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DOCÊNCIA EM

COMUNICAÇÃO E A EDUCAÇÃO
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Bibliotecário responsável: Rodrigo Pereira CRB 1/2167
Portal Educação

P842c Comunicação e a educação / Portal Educação. - Campo Grande: Portal


Educação, 2012.

189p. : il.

Inclui bibliografia
ISBN 978-85-8241-391-3

1. Comunicação na educação. I. Portal Educação. II. Título.

CDD 371.1022
SUMÁRIO

1 COMUNICAÇÃO E EDUCAÇÃO ...............................................................................................4

2 A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO NOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO DE FORA PARA 2

DENTRO ...............................................................................................................................................6

3 COMO UTILIZAR OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO NA SALA DE AULA ...............................43

4 COMUNICAÇÃO DA EDUCAÇÃO ...........................................................................................53

5 OS DESAFIOS NAS AÇÕES EDUCATIVAS................................................. .....................55

6 CONDICIONAMENTOS E PERSPECTIVAS...................................................... .................... 64

7 SABER USAR A COMUNICAÇÃO COM SEUS ALUNOS EM SALA DE AULA .....................84

8 O MICRO E SEUS ALIADOS....................................................................... .................... 87

9 A TV PROPICIA O QUE AOS EDUCANDOS?.............................................. .....................89

10 A TECNOLOGIA: O QUE ELA INFLUENCIA NA EDUCAÇÃO ...............................................97

11 MUDANÇAS EDUCACIONAIS ATINGIDAS............................................................................122

11.1 A constituição e a ldb tratam a educação como?................................................................122

11.2 Escolas e reprodução tecnológica........................................................................................125

11.3 Crianças especiais e informática ..........................................................................................127

12 A PRÁTICA DA EDUCAÇÃO COMUNITÁRIA NO EXERCÍCIO E FORMAÇÃO ....................133

12.1 O nosso jeito de caminhar .....................................................................................................133

13 EDUCAÇÃO CRÍTICA: PONTO DE VISTA DOS RECEPTORES ...........................................145


14 O QUE SE ESPERADA COMUNICAÇÃOE EDUCAÇÃO .......................................................146

15 CONTRIBUIÇÕES CRÍTICAS PEDAGÓGICAS ......................................................................151

16 MERGULHO DO PASSADO ....................................................................................................158

17 EDUCAÇÃO COMUNITÁRIA NA FORMAÇÃO CULTURAL ..................................................164

18 A MAGIA DO BOI NA CULTURA POPULAR..........................................................................182 3

19 O VAREJAR DOS POETAS POPULARES NORDESTINOS ..................................................184

REFERÊNCIAS ..................................................................................................................................187
1 COMUNICAÇÃO E EDUCAÇÃO

A comunicação e a educação devem andar lado a lado em função do processo


transformador da vivência comunitária. A comunicação explora a realidade dentro de uma
necessidade de educação libertadora. Os novos rumos do ensino analisam uma transmissão de 4
conhecimento que serviu como experiências significativas à expansão da comunicação.

A pedagogia problematizadora conseguiu diante de cooperação envolvente no


processo ensino aprendizagem. Para esse avanço já se começa a observar, mediante os
trabalhos conduzidos por meios de métodos e pesquisas de ação, o exercício da condução na
prática. A comunicação e educação é uma soma de pensamentos que sintetizam na dialética da
contemporaneidade. Para analisar a comunicação e sua extensão em avanços na informação
comunicativa é preciso verificar a clientela na qual está inserida para usufruir das inovações
pedagógicas. A referência do conceito em destaque é voltada para entrelaçar o conhecimento
das inovações da mídia.

A produção dos processos está voltada para considerar o significado sócio-cultural e


sócio-econômico da propaganda na atualidade e determinar a relação existente entre o processo
da cultura em todos os aspectos. A comunicação e educação poderiam ser abordadas de várias
formas, a depender do ângulo que se pretende salientar. Uma abordagem possível seria a teoria
da comunicação com objetivo de explicar sua incidência sobre a educação em geral.
A influência educativa que ora exerce sobre a população os modelos da comunicação
e os reflexos que isto gera para as atividades escolares quando se voltam para o estudo do
homem e da sociedade, seja ela na estruturação ou reestruturação da prática de formação de
professores. As extensões tendem a assumir várias tarefas tradicionalmente reservadas à
educação escolar. O caminho é longo e este exerce influências sobre as pessoas, especialmente
sobre as crianças. Essas questões estão incumbidas da formação de professores.
Entretanto, essa perspectiva discute o significado dos modernos recursos de
comunicação que hoje são colocados à disposição de professores e alunos pela tecnologia
educacional. A figura tradicional do professor de quadro-negro e giz, agora substituído pela
máquina que apresenta conteúdos muito mais atraentes. O modernismo do antigo autoritarismo
pedagógico movido a castigo, substituído por imagens e cores expressivas. Sabemos que essas
inovações em algumas realidades se mostram desconhecidas, e para introduzi-las levaria certo
tempo. A essa necessidade se dá o conhecimento cultural sócio- econômico de um
aproveitamento mais sistemático das técnicas acumuladas pela área de comunicação, por parte
dos educadores.

5
2 IMPORTÂNCIA DA COMUNICAÇÃO NOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO DE FORA PARA
DENTRO

6
O termo "meio de comunicação" refere-se ao instrumento ou à forma de conteúdo
utilizados para a realização do processo comunicacional. Quando referido à comunicação de
massa, pode ser considerado sinônimo de mídia. Entretanto, outros meios de comunicação,
como o telefone, não são massivos e sim individuais (ou interpessoais).

 Sonoro: telefone, rádio;


 Escrita: jornais diários e revistas;
 Audiovisual: televisão, cinema;
 Multimídia: diversos meios simultaneamente.

Hipermídia: NTICs, CD-ROM, TV digital e internet, que aplica a multimídia (diversos


meios simultaneamente, como escrita e audiovisual) em conjunto com a hipertextualidade
(caminhos não-lineares de leitura do texto). Media é a palavra que provém do latim "media",
plural de "medium", e que significa "aquele que está a meio". No Brasil, usa-se mais comumente
a palavra "mídia", derivando da pronúncia inglesa - ainda que alguns gramáticos brasileiros
prefiram a forma portuguesa, por ter mais correlação com a origem latina da palavra, idioma do
qual provém o português. Por isso, surgiram os meios de comunicação de massa que implicam
nas organizações geralmente amplas, complexas, com grande número de profissionais e
extensa divisão do trabalho.

Notamos o quanto as notificações vêm crescendo, que engrandece a comunicação e


a educação no contexto geral. Uma característica básica dos meios de comunicação de massa
é o fato de que eles necessariamente se comunicam de maneira relevante, possibilitando a
leitura das mensagens impressas (jornal, revistas, livros) ou gravadas (CDs, rádio). A
transmissão e recepção das mensagens audiovisuais (rádio, TV) vão formando a curiosidade
pelo novo, sabemos que essa comunicação foi formada nos primeiros contatos com seus
genitores (crianças) e pessoas que circulavam no seu ambiente natural.
Essa audiência em que seus leitores se envolvem geograficamente defini-se a fonte de
mensagem dirigida a um determinado público. A carência, às vezes, dificulta que a criança se
envolva na formação e busque aprimorar seus conhecimentos dentro do tema, ou temas, que
deseja estudar , pesquisar e aprender. Os “Meios de Comunicação” não podem ser confundos
com canal, que se refere ao aparato tecnológico utilizado para realizar o processo da
comunicação, incluindo por exemplo: fala, discurso, gestos,gravações, cartas, jornais, revistas,
7
televisão, rádio, DVDs etc. Internet é um híbrido entre Comunicação de Massa e Comunicação
Interpessoal.

Evolução histórica - os primeiros meios de comunicação de massa foram os livros


(principalmente didáticos), que existem há muito tempo. Mas, normalmente, a difusão da mídia
se deu no século passado. Em tal período não havia a idéia de que a difusão da informação da
parte da mídia deveria ocorrer em tempo real, mas que deveria haver um intervalo de tempo
limitado entre a emissão da mensagem e a sua recepção.

No século XX, o desenvolvimento e a expansão capilar dos meios de comunicação de


massa seguiram o progresso científico e tecnológico. Esses meios de comunicação , além de
serem meios para veicular as informações, são também os objetos tecnológicos com os quais o
usuário interage. O objetivo educacional de integração do cidadão à sociedade é trazer o
conhecimento globalizado, visando melhorar a capacidade de raciocínio e iteração de cada um.

Embora possua o direito de votar, o analfabeto sente dificuldades de integração e de


exercer plenamente seus direitos de cidadão, em face de não saber ler nem escrever. A essa
problemática se deve a realidade que encontramos em muitos seguimentos da leitura da
comunicação visual, sem entender a comunicação interpretativa. Como a escrita é um dos
meios de se comunicar, na era moderna, a falta dela faz com que o processo de comunicação do
analfabeto, por exemplo, seja prejudicado. Quando os pais não têm o domínio da escrita o
desenvolvimento do filho na sala de aula é muito lento. A carência da informação precisa do
acompanhamento da família, pois esse é muito importante para que a comunicação de fora para
dento da escola funcione bem.

Em qualquer seguimento hoje já se pode notar a importância da modernidade e as


novas categorias de analfabetos: os que não sabem usar os computadores, os que não possuem
endereço eletrônico. Principalmente, no mercado de trabalho, a incorporação das novas
tecnologias ocorre numa velocidade tão intensa que se torna difícil acompanhá-las. Porém,
presenciamos o modernismo mesmo nos que não sabem ler nem escrever: gozam dos direitos
de cidadão, mas sentem-se, cada vez mais, isolados pela falta do domínio das novas tecnologias
de comunicação.

É comum observar pais em situações-problema quando precisam usar o computador.


Eles sentem-se impotentes, isolados do mundo moderno, e relembram o tempo em que cada um 8
podia resolver seus negócios “na conversa”, ou seja, na comunicação verbal. O jovem hoje já
busca, dentro de suas possibilidades, comunicar-se e chega até a criticar, mesmo não sabendo
corretamente a utilização de cada meio, mas é uma questão de se posicionar diante da
exigência dos tempos atuais. O trabalho propõe uma análise das possíveis contribuições de
alguns meios de comunicação para o processo educativo, e verificar como o homem moderno
está enfrentando o contato com as novas tecnologias de comunicação.

Aprender é um requisito fundamental para a existência sustentada, para pessoas e


para organizações. As dúvidas sobre isto, principalmente num ambiente onde os dados e
informações da comunicação para educar quando fluem com muita velocidade. Conhecimento
depende da capacidade de aprender e ensinar o conceito - aprendizagem é muito discutido
atualmente retomado com grande intensidade, nos grandes pilares do desenvolvimento das
organizações educacionais. O lado da aprendizagem caminha para as discussões sobre
"aprender e organizar". Localizar a aprendizagem de uma pessoa é fazer o mesmo em relação
às organizações para aprender.

Isto é o que se aprende tal qual podemos dizer de uma pessoa nas teorias da
aprendizagem para responder a demanda dos nossos alunos que aprendem na produção do
conhecimento do outro ( educador ). Décadas de estudos produziram algumas idéias sobre a
aprendizagem humana. Psicólogos, lingüistas e educadores estudam com entusiasmo esse
tema e fazem descobertas a respeito das limitações cognitivas para a aprendizagem e dos meios
de estimular o desenvolvimento cognitivo. O foco de Piaget nos processos do desenvolvimento
cognitivo de crianças e o trabalho de Lewin sobre a pesquisa da ação e do treinamento em
laboratório forneceram muitas perspectivas sobre como aprendemos individualmente e em
grupos. Algumas linhas teóricas baseiam-se no "estímulo-resposta", como Skinner, e outras
trazem as contribuições da Gestalt ou mesmo da Psicanálise. A evolução do processo de
comunicação mostra a responsabilidade mais cedo para nossas crianças:
 A saída necessária dos pais;
 A exigência das disciplinas escolares;
 A vontade de descobrir, conhecer, fazer contato, ou se divertir.

E a substituição da comunicação escrita, a busca pelos livros didáticos, estórias


infantis, romances, as interpretações, e fichas de leitura são substituídas pelas novas tecnologias 9
da comunicação. O papel educativo dos meios de comunicação para se concluir, entre outras
coisas, que a velocidade com que as novas tecnologias estão sendo incorporadas ao processo
da comunicação humana aponta um futuro cada vez mais incerto. A sala de aula pode auxiliar o
homem a absorver o impacto da velocidade com que as novas tecnologias passam a fazer parte
do dia-a-dia das pessoas. Porém, perdem o estímulo pela busca de informações em diversos
livros, revistas, enciclopédias etc. Aprender é uma decisão "de dentro para fora" e, isto,
definitivamente, descarta o instrucionismo. Os fundamentos são essencialmente biológicos e, por
extrapolação, afetam as ciências humanas, como cognição, sociologia e até o direito. Como
Varela, Maturana conclui que o próprio ser vivo é um sistema fechado, constituído pela
circularidade de seus processos.

A percepção da realidade exterior, ou seja, o fenômeno "conhecer", é exatamente o


próprio fenômeno "viver", ou seja, é um operar (interior) adequado ao ambiente (exterior), ou
ainda, o conhecer é um fenômeno do operar do ser vivo em congruência com suas
circunstâncias. A mudança radical no tipo de mensagem a ser transmitida oralmente mostrava-
se um sinal de desgaste. Era necessário inovar, criar um novo tipo de linguagem, despertar a
disposição daqueles que necessitavam ler posteriormente o que havia sido dito. Se ensinar
passa a ser uma quase impossibilidade, de outro lado isto não elimina a importância da
aprendizagem.

Mas, como a aprendizagem é auto-determinada, as condições que a desencadeiam


nos organismos é que deveriam ser objeto de profundo interesse tanto de quem "ensina" quanto
de gerentes e tutores de modo geral. A responsabilidade passa a ser mais seriamente na
"compreensão" das particularidades dos organismos e não nas tecnologias disponíveis.

A concepção do ser vivo - como individualidade e não dependente do meio - confere


legitimidade ao ser em si, cada sistema é único em si, cada qual opera sua autonomia, sua auto-
organização e sua estratégia unicamente em função de si. Mas precisava sair totalmente do
mundo habitual e viver o novo, mesmo que não conhecesse totalmente? Acredito que o reflexo
em crianças, que não têm o contato com acompanhamento necessário, é contraditório aos que
vivem num mundo de informação nova (Tecnologia).

O acompanhamento pedagógico e as famílias são fundamentais nesses casos. Mesmo


porque sabemos que existem seguimentos escolares carentes de tudo, e é neles que 10
precisamos nos empenhar para mudarmos o quadro que a educação registra.

A Tecnologia precede uma preocupação política e social, apesar de muitas vezes os


especialistas também terem essa preocupação, mas não é o foco central da atenção, como é na
"Educação para a Comunicação", porém, essa segunda subárea se preocupa em reunir os
especialistas que estão interessados com a aplicação dos instrumentos tecnológicos na melhoria
do ensino, com a capacitação de sujeitos no processo educativo. É possível, inclusive, dizer que
a primeira tem como objeto de estudo a leitura crítica dos meios, a segunda o uso instrumental
da comunicação para melhoria do ensino escolar.

O objetivo da segunda subárea é auxiliar tanto o professor quanto o aluno a utilizarem


os recursos tecnológicos, no sentido de tornar os ensinos mais dinâmicos, interativos, lúdicos,
tornando tanto o docente como o discente hábeis no uso desses recursos. A questão principal é
a melhoria do ensino- aprendizagem, onde os recursos tecnológicos são colocados como
auxiliares do processo.

Essa terceira subárea trabalha com a ação comunicacional no processo educativo,


entende-se por processo educativo aquele que ocorre na escola e fora dela, bem como todas as
ações sociais que têm como pressuposto melhorar a qualidade de vida, diminuir a exclusão
social, garantir a democracia e principalmente formar cidadãos ou garantir a cidadania.

Essa vertente representa os trabalhos realizados na área da inter-relação


comunicação/educação e social, ampliando tanto o conceito da comunicação para além das
mídias como também tentou reunir ações voltadas para mobilizar grupos que apresentem as
suas experiências quando utilizam a Internet, se melhora o desempenho da aprendizagem. Os
novos vínculos de reconhecimentos, de identidade profissional, propiciando novas reflexões
teóricas criam muitas vezes uma análise de estudo. A nova técnica deveria ter clareza, daria
àqueles que a possuíssem a capacidade de ler, reler, meditar e analisar o que fosse produzido e
registrado.

A partir dessa necessidade, foi criada a escrita. A escrita foi se desenvolvendo muito
rapidamente, mais precisamente na Grécia. A partir daí, houve necessidade de se facilitar a
comunicação, dando nomes às letras, como as consoantes e vogais. No século XV, os
indivíduos já se preocupavam em preparar e reproduzir os livros através da técnica de copiar, à 11
mão, os livros já existentes. Infelizmente, porém, esses livros ficavam restritos às pessoas que
possuíam recursos financeiros suficientes para ter em mãos tal reprodução.

Consegue gravar e conservar a voz humana em um fonógrafo.

Esse instrumento conseguia levar às casas um novo som,


1870 - Thomas Edison capaz de se tornar uma alternativa de comunicação.
Construiria uma aparelhagem capaz de irradiar sinais. Pessoas
falavam através de um transmissor e as vozes eram recebidas
1906, Reginald A. Fessenden
em um aparelho receptor, dando origem à radiotelefonia.

1843, Bain e Backwell Transmissão de imagens à distância.


A televisão herdou as tradições do rádio e promoveu
conseqüentemente uma grande mudança social. Sua
Segundo Ball-Rokeach, DeFleur
tecnologia, já bem avançada, passou a ajudar na fabricação
(1997)
em série e a servir um público que ansiava por novas
tecnologias.

1923 e 1926 Muitos países dão início às transmissões no rádio.

A internet, a rede mundial de computadores que interliga pessoas de todos os


continentes na modernidade, atribui ao homem contato como mundo. Quando o homem
primitivo caçava, para sua sobrevivência, seus métodos eram baseados em respostas herdadas
por seus ancestrais ou por seu próprio instinto. O comportamento adquirido através do processo
de comunicar era quase nenhum, pois os grupos não sentiam falta desse tipo de coisa.

À medida que as transformações foram ocorrendo e a capacidade cerebral dos


primitivos foi se desenvolvendo, tornou-se necessário que novos instrumentos auxiliares ao
processo de comunicação humana fossem desenvolvidos. Daí foi surgindo suas inovações,
dentro das mudanças que os próprios seres humanos descobriam intuitivamente. A necessidade 12
psicológica que o homem apresenta, em criar, inventar é natural. Mas notamos que as
mudanças foram tornando, os mais exigentes, mais críticos e mais interessados em realizar
tarefas, inteligentes. Muito tempo depois, a gesticulação e alguns outros sinais vêm se
comunicar.

Aprender é conhecer e conhecer é aprender, sempre decisões de dentro para fora.


Mas não conseguimos "instruir" um organismo em relação à "quais ruídos assimilar". Carl
Rogers, independente dos conceitos de Maturana, há muito afirmava que "ninguém ensina
ninguém". Mas existe aprendizagem, pois os organismos continuam sua marcha na direção da
auto-criação. As perspectivas do desenvolvimento parecem colocar mais e mais
responsabilidades nas relações com base na compreensão e empatia, e na habilidade de
organizar ambientes que consigam despertar interesse por aprendizagem. Organizações
"perenes", que há décadas sobrevivem, como descrevem Collins e Porras, não são
determinadas por seus ambientes e, sim, suas organizações são decorrentes de suas
identidades que, contudo, precisam se atualizar para não perder a congruência com o ambiente.
O que há em comum entre essas organizações é exatamente a falta de uma "visão", uma clara
idéia de futuro.

A esses sinais foram apreendidos, compartilhados, dando o sentido de participação,


pois já sentiam necessidade de se comunicar, a comunicação que desse às futuras gerações
mecanismos capazes de indicar como havia sido o processo de comunicação de seus
ancestrais, ou seja, necessitavam descobrir uma forma de registrar os símbolos e os sinais
usados na comunicação.

A "Educação para a Comunicação" é o espaço que tem pensado e estudado o


desenvolvimento e domínio cognitivo e existencial do receptor, principalmente no uso que a
recepção faz dos meios de comunicação de massa, a partir de objetivos políticos e sociais,
principalmente com a intenção de formar cidadãos que possam, a partir da análise crítica dos
meios, optar não só como querem o mundo da comunicação, mas como esse deve ser.

O sentido próprio, que significa promover a produção de conhecimento entre os


receptores (alunos) em sala de aula com o conhecimento de fora para dentro e que os meios de
comunicação se desenvolvem para as estratégias metodológicas e análises das mídias, onde
propicia ao receptor os instrumentos de análise que os motiva para utilizar as mídias no âmbito 13
da produção e formação educacional.

Na prática a "Educação para a Comunicação" se consolida em formar professores com


estratégias de leituras críticas dos meios, receptores que saibam ler os meios, bem como alunos
que saibam não apenas ler os meios, mas também produzirem mensagem com e através dos
meios, envolvendo a preocupação com o desenvolvimento e aprimoramento do aluno no uso dos
meios na sua prática e formação escolar.

Embora fossem criados para progredir o homem recriar seus hábitos para interação
com o mundo, e viver suas origens e culturas a que estão inseridos. Naquela época já se
buscava maneiras de simplificar a vida em grupo. A troca de mercadorias necessária para se ter
uma vida equilibrada, gritos (ecos com os instrumentos criados por eles) para avisarem dos
perigos. As pinturas e desenhos tinham uma relação muito grande com o dia-a-dia. Pintavam
nos muros das cavernas, figuras de caça. A técnica da pintura já dava sinais de que as novas
tecnologias não eram apenas formas de registrar o modo de vida daqueles povos.

Eram, também, os primeiros indícios do processo evolutivo de educação e


comunicação dos seres humanos. A comunicação artística e destaque dos grupos faziam com
que a relação dos grupos se destacasse pelos méritos comunicar pela arte da pintura ou
expressão de gestos realizados. Na civilização da suméria o uso da escrita chegou cedo,
somente os sacerdotes tinham o domínio das técnicas de escrever. Os egípcios, que foram os
inovadores do sistema hieróglifo ou como um sistema de símbolos.

Os sumérios foram os responsáveis pelo início de uma escrita mais estilizada. Os


desenhos produziam imagens e caracteres, com significados determinados. Quanto à escrita
fonética ela foi se desenvolvendo rapidamente, a comunicação, dava nomes às letras, como as
consoantes e vogais. O papel educativo dos meios de comunicação será iniciado primeiro pelo
contato direto com os seres humanos, e na escrita sabemos que o jornal, ou seja, a forma de
comunicação de massa escrita é a mais tradicional.

O meio de comunicação de massa é fruto da convergência de vários fatores históricos


dentre os quais se podem citar o surgimento do papel, dos correios, da tipografia, da carta, do
livro, etc. Esses eventos marcavam, historicamente, o processo evolutivo das técnicas de
comunicação humana, a função era apenas a de transmissão de informações através de um 14
meio impresso. Os meios impressos de comunicação, mais como uma estratégia (vendas), e o
estímulo aos professores no apoio didático-pedagógico. Facilitava a comunicação da fala e
escrita na sala de aula e desenvolvimento do aprendizado.

O jornal funciona como fonte de consulta atualizada, aproxima os alunos da realidade.


As escolas que recebem da Editora Abril, a revista Veja, Nova Escola, Ciência Hoje, que serve
como fonte de pesquisa para os alunos se integrarem com as notícias do mundo. O rádio, leva
às casas de todas as pessoas uma nova forma de transmitir informações, que foi capaz de se
tornar uma alternativa de comunicação com as notícias, informações precisas e musicalidade.

A percepção musical procura trabalhar a leitura e a escrita, já que a forma de se


comunicar é feita pelo impulso e raciocínio (ouvir / cantar / interpretar). No Brasil, o rádio
procura incrementar a educação a distância, as informações transmitidas educacionalmente com
finalidade de oferecer à população um ensino a distância. Existem fundações como:

Padre Anchieta criada em 1967, pelo Estado de São Paulo, formou pessoal
especializado para realizar pesquisas que elaboravam e adaptavam textos para as
linguagens televisivas e radiofônicas, incluindo produção e gravação de programas que
não visavam fins lucrativos.
Em 1992, a Rádio Cultura FM integrou-se no Sistema Radiosat (Embratel) o que
possibilitou uma melhor recepção de qualidade superior à anterior, para todo o território
nacional. Atualmente, o Centro Paulista de Rádio e Televisão Educativa/Fundação
Padre Anchieta veiculam a programação educativa através da Rádio Cultura AM e FM.
Tanto a programação AM e FM são veiculadas de segunda a domingo, só que a primeira
das cinco da manhã à meia noite.
Na concepção governamental, os meios eletrônicos (Rádio/Televisão) solucionam os
problemas educacionais existentes. A cadeia de Rádio e Televisão educativas para a educação
de massa dos telecursos por meios de métodos e instrumentos de ensino. O meio de
comunicação visa atingir as pessoas para desenvolver suas potencialidades, com orientação
educacional, pedagógica e profissional, inclusive a programação cultural de interesse das
audiências. E o incentivo pelo estudo, para garantir suas qualificações profissionais.
15

Fundação Roberto Marinho, com o apoio a Federação Nacional das Indústrias, levam ao
ar o Telecurso 2000, um projeto de educação.

TV Escola, que tem por objetivo principal formar, capacitar e valorizar os professores, na
tentativa de melhorar consideravelmente a qualidade de ensino nas escolas públicas de
todo o país. É uma nova tentativa de se utilizar os meios de comunicação a serviço da
Educação. A programação da TV Escola é composta de programas oriundos de várias
partes do mundo. A programação é transmitida pela Brasilsat. Como são gravados em
fitas, os programas da TV Escola ficam disponíveis para o professor. Para participar do
Projeto TV Escola, tem uma exigência: as escolas públicas necessitariam ter no mínimo
100 alunos.

Outra tentativa de uso dos meios de comunicação na Educação vem da iniciativa


privada. A TV Cultura é o Canal de Educação da televisão brasileira.

A Cultura tem fontes informativas adaptadas para utilização em sala de aula, com
informações atualizadas para professores. Moran (1991) analisa os meios de comunicação como
um instrumento didático-pedagógico:

"Os meios podem ser utilizados também como instrução, informação, formas de
passar conteúdos organizados, claros e seqüenciados. Principalmente o vídeo
instrucional, educativo, é útil para o professor, porque lhe dá chance de completar
as informações, reforçar os dados passados pelo vídeo. Eles não eliminam o
papel do professor. Antes o ajudam a desenvolver sua tarefa principal que é a de
educar para uma visão mais crítica da sociedade".

Segundo José Manuel Moran, “o autor discute a relação entre escola e meios de
comunicação, e as várias formas que ela pode assumir de maneira direta e inovadora. Propõe
que a escola incorpore os meios de comunicação como motivação, conteúdo de ensino ou
análise crítica.”

Fornece também sugestões concretas de utilização dos meios de comunicação em


sala de aula.

Do ponto de vista metodológico, o educador precisa aprender a equilibrar processos de


16
organização e de “provocação” na sala de aula. Uma das dimensões fundamentais do ato de
educar é ajudar a encontrar uma lógica dentro do caos de informações que temos e organizá-las
numa síntese coerente, mesmo que momentânea, compreendê-las. Compreender é organizar,
sistematizar, comparar, avaliar, contextualizar. Uma segunda dimensão pedagógica procura
questionar essa compreensão, criar uma tensão para superá-la, para modificá-la, para avançar
para novas sínteses, outros momentos e formas de compreensão. Para isso, o professor precisa
questionar, precisa criar tensões produtivas e provocar o nível da compreensão existente.

No planejamento didático, predomina uma organização fechada e rígida quando o


professor trabalha com esquemas, aulas expositivas, apostilas, avaliação tradicional. O professor
que “dá tudo mastigado” para o aluno, de um lado, facilita a compreensão; mas, por outro,
transfere para o aluno, como um pacote pronto, o conhecimento de mundo que ele tem.

Predomina a organização aberta e flexível no planejamento didático, quando o


professor trabalha a partir de experiências, projetos, novos olhares de terceiros: artistas,
escritores, etc. Em qualquer área de conhecimento, podemos transitar entre uma organização
inadequada da aprendizagem e a busca de novos desafios, sínteses. Há atividades que facilitam
a má organização, e outras, a superação dos métodos conservadores. O relato de experiências
diferentes das do grupo ou uma entrevista polêmica podem desencadear novas questões,
expectativas, desejos. E há também relatos de experiências ou entrevistas que servem para
confirmar nossas idéias, nossas sínteses, para reforçar o que já conhecemos. Precisamos saber
escolher aquilo que melhor atende ao aluno e o traz para uma contemporaneidade.

Há professores que privilegiam a organização questionadora, o questionamento, a


superação de modelos e não chegam às sínteses, nem mesmo parciais, provisórias. Vivem no
incessante fervilhar de provocações, questionamentos, novos olhares. Nem o sistematizador,
nem o questionador podem prevalecer no conjunto. É importante equilibrar organização e
inovação; sistematização e superação.
A matéria-prima da aprendizagem é as informações organizadas, significativas: a
informação transformada em conhecimento. A escola pesquisa a informação pronta, já
consolidada, e a informação em movimento, em transformação, que vai surgindo da interação,
de novos fatos, experiências, práticas, contextos. Existem áreas com bastante estabilidade
informativa: fatos do passado, que só se modificam diante de alguma nova evidência. E existem
áreas, as mais ligadas ao cotidiano, que são altamente susceptíveis de mudança, de novas
17
interpretações.

As tecnologias nos ajudam a encontrar o que está consolidado e a organizar o que


está confuso, caótico, disperso. Por isso é tão importante dominar ferramentas de busca da
informação e saber interpretar o que se escolhe, adaptá-lo ao contexto pessoal e regional e
situar cada informação dentro do universo de referências pessoais.

Muitos se satisfazem com os primeiros resultados de uma pesquisa. Pensam que


basta ler para compreender. A pesquisa é um primeiro passo para entender, comparar, escolher,
avaliar, contextualizar, aplicar de alguma forma.

Cada vez temos mais informação e não necessariamente mais conhecimento. Quanto
mais fácil é achar o que queremos, mais tendemos a acomodar-nos na preguiça dos primeiros
resultados, na leitura superficial de alguns tópicos, na dispersão das muitas janelas que abrimos
simultaneamente.

Hoje consumimos muita informação, isso não quer dizer que conheçamos mais e que
tenhamos mais sabedoria - que é o conhecimento vivenciado com ética, praticado. Pela
educação de qualidade avançamos mais rapidamente da informação para o conhecimento e pela
aprendizagem continuada e profunda chegamos à sabedoria.

O foco da aprendizagem é a busca da informação significativa, da pesquisa, o


desenvolvimento de projetos e não predominantemente a transmissão de conteúdos específicos.
As aulas se estruturam em projetos e em conteúdos. A Internet está se tornando uma mídia
fundamental para a pesquisa. O acesso instantâneo a portais de busca, a disponibilização de
artigos ordenados por palavras-chave facilitaram em muito o acesso às informações
necessárias. Nunca como até agora professores, alunos e todos os cidadãos possuíram a
riqueza, variedade e acessibilidade de milhões de páginas WEB de qualquer lugar, a qualquer
momento e, em geral, de forma gratuita.
O educador continua sendo importante, não como informador nem como papagaio
repetidor de informações prontas, mas como mediador e organizador de processos. O professor
é um pesquisador – junto com os alunos – e articulador de aprendizagens ativas, um conselheiro
de pessoas diferentes, um avaliador dos resultados. O papel dele é mais nobre, menos repetitivo
e mais criativo do que na escola convencional.

Os professores podem ajudar os alunos incentivando-os a saber perguntar, a enfocar 18


questões importantes, a ter critérios na escolha de sites, de avaliação de páginas, a comparar
textos com visões diferentes. “Os professores podem focar mais a pesquisa do que dar
respostas prontas.”

Entendemos que a escola assimila conhecimentos, habilidades úteis e necessárias à


vida do indivíduo dentro da vida social, as diversas versões sobre o papel desempenhado pela
educação em geral.

Muito já se discutiu a respeito do núcleo central de ação escola. A escola tradicional


deu muita ênfase ao conteúdo de conhecimentos acumulados pela humanidade, colocando o
professor como mediador entre a cultura estabelecida e o educando. O objetivo de
possibilidades da apropriação dos conhecimentos e habilidades que interessam. Trazendo para
sala de aula o conhecimento de fora para dentro.

Na medida em que a escola transformou-se em uma instituição de classe, operou os


conhecimentos e habilidades que interessavam. O profissional que trabalha com a educação
pela comunicação, mais do que conhecimentos específicos e técnicos numa área ou em outra,
deve ter uma formação abrangente, senso crítico, flexibilidade. Tem que ser um investigador
inquieto, estabelecer relações com seus alunos, com a comunidade, com outros educadores,
criar oportunidades em que o jovem possa se expressar livremente, ser capaz de organizar
projetos e espaços educativos que sejam verdadeiros pontos de encontro de uma rede de
relações , em que seja possível aprender a aprender, aprender a fazer, aprender a conviver e
aprender a ser. Assim pode-se conhecer a história de cada aluno, deixando que eles possam
expor seus próprios conhecimentos.

O educador, ou facilitador, ou agente cultural, ou animador, mais do que ser capaz de


transmitir conhecimentos ou de habilitar os jovens no uso de uma linguagem específica, é capaz
de comunicar e fazer-se comunicar. É, portanto, preciso dominar as questões, teorias,
processos, relações e políticas que determinam a comunicação na sociedade de hoje, pois esse
profissional tem o grande desafio de viver numa época em constante mudança, e a enorme
responsabilidade de apoiar as novas gerações na construção de uma nova sociedade.

A educação e a comunicação é um campo novo de conhecimentos e de práticas.


Quando analisamos a postura do aluno diante de suas culturas, podemos identificar a
construção de formação adquirida externamente para ser trabalhada na sala de aula. Essas 19
experiências, nos estudos e as pesquisas, começam a se estruturar e a definir seu corpo teórico,
seu universo, suas ferramentas e práticas, e até procuram definir seu próprio nome no decorrer
de sua aprendizagem.

A idéia da comunicação na educação é nova e as estruturas educacionais vão sendo


formadas, moldadas de acordo com o que ela recebe dos seus alunos, e procura envolver a
experiência adquirida e a teoria em função do desenvolvimento da didática aplicada. Os
desafios, confrontados todo o tempo com enormes crises de paradigmas, de identidades e de
objetivos. Como assegurar o acesso das novas gerações ao vasto capital da informação e do
conhecimento acumulado pela sociedade contemporânea? Como estabelecer novas relações
entre a escola e os meios de comunicação? Quais processos educativos melhor se aplicam ao
conhecimento crítico da comunicação? Como capacitar os professores para se tornarem
comunicadores? O que é usar criativamente a mídia dentro da escola?

A essas questões procura-se trabalhar com a educação pela comunicação. O mais


importante é saber aplicar a comunicação. O conhecimento da realidade encontrado na sala de
aula é desafio irresistível, e o dialogo procura resgatar a auto-estima para envolvimento social e
educativo.

Segundo Margarida Maria Krahling, a escola transformou-se em uma instituição de


classes, operou os conhecimentos e habilidades que interessavam. A escola espartana,
destinada à nobreza militar, cuidava da arte militar, porque este era o conhecimento que
interessava. Na Idade Moderna, a partir da Revolução Industrial, é preciso aprender a profissão
socialmente útil. Ao longo do tempo, tem servido para possibilitar a apropriação do conhecimento
que interessa e isso tem sido um instrumento útil, caso contrário, ter-se-ia inventado outro
mecanismo mediador. Qual é o conhecimento que interessa hoje? Será o conhecimento que
está sendo apropriado em nossas escolas públicas, ou o que está sendo apropriado em nossas
chamadas escolas de elite (nos colégios)?

Certamente o conhecimento que interessa não tem permeado a escola pública que foi
invadida pelas massas populares, que hoje temos um crescimento da zona urbana vegetativa
em função do êxodo rural para as cidades. A competência técnica ao lado da política pode não
ser interessante para as classes dominantes. Diante do ideal de universalização do ensino, 20
alguém defenderia o ponto de vista idealizador que qualifica o ensino destinado às camadas
populares. Conhecimento não poderá ser um pequeno conjunto de informação no processo de
compreensão da realidade ou, para tanto, é utilizar o que há de disponível de acúmulo de
entendimentos já produzidos e registrados para utilização da capacidade humana, avançada em
novos entendimentos da realidade.

O recurso ao conhecimento já estabelecido pela humanidade como instrumento da


compreensão da realidade instrumental auxiliar, para que este educando específico se aproprie
do conhecimento intelectual dos meandros da realidade e do mundo. O conhecimento
acumulado pela humanidade seja suficiente caminhe em direção a novas compreensões e
entendimentos. O limite do conhecimento, como compreensão da realidade, é a própria
realidade.

Cabe à escola, que se quer comprometida com a preparação do educando para a


conquista da cidadania, possibilitar e criar condições para que os educandos se apropriem da
realidade, através do conhecimento e das habilidades necessárias para transformar a realidade
em função do bem-estar da sociedade.

O educando apropria-se através da escola, do conhecimento como forma de


compreensão da realidade e está se preparando não só para o enfretamento dos desafios da
natureza propriamente dita (parte do mundo), mas também para enfrentar as mazelas sociais
que envolvem. O uso dos meios de comunicação, em geral, do ponto de vista pedagógico, exige
um esforço que vai além daquilo que se manifesta pela própria comunicação.

Segundo Luckesi, em primeiro lugar, deveríamos tomar o tema de uma forma


abrangente e radical, no sentido de discutir fundamentos e não na perspectiva de discutir em
especificidade um ou alguns meios de comunicação na escola. “O tratamento específico das
inter-relações dos meios de comunicação e a prática educacional seria objeto de trabalho de
muitos outros estudos no decorrer do evento como um todo.”

O ponto de vista abordado no desenvolvimento seria dos componentes do próprio


título, ou seja, meios de comunicação, escola e preparação para a cidadania. O desvio de
formação intelectual e por “desvios” de hábitos profissionais hierarquiza tópicos de maneira
abrangente fundamental. 21

Quando discutimos a questão preparação para a cidadania, buscamos expressar os


meios de comunicação utilizáveis na escola em e se preparar o sujeito para realizar-se.

Convencidos de que seria desenvolver análise e por entendimento essencial a escola


prepara para a cidadania, procura estabelecer indicadores nos meios de comunicação que
pedagogicamente mostram esforços de encaminhar o educando para integra-se com o mundo. A
estrutura centralizada é planejada fora da realidade que encontrarmos nas escolas brasileiras, e
nós criticamos, mas obedecemos.

À medida que a realidade vai se distanciando dos grandes centros, o professor vai
tendo dificuldade em identificá-lo, causando um tormento vivido pela realidade que lhe é imposta
na estrutura do ensino irreal.

Acredito que os educadores da labuta diária no ensino, haja um consenso sobre a


necessidade e uma absoluta reformulação deste ensino, adequado às necessidades de cada
bairro, região ou país. Sabem da necessidade de reformular o ensino a partir de propostas que
atuam em diversos níveis.

É possível que ao coletar as informações e sugestões não tenhamos um retrato


pintado com a realidade brasileira. A televisão comercial conhece seu público para vender seus
produtos. Mas quem é esse público consumidor dos programas educativos?

"A escola pode e precisa estabelecer pontes com os Meios de Comunicação”. Pode
utilizá-los como motivação do conteúdo de ensino, como ponto de partida mais dinâmico e
interessante diante de um novo assunto a ser estudado. Podem os meios de apresentar o
próprio conteúdo de ensino “(...) bem como ser, eles próprios, objeto de análise, de
conhecimento.". "Os Meios de Comunicação - o jornal, o rádio, a televisão, o cinema - podem ser
utilizados como ponto de partida de um novo assunto, como pesquisa prévia para debates, como
motivação, como estímulo."

O que torna possível a educação é a socialização decorrente da educação que os


homens tem de influírem uns nos comportamentos dos outros,modificando-se mutuamente, no
processo de integração social. A grande influência nos padrões sociais de vida, em geral, difere
das instituições escolares. 22

Característica que cada instituição tem é favorecer as possibilidades dentro dos


padrões e normas exigidos da organização a esse comportamento da busca de informação de
fora para dentro da escola. A educação escolar distingue-se, portanto, da educação informal
que acontece fora da escola. Dentro da instituição têm-se horários a cumprir, normas
estabelecidas que criam conhecimento escolar produzidos no dia-a-dia em condições
produzidas e transmitidas.

Fora da escola o conhecimento é produzido a partir da necessidade imediata da vida,


na sobrevivência nas ruas dos centros urbanos, no campo - o menino na feira aprende a fazer o
troco sem nunca ter ido à escola; o pedreiro, o cortador de cana sabe as braças que deve
receber na colheita, etc. Já o saber escolar embora possa e deva ter relação com a vida dos que
freqüentam a escola, muitas vezes se apresentam distante dela. Se conhecimento da escola se
distancia da vida dos alunos, impedindo que eles o assimilem, o resultado escolar será marcado
necessariamente pela exclusão daqueles que deveriam dominar esse conhecimento,
reproduzindo de forma conservadora a vida desigual dessa sociedade, onde poder traz saber.

A escola sempre foi defendida como instituição da classe dominante, da classe que
domina o poder, tanto o econômico, quanto político.

Para isso vemos que: "Os Meios podem ser utilizados também como conteúdo de
ensino, como informação, como forma de passar conteúdos organizados, claros e seqüenciados,
principalmente o vídeo instrucional educativo, o qual é útil para o professor, porque lhe dá a
chance de completar as informações, de reforçar os dados passados pelo vídeo. Eles não
eliminam o papel do professor; ao contrário, ajudam-no a desenvolver sua tarefa principal, que é
a de obter uma visão de conjunto, educar para uma visão mais crítica." "A escola precisa, enfim,
no seu Projeto Educativo, considerar a questão dos Meios de Comunicação e da comunicação
como parte integrante - e não marginal - do processo educativo integral do novo aluno-cidadão,
visando construir uma sociedade realmente democrática."

As afirmações básicas que têm o poder de embasar as manifestações e o artigo


conseguem, (localizar hoje), o significado do comunicar e educar na sala de aula com mais
desempenho por parte do educador e educando.

23
Há uma certa confusão de funções, atribuições e tarefas, porque os termos são usados
indistintamente ao se referir aos profissionais que atuam nas comunidades virtuais,
principalmente nas que se propõem a serem comunidades de prática, e mais ainda as de fundo
educacional. Preocupa-nos aqueles que não têm o cesso a esse tipo de comunicação virtual,
ficando fora da realidade da mídia e alheio à informação virtual.

O trabalho do professor fica cada vez mais sobrecarregado em atender essa demanda
carente da informação e em muitas vezes escassa de materiais que supram a necessidade
existente. Não basta a prática, precisa-se da teoria, e dentro das políticas administrativas que
estão questões que devem ser abordadas, questionadas, debatidas sempre para que haja a
inclusão de forma geral. A comunicação é a base da informação para se fazer acontecer uma
educação de qualidade, sem ela não tem condição de desenvolver projetos que melhorem a
conscientização, o estímulo e força de vontade em aprender dos nossos jovens. Conhecer os
conceitos clássicos de comunidades é se voltar para a leitura de um trabalho comunitário, onde
se pode observar:

Abordagem da comunidade em oposição à sociedade;

Conceito estudado e trabalhado;

Questionamento dos conceitos acerca de comunidades, e a busca da integração


na sociedade.

A comunidade baseia-se na orientação da ação social, que espera ser desenvolvida


em função da necessidade apresentada onde se fundamenta em qualquer tipo de ligação
emocional, afetiva ou tradicional e para quem chamamos de “comunidade da orientação”, da
ação social, na média da solidariedade, onde cada um se volta para entender o novo, sem
precisar fugir de suas origens nem culturas. A integração do conhecimento externo para o
trabalho de desenvolvimento interno são métodos e critérios baseados e estudados
emocionalmente dos participantes que, ora, apresentam para descobrir e entender.

Não temos uma receita pronta para a comunicação e educação, realidades diferem
geograficamente, mas, temos a capacidade de entendermos a importância de comunicar para o 24
bem comunicar-se. O desenvolvimento do aluno se dá pela maneira como ele foi conduzido
desde cedo. A conclusão que se pode chegar é que quando se trabalha para mudar, trocar, ou
até mesmo impor limites, pois é isso que a educação precisa fazer diante da indisciplina, é
apresentar os limites e seus direitos. No momento em que se desenvolvem as regras a
comunicação é repassada e espera-se que seja entendida.

Mas temos que pensar psicologicamente que as mudanças precisam de tempo. A


comunicação verbal é nata, quando essa comunicação passa a ser entendida virtualmente, ela
parece criar outra forma de entendimento e interpretação. O acompanhamento e observação são
muito importantes, pois eles firmam as bases no entender e interpretar para aplicar no
desenvolvimento da aprendizagem.

Creio que interessa esclarecer a figura da função que considero essencial numa
comunicação, chamada de "fontes inovadoras inteligentes", ou mais, comunicações virtuais das
comunidades escolares. A prática dessas comunidades é pesquisar e estudar o tema. O
elemento é existente apenas enquanto as pessoas realizarem trocas e estabelecerem laços
sociais. Quando agregados sociais surgem da rede (Internet), leva para essas discussões os
sentimentos humanos, troca de informação, os bate papos informativos na rede de relações
pessoais. Até onde sabemos o nível das informações passadas e como elas são entendidas e
trabalhadas na didática da sala de aula.

A aprendizagem colaborativa online vem tomando força nos últimos anos como uma
possibilidade de estratégia em educação e vem, dessa forma, contribuindo para uma nova
gestão da aprendizagem, uma vez que tem propiciado a alteração de modos de operar até então
impraticáveis, observações, como já foi dito anteriormente, no cuidado em acompanhar as
informações passadas e interpretadas em quem está se formando e criando seus próprios
destinos.
No mundo atual, parece transformar-se na criação de fórmulas que permitam
manipular a realidade com acentuado reducionismo. A pesquisa imaginativa, pelo contrário, deve
se nutrir no sentido de captar os múltiplos encadeamentos de um mesmo objeto, num esforço
constante para manter-se nessa unidade integral, não se restringindo à mera busca do
conhecimento.

Ela se esforça para abrigar as várias correntes de pensamento, e teorias programadas 25


voltadas para sua dimensão colaborativa/conflitiva. O processo cumulativo, por meio do qual o
exercício reflexivo é expresso e ampliado, onde o conhecimento científico assume, a um só
tempo, sua dimensão humana e histórica. É entendido em dois sentidos: individual e social,
exercida não só na escolha, mas nas transformações por ele operadas.

Se a natureza e os frutos do acaso são passíveis de interpretação, de tradução


em palavras comuns, no vocabulário absolutamente artificial que construímos a partir de vários
sons e rabiscos, criados e apresentados para serem adaptados à realidade;

Experiências humanas (processo, reflexões elaboração) com base em um


emaranhado de idéias, experiências coletivas e individuais, nas relações com outros homens e
com a natureza,

Assim sendo, ao invés de destacarmos algum desses elementos como variáveis


independentes, o social ou o econômico, acentua em todas as variáveis que dependem das
relações humanas trabalhadas no contexto geral. Weber (1992), ao analisar o método das
ciências históricas e sociais acredita ser impossível eliminar as pré-noções ou os juízos de valor
no trabalho investigativo, daí a necessidade de:

"integrá-los conscientemente na ciência e fazer deles instrumentos úteis na


investigação da verdade objetiva" (Goldmann, 1967, p.34).
As opiniões e os valores do pesquisador, estando fincados em um substrato coletivo
que compõe sua subjetividade, são aspectos constitutivos da atividade intelectual. Pois:

[...] a ilusão começa quando imaginamos que, de um lado, há os fatos e, de outro, a


teoria, e quando dissimulamos a posição em razão da qual esta divisão aparece. Somos então
26
forçados a descrever o movimento do conhecimento como se nele não tomássemos parte, e fixar
sua origem de um lado ou do outro. (Lefort, 1979, p.256).

A esse entendimento real os fenômenos percebidos pelos sentidos incorporam, no


enfoque, as dimensões: objetiva e subjetiva, o objeto e sua carga de significados, a gama de
valores do aprender, é assumir uma postura de análise desafiadora dos aspectos de conflitos
(dificuldades em conhecer o novo) pelo aspecto em deixar transparecer o conhecimento de fora
para o entendimento do meio. Isso não significa, no entanto, que determinada teoria possa
oferecer uma compreensão completa acerca da realidade.

A teoria atribui uma característica realizável historicamente do homem para adaptação


comunicativa do próprio homem. A interpretação verdadeira da realidade, na prática, realiza
versão historicamente possível ao próprio entendimento da comunicação da educação. Tendo a
aprendizagem colaborativa e facilitado a formação da comunicação virtual, a aprendizagem
permite que cada participante possa expressar suas idéias, defendê-las e redefini-las,
contribuindo para a construção do conhecimento para um futuro cheio de perspectivas
inovadoras.

A essas mudanças, oferecem-se possibilidades para que o mediador situações


próximas da vida real, possibilite contatos com práticas reais, além da efetiva interação, troca,
convivência e aprendizado colaborativo. Trabalha de maneira inovadora a aprendizagem, é por
sua vez defender a postura de que introduzir a tecnologia por si só na comunidade escolar
suficiente para gerar transformações na educação.

Para as escolas pressupõe pensar em um conjunto, trabalhar para dento de si mesmo,


ao mesmo tempo em que se conhece a possibilidade de mudanças de nossos alunos, já que são
os nossos parceiros e sujeitos da ação. As tecnologias da comunicação e informação vêm
provocando profundas mudanças na maneira como os seres humanos vivem, pensam e
trabalham. O cidadão precisa aprender a navegar num mundo de informações que muitas vezes
não tem conhecimento sobre o mesmo, chegam a sofrer com isso.

E a escola, o lugar tradicionalmente dedicado ao ensino e à aprendizagem, à


transmissão de informações, tem que introduzir a comunicação. Entretanto algumas só podem
trabalhar a comunicação através do material didático que a mesma possui. Algumas das 27
profissões bem remuneradas estão ligadas à comunicação. Informação é poder. Temos que
aprender não só a comunicar, como a ler criticamente as informações que recebemos. A
importância da leitura flexível em sala de aula favorece a posição do aluno na leitura de mundo.
Quando isso não acontece, surgem os bloqueios e impedem o entendimento das mudanças
tecnologias.

Não há maneira mais simples e prática de fazer isso do que criando produtos de
comunicação. Ao produzir um jornal em sala de aula, o chamado “jornal do estudante” com as
edições feitas por eles, recadinhos e participação de todo grupo, a escola está não só
trabalhando a comunicação, mas a socialização. Nas histórias em quadrinhos, o aluno tem a
facilidade de ler o texto interpretando e criando sua própria história, aprendendo a se comunicar
e socializar-se. Ao comunicarmos, aprendemos a “gramática” dos meios de comunicação – além
de sermos obrigados a organizar as informações. Quem produz um vídeo nunca mais vê
televisão passivamente. Para fazer um bom jornal é preciso saber português, matemática,
história, geografia, biologia, design, informática, etc.

A educação pela comunicação é um ótimo jeito de formar cidadãos para uma


sociedade em que a informação e o conhecimento valem cada vez mais. A condição de atuar em
desenvolver a aprendizagem na gestão do conhecimento exige o uso de ferramentas de
informação e comunicação, modelos organizacionais e a contribuição de todos para a
construção do conhecimento.

A escola vem possibilitar aprendizado colaborativo quando conhece a realidade de


fora de cada aluno, e é essa Experiência de Aprendizagem Colaborativa que permite aos
participantes construírem o conhecimento através da discussão, da reflexão, da tomada de
decisões, na qual os recursos das tecnologias de informação e comunicação atuam como
mediadores do processo da gestão da aprendizagem, ativa como motivação para melhorar a
construção do diálogo em aprender para rever princípios básicos e fundamentais na formação do
cidadão.

É a metodologia constituída num ambiente virtual que propicia particularmente a


aprendizagem colaborativa, por sua flexibilidade no que se refere ao tempo, espaço e
diversidade de percursos, permitindo a interação de todos com todos, em um processo similar ao
que ocorre tomar as próprias interações. 28

É fundamental a colaboração, ela favorece uma combinação dos objetivos pessoais


com os objetivos coletivos, desempenha a comunicação social e desenvolve a solidariedade dos
alunos entre si. A escola não tem somente a responsabilidade de repassar a didática dos livros
ou exigir que o aluno prove que sabe o conteúdo na cobrança das avaliações, ela procura
conhecer o ser humano, suas origens, suas culturas, e seus próprios limites para integração do
ser humano na sociedade.

A construção do conhecimento abre espaços para que os participantes compreendam


os pontos de vista de cada um, respeitem a diversidade, aprendam a questionar as próprias
certezas e incertezas, reconstruam conceitos e fortaleçam as próprias práticas. A experiência de
aprendizagem gera conhecimento, a troca de experiências vem enriquecer a convivência. E
produz a de responsabilidade de todos exerce um papel que favorece o seu pensar para refletir.
Se pensarmos que o papel do professor, em todas as situações de aprendizagem, tende a se
modificar bastante, sendo cada vez mais o de um facilitador e mediador da aprendizagem, de um
provocador de situações educativas, estamos certos de que encontramos o caminho para
resgatar o ânimo e trabalhar a auto-estima dos alunos.

Em várias situações a perspectiva do professor se amplia significativamente, do


informador que dita conteúdos e se transforma em orientador da aprendizagem, em gerenciador
de pesquisa e comunicação para o aprendiz, enquanto ele mesmo se desenvolve aprendendo a
conhecer, para construir seu próprio ser individual e coletivo organizador de sua aprendizagem.
A intervenção do professor precisa garantir que o aluno conheça o objetivo da atividade, situe-se
em relação à tarefa, reconheça os problemas que a situação apresenta, e que seja capaz de
resolvê-los.

Para tal, é necessário que o professor proponha situações didáticas com objetivos e
determinações claros, para que os alunos possam tomar decisões pensadas sobre o
encaminhamento de seu trabalho, além de selecionar e tratar ajustadamente os conteúdos. A
complexidade da atividade também interfere no envolvimento do aluno. Um nível de
complexidade elevado, ou muito baixo, não contribui para a reflexão e o debate, situação que
indica a participação ativa e compromissada do aluno no processo de aprendizagem.

As atividades propostas precisam garantir organização e ajustes às reais


possibilidades dos alunos, de forma que cada uma não seja nem muito difícil, nem muito fácil. Os 29
alunos devem poder realizá-las numa situação desafiadora. Aprender é uma tarefa árdua na qual
se convive o tempo inteiro com o que ainda não é conhecido. Para o sucesso, é fundamental
que exista uma relação de confiança e respeito mútuo entre professor e aluno, de modo que a
situação escolar possa dar conta de todas as situações afetivas. Quando não se instaura na
classe um clima favorável de confiança, compromisso e responsabilidade, os encaminhamentos
do professor ficam comprometidos. A consciência é concebida como produto social da ação e da
necessidade humana em relação à natureza e aos outros homens. Esse esforço de
entendimento da totalidade conduz o:

“Apreender os fenômenos em sua auto-relação e hetero-relação, em suas


relações com a multiplicidade de seus próprios ângulos e de seus aspectos
intercondicionados, em seu movimento e desenvolvimento, em sua
multiplicidade e condicionamento recíproco com outros fenômenos ou grupo
de fenômenos. (Joja, 1965, p.55)

A estrutura das atividades realizadas escolhe o material multimídia, formulando


questões, apresentando situações e atividades concretas facilitadoras de aprendizagem. A
construção do seu conhecimento é direcionada por ele próprio nas discussões, do processo de
aprendizagem colaborativa.

Nesta rede de comunicação e colaboração cada participante se torna presente


simultaneamente, envolvendo-se na produção colaborativa de conhecimentos, reconstruindo
conceitos e significados, constituindo um nó que propaga experiências, onde revelam uma
perspectiva direcionada, as competências para o desenvolvimento humano.
Paulo Freire enfatiza a necessidade de uma reflexão crítica sobre a prática educativa,
sem a qual a teoria pode se tornar apenas discurso e a prática uma reprodução alienada, sem
questionamentos. Defende ainda que a teoria deve ser adequada à prática cotidiana do professor,
que passa a ser um modelo influenciador de seus educandos, ressaltando que na verdadeira
formação docente devem estar presentes a prática da criticidade ao lado da valorização das
emoções. O autor afirma que o professor deverá também ensinar a pensar certo, sendo a prática
30
educativa em si um testemunho rigoroso de decência e pureza.

Para Freire, faz parte do pensar certo a "disponibilidade ao risco, a aceitação do novo e
a utilização de um critério para a recusa do velho", estando presente a rejeição a qualquer tipo de
discriminação. Ainda destaca a importância de propiciar condições aos educandos, em suas
socializações com os outros e com o professor, de testar a experiência de assumir-se como um
ser histórico e social, que pensa, que critica, que opina, que tem sonhos, se comunica e que dá
sugestões.

Acredita que a educação é uma forma de transformação da realidade, que não é neutra
e nem indiferente mas que tanto pode destruir a ideologia dominante como mantê-la. Freire
ressalta o quanto um determinado gesto do educador pode repercutir na vida de um aluno
(afetividade e postura) e da necessidade de reflexão sobre o assunto, pois segundo ele ensinar
exige respeito aos saberes do educando.

A construção de um conhecimento em parceria com o educando depende da relevância


que o educador dá ao contexto social. O alvo principal destas empresas nunca foi, por exemplo,
a "conquista de um mercado", mas a construção de um sentido para a organização de sua
identidade, expressa em princípios e não em objetivos. Assim como as empresas, os indivíduos
criam um ambiente para suas ações e não se pode descrever um ambiente sem interagir com ele.

As condições da aprendizagem e a necessidade do indivíduo já estão nele contidos (tal


como nas organizações). Dentro de sistemas auto-organizáveis, a cognição é sempre um ato
criativo, de construção da realidade, pois não toma o mundo como previamente dado. Assim, a
"instrução" externa não tem significado em si para organismos autopoiéticos. As "instruções" são
internas. O ato de dar um livro para alguém diz muito pouco a respeito do conhecimento que essa
pessoa irá adquirir.
Ao ler o livro, a pessoa terá, primeiro, de ser capaz de distinguir o livro da mesa onde
está apoiado, depois distinguir a tinta (letras) do papel, depois distinguir o conteúdo do livro (a
respeito do que é o livro), depois se o conteúdo é "bom" ou "ruim", se é aplicável ou não, e assim
por diante. Todas estas distinções são feitas de acordo com normas próprias, pessoais, ainda que
tidas como legítimas por uma comunidade. Ainda mais, sendo o ser vivo estruturalmente
determinado, o que vem de fora apenas desencadeia o processo de percepção, mas este é
31
efetivado por correlações internas do "observador" (organismo). Enquanto aprender é, de alguma
forma, assimilar o externo, esta assimilação é uma conformidade do organismo com os estímulos,
e nunca uma imposição do meio sobre o organismo.

Maturana considera: "Quando, na vida cotidiana comum, respondemos a nós mesmos


ou a alguém uma pergunta que nos exige uma explicação de uma experiência (situação ou
fenômeno) particular, sempre a respondemos propondo uma reformulação daquela experiência.
Se a reformulação proposta é aceita como tal pela pessoa que fez a pergunta, ela se torna
literalmente uma explicação, e tanto a pergunta quanto o desejo de formulá-la desaparecem. A
explicação torna-se uma experiência que pode ser usada para outras explicações. Esta
aceitação, por parte do ouvinte, é uma aprendizagem, e é uma decisão interna do organismo, na
medida em que acomoda ou não a explicação.”

Se as condições da aprendizagem "estão lá", no organismo, então o desafio está na


habilidade para interagir com os organismos, compreendê-los, nas particularidades, nas
necessidades, e em adequar condições ambientais. O "coaching" aproxima-se desta idéia, na
medida em que através da interação busca-se elevar a aprendizagem de um organismo para que
este gere melhor desempenho. Mas, é necessário compreender e não instruir. A mesma reflexão
se dá para sistemas de ensino e aprendizagem.

Muitas organizações investem em universidades corporativas, mas repetem o mesmo


dilema cartesiano da cisão entre instrutor e aprendiz. As organizações precisam rever, em muito,
critérios de geração de aprendizagem e de compreensão auto-organizativa das pessoas. A
crença nas tecnologias de informação e sistemas de ensino à distância pouco poder tem em
gerar o tipo de aprendizagem desejada. Parte desta arte do ensinar e aprender tem a ver com as
condições de empatia nas interações, de modo a que os organismos reconheçam similaridades e
possibilidades de aprendizagens distintivas
A experiência de aprendizagem desenvolvida na aprendizagem, de um conceito
inovador, da organização que aprende os principais meios de ferramentas e técnicas específicas
adotadas para o desenvolvimento do processo educativo que envolve o compartilhamento do
saber, de vivências e práticas com outras pessoas, partindo da visão individual para a
compartilhada, do todo para ver os inter-relacionamentos, para que estas possam desenvolver o
bom senso coerente, diminuir a distância entre o discurso e a prática, julgar a sua autoridade na
32
sala de aula e a autonomia, para ensinar exigir os direitos dos educandos e exigir também a
compreensão da realidade.

A apropriação indireta da realidade é a compreensão intelegível que adquirimos da


mesma através de um entendimento já produzido por outro ( o próprio sistema que informatiza ) .
E a compreensão da realidade que adquirimos por meio de entendimento que outros tiveram da
realidade e nos relataram através de alguns veículos de comunicação qualquer que seja ele,
oral ou escrito, na via indireta, a apropriação do conhecimento se dá através do mediador que
nos diz que a realidade é assim, porque ele a interpretou assim e para tanto apresenta
argumentos que devem nos convencer. É possível, mediado por uma comunicação, chegar a um
entendimento da realidade.

O conhecimento é o mais utilizado na prática escolar, especialmente quando se usa


livros como mediador ( sujeito) e o educando na realidade. Indiquei o livro por ser o mediador
dentro da escola não quero privilegiá-lo, apenas ele faz parte do dia-a dia do aluno, visto que a
comunicação informatizada está dentro de realidade encontrada por áreas geográficas. O livro
traz os textos que favorecem a comunicação do aluno, e serve como lente de interpretação da
realidade , o educando deveria apropriar-se de um entendimento da sua realidade e facilidade
de uso com o mesmo.

O que importa, na apropriação direta ou indireta do conhecimento, muitas vezes, é que


o intermediário do conhecimento é a compreensão da realidade, porque é ela que cada sujeito
tem que enfrentar. Sabendo que a competência é quem fala por ele.

Trabalhar textos flexíveis ao entendimento do aluno, os textos que apresentam uma


certa dificuldade de compreensão passa a ser dificuldade para o aluno e não para mundo que
o texto pretende expressar. Não é somente o texto em si que precisa ser entendido, mas a
realidade que ele veicula. O pensamento do educando, como manifestação do conhecimento
apropriado, não será um pensamento sobre objetivo próprio do conhecimento, mas sobre
discurso feito sobre o objeto. O educador deve exercer sua autoridade e sua liberdade.
Liberdade esta que deve ser vivida em sua totalidade com a autoridade, em uma relação
dialética, centrada em experiências estimuladoras de decisão e responsabilidade.

Freire salienta ainda que a educação tem a política como uma característica inerente à
sua natureza pedagógica, e alerta para a necessidade de nos precavermos dos discursos 33
ideológicos, dos quais a educação também faz parte, pois ameaçam confundir a curiosidade,
além de distorcer a leitura e interpretação dos fatos e acontecimentos.

Para compreender o papel que os meios de comunicação podem desempenhar numa


aprendizagem significativa, é importante aprofundar o que está por trás da relação entre emissor
e receptor.

O emissor é o detentor de alguém (entendimento da realidade). A compreensão do


objeto que vai falar. O receptor recebe a mensagem e espera aprender o novo, aprofundando-se
no entendimento da realidade. A realidade é a mediação entre o entendimento e realidade.
Quanto à questão da mediação na relação de comunicação, importa dizer que a própria
comunicação em seu aspecto formal, pode ser mediadora entre o emissor e realidade.

A observação na comunicação apropria do conhecimento sobre o objeto, pois o que


está interessado, em última instância, é o objeto de conhecido e não a comunicação em si. A
comunicação desta concepção quanto maior for a possibilidade da comunicação por parte do
receptor, maior será a possibilidade de se apropriar do conhecimento (ele).

Na escola o objeto fundamental da ação pedagógica é propiciar ao educando


condições de entendimento da mesma. A comunicação deveria pautar-se pelo conjunto de
variáveis que garantissem alcançar esse objetivo. A clareza da comunicação auxilia o educando
no desenvolvimento da criticidade para o efetivo senso da realidade. A comunicação é um
processo em curso de trabalhos voltados para as ligações humanas em toda sua amplitude. Na
tecnologia temos os avanços disponibilizados para usar em benefício do conhecimento didático
pedagógico. O ambiente funcional educativo busca o diálogo entre receptor e emissor.
A esfera social mostra-se inovadora, com mensagens de textos escritos para que a
própria comunicação possa ser mais usada na escola, sendo ela apenas uma mediadora da
realidade, não da própria realidade, mas tem que ser vista e usada criticamente em relação a ela
(realidade). O educando e o educador não se devem submeter acriticamente aos ditames do
livro-texto. O limite da verdade não está no texto, que é o meio de comunicação. Para
exemplificar, os livros são usados e são assumidos como se estivessem dizendo a verdade. O
34
educando precisa saber tais acontecimentos históricos do nosso país, registrados nos livros.

Querendo ou não (D. Pedro I, José Bonifácio) a independência do Brasil ia acontecer,


as condições objetivas históricas apontavam para isso. É preciso ter ciência de que o meio de
comunicação transmite uma “visão” da realidade e não a realidade. Entretanto, ela transmite a
mensagem de quem criou , podendo ou não estar próxima ou distante da realidade. O que
importa é o entendimento de fato, a realidade interpretada conhecida. O vídeo, DVDs, o Cinema,
os visuais estáticos (...) são meios de comunicação que: mediam o educando, ou receptor, e a
realidade.

Tudo isso é uma análise para se chegar a uma síntese. Os meios de comunicação
utilizados e elaborados solucionariam os problemas da aprendizagem, (pensamento histórico).
Chegou-se mesmo a considerar, que sem a utilização de materiais didáticos (os meios visuais e
audiovisuais) não ocorreria uma boa aprendizagem. Os meios de comunicação não resolvem a
questão da aprendizagem, eles auxiliam, se forem bem utilizados. Cada um destes meios, sendo
bem utilizados, desempenha um papel fundamental na aprendizagem pedagógica na medida em
que cada um deles possui virtudes diferentes à realidade e ao educando.

O cinema, por exemplo, mostra a imagem física do mundo, importa a comunicação do


entendimento para conhecer que ali está a recriação, segundo a visão daqueles que conseguem
ver o mundo na montagem da comunicação do produto inserido. Diante desta colocação pode-se
argumentar que o meio de comunicação, como um filme, origina múltiplas interpretações, além
daquela que o próprio autor lhe quis dar. Abordar questões de multiplicidade dos seres humanos
é trabalhar os sentimentos interpretativos. Todavia, não podemos esquecer de que estamos
falando do uso pedagógico – didático - do meio de comunicação.
A esse objetivo a escola propicia ao educando a apropriação mais objetiva possível.
Interage no conhecimento da sua realidade para o desenvolvimento pedagógico didático com os
educandos, mostrando que a comunicação é fruto do conhecimento adquirido e estuda para
serem interpretados e aplicados.

A unidade de ensino sobre a mensagem da comunicação, por qualquer meio que seja
não pode permitir múltiplas interpretações do mundo físico. Mesmo que a ciência venha mostrar, 35

mas a realidade é esta que já está. O que faz a diferença entre a comunicação e a interpretação
é que :

Transmitem-se conhecimentos, direcionados para o novo;


Integra a visão dos modelos desvendados nas multiplicidades dos seres
humanos;
Comunicação do ponto de vista pedagógico.

A disposição interativa permite fazer a comunicação não apenas do trabalho da


emissão, mas a própria mensagem da comunicação. A participação entendida educando como
troca de ações, controle sobre acontecimentos e modificação de conteúdos, já faz parte do
entendimento da comunicação recebida.

O educando pode ouvir, ver, ler, gravar, voltar, ir adiante, selecionar, tratar e enviar
qualquer tipo de mensagem para qualquer lugar, (comunicação do conhecimento didático -
pedagógico). E em interatividade permite ultrapassar a condição que se manifesta pela própria
comunicação. Os papéis sociais são definidos levando em consideração as instituições onde se
desenvolvem a prática do sujeito.

O educador desenvolve sua prática no espaço da escola - enquanto instituição social -


é tarefa da escola a transmissão/criação sistematizada da cultura entendida como o resultado da
intervenção dos homens na realidade, transformando-a e transformando a si mesmo. A
experiência que quer ter, criando na ação em tempo real, a sua intervenção implica não só a
apreensão da mensagem, mas, sobretudo, o entendimento do que foi comunicado. É necessário
esforço de comunicação ou da intercomunicação, e um esforço pessoal de apropriação.
Os meios de comunicação servem de apropriação do conhecimento, mas eles não
realizam. A apropriação do entendimento é realizada pelo sujeito do conhecimento com sua
intimidade cognitiva. A competência significa falar e saber fazer bem. Apesar das diferenças
entre diversas concepções de educação e de escola presentes em nós, elas sem dúvida
concordam em definir desse modo a competência para desenvolvimento das ações aplicadas.
Entretanto, é preciso (o alerta da crítica) ao explicar o que se quer dizer quando se faz essa
36
afirmação, uma vez que é essa a tônica do discurso da maior pane dos educadores. Diante
disso, como os meios de comunicação poderão auxiliar, pedagogicamente, na preparação do
educando para a cidadania? Em todas as suas modalidades tem um papel imprescindível de
mediador da realidade no processo pedagógico da apropriação do conhecimento, pois tem a
possibilidade de registrar e transmitir o acúmulo de conhecimentos já produzidos pela
humanidade, fato que significa deter resultados do esforço histórico. O desafio explícito que
mais aparece na distribuição em massa, é próprio também da fábrica e da escola, são as
novidades digitais. A modernização criada para este público, "educação para todos", tornou-se
instituição de massa, dispensando ao conjunto da população, a ser instruído, um tratamento
uniforme, garantido por um planejamento centralizado. Quando programas de TV investem no
treinamento de profissionais que terão que se adaptar à linguagem digital, para se aplicarem na
sala de aula, ela está, na realidade, trabalhando a percepção futura dos educadores na função
pedagógica e exercício da didática. E, procuram desenvolver alternativas interativas em seus
programas para atender o novo espectador. Tudo isso, traduzido em estratégias que articulam
emissão e recepção, garantem a "aprendizagem" e preparam para o conhecimento educativo.
Ocasião em que o educando conhece as informações e comunicação. A
inquietação do processo educativo cultural diante da interatividade, na escola e nos sistemas de
ensino, orienta para os contextos desenvolvidos sempre na realidade presente com os olhos
voltados para o futuro educacional. É preciso despertar o interesse dos educandos e
educadores para uma nova comunicação em sala de aula, seja ela presencial ou virtual.
Enfrentar o fato de que tanto a mídia quanto a sala de aula estão diante do esgotamento do
mesmo modelo que separa emissão/recepção. Muitos educadores já perceberam que a
educação autêntica não se faz sem a participação genuína do educando, a educação não se faz
transmitindo conteúdos de A para B ou de A sobre B, mas na interação de A com B. No entanto,
presenciam uma distância, e isso causa preocupação, se observa a modificação dos valores
disciplinares e indisciplinares nas salas de aula. A aula presencial prevalece sempre com baixa
participação oral. Na educação, em grande parte, está centrada a lógica da distribuição, na
transmissão de informações ou "conhecimentos". Quando nos referimos à via Internet, a
tecnologia digital, ainda centrados na transmissão de dados, desprovidos de mecanismos de
interatividade, de criação coletiva. Portanto, é preciso ir além da percepção de que o
conhecimento é centrado na emissão, perceber que a comunicação tem a interatividade e não
apenas a separação da emissão dos programas educativos. Conhecer mais sobre a modificação
37
da comunicação na aprendizagem, na construção do conhecimento, em suma, no exercício da
participação cidadã. Em nossos dias, mesmo ganhando maturidade teórica, o desenvolvimento
conhece os vários segmentos do seu público; não é da preocupação do que é melhor para esse
público, mas ela conhece o bastante para, no mínimo, trabalhar sua maturidade em benefício da
formação do educando. As escolas aos poucos vão identificando as características do seu
público, das habilidades específicas nas atividades instrucionais. A descrição cuidadosa do
público a ser atingido auxilia grandemente no planejamento da estratégia a ser adotada; da
quantidade, da velocidade, do ritmo do tempo da instrução; ao nível de dificuldade com que a
informação será apresentada; do vocabulário a ser empregado nos textos para a leitura livresca
de recursos dos conteúdos, para aprendizagem colaborativa. A perspectiva de libertação da
comunicação da lógica da transmissão básica nas etapas dos desenvolvimentos indica as
habilidades relevantes ao atingir os objetivos propostos. A interatividade de comunicação pode
ser empregada para significar a comunicação entre interlocutores, no entanto, para que haja
interatividade é preciso garantir duas disposições basicamente:

A dialógica que associa emissão e recepção da comunicação;


A intervenção do conteúdo da mensagem e suas modificações para interpretação
dos fatos.

A esta mudança fundamental a comunicação procura emitir mais no sentido que se


entende habitualmente convertidos nas informações . O computador e a Internet, são um
conceito de comunicação . A participação ativa da comunicação em sala de aula, com os meios
de comunicação que temos, trabalha a participação sensório-corporal, esta é avaliada, revisada,
o que envolve o planejamento, coleta e interpretação de dados e informações referentes a um
conjunto específico do desenvolvimento dos programas educativos. É preciso operacionalizá-lo,
para que possamos ter uma educação de boa qualidade, efetiva e agradável. Poderíamos falar
de várias características intrínsecas, tais como: rádio, TV, Internet, cinema,
teatro, etc. Mas a tradição oral da cultura brasileira e do caráter oral da linguagem regionalizada
atende as necessidades do público específico nos programas educativos. A simples adaptação
da linguagem; do caráter interdisciplinar educativo, cumpre a utilização do planejamento
desenvolvido geograficamente, eficiente e agradável, para o entendimento da realidade
encontrada. As televisões educativas no Brasil refletiram sobre nossa historia, nossa política,
nossa conscientização como cidadão. Ela procura abordar temas como:
38

Televisão e educação;
Educação e saúde;
Condições sócio-econômicas;
Estudo geográfico.

O respeito pelo nosso regionalismo cultural, folclore, hábitos, costumes e linguagens,


pela nossa rica e imensa variedade regional. A televisão mostra e esclarece através de um meio
de apoio para o ensino, como caminhos possíveis para a solução de problemas por demais
complexos. O educador propõe o conhecimento à distância, a participação do aluno se
inscreve no conhecimento criado pelo educador, de modo que procure evoluir em construção de
uma coerência educadora. O aluno não está mais reduzido a olhar, ouvir, copiar e prestar
contas. Ele precisa criar, modificar, construir, aumentar e torna-se responsável pelo auto-
conhecimento . O educador disponibiliza as possibilidades, de caminhos que se abrem quando
elementos são acionados pelos educandos. A possibilidade de significações livres e plurais, a
coerência com sua opção crítica embutida na proposição, colocam-se abertos a ampliações, a
modificações, vindas da parte dos alunos do conhecimento obtido nas informações recebidas. A
sala de aula não é o lugar para se ouvir histórias, mas para fazer história. Mais do que
"conselheiro" ou "facilitador", o educador converte-se em formulador de problemas, provocador
de interrogações, coordenador de equipes de trabalho, sistematizador de experiências.

Assim, o conhecimento tem a distribuição, da perspectiva do conhecimento,


participação ativa dos educandos em aprender. Enfim, a responsabilidade de pensamento, para
adaptar uma nova sala de aula, capaz de educar em nossas realidades encontras ao longo do
tempo. A escola é o lugar destinado a formar cidadãos esclarecidos, senhores do seu próprio
destino. Entretanto, a sala de aula convive tradicionalmente com um impedimento de base ao
seu propósito primordial de educar para a cidadania. A participação do aluno na construção do
conhecimento e da própria comunicação retrata o quanto está sendo útil seu empenho de
educador no processo educativo. O processo da educação escolar sempre conviveu com esse
impedimento.

Segundo Pierre Lévy, "a escola é uma instituição que há cinco mil anos se baseia no
falar-ditar do mestre". Para Paulo Freire a pedagogia da transmissão é o modelo mais
identificado como prática de ensino e menos habilitado a educar. O desenvolvimento de uma 39

teoria da comunicação e a crítica da transmissão. A sala de aula segue tradicionalmente com o


professor e alunos frente a frente. O aluno terá a aula na escola, e novas proposições
configurando a sala de aula virtual. Porém, é certo que esteja apenas iniciando a proliferação do
"ensino” exclusivamente informatizado para promover o desenvolvimento das habilidades.

Participação-intervenção dos alunos, na construção do conhecimento e da


comunicação;

Emissão e recepção, sabendo que a comunicação e a aprendizagem são produzidas


pela ação conjunta do educador /educando;

Receptor, ampla liberdade de associações, de significações;

A comunicação e o conhecimento se constroem no trabalho solidário;

A expressão aprende a lidar com as diferenças na construção da tolerância e da


democracia.

Apresento as habilidades necessárias para o aproveitamento do potencial das novas


tecnologias em sala de aula. Contudo, não se destinam somente a conceito de comunicação,
tais habilidades são necessárias também para o professor que quer modificar sua postura na
sala de aula com os recursos que possuir.

Ambos podem aprender, potencializar o trabalho docente sabendo que é preciso o


conhecimento histórico das linguagens culturais dos educandos em suas próprias realidades.
Supõe que o conhecimento, os textos, os conteúdos, e a prática desenvolvida em sala de aula,
têm a função de formar no educando a criticidade inovada, capaz de se integrar no exercício de
sua cidadania. A informação gera um ambiente comunicativo, interativo que distribui o conhecer
da nova dimensão técnica resultante das habilidades necessárias para que o educador aproveite
o potencial em sala de aula. Seja qual for a sua realidade, na sala de aula o educador interage
seus conhecimentos, resgatando dentro do material didático o repasse de sua metodologia com
os seus alunos. Aqui pode contar com a utilização das novas tecnologias na educação.

O professor exige uma multiplicidade de recorrências entendidas como diálogo e


participação; 40

O professor é um mero transmissor de lições-padrão, ele deverá converter-se em


formulador de interrogações, coordenador de equipes de trabalhos, sistematizador
de experiências, e incentivador da auto-estima.

Os processos de leitura, e o modelo tradicional, afinal, o livro trás a história para ser
entendida.

Ao considerar a necessidade de modificar a comunicação centrada na emissão do


receptor para seu universo mental, o imaginário, o educador tem que seguir métodos
conceituais dentro do perfil encontrado na sua realidade para poder trabalhar o novo . Construir
conhecimentos de comunicação em sala de aula é levar o aluno para viver uma realidade que
precisa ser estudada em seus conceitos. A aprendizagem flui de acordo com o que se recebe.
Temos grandes modificações na educação, e quando levamos para sala de aula a tecnologia
apresentada esperamos alcançar um aproveitamento satisfatório dos educandos.
Entretanto, o esforço está sendo feito para que se alcance uma aprendizagem, porém a
tecnologia sozinha não alcança êxito, o material didático pedagógico não pode ser dispensado.

E muito importante que o educando saiba que ele precisa formar a história a partir da
história que está sendo contada. O desenvolvimento da aprendizagem se dá pela
responsabilidade e empenho de cada um que se empenha em fazer aprender. É preciso
compreender, historicamente, que a educação faz o sujeito da sociedade informada. As
dificuldades em aprender surgem, mas precisam ser superadas, nas aulas dinâmicas. Procure
levar a tecnologia para sala de aula e aproveitar o conteúdo didático, levando o educando a
pensar, raciocinar, criar, e interpretar o que se lê. Hoje temos uma abertura flexível quanto à
didática pedagógica, porém não quer dizer que o aluno não precise trabalhar a suas dificuldades.
Só sabemos dos avanços quando trabalhamos as dificuldades encontradas. A dificuldade de
lidar com seus conflitos perante a mensagem do computador é uma realidade nova para os
educandos em sala de aula, diante da nova postura: comunicar para comunicar-se.

O ensino tem os seus conceitos e interagir os conteúdos, diante das informações dos
conhecimentos, é cada vez melhor na sala de aula, esse quadro faz com que a escola entre na
"era digital". Enquanto isso, a educação está cada vez mais investindo em novas tecnologias e
atenta à necessidade de modificar a sala de aula centrada na pedagogia da transmissão. É 41

importante saber que a educação procura soluções para situações concretas. A performance dos
processos de gestão procura capacitar professores e funcionários de modo a otimizar os
trabalhos de administração e de ensino-aprendizagem, preparar as novas gerações para
exigências atuais e futuras do mercado de trabalho, onde o principal valor é a capacidade de
aprender, de comunicar e de criar utilizando tecnologias para a prática da sala de aula, quando
vem implementar o ensino em função da capacidade de seus educadores num processo de
investimento pelas suas qualificações, que venha beneficiar seus educandos e a educação de
modo geral. No entanto, encontramos nas salas de aula uma aprendizagem que nem sempre
significa salto qualitativo em educação. Os equipamentos virtuais e acessórios equipados
mostram que o conteúdo apresentado pelo professor pode ser gravado pelo aluno e caso tenha
faltado à aula, pode acessar o site da disciplina onde estão disponibilizados os conteúdos dados
e os exercícios propostos; a facilidade em fazer a transmissão e a distribuição em sala de aula é
grande.

Então, é a tecnologia, novo estilo de pedagogia sustentado por uma modalidade que
supõe a interatividade, isto é, participação, cooperação multiplicidade de conexões entre
informações e comunicações. Isso leva o professor a modificar sua comunicação em sala de
aula e na educação. Inventar é preciso para favorecer as oportunidades que estão aí. Criar um
pensamento novo, conhecer realidades, e centrados no conhecimento oportunizar ao educando
o conhecimento da tecnologia na prática do seu aprendizado. O suporte plano das idéias básicas
aproveita sua forma mais avançada em várias outras possibilidades de leitura e diante do qual se
pode escolher dentre várias alternativas de atualização.

O que significa tudo isso se não o fazer-se cidadão? Em sua ação concreta os
referidos movimentos desenvolvem formas próprias de comunicação, como algo engendrado a
partir de toda a ação social transformadora e, ao mesmo tempo, como força intrínseca e
propulsora deles próprios. Nesse patamar se desenvolve, simultaneamente, todo um processo
educativo, no sentido da educação informal, o que o caracteriza como um dos ambientes
propícios para efetivação das relações entre comunicação e educação. Na verdade, não é um
texto, mas de uma imensa superposição de textos, que se pode ler na direção do paradigma,
como alternativas virtuais da mesma escritura, ou na direção de determinados pontos que
42
permitem prosseguir e contribuir para um espaço educacional autêntico.

Não podemos esquecer que a escola quando leva para salas de aula, principalmente
nas aulas de Educação Artísticas, as sucatas está sendo introduzida a intenção de construir a
partir do material apresentado, o estudo dos conteúdos explorados em sala de aula.
3 COMO UTILIZAR OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO EM SALA DE AULA

Para compreender o papel que os meios de comunicação podem desempenhar numa


aprendizagem significativa, é importante aprofundar o que está por trás da relação entre emissor 43

e receptor.

O emissor é o detentor de alguém (entendimento da realidade). A compreensão do


objeto que vai falar. O receptor recebe a mensagem e espera aprender o novo, aprofundando-se
no entendimento da realidade. A realidade é a mediação entre o entendimento e realidade.
Quanto à questão da mediação na relação de comunicação, importa dizer que a própria
comunicação em seu aspecto formal, pode ser mediadora entre o emissor e realidade.

A observação na comunicação apropria do conhecimento sobre o objeto, pois o que


está interessado, em última instância, é o objeto de conhecido e não a comunicação em si. A
comunicação desta concepção quanto maior for a possibilidade da comunicação por parte do
receptor, maior será a possibilidade de se apropriar do conhecimento (ele).

Na escola o objeto fundamental da ação pedagógica é propiciar ao educando condições


de entendimento da mesma. A comunicação deveria pautar-se pelo conjunto de variáveis que
garantissem alcançar esse objetivo. A clareza da comunicação auxilia o educando no
desenvolvimento da criticidade para o efetivo senso da realidade. A comunicação é um processo
em curso de trabalhos voltados para as ligações humanas em toda sua amplitude. Na tecnologia
temos os avanços disponibilizados para usar em benefício do conhecimento didático pedagógico.
O ambiente funcional educativo busca o diálogo entre receptor e emissor.

A esfera social mostra-se inovadora, com mensagens de textos escritos para que a
própria comunicação possa ser mais usada na escola, sendo ela apenas uma mediadora da
realidade, não da própria realidade, mas tem que ser vista e usada criticamente em relação a ela
(realidade). O educando e o educador não se devem submeter acriticamente aos ditames do
livro-texto. O limite da verdade não está no texto, que é o meio de comunicação. Para
exemplificar, os livros são usados e são assumidos como se estivessem dizendo a verdade. O
educando precisa saber tais acontecimentos históricos do nosso país, registrados nos livros.

Querendo ou não (D. Pedro I, José Bonifácio) a independência do Brasil ia acontecer,


as condições objetivas históricas apontavam para isso. É preciso ter ciência de que o meio de
comunicação transmite uma “visão” da realidade e não a realidade. Entretanto, ela transmite a
mensagem de quem criou , podendo ou não estar próxima ou distante da realidade. O que 44
importa é o entendimento de fato, a realidade interpretada conhecida. O vídeo, DVDs, o Cinema,
os visuais estáticos (...) são meios de comunicação que: mediam o educando, ou receptor, e a
realidade.

Tudo isso é uma análise para se chegar a uma síntese. Os meios de comunicação
utilizados e elaborados solucionariam os problemas da aprendizagem, (pensamento histórico).
Chegou-se mesmo a considerar, que sem a utilização de materiais didáticos (os meios visuais e
audiovisuais) não ocorreria uma boa aprendizagem. Os meios de comunicação não resolvem a
questão da aprendizagem, eles auxiliam, se forem bem utilizados. Cada um destes meios, sendo
bem utilizados, desempenha um papel fundamental na aprendizagem pedagógica na medida em
que cada um deles possui virtudes diferentes à realidade e ao educando.

O cinema, por exemplo, mostra a imagem física do mundo, importa a comunicação do


entendimento para conhecer que ali está a recriação, segundo a visão daqueles que conseguem
ver o mundo na montagem da comunicação do produto inserido. Diante desta colocação pode-se
argumentar que o meio de comunicação, como um filme, origina múltiplas interpretações, além
daquela que o próprio autor lhe quis dar. Abordar questões de multiplicidade dos seres humanos
é trabalhar os sentimentos interpretativos. Todavia, não podemos esquecer de que estamos
falando do uso pedagógico – didático - do meio de comunicação.

A esse objetivo a escola propicia ao educando a apropriação mais objetiva possível.


Interage no conhecimento da sua realidade para o desenvolvimento pedagógico didático com os
educandos, mostrando que a comunicação é fruto do conhecimento adquirido e estuda para
serem interpretados e aplicados.

A unidade de ensino sobre a mensagem da comunicação, por qualquer meio que seja
não pode permitir múltiplas interpretações do mundo físico. Mesmo que a ciência venha mostrar,
mas a realidade é esta que já está. O que faz a diferença entre a comunicação e a interpretação é
que :

 Transmitem-se conhecimentos, direcionados para o novo;


 Integra a visão dos modelos desvendados nas multiplicidades dos seres
humanos;
 Comunicação do ponto de vista pedagógico. 45

A disposição interativa permite fazer a comunicação não apenas do trabalho da


emissão, mas a própria mensagem da comunicação. A participação entendida educando como
troca de ações, controle sobre acontecimentos e modificação de conteúdos, já faz parte do
entendimento da comunicação recebida.

O educando pode ouvir, ver, ler, gravar, voltar, ir adiante, selecionar, tratar e enviar
qualquer tipo de mensagem para qualquer lugar, (comunicação do conhecimento didático -
pedagógico). E em interatividade permite ultrapassar a condição que se manifesta pela própria
comunicação. Os papéis sociais são definidos levando em consideração as instituições onde se
desenvolvem a prática do sujeito.

O educador desenvolve sua prática no espaço da escola - enquanto instituição social - é


tarefa da escola a transmissão/criação sistematizada da cultura entendida como o resultado da
intervenção dos homens na realidade, transformando-a e transformando a si mesmo. A
experiência que quer ter, criando na ação em tempo real, a sua intervenção implica não só a
apreensão da mensagem, mas, sobretudo, o entendimento do que foi comunicado. É necessário
esforço de comunicação ou da intercomunicação, e um esforço pessoal de apropriação.

Os meios de comunicação servem de apropriação do conhecimento, mas eles não


realizam. A apropriação do entendimento é realizada pelo sujeito do conhecimento com sua
intimidade cognitiva. A competência significa falar e saber fazer bem. Apesar das diferenças
entre diversas concepções de educação e de escola presentes em nós, elas sem dúvida
concordam em definir desse modo a competência para desenvolvimento das ações aplicadas.

Entretanto, é preciso (o alerta da crítica) ao explicar o que se quer dizer quando se faz
essa afirmação, uma vez que é essa a tônica do discurso da maior pane dos educadores. Diante
disso, como os meios de comunicação poderão auxiliar, pedagogicamente, na preparação do
educando para a cidadania? Em todas as suas modalidades tem um papel imprescindível de
mediador da realidade no processo pedagógico da apropriação do conhecimento, pois tem a
possibilidade de registrar e transmitir o acúmulo de conhecimentos já produzidos pela
humanidade, fato que significa deter resultados do esforço histórico. O desafio explícito que mais
aparece na distribuição em massa, é próprio também da fábrica e da escola, são as novidades
46
digitais.

A modernização criada para este público, "educação para todos", tornou-se instituição
de massa, dispensando ao conjunto da população, a ser instruído, um tratamento uniforme,
garantido por um planejamento centralizado. Quando programas de TV investem no treinamento
de profissionais que terão que se adaptar à linguagem digital, para se aplicarem na sala de aula,
ela está, na realidade, trabalhando a percepção futura dos educadores na função pedagógica e
exercício da didática. E, procuram desenvolver alternativas interativas em seus programas para
atender o novo espectador. Tudo isso, traduzido em estratégias que articulam emissão e
recepção, garantem a "aprendizagem" e preparam para o conhecimento educativo. Ocasião em
que o educando conhece as informações e comunicação.

A inquietação do processo educativo cultural diante da interatividade, na escola e nos


sistemas de ensino, orienta para os contextos desenvolvidos sempre na realidade presente com
os olhos voltados para o futuro educacional. É preciso despertar o interesse dos educandos e
educadores para uma nova comunicação em sala de aula, seja ela presencial ou virtual. Enfrentar
o fato de que tanto a mídia quanto a sala de aula estão diante do esgotamento do mesmo modelo
que separa emissão/recepção.

Muitos educadores já perceberam que a educação autêntica não se faz sem a


participação genuína do educando, a educação não se faz transmitindo conteúdos de A para B ou
de A sobre B, mas na interação de A com B. No entanto, presenciam uma distância, e isso causa
preocupação, se observa a modificação dos valores disciplinares e indisciplinares nas salas de
aula. A aula presencial prevalece sempre com baixa participação oral. Na educação, em grande
parte, está centrada a lógica da distribuição, na transmissão de informações ou "conhecimentos".
Quando nos referimos à via Internet, a tecnologia digital, ainda centrados na
transmissão de dados, desprovidos de mecanismos de interatividade, de criação coletiva.
Portanto, é preciso ir além da percepção de que o conhecimento é centrado na emissão, perceber
que a comunicação tem a interatividade e não apenas a separação da emissão dos programas
educativos. Conhecer mais sobre a modificação da comunicação na aprendizagem, na
construção do conhecimento, em suma, no exercício da participação cidadã.
47
Em nossos dias, mesmo ganhando maturidade teórica, o desenvolvimento conhece os
vários segmentos do seu público; não é da preocupação do que é melhor para esse público, mas
ela conhece o bastante para, no mínimo, trabalhar sua maturidade em benefício da formação do
educando. As escolas aos poucos vão identificando as características do seu público, das
habilidades específicas nas atividades instrucionais. A descrição cuidadosa do público a ser
atingido auxilia grandemente no planejamento da estratégia a ser adotada; da quantidade, da
velocidade, do ritmo do tempo da instrução; ao nível de dificuldade com que a informação será
apresentada; do vocabulário a ser empregado nos textos para a leitura livresca de recursos dos
conteúdos, para aprendizagem colaborativa.

A perspectiva de libertação da comunicação da lógica da transmissão básica nas


etapas dos desenvolvimentos indica as habilidades relevantes ao atingir os objetivos propostos.
A interatividade de comunicação pode ser empregada para significar a comunicação entre
interlocutores, no entanto, para que haja interatividade é preciso garantir duas disposições
basicamente:

 A dialógica que associa emissão e recepção da comunicação;


 A intervenção do conteúdo da mensagem e suas modificações para interpretação
dos fatos.

A esta mudança fundamental a comunicação procura emitir mais no sentido que se


entende habitualmente convertidos nas informações. O computador e a Internet, são um
conceito de comunicação . A participação ativa da comunicação em sala de aula, com os meios
de comunicação que temos, trabalha a participação sensório-corporal, esta é avaliada, revisada,
o que envolve o planejamento, coleta e interpretação de dados e informações referentes a um
conjunto específico do desenvolvimento dos programas educativos.

É preciso operacionalizá-lo, para que possamos ter uma educação de boa qualidade,
efetiva e agradável. Poderíamos falar de várias características intrínsecas, tais como: rádio, TV,
Internet, cinema, teatro, etc. Mas a tradição oral da cultura brasileira e do caráter oral da
linguagem regionalizada atende as necessidades do público específico nos programas 48
educativos. A simples adaptação da linguagem; do caráter interdisciplinar educativo, cumpre a
utilização do planejamento desenvolvido geograficamente, eficiente e agradável, para o
entendimento da realidade encontrada. As televisões educativas no Brasil refletiram sobre nossa
historia, nossa política, nossa conscientização como cidadão. Ela procura abordar temas como:

 Televisão e educação;
 Educação e saúde;
 Condições sócio-econômicas;
 Estudo geográfico.

O respeito pelo nosso regionalismo cultural, folclore, hábitos, costumes e linguagens,


pela nossa rica e imensa variedade regional. A televisão mostra e esclarece através de um meio
de apoio para o ensino, como caminhos possíveis para a solução de problemas por demais
complexos. O educador propõe o conhecimento à distância, a participação do aluno se inscreve
no conhecimento criado pelo educador, de modo que procure evoluir em construção de uma
coerência educadora. O aluno não está mais reduzido a olhar, ouvir, copiar e prestar contas.

Ele precisa criar, modificar, construir, aumentar e torna-se responsável pelo auto-
conhecimento . O educador disponibiliza as possibilidades, de caminhos que se abrem quando
elementos são acionados pelos educandos. A possibilidade de significações livres e plurais, a
coerência com sua opção crítica embutida na proposição, colocam-se abertos a ampliações, a
modificações, vindas da parte dos alunos do conhecimento obtido nas informações recebidas.
A sala de aula não é o lugar para se ouvir histórias, mas para fazer história. Mais do que
"conselheiro" ou "facilitador", o educador converte-se em formulador de problemas, provocador de
interrogações, coordenador de equipes de trabalho, sistematizador de experiências.

Assim, o conhecimento tem a distribuição, da perspectiva do conhecimento,


participação ativa dos educandos em aprender. Enfim, a responsabilidade de pensamento, para
adaptar uma nova sala de aula, capaz de educar em nossas realidades encontras ao longo do 49
tempo. A escola é o lugar destinado a formar cidadãos esclarecidos, senhores do seu próprio
destino. Entretanto, a sala de aula convive tradicionalmente com um impedimento de base ao seu
propósito primordial de educar para a cidadania.

A participação do aluno na construção do conhecimento e da própria comunicação


retrata o quanto está sendo útil seu empenho de educador no processo educativo. O processo da
educação escolar sempre conviveu com esse impedimento. Segundo Pierre Lévy, "a escola é
uma instituição que há cinco mil anos se baseia no falar-ditar do mestre". Para Paulo Freire a
pedagogia da transmissão é o modelo mais identificado como prática de ensino e menos
habilitado a educar. O desenvolvimento de uma teoria da comunicação e a crítica da transmissão.

A sala de aula segue tradicionalmente com o professor e alunos frente a frente. O aluno
terá a aula na escola, e novas proposições configurando a sala de aula virtual. Porém, é certo que
esteja apenas iniciando a proliferação do "ensino” exclusivamente informatizado para promover o
desenvolvimento das habilidades.

 Participação-intervenção dos alunos, na construção do conhecimento e da


comunicação;
 Emissão e recepção, sabendo que a comunicação e a aprendizagem são
produzidas pela ação conjunta do educador /educando;
 Receptor, ampla liberdade de associações, de significações;
 A comunicação e o conhecimento se constroem no trabalho solidário;
 A expressão aprende a lidar com as diferenças na construção da tolerância e da
democracia.
Apresento as habilidades necessárias para o aproveitamento do potencial das novas
tecnologias em sala de aula. Contudo, não se destinam somente a conceito de comunicação, tais
habilidades são necessárias também para o professor que quer modificar sua postura na sala de
aula com os recursos que possuir.

Ambos podem aprender, potencializar o trabalho docente sabendo que é preciso o


conhecimento histórico das linguagens culturais dos educandos em suas próprias realidades. 50

Supõe que o conhecimento, os textos, os conteúdos, e a prática desenvolvida em sala de aula,


têm a função de formar no educando a criticidade inovada, capaz de se integrar no exercício de
sua cidadania.

A informação gera um ambiente comunicativo, interativo que distribui o conhecer da


nova dimensão técnica resultante das habilidades necessárias para que o educador aproveite o
potencial em sala de aula. Seja qual for a sua realidade, na sala de aula o educador interage seus
conhecimentos, resgatando dentro do material didático o repasse de sua metodologia com os
seus alunos. Aqui pode contar com a utilização das novas tecnologias na educação.

 O professor exige uma multiplicidade de recorrências entendidas como diálogo e


participação;
 O professor é um mero transmissor de lições-padrão, ele deverá converter-se em
formulador de interrogações, coordenador de equipes de trabalhos,
sistematizador de experiências, e incentivador da auto-estima.

Os processos de leitura, e o modelo tradicional, afinal, o livro trás a história para ser
entendida. Ao considerar a necessidade de modificar a comunicação centrada na emissão do
receptor para seu universo mental, o imaginário, o educador tem que seguir métodos conceituais
dentro do perfil encontrado na sua realidade para poder trabalhar o novo . Construir
conhecimentos de comunicação em sala de aula é levar o aluno para viver uma realidade que
precisa ser estudada em seus conceitos. A aprendizagem flui de acordo com o que se recebe.

Temos grandes modificações na educação, e quando levamos para sala de aula a


tecnologia apresentada esperamos alcançar um aproveitamento satisfatório dos educandos.
Entretanto, o esforço está sendo feito para que se alcance uma aprendizagem, porém a
tecnologia sozinha não alcança êxito, o material didático pedagógico não pode ser dispensado.

E muito importante que o educando saiba que ele precisa formar a história a partir da
história que está sendo contada. O desenvolvimento da aprendizagem se dá pela
responsabilidade e empenho de cada um que se empenha em fazer aprender. É preciso
compreender, historicamente, que a educação faz o sujeito da sociedade informada. As 51
dificuldades em aprender surgem, mas precisam ser superadas, nas aulas dinâmicas.

Procure levar a tecnologia para sala de aula e aproveitar o conteúdo didático, levando o
educando a pensar, raciocinar, criar, e interpretar o que se lê. Hoje temos uma abertura flexível
quanto à didática pedagógica, porém não quer dizer que o aluno não precise trabalhar a suas
dificuldades. Só sabemos dos avanços quando trabalhamos as dificuldades encontradas. A
dificuldade de lidar com seus conflitos perante a mensagem do computador é uma realidade nova
para os educandos em sala de aula, diante da nova postura: comunicar para comunicar-se.

O ensino tem os seus conceitos e interagir os conteúdos, diante das informações dos
conhecimentos, é cada vez melhor na sala de aula, esse quadro faz com que a escola entre na
"era digital". Enquanto isso, a educação está cada vez mais investindo em novas tecnologias e
atenta à necessidade de modificar a sala de aula centrada na pedagogia da transmissão. É
importante saber que a educação procura soluções para situações concretas.

A performance dos processos de gestão procura capacitar professores e funcionários


de modo a otimizar os trabalhos de administração e de ensino-aprendizagem, preparar as novas
gerações para exigências atuais e futuras do mercado de trabalho, onde o principal valor é a
capacidade de aprender, de comunicar e de criar utilizando tecnologias para a prática da sala de
aula, quando vem implementar o ensino em função da capacidade de seus educadores num
processo de investimento pelas suas qualificações, que venha beneficiar seus educandos e a
educação de modo geral.

No entanto, encontramos nas salas de aula uma aprendizagem que nem sempre
significa salto qualitativo em educação. Os equipamentos virtuais e acessórios equipados
mostram que o conteúdo apresentado pelo professor pode ser gravado pelo aluno e caso tenha
faltado à aula, pode acessar o site da disciplina onde estão disponibilizados os conteúdos dados
e os exercícios propostos; a facilidade em fazer a transmissão e a distribuição em sala de aula é
grande.

Então, é a tecnologia, novo estilo de pedagogia sustentado por uma modalidade que
supõe a interatividade, isto é, participação, cooperação multiplicidade de conexões entre
informações e comunicações. Isso leva o professor a modificar sua comunicação em sala de aula
e na educação. Inventar é preciso para favorecer as oportunidades que estão aí. 52

Criar um pensamento novo, conhecer realidades, e centrados no conhecimento


oportunizar ao educando o conhecimento da tecnologia na prática do seu aprendizado. O suporte
plano das idéias básicas aproveita sua forma mais avançada em várias outras possibilidades de
leitura e diante do qual se pode escolher dentre várias alternativas de atualização.

O que significa tudo isso se não o fazer-se cidadão? Em sua ação concreta os referidos
movimentos desenvolvem formas próprias de comunicação, como algo engendrado a partir de
toda a ação social transformadora e, ao mesmo tempo, como força intrínseca e propulsora deles
próprios. Nesse patamar se desenvolve, simultaneamente, todo um processo educativo, no
sentido da educação informal, o que o caracteriza como um dos ambientes propícios para
efetivação das relações entre comunicação e educação.

Na verdade, não é um texto, mas de uma imensa superposição de textos, que se pode
ler na direção do paradigma, como alternativas virtuais da mesma escritura, ou na direção de
determinados pontos que permitem prosseguir e contribuir para um espaço educacional autêntico.

Não podemos esquecer que a escola quando leva para salas de aula, principalmente
nas aulas de Educação Artísticas, as sucatas está sendo introduzida a intenção de construir a
partir do material apresentado, o estudo dos conteúdos explorados em sala de aula.
4 COMUNICAÇÃO DA EDUCAÇÃO

O conceito de educação e comunicação é a parte integrada das instituições de ensino.


O objetivo de pesquisa vem em diversos ângulos, problemática da educação, que procura
contribuir às propostas educacionais; formando professores, para a transformação e melhoria da 53
realidade educacional da sociedade. Se não existir a comunicação a educação não acontece.
Ela é o eixo principal dos objetivos a serem trabalhados ao longo do tempo. Quando pensamos e
exigimos uma didática de qualidade, procuramos em primeiro ângulo a junção entre educadores
x comunicar e comunicar para educar. A análise da comunicação é a forma de apresentar seus
parâmetros para um desenvolvimento mais amplo.

Esta amplitude de possibilidades, quando pautada em princípios que privilegiam a


construção do conhecimento, o aprendizado significativo, interdisciplinar e integrador do
pensamento racional, estético, ético e humanista, requer dos profissionais novas competências e
atitudes para desenvolver uma pedagogia relacional: isto implica criar e recriar estratégias e
situações de aprendizagem que possam tornar-se significativas para o aprendiz, sem perder de
vista o foco da intencionalidade educacional.

Por outro lado, não se pode deixar de conhecer e de tratar as questões específicas
destas possibilidades e suas inter-relações. Este nível de compreensão é que dá mobilidade
para o profissional lidar com o inusitado de forma criativa, reflexiva, crítica e construtiva,
rompendo com isso a aplicação de soluções prontas ou práticas padronizadas. Tais soluções e
práticas não encontram eco no paradigma atual, no qual se torna evidente a necessidade de
integração entre a gestão administrativa e a gestão da sala de aula, dos recursos tecnológicos e
das áreas de conhecimento.

O projeto de sonhos vivenciados hoje na prática favorece um enorme potencial de


mudança, na medida em que revela a insatisfação com o que está acontecendo hoje. E a
negação de uma realidade insatisfatória. Ainda que essa negação se dê apenas a nível
individual. A educação se insere numa zona intermediária entre a necessidade e a possibilidade,
entre a estrutura e a infra-estrutura, entre o real e o imaginário, entre a ação e a representação.
A maior atração que a escola exerce sobre as classes populares tem a ver com esse sentimento
difuso, ainda não articulado de forma clara. Ao educador caberá a difícil tarefa de manter a
unidade dentro dessa diversidade. E se a via é de mão dupla, ele será não apenas, mas
também, um mediador das necessidades. Como deverá atuar o educador para evitar, ao mesmo
tempo, essa omissão de uma participação que vai definir tudo?

54
5 OS DESAFIOS DAS AÇÕES EDUCATIVAS DA COMUNICAÇÃO

Será que a escola brasileira constitui um espaço educacional autêntico? Será que as
atividades desenvolvidas nas nossas escolas assumem um caráter nitidamente pedagógico?
55
Será que a relação professor e aluno pode ser concebida como interação destinada à
aprendizagem, que concentre na tarefa habilitada, com a intervenção de uma sociedade de
produção de conhecimento necessário aos critérios educativos?

Sabemos que as ações educativas complementares são as atividades extracurriculares


que contribuem para o trabalho escolar e que são realizadas de acordo com o projeto político-
pedagógico da escola. Elas são voltadas ao desenvolvimento das potencialidades dos alunos
(em sua faixa etária: criança, adolescente) e devem contribuir para os processos de
desenvolvimento pessoal, no fortalecimento da auto-estima. A implementação dessas ações tem
por objetivo garantir o ingresso, o regresso, a permanência e o sucesso educacional por meio da
transformação da escola em um espaço atraente; da redução da exposição de crianças,
adolescentes e jovens a situações de risco; da desigualdade, da discriminação e de outras
vulnerabilidades sociais; da redução dos índices de repetência e evasão escolar; e da melhoria
da qualidade da educação.

A referência que apresenta o funcionamento burocrático da vida estudantil assume


uma função negativa se examinada a essência da realidade.

O serviço à comunicação pautou-se pelo caráter de servir as maiorias, através da


democratização do conhecimento estocado/produzido e da identificação das questões sociais
relevantes, para incorporá-las criticamente ao ensino e transformá-las em objeto das pesquisas
educacionais. Aprender é encontrar-se com a necessidade de saber o valor da vida. Educar
precisa de reflexão para poder recriar enquanto pessoa, suas relações e práticas educativas que
venham desenvolver. Quando avaliamos o processo educativo é importante lembrar que
consideramos as possibilidades de mudanças em diferentes níveis.

Mesmo princípio dos processos de aprendizagem constitui as possibilidades, de


mudanças em aprender para compreender, ativando os mecanismos de resistência às
mudanças e o desconhecido. Aprendemos com o tempo. A integração e incorporação das
nossas práticas são posturas do cotidiano. Os espaços e tempos de aprendizagem na vida
revelam o peso e a leveza que acompanham os movimentos de desconstrução e construção de
percepções, crenças, entendimentos e referências. Frente à realidade e à experimentação dela
em nossas próprias vidas.

As escolas de comunicação surgiram no Brasil na década de 60. As primeiras do 56


gênero, criadas como entidades autônomas - dento de uma estrutura universitária - aparecem
em Brasília e em São Paulo. Em 1963 a Universidade de Brasília cria a sua faculdade de
comunicação de massa. Em 1966, a Universidade de São Paulo implanta sua escola de
comunicação cultural. Desde a origem dos profissionais de comunicação são pautados princípios
vigorantes assimilando também contradições pedagógicas.

As mazelas pedagógicas das escolas de comunicação reproduzem, de um lado, as


disfunções educativas que estão na matriz do nosso modelo educacional, conglomerados
voltados para a transferência de informações sistematizadas, distanciadas da realidade,
estimulando pesquisas individuais, muitas das quais são socialmente irrelevantes.

As condições do ensino chegam para capacitar os comunicadores, aptos a disseminar


a cultura e visão de mundo. Apesar dos controles utilizados para selecionar tradicionalmente a
engrenagem das inovações educativas.

Atualmente a escola é tomada de consciências e contradições didáticas, construindo


modelos pedagógicos científicos suficientes para dimensionar-lhe um espaço institucional
compreendido nas ações conjuntas pedagógicas inovadoras.

As dificuldades pedagógicas enfrentadas nas escolas incluem problemas didáticos que


especifica mais compreende a questão educativa inerente ao padrão do ensino, portanto o
quadro depende da transformação das estruturas nacionais e da implementação dos princípios
integrados.

Para estimular a reflexão necessária à dinamização e atualização das escolas


apresentam seus desafios:
Concepção curricular - conjunto articulado de conteúdo. O currículo nas escolas tem
uma demonstração de retalhos norteadores, diretrizes políticas ou pedagógicas que lhes
dê o sentido;
Império da liberdade – lista de disciplina que aloca docente e lhes dá responsabilidade
específica, isso conduz a uma atitude de isolamento dos professores e o comportamento
exclusivista e personalista, dentro desse universo compartimentado emerge uma
57
tendência preocupante; a preferência que muitos professores atribui (um período, uma
escola, um objeto), na qual se enclausuram periodicamente, deixando de fornecer a
visão do conjunto de conhecimento estocado naquela disciplina, a síntese indispensável
até a percepção e o significado de uma parcela em relação ao todo;
Avaliação da aprendizagem - relação educador/educando funciona de modo a
sacramentar a atividade narradora e dissertadora;
Desempenho didático - os estereótipos do autoritarismo pedagógico - explícitos através
de idéias, força, educação, monopólio da fala, cultura do silêncio - induziram muitos
docentes a alterar sua postura na sala de aula. Desta maneira, passaram a ter condição
para avaliar imediatamente a apreensão dos significados transmitidos verbalmente ou
com ajuda de recursos audiovisuais, bem como para incorporar a contribuição criativa
dos alunos.

Mas, nem todos trilham pela rota do ensino dialogado, da aula-debate, da conversação
sistematizada.

As ações comunicativas abriram uma possibilidade de reestruturação para a ordem


disciplinar entre a formação básica e a profissionalizante, e essa questão começa a ser
desenvolvida em várias escolas. Hoje presenciamos as divisões das turmas, intercalações das
disciplinas humanistas e disciplinas profissionais, reunindo pequenos grupos da mesma
habilitação. Outro ponto a ser observado nas ações é a disciplina comum ao longo da estrutura
seriada (razões econômicas, salários docentes etc.). Trata-se das mesmas estratégias usadas
nas instituições que trabalhavam com sistema de créditos, barateando o custo didático (turmas
maiores, independente da sua predisposição educacional ou interesse científico). Contudo, o
ensino das disciplinas do troco comum reside na sua orientação metodológica. O foco da
formação de educadores vem responder a alguns desafios apontados para a educação, que se
colocam nas ações educativas desenvolvidas com nossas crianças e adolescentes:

Os interesses e realidade da nossa sociedade;


A ação tem uma articulação da exigência de investimento nas inovações metodológicas
(quantidade, mas também qualidade).
58
A tentativa em procurar fazer a mudança, considerando que as práticas estão mais
próximas de suas propostas específicas. Os desafios apontados indicam a necessidade de
identificar e orientar, na prática, os movimentos necessários para construir respostas e perceber
os resultados do que se faz, sugerindo uma investigação profunda nas ações. Em função disso
o eixo central é a própria ação político-educativa desenvolvida nos seus diferentes contextos
socais.

A investigação das ações educativas sugere dois movimentos básicos: um movimento


de afunilar, olhar para o centro da ação que está sendo desenvolvida nas nossas escolas. E o
abarcar (olhar a experiência em seu contexto), junto a outras experiências, em suas articulações
e composições com projetos políticos mais amplos, de conquistas e garantia de direitos e
expressão da ação educativa.

Portanto, os objetivos gerais de uma proposta desta natureza podem ser desenhados
da seguinte forma:

Reorientar as propostas de forma que possam abrir novas dimensões dos


conhecimentos sobre a realidade;

As mudanças/transformações que vêm ocorrendo na vida dos educadores e ações


educativas;

As referências metodológicas no trabalho;


As práticas educativas, procurando fortalecer a autonomia e auto-organização no
desenvolvimento de suas ações.

Os professores quase sempre se distanciam do papel que lhes cabe, do papel


curricular, proporcionando subsídios destinados à compreensão da realidade da comunicação e
a educação. As aulas são deduzidas futuramente como pesquisas científicas das expectativas
disciplinares humanistas, fundadas nas práticas e atividades pedagógicas.

Muitas vezes as atividades têm sido conduzidas como modelos organizacionais. Para
compreender a escola e seu resultado é preciso recorrer e sentir força ampla da palavra cultura
e comunicação das expressões de linguagem ou de diferentes grupos sociais. A comunicação
deve ser entendida como transformadora da natureza pelo trabalho do homem e de suas 59
contribuições importantes para a compreensão da abrangência dos determinantes culturais.

Os resultados que pretendemos alcançar com os processos de formação, no sentido


de traduzir os aprendizados em alterações nas práticas educativas não é possível se não
partimos da perspectiva de situar os sujeitos que desenvolvem a ação, no seu fazer; isto significa
que desenvolver e expressar as capacidades e possibilidades de perceber, analisar e recriar
suas práticas está intimamente ligado às possibilidades e motivações de rever e recriar seus
próprios projetos de vida, (nossa realidade).

A princípio, o trabalho de formação é bem mais uma perspectiva e uma postura que
um tema. Desenvolver um trabalho com a identidade do processo formativo é essencialmente a
construção do encontro de suas motivações e expectativas. A essas capacidades e limitações,
aprofunda-se a qualificação em saber fazer. A trajetória de construção de identidades em seus
contextos e experiências resgata suas fontes de aprendizagem centrais da experiência de
aprender, à base de seus processos de aprendizagem.

Apropriam-se (educadores) de suas referências afetivas, políticas e culturais, e de


experiências que facilitaram e/ou dificultaram seus aprendizados na própria vida. É comum
repetir algumas idéias no trabalho, elas vivem o sujeito de seu próprio aprendizado, a educação.
Se através do diálogo e troca de conhecimentos, saberes, nos relacionam as trajetórias e
limites de suas potencialidades já conhecemos o seu universo cultural, dos significados e
representações educativas. É necessário reaproximar o universo cultural e compreender a
imagem da percepção dos que estão em sua volta e os conceitos sociais existentes. Estas
referências são centrais na relação educativa, constrói uma referência positiva e fortalece a
participação dos alunos.
Essas contribuições servem, sobretudo, para distinguir a cultura do saber escolar.
Mostrando que a escola deve, para ser bem sucedida, colocar as ações educativas em benefício
do seu aluno.

A visão que Freire tem do ser humano como um sujeito em relação com o mundo
implica uma concepção das relações entre os homens que é extremamente importante, para que
possamos entender um conceito de comunicação. Freire argumenta que “o mundo social 60
humano não existiria se não fosse um mundo capaz de comunicar” e prossegue afirmando que
“o mundo dos seres humanos é um mundo de comunicação.” Diz também que “uma pessoa só
pode existir em relação a outras que também existem e em comunicação com elas”, mas ele vai
mais além ao sublinhar que:

“os homens não podem ser verdadeiramente humanos sem a comunicação, pois
são essencialmente comunicativos. Impedir a comunicação equivale a reduzir o
homem à condição de coisas... Somente através da comunicação é que a vida
humana pode adquirir significado.”

A educação se constitui pelo fato de que em todas as sociedades, as comunidades


garantem suas transmissões de normas, valores, crenças, enfim, da estrutura educacional
comunicativa.

A socialização do conhecimento acumulado faz saber sobre como se pode obter o


conhecimento e as formas conscientes para o exercício dos direitos e deveres de cada cidadão.

A escola dedica-se a ensinar os saberes científicos e a habilitar para o ingresso na vida


profissional. O seu objetivo é maior, é preparar as pessoas para o exercício de seus direitos. As
ações educativas da comunicação e trabalhar dentro da escola a preparação em aprender para
empreender no mercado que o espera. O processo formativo, família/meios de comunicação, tem
uma relação que influencia o indivíduo, participa na vida cotidiana.

Os meios de comunicação de massa, especialmente a televisão, têm evidenciado seu


potencial e poder de influência na sociedade. A formação do conhecimento contemporâneo se dá
para além da educação formal, numa dinâmica de múltiplas mediações sociais. A expressiva porção
de conteúdos assimilados pelas pessoas é absorvida através dos meios de comunicação.

Com o crescimento da tecnologia, as grandes cidades demonstram uma presença cada


vez mais intensa da comunicação na vida das pessoas. Essas ações se devem a atitudes
interessantes, propriamente em fazer a educação acontecer, assumindo seu caráter pedagógico.

61
Embora acabe, freqüentemente, por influenciar profundamente a juventude a educação desenvolvida
na escola.

A comunicação coloca-se, assim, no espaço da educação informal, que ocorre nas


dinâmicas sociais do dia-a-dia onde o indivíduo se vê, em interação com seus pares e com as
manifestações culturais e informativas com que se depara habitualmente nas esferas das ações e
comunicações.

Saber incentivar o autoconhecimento é utilizar as ações educativas reformando a


trajetória e buscando a vinculação das suas experiências de trabalho ao longo do tempo.
Quando podemos construir as relações do grupo estamos motivados a compartilhar experiências
e disposições. Isso identifica a ação educativa, introduz o mapeamento das reflexões sobre o
fazer educativo.

A formação tem um papel de fazer e responder, saber conhecer suas raízes, sua
trajetória e suas relações com a família e comunidade. As ações educativas têm que vir de fora
para dentro da escola, quando se trabalha a auto- estima do aluno. Precisamos saber como é o
seu convívio para aprender-ensinar. A necessidade se propaga para situar também a ação e
relação de um contexto social mais amplo, o cenário econômico, político e cultural onde se
localiza a experiência.

Os elementos importantes para esta contextualização são:

 A história do seu reflexo e na relação com as famílias;


 A família, a comunidade;
 Os espaços específicos e suas possibilidades de sobrevivência;
 O movimento de registrar suas experiências.
Existem diferenças significativas que envolvem as diferentes experiências educativas
nos seus espaços de vida, que precisam identificar e lidar com as semelhanças e diferenças
encontradas. Diante destas necessidades de investigação e sistematização, os processos
educativos desenvolvidos têm buscado mapear as propostas pedagógicas desenvolvidas, e
procuram oferecer referenciais teóricos e metodológicos comuns para este trabalho, construindo,
coletivamente, instrumentos para o registro e sistematização das atividades, de forma que este
62
seja um exercício introduzido na dinâmica e cultura do trabalho.

Encontramos vários instrumentos:

 A ação educativa em seus princípios (objetivos, a metodologia e produtos);


 Sujeitos envolvidos na ação educativa, espaços e movimentos.

A importância central do desenvolvimento da capacidade dos educadores é produzir


conhecimentos a partir de sua intervenção e problematização acerca da realidade onde atua. O
diagnóstico é feito, os resultados são analisados e atualizados, de acordo com o
aprofundamento que vai se fazendo a partir de algumas referências teóricas, e também a partir
da apuração e ampliação do olhar sobre si, sobre o outro e sobre a realidade. Quando
trabalhamos espaços educativos, conhecemos propostas alternativas que fundamentam um
discurso de suas possibilidades.

No âmbito da educação informal, na questão das relações entre comunicação e


educação no processo de conquista de cidadania, o papel da mídia, surge em conseqüência da
práxis nos movimentos populares, comunitários, e das demais organizações que tenham como
estratégia a consecução dos interesses coletivos.

Refiro-me ao conjunto de organizações das classes que são constituídas com


objetivos, em tentarem obter um melhor nível de vida através da satisfação dos direitos básicos
na sociedade. Os serviços de atendimento, a escola, como:

 Bairros (moradias);
 Reforma agrária etc.
Já as organizações formais, têm o objetivo para a realização das mediações de caráter
educacional. O material de apoio logístico vem especificar os seguimentos das sociedades.

Contudo, o principal movimento de ensino tem passado suas orientações


metodológicas. Dessa maneira as disciplinas humanistas, ou de fundamentação científica,
acabam sendo substituídas por atividades técnicas, as matérias práticas.

63
Em primeiro lugar, as fases dessas manifestações preocupam as estruturadas das
ações educacionais. Por sua vez, a educação, entre outras dimensões, implica um educar a si
mesmo. O sistema será tanto mais educativo quanto mais rico for a trama de interações
comunicacionais, que saiba abrir e por à disposição dos educandos. Uma comunicação
educativa, concebida a partir dessa matriz pedagógica, teria como uma de suas funções
estratégicas promover o desenvolvimento da competência comunicativa dos sujeitos educandos.
A questão das ações educativas mostra movimentos sociais num processo de comunicação,
onde ela pode tornar-se sujeito do seu processo de conhecimento, onde ela pode educar-se
através de seu engajamento em atividades concretas no seio de novas relações de sociabilidade
que tal ambiente permite que sejam construídas.

No entanto, os trabalhos que se realizam nesse âmbito acrescentam seus desvios a


sua destinação didática.

A participação na comunicação é um mecanismo facilitador da ampliação da cidadania,


uma vez que possibilita a uma pessoa tornar-se sujeito de suas atividades dos meios de
comunicação que resulta do processo educativo.
6 CONDICIONAMENTOS E PERSPECTIVAS

As dificuldades pedagógicas existentes nas escolas de comunicação não lhe são


exclusivas. 64

É conhecido um trabalho educativo onde pode facilitar a valorização das identidades e


raízes culturais, abrindo espaço para manifestações dos saberes e da cultura da população. A
participação das pessoas na produção e transmissão das mensagens de comunicação contribui
para que elas se tornem sujeitos, se sintam capazes de fazer aquilo que estão acostumadas a
receber pronto, se tornam protagonistas da comunicação e não somente receptores.

“Aprender e permitir posicionar-se objetivamente e usar a sua intuição para mudar o


que já está suas cores formas e ver usando outros olhos”. Esta experiência impulsiona e
estimula um olhar novo para as ações educativas.
Para essas capacidades é preciso desenvolver a autocrítica, reconhecer as insuficiências das
práticas, buscar espaços, idéias, articulações para potencializar e realizar saberes, educar
educando-se. Supera limites e princípios das práticas educativas. Repensa experiências, na
definição de ações objetivas claras e bem situadas nos desafios diante da realidade.
O investimento na articulação de ações dentro do projeto educativo, integra o conjunto
que atua, gerando alternativas. A análise das ações educativas é a clara necessidade de que
estas ofereçam caminhos pedagógicos para um desenvolvimento integral dos instrumentos que
possibilitem a construção, orientação e encaminhamento alternativo.
Nessas condições em que vivem - nos seus ciclos cotidianos - a escola, família e
comunidade; no processo de educação para o trabalho, indicam, no momento adequado, as
vias de profissionalização.
O estímulo analisa-se que as experiências têm feito uma elaboração razoável em
torno do crescimento, da dimensão política do trabalho e da ação. Ainda se faz necessário, no
entanto, identificar e explicitar as ações, sistematizá-las e socializá-las em função do
enriquecimento e qualificação básica na compreensão do processo educativo, destacando: a
dinâmica cultural que se dá no seu fazer educativo, a metodologia da educação social, os
instrumentos e a sistematização.
A esses veículos de comunicação produzidos por setores organizados, ligados ao
desenvolvimento da educação para a cidadania, entende-se que as relações entre ações educação e
comunicação se explicitam, pois as pessoas envolvidas em tais processos desenvolvem o seu
conhecimento e mudam o seu modo de ver e relacionar-se com a sociedade e com o próprio sistema
dos meios de comunicação de massa.

Quando os instrumentos tecnológicos de comunicação adquirem uma visão crítica, nas 65


informações que recebem para aprender através da vivência, da própria prática desenvolvida em sala
de aula. Presenciamos por exemplo, iniciativas na integração pedagógica e planejamento, cooperação
nos cursos de aperfeiçoamento. É possível que as ações educativas motivem o educando criticamente
nos processos educacionais e que analisem as demandas sociais mais avançadas. As mensagens
com as quais se deparam cotidianamente levam a entender sobre as estratégias e as possibilidades de
manipulação (mensagens recebidas dos meios de comunicação) ou até mesmo a participação nas
ações educativas de informação. Conhecer as possibilidades de reestruturação condicionada à
informação ou à programação, dinâmica do mercado de ações comunicativas da educação.

O ponto fundamental é perguntar-se sobre os tipos de espaços de formação, se as


experiências educativas e os espaços pedagógicos são atraentes, bonitos, animados,
agradáveis e oferecem possibilidade e estímulos que desenvolvam suas potencialidades
afetivas, artísticas, profissionais. É preciso ser considerado para contribuir situação no desafio
presente às propostas pedagógicas é lidar com os tempos no universo dos que vivem o tempo
do agora, do imediato, a educação é um processo onde a perspectiva do futuro está presente.
O sentido analisa e reinventa suas concepções e práticas metodológicas, os processos
de formação tendo sugerido uma sensibilização para o "olhar" a partir de diferentes referenciais;
analisar o significado político dos projetos e perceber como a proposta pedagógica e
metodológica integram as dimensões de gênero e de etnia. As experiências chamam a atenção
das concepções e práticas educativas, constituindo um desafio de dialogar e aprender.
As análises das experiências trazem um ponto comum na busca de exercitar e
construir cidadania no trabalho e ressalta-se que não basta apenas juntá-las e fazer viver os
desafios e exigências, as perspectivas asseguram a qualidade dos resultados que se quer
alcançar.
As atividades engajam os movimentos de interesse educacional em atuar o conteúdo das
mensagens do processo comunicativo. A ação educativa traz movimentos comunitários voltados
para experiências checadas no conteúdo, mostrando suas potencialidades educativas. O sistema
educativo representa uma conquista da humanidade enquanto instrumentos capazes de
democratizar, em aprender com o conhecimento, do senso comum ao científico.

A visão da sociedade sobre as crianças e adolescentes é marcada pela carência e pelo


abandono. Naturalmente, todos, educadores e educadoras, estão também influenciados por esta
percepção reducionista e preconceituosa; é preciso trabalhar no nosso processo de reeducação 66
das contradições da nossa própria cultura. Vê-los com outras lentes, com seus desejos e
valores, verdadeiramente, ser parceiro na construção de uma imagem e auto-imagem favorável
ao desenvolvimento da auto-estima

A visão acerca das crianças e adolescentes se estende, muitas vezes, para as suas
famílias; daí certa naturalidade em culpá-los, em algumas situações, pela exclusão e
marginalização dos seus filhos e filhas, reforçando, desta forma, o distanciamento entre eles e
elas. É necessário repensar esta visão, resgatando a complexa trama das responsabilidades, em
vez das culpas, e resgatando a importância das famílias na formação e desenvolvimento das
crianças e adolescentes, contribuindo para o fortalecimento dos laços afetivos entre estes.

Dentre os desafios, ainda se apresenta a necessidade de construir compreensões mais


claras, coletivamente, sobre o projeto político-pedagógico, reconhecendo o papel do
planejamento na identificação sobre o que se quer realizar e que metodologia utilizar para
desenvolver os projetos. Ainda se caracteriza como desafio a tentativa de entrelaçar as
dimensões de gênero e etnia nos processos educativos, mesmo sendo explicitada cada vez mais
a perspectiva da integralidade nas ações educativas.

Tem-se refletido que vale possibilitar a expressão das crianças e adolescentes em


suas diferenças de gênero; estar atento ao discurso usual masculino que tende a inviabilizar as
diferenças existentes entre meninos e meninas e ainda a necessidade de identificar e trabalhar
entre os educadores e educadoras as diferenças e valorações dos papéis de mulheres e
homens, construídos socialmente.

Em relação à necessidade de se ter maior clareza sobre a incorporação nessa


dimensão, as ações educativas sugerem buscar na história as suas próprias realidades,
mostrando seus valores e posturas de uma sociedade frente à sua diversidade étnica. Quando
se trabalha a identidade se resgata valores de sua origem (raça). Vivenciar e refletir sobre a
identidade de educadores, bem como sobre os nossos limites e capacidades de expressar-se no
próprio rosto. É preciso conhecer-se bem, procurar olhar para dento do seu conhecimento,
buscar fatos que fizeram parte da história e assim poder avaliar a capacidade da experiência do
outro.

O exercício e a experiência das ações avaliativas nos acompanha em toda a trajetória


da vida; os registros em nós trazem ecos agradáveis ou não. Às vezes, acompanham tais 67
momentos onde somos capazes de criar, de avaliar, servir, julgar e classificar. A necessidade de
fazer avaliações mais qualitativas e identificar resultados mais claros das ações que realizamos,
indica que se precisa aprender e apreender mais caminhos e instrumentos de avaliação. Com o
objetivo que os processos de formação contribuam mais nesse aprendizado, um ponto de partida
tem sido a identificação dos sentidos e significados de avaliar. Avaliar é centrar a ampliação dos
conteúdos repassados e trabalhados dentro das ações pedagógicas.

Frente a isso, é possível perceber, facilmente, que refletindo sobre o fazer educativo
leva também a refletir sobre a própria trajetória (decisões na vida). O poder será vinculado a
necessidades e situações que reúnem os sentidos e significados para orientar a ação educativa
que desenvolvemos e as mudanças que queremos produzir/construir em nós e no nosso
entorno.

Entretanto, a criança procura entender o novo. Tornar todo esse processo educativo
prazeroso em sala de aula, não é meta tão fácil, visto que observamos os limites de cada um,
entendimento da sua realidade, acompanhamento e participação da família. Procuro centrar na
história e formação da origem de cada criança porque ali está o entendimento do
desenvolvimento das ações pedagógicas.

A essa comunicação se deve um estudo psicológico das capacidades humanas. Ao


articular sobre o todo, o confronto do que objetivamos concretizar é o aprendizado, formação da
cidadania e integração à sociedade. Quando confrontamos os nossos medos em perceber
limites e potenciais; estimula-se o reconhecimento de si e dos outros; ensina a olhar perto, olhar
longe e definir caminhos. Não se trabalha ações sem conhecer o meio em que está inserido. As
práticas colocam o desafio de repensar e desconstruir concepções de avaliação marcadas pelo
caráter de perceber processos centrais do acompanhamento e a reorientação das ações
educativas.
É fundamental considerar a avaliação como um processo interativo, através do qual
educadores/educandos aprendem sobre si mesmo e sobre o processo no qual estão envolvidos.
A percepção talvez mais saudável na avaliação seja de valorização do que é feito e de busca de
melhores alternativas para soluções de problemas.
Essas ações educativas envolvem diferentes níveis de exigência: do ponto de vista
subjetivo, pessoal, das relações interpessoais; capacidade de análise crítica dos fatos, situações
e experiência. 68

 É um processo de construção de novas idéias (pontos de vista observados);


 Repensa seus contextos e suas ações;
 A referência, o objetivo e a busca que identifica os resultados da ação;
 A prática, aprendendo seus resultados, expondo seus valores;
 A construção coletiva do prender/compreender;
 E as diferentes formas, da necessidade envolvida na ação;
 A construção dos processos educativos (quantitativa e qualitativa).

O que esses aprendizados significam nas experiências educativas? Na tentativa de


aproximar-se mais dos objetivos, das ações, e os espaços formativos têm colocado algumas
perguntas norteadoras da identificação de resultados, entre estas práticas educativas geradas
para os estudos educacionais na sociedade. A partir de uma análise dos resultados educativos,
são colocadas algumas observações, necessidades e desafios. As categorias que,
didaticamente, parecem facilitar a percepção de diferentes tipos de resultados, desde a idéia da
complexidade quando se fala de resultado em processos educativos e ações culturais. Com isto,
tratou-se de resultados Práticos, Políticos e Educativos. A esse princípio a divisão é apenas
didática e as dimensões articuladas entre si. O processo educativo compartilha em diversos
tipos de resultado e reflexão.

A prática toma como base os objetivos mais específicos das ações concretas. O
processo Educativo vem dos aprendizados e lições que envolvem todos os sujeitos da
experiência.

Quando analisamos o processo educativo Político, estamos nos referindo à


capacidade de exercício e de poder.
O desenvolvimento das ações em grupos se dá por:

 Expressões pessoais e coletivas e condições de entendimento;


 Reconhecimento dos limites e potenciais individuais e coletivos dos grupos;
 Os relacionamentos educativos;
 A percepção da contribuição de cada programa;
 A comunicação fundamental das relações;
69
 O processo educativo da compreensão do universo nas suas expressões;
 As dinâmicas e trabalho em grupo proporcionam um melhor entendimento a respeito
da individualidade e auto-estima;
 Os objetivos individuais e do grupo.

A conjuntura atual, da história de atendimento, faz com que se possa situar a prática
desenvolvida e avaliativa no que se faz. A essa experiência, contextos das ações (familiares,
escolar), leva a entender melhor a realidade social e situar a proposta educativa. O universo das
expressões diferenciadas e as percepções educativas mostram as semelhanças entre vários
contextos. As propostas educativas precisam ser adequadas às suas necessidades. A prática
educativa e o investimento da sistematização, dos elementos centrais para o fortalecimento das
ações pedagógicas. A esse conhecimento histórico à referência básica, se faz necessário a
construção de novos caminhos das atividades.

Os objetivos encontrados nas experiências vêm promover a formação integral,


importantes reflexões que possibilitam o aprendizado.

Para pensar nos resultados, é importante considerar a proposta educativa um desafio


da contribuição educativa. A relação educativa deve ter como perspectiva estimulante o
crescimento e amadurecimento em sala de aula, de forma que as mudanças de comportamento
sejam um reflexo dessas descobertas.

 A ação educativa precisa inserir o contexto social;


 A socialização conscientiza/sensibiliza;
 É fundamental observar os resultados no qual queremos chegar.

É procurando avaliar, continuamente, que fazemos as motivações e recriamos,


contribuindo para o seu desenvolvimento, lançando análise dos critérios na sociedade. O
processo de construção do conhecimento fortalece e renova. A escola busca trabalhar a
cumplicidade, fundamentar para redescobrir novas maneiras de fazer educação. Isso significa
dizer que a melhoria da qualidade da intervenção junto à sociedade mostra a realidade onde
estão inseridos, a sua aprendizagem e os processos de formação das experiências nas práticas
educativas.
As manifestações de comunicação estão ligadas para mostrar os caminhos de um
conteúdo comunicativo, repassar a didática da aprendizagem, no desenvolvimento em sala de 70
aula. Os meios de comunicação foram criando na expressão, de poder ser conquistado e
divulgado em suas mensagens.

A superação de uma proposta comunicativa abre à sociedade mudanças que estavam


marcando um novo momento da história. Porém, as experiências que transcendem práticas
comunicativas anteriores, conformando-se em processos mais tocantes ao conteúdo trabalhado.

As configurações evidenciam o uso das tecnologias de comunicação (rádio, televisão,


internet etc.), processo crescente da democratização dos meios de comunicação na sociedade. A
contribuição abre a uma transmissão de suas mensagens, bem como programas produzidos e
estruturados. No entanto, a própria democratização da sociedade contribuiu para provocar
modificações no interior do sistema nacional de comunicação.

O interesse das audiências por temas mais sintonizados com as realidades locais faz com
que até os grandes meios de comunicação procurem suprir tal demanda. Houve, portanto, um
crescimento informativo, cultural e educativo. A quantidade imensa de emissoras mostra as bases
da sociedade diante das ações educativas. Não basta a concentração absoluta da comunicação
de massa, precisamos desenvolver metodologias educativo-culturais.

Portanto, a comunicação popular, inicialmente se valeu de instrumentos simples, de


pequeno alcance tecnológico de comunicação. Porém, é importante o acesso às tecnologias
modernas é o fato de a comunicação em sabido adaptar-se à conjuntura da caracterização da
participação. Todas essas experiências de democratização dos processos comunicativos
formam as participações ativas de segmentos da população na elaboração e transmissão da
comunicação. É nessa prática que se desenvolve o processo educativo para a cidadania. Para
compreendermos sua dimensão enquanto instrumento educativo temos que trabalhar o contexto
das organizações e dos movimentos sociais que desencadearam a formação de uma nova
cultura política/educativa.
Ao analisar a comunicação participativa popular como processo de encontro do sujeito
com sua realidade e consigo mesmo, importa promover processos de liberação de maneira
pedagógica. A educação em sua prática vem transformar o valor do educando em contato com
a comunicação, tanto em relação com a massiva como com a alternativa. Não era uma questão
de ensino ou didática, mas de processos de aprendizagem.

Nesse sentido, não se pode deixar a comunicação a um ritmo espontâneo do encontro 71


com o público, mas ela deveria converter-se em todo um trabalho comunicativo de caráter
formativo. Nas manifestações como foram referidas nos desafios cria e estabelece para
desenvolver capacidades produzindo, novas tecnologias de comunicação. Trata-se, no fundo, de
processos de aquisição de conhecimentos; portanto, de processos de aprendizagem. E de
conceber o desenvolvimento, pelo mesmo conceito aprender/capacitar. As instituições
incentivam a cultura, seus contextos de aprendizagem se transformam, de agora em diante, em
um componente central das estratégias de desenvolvimento. No decorrer do aprendizado
constitui-se exercício de direitos e deveres de cidadania, que vai sendo conquistada num
processo lento, mas que transcende os limites do imediato.

Chega-se a uma conclusão que a escola já não é mais o espaço primordialmente


potencializado para educar. Os meios de comunicação passam a compartilhar de tal poder,
embora nem sempre o façam indo ao encontro do bem-estar comum.

Os meios de comunicação, implementados no contexto das organizações


progressistas da sociedade civil, assumem mais claramente um papel educativo, tanto pelo
conteúdo de suas mensagens, quanto pelo processo de participação popular que podem reunir
na produção, no planejamento e na gestão da própria comunicação. Se a participação popular é
algo construído dentro de uma dinâmica de engajamento social, então o desenvolvimento social,
que tem o potencial de efetivar, ajudar a mexer com a cultura, a construir e reconstruir valores,
contribuir para maior consciência dos direitos humanos fundamentais e dos direitos de cidadania,
a compreender melhor o mundo e o funcionamento dos próprios meios de comunicação O
espaço de aprendizado para o exercício de seus direitos e a ampliação da cidadania.

A utilização das tecnologias de comunicação está voltada para a propaganda de


atividades e a divulgação de ideologias. A comunicação, em suas atividades nas escolas,
procura ser reconhecida como um sistema de comunicação do país na expressão do povo
brasileiro. A essa comunicação percebe-se a força de uma democratização dos meios de
comunicação, muito representativa com atitude diferenciada por parte das comunidades e
demais ativistas escolares. A comunicação é uma existência dos meios de comunicação que no
final dos anos 80, com a criação do FNDC - Fórum Nacional pela Democratização da
Comunicação - entendeu-se, era preciso “democratizar a comunicação para democratizar a
sociedade”, adotando esse lema em suas atividades.
72
Em termos concretos, passou-se de uma fase onde o movimento de comunicação no
Brasil concentrava seu esforço na aprovação de leis mais democráticas, para o desenvolvimento
de ações de incentivo à produção por parte da sociedade civil - especialmente as rádios
comunitárias e os canais comunitários de TV a Cabo - a partir de um amparo institucional (não
mais as rádios e TVs livres e/ou piratas). E esse método foi ganhando espaço nas escolas,
trabalhando uma didática mais aberta e flexível.

A produção da comunicação é um desafio para a própria sociedade, em virtude dos


espaços conquistados e das limitadas condições de sustentação dos veículos existentes em todo
o país. E eles atualmente se articulam em torno da comunicação como atividades basicamente
em função de vários fatores, devido à enorme distância que separava o interesse e o
conhecimento acumulado de seus ideólogos e as necessidades dos conjuntos dos movimentos
sociais. A escola tem um papel fundamental em fazer conhecer para o entender.

Ao mesmo tempo, a tecnologia entra no cenário, que coloca a informática em papel de


destaque. Num primeiro momento observa-se uma tímida utilização dos meios disponíveis nas
escolas, com o domínio de alguns serviços. Já se aponta a convergência de sinais e suportes de
áudio, vídeo e texto como a tendência do mercado para o século XXI e experiências pioneiras
começam a surgir. Primeiro foram os vários arquivos e extensões de áudio e vídeo. Em seguida,
os plugins para programas de acesso à INTERNET, e finalmente chegamos às rádios e TVS
digitais e seus diferentes formatos.

A capacidade de compressão dos dados torna o tamanho dos arquivos cada vez
menores e, em conseqüência, rápidos. A nova tecnologia que possibilita o aumento da
velocidade dos dados via INTERNET também traz a interatividade das diferentes mídias mais
próximas a nós. E nesse contexto, muitas das reivindicações, impasses e desafios estão sendo
trabalhados.
Torna-se o acesso da produção dos meios de comunicação com a nova tecnologia
existente uma distribuição de arquivos, velocidade razoável, muitas vezes já em tempo real.
Quanto ao acesso, não resta mais dúvida que os computadores são componentes de primeira
necessidade nas escolas, em casa e no trabalho. Além disso, surgem iniciativas em todo o
mundo visando à democratização dos cursos e da doação de equipamentos para pessoas mais
carentes. Visto que a nossa realidade começa a se superar diante das dificuldades e acesso aos
73
meios de comunicação e ingresso das tecnologias nas nossas escolas, já que visamos melhoria
no aprendizado dos conteúdos trabalhados.

Hoje, com a tecnologia acessível das rádios e TVs digitais, a utopia de produtores-
receptores está potencialmente concretizada. 'Potencialmente', porque apesar da tecnologia já
desenvolvida, existem barreiras de várias ordens a se transpor para sua popularização: o
predomínio da língua inglesa em computadores e programas de alcance mundial, a largura de
banda e suas diferentes possibilidades de aproveitamento, o capital a ser aplicado e o empenho
de cada país na concretização desse projeto, etc.

Quanto à posse e ao controle dos meios, a situação é tão original, quanto interessante:
a corrida pela disputa do mercado de informática, e suas diferentes e imbricadas configurações,
não leva necessariamente a uma retração da produção. Pelo contrário, é exatamente de
movimento, de novas e criativas idéias que o mercado da informática necessita para incentivar o
interesse das pessoas por mais serviços, troca de informações, realização de negócios, lazer,
passeios e trocas de informação de caráter informal.

A prática educativa requer efetivamente do educador uma posição pela missão


histórica consciente do conhecimento pedagógico. Nesse sentido, colocam-se novos desafios
para uma sociedade produtora-receptora de meios de comunicação: a qualidade e a quantidade
de informação a ser disponibilizada, a articulação de grupos afins e desdobramentos efetivos
desses grupos a partir de uma atuação educativa.

O instrumento de comunicação nos coloca frente a um novo projeto de sociedade que


está se esboçando. As tentativas recentes de regulamentação das transformações ocorridas no
campo da educação estão nos trazendo casos exemplares, que ressaltam a necessidade de
uma melhor compreensão deste fenômeno que, pela primeira vez na história, impõe por si só as
condições para um novo paradigma.
Quando se fala em objetividade, deve se pensar nas tensões das características do
objeto, a necessidade de se evitarem as interferências que podem distorcer o conhecimento.
Mas se o conhecimento é relação dialética do sujeito-objeto; não posso em momento algum falar
na possibilidade de não envolvimento do sujeito com o que ele conhece (conhecimento do senso
comum em exercício das mudanças inovadas). A educação procura incentivar o modelo da
educação aberta, através de diversos métodos e técnicas.
74
A possibilidade em realizar técnicas da atuação do educador em cursos online, listas
de discussão entre alunos de um determinado curso ou grupo de profissionais e etc. A sociedade
em que alunos muitas vezes se tornam mais capacitados que os professores, em virtude da
familiaridade com as novas tecnologias, o momento é de perceber essas mudanças e suas
implicações, mais do que se referenciar por paradigmas de uma nova postura em relação aos
interesses do conhecimento humano, em todas as idades.

O entendimento do meio de comunicação trabalha suas possibilidades e nos permite a


criação de um novo conhecimento, tornando-os mais convergentes (na medida em que se utiliza
simultaneamente da linguagem escrita, sonora e visual) e interativos (cabendo a nós não só a
escolha, como também a produção de seus programas). Analisar cada tema a ser desenvolvido,
fazer com que o seu conteúdo seja entendido numa linguagem clara, favorecendo a busca da
compreensão da competência e do educador na transformação do ensino interdisciplinar.

Cabe a nós, profissionais da educação, o estímulo à disseminação desses novos


formatos, cuja atribuição nos coloca diante de alguns impasses: estará, de fato, a sociedade
disposta a produzir comunicação e divulgá-la aos seus pares ou sua vocação é a de ser
receptora em sua maioria? Os profissionais especializados ou haveria um meio termo onde
determinados interesses levariam as pessoas a produzir também sua comunicação? Como será
essa utilização dos três suportes em conjunto, do ponto de vista estético? Qual a influência das
fábricas de computadores e programas, além dos governos, na produção e controle desses
novos meios? Qual a maneira mais adequada para se utilizar? As ações pedagógicas nos
mostram o desenvolvimento da prática em sala de aula para despertar no aluno a percepção da
realidade diante do saber que possui? São perguntas que só o futuro dos acontecimentos
poderá nos responder.
O desafio político-pedagógico traduz o instrumento como importante na comunicação
escolar, nos interesses comunitários, da possibilidade de resgate dos valores culturais étnicos. A
transmissão de informações de comunicações presta serviço em educação para comunicar,
assim as organizações associativas e representativas locais podem ser vistas com clareza.

Se o educador pensa que sua tarefa é apenas ensinar o que o livro didático determina,
ele está criando uma impossibilidade educativa. Assim como o aluno precisa se integrar com as 75
mudanças tecnológicas, o educador tem uma responsabilidade muito maior, que é saber
entender para repassar o aprender. Em espaços isolados é comum encontrar as dificuldades de
acesso e manuseios tecnológicos por parte dos educandos (falo da realidade onde vivem
restritamente fora da tecnologia).

As mudanças vêm de um modo geral e precisam ser pensadas politicamente. Não


basta que disponha de pitada de Sociologia, Psicologia, Biologia, a didática se torna agente de
mudança. O funcionamento como intelectual orgânico, constitui ensinamentos comprometidos
com as transformações necessárias para a sociedade. O processo foi gradualmente envolvendo
e vem chegando às comunidades, capacitando-as, aproximando-as dos interesses sociais com
seus novos métodos em que os diferentes grupos de profissionais se apropriem informalmente,
participando na concepção e realização de programas sócio- educativos.

A preocupação de acompanhar a dinâmica temporal de envolvimento da comunidade,


segundo o seu próprio ritmo e estimulado são os incentivos nas sugestões de inovações. Sem
dúvida, os valores culturais da história de cada um vêm conquistar as práticas de educação que
representam fontes de informações muito úteis.

Os alunos, na concepção de realizações de incentivos em sua criatividade, procuram,


ao desenvolver suas potencialidades inatas, a facilidade de comunicação, a estruturação dos
seus discursos, a capacidade de síntese e a formulação lógica de questões trabalhadas no
cotidiano. As grandes tecnologias trouxeram novos paradigmas científicos, repercutindo em um
modelo pedagógico, na noção de educação, na relação entre educador e educando, nos
conteúdos e em novas metodologias. Se a educação, por um lado, tem um compromisso com a
transmissão do saber sistematizado, por outro, deve conduzir à formação do educando, fazendo-
o capaz de viver e conviver de forma participativa na sociedade.
Para Moram (1995), uma mente aberta, interativa, participativa, encontrará nas
tecnologias ferramentas maravilhosas de ampliar a interação. A Pedagogia, utilizando-se das
tecnologias, ainda não é comum em salas de aula. Isto provém de vários fatores registrados pela
história da educação e pelo próprio profissional da educação, ou seja, o professor. A educação,
nunca valorizou o uso da tecnologia visando tornar o processo de ensino e aprendizagem mais
eficiente e mais eficaz.
76
Esta desvalorização está relacionada com experiências vividas nas décadas de 1950 e
1960, quando se procurou impor o uso de técnicas nas escolas, baseadas na teoria
comportamentalista, que, ao mesmo tempo em que defendia a auto-aprendizagem e o ritmo
próprio de cada aluno, impunha excessivo rigor e tecnicismo para se construir um plano de
ensino, definir objetivos de acordo com determinadas taxionomias, implementar a instrução
programada, a estandardização de métodos de trabalho para o professor e de comportamentos
esperados dos alunos. Este cenário tecnicista provocou inúmeras críticas dos educadores da
época e uma atitude geral de rejeição ao uso de tecnologias na educação (MASETTO, 2001).

Assim a utilização de novas tecnologias, sem mudança de paradigmas das


concepções de ensino e de aprendizagem, poderá não ser tão significativa quanto se espera, por
exemplo, a participação dos alunos tem maior probabilidade de sucesso nas salas de aula que
enfatizam o uso de programas que permitem a experimentação e exploração, aplicação de
hipermídia e softwares de autoria; e menor com o uso de software de exercícios de repetição e
prática.

A tecnologia na educação pode colaborar para que se atenue o atual e espantoso


quadro de carências pedagógicas nacionais, promovendo a qualificação e aperfeiçoamento de
professores, necessidade identificada em todos os sistemas de ensino, onde soluções
convencionais se têm mostrado insuficientes. As tecnologias na educação tiveram um grande
desenvolvimento nos anos 80, com o aparecimento dos computadores pessoais, mais
acessíveis, e com o aperfeiçoamento das redes de telecomunicações.

Novas Tecnologias de Informação e de Comunicação na Educação, que possibilitam


um sistema de auto-aprendizagem e de educação a distância. Este cenário, que tende a retirar
parte da importância da escola e a colocá-lo um desafio para os professores e para todos os
responsáveis pela educação, se não quiserem isolar a escola da realidade exterior e do mundo
em mutação.

A necessidade de conhecimento das tecnologias pelo professor e seu uso na


educação é de fundamental importância, pois a velocidade e a quantidade de informações a que
se pode ter acesso pela rede de computadores não têm proporções. Para propor o uso das
tecnologias de informação e comunicação na educação, por meio da formação de comunidades 77
de ensino e aprendizagem em rede, é necessário reconhecer sim as dificuldades, mas, acima de
tudo, é urgente reunir condições técnicas e pedagógicas suficientes e necessárias para ampliar
significativamente o atendimento aos direitos educacionais dos alunos (DE MENDONZA,
MENDONZA, 2004).

As diferentes tecnologias foram sendo incorporadas ao ensino, que contribuíram para


definir suportes fundamentais das propostas pedagógicas (livros, televisão, rádio, áudio e vídeos,
redes de satélites, correio eletrônico, Internet, videoconferências, ambientes e programas
especiais) para ensino dos seus grandes desafios no sistema de educação. O professor ensina
e o aprendiz passa a garantir sua a aprendizagem. Esse sistema de educação transforma a
didática, visto que ela precisa ser trabalhada com o aluno na linguagem informativa, com a
escrita, chegando a utilizar e entender o esforço de cada um.

Atualmente, as tecnologias trazem uma trajetória do desenvolvimento baseado nos


texto escrito abordando as bases desenvolvidas em torno de comunicações educativas.

O reconhecimento dessa perspectiva menciona o espaço de boa vontade, presente no


discurso dos educadores, enfrentando os desafios da educação. Esclarece que o significado de
tudo isso é procurar uma didática de qualidade. Por sua vez, ele é identificado como aquele que
vai de encontro com a dificuldade e necessidade vivida pelos educandos. Entretanto, com
freqüência o discurso ideológico feito realmente na escola alega ir ao centro das necessidades.

A necessidade, concretamente, é o primeiro motor da ação pedagógica. É importante


lembrar que essa necessidade é histórica, há possibilidade de se entender ela de múltiplas
maneiras; há, até mesmo, possibilidade de não atendê-la, e aí se faz a necessidade do saber
escolar diferente de outras necessidades sociais, e estas das que se encontram no plano
fundamental do desenvolvimento do trabalho educativo.
A compreensão é, portanto, saber aprofundar e envolver o significado do saber nas
questões problemáticas do desempenho do educador que toma como evidência o cotidiano da
prática educativa. O resgate dessa prática e dimensão técnica mostra a perspectiva ética, abre a
possibilidade de enfocar sob uma nova luz a questão do poder na educação. E preciso pensar
que o educador comprometido faz a construção do conhecimento de uma sociedade escolar
justa e democrática, no qual saber e poder tenha a equivalência enquanto elemento de
78
interferência no real e organização de relação de solidariedade e não de dominação entre os
homens.

A idéia de poder, entretanto, é freqüentemente associada apenas à denominação,


porque é assim que tem sido no exercício, particularmente, da sociedade educativa hoje.

Em relação à aprendizagem a serviço da ação não tem por registro avaliar os dados do
desempenho escolar, mas a observação permanente das manifestações trabalhadas na
aprendizagem e proceder a uma ação educativa que otimize os percursos individuais. Funda-se
o princípio na visão dialética do conhecimento, que implica o princípio de historicidade:
conhecimento humano visão de futuro, evolução e superação. Assim destina-se a avaliação
mediadora a conhecer, não apenas para compreender, mas para promover ações em benefícios
aos educandos, às escolas.

O processo de transformação permite o sucesso ou o fracasso dos alunos, uma vez


que os percursos individuais serão mais ou menos favorecidos a partir de suas decisões
pedagógicas que dependerão, igualmente, da amplitude das observações. Pode-se pensar, a
partir daí, que não é mais o aluno que deve estar preparado para a escola, mas professores e
escolas é que devem preparar-se para ajustar as propostas pedagógicas favorecedoras de sua
aprendizagem, sejam quais forem seus ritmos, seus interesses e ou singularidades.

Quando se promove compreender as finalidades desta prática e serviço da


aprendizagem, da melhoria da ação pedagógica, visa, a promoção moral e intelectual do aluno.
O professor assume o papel de investigador, de esclarecedor, de organizador de experiências
significativas de aprendizagem. Seu compromisso é o de agir refletidamente criando e recriando
alternativas pedagógicas adequadas, a partir da melhor observação e conhecimento de cada um
dos alunos, sem perder a observação do conjunto e promovendo sempre as ações interativas.
Nada mais natural que se perceba a inquietude dos educadores frente ao compromisso
embasado nesse princípio. Em primeiro lugar, porque, a partir dele, elimina-se a dicotomia
educação e avaliação dos processos inovadores em benefício da aprendizagem desenvolvida.

Presenciei muitos professores se queixarem que ultimamente “dar excelentes aulas” e


alunos que por problemas deles nada aprendem. Em segundo lugar, porque torna evidente o
compromisso do professor e da escola em conhecer as diferenças. No meu entender, há sérios 79
riscos em nossas escolas quanto à efetivação de uma prática avaliativa em consonância a esse
primeiro princípio delineado. Ainda há um enorme descompasso entre o aprendido e o realizado
pela maioria das instituições educacionais.

Vejo um sério compromisso complexo à natureza, o sujeito aprendiz, que só pode ser
apreendido na sua própria complexidade. Da mesma forma os fenômenos educacionais, o que
exige do educador, para além do conhecimento e julgamento das referências do homem (valor
ético e social).

A educação lida com complexidade orientando, portanto, por valores morais e


paradigmas científicos. Os processos podem estar fundamentados metodologicamente. Torna-se
necessário, essencialmente, recorrer a princípios de interação e relação social, numa análise
ética - política das práticas metodológicas.

O entrelaçamento obrigatório das questões “o que devemos fazer”? E “o que podemos


fazer?” aponta justamente para a difícil tarefa para promover neste século. A base de um
conhecimento científico para fazer a prática acontecer. As metodologias não deram conta, até
então, da complexidade escolar. Não é suficiente o professor observar exclusivamente os
alunos, aplicar testes tecnicamente perfeitos, definir critérios preciosos e registros complexos.
Assim como de nada valem os extensos e onerosos sistemas de avaliações. Procurem analisar
as ações pedagógicas da seguinte forma:

 O aluno é preparado na escola para fazer acontecer;


 O maior objetivo é fazê-lo entender e interpretar.
Ora, toda essa teoria tem um propósito muito mais que justo e esclarecedor, o
exercício da prática no mercado que o espera. Então é viável que se trabalhe a teoria e deixe o
aluno viver na prática. Inove suas metodologias, não precisa ser somente em algumas
disciplinas, ou alguns eventos. Leve o aluno para executar, forme com o aluno a extensão da
importância da família no aprendizado participativo.

Integre-se à sociedade para que cada um conheça realmente seus valores culturais e 80
sociais, e transforme sua sala num ambiente envolvente e criativo, que contribua para um
desempenho diferente qualitativo, na quantidade e recursos que possuir. A finalidade é promover
melhoria educacional e não descrevê-la ou classificá-la. Estudos avaliativos destinam construir
um futuro e não descrever ou explicar o futuro, procure olhar sempre para o novo, mostre para
seus alunos, sempre, que eles precisam avançar, incentive e cobre o raciocínio deles.

Quando se auxilia um aluno a progredir em sua aprendizagem em seus relacionamento


e atitudes, estamos interessados na progressão escolar. A consciência dos educadores e leigos
sobre os obstáculos encontrados decorrentes das dificuldades avaliativas e classificatórias à
educação de milhares de crianças e jovens do nosso país.

Com essas observações procuramos nos setores das atividades fazer o planejamento
que nos leva a lembrar que o educador procura considerar o que está acontecendo na realidade
escolar.

Enquanto no início da democratização do ensino expresso pelo simples aumento


quantitativo das escolas pode acontecer sobre o regime autoritário, o prosseguimento desse
processo daqui por diante, e dada a contradição que ele mesmo engrenou, insere-se,
necessariamente, no movimento da democratização do conjunto da sociedade. Será preciso que
se criem mecanismos e formas de organização que permitam aos diferentes segmentos da
sociedade civil exercer influência na política educacional escolar, em todos os seus graus e
níveis de funcionamento interno das instituições escolares. Procuro ir mais longe quando se trata
da formação educadora e ações conjuntas.

Ela é uma visão que se manifesta principalmente através de dupla tendência, cujos
movimentos parecem opor-se, mas que podem co-existir num único programa de formação. Por
outro lado, a tendência enfatiza a formação teórica.
O papel de formação, principalmente da inicial, é concebido como o de favorecer a
aquisição dos conhecimentos acumulados, estimulando o contato com autores considerados
clássicos ou de renome, sem se preocupar diretamente em modificar ou fornecer instrumento
para intervenção da prática educacional.

Esta é visualizada como o âmbito do não rigoroso; não científico, que em nada
contribui para a formação do educador, reduzindo-se a um “obscuro ativismo”. Por outro lado, a 81
teoria é vista como um conjunto de verdades absolutas e universais. Neste caso a teoria é
esvaziada da prática.

Somos conscientes da complexidade das práticas educativas. Nelas estão presentes


muitos elementos, alguns deles, muitas vezes, contraditórios. Para melhor compreender estas
práticas quando estão referidas à formação do educador, propomos, a partir das considerações
anteriormente apresentadas, algumas questões que nos ajudam a penetrar no mecanismo da
articulação e dissociação entre a teoria e a prática.

Como é trabalhada a relação teoria e prática na dinâmica das aulas? A dissociação


entre estes dois pólos produz o domínio de um sobre o outro.

Sabemos que precisamos entender a junção entre a teoria e a prática. Como conjunto
de verdades absolutas e universais. Como corpo de conhecimento completamente isolado da
prática? Como os conhecimentos são historicamente construídos e em processos contínuos de
reelaboração? A fundamentação teórica está voltada para a prática a ser exercida pelo
educador? Como se manifestam estas concepções na dinâmica da sala de aula? Baseado na
comunicação leva-nos a acreditar que a prática educacional é um predomínio da formação das
ações educativas.

De alguma forma se admite que a prática educacional tenha sua lógica própria, que
independentemente das teorias oferecem subsídios relevantes para formar o educador. Essa
formação se deve ao conhecimento comunicativo das ações pedagógicas trabalhadas ao longo
do tempo. A parte da concepção da educação como “arte” a ser conquistada no fazer das
ações pedagógicas. Nesse caso, a prática é esvaziada da teoria. A ênfase nas disciplinas
instrumentais ou práticas, sem a preocupação com sua articulação com as disciplinas
consideradas teóricas.
A tendência desses valores é saber valorizar o trabalho realizado com seus alunos. A
opção do professor é desenvolver uma possibilidade com os seus alunos com acesso aos
instrumentos da comunicação que vão auxiliar na transformação da sociedade e os seus
objetivos devem enunciar claramente essas proposições.

Deve ficar evidente o que vai ser essencial para a aprendizagem, são os conteúdos
que serão relevantes, as habilidades e atitudes que irão contribuir no âmbito de sua disciplina, 82
com formação de um indivíduo consciente, crítico e capaz de orientar o seu próprio aprendizado.

Nesse sentido o que deve o professor pretender em sua atividade cotidiana em sala
de aula?

O professor vai estar comprometido não apenas com a simples transmissão de um


saber elaborado que os alunos se limitam a estudar e a esquecer. Seu compromisso vai estar
ligado a um processo complexo por onde esse saber vai ser adquirido pelo aluno de forma
crítica, relacionado com o seu universo de experiências; de forma desafiadora, procurando novas
soluções para velhos problemas; de forma questionadora, procurando formas criativas e
competentes de fazer as mesmas coisas, mesmo àquelas tradicionalmente consideradas bem
feitas.

A opção por uma educação dentro do perfil que encontramos é uma educação
transformadora, que vai exigir, necessariamente, posicionamentos diferentes, de professores e
alunos, daqueles que tradicionalmente são assumidos no desenvolvimento das atividades de
ensino-aprendizagem.

Do professor vai ser exigida, antes de tudo, a competência de ensinar. O incentivo pela
qualidade em educar com compromisso profissional qualificado. Ideologicamente comprometido
com uma proposta de educação transformadora consciente de sua importância política de sua
competência no ato de ensinar.

Frente às exigências, o professor precisa possuir competência não apenas no domínio


do conteúdo da disciplina a ser ministrado, mas também no conhecimento de propostas
alternativas para trabalhar o conteúdo de maneira a ser apreendido, em suas relações
complexas, da melhor forma possível. Precisa orientar as ações pedagógicas de acordo com as
necessidades dos alunos.
Do aluno vai ser exigido muito mais do que o simples estudo da matéria, onde lhe cabe
apenas o exercício de sua capacidade de memorização e, após, a execução do ato ritualístico da
avaliação, e o esquecimento. O aluno terá participação dinâmica na sala de aula, executando um
esforço no ato de aprender, onde deverá colocar em funcionamento os seus sentimentos, sua
capacidade intelectual, suas habilidades, sentidos, idéias e ideologias. Ou seja, tudo aquilo que
coloca permanentemente em funcionamento ao elaborar o conhecimento específico
83
apresentado.

O processo ensino-aprendizagem não é estaque, isolado. Ele efetivamente faz parte


do cotidiano dos indivíduos na escola e não deve ser avaliado apenas em momentos isolados,
totalmente desvinculados à realidade diária de sala de aula. Durante o processo das relações
dinâmicas das ações em sala de aula as tomadas de decisões são freqüentes e relacionadas
com o conteúdo na melhor forma de compreensão e produção do conhecimento do aluno.

É necessário que o professor esteja permanentemente atento às alterações de


comportamento dos alunos. O clima favorável à participação de todos na sala de aula vem fazer
uma diferença muito importante na aprendizagem e objetivo a ser alcançado.

A integração dos alunos reflete as manifestações de dúvidas e inquietações que


precisam ser trabalhadas. E nessas relações cotidianas entre professor e aluno que vai se dar a
aprendizagem. Dessa interação vão surgir condições mais efetivas para que ambos possam ser
capazes de se avaliar, de avaliarem o conteúdo em questão e de tomarem decisões quanto ao
prosseguimento do processo ensino-aprendizagem.

Essa relação dinâmica de aquisição, reelaboração e produção de conhecimentos, em


que os alunos participam decisivamente do processo, fazem com que não haja sentido um
processo de avaliação cuja competência caiba exclusivamente à opinião do professor quanto ao
desempenho dos alunos.

Na sala de aula professor e aluno devem participar de todo o processo de avaliação.


Nesse processo não deve estar em julgamento apenas o grau de aprendizagem alcançado pelos
alunos, mas, também, muitos outros questionamentos. Nesse contexto passa a ter uma grande
importância no ensino transformador e o aluno desenvolve suas capacidades críticas e, para
isso, é importante que ele tenha condição não só de criticar o que lhe é externo.
7 SABER USAR A COMUNICAÇÃO COM SEUS ALUNOS

A ciência moderna pensa, pois, o real, não como aquilo que se mostra ou se põe a
partir de si mesmo em evidência, mas aquilo que, sendo resultado de um fazer, é colocado em 84
sua posição, de forma que, seguramente, possa ser encontrado em tal posição. O real é tomado
e estabelecido como objetivo. Aparece para a ciência moderna na sua acepção objetiva, na sua
acepção de “res extensa”.

Assim a teoria corresponde a este real, para a ciência moderna, passa a ser
compreendida somente possível como a elaboração do real que o segue à pista e assim se
assegura dele. O que fazer com a modernização, como esta teoria que apresenta, provoque
entusiasmo nos nossos receptores compreendendo seus objetivos esperados?

E preciso, contudo, que atentemos firmemente para um aspecto. Este modo de


compreender o novo, o real, assegura uma postura de atitudes presentes. Este modo integra o
direito constituído de uma mentalidade moderna. Condiz com as expectativas que através da
razão se certifica da existência e assim pode conferir a realidade clara distintamente.

A essa mentalidade moderna entende-se como modo de ser basicamente das


características próprias do homem. O sujeito que instaura e relaciona a essa modernidade se
revela no conhecimento de mundo e descobre suas potencialidades e apego pelos objetivos
dominados. E uma necessidade de estabelecer e se assegurar o real (o mundo, o outros e si
mesmo) esteia os modos do domínio, que é como habitam e zelam pelos espaços que se
fundam a uniformidade publicitária das estruturas e dominação.

O mundo vive hoje o limiar de uma nova era, a era da informação. É algo tão
profundo e significativo quanto o Renascimento ou a Revolução Industrial. Mas a grande maioria
das pessoas não parece dar-se conta de tudo isso. Quais as causas dessas transformações
profundas? Transita o circuito integrado a conquista do espaço, as fibras óticas, o videodisco, o
computador e a digitalização das telecomunicações. O resultado de tudo isso é uma sociedade
do conhecimento.
Não é difícil identificar à nossa volta, no dia-a-dia, a presença de tecnologias
poderosas, que estão mudando o mundo. É uma espécie de revolução silenciosa, marcada pelo
desenvolvimento conjunto das telecomunicações, informática, da automação do escritório, dos
satélites, dos robôs e da eletrônica de lazer.

Na base desse desenvolvimento estão os componentes eletrônicos, como unidades


físicas que estão possibilitando profundas transformações na indústria, como as drásticas 85
reduções dos preços, a difusão maciça dos produtos, a mudança de hábitos, o aumento da
produtividade e as transformações culturais por que tem passado parte substancial da
humanidade.

São esses componentes sofisticados, entre os quais o chip a pastilha de silício, que
reúne milhares de micro componentes em apenas um centímetro quadrado de superfície, em
que estão proporcionando essa redução formidável do preço dos computadores, de modo a
torná-los acessíveis a milhões de cidadãos da classe média. São estas possibilidades que
popularizam as distribuições diversas.

É bom lembrar que os componentes eletrônicos não estão apenas criando uma nova
indústria, mas mudando realmente o mundo, transformando a sociedade, as empresas, as
escolas e os sistemas de comunicação. Para os estudantes o computador será a grande
ferramenta cotidiana (refiro-me também aos que não têm acesso na sua escola).

A comunicação auxilia em uma metodologia de ensino que estamos percebendo o


aumento do número de pessoas ou grupos associam-se à informática, abrindo novos horizontes,
criando novos contatos. Cada um pode dizer na internet o que considerar conveniente. Como
resultado, começamos a assistir as tentativas de controlá-la de forma clara ou sutil. A distância
hoje não é principalmente a geográfica, mas a econômica (ricos e pobres), a cultural (acesso
efetivo pela educação continuada), a ideológica (diferentes formas de pensar e sentir) e a
tecnológica (acesso e domínio ou não das tecnologias de comunicação).

Uma das expressões claras de democratização digital se manifesta na possibilidade de


acesso à Internet e em dominar o instrumental teórico para explorar todas as suas
potencialidades. A Internet também está explodindo na educação. As Instituições de Ensino
correm para tornar-se visíveis, para não ficar para trás. Uns colocam páginas padronizadas,
mostram a sua filosofia, as atividades administrativas e pedagógicas. Criam páginas atraentes,
com projetos inovadores e múltiplas conexões. A educação presencial pode modificar-se
significativamente com as redes eletrônicas.

As paredes das escolas se abrem, as pessoas se intercomunicam, trocam


informações, dados, pesquisas. A educação cria possibilidade de integração de várias mídias,
acessando-as tanto em tempo real como as sincronicamente, isto é, no horário favorável a cada
indivíduo, e também pela facilidade de pôr em contato os educadores com educandos. Essa 86
capacidade de comunicação dos computadores já permite a milhares de cidadãos brasileiros o
cesso a suas solicitações de dados, a humanidade começa, assim, a viver a era da informática.
8 O MICRO E SEUS ALIADOS

Sabemos que o computador pessoal nasceu na metade da década de 70. A princípio,


nem a IBM acreditou na possibilidade de todo êxito e de popularização desse novo equipamento. 87
Foi a criação de um componente eletrônico avançado e complexo, o microprocessador que
possibilitou o desenvolvimento do computador pessoal.

Encontramos vários tipos de aplicações educacionais: de divulgação, de pesquisa, de


apoio ao ensino e de comunicação. A divulgação pode ser institucional - a escola mostra o que
faz. Ou particular - grupos, professores ou alunos criam seu home pages pessoais, com o que
produzem de mais significativo. A pesquisa pode ser feita individualmente ou em grupo, ao vivo -
durante a aula - ou fora da aula, pode ser uma atividade obrigatória ou livre.

Nas atividades de apoio ao ensino, podemos conseguir textos, imagens, sons do tema
específico do programa, utilizando-os como um elemento a mais, junto com livros, revistas e
vídeos. A comunicação ocorre entre professores e alunos, colegas da mesma ou de outras
cidades e países. A comunicação se dá com pessoas conhecidas e desconhecidas, próximas e
distantes, interagindo esporádica ou sistematicamente. As redes atraem os estudantes. Eles
gostam de navegar, de descobrir endereços novos, de divulgar suas descobertas, de comunicar-
se com outros colegas.

Mas também podem perder-se entre tantas conexões possíveis, tendo dificuldade em
escolher o que é significativo em fazer relações, em questionar afirmações problemáticas. O
artigo 80 da Nova LDB/96 incentiva todas as modalidades de ensino à distância e continuada,
em todos os níveis. A utilização integrada de todas as mídias eletrônicas e impressa pode
ajudar-nos a criar todas as modalidades de curso necessárias para dar um salto qualitativo na
educação continuada, na formação permanente de educadores, na reeducação dos
desempregados. Estamos em uma etapa de transição quantitativa e qualitativa das mídias
eletrônicas.
Estamos passando de uma fase de carência de canais para outra de superabundância.
Na TV a Cabo e por Satélite, podemos aumentar o número de canais pela compressão digital até
várias centenas. Mesmo a televisão aberta (VHF) vai poder proximamente, com a TV digital,
multiplicar por cinco o número de canais ofertados até agora. Há uma clara aproximação da
televisão, do computador e da Internet.

O Netputer, a WEBTV, a tela em que trabalhamos e vemos televisão aproxima áreas 88


tecnológicas que até agora estavam separadas. A chegada da Internet, a TV a cabo, sem dúvida
é um marco decisivo para visualizar imagens em movimento e sons, integrando o audiovisual, a
hipermídia, o texto "linkado" e a narrativa do cinema e da TV. Estamos, em conseqüência, diante
de um panorama poderoso para integrar todas estas mídias no ensino à distância e continuado.
A Internet, ao tornar-se mais hipermídia, começa a ser um meio privilegiado de
comunicação de professores e alunos, já que permite juntar a escrita, a fala e proximamente a
imagem a um custo barato, com rapidez, flexibilidade e interação, até há pouco tempo
impossíveis. Até aqui exploramos basicamente as tecnologias da informação. Elas estão apenas
começando, transformando o mundo em que nascemos. Acredito que um dos campos mais
afetados deva ser o da educação. Embora a questão ainda seja polêmica, o computador invade
as salas de aula de todos os níveis, permite simular situações de realidade, oferecendo recursos
didáticos.
9 A TV PROPICIA O QUE AOS EDUCANDOS?

A televisão levanta uma proposta alternativa para o estabelecimento de relações entre


estas instituições, que tragam prazer, sentido e significado à vida dos estudantes. 89

A referência dos problemas que a maioria das famílias e das escolas não está
preparada para enfrentar expostos às tecnologias, que mudam radicalmente seus
comportamentos. A televisão está totalmente dentro da vida dos jovens. A escola apresenta uma
estrutura artificial, por isso nem os professores, nem os alunos, quando estão na escola,
preocupam-se com sua vida cotidiana. Os alunos crêem falsamente que a escola lhes vai
preparar para o futuro e este futuro nunca chega.

A escola dá ao aluno apenas um título que, às vezes, não lhe serve para nada. Neste
modelo atual de escola, são trabalhadas atitudes passivas de reprodução, de obediência. É
preciso entrecruzar estas relações, buscar todos os tipos de relações que se estabelecem,
porque aí estas terão sentido e significado para a vida do estudante. O aluno tem que encontrar
sentido.

E de que sentido nos fala a escola?

Atitude que busca as temáticas dos alunos no acompanhamento do que eles estão
assistindo e levando a experiência para sala de aula.

O que se deve fazer é trabalhar relações educativas e buscar propostas de ação. A


escola cria a imaginação dos livros, encontra propostas alternativas, novos tipos de relações.
Acreditamos significar um estabelecimento de relações que geram processos educativos como:

* INCERTEZAS - a educação não fundamenta nas certezas do autoritarismo, na ilusão e


seguridade de afirmações das respostas que muitos livros didáticos oferecem, precisa assumir
as incertezas dos alunos, tendo a preocupação de questionar a realidade e tentar resolver;
* EDUCAR PARA A VIDA: processo educativo sustentado pelo entusiasmo. Partilhas da
criatividade, respostas originais, brincadeiras. O prazer, como confirma a experiência, é um
ponto de partida e de chegada, um incentivo para viver e a chave da própria vida.

O processo educativo acontece quando o estudante encontra sentido no que faz,


compartilha sentidos e compreende o sentido dos exercícios e dinâmicas de que se vê obrigado
a participar ao longo do ano escolar. Uma reflexão sobre os comportamentos dos alunos 90
mostram-nos valores presentes em sua vida (e nas telenovelas), valores de amor, de relações,
valores que os impulsionam a viver.

A escola, nos moldes atuais, não se volta para estes valores; logo, não tem significado
para os alunos e a cultura é feita no cotidiano. A ênfase de seu processo educativo,
apropriando-se da história para desmistificá-la. O ato educativo é entendido como construção de
conhecimentos, experiências, criação de novas formas através dos meios de comunicação de
massa.

A televisão fica onde está e o importante não é a escola levar os meios para seu
recinto o importante é a escola aproveitar as experiências que os alunos têm consigo, adquiridas
a partir do contato com os meios de comunicação, com os amigos, com a família, conhecimentos
e atitudes adquiridos por estes contatos.

A relação de rotina, do aluno como a professora, estabelece relação com os de


confiança. A escola, em termos globais, só se preocupa com os conteúdos, (fundamenta-se na
razão) às emoções, sentimentos, através da televisão, que também está fundamentada nas
emoções (coração). O ponto fundamental para a escola é: Como admitir as relações entre a
razão e as emoções?

Há que se estabelecer um novo sistema de relações (interações), porque se é imposto,


quem sofre é o aluno seus valores, razão, intuição, emotividade, criatividade e pelo
relacionamento. A razão tem sido a forma privilegiada pela escola para ensinar. A didática é
racional e a maioria dos sistemas escolares é racional. A intuição é uma forma de conhecimento
que vai mais além da razão e, conseqüentemente, não está sujeita às leis racionais. Uma não é
contrária à outra; são complementares e necessárias.
A emoção localiza-se na entrada da aprendizagem. A tecnologia de vídeo é, sem
dúvida, a mais promissora para o campo educacional. Na conjunção audio-video-computador,
surgem recursos novos com a caneta óptica (lingtpen), que possibilita a criação e a cópia de
gráficos e desenhos, simulação de perspectivas tridimensionais, a multiplicação de figuras, a
implantação, a redução e animação de imagens.

Os sistemas interativos audio-video-computadorizados possibilitam hoje experiências 91


fascinantes. O professor do futuro talvez venha dar aulas extremamente proveitosas e
interessantes. Muitas das características dos futuros computadores de quinta geração começam
a ser utilizadas, em pequena escala e progressivamente, nos computadores mais sofisticados da
atualidade.

Pretende-se lançar um olhar claro, fundo e largo sobre a educação, a reflexão deve
partir da situação do contexto social que envolve essa educação. É esse contexto que a
caracteriza lhe confere especialidade. Falar da educação brasileira, por exemplo, significa ir à
escola brasileira para verificar as determinações que esta organizada, de um modo específico,
nos modelos do sistema capitalista, confere ao processo educativo. Importa então procurar
estabelecer as relações entre educação, cultura e sociedade. Centrando a atenção na
perspectiva política da prática educativa e procurando apontar, ainda que brevemente, algumas
características de que se reveste a escola em nossa sociedade: Cultura, Sociedade, Trabalho.

Para falar da educação e comunicação enquanto fenômeno histórico e social é preciso


que se percorra brevemente o caminho de uma reflexão sobre a cultura, na medida em que se
pode afirmar, recorrendo-se a uma definição extremamente abrangente: que educação é
transmissão de cultura.

Todavia a comunicação é considerada por estabelecer uma educação entre a


educação e a sociedade, uma vez que ela está, de certo modo, contida nesses dois termos. Não
há sociedade sem cultura e não se fala em cultura sem a referência a uma relação social
educativa. A cultura pode ser definida, em primeira instância, como mundo transformado pelos
homens. Se vamos partir daí, é preciso fazer referência às relações dos homens com essa
realidade que os cerca, e da qual eles fazem parte e que se chama mundo.

O homem é um ser no mundo. Ele não é primeiro, e depois é no mundo. A implicação


recíproca homem e mundo, mundo e homem não significa uma relação exterior, fortuita e
ocidental, mas, ao contrário, com a compenetração ontológica, constitutiva dos dois termos entre
os quais a relação se estabelece. Não estamos no mundo como os objetos físicos estão dentro
uns dos outros, como o livro está na estante, a estante na sala, a sala na casa, etc. O nosso
estar ou ser no mundo tem um alcance muito mais profundo,pois não se trata de uma
justaposição no espaço , nem de uma ilusão meramente física, mas de uma relação de
inerência que afeta a própria estrutura de relação (Corisier,1966).
92
Não há homem sem mundo. E se falarmos numa “implicação recíproca”, não há mundo
sem homem. Ao dizer isto, vou ao encontro do poeta que afirma:

Mundo, mundo vasto.

Mundo mais vasto

É o meu coração.

(Drummond, 1983)

Será mesmo meu coração mais vasto que o mundo?

O que se pode constatar, em última instância é que o mundo está dentro do homem,
dele resulta. O que é este mundo com o qual o homem entra em contato?

Ele se apresenta aos homens numa dupla dimensão. Analiticamente observando a


reflexão dos que se empenham à dinamização das escolas informam a comunicação educativa
dentro de um contexto inovador, alinhando os desafios que nos parecem mais importantes no
momento. A percepção e conhecimento transformam o objeto conhecido a um relacionamento
de condição de toda aprendizagem significativa com os alunos, não interessam tanto os
conteúdos e os temas de estudos, quanto as relações que se estabelecem no ambiente escolar.
O ensino que usa meios de comunicação leva a conhecer um pouco mais da sociedade atual,
criando diferentes linguagens para se comunicar.

A escola encontra diferenças entre a escola e a sociedade egressa dos alunos. A


estrutura escola praticamente trabalha a linguagem falada e escrita. O importante não é que
tenham estes apoios, mas que o aluno possa expressar-se através destas linguagens. Por
exemplo, se há um vídeo na escola, é importante que o aluno se expresse, não pela forma rígida
de um profissional, mas como um ser humano que se utiliza de recursos para seu
desenvolvimento pessoal. E isso requer o acompanhamento pedagógico na comunicação e a
elaboração de estratégias, instrumentos que permitam ao estudante aprender, compreender o
mundo e expressá-lo para conviver melhor e poder, assim, escrever sua história.
93
A Pedagogia da Comunicação não só se interessa pelas linguagens, mas também pela
sociedade onde estas linguagens são utilizadas. A Linguagem da Comunicação reduz-se a um
meio, a um apoio escolar. Nossas preocupações direcionam-se para as abordagens
pedagógicas dos meios de comunicação e que na maioria das escolas são verticais, isto é,
apresentam-se de cima para baixo: a escola através de conceitos, lógica do mercado, que cria e
reproduz a ideologia escolar. Promover a aprendizagem de seus interlocutores e participar das
atividades direcionadas à interação e o diálogo.

Meios e processos são cada vez mais usados como forma de proporcionar ao aluno a
expressão de sua subjetividade e de, supostamente, tornar o ensino mais atraente; função crítica
da escola em relação à mídia é consensual. Não difícil perceber que o ser humano pensa e
desenvolve suas compreensões a partir de seus envolvimentos cotidianos. Assim também suas
ações e envolvimentos são condicionados pelo pensamento.

Isso tudo num processo em que o mundo é constituído e desenvolvido pelo próprio
viver. Podemos dizer que na medida em que nosso envolvimento com a tecnologia aumenta,
também nosso modo de pensar absorve os mecanismos e modelos. Por exemplo, o computador
adquire realidades simplesmente pelo fato de transferir as relações interpessoais para a
máquina. A essa relação o currículo escolar tem sido uma colcha de retalhos e princípios
norteadores das políticas pedagógicas trabalhadas em sala de aula.

As disciplinas que alocam os docentes e lhes dão responsabilidades específicas,


procura conduzir atitudes de isolamento dos professores e um comportamento exclusivista
personalista. Cada qual valoriza como pode o compartimento que ocupa no edifício pedagógico,
tornando-o um fim em si mesmo e deixando de referenciá-lo ou articulá-lo com o campo da
atividade de que faz parte ou que deve servir criticamente.
Trata-se de uma postura que reedita e piora a doutrina da liberdade motivadora da
independência pedagógica e a criatividade educativa desenvolvida paralela às modificações;
professor/máquinas/comunicação em benefício da aprendizagem e qualidade do ensino. Por
mais criativos que sejam os alunos, é evidente que lhe falta maturidade para retirar do estoque
de conhecimentos, numa dada disciplina, as informações abrangentes e interpretadas a ser
didaticamente expostas.
94
No que se refere ao uso dos textos, constata-se um abandono crescente dos tratados
que sintetizam os conhecimentos básicos e da leitura do ensino clássico. Opta-se pela seleção
de fragmentos dos relatos científicos ou/e análises totalizantes de uma metodologia que passa
da teoria para prática. Essa ação didática, a partir de uma concepção histórica dialética do
mundo para a compreensão e a intervenção no processo educativo. Para tanto, a metodologia
necessita penetrar mais e mais na essência desse processo e compreender as causas e
contradições que lhe são inerentes e suas propriedades determinantes.

Cabe, pois, uma parcela de responsabilidade na formação crítica e criativa do futuro


educador, principalmente quando ao sistema social, está em contradições com os pressupostos
epistemológicos da teoria do conhecimento que a sustenta.

É preciso, pois, superar a imagem do processo educativo dos fatos educativos sociais
existentes nas práticas pedagógicas.

A decorrência metodológica unilateral do processo educativo encontra sua justificativa


no ideário pedagógico dos representantes do formalismo pedagógico, e na teoria positivista do
conhecimento, que isola radicalmente a teoria da prática. Toda metodologia decorrente dessa
teoria do conhecimento faz com que essa prática educativa se manifeste fora do âmbito da
realidade concreta e imediata.

Sua metodologia é, portanto, inconseqüente em razão de não proporcionar ao


processo de ensino a ordenação necessária que permite passar da aparência à essência do ato
educativo. Por outro lado o ensino decorrente do conhecimento dialético entre teoria/prática
supera a ruptura da visão da prática pedagógica. A opção por uma educação transformadora vai
exigir, necessariamente, posicionamentos diferentes de professores e alunos, saindo do
tradicional (livros didáticos) para um desenvolvimento educativo aberto e participativo.
O professor passa a exigir mais, conhecer a competência de cada um e ensinar as
ideologias transformadoras, que deva estar inteiramente conscientes da importância política de
sua competência no ato de ensinar.

O professor também deve ter consciência de que seus alunos vão se apropriar:

95
“diferentes das coisas, dos conhecimentos, dos alunos e das instituições... se
apropriam também, sem necessariamente acreditar nelas ou aprová-las, das
regras de jogo necessárias à sobrevivência nesse âmbito”.

Para atuar eficientemente, frente às exigências, o professor precisa possuir


competências não apenas no domínio do conteúdo da disciplina a ser ministrada, mas, também
no conhecimento de propostas alternativas para trabalhar o conteúdo a ser aprendido, em suas
relações complexas, da melhor forma possível. Precisa também ter capacidade para orientar as
ações pedagógicas de acordo com a necessidade e possibilidade do aluno.

Do aluno vai ser exigido muito pela comunicação que vem sendo trabalhada com ele, e
que cabe o exercício da expressão e memorização da participação dinâmica e o esforço em
aprender. A tarefa do relacionamento ao processo ensino-aprendizagem é realidade diária da
sala de aula, e de onde os alunos estejam permanentes atentos às alterações de
comportamentos (em grupo/individual).

Analisando todo contexto desenvolvido, a tecnologia veio favorecer e procurar


capacitar para ir cada vez mais à busca de um objetivo que favorece o mercado que espera os
profissionais, formados pelo sistema tecnológico e acompanhamento pedagógico para atuarem
com segurança diante do perfil exigido.

Os educadores, neste sentido, também serão educados, se dispuserem-se a ouvir a


maioria da população acerca de seus interesses e necessidades reais. O processo pedagógico
deve atingir em primeiro lugar: aprender a lidar com os processos tecnológicos que envolvem de
dentro para fora.
Não é somente em seguimentos opostos que encontramos a necessidade do
conhecimento, voltado para desenvolver seus próprios intuitos que é saber para entender.
Quando se tem a certeza do conhecimento, podemos distinguir em nossas dimensões e
possibilidades do aprendizado uma maior fonte de pensamento-ação exigido, é preciso
considerar o movimento e articulação entre o individual e coletivo, parte de todo, processo e
produto, teoria e prática, ensino e aprendizagem.
96
Retratar a abrangência do uso da tecnologia no âmbito da educação, considerando a
diversidade de formas de aprender e de ensinar é ao mesmo tempo, a ênfase das questões
particulares constituintes do seu universo, visando com isto propiciar aos participantes
momentos de indagações e de aprofundamento.

Os estudos sobre comunicação e educação tendem a enfocar as relações e as inter-


relações entre os dois campos do conhecimento, principalmente a questão do ensino-aprendizagem
enquanto mediada por um processo comunicativo; da utilização de meios de comunicação na
educação presencial, nas instituições de ensino; do papel da mídia no processo de educação; da
educação para a recepção crítica das mensagens transmitidas através dos meios massivos,
especialmente da televisão.

Trata-se de uma linha de estudos em expansão e que tem trazido contribuições


significativas para a compreensão de tais fenômenos, no entanto, ainda não é suficiente
compreendida e valorizada pelos educadores e comunicadores. Conhecemos realidades carentes
do ensino em entender o que a tecnologia transforma e a maneira como ela vai se infiltrando no
desenvolvimento das salas de aula.

Trabalhar com a inovação da mídia é antes de tudo trabalhar na extensão família


informação X alunos e educação. Pensando assim é que este trabalho vem desenvolver fatos
importantes a serem trabalhados com a didática e a interdisciplinaridade voltada para este fim.

A perspectiva mencionada trata da educomunicação no âmbito da educação informal,


mais precisamente a que ocorre no contexto de organização e ação dos movimentos populares e
das organizações que asseguram a observância dos direitos fundamentais da pessoa humana
e/ou para tratar de temáticas sociais mais amplas, que dizem respeito ao conjunto da sociedade,
como por exemplo, questões relativas à ecologia, à construção da paz e à própria vida no
planeta.
10 A TECNOLOGIA: O QUE ELA INFLUENCIA NA EDUCAÇÃO

Durante muito tempo, confundiu-se “ensinar” com “transmitir” e, nesse contexto, o


aluno era agente passivo da aprendizagem, e o professor um transmissor, não necessariamente
97
presente nas atividades do aluno. Acreditava-se que toda atividade ocorrida pela repetição e que
os alunos que não aprendiam eram responsáveis por essas deficiências, e, portanto,
merecedores do castigo da reprovação.

Atualmente, essa idéia é tão absurda quanto a ação de sanguessugas, invertebrados


aquáticos, usadas para sangrias e curas de pacientes. Sabe-se que não existe ensino sem que
ocorra a aprendizagem, e esta não acontece senão pela transformação, pela ação facilitadora do
professor, do processo de busca do conhecimento, que deve sempre partir do aluno.

Se o professor, em vez de facilitador das aprendizagens, continua a agir com a


tecnologia como uma espécie de ferramenta ao serviço das abordagens tradicionais que o
designam enquanto veículo de competências e conhecimentos pré-determinados, então não está
a desencadear nenhum processo de mudança na escola, está a servir da tecnologia como
adorno estético de abordagens fossilizadas, a fazer mais do mesmo com outros adereços.

A idéia de um ensino despertado pelo interesse do aluno acabou transformando o


sentido do que se entende por material pedagógico, de cada estudante, independentemente de
sua idéia, passou a ser um desafio à competência do professor. No processo ensino-
aprendizagem, em qualquer contexto em que se esteja inserido, é necessário que se conheça as
categorias que integram este processo como elementos fundamentais para um melhor
aproveitamento da aprendizagem. Difícil, quase impossível, refletir sobre escrita e tecnologia
sem nos remontarmos ao texto clássico, aos Diálogos de Platão, mais especificamente ao Fedro.

Em uma das passagens do diálogo, descrita pelo filósofo, Sócrates narra ao discípulo a
visita de Theuth, o deus das invenções, a Thamus, rei do Egito. Dentre suas numerosas
invenções, das quais expõe as vantagens ao rei, que as vai aprovando ou não, Theuth fala sobre
a escrita, para ele uma receita segura para a memória e a sabedoria dos egípcios. O faraó
posiciona-se contrário à invenção argumentando:
"Theuth, meu exemplo de inventor, o descobridor de uma arte não é o melhor
juiz para avaliar o bem ou o dano que ela causará naqueles que a pratiquem.
Portanto, você, que é pai da escrita, por afeição ao seu rebento, atribui-lhe o
oposto de sua verdadeira função. Aqueles que a adquirem vão parar de
exercitar a memória e se tornarão esquecidos; confiarão na escrita para trazer
coisas à sua lembrança por sinais externos, em vez de fazê-lo por meio de
seus recursos internos. O que você descobriu é a receita para a recordação,
não para a memória..." (Platão). 98

Para Thamus a escrita se apresentava como perigosa, pois poderia diminuir os


poderes da mente, patrocinando aos homens um arremedo de memória, uma memória
cristalizada. Como se pensando na mente em exercício e olhando para uma superfície escrita o
faraó dissesse: "isto vai matar aquilo".

Esta realidade nos obriga a refletir seriamente sobre estas alterações históricas, pois a
primeira e a segunda mudança tecnológica ocasionaram substanciais transtornos estruturais no
modelo de desenvolvimento e, muitos anos após esses períodos, alguns transtornos não foram
superados. Para que possamos construir um ambiente onde haja reflexão, a partir da
observação e da análise cuidadosa , é essencial a troca de opiniões sobre o que se está
estudando, tratando das origens, fatos históricos e entendimento da evolução. Se quisermos
alcançar um bom desempenho precisamos desde cedo ensinar o “porque”, “como”, “quando”,
aos nossos alunos para que eles tenham condições de falar com segurança do que está sendo
trabalhado em sala de aula.

Se a tecnologia está em nossos dias é bom que a integremos ao conhecimento, não


pensando nas máquinas planejadas, mas como elas são operadas e por quem. As máquinas, as
chamadas de burocráticas, embora a maioria das organizações seja até certo ponto
burocratizada, devido à maneira mercantilista de pensamentos que delineou os mais
fundamentos conceitos de tudo aquilo que sejam organizações de mídia.

Conseqüentemente a tendência é que a máquina venha para favorecer os trabalhos do


homem. Entretanto, a cada nova tecnologia de escrita nossa forma de pensar e ver o mundo
sofre, grosso modo, uma séria influência, pois o ambiente criado por cada nova maneira de
escrever patrocina novas formas de leitura e torna outras menos operantes, mudando a maneira
como entendemos o conhecimento e alterando hábitos de pensamento profundamente
enraizados.

No caso do computador temos outra forma de pensar mais telegráfica e modular, não
linear e maleável, que torna menos nítido os limites entre o pensar e o escrever, já que através
dos processadores o ato mecânico de digitar um texto tende a acompanhar a criação e a
elaboração deste mesmo texto acrescentando, interrompendo ou eliminando frases num ritmo 99
muito próximo ao ritmo do ato de pensar.

O processamento eletrônico de texto, segundo Landow, representa a mudança mais


importante na tecnologia da informação desde o desenvolvimento do livro impresso. Carrega a
promessa ou a ameaça de produzir mudanças em nossa cultura, tão radicais como aquelas
produzidas pelos tipos móveis de Gutenberg (Landow, 1995, pág. 32).

O temor em relação ao novo faz parte da história do homem, pois o surgimento de


qualquer dispositivo tecnológico tende a ameaçar de destruição e desuso competências
adquiridas, descobertas anteriores ou objetos existentes a que são atribuídos valores sagrados e
insubstituíveis e, sob tal prisma, a preocupação do faraó em relação à escrita, conforme o
ensinamento de Sócrates ao seu discípulo parece compreensível.

Para Bolter (1991), o computador oferece um


meio para se escrever que ele denomina "espaço de
escrita", em que se situam a tela, onde o texto se
desenrola e a memória onde ele é estocado. Este meio,
eletronicamente acionado, se caracteriza, sobretudo,
pela fluidez e flexibilidade envolvendo também uma
relação de interação entre quem escreve e quem lê.
Voltados em cada disciplina científica sabemos
que ela possui uma consciência de si própria,
determinada em cada etapa da sua evolução. Esta consciência de si não é forçosamente
explícita. Paradoxalmente, é mesmo quase sempre inconsciente. De fato o que chamamos
“consciência de si” “de uma ciência” não deve ser confundido nem com as elaborações teóricas
que produzem nem com os pressupostos ideológicos que a acompanham.
“pensamos... que para merecer o nome de tecnologia os modelos
devem satisfazer quatro condições:

Em primeiro lugar uma tecnologia com a estrutura que oferece um


sistema consistente, tais como modificação de pensamentos. O
segundo lugar todos os modelos pertencentes a um grupo de
transformação, onde cada pertença ao mesmo objetivo. O 100
terceiro, propriedades indicadas às modificações e elementos. E
por fim deve ser construído o funcionamento dos fenômenos para
exercício do aprendiz.”

Refletindo diante da pedagogia, enquanto


ciência específica da educação vem, cada vez mais,
perdendo sua dimensão de ciência e sua importância
nos procedimentos de sala de aula. Hoje, qualquer
corrente da ciência propõe-se a emitir opiniões sobre
questões específicas da prática pedagógica. No
processo de facilitação da aquisição do conhecimento é
básico o manejo adequado da forma e/ou dos
procedimentos utilizados na transformação do saber. É
necessário ter clareza sobre o contexto teórico do qual partimos, já que, no mundo moderno, os
educadores, de uma forma geral, vêm brincando com o processo ensino-aprendizagem, usando
técnicas de forma errada ou mal compreendidas. Assim, um professor de matemática, que teve
toda sua formação voltada para a ciência matemática, coloca-se na posição de profundo
conhecedor de técnicas de transmissão de conhecimentos, sem se preocupar com a verdadeira
função de fazer com que os alunos aprendam. Citamos a matemática como exemplo, mas outros
campos da ciência poderiam servir como modelo. O professor deixou de ser somente aquele que
se preocupava com o exercício de amanhã, o próprio sistema educativo exige do professor
estudos, qualificações, especializações e a prática diária em aprender. Se hoje ele não for capaz
de dominar a máquina então está mais do que óbvio que a máquina o dominara. No entanto,
notamos que o seu interesse passou a ser a força que comanda o processo da aprendizagem,
suas experiências e descobertas, motor de seu progresso, e o professor, um gerador de
situações estimuladoras e eficazes. É nesse contexto que o espaço das ferramentas idéias para
aprendizagem, na medida em que propõe estímulo ao interesse do aluno que, como todo
pequeno animal, adora novidades e joga com os principais desenhos que lhe chamam a
atenção, construindo sozinhos níveis de diferentes descobertas enriquecendo sua personalidade
e simbolizando um instrumento pedagógico, que leva ao professor a condição de condutor,
estimulador e avaliador da aprendizagem. O ser humano é mesmo gerador de sonhos,
idealizador de projetos e criador do seu próprio futuro. Os modelos de análise oferecem a
101
oportunidade de olharmos a tecnologia da perspectiva estratégica quer tecnosocial, que
considera a tecnologia como uma intencionalidade humana e não como uma realidade externa e
estranha, quer sócioconstrucionista que observa a interação com a tecnologia nas suas
conseqüências no âmbito da partilha de informação e da construção monitorizada de saberes.
Vejamos o que o autor Silvandro Bin diz sobre a tecnologia e o que nos faz refletir.

Tecnologia: Um Bem Valioso para a Humanidade

Silvandro Bin

A tecnologia é de grande benefício para a sociedade de hoje, pois está gerando


milhares de empregos em todo o mundo, tanto diretos quanto indiretos em variadas áreas:
vendas, manutenção, fornecimento e transporte. Grande parte da humanidade já desfruta dos
benefícios da tecnologia, usada, por exemplo, em comunicação, diversão e até para a própria
segurança. Também é uma grande fonte de renda, com pessoas sendo empregadas, com
ótimos salários, na área de programação. Além disso, crianças se divertem com celulares que
são praticamente multifuncionais, contendo câmeras digitais e sons no formato MP3.

São divertidos e ainda servem como localizadores: os pais podem encontrar seus filhos
com um simples toque. Muitas empresas usam essa tecnologia para sua segurança, colocando
aparelhos que utilizam a biometria humana – impressões digitais, íris, mãos e face – diminuindo
e combatendo o crime em grandes centros comerciais. Com um aparelho desses em mãos é
possível trazer benefícios para a empresa e para a família. Afinal, a tecnologia em nossas casas
facilita nosso dia-a-dia, ampliando a segurança e proporcionando conforto e tranqüilidade.
A tecnologia, enfim, está evoluindo e trazendo aos seres humanos um futuro repleto de
vantagens, com o uso cada vez maior de aparelhos eletrônicos inteligentes. Isso tende a facilitar
ainda mais as nossas vidas, desde que saibamos utilizar com cuidado e consciência. O que nos
interessa, afinal, enquanto pensadores acerca da tecnologia e do seu papel na escola, é a
possibilidade de estarmos equivocados, ou não, acerca do modo como a mesma é proposta, que
são implementados e como isso proporciona ao aluno novos modos de aprender, entender e de
102
desencadear autonomamente meios próprios de se relacionar com o mundo.

A esse futuro encontramos hoje na educação a comunicação globalizada. Mas a que


se deve essa comunicação se temos a comunicação verbal e escrita desde os tempos
primórdios? Buscamos conhecer limites, ou ultrapassamos o limite e provamos que somos
capazes? Eu costumo definir o homem como o “X”, ideal flexível, real sonhador, concretizador e
formalizador, ou formalizador e concretizador de seus próprios projetos e estudos científico para
o exercício da “prática”?

Entretanto, precisamos conhecer o quanto é importante sabermos que no mundo


globalizado, e cada vez mais competitivo, é essencial que as pessoas pertencentes à população
economicamente ativa, dominem as funções básicas de informática, tendo em vista que a
expansão de setores da economia como o terciário, fez aumentar o uso de computadores, por
isso não podemos mais ignorar a presença dessa ferramenta tão útil em nosso dia-a-dia.

Portanto, com a necessidade de criar ferramentas que facilitassem o seu trabalho


diário, o homem passou a aprimorar cada vez mais os computadores, pois a sua utilização não
apenas poupa tempo e dinheiro, mas também permite a possibilidade de um controle cada vez
melhor de estoques, informações, serviços etc. Há muitas formas de compreender a tecnologia.
Neste artigo a tecnologia é concebida, de maneira ampla, como qualquer artefato, método ou
técnica criado pelo homem para tornar seu trabalho mais leve, sua locomoção e sua
comunicação mais fáceis, ou simplesmente sua vida mais agradável e divertida.

A tecnologia, neste sentido, não é algo novo – na verdade, é quase tão velho quanto o
próprio homem, visto como homo creator. As tecnologias inventadas pelo homem são relevantes
para a educação. Algumas apenas estendem sua força física, seus músculos. Outras apenas lhe
permitem mover-se pelo espaço mais rapidamente e/ou com menor esforço. Nenhuma dessas
tecnologias é altamente relevante para a educação. O mesmo é verdade das tecnologias que
estendem a sua capacidade de se comunicar com outras pessoas.

Mas, acima de tudo, isto é verdade das tecnologias, disponíveis hoje, que aumentam
os seus poderes intelectuais: sua capacidade de adquirir, organizar, armazenar, analisar,
relacionar, integrar, aplicar e transmitir informação. As tecnologias que grandemente amplificam 103

os poderes sensoriais do homem (como o telescópio, o microscópio, e todos os outros


instrumentos que amplificam os órgãos dos sentidos humanos) são relativamente recentes e
foram elas que, em grande medida, tornaram possível a ciência moderna, experimental. O que
leva uma criança a brincar? O que leva uma criança a querer comunicar-se através de uma
máquina?

Entretanto, a cada nova tecnologia de escrita nossa forma de pensar e ver o mundo
sofre, grosso modo, uma séria influência, pois o ambiente criado por cada nova maneira de
escrever patrocina novas formas de leitura e torna outras menos operantes, mudando a maneira
como entendemos o conhecimento e alterando hábitos de pensamento profundamente
enraizados.

No caso do computador temos outra forma de pensar, mais telegráfica e modular, não
linear e maleável, que torna menos nítidos os limites entre o pensar e o escrever, já que através
dos processadores o ato mecânico de digitar um texto tende a acompanhar a criação e a
elaboração deste mesmo texto acrescentando, interrompendo ou eliminando, frases num ritmo
muito próximo ao ritmo do ato de pensar. O processamento eletrônico de texto, segundo
Landow, representa a mudança mais importante na tecnologia da informação desde o
desenvolvimento do livro impresso. Carrega a promessa ou a ameaça de produzir mudanças em
nossa cultura tão radicais como aquelas produzidas pelos tipos móveis de Gutenberg (Landow,
1995, pág. 32).

Para Bolter (1991), o computador oferece um meio para se escrever que ele denomina
"espaço de escrita", em que se situam a tela, onde o texto se desenrola e a memória onde ele é
estocado. Este meio, eletronicamente acionado, se caracteriza, sobretudo, pela fluidez e
flexibilidade, envolvendo também uma relação de interação entre quem escreve e quem lê.

Sabemos que o interesse é muito grande até nos menos favorecidos, que já
despertam um grande interesse em conhecer.

E próprio do ser humano o prazer pelo novo. Toda criança vive uma vida agitada e um
intenso progresso do desenvolvimento corporal e mental. Nesse desenvolvimento se expressa a 104
própria natureza da evolução, e esta exige, a cada instante, a nova função, a exploração de uma
nova habilidade. Segundo Peter Drucker em seu livro: Novas Realidades, ele afirma que:
estamos vivendo numa Segunda Renascença. A primeira Renascença revolucionou a educação
e, através da educação, revolucionou o mundo. E a força motriz da primeira Renascença foi uma
tecnologia educacional, o livro impresso, tornado possível pela imprensa de tipo móvel inventada
por Guttenberg em 1450.

Antes de existirem livros em grande quantidade, se alguém quisesse aprender algo,


tinha que achar alguém que o soubesse e se locomover até ele, para que ele lho ensinasse. Se
quisesse aprender Teologia, tinha que ir até Paris, para que Tomás de Aquino lhe ensinasse
teologia. Com o livro, as pessoas passaram a poder aprender com outras pessoas, distantes no
espaço e no tempo. Depois do livro, não houve mais necessidade de que as pessoas
aprendessem apenas quando quem ensinasse estivesse presente e disposto a ensiná-las: elas
passaram a poder aprender por si próprias, com o auxílio de uma boa biblioteca. Hoje os livros
fazem de tal forma parte de nossa educação que não saberíamos ensinar e aprender sem eles.

Mas o livro mudou não só a educação. Sem a imprensa provavelmente não teria
havido a eclosão da Reforma Protestante, o surgimento da Ciência Moderna, o fortalecimento
das diferentes línguas, e, conseqüentemente, o florescimento das culturas regionais e nacionais
e o aparecimento dos Estados modernos. A Segunda Renascença, em que fala Drucker, tem
sua força motriz em outra tecnologia educacional: o computador. O computador, que nasceu
como tecnologia bélica, e se popularizou como tecnologia industrial e comercial, é hoje,
eminentemente, meio de comunicação e tecnologia educacional.

Os dois últimos séculos viram os aparecimentos de várias novas tecnologias de


comunicação: o correio moderno, o telégrafo, o telefone, a fotografia, o cinema, o rádio, a
televisão e o vídeo. As tecnologias que aumentam os poderes intelectuais do homem, e que
estão centradas no computador digital, são mais recentes, tendo sido desenvolvidas em grande
parte depois de 1940. O computador vem gradativamente absorvendo as tecnologias de
comunicação, à medida que estas se digitalizam.

Tecnologia na Educação é a expressão normalmente empregada para se referir ao uso


da tecnologia, no sentido visto, na educação. Não há porque negar, entretanto, que, hoje em dia, 105

quando a expressão “Tecnologia na Educação” é empregada, dificilmente se pensa em giz e


quadro-negro ou mesmo de livros e revistas, muito menos em entidades abstratas como
currículos e programas. Normalmente, quando se usa a expressão, a atenção se concentra no
computador, que se tornou o ponto de convergência de todas as tecnologias mais recentes (e de
algumas antigas).

E especialmente depois do enorme sucesso comercial da Internet, computadores


raramente são vistos como máquinas isoladas, sendo sempre imaginados em rede – a rede, na
realidade, se tornando o computador. Lembrar aos educadores o fato de que a fala humana, a
escrita, e, conseqüentemente, aulas, livros e revistas, para não mencionar currículos e
programas, são tecnologia, e que, portanto, educadores vêm usando tecnologia na educação há
muito tempo. A expressão preferível parece sugerir que há algo intrinsecamente educacional
nas tecnologias envolvidas, o que não parece ser o caso. A expressão deixa aberta a
possibilidade de que tecnologias que tenham sido inventadas para finalidades totalmente alheias
à educação, como é o caso do computador, possam, eventualmente, ficar tão ligadas a ela que
se torna difícil imaginar como a educação era possível sem elas.

A fala humana (conceitual), a escrita, e, mais recentemente, o livro impresso, também


foram inventados, provavelmente, com propósitos menos nobres do que a educação em vista.
Hoje, porém, a educação é quase inconcebível sem essas tecnologias. O computador se tornou
meio de comunicação ao se infiltrar, subversivamente, nos meios de comunicação tradicionais,
provocando a digitalização dos conteúdos por eles veiculados. Digitalizaram-se os meios de
comunicação impressos: hoje livros, revistas, e jornais estão disponíveis na Internet, e, não
importando onde estejam fisicamente armazenados, é possível aceder a eles instantaneamente
de virtualmente qualquer parte do planeta. O som se digitalizou, e a popularização do som digital
disponível em CDs e a universalização da Internet estão fazendo das rádios tradicionais
emissoras globais.

A fotografia digital já está aqui, e o vídeo-fone e a televisão digital estão às portas. Nos
países mais avançados já se trocam mais mensagens eletrônicas do que cartas pelo correio
convencional. Até a telefonia tradicional está ameaçada pelo "Internet Phone". É a revolução nos
meios de comunicação. Cinco anos atrás ninguém sabia o que era multimídia: hoje todo mundo 106

sabe que multimídia tem que haver com a comunicação, mesmo à distância, usando textos,
gráficos, desenhos, sons, imagens estáticas e dinâmicas, tudo isso num ambiente de
interatividade.

Para entendermos como a escola educa, vejamos o cotidiano de um processo


educativo. O aparecimento da escola, como um momento do cotidiano, está ligado à progressiva
divisão social do trabalho. A humanidade está passando por um período de grande expansão do
conhecimento científico. Isto se deve, em parte, a facilidade de acesso à informação gerada pelo
desenvolvimento dos Sistemas Computacionais e de Telecomunicações. Na medida em que a
convivência social se tornou mais complexa, o cotidiano compartilhou-se em momentos
específicos. Cada um deles como um sistema autônomo com sua lógica e regras próprias. No
entanto, estamos começando a falar nas grandes mudanças deste século, sua cultura, e ciência
tecnológica.

As expectativas, de perplexidade das concepções e paradigmas não são apenas


reflexões do novo milênio o imaginário parece ter um peso maior. O fascínio nas pessoas cria
um momento novo e rico de possibilidades na aprendizagem e didáticas inovadas. Visto que,
não se pode falar do futuro da educação sem observar a suas atuais teorias e práticas. A
perplexidade e a crise de paradigmas não podem se constituir num álibi para o imobilismo.
Quando julgamos "História da Humanidade", na primeira metade do século XX, lembramos do
início dos anos 50, que se se dizia haver uma alternativa, chegamos ao final do século com o
enfraquecimento da ética socialista.

Qual o papel da educação neste novo contexto político? Qual é o papel da educação
na era da informação? Que perspectivas podem apontar para a educação nesse início do
Terceiro Milênio? Para onde vamos? Uma perspectiva é falar de esperança no futuro. Os
educadores estão perplexos diante das rápidas mudanças na sociedade, na tecnologia e na
economia, perguntam-se sobre o futuro de sua profissão, alguns com medo de perdê-la sem
saber o que devem fazer.

A máquina que conduz os avanços tecnológicos parece dominar também o


pensamento educacional. Fala-se muito hoje em "cenários" possíveis para a educação, portanto, 107

em "panoramas", representação de "paisagens". Para se desenhar uma perspectiva é preciso


"distanciamento". É sempre um "ponto de vista". São os anseios que podem ser captados,
capturados, sistematizados e colocados em evidência diante do novo.

“O balanço sobre as práticas e teorias que atravessaram os tempos atuais da


educação” é também o modo de falar, discutir, identificar o presente no campo das idéias de
valores e práticas educacionais. Algumas perspectivas teóricas que orientaram muitas práticas
poderão desaparecer, e outras permanecerão em sua essência. Quais teorias e práticas
educacionais criaram raízes, atravessaram o milênio e estão presentes hoje? Para entender o
futuro é preciso voltar no passado. A educação atual pode ser destacada como marca
persistente do futuro.

Quando voltamos a analisar a educação tradicional lá na Idade Antiga, notamos que


resiste até o momento presente. Rousseau surge com a educação nova, no campo das ciências
da educação e das metodologias de ensino. A educação tradicional e a nova têm em comum a
concepção da educação como processo de desenvolvimento individual. Todavia, o traço mais
original da educação desse século é o deslocamento de enfoque do individual para o social, para
o político e para o ideológico. A pedagogia institucional é um exemplo disso.

A educação, no século XX, tornou-se permanente e social. É verdade, existem ainda


muitos desníveis geograficamente, a globalização difunde entre educar, e a educação vai se
estendendo em diversos seguimentos. As novas tecnologias, centradas na comunicação do
conhecimento, na maioria a aprendizagem baseada na Internet, parece ser a grande novidade
educacional. Ela opera com a linguagem escrita da cultura atual impregnada em uma nova
linguagem, televisiva e informatizada.
Entretanto, a cultura que ora representa talvez seja o maior obstáculo ao uso intensivo
em particular a educação com base na Internet. Sabemos que os nossos jovens estão nascendo
numa cultura digital. Ninguém espera que a família ou o clube ensine (álgebra, química), não se
espera que a escola dê orientação considerada da família. Essa difícil cartesiana ou funcionalista
dos processos pedagógicos tampouco contempla o entrelaçamento das esferas, pois a família
nem sempre se integra na função de complementaridade escolar.
108

Os sistemas educacionais são avaliados pelos impactos da comunicação audiovisual e


da informática, seja para informar, seja para bitolar ou controlar as mentes. Ainda trabalha-se
muito com recursos tradicionais que não têm apelo para as crianças e jovens. O processo
educacional abarca numa concepção totalizante de quatro dimensões: transmissão do
patrimônio cultural, despertar das potencialidades espirituais, e a capacidade de modificar a
realidade. Hoje a escola restringe-se à primeira dimensão. Acesso ao saber significa dizer que a
informatização da educação sustenta os profundos métodos de ensino para reservar ao cérebro
humano o que lhe é peculiar, a capacidade de pensar, em vez de desenvolver a memória.

Para ele, a função da escola será, cada vez mais, a de ensinar a pensar criticamente.
Para isso é preciso dominar mais metodologias e linguagens, inclusive a linguagem eletrônica. O
processo de domesticação intelectual vem conferir os livros didáticos que vem com um roteiro
pronto como se fossem universais, neutras, sem implicações ideológicas. Aí a perplexidade
quando resposta do educando não coincide com a linguagem da tecnologia, e essa
aprendizagem vem sendo reproduzida não sabe entender.

No processo de conquista/consolidação de hegemonia do projeto liberal, os meios de


comunicação de massa desempenham papel fundamental. Nós temos no Brasil, a exemplo de
outros países, a importância da tecnologia em diversos seguimentos. Sabemos que ela cria,
planeja realiza e precisa de capacitados e aptos às mudanças, visto que são criações inovadoras
do próprio homem.

Podemos citar a Internet como a principal fonte de informações, fruto destas novas
tecnologias, você deve estar se perguntando: Como assim? Internet? É mesmo sem fazer muito
barulho publicitário, o Brasil inicia, no final deste ano, as suas transmissões em TV Digital, com a
promessa de fazer uma verdadeira revolução na área de inclusão social em nosso país. Poderia
até parecer uma promessa enganosa, mas não é. O Governo federal, depois de muitas
discussões envolvendo profissionais de diversas áreas, incluindo estudiosos cearenses, bateu o
martelo e definiu - através do decreto 5.820, de 29 de junho de 2006 - que o modelo japonês de
TV digital (ISDB-T) será o adotado em todo o território brasileiro (dados da TVE programa FGF
TV de 12 de agosto 2007).
109

Um modelo que possibilita muito mais do que uma imagem limpa, definida e com muita
qualidade. A nossa TV Digital - também não podendo fugir à regra do clássico "jeitinho brasileiro
de fazer as coisas" - terá um ingrediente a mais, a interatividade. Isso permitirá comunicação
entre telespectador e emissora, em via de mão dupla. Com essa nova tecnologia, todos os lares
que têm uma TV, terão, também, acesso gratuito à Internet. De início, teremos mais canais à
nossa disposição, programação mais interativa e, claro, tudo isso sob o comando do bom, e
quase já velho conhecido nosso, controle remoto. Acesso a serviços como banco, grandes redes
de lojas, fazer cursos à distância e navegar.

A mudança de sintonia será mais intensa diante dos novos canais e produtos
oferecidos. As grandes redes de televisão terão que repensar a sua grade de programação,
oferecendo a todos nós, telespectadores, não apenas novelas, filmes, telejornais, programas de
auditórios e enlatados. Será preciso uma programação com mais qualidade, pois, neste novo
universo, a TV Digital torna-se um atentado à lealdade. No último degrau da "Teoria da Evolução
Tecnológica", se é que tenho autorização para compor a alcunha variante, o cidadão não é fiel.

As tentações são muitas. E são boas. Então, que a inclusão digital tão prometida pelo
Governo federal possa diminuir esse vergonhoso índice, através do acesso de milhões de
crianças e adultos a uma sala de aula, que, neste caso, será a sala de casa (interligada ao
mundo inteiro). Esse será um processo de evolução que começará timidamente, pois não será
tão simples fazer com que os tradicionais usuários de TV mudem o seu comportamento diante
da telinha, navegando por universos nunca imaginados pela gente simples deste Brasil de
excluídos.

Quando vejo que os meios de comunicação coerentes com a função ideológica, abrem
grandes espaços para falar, debater que seria indispensável para a problematização da
questão e o posicionamento crítico da população. A educação se insere nas regras do mercado,
dá-se um processo em que os setores mais adaptados e integrados sobrevivem à crise
abandona os demais a sua própria sorte. Entre as novas teorias surgidas nesses últimos anos,
despertaram interesse dos educadores. Nesta perspectiva, podem-se incluir as reflexões de
Edgar Morin, que critica a razão produtivista e a racionalização modernas, propondo uma lógica
110
do vivente. Esses paradigmas sustentam um princípio unificador do saber, do conhecimento, em
torno do ser humano, valorizando o seu cotidiano, o seu vivido, o pessoal, a singularidade, o
entorno, o acaso e outras categorias como: decisão, projeto, ruído, ambigüidade, escolha,
síntese, vínculo e totalidade. Mais do que a ideologia, seria a utopia que teria essa força para
resgatar a totalidade do real, totalidade perdida.

O imaginário e a utopia são os grandes fatores da sociedade, e recusam uma ordem


que aniquila o desejo, a paixão, o olhar e a escuta. Os enfoques clássicos, segundo eles,
banalizam essas dimensões da vida e o sistema, em que tudo é função ou efeito das
superestruturas sócio-econômicas, lingüísticas e psíquicas. Existem tantos mundos quanto
nossa capacidade de imaginar. Na verdade, essas categorias não são novas na teoria da
educação, mas hoje são lidas e analisadas com mais simpatia do que no passado.
Evidentemente, nem todos esses autores aceitariam enquadrar-se nos paradigmas e
classificações das tipologias, no campo das idéias, reducionistas. Não se podem negar as
divergências existentes entre eles.

Contudo, as categorias apontadas anteriormente indicam um sinal dos tempos, uma


direção do futuroginalmente no trabalho de Paulo Freire nos anos 60, encontrava na consciência,
que eles chamam de pedagogia da unidade. A prática e a reflexão sobre a prática levaram a
incorporar outra categoria não menos importante: a da organização. Afinal, não basta estar
consciente, é preciso organizar-se para poder transformar. Nos últimos anos, os educadores que
permaneceram fiéis aos princípios da educação popular atuaram principalmente em duas
direções: educação pública popular/educação popular comunitária/educação ambiental ou
sustentável.

Nos regimes autoritários da América Latina, a educação popular manteve sua unidade,
combatendo as ditaduras e apresentando projetos "alternativos". Com as conquistas
democráticas, ocorreu com a educação popular uma grande fragmentação em dois sentidos: de
um lado ela ganhou uma nova vitalidade e do outro, continuou como educação não-formal.
Perdeu a diversidade e conseguiu atravessar numerosas fronteiras. As práticas de educação
popular também se constituem em mecanismos de democratização, em que se refletem os
valores de solidariedade e de reciprocidade e novas formas alternativas de produção e de
111
consumo, sobretudo as práticas de educação popular comunitária, muitas delas voluntárias.

Como a noção de aprender a partir do conhecimento do sujeito, a noção de ensinar a


partir de palavras e temas geradores, a educação como ato de conhecimento e de
transformação social e a politicidade da educação são apenas alguns dos legados da educação
popular à pedagogia crítica universal. Se pensarmos no quanto a tecnologia modifica a maneira
de pesar de nossas crianças, procuraríamos mais acompanhá-las orientando-as sobre a
importância de ouvir e saber separar veja o texto de Eugenio Bucci, Veja 21/5/97 quando ele diz:

“No mundo contemporâneo, imagens são criadas e divulgadas pela mídia graças à
tecnologia; tudo vem sendo reduzido à imagem, ao espetáculo, num processo que afeta
fortemente nossa vida e culmina na produção de realidades virtuais. Levando em conta os
trechos abaixo, escreva um texto dissertativo no qual você discutirá a seguinte questão:
Supervalorizar a imagem é desvalorizar o homem? Faz poucos anos, num debate sobre o poder
da televisão, numa biblioteca pública da periferia paulistana, um homem da platéia pediu a
palavra para dar o seu depoimento. Contou que sua filha, de 5 anos de idade, depois de ser
repreendida pela mãe, reagiu gritando: "Não sou mais sua filha.

Agora eu sou filha da Xuxa”. A mãe de verdade, "demitida" assim de repente, ficou
sem reação.(...) O cotidiano infantil de nossos dias já não é demarcado apenas por coisas
corpóreas, como o estilingue, a bola de futebol, a mãe ou o pai. Em grandes extensões, ele é
dado por objetos imaginários, como os cavaleiros do zodíaco, os filmes policiais e até mesmo a
Xuxa, que, na imaginação daquela telespectadora tão pequena, tinha assumido o lugar da mãe”.

Neste começo de um novo milênio, a educação apresenta-se numa dupla


encruzilhada: de um lado, o desempenho do sistema escolar não tem dado conta da
universalização da educação básica de qualidade; de outro, as novas matrizes teóricas não
apresentam ainda a consistência global necessária para indicar caminhos realmente seguros
numa época de profundas e rápidas transformações. Essa é uma das preocupações do Instituto.

Paulo Freire, buscando, consolidar o seu "Projeto da Escola Cidadã", como resposta à
crise de paradigmas. A concepção teórica e as práticas desenvolvidas a partir do conceito de 112

Escola Cidadã podem constituir-se numa alternativa viável, de um lado, ao projeto neoliberal de
educação, amplamente hegemônico, baseado na ética do mercado, e, de outro lado, à teoria e à
prática de uma educação burocrática. Devendo a escola estar aberta à comunidade e oferecer
um ensino que atenda às necessidades, o regimento não poderá permanecer estanque, mas
buscará acompanhar as modificações sociais.

Apesar da perspectiva que a educação contemporânea pode tomar, a educação


voltada para o futuro sempre será uma educação contestadora, superadora dos limites impostos
pelo Estado e pelo mercado, uma educação muito mais voltada para a transformação social do
que para a transmissão cultural. A pedagogia da práxis, uma pedagogia transformadora, em
suas várias manifestações, pode oferecer um referencial geral mais seguro do que as
pedagogias centradas na transmissão cultural.

Estamos numa era definida como era do conhecimento, pela importância dada hoje ao
saber, em todos os setores, pode-se dizer que se vive mesmo na era do conhecimento. Na
sociedade da informação ou do conhecimento, pode ser que, de fato, já se tenha ocorrido o
fenômeno de ingresso na era do conhecimento, mesmo admitindo que grande número da
população esteja excluído deste processo.

O que se constata é a predominância da difusão de dados e informações e não de


conhecimentos, graças às novas tecnologias que estocam o conhecimento, de forma prática e
acessível, em volumes de informações, armazenadas inteligentemente, permitindo a pesquisa e
o acesso de maneira amigável, simples, e flexível. As novas tecnologias permitem acessar
conhecimentos transmitidos não apenas por palavras, exemplo disso, é a Internet, rede
internacional de informação.
A Internet permite que a partir de qualquer sala de aula do planeta, possamos acessar
inúmeras bibliotecas, como imagens, sons, fotos, vídeos (hipermídia) em muitas partes do
mundo. A informação deixou de ser nos últimos anos, uma área ou especialidade para e se
tornar uma dimensão de tudo, transformando profundamente a forma como a sociedade se
organiza. Podemos dizer que estamos dando andamento a uma Revolução da Informação, como
ocorreram no passado a Revolução Agrícola e a Revolução Industrial.
113

As novas tecnologias criaram novos espaços do conhecimento. Além da escola,


também a empresa, o espaço domiciliar e o espaço social tornaram-se educativos. Com o auxílio
da Internet é possível construir conhecimento, formação e aprendizagem a distância. Por outro
lado, a sociedade civil (ONGs, associações, centros de formação, faculdades, universidades,
sindicatos, igrejas, etc.) está se fortalecendo não apenas como espaço de trabalho, em muitos
casos, voluntário, mas também como espaço de difusão de conhecimentos e de formação
continuada.

São espaços potencializados pelas novas tecnologias, inovando constantemente nas


metodologias, com isso novas oportunidades parecem abrir-se para os educadores. Esses
espaços de formação permitem a democratização da informação e do saber, portanto, menos
distorção e menos manipulação, menos controle e mais liberdade. É uma questão de tempo, e
políticas públicas adequadas à difusão do conhecimento de iniciativa da sociedade.

É preciso a participação intensa e organizada da sociedade, para que o ensino seja


viabilizado, só a tecnologia não basta. O acesso à informação é um direito fundamental, um
direito primário, pois sem ele não se tem acesso aos outros direitos. Na formação continuada
necessita-se de maior integração entre os espaços sociais (domiciliar, escolar, empresarial, etc.),
visando equipar o aluno para viver melhor na sociedade do conhecimento. Segundo a previsão
de Herbert McLuhan, o planeta tornou-se a nossa sala de aula e o nosso endereço.

O ciberespaço não está em lugar nenhum, pois está em todo o lugar o tempo todo.
Estar num lugar significaria estar determinado pelo tempo (hoje, ontem, amanhã). No
ciberespaço, a informação está sempre e permanentemente presente e em renovação
constante. O ciberespaço rompeu com a idéia de tempo próprio para a aprendizagem. Não há
tempo e espaço próprios para a aprendizagem. Como ele está todo o tempo em todo lugar, o
espaço da aprendizagem é aqui em qualquer lugar e o tempo de aprender é hoje e sempre. A
sociedade da informação se traduz por redes, "teias" (Ivan Illich), "árvores do conhecimento"
(Humberto Maturana), sem hierarquias, em unidades dinâmicas e criativas. Favorece a
conectividade, o intercâmbio, consultas entre instituições e pessoas, articulação, vínculos,
interatividade e contatos.
114

A conectividade é a principal característica da Internet. O saber é o grande bem da


humanidade. Ele é fundamental para a sobrevivência de todos e, por isso, não deve ser vendido
ou comprado, mas sim disponibilizado a todos. Conhecimento não é algo que deve ser
comerciado. Esta é a função de instituições que se dedicam ao conhecimento apoiado nos
avanços tecnológicos. A educação do futuro deverá ser mais democrática, menos excludente.

Esta é nossa causa e desafio. Infelizmente, diante da falta de políticas públicas no


setor, a educação, é um bem coletivo e, por isso, não deve ser regulada pelo jogo do mercado,
nem pelos interesses políticos, mas deverá ser considerado o meio de construção de saber
fundamenta na formação profissional. Essas mudanças e novas habilidades manifestam-se,
portanto na educação das crianças desde cedo, manifestando-se de forma coletiva nos
relacionamentos e estímulos internos que a contingência exterior da criança se atrai, em jogos
de saberes coloridos, em chamas acesas para evolução. São jogos que buscam satisfazer
permitindo a necessidade imperiosa posta por seu crescimento.

O que cabe à escola que ainda anda na sobra das mudanças? A escola não poderá
ser diferente e ficar a reboque das inovações tecnológicas. Ela precisa ser um centro de
inovação. Afinal é ali que se prepara o futuro. Temos uma tradição de dar pouca importância à
educação tecnológica, a qual deveria começar já na educação infantil. Na sociedade da
informação, a escola deve servir de bússola para navegar nesse mar do conhecimento,
superando a visão utilitarista de só oferecer informações "úteis" para a competitividade, para
obter resultados. Não se pode ver as dificuldades como obstáculos, mas como o alcanço do
progresso , assim com não existe luta sem batalha , aprendizagem sem estudo, e dificuldades
sem progressos, assim é a realidade de muitas escolas que só conhecem um computador nos
livros.
A ela se deve oferecer uma formação geral na direção de uma educação integral. O
que significa servir de bússola? Significa orientar criticamente, sobretudo as crianças e jovens,
na busca de uma informação que os faça crescer e não embrutecer. O que esse conhecimento
vem fazer é transformar essa clientela, (estudantil), em integrantes da reforma para reformar o
conhecimento em exercício da prática. Aprender os conhecimentos é possuir múltiplas
oportunidades de aprendizagem: ensinar a pensar; saber comunicar-se; saber pesquisar; ter
115
raciocínio lógico; fazer sínteses e elaborações teóricas; saber organizar o seu próprio trabalho;
ter disciplina para o trabalho; ser independente e autônomo; saber articular o conhecimento com
a prática; ser aprendiz e autônomo.

O objetivo da escola é resgatar o interesse dos alunos pelos métodos inovados,


adaptados a realidade do mundo. Além do que a escola trabalha na didática do conhecimento,
ela precisa se preocupar em formar cidadão para vida. É sua auto-estima que precisa ser revista
e resgatada. Mostrando a importância, o que ele representa na educação e para a educação. O
texto de Fernando de Melo Galvão, diz o quanto o computador se tornou importante na vida de
todo mundo.

O Computador e o novo Milênio

Fernando de Melo Galvão

O computador, tecnologia que se tornou ferramenta indispensável em nossas vidas,


faz com que estejamos sempre bem informados, facilitando as tarefas em nosso trabalho e
também em nossa vida particular. Essa tecnologia, porém, traz benefícios e malefícios aos seres
humanos. Quando nos lembramos do computador, logo nos vêm à mente os benefícios que ele
proporciona: comunicação, informação, diversão, entre muitos outros. Já os malefícios que ele
pode causar aos seus usuários envolvem difusão de preconceitos, alterações na vida social –
substituindo a vida real pela virtual – e os crimes eletrônicos. A principal arma utilizada para os
crimes eletrônicos é a Internet. Através dela, muitos usuários fazem coisas que prejudicam
outras pessoas.
O computador, então, deve ser uma máquina que auxilia o ser humano. Nunca essa
máquina deve substituir o homem, pensar ou agir por ele, tomar as decisões que só a ele
competem. Afinal, o objetivo da tecnologia neste novo milênio é facilitar a vida humana, nunca
substituí-la.

Refletindo sobre o texto: seus benefícios e malefícios. Como você define a visão
do autor da realidade, na qual você está inserido? 116

Neste contexto de impregnação do conhecimento, cabe à escola: amar o


conhecimento como espaço de realização humana, de alegria e de contentamento cultural;
selecionar e rever criticamente a informação; formular hipóteses; ser criativa e inventiva (inovar);
ser provocadora de mensagens e não pura receptora; produzir, construir e reconstruir
conhecimento elaborado.

E mais: numa perspectiva emancipadora da educação, a escola tem que fazer tudo
isso em favor dos excluídos, não discriminando o pobre. Ela não pode distribuir poder, mas pode
construir e reconstruir conhecimentos, saber, que é poder. Numa perspectiva emancipadora da
educação, a tecnologia contribui muito pouco para a emancipação dos excluídos se não for
associada ao exercício da cidadania. A escola precisa ter projeto, precisa de dados, precisa
fazer sua própria inovação, planejar-se a médio e em longo prazo, fazer sua própria
reestruturação curricular, elaborar seus parâmetros curriculares, enfim, ser cidadã. As mudanças
que vêm de dentro das escolas são mais duradouras.

Da sua capacidade de inovar, registrar, sistematizar a sua prática, dependerá o seu


futuro. Nesse contexto, o educador é um mediador do conhecimento, diante do aluno que é o
sujeito da sua própria formação. Ele precisa construir conhecimento a partir do que faz e, para
isso, também precisa ser curioso, buscar sentido para o que faz e apontar novos sentidos para o
que fazer dos seus alunos. Em geral, temos a tendência de desvalorizar o que fazemos na
escola e de buscar receitas fora dela quando é ela mesma que deveria governar-se. É dever
dela ser cidadã e desenvolver na sociedade a capacidade de governar e controlar o
desenvolvimento econômico e o mercado. A cidadania precisa controlar o Estado e o mercado,
ser verdadeira alternativa ao capitalismo neoliberal e ao socialismo burocrático e autoritário.

PARA QUEM FAZEMOS?

A escola precisa dar o exemplo, ousar construir o futuro. Inovar é mais importante do
117
que reproduzir com qualidade o que existe. A matéria-prima da escola é sua visão do futuro. A
escola está desafiada a mudar a lógica da construção do conhecimento, pois a aprendizagem
agora ocupa toda a nossa vida. Diante dos falsos pregadores da palavra, dos marketeiros, eles
são os verdadeiros "amantes da sabedoria", os filósofos de que nos falava Sócrates. Eles fazem
fluir o saber (não o dado, a informação e o puro conhecimento), porque constroem sentido para a
vida das pessoas e para a humanidade e buscam, juntos, um mundo mais justo, mais produtivo
e mais saudável para todos. Por isso eles são imprescindíveis. Esses pilares podem ser tomados
também como bússola para nos orientar rumo ao futuro da educação.

Aprender a conhecer. Prazer de compreender, descobrir, construir e reconstruir o


conhecimento, curiosidade, autonomia, atenção. Inútil tentar conhecer tudo. Isso supõe uma
cultura geral, o que não prejudica o domínio de certos assuntos especializados. Aprender a
conhecer é mais do que aprender a aprender. Aprender mais linguagens e metodologias do que
conteúdos, pois estes envelhecem rapidamente. Não basta aprender a conhecer. É preciso
aprender a pensar, a pensar a realidade e não apenas "pensar pensamentos", pensar o já dito, o
já feito, reproduzir o pensamento. É preciso pensar também o novo, reinventar o pensar, pensar
e reinventar o futuro. Aprender a fazer. É indissociável do aprender a conhecer.

A substituição de certas atividades humanas por máquinas acentuou o caráter


cognitivo do fazer. O fazer deixou de ser puramente instrumental. Nesse sentido, vale mais hoje
a competência pessoal que torna a pessoa apta a enfrentar novas situações de emprego, mas
apta a trabalhar em equipe, do que a pura qualificação profissional. Hoje, o importante na
formação do trabalhador, também do trabalhador em educação, é saber trabalhar coletivamente,
ter iniciativa, gostar do risco, ter intuição, saber comunicar-se, saber resolver conflitos, ter
estabilidade emocional. Essas são, acima de tudo, qualidades humanas que se manifestam nas
relações interpessoais mantidas no trabalho.
A flexibilidade é essencial. Existem hoje perto de 11 mil funções na sociedade contra
aproximadamente 60 profissões oferecidas pelas universidades. Como as profissões evoluem
muito rapidamente, não basta preparar-se profissionalmente para um trabalho. Aprender a viver
juntos, a viver com os outros. Compreender o outro, desenvolver a percepção da
interdependência, da não-violência, administrar conflitos. Descobrir o outro, participar em
projetos comuns. Ter prazer no esforço comum. Participar de projetos de cooperação.
118

Essa é a tendência. No Brasil, como exemplo desta tendência, pode-se citar a inclusão
de temas/eixos transversais (ética, ecologia, cidadania, saúde, diversidade cultural) nos
Parâmetros Curriculares Nacionais, que exigem equipes interdisciplinares e trabalho em projetos
comuns. Aprender a ser, desenvolvimento integral da pessoa: inteligência, sensibilidade, sentido
ético e estético, responsabilidade pessoal, espiritualidade, pensamento autônomo e crítico,
imaginação, criatividade, iniciativa. Para isso não se deve negligenciar nenhuma das
potencialidades de cada indivíduo. A aprendizagem não pode ser apenas lógico-matemática e
lingüística. Precisam ser integrados.

O texto procura situar o que significa "perspectiva". Sem pretender fazer qualquer
exercício de futurologia e muito mais no sentido de estabelecer pontos para o debate, serão
apontadas aqui algumas categorias em torno da educação do futuro, que indicam o surgimento
de temas com importantes conseqüências para a educação. As categorias "contradição",
"determinação", "reprodução", "mudança", "trabalho", "práxis", "necessidade", "possibilidade"
aparecem freqüentemente na literatura pedagógica contemporânea, sinalizando já uma
perspectiva da educação, a perspectiva da pedagogia da práxis.

Essas categorias tornaram-se clássicas na explicação do fenômeno da educação,


principalmente a partir de Hegel e de Marx. A dialética constitui-se, até hoje, no paradigma mais
consistente para analisar o fenômeno da educação. Pode-se e deve-se estudá-la e estudar todas
as categorias anteriormente apontadas. Elas não podem ser negadas, pois ajudarão muito na
leitura do mundo da educação atual.

Elas não podem ser negadas ou desprezadas como categorias "ultrapassadas".


Porém, também podemos nos ocupar mais especificamente de outras, ao pensar a educação do
futuro, categorias nascidas ao mesmo tempo da prática da educação e da reflexão sobre ela. Eis
algumas delas a título de exemplo. Cidadania. O que implica também tratar do tema da
autonomia da escola, de seu projeto político-pedagógico, da questão da participação, da
educação para a cidadania. Dentro desta categoria, pode-se discutir particularmente o
significado da concepção de escola cidadã e de suas diferentes práticas. Educar para a
cidadania ativa tornou-se hoje projeto e programa de muitas escolas e de sistemas educacionais.
119
Segundo Mario Prata, (ISTOÉ, 3/9/97) ele diz que:

“Quando se fala de realidades virtuais, coloca-se em geral a ênfase sobre o caráter


fantasmático e imaterial de tais dimensões da experiência: este pressuposto é partilhado tanto
pelos apologistas da nova tecnologia virtual, que a celebram como um modo de dissolver, de
enfraquecer ou de espiritualizar a realidade, quanto pelos críticos, que a interpretam como mais
um engano, como evasão, que nos exime das responsabilidades e dos perigos do presente,
projetando-nos em um mundo evanescente e desencarnado. Tanto uns quanto os outros dão
como certo que as realidades virtuais não são realidades verdadeiras, mas sim sistemas de
representação da realidade cujo lugar pretende assumir.

Esta aspiração é vista pelos apologistas como uma espécie de liberação das angústias
e dos limites da realidade; pelos críticos como uma espécie de fuga culpada. Mas a realidade
não é algo óbvio e imóvel. Hoje a virtualidade não aumenta a dimensão da precariedade do real,
mas sim a reduz; ela faz com que o Homem”, da época da representação, passe para a da
disponibilidade: as coisas virtuais estão constantemente a nossa disposição. “Tudo é oferecido e
esta oferta de tudo é que constitui a virtualidade”.

O formalizador de projetos expõe suas descobertas, desenvolve e enriquece seus


conhecimentos em benefício do saber aprender. Mas existem dois aspectos cruciais no emprego
das tecnologias como instrumentos de uma aprendizagem significativa. E primeiro lugar
ocasional, distante de uma cuidadosa e planejada programação, e tão ineficaz quanto um único
momento de exercício aeróbico a para quem pretende ganhar a maior mobilidade física; e, em
segundo lugar, uma grande quantidade de jogos eletrônicos reunidos em um manual rigoroso
selecionado à aprendizagem que se tem em mente como meta.

A revolução certamente não vai deixar de afetar a nossa educação, pois vai alterar
drasticamente as maneiras em que aprendemos - fora e dentro da escola. Falar da tecnologia
inserida nos parâmetros educativos, não é falar de sonhos, é saber que faz parte da nossa
realidade e que a mesma precisa ser cuidada para fazer o aluno aprender e entender para
aplicar, e não deixar que ele utilize para serem transformados em robôs receptivos. É por isso 120

que cerca de 70% das pessoas que compram um microcomputador para uso doméstico o fazem
pensando na educação dos filhos.

Mesmo que não tenham uma idéia muito clara de como isso se dará, os pais estão
convictos de que o computador é, hoje, a mais importante tecnologia educacional de que podem
lançar mão, porque ele engloba todas as outras. E o computador está revolucionando não só as
maneiras em que aprendemos, mas as formas em que trabalhamos, e o modo em que nos
comunicamos uns com os outros, e até o jeito em que nos divertimos. A revolução que o
computador está causando em nossa vida será muito mais ampla e profunda do que aquela que
o livro provocou.

Olhe quando vivenciei realidades escolares que não tem acesso a essas tecnologias,
passei a acreditar que ainda levará algum tempo até que as escolas assimilem o computador às
suas rotinas de sala de aula. O rádio e o televisor, embora onipresentes, foram mantidos em
grande parte fora da sala de aula. Não podemos permitir que o mesmo se dê com o computador.
O preço será a obsoletização da escola, como instituição pedagógica, e sua eventual
transmutação em instituição de mera guarda de menores. Mas o caminho do computador para a
sala de aula passa pela familiarização do professor com ele (os alunos, nessa questão, tomam
conta de si mesmos).

Para o professor se familiarizar com o computador ele precisa usá-lo nas mais variadas
atividades, mesmo que elas não sejam de especial significado pedagógico nem voltadas para a
sala de aula. Quando os professores tiverem com o computador a intimidade que hoje têm com o
livro, descobrirão ou inventarão maneiras de inseri-lo em suas rotinas de sala de aula,
encontrarão formas de criar, em torno do computador, ambientes ricos em possibilidades de
aprendizagem que propiciarão aos alunos uma educação que os motivará tanto quanto hoje o
fazem os jogos computadorizados, os desenhos animados, os filmes de ação, e a música.

É cada vez maior o uso dos meios de comunicação com objetivos educacionais e de
integração do cidadão à sociedade. Embora possua o direito de votar, o analfabeto sente
dificuldades de integração e de exercer plenamente seus direitos de cidadão, em face de não
saber ler nem escrever. Como a escrita é um dos meios de se comunicar mais populares na era 121

moderna, a falta dela faz com que o processo de comunicação do analfabeto, por exemplo, seja
prejudicado. A reflexão se dá pelo simples fato de incluir dentro do contexto histórico uma
metodologia representativa, em sua essência de mudanças de postura em relação ao que é
ensinar, ou seja, adotá-lo um processo de construção do saber pelo que irá interferir na
aprendizagem.

Algumas técnicas ou formas de resolução de problemas aparecem, naturalmente,


durante o processo de aprendizagem, podendo destacar tentativas de erros; redução de
problemas mais simples; até os mais complexos. Podemos observar que na tentativa de corrigir,
o aluno começa a se organizar, controlando seu comportamento através da compreensão do
texto repassado em leitura compreensiva. Esta realidade nos obriga a refletir seriamente quanto
a metodologia trabalhada diante do contexto sala de aula/participação da família e integração a
sociedade.
11 MUDANÇAS EDUCACIONAIS ANTIGAS

As leis não bastam.


122
Os lírios não nascem das leis.

(Carlos Drummond de Andrade)

O conjunto de iniciativas educacionais ocorridas inaugura uma orientação


governamental para a agenda da política educacional brasileira. Esse período, definido como
tempos de explicação de rumos (VIEIRA, 2000), traz mudanças substantivas para a educação
brasileira. As principais modificações nesse setor decorrem de alterações na Constituição
Federal de 1988 através do conjunto de formas encaminhadas por legislação aprovada a partir
de 1996, a saber:

 Ementa Constitucional n◦. 14/96;


 Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional Lei N. 9.394/96 (LDB).
Como seria possível priorizar todos esses temas, a escolha do estudo recaiu sobre os
seguintes tópicos: educação infantil, ensino fundamental, educação de jovens e adultos,
educação profissionalizante e educação especial. A reflexão toma como ponto de partida a
Constituição de 1988, analisando de forma detalhada a LDB. De tal maneira, iniciamos pela
pergunta:

11.1 A constituição e a ldb tratam educação como?


A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional mantém, em muitos aspectos, o
espírito da Constituição. Em outros, todavia, traduz o projeto de reformas perseguido pelo
governo federal, sobretudo a parti de 1995.

A Constituição estabelece que a educação é um “direito de todos e dever do Estado e


da família, sendo promovida e incentivada com a colaboração da sociedade”. Aqui se introduz
uma primeira noção importante, a de que a educação é tarefa a ser compartilhada entre o 123
Estado e a Sociedade. Nessa esfera do Poder Público, este dever é uma atribuição repartida
entre as diferentes instâncias governamentais (a União, o Distrito Federal, os estados e
municípios).

A responsabilidade para a educação no âmbito da família também se concretiza


através de deveres, cabendo aos pais ou responsáveis matricular seus filhos. A esses dados
levanta-se a questão de um aspecto que pode colocar a criança ao egresso a sociedade.

A finalidade da educação é o pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o


exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.

A educação escolar é aquela disciplinada pela LDB. (Estabelece a legislação que deve
haver um vínculo entre a educação escolar, o mundo do trabalho e a pratica social (LDB),
Art.1º.), sendo esta uma importante inovação na nova Lei. Para entendermos melhor é
importante mencioná-los, uma vez que define as bases de sustentação do sistema educacional:

I. Igualdade de condições para o acesso a permanência escolar;

II. Liberdade de aprender;

III. Pluralismo de idéias, concepções pedagógicas;

IV. Respeito à liberdade.

É oportuno observar que, ao tomar como referência a Lei 5.692/71, a atual LDB
suprime os princípios políticos e filosóficos orientadores dos fins da educação, confundindo fins,
objetivos e princípios. Entretanto, comparando as leis anteriores é possível identificar três
inovações da Lei 9.394/96:

a) a igualdade de condição para o acesso e permanência escolar;


b) gestão democrática do ensino público;

c) reconhecimento de estudos e experiências obtidas pelo aluno fora da escola regular.

A educação especial é outra modalidade destacada em três artigos da LDB (Capitulo


V, Art. 58 a 60). É definida como modalidade de educação escolar, destinada aos educandos 124
portadores de necessidades especiais, oferecida preferencialmente na rede regular de ensino
sendo também ofertadas em instituições especializadas.

O fato da LDB reserva para a educação especial o reconhecimento social dos


trabalhos realizados na área ou ser fruto das lutas pelos avanços e conquistas de direitos para
as pessoas com necessidades especiais.

Reflete ainda o consenso prevalecente nos movimentos internacionais que indica a


preferência pela educação inclusiva a ser oferecida em instituições que incorporem a todos,
reconheçam as diferenças, promovam a aprendizagem e atenda as necessidades de cada um
dar à escola maior eficácia educativa.

O eixo da flexibilidade está presente na concepção da nova lei, através da presença de


dispositivo voltado para definição das grandes linhas da educação brasileira, ao lado de outro
que oferece ampla margem de atendimento às peculiaridades da Federação e à capacidade
inovadora dos sistemas. A tudo que foi falado é o começo de um entendimento do que
precisamos falar ao longo do nosso estudo. Para sabermos como a educação e comunicação
andam nos últimos dias, precisamos conhecer em primeiro lugar qual a base de sustentação que
nos dá o direito de prosseguirmos. Visto que LDB nos impulsiona para um estudo centrado na
realidade que temos, com conhecimento dos fatos encontrado na caminhada do conhecimento.

Estamos frente a frente ao surgimento da comunicação e novas tecnologias da e


informação no país (computadores, bancos de dados, vídeos, telefone, televisão, teleimpressão,
entre outros), a grande terceira Revolução Industrial provoca um grande impacto na história
moderna do Brasil. Esta realidade nos obriga a refletir seriamente sobre estas alterações
históricas, pois as mudanças tecnológicas ocasionaram substanciais transtornos estruturais no
modelo de desenvolvimento e, muitos anos após esse período, alguns transtornos não foram
superados. Da mesma forma podemos pensar que a Revolução repercutirá bruscamente sobre
os setores humanos que compõem nossa sociedade. No tocante ao ensino da comunicação,
vemos a urgente necessidade de integrar a problemática das novas tecnologias de comunicação
nos projetos escolares para desenvolvimento das disciplinas.

Não é de estranhar que em nosso meio comecem a surgir interrogações sobre a


tecnologia? Qual é a validade dessa mudança na escola? O que esses objetos tecnológicos vêm
trazer de melhoria para aprendizagem do aluno? Será que esse não vai ser somente uma forma 125
de aumentar o desinteresse escolar? Qual vai ser a participação da família e da escola em
acompanhar a criança no que ela vai assistir?

A todas essas questões fomos campo para conhecer o que realmente “ela”, a
educação, vai ser a partir de agora.

O advento das novas tecnologias não é uma questão que se reduz apenas às
inovações tecnológicas. Elas têm potencialidades suficientes para transformar toda essa prática
da comunicação.

Encontramos que não se trata apenas de um caso velho, mais de um novo método
para ser repensado, e também a nossa postura quanto ensinar/aprender, repassar o que se
aprende. O interesse de nossos alunos vem reivindicando a comunicação para alcançar um
ensino de qualidade e aprendizagem satisfatória. Sabemos que ao regressar ao sentido
etimológico e genuíno da palavra cultura para atender aos efeitos que novas tecnologias de
informação têm sobre sua identidade e soberania cultural sobre as necessidades e
possibilidades de democratização das comunicações e da sociedade. O problema das
tecnologias está em plena evidência. O que se procura no momento é tratá-lo numa perspectiva
que seja integradora, cultural e de formulação de pensamentos, retrogrado quando as inovações
chegadas e adaptadas à realidade na qual está inserida (o).

11.2 Escolas e a reprodução tecnológica


De início houve dificuldades e reações. Alguns temores iniciais, a natural reserva às
inovações, mas tudo isso foi cedendo lugar ao entusiasmo e a ânsia de aprender a conhecer o
progresso que está aí.

Ao longo do conhecimento se conhece vários casos que nos chamam a atenção como
a questão do:

126

 Professor, quanto a sua capacidade de desenvolver em seus alunos as


inovações tecnológicas comunicativas na sala de aula. Afinal, o professor é um aluno constante,
para se desempenhar bem é preciso estudar.
 O aluno quanto à adaptação das novas metodologias e didáticas abertas ao
entendimento onde deixa o aluno a liberdade de expressar-se, de criticar e levantar uma síntese
a partir do que é visto, estudado e refletido.
Em análise percebe-se casos de receio inicial dos professores em manusear uma
aparelhagem tão complexa “bem como a ocorrência de casos de alunos - já familiarizados com o
equipamento em casa - saber mais que o mestre.

Hoje tudo é diferente contamos com aulas interessantes e ativas, onde o desinteresse
e indisciplina já são trabalhados diretamente em benefício de melhor qualidade, e os temas
transversais vêm favorecendo muito para o desenvolvimento da didática e para a aprendizagem
do aluno.

É possível levantar uma aula com um tema que favoreça todas as disciplinas. Isso é
resultado do que a comunicação vem fazendo em relação ao desenvolvimento da educação e a
qualidade que vem sendo apresentada. Embora também exista o desinteresse, dispersão total e
o aumento da indisciplina. Vale salientar que a escola não faz educação sozinha, essa
comunicação tem que ser ligada diretamente com a família e a integração da escola. O dever de
casa precisa ser feito para que a escola funcione bem e vice-versa.

A política educacional é um instrumento para projetar a formação dos tipos de pessoas


de que uma sociedade necessita. Ao contrário da educação, que ajuda a pensar, a saber, do
conteúdo que vai ser passado de pessoa para pessoa para constituir e legitimar seu mundo, e
visando, com isso, assegurar a sobrevivência dos tipos de sociedade.
Isso quer dizer que a política é carregada de intenções, e são justamente as intenções
o que de comum têm todos os tipos de comunicação educacional. Aprendendo a comunicar as
intenções da educação torna-se possível saber que tipo de gente a sociedade está querendo, e
qual o projeto de ser humano que nela predomina. A comunicação educacional canaliza o
processo pedagógico, possibilitando uma ação criadora e reflexiva. A imagem que serve ao
saber e que todos envolvidos (professores/aprendizes) executem um processo em que
127
considerem um verdadeiro sucesso.

A finalidade é chamar atenção para a ideologia que constitui uma transformação por
meio da educação dos indivíduos a sociedade em algo melhor.

Todavia, ao se concretizar ao se materializarem (quando deixa de ser um rol teórico de


finalidades e passa a ser uma soma de atividades praticas) fazendo a melhoria (ou não) do
aprendizado, vai depender de como vai ser trabalhado.

11.3 Crianças especiais e a informática

Não podia deixar de falar do quanto minha me enriqueceu, quando por questão de
interesse em saber como elas se desenvolvem diante da comunicação atual e o que elas
esperam alcançar foi rico . Para falar das mudanças educacionais alcançadas com a tecnologia
não me bastava somente a teoria, precisava conhecer, vivenciar cada modalidade para sentir-me
segura em escrever sobre a inclusão destas crianças na educação renovada.

Sabemos que uma criança com deficiência (física ou psicológica) tem dificuldades
motoras que limitam sua capacidade de interagir com o mundo físico. As deficiências podem
impedir que estas crianças desenvolvam habilidades motoras que formam a base do seu
processo de aprendizagem, impedem também que elas executem atividades que podem ajudar
os educadores terapeutas a entender e avaliar a capacidade intelectual de cada criança.
Observe uma criança que tem paralisia cerebral usando um computador, pode propiciar às
crianças deficientes, especialmente as afetadas por paralisia cerebral, a oportunidade de
desenvolver atividades interessantes, desafiantes, e que com o propósito educacional superem
aos poucos seus conflitos e se trabalhe o diagnóstico apresentado.

As atividades desenvolvidas propiciam uma compreensão mais profunda da habilidade


intelectual dessas crianças, podendo oferecer-lhes a chance de adquirir conhecimento, e
sobrepujar suas deficiências intelectuais. 128

A criança com deficiência física apresenta problemática coordenação motora, que


relacionada com a presença de lesão cerebral ou lesão de partes do corpo, direta ou
indiretamente envolvidos no sistema motor. Em geral, estas crianças têm um desenvolvimento
intelectual retardado, causado pela falta de interação com o meio ambiente, ou pela lesão
cerebral, que pode afetar áreas do cérebro responsáveis por funções intelectuais específicas.

Entretanto, as deficiências motoras tornam quase que impossível uma melhor


avaliação e compreensão da capacidade intelectual destas crianças. O desenvolvimento das
atividades com elas torna-se lento pela dificuldade que têm em manipular objetos.

A falta de compreensão dos problemas tem levado muitas pessoas a adotar certos
comportamentos que tem impacto negativo do desenvolvimento intelectual destas crianças.
Observei que muitas tarefas são executadas pelos pais e professores como: as atividades
escolares, para se vestir, se alimentar, pegar um brinquedo da escolha delas e etc. A
dependência na minha maneira de avaliar, cria primeiramente o comodismo, e em segundo,
torna-se dependente e não lhe propicia a chance de desenvolver atividades que ela tem
condição de executar. Alem disso, estas atitudes são geralmente adotadas porque as pessoas
acham que as chances que estas crianças têm, para fazer e aprender coisas, são mínimas,
independentemente de qualquer programa educacional. O que não é verdade a capacidade que
elas têm é muito grande, basta que se trabalhe dentro da realidade e recursos que elas
possuem.

Assim com a adaptação dos métodos educacionais usados para crianças normais, as
crianças com deficiência física, porém exigem um novo conceito de educação seguindo a
mesma orientação. Não são métodos desenvolvidos para atender às necessidades de cada
criança. É uma mera adaptação do método de educação usado com criança “normal”. A criança
com deficiência motora exige um novo conceito de educação, comunicadores, materiais
curriculares, programas de terapia, espaço físico especializado desenvolvido para atender às
necessidades individuais.

Já uma criança com deficiência motora mostrou que o computador pode ser uma
ferramenta com a qual ela pode desenvolver o pensamento abstrato, expressar as idéias que
anteriormente eram inacessíveis, e ser, então, um elemento ativo e produtivo.

129
As atividades que as crianças com deficiência motora desenvolvem são determinadas
por elas, sendo fruto de seu próprio interesse e imaginação. A importância de suas atividades
permite transformar a passividade da criança em ação. A formalização do conhecimento intuitivo
da criança nos permite ver o processo que ela usa para desenvolver uma determinada atividade.
E possível identificar as deficiências e suas potencialidades intelectuais.

As mudanças ocorridas na educação são grandes e a cada dia esse processo inovador
vai exigindo mais do professor que repassa para o aluno, que vai ser avaliado no mercado de
trabalho.

São grandes as expectativas, melhores as buscas e satisfatórias as oportunidades.


Quando estamos inseridos na educação é nossa meta avaliar o processo que está sendo
desenvolvido e dentro dessas avaliações retirarmos o conteúdo. Afinal só existem as soluções
porque surgem os problemas. Dentro do contexto trabalhado ainda encontramos situações que
nos preocupam muito quanto à questão da inclusão nos programas educativos (falo da inclusão
participativa ativa, e não somente da quantidade).

A comunicação e educação vêm a muito favorecer subsídios escolares, embora


existam comunidades escolares que sofrem com a escassez de materiais didáticos, para que
possa ser realizada uma aula diferente.

Para que existe o ato comunicar? Segundo Luft ele diz que comunicar é:

Tornar comum. Notificar; informar. Ligar; unir. Participar; fazer saber. Transmitir
por contagio. Ter passagem comum, transmitir-se, entender-se.
Porém, dentro de sua teoria e avaliando a realidade, a imaginação e criatividade de
quem vai conduzir é o que vai identificar a qualidade do conteúdo a ser repassado e o objetivo a
ser alcançado.

Um dos ainda numerosos mistérios em relação ao ser humano diz respeito ao ato dele
ter aprendido a falar. Isso significa que não são somente os meios e comunicação (as
máquinas), que se comunicam, o homem independente do recurso que venha possuir ele faz a 130
sua comunicação com uma rapidez espantosa, se considerarmos a complexidade dos objetos
aprendidos. Pode-se objetar que alguns aprendem de forma rápida pelos meios que têm e já
outros demoram a entender o aprendizado pelas dificuldades encontradas no caminho de
formação de sua história, embora se comprove o tamanho do esforço.

O modo de conseguir na escola a eficácia obtida em casa e nas ruas é “imitar” da


forma mais próxima possível as atividades da vida, quando eles escrevem suas próprias
experiências escrevendo o sonho e vendo a realidade. O aprendizado é notado nas ações
diárias, quando o desenvolvimento escolar vem sendo realizado e acompanhado.

As tecnologias vêm mostrando a comunicação escolar cada vez mais perto da


realidade. Não se conhece o amanhã sem ter vivido hoje. Tudo isso é exemplo de como a
televisão, computador, vídeos, impressão, fax, telefone, o rádio e muitos outros podem favorecer
o aprendizado, como também pode deixar com que o receptor fuja das suas obrigações como
aluno/aprendiz e idealizador do futuro para se tornar em um veículo receptivo sem retorno.

Não acredito que os veículos de comunicação, sem o acompanhamento pedagógico,


possam fazer o aprendizado, capacitar o aluno sozinho. Tanto a família como o professor
precisam estar ligados quanto à formação do aluno. O entendimento do conteúdo e a
compreensão para criticidade cobrada do aluno é o método que resgata no aluno a
responsabilidade em dizer o que realmente ele pensa e espera ter aprendido numa didática
inovada.

A principal questão levantada quanto ao tema abordado, diz respeito aos mecanismos
da aprendizagem. A discussão e interpretação da comunicação levam a entender a evolução do
desenvolvimento educacional em todos os seguimentos determinados pelos estímulos e
informações avançadas.
Dentro dessa perspectiva, consideramos que, no início do processo, o acesso à
comunicação com os meios que favorecem a rapidez de pesquisas e interação com o mundo
parece uma estrada longa, onde se encontra várias curvas e obstáculos, embora nada que não
possa ser entendido e trabalhado em suas diversas variedades e evoluções.

Essas evoluções tecnológicas modernas trouxeram várias consequências à educação,


onde impregnada a linguagem dos meios de comunicação, o indivíduo que não tem acesso vive 131
isolado, num alfabetismo funcional e social. É por isso que nas comunidades mais distantes do
centro das cidades, podemos encontrar um rádio, uma televisão e até mesmo o telefone. A
comunicação visual tem uma dimensão muito grande. A comunicação de massa realmente
informa, e se não for interpretada da maneira como pode ser em benefício de sua formação
cultural, o homem passa a viver isoladamente dos grupos para um convívio normal.

A televisão, por exemplo, o poder que ela tem em levar a informação e fazer a
propaganda dos seus produtos a serem comercializados. O cuidado que já foi falado
anteriormente é quanto ao dever de casa (família).

Hoje as alternativas educacionais populares serão resultados de uma luta pela


organização do poder popular. Essa luta não dispensa, porém, a criação e a invenção de meios
educacionais, da incorporação das conquistas e técnicas da tecnologia. A informatização da
educação desperta enorme esperança de desenvolvimento da educação.

As manifestações de tal ordem, ocorridas em nível da sociedade civil, vêm revelando a


existência de uma comunicação diferenciada, a partir dos envolvimentos referidos,
principalmente aqueles gerados no seio das camadas da população ou a elas ligados. A práxis
cotidiana voltada para os interesses e as necessidades dos próprios grupos a que pertencem ou
ao participarem de organizações e movimentos comprometidos com interesses sociais mais
amplos, acabam inseridas num processo de educação informal que contribui para as culturas
populares e a formação para a cidadania.

A cidadania à qual deve servir a escola é a cidadania possível e não existente em


nossa sociedade que tem servido tão somente para delimitar privilégios e não garantir a
participação de todos. Para melhor compreendermos neste contexto, é entendermos a escola
como uma instituição social ao lado de outras, que devem contribuir para a preparação do
educando na conquista da cidadania, não só individual, mas para a coletividade. Muito já se
discutiu a respeito do núcleo central de ação da escola.

A escola nova muda o centro de interesse para a formação dos sentimentos e da


criatividade individual, de tal forma que importa mais aprender a produzir o conhecimento do que
assimilar os conhecimentos já estabelecidos. A tecnopedagogia retoma a importância dos
conteúdos acumulados pela humanidade e exacerba o uso de meios para que se desenvolva 132
uma aprendizagem eficiente. Importa-lhe o rendimento escolar de planejamentos executados e
que se tornam os mediadores entre o educando e a cultura estabelecida.

Tomemos o conhecimento como núcleo básico da ação da escola, sem privilegiar


exclusivamente o conhecimento já acumulado, nem o conhecimento que está por ser criado,
mas sim o conhecimento como instrumento básico de vivência e sobrevivência por parte do ser
humano. O exercício dos direitos, aprender é conhecer e interpretar, e não somente apreciar
cores e forma. Os processos de envolvimento das pessoas nos meios de comunicação procuram
a cada dia melhorar o crescimento qualitativo educacional nas massas populares.
12 A PRÁTICA DA EDUCAÇÃO COMUNITÁRIA NO EXERCÍCIO E FORMAÇÃO

12.1 O nosso jeito de caminhar

133

Maria Socorro Lucena Lima

Quando recordamos os nossos professores, dizemos que muitos deles “sabiam


apenas para eles mesmos”, ou seja, não conseguiram transmitir o seu conhecimento (muitas
vezes, profundo) para os alunos. Fica assim a memória de um professor que não deu certo,
mesmo com as suas melhores intenções.

Assim, percebemos que o ato de ensinar não é tão simples. Ele requer habilidades
específicas e reflexões mais amplas sobre a fazer pedagógico. O trabalho do professor está
situado exatamente na ponte que ele faz entre o conhecimento sistematizado, que a escola
oferece, e o aluno. Portanto, a prática docente de desenvolver nessa ponte que faz a mediação
entre o aluno e o saber, ensino aprendizagem.

O desempenho do professor, suas habilidades de planejar, executar e avaliar os


alunos, esta sua visão de mundo, sua história de vida, os conhecimentos que ele adquiriu
historicamente, a maneira de conceber a realidade e a educação. É uma prática tecida com o
saber científico (os conhecimentos sobre a matéria), o saber pedagógico (elementos de
formação docente), o saber da experiência (elaboradas dentro do cotidiano) e o saber político
social.

Na ação do docente, podemos assim distinguir duas visões de mundo, uma linear e
positivista que vê o mundo de maneira dicotomizada, onde o professor, isolado em sua sala de
aula, “passa os ensinamentos” de maneira supostamente neutra e os alunos que forem
“esforçados” ou “inteligentes” poderão aprender (a valorização da ciência indiferente do
condicionamento histórico social do conhecimento é muito comum nas práticas escolares ainda
hoje); e um segundo enfoque, que resgata para a educação uma visão mais abrangente.

Nessa perspectiva, a formação do docente se faz pelo trabalho de reflexão e crítica


sobre a prática, sobre a realidade, bem como pela construção permanente da identidade
134
pessoal. A partilha de saberes e a educação são importantes, porque possibilitam ao professor a
postura de eterno aprendiz.

Compreendemos que a ajuda na construção da práxis do futuro profissional do


Magistério, tendo como base a ética, a competência e ensinamentos que conduzam à reflexão é
um dos caminhos que podem ser trilhados pelos professores e as práticas pedagógicas. A
matéria-prima da atividade prática pode mudar dando lugar a diversas formas de práxis. O objeto
sobre o qual o sujeito exerce sua ação pode ser:

O fornecimento natural;
O produto anterior;
Sociedade humana e o indivíduo concreto.

No processo do trabalho as formas fundamentais para o exercício da prática é um bom


planejamento. Planejar as atividades produtivas, na relação material da transformação que o
homem estabelece mediante seu trabalho.

Mas, como o ser humano social, nas suas relações, contrai como agente da produção
o exercício de sua prática, seja em que seguimento esteja atuando a prática educativa, é que
qualifica o profissionalismo que esperamos encontrar ao longo do desenvolvimento educativo.

A caracterização da prática educativa vem mostrando condições objetivas às


atividades representadas tanto pelo objeto do trabalho como pelo meio de instrumento com que
se leva à transformação educativa.

O poder de mediação do instrumento estendeu-se e elevou-se com a introdução da


máquina até chegar à automação, com o qual o homem vive separado radicalmente do objeto de
produção em que diante das problemáticas encontradas nas realidades escolares, o professor se
vê envolvido com as mudanças tecnológicas.

A teoria da prática já traz consigo a postura dos alunos diante de uma realidade
bastante difícil. A escola atende alunos de diferentes realidades, níveis sociais, faixas etária.
135
Portanto, o aprendizado para essa realidade é urgente, e sua aplicabilidade imediata. A
experimentação do processo educativo é buscar planejar para trabalhar temas diversificados,
mas que transforme a postura do aluno disperso em atentos, para captar as inovações
educativas das práticas escolares. Uma aula que possa transformar a concepção do aluno em
interagir a aprendizagem cultural no conteúdo repassado leva o professor a qualificar a sua
atuação em sala de aula.

“Nada mais chama atenção dos alunos da sala X. De tudo já foi aplicado e o rendimento escolar
é zero”.

É muito comum ouvir essa colocação nos planejamentos educacionais, em diversas


realidades escolares. Muitas vezes a postura do aluno é o ponto principal do fracasso da
didática. E quando se desperta um olhar sobre nós, como estamos desenvolvendo? É importante
que a transparência e maneira simplificada do conteúdo sejam repassadas não para fazer do
aluno apenas um receptor, mas um sujeito ativo.

Quando a prática educativa consegue envolver os alunos como:

Oficinas pedagógicas que envolvam o aluno a criar, mostrar suas idéias dentro do
conteúdo estudado;
Seminários, método usado para fazer o aluno estudar e entender o que pode ser útil na
sua atuação prática (socialização);
Gincanas pedagógicas, a interação da turma favorece uma ligação entre a escola e o
mundo externo, enriquece a postura educativa e engrandece a didática trabalhada;
Trabalhos em grupos (comentários explicativos), a comunicação educativa trabalhada
nos grupos alcança uma dimensão satisfatória na dimensão da prática educativa.

Essas são medidas simples, mas que tem um respaldo muito grande quando se quer
atingir uma qualidade no ensino-aprendizagem dentro do compromisso da ética educativa.

O aluno é nosso maior problema e nossa vitória, um planejamento educativo elaborado 136
dentro do perfil que queremos alcançar, ele responde imediatamente, e as formas fundamentais
da práxis humana exerce um trabalho objetivo dentro das ações educativas.

As atividades práticas do homem oferecem diversas modalidades criativas, dentro das


citadas, cada uma procura inovar e adaptar dentro do seu objetivo criativo e destinados à
transformação do indivíduo e inclusive na sociedade denominada de práxis social ainda que
num sentido amplo toda prática ( inclusive aquela que tem por objetivo direto a natureza) se
revista de um caráter social já que o homem só pode levá-lo a cabo contraindo determinadas
relações sociais (relação de produção na práxis produtiva) e, além disso, porque a modificação
prática do objeto do homem se traduz a sua volta a transformação do homem como ser social.
Concretamente busca-se favorecer a ação coletiva e transformadora.

O conhecimento proporcionado pela atuação da realidade e apropriado pelo próprio


grupo de organização educativa em função da escola juntamente com o desenvolvimento do
professor. Sendo ele o mediador das didáticas é interessante que a sua ligação com os alunos
seja participativa nas reflexões teóricas dos elementos a ela pertinentes.

Para começar a prescrever o futuro da graça e transmissão do conhecimento na


extensão da prática educativa é preciso, em primeiro lugar, aperceber-se das limitações
existentes no seu passado e compreender os porquês da dependência.

Por outro lado, a compatimentalização das disciplinas contribui para a geração de


conhecimento futuro do país. Antes de iniciarmos sobre o conhecimento, e mais
especificamente sobre a ferramenta que desenvolve a educação para o exercício da formação, e
preciso que traga para o estudo do tema “didática, disciplina e aluno”, que no todo passa a ser o
maior beneficiado dos desafios enfrentados por toda comunidade.
Para definir educação será preciso, pois, considerar os sistemas educativos que
existem, ou tenham existido, compará-los e aprender deles os caracteres comuns. O conjunto
desses caracteres constituirá a definição que procuramos.

A fundamentação sobre os processos de aprendizagem poderia ser de outra maneira:


só se pode compreender adequadamente a natureza e as características de propostas de ensino
alternativas às propostas convencionais, no interior de um processo de discussão teórica sobre 137
suas razões. E a razão primeira, que justifica uma mudança radical nas práticas pedagógicas, e
o conhecimento sobre os processos de aprendizagem. Hoje sabemos como crianças, jovens e
adultos aprendem, que não temos como fugir da responsabilidade de transformar nossa forma
de ensinar comunicando.

É o conhecimento sobre os processos de aprendizagem que renova o nosso olhar e


nos faz enxergar novas possibilidades de ensinar, possibilidades que só podem ser
compreendidas se o nosso olhar estiver iluminado por outra forma de perceber as mesmas
coisas.

A maneira mais importante no recurso de formação recorrente à prática educativa e


quando se uma ponte entre os conteúdos abordados e sua decorrência na prática pedagógica.

É preciso planejar um desenvolvimento cuja forma permite ao professor conhecer suas


hipóteses, descobrir quais idéias orientam as estranhas comunicações que produzem e
oferecem boas situações de ensino e aprendizagem.

São muitas as questões que se colocam para os alunos quando eles têm que fazer e não estão
fazendo.

No período onde os alunos estão se adaptando e desenvolvem nas disciplinas


trabalhadas sejam quais forem os aspectos quantitativos e/ou qualitativos sabendo que o mais
importante é encontrar uma relação de confiança entre professor/aluno.

Com toda atividade propriamente humana a atividade prática que se manifestando


trabalho humano, na criação artística ou na práxis revolucionária, é uma atividade adequada a
objetivos, cujo cumprimento exige - como dissemos - certa atividade cognitiva. Mas o que
caracteriza atividade prática é o caráter real, objetivo, da matéria-prima sobre a qual se atua, dos
meios ou instrumentos com que se exerce a ação, e de seu resultado ou produto.
Na atividade prática o sujeito age sobre uma matéria que manipulações exigidas para
sua transformação. A transformação dessa matéria, sobretudo, no trabalho humano exige uma
série de atos que se destinam objetivar-se para contribuir para o trabalho comunicativo junto à
população que busca na prática o conhecimento de uma didática que transforme o estudo
interdisciplinar mais atrativo.

Para compreensão da problemática encontrada ao longo do estudo teórico, a 138


construção de um método que venha despertar no aluno o prazer por estar aprendendo.

No começo em que tudo era apenas uma teoria centrada na comunicação e educação,
a história repassada soava como um sonho dentro da realidade de estudo de caso no qual foi
realizado. Entretanto, para se fazer acontecer é preciso acima de tudo querer fazer, pensar em
realizar, fazer acontecer.

O contexto que abre a oportunidade canalizada nos investimentos educacionais


quando à aprendizagem possibilita satisfazer a necessidade do sonho na própria realidade.
Referimo-nos, em específico, ao método de comunicar no exercício de sua formação, conjugar
experiências e características de meios de comunicação paralelos aos avanços técnicos.

A comunicação chega como um novo meio com novas características e formas de


aplicação que o colocam dentro das expectativas de determinadas realidades escolares para o
desenvolvimento do trabalho interativo. Se as crianças aprendem brincando, isso não nos pode
fazer pensar em um mundo em que trabalho não seja condenação, e divertimento apenas o
refazer-se e amoldar-se para este trabalho?

Os jogos infantis como exercícios para a vida justa se contrapõem àquela concepção
que os vê simplesmente como exercícios para a vida adulta, injusta em muitos aspectos. Nesse
sentido, os jogos infantis são utilizados o mais cedo possível para a adequação ao existente.
Exemplar é a utilização de embalagens vazias para facilitar o processo de alfabetização: a leitura
de mundo da criança já é adestrada à localização dos produtos nas prateleiras dos
supermercados.

No meu modo de entender, apenas por formalismo poderíamos propor que a escola
deixasse de ser reprodutora e que se tornasse agenciadora de formação revolucionária. Não
seria aí que se poderia concretizar o potencial transformador da educação escolar. A melhoria de
vida, a obtenção de emprego, a aquisição de bens materiais, aspirações para as quais a escola
é importante, e são benefícios concretos.

Nesse sentido, seria na sua eficiência em consequência garantir às camadas


populares o conhecimento que favoreço sua inserção na dinâmica mais geral de mudanças que
a escola cumpriria a parte que lhe cabe nessa mudança. Em termos muitos simples seria ensinar 139
bem a ler, escrever, calcular, falar e transmitir conhecimentos básicos do mundo físico e social
que a educação escolar poderia ser útil às camadas populares.

Não como promotora de igualdade, já que a sociedade é estruturalmente desigual.


Nem como força revolucionária, já que isso vai além do seu movimento possível nessa
sociedade. Mas como estratégia de melhoria de vida e pré-requisito para a organização política.
Não podemos duvidar de que a nossa prática nos ensina. O conhecimento de muitas coisas é o
que causa nossa própria prática.

A este conhecimento ganhamos prática que pode ser compartilhada ao símbolo, mas a
comunicação não é possível até que cada participante do diálogo se reconheça numa relação
social de igualdade. Na atividade prática, o sujeito age sobre uma matéria que transforma sua
maneira de pensar e agir diante do conhecimento obtido para realização do trabalho na prática.

Visto que a teoria estudada faz com que várias metodologias didáticas sejam
trabalhadas, o que vai diferenciar e a cultura de cada um. Não temos uma fórmula própria
determinada, temos uma abertura de conhecimento e experiências vividas para o exercício do
fazer acontecer.

O homem enfrenta como um poder natural à matéria da própria natureza e põe em


ação as forças que formam sua corporeidade, os braços e as pernas, a cabeça e as mãos, para
desse modo assimilar uma forma útil para sua própria vida. Nesse sentido podemos dizer que a
atividade prática é real objetiva ou material. E assim a nosso ver podemos analisar as novas
características, novos conceitos, métodos e referenciais que qualificam a atuação dos meios de
comunicação na educação.
Interessante é que, onde os piagetianos vêem a universalidade do raciocínio lógico-
matemático, Adorno evoca o pensamento e a experiência não necessariamente limitados à
capacidade formal de pensar.

Em geral esse conceito de racionalidade (o da racionalidade ou de consciência) é


apreendido de um modo excessivamente estreito, como capacidade formal de pensar. Mas esta
constitui uma limitação da inteligência, um caso especial da inteligência, de que certamente há 140
necessidade.

Portanto da premissa de que a nossa situação atual exige frente à problemática em


que estamos inseridos e, ademais, a tecnologia não é neutra, quer se levantar a possibilidade de
entender o Universo, através dos instrumentos reais de criação humana para atualizar o próprio
homem.

Destacamos as nossas práticas com:

TV – veículo de comunicação onde as metodologias são trabalhadas com a transmissão


das imagens animadas por meio de ondas eletromagnéticas. O aluno pode desenvolver
sua percepção, raciocínio e criticidade diante do que é desenvolvido e trabalhado.
Entretanto, o raciocínio pode melhorar com os temas transmitidos envolvidos na
disciplina de forma que ele seja o autor de sua criação e formulação de hipóteses
lógicas (leitura, escrita, geografia, história).
A telecomunicação a distancia vem apresentar os méis que podem formar a história
compreendida em sala de aula. A comunicação não se resume somente ao computador que
atualmente ele comanda a atuação de todos em um som. É preciso na prática trabalhar:

Telefone – comunicação verbal;


Telefonia – sistema de telecomunicação pela transmissão da palavra falada ou sons;
Telegrafar – comunicação por telégrafo;
Telégrafo – comunicação escrita;
Telegrama – comunicação telegráfica;
Telejornal – noticiário apresentado pela televisão;
Telenovela – novela de televisão;
Telex – comunicação telegráfica bilateral.

Estes meios de comunicação criados pela tecnologia para beneficiar um conjunto de


pessoas que vivem em comum. O conhecimento prévio vem nos mostrar que só o olhar
expressivo pode transformar a imaginação em realidade. É através da observação visual que se
141
pode formular um texto, afinal a relação entre os olhos e o cérebro, é um processo que ao longo
do tempo os estudantes procuram entender a sua importância.

Há mais de cem anos se descobriu que ao ler nossos olhos não deslizam linearmente
sobre o texto ou imagem impressa, eles dão saltos em uma velocidade muito grande. É certo
que durante este processo o olhar transmite para o cérebro o conhecimento real do que foi
transmitido. Como se pode ver a comunicação se dá pelos nossos órgãos para ocultarmos em
nossos meios a tecnologia criada por nós e para nós.

A colocação acima vem mostrar uma experiência que ao longo desse trabalho pude
ver situações diversas, porém esta me chamou atenção. Certa escola visitada neste período me
chamou atenção, quando observando a disciplina sendo trabalhada onde me soava uma
metodologia fechada sem questionamentos participativos e palavras soltas, sem coerência no
que se estava trabalhando.

Aquela situação me intrigou e procurei trabalhar com a turma projetos que os fizessem
se expressar, comunicar, envolver a comunidade escolar com a comunidade onde a escola
estava inserida, no princípio o tema sobre o “meio ambiente” onde críticas foram formuladas para
que houvesse desistência, mas a turma resistiu, e levamos adiante durante meses. Observei que
eles tinham muito mais a ensinar do que a aprender.

Não tínhamos nenhuma tecnologia e tudo foi feito artesanalmente, e o tema foi sendo
passado. A comunicação saiu perfeita, pois trazíamos para nossa realidade a teoria da
comunicação informativa do meio de comunicação de massa para ativar. Nas danças, na poesia
ou nos simples gestos expressivos de cada um.

E isso que faz a diferencia, é você não fugir da teoria, mas levá-la para a realidade em
que você está trabalhando, com o que possui, é entender, buscar assegurar a formação e fazer
crescer, conhecendo e compreendendo as dificuldades sabendo que elas existem para serem
superadas e não estagnar.

A vantagem está em que a comunicação pode realizar-se em todos os sentidos,


perguntas e respostas ora sucedendo-se, ora sobrepondo-se. Embora as mensagens
beneficiam-se neste nível, duma regulagem contínua, imediata ou quase imediata. De fato,
sempre é possível, na hora, remediar as falhas da educação transmitida no esclarecimento da 142
compreensão.

O reconhecimento dessa perspectiva evita que se caia no mencionado espaço da boa


vontade, presente nos discursos dos educadores sob uma multiplicidade de rótulos. Todo
elemento prático parece ser mágico, mas a “missão” desloca muitas vezes da ação educador
para investigador da problemática educacional que encontramos, seja na indisciplina, evasão
escolar, faltas de compromisso, ausência da família, violência, entre outros.

Não se pode fazer um prévio planejamento sem conhecer a causa a ser trabalhada.
Costumo dizer que o professor comunicador é aquele que no primeiro contato faz a leitura do
ambiente e dentro do que foi encontrado prepara sua prática para efetuar em seguida. Não
adianta se planejar na teoria da escola X se você vai atuar na escola Y, essa comunicação tem
que haver de X para Y. Assim a mediação da aprendizagem forma uma ponte de ligação nos
conceitos expressivos da consciência prática do educador.

Entretanto, é possível falar no ato do compromissado sem que este seja também um
ato livre. A liberdade não coincide com a espontaneidade, e nem é expressão de alguns
pretensos naturais. O conceito de liberdade deve ser examinado em relação com a autonomia,
entendida como capacidade de autocontrole, de autodeterminação individual, base necessária
para dar sólido fundamento à vida social. É livre quem é (...) consciente de seus deveres e
direitos, e capaz de conduzir-se automaticamente na vida.

Portanto, liberdade não é um dado imediato, como crêem os teóricos dos direitos
naturais, mas é o resultado mais importante da educação (Betti, 1981, p.58).

O conceito de liberdade deveria ir acompanhado de responsabilidade que engendra a disciplina


e não imediatamente a disciplina que neste caso se entende como imposta se for como limitação
coativa da liberdade coletiva ou de grupo, como expressão individual de uma lei (Gramsci, apud
Manacorda, 1997, p.233).

Devemos então considerar a possibilidade que o indivíduo tem de ir ou não ao


encontro dos meios de comunicação que ajudam a atender as necessidades. Não pode falar em
compromisso se está apenas no nível de coerção. Não se pode falar em compromisso no âmbito
de necessidade que não se pode deixar de aprender, é por isso mesmo que é um problema para 143
qual se chama atenção as necessidades qualitativas sociais.

Na tentativa de articular corretamente os elementos da competência de educador sua


dimensões técnicas, éticas e políticas poderíamos aprofundar nossa reflexão em torno de um
conceito já explorado quando procurei caracterizar a reflexão da prática educativa no contexto
geral.

A idéia é realizar uma ação extremamente rica dentro do compromisso educativo com
visão de futuro. É preciso resgatar o significado da dimensão técnica pela meditação da
perspectiva ética, abrindo a possibilidade de enfocarmos sob uma nova luz a questão do poder
na educação.

É preciso pensar que o educador competente é um educador na construção da


sociedade no qual saber e poder tenham equivalência enquanto elemento de interferência no
real da organização de relações sócio educativas. Entretanto, a associação dos dados domina o
exercício da nossa sociedade como um todo. A prática de ensinar e disponibilidade do aprender.

Assim quando o professor, com base nas relações e desempenho das concepções
educativas, procura levar para sala de aula a didática do conhecimento, ele está procurando
dentro das suas possibilidades formar com o seu conteúdo e competência parceiros de seu
trabalho educativo.

A essa comunicação o exercício dispõe um desempenho dos papéis onde permitem as


relações pedagógicas se estenderem em diversas dimensões (alunos/ professor/família),
sabemos que a família não pode ficar de fora das organizações pedagógicas, visto que ela é
responsável pelo acompanhamento paralelo da aprendizagem escolar. A sua ação determina
substantivamente a realidade social. Neste sentido concordamos com as margens libertadoras
do conhecimento empírico para atuação da sala de aula, quando são entrelaçados com
diferentes tipos de opinião diante de um contexto formativo da didática escolar para o exercício
da prática.

Dentro dessas concepções de relação prática educativa consideramos que o professor


seja mediador de sua autoridade garantindo assim o reconhecimento da competência escolar
dentro da influência perante os alunos no nível intra-escolar, ou, melhor dizendo, no âmbito
concreto da sala de aula, onde desenvolve a situação didática. 144
13 EDUCAÇÃO CRÍTICA, PONTO DE VISTA DOS RECEPTORES

É preciso se pensar na função da necessidade de articular as estratégias para um


melhor uso dos meios de comunicação a partir de uma variável nova: a recepção. A estratégia 145
para uso dos meios de comunicação em sua opinião deve ter como ponto de partida o ponto de
recepção. Esta variável coloca em pauta igualmente importante a da cultura. Não se pode
pensar em nenhum projeto sem mediação da cultura.

Daí a necessidade de se pensar a dimensão do outro, da diferença, da diversidade. O


receptor é sempre um sujeito ativo, um ator social.

Toda educação e comunicação implicam no tipo de educação comunicativa que


queremos encontrar nos nossos alunos, centradas nas escolas e atuando como receptores da
informação. O importante é conhecer e conseguir uma maior participação. Aliás, este é o objetivo
final da comunicação e da educação.
14 O QUE SE ESPERA RECEBER DA COMUNICAÇÃO E EDUCAÇÃO

Para se definir a educação será preciso conhecer a consciência moral do nosso tempo,
a satisfação que dá espera, ainda assim a educação não se tornaria mais uniforme e igualitária. 146
E dado mesmo que a vida de cada criança não fosse, em grande parte, predeterminada pela
hereditariedade a diversidade moral dos professores que não deixaria de acarretar como
conseqüência grandes diversidades pedagógicas.

Mesmo assim os elementos comuns de toda educação não se exprimem senão sob a
forma de símbolos acerca da natureza humana no discurso da história, constitui-se todo um
conjunto de idéias acerca da natureza humana sobre a importância receptora de nossas
realidades escolares sobre o direito e sobre o dever, a sociedade, o indivíduo, o progresso a
ciência a arte, etc. Idéias essas que são a base mesma do espírito nacional; toda e qualquer
educação; a do rico e do pobre, e que conduz à carreira liberal, como a que prepara para as
funções industriais, que tem por objetivo fixar essas idéias na consciência dos educandos.

Entretanto a crítica educativa vem destacar a maneira como se aborda o estudo da


televisão. Não estariam os meios de comunicação de massa a modificar esta situação? À
primeira vista, a informação, tal como se define, pertence à consciência histórica, cuja
propriedade é considerar os acontecimentos em sua sucessão. Neste sentido, pode-se dizer que
a informação e seu ápice; a informação direta, chegada em derradeiro, seu ápice supremo. A
informação efetua-se e só pode movimentar um exato acontecimento em se concretizar
inversamente a transmissão das informações.

A televisão já começou a operar nas perspectivas do discurso das ceras da


comunicação levado ao tempo original privilegiando as funções combinadas as expressões
necessárias ao contexto educativo. A preocupação com o problema da violência na televisão.
Foram feitas constatações que a violência da televisão pode ser percebida pelas pessoas como
educativo, pois a vida é demasiado violenta. Por outro lado, para uma população que passa
fome, está desempregada, existe uma violência mais forte: a publicidade. A necessidade de se
investigar qual a relação entre receptor e as distintas mensagens vinculadas pela televisão.
Nota-se o quanto este veículo determina a vida das pessoas desde os horários até o
que se usa em suas casas, suas roupas, e o modo de se expressarem em relação ao que ela
ensina no dia-a-dia. Na nova realidade, no entanto, redes tecnológicas complexas promovem a
transição do modelo comunicativo massivo para um modelo interativo. O avanço tecnológico
está transformando o modelo comunicacional que privilegiava a distribuição de informações num
novo modelo que privilegia a idéia da comunicação dialógica, da interatividade, onde emissores
147
e receptores trocam constantemente de papel (SILVA, 2002).

A televisão é um meio "antigo", linear e unidirecional na difusão de informações. Mas,


no cenário de transição para um modelo comunicacional interativo, não é somente o tipo de
tecnologia que determina o diálogo e a interatividade.

É necessário estarmos atentos para a questão dos usos das tecnologias e das
informações, ou seja, mais do que ter acesso ao recurso tecnológico e às informações, a
maneira como se articula o diálogo e como se interage com as informações é primordial, um
processo ligado à gestão da comunicação e da informação, aos processos de mediação e
negociação de sentidos, indo além da incorporação de novas tecnologias.

Comunicação, tecnologias e educação compõem um tripé fundamental para a


formação do homem do século XXI (CORTELAZZO, 1998). A tecnologia cria as condições para
que a comunicação social se insira cada vez mais nos espaços de aprendizagem, pois favorece
a socialização do saber, através de suas dinâmicas de distribuição de informações.

No cenário atual, Educação e Comunicação, são áreas de conhecimento


independentes que se complementam à medida que participam simultaneamente dos processos
de socialização e formação dos indivíduos. Áreas que se articulam num novo espaço de
conhecimento, a Educomunicação.

A gestão da comunicação na educação é uma área de estudos e pesquisas da


Educomunicação que está relacionada ao uso do recurso em sala de aula, tendo em vista
ampliar o coeficiente comunicativo das ações humanas mediadas pelas tecnologias. O objetivo
da gestão da comunicação na educação seria criar e desenvolver ecossistemas comunicativos
mediados por processos de comunicação humana intermediados por tecnologias (SOARES,
2003).
Um dos grandes desafios para o educador é ajudar a tornar a informação significativa,
a escolher as informações verdadeiramente importantes entre tantas possibilidades, a
compreendê-las de forma cada vez mais abrangente e profunda e a torná-las parte do nosso
referencial (MORAN, 2000, p.23).

Por outro lado, ela é um veículo de comunicação por excelência do gênero narrativo.
Na educação formal, como em qualquer outra situação social, percebemos que ao utilizarmos as 148
nossas didáticas muitas vezes não pensamos melhor, pois somos pressionados pela velocidade
das informações, desenvolvê-las muito rapidamente, sem percebermos como o aluno está
recebendo aquela informação. O fato de recebermos grandes quantidades de informações,
portanto, não nos permite afirmar que estamos mais bem informados ou que estejamos
construindo conhecimento (CÉBRIAN, 1999).

Isso, no entanto, não quer dizer que as pessoas permaneçam passivas diante das
informações e das tecnologias que as mediam. As pessoas interagem de diversos modos a partir
de diferentes referenciais, mas nem sempre conseguem lidar com a grande quantidade de
dados. Nossa experiência desenvolve juntamente no universo o encontro cultural para atividades
pedagógicas.

Por isso, cresce a valorização dos processos de educação permanente dos cidadãos
destinados a desenvolver ou ampliar as competências dos indivíduos para lidarem de modo
seletivo, crítico e criativo com as informações. A comunidade educativa composta pelos
envolvidos na educação formal principalmente o aluno e o professor assessorando as atividades
de ação reflexiva que permitam avanços em direção ao sistema educacional.

No intuito de melhor aproveitar e articular as informações e gestão da comunicação


pode ser identificado como um eixo importante dos processos educativos. Podemos entender
que no processo da comunicação e da informação efetiva o processo de educação, pois "(...)
educação é comunicação, é diálogo, na medida em que não é a transferência de saber, mas um
encontro de sujeitos interlocutores que buscam a significação dos significados" (FREIRE, 1977,
p.69).

Freire (1977) nos lembra que a educação não é transferência de conhecimentos e que
o educando não é um ser passivo. É preciso, portanto, humanizar a tecnologia, tendo o homem
como centro do processo de ensino. Uma comunicação libertadora é nossa maior meta para o
embasamento teórico e proposta pedagógica comunicacional.

Sugere-se educar num processo de trocas e diálogo entre sujeitos. E, esse processo
pode ser estimulado por uma gestão comunicativa planejada que diversifique as estratégias de
uso das informações mediadas pelas mídias articulando-as de modo a promover a construção de
conhecimentos. E construindo etapas de articulação entre alunos e professores X escola. 149

Somente incorporar mídias e tecnologias no processo educacional não garante o


aproveitamento adequado das informações, por isso, a presença dos meios técnicos no ensino-
aprendizagem é amplamente discutida, principalmente em relação às interações que possibilitam
ou não com os usuários.

Quando desenvolvemos o ensino e a aprendizagem na escola, surgem também


questões que se referem a seu processo educacional. Uma delas diz respeito aos
posicionamentos que assumimos sobre os modos de caminhar esse trabalho com consonância
com os objetivos de um processo educativo escolarizado que venha atender às necessidades de
cultura no mundo contemporâneo.

Refletem-se questões sobre a mediação tecnológica contribuir ou não para a


aprendizagem. Procura-se desvendar como o processo comunicativo gerado pela mediação de
informações articula a negociação e produção de sentidos, verificando o papel e a necessidade
do diálogo entre homem-homem e homem-máquina. Assim, se pretendemos contribuir para a
formação de cidadãos conhecedores das disciplinas para melhoria de qualidade da educação
escolar.

"Enfatiza-se, assim, o fato de que a aprendizagem não é jamais pura transmissão, e


sim a socialização de um saber, portanto, experiência de uma relação de indivíduos concretos"
(SODRÉ, 2002, p. 99).

Na relação tecnologia e educação, o educador passa a ser um gestor de informações e


conhecimentos, uma pessoa que deve atrair não só por suas idéias, mas por sua capacidade
comunicativa no contato, um indivíduo entusiasmado, curioso, aberto ao diálogo e capaz de
motivá-lo. A escola não é só o ponto de vista dos receptores, ela existe para propiciar
conhecimentos analisados e propostas trabalhadas no ato de fazer dentro das suas
possibilidades no crescimento do ser humano.

Se formos comparar os países desenvolvidos e subdesenvolvidos, vemos que a


diferença entre saber e poder se restringem às classes sociais de um mesmo país, mas se
repetem nas relações entre países.

150
Essa extremidade desigual entre as classes sociais repetem entre si o velho modelo:
aquele que tem o poder econômico tem a possibilidade de acumular o saber, com amplas
condições de ampliá-lo pelos processos de pesquisas e de criação de que dispõem: aos países
subdesenvolvidos, como o Brasil, sobra como opção quase exclusiva, repetição da tecnologia e
do saber, importados a custo muito alto para a população, sobretudo a mais pobre.

O gráfico da pirâmide poderia ser usado para representar a relação entre países
desenvolvidos e subdesenvolvidos, comparados em termos de posse do saber e da pesquisa
tecnológica.

Diante do quadro, a educação para o senso crítico se dá em meio aos esforços de se


passar da consciência mágica, à ingênua, à crítica. A passagem da consciência mágica para a
ingênua (explicação simplista, impermeável à crítica e idealizadora do mundo), produz-se
automaticamente quando a comunidade sofre uma mudança econômica ou política.
15 CONTRIBUIÇOES CRÍTICAS PEDAGÓGICAS

Hoje já é possível saber que assim como as hipóteses sobre como se constroem o
saber, a criança pode entender também a elaboração de uma metodologia inovada. 151

A informação recebida tanto dentro como fora da escola deixa de ser um simples papel
de construção e passa a compreensão de se escrever o seguimento comunicativo da
transmissão direta por si mesmo.

O que de fato tem a saber sobre a distinção elaborada pelo aprendiz (aluno/professor)
entre as mudanças exigidas para trabalhar o entendimento das reformas educacionais. E deixar
prevalecer o entendimento do meio para que resgate dentro da possibilidade cultural de cada um
a capacidade de sua determinação para o entendimento do novo.

As idéias dos receptores sobre o que se pode evoluir de acordo com as possibilidades
das oportunidades de contato com a escrita e a comunicação vêm promover a conquista dos
seguimentos educacionais. Entretanto, ler a comunicação visualizada é verificar uma
aprendizagem determinada, a maioria dos alunos (receptores da informação) deve ser atendida
para superação de suas dificuldades.

No momento em que começam a se mostrar perdidos e atrapalhados em relação aos


conteúdos trabalhados, a escola, que assume a responsabilidade com a aprendizagem de todos,
tem obrigação de criar um sistema de apoio para que esses receptores não se percam pelo
caminho. Suas dificuldades precisam ser detectadas rapidamente para que sejam apoiados, e
continuem progredindo e não desenvolvam bloqueios.

Diante de situações em que provocam sentimentos de impotência, a saúde mental da


criança e das pessoas em geral, na verdade exije que elas se desinteressem, porque é da
condição humana não suportar o fracasso continuado. Portanto, antes que o aluno desista de
aprender o que não estão conseguindo, a escola precisa criar forma de apoio à aprendizagem.
Existem diversas possibilidades de atendê-los: por meio de atividades diferenciadas da
sala de aula, de trabalho conjunto podendo ajudar a avançar as intervenções pontuais que se
propõe. Além das propostas realizadas o encaminhamento precisa acontecer nos espaços
escolares, alternativos diante das dificuldades momentâneas, exatamente para garantir que eles
(alunos receptores do aprendizado) sejam vistos e trabalhados.

O educador tem a tarefa de problematizar os conteúdos que a mídia e as tecnologias 152


trazem para o processo de ensino-aprendizagem. "Pela comunicação aberta e confiante
desenvolvemos contínuos e inesgotáveis processos de aprofundamento dos níveis de
conhecimento pessoal, comunitário e social.” (MORAN, 2000, p.25).

Para Moran, o processo de interação, de comunicação, tem papel fundamental na


construção do conhecimento. E quando a escola se deve dispor, dos grupos de apoio
pedagógicos que se formam exatamente com a finalidade de contribuir para a aprendizagem,
dos que estão encontrando dificuldades em relação aos novos conteúdos ensinados.

A escola define suas propostas através de seus projetos, envolve professores


substitutos e estagiários, e criam cronograma de atendimento das diferentes classes. Esse
método apóia e implica no reagrupamento das turmas em dias alternados durante a semana e
horários diversificados.

Essa mistura, analiticamente falando, tem dois pontos a serem destacados:

 Primeiro - o aluno, ao ser atendido, passa a entender que ele é o receptor de suas
dificuldades e por isso foi destacado a um atendimento individualizado;
 No segundo - ao efetuar o atendimento o transmissor (professor/coordenador
pedagógico), sente-se determinado em acompanhar aquela turma ou aluno e espera
obter grandes resultados satisfatórios dentro da aprendizagem/ disciplinar/
interdisciplinar.

Quando isso não acontece ambos se sentem culpados e se perguntam aonde


chegaram a falhar?
Acredito que não existe uma falha que discrimine este problema, existe um momento
que não foi bem e que precisa ser revisto, refeito a maneira de pensar e realizar e que ambos
têm um compromisso com um problema a ser resolvido e não passado por cima. Podem
considerar-se mais convenientes. E a partir dali não deixarem problemas guardados, todavia só
tendem a aumentar e tornam-se grandes. O que meramente pode ser somente distribuídos
dentro das possibilidades de entendimento e resolvidos passo a passo.
153
O importante é que ao final de tudo o aluno saia com confiança das atividades
resolvidas, e que a experiência tenha favorecido um esquema de organização de conteúdos para
serem participativos.

Portanto, o que torna o caminho mais longo é a maneira como você vai conduzir. Com
base nas didáticas que regem o trabalho do entendimento do aluno ele destina-se para uma
finalidade, o aprendizado e o trabalho transparente desenvolvido dentro da escola
(professor/coordenadores).

A visão que se tem quando se fala da educação é uma forma pronta e que basta
acatar os programas desenvolvidos, muitos nem sabem o que é (comunidade assistida) e pronto.

Na realidade a educação é um leque aberto e cada parte tem uma seqüência de


problemas, projetos, conseqüências, aprendizagens, disciplinas e indisciplinas e extensão
família/escola para formar a educação que vem para o receptor que é o aluno.
O olhar sobre o que é fazer educação é assumir uma responsabilidade bem maior do
que se pode imaginar diante de muitas realidades escolares que estão entregues (alunos) à
própria sorte. Quando o professor não consegue encontrar alternativas para garantir a
aprendizagem dos seus alunos, estes por sua vez não conseguem superar suas dificuldades
momentâneas em aprender e acabam se transformando em alunos com dificuldades de
aprendizagem. Assim, por falta total de possibilidade de alterar este quadro, todos desistem,
154
(professor/aluno), começam a conhecer o fracasso escolar que vai se cristalizando e se
avolumando.

A tradição brasileira tem sido a de que cada escola faz sua parte e não tem nada a ver
com a forma como os alunos resolvem suas dificuldades. Mas essa estranha crença, lentamente,
vem se transformando. Torna-se cada vez mais claro que essa postura, entre outras coisas,
reforça uma injustiça social muito grande, porque as crianças da classe média sempre precisam
receber ajuda extra-escolar.

E as crianças pobres, que compõem a grande maioria das escolas públicas,


dificilmente contam com algum tipo de apoio à aprendizagem fora da escola, principalmente, por
causa da baixa escolaridade dos seus pais, mas também da falta de condição econômica, elas
ficam desamparadas também na escola. A escola e os meios de comunicação contribuem à
formação. Mas, diante do que foi narrado, a nossa preocupação nos leva a destacar nosso
compromisso com a educação e a qualidade do aprendizado nos dos alunos.

Se pensarmos a situação sem encontrarmos uma solução para onde a educação irá?
É preciso desempenhar os objetivos das didáticas onde elas possam ultrapassar as fronteiras do
impedimento e alcance, o despertar da inclusão social no exercício de sua cidadania.

A nossa consciência crítica é a percepção de uma necessidade que define o perfil que
encontramos diariamente.

Segundo Freire, podemos caracterizar a consciência crítica como aquela que:

 Alimenta anseio de profundidade do problema;


 Reconhece a realidade;
 Substitui a situação;
 Procura testar as descobertas.

A essas estruturas a escola vive determinada fixações e padrões comportamentais que


se determina e admite como base epistemológica e sócio construtivismo, nossa proposta
educacional que deve ser coerente à nossa realidade. Deve-se propor que o aluno desenvolva
atividades propostas na construção do conhecimento de sua própria experiência no processo de
155
interação com o meio.

Tendo isto como base, devemos levar em conta alguns aspectos:

 Ação do aluno;
 Desenvolvimento aprendizagem;
 Qualidade do desempenho em grupo;
 Integração com o meio social;
 Compromisso pedagógico;
 Permanência escolar;
 Participação (aluno / professor) no desenvolvimento dos projetos escolares envolvendo
as disciplinas.

Quando analisamos esses aspectos chegamos a uma conclusão prévia de que somos
programados para desenvolver um aprendizado, qualificá-lo em diversas etapas, mas não
chegamos ao final. Todavia, quando alcançamos uma etapa sentimos sede por atingirmos
outras, e isso vai-nos levando cada vez mais a melhorar nossas posições diante da educação.

Precisamos estar munidos e fortalecidos para combatermos os percalços que nos


impedem ir mais longe. Pensamos cada vez mais em nossos receptores, são eles os
responsáveis por todas nossas inovações a partir do que foi criticado ou elogiado.

Não estou me referindo aqui a um sonho, nem estou procurando fantasiar um quadro
da educação, mas fazer com que entenda que nada depende de ninguém, se não começarmos
por nós mesmos. Se não faço a minha parte ela certamente faltará, e nessa falta vai causando
deficiência, e, quando percebemos, ela já tem virado uma dimensão tão grande que não tem
mais como reaver. Nunca procuro idealizar sobre a realidade, porém, o meu compromisso em
melhorar é que vem falar mais alto. A realidade educacional não é somente a qualidade, o que
nos impulsiona são as dificuldades conhecidas.

É nela que deverá estar baseado o ensino escolar. Ao invés de memorizar os


conhecimentos expostos pelo professor, o aluno precisa se sentir integrante do processo ensino-
aprendizagem para poder aprender. O educando desperta na sua didática o gosto de aprender. 156
Sem essa metodologia o que podemos cobrar quanto educador diante do sistema educacional
de nossos alunos?

A AÇÃO DE TRANSFORMAR

Paulo Freire

Estamos nesta sala. Aqui funciona um círculo de cultura do conhecimento. A sala está
organizada de certa maneira.

As cadeiras, a mesa, o quadro-negro, tudo ocupa certo lugar nesta sala. Há cartazes
nas paredes, figuras, desenhos. Não seria difícil para nós organizar a sala de forma diferente. Se
sentíssemos necessidades de fazer isto, em pouco tempo, juntos poderíamos mudar
completamente a posição das cadeiras, da mesa, do quadro-negro. A reorganização da sala, em
função das novas necessidades reconhecidas, exigiria de nós um pouco de esforço físico e o
trabalho comum. Deste modo, transformaríamos a velha organização da sala e criaríamos uma
nova, de acordo com outros objetivos.

Reorganizar a sociedade velha e transformá-la para criar a nova sociedade não é tão

fácil assim. Por isso, não se cria a sociedade nova da noite para o dia, nem a sociedade nova
aparece por acaso. A nova sociedade vai surgindo com as transformações profundas que a
velha sociedade vai sofrendo.

O texto vem mostrar o problema da cultura e da sua identidade, destacando sua


importância numa sociedade. Quando estamos falando da educação pensamos logo na ligação
da educação/sociedade/cidadania. No que diferem? O contexto geral vem em benefício de quem
prepara e o repasse para quem recebe (receptor).

Julgamos metodologia, criticamos as didáticas, mas onde estamos modificando? Será 157
que não estamos, muitas vezes, de olhos fechados e passamos sem fazer nada? Não somos
perfeitos, somos modeladores do defeito para efeito perfeito, pelo menos é o que queremos.

Parte desta ação educativa deverá estar baseada ao ensino escolar. Ao invés de
memorizar os conhecimentos expostos pelo professor quando ele precisa aprender a sentir, e
perceber como se compreende. Conceituar o raciocínio, discutir e transformar a realidade
escolar, quando se trata das dificuldades que impedem o andamento das metodologias para
qualificar o ensino em sala de aula. Muitas vezes é uma determinação mais pedagógica, ela
passa à psicológica para poder entender o ambiente em que está inserido (a).

A ênfase na interatividade na vida prática e escolar é preciso saber trabalhar. O


trabalho em grupo é a junção de idéias respeitadas e voltadas para o contexto apresentado para
o desenvolvimento educacional. A esse método se dá um processo de aprendizagem
socializadora que deve ser vista como fruto de uma coletividade na qual o aluno interage suas
pesquisas, classificações e debates. Para analisar a interatividade do aluno é preciso selecionar
o que vai ser trabalhado em sala.
16 MERGULHO DO PASSADO

Na manhã de 27 de maio de 1941, no auge da Segunda Guerra Mundial, naufragava o


encouraçado Bismarck, uma das mais perfeitas peças navais da Alemanha nazista, depois de 158
histórica batalha contra a esquadra inglesa, 965 quilômetros a oeste do Ponto de Brest, na
França. A artilharia certeira do Bismarck foi responsável pelo naufrágio do HMS Hood, orgulho
da frota britânica, matando 1.400 pessoas. Atacar o Bismarck virou ponto de honra para os
britânicos, que, num brutal bombardeio, destruíram suas quatro torres, demoliram sua estrutura e
incendiaram seu convés. O navio de 50 mil toneladas afundou com cerca de dois mil
marinheiros. Só 115 sobreviveram (...). Lia Vasconcelos. Revista Istoé, n. 1.741. São Paulo.

A comunicação informativa trabalhada traz para o conhecimento do aluno um texto


interdisciplinar que vem envolver o aluno no conhecimento e incentivar a pesquisa de vários
temas abordados no texto. Entretanto, se este mesmo texto for trabalhado somente na leitura em
sala, sem favorecer o comentário discursivo, que resultado pode ser alcançado na qualidade da
aprendizagem? São essas pequenas observações críticas na qualidade da educação que fazem
a diferença em nossos receptores.

A comunicação educativa possibilita uma abertura de levantamento de hipóteses para


aplicação da prática. Para se conhecer que resultado virá, conheça sua realidade e possibilite
para ela a perfeição da colocação em destaque a ser estudado. Feito isso poderá analisar as
inovações exteriores (tecnologia), porque já tem como base seu próprio conhecimento

O ensino está voltado para produtividade e a escola como parte integrante de uma
sociedade que se torna útil à comunidade que integra. A escola ajuda a formar cidadãos
produtivos, à medida que atua suas experiências descobertas com capacidade de produzir e
compartilhar suas produções.

A escola moderna ensina e aprende que as suas funções estão voltadas para o
professor e alunos. A partir desse princípio, quanto mais prazerosa for a troca realizada entre os
dois, mais rápido e eficiente será o desenvolvimento do processo cognitivo. Quando buscamos
incorporar a tecnologia como princípios educacionais, embora seja um recurso, sua correta
utilização pode transformar-se em um princípio pedagógico capaz de dinamizar a ação, a
interatividade, a produtividade e o prazer do aluno frente ao processo do seu conhecimento.

Diante do tema abordado leva uma reflexão sobre o crescimento da oferta escolar,
elemento inevitável que obrigou o aumento substancial dos quadros docentes, que foi
acompanhando o achatamento das salas de aula. Ao mesmo tempo, em quase todos os
sistemas de ensino, criam funções rapidamente transformadas as estruturas burocráticas. 159

Sob a falsa lógica de uma divisão técnica de trabalho constitui-se, de fato, uma
hierarquia de poder onde uma minoria mais bem paga supervisiona, controla, persegue ou
protege por favorecimentos a maioria menos aquinhoada. Isto estimulou o autoritarismo, que o
fechamento político exacerbou e permitiu o clientelismo que amesquinhou aquilo que poderia ser
uma disputa.

A expansão e organização dessa nova estrutura do ensino básico desenvolveram-se


em estreita privatização e crescimento desordenado do ensino.

Ao colocar em discussão nossa proposta, estamos iniciando o cumprimento da parte


que nos cabe, indicando rumos gerais, levantando as questões. O debate em torno desses
rumos e questões é indispensável para que as críticas e sugestões nele surgidas contribuam
para viabilizar a proposta a partir de medidas concretas. Por isso educador do ensino com
participação importante.

A nossa visão da educação no papel da escola:

“(...) a observação mais superficial da realidade social concreta (...) continua a


fazer os maiores sacrifícios para tentar a conquista de uma vaga, mesmo na
escola mais desprovida de qualquer atrativo pedagógico, pois a intuição lhe dá
a certeza de que, qualquer que seja o grau e a qualidade dos conhecimentos
que conseguir adquirir pela freqüência a essa intuição, que para ele é a “casa
do saber”, maiores serão as probabilidades de melhoria de suas condições de
vida, que é o objetivo imediato que persegue.”
A garantia de escolarização deve formar uma construção de uma educação
democrática. Para entender os principais mecanismos educativos por meio do qual o indivíduo
se torna cidadão informado e participante do mundo em que vive, adquirindo consciência crítica
que favorece a capacidade educacional. Qualquer tentativa de melhoria do ensino que se efetue
a partir de diagnósticos é uma medida inteligente no planeta escolar.

A educação se insere numa zona intermediária entre necessidades e possibilidades, 160


entre estruturas e a infra-estrutura, entre o real e o imaginário, entre a ação e a representação.
De um lado liga-se à obtenção de um melhor emprego e de melhoria das condições materiais de
vida. Ela remete, entretanto, para algo muito, além disso.

Precisamos superar esse tipo de discussão e entender que o brasileiro em diferentes


áreas geográficas, que não tem acesso ao mesmo conhecimento, isso nos vai dar a
possibilidade de, no mínimo, termos um país num outro patamar, mais moderno e mais
civilizado. Lembro-me de quanto foi difícil trabalhar um projeto que envolvesse todas as turmas
escolares, visto que o tema “Meio ambiente”, dizia a respeito da comunidade escolar envolvendo
docentes e discentes e funcionários da escola, para levar o conhecimento teórico e prático para
a comunidade assistida.

Encontrei um bloqueio muito grande acompanhado de uma falta de interesse de


muitos, mas insisti, primava o objetivo e ao final foi alcançado o esperado. O que foi colocado
são apenas exemplos de como a educação tem labirintos e que trilhamos a todos os momentos.

A educação precisa ser diversificada no ponto de partida. Como os conceitos que


fazemos em diferentes aprendizagens que mexem muitas vezes nas origens que cada realidade
possui. Isto implica na discussão ideológica sobre a necessidade de que a escola espelhe a
realidade da criança. No fundo, volta à idéia de que a educação escolar compartilha e cria no
aprendiz o ponto de vista que ele deve chegar. Ao partir da realidade o papel do professor é o
de provocador.

A missão é tentar mudar o aluno; sempre dosando as propostas, para não cobrar
tarefas impossíveis. Este é um ponto pedagógico fundamental. É preciso trazer a criança para a
escola, tirá-la de onde está, sem que sua auto-estima seja afetada e sem que ela acumule
sentimentos de fracasso. Outro ponto importante é conseguir encontrar a melhor forma de
ensinar. O avanço melhora um concreto ou abstrato, do próximo e imediato, para termológico.
Quando o professor não sabe usar os conhecimentos disponíveis. Muitas vezes não
assimilou bem o próprio conteúdo, que diria a forma de tratá-lo para que seja apropriado por uma
didática concreta, pertencente a uma determinada classe social educativa. Essa competência
técnica não se identifica com o que os meios de comunicação vêm transformando a forma de se
ensinar atualmente. Esse compromisso é que deveria orientar a busca de uma ação escolar
competente, perpassando todos os aspectos da escola: de sua organização didática e
161
pedagógica, passando pela seleção e organização do conteúdo.

O desafio profissional realiza uma competência democrática que consegue interagir


com as condições de vida e com as aspirações das camadas populares. É preciso, todavia,
objetivar o que se entende por essa interação. A escola diferentemente das realidades
geográficas, todas tem suas dificuldades, umas mais, outras menos, mas cada uma tem seu
objetivo a ser alcançado.

Isso põe em questão não só as tentativas, mas a adaptação do currículo escolar às


crianças pobres, aligeirando-o e facilitando-o. Questiona também tentativas, supostamente
revolucionárias, de separar mecanicamente o saber do domínio do saber do dominante,
defender as suas concepções de mundo e práticas populares.

O espaço de recepção centra a comunicação nas mediações humanas e não somente


na mediação da tecnologia. A Sociedade da Informação caminha para a Sociedade do
Conhecimento, onde o novo foco de desenvolvimento social sai do desenvolvimento de
tecnologias e vai para a gestão humana das informações.

A crescente demanda por educação permanente desafia as sociedades e oferece a


todos os cidadãos uma educação coerente com as exigências do novo contexto, e nem sempre
é possível contar com as novas tecnologias para intermediar este processo. Devem-se criar
oportunidades para que os indivíduos adquiram as informações de modo autônomo e seletivo e
produzam conhecimentos nos espaços formais e informais de ensino-aprendizagem, nesse
aspecto tecnologias mais acessíveis.

As contribuições aos contextos educacionais, devido à introdução de novas práticas


comunicativas e como mediadoras de informações oferecem mudanças para as abordagens
tradicionais de ensino-aprendizagem. No entanto, estas mudanças dependem muito mais dos
usos que se faz das tecnologias e das informações, do que da incorporação de antigas e
modernas tecnologias nos sistemas de ensino.

Muito mais do que analisar a necessidade de incorporação das mídias e educação,


precisamos entender e avaliar o papel das mediações tecnológicas dentro do processo de
ensino-aprendizagem, analisando seus usos e novas possibilidades de aproveitamento para a
produção de conhecimentos. O ambiente de mediação da oferta no ensino-aprendizagem, 162
através dos processos de gestão da comunicação e da informação entre orientador e
educandos, pode resgatar a aprendizagem como um espaço de negociação e produção de
sentidos, contribuindo para que se ultrapasse a comunicação.

Quanto à televisão, ela vem mostrar textos, imagens, frases, objetos, e estes são
vistos e muitas vezes não entendidos, embora o sistema educacional esteja centrado na reforma
tecnológica, e mais receptiva principalmente nas escolas da Zona Rural, como se interagem com
as mudanças.

Tudo passa a ser um sonho, a imaginação flui embora o conhecimento real concreto
não se realize. Suas estruturas sócio-econômicas são diversificadas, a maioria são agricultores e
alguns estão integrados na Educação de Jovens e Adultos, e estes têm um único sonho: saber
ler e escrever. A realidade deles torna-se muito difícil, difícil no aprendizado, difícil o trabalho,
pois passam o dia inteiro nas suas roças e à noite vão para escola, e o rendimento escolar é um
fracasso, então vêm as desistências.

Neste contexto a escola precisa trabalhar a auto-estima despertar a importância do


saber ler para aprender a escrever bem. As primeiras comunicações feitas pele escrita, nem eles
mesmos liam, então se foi trabalhando a leitura para escrita. Entramos no processo da
informação da mente para ativar os membros a trabalhar (coordenação motora).

A recepção da sua transmissão é um modelo estático e tradicional de sociedade numa


ação pedagógica para que o aluno aprenda vivendo. . . Aprendam a ser passivos vivendo,
passivamente; aprendem a aceitar a sociedade, convivendo com ela sem discuti-la, aprendem a
adotar o modo de interpretar as relações, práticas sociais.

A prática verbalista e descomprometida é utilizada somente quando se quer tratar das


mudanças essenciais e necessárias ditadas pelas crescentes ondas que chamam para a
transformação profunda. No conteúdo trabalhado busca-se levar ao conhecimento do aluno a
democracia, solidariedade, criatividade, e quando esses conceitos vão sendo passados, em
geral, a nossa preocupação não é somente que ele escute, mas que coloque em prática.

É a força do saber que destaca a capacidade intelectual, mostra dentro da didática que
o “ter” não é “poder”, tudo passa e somente o saber permanece. Hoje o aluno está muito voltado
pelo que vê, não importa como nem a sua estrutura educativa. E a escola tem uma grande 163
responsabilidade em trabalhar os valores humano-sociais com eles, destacando a diferença
desde cedo. Lembrando que para se conseguir precisa lutar, e a luta parte da educação, do
empenho de cada um em ser integrante participativo das mudanças educacionais e inovações
tecnológicas.

Sendo assim, a interação da escola com as condições de vida das camadas populares
entende-se como formas de necessidades objetivas na permanência do sistema de ensino,
permitindo a qualidade construída nas camadas estabelecidas de suas práticas educacionais.
17 EDUCAÇÃO COMUNITÁRIA NA FORMAÇÃO CULTURAL

Pensar é próprio do homem. Esta propriedade pode ser melhor compreendida se


partimos da referência ao homem enquanto “existente” . O termo existente (ser para fora) alerta
para a possibilidade mais inerente e constitutiva do ser, enquanto humano, que é a sua
164
possibilidade de relação.

Aprender que o pensar, ou mais especificamente o compreender, é próprio do homem,


facilita nossa delimitação do que é cultura na sua formação educacional.

Em sua essência o acúmulo de conhecimento pelas observações de fatos levantados da sua


análise e comprovação de hipótese, obedece ao rigor dos procedimentos do pensamento lógico
da cultura, em que se pode destacar como conhecimento educacional. Sabemos que não existe
uma específica, existem as específicas regionalizadas geograficamente, e essa faz a diferença
na educação como um todo.

É um específico processar-se da Educação que delimita compreender em sua


especificidade. Há muitas maneiras de dizer o que é cultura. Para alguns é sinônimo de
conhecimento letrado, erudição. Para outros, cultura é expressão artística. Há quem considere
cultura certo tipo de educação, polidez, bons modos. Para a Antropologia a ciência social que
orienta nosso trabalho, cultura tem uma definição bem mais abrangente e se refere à capacidade
que só os seres humanos têm de dar significados às ações que praticam, à realidade natural e à
realidade construída que os cerca, aos comportamentos de animais e de pessoas.

Essa capacidade é exercida em grupo, quer dizer, cada grupo de pessoas que vivem
juntas vai dando significados próprios às coisas. Assim, dentro de uma mesma sociedade,
diferentes grupos (classes sociais, grupos de idades, membros de corporações profissionais,
etc.) podem dar significados distintos para um mesmo fato ou fenômeno. Conseqüentemente,
desenvolvem maneiras distintas de vê-lo e de reagir a ele. A rede de significados e práticas de
um grupo social é o que chamamos de cultura.

Quer dizer, tudo o que os homens e mulheres aprendem com o grupo em que vivem, a
começar pela língua que falam, o seu modo de definir o que é feio ou bonito, certo ou errado, as
técnicas, as regras sociais, as formas de expressão, tudo isso é cultura.
Aprendemos na escola e ouvimos, a toda hora, os meios de comunicação repetir que
nosso povo é “o resultado da junção de representantes de três raças; o branco, o negro e o
índio”. Mas, pense bem, será que o conceito de raça é adequado para explicar nossa formação
social e cultural?

Historiadores dedicados ao estudo do período colonial comentam a dificuldade de


comunicação enfrentada pelos primeiros africanos escravizados que para cá foram trazidos. É 165
que eles pertenciam a diferentes sociedades tribais, que viviam em diferentes locais da África –
Costa Ocidental, Costa Austral e Costa Oriental – e falavam línguas distintas. O colonizador os
igualava, denominando-os todos ‘negros’, vendo-os como mão-de-obra e não como indivíduos
dotados de uma história e de valores próprios dos diferentes povos dos quais se originavam. Um
negro norte-africano não era igual ao negro do centro do continente ou ao negro sul-africano.

O que chamamos de cultura afro-brasileira é o resultado das vivências de africanos de


diferentes sociedades, que aqui se encontraram, combinaram e recriaram distintas tradições,
hoje revividas e atualizadas por seus descendentes. A busca de verdades pelo compreender
mostra-se através do que se questiona. O que é formação cultural?

Um olhar especulador pode esclarecer satisfatoriamente sobre o que se caracteriza o


fundamento de uma cultura voltada para a realidade. Tudo é uma admiração do mundo
participativo no resgate da formação histórica para visão atual. A essa inquietude e dos
questionamentos provocados pelo efeito real compartilha-se o mundo novo, tentando tornar claro
o que toda a realidade evidente apresentável de ambíguo, de inapreensível, assim também o
como essa ambigüidade do real solicitava para ser desvelada.

Para tornar mais claro esse modo de compreensão poderíamos explicar com algo
atual, digamos um sistema de determinar o modo de vida (Capitalismo). O Capitalismo é perfeito
porque comporta a exploração do homem, do seu trabalho, e o aliena de sua condição humana.
O desvendamento é uma possibilidade de pensamento que favorece o pensar sobre a formação
cultural. Entretanto, somente se planifica a interrogação da verdade quando desdobrada no
âmbito universal do saber aprender.

Saber é ter o conhecimento informativo fazendo compreender as manifestações


comunitárias de sua cultura regional transmitida numa comunicação diferenciada dos meios de
comunicação de massa que temos. O agir é de certo modo o que há de mais simples e elevado
por afetar a referência do ser humano. A compreensão do mundo que nos rodeia e suas
características, a procura de uma resposta compreensiva para a valorização cultural.

Não basta ensinar fatos que ocorreram no passado para dar às crianças elementos
para que compreendam o presente. Desde muito pequena a criança participa das práticas
sociais e culturais de sua família, de seu meio, enfim dos grupos com os quais convive.
Gradativamente, ela vai descobrindo o mundo físico, psicológico, social, estético e cultural que 166
lhe é apresentado pelos adultos (e outras crianças) no dia-a-dia.

A sua formação como sujeito em processo de humanização vai se estruturando a partir


da experiência assinalada em interação com as outras pessoas. É, pois inserida no ambiente
afetivo e cultural que a criança vai desenvolver seu processo de socialização.

Cada objeto, cada elemento do seu cotidiano é uma nova experiência que o mundo lhe
oferece frente ao qual ela atua. Desde bem cedo a criança percebe que os seres e as coisas
com as quais convive se apresentam com semelhanças ou diferenciações com objetividade ou
não, acolhendo-a ou rejeitando-a, dando-lhe prazer ou desprazer .

A própria comunidade na qual está inserida lhe oferece uma infinidade de experiências
visuais e sonoras. São tantas as organizações culturais que aprendemos diferenciar
geograficamente cada conteúdo apresentado.

Para compreender a escola e seu resultado é preciso recorrer ao sentido amplo da


palavra cultural, isto é, o conjunto de costumes, dos modos de viver, de vestir, de morar, das
maneiras de pensar, das expressões de linguagens, dos valores de um ou de diferentes grupos
sociais.

Para Brandão, “a palavra cultural deve ser entendida como compreendendo tudo o que
existe transformado na natureza pelo trabalho do homem é que, através de sua consciência,
ganha significados” (1981:25).

Os pensamentos dos antropólogos afirmam que as categorias devem ser impostas. A


procura para manter as categorias experientes sobre os fenômenos que se estuda.

O ponto de vista estuda para compreendê-lo. Em muitos aspectos da educação


escolar, porém, esta posição não, os valores de “classe média” são considerados como um
modelo a ser imposto a todos os alunos, pela “seleção”, “ritmo” e “avaliação” do conhecimento
escolar. Argumenta-se então que o desenvolvimento cognitivo dos grupos mais pobres é
insuficiente.

Pode parecer curioso que ao consagrar o problema da comunicação, essa relação


venha favorecer uma ajuda que apresente as sensações emotivas e objetivas desta metodologia
voltada para a cultura onde se retrata a história de formação de um povo. 167

De nada vale uma boa idéia se não conseguimos colocá-la em prática, se não
conseguimos expressá-la. Exteriorizar o que sentimos ou pensamos sobre as pessoas e o
mundo, ou seja, expressar as emoções e os pensamentos é uma necessidade de todos.

É certo que existem muitas maneiras de nos expressar, e a cultura em suas diversas
modalidades é uma dessas maneiras, talvez a mais fascinante, por ser feita da expressão dos
sentimentos humanos.

O ser humano experimenta um prazer singular em combinar formas e histórias que


caracterizam a criação e qualificação da comunidade.

Porém, essas combinações só proporcionam prazer quando expressam os


sentimentos e as emoções da alma humana, em face do espetáculo da vida.

“A cultura é um rio cujas águas profundas irrigam a humanidade com outro saber”
(Evelyn Berg).

Buscamos conhecer as origens comunitárias da região local onde a cultura e arte de


um povo forma a manifestação de consciência de si próprio e sempre retratando o valor de cada
época na visão espiritual, que vem surgindo com a necessidade da comunicação humana e
social e, pôr conseguinte, contribui para o desenvolvimento da consciência do próprio homem.

Ninguém pode negar as profundas relações entre o artista e a comunicação. O artista


depende da comunidade da qual é membro e onde ele vai vivenciar as suas idéias, as suas
emoções. Sua obra reflete sua experiência comunitária, ou seja, a sua vivência social.

É a cultura que tem importância na educação de um país, porque ela desenvolve toda
história de um povo. Ela não é um enfeite. É um dom, uma maneira diferente de mensagem para
expressar o mundo: o mundo real e o imaginário.
A cultura suscita reflexão e habilidades de julgamento, formulando significados que
substituem as palavras.

Uma sociedade só é culturalmente desenvolvida quando há uma alta capacidade de


entendimento de produção expressiva na linguagem, no ato de expor suas idéias dentro do que
a sua comunidade dispõe de belo.

168
As conquistas tecnológicas das primeiras décadas deste século revolucionaram o
mundo. A tecnologia e humanismo se unem em torno das manifestações culturais e evoluções
impulsionadas pelas mudanças do progresso da técnica, mas a cultura tem uma percepção
diferente da realidade (artista). A comunidade transforma sua história numa obra artisticamente
expressiva, onde podem ser destacados:

 Costumes de um povo;
 Hábitos alimentares;
 Danças folclóricas;
 Moradias;
 Artesanato;
 Congos e Reisados (típicos da região nordeste);
 Religiões.

A cultura expressa a arte de um povo que o público assume um papel participativo da


criação, como o faz em todas as suas modalidades, seja: musical, arquitetura de uma cidade,
etc.

A cultura abre os olhos para o mundo e compreende a beleza do ambiente, as


modificações que a tecnologia trouxe para a vida cotidiana e procura expressar esses aspectos
em suas criações.

Surge o Pop Art (Arte popular), não a arte popular produzida pelos nossos ceramistas,
oleiros, rendeiras e outras, mas a cultura arte para o povo, extraída de coisas do dia-a-dia e
difundida pelos meios de comunicação de massa (cartazes, anúncios luminosos, artigos de
supermercados, jornais, revistas, etc.). Tudo se transforma em motivo para os fenômenos visuais
obtidos pela percepção do objeto.

É interessante observar que o homem conseguiu criar dentro de sua cultura a arte com
as inovações tecnológicas:

 Fotografia;
169
 Cinema;
 Televisão;
 Xerox;
 Heliografia;
 Computador, satélites e raio laser, estão gerando novas linguagens na cultura, e esta
tecnologia que chega para conquistar o espaço.

A comunidade educativa passa por toda a existência cultural e se destaca pelas suas
formações e para que possamos compreender cada uma precisamos saber:

 Quem é?
 Por que estão ali?
 O que é no mundo?
 E como o mundo é?

São perguntas inquietantes que a própria comunidade faz e que vão começando a ser
respondidas. Dessa forma, descobrir quem somos torna-se imperativo em nossa vida. Talvez a
sua própria razão. Todos têm que se preparar para assumir e desempenhar um papel no mundo.
Esse preparo é um processo de amadurecimento pessoal. Um processo que se completa nas
relações do homem com o mundo e na realização do seu autoconhecimento.

É importante saber quem somos e o que podemos. É preciso conhecer os limites que a
sociedade nos impõe e os nossos próprios limites. Somente assim poderemos enfrentá-los e
realizar as transformações culturais e sociais. O autoconhecimento é que nos possibilita usufruir
da harmonia entre o mundo fora de nós e o nosso próprio mundo. Possuímos uma voz que
conversa com as outras pessoas, mas também temos uma voz que dialoga com nós mesmos: é
a nossa VOZ INTERIOR. Ela tem um papel importante no nosso desenvolvimento como ser
sensível imaginativo, criativo, espontâneo e livre.

Somos seres sensíveis e imaginativos, naturalmente inacabados e inconformados.


Levamos toda a nossa vida procurando novas possibilidades em nós, promovendo mudanças,
realizando o nosso desenvolvimento coletivo e pessoal. A formação etnográfica e cultural do 170
cearense é obra do índio e do europeu. É mínima a participação do negro. E daí se explica que a
quase totalidade das manifestações do folclore cabeça chata, só esporadicamente (caso dos
“congos”), mostre alguma procedência africana.

 Bumba-meu-boi - Tem como figura central, evidentemente, o boi. Representa-o um


arcabouço de madeira coberto de pano ordinário e colorido, com umas pessoas
recurvadas dentro e que no desenrolar do drama pula, dança e berra. Quase todos os
municípios cearenses o encenam, como igualmente, na periferia da capital, onde se
fixam os sertanejos que para aqui migraram. “O meu boi morreu, / o que será de mim /
manda buscar outro / maninha / lá no Piauí”. Eis um trecho que compõe a parte
semifinal desta dança dramática do folclore cearense;
 Cabaçais do Carirí - O nome cabaçal é pejorativo, em virtude de a caixa, o zabumba e
os pífaros – seus instrumentos básicos – fazerem um ruído semelhante a muitas
cabaças secas entrechocando-se. São dança e música, de ritmo forte, tanto que os
cabaçais eram também chamados de “esquenta mulher”, porque, à sua chegada ou
passagem, o mulheril se afogueava;
 Torém - É dança que Almofala (Acaraú), nos legou como uma herança dos índios
tremembés, que habitavam a região. Ao sabor do mocororó – aguardente do cajú –
cerca de 20 caboclos (homens e mulheres) iniciam a dança ao ritmo do “aguaim”,
espécie de maracá, empunhado pela figura do “chefe”;
 Côco - Na praia de Majorlândia, município de Aracati, ainda se pode presenciar
exibições de dança do Côco, também denominada de pagode, zambé, bambelô. É
apresentado ao som de caixas, pandeiros, ganzás, íngonos, numa batida contagiante.
Homens e mulheres reunem-se em roda, com um solista no centro, fazendo passos
ritmados, “puxando o côco”, e ao cumprimentar e a despedir-se dos parceiros com
umbigadas, fazendo vênia ou com batida do pé. E a entoarem quadras, emboladas,
sextilhas e décimas, puxadas pelo refrão. Um bailado indígena, dos tupis do litoral;
 Pau-da-bandeira - É festa da Barbalha (Crato), anualmente realizada próximo à
comemoração do Dia de Santo Antônio. Um enorme tronco de árvore, antecipadamente
escolhido, é conduzido ao pé da serra do Araripe até a Igreja da cidade, por mãos de
fortes caboclos. À passagem do séquito, as mulheres solteiras procuram tocar no tronco
que passa, debaixo da crença segundo a qual caso consiga, cedo casará... É uma festa 171
a que todo o Cariri comparece, pelo sabor de tradição que o espetáculo mostra;
 Chegada dos caboclos - A Igreja Matriz de Parangaba, distrito de Fortaleza,
construída no início do século XIX, ainda hoje cuida por realizar, próximo a
comemoração do Natal, a festa da “Chegada dos caboclos”. Trata-se de uma
peregrinação, durante a qual esmolas são pedidas, em nome do Bom Jesus, padroeiro
da Vila, e cuja imagem teria sido doada, segundo a tradição local, por D. João VI, aos
índios porangabas (ou parangabas). Eles vêm de longe e chegam festivos na sede do
distrito fortalezense, por entre foguetórios e cânticos de louvação, conduzindo a coroa
de espinhos do Bom Jesus dos Aflitos;
 Vaquejada - A princípio, o termo vaquejada era a reunião do gado das fazendas, para
as castrações, a ferra, o tratamento das possíveis bicheiras. E das apartações. Para
tanto havia a derrubada do boi. As fazendas, nos tempos mais modernos já não juntam
tanto gado. Mas o espetáculo continua. Há vaquejadas em muitos municípios, em
parques construídos para tal, inclusive em Fortaleza. É emocionante, competitiva, de
muita torcida. Pelo boi, é bom dizer, embora seja o que geralmente cai derrubado pela
destreza do vaqueiro;
 Maneiro-pau - É dança oriunda do cangaço, possivelmente da região caririense, mas
hoje tomando parte de todas as programações festivas do interior do Ceará. Todos os
participantes cantam sob o refrão que dá o nome ao folguedo – maneiro-pau! Dançam
todos em roda, com os cacetes que portam, batem-nos fortemente no chão, de forma
ritmada. De quando em vez, enquanto uns depõem os cacetes no chão, outros os usam
para duelarem entre si, o fazendo cadenciadamente. A dança empolga, especialmente
porque tem uma expressão machista, muito adequada ao temperamento nordestino;
 Maracatu - A rigor é um folclore pernambucano, que lá, realmente, é forte a dosagem
africana na sua etnografia e cultura. No Ceará, em verdade, é uma tradição
carnavalesca. Nos triduos mominos, em Fortaleza, há 60 anos os maracatus desfilam
no corso, empolgando os foliões, pelo ritmo que apresentam e ricas fantasias que
vestem. Há um dia do carnaval só para eles, que são vários, Ás de Ouro, Reis de Paus,
Rei de Espada, Nação Verdes Mares, Nação Baobab, Vozes da África e o Leão
Coroado;
 Pastoril - São encenações dos dramas litúrgicos, popularizados, das festas natalinas.
Processam-se com vários atos, chamados "jornadas", começando com a presença do
anjo anunciando a concepção de Maria. Aparece a Estrela-Guia, com a divisão sempre 172
entre o azul e o encarnado. É festa de quermesses;
 Tiração de reis - Aqui estou em vossa porta... / em figura de raposa, em figura de
raposa / nós queremos qualquer coisa... Cantando assim, grupos de pessoas, no Dia de
Reis - 6 de janeiro - percorrem as cidades, ao som de instrumentos musicais, pedindo
prendas e comes-e-bebes das famílias conhecidas em meio a grande dosagens de
bebidas. Há famílias que abrem as portas para confraternizarem com aqueles que estão
"tirando reis". Há grupos que se fantasiam, com cores berrantes, oferecendo assim um
colorido espetaculoso, que só mais caráter festivo acrescenta;
 Caninha Verde - Dança-cordão de origem portuguesa, introduzida no Brasil durante o
ciclo da cana-de-açúcar. No Ceará começou a ser conhecida no início do presente
século, nas praias de Aracati e passou a ser comum nas colônias de pescadores,
estendendo-se aos festejos mominos e eventos diversos. Apresenta também elementos
de outros folguedos, tais como: casamento matuto (quadrilha junina), mestres e a
formação de cordões (pastoril);
 Dança de São Gonçalo - Como parte integrante da bagagem cultural do colonizador
lusitano, a dança que integrava o culto a São Gonçalo do Amarante, bastante popular
em Portugal, foi introduzida no Brasil, sendo, talvez, um dos ritmos mais difundidos do
catolicismo rural brasileiro. No município de São Gonçalo do Amarante (Ceará) a dança
é realizada durante a festa do santo padroeiro e apresentada em nove jornadas, num
ambiente de muita fé e animação. São Gonçalo é o protetor dos violeiros e das
donzelas casamenteiras;
 Cordel - A Literatura de Cordel é uma manifestação folclórica ainda em divulgação
plena em todo o Nordeste. Assuntos palpitantes são versejados por poetas sertanejos
que os publicam em folhetos, capeados de xilogravuras referentes aos temas tratados.
Como a maioria dos sertanejos é analfabeta, ele é muito lido nas feiras e

concentrações, outras por um declamador que, sem dúvida, contará sempre com um
público atencioso e crente no que está sendo proferido;
 Xilogravura - Trata-se de um artifício com que os gráficos do cordel ilustram as capas
dos folhetos. A técnica consiste em num pedaço de madeira, esculpir um alto relevo,
sobre o qual o papel da capa é prensado. É uma obra de arte primitivesca, por isso
mesmo a constar entre os itens do artesanato e do folclore;
 Desafio - É um gênero da poesia popular, entoada ao som das violas. Dois 173
cantadores, violas em punho, versejam provocações mútuas, improvisadas com
métricas rigorosas, de silabações variadas, a receberem denominações próprias, tais
como: moirão, martelo, o martelo agalopada, o galope, a ligeria, o quadrão, a embolada,
etc.
 Outros - Além das já citadas, outras manifestações folclóricas continuam ainda sendo
vividas no Ceará especialmente nos municípios interioranos, embora Fortaleza ainda as
apresente, seja porque entidades as disseminam e incentivam, como porque as
populações da periferia, egressas dos sertões, as cultuam, com fervor e entusiasmo.
São exemplos dessas outras manifestações folclóricas: O Reisado, A Dança de São
Gonçalo, a Caninha Verde (também chamada Fandango), o Côco, Chegança,
Congada, as Festas Juninas (Santo Antônio, São João e São Pedro) com seus
compadrios, fogueiras e foguetórios (festa da Igreja, popularizada) (Livro didático
Manual de Apoio do Ensino Fundamental II).
À medida que aprendemos, o nosso mundo interior cresce, amplia-se. Em nossa
mente as idéias se multiplicam gerando uma energia criativa. As idéias são como portas de luz
que se acendem em nossas mentes. Os elementos que nos permitirão refletir de forma mais
profunda vêm do processo permanente de aprendizagem que realizamos no cotidiano. Por isso,
a relação com outras pessoas, de diferentes pensamentos, é muito importante.

O processo de descoberta, de autoconhecimento, de revelação do que somos, é um 174


processo que se desenvolve por toda a existência. Nasce de nossas inquietações, cresce com
nossas expectativas diante da vida e do mundo, e amadurece à medida que vamos obtendo as
respostas.

Todos os seres humanos sentem o mundo e se emocionam com ele. Somos todos
dotados de sensibilidades. Através de nossa sensibilidade percebemos as transformações que
acontecem no mundo em que vivemos e também no mundo interior onde procuramos reagir a
essas transformações de maneira adequada.

O nosso contato sensorial com o mundo é o que nos dá a possibilidade de sermos


construtores ativos de nossa cultura. Por meio dos nossos sentidos aprendemos a viver com o
mundo. Dessa maneira o nosso contato com a cultura possibilita o ensino de uma forma
centrada no que realmente você é, e de onde surgiu (as origens). A liberdade e flexibilidade são
atributos do crescimento, que contribuem significativamente em nossa evolução educativa. O
estímulo do agir, o sentimento pela realidade e a interação são antenas que captam a grande
importância cultural na formação do nosso povo.

O mundo nos invade pelos sete orifícios (olhos, ouvidos, narinas e boca) e também
pelo tato. Mas o que isso tem haver com a cultura? Observando a beleza da formação histórica
escrita, são esses os pontos onde procuramos destacar o estudo das raças humanas, o
surgimento das tribos, e a origem do seu povo.

Vivemos em um mundo em que, praticamente, foram supridas as relações sensórias


entre os indivíduos. No entanto, para que se ganhe um significado cultural, é preciso que
canalizemos nossos esforços para estabelecer estreitas relações com o propósito de
desenvolvimento criativo.

A cultura nos leva a diversos seguimentos, quando Clarice Lispector diz:


“. . . Eu quero captar, o instante já,

Que de tão fugitivo, não é mais,

Porque tornou-se um novo instante.

Cada coisa tem um instante em que ela é. Eu


quero apossar-me do é da coisa! 175

Eu tenho um pouco de medo,

medo ainda de me entregar, pois

o próximo instante, é desconhecido.”

Isso nos leva a pensar na essência de toda imaginação da arte, do julgamento, da


análise crítica da beleza cultural voltada para enriquecer a história contada e vivida de um povo,
e valorização educativa.

A cultura está naturalmente voltada para educar, educar na maneira de pensar, educar
na maneira de falar, educar na maneira se destacar, enfim é ela quem abre o caminho de
formação educativa. Ninguém começa a desenvolver uma atividade em sala de aula sem
conhecer a escola, onde está localizada, a história de seu povo, a religiosidade, costumes etc.
Ela fala mais alto e determina a linguagem falada com os seus sotaques e criação do seu povo.

O ser humano é espontâneo, com identidade e vontade própria. Agem de acordo com
a própria determinação, com a liberdade e autonomia, para expressarem aspectos de sua
essência e natureza. Na busca do descobrimento, as nossas possibilidades desenvolvem a
produção, a criação do nosso inconsciente.

Na criação de imagens, as formas têm origem de quem criou, a essa atividade origina-
se a determinação expressões envolvidas no contar. Quando em sala de aula o professor
elabora uma peça teatral, ele está trabalhando o texto escrito, mas a fala está sendo feita pela
origem daquelas crianças e isso que diferencia. Nenhum povo foge de suas origens por mais
culto ou isolado que seja. Cada um tem seu referencial.
A cultura é uma forma completa de expressão humana. Por meio dela revelam-se
seres integrais em todas as suas faces. Quando estimulamos os educandos a nossa inteligência,
(expressões culturais) exercitamos o nosso raciocínio, as habilidades imaginativas, percepções
sensoriais e expressemos a capacidade de se interagir.

Todas essas manifestações subjetivas refletem o meio sociocultural em que vivemos.


Integrar a cultura é conhecer os vários componentes da nossa personalidade e inserirmos no 176
mundo. A este sentido o veículo de comunicação transforma várias abrangências acerca do
mundo exterior e do nosso mundo interior, interagimos de forma intensa.

Quando traduzimos o mundo através de imagens (sonoras, visuais, literárias), estamos


totalizando os limites da realidade, para que a nossa capacidade de criar e recriar possam ser
vistas por todos. Expor a cultura regional de um povo é permitir que o outro conheça e se
enriqueça com o conteúdo estudado. Quando presenciamos o que nosso povo transmite com
sua cultura, temos a condição de fazer um raio X da nossa realidade para nossos alunos que
começam aos poucos descobrindo as suas origens.

Recentemente pude assistir a uma apresentação de Congos e os Pífanos, na


comemoração de uma festa religiosa, e observei o quanto eles voltam ao passado com suas
danças, suas roupas muito cheias de espelhos e tecidos coloridos. É uma riqueza cultural sem
medida, não somente pelas danças, mas pela determinação e força de vontade pela idade que
eles apresentavam, em diversas horas jogando suas espadas no mesmo equilíbrio de passos e
compasso, às vezes aparentava cansaço, mas continuavam no meio de toda aquela multidão se
sentido naturalmente feliz.

Outro ato me chamou atenção, a banda de música municipal, todos os dias às


05h00min da manhã no pátio da Igreja, eles saudavam Nossa Senhora com a sua música, todos
no mesmo ritmo durante todo momento de oração. No último dia procurei observar a seqüência
dos grupos que se formavam em grande procissão religiosa e lá estavam os Pífanos, Congos e a
Banda Municipal. A cultura é a expressão de um povo, é o resgate da verdadeira coragem
humana na complementação de valores sociais culturais e educacionais.

Diante de cada palavra notamos as variedades de sons e possibilidades das misturas


de povos diferentes, que comungam a riqueza do povo culturalmente simples. Para escrever
uma história, precisamos narrar os conflitos ou os problemas analisados com causas e
consequências. Nessas perspectivas de vida retratas com subjetividade, empregando as
palavras para transmitir um pensamento ou um fato criativo. O que importa não é o fato em si,
mas os sentimentos que se quer expressar com palavras que retratem sua visão do mundo.

Quando analisamos o trabalho de um artesão podemos comparar entre o poeta e o


artesão o espaço da sociedade com o mundo. O teatro é um espaço de entretenimento e magia,
de questionamento e de muita emoção. Não é o fim por si mesmo, mas uma possibilidade aberta 177
a inumeráveis representações artísticas.

O espaço que o ator representa as tragédias e comédias humanas podem alcançar a


glória. Um ator realiza-se à medida que a mensagem que transmite alcançar o público, à medida
que é entendida pelo público. Ele não trabalha sozinho, seu êxito depende de integração de uma
equipe de coesão de todos os envolvidos, direta ou indiretamente, com a peça encenada: autor,
diretor, cenógrafo, figurinista, sonoplastia, iluminador, etc.

Podemos pensar que o teatro já disse tudo, mas há muito para dizer. No mundo
sempre acontece alguma coisa que precisa ser mostrada, divulgada, denunciada. Cabe ao bom
ator acrescentar com a sua postura, interpretar, embora inspirada no texto dramático e orientada
na criação livre e única.

É no teatro onde conhecemos textos interpretados que transmitem a linguagem cultural


encenada. A didática trabalhada com criatividade favorece o aluno para se desprender do seu
mundo habitual para viver a história de vida de um passado. A cultura não vem, ela já esta entre
nós, e precisa ser trabalhada nas metodologias com objetivo central: chamar atenção dos alunos
para valorização dos direitos e deveres de um povo.

Não somente o texto falado que vai orientar, a interpretação são questionamentos
adaptados do contexto para realidade do ensinamento didático de cada realidade escolar. Uma
escola que não resgata a cultura, com seus alunos, acredita que o aprendizado fica quebrado,
esta ponte não consegue se ligar. O que faz viver é o conhecimento, a experiência, a
convivência, e quando chega a faltar que vida foi vivida? Afinal a comunicação não é só
conseguir expressar sentimentos, mas saber transmiti-lo.
Brasil

Cazuza

Não me convidaram
Pra essa festa pobre 178
Que os homens armaram pra me convencer
A pagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada antes de eu nascer

Não me ofereceram
Nem um cigarro
Fiquei na porta estacionando os carros
Não me elegeram
Chefe de nada
O meu cartão de crédito é uma navalha

Brasil
Mostra tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim

Não me convidaram
Pra essa festa pobre
Que os homens armaram pra me convencer
A pagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada antes de eu nascer

Não me sortearam
A garota do Fantástico
Não me subornaram
Será que é o meu fim?
Ver TV a cores 179
Na taba de um índio
Programada pra só dizer "sim, sim"
Brasil
Mostra a tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim.

Todos nós somos avaliadores, avaliamos tudo o que acontece, o tempo todo. Criticar é
um dos objetivos da avaliação. Sempre estamos a criticar o que os outros fazem de bom ou de
ruim. Na verdade não se pode limitar o ilimitável. É procurar desnudar o imenso mistério que
povoa a expressão de um dever das amarras que a sociedade impõe. É tentar desvendar as
intenções e as aspirações sempre nos conceitos das épocas. A cultura é um manifesto, um
protesto ou uma crítica social. Às vezes quem faz nem sabe ao certo se ela tem intenções tão
fortes.

Na cultura atual, a arte é objeto de estudo por pessoas que se especializam como
críticos de arte. Essas questões questionam as tendências capacitadas dos patrimônios
culturais. Geralmente guardados em coleções particulares, catalogados em documentários em
vastas literaturas dedicados à perfeição do que se expressa cultura. As tendências, os estilos
das manifestações artísticas se diversificam, assim como diversificam os modos de vida na
sociedade nos sistemas econômicos, políticos e ideológicos. Pode-se associar essas tendências
e os estilos às contribuições para cada momento e ao movimento social grande e intenso.
Através da cultura podemos expressar o nosso pensar, e nosso falar em diversos
sentidos, recriando as emoções.

“E nasci para escrever. Minha liberdade é escrever. A palavra é o meu domínio


sobre o mundo (...). Minhas intuições se tornam mais claras ao esforço de
transpô-las em palavras. É nesse sentido, pois, que escrever me é uma 180
necessidade (...). Tudo acaba, mas o que escrevo continua. O que é bom,
muito bom. O melhor está nas estrelinhas.” (Não seria entrelinhas?)

Clarice Berta Waldman

Escrever a cultura é estar narrando a própria liberdade, liberdade de pensamento,


expressão, e descobrir o que podemos pensar tendo idéias e proporcionando o prazer das
nossas próprias idéias.

“Eu tenho paixão por pensar. Mas não tenho medo que isso me prejudique
porque ainda tenho mais paixão pela vida.”

Mario de Andrade

Quando levamos para nossa realidade o conhecimento da arte popular podemos estar
ligados aos usos e costumes de uma comunidade: o material, o uso de instrumentos ou o
desenvolvimento de certas técnicas. Exprime saber algo comum a muitas pessoas podendo
retratar a realidade delas e as atitudes e sentimentos diante de uma realidade. As atitudes
muitas vezes herdadas poderão estar produzindo uma verdadeira arte. O processo individual
limita para destacar o que está sendo inserido e de qual grupo pertence e faz parte.

Para integrar o mesmo grupo a que se destina a relação o público se estreita a ponto
de confundir para que seja vista a atividade coletiva (arte). Estabelecer categoria para diversos
gêneros da cultura vem produzir uma participação e consumo popular erudito. Entretanto, não se
sabe quantos raros enganos vêm às conceituações comuns da história de um povo.
Como pude expressar aqui no Estado do Ceará e no Brasil, os movimentos culturais
nas camadas sociais de menor ou maior valor econômico destinam a constituir principalmente os
objetos pitorescos que retrata o caráter e a identidade de um povo.

É muito importante não deixar morrer a cultura própria de um povo, pois ela é o rosto
de um simples país. É um patrimônio que resiste ao peso da história, não caindo de moda,
expressando espontaneamente a imaginação de um povo. É arte aprendida de acordo com uma 181
tradição nativa que nasce do desejo de colocar cor, formas e alegria nos objetos que, muitas
vezes, fazem parte do nosso dia-a-dia.

A tarefa de proteger esta arte é delicada e necessária, pois é importante valorizar


essas manifestações culturais, dentro de uma temática mais ou menos delimitada pelas regiões
naturais, manifestando suas origens. Além do meio ambiente, do misticismo e da necessidade
de sobreviver que influenciam seus trabalhos, eles traduzem sua alma à imaginação.

A junção dos conhecimentos dessas culturas fez surgir os artesanatos, contudo, foram
os jesuítas na catequese, que fixaram as técnicas através do ensino. Isso ocorreu por volta dos
séculos XVII e XVIII, com as primeiras missões.

A criação artesanal é transmitida de geração e geração, formando um invejável


patrimônio artístico e cultural.
18 A MAGIA DO BOI NA CULTURA POPULAR

O folclore e suas manifestações culturais conseguem adaptar as suas capacidades de


transformação do nosso tempo. Manter-se vivo e integrado à vida da sociedade. Passa de 182
geração em geração e é filtrado pela história. E a expressão cultural de um povo, com suas
tradições, hábitos, costumes e religião havendo em todos esses aspectos um inter-
relacionamento profundo, que se faz de uma maneira mística e ardente.

A herança portuguesa de líder com os animais domésticos deu ao mundo do sertão


uma técnica de subsistência que caracteriza, no passado, um ciclo econômico do Brasil, o ciclo
pastoril, cujo esplendor foi denominado por Capistrano de Abreu de “Civilização do Couro”. Além
de fornecer a carne, o gado fomentou a criação de uma verdadeira indústria do couro, em fins do
século XVI e durante todo século XVII.

No sertão o couro era usado na confecção de portas, camas, selas, assentamentos de


cadeiras e bancos, botinas, sapatos indumentárias do vaqueiro. Para ele poder enfrentar a
vegetação agreste do sertão, usa: gibão, guarda-peito, jaleco, calça com perneira, também eram
confeccionadas do couro, como também os assessórios usados no cavalo.

Utilizando um pequeno número de instrumentos (martelo, alicates, sovelas e


vazadores, o artesão do couro realiza um trabalho quase todo feito à mão). A roupa do vaqueiro
pode também ser de festa. Ele a veste na vaquejada, costume tradicional que se mantém até
hoje nas capitais e cidades interioranas. É a hora do vaqueiro brilhar, mostrando a sua coragem
e habilidade. Antigamente, a vaquejada era uma espécie de multidão de vaqueiros para reunir e
marcar o gado de diferentes proprietários. Findo o trabalho, eles se reuniam para comemorar em
competições.

O conto de trabalho é companheiro antigo do homem sendo notado no mundo inteiro.


É simples e, até podermos dizer, natural, surgindo muitas vezes com os movimentos ritmados do
trabalho, passando depois a reguladores do próprio ritmo dos movimentos. Os aboios são cantos
de trabalho de excepcional beleza. Constam de cantos entoados isoladamente pelo vaqueiro e
têm como finalidade tanto quebrar a monotonia do trabalho de conduzir o gado como agir sobre
a boiada mantendo-a calma.

O aboio não é um divertimento, mas uma parte do trabalho do vaqueiro, que o


interpreta como atividade séria e de responsabilidade. É o entoado em intervalos de tempos e
com poucas palavras, às vezes com uma só vogal prolongada, passando por sons diferentes. No
final, é utilizada uma frase unicamente à boiada, muitas vezes, o aboio serve para orientação de 183
outros vaqueiros, que andam afastados à procura do gado perdido.

Apesar de fundamentos nacionais em suas características, e sua origem portuguesa, o


diálogo anda acompanhado de instrumentos que oferecem uma visão expressiva e sátira da
realidade.
19 O VERSEJAR DOS POETAS POPULARES NORDESTINOS

O versejar não é privilégio de eruditos. O caboclo sertanejo de alpercatas e chapéu de


couro, com sonoridade e cadencia peculiar, conta seus males, alegrias e destemperos, numa 184
linguagem poética que não fica a dever à de muita gente culta. Seus versos ligados
constantemente à sua realidade possuem um código poético que os distinguem com arte simples
mais autêntica.

Em sextilhas, ao som da viola ou da rabeca, os poetas populares desfiam um rosário


de contas brejeiras, que retratam a personalidade de nossa gente. Contudo não é somente o
lírico, humorístico ou fantasioso. Nunca está distante da realidade que o inspira ou da realidade
que quer transmitir; está sempre atento, atualizado, reivindicando, procurando e participando.

A tristeza ele registra, deixando transparecer nos versos suas angústias, mas sempre
com esperança. É autêntico porta-voz da cultura popular que, em alguns lugares, ainda supera
os modernos veículos de comunicação. A cantoria é o seu ganha-pão. Vivendo do que recebe
enquanto canta versejando, o cantador não pára de percorrer diferentes lugares em busca de
uma “peleja” poética (desafio) com outro cantador e de público, que o ouça e na cuia deposite os
seus agrados.

Nas “pelejas”, os cantadores revelam seus conhecimentos através de sextilhas,


martelos, décimas, emboladas, martelos, agalopados, gemedeiras, etc. Elas traduzem o gênio
criador e a imaginação dos poetas populares. O cordel, muitos desconhecem, outros
menosprezam, mas ela é tão importante quanto à poesia culta.

As obras de cordel nos fazem lembrar a dos travadores medievais. Quem lê os


eruditos e estuda os documentários, citações, a poética, a vida e os costumes dos jograis e
trovadores, percebe a própria história dos nossos menestréis matutos, sobretudo se substitui o
burgo pela nossa vila, pela roça: o castelo pela fazenda: a estrutura feudal pela sociedade
capitalista e burguesa: nobre pelo proprietário: urbano pelo rural.
Pela sua influência na cultura brasileira, o cordel deveria estar nas bibliotecas, nas
escolas. Famosos romancistas, dramaturgos, poetas e músicos buscaram inspirações nos
folhetos populares, ao criarem grandes obras como: José Lins do Rego, Guimarães Rosa, e
muitos outros romancistas, principalmente do Nordeste. Jorge Amado valeu-se muito dessas
histórias simples desse povo.

Enquanto escritores, poetas e sociólogos pesquisam, lentamente. Os folhetos são 185


impressos em precárias tipografias e a figura do cantador ou do poeta popular está
desaparecendo das tradicionais feiras e mercados nordestinos. A literatura de cordel parece
estar com os dias contados. Na dura batalha entre a tradição e o progresso, mais fortes são as
luzes de gás néon das cidades e o poder da televisão. Em nossas mãos está o desafio de lutar
pela sobrevivência de cada modalidade que forma a cultura do nosso povo.

Não é propriamente obrigado fugir dos meios de comunicação de massa, e passar a


desenvolver uma educação primitiva, não, mas trazer a cultura popular para o mundo atual no
qual estamos inseridos. Conhecer o novo às vezes assusta, mas rever o velho e ativar a
saudade de uma geração inserida na geração atual de nossas realidades escolares.

As manifestações culturais do Ceará se dividem em torno de períodos: junino e


natalino. Mas há muitas formas fora desse período de colheitas. Assim os belos espetáculos, as
manifestações marcam épocas, e por isso devemos dar condições ao povo para expressá-las e
readaptá-las, através da liberdade de expressão.

Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores

Geraldo Vandré

Caminhando e Cantando e seguindo a canção


Somos todos iguais braços dados ou não
Nas escolas, nas ruas, campos, construções
Caminhando e Cantando e seguindo a canção
Vem, vamos embora que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora não espera acontecer
Vem, vamos embora que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora não espera acontecer
Pelos campos a fome em grandes plantações
Pelas ruas marchando indecisos cordões
186
Ainda fazem da flor seu mais forte refrão
E acreditam nas flores vencendo o canhão
Há soldados armados, amados ou não
Quase todos perdidos de armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam uma antiga lição
De morrer pela pátria e viver sem razão
Nas escolas, nas ruas, campos, construções
Somos todos soldados armados ou não
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não
Os amores na mente, as flores no chão
A certeza na frente, a história na mão
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Aprendendo e ensinando uma nova lição.

Somos filhos de uma terra que não guarda o passado; devemos lutar pela valorização
das manifestações artísticas populares e eruditas do Nordeste. Não podemos viver de eventos
(ocasiões onde se mostra uma dança, um costume, algumas comidas).

Evento é evento, passa, desaparece, mas nossa cultura não pode desaparecer.
REFERÊNCIAS

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