processos tenham
uma duração ao menos razoável, em respeito aos jurisdicionados,
princípio esse a que devem obediência e valorização, os poderes
que cuidam da gestão do Poder do Judiciário, assim como todos
os operadores do direito.

O aparelhamento físico, tecnológico e


humano do Poder Judiciário, de acordo com a necessidade da
demanda, sem dúvida apontam também para esta justiça célere e
de qualidade.

12º) Soberania da coisa julgada (5º - XXXVI c/c


6º §3º da LINDB c/c 502 do CPC/15)

Preconizada pelo art. 5º - XXXVI, que se refere à


autoridade da coisa julgada material do “decisum” da sentença,
que define o mérito da demanda. Não pode ser violada por lei ou
outra decisão superveniente, salvo aquelas provenientes da ação
rescisória do art. 966 do CPC/15.

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13º) Efetividade, cooperação e respeito à
dignidade do jurisdicionado (CF/88, 1º-III, 5º -
LXXVIII c/c 6º e 8º do CPC/15)

O conhecimento e obediência firme a toda


essa principiologia e à ciência do processo civil, assim como a
cooperação (esclarecimento, diálogo, prevenção e auxílio, entre todos os
sujeitos da relação jurídica processual, ou seja, juiz, partes, advogados,
promotor e auxiliares da justiça ( passim Wambier/Talamini, pág. 83), poderão
trazer uma produção de justiça com qualidade (efetividade) e
respeito à dignidade (art. 1º - III da CF/88 e ar. 8º do CPC/15)
dos jurisdicionados.

Ademais disso, para atingir essa


efetividade ao dirimir a controvérsia, o juiz aplicará a lei, levando
em conta os fins sociais e a exigência do bem comum a que ela se
propõe.

14º) Assistência Jurídica e Gratuidade (CF/88, 5º -


LXXIV c/c 98 do CPC/15)

O Estado, através das Defensorias Públicas


(134 da CF/88) e Convênios com a OAB, subsidiará a assistência
processual gratuita das partes necessitadas, assim como as
isentará das despesas processuais (custas, perícias e demais despesas
dentro dos processos), fazendo-o na conformidade das diretrizes do
inciso LXXIV do art. 5º da CF, materializados processualmente
nos art. 98, 185/187 do CPC/15.

Parte a CF/88 do pressuposto de que a


dificuldade financeira não pode ser entrave ao acesso do cidadão
à Justiça.

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2º) Infra Constitucionais

Debaixo da principiologia constitucional/infra


constitucional acima visualizada, encontraremos a principiologia
infra constitucional, emanada do próprio Código de Processo
Civil, cujo elenco vem a seguir. Assim,

1º) Dispositivo

Vem insculpido pelo teor do art. 2º do CPC/15 e


significa que somente a parte interessada poderá postular a tutela
jurisdicional, inicial ou durante o trâmite do feito.

Não poderá o juiz fazê-lo de ofício, salvo a


produção de determinadas provas (testemunha referida),
inspeção judicial ou concessão de medidas cautelares de
emergência na salvaguarda da integridade dos interesses em
questão(297) ou mesmo a remessa necessária (496) e outras
atividades da jurisdicição voluntária, por exemplo (744)
(arrecadação dos bens dos ausentes).

2º ) Impulso oficial

Coadunado com o anterior, o juiz ao


receber o pedido, determina as providências a serem tomadas
pelas partes, nos prazos e formas legais, sob pena de preclusão e
até de extinção do processo sem resolução de mérito.

Ele é verificado pelo teor do mesmo art. 2º


do Código de Processo Civil de 2015, em sua parte final.

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3º) Congruência

Significa sintonia entre o pedido inicial e a


sentença de mérito. O pedido é uma “projeção da sentença” (Calmon
de Passos, apud LOPES, João Batista, obra indicada, pág. 61).

Pode-se detectá-lo pela leitura dos arts. 141 e 492


do CPC/15, significando mesmo que o silogismo da petição
inicial será refletido na sentença.

Premissa Maior somada à Premissa Menor


apontam para a Conclusão (na inicial), significarão uma
congruência com a Premissa Maior somada à Premissa Menor e
Conclusão (da Sentença).

Por ex., a inicial pede a anulação do contrato


pelo vício da coação no caso concreto. A sentença deverá ter
essas bases silogísticas e julgar procedente a ação porque ficou
provada a coação noticiada. Assim: premissa maior=Código
Civil, art.151, a coação vicia o ato jurídico; premissa menor= No
contrato de A com B, este foi coagido; Logo (Conclusão) o
contrato de A com B é anulado.

Fora desses limites, a sentença será extra (fora do


pedido), ultra (além do pedido) ou infra petita (menos que o
pedido) .

4º) Oralidade

Alguns atos processuais podem (ou devem) ser


praticados oralmente, visando a uma maior aproximação do
magistrado julgador, do íntimo das partes e das testemunhas ou
mesmo maior facilidade para as partes demonstrarem seus
interesses.

Assim, verificamos que os depoimentos pessoais


e oitivas das testemunhas devem ser orais, tal como se vê das
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previsões dos arts. 458/460 do CPC/15, assim como o pedido
inicial e contestação dos Juizados Especiais (arts. 14 e 20 da Lei
9.099/95), bem como a contestação do procedimento sumário (art.
278 do CPC/73 em cotejo com o 1046§1º, que lhe dá ainda em vigência
para os feitos anteriores a 16/3/2015, ainda não sentenciados), dentre
outros exemplos.

5º) Imediatidade

O juiz mesmo deverá praticar os atos


processuais que lhe estão incumbidos pelo art.139 e 203 de fazê-
lo, não podendo delegar essa missão ao Escrivão, ao Ministério
Público, aos Advogados, etc.

6º) Concentração

A prova oral e as alegações das partes


devem ser realizadas a um só tempo, em uma só audiência, salvo
justo motivo, quando a audiência será adiada para o dia mais
próximo da pauta. (art. 365 do CPC/15).

7º) Economia Processual

Por ele devem ser evitados atos inúteis ou


supérfluos, não se concebendo , por exemplo, uma prova oral se
os fatos estiverem incontroversos.

Da mesma forma, o CPC prevê a conexão e


a continência (arts. 55 e 56 do CPC/15), determinando a reunião
de processos para tramitarem e serem sentenciados
conjuntamente.

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8º) Lealdade Processual

O Código prima pela ética, ordenando às


partes que exponham os fatos conforme a verdade, a boa fé e a
lealdade.

Faz isso e prevê punições aos “improbus


litigators”, consagrando o princípio em questão, nos arts. 5º,
77/81 do CPC/15.

9º) Instrumentalidade

O processo é um meio de obtenção da tutela


jurisdicional e a falta de algumas formalidades, desde que se
atinja o desiderato necessitado, não será empecilho à obtenção
deste. Veja-se o preceituado no art. 277 do CPC/15.

10º) Princípio da Ordem Cronológica dos Julgamentos

Na conformidade da Norma Fundamental do


Processo Civil, insculpida no art. 12 do CPC/15, a decisão de
mérito será proferida, tanto pelos juízes de Io Grau, quanto pelos
Tribunais de IIo Grau e Superiores, NA ORDEM
CRONOLÓGICA DA CONCLUSÃO DO FEITO ELABORADA
PELA SERVENTIA, cuja lista irá ser afixada em cartório e na
rede mundial de computadores.

Essa ordem comporta as exceções do disposto nos


incisos I a IX do aludido artigo.

11º) Princípio da proibição da decisão surpresa

Quando o juiz ou os tribunais, tiverem que decidir


desfavoravelmente a qualquer das partes, mesmo que se trate de
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matéria de ordem pública (por ex. prescrição), haverá de,
precedentemente, ouvi-las dentro dos autos, tal como sinalizado
pelo art. 9º, com as exceções dos incisos I, II e III, bem como pelo
932-V caput, todos do CPC/15.

C - Relação do Processo Civil com Outros Ramos do


Direito

Estreita relação com o Direito Constitucional,


a começar pelos princípios acima estudados. Passa pela estrutura
de Poder (especialmente o Judiciário, com a própria Organização
Judiciária brasileira), e pelo controle de constitucionalidade, difuso
(em todo e qualquer processo) e concentrado (através das ADIs – Ações
Declaratórias de Inconstitucionalidade).

Com o Direito Administrativo, especialmente


os serventuários da justiça, que se submetem ao Estatuto dos
Funcionários Públicos. As controvérsias entre particulares e a o
Poder Público, também se submetem às regras do Processo Civil.

Com o Direito Tributário, a questão das custas


judiciais, verdadeiros tributos, passíveis até de inscrição e
execução pela Fazenda Pública. E também as controvérsias entre
os contribuintes e o Fisco, regram-se pelo CPC.

Toda ligação com o Direito Civil, a quem ele, em


primeira mão, serve, e em função de quem existe, dado que ele é
um instrumento de alcance do direito abstrato no caso concreto.
O mesmo se diga em relação ao direito comercial.

Também toda a ligação com o Código Penal e de


Processo Penal (especialmente no tocante à teoria geral de processo,
como muitos princípios vistos acima), na medida que todo ilícito penal
é um ilícito civil e haverá de se submeter a uma jurisdição civil,
especialmente no campo das indenizações.

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D - Seminário

1) Cada dupla composta em aula, buscar um exemplo de


obediência ou violação do princípio escolhido, para
apresentação oral, breve e resumida na próxima aula.

E – BIBLIOGRAFIA:
(Básica e Complementar)
EM ORDEM ALFABÉTICA

1ª) ALBUQUERQUE ROCHA, José de – Teoria Geral do


Processo, Editora Atlas, São Paulo, 2004;
2ª) AMARAL SANTOS, Moacyr Aricê – “Primeiras Linhas de
Direito Processual Civil”, Saraiva Editora, São Paulo, Última
Edição Disponível;
3ª) ARRUDA ALVIM, Eduardo – “Direito Processual Civil”
(Teoria Geral do Processo), RT, 2013, São Paulo;
4ª) ARRUDA ALVIM, José Manuel – Manual de Direito
Processual Civil – Vol. 1, Thomson Reuters/RT, São Paulo, 2017
5ª) ALVIM WAMBIER, Teresa Arruda- DIDIER JR., Fredie-
TALAMINI, Eduardo- DANTAS, Bruno –
COORDENADORES, “Breves Comentários ao Novo CPC”, RT,
2015, São Paulo;
_________________ ALVIM WAMBIER, Teresa Arruda;
WAMBIER, Luiz Rodrigues; ARAGÃO SANTOS, Evaristo;
LINS CONCEIÇÃO, Maria Lúcia; KEI SATO, Priscila;
CORRÊA DE VASCONCELOS, Rita de Cássia – “Novo CPC
Urgente”, Thomson Reuters/RT, São Paulo 2016;
17
6ª) ARMELIN, Donaldo – Legitimidade para Agir no Direito
Processual Civil Brasileiro, Editora Revista dos Tribunais, São
Paulo, Última Edição Disponível;
6ª) ASSUNPÇÃO NEVES, Daniel Amorim – “Manual de Direito
Processual Civil”, Vol. Único, 2017, 9ª Edição, Editora Jus
PODVIM, Salvador – BA;
7ª)CARVALHO FIGUEIREDO, Simone Diogo (Coordenadora)
– “Novo CPC Anotado e Comparado para Concursos” –
VÁRIOS AUTORES, Saraiva, São Paulo, 2015;
8ª) BARBOSA, Rui – “Oração aos Moços” - Livrarias Edições
de Ouro – Clássicos Brasileiros - Rio de Janeiro – 1996;
9ª) BARBOSA MOREIRA, José Carlos – “Litisconsórcio
Unitário”, Editora Forense, Rio de Janeiro, 1972;
10ª) BATISTA LOPES, João – Curso de Direito Procesual Civil
– Vol. I (Teoria Geral), Editora Atlas, São Paulo, 2008;
11ª) BITENCOURT, Edgard de Moura– “O Juiz” – Editora
Jurídica e Universitária – SP- Edição 1966;
12ª) CALAMANDREI, Piero. “Eles os juízes vistos por nós os
advogados”. 3. ed. Tradução de Ary dos Santos. Lisboa: Livraria
Clássica, 1960;
13ª) CÂMARA, Alexandre Freitas – “ Lições de Direito
Processual Civil”, Vol. I – Atlas – São Paulo – 2012;
13ª) CASEIRO NETO, Francisco da Silva, “O Exercício da
Advocacia frente ao Código de Defesa do Consumidor” –
Dissertação de Mestrado defendida em 24/5/2004, na PUCSP,
orientado pela Professora Patrícia Miranda Pizzol.

18
14ª) COSTA MACHADO, Antonio Cláudio – “Código de
Processo Civil Interpretado”, Editora Manole, São Paulo, 8ª
Edição, 2008;
15a) COUTURE, Eduardo. “Os mandamentos do advogado”.
Tradução de Ovídio A. Baptista da Silva e Carlos Otávio Athayde
Porto Alegre: Sérgio Antonio Fabris, 1999;
_________________ COUTURE, Eduardo J, “ Fundamentos
de Direito Processual Civil” (Coleção Clássicos do Direito),
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17ª) DINAMARCO, Márcia Conceição Alves – “Direito
Processual Civil (Teoria Geral e Processo de Conhecimento)”,
Campus/Elsevier Editora, São Paulo, 2009;
18ª) DINAMARCO, Cândido Rangel – “Nova Era do Processo
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_______________DINAMARCO, Cândido Rangel – “A
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2010;

19ª) DINIZ, Maria Helena – “Código Civil Anotado” - Editora


Saraiva – São Paulo – 2003;
20ª) FERRAZ, Sérgio – “Assistência Litisconsorcial no Direito
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1979;
21ª) GONÇALVES CORREIA, Marcos Orione – Teoria Geral
do Processo, Editora Saraiva, São Paulo, 2003;

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22ª) HOLANDA GODOY, Mario Henrique – Doutrina e Prática
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23) IHERING , Rudolf Von – “A Luta pelo Direito” – Tradução
de João Vasconcelos - Forense – Rio de Janeiro – 1972
24ª)LIEBMAN, Enrico Tulio – Manual de Direito Processual
Civil, Vol I, Tradução de CÂNDIDO RANGEL DINAMARCO,
Editora Forense, 1ª Edição Brasileira, 1984, Rio de Janeiro e São
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25ª) MARINONI, Luiz Guilherme; ARENHART, Sérgio Cruz;
MITIDIERO, Daniel – “Novo Curso de Processo Civil”, Vol. 1,
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26ª) MEDINA, José Miguel Garcia, “Direito Processual Civil
Moderno” – Editora Revista dos Tribunais, 2015;
27ª) MONTENEGRO FILHO, Misael – “Projeto do Novo
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Projeto do Novo CPC)”, Editora Atlas, São Paulo, 2011;
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29ª) MOURA ROCHA, José de – “A Competência e o Novo
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28ª) NEGRÃO, Theotônio e GOUVÊA, José Roberto– “Código
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29ª) NERY, Nelson e Rosa – “Comentários ao Novo CPC”, RT,
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___________________ NERY, Nelson/Rosa – “ Código
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_____________________ NERY, Nelson e Rosa,
“Constituição Federal Comentada”, RT, São Paulo,3ª Edição ,
2012;
30ª) NUNES, Elpídio Donizetti - Curso Didático de Direito
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31ª) OLIVERA NETO, Olavo; MEDEIROS NETO, Elias
Marques; COZZOLINO DE OLIVEIRA, Patrícia Elias –
“Curso de Direito Processual Civil”, Vol. 1 – Parte Geral
(NCPC), Editora Verbatim, 2015, São Paulo;
32ª) PELLEGRINI GRINOVER, Ada – As Garantias
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Tribunais, São Paulo, 1976;
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DINAMARCO, Cândido Rangel, ARAÚJO CINTRA, Antonio
Carlos – “Teoria Geral do Processo”, Malheiros, Edição
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33ª) RIZZO AMARAL, Guilherme – “Comentários às Alterações
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34ª) SANTIAGO GUERRA Fo., Willis, “Teoria Processual na
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São Paulo, Última Edição Disponível;
36ª) SCARPINELLA BUNO, Cássio – Curso Sistematizado de
DIREITO PROCESSUAL CIVIL, Vols. 1, Saraiva, 2010, SP;
_________________ SCARPINELLA BUENO, Cássio –
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São Paulo, 2008 ;

_________________SCARPINELA BUENO, Cássio –


“Manual de Direito Processual Civil”, Editora RT, São Paulo,
2016;
_________________SCARPINELA BUENO, Cássio –
“Manual de Direito Processual Civil”, Editora RT, São Paulo,
2016;
_________________ (Coordenador), “Comentários ao
CPC”, 2017, Saraiva, São Paulo Vol. 1;
37ª) THEODORO JR., Humberto – “Curso de Direito
Processual Civil”, 56ª Edição, 2015 (Atualizada com o Novo
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Gen/Forense, 2016, 20ª Edição, Rio de Janeiro, coordenado por
Humberto Theodoro Jr, Adriana Mandim Theodoro de Mello e
Ana Vitória Mandim Theodoro;
____________________ THEODORO JR., Humberto,-
NUNES, Dierle, - FRANCO BAHIA, Alexandre Melo, -
PEDRON, Flávio Quinaud, - “Novo CPC- Fundamentos e
Sistematização”, Forense/Gen, 2015, Rio de Janeiro;

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38ª) WAMBIER, Luis Rodrigues; TALAMINI, Eduardo;
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de Processo Civil”, Vol. 2 – 2016 – Editora Thomson Reuters/
RT, SP;
40ª) EXPOSIÇÃO DE MOTIVOS DO CPC 2015.

23