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AÇÕES GARANTEM O FUTURO

Sr. Luiz Barsi

AÇÕES GARANTEM O FUTURO Sr. Luiz Barsi Relatório 44 - 21/08/2017

Relatório 44 - 21/08/2017

Realizamos uma entrevista com Luiz Barsi na última semana, a qual

abordamos um pouco mais sobre o início da carreira de investidor de Barsi, qual era seu modo de operar no início,

e como ele se comportou em alguns “Crashes” da bolsa.

Barsi também cita a importância de se conhecer e ler atentamente o Estatuto das empresas, visto que muitas vezes eles contêm detalhes importantes, detalhes esses que Barsi também utilizou para obter bons lucros no início da sua jornada, com as ações da Cesp.

É interessante notar que o próprio Barsi não começou na bolsa já investindo visando dividendos e uma carteira previdenciária, no início, assim como a maioria, ele também acabava comprando e vendendo ações, embora não fizesse isso diariamente, mas a ideia era comprar e vender na baixa.

Conforme Barsi foi se aprofundando e passando a entender a importância dos proventos e da saúde financeira da empresa, além de entender a estrutura deficitária e frágil dos sistemas e fundos de previdência, Barsi começou

a dar importância aos dividendos e

passou a avaliar e estudar a possibilidade de se investir em ações para a formação de uma carteira de

previdência, e assim, também publicou

o ótimo estudo “Ações Garantem” o

futuro, o qual divulgamos aos nossos leitores na semana passada em caráter exclusivo.

Suno Research: Na década de 60, quais foram suas primeiras atividades profissionais? Sua renda inicial era toda proveniente do trabalho?

Luiz Barsi: Sim, minha renda no ínicio era do trabalho. Eu fui professor. Eu dava aula de estrutura e análise de balanços, no Colégio Paulista, no terceiro ano do técnico. Eu fui contador geral de empresas grandes também, na década de 60 eu fui contador na Comercial e Industrial Colombia S.A, que era uma fabrica de buzinas para a Volkswagen.

No final da década de 60 eu fui para a Ordem dos Economistas, e assim eu tinha muita amizade com o Vitor David, ainda tenho amizade com ele até hoje, então ele era diretor de sede e eu era vice-diretor de sede, mas era um trabalho voluntário.

Suno Research: Você atribui parte do seu sucesso à sua formação acadêmica?

Luiz Barsi: Eu acredito que parte do meu sucesso está, lógico, na cultura que você vai adquirindo. Você adquire um ensinamento, aprende, e aquilo você acaba usando no dia a dia. Mas uma coisa que sempre me estimulou muito, é você procurar seguir o caminho certo.

Quando você recebe uma informação, quando lê uma matéria, ou alguém lhe passa uma informação, você tentar auferir qual o final daquilo, contextualizar e visualizar a situação para chegar a uma conclusão racional.

Suno Research: Qual foi o ano que o Sr. de fato começou a comprar as primeiras ações?

Luiz Barsi: Em 1967 eu já analisava

algumas empresas, como Aços Villares, Petrobras, Vale do Rio Doce. Em 1968, por exemplo, eu comprava e vendia as ações, não era um trader como é hoje,

o trader compra e vende no mesmo

dia, mas eu comprava e vendia alguns meses ou semanas depois.

Eu ainda não havia consolidado a minha ideia dos dividendos, eu estava dentro daquela "tese" original, de comprar na baixa e vender na alta, o que sempre foi propagado, de uma forma muito errada, então eu fiz isto durante os primeiros anos.

Naquela época, eles haviam fixado a inflação em cerca de 12% ao ano, então quando tinha um resultado de 4 ou 5% em 10 dias ou 15 dias, era uma glória.

Acho que foi em 1970, se não me falha

a memória, eu comprava as ações da

CESP, mas eu só comprava, não vendia. Chegou em um determinado momento que eu não tinha dinheiro para continuar comprando, então eu comecei a comprar, e quando ela subia mais forte um pouco, eu vendia, para ter dinheiro para comprar novamente, mas dificilmente eu comprava e vendia no mesmo dia.

Eu ganhei muito dinheiro dessa maneira que eu vou falar agora: as ações da CESP custavam 50, 60 centavos (Cr$), as ações preferenciais, já as ações Ordinárias, ninguém comprava, pois as PN pagavam um dividendo mínimo prioritário e obrigatório de 10%, então quando a empresa tinha lucro, este lucro iria todo para a PN, e só o restante, o remanescente, iria para a ON. Como normalmente o lucro da CESP só era suficiente para pagar o dividendo da PN, ninguém queria a ON, pois ela acabava pagando muito pouco, 1% ou menos.

Só que aí entra um detalhe interessante, é algo que eu sempre recomendo aos indivíduos, mas ninguém faz: ler e conhecer o estatuto da empresa. A CESP tinha uma cláusula no Estatuto que permitia a conversão de ON para PN e de PN para ON, uma vez por ano.

Então a gente comprava as ações da CESP ON por 20 centavos, e ali por julho a CESP abria 15 dias de conversão, como a ON não pagava dividendos, eu transformava em PN e passava a ganhar os dividendos, além de ganhar 30-40 centavos no preço. E isso me ensinou o que? Que você deve conhecer o estatuto da empresa, então eu sempre tive essa curiosidade de examinar a fundo o estatuto.

Eu não comprava ações do Itaú por exemplo, que custavam 60 centavos, eu comprava ações dos bancos que pagavam dividendo mínimo e prioritário sobre o valor nominal de 1, como por exemplo, o Banco Noroeste, o Banco Bandeirantes, eles tinham o valor nominal de 1, mas custavam 50 centavos. 10% sobre 1 é 10%, mas como você pagava a metade, eram 20% de dividendos sobre o preço de compra.

Nessa época também, quando eu escrevia no Diário Popular, eu comecei a fazer alguns trabalhos, eu olhava o Estatuto da empresa, os números, o lucro, e conseguia mostrar se o papel era barato, etc, e o pessoal estava gostando. Hoje a Consultoria Lopes Filho faz o que eu fazia na época.

Suno Research: Como você reagiu ao chamado Crash da bolsa de 1971? Essa crise lhe ajudou a moldar a sua filosofia de investimento?

Luiz Barsi: Eu comprava, aproveitava para comprava mais barato. Em 1971 eu ainda tinha aquela filosofia de comprar, esperar um pouco e vender. Assim, eu fazia aqueles estudos, analisando ações, avaliando, e comecei a me compenetrar um pouco mais no sentido da previdência aqui no Brasil, e por isso eu acabei tendo uma visão de médio e longo prazo.

Eu fiz um ensaio, uma empresa com 10 pessoas, durante 30 anos eles pagavam o INSS, quando eles se aposentavam, esses valores que eles pagavam, só sustentavam de 3 a 4 anos essas pessoas, então eu pude verificar que o sistema previdenciário tinha graves problemas, ele não era sustentável se alguém não bancasse e nesta época, um pouco antes, também surgiram os fundos de pensão, e a maioria acabou quebrando pois não tinha quem aportasse.

Eu conseguia ver que nada daquilo tinha sustentação, foi aí que eu comecei a pensar que a pessoa deveria fazer sua própria aposentadoria, no caso, aposentadoria com ações, e eu comecei a formar minha própria carteira previdenciária.

Eu concluí que era muito importante você ter uma previdência, um fundo de previdência, mas o seu próprio fundo, você mesmo comprando as ações, pois a gente via aquela má administração e todos aqueles problemas envolvendo os fundos de previdência ou a própria falta de sustentabilidade do INSS, não tinha como, você mesmo deveria ser o seu próprio gestor do fundo.

Além disso, eu mesmo de 6 em 6 meses já recebia bons dividendos da CESP, eu percebia que eu já conseguiria viver com aqueles dividendos se quisesse, mesmo não sendo muito, então eu via um grande potencial, e isso tudo acabou me estimulando e fortalecendo mais ainda essa visão previdenciária.

Luiz Barsi Filho - Economista

Luiz Barsi Filho - Economista