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DIREITO CONSTITUCIONAL PARA CONCURSOS

| APOSTILA 2018 –
OS: 0111/1/18-Gil

CONCURSO:

1. Poder Constituinte.............................................................................................................01
2. Princípios Fundamentais...................................................................................................04
3. Direitos e Garantias Fundamentais...................................................................................06
3.1. Direitos e Deveres Individuais e Coletivos................................................................09
3.2. Direitos Sociais...........................................................................................................39
3.3. Nacionalidade.............................................................................................................47
3.4. Direitos Políticos e Partidos Políticos........................................................................50
ÍNDICE: 4. Organização do Estado......................................................................................................55
5. Organização dos Poderes..................................................................................................70
5.1. Poder Legislativo........................................................................................................70
5.2. Poder Executivo..........................................................................................................98
5.3. Poder Judiciário........................................................................................................105
6. Funções Essenciais à Justiça.............................................................................................127
7. Questões de Concursos....................................................................................................132
8. CF/88 - Atualizada até a Emenda Constitucional 99/2017.............................................157

O poder constituidor caracteriza-se por ser inicial, já que a


Capítulo 1 sua obra, a constituição, é a base da ordem jurídica, por ser
ilimitado juridicamente e autônomo porque não está de
Poder Constituinte
modo algum limitado pelo direito anterior, não tendo que
respeitar os limites postos pelo direito positivo antecessor,
por ser incondicionado, pois não está sujeito a qualquer
1. CONCEITO DE PODER CONSTITUINTE E TITULARIDADE forma prefixada para manifestar sua vontade e por ser
permanente porque não desaparece com a realização de
É o poder de elaborar ou atualizar uma Constituição, é a
sua obra, continua latente, manifestando-se novamente
manifestação soberana da vontade política de um povo,
mediante uma nova assembleia nacional constituinte ou um
social e juridicamente organizado.
ato revolucionário.
Para a doutrina moderna a titularidade do poder
Embora o Brasil tenha adotado a corrente positivista, onde
constituinte pertence ao povo, embora seja exercido ou por
nem mesmo o direito natural limitaria o poder constituinte
uma assembleia nacional constituinte (convenção) ou
originário contrapondo-se a corrente jusnaturalista,
outorgada por um movimento revolucionário. Vale lembrar
destaca-se entre a doutrina moderna a visão de Canotilho, o
que o abade Emmanuel Joseph Sieyès, que traçou as linhas
qual observa que o poder constituinte originário “...
mestras da Teoria do Poder Constituinte através da sua obra
obedece a padrões e modelos de conduta espirituais,
“¿Que é o terceiro Estado?” (“Quést-ce que le tiers État?”),
culturais, éticos e sociais, radicados na consciência jurídica
apontava como titular do poder constituinte a nação.
geral da comunidade e, nesta medida, considerados como
‘vontade do povo’”.
2. ESPÉCIES DE PODER CONSTITUINTE
2.1. Originário (inicial, inaugural, genuíno, instituidor, ou 2.2. Derivado (instituído, constituído, secundário, ou de 2º
de 1º grau) grau ou remanescente)
Instaura um novo Estado, organizando-o, rompendo por Está inserido na própria constituição, pois decorre de uma
completo com a antiga ordem jurídica. Tanto haverá poder regra jurídica de autenticidade constitucional (poder
constituinte no surgimento de uma primeira constituição, constituinte originário), portanto conhece limitações
quanto na elaboração de qualquer constituição posterior. constitucionais expressas e implícitas e é passível de
controle de constitucionalidade. Caracteriza-se por ser
Pode ser subdividido em histórico (o primeiro) ou
derivado, uma vez que retira sua força do poder
revolucionário (todos os posteriores ao histórico), como
constituinte originário, por ser subordinado, pois se
pode ser material ou formal. O material é o sentimento de
encontra limitado pelas normas explícitas e implícitas do
elaborar uma nova ordem e o formal é aquele que se
texto constitucional e por ser condicionado, porque seu
exterioriza por meio de um procedimento que tem como
exercício deve seguir regras previamente estabelecidas no
objetivo elaborar uma constituição. O formal deve estar de
texto da constituição federal.
acordo com as ideias do poder constituinte originário
material. Ex: Decreto n. 1 de 1899. Subdivide-se em: poder constituinte derivado revisor
(competência de revisão), Poder constituinte derivado
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reformador (competência reformadora) e poder INCISOS, DA LEI MAGNA DE 1988. NÃO SE FAZEM, ASSIM,
constituinte derivado decorrente. CONFIGURADOS OS PRESSUPOSTOS PARA A CONCESSÃO DE
MEDIDA LIMINAR, SUSPENDENDO A EFICACIA DA
RESOLUÇÃO N. 01, DE 1993 - RCF, DO CONGRESSO
2.2.1. Poder Constituinte Derivado Revisor
NACIONAL, ATÉ O JULGAMENTO FINAL DA AÇÃO. MEDIDA
Vinculado ao poder constituinte originário, foi estabelecido CAUTELAR INDEFERIDA. (STF - ADI-MC: 981 PR, Relator:
no art. 3º do ADCT, que reza: NÉRI DA SILVEIRA, Data de Julgamento: 16/12/1993,
TRIBUNAL PLENO, Data de Publicação: DJ 05-08-1994 PP-
“A revisão constitucional será realizada após cinco anos, 19299 EMENT VOL-01752-01 PP-00030)
contados da promulgação da Constituição, pelo voto da
maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional, em
sessão unicameral”. 2.2.2. Poder Constituinte Derivado Reformador

Desta competência, que adotou um procedimento Consiste na possibilidade de se alterar o texto


simplificado, surgiram 6 (seis) Emendas Constitucionais de constitucional, respeitando-se a regulamentação especial
Revisão, valendo destacar que a Resolução 1-RCF do prevista na própria constituição federal e será exercitado
Congresso Nacional fixou as mesmas limitações materiais por determinados órgãos com caráter representativo. Além
(cláusulas pétreas) do art. 60, § 4º, da CF/88. das limitações expressas ou explícitas, existem as limitações
implícitas (a titularidade do poder constituinte e as
Dito poder não poderá mais se manifestar em razão da limitações expressas)
eficácia exaurida e aplicabilidade esgotada da regra
constitucional. A Carta de Outubro prevê em seu art. 60, a única maneira
de se modificar as normas constitucionais originárias,
 Jurisprudência relacionada ao tema: vejamos:
EMENTA. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE.
Art. 60. A Constituição poderá ser emendada mediante
RESOLUÇÃO N. 1 - RCF, DO CONGRESSO NACIONAL, DE proposta:
18.11.1993, QUE DISPÕE SOBRE O FUNCIONAMENTO DOS I - de um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos
TRABALHOS DE REVISÃO CONSTITUCIONAL E ESTABELECE Deputados ou do Senado Federal;
NORMAS COMPLEMENTARES ESPECIFICAS. AÇÃO DE II - do Presidente da República;
INCONSTITUCIONALIDADE AJUIZADA PELO GOVERNADOR III - de mais da metade das Assembleias Legislativas das
DO ESTADO DO PARANA. ALEGAÇÕES DE OFENSA AO unidades da Federação, manifestando-se, cada uma delas,
PARÁGRAFO 4. DO ART. 60 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, EIS pela maioria relativa de seus membros.
QUE O CONGRESSO NACIONAL, PELO ATO IMPUGNADO, § 2º A proposta será discutida e votada em cada Casa do
Congresso Nacional, em dois turnos, considerando-se
"MANIFESTA O SOLENE DESIGNIO DE MODIFICAR O TEXTO
aprovada se obtiver, em ambos, três quintos dos votos dos
CONSTITUCIONAL", MEDIANTE "'QUORUM' DE MERA respectivos membros.
MAIORIA ABSOLUTA", "EM TURNO ÚNICO" E "VOTAÇÃO § 4º Não será objeto de deliberação a proposta de emenda
UNICAMERAL". SUSTENTA-SE, NA INICIAL, ALÉM DISSO, QUE tendente a abolir:
A REVISÃO DO ART. 3. DO ADCT DA CARTA POLÍTICA DE I - a forma federativa de Estado;
1988 NÃO MAIS TEM CABIMENTO, POR QUE ESTARIA II - o voto direto, secreto, universal e periódico;
INTIMAMENTE VINCULADA AOS RESULTADOS DO III - a separação dos Poderes;
PLEBISCITO PREVISTO NO ART. 2. DO MESMO IV - os direitos e garantias individuais.
INSTRUMENTO CONSTITUCIONAL TRANSITORIO. "EMENDA"
E "REVISÃO", NA HISTORIA CONSTITUCIONAL BRASILEIRA. 2.2.3. Poder Constituinte Derivado Decorrente
EMENDA OU REVISÃO, COMO PROCESSOS DE MUDANCA NA Diz respeito a possibilidade que os Estados-membros têm,
CONSTITUIÇÃO, SÃO MANIFESTAÇÕES DO PODER em virtude de sua autonomia político-administrativa, de se
CONSTITUINTE INSTITUIDO E, POR SUA NATUREZA, auto organizarem por meio de suas respectivas
LIMITADO. ESTA A "REVISÃO" PREVISTA NO ART. 3. DO constituições estaduais, sempre respeitando as regras
ADCT DE 1988 SUJEITA AOS LIMITES ESTABELECIDOS NO limitativas estabelecidas pela constituição federal, nos
PARÁGRAFO 4. E SEUS INCISOS, DO ART. 60, DA termos do art. 25, caput e do art. 11 do ADCT:
CONSTITUIÇÃO. O RESULTADO DO PLEBISCITO DE 21 DE
ABRIL DE 1933 NÃO TORNOU SEM OBJETO A REVISÃO A Art. 25. Os Estados organizam-se e regem-se pelas
Constituições e leis que adotarem, observados os princípios
QUE SE REFERE O ART. 3. DO ADCT. APÓS 5 DE OUTUBRO DE
desta Constituição.
1993, CABIA AO CONGRESSO NACIONAL DELIBERAR NO Art. 11. Cada Assembleia Legislativa, com poderes
SENTIDO DA OPORTUNIDADE OU NECESSIDADE DE constituintes, elaborará a Constituição do Estado, no prazo
PROCEDER A ALUDIDA REVISÃO CONSTITUCIONAL, A SER de um ano, contado da promulgação da Constituição
FEITA "UMA SÓ VEZ". AS MUDANCAS NA CONSTITUIÇÃO, Federal, obedecidos os princípios desta.
DECORRENTES DA "REVISÃO" DO ART. 3. DO ADCT, ESTAO
SUJEITAS AO CONTROLE JUDICIAL, DIANTE DAS "CLAUSULAS No que diz respeito ao “observados os princípios desta
PETREAS" CONSIGNADAS NO ART. 60, PAR. 4. E SEUS Constituição” constante no caput do art. 25 da Constituição
Federal, deve ser entendido por princípios constitucionais
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sensíveis (apontados ou enumerados), que se encontram integrante da Federação brasileira. Esse ato representa,
positivados na constituição, mais precisamente no art. 34, dentro do sistema de direito positivo, o momento inaugural
VII, princípios constitucionais estabelecidos (organizatórios), e fundante da ordem jurídica vigente no âmbito do Distrito
que segundo Bulos “são aqueles que limitam, vedam, ou Federal. Em uma palavra: a Lei Orgânica equivale, em força,
proíbem a ação indiscriminada do Poder Constituinte autoridade e eficácia jurídicas, a um verdadeiro estatuto
Decorrente”, como exemplo, tem-se as regras de repartição constitucional, essencialmente equiparável às Constituições
de competência (arts. 21, 22, 23 e 24), do sistema tributário promulgadas pelos Estados-membros. (Rcl 3.436, 01.08.05).
nacional (arts. 145 e ss), da organização dos poderes (arts.
EMENTA. (...) 3. Conquanto submetido a regime
44 e ss), dos direitos e garantias individuais (art. 5º) etc, e os
constitucional diferenciado, o Distrito Federal está bem mais
princípios constitucionais extensíveis, que ainda segundo
próximo da estruturação dos Estados-membros do que da
Bulos “são aqueles que integram a estrutura da federação
arquitetura constitucional dos Municípios. (ADI 3.756/DF,
brasileira, relacionando-se, por exemplo, com a forma de
Rel. Min. Carlos Britto, DJ 19.10.2007).
investidura em cargos eletivos (art. 77), o processo
legislativo (arts. 59 e ss), os orçamentos (arts. 165 e ss), os
2.3. Poder Constituinte Difuso
preceitos lidados à Administração Pública (arts. 37 e ss)
etc.”. Uadi Lammêgo Bulos cita o poder constituinte difuso,
chamado assim porque não vem formalizado nas
No que se refere aos Municípios, sabe-se que há divergência
constituições, embora esteja presente nos ordenamentos
doutrinária quanto a existência da competência derivada
jurídicos. É caracterizado como um poder de fato e se
decorrente, considerando o art. 29, caput, da CF/88 (texto
concretiza por meio das mutações constitucionais, uma vez
permanente) e § único do art. 11 do ADCT. Entretanto, a
que se manifesta de maneira informal e espontânea, em
doutrina majoritária se posiciona no sentido de que o poder
decorrência de fatores sociais, políticos e econômicos,
constituinte derivado decorrente dado aos Estados
sempre observando os princípios estruturantes da
Federados não se estende aos Municípios, principalmente
Constituição.
no que tange ao critério jurídico-formal.

Art. 29. O Município reger-se-á por lei orgânica, votada em 2.4. Poder Constituinte Supranacional
dois turnos, com o interstício mínimo de dez dias, e
aprovada por dois terços dos membros da Câmara Segundo Kildare Gonçalves Carvalho, o poder constituinte
Municipal, que a promulgará, atendidos os princípios supranacional tem sua fonte de validade na cidadania
estabelecidos nesta Constituição, na Constituição do universal, no pluralismo de ordenamentos jurídicos, na
respectivo Estado e os seguintes preceitos: vontade de integração e em um conceito remodelado de
Art. 11. Cada Assembleia Legislativa, com poderes soberania. Cria uma ordem jurídica de cunho constitucional,
constituintes, elaborará a Constituição do Estado, no prazo
haja vista que passa a aderir ao direito comunitário dos
de um ano, contado da promulgação da Constituição
Federal, obedecidos os princípios desta. Estados Nacionais.
Parágrafo único. Promulgada a Constituição do Estado,
caberá à Câmara Municipal, no prazo de seis meses, votar a 2.5. Poder Constituinte Originário e a teoria da
Lei Orgânica respectiva, em dois turnos de discussão e Retroatividade Mínima.
votação, respeitado o disposto na Constituição Federal e na
Constituição Estadual. Quando nasce uma nova ordem aplica-se a Teoria da
Retroatividade Mínima, salvo se a própria norma dispuser
No caso do Distrito Federal, como a derivação da em sentido contrário (Retroatividade Média ou Máxima). A
competência é direta da Norma Constitucional, apesar de Jurisprudência do Suprem Tribunal Federal conceituou os
ser regido por Lei Orgânica (critério jurídico-formal), a institutos quando do julgamento do Recurso Extraordinário
Jurisprudência Pátria tem entendido pela existência da 242.740.
manifestação do poder constituinte derivado decorrente,
 Jurisprudência relacionada ao tema:
nos termos do art. 32, caput:
EMENTA (...). Já se firmou a jurisprudência desta Corte no sentido
“O Distrito Federal, vedada sua divisão em Municípios, de que os dispositivos constitucionais têm vigência imediata,
reger-se-ão por lei orgânica, votada em dois turnos com alcançando os efeitos futuros de fatos passados (retroatividade
interstício mínimo de dez dias, a aprovada por dois terços mínima). Salvo disposição expressa em contrário - e a Constituição
da Câmara Legislativa, que a promulgará, atendidos os pode fazê-lo -, eles não alcançam os fatos consumados no passado
princípios estabelecidos nesta Constituição”. nem as prestações anteriormente vencidas e não pagas
(retroatividades máxima e média). (...). (RE 242.740/GO, Rel. Min.
 Jurisprudência relacionada ao tema: Moreira Alves, 1ª. Turma, DJ 18.05.2001).
EMENTA. A Lei Orgânica do Distrito Federal constitui
instrumento normativo primário destinado a regular, de
modo subordinante – e com inegável primazia sobre o
ordenamento positivo distrital – a vida jurídico-
administrativa e político-institucional dessa entidade
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sobre proposta de emenda constitucional tendente a abolir


Capítulo 2 a Federação (art. 60, § 4º, I da CF).
Princípios Fundamentais A República foi a Forma de Governo assumida pelo país,
tendo como características: a eletividade, temporariedade e
responsabilidade do governante perante os governados.
O termo princípio traduz-se na ideia de início, origem, O Princípio da indissolubilidade do vínculo federativo, em
começo, e ainda, numa outra acepção, em mandamento, nosso Estado Federal, foi consagrado em nossas
norma nuclear de um sistema. Nesse contexto, os princípios constituições republicanas desde 1891 e tem duas
fundamentais nada mais são que as diretrizes básicas que finalidades básicas: a unidade nacional e a necessidade
produzem decisões políticas imprescindíveis à estruturação descentralizadora. Inadmissível, portanto, qualquer
do Estado. São alicerce, a base, as linhas mestras sociais e pretensão de separação de um Estado-membro, do Distrito
políticas que norteiam e inspiram os conteúdos positivados Federal ou de qualquer Município da Federação, inexistindo
pelo legislador constituinte originário. em nosso ordenamento jurídico o denominado direito de
No art. 1º estão estabelecidos os fundamentos da República secessão, pois a mera tentativa de secessão permitira a
Federativa do Brasil, como se vê a seguir: decretação de intervenção federal (art. 34, I da CF).
O Estado Democrático de Direito é mais amplo que Estado
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela
de Direito. A expressão “Estado de Direito” na sua origem
união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito
Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e significa governo a partir de leis, porém quaisquer leis. Com
a introdução da característica de ser democrático na
tem como fundamentos:
Constituição Federal de 1988, impõe-se a todas as normas a
I - a soberania; observância a tal princípio; não sendo suficientes apenas as
II - a cidadania; leis, mas principalmente que nestas esteja inserido o
conteúdo democrático, uma vez que o regime político
III - a dignidade da pessoa humana; adotado é a democracia.
IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; A soberania significa poder ilimitado na ordem interna e
V - o pluralismo político. independente na ordem internacional.

Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o A cidadania está relacionado com a titularidade de direitos
exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, políticos, implicando, assim, na parcela detentora de
nos termos desta Constituição. capacidade eleitoral ativa.
A dignidade da pessoa humana compreende o direito de
Nesse dispositivo tem-se a definição da República
nascer com vida e permanecer vivo com uma vida digna.
Federativa do Brasil sob o aspecto territorial, ou físico, a
Deve ser interpretado com o máximo de amplitude possível
República é composta dos Estados, do Distrito Federal e dos
na hora de conceituá-lo, aplicando o princípio da máxima
Municípios.
efetividade ou eficiência.
Há de se observar que República Federativa do Brasil é o
Os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa são
nome do Estado Brasileiro, que adota o federalismo, por
características do sistema capitalista: valorização do
isso a designação Estado Federal. Este, por sua vez, compõe-
trabalho, único responsável pela subsistência e
se de coletividades regionais autônomas denominadas
desenvolvimento dos indivíduos e do país e a prevalência da
Estados-membros ou federados.
livre iniciativa, a qual afasta os ideais socialistas de
Para Celso Bastos, soberania é atributo que se confere ao planificação da economia.
poder do Estado em virtude de ser juridicamente ilimitado
O pluralismo político não significa apenas pluripartidarismo,
(todo o poder). Já autonomia é margem de discrição de que
sendo este uma espécie do gênero daquele. Caracteriza-se
uma pessoa goza para decidir sobre seus negócios (parcela
pela aceitação de diversidade de opiniões, participação
do poder).
plural na sociedade do mais diversos modos, abrangendo
A Constituição adotou como Forma de Estado o associações, sindicatos, partidos políticos, igrejas,
Federalismo, que no conceito de Dalmo Dallari é uma universidades, escolas etc.
“aliança ou união de Estados”, baseada em uma
O Regime Político adotado no Brasil é o democrático, ou
constituição e onde “os Estados que ingressam na federação
seja, governo do povo, para o povo, pelo povo. O poder
perdem sua soberania no momento mesmo do ingresso,
advém do povo, que o exerce por meio de representantes
preservando, contudo, uma autonomia político-
eleitos ou diretamente (democracia semidireta ou
administrativa”. Assim, não se admite secessão, separação
participativa).
ou segregação. Lembre-se, o legislador constituinte
determinou a impossibilidade de qualquer deliberação Dispositivo correspondente: art. 170, CF.

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 Jurisprudência relacionada ao tema: Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas
EMENTA. (...) Ninguém é obrigado a cumprir ordem ilegal, relações internacionais pelos seguintes princípios:
ou a ela se submeter, ainda que emanada de autoridade I - independência nacional;
judicial. Mais: é dever de cidadania opor-se à ordem ilegal;
caso contrário, nega-se o Estado de Direito. (STF HC II - prevalência dos direitos humanos;
73.454/RJ). III - autodeterminação dos povos;
EMENTA. (...) O princípio da livre iniciativa não pode ser IV - não intervenção
invocado para afastar regras de regulamentação do
mercado e de defesa do consumidor. (STF RE 349.686, V - igualdade entre os Estados;
14.06.2005). VI - defesa da paz;
Art. 2º São Poderes da União, independentes e harmônicos VII - solução pacífica dos conflitos;
entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.
VIII - repúdio ao terrorismo e ao racismo;
Defende a doutrina que a divisão é de Funções, e não de IX - cooperação entre os povos para o progresso da
Poderes, considerando que o Poder é uno, além de ser humanidade;
indivisível e indelegável.
X - concessão de asilo político.
A Tripartição de Poderes foi esboçada por Aristóteles e
firmada por Montesquieu e Locke. Parágrafo único. A República Federativa do Brasil buscará a
integração econômica, política, social e cultural dos povos
Os poderes participam, por vezes, das atribuições uns dos da América Latina, visando à formação de uma
outros, a fim de que se garanta a harmonia entre eles, a comunidade latino-americana de nações.
inocorrência de abusos e a consequente realização do bem
da coletividade, através do sistema de freios e contrapesos Os dez princípios de relações internacionais que devem ser
– checks and balances. Assim as funções administrativa, hermeneuticamente analisados e concretizados com o
legislativa e judiciária não são exercidas com exclusividade, intuito de lograr o objetivo constante no parágrafo único e
mas apenas preponderantemente por cada “Poder”. Daí a consistem em verdadeiros desafios das relações
denominação em funções típicas e atípicas (secundárias ou internacionais rumo a efetiva implantação de uma
subsidiárias). comunidade latino-americana de nações.
Os Poderes são harmônicos e independentes, ou seja, entre O princípio da independência nacional retrata, segundo
os órgãos há cortesia no trato recíproco e na atuação do Cretela Júnior, a afirmativa da soberania como fundamento
exercício de suas atribuições não há ingerência dos demais, da República, previsto no art. 1º da Lei Maior. O princípio
com liberdade para organizar serviços e tomar decisões, da autodeterminação dos povos também está marcado pela
apesar da doutrina indicar na própria constituição exceções Soberania, pois diz respeito aos limites a todo e qualquer
a separação dos poderes, como por exemplo, o art. 50, § 1º. poder colonizante. Ainda no campo da soberania, o
princípio da não intervenção consiste na proibição de um
Como exemplo, tem-se a competência de legislar do Poder
Estado interferir sobre outro em assuntos de natureza
Legislativo. O Congresso aprova os projetos de leis, que
interna.
podem ser sancionados ou vetados pelo Presidente da
República e no caso de haver sanção, poderá o Poder Acerca do princípio da prevalência dos direitos humanos,
Judiciário declarar a inconstitucionalidade. tem-se a lição de Pedro Dallari: "a prevalência dos direitos
humanos, enquanto princípio norteador das relações
Ressalte-se que a Separação dos Poderes é cláusula pétrea
exteriores do Brasil e fundamento colimado pelo País para a
(art. 60, § 4º, III).
regência da ordem internacional não implica tão-somente o
Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República engajamento no processo de edificação de sistemas de
Federativa do Brasil: normas vinculados ao Direito Internacional Público. Impõe-
se buscar a plena integração das regras de tais sistemas à
I - construir uma sociedade livre, justa e solidária; ordem jurídica interna de cada Estado".
II - garantir o desenvolvimento nacional; O princípio da igualdade prevê que todos os Estados são
III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as iguais perante a lei brasileira.
desigualdades sociais e regionais; O princípio da solução pacífica dos conflitos determina
IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de como o Brasil se posiciona em relação aos conflitos. O
origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de desinteresse em envolver-se em um conflito e a falta de
discriminação. incentivo a prática da guerra estão relacionados ao princípio
da defesa da paz, um objetivo supranacional.
Não se trata de um rol taxativo, mas exemplificativo.
O princípio do repúdio ao racismo e ao terrorismo é um
Dispositivo correspondente: art. 170, CF. compromisso ético-jurídico assumido pelo Estado Brasileiro,
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quer perante a sua própria Constituição, quer em face da


comunidade internacional. Há adesão do Brasil a tratados e Capítulo 3
acordos multilaterais que repudiam quaisquer
Direitos e Garantias Fundamentais
discriminações raciais, de cor, credo, descendência ou
origem inspiradas na pretensa superioridade de um povo
sobre outro.
1. BREVE EVOLUÇÃO DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS
Sobre o princípio da cooperação para o progresso da
A história dos direitos fundamentais está diretamente ligada
humanidade, o legislador pretende alcançar uma
ao aparecimento do constitucionalismo no final do século
cooperação entre países para um desenvolvimento
XVIII, que, entretanto, herdou da idade média as ideias de
unilaterial ou bilateral ou multilateral. Nesse sentido, o
contenção do poder do Estado em favor do cidadão, tendo
Brasil já possui relações internacionais de cooperação, tais
como ponto ápice a célebre Magna Carta, escrita na
como: a Declaração de Princípios sobre a Cooperação entre
Inglaterra, em 1215, pela qual o Rei João Sem Terra
o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo do
reconhecia alguns direitos dos nobres, limitando o poder do
Canadá para a Manutenção da Paz e da Segurança
monarca.
Internacionais, realizado em Brasília, em 15 de janeiro de
1998, e o Tratado de Amizade, Cooperação e Consulta entre Com a Revolução Francesa, em 1789, se acentuaram os
a República Portuguesa e a República Federativa do Brasil, movimentos e documentos escritos que buscavam garantir
aprovado pela Resolução da Assembléia da República aos cidadãos os seus direitos elementares em face da
83/2000, de 14 de dezembro de 2000. atuação do poder público. Destaque-se a denominada
Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789,
Partindo do conceito, segundo o mestre Rezec, asilo
produto daquela revolução ocorrida em território francês.
político “... é o acolhimento, pelo Estado, de estrangeiro
perseguido alhures – geralmente, mas não Pouco antes disso, porém, outro documento entrava para a
necessariamente, em seu próprio país patrial –, por causa de história, como resultado da revolução Americana, a
dissidência política, de delitos de opinião, ou por crimes que, Declaração de Virgínia, elaborada em 1776, estabelecendo
relacionados com a segurança do Estado, não configuram os direitos fundamentais do povo norte-americano, tais
quebra do direito penal comum”, verifica-se que não há como a liberdade, a igualdade, eleição de representantes,
incompatibilidade entre o instituto do asilo político e o da dentre outros.
extradição passiva, na exata medida em que o Supremo
Em 1948, logo após a 2a Guerra Mundial, a Organização das
Tribunal Federal não está vinculado ao juízo formulado pelo
Nações Unidas fazia editar a Declaração Universal dos
Poder Executivo na concessão administrativa daquele
Direitos do Homem, estendendo para praticamente todo o
benefício. A condição jurídica de asilado político não
mundo o respeito e a proteção aos direitos fundamentais do
suprime, só por si, a possibilidade de o Estado brasileiro
ser humano.
conceder, presentes e satisfeitas às condições
constitucionais e legais que a autorizam, a extradição que Paulo Bonavides, comentando sobre a importância das
lhe haja sido requerida. O estrangeiro asilado no Brasil só declarações dos direitos do homem, enaltecendo aquela
não será passível de extradição quando o fato ensejador do nascida na França, em mais uma lição magistral, ensina que:
pedido assumir a qualificação de crime político ou de “Constatou-se então com irrecusável veracidade que as
opinião. declarações antecedentes de ingleses e americanos podiam
talvez ganhar em concretude, mas perdiam em espaço de
É importante, ainda, comentar sobre a relativização da
abrangência, porquanto se dirigiam a uma camada social
soberania em prol dos direitos humanos. A teoria da
privilegiada (os barões feudais), quando muito a um povo ou
soberania absoluta e plena foi sendo transformada até se
a uma sociedade que se libertava politicamente, conforme
alcançar o que se denomina de princípio da soberania. Os
era o caso das antigas colônias americanas, ao passo que a
princípios da não-intervenção e da igualdade formal dos
Declaração francesa de 1789 tinha por destinatário o gênero
Estados não exercem papel imperativo no contexto
humano. Por isso mesmo, e pelas condições da época, foi a
internacional, tendo em vista as justificativas dadas pelas
mais abstrata de todas as formulações solenes já feitas
grandes forças mundiais, tais como o terrorismo, os Direitos
acerca da liberdade”.
Humanos e até mesmo a busca pela justiça e pela paz, na
tomada de medidas que interferem fora do âmbito daquilo
2. DISTINÇÃO ENTRE DIREITO E GARANTIA
que poderíamos chamar de soberania interna dos Estados.
Muitos doutrinadores diferem “Direitos” de “Garantias”
No Brasil, um novo conceito de soberania surgiu frente os
Fundamentais. Essa distinção, no direito brasileiro, foi feita
avanços trazidos pela Constituição Federal de 1988 e as
por Rui Barbosa, ao separar as disposições declaratórias, e
jurisprudências do Supremo Tribunal Federal, em que
as garantias, disposições assecuratórias. Em outras palavras,
prevalece a dignidade humana nas relações internacionais.
o direito é o “bem” protegido pela norma e a garantia é o
Exemplo disso é a submissão do Brasil ao Tribunal Penal
mecanismo criado pela norma para defender o direito. Em
Internacional (art. 5º, § 4º, da CF/88).
contrapartida, Sampaio Dória, defende a tese de que as
Garantias também são Direitos.
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Os direitos e garantias fundamentais, consagrados na em um “patamar superior”, merecendo visibilidade superior


constituição federal, não são ilimitados, absolutos, uma vez aos demais direitos fundamentais. E para tanto, afirma
que encontram seus limites nos demais direitos igualmente expressamente que “A dignidade jurídica da paz deriva do
consagrados pela Carta Magna (Princípio da relatividade ou reconhecimento universal que se lhe deve enquanto
convivência das liberdades públicas). pressuposto qualitativo da convivência humana, elemento
de conservação da espécie, reino de segurança dos
Na lição de Canotilho, os direitos fundamentais exercem a
direitos”.
função de defesa do cidadão sob dupla perspectiva: a) no
plano jurídico-político, funcionam como normas de  Jurisprudência relacionada ao tema:
competência negativa para os Poderes Públicos, proibindo-
EMENTA. (...). Enquanto os direitos de primeira geração
os de atentarem contra a esfera individual da pessoa; b) no
(direitos civis e políticos) – que compreendem as liberdades
plano jurídico-subjetivo, implicam o poder de exercer
clássicas, negativas ou formais – realçam o princípio da
positivamente os direitos fundamentais (liberdade positiva),
liberdade e os direitos de segunda geração (direitos
e de exigir omissões dos poderes públicos.
econômicos, sociais e culturais) – que se identifica com as
liberdades positivas, reais ou concretas – acentuam o
3. CLASSIFICAÇÃO HISTÓRICA DOS DIREITOS
princípio da igualdade, os direitos de terceira geração, que
FUNDAMENTAIS
materializam poderes de titularidade coletiva atribuídos
A doutrina, baseada na ordem histórica cronológica em que genericamente a todas as formações sociais, consagram o
passam a ser institucionalmente reconhecidos, classifica os princípio da solidariedade e constituem um momento
direitos fundamentais em dimensões (gerações). Em importante no processo de desenvolvimento, expansão e
primeira análise, Paulo Bonavides, os classificou em: reconhecimento dos direitos humanos, caracterizados,
enquanto valores fundamentais indisponíveis, nota de uma
Direitos de primeira dimensão: são os direitos civis e
essencial inexauribilidade. (...) (STF MS 22.164, 17/11/95).
políticos, e compreendem as liberdades clássicas (liberdade,
propriedade, vida, segurança). São direitos do indivíduo
4. EFICÁCIA VERTICAL E HORIZONTAL DOS DIREITOS
perante o Estado, são limites impostos à atuação do Estado,
FUNDAMENTAIS (EFICÁCIA PRIVADA OU EXTERNA)
resguardando direitos considerados indispensáveis a cada
pessoa humana. Significa uma prestação negativa, um não Quando se fala da relação entre particulares, vê-se que
fazer do Estado, em prol do cidadão. existe eficácia horizontal dos direitos fundamentais, mas
quando se está diante da relação entre particular e Estado,
Direitos de segunda dimensão: correspondem aos direitos
passa a existir eficácia vertical dos direitos fundamentais.
sociais, que são direitos de conteúdo econômico e cultural
que visam melhorar as condições de vida e de trabalho da  Jurisprudência relacionada ao tema:
população. Significa uma prestação positiva, um fazer do
EMENTA. (...) Eficácia dos direitos fundamentais nas
Estado em prol dos menos favorecidos pela ordem social e
relações privadas. As violações a direitos fundamentais não
econômica. Esses direitos nasceram em razão de lutas de
ocorrem somente no âmbito das relações entre o cidadão e
uma nova classe social, os trabalhadores.
o Estado, mas igualmente nas relações travadas entre
Direitos de terceira dimensão: corresponde aos direitos pessoas físicas e jurídicas de direito privado. Assim, os
difusos e coletivos, são os direitos de solidariedade e direitos fundamentais assegurados pela Constituição
fraternidade, considerados transindividuais, os direitos de vinculam diretamente não apenas os poderes públicos,
pessoas coletivamente consideradas. São direitos coletivos, estando direcionados também à proteção dos particulares
como a proteção ao meio ambiente, à qualidade de vida em face dos poderes privados. Os princípios constitucionais
saudável, ao progresso, à paz, à autodeterminação dos como limites à autonomia privada das associações. (...). (STF
povos e a defesa do consumidor, da infância e da juventude. RE 201.819, 27/10/06).
Note-se que há um comparativo desses direitos ao lema da
5. EFICÁCIA “IRRADIANTE” DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS
Revolução Francesa: liberdade, igualdade e fraternidade.
Dimensão subjetiva é a visão clássica dos Direitos
Em outra oportunidade, o mencionado autor cita ainda os
Fundamentais. Consiste em enxergá-los como um direito da
direitos de quarta dimensão: “são direitos da quarta
pessoa em face do Estado, o qual deve exercer um papel
geração o direito à democracia, o direito à informação e o
negativo (abstenção de intervir para que não viole os
direito ao pluralismo. Deles depende a concretização da
direitos previstos, notadamente os direitos e garantias
sociedade aberta ao futuro, em sua dimensão de máxima
individuais) ou positivo (prestações que o Estado faz para as
universalidade, para a qual parece o mundo inclinar-se no
pessoas de forma a garantir condições mais dignas de
plano de todas as relações de convivência”.
sobrevivência, notadamente os direitos sociais).
Embora alguns doutrinadores afirmem que o direito à paz
A dimensão objetiva dos direitos fundamentais tem como
esteja inserido entre os direitos de terceira dimensão, Paulo
consequência a eficácia irradiante dos direitos para o
Bonavides o desloca para a quinta dimensão, em virtude de
legislativo na função de legislar, para o executivo na função
suas características próprias e independentes, pois estaria
de administrar e para o Judiciário na função jurisdicional. É a
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nova visão, onde os Direitos Fundamentais devem ser 7. Historicidade: os direitos fundamentais nasceram de uma
enxergados não só sob a ótica dos “direitos das pessoas única evolução e desenvolvimento histórico e cultural.
frente ao Estado”, mas como enunciados que contém alta Como afirmava o saudoso professor Norberto Bobbio: “os
carga valorativa. Valores, princípios, regras que norteiam a direitos do homem, por mais fundamentais que sejam, são
aplicação do ordenamento jurídico e assumem um papel direitos históricos, ou seja, nascidos em certas
central no constitucionalismo. Nesse aspecto, a visão circunstâncias, caracterizadas por lutas em defesa de novas
objetiva cumpre com o papel de: estruturar, regulamentar, liberdades contra velhos poderes, e nascidos de modo
concretizar, estruturar, impor o cumprimento das normas o gradual, não todos de uma vez e nem de uma vez por todas.
mais rápido possível (visto que os direitos fundamentais têm (...) o que parece fundamental numa época histórica e numa
aplicação imediata); em suma, devem ser observados pelas determinada civilização não é fundamental em outras
normas jurídicas futuras. Importante lembrar que esses épocas e em outras cultuas”.
direitos podem ser condicionados uns em relação aos outros
8. Irrenunciabilidade: parte da premissa de que os direitos
(caso, de sigilo de dados, por exemplo), preservando-se os
fundamentais não podem ser renunciados pelo seu titular,
núcleos essenciais de cada um.
que não pode fazer com eles o que quiser, uma vez que os
mesmos possuem uma eficácia objetiva no sentido de que
6. CARACTERÍSTICAS DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS
não importa apenas ao sujeito ativo, mas interessam a toda
As características dos direitos fundamentais é um tema coletividade. Entretanto, a suprema Corte Constitucional
doutrinário, assim dá ensejo a muitas discussões jurídicas. (STF) vem admitindo a renúncia, ainda que excepcional, de
Há um rol enumerativo das características, mas nunca certos direitos.
deixando de existir divergências entre as teses dogmáticas
9. Vedação ao retrocesso: os direitos fundamentais uma vez
apresentadas. Com fundamento nas doutrinas
estabelecidos não se admite o retrocesso visando a sua
constitucionalistas e nos reconhecimentos jurisprudenciais,
limitação ou diminuição, existindo parte da doutrina
as características mais importantes no que tange aos direitos
afirmando que tais direitos constituem uma limitação
e garantias fundamentais são: universalidade,
metajurídica ao poder constituinte originário, atuando como
indivisibilidade, interdependência, interrelacionaridade,
critério de aferição da legitimidade do conteúdo
imprescritibilidade, complementaridade, individualidade,
constitucional. A referida característica impede a revogação
inviolabilidade, indisponibilidade, inalienabilidade,
de normas garantidoras de direitos fundamentais e impede
historicidade, irrenunciabilidade, vedação ao retrocesso,
a implementação de políticas públicas de enfraquecimento
efetividade e limitabilidade.
de direitos fundamentais.
1. Universalidade: os direitos e garantias fundamentais
A exegese constitucional assegurada a proteção do núcleo
vinculam-se ao princípio da liberdade, conduzido pela
essencial e intangível dos direitos fundamentais, tendo
dignidade da pessoa humana, os mesmos devem ser
origem no próprio Estado Democrático de Direito que se
destinados a todos os indivíduos, independente da raça,
define pela proteção extremada da dignidade do Homem e
credo, nacionalidade, convicção política, a coletividade
plena eficácia das normas implementadas, sendo que os
jurídica em geral.
direitos sociais já realizados e efetivados pela legislação
2. Indivisibilidade: os direitos compõem um único conjunto, devem ser tidos como constitucionalmente garantido, tendo
uma totalidade, pois não são analisados de maneira isolada, como consequência a invalidade das medidas que visam
separada. O desrespeito a um deles constitui a violação de anular ou cancelar o núcleo dos direitos fundamentais,
todos. devendo as mesmas ser consideradas inconstitucionais.
3. Interdependência: os direitos fundamentais são 10. Efetividade: o Estado deve exercer o papel de garantir a
intrinsecamente relacionados, pois para atingirem suas máxima efetividade dos direitos fundamentais.
principais finalidades possuem intersecções.
11. Limitabilidade ou relatividade: reza que nenhum direito
4. Interrelacionaridade: a evolução da proteção nacional e fundamental poderá ser considerado absoluto, mas devem
internacional dos direitos fundamentais assegurou maior ser interpretados e aplicados levando-se em consideração
abrangência a inviolabilidade dos direitos e garantias os limites fáticos e jurídicos existentes, especialmente
fundamentais no âmbito regional e mundial. Dita quando estão diante de outros direitos fundamentais.
característica concede a pessoa a opção da proteção da Conforme ressalta Paulo Gustavo Gonet Branco: “(...) os
inviolabilidade do seu direito fundamental, a global ou direitos fundamentais podem ser objeto de limitações, não
regional. sendo, pois, absolutos. (...) Até o elementar direito à vida
tem limitação explícita no inciso XLVII, a, do art. 5º, em que
5. Imprescritibilidade: os direitos fundamentais não se
se contempla a pena de morte em caso de guerra
perdem com o tempo, não prescrevem, apesar de existir
formalmente declarada”.
exceções a essa regra.
Ademais, as limitações aos direitos fundamentais não são
6. Inalienabilidade: os direitos são intransferíveis,
ilimitadas, só podendo ser limitado o estritamente
inegociáveis e indisponíveis, sem cunho patrimonial. Tal
necessário, uma vez que com os preceitos constitucionais
inalienabilidade resulta da dignidade da pessoa humana.
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devem respeitar os princípios da razoabilidade e INADIMPLEMENTO, PELO PODER PÚBLICO, DE DIREITOS


proporcionalidade. Segundo Konrad Hesse: “A limitação de PRESTACIONAIS. - O princípio da proibição do retrocesso
direitos fundamentais deve, por conseguinte, ser adequada impede, em tema de direitos fundamentais de caráter
para produzir a proteção do bem jurídico, por cujo motivo social, que sejam desconstituídas as conquistas já
ela é efetuada. Ela deve ser necessária para isso, o que não alcançadas pelo cidadão ou pela formação social em que ele
é o caso, quando um meio mais ameno bastaria. Ela deve, vive. - A cláusula que veda o retrocesso em matéria de
finalmente, ser proporcional em sentido restrito, isto é, direitos a prestações positivas do Estado (como o direito à
guardar relação adequada com o peso e o significado do educação, o direito à saúde ou o direito à segurança pública,
direito fundamental.” v.g.) traduz, no processo de efetivação desses direitos
fundamentais individuais ou coletivos, obstáculo a que os
12. Inviolabilidade: impõe a observância dos direitos
níveis de concretização de tais prerrogativas, uma vez
fundamentais por normas infraconstitucionais ou por atos
atingidos, venham a ser ulteriormente reduzidos ou
das autoridades públicas.
suprimidos pelo Estado. Doutrina. Em consequência desse
13. Complementaridade: os direitos fundamentais constitu- princípio, o Estado, após haver reconhecido os direitos
cionais se complementam e não há hierarquia entre eles. prestacionais, assume o dever não só de torná-los efetivos,
mas, também, se obriga, sob pena de transgressão ao texto
14. Concorrência: podem ser exercidos cumuladamente por
constitucional, a preservá-los, abstendo-se de frustrar -
um mesmo sujeito ativo.
mediante supressão total ou parcial - os direitos sociais já
15. Aplicação imediata (eficácia direta, imediata e concretizados. (...) (STF ARE 639337 AgR, Relator(a): Min.
vinculante): com base no art. 5º, § 1º da Constituição CELSO DE MELLO, Segunda Turma, julgado em 23/08/2011,
Federal que diz: “As normas definidoras dos direitos e DJe-177 DIVULG 14-09-2011 PUBLIC 15-09-2011 EMENT
garantias fundamentais têm aplicação imediata”, assevera VOL-02587-01 PP-00125).
que cabe aos poderes públicos (Judiciário, Legislativo e
Executivo) promover o avanço desses direitos. 3.1. DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E
COLETIVOS
Para o professor José Afonso da Silva, afirmar que as normas
tem “aplicação imediata” significa que as normas são DIREITOS. DESTINATÁRIOS. PRINCÍPIO DA ISONOMIA.
aplicáveis até onde possam, até onde as instituições
ofereçam condições para seu atendimento. “Aplicabilidade”, Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de
por outro lado, é um conceito desenvolvido pelo referido qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos
professor que se refere ao fato de as normas já poderem ser estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito
aplicadas às situações quando da promulgação da à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à
Constituição. Assim, todas as normas são aplicáveis, mas propriedade, nos termos seguintes:
nem todas têm aplicação imediata.
Os destinatários dos direitos e deveres ora mencionados são
 Jurisprudência relacionada ao tema: os brasileiros e estrangeiros residentes no país, devendo a
EMENTA. OS DIREITOS E GARANTIAS INDIVIDUAIS NÃO TÊM expressão “residentes no país” ser interpretada no sentido
CARÁTER ABSOLUTO. Não há, no sistema constitucional de que tais direitos só serão assegurados dentro do
brasileiro, direitos ou garantias que se revistam de caráter território brasileiro, não excluindo o estrangeiro em trânsito
absoluto, mesmo porque razões de relevante interesse pelo território nacional, segundo entendimento defendido
público ou exigências derivadas do princípio de convivência pela doutrina e pela jurisprudência pátria.
das liberdades legitimam, ainda que excepcionalmente, a Tais direitos são extensíveis às pessoas jurídicas, no que
adoção, por parte dos órgãos estatais, de medidas couber, bem como ao próprio Estado.
restritivas das prerrogativas individuais ou coletivas, desde
que respeitados os termos estabelecidos pela própria O princípio da Igualdade ou princípio da isonomia está
Constituição. O estatuto constitucional das liberdades previsto no caput desse artigo, prescrevendo que toda
públicas, ao delinear o regime jurídico a que estas estão pessoa tem o direito de tratamento idêntico pela lei, em
sujeitas - e considerado o substrato ético que as informa - concordância com os critérios albergados pelo ordenamento
permite que sobre elas incidam limitações de ordem jurídico. Entretanto, deve-se buscar não somente a
jurídica, destinadas, de um lado, a proteger a integridade do igualdade formal, direcionada ao legislador, mas a igualdade
interesse social e, de outro, a assegurar a coexistência real ou material ou substancial, direcionada ao operador do
harmoniosa das liberdades, pois nenhum direito ou garantia direito, ao intérprete. Parte-se da premissa de que a
pode ser exercido em detrimento da ordem pública ou com verdadeira igualdade está em tratar igualmente os iguais e
desrespeito aos direitos e garantias de terceiros. (STF RMS desigualmente os desiguais.
23.452/RJ, Relator Ministro Celso de Mello, DJ de O referido princípio não veda o tratamento diferenciado
12.05.2000). estabelecido pela lei, proíbe as diferenças arbitrárias, as
EMENTA. A PROIBIÇÃO DO RETROCESSO SOCIAL COMO discriminações absurdas, já que o tratamento desigual aos
BSTÁCULO CONSTITUCIONAL À FRUSTRAÇÃO E AO desiguais é uma questão de justiça, sendo justificável pelo
objetivo que se pretende atingir pela lei, conforme a Súmula
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683 do STF que reza: “O limite de idade para a inscrição em é o feto e a pessoa humana é a pessoa humana. Donde não
concurso só se legitima em face do art. 7º, XXX, da existir pessoa humana embrionária, mas embrião de pessoa
Constituição, quando possa ser justificado pela natureza do humana. O embrião referido na Lei de Biossegurança (“in
cargo a ser preenchido”. Entretanto somente serão possíveis vitro” apenas) não é uma vida a caminho de outra vida
tais distinções se estiverem previstas em lei. virginalmente nova, porquanto lhe faltam possibilidades de
ganhar as primeiras terminações nervosas, sem as quais o
Vale destacar as discriminações positivas (affirmative
ser humano não tem factibilidade como projeto de vida
actions), proveniente do direito norte americano, que cuida
autônoma e irrepetível. (...) Ação direta de
em estabelecer medidas de compensação para reduzir as
inconstitucionalidade julgada totalmente improcedente.
desigualdades sociais. É neste escólio que traz a lição do
(STF ADI 3510/DF, Rel. Min. AYRES BRITTO. 29/05/2008).
Ministro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim B. Barbosa
Gomes, que ensina: As ações afirmativas 'consistem em EMENTA. (...). Na espécie, aduziu inescapável o confronto
políticas públicas (e também privadas) voltadas à entre, de um lado, os interesses legítimos da mulher em ver
concretização do princípio constitucional da igualdade respeitada sua dignidade e, de outro, os de parte da
material e à neutralização dos efeitos da discriminação sociedade que desejasse proteger todos os que a
racial, de gênero, de idade, de origem nacional e de integrariam, independentemente da condição física ou
compleição física. Impostas ou sugeridas pelo Estado, por viabilidade de sobrevivência. (...) Afirmou que, conforme a
seus entes vinculados e até mesmo por entidades Resolução 1.480/1997 do Conselho Federal de Medicina
puramente privadas, elas visam a combater não somente as (CFM), os exames complementares a serem observados
manifestações flagrantes de discriminação de fundo para a constatação de morte encefálica deveriam
cultural, estrutural, enraizada na sociedade'. demonstrar, de modo inequívoco, a ausência de atividade
elétrica cerebral ou metabólica deste órgão ou, ainda,
A discriminação reversa deve-se revestir de uma índole
inexistência de perfusão sanguínea nele. Elucidou que, por
compensatória e não meramente garantir uma repartição
essa razão, o CFM, mediante a Resolução 1.752/2004,
de bens, sem levar em conta o uso da liberdade das pessoas
consignara serem os anencéfalos natimortos cerebrais.
e o esforço e mérito de cada um. Avaliadas sob o teste do
Desse modo, eles jamais se tornariam pessoa. Nessa senda,
princípio da proporcionalidade, as medidas de discriminação
sintetizou que não se cuidaria de vida em potencial, porém,
reversa devem ser adequadas para superar os obstáculos
seguramente, de morte. (...). Exprimiu, pois, que a
que o preconceito gerou para o grupo. Para isso devem-se
anencefalia mostrar-se-ia incompatível com a vida
dirigir a propiciar condições de acesso a bens e serviços que
extrauterina, ao passo que a deficiência, não. (...) Observou
a discriminação vedou. Devem ter em mira o
que seria improcedente a alegação de direito à vida dos
restabelecimento de uma igualdade de oportunidades tão
anencéfalos, haja vista que estes seriam termos antitéticos.
efetiva quanto possível.
(...). Destarte, a interrupção de gestação de feto
 Jurisprudência relacionada ao tema: anencefálico não configuraria crime contra a vida,
porquanto se revelaria conduta atípica. (...). Por derradeiro,
EMENTA. (...) O súdito estrangeiro, mesmo o não
versou que atuar com sapiência e justiça, calcados na
domiciliado no Brasil, tem plena legitimidade para impetrar
Constituição e desprovidos de qualquer dogma ou
o remédio constitucional do “habeas corpus”, em ordem a
paradigma moral e religioso, determinaria garantir o direito
tornar efetivo, nas hipóteses de persecução penal, o direito
da mulher de manifestar-se livremente, sem o temor de
subjetivo, de que também é titular, à observância e ao
tornar-se ré em possível ação por crime de aborto. (STF
integral respeito, por parte do Estado, das prerrogativas que
ADPF 54, Rel. Min. Marco Aurélio, julgamento em 12-4-
compõem e dão significado à cláusula do devido processo
2012, Plenário).
legal. - A condição jurídica de não-nacional do Brasil e a
circunstância de o réu estrangeiro não possuir domicílio em EMENTA. (...). Sabemos, tal como já decidiu o STF (RTJ
nosso país não legitimam a adoção, contra tal acusado, de 136/444, Rel. p/ o ac. Min. Celso de Mello), que o princípio
qualquer tratamento arbitrário ou discriminatório. (...). (STF da isonomia – cuja observância vincula todas as
HC 94.404/SP. Min. Rel. Celso de Mello. DJ 18.06.2010). manifestações do Poder Público – deve ser considerado, em
sua precípua função de obstar discriminações e de extinguir
EMENTA. (...) Inexistência de ofensas ao direito à vida e da
privilégios (RDA 55/114), sob duplo aspecto: a) o da
dignidade da pessoa humana, pois a pesquisa com células-
igualdade na lei e b) o da igualdade perante a lei. A
tronco embrionárias (inviáveis biologicamente ou para os
igualdade na lei – que opera numa fase de generalidade
fins a que se destinam) significa a celebração solidária da
puramente abstrata – constitui exigência destinada ao
vida e alento aos que se acham à margem do exercício
legislador, que, no processo de formação do ato legislativo,
concreto e inalienável dos direitos à felicidade e do viver
nele não poderá incluir fatores de discriminação
com dignidade (Ministro Celso de Mello). (...) A
responsáveis pela ruptura da ordem isonômica. (...) A
potencialidade de algo para se tornar pessoa humana já é
igualdade perante a lei, de outro lado, pressupondo lei já
meritória o bastante para acobertá-la, infra
elaborada, traduz imposição destinada aos demais poderes
constitucionalmente, contra tentativas levianas ou frívolas
estatais, que, na aplicação da norma legal, não poderão
de obstar sua natural continuidade fisiológica. Mas as três
subordiná-la a critérios que ensejem tratamento seletivo ou
realidades não se confundem: o embrião é o embrião, o feto
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discriminatório. A eventual inobservância desse postulado XXXIX - não há crime sem lei anterior que o defina, nem
pelo legislador, em qualquer das dimensões referidas, pena sem prévia cominação legal;
imporá, ao ato estatal por ele elaborado e produzido, a eiva
de inconstitucionalidade. (STF AI 360.461 AgR, Rel. Min. Consagração do princípio da legalidade. Tal princípio visa
Celso de Mello, 2ª T, DJ de 28-3-2008). combater o poder arbitrário do Estado, pois somente
mediante espécies normativas elaboradas segundo as regras
EMENTA. (...). No mérito, asseverou-se que a norma do processo legislativo pátrio podem-se criar obrigações
adversada erigira a educação à condição de direito social, para os indivíduos. O princípio da legalidade se difere do
dever do Estado e uma de suas políticas públicas princípio da reserva legal nesse ponto, pois este consiste em
prioritárias. (...) Rechaçaram-se, de igual modo, as alegações dizer que a regulamentação de determinada matéria há de
de afronta aos princípios da igualdade, da isonomia, da não fazer-se necessariamente pelo poder legislativo, aparecendo
discriminação e do devido processo legal ao argumento de na constituição sob a forma: “nos termos da lei” ou “na
que não se afiguraria legítimo, no ordenamento, que vagas forma da lei” e aquele é a submissão e o respeito à lei.
no ensino superior fossem reservadas com base na condição
socioeconômica do aluno ou em critério racial ou de suas A Constituição Federal estabelece essa reserva de lei, de
condições especiais. Salientou-se que a igualdade seria valor modo absoluto ou relativo. Assim, temos a reserva legal
que teria, no combate aos fatores de desigualdade, o seu absoluta quando a norma constitucional exige para sua
modo próprio de realização. Além disso, a distinção em integral regulamentação a edição de lei formal, entendida
favor dos estudantes que tivessem cursado o ensino médio como ato normativo emanado do Congresso Nacional
em escolas públicas e os egressos de escolas privadas elaborado de acordo com o devido processo legislativo
contemplados com bolsa integral constituiria discrímen a constitucional. Por outro lado, temos a reserva legal relativa
compensar anterior e factual inferioridade. (...). (STF ADI quando a Constituição Federal, apesar de exigir edição de lei
3.330, Rel. Min. Ayres Britto, julgamento em 3-5-2012, formal, permite que este fixe tão somente parâmetros de
Plenário). atuação para o órgão administrativo, que poderá
complementa-la por ato infralegal, sempre, porém,
I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, respeitados os limites ou requisitos estabelecidos pela
nos termos desta Constituição; legislação.
Somente poderá existir tratamento diferenciado entre os Existe ainda a reserva legal simples e a qualificada. A reserva
dois sexos quando a finalidade pretendida for atenuar os legal simples ocorre no caso de a Constituição Federal
desníveis, constantes na constituição e nas leis estabelecer, em seus artigos, que determinado assunto seja
infraconstitucionais. Exemplos: arts. 7º, XVIII e XIX, 40, III, objeto de lei (“na forma da lei”, “nos termos da lei”). A lei
143, §§ 1º e 2º, 202, I e II, da CF. não pode limitar o conteúdo da Constituição ou suprimi-lo,
ou seja, há limites implícitos na lei que será elaborada. A
 Jurisprudência relacionada ao tema: reserva legal qualificada ocorre no caso de, além de
EMENTA. (...). No mérito, prevaleceu o voto proferido pelo estabelecer qual assunto será objeto de lei, o dispositivo da
Min. Ayres Britto, relator, que dava interpretação conforme Constituição estabelece as condições ou fins que devem ser
a Constituição ao art. 1.723 do CC para dele excluir qualquer objeto da norma (“para fins de”). Como exemplos pode se
significado que impeça o reconhecimento da união indicar os incisos VII e XII, ambos do presente artigo.
contínua, pública e duradoura entre pessoas do mesmo Além do princípio da reserva legal, previsto no inciso XXXIX,
sexo como entidade familiar, entendida esta como sinônimo tem-se o princípio da anterioridade, que diz: não há crime
perfeito de família. Asseverou que esse reconhecimento sem lei “anterior” que o defina e não há pena sem “prévia”
deveria ser feito segundo as mesmas regras e com idênticas cominação legal (nullun crimem, nulla poena sine praevia
consequências da união estável heteroafetiva. (...). (STF ADI lege).
4.277/DF, rel. Min. Ayres Britto, DJ 5.5.2011). (ADPF 132).
Vale ressaltar que a Administração Pública é regida pela
EMENTA. Violência doméstica. (...) O art. 1º da Lei legalidade estrita (art. 37, caput), pois não pode atuar
11.340/2006 surge, sob o ângulo do tratamento contra a lei, nem na ausência da lei.
diferenciado entre os gêneros – mulher e homem –,
harmônica com a CF, no que necessária a proteção ante as  Jurisprudência relacionada ao tema:
peculiaridades física e moral da mulher e a cultura SÚMULA VINCULANTE 44. Só por lei se pode sujeitar a
brasileira. (STF ADC 19, Rel. Min. Marco Aurélio, julgamento exame psicotécnico a habilitação de candidato a cargo
em 9-2-2012, Plenário). público.
PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. PRINCÍPIO DA RESERVA EMENTA. (...). A reserva de lei em sentido formal qualifica-se
LEGAL. PRINCÍPIO DA ESTRITA LEGALIDADE.
como instrumento constitucional de preservação da
integridade de direitos e garantias fundamentais. O
II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer princípio da reserva de lei atua como expressiva limitação
alguma coisa senão em virtude de lei; constitucional ao poder do Estado, cuja competência
regulamentar, por tal razão, não se reveste de suficiente
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idoneidade jurídica que lhe permita restringir direitos ou do pensamento crítico e necessário contraponto à versão
criar obrigações. Nenhum ato regulamentar pode criar oficial das coisas, conforme decisão majoritária do STF na
obrigações ou restringir direitos, sob pena de incidir em ADPF 130. Decisão a que se pode agregar a ideia de que a
domínio constitucionalmente reservado ao âmbito de locução ‘humor jornalístico’ enlaça pensamento crítico,
atuação material da lei em sentido formal. (STF ACO 1.048- informação e criação artística. (...). (STF ADI 4.451-MC - REF,
QO, 31/10/07). rel. min. Ayres Britto, Plenário, DJ de 24-8-2012).
EMENTA. (...). Não é proibindo, recolhendo obras ou
LIBERDADE DE EXPRESSÃO
impedindo sua circulação, calando-se a palavra e
IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o amordaçando a história que se consegue cumprir a
anonimato; Constituição. (...). A norma infraconstitucional não pode
amesquinhar preceitos constitucionais, impondo restrições
V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao ao exercício de liberdades”. (...). O que não me parece
agravo, além da indenização por dano material, moral ou à constitucionalmente admissível é o esquartejamento das
imagem; liberdades de todos pela censura de uns, especialmente no
IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, caso de obras biográficas que dizem respeito não apenas ao
científica e de comunicação, independentemente de biografado, mas que diz respeito a toda coletividade pela
censura ou licença; sua natureza de referenciabilidade do que precisa ser
aproveitado. (...). (STF ADI 4815, Min. Rel. Cármem Lúcia, DJ
XIV - é assegurado a todos o acesso à informação e 10/06/2015).
resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao
exercício profissional; EMENTA. Editais de concurso público não podem
estabelecer restrição a pessoas com tatuagem, salvo
Segundo o ilustre Alexandre de Morais, “a proteção situações excepcionais em razão de conteúdo que viole
constitucional abrange não só o direito de expressão oral ou valores constitucionais. Com base nesse entendimento, o
por escrito, mas também o direito de ouvir, assistir e ler”. Plenário, por maioria, deu provimento a recurso
A vedação do anonimato é ampla, inclui todos os meios de extraordinário em que se discutia a constitucionalidade de
comunicação. proibição, contida em edital de concurso público, de
ingresso em cargo, emprego ou função pública para
O direito de resposta aplica-se em relação às ofensas, candidatos que possuam tatuagem. No caso, o recorrente
configurem ou não infrações penais, tendo como requisito a fora excluído de concurso público para provimento de cargo
proporcionalidade, devendo o desagravo ter o mesmo de soldado da polícia militar por possuir tatuagem em sua
destaque, a mesma duração e o mesmo tamanho que a perna esquerda. (...) A opção pela tatuagem relacionar-se-ia,
notícia geradora da lesão. A responsabilidade pela diretamente, com as liberdades de manifestação do
divulgação do direito de resposta é do órgão de pensamento e de expressão (CF, art. 5º, IV e IX). Na espécie,
comunicação. O dano pode ser material (danos sofridos e estaria evidenciada a ausência de razoabilidade da restrição
lucros cessantes), moral (à intimidade da pessoa) e à dirigida ao candidato de uma função pública pelo simples
imagem (dano produzido contra a pessoa em suas relações fato de possuir tatuagem, já que seria medida
externas). flagrantemente discriminatória e carente de qualquer
Dispositivos correspondentes: art. 220, caput e § 2º, da CF. justificativa racional que a amparasse. Assim, o fato de uma
pessoa possuir tatuagens, visíveis ou não, não poderia ser
 Jurisprudência relacionada ao tema: tratado pelo Estado como parâmetro discriminatório
EMENTA. (...). Programas humorísticos, charges e modo quando do deferimento de participação em concursos de
caricatural de pôr em circulação ideias, opiniões, frases e provas e títulos para ingresso em carreira
quadros espirituosos compõem as atividades de ‘imprensa’, pública. Entretanto, tatuagens que representassem
sinônimo perfeito de ‘informação jornalística’ (§ 1º do art. obscenidades, ideologias terroristas, discriminatórias, que
220). Nessa medida, gozam da plenitude de liberdade que é pregassem a violência e a criminalidade, discriminação de
assegurada pela Constituição à imprensa. Dando-se que o raça, credo, sexo ou origem, temas inegavelmente
exercício concreto dessa liberdade em plenitude assegura contrários às instituições democráticas, poderiam
ao jornalista o direito de expender críticas a qualquer obstaculizar o acesso a função pública. Eventual restrição
pessoa, ainda que em tom áspero, contundente, sarcástico, nesse sentido não se afiguraria desarrazoada ou
irônico ou irreverente, especialmente contra as autoridades desproporcional. Essa hipótese, porém, não seria a do
e aparelhos de Estado. Respondendo, penal e civilmente, recorrente que teria uma tatuagem tribal, medindo 14 por
pelos abusos que cometer, e sujeitando-se ao direito de 13 cm. (STF RE 898.450, rel. min. Luiz Fux, j. 17.08.2016).
resposta a que se refere a Constituição em seu art. 5º, V. A EMENTA. Ação direta de inconstitucionalidade. Expressão
crítica jornalística em geral, pela sua relação de inerência “em horário diverso do autorizado”, contida no art. 254 da
com o interesse público, não é aprioristicamente suscetível Lei 8.069/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente).
de censura. Isso porque é da essência das atividades de Classificação indicativa. Expressão que tipifica como infração
imprensa operar como formadora de opinião pública, lócus administrativa a transmissão, via rádio ou televisão, de
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programação em horário diverso do autorizado, com pena não sejam estimulados a assistir programas inadequados
de multa e suspensão da programação da emissora por até para sua faixa etária. Deve o Estado, ainda, conferir maior
dois dias, no caso de reincidência. Ofensa aos arts. 5º, inciso publicidade aos avisos de classificação, bem como
IX; 21, inciso XVI; e 220, caput e parágrafos, da Constituição desenvolver programas educativos acerca do sistema de
Federal. Inconstitucionalidade. 1. A própria Constituição da classificação indicativa, divulgando, para toda a sociedade, a
República delineou as regras de sopesamento entre os importância de se fazer uma escolha refletida acerca da
valores da liberdade de expressão dos meios de programação ofertada ao público infanto-juvenil. 4. Sempre
comunicação e da proteção da criança e do adolescente. será possível a responsabilização judicial das emissoras de
Apesar da garantia constitucional da liberdade de radiodifusão por abusos ou eventuais danos à integridade
expressão, livre de censura ou licença, a própria Carta de das crianças e dos adolescentes, levando-se em conta,
1988 conferiu à União, com exclusividade, no art. 21, inciso inclusive, a recomendação do Ministério da Justiça quanto
XVI, o desempenho da atividade material de “exercer a aos horários em que a referida programação se mostre
classificação, para efeito indicativo, de diversões públicas e inadequada. Afinal, a Constituição Federal também atribuiu
de programas de rádio e televisão”. A Constituição Federal à lei federal a competência para “estabelecer meios legais
estabeleceu mecanismo apto a oferecer aos telespectadores que garantam à pessoa e à família a possibilidade de se
das diversões públicas e de programas de rádio e televisão defenderem de programas ou programações de rádio e
as indicações, as informações e as recomendações televisão que contrariem o disposto no art. 221” (art. 220, §
necessárias acerca do conteúdo veiculado. É o sistema de 3º, II, CF/88). 5. Ação direta julgada procedente, com a
classificação indicativa esse ponto de equilíbrio tênue, e ao declaração de inconstitucionalidade da expressão “em
mesmo tempo tenso, adotado pela Carta da República para horário diverso do autorizado” contida no art. 254 da Lei
compatibilizar esses dois axiomas, velando pela integridade 8.069/90. (STF ADI 2.404/DF, Relator(a): Min. Dias Toffoli,
das crianças e dos adolescentes sem deixar de lado a Julgamento: 31/08/2016, Plenário).
preocupação com a garantia da liberdade de expressão. 2. A
classificação dos produtos audiovisuais busca esclarecer, LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA E DE CRENÇA
informar, indicar aos pais a existência de conteúdo
inadequado para as crianças e os adolescentes. O exercício VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença,
da liberdade de programação pelas emissoras impede que a sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e
exibição de determinado espetáculo dependa de ação garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e
estatal prévia. A submissão ao Ministério da Justiça ocorre, as suas liturgias;
exclusivamente, para que a União exerça sua competência A Constituição de 1824, em seu art. 179, V, já assegurava os
administrativa prevista no inciso XVI do art. 21 da direitos religiosos, desde que respeitasse a do Estado, nos
Constituição, qual seja, classificar, para efeito indicativo, as seguintes termos:
diversões públicas e os programas de rádio e televisão, o
que não se confunde com autorização. Entretanto, essa “Art. 179. A inviolabilidade dos Direitos Civis, e Políticos dos
atividade não pode ser confundida com um ato de licença, Cidadãos Brasileiros, que tem por base a liberdade, a
segurança individual, e a propriedade, é garantida pela
nem confere poder à União para determinar que a exibição
Constituição do Império, pela maneira seguinte.
da programação somente se dê nos horários determinados V. Ninguém pode ser perseguido por motivo de Religião,
pelo Ministério da Justiça, de forma a caracterizar uma uma vez que respeite a do Estado, e não ofenda a Moral
imposição, e não uma recomendação. Não há horário Publica”.
autorizado, mas horário recomendado. Esse caráter
autorizativo, vinculativo e compulsório conferido pela A partir da Constituição Federal de 1891, estabeleceu-se o
norma questionada ao sistema de classificação, data venia, Estado Laico ou Leigo, que não adota qualquer religião
não se harmoniza com os arts. 5º, IX; 21, inciso XVI; e 220, § como oficial. Como ensina José Afonso da Silva, “na
3º, I, da Constituição da República. 3. Permanece o dever liberdade de crença entra a liberdade de escolha de religião,
das emissoras de rádio e de televisão de exibir ao público o a liberdade de aderir à qualquer seita religiosa, a liberdade
aviso de classificação etária, antes e no decorrer da (ou o direito) de mudar de religião, mas também
veiculação do conteúdo, regra essa prevista no parágrafo compreende a liberdade de não aderir à religião alguma,
único do art. 76 do ECA, sendo seu descumprimento assim como a liberdade de descrença, a liberdade de ser
tipificado como infração administrativa pelo art. 254, ora ateu e de exprimir o agnosticismo”.
questionado (não sendo essa parte objeto de impugnação).
Bom lembrar que o livre exercício dos cultos é assegurado
Essa, sim, é uma importante área de atuação do Estado. É
enquanto não forem contrários à ordem, tranquilidade e
importante que se faça, portanto, um apelo aos órgãos
sossego públicos, bem como compatíveis aos bons
competentes para que reforcem a necessidade de exibição
costumes. E a liberdade religiosa não é absoluta, uma vez
destacada da informação sobre a faixa etária especificada,
que não será permitido a qualquer religião ou culto atos
no início e durante a exibição da programação, e em
atentatórios à lei, sob pena de responsabilidade civil e
intervalos de tempo não muito distantes (a cada quinze
criminal.
minutos, por exemplo), inclusive, quanto às chamadas da
programação, de forma que as crianças e os adolescentes
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Recentemente, o Supremo Tribunal Federal julgou improcedente A escusa de consciência e de crença aplica-se às obrigações
a Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 4439, na qual a legais de forma genérica e não somente ao serviço militar
Procuradoria-Geral da República questionava o modelo de ensino
obrigatório, embora esse seja o exemplo mais indicado
religioso nas escolas da rede pública de ensino do país. Por
maioria dos votos, os ministros entenderam que o ensino pelos doutrinadores quando enfocam o assunto.
religioso nas escolas públicas brasileiras pode ter natureza
O art. 143 da Constituição Federal, prescreve:
confessional, ou seja, vinculado às diversas religiões.
Art. 143. O serviço militar é obrigatório nos termos da lei.
Dispositivos correspondentes: arts. 210, § 1º; 215, § 2º, da
§ 1º às Forças Armadas compete, na forma da lei, atribuir
CF. serviço alternativo aos que, em tempo de paz, após
alistados, alegarem imperativo de consciência,
PREÂMBULO
entendendo-se como tal o decorrente de crença religiosa e
Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em de convicção filosófica ou política, para se eximirem de
Assembleia Nacional Constituinte para instituir um Estado atividades de caráter essencialmente militar.
Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos
sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, O serviço alternativo no caso de descumprimento do serviço
o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores militar obrigatório por imperativo de consciência é
supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem estabelecido pela Lei 8.239/91.
preconceitos, fundada na harmonia social e Caso não seja cumprida a prestação alternativa, ocorrerá a
comprometida, na ordem interna e internacional, com a privação dos direitos políticos, nos termos do art. 15, IV, da
solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a CF/88:
proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA
Art. 15. É vedada a cassação de direitos políticos, cuja
REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.
perda ou suspensão só se dará nos casos de:
Segundo posicionamento jurisprudencial, o Preâmbulo não IV - recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou
constitui norma central, não se trata de norma de prestação alternativa, nos termos do art. 5º, VIII;
reprodução obrigatória na Constituição do Estado, já que
não tem força normativa. INVIOLABILIDADES

Entretanto, o Preâmbulo faz parte da estrutura da X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a
Constituição Federal, que se divide em Preâmbulo, texto imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização
permanente e texto temporário (Ato das Disposições pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;
Constitucionais Transitórias - ADCT).
Princípio da exclusividade. A intimidade, como exigência
 Jurisprudência relacionada ao tema: moral da personalidade para que em determinadas
EMENTA. CONSTITUCIONAL. CONSTITUIÇÃO: PREÂMBULO. situações seja o indivíduo deixado em paz, constituindo um
NORMAS CENTRAIS. Constituição do Acre. I. Normas direito de controlar a indiscrição alheia nos assuntos
centrais da Constituição Federal: essas normas são de privados que só a ele interessa, tem como um de seus
reprodução obrigatória na Constituição do Estado-membro, fundamentos o princípio da exclusividade, formulado por
mesmo porque, reproduzidas, ou não, incidirão sobre a Hannah Arendt com base em Kant.
ordem local. Reclamações 370-MT e 383-SP (RTJ 147/404). Os conceitos de intimidade e vida privada são interligados,
II. Preâmbulo da Constituição: não constitui norma central. mas podem ser diferenciados. A intimidade da pessoa diz
Invocação da proteção de Deus: não se trata de norma de respeito às relações subjetivas e de trato íntimo, relações
reprodução obrigatória na Constituição estadual, não tendo familiares e de amizade e a vida privada refere-se a todos os
força normativa. III. Ação direta de inconstitucionalidade relacionamentos da pessoa, inclusive os objetivos, tais como
julgada improcedente. (ADI 2.076/AC. Rel. Min. Carlos os comerciais, de trabalho, de estudo, etc.
Velloso, DJ 08.08.2003).
O Supremo Tribunal Federal pacificou o entendimento de
VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de que entidade de classe não tem legitimidade para
assistência religiosa nas entidades civis e militares de promover interpelação judicial em defesa da honra de seus
internação coletiva; associados, por se tratar de um direito personalíssimo de
quem, concretamente, se viu atingido pelas afirmações tidas
Hospitais, asilos (públicos e privados), presídios e quartéis
por ofensivas (PET nº 1.249/DF-AgR, Pleno, Relator o
são locais de internação coletiva.
Ministro Celso de Mello, DJ de 9/4/99).
VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de  Jurisprudência relacionada ao tema:
crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo
se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos SÚMULA 227, STJ. A pessoa jurídica pode sofrer dano moral.
imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa,
fixada em lei; XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela
podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo

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em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar constitucional. Inteligência do art. 5º, X e XI, da CF, art. 150,
socorro, ou durante o dia, por determinação judicial; § 4º, III, do CP, e art. 7º, II, da Lei 8.906/94. Preliminar
rejeitada. Votos vencidos. Não opera a inviolabilidade do
A expressão casa tem um alcance muito amplo, não sendo escritório de advocacia, quando o próprio advogado seja
limitada pelos conceitos de direito privado, como já suspeito da prática de crime, sobretudo concebido e
pacificou o STF, considerando casa todo local delimitado e consumado no âmbito desse local de trabalho, sob pretexto
separado que alguém utiliza com exclusividade, mesmo que de exercício da profissão. (…). (STF - Inq: 2424 RJ, Relator:
para fins profissionais, não importando a relação jurídica de Min. CEZAR PELUSO, Data de Julgamento: 26/11/2008,
seus habitantes com aquele prédio ou terreno. O Código Tribunal Pleno, Data de Publicação: DJe-055 DIVULG 25-03-
Penal Brasileiro conceitua “casa” em seu artigo 150. 2010 PUBLIC 26-03-2010).
Para José Afonso da Silva dia é o período das 6:00h às EMENTA. (...) A entrada forçada em domicílio sem mandado
18:00h e para Celso de Mello deve ser levado em conta o judicial só é lícita, mesmo em período noturno, quando
critério físico-astronômico, como o intervalo de tempo amparada em fundadas razões, devidamente justificadas a
situado entre a aurora e o crepúsculo. posteriori, que indiquem que dentro da casa ocorre situação
 Jurisprudência relacionada ao tema: de flagrante delito, sob pena de responsabilidade
disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade, e de
EMENTA. (...) Busca e apreensão em aposentos ocupados de nulidade dos atos praticados. (...) (STF RE 603616, Rel. Min.
habitação coletiva (como quartos de hotel) - subsunção Gilmar Ferreira Mendes, J. 05.11.2015).
desse espaço privado, desde que ocupado, ao conceito de
“casa” - consequente necessidade, em tal hipótese, de XII - é inviolável o sigilo da correspondência e das
mandado judicial, ressalvadas as exceções previstas no comunicações telegráficas, de dados e das comunicações
próprio texto constitucional. - para os fins da proteção telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas
jurídica a que se refere o art. 5º, XI, da constituição da hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de
república, o conceito normativo de “casa” revela-se investigação criminal ou instrução processual penal;
abrangente e, por estender-se a qualquer aposento de
habitação coletiva, desde que ocupado (CP, art. 150, § 4º, Vê-se que não houve previsão de quebra do sigilo das
II), compreende, observada essa específica limitação correspondências e nem de dados (bancários, fiscais ou
espacial, os quartos de hotel. (...). (STF RHC 90.376/RJ, Rel. telefônicos) mediante lei, haja vista que a exceção
Min. Celso de Mello. DJ 18.05.2007). constitucional expressa refere-se somente à interceptação
telefônica, entretanto entende-se que nenhuma liberdade
EMENTA. (...). Cuidando-se de crime de natureza individual é absoluta, sendo possível, respeitados alguns
permanente, a prisão do traficante, em sua residência, parâmetros, a interceptação das correspondências e
durante o período noturno, não constitui prova ilícita. (STF comunicações telegráficas e de dados sempre que as
HC 84.772, Rel. Min. Ellen Gracie, julgamento em 19-10- liberdades públicas estiverem sendo utilizadas como
2004, Segunda Turma, DJ de 12-11-2004.) No mesmo instrumento de salvaguarda de práticas ilícitas.
sentido: HC 70.909, Rel. Min. Paulo Brossard, julgamento
em 11-10-1994, Plenário, DJ de 25-11-1994. O preceito que garante o sigilo de dados engloba o uso de
informações decorrentes da informática e a quebra do sigilo
EMENTA. (…).7. PROVA. Criminal. Escuta ambiental. dos dados telefônicos consiste na apreensão do histórico de
Captação e interceptação de sinais eletromagnéticos, óticos conta telefônica (extrato telefônico), dentre outros. Além do
ou acústicos. Meio probatório legalmente admitido. Fatos Poder Judiciário, o Supremo Tribunal Federal admite que a
que configurariam crimes praticados por quadrilha ou Comissão Parlamentar de Inquérito, diretamente, determine
bando ou organização criminosa. Autorização judicial a quebra do sigilo dos dados.
circunstanciada. Previsão normativa expressa do
procedimento. Preliminar repelida. Inteligência dos arts. 1º O Plenário do Supremo Tribunal Federal declarou a
e 2º, IV, da Lei 9.034/95, com a redação da Lei 10.217/95. constitucionalidade do art. 6º da Lei Complementar
Para fins de persecução criminal de ilícitos praticados por 105/2001, no Recurso Extraordinário 601314, para
quadrilha, bando, organização ou associação criminosa de reconhecer o direito de a Receita Federal obter a
qualquer tipo, são permitidos a captação e a interceptação transferência do sigilo dos dados bancários.
de sinais eletromagnéticos, óticos e acústicos, bem como Há quebra do sigilo telefônico quando a captação for
seu registro e análise, mediante circunstanciada autorização realizada por um terceiro de uma comunicação telefônica
judicial. 8. PROVA. Criminal. Escuta ambiental e exploração alheia, sem o conhecimento dos comunicadores, por
de local. Captação de sinais óticos e acústicos. Escritório de decisão judicial (cláusula de reserva jurisdicional), na forma
advocacia. Ingresso da autoridade policial, no período da Lei 9.296/96 e para fins criminais. Referida interceptação
noturno, para instalação de equipamento. Medidas difere da Escuta telefônica, que é a captação realizada por
autorizadas por decisão judicial. Invasão de domicílio. Não um terceiro de uma comunicação telefônica alheia, mas
caracterização. Suspeita grave da prática de crime por com o conhecimento de um dos comunicadores e da
advogado, no escritório, sob pretexto de exercício da gravação telefônica, que ocorre entre dois interlocutores,
profissão. Situação não acobertada pela inviolabilidade onde um deles capta a conversa sem o conhecimento do
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outro e sem intervenção de terceiro. A gravação telefônica, EMENTA. Prova emprestada. Penal. Interceptação
em regra, é lícita, segundo jurisprudência da Corte Suprema. telefônica. Escuta ambiental. Autorização judicial e
produção para fim de investigação criminal. Suspeita de
Dispositivos correspondentes: arts. 136, I, “b” e “c” e 139,
delitos cometidos por autoridades e agentes públicos.
III, da CF.
Dados obtidos em inquérito policial. Uso em procedimento
 Jurisprudência relacionada ao tema: administrativo disciplinar, contra outros servidores, cujos
eventuais ilícitos administrativos teriam despontado à
EMENTA. (...) A administração penitenciária, com
colheita dessa prova. Admissibilidade. Resposta afirmativa a
fundamento em razões de segurança pública, de disciplina
questão de ordem. Inteligência do art. 5º, XII, da CF e do art.
prisional ou de preservação da ordem jurídica, pode,
1º da Lei Federal 9.296/1996. (...) Dados obtidos em
sempre excepcionalmente, proceder à interceptação da
interceptação de comunicações telefônicas e em escutas
correspondência remetida pelos sentenciados, eis que a
ambientais, judicialmente autorizadas para produção de
cláusula tutelar da inviolabilidade do sigilo epistolar não
prova em investigação criminal ou em instrução processual
pode constituir instrumento de salvaguarda de práticas
penal, podem ser usados em procedimento administrativo
ilícitas (...). (STF HC 70.814/SP).
disciplinar, contra a mesma ou as mesmas pessoas em
EMENTA. (...) O Tribunal já firmou entendimento de que as relação às quais foram colhidos, ou contra outros servidores
Comissões Parlamentares de Inquérito são dotadas de cujos supostos ilícitos teriam despontado à colheita dessa
poder investigatório, ficando assentado que devem elas, a prova. (STF Inq 2.424 QO. Rel. Min Cezar Peluso. DJ
partir de meros indícios, demonstrar a existência concreta 24.08.2007).
de causa provável que legitime a quebra do sigilo. (...) Causa
EMENTA. (....) O presente caso versa sobre a gravação de
provável ensejadora da quebra dos sigilos fiscal, bancário e
conversa telefônica por um interlocutor sem o
telefônico. Segurança denegada. (STF MS 24217/DF, rel Min
conhecimento de outro, isto é, a denominada “gravação
Maurício Corrêa, 18/10/2002).
telefônica” ou “gravação clandestina”. Entendimento do STF
EMENTA. Mandado de Segurança. Tribunal de Contas da no sentido da licitude da prova, desde que não haja causa
União. Banco Central do Brasil. Operações financeiras. Sigilo. legal específica de sigilo nem reserva de conversação.
1. A Lei Complementar 105, de 10/1/01, não conferiu ao Repercussão geral da matéria (RE 583.397/RJ). 3. Ordem
Tribunal de Contas da União poderes para determinar a denegada. (STF HC 91613, Relator Min. GILMAR MENDES, 2ª
quebra do sigilo bancário de dados constantes do Banco T, DJ 17-09-2012).
Central do Brasil. O legislador conferiu esses poderes ao
EMENTA. (...). O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não
Poder Judiciário (art. 3º), ao Poder Legislativo Federal (art.
ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade
4º), bem como às Comissões Parlamentares de Inquérito,
em relação aos cidadãos, por meio do princípio da
após prévia aprovação do pedido pelo Plenário da Câmara
capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos
dos Deputados, do Senado Federal ou do plenário de suas
objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária
respectivas comissões parlamentares de inquérito (§§ 1º e
para a fiscal. (...). (STF RE 601314, Rel. Min. Edson Fachin,
2º do art. 4º). (...). (STF MS 22.801/DF. Rel. Min Menezes
Plenário, Julgamento em 24.02.2016).
Direito. DJ 13.03.2008).
EMENTA. Inviolabilidade de domicílio - art. 5º, XI, da CF. LIBERDADE DE PROFISSÃO
Busca e apreensão domiciliar sem mandado judicial em caso
de crime permanente. (...) Fixada a interpretação de que a XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou
entrada forçada em domicílio sem mandado judicial só é profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei
lícita, mesmo em período noturno, quando amparada em estabelecer;
fundadas razões, devidamente justificadas a posteriori, que Compete à União legislar sobre o exercício das profissões,
indiquem que dentro da casa ocorre situação de flagrante nos termos do art. 22, XVI, da CF/88.
delito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal
do agente ou da autoridade e de nulidade dos atos  Jurisprudência relacionada ao tema:
praticados. (STF RE 603.616, rel. min. Gilmar Mendes, j. EMENTA. (...) A reserva legal estabelecida pelo art. 5º, XIII,
05.11.2015, Plenário, DJ 10.05.2016). não confere ao legislador o poder de restringir o exercício
EMENTA. (...) SÉTIMA PRELIMINAR. DADOS DE EMPRÉSTIMO da liberdade profissional a ponto de atingir o seu próprio
FORNECIDOS PELO BANCO CENTRAL. PEDIDO DIRETO DO núcleo essencial. (...) O jornalismo é uma profissão
MINISTÉRIO PÚBLICO. ILEGALIDADE. AUSÊNCIA. diferenciada por sua estreita vinculação ao pleno exercício
REQUISIÇÃO FEITA PELA CPMI DOS CORREIOS. POSTERIOR das liberdades de expressão e de informação. (...) O
AUTORIZAÇÃO DE COMPARTILHAMENTO COM O jornalismo e a liberdade de expressão, portanto, são
MINISTÉRIO PÚBLICO PARA INSTRUÇÃO DO INQUÉRITO. atividades que estão imbricadas por sua própria natureza e
LEGALIDADE. (...). (STF Inq. 2.245/MG. Rel. Min. Joaquim, não podem ser pensadas e tratadas de forma separada. Isso
Barbosa, DJ 09.11.2007). implica, logicamente, que a interpretação do art. 5º, inciso
XIII, da Constituição, na hipótese da profissão de jornalista,
se faça, impreterivelmente, em conjunto com os preceitos
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do art. 5º, incisos IV, IX, XIV, e do art. 220 da Constituição, decretação do estado de sítio (art. 136, § 1º, I, “a” e art. 139,
que asseguram as liberdades de expressão, de informação e IV, da CF). São limitações circunstanciais.
de comunicação em geral. (...) A exigência de diploma de
 Jurisprudência relacionada ao tema:
curso superior para a prática do jornalismo - o qual, em sua
essência, é o desenvolvimento profissional das liberdades EMENTA. “Marcha da Maconha”. Manifestação legítima, por
de expressão e de informação - não está autorizada pela cidadãos da república, de duas liberdades individuais
ordem constitucional, pois constitui uma restrição, um revestidas de caráter fundamental: o direito de reunião
impedimento, uma verdadeira supressão do pleno, (liberdade-meio) e o direito à livre expressão do
incondicionado e efetivo exercício da liberdade jornalística, pensamento (liberdade-fim). A liberdade de reunião como
expressamente proibido pelo art. 220, § 1º, da Constituição. pré-condição necessária à ativa participação dos cidadãos
(...). (STF RE 511.961/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, DJ no processo político e no de tomada de decisões no âmbito
13.11.2009). do aparelho de Estado. Consequente legitimidade, sob
perspectiva estritamente constitucional, de assembleias,
EMENTA. (...). A atividade de músico não depende de reuniões, marchas, passeatas ou encontros coletivos
registro ou licença de entidade de classe para o seu realizados em espaços públicos (ou privados) com o objetivo
exercício. Essa é a conclusão do Plenário ao negar de obter apoio para oferecimento de projetos de lei, de
provimento a recurso extraordinário, afetado pela 2ª Turma, iniciativa popular, de criticar modelos normativos em vigor,
em que a Ordem dos Músicos do Brasil – Conselho Regional de exercer o direito de petição e de promover atos de
de Santa Catarina alegava que o livre exercício de qualquer proselitismo em favor das posições sustentadas pelos
profissão ou trabalho estaria constitucionalmente manifestantes e participantes de reunião. Estrutura
condicionado às qualificações específicas de cada profissão constitucional do direito fundamental de reunião pacífica e
e que, no caso dos músicos, a Lei 3.857/60 estabeleceria oponibilidade de seu exercício ao poder público e aos seus
essas restrições – v. Informativos 406 e 568. Aduziu-se que agentes. Vinculação de caráter instrumental entre a
as restrições feitas ao exercício de qualquer profissão ou liberdade de reunião e a liberdade de manifestação do
atividade profissional deveriam obedecer ao princípio da pensamento. Dois importantes precedentes do STF sobre a
mínima intervenção – a qual se pautaria pela razoabilidade íntima correlação entre referidas liberdades
e pela proporcionalidade. Ressaltou-se que a liberdade de fundamentais: HC 4.781/BA, rel. min. Edmundo Lins, e ADI
exercício profissional, contida no art. 5º, XIII, da CF, seria 1.969/DF, rel. min. Ricardo Lewandowski. A liberdade de
quase absoluta e que qualquer restrição a ela só se expressão como um dos mais preciosos privilégios dos
justificaria se houvesse necessidade de proteção a um cidadãos em uma república fundada em bases
interesse público, a exemplo de atividades para as quais democráticas. O direito à livre manifestação do
fosse requerido conhecimento específico, técnico, ou ainda, pensamento: núcleo de que se irradiam os direitos de
habilidade já demonstrada. (STF RE 414426/SC, rel. Min. crítica, de protesto, de discordância e de livre circulação de
Ellen Gracie, 1º.8.2011). ideias. Abolição penal (abolitio criminis) de determinadas
condutas puníveis. Debate que não se confunde com
LIBERDADE DE LOCOMOÇÃO
incitação à prática de delito nem se identifica com apologia
XV - é livre a locomoção no território nacional em tempo de fato criminoso. Discussão que deve ser realizada de
de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele forma racional, com respeito entre interlocutores e sem
entrar, permanecer ou dele sair com seus bens; possibilidade legítima de repressão estatal, ainda que as
ideias propostas possam ser consideradas, pela maioria,
Dispositivo correspondente: art. 139, I, da CF/88. estranhas, insuportáveis, extravagantes, audaciosas ou
inaceitáveis. O sentido de alteridade do direito à livre
LIBERDADE DE REUNIÃO expressão e o respeito às ideias que conflitem com o
pensamento e os valores dominantes no meio social.
XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em Caráter não absoluto de referida liberdade fundamental (CF,
locais abertos ao público, independentemente de art. 5º, IV, V e X; Convenção Americana de Direitos
autorização, desde que não frustrem outra reunião Humanos, art. 13, § 5º.) (STF ADPF 187, rel. min. Celso de
anteriormente convocada para o mesmo local, sendo Mello, j 15.06.2011, Plenário, DJ 29.05.2014)
apenas exigido prévio aviso à autoridade competente;
LIBERDADE DE ASSOCIAÇÃO
O direito a reunião é uma manifestação coletiva da
liberdade de expressão, tendo como requisitos: pluralidade XVII - é plena a liberdade de associação para fins lícitos,
de participantes, temporariedade, finalidade pacífica, vedada a de caráter paramilitar;
ausência de armas, lugares abertos ao público e
XVIII - a criação de associações e, na forma da lei, a de
comunicação prévia.
cooperativas independem de autorização, sendo vedada a
Haverá restrição ao direito de reunião na hipótese de interferência estatal em seu funcionamento;
decretação do estado de defesa e suspensão no caso de
XIX - as associações só poderão ser compulsoriamente
dissolvidas ou ter suas atividades suspensas por decisão
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judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito em EMENTA. (...). Cabe enfatizar, neste ponto, que as normas
julgado; inscritas no art. 5º, incisos XVII a XXI da atual Constituição
Federal protegem as associações, inclusive as sociedades, da
O direito de associação só alcança as associações criadas atuação eventualmente arbitrária do legislador e do
para fins lícitos, com ou sem personalidade jurídica. O administrador, eis que somente o Poder Judiciário, por meio
caráter paramilitar é verificado quando a associação destina- de processo regular, poderá decretar a suspensão ou a
se ao treinamento do uso de material bélico, com as dissolução compulsória das associações. Mesmo a atuação
seguintes características: organização hierárquica e respeito judicial encontra uma limitação constitucional: apenas as
ao princípio da obediência. associações que persigam fins ilícitos poderão ser
As associações aqui referidas devem ser entendidas em compulsoriamente dissolvidas ou suspensas. Atos emanados
sentido amplo, incluindo os partidos políticos e as do Executivo ou do Legislativo, que provoquem a
associações sindicais (art. 8º, I), as quais devem ser criadas compulsória suspensão ou dissolução de associações,
na forma da lei, sem necessidade de autorização do poder mesmo as que possuam fins ilícitos, serão inconstitucionais.
público, nem possibilidade de interferência deste em seu (STF ADI 3.045, 1º/6/07).
funcionamento, considerando que a interferência arbitrária
XX - ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a
do poder público no exercício desse direito pode acarretar
permanecer associado;
responsabilidade penal, político-administrativa e civil.
XXI - as entidades associativas, quando expressamente
Importante diferenciar os institutos, pois a associação não
autorizadas, têm legitimidade para representar seus
tem fins lucrativos, o patrimônio é constituído pela
filiados judicial ou extrajudicialmente;
contribuição dos membros para alcançar fins educacionais,
religiosos, culturais etc. Já a cooperativa, sociedade ou Aqui consta a grande diferença entre associações e
empresa constituída por membro de determinado grupo sindicatos, pois a estes cabe a defesa dos direitos e
econômico ou social, objetiva desempenhar, em beneficio interesses coletivos e individuais da categoria (art. 8º, III),
comum, determinada atividade econômica. enquanto que aquelas possuem finalidades sociológicas.
Fica subentendido que qualquer ato normativo editado pelo O dispositivo diz respeito à representação processual, que
poder Executivo ou pelo poder Legislativo, no sentido de por sua vez difere da substituição processual (legitimidade
dissolução compulsória, será inconstitucional, uma vez que ativa extraordinária). Aquela ocorre numa situação onde o
a Lei Maior limita a atuação ao Poder Judiciário (cláusula de representante atua em nome do representado, caso em que
reserva do Poder Judiciário), autorizando-o à dissolução se faz necessário à autorização. A substituição processual o
somente quando a finalidade buscada pela associação for legitimado atua em seu nome próprio para defesa de direito
ilícita, valendo ressaltar que no caso da medida mais alheio, não sendo necessária autorização.
drástica, ou seja, no caso da dissolução, a decisão judicial
exige o trânsito em julgado. Vale dizer que no caso de impetração de mandado de
segurança coletivo (art. 5º, LXX), a associação prescinde de
 Jurisprudência relacionada ao tema: autorização, uma vez que atua como substituto processual.
EMENTA. (...). Com efeito, a liberdade de associação não se  Jurisprudência relacionada ao tema:
confunde com o direito de reunião, possuindo, em relação a
este, plena autonomia jurídica (...). Diria, até, que, sob a EMENTA. (...). A representação prevista no inciso XXI do art.
égide da vigente Carta Política, intensificou-se o grau de 5º da Constituição Federal surge regular quando autorizada
proteção jurídica em torno da liberdade de associação, na a entidade associativa a agir judicial ou extrajudicialmente
medida em que, ao contrário do que dispunha a Carta mediante deliberação em assembleia. Descabe exigir
anterior, nem mesmo durante a vigência do estado de sítio instrumentos de mandatos subscritos pelos associados. (...).
se torna lícito suspender o exercício concreto dessa (STF RE 192.305, 21/5/01).
prerrogativa. (...) Revela-se importante assinalar, neste SÚMULA 629, STF. A impetração de mandado de segurança
ponto, que a liberdade de associação tem uma dimensão coletivo por entidade de classe em favor dos associados
positiva, pois assegura a qualquer pessoa (física ou jurídica) independe da autorização destes.
o direito de associar-se e de formar associações. Também
possui uma dimensão negativa, pois garante, a qualquer DIREITO DE PROPRIEDADE
pessoa, o direito de não se associar, nem de ser compelida a
filiar-se ou a desfiliar-se de determinada entidade. Essa XXII - é garantido o direito de propriedade;
importante prerrogativa constitucional também possui XXIII - a propriedade atenderá a função social;
função inibitória, projetando-se sobre o próprio Estado, na
medida em que se veda, claramente, ao Poder Público, a XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para
possibilidade de interferir na intimidade das associações e, desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou
até mesmo, de dissolvê-las, compulsoriamente, a não ser por interesse social, mediante justa e prévia indenização
mediante regular processo judicial. (STF ADI 3.045, de em dinheiro, ressalvada os casos previstos nesta
1º/6/2007). Constituição;

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O direito de propriedade é garantia individual e relativa, plantas psicotrópicas ou a exploração de trabalho escravo
considerando que deve respeitar o conceito de função social na forma da lei serão expropriadas e destinadas à reforma
que consta nos artigos 182, § 2º (propriedade urbana) e 186 agrária e a programas de habitação popular, sem qualquer
indenização ao proprietário e sem prejuízo de outras
(propriedade rural), da CF/88, senão vejamos:
sanções previstas em lei, observado, no que couber, o
Art. 182. A política de desenvolvimento urbano, executada disposto no art. 5º. (Redação dada pela Emenda
pelo Poder Público municipal, conforme diretrizes gerais Constitucional 81, de 2014)
fixadas em lei, tem por objetivo ordenar o pleno
 Jurisprudência relacionada ao tema:
desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o
bem- estar de seus habitantes. EMENTA. (...). A expropriação de glebas a que se refere o art. 243
§ 2º A propriedade urbana cumpre sua função social da CF há de abranger toda a propriedade e não apenas a área
quando atende às exigências fundamentais de ordenação efetivamente cultivada (...). (STF RE 543.974/MG, 26.3.2009).
da cidade expressas no plano diretor.
XXV - no caso de iminente perigo público, a autoridade
Art. 186. A função social é cumprida quando a propriedade competente poderá usar de propriedade particular,
rural atende, simultaneamente, segundo critérios e graus assegurada ao proprietário indenização ulterior, se houver
de exigência estabelecidos em lei, aos seguintes requisitos: dano;
I - aproveitamento racional e adequado;
II - utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e Trata-se de Requisição Administrativa, desapropriação por
preservação do meio ambiente; necessidade ou utilidade pública.
III - observância das disposições que regulam as relações de
trabalho; A indenização é posterior porque deverá ser paga somente
IV - exploração que favoreça o bem-estar dos proprietários se houver dano, o qual será devido até na hipótese do
e dos trabalhadores. art. 139, VII, da CF/88, ou seja, durante o Estado de Sítio.

Caso a propriedade não cumpra a função social, dará ensejo XXVI - a pequena propriedade rural, assim definida em lei,
a desapropriação, que, nos casos previstos nos dispositivos desde que trabalhada pela família, não será objeto de
que seguem, não será indenizada em dinheiro. Na última penhora para pagamento de débitos decorrentes de sua
hipótese, não haverá indenização, pois trata-se de atividade produtiva, dispondo a lei sobre os meios de
expropriação, desapropriação confiscatória. financiar o seu desenvolvimento;

Art. 182. A política de desenvolvimento urbano, executada Frise-se que o benefício da impenhorabilidade aqui
pelo Poder Público municipal, conforme diretrizes gerais concedida diz respeito exclusivamente aos débitos
fixadas em lei, tem por objetivo ordenar o pleno decorrentes da própria propriedade produtiva, devendo dita
desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o pequena propriedade rural ser trabalhada pela família,
bem-estar de seus habitantes. requisito este essencial para o reconhecimento do instituto.
§ 4º É facultado ao Poder Público municipal, mediante lei A título de informação, o Estatuto da Terra, Lei 4.504/64,
específica para área incluída no plano diretor, exigir, nos tenta definir “propriedade familiar” e usa como referência
termos da lei federal, do proprietário do solo urbano não de área, o módulo rural.
edificado, subutilizado ou não utilizado, que promova seu
adequado aproveitamento, sob pena, sucessivamente, XXVII - aos autores pertence o direito exclusivo de
de: utilização, publicação ou reprodução de suas obras,
I - parcelamento ou edificação compulsórios; transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar;
II - imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana
progressivo no tempo; XXVIII - são assegurados, nos termos da lei:
III - desapropriação com pagamento mediante títulos da
a) a proteção às participações individuais em obras
dívida pública de emissão previamente aprovada pelo
coletivas e à reprodução da imagem e voz humanas,
Senado Federal, com prazo de resgate de até dez anos, em
parcelas anuais, iguais e sucessivas, assegurados o valor inclusive nas atividades desportivas;
real da indenização e os juros legais. b) o direito de fiscalização do aproveitamento econômico
das obras que criarem ou de que participarem aos
Art. 184. Compete à União desapropriar por interesse
criadores, aos intérpretes e às respectivas representações
social, para fins de reforma agrária, o imóvel rural que não
esteja cumprindo sua função social, mediante prévia e justa sindicais e associativas;
indenização em títulos da dívida agrária, com cláusula de XXIX - a lei assegurará aos autores de inventos industriais
preservação do valor real, resgatáveis no prazo de até vinte privilégio temporário para sua utilização, bem como
anos, a partir do segundo ano de sua emissão, e cuja
proteção às criações industriais, à propriedade das marcas,
utilização será definida em lei.
§ 1º As benfeitorias úteis e necessárias serão indenizadas aos nomes de empresas e a outros signos distintivos, tendo
em dinheiro. em vista o interesse social e o desenvolvimento
tecnológico e econômico do País;
Art. 243. As propriedades rurais e urbanas de qualquer
região do País onde forem localizadas culturas ilegais de

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Propriedade intelectual, que compreende os direitos pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo
autorais, também conhecidos como direito de cópia seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado;
(copyright) e os direitos à propriedade industrial, marcas e
patentes, descritos no inciso XXIX, do presente artigo. É garantia de natureza administrativa, que decorre do
princípio da publicidade dos atos da Administração Pública.
Registre-se que a lei dos direitos autorais é a Lei 9.610/98. Porém essa garantia não é absoluta, já que o Poder Público
O texto contém três garantias: a das participações pode recusar-se a fornecer a informação quando esta for
individuais em obras coletivas, que são as produzidas em imprescindível à segurança do Estado e da sociedade, nos
colaboração por diversos autores, a das reproduções da termos da Lei 12.527/2011. Ressalte-se, ainda a criação da
imagem e voz humanas e a de fiscalização do comissão da verdade, instituída pela Lei 12.528/2011.
aproveitamento econômico das obras. Importante dizer que quando houver negativa
São asseguradas duas garantias: privilégio temporário de administrativa sobre informações pessoais a ação
utilização aos autores de inventos e a proteção às criações constitucional cabível poderá ser o habeas data, mas
industriais, à propriedade das marcas, nomes de empresas e quando o direito denegado for informações de interesse
outros signos distintivos. coletivo ou geral, a ação constitucional cabível a espécie
será o mandado de segurança (art. 5º, LXIX e LXXII).
O autor de inventos é aquele que fez uma descoberta ou
criou coisa nova, industrializável, que produz resultado no Dispositivo correspondente: art. 5º, XIV, da CF/88.
mercado. A Lei 9.279/96 dispõe sobre essa matéria e prevê  Jurisprudência relacionada ao tema:
o direito de obter a patente. Essa mesma lei protege à
marca registrada no Brasil, bem como a marca SÚMULA VINCULANTE 14. É direito do defensor, no
notoriamente conhecida, independentemente de estar ou interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos
não registrada no Brasil, conhecidas por marcas notórias. de prova que, já documentados em procedimento
investigatório realizado por órgão com competência de
DIREITO DE SUCESSÕES
polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de
defesa.
XXX - é garantido o direito de herança; EMENTA. O Verbete 14 da Súmula Vinculante do Supremo
XXXI - a sucessão de bens de estrangeiros situados no País não alcança sindicância administrativa objetivando elucidar
será regulada pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou fatos sob o ângulo do cometimento de infração
dos filhos brasileiros, sempre que não lhes seja mais administrativa. (STF Rcl. 10.771 AgR, rel. min. Marco Aurélio,
favorável a lei pessoal do de cujus; J. 04.02.2014, 1ª Turma, DJ 18.02.2014).

Para José Afonso da Silva “herança” significa a EMENTA. (...). Direito à informação de atos estatais, neles
universalidade de bens transmitida pelo finado aos seus embutida a folha de pagamento de órgãos e entidades
sucessores, segundo a ordem das vocações hereditárias. públicas. (...) Caso em que a situação específica dos
servidores públicos é regida pela 1ª parte do inciso XXXIII do
A regra só se aplica aos bens de estrangeiros situados no art. 5º da Constituição. Sua remuneração bruta, cargos e
Brasil porque a lei brasileira não tem eficácia extraterritorial. funções por eles titularizados, órgãos de sua formal lotação,
Segundo Celso de Mello, o legislador constituinte utilizou o tudo é constitutivo de informação de interesse coletivo ou
critério do jus domicilii, aplicando a lei brasileira, combinado geral. Expondo-se, portanto, a divulgação oficial. Sem que a
com o critério do jus patriae, quando a lei estrangeira, intimidade deles, vida privada e segurança pessoal e familiar
pessoal do de cujus, for mais favorável ao cônjuge ou filhos se encaixem nas exceções de que trata a parte derradeira
brasileiros. E se o morto era domiciliado no exterior, aplicar- do mesmo dispositivo constitucional (inciso XXXIII do art.
se-á a lei brasileira se for mais benéfica ao cônjuge ou filhos 5º), pois o fato é que não estão em jogo nem a segurança do
brasileiros, no que diz respeito aos bens situados no Brasil Estado nem do conjunto da sociedade. Não cabe, no caso,
(critério forum rei sitae). falar de intimidade ou de vida privada, pois os dados objeto
da divulgação em causa dizem respeito a agentes públicos
O presente dispositivo também abrange os netos brasileiros, enquanto agentes públicos mesmos; ou, na linguagem da
desde que sejam herdeiros, pois a finalidade do legislador própria Constituição, agentes estatais agindo ‘nessa
constitucional é a proteção dos descendentes brasileiros qualidade’ (§ 6º do art. 37). E quanto à segurança física ou
convocados à herança. O adjetivo “brasileiros”, ora corporal dos servidores, seja pessoal, seja familiarmente,
empregado, qualifica cônjuges e filhos e a conjunção “ou” claro que ela resultará um tanto ou quanto fragilizada com a
tem sentido tanto aditivo como alternativo. divulgação nominalizada dos dados em debate, mas é um
DIREITO DE INFORMAÇÃO tipo de risco pessoal e familiar que se atenua com a
proibição de se revelar o endereço residencial, o CPF e a CI
XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos públicos de cada servidor. No mais, é o preço que se paga pela opção
informações de seu interesse particular, ou de interesse por uma carreira pública no seio de um Estado republicano.
coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob (...) A negativa de prevalência do princípio da publicidade
administrativa implicaria, no caso, inadmissível situação de
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grave lesão à ordem pública. (...). (STF SS 3.902-AgR - segurança ou a própria ação civil pública. (...). (STF RE
segundo, Rel. Min. Ayres Britto, Plenário, DJ de 3-10-2011). 472.489 - AgR, 29/8/08).
PRINCÍPIOS E REGRAS APLICÁVEIS AO DIREITO
DIREITO DE PETIÇÃO E DE CERTIDÃO E AO PROCESSO
XXXIV - são a todos assegurados, independentemente do XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário
pagamento de taxas: lesão ou ameaça a direito;
a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de
Princípio do livre acesso ao judiciário ou princípio da
direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder;
inafastabilidade de jurisdição, ou ainda princípio da
b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para ubiquidade da justiça. É o direito de obter a tutela judicial, é
defesa de direitos e esclarecimento de situação de o direito de ação, desde que preenchidas às condições da
interesse pessoal; ação e dos pressupostos processuais legalmente
estabelecidos (legitimidade, interesse de agir e pedido
O direito de petição tem sua origem na Carta Magna de possível).
1215, no right of petition, na Inglaterra, firmando-se no Bill
of Rights de 1689, mas se fortaleceu na Constituição Em razão do referido princípio não se admite no sistema
Francesa de 1791. constitucional pátrio a chamada jurisdição condicionada ou
instância administrativa de curso forçado. Assim, inexiste a
Garantia de índole administrativa que não se confunde com obrigatoriedade de esgotamento da instância administrativa
o direito de ação, por isso não tem o peticionário de para que a parte possa acessar o Judiciário, tendo como
demonstrar lesão ou ameaça de lesão a interesse, pessoal exceção as lides desportivas, constante no art. 217, § 1º,
ou particular. Visa defender direito, noticiar ilegalidade ou que reza:
abuso de autoridade, constituindo uma prerrogativa
democrática, de caráter essencialmente informal (apesar da Art. 217. (...)
forma escrita), independentemente do pagamento de taxas § 1º O Poder Judiciário só admitirá ações relativas à
disciplina e às competições desportivas após esgotarem-se
e está desvinculado da comprovação da existência de
as instâncias da justiça desportiva, regulada em lei.
qualquer lesão a interesses próprios do solicitante.
O direito de certidão é consagrado como garantia  Jurisprudência relacionada ao tema:
constitucional de natureza individual, exercido na seara
SÚMULA 667, STF. Viola a garantia constitucional de acesso
administrativa. Tem como objetivo o esclarecimento de
à jurisdição a taxa judiciária calculada sem limite sobre o
situações pretéritas pessoais, onde o Estado se obriga a
valor da causa.
prestá-lo sob pena de responsabilidade política, civil e
criminal, ressalvados as hipóteses constitucionais de sigilo. SÚMULA VINCULANTE 21. É inconstitucional a exigência de
depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para
Negado o direito, caberá mandado de segurança (art. 5º,
admissibilidade de recurso administrativo.
LXIX).
SÚMULA VINCULANTE 28. É inconstitucional a exigência de
 Jurisprudência relacionada ao tema:
depósito prévio como requisito de admissibilidade de ação
EMENTA. (...). O direito de petição, presente em todas as judicial na qual se pretenda discutir a exigibilidade de
Constituições brasileiras, qualifica-se como importante crédito tributário.
prerrogativa de caráter democrático. Trata-se de
XXXVI - a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato
instrumento jurídico-constitucional posto a disposição de
jurídico perfeito e a coisa julgada;
qualquer interessado – mesmo daqueles destituídos de
personalidade jurídica –, com a explícita finalidade de Princípio da Segurança Jurídica ou irretroatividade da lei,
viabilizar a defesa, perante as instituições estatais, de que difere do princípio da retroatividade da lei penal,
direitos ou valores revestidos tanto de natureza pessoal constante no inciso XL deste artigo.
quanto de significação coletiva. (STF ADI 1.247-MC,
08/09/95) O direito denomina-se adquirido quando consolidada sua
integração ao patrimônio do respectivo titular, conforme a
EMENTA. (...). O direito à certidão traduz prerrogativa lei vigente. O ato jurídico perfeito é aquele que reuniu todos
jurídica, de extração constitucional, destinada a viabilizar, os seus elementos constitutivos exigidos pela lei. Coisa
em favor do indivíduo ou de uma determinada coletividade julgada é a decisão judicial irrecorrível.
(como a dos segurados do sistema de previdência social), a
defesa (individual ou coletiva) de direitos ou o Ressalte-se o posicionamento adotado pelo STF sobre a
esclarecimento de situações. A injusta recusa estatal em impossibilidade de alegar direito adquirido em face de
fornecer certidões, não obstante presentes os pressupostos norma constitucional originária, criação ou aumento de
legitimadores dessa pretensão, autorizará a utilização de tributos e mudança de regime jurídico do servidor público.
instrumentos processuais adequados, como o mandado de É importante frisar que o STF chancela a teoria da
Retroatividade Mínima (temperada ou mitigada), onde as
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novas normas constitucionais se aplicam de imediato, Princípio do Juiz ou do Juízo Natural.


alcançando, sem limitações, os efeitos futuros de fatos
Nelson Nery Júnior assevera que “a garantia do juiz natural
passados, salvo disposição expressa em contrário
é tridimensional. Significa que: 1) não haverá juízo ou
(retroatividade média ou máxima), valendo salientar que a
tribunal ad hoc, isto é, tribunal de exceção; 2) todos têm
retroatividade mínima não se aplica as Constituições
direito de submeter-se a julgamento (civil e penal) por juiz
Estaduais nem as normas infraconstitucionais, pois estas se
competente, pré-constituído na forma da lei; 3) o juiz
submetem à regra da irretroatividade, fundamentada no
competente tem de ser imparcial”.
art. 5º, XXXVI da CF/88. A retroatividade máxima ou
restitutória da norma aplica-se aos fatos consumados e a Dispositivo correspondente: art. 5º, LIII, da CF/88.
retroatividade média aplica-se as prestações vencidas, mas
O Tribunal Penal Internacional não é um tribunal de
ainda não adimplidas.
exceção, uma vez que o Brasil já se submeteu ao mesmo,
 Jurisprudência relacionada ao tema: que foi incluído pela Emenda Constitucional 45, nos termos
do art. 5º, § 4º, que segue adiante:
EMENTA. (...). A supremacia jurídica das normas inscritas na
Carta Federal não permite, ressalvadas as eventuais § 4º O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal
exceções proclamadas no próprio texto constitucional, que Internacional a cuja criação tenha manifestado adesão.
contra elas seja invocado o direito adquirido. (...). (STF ADI (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
248. Min. Rel. Celso de Mello, DJ 08.04.1994).
Com o advento do Pacto de Roma de 1998, surge o Tribunal
EMENTA. (...). 1. O Supremo Tribunal Federal pacificou a sua Penal Internacional (TPI), sediado em Haia, aprovado pelo
jurisprudência sobre a constitucionalidade do instituto da Brasil em 2002 (DL 112). O TPI é um tribunal permanente
estabilidade financeira e sobre a ausência de direito com competência para investigar, processar e julgar
adquirido a regime jurídico. (...). 3. Recurso extraordinário indivíduos acusados das mais graves violações do direito
ao qual se nega provimento. (STF RE 563965/RN. Min. Rel. internacional humanitário. Desde os chamados crimes de
Cármem Lúcia, DJ 19.02.2009). guerra, passando pelos crimes contra a humanidade e o
EMENTA. (...) No ordenamento jurídico vigente, não há genocídio.
norma, expressa nem sistemática, que atribua à condição A Jurisdição do TPI submete-se ao princípio da
jurídico-subjetiva da aposentadoria de servidor público o complementaridade, ou seja, haverá julgamento perante o
efeito de lhe gerar direito subjetivo como poder de subtrair TPI em situações excepcionais gravíssimas, em que o Estado
ad aeternum a percepção dos respectivos proventos e soberano se mostre incapaz de processar os crimes
pensões à incidência de lei tributária que, anterior ou indicados no Estatuto de Roma.
ulterior, os submeta à incidência de contribuição
previdencial. Noutras palavras, não há, em nosso Os pontos mais polêmicos giram em torno dos arts. 77 e 89
ordenamento, nenhuma norma jurídica válida que, como do Estatuto. O art. 77 prevê a pena de prisão perpétua
efeito específico do fato jurídico da aposentadoria, lhe quando justificada pela “extrema gravidade do crime e as
imunize os proventos e as pensões, de modo absoluto, à circunstâncias pessoais do condenado” e o art. 89, por sua
tributação de ordem constitucional, qualquer que seja a vez, prescreve a entrega do acusado ao tribunal pelo estado
modalidade do tributo eleito, donde não haver, a respeito, em cujo território se encontre sem estabelecer qualquer
direito adquirido com o aposentamento. (…). (STF ADI exceção. O estado deverá, pois, entregar seus próprios
3.105/DF, 18/02/2005). nacionais se assim determinar o tribunal, porque o art. 120
do Estatuto dispõe expressamente que “não se admitirão
EMENTA. Pensões especiais vinculadas a salario mínimo. reservas ao presente Estatuto”.
Aplicação imediata a elas da vedação da parte final do inciso
IV do art. 7º da Constituição de 1988. - Já se firmou a O Tribunal do Júri também não é um tribunal de exceção.
jurisprudência desta Corte no sentido de que os dispositivos Na verdade é uma expressão da Soberania Popular,
constitucionais têm vigência imediata, alcançando os efeitos reconhecido pela própria constituição pátria.
futuros de fatos passados (retroatividade mínima). Salvo XXXVIII - é reconhecida a instituição do júri, com a
disposição expressa em contrario - e a Constituição pode organização que lhe der a lei, assegurados:
fazê-lo -, eles não alcançam os fatos consumados no
passado nem as prestações anteriormente vencidas e não a) a plenitude de defesa;
pagas (retroatividades máxima e média). Recurso b) o sigilo das votações;
extraordinário conhecido e provido. (STF RE 140.499/GO,
Rel. Min. Moreira Alves, DJ 09.09.1994). c) a soberania dos veredictos;

XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção; d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos
contra a vida;
LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão
pela autoridade competente;

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Garantias do Tribunal do Júri.  Jurisprudência relacionada ao tema:


Comentando as garantias desse tribunal popular, vê-se que EMENTA. (...) O princípio da proporcionalidade - que extrai a
a plenitude da defesa, embora já assegurada no inciso LV, sua justificação dogmática de diversas cláusulas
foi ratificada, que o sigilo das votações significa que a constitucionais, notadamente daquela que veicula a
liberdade de convicção e opinião dos jurados deverá ser garantia do substantive due process of law - acha-se
sempre resguardada, que os Veredictos, as decisões dos vocacionado a inibir e a neutralizar os abusos do Poder
jurados não poderão ser substituídas por outras, mas tal Público no exercício de suas funções, qualificando-se como
garantia não exclui a possibilidade de serem revistas parâmetro de aferição da própria constitucionalidade
mediante recursos e que tem competência para os crimes material dos atos estatais. (...). (STF ADI 1.407 MC/DF,
dolosos contra a vida. 24/11/2000).
A Constituição Federal prevê regra mínima e inafastável de LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo,
competência para o Tribunal do Júri, porém não impede que e aos acusados em geral, são assegurados o contraditório e
outros crimes sejam processados e julgados pelo Júri, a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;
podendo a norma infraconstitucional lhe atribuir outras
competências, como os crimes conexos. Princípio do Contraditório e da Ampla Defesa.

 Jurisprudência relacionada ao tema: Por contraditório se entende a garantia que é dada ao réu
de conhecer o direito alegado pela outra parte litigante, pois
SÚMULA VINCULANTE 45. A competência constitucional do para todo ato produzido por uma parte caberá igual direito
Tribunal do Júri prevalece sobre o foro por prerrogativa de a outra parte para contraditar. A ampla defesa se divide em
função estabelecido exclusivamente pela Constituição defesa técnica e autodefesa (direito de audiência e direito
estadual. (antiga Súmula 721 do STF). de presença/participação).
SÚMULA 603, STF. A competência para o processo e Segundo o ilustre doutrinador Leo Van Holthe, aplicam-se o
julgamento de latrocínio é do juiz singular e não do tribunal contraditório e a ampla defesa tanto nos procedimentos
do júri. civil, quanto militares, processos administrativos,
EMENTA. (...) A soberania dos veredictos do tribunal do júri disciplinares, além de quaisquer outros procedimentos que
não é absoluta, submetendo-se ao controle do juízo ad envolvam a aplicação de sanções administrativas.
quem, tal como disciplina o art. 593, III, d, do Código de Entretanto, nos procedimentos administrativos meramente
Processo Penal. (...). (HC 88.707, 17-10-08). investigatórios, que não envolvem a aplicação de
penalidades, mas apenas apuram fatos para um posterior
XL - a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu; processo administrativo ou judicial, não há que se falar em
contraditório e ampla defesa.
Princípio da retroatividade da lei penal mais favorável ao
réu (lex mitior). A regra é a irretroatividade in pejus, pois a O duplo grau de jurisdição, princípio que obriga a existência
lei nova desfavorável ao réu (lex gravior) não retroage para de revisão por Tribunal Superior da matéria já julgada por
atingir delitos praticados antes do início da sua vigência. uma instância inferior. Entretanto, a obediência a este
Quando se trata de lei mais benéfica para o réu, a princípio afasta a possibilidade de julgamentos feitos por
retroatividade existe, inclusive com relação à eficácia da uma única instância. Após várias discussões sobre a matéria,
coisa julgada, aplicando-se também durante o processo de pela doutrina e jurisprudência, o STF firmou entendimento
execução da pena. de que o duplo grau de jurisdição não é garantia
constitucional.
LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens
sem o devido processo legal;  Jurisprudência relacionada ao tema:

Princípio do Devido Processo Legal (due process of law), SÚMULA VINCULANTE 5. A falta de defesa técnica por
que decorre do princípio da Presunção da Inocência e tem advogado no processo administrativo disciplinar não ofende
como corolários a ampla defesa e o contraditório, quer dizer a constituição.
que deve ser dado ao indivíduo paridade de condições em EMENTA. (...) A ausência de Advogado no interrogatório
face do Estado, quando este restringir a liberdade ou o judicial do acusado não infirma a validade jurídica desse ato
direito aos bens constitucionais tutelados, além do conceito processual. O interrogatório judicial - que constitui ato
material de proteção ao direito de liberdade do indivíduo. pessoal do magistrado processante - não esta sujeito ao
O Supremo Tribunal Federal já declarou que o princípio da princípio do contraditório. Precedente: HC 68.929-9, rel.
proporcionalidade e da razoabilidade tem nesse princípio Min. CELSO DE MELLO. - A investigação policial, em razão de
sua sede material (devido processo legal em sentido sua própria natureza, não se efetiva sob o crivo do
substantivo). contraditório, eis que e somente em juízo que se torna
plenamente exigível o dever estatal de observância do
postulado da bilateralidade dos atos processuais e da
instrução criminal. A inaplicabilidade da garantia do

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contraditório ao inquérito policial tem sido reconhecida pela Princípio da inadmissibilidade das provas obtidas por
jurisprudência do STF. A prerrogativa inafastável da ampla meios ilícitos.
defesa traduz elemento essencial e exclusivo da persecução
As provas ilegais se dividem em provas ilícitas, as que
penal em juízo. (...). (STF HC 69372/SP - Rel. Min. CELSO DE
infringem às normas do direito material e as ilegítimas que
MELLO, 07-05-1993).
desrespeitam o direito processual.
EMENTA. (...) A estrita reverência aos princípios do
contraditório e da ampla defesa só é exigida, como requisito LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em
essencial de validez, assim no processo administrativo julgado de sentença penal condenatória;
disciplinar, como na sindicância especial que lhe faz as vezes O princípio da presunção da inocência ou da não-
como procedimento ordenado à aplicação daquelas duas culpabilidade tutela o direito do individuo de ser
penas mais brandas, que são a advertência e a suspensão considerado inocente até o trânsito em julgado da sentença,
por prazo não superior a trinta dias. Nunca, na sindicância cabendo ao Estado o dever de provar o contrário. Desse
que funcione apenas como investigação preliminar tendente princípio advém o princípio do in dubio pro reo, segundo o
a coligir, de maneira inquisitorial, elementos bastantes à qual, havendo dúvida na interpretação da lei ou na
imputação de falta ao servidor, em processo disciplinar indicação do fato, será adotada aquela que for mais
subsequente. (STF MS 22.791. rel. Ministro Cezar Peluso, favorável ao réu.
13/11/2003).
Dispositivo correspondente: art. 5º, LXVI, da CF/88.
EMENTA. (...) Ainda que não se empreste dignidade
constitucional ao duplo grau de jurisdição, trata-se de  Jurisprudência relacionada ao tema:
garantia prevista na Convenção Interamericana de Direitos EMENTA. (...) Viola o princípio constitucional da presunção
Humanos, cuja ratificação pelo Brasil deu-se em 1992, data da inocência, previsto no art. 5º, LVII, da Constituição
posterior à promulgação Código de Processo Penal. VI - A Federal, a exclusão de candidato de concurso público que
incorporação posterior ao ordenamento brasileiro de regra responde a inquérito ou ação penal sem trânsito em julgado
prevista em tratado internacional tem o condão de da sentença condenatória. (STF RE 559.135-AgR, 13-6-08).
modificar a legislação ordinária que lhe é anterior. VII -
Ordem concedida. (STF HC 88.420/PR, 17.04.2007). EMENTA. (...) antes de prolatada a sentença penal há de se
manter reservas de dúvida cerca do comportamento
EMENTA. Administrativo. Ensino superior. Cancelamento de contrário à ordem jurídica, o que leva a atribuir ao acusado,
matrícula sem observância do devido processo legal. para todos os efeitos – mas, sobretudo, no que se refere ao
Impossibilidade. (STF RE 781.794 AgR, rel. min. Luiz Fux, j. ônus da prova da incriminação –, a presunção de inocência.
02.08.2016, 1ª Turma, DJ 19.08.2016). A eventual condenação representa, por certo, um juízo de
EMENTA. No curso do procedimento de impeachment, o culpabilidade, que deve decorrer da logicidade extraída dos
acusado tem a prerrogativa de se manifestar, de um modo elementos de prova produzidos em regime de contraditório
geral, após a acusação. Concretização da garantia no curso da ação penal. Para o sentenciante de primeiro
constitucional do devido processo legal (due process of law). grau, fica superada a presunção de inocência por um juízo
(STF ADPF 378 MC, rel p/ o ac. Min. Roberto Barroso, j. de culpa – pressuposto inafastável para condenação –,
16.12.2015, Plenário, DJ 08.03.2016). embora não definitivo, já que sujeito, se houver recurso, à
revisão por tribunal de hierarquia imediatamente superior.
EMENTA. Por se tratar de negócio jurídico personalíssimo, o É nesse juízo de apelação que, de ordinário, fica
acordo de colaboração premiada não pode ser impugnado definitivamente exaurido o exame sobre os fatos e provas
por coautores ou partícipes do colaborador na organização da causa, com a fixação, se for o caso, da responsabilidade
criminosa e nas infrações penais por ela praticadas, ainda penal do acusado. É ali que se concretiza, em seu sentido
que venham a ser expressamente nominados no respectivo genuíno, o duplo grau de jurisdição, destinado ao reexame
instrumento no “relato da colaboração e seus possíveis de decisão judicial em sua inteireza, mediante ampla
resultados” (art. 6º, I, da Lei 12.850/2013). De todo modo, devolutividade da matéria deduzida na ação penal, tenha
nos procedimentos em que figurarem como imputados, os ela sido apreciada ou não pelo juízo a quo. Ao réu fica
coautores ou partícipes delatados – no exercício do assegurado o direito de acesso, em liberdade, a esse juízo
contraditório – poderão confrontar, em juízo, as declarações de segundo grau, respeitadas as prisões cautelares
do colaborador e as provas por ele indicadas, bem como porventura decretadas. Ressalvada a estreita via da revisão
impugnar, a qualquer tempo, as medidas restritivas de criminal, é, portanto, no âmbito das instâncias ordinárias
direitos fundamentais eventualmente adotadas em seu que se exaure a possibilidade de exame de fatos e provas e,
desfavor. (STF HC 127.483, rel. min. Dias Toffoli, j. sob esse aspecto, a própria fixação da responsabilidade
27.08.2015, Plenário, DJ 04.02.2016). criminal do acusado. É dizer: os recursos de natureza
LVI - são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por extraordinária não configuram desdobramentos do duplo
meios ilícitos; grau de jurisdição, porquanto não são recursos de ampla
devolutividade, já que não se prestam ao debate da matéria
fático-probatória. Noutras palavras, com o julgamento

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implementado pelo Tribunal de apelação, ocorre espécie de (LEP, arts. 105 e 147). Inaplicabilidade, ao caso, do
preclusão da matéria envolvendo os fatos da causa. Os julgamento plenário do HC 126.292/SP: decisão majoritária
recursos ainda cabíveis para instâncias extraordinárias do (7 votos a 4) proferida em processo de perfil meramente
STJ e do STF – recurso especial e extraordinário – têm, como subjetivo, desvestida de eficácia vinculante (CF, art. 102, §
se sabe, âmbito de cognição estrito à matéria de direito. 2º, e art. 103-A, caput). Precedente que atua como
Nessas circunstâncias, tendo havido, em segundo grau, um referência paradigmática, e não como pauta vinculante de
juízo de incriminação do acusado, fundado em fatos e julgamentos. (STF HC 135.100 MC, rel. min. Celso de Mello,
provas insuscetíveis de reexame pela instância decisão monocrática, j. 01.07.2016, DJ 01.08.2016).
extraordinária, parece inteiramente justificável a
relativização e até mesmo a própria inversão, para o caso LVIII - o civilmente identificado não será submetido à
concreto, do princípio da presunção de inocência até então identificação criminal, salvo nas hipóteses previstas em lei;
observado. Faz sentido, portanto, negar efeito suspensivo A identificação exigida como excludente de identificação
aos recursos extraordinários, como o fazem o art. 637 do criminal é a oficial e regularmente emitida pelos órgãos
Código de Processo Penal e o art. 27, § 2º, da Lei estatais, ou, ainda, aquela cuja lei conceda equiparação com
8.038/1990. (...) Realmente, a execução da pena na a cédula de identificação – RG, tais como, a carteira
pendência de recursos de natureza extraordinária não profissional válida, a carteira nacional de habilitação.
compromete o núcleo essencial do pressuposto da não
culpabilidade, na medida em que o acusado foi tratado A Lei 12.037/2009 estabelece hipóteses em que é
como inocente no curso de todo o processo ordinário necessária a identificação criminal, independentemente da
criminal, observados os direitos e as garantias a ele identificação civil.
inerentes, bem como respeitadas as regras probatórias e o LIX - será admitida ação privada nos crimes de ação
modelo acusatório atual. Não é incompatível com a garantia pública, se esta não for intentada no prazo legal;
constitucional autorizar, a partir daí, ainda que cabíveis ou
pendentes de julgamento de recursos extraordinários, a Ação penal pública é privativa do Ministério Público, nos
produção dos efeitos próprios da responsabilização criminal termos do art. 129, I, da CF/88, no entanto havendo inércia
reconhecida pelas instâncias ordinárias. (...) cumpre ao do Ministério Público, seja pelo não oferecimento da
Poder Judiciário e, sobretudo, ao Supremo Tribunal Federal, denúncia, ou pelo não requerimento de arquivamento do
garantir que o processo – único meio de efetivação do jus inquérito policial, ou mesmo pela falta de requisição de
puniendi estatal –, resgate essa sua inafastável função novas diligências no prazo legal, será admitida ação privada
institucional. A retomada da tradicional jurisprudência, de subsidiária da pública, que será intentada pelo ofendido ou
atribuir efeito apenas devolutivo aos recursos especial e seu representante.
extraordinário (como, aliás, está previsto em textos
 Jurisprudência relacionada ao tema:
normativos) é, sob esse aspecto, mecanismo legítimo de
harmonizar o princípio da presunção de inocência com o da EMENTA. (...) A admissibilidade da ação penal privada
efetividade da função jurisdicional do Estado. Não se mostra subsidiária da pública pressupõe, nos termos do art. art. 5º,
arbitrária, mas inteiramente justificável, a possibilidade de o LIX, da CF (...), a inércia do Ministério Público em adotar, no
julgador determinar o imediato início do cumprimento da prazo legal (CPP, art. 46), uma das seguintes providências:
pena, inclusive com restrição da liberdade do condenado, oferecer a denúncia, requerer o arquivamento do inquérito
após firmada a responsabilidade criminal pelas instâncias policial ou requisitar novas diligências. (STF HC 74.276, 3-9-
ordinárias. (STF HC 126.292, re. Min. Teori Zavascki, j 96).
17.02.2016, Plenário, DJE 17.05.2016).
LX - a lei só poderá restringir a publicidade dos atos
EMENTA. Decretação, ex officio, de prisão. Execução
processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse
provisória da pena (carcer ad poenam). Inadmissibilidade.
social o exigirem;
Afirmação, pelo tribunal de justiça local, de que a
condenação criminal em primeira instância, não obstante Princípio da Publicidade.
ainda recorrível, afasta a presunção de inocência e faz
prevalecer a presunção de culpabilidade do réu (voto do Dispositivo correspondente: art. 93, IX, da CF/88.
desembargador revisor). Inversão inaceitável que ofende e LXXVIII - a todos, no âmbito judicial e administrativo, são
subverte a fórmula da liberdade, que consagra, como direito assegurados a razoável duração do processo e os meios
fundamental de qualquer pessoa, a presunção que garantam a celeridade de sua tramitação; (Incluído
constitucional de inocência. Prerrogativa essencial que pela Emenda Constitucional 45, de 2004).
somente se descaracteriza com o trânsito em julgado da
condenação criminal (CF, art. 5º, inciso LVII). Consequente Princípio da razoável duração do processo e Princípio da
ilegitimidade constitucional da execução provisória da pena. Celeridade.
Entendimento que igualmente desrespeita a própria lei de Como mecanismos de celeridade e desburocratização
execução penal, que impõe, para efeito de aplicação das podem ser citados: a vedação de férias coletivas nos juízos e
penas privativas de liberdade e/ou restritivas de direitos, o tribunais de segundo grau, à proporcionalidade do número
prévio trânsito em julgado do título judicial condenatório
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de juízes à efetiva demanda judicial e à respectiva difere formalmente da graça e do indulto porque aquela é
população, a distribuição imediata dos processos, em todos um perdão concedido por lei, portanto deve submeter-se ao
os graus de jurisdição, a possibilidade de delegação aos congresso nacional (art. 48, VIII).
servidores do Judiciário, para a prática de atos de mero
A prática da tortura está definida na Lei 9.459/97. As
expediente sem caráter decisório, a necessidade de
normas que tratam do crime de tráfico ilícito de drogas
demonstração de repercussão geral das questões
constam na Lei 11.343/2006 e sobre o terrorismo, aplica-se
constitucionais discutidas no caso para fins de
a Lei 13.260/2016.
conhecimento do recurso extraordinário, a instalação da
justiça itinerante, as súmulas vinculantes do Supremo A definição de crimes hediondos consta no art. 1º da Lei
Tribunal federal. 8.072/90.
 Jurisprudência relacionada ao tema:  Jurisprudência relacionada ao tema:
EMENTA. (...) O excesso de prazo, quando exclusivamente EMENTA. (…). O art. 5º, XLIII, da Constituição, que proíbe a
imputável ao aparelho judiciário – não derivando, portanto, graça, gênero do qual o indulto é espécie, nos crimes
de qualquer fato procrastinatório causalmente atribuível ao hediondos definidos em lei, não conflita com o art. 84, XII,
réu – traduz situação anômala que compromete a da Lei Maior. O decreto presidencial que concede o indulto
efetividade do processo, pois, além de tornar evidente o configura ato de governo, caracterizado pela ampla
desprezo estatal pela liberdade do cidadão, frustra um discricionariedade. (…). (STF HC 90.364, 30-11-07).
direito básico que assiste a qualquer pessoa: o direito à
EMENTA. (...). A chamada Lei da Anistia veicula uma decisão
resolução do litígio, sem dilações indevidas (CF, art. 5º,
política assumida naquele momento – o momento da
LXXVIII) e com todas as garantias reconhecidas pelo
transição conciliada de 1979. A Lei 6.683 é uma lei-medida,
ordenamento constitucional, inclusive a de não sofrer o
não uma regra para o futuro, dotada de abstração e
arbítrio da coerção estatal representado pela privação
generalidade. Há de ser interpretada a partir da realidade
cautelar da liberdade por tempo irrazoável ou superior
no momento em que foi conquistada. A Lei 6.683/1979
àquele estabelecido em lei. (STF HC 85,237, 29-4-05).
precede a Convenção das Nações Unidas contra a Tortura e
Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou
CRIMES INAFIANCÁVEIS, IMPRESCRITÍVEIS E
INSUSCETÍVEIS DE GRAÇA E ANISTIA
Degradantes – adotada pela Assembleia Geral em 10-12-
1984, vigorando desde 26-6-1987 – e a Lei 9.455, de 7-4-
XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e 1997, que define o crime de tortura; e o preceito veiculado
imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da pelo art. 5º, XLIII, da Constituição – que declara insuscetíveis
lei; de graça e anistia a prática da tortura, entre outros crimes –
não alcança, por impossibilidade lógica, anistias
A Lei 7.716/89 define os crimes resultantes de preconceito anteriormente a sua vigência consumadas. A Constituição
de raça ou de cor. não afeta leis-medida que a tenham precedido. (...). (STF
 Jurisprudência relacionada ao tema: ADPF 153, Rel. Min. Eros Grau, Plenário, DJ de 6-8-2010).

EMENTA. Escrever, editar, divulgar e comerciar livros XLIV - constitui crime inafiançável e imprescritível a ação
‘fazendo apologia de ideias preconceituosas e de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem
discriminatórias’ contra a comunidade judaica (Lei 7.716/89, constitucional e o Estado Democrático;
art. 20, na redação dada pela Lei 8.081/90) constitui crime
Lei 12.850/2013, que define o crime de associação
de racismo sujeito às cláusulas de inafiançabilidade e
criminosa.
imprescritibilidade (CF, art. 5º, XLII). Aplicação do princípio
da prescritibilidade geral dos crimes: se os judeus não são PRINCÍPIOS APLICÁVEIS ÀS PENAS
uma raça, segue-se que contra eles não pode haver
discriminação capaz de ensejar a exceção constitucional de XLV - nenhuma pena passará da pessoa do condenado,
imprescritibilidade. Inconsistência da premissa. (...). (STF HC podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do
82.424, 19/03/04). perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos
sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor
XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis do patrimônio transferido;
de graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de
entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos Princípio da pessoalidade da pena ou intransmissibilidade
como crimes hediondos, por ele respondendo os da pena ou personificação da pena ou responsabilidade
mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se pessoal. A pena não passará da pessoa do condenado,
omitirem; considerando que a morte é uma das hipóteses legais de
extinção da punibilidade ou da execução da pena.
Conceituado graça, indulto e anistia, tem-se que é ato de Entretanto, no que tange a obrigação de reparar o dano e o
clemência do poder executivo, extinguindo ou diminuindo a perdimento de bens, as sanções de natureza patrimonial
pena dada ao condenado (art. 84, XII). Chama-se graça se o podem alcançar o patrimônio dos sucessores, mas somente
perdão for individual e indulto se for coletivo. Já a anistia até o limite do valor recebido pela herança do de cujus.
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XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará,  Jurisprudência relacionada ao tema:


entre outras, as seguintes: SÚMULA VINCULANTE 11. Só é lícito o uso de algemas em
a) privação ou restrição da liberdade; casos de resistência e de fundado receio de fuga ou de
perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do
b) perda dos bens; preso ou de terceiros, justificada a excepcionalidade por
c) multa; escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e
penal do agente ou da autoridade e de nulidade da prisão
d) prestação social alternativa; ou do ato processual a que se refere, sem prejuízo da
e) suspensão ou interdição de direitos; responsabilidade civil do Estado.

Princípio da individualização da pena. EMENTA. Considerando que é dever do Estado, imposto


pelo sistema normativo, manter em seus presídios os
O rol das penas ora descritas é exemplificativo ou padrões mínimos de humanidade previstos no ordenamento
enumerativo (numerus apertus), ou seja, o legislador jurídico, é de sua responsabilidade, nos termos do art. 37, §
infraconstitucional pode adotar outras penas além das que 6º, da Constituição, a obrigação de ressarcir os danos,
estão previstas no presente inciso, desde que não sejam as inclusive morais, comprovadamente causados aos detentos
vedadas por esta constituição, as quais estão em decorrência da falta ou insuficiência das condições legais
exaustivamente indicadas no inciso seguinte. de encarceramento. Com essa orientação, o Tribunal (...)
XLVII - não haverá penas: deu provimento a recurso extraordinário para restabelecer
o juízo condenatório nos termos e limites do acórdão
a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos proferido no julgamento da apelação, a qual fixara
termos do art. 84, XIX; indenização no valor de dois mil reais a favor de detento.
b) de caráter perpétuo; Consoante o acórdão restabelecido, estaria caracterizado o
dano moral porque, após laudo de vigilância sanitária no
c) de trabalhos forçados; presídio e decorrido lapso temporal, não teriam sido
d) de banimento; sanados os problemas de superlotação e de falta de
condições mínimas de saúde e de higiene do
e) cruéis; estabelecimento penal. Além disso, não sendo assegurado o
Penas proibidas. mínimo existencial, seria inaplicável a teoria da reserva do
possível. (STF RE 580.252, rel. p/ o AC. Min. Gilmar Mendes,
Essa previsão é taxativa (numerus clausus), exaustiva. j 16.02.2017, Plenário).
Ressalte-se que existe previsão infraconstitucional de
aplicação de pena de morte para determinados crimes REGRAS DE EXTRADIÇÃO
militares indicados no Código Militar (Decreto-Lei 1.001/69). LI - nenhum brasileiro será extraditado, salvo o
Sobre o banimento ou desterro, vale dizer que é a retirada naturalizado, em caso de crime comum, praticado antes da
de um nacional de seu país, em virtude da prática de naturalização, ou de comprovado envolvimento em tráfico
determinado fato no território nacional, entendendo-se ilícito de entorpecentes e drogas afins, na forma da lei;
como nacional o brasileiro nato e o naturalizado.
Extradição, segundo Hildebrando Accioly, “é o ato pelo o
XLVIII - a pena será cumprida em estabelecimentos qual um Estado entrega um indivíduo, acusado de um delito
distintos, de acordo com a natureza do delito, a idade e o ou já condenado como criminoso, à Justiça do outro, que o
sexo do apenado; reclama, e que é competente para julgá-lo e puni-lo”. A
extradição não se confunde com expulsão e deportação. A
XLIX - é assegurado aos presos o respeito à integridade expulsão decorre de atentado à segurança nacional, ordem
física e moral; política ou social, ou nocividade aos interesses nacionais. A
L - às presidiárias serão asseguradas às condições para que deportação tem relação com a legalidade, é a saída
possam permanecer com seus filhos durante o período de compulsória do estrangeiro que entrou ou permanece
amamentação; irregularmente no país por não cumprimento dos requisitos
legais.
LXXV - o Estado indenizará o condenado por erro judiciário,
assim como o que ficar preso além do tempo fixado na Só existe deportação ou expulsão de estrangeiro. Inclusive,
sentença; com referência a expulsão, quando o brasileiro, nato ou
naturalizado atenta contra à segurança nacional, ordem
O inciso XLIX é colorário da regra prevista no inciso III, do política ou social, ou nocividade aos interesses nacionais
art. 5º, que diz: “ninguém será submetido à tortura ou será processado e julgado pela justiça brasileira.
tratamento desumano ou degradante”.
Há extradição ativa e passiva, mas o STF somente tem
competência para julgar a extradição passiva (art. 102, I,
“g”). A solicitação da extradição para ser aceita pelo Brasil
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deverá também preencher alguns requisitos EMENTA. (...) A Constituição da República, presentes tais
infraconstitucionais, dentre eles, a existência de tratado vetores interpretativos (CF, art. 4º, VIII, e art. 5º, XLIII), não
internacional ou promessa de reciprocidade entre os países autoriza que se outorgue, às práticas delituosas de caráter
e a dupla tipicidade, ou seja, a conduta tem que ser crime terrorista, o mesmo tratamento benigno dispensado ao
no Brasil e no país solicitante. autor de crimes políticos ou de opinião, impedindo, desse
modo, que se venha a estabelecer, em torno do terrorista,
LII - não será concedida extradição de estrangeiro por um inadmissível círculo de proteção que o faça imune ao
crime político ou de opinião; poder extradicional do Estado brasileiro, notadamente se se
O caráter político do crime deverá ser analisado pelo STF, tiver em consideração a relevantíssima circunstância de que
pois inexiste prévia definição constitucional ou legal sobre a a Assembleia Nacional Constituinte formulou um claro e
matéria. inequívoco juízo de desvalor em relação a quaisquer atos
delituosos revestidos de índole terrorista, a estes não
 Jurisprudência relacionada ao tema: reconhecendo a dignidade de que muitas vezes se acha
SÚMULA 1, STF. É vedada a expulsão de estrangeiro casado impregnada a prática da criminalidade política. (...) A
com brasileira, ou que tenha filho brasileiro, dependente de cláusula de proteção constante do art. 5º, LII da
economia paterna. Constituição da República - que veda a extradição de
estrangeiros por crime político ou de opinião - não se
SÚMULA 421, STF. Não impede a extradição a circunstância estende, por tal razão, ao autor de atos delituosos de
de ser o extraditando casado com brasileira ou ter filho natureza terrorista, considerado o frontal repúdio que a
brasileiro. ordem constitucional brasileira dispensa ao terrorismo e ao
EMENTA. Extradição e prisão perpétua: necessidade de terrorista (...). (STF Ext. 855/Chile, 01/07/2005).
prévia comutação, em pena temporária (máximo de 30
anos), da pena de prisão perpétua – Revisão da PRINCÍPIOS APLICÁVEIS ÀS PRISÕES
jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, em obediência
LXI - ninguém será preso senão em flagrante delito ou por
à Declaração Constitucional de Direitos (CF, art. 5º, XLVII, b).
ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária
A extradição somente será deferida pelo Supremo Tribunal
competente, salvo nos casos de transgressão militar ou
Federal, tratando-se de fatos delituosos puníveis com prisão
crime propriamente militar, definidos em lei;
perpétua, se o Estado requerente assumir, formalmente,
quanto a ela, perante o Governo brasileiro, o compromisso Prisão em flagrante, nos termos do código de processo
de comutá-la em pena não superior à duração máxima penal, poderá ser decretada por qualquer do povo e deverá
admitida na lei penal do Brasil (CP, art. 75), eis que os ser decretada pelas autoridades competentes. Já a prisão
pedidos extradicionais - considerado o que dispõe o art. 5º, decorrente de ordem judicial é cláusula de reserva do
XLVII, b da Constituição da República, que veda as sanções judiciário. Deve-se ainda distinguir a prisão processual
penais de caráter perpétuo - estão necessariamente sujeitos (prisão temporária, preventiva, em flagrante delito), a qual
à autoridade hierárquico-normativa da Lei Fundamental se dá antes do trânsito em julgado da sentença penal
brasileira. Doutrina. Novo entendimento derivado da condenatória e, a prisão penal, onde o condenado deverá
revisão, pelo Supremo Tribunal Federal, de sua cumprir a pena estabelecida na sentença.
jurisprudência em tema de extradição passiva. (…). (STF Ext
Existem exceções a presente regra, tais como: prisões
855, 1º/7/05).
militares, expressas no próprio texto do artigo, a prisão
EMENTA. (...) Não configura crime político, para fim de durante o estado de defesa e o estado de sítio (arts. 136,
obstar a acolhimento de pedido de extradição, homicídio § 1º e 139 da CF) e a prisão do Presidente da República, dos
praticado por membro de organização revolucionária deputados federais e estaduais e dos senadores (arts. 86,
clandestina, em plena normalidade institucional de Estado § 3º e 53, § 2º, CF).
Democrático de direito, sem nenhum propósito político
imediato ou conotação de reação legítima a regime LXII - a prisão de qualquer pessoa e o local onde se
opressivo. (...) Decretada a extradição pelo Supremo encontre serão comunicados imediatamente ao juiz
Tribunal Federal, deve o Presidente da República observar competente e à família do preso ou à pessoa por ele
os termos do Tratado celebrado com o Estado requerente, indicada;
quanto à entrega do extraditando. (STF Ext. 1.085. Rel. Min São obrigatórias as duas comunicações a partir da prisão.
Cezar Peluso. DJ. 16.04.2010). Uma, ao juiz competente, o qual vai justamente avaliar a
EMENTA. (...) Revela-se essencial, para a exata aferição do legalidade da prisão, considerando o que consta nos incisos
respeito ao postulado da dupla incriminação, que os fatos LXI e LXV desse dispositivo. Outra, ou à pessoa que o preso
atribuídos ao extraditando - não obstante a incoincidência indicar ou a alguém da família, se for possível identificá-la.
de sua designação formal - revistam-se de tipicidade penal e Também será necessária a comunicação à Defensoria
sejam igualmente puníveis tanto pelo ordenamento jurídico Pública da prisão do indivíduo que não indique advogado
domestico quanto pelo sistema de direito positivo do Estado particular, em observância a parte final do inciso LXII, desse
requerente. (...). (STF Ext 669/EUA, 29/03/1996). mesmo artigo, nos termos do código de processo penal.
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LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os princípio da presunção da inocência. Surge quando a lei
quais o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a permite que o réu fique solto durante o processo, pois na
assistência da família e de advogado; fase da execução da pena, após o trânsito em julgado da
sentença que condena a privação da liberdade, a prisão não
Direito ao silêncio. O preso deverá ser obrigatoriamente admite tal benefício.
informado sobre seu direito constitucional de permanecer
em silêncio e que o exercício desse direito não enseja LXVII - não haverá prisão civil por dívida, salvo a do
confissão do crime. responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável,
de obrigação alimentícia e a do depositário infiel;
O direito a não autoincriminação, como citam os
professores Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo, parte de Em regra, não haverá prisão civil por dívida. Só há duas
umas das premissas do direito penal, de que ninguém é exceções à regra nos termos da Constituição Federal
obrigado a produzir provas contra si mesmo, será exercido vigente. Na primeira, poderá ser presa a pessoa que for
tanto na fase de inquérito policial como perante a justiça, devedora de pensão alimentícia de forma voluntária e
inclusive diante das comissões parlamentares de inquérito. inescusável (sem desculpa, sem justificativa). A segunda
exceção, que tem como protagonista o depositário infiel,
 Jurisprudência relacionada ao tema:
surgiu do contrato de depósito, oriundo do direito privado,
EMENTA. A Constituição Federal assegura aos presos o ocorrendo quando o depositante entrega um bem móvel ao
direito ao silêncio (inciso LXIII do art. 5º). Nessa mesma linha depositário, o qual deverá devolver o objeto quando
de orientação, o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e reclamado, tornando-se depositário fiel do bem. Se no
Políticos (Pacto de São José da Costa Rica) momento em que o depositante for requisitar o bem, o
institucionaliza o princípio da “não mesmo não estiver na posse do depositário, este se torna
autoincriminação” (nemo tenetur se detegere). Esse direito depositário infiel, podendo sofrer prisão civil.
subjetivo de não se autoincriminar constitui uma das mais
eminentes formas de densificação da garantia do devido O Supremo Tribunal Federal passou a determinar que a
processo penal e do direito à presunção de não prisão civil por dívida seja aplicável apenas ao responsável
culpabilidade (inciso LVII do art. 5º da CF). A revelar, pelo não pagamento “voluntário e inescusável" de
primeiro, que o processo penal é o espaço de atuação obrigação alimentícia. O Tribunal entendeu que a segunda
apropriada para o órgão de acusação demonstrar por modo parte do dispositivo constitucional, que versa sobre o
robusto a autoria e a materialidade do delito. Órgão que assunto, ainda precisa de lei para a definição de rito
não pode se esquivar da incumbência de fazer da instrução processual e prazos, uma vez que a Lei nº 8.866/94 foi
criminal a sua estratégia oportunidade de produzir material derrogada pela Convenção Americana de Direitos Humanos
probatório substancialmente sólido em termos de (norma Supralegal)
comprovação da existência de fato típico e ilícito, além da Dispositivo correspondente: art. 5º, § 3º, da CF/88.
culpabilidade do acusado. (STF HC 101.909, rel. min. Ayres
 Jurisprudência relacionada ao tema:
Britto, j 28.02.2012, 2ª Turma, DJ 19.06.2012).
EMENTA. PRISÃO CIVIL. Depósito. Depositário infiel.
LXIV - o preso tem direito à identificação dos responsáveis
Alienação fiduciária. Decretação da medida coercitiva.
por sua prisão ou por interrogatório policial;
Inadmissibilidade absoluta. Insubsistência da previsão
As autoridades policiais ficam obrigadas a apresentar ao constitucional e das normas subalternas. Interpretação do
preso todas as alternativas necessárias à identificação do art. 5º, inc. LXVII e §§ 1º, 2º e 3º, da CF, à luz do art. 7º, § 7,
policial ou da equipe que o prendeu ou interrogou. da Convenção Americana de Direitos Humanos (Pacto de
San José da Costa Rica). Recurso improvido. Julgamento
LXV - a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela conjunto do RE 349.703 e dos HCs 87.585 e 92.566. É ilícita a
autoridade judiciária; prisão civil de depositário infiel, qualquer que seja a
Prisão ilegal é aquela que não obedece aos requisitos da lei, modalidade do depósito. (STF - RE: 466343 SP, Relator: Min.
como, por exemplo, a da pessoa que foi presa, mas não foi CEZAR PELUSO, Data de Julgamento: 03/12/2008, Tribunal
pegue em flagrante, nem por ordem judicial escrita e Pleno, Data de Publicação: DJe-104 DIVULG 04-06-2009
fundamentada, ou a prisão de menor de idade. Essa prisão, PUBLIC 05-06-2009).
por mais que se tenha certeza de que o preso é o culpado, SÚMULA VINCULANTE 25. É ilícita a prisão civil de
deverá ser relaxada por ordem de autoridade judiciária. depositário infiel, qualquer que seja a modalidade do
depósito.
LXVI - ninguém será levado à prisão ou nela mantido
quando a lei admitir a liberdade provisória, com ou sem § 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos
fiança; humanos que forem aprovados, em cada Casa do
Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos
A liberdade provisória é o direito de a pessoa responder ao
votos dos respectivos membros, serão equivalentes às
processo em liberdade, que se dá até o trânsito em julgado
emendas constitucionais. (Incluído pela Emenda
da sentença penal condenatória, tendo como fundamento o
Constitucional 45, de 2004).
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Os tratados internacionais são celebrados pelo Presidente alguém assine a petição a rogo, poderá ajuizar a ação de
da República (art. 84, VIII) e referendados pelo Congresso habeas corpus. O que não pode haver é a impetração
Nacional (art. 49, I, da CF/88). Aprovado por decreto apócrifa, ou seja, habeas corpus sem assinatura.
legislativo, o tratado segue para o Presidente da República
Deve-se esclarecer que essa garantia poderá ser usada em
para que seja promulgado por decreto.
benefício alheio, mediante habeas corpus de terceiro. E aqui
Depois da mudança trazida pela Emenda Constitucional 45, as pessoas jurídicas podem constar no polo ativo da ação
de 08/12/2004, tais tratados podem ser aprovados com mandamental, embora não possam ser pacientes, já que
quórum qualificado (três quintos dos membros de ambas as estes só podem ser pessoas físicas, segundo posicionamento
casas do congresso nacional, em dois turnos de discussão e da Corte Suprema. Na mesma situação, segundo o art. 654,
votação), quando tratarem de direitos humanos, sendo § 2º do CPC, o magistrado pode conceder a liberdade de
equivalentes às emendas constitucionais ou podem ser ofício, porém não pode ser impetrante num habeas corpus
aprovados por maioria dos votos, em um só turno de de terceiro.
discussão e votação, em cada casa do Congresso Nacional,
Diferentemente do mandado de segurança, qualquer pessoa
quando não tratarem de direitos humanos, sendo
pode ser sujeito passivo na relação de habeas corpus,
equivalentes a uma lei ordinária.
autoridade pública ou particular, sendo necessário que o
O STF no julgamento do RE 466.343/SP fez referência aos constrangimento exercido decorra de função por ele
tratados internacionais sobre direitos humanos subscritos ocupada. Assim, o diretor de hospital ou colégio que impeça
pelo Brasil, portanto já incorporados ao ordenamento a saída por débito.
jurídico antes de promulgação da emenda constitucional nº
O habeas corpus é gratuito nos termos do inciso LXXVII, que
45, que são materialmente compatíveis, mas não
reza: “São gratuitas as ações de Habeas Corpus e Habeas
formalmente compatíveis com a mudança, chamando-os de
Data e, na forma da lei, os tatos necessários ao exercício
normas supralegais.
da cidadania”.
Já aprovado pelo Congresso Nacional, nos moldes do
Decreto-Lei 3.689/41 (CPP):
presente parágrafo, tem-se o Decreto Legislativo
186/09.07.2009, que referendou a Convenção sobre os Art. 647. Dar-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer
Direitos das Pessoas com Deficiência e de seu Protocolo ou se achar na iminência de sofrer violência ou coação
Facultativo. ilegal na sua liberdade de ir e vir, salvo nos casos de
punição disciplinar.
GARANTIAS CONSTITUCIONAIS Art. 654. O habeas corpus poderá ser impetrado por
qualquer pessoa, em seu favor ou de outrem, bem como
HABEAS CORPUS pelo Ministério Público.
§ 2º Os juízes e os tribunais têm competência para expedir
LXVIII - conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém de ofício ordem de habeas corpus, quando no curso de
sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação processo verificarem que alguém sofre ou está na iminência
em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de sofrer coação ilegal.
de poder;
É a primeira garantia de direitos fundamentais, concedida  Jurisprudência relacionada ao tema:
na Carta Magna de 1215, pelo monarca inglês João Sem SÚMULA 693, STF. Não cabe habeas corpus contra decisão
Terra. Alcançou status constitucional na Constituição condenatória a pena de multa, ou relativo a processo em
Federal de 1891 (Primeira Constituição Republicana) e está curso por infração penal a que a pena pecuniária seja a
regulamentado no Código de Processo Penal. única cominada.
É uma ação constitucional de natureza mandamental (writ) EMENTA. I. Habeas corpus: cabimento. 1. Assente a
e de procedimento especial, isento de custas e que visa jurisprudência do STF no sentido da idoneidade do habeas
cessar violência (habeas corpus repressivo) ou ameaça na corpus para impugnar autorização judicial de quebra de
liberdade de locomoção (habeas corpus preventivo), por sigilos, se destinada a fazer prova em procedimento penal.
ilegalidade ou abuso de poder. (...). (STF HC 84869/SP. Rel. Min. Sepúlveda Pertence. DJ
A legitimidade para ajuizamento de habeas corpus é um 19.08.2005).
atributo de personalidade, não se exigindo a capacidade de EMENTA. (...) Impõe-se reconhecer, desde logo, a
estar em juízo, nem a capacidade postulatória, sendo uma possibilidade de as entidades sindicais impetrarem ordem
verdadeira ação penal popular. E sendo assim, qualquer do de habeas corpus em favor de terceiros, notadamente em
povo, nacional ou estrangeiro, independentemente de benefício de seus dirigentes e filiados, quando em risco o
capacidade civil, política, de idade, sexo, estado mental, exercício da liberdade de locomoção física. Assiste-lhes, na
pode fazer uso do habeas corpus em benefício próprio. Não realidade, nesse tema, plena legitimidade ativa ad causam.
há impedimento para que dele se utilize pessoa menor de (...). (STF HC 76606/CE, 05/02/1998).
idade, insana mental, mesmo sem estarem representados
ou assistidos por outrem. O analfabeto, também, desde que
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EMENTA. (...) Versando o processo sobre a ação CELSO DE MELLO, Data de Julgamento: 05/05/2006, Data de
constitucional de habeas corpus, tem-se a possibilidade de Publicação: DJ 11/05/2006).
acompanhamento pelo leigo, que pode interpor recurso,
HABEAS DATA
sem a exigência de a peça mostrar-se subscrita por
profissional da advocacia. (STF HC 84716/MG, 26/11/2004). LXXII - conceder-se-á habeas data:
EMENTA. “Habeas corpus”. O sentido da restrição dele a) para assegurar o conhecimento de informações relativas
quanto às punições disciplinares militares (artigo 142, PAR. à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos
2, da Constituição Federal). - Não tendo sido interposto o de dados de entidades governamentais ou de caráter
recurso ordinário cabível contra o indeferimento liminar do público;
"habeas corpus" impetrado perante o Superior Tribunal de
Justiça (artigo 102, II, "a", da Constituição Federal), conhece- b) para retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo
se do presente "writ" como substitutivo desse recurso. - O por processo sigiloso, judicial ou administrativo;
entendimento relativo ao PAR. 2º do artigo 153 da Emenda Presente apenas na CF/88 e regulado pela Lei 9.507/97.
Constitucional n. 1/69, segundo o qual o princípio, de que
nas transgressões disciplinares não cabia "habeas corpus", Ação constitucional de caráter civil, gratuita, de conteúdo e
não impedia que se examinasse, nele, a ocorrência dos rito sumário. Ação personalíssima, de forma a não admitir o
quatro pressupostos de legalidade dessas transgressões (a pedido de terceiros. O extinto Tribunal Federal de Recursos,
hierarquia, o poder disciplinar, o ato ligado a função e a cujos membros formam atualmente a composição do STJ,
pena susceptível de ser aplicada disciplinarmente), continua em sessão plenária, admitiu a legitimação para o habeas
valido para o disposto no PAR. 2º do ARTIGO 142 da atual data para os herdeiros do morto ou seu cônjuge supérstite,
Constituição que e apenas mais restritivo QUANTO AO salientando, porém, tratar-se de decisão.
âmbito dessas transgressões disciplinares, pois a LIMITA AS Possui como objeto a proteção ao direito de informação
DE natureza militar. (...). (STF HC 70.648/RJ. Rel. Min. pessoal, com tripla finalidade: conhecimento, correção e
Moreira Alves, DJ 04.03.1994). justificação.
EMENTA. COMPETÊNCIA - HABEAS CORPUS - DEFINIÇÃO. A A legitimidade ativa poderá ser exercida por pessoa física e
competência para o julgamento do habeas corpus é definida jurídica e não existe possibilidade de haver habeas data
pelos envolvidos - paciente e impetrante. COMPETÊNCIA - preventivo, uma vez que a jurisprudência do STF firmou-se
HABEAS CORPUS - ATO DE TURMA RECURSAL. Estando os no sentido da necessidade da negativa da via administrativa
integrantes das turmas recursais dos juizados especiais para justificar o ajuizamento do habeas data, entendimento
submetidos, nos crimes comuns e nos de responsabilidade, corroborado pela Lei 9.507/97, que em seu artigo 8º,
à jurisdição do tribunal de justiça ou do tribunal regional parágrafo único.
federal, incumbe a cada qual, conforme o caso, julgar os
habeas impetrados contra ato que tenham praticado. O presente writ poderá ser impetrado em desfavor de
COMPETÊNCIA - HABEAS CORPUS - LIMINAR. Uma vez entidade governamental ou não governamental, mas de
ocorrida a declinação da competência, cumpre preservar o caráter público, que possuam informações referentes à
quadro decisório decorrente do deferimento de medida pessoa do impetrante.
acauteladora, ficando a manutenção, ou não, a critério do Quanto à alegada ressalva prevista no art. 5º, XXXIII, da
órgão competente. (STF HC 86.834/SP, Rel. Min. Marco CF/88, o sigilo da defesa nacional, apesar da divergência
Aurélio, DJ 09.03.2009). doutrinária, o já mencionado Tribunal Federal de Recursos
SÚMULA 690, STF. Compete originariamente ao supremo pacificou entendimento de que valerá a alegação do sigilo
tribunal federal o julgamento de “habeas corpus” contra em nome da segurança do Estado.
decisão de turma recursal de juizados especiais criminais. O Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, nos autos do
Súmula Superada. Recurso Extraordinário 673.707/MG, julgado em
EMENTA. (...). É inquestionável o direito de súditos 17.05.2015, assentando a tese de que o habeas data é a
estrangeiros ajuizarem, em causa própria, a ação de 'habeas garantia constitucional adequada para a obtenção, pelo
corpus', eis que esse remédio constitucional - por qualificar- próprio contribuinte, dos dados concernentes ao
se como verdadeira ação popular - pode ser utilizado por pagamento de tributos constantes de sistemas
qualquer pessoa, independentemente da condição jurídica informatizados de apoio à arrecadação dos órgãos da
resultante de sua origem nacional.- A petição com que administração fazendária dos entes estatais.
impetrado o 'habeas corpus' deve ser redigida em O habeas data é gratuito nos termos do inciso LXXVII, que
português, sob pena de não-conhecimento do 'writ' reza: “São gratuitas as ações de habeas corpus e habeas
constitucional (CPC, art. 156, c/c o CPP, art. 3º), eis que o data e, na forma da lei, os tatos necessários ao exercício da
conteúdo dessa peça processual deve ser acessível a todos, cidadania”.
sendo irrelevante, para esse efeito, que o juiz da causa
conheça, eventualmente, o idioma estrangeiro utilizado
pelo impetrante. (…). (STF - HC: 88646 SC, Relator: Min.

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Lei 9.507/97: no art. 7º, as hipóteses em que se justifica o manuseio do


habeas data, não estando ali prevista, nem sequer
Art. 7º Conceder-se-á habeas data:
implicitamente, a possibilidade de utilização da via com o
I - para assegurar o conhecimento de informações relativas
propósito de revolver os critérios utilizados por instituição
à pessoa do impetrante, constantes de registro ou banco de
dados de entidades governamentais ou de caráter público; de ensino na correção de prova discursiva realizada com
vista ao preenchimento de cargos na Administração Pública.
II - para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-
lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo;
2. Agravo regimental não-provido. (STJ AgRg no HD .127/DF,
Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, PRIMEIRA
III - para a anotação nos assentamentos do interessado, de
SEÇÃO, julgado em 14/06/2006, DJ 14/08/2006).
contestação ou explicação sobre dado verdadeiro mas
justificável e que esteja sob pendência judicial ou amigável. EMENTA. (...). 6. A legitimatio ad causam para interpretação
de Habeas Data estende-se às pessoas físicas e jurídicas,
Art. 8º A petição inicial, que deverá preencher os requisitos nacionais e estrangeiras, porquanto garantia constitucional
dos arts. 282 a 285 do Código de Processo Civil, será aos direitos individuais ou coletivas. 7. Aos contribuintes foi
apresentada em duas vias, e os documentos que instruírem assegurado constitucionalmente o direito de conhecer as
a primeira serão reproduzidos por cópia na segunda. informações que lhes digam respeito em bancos de dados
Parágrafo único. A petição inicial deverá ser instruída com públicos ou de caráter público, em razão da necessidade de
prova: preservar o status de seu nome, planejamento empresarial,
I - da recusa ao acesso às informações ou do decurso de estratégia de investimento e, em especial, a recuperação de
mais de dez dias sem decisão; tributos pagos indevidamente, verbis: Art. 5º. LXXII.
II - da recusa em fazer-se a retificação ou do decurso de Conceder-se-á habeas data para assegurar o conhecimento
mais de quinze dias, sem decisão; ou de informações relativas à pessoa do impetrante,
III - da recusa em fazer-se a anotação a que se refere o § 2º constantes de registros ou bancos de dados de entidades
do art. 4º ou do decurso de mais de quinze dias sem governamentais ou de caráter público, considerado como
decisão. um writ, uma garantia, um remédio constitucional à
 Jurisprudência relacionada ao tema: disposição dos cidadãos para que possam implementar
direitos subjetivos que estão sendo obstaculados. 8. As
EMENTA. (...) O habeas data tem finalidade específica: informações fiscais conexas ao próprio contribuinte, se
assegurar o conhecimento de informações relativas à forem sigilosas, não importa em que grau, devem ser
pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de protegidas da sociedade em geral, segundo os termos da lei
dados de entidades governamentais ou de caráter público, ou da constituição, mas não de quem a elas se referem, por
ou para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo força da consagração do direito à informação do art. 5º,
por processo sigiloso, judicial ou administrativo (CF, art. 5º, inciso XXXIII, da Carta Magna, que traz como única ressalva
LXXII, a e b). No caso, visa a segurança ao fornecimento ao o sigilo imprescindível à segurança da sociedade e do
impetrante da identidade dos autores de agressões e Estado, o que não se aplica no caso sub examine, verbis: Art.
denúncias que lhe foram feitas. A segurança, em tal caso, é 5º. XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos públicos
meio adequado. (STF RMS 24.617,10-6-05). informações de seu interesse particular, ou de interesse
EMENTA. AGRAVO REGIMENTAL. HABEAS DATA. ART. 5º, coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob
LXXII, DA CF. ART. 7º, III, DA LEI 9.507/97. PEDIDO DE VISTA pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo
DE PROCESSO ADMINISTRATIVO. INIDONEIDADE DO MEIO. seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado.
RECURSO IMPROVIDO. 1. O habeas data, previsto no art. 5º, (...). 10. Ex positis, DOU PROVIMENTO ao recurso
LXXII, da Constituição Federal, tem como finalidade extraordinário. (STF HD RE N. 673.707-MG, RELATOR: MIN.
assegurar o conhecimento de informações constantes de LUIZ FUX, Plenário, DJ 17.05.2015).
registros ou banco de dados e ensejar sua retificação, ou de
possibilitar a anotação de explicações nos assentamentos do MANDADO DE SEGURANÇA INDIVIDUAL
interessado (art. 7º, III, da Lei 9.507/97). 2. A ação de
LXIX - conceder-se-á mandado de segurança para proteger
habeas data visa à proteção da privacidade do indivíduo
direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus
contra abuso no registro e/ou revelação de dados pessoais
ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou
falsos ou equivocados. 3. O habeas data não se revela meio
abuso de poder for autoridade pública ou agente de
idôneo para se obter vista de processo administrativo. 4.
pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder
Recurso improvido. (STF - HD: 90 DF, Relator: Min. ELLEN
Público;
GRACIE, Data de Julgamento: 18/02/2010, Tribunal Pleno,
Data de Publicação: DJe-050 DIVULG 18-03-2010 PUBLIC 19- Possui status constitucional desde a Constituição Federal de
03-2010). 1934, mas foi retirado na Constituição de 1937 e retornou
EMENTA. HABEAS DATA. CONCURSO PÚBLICO. ACESSO A na Constituição de 1946 e é regulado pela Lei 12.016/2009
INFORMAÇÕESSOBRE OS CRITÉRIOS UTILIZADOS NA que revogou a Lei 1.533/51.
CORREÇÃO DE PROVA DISCURSIVA. IMPROPRIEDADE DA VIA Ação constitucional de natureza civil, que protege o direito
ELEITA.1. A Lei n. 9.507/97 é suficientemente clara ao expor, líquido e certo, qualquer que seja a natureza (civil ou penal).
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Direito líquido e certo é fato incontestável, que necessita de  Jurisprudência relacionada ao tema:
comprovação, é aquele capaz de ser provado por
SÚMULA 333, STJ. Cabe mandado de segurança contra ato
documentação inequívoca, onde a autoridade judicial possa
praticado em licitação promovida por sociedade de
julgar de plano, sem necessitar de instrução probatória.
economia mista ou empresa pública.
O presente writ poderá ser impetrado quando houver lesão
SÚMULA 101, STF. O mandado de segurança não substitui
(mandado de segurança repressivo) ou ameaça de lesão
ação popular.
(mandado de segurança preventivo), por ato ou omissão de
autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício SÚMULA 266, STF. Não cabe Mandado de Segurança contra
de atribuições do Poder Público, salientando-se que os atos Lei em tese.
vinculados e os atos discricionários estão sujeitos à ação
SÚMULA 267, STF. Não cabe Mandado de Segurança contra
mandamental.
ato passível de correção e de recurso.
Possuem legitimidade para constar no polo ativo
SÚMULA 268, STF. Não cabe mandado de segurança contra
(legitimidade ordinária) as pessoas físicas e jurídicas, órgãos
decisão judicial com trânsito em julgado.
públicos despersonalizados (mesa da câmara dos
deputados, mesa do senado federal) e as universalidades SÚMULA 269, STF. O mandado de segurança não é
reconhecidas em lei (massa falida, condomínio). Quanto à substituto de ação de cobrança.
legitimidade passiva, além do texto constitucional que diz:
SÚMULA 429, STF. A existência de recurso administrativo
"... quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de
com efeito suspensivo não impede o uso de Mandado de
poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica
Segurança contra omissão da autoridade.
no exercício de atribuições do Poder Público.", deve-se
observar a regra do art. 1º, § 1º da legislação específica. SÚMULA 625, STF. Controvérsia sobre matéria de direito
não impede concessão de mandado de segurança.
A Constituição da República não prevê a gratuidade do
“mandamus”, mas a lei estabelece prazo decadencial para SÚMULA 632, STF. É constitucional lei que fixa o prazo de
sua impetração, que tem prazo legal de 120 dias contados decadência para a impetração de mandado de segurança.
da ciência do ato impugnado, ressaltando que do mesmo
cabe desistência. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO

Destaque-se o caráter subsidiário do mandado de LXX - o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado
segurança, considerando o próprio dispositivo por:
constitucional quando diz “... para proteger direito líquido e
certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data...”. a) partido político com representação no Congresso
Caráter esse que a lei estendeu a outras situações, como se Nacional;
vê no art. 5º da Lei 12.016/2009. b) organização sindical, entidade de classe ou associação
Lei 12016/09: legalmente constituída e em funcionamento há pelo
menos um ano, em defesa dos interesses de seus membros
Art. 1º (...) ou associados;
§1º Equiparam-se às autoridades, para os efeitos desta Lei,
Remédio constitucional que surgiu somente na CF/88 e
os representantes ou órgãos de partidos políticos e os
administradores de entidades autárquicas, bem como os
atualmente regulado pela Lei 12.016/2009.
dirigentes de pessoas jurídicas ou as pessoas naturais no Tem como objeto a proteção aos direitos coletivos lato
exercício de atribuições de poder público, somente no que sensu, compreendendo os direitos coletivos,
disser respeito a essas atribuições.
transindividuais e individuais homogêneos.
§2º Não cabe mandado de segurança contra os atos de
gestão comercial praticados pelos administradores de Direito Coletivos são aqueles indivisíveis de que seja titular
empresas públicas, de sociedade de economia mista e de grupo, categoria ou classe de pessoas determinadas (não
concessionárias de serviço público. individualizadas). Tem como exemplo a impetração de
Art. 5º Não se concederá mandado de segurança quando se mandado de segurança pela Ordem dos Advogados do Brasil
tratar: em defesa de direitos da classe.
I - de ato do qual caiba recurso administrativo com efeito Direitos Difusos são aqueles indivisíveis de titularidade
suspensivo, independentemente de caução;
indeterminada, pessoas ligadas por uma circunstância de
II - de decisão judicial da qual caiba recurso com efeito fato, tais como direito ao meio ambiente saudável ou direito
suspensivo;
à publicidade não enganosa. O que os difere dos direitos
III - de decisão judicial transitada em julgado. coletivos é a determinabilidade e a relação existente do
Art. 23. O direito de requerer mandado de segurança grupo, categoria ou classe anterior à lesão.
extinguir-se-á decorridos 120 (cento e vinte) dias, contados
da ciência, pelo interessado, do ato impugnado. Interesses individuais homogêneos são aqueles de natureza
divisível, cujos titulares são pessoas determinadas. Por

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exemplo, os consumidores que reinvidicam os direitos ao  Jurisprudência relacionada ao tema:


fabricante de veículos vendidos com peças defeituosas,
SÚMULA 629, STF. A impetração de mandado de segurança
apesar de cada um deles, individualmente, poder pleitear
coletivo por entidade de classe em favor dos associados
judicialmente a reparação dos danos.
independe da autorização destes.
Outra distinção entre o presente mandamus e o mandado
SÚMULA 630, STF. A entidade de classe tem legitimidade
de segurança individual diz respeito a legitimidade ativa,
para o mandado de segurança ainda quando a pretensão
conhecida doutrinariamente por legitimidade
veiculada interesse apenas a uma parte da respectiva
extraordinária, uma vez que os legitimados expressos no
categoria.
dispositivo agem como substituto processual e não como
representantes. EMENTA. LEGITIMIDADE DO SINDICATO PARA A
IMPETRAÇÃO DE MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO
Do partido político com representação no Congresso
INDEPENDENTEMENTE DA COMPROVAÇÃO DE UM ANO DE
Nacional exige-se, no mínimo, um parlamentar, em
CONSTITUIÇÃO E FUNCIONAMENTO. Acórdão que,
qualquer das Casas Legislativas, filiado a determinado
interpretando desse modo a norma do art. 5º, LXX, da CF,
partido político. Da organização sindical, entidade de classe
não merece censura. Recurso não conhecido. (STF RE
ou associação, são exigidos três requisitos: legalmente
198.919/DF, Rel. Min. Ilmar Galvão, DJ 15.06.1999).
constituídas, em funcionamento há pelo menos um ano e
pertinência temática. Entretanto vale dizer que a EMENTA. Pessoas físicas já impetrantes de mandados de
jurisprudência da Corte Suprema dispensou aos sindicatos o segurança individuais não possuem autorização
requisito de funcionamento há pelo menos um ano. constitucional para nova impetração ‘coletiva’. Eventual
litisconsórcio ativo, instituto da teoria geral do processo,
Outra peculiaridade interessante é a possibilidade de
não se confunde com as hipóteses constitucionais do art. 5º,
impetração do mandado de segurança coletivo mesmo
LXX, da CF/1988. (STF MS 32.832 AgR, rel. min. Rosa Weber,
quando for impetrado o mandado de segurança individual,
J. 24.02.2015, 1ª Turma, DJ 11.03.2015).
segundo o art. 22, § 1º da Lei 12.016/2009.
Lei 12.016/09: MANDADO DE INJUNÇÃO
Art. 21. O mandado de segurança coletivo pode ser LXXI - conceder-se-á mandado de injunção sempre que a
impetrado por partido político com representação no
falta da norma regulamentadora torne inviável o exercício
Congresso Nacional, na defesa de seus interesses legítimos
relativos a seus integrantes ou à finalidade partidária, ou
dos direitos e liberdades constitucionais e das
por organização sindical, entidade de classe ou associação prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à
legalmente constituída e em funcionamento há, pelo cidadania;
menos, 1 (um) ano, em defesa de direitos líquidos e certos
da totalidade, ou de parte, dos seus membros ou
Ação constitucional de natureza civil e procedimento
associados, na forma dos seus estatutos e desde que especial, novidade da atual Constituição e regulada pela
pertinentes às suas finalidades, dispensada, para tanto, Lei 13.300/2016.
autorização especial.
A impossibilidade do exercício dos direitos e liberdades
Parágrafo único. Os direitos protegidos pelo mandado de “constitucionais” e as prerrogativas inerentes à
segurança coletivo podem ser: nacionalidade, à soberania e à cidadania, por falta da norma
I - coletivos, assim entendidos, para efeito desta Lei, os regulamentadora, é o que legitima a impetração do
transindividuais, de natureza indivisível, de que seja titular mandado de injunção. Assim, tem como objeto uma norma
grupo ou categoria de pessoas ligadas entre si ou com a
de eficácia limitada, norma constitucional que prescinde de
parte contrária por uma relação jurídica básica;
lei infraconstitucional para possuir plena aplicabilidade.
II - individuais homogêneos, assim entendidos, para efeito
desta Lei, os decorrentes de origem comum e da atividade Há a possibilidade de impetração de mandado de injunção
ou situação específica da totalidade ou de parte dos contra omissão absoluta do legislador, uma lacuna da lei, ou
associados ou membros do impetrante. contra omissão parcial, quando a lei existe, mas não foi
Art. 22. No mandado de segurança coletivo, a sentença fará capaz de regular a completude do direito estabelecido.
coisa julgada limitadamente aos membros do grupo ou
categoria substituídos pelo impetrante. No polo ativo pode constar pessoa física ou jurídica ou
estrangeira e no polo passivo os órgãos ou autoridades
§ 1º O mandado de segurança coletivo não induz
litispendência para as ações individuais, mas os efeitos da públicas que possuem competência para legislar no caso
coisa julgada não beneficiarão o impetrante a título concreto (arts. 102, I, “q” e 105, I, “h”, ambos da CF/88).
individual se não requerer a desistência de seu mandado de Quanto aos efeitos da decisão em sede de mandado de
segurança no prazo de 30 (trinta) dias a contar da ciência
injunção, a teoria não-concretista predominou, por muito
comprovada da impetração da segurança coletiva.
tempo, no âmbito do Supremo tribunal Federal. Entendia a
§ 2º No mandado de segurança coletivo, a liminar só
Suprema Corte que ao Poder Judiciário caberia apenas o
poderá ser concedida após a audiência do representante
judicial da pessoa jurídica de direito público, que deverá se
reconhecimento formal da inércia legislativa e a
pronunciar no prazo de 72 (setenta e duas) horas. consequente comunicação ao órgão competente para a
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elaboração da norma regulamentadora necessária ao ao exercício do direito, da liberdade ou da prerrogativa


exercício do direito constitucional inviabilizado, sem que o objeto da impetração.
legislativo se vinculasse a referida decisão, considerando § 2º Transitada em julgado a decisão, seus efeitos poderão
ser estendidos aos casos análogos por decisão monocrática
que a adoção de posição diversa ofenderia a separação dos
do relator.
Poderes. Posteriormente, a teoria concretista geral foi
§ 3º O indeferimento do pedido por insuficiência de prova
adotada em algumas decisões prolatadas pelo Supremo não impede a renovação da impetração fundada em outros
Tribunal Federal (MI 670, 708 e 712), que estabelecia, diante elementos probatórios.
da ausência de norma regulamentadora, ao Poder Judiciário Art. 11. A norma regulamentadora superveniente produzirá
o suprimento da lacuna. Assim, o poder Judiciário, mediante efeitos ex nunc em relação aos beneficiados por decisão
decisão, regularia a omissão em caráter geral, com efeitos transitada em julgado, salvo se a aplicação da norma
erga omnes, concedendo a viabilizar do exercício do direito editada lhes for mais favorável.
constitucional ao impetrante e estendendo os efeitos a Parágrafo único. Estará prejudicada a impetração se a
norma regulamentadora for editada antes da decisão, caso
todos aqueles que estivessem na mesma situação.
em que o processo será extinto sem resolução de mérito.
Atualmente, o Órgão de Superposição tem aplicado a teoria
Art. 12. O mandado de injunção coletivo pode ser
concretista individual, permitindo ao Poder Judiciário, promovido:
diante da lacuna deixada pelo Poder Legislativo, editar I - pelo Ministério Público, quando a tutela requerida for
norma para o caso específico, viabilizando o exercício do especialmente relevante para a defesa da ordem jurídica,
direito somente ao impetrante, uma vez que a decisão tem do regime democrático ou dos interesses sociais ou
efeitos inter partes (MI795). Já a teoria concretista individuais indisponíveis;
intermediária, ou mista traduz-se na fusão da teoria não- II - por partido político com representação no Congresso
concretista com a teoria concretista individual, ou seja, o Nacional, para assegurar o exercício de direitos, liberdades
e prerrogativas de seus integrantes ou relacionados com a
Poder Judiciário, primeiramente, limita-se a declarar a
finalidade partidária;
omissão ao órgão responsável pela elaboração da norma
III - por organização sindical, entidade de classe ou
regulamentadora, fixando-lhe prazo para suprimento da associação legalmente constituída e em funcionamento há
lacuna e posteriormente, com a expiração do prazo, estaria pelo menos 1 (um) ano, para assegurar o exercício de
autorizado a suprir a lacuna para o caso concreto, isto é, direitos, liberdades e prerrogativas em favor da totalidade
somente para o impetrante (MI 232). ou de parte de seus membros ou associados, na forma de
seus estatutos e desde que pertinentes a suas finalidades,
Lei 13.300/2016: dispensada, para tanto, autorização especial;
Art. 2º Conceder-se-á mandado de injunção sempre que a IV - pela Defensoria Pública, quando a tutela requerida for
falta total ou parcial de norma regulamentadora torne especialmente relevante para a promoção dos direitos
inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais humanos e a defesa dos direitos individuais e coletivos dos
e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania necessitados, na forma do inciso LXXIV do art. 5º da
e à cidadania. Constituição Federal.
Parágrafo único. Considera-se parcial a regulamentação Parágrafo único. Os direitos, as liberdades e as
quando forem insuficientes as normas editadas pelo órgão prerrogativas protegidos por mandado de injunção coletivo
legislador competente. são os pertencentes, indistintamente, a uma coletividade
Art. 3º São legitimados para o mandado de injunção, como indeterminada de pessoas ou determinada por grupo,
impetrantes, as pessoas naturais ou jurídicas que se classe ou categoria.
afirmam titulares dos direitos, das liberdades ou das Art. 13. No mandado de injunção coletivo, a sentença fará
prerrogativas referidos no art. 2º e, como impetrado, o coisa julgada limitadamente às pessoas integrantes da
Poder, o órgão ou a autoridade com atribuição para editar coletividade, do grupo, da classe ou da categoria
a norma regulamentadora. substituídos pelo impetrante, sem prejuízo do disposto nos
Art. 8º Reconhecido o estado de mora legislativa, será §§ 1º e 2º do art. 9º.
deferida a injunção para: Parágrafo único. O mandado de injunção coletivo não induz
I - determinar prazo razoável para que o impetrado litispendência em relação aos individuais, mas os efeitos da
promova a edição da norma regulamentadora; coisa julgada não beneficiarão o impetrante que não
II - estabelecer as condições em que se dará o exercício dos requerer a desistência da demanda individual no prazo de
direitos, das liberdades ou das prerrogativas reclamados 30 (trinta) dias a contar da ciência comprovada da
ou, se for o caso, as condições em que poderá o interessado impetração coletiva.
promover ação própria visando a exercê-los, caso não seja
suprida a mora legislativa no prazo determinado.  Jurisprudência relacionada ao tema:
Parágrafo único. Será dispensada a determinação a que se
refere o inciso I do caput quando comprovado que o EMENTA. (...) No julgamento do MI 107/DF, Rel. Min.
impetrado deixou de atender, em mandado de injunção Moreira Alves, DJ 21.9.1990, o Plenário do STF consolidou
anterior, ao prazo estabelecido para a edição da norma. entendimento que conferiu ao mandado de injunção os
Art. 9º A decisão terá eficácia subjetiva limitada às partes e seguintes elementos operacionais: I) os direitos
produzirá efeitos até o advento da norma constitucionalmente garantidos por meio de mandado de
regulamentadora. injunção apresentam-se como direitos à expedição de um
§ 1º Poderá ser conferida eficácia ultra partes ou erga
ato normativo, os quais, via de regra, não poderiam ser
omnes à decisão, quando isso for inerente ou indispensável
diretamente satisfeitos por meio de provimento
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jurisdicional do STF; II) a decisão judicial que declara a Constituição é. Os servidores públicos são, seguramente,
existência de uma omissão inconstitucional constata, titulares do direito de greve. Essa é a regra. Ocorre,
igualmente, a mora do órgão ou poder legiferante, insta-o a contudo, que entre os serviços públicos há alguns que a
editar a norma requerida; III) a omissão inconstitucional coesão social impõe sejam prestados plenamente, em sua
tanto pode referir-se a uma omissão total do legislador totalidade. Atividades das quais dependam a manutenção
quanto a uma omissão parcial; IV) a decisão proferida em da ordem pública e a segurança pública, a administração da
sede do controle abstrato de normas acerca da existência, Justiça – onde as carreiras de Estado, cujos membros
ou não, de omissão é dotada de eficácia erga omnes, e não exercem atividades indelegáveis, inclusive as de exação
apresenta diferença significativa em relação a atos tributária – e a saúde pública não estão inseridos no elenco
decisórios proferidos no contexto de mandado de injunção; dos servidores alcançados por esse direito. (...). (STF Rcl.
IV) o STF possui competência constitucional para, na ação 6568/SP. Rel. Min. Eros Grau. 25.09.2009).
de mandado de injunção, determinar a suspensão de
EMENTA. Mandado de injunção. - Legitimidade ativa da
processos administrativos ou judiciais, com o intuito de
requerente para impetrar mandado de injunção por falta de
assegurar ao interessado a possibilidade de ser
regulamentação do disposto no par. 7. do artigo 195 da
contemplado por norma mais benéfica, ou que lhe assegure
Constituição Federal. - Ocorrência, no caso, em face do
o direito constitucional invocado; V) por fim, esse plexo de
disposto no artigo 59 do ADCT, de mora, por parte do
poderes institucionais legitima que o STF determine a
Congresso, na regulamentação daquele preceito
edição de outras medidas que garantam a posição do
constitucional. Mandado de injunção conhecido, em parte,
impetrante até a oportuna expedição de normas pelo
e, nessa parte, deferido para declarar-se o estado de mora
legislador. (...). (STF MI 670/ES, 31.10.08).
em que se encontra o Congresso Nacional, a fim de que, no
EMENTA. (...) 2. A Constituição do Brasil reconhece prazo de seis meses, adote ele as providencias legislativas
expressamente possam os servidores públicos civis exercer que se impõem para o cumprimento da obrigação de legislar
o direito de greve – artigo 37, inciso VII. A Lei 7.783/89 decorrente do artigo 195, par. 7., da Constituição, sob pena
dispõe sobre o exercício do direito de greve dos de, vencido esse prazo sem que essa obrigação se cumpra,
trabalhadores em geral, afirmado pelo artigo 9º da passar o requerente a gozar da imunidade requerida. (STF
Constituição do Brasil. Ato normativo de início inaplicável MI 232-1/RJ, Rel. Min. Néri da Silveira, DJ 27.03.1992).
aos servidores públicos civis. 3. O preceito veiculado pelo
EMENTA. Mandado de injunção. Aposentadoria especial do
artigo 37, inciso VII, da CB/88 exige a edição de ato
servidor público. Artigo 40, § 4º, da Constituição da
normativo que integre sua eficácia. Reclama-se, para fins de
República. Ausência de lei complementar a disciplinar a
plena incidência do preceito, atuação legislativa que dê
matéria. Necessidade de integração legislativa. 1. Servidor
concreção ao comando positivado no texto da Constituição.
público. Investigador da polícia civil do Estado de São Paulo.
4. Reconhecimento, por esta Corte, em diversas
Alegado exercício de atividade sob condições de
oportunidades, de omissão do Congresso Nacional no que
periculosidade e insalubridade. 2. Reconhecida a omissão
respeita ao dever, que lhe incumbe, de dar concreção ao
legislativa em razão da ausência de lei complementar a
preceito constitucional. Precedentes. 5. Diante de mora
definir as condições para o implemento da aposentadoria
legislativa, cumpre ao Supremo Tribunal Federal decidir no
especial. 3. Mandado de injunção conhecido e concedido
sentido de suprir omissão dessa ordem. Esta Corte não se
para comunicar a mora à autoridade competente e
presta, quando se trate da apreciação de mandados de
determinar a aplicação, no que couber, do art. 57 da Lei n.
injunção, a emitir decisões desnutridas de eficácia. 6. A
8.213/91." (MI 795, Relatora Ministra Cármen Lúcia,
greve, poder de fato, é a arma mais eficaz de que dispõem
Tribunal Pleno, julgamento em 15.4.2009, DJe de 22.5.2009)
os trabalhadores visando à conquista de melhores
condições de vida. Sua auto aplicabilidade é inquestionável; SÚMULA VINCULANTE 33. Aplicam-se ao servidor público,
trata-se de direito fundamental de caráter instrumental. (...) no que couber, as regras do regime geral da previdência
16. Mandado de injunção julgado procedente, para remover social sobre aposentadoria especial de que trata o artigo 40,
o obstáculo decorrente da omissão legislativa e, § 4º, inciso III da Constituição Federal, até a edição de lei
supletivamente, tornar viável o exercício do direito complementar específica.
consagrado no artigo 37, VII, da Constituição do Brasil (...).
EMENTA. AGRAVO REGIMENTAL EM MANDADO DE
(STF MI 712, Min. Eros Grau. 31/10/2008).
INJUNÇÃO. SUPERAÇÃO DA MORA LEGISLATIVA. PERDA DO
EMENTA. (...) O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o MI n. OBJETO. 1. A jurisprudência desta Corte se firmou no
712, afirmou entendimento no sentido de que a Lei sentido de que a edição do diploma reclamado pela
7.783/89, que dispõe sobre o exercício do direito de greve Constituição leva à perda de objeto do mandado de
dos trabalhadores em geral, é ato normativo de início injunção. 2. “Excede os limites da via eleita a pretensão de
inaplicável aos servidores públicos civis, mas ao Poder sanar a alegada lacuna normativa do período pretérito à
Judiciário dar concreção ao artigo 37, inciso VII, da edição da lei regulamentadora” (MI 634-AgR, Rel. Min.
Constituição do Brasil, suprindo omissões do Poder Sepúlveda Pertence). 3. Agravo regimental improvido. (MI
Legislativo. (...) A força normativa da Constituição é 3709 AgR, Relator(a): Min. ROBERTO BARROSO, Tribunal
desprendida da totalidade, totalidade normativa, que a

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Pleno, julgado em 11/12/2014, PROCESSO ELETRÔNICO DJe- Lei nº 4.717/65:


029 DIVULG 11-02-2015 PUBLIC 12-02-2015). Art. 9º Se o autor desistir da ação ou der motiva à
absolvição da instância, serão publicados editais nos prazos
AÇÃO POPULAR e condições previstos no art. 7º, inciso II, ficando
assegurado a qualquer cidadão, bem como ao
LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação representante do Ministério Público, dentro do prazo de 90
popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público (noventa) dias da última publicação feita, promover o
ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade prosseguimento da ação.
administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio
histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-  Jurisprudência relacionada ao tema:
fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência; SÚMULA 365, STF. Pessoa Jurídica não tem legitimidade
para propor ação popular.
Ganhou status constitucional na CF de 1934, mas deixou de
constar na CF de 1937, só voltando a partir da CF de 1946. EMENTA. (...) Ainda quando se trate de ação popular, não
Foi regulada pela Lei 4.717/65. basta a legitimidade "ad causam" e "ad processum", mas há
A ação pode ser preventiva ou repressiva contra ato lesivo necessidade, também, da observância da capacidade de
ao patrimônio público, à moralidade administrativa, ao meio postular em juízo. (...). (STF RE 87.052/GO. Rel. Min. Moreira
ambiente e ao patrimônio histórico e cultural. Alves. DJ 28.04.1978).
Quem tem legitimidade ativa para interpor uma ação EMENTA. (...) A competência para julgar ação popular contra
popular é somente o cidadão, inclusive o menor de dezoito ato de qualquer autoridade, até mesmo do Presidente da
anos, conforme expresso no texto do inciso, o que impede o República, é, via de regra, do juízo competente de primeiro
estrangeiro de ser impetrante. Entretanto, a de se levar em grau. Precedentes. Julgado o feito na primeira instância, se
conta que o português equiparado terá os meus direitos do ficar configurado o impedimento de mais da metade dos
brasileiro naturalizado em decorrência do princípio da desembargadores para apreciar o recurso voluntário ou a
reciprocidade, portanto, mesmo sendo estrangeiro, poderá remessa obrigatória, ocorrerá a competência do Supremo
impetrar uma ação popular. Também não são legitimados as Tribunal Federal, com base na letra n do inciso I, segunda
pessoas jurídicas e os apátridas (os que não exercem seus parte, do artigo 102 da Constituição Federal (...). (STF AO
direitos políticos sejam porque perderam ou porque não os 859-QO, 1º-8-03).
adquiriram).
REGRAS DE APLICAÇÃO DAS NORMAS
O Ministério Público não possui legitimação para a ação CONSTITUCIONAIS
popular, porém poderá prosseguir com a ação popular
quando houver desistência do autor ou o mesmo der motivo §2º Os direitos e garantias expressos nesta Constituição
à absolvição da instância, nos termos do art. 9º da Lei não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios
4.717/1965 que diz: “Se o autor desistir da ação ou der por ela adotados, ou de tratados internacionais em que a
motivo à absolvição da instância, serão publicados editais República Federativa do Brasil seja parte.
nos prazos e condições previstos no art. 7º, inciso II, ficando
assegurado a qualquer cidadão, bem como ao Esse dispositivo garante que os direitos e garantias constam
Representante do Ministério Público, dentro do prazo de 90 em toda a Constituição Federal, de forma expressa e
(noventa) dias da última publicação feita, promover o implícita, através de regras e princípios, inclusive em
prosseguimento da ação”. tratados internacionais em que o Brasil seja parte. Os
direitos fundamentais são uma categoria aberta, uma vez
A legitimidade para responder a ação popular cabe às
que outros direitos e garantias podem ser estabelecidos na
pessoas cujo patrimônio se pretende proteger: União,
constituição federal e nas leis infraconstitucionais.
Distrito Federal, Estado, Município, autarquias, empresas
públicas, fundações públicas, sociedade de economia mista, Dispositivo correspondente: art. 60, § 4º, IV, da CF/88.
fundações de direito provado federais, estaduais, distritais,
 Jurisprudência relacionada ao tema:
municipais, serviços sociais autônomos, quaisquer pessoas
jurídicas subvencionadas pelos cofres públicos, aqueles que EMENTA. (...) O rol de direitos e garantias individuais,
causaram, por ato ou por omissão, ou que ameaçaram protegidos pela cláusula pétrea, art. 60, § 4º, IV, previstos
causar lesão aos bens tutelados pela ação popular: no art. 5º da Constituição não é exaustivo, há outros
autoridades públicas, funcionários e administradores, dispositivos na Lei Maior, isto sem considerar a regra básica
avaliadores e os beneficiários diretos do ato ou da omissão. do § 2º do art. 5º, segundo o qual “os direitos e garantias
A presente ação é desconstitutiva condenatória, pois visa expressos nesta Constituição não excluem outros
tanto à anulação do ato impugnado quanto à condenação decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados...”
dos responsáveis e beneficiários em perdas e danos. Houve o agasalho, portanto, de direitos e garantias
explícitos e de direitos e garantias implícitos (...). (STF ADI
Não se confunde com a Ação Civil Pública, prevista no
939-07/DF).
art. 129, II, da CF/88.

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REMÉDIOS CONSTITUCIONAIS
REMÉDIOS LEGITIMIDADE LEGITIMIDADE
CABIMENTO OBJETO ESPÉCIES CARACTERÍSTICAS
CONSTITUCIONAIS ATIVA PASSIVA

IMPETRANTE
Qualquer pessoa
PREVENTIVO
Sempre que alguém em sua própria
Poderá obter um
sofrer ou se achar defesa ou em favor
HABEAS CORPUS salvo-conduto; Não é necessário
ameaçado de sofrer Liberdade de ir de terceiro
(art. 5º, LXVIII) IMPETRADO advogado;
violência ou coação e vir e de (paciente);
Autoridade pública LIBERATÓRIO
em sua liberdade de permanecer em pode ser pessoa
Na CF/1891 surgiu com ou particular. ou É gratuito.
locomoção, por tempo de paz. física ou pessoa
status constitucional. REPRESSIVO
ilegalidade ou abuso jurídica em favor
Poderá obter
de poder. de pessoa física,
alvará de soltura
brasileira ou
estrangeira.

PREVENTIVO
MANDADO AUTORIDADE Ameaça a
DE SEGURANÇA É conferido aos COATORA violação de
direito líquido e Regulado pela
(art. 5º, LXIX) indivíduos, para que Direito líquido Pessoa física Agente público
certo do Lei 12.016/09;
eles se defendam de e certo (brasileira ou investido no poder
Surgiu na CF/1934, atos ilegais ou atos não amparado estrangeira) ou de decisão impetrante;
É uma ação
mas foi retirado na praticados por abuso por HC ou HD. jurídica. (não confundir REPRESSIVO subsidiária.
CF/1937 e só voltou a de poder. com mero Ilegalidade ou
partir da CF/1946. executor). abuso de poder
já praticados.

É necessária a
PREVENTIVO existência de pelo
Partido político menos um único
Ameaça a
com representação AUTORIDADE parlamentar na
violação de
MANDADO política no COATORA Câmara ou no
direito líquido e
DE SEGURANÇA Busca a preservação Congresso e Agente público Senado, filiado a um
Defesa de certo do
COLETIVO ou a reparação de organização investido no poder partido;
direitos coletivos impetrante;
(art. 5º, LXX) interesses sindical, entidade de decisão
e difusos O STF tem entendido
transindividuais. de classe ou (não confundir
REPRESSIVO que a organização
Surgiu na CF/1988. associação em com mero
Ilegalidade ou sindical não necessita
funcionamento há executor).
abuso de poder do requisito de um
pelo menos 1 ano.
já praticados. ano de
funcionamento.

Falta de norma
Pessoa jurídica de
reguladora de uma
MANDADO Combater a direito público
previsão Pessoa física
DE INJUNÇÃO síndrome da (entes estatais) ou
constitucional que (brasileira ou REPRESSIVO Regulado pela
(art. 5º, LXXI) inefetividade Presidente da
inviabiliza o exercício estrangeira) ou Lei 13.300/2016.
das normas República quando
dos direitos e jurídica.
Surgiu na CF/1988. constitucionais. a iniciativa de lei
liberdades
for privativa dele.
constitucionais.

É gratuito;

Ação personalíssima
(Em regra,
Entidades não admite pedido de
Obtenção de governamentais e terceiros);
HABEAS DATA Registro e Pessoa física
informação ou pessoas jurídicas
(art. 5º, LXXI) informações (brasileira ou REPRESSIVO É necessário que o
eventual que prestam
governamentais ou estrangeira) ou impetrante tenha
retificação de serviços para o
Surgiu na CF/1988. de caráter público. jurídica. requerido na via
dados. público ou de
interesse público. administrativa e tenha
sido negado (tem que
mostrar a prova da
recusa,
Lei 9.507/97)

AÇÃO POPULAR Ilegalidade


(art. 5º, LXIII) Invalidar o ato e ou lesão ao Cidadão
Poder Público, PREVENTIVA É isenta de custas e
condenar os patrimônio (tem que ter título
seus agentes e do ônus da
Surgiu na CF/1934, responsáveis e público, de eleitor e está no
eventuais REPRESSIVA sucumbência, se agir
mas foi retirado na beneficiários por à moralidade gozo dos direitos
beneficiários. de boa fé.
CF/1937 e só voltou a perdas e danos. administrativa, eleitorais ativos).
partir da CF/1946. etc.

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3.2. DIREITOS SOCIAIS impregnados de estatura constitucional, ainda que


derivados de cláusulas revestidas de conteúdo
Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a programático. (...). Não deixo de conferir, no entanto,
alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a assentadas tais premissas, significativo relevo ao tema
segurança, a previdência social, a proteção à maternidade pertinente à "reserva do possível" (STEPHEN HOLMES/CASS
e à infância, a assistência aos desamparados, na forma R. SUNSTEIN, “The Cost of Rights”, 1999, Norton, New York),
desta Constituição. (Redação dada pela EC 26, de 2000)(Redação notadamente em sede de efetivação e implementação
dada pela EC 64, de 2010)(Redação dada pela EC 90, de 2015) (sempre onerosas) dos direitos de segunda geração (direitos
Aqui se encontram os direitos sociais gerais. econômicos, sociais e culturais), cujo adimplemento, pelo
Poder Público, impõe e exige, deste, prestações estatais
No Brasil, os fundamentos constitucionais dos direitos positivas concretizadoras de tais prerrogativas individuais
sociais tiveram início com a pioneira Constituição mexicana e/ou coletivas. É que a realização dos direitos econômicos,
de 1917, mas só na Constituição Brasileira de 1934 fora sociais e culturais - além de caracterizar-se pela
reservado o Título IV à Ordem Econômica e Social, sob a gradualidade de seu processo de concretização - depende,
influência da Constituição Alemã de Weimar, de 1919. em grande medida, de um inescapável vínculo financeiro
Os direitos sociais são as liberdades positivas, que exigem subordinado às possibilidades orçamentárias do Estado, de
“um fazer” do Estado Social de Direito, são direitos de tal modo que, comprovada, objetivamente, a incapacidade
segunda dimensão. Além disso, tratam de direitos econômico-financeira da pessoa estatal, desta não se
imprescritíveis, irrenunciáveis e de ordem pública. poderá razoavelmente exigir, considerada a limitação
material referida, a imediata efetivação do comando
No âmbito das funções institucionais do Poder Judiciário, fundado no texto da Carta Política. Não se mostrará lícito,
em observância a separação dos poderes, não se encontra a no entanto, ao Poder Público, em tal hipótese - mediante
de formular e implantar políticas públicas, cuja atribuição é indevida manipulação de sua atividade financeira e/ou
dos Poderes Legislativo e Executivo, entretanto, a Corte político-administrativa - criar obstáculo artificial que revele
Suprema tem admitido a interferência do Poder Judiciário o ilegítimo, arbitrário e censurável propósito de fraudar, de
nesse âmbito (sistema da judicialização das políticas frustrar e de inviabilizar o estabelecimento e a preservação,
públicas), para determinar a elaboração e implementação em favor da pessoa e dos cidadãos, de condições materiais
dos direitos sociais, que têm caráter programático e que mínimas de existência. Cumpre advertir, desse modo, que a
possuem aplicabilidade diferida, apesar de se caracterizam cláusula da "reserva do possível" - ressalvada a ocorrência
pela gradualidade de seu processo de efetivação. Não de justo motivo objetivamente aferível - não pode ser
podendo o Poder Público invocar irresponsavelmente a invocada, pelo Estado, com a finalidade de exonerar-se do
cláusula de “reserva do possível”, princípio implícito que só cumprimento de suas obrigações constitucionais,
se justifica pela impossibilidade financeira do Estado notadamente quando, dessa conduta governamental
concretizar os direitos constitucionais previstos, em cada negativa, puder resultar nulificação ou, até mesmo,
caso, devendo o Ente Estatal cumprir o mínimo existencial. aniquilação de direitos constitucionais impregnados de um
Vale ainda mencionar sobre o princípio da melhoria da sentido de essencial fundamentalidade. (...). (STF ADPF 45
condição social ou da proibição de retrocesso social que MC/DF, 04/05/2004 - Rel. MIN. CELSO DE MELLO).
obriga o legislador a legislar sem anular, ou revogar, ou EMENTA. A PROIBIÇÃO DO RETROCESSO SOCIAL COMO
aniquilar, o núcleo essencial dos direitos constitucionais OBSTÁCULO CONSTITUCIONAL À FRUSTRAÇÃO EAO
previstos pelo constituinte. INADIMPLEMENTO, PELO PODER PÚBLICO, DE DIREITOS
Dispositivos correspondentes: arts. 198, § 2º e 212, da CF. PRESTACIONAIS. - O princípio da proibição do retrocesso
impede, em tema de direitos fundamentais de caráter
 Jurisprudência relacionada ao tema: social, que sejam desconstituídas as conquistas já
EMENTA. (...) É certo que não se inclui, ordinariamente, no alcançadas pelo cidadão ou pela formação social em que ele
âmbito das funções institucionais do Poder Judiciário - e nas vive. - A cláusula que veda o retrocesso em matéria de
desta Suprema Corte, em especial - a atribuição de formular direitos a prestações positivas do Estado (como o direito à
e de implementar políticas públicas (JOSÉ CARLOS VIEIRA DE educação, o direito à saúde ou o direito à segurança pública,
ANDRADE, “Os Direitos Fundamentais na Constituição v.g.) traduz, no processo de efetivação desses direitos
Portuguesa de 1976”, p. 207, item 05, 1987, Almedina, fundamentais individuais ou coletivos, obstáculo a que os
Coimbra), pois, nesse domínio, o encargo reside, níveis de concretização de tais prerrogativas, uma vez
primariamente, nos Poderes Legislativo e Executivo. Tal atingidos, venham a ser ulteriormente reduzidos ou
incumbência, no entanto, embora em bases excepcionais, suprimidos pelo Estado. Doutrina. Em consequência desse
poderá atribuir-se ao Poder Judiciário, se e quando os princípio, o Estado, após haver reconhecido os direitos
órgãos estatais competentes, por descumprirem os prestacionais, assume o dever não só de torná-los efetivos,
encargos político-jurídicos que sobre eles incidem, vierem a mas, também, se obriga, sob pena de transgressão ao texto
comprometer, com tal comportamento, a eficácia e a constitucional, a preservá-los, abstendo-se de frustrar -
integridade de direitos individuais e/ou coletivos mediante supressão total ou parcial - os direitos sociais já
concretizados. (...) (STF ARE 639337 AgR, Relator(a): Min.
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CELSO DE MELLO, Segunda Turma, julgado em 23/08/2011, O empregado doméstico não terá os direitos previstos nos
DJe-177 DIVULG 14-09-2011 PUBLIC 15-09-2011 EMENT incisos V, XI, XIV, XX, XXIII, XXVII, XXIX e XXXII, a saber: piso
VOL-02587-01 PP-00125). salarial, participação nos resultados e na gestão da empresa,
jornada de seis horas para trabalho de revezamento,
Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, proteção do mercado de trabalho da mulher, adicional de
além de outros que visem à melhoria de sua condição remuneração para as atividades penosas, insalubres ou
social: perigosas, proteção em face da automação, direito de ação
Trata-se de direitos sociais individuais, pois diz respeito aos e prazo prescricional e proibição de distinção entre o
direitos da pessoa trabalhadora. trabalho técnico, manual e intelectual.

Não é pacífico o entendimento doutrinário de que tais Note-se que os direitos previstos na segunda parte do
direitos seriam cláusulas pétreas e a questão ainda não foi presente parágrafo são dependentes de legislação
diretamente analisada pelo plenário do Supremo Tribunal infraconstitucional, que diz respeito a Lei Complementar
Federal. 150/2015.

Nem todos os direitos do trabalhador estão expressos neste Os servidores públicos estão sujeitos a regime jurídico
art. 7º. A Constituição admite expressamente outros, pela próprio (estatutário), não há contrato de trabalho, instituto
locução “além de outros que visem à melhoria de sua previsto aos que são regidos pela CLT, celetistas, mas o art.
condição social”, do caput. 39, § 3º, indica os direitos sociais que se aplicam aqueles.

Trabalhador, nos termos do art. 3º da CLT, tem a seguinte Art. 39. (...).
§ 3º Aplica-se aos servidores ocupantes de cargo público o
definição: “Considera-se empregado toda pessoa física que
disposto no art. 7º, IV, VII, VIII, IX, XII, XIII, XV, XVI, XVII,
prestar serviços de natureza não eventual a empregador, XVIII, XIX, XX, XXII e XXX, podendo a lei estabelecer
sob a dependência deste e mediante salário”. Nesse requisitos diferenciados de admissão quando a natureza do
conceito também está inserido o trabalhador avulso, cargo o exigir. (Incluído pela Emenda Constitucional 19, de
segundo o inciso XXXIV deste mesmo artigo. 1998);
A Constituição Federal concedeu igualdade de direitos entre Aos militares também foram aplicados alguns direitos aqui
o trabalhador com vínculo empregatício e o trabalhados estabelecidos, nos termos do art. 142, § 3º, VIII, da CF/88.
avulso, conforme o inciso que segue:
Art. 142. (...)
XXXIV - igualdade de direitos entre o trabalhador com § 3º Os membros das Forças Armadas são denominados
vínculo empregatício permanente e o trabalhador avulso. militares, aplicando-se-lhes, além das que vierem a ser
fixadas em lei, as seguintes disposições:
São trabalhadores avulsos os que oferecem a sua força de (Incluído pela EC 18, de 1998);
trabalho a diversos tomadores de serviço, sem se fixar a VIII - aplica-se aos militares o disposto no art. 7º, incisos
nenhum deles, por curto período de tempo e mediante a VIII, XII, XVII, XVIII, XIX e XXV, e no art. 37, incisos XI, XIII,
intermediação do OGMO (órgão de gestão de mão-de-obra). XIV e XV, bem como, na forma da lei e com prevalência da
São exemplos desses trabalhadores os estivadores, atividade militar, no art. 37, inciso XVI, alínea c;
trabalhadores em estiva de carvão e minério e (Redação dada pela EC 77, de 2014)
trabalhadores em alvarenga, conferentes de carga e
 Jurisprudência relacionada ao tema:
descarga, consertadores de carga e descarga, vigias
portuários, trabalhadores avulsos de capatazia, EMENTA. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO
trabalhadores no comércio armazenador (arrumadores), EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. DIREITOS SOCIAIS
ensacadores de café, cacau, sal e similares, classificador de PREVISTOS NO ART. 7º DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. FÉRIAS
frutas, práticos de barra e portos, catadeiras e costureiras E DÉCIMO TERCEIRO. EXTENSÃO AO SERVIDOR
no comércio de café, dentre outros. CONTRATADO TEMPORARIAMENTE. POSSIBILIDADE.
PRECEDENTES. 1. Conforme a jurisprudência do Supremo
Quanto aos domésticos, nem todos os direitos foram
Tribunal Federal, os servidores contratados em caráter
assegurados, como atesta o parágrafo seguinte:
temporário têm direito à extensão de direitos sociais
Parágrafo único. São assegurados à categoria dos constantes do art. 7º do Magno Texto, nos moldes do inciso
trabalhadores domésticos os direitos previstos nos incisos IX do art. 37 da Carta Magna. 2. Agravo regimental
IV, VI, VII, VIII, X, XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XXI, XXII, desprovido. (STF ARE 663.104-AgR, Rel. Min. Ayres Britto,
XXIV, XXVI, XXX, XXXI e XXXIII e, atendidas as condições Segunda Turma, Dje 19.3.2012).
estabelecidas em lei e observada a simplificação do
cumprimento das obrigações tributárias, principais e REGRAS APLICÁVEIS AO SALÁRIO / REMUNERAÇÃO
acessórias, decorrentes da relação de trabalho e suas
IV - salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente
peculiaridades, os previstos nos incisos I, II, III, IX, XII, XXV
unificado, capaz de atender às suas necessidades vitais
e XXVIII, bem como a sua integração à previdência social.
(Redação dada pela EC 72, de 2013)
básicas e às de sua família com moradia, alimentação,
educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e
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previdência social, com reajustes periódicos que lhe VII - garantia de salário, nunca inferior ao mínimo, para os
preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua que percebem remuneração variável;
vinculação para qualquer fim;
No caso de empregado que receba remuneração variável,
 Jurisprudência relacionada ao tema: nunca lhe poderá ser pago valor menor que o salário
SÚMULA VINCULANTE 4. Salvo nos casos previstos na mínimo, mesmo que suas comissões, por exemplo, não
constituição, o salário mínimo não pode ser usado como levem a tanto. Nesse caso, a quantia deverá ser completada
indexador de base de cálculo de vantagem de servidor pelo empregador.
público ou de empregado, nem ser substituído por decisão VIII - décimo terceiro salário com base na remuneração
judicial. integral ou no valor da aposentadoria;
SÚMULA VINCULANTE 6. Não viola a Constituição o
estabelecimento de remuneração inferior ao salário mínimo IX - remuneração do trabalho noturno superior à do
para as praças prestadoras de serviço militar inicial. diurno;
EMENTA. (...) Por reputar observado o princípio da reserva
de lei para a fixação do salário mínimo (...), o Plenário, em X - proteção do salário na forma da lei, constituindo crime
votação majoritária, julgou improcedente pedido formulado sua retenção dolosa;
em ação direta de inconstitucionalidade, proposta pelo
Partido Popular Socialista - PPS, pelo Partido da Social XI - participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da
Democracia Brasileira - PSDB e pelo Democratas - DEM, remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão
contra o art. 3º da Lei 12.382/2011 (“Art. 3º Os reajustes e da empresa, conforme definido em lei;
aumentos fixados na forma do art. 2º serão estabelecidos
pelo Poder Executivo, por meio de decreto, nos termos A participação na gestão (na condução dos negócios da
empresa, ao lado do empresário) será excepcional e a
desta Lei. Parágrafo único. O decreto do Poder Executivo a
participação nos lucros ou resultados é uma faculdade do
que se refere o caput divulgará a cada ano os valores
empregador.
mensal, diário e horário do salário mínimo decorrentes do
disposto neste artigo, correspondendo o valor diário a um A garantia de participação nos lucros ou resultados é
trinta avos e o valor horário a um duzentos e vinte avos do desvinculada da remuneração, ou seja, o 13º salário não
valor mensal”). (STF ADI 4568/DF, rel. Min. Cármen Lúcia, será calculado também sobre o valor das parcelas de lucros
DJ: 03.11.2011). eventualmente distribuídas, e nem as verbas devidas pela
demissão poderão considerá-las.
V - piso salarial proporcional à extensão e à complexidade
do trabalho; XII - salário-família pago em razão do dependente do
trabalhador de baixa renda nos termos da lei; (Redação dada
 Jurisprudência relacionada ao tema: pela EC 20, de 1998)
EMENTA. (...). 4. Impossibilidade de fixação de piso salarial
com base em múltiplos do salário mínimo. Precedentes: AI- REGRAS APLICÁVEIS À DURAÇÃO DO TRABALHO
AgR 357.477, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, Primeira Turma,
DJ 14.10.2005; o AI-AgR 524.020, de minha relatoria, XIII - duração do trabalho normal não superior a oito horas
Segunda Turma, DJe 15.10.2010; e o AI-AgR 277.835, Rel. diárias e quarenta e quatro semanais, facultada a
Min. Cezar Peluso, Segunda Turma, DJe 26.2.2010. 2. compensação de horários e a redução da jornada,
Ilegitimidade da norma. Nova base de cálculo. mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho;
Impossibilidade de fixação pelo Poder Judiciário. XIV - jornada de seis horas para o trabalho realizado em
Precedente: RE 565.714, Rel. Min. Cármen Lúcia, Tribunal turnos ininterruptos de revezamento, salvo negociação
Pleno, DJe 7.11.2008. (...) (STF - ADPF: 151 DF , Relator: Min. coletiva;
JOAQUIM BARBOSA, Data de Julgamento: 02/02/2011,
Tribunal Pleno, Data de Publicação: DJe-084 DIVULG 05-05-
XV - repouso semanal remunerado, preferencialmente aos
2011 PUBLIC 06-05-2011).
domingos;
VI - irredutibilidade do salário, salvo o disposto em
convenção ou acordo coletivo; XVI - remuneração do serviço extraordinário superior, no
mínimo, em cinquenta por cento à do normal;
O princípio da irredutibilidade do salário não é absoluto,
pois admite a redução, desde que assim decidido por XVII - gozo de férias anuais remuneradas com pelo menos,
convenção ou acordo coletivo. Essa redução deverá um terço a mais do que o salário normal;
obedecer a certos critérios, dentre as quais, não poderá
levar o valor final para menos do que o salário mínimo.
XVIII - licença à gestante, sem prejuízo do emprego e do
salário, com duração de cento e vinte dias;

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XIX - licença-paternidade, nos termos fixados em lei;  Jurisprudência relacionada ao tema:

O período da licença paternidade está previsto no art. 10 do SÚMULA 676, STF. A garantia da estabilidade provisória
Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. prevista no art. 10, II, a, do ADCT, também se aplica ao
suplente do cargo de direção de comissões internas de
Art. 10. (...) prevenção de acidentes (CIPA).
§ 1º Até que a lei venha a disciplinar o disposto no art. 7º,
XIX, da Constituição, o prazo da licença-paternidade a que II - seguro-desemprego, em caso de desemprego
se refere o inciso é de cinco dias.
involuntário;
A Lei 13.257/2016, que alterou a redação do art. 1º da
Lei 11.770/2008 (programa empresa cidadã), prevê a III - fundo de garantia do tempo de serviço;
possibilidade de prorrogação por 60 (sessenta) dias a
duração da licença-maternidade e por 15 (quinze) dias a XX - proteção do mercado de trabalho da mulher,
duração da licença-paternidade. mediante incentivos específicos, nos termos da lei;
XXI - aviso prévio proporcional ao tempo de serviço, sendo
no mínimo de trinta dias, nos termos da lei; XXII - redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio
de normas de saúde, higiene e segurança;
A Lei 12.506/2011 regula a matéria.
XXIII - adicional de remuneração para as atividades
OUTRAS GARANTIAS penosas, insalubres ou perigosas, na forma da lei;

I - relação de emprego protegida contra despedida Atividade penosa é a que exige, para a sua realização, um
arbitrária ou sem justa causa, nos termos de lei esforço, sacrifício ou incômodo muito grande. Atividade
complementar, que preverá indenização compensatória, insalubre é a que compromete a saúde do trabalhador.
dentre outros direitos; Atividade perigosa é a que ameaça a vida do trabalhador.

Despedida arbitrária é aquela proveniente da vontade XXIV - aposentadoria;


exclusiva do patrão, sem nenhuma razão. Despedida sem
justa causa também decorre da vontade do empregador, XXV - assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o
mas com razões que justificam o ato. nascimento até cinco anos de idade em creches e pré-
Até a presente data, não foi promulga a lei complementar escolas; (Redação dada pela EC 53, de 2006)
referida, aplicando-se a regra do Ato das Disposições
Constitucionais Transitórias da Constituição, em seu art. 10. XXVI - reconhecimento das convenções e acordos coletivos
de trabalho;
Essa demissibilidade arbitrária ou sem justa causa está
excepcionada no caso de empregado membro da Comissão Convenções coletivas de trabalho são instrumentos
Interna de Prevenção de Acidentes - CIPA, da mulher destinados a regular as relações de trabalho de toda uma
gestante (ADCT, art. 10, II, a e b) e do empregado eleito para categoria profissional, é uma espécie de contrato coletivo.
cargo sindical (art. 8º, VIII) os quais possuem estabilidade As convenções coletivas têm como característica a presença
relativa. exclusiva de sindicatos de empregadores e de empregados.
Art. 10. Até que seja promulgada a lei complementar a que Acordo coletivo são instrumentos que não obrigam toda
se refere o art. 7º, I, da Constituição: uma categoria, mas se destinam a ter vigência
I - fica limitada a proteção nele referida ao aumento, para exclusivamente entre as empresas ou grupos de empresas
quatro vezes, da porcentagem prevista no art. 6º, “caput” e que participaram da negociação.
§ 1º, da Lei 5.107, de 13 de setembro de 1966;
O artigo 8º, VI, da CF/88, reza que:
II - fica vedada a dispensa arbitrária ou sem justa causa:
a) do empregado eleito para cargo de direção de comissões Art. 8º É livre a associação profissional ou sindical,
internas de prevenção de acidentes, desde o registro de sua observado o seguinte:
candidatura até um ano após o final de seu mandato; VI - é obrigatória a participação dos sindicatos nas
b) da empregada gestante, desde a confirmação da negociações coletivas de trabalho;
gravidez até cinco meses após o parto.
Art. 8º É livre a associação profissional ou sindical,  Jurisprudência relacionada ao tema:
observado o seguinte: EMENTA. (…). A celebração de convenções e acordos
VIII - é vedada a dispensa do empregado sindicalizado a coletivos de trabalho constitui direito reservado
partir do registro da candidatura a cargo de direção ou exclusivamente aos trabalhadores da iniciativa privada. A
representação sindical e, se eleito, ainda que suplente, até negociação coletiva demanda a existência de partes
um ano após o final do mandato, salvo se cometer falta
detentoras de ampla autonomia negocial, o que não se
grave nos termos da lei.
realiza no plano da relação estatutária. A Administração

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Pública é vinculada pelo princípio da legalidade. A atribuição em regra, é retroativo de cinco anos, ou seja, os direitos
de vantagens aos servidores somente pode ser concedida a trabalhistas não adimplidos anteriores aos cinco anos não
partir de projeto de lei de iniciativa do Chefe do Poder estão agasalhados pela legislação pátria.
Executivo, consoante dispõe o artigo 61, § 1º, inciso II,
alíneas a e c, da Constituição do Brasil, desde que PROIBIÇÕES
supervenientemente aprovado pelo Poder Legislativo. (STF
ADI 559, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 15-2-06, DJ de XXX - proibição de diferença de salários, de exercício de
5-5-06). funções e de critério de admissão por motivo de sexo,
idade, cor ou estado civil;
XXVII - proteção em face da automação, na forma da lei;
 Jurisprudência relacionada ao tema:
Automação é a substituição da mão de obra por máquinas.
SÚMULA 683, STF. O limite de idade para a inscrição em
XXVIII - seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do concurso público só se legitima em face do art. 7º, XXX, da
empregador, sem excluir a indenização a que este está Constituição, quando possa ser justificado pela natureza das
obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa; atribuições do cargo a ser preenchido.

O trabalhador tem direito a propor duas ações judiciais. EMENTA. Agravo regimental. Administrativo. Concurso
Uma chamada de acidentária quando o INSS se nega a pagar público para o cargo de policial militar do Distrito Federal.
o seguro contra acidentes de trabalho, que não exclui a Altura mínima exigida. - Necessidade de previsão legal para
outra, a de Reparação de Dano. definição dos requisitos para ingresso no serviço público.
Constituição Federal, arts. 5º, caput, e 37, I e II. Ofensa
O presente dispositivo deve ser combinado com o art. 109, I reflexa. Agravo a que se nega provimento. (STF AI 460131
da Constituição Federal, que exclui da justiça federal a AgR, 25/06/2004).
competência para julgar ações de acidentes de trabalho,
devendo dita ação ser intentada perante a justiça comum XXXI - proibição de qualquer discriminação no tocante a
estadual, mesmo que seja contra uma autarquia federal salário e critérios de admissão do trabalhador portador de
(INSS). A partir da Emenda Constitucional 45, a indenização deficiência;
decorrente do acidente de trabalho tramita na justiça
Diferentemente do inciso anterior, a discriminação desse
trabalhista, nos termos do art. 114, VI do mesmo diploma
dispositivo diz respeito apenas a diferença de salário e
constitucional.
critérios de admissão e não no tocante a diferença de
Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar: exercício de funções.
I - as causas em que a União, entidade autárquica ou
empresa pública federal forem interessadas na condição de XXXII - proibição de distinção entre trabalho manual,
autoras, rés, assistentes ou oponentes, exceto as de técnico e intelectual ou entre os profissionais respectivos;
falência, as de acidentes de trabalho e as sujeitas à Justiça
Eleitoral e à Justiça do Trabalho; O legislador não equiparou todas as profissões, quer
manuais, quer técnicas, quer intelectuais, ele quis dizer que
Art. 114. Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar: nenhuma dessas formas de trabalho poderá ser vista de
VI - as ações de indenização por dano moral ou patrimonial, maneira diferente para fins de reconhecimento e aplicação
decorrentes da relação de trabalho; de direitos trabalhistas.

 Jurisprudência relacionada ao tema: XXXIII - proibição de trabalho noturno, perigoso, ou


insalubre a menores de dezoito e de qualquer trabalho a
SÚMULA VINCULANTE 22. A Justiça do Trabalho é menores de dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz,
competente para processar e julgar as ações de indenização a partir de quatorze anos; (Redação dada pela EC 20, de 1998)
por danos morais e patrimoniais decorrentes de acidente de
trabalho propostas por empregado contra empregador, O trabalho exercido por menor de quatorze anos é crime
inclusive aquelas que ainda não possuíam sentença de contra a organização do trabalho, que deverá ser julgado
mérito em primeiro grau quando da promulgação da pela justiça federal, conforme art. 109, VI, da CF/88, que
Emenda Constitucional 45/04. reza:
Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar:
XXIX - ação, quanto aos créditos resultantes das relações VI - os crimes contra a organização do trabalho e, nos casos
de trabalho, com prazo prescricional de cinco anos para os determinados por lei, contra o sistema financeiro e a ordem
trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de dois anos econômico-financeira;
após a extinção do contrato de trabalho; (Redação dada pela
EC 28, de 2000)
Art. 8º É livre a associação profissional ou sindical,
O prazo para o direito de ação é de dois anos, o direito de observado o seguinte:
reclamar na justiça as verbas trabalhistas rescisórias não
pagas pelo empregador. Já o prazo prescricional, que tem Associação profissional e associação sindical não são
como termo inicial a data da reclamação feita no judiciário, sinônimas, sendo a primeira um núcleo embrionário inicial
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da segunda. A associação profissional está regida, de um representação sindical respectiva, independentemente da


modo geral, pelas mesmas regras de organização das contribuição prevista em lei;
demais associações. Apenas a criação do sindicato, ou seja,
a transformação da associação profissional em órgão de Trata-se aqui de duas contribuições. A primeira, a
representação oficial de uma classe de trabalhadores é que contribuição de custeio do sistema confederativo, será
depende dos requisitos previstos na lei. criada por assembleia-geral da organização sindical
interessada, e paga por todos os trabalhadores
I - a lei não poderá exigir autorização do Estado para a sindicalizados. O Supremo Tribunal Federal já decidiu que
fundação de sindicato, ressalvado o registro no órgão essa contribuição não pode ser cobrada de trabalhador não
competente, vedadas ao poder público a interferência e a vinculado à entidade sindical que a cria. A segunda, a
intervenção na organização sindical; contribuição sindical, é criada por lei e paga por todos os
trabalhadores, sindicalizados ou não. O pagamento de uma
O inciso trata da única providência legal para a constituição não impede a cobrança da outra, já que são independentes.
de sindicato, que é o registro em órgão competente. Esse A contribuição sindical é devida pelo fato de se pertencer a
“órgão competente”, já decidiu o Supremo Tribunal Federal, uma determinada categoria econômica ou profissional ou a
é o Ministério do Trabalho, até que a lei crie outro. uma profissão liberal.
 Jurisprudência relacionada ao tema:  Jurisprudência relacionada ao tema:
SÚMULA 677, STF. Até que a lei venha a dispor a respeito, SÚMULA VINCULANTE 40. A contribuição confederativa de
incumbe ao Ministério do Trabalho proceder ao registro das que trata o art. 8º, IV, da constituição, só é exigível dos
entidades sindicais e zelar pela observância do princípio da filiados ao sindicato respectivo.
unicidade.
V - ninguém será obrigado a filiar-se ou a manter-se filiado
II - é vedada a criação de mais de uma organização sindical, a sindicato;
em qualquer grau, representativa de categoria profissional
ou econômica, na mesma base territorial, que será VI - é obrigatória a participação dos sindicatos nas
definida pelos trabalhadores ou empregadores negociações coletivas de trabalho;
interessados, não podendo ser inferior à área de um
Município; VII - o aposentado filiado tem direito a votar e ser votado
nas organizações sindicais
Este dispositivo consagra o princípio da unicidade sindical.
Base territorial é a região, o limite territorial onde atua a VIII - é vedada a dispensa do empregado sindicalizado a
entidade sindical. partir do registro da candidatura a cargo de direção ou
III - ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses representação sindical e, se eleito, ainda que suplente, até
coletivos ou individuais da categoria, inclusive em um ano após o final do mandato, salvo se cometer falta
questões judiciais ou administrativas. grave nos termos da lei.

O inciso XXI do art. 5º exige autorização expressa para que Parágrafo único. As disposições deste artigo aplicam-se à
as entidades associativas possam representar seus organização de sindicatos rurais e de colônias de
associados judicial e extrajudicialmente. Dos sindicatos não pescadores, atendidas as condições que a lei estabelecer.
se pode exigir essa autorização expressa, porque ela já se
presume pelas suas próprias finalidades, sendo o sindicato
Art. 9º É assegurado o direito de greve, competindo aos
“substituto processual”.
trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e
 Jurisprudência relacionada ao tema: sobre os interesses que devam por meio dele defender.
EMENTA. (…). O artigo 8º, III da Constituição Federal Consta aqui o direito de greve dos trabalhadores privados,
estabelece a legitimidade extraordinária dos sindicatos para incluídos os de sociedades de economia mista e de
defender em juízo os direitos e interesses coletivos ou empresas públicas. O direito de greve do servidor público
individuais dos integrantes da categoria que representam. civil está previsto no art. 37, VII, da CF.
Essa legitimidade extraordinária é ampla, abrangendo a
liquidação e a execução dos créditos reconhecidos aos § 1º A lei definirá os serviços ou atividades essenciais e
trabalhadores. Por se tratar de típica hipótese de disporá sobre o atendimento das necessidades inadiáveis
substituição processual, é desnecessária qualquer da comunidade.
autorização dos substituídos. (RE 193.503/SP - 12/06/06) A lei que regula a matéria é a Lei 7.783/89.

IV - a assembleia-geral fixará a contribuição que, em se  Jurisprudência relacionada ao tema:


tratando de categoria profissional, será descontada em SÚMULA VINCULANTE 23. A Justiça do Trabalho é
folha para custeio do sistema confederativo da competente para processar e julgar ação possessória

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ajuizada em decorrência do exercício do direito de greve Exemplo desses órgãos é o Conselho Curador da Previdência
pelos trabalhadores da iniciativa privada. Social. O artigo assegura o objetivo democrático da
Seguridade Social (art. 194, § único, VII).
§ 2º Os abusos cometidos sujeitam os responsáveis às
penas da lei. Art. 11. Nas empresas de mais de duzentos empregados, é
assegurada a eleição de um representante destes com a
Art. 10. É assegurada a participação dos trabalhadores e finalidade exclusiva de promover-lhes o entendimento
empregadores nos colegiados dos órgãos públicos em que direto com os empregadores.
seus interesses profissionais ou previdenciários sejam
objeto de discussão e deliberação.

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MAPAS - DIREITOS DOS TRABALHADORES


 Kílvia Palácio

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3.3. NACIONALIDADE b) Os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe


brasileira, desde que qualquer deles esteja a serviço da
Há diferenças conceituais entre naturalidade (indicativa do
República Federativa do Brasil;
lugar de nascimento de uma pessoa, em certa região ou
localidade), cidadania (conjunto de prerrogativas de direito Regra do jus sanguinis.
político conferidas à pessoa natural, constitucionalmente
São brasileiros natos os nascidos no exterior, quer de pai
asseguradas e exercidas pelos nacionais, ou seja, por
brasileiro, quer de mãe brasileira (por isso não é acolhido no
aqueles que têm a faculdade de intervir na direção dos
Brasil o jus sanguinis puro, que exige que ambos os pais
negócios públicos e de participar no exercício da soberania),
sejam natos), desde que qualquer dos dois esteja no
população, que diz respeito ao número de pessoas em
estrangeiro a serviço oficial do Brasil.
determinado território, seja nacional ou estrangeira, nação,
que se refere a pessoas ligadas por laços culturais, de raça, c) os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe
língua, fins sociais, e de nacionalidade e povo que, para brasileira, desde que sejam registrados em repartição
Pontes de Miranda, é o laço jurídico político de direito brasileira competente ou venham a residir na República
público interno, que faz da pessoa um dos elementos Federativa do Brasil e optem, em qualquer tempo, depois
componentes da dimensão pessoal do Estado. de atingida a maioridade, pela nacionalidade brasileira;
(Alterada pela ECR 3, de 1994) (Alterada pela EC 54, de 2007)
Art. 12. São brasileiros:
O Legislador usou o critério do jus sanguinis.
São dois os critérios determinadores da nacionalidade: o jus
sanguinis e o jus soli. O jus sanguinis informa a Há duas possibilidades. A primeira será dos nascidos no
nacionalidade pela filiação, independentemente do lugar de estrangeiro, filhos de pai ou de mãe brasileira que poderão
nascimento, a nacionalidade é determinada pela ser registrados em repartição competente (como um
nacionalidade dos pais. O jus soli atribui a nacionalidade consulado brasileiro) e, nesse momento, adquirirem a
pelo local de nascimento, ou, pelo critério territorial, e condição de brasileiros natos. A segunda, será dos nascidos
desconsidera a nacionalidade dos pais. no estrangeiro, filhos de pai ou mãe brasileira que poderão
ainda vir a residir no Brasil, em caráter definitivo, e aqui, a
I - natos: qualquer tempo, após os 18 anos, que é a maioridade civil,
Tem-se aqui a nacionalidade primária ou de 1º grau, optar pela condição de brasileiro nato. Tal opção deverá ser
originária, pelo fato do nascimento. necessariamente exercida pelo detentor de maioridade civil,
perante um juiz federal, nos termos do art. 109, X, da CF/88.
Todos os casos possíveis de reconhecimento de condição de Essa opção trata-se de um direito subjetivo, por isso é
brasileiro nato estão neste inciso da Constituição, uma vez chamada pela doutrina de nacionalidade potestativa.
que só a Constituição pode prevê hipóteses de aquisição
primária. Essa alínea já sofreu duas emendas constitucionais. A
Emenda de Revisão 3, de 07.06.1994, retirou a possibilidade
a) os nascidos na República Federativa do Brasil, ainda que do nascido no estrangeiro, filho de pai ou mãe brasileira, ser
de pais estrangeiros, desde que estes não estejam a registrado em repartição brasileira competente, restando
serviço de seu país; apenas a de residir no Brasil e optar pela nacionalidade
brasileira quando completasse a maioridade civil.
Tratando de brasileiros natos, a regra geral é a do jus soli
Posteriormente, a Emenda Constitucional 54, de 20.9.2007,
(alínea “a”), ou seja, de aquisição da nacionalidade pelo solo
trouxe novamente a regra e, com o intuito de amparar os
de nascimento. Assim, são brasileiros os nascidos na
nascidos naquele período, acrescentou o artigo 95 ao Ato
República Federativa do Brasil, em qualquer ponto de seu
das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), que
território.
reza:
A Constituição exige que ambos os pais sejam estrangeiros, “Os nascidos no estrangeiro entre 7 de junho de 1994 e a
e que pelo menos um deles esteja a serviço diplomático data da promulgação desta Emenda Constitucional, filhos
oficial de seu próprio país, e não de outro. de pai brasileiro ou mãe brasileira, poderão ser registrados
em repartição diplomática ou consular brasileira
Assim, a única exceção a essa regra é o nascido na República competente ou em ofício de registro, se vierem a residir na
Federativa do Brasil, filho de pais estrangeiros, desde que República Federativa do Brasil”.
um deles esteja no Brasil em serviço oficial de seu país,
como no caso dos diplomatas, dos que estiverem em missão  Jurisprudência relacionada ao tema:
de serviço público a serviço de seus Estados de origem ou EMENTA: - CONSTITUCIONAL. NACIONALIDADE: OPÇÃO.
que aqui representem organizações internacionais, como a C.F., ART. 12, I, c, COM A EMENDA CONSTITUCIONAL DE
ONU. Neste caso, guardam a nacionalidade do país de REVISÃO Nº 3, DE 1994. I. - São brasileiros natos os nascidos
origem dos pais, pelo critério do jus sanguinis (aquisição de no estrangeiro, de pai brasileiro ou de mãe brasileira, desde
nacionalidade pelo sangue dos pais), fazendo valer o que venham a residir no Brasil e optem, em qualquer
princípio da extraterritorialidade diplomática. tempo, pela nacionalidade brasileira. II. - A opção pode ser
feita a qualquer tempo, desde que venha o filho de pai

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brasileiro ou de mãe brasileira, nascido no estrangeiro, a Ilhas Príncipe, Goa, Gamão, Dio, Macau e Timor) que tem a
residir no Brasil. Essa opção somente pode ser manifestada seu favor as condições de residência por um ano
depois de alcançada a maioridade. É que a opção, por ininterrupto e idoneidade moral, chamada
decorrer da vontade, tem caráter personalíssimo. Exige-se, doutrinariamente de aquisição especial.
então, que o optante tenha capacidade plena para
manifestar a sua vontade, capacidade que se adquire com a b) os estrangeiros de qualquer nacionalidade residentes na
maioridade. III. - Vindo o nascido no estrangeiro, de pai República Federativa do Brasil há mais de quinze anos
brasileiro ou de mãe brasileira, a residir no Brasil, ainda ininterruptos e sem condenação penal, desde que
menor, passa a ser considerado brasileiro nato, sujeita essa requeiram a nacionalidade brasileira. (Redação dada pela ECR
3, de 1994)
nacionalidade a manifestação da vontade do interessado,
mediante a opção, depois de atingida a maioridade. Atingida Hipótese de aquisição de nacionalidade brasileira expressa
a maioridade, enquanto não manifestada a opção, esta extraordinária.
passa a constituir-se em condição suspensiva da
nacionalidade brasileira. IV. - Precedente do STF: AC 70- O estrangeiro de qualquer nacionalidade poderá se
QO/RS, Ministro Sepúlveda Pertence, Plenário, 25.9.03, "DJ" beneficiar dessa forma excepcional de aquisição de
de 12.3.04. V. (STF RE 418096/RS - 22/03/2005). nacionalidade.
Quanto aos requisitos dessa via de aquisição, verifica-se que
II - naturalizados:
não é impedimento a exigência de condenação civil ou
Cuida-se da nacionalidade secundária ou de 2º Grau, trabalhista e que a condição de “prazo ininterrupto do prazo
derivada de residência” não é quebrada por breves viagens ao
exterior já que a Constituição exige residência contínua e
Em tese, a concessão da nacionalidade brasileira está não permanência contínua.
submetida à discricionariedade do chefe do Poder
Executivo. Para alguns autores, como Alexandre de Moraes e Celso
Bastos, a passagem “... desde que requeiram” significa que o
A aquisição da nacionalidade pode ser tácita (quando não requerimento, preenchidas as condições constitucionais,
depende de requerimento do interessado) ou expressa não poderá ser negado pelo Poder Executivo, constituindo-
(quando depende dessa manifestação de vontade). No se em direito subjetivo do estrangeiro.
Brasil, atualmente, não é possível a naturalização tácita ou
automática. § 1º Aos portugueses com residência permanente no País,
se houver reciprocidade em favor de brasileiros, serão
A doutrina classifica a nacionalidade de 2º grau em espécies:
atribuídos os direitos inerentes ao brasileiro, salvo os casos
ordinária (quando esse requerimento é regido pela lei),
previstos nesta Constituição. (Redação dada pela ECR 3, de
especial (quando requerida por originários de países de
1994)
língua portuguesa) e extraordinária ou quinzenária (quando
a hipótese de aquisição é oferecida pela própria Trata-se de equiparação de direitos e não hipótese de
Constituição). naturalização. O português, que não pretende a
naturalização, e sim permanecer como como estrangeiro no
 Jurisprudência relacionada ao tema:
Brasil, será equiparado em direitos ao brasileiro
EMENTA. (...). Não se revela possível, em nosso sistema naturalizado sem sê-lo, condicionado à existência e
jurídico-constitucional, a aquisição da nacionalidade observância da reciprocidade.
brasileira jure matrimonii, vale dizer, como efeito direto e
Segundo a jurisprudência de Supremo Tribunal Federal, a
imediato resultante do casamento civil. Magistério da
mera condição de egresso de Portugal não é suficiente para
doutrina.” (STF Ext 1.121, Rel. Min. Celso de Mello,
os benefícios da equiparação, devendo o português ter
julgamento em 18-12-2009, Plenário, DJE de 25-6-2010).
requerido o benefício na Justiça Brasileira e ter sido
a) os que, na forma da lei, adquiram a nacionalidade deferido.
brasileira, exigidas aos originários de países de língua
 Jurisprudência relacionada ao tema:
portuguesa apenas residência por um ano ininterrupto e
idoneidade moral; EMENTA. Expulsão. Português. Estrangeiro condenado a
pena de quatro anos de reclusão, já cumprida, por incurso
Hipótese de naturalização expressa ordinária, já que no art. 12 da Lei 6368/1976. 2. Alegações de amparo na
submetida aos termos da lei. Convenção sobre igualdade de Direitos e Deveres entre
Para a aquisição da condição de brasileiro, o estrangeiro Brasileiros e Portugueses, aprovada pelo Decreto Legislativo
deverá proceder de acordo com a Lei de Migração (Lei 82, de 24.11.1971, e promulgada pelo Decreto 70.391, de
13.445/2017). 12.4.1972, bem assim de manter o expulsando união estável
com brasileira, mãe de menor que não e, entretanto, filho
Há, no entanto, um grupo especial de estrangeiros, formado do paciente. 3. Inaplicável ao paciente a Convenção em
pelos que são de países de língua portuguesa (Portugal, referencia, eis que nenhuma prova se fez de se lhe ter
Angola, Moçambique, Guiné Bissau, Açores, Cabo Verde, reconhecido, a teor do art. 5. do Decreto 70.391/1972, a
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igualdade de direitos e deveres. Pela só permanência no III - o Presidente do Senado Federal;


país, não gozam, automaticamente, o português no Brasil e IV - os líderes da maioria e da minoria na Câmara dos
o brasileiro em Portugal, da igualdade de direitos e deveres, Deputados;
V - os líderes da maioria e da minoria no Senado Federal;
a que se refere a Convenção aprovada, fazendo-se
VI - o Ministro da Justiça;
necessários prévios requerimento e decisão concessiva de
VII - seis cidadãos brasileiros natos, com mais de trinta e
autoridade competente. Decreto 70.391/1972, arts. 5, 6 e cinco anos de idade, sendo dois nomeados pelo Presidente
14. De qualquer sorte, o Decreto de expulsão acarreta a da República, dois eleitos pelo Senado Federal e dois eleitos
consequência de fazer cessar a autorização de permanência pela Câmara dos Deputados, todos com mandato de três
do paciente no território nacional, o que, conforme o art. 6. anos, vedada a recondução.
do Decreto 70.391, de 1972, gera a extinção da igualdade de
direitos e deveres. 4. Não se aplica a espécie, também, o art. Art. 222. A propriedade de empresa jornalística e de
75, II, letras "a" e "b", do Estatuto do Estrangeiro, visto não radiodifusão sonora e de sons e imagens é privativa de
brasileiros natos ou naturalizados há mais de dez anos, ou
ser o paciente casado com brasileira, nem possuir filho
de pessoas jurídicas constituídas sob as leis brasileiras e que
brasileiro. 5. Não serve ao paciente, por igual, no caso, a
tenham sede no País.
regra do art. 226, par. 3., da Constituição Federal. Natureza
e extensão da norma maior em apreço. A união do paciente § 3º são privativos de brasileiro nato os cargos:
com brasileira não alcança sequer o lapso de tempo
necessário, para que se lhe reconheça a condição de "união I - de Presidente e Vice-Presidente da República;
estável", "ut" Lei 8971/1994. 6. Habeas Corpus indeferido. II - de Presidente da Câmara dos Deputados;
(STF HC 72.593/RJ, 22/06/1995).
III - de Presidente do Senado Federal;
EMENTA. (...). A norma inscrita no art. 12, § 1º, da CR – que
contempla, em seu texto, hipótese excepcional de quase- IV - de Ministro do Supremo Tribunal Federal;
nacionalidade – não opera de modo imediato, seja quanto V - da carreira diplomática;
ao seu conteúdo eficacial, seja no que se refere a todas as
consequências jurídicas que dela derivam, pois, para incidir, VI - de oficial das Forças Armadas;
além de supor o pronunciamento aquiescente do Estado VII - de Ministro de estado da Defesa (Incluído pela EC 23, de
brasileiro, fundado em sua própria soberania, depende, 1999)
ainda, de requerimento do súdito português interessado, a
quem se impõe, para tal efeito, a obrigação de preencher os O rol dos cargos privativos de brasileiros natos é taxativo.
requisitos estipulados pela Convenção sobre Igualdade de A título de informação, são da carreira diplomática o 3º
Direitos e Deveres entre brasileiros e portugueses. (STF 890, Secretário, o 2º Secretário, o 1º Secretário, o Conselheiro, o
Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 5-8-2004, Primeira Ministro de 2ª Classe e Ministro de 1ª Classe, que é o
Turma, DJ de 28-10-2004) embaixador. Os oficiais das Forças Armadas são os do
Exército, da Marinha e da Aeronáutica (mas não os
§ 2º A lei não poderá estabelecer distinção entre
suboficiais destas Forças, nem os oficiais da Polícia Militar).
brasileiros natos e naturalizados, salvo nos casos previstos
nesta Constituição. § 4º Será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro
que:
As distinções permitidas pelo texto constitucional, e só ela
pode, são: casos de extradição (art. 5º, LI), exercício de I - tiver cancelada sua naturalização, por sentença judicial,
determinados cargos públicos (art. 12, § 3º), perda da em virtude de atividade nociva ao interesse nacional;
condição de nacional (art. 12, § 4º), exercício da função de
membro do Conselho da República (art. 89, VII) e Essa hipótese de perda da nacionalidade é só para brasileiro
administração e orientação intelectual de veículo de mídia naturalizado que for considerado culpado por sentença
no Brasil (art. 222). judicial transitada em julgado de algum crime no Brasil. O
condenado poderá, na sentença, receber uma pena
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de acessória de cancelamento da naturalização, de acordo com
qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos a gravidade do crime. Nesse caso, a partir dessa sentença,
estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à
por ato do Presidente da República, será declarada a perda
vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade,
nos termos seguintes: de sua nacionalidade, para viabilizar a expulsão do Brasil.
LI - nenhum brasileiro será extraditado, salvo o O cancelamento da naturalização ensejará a perda dos
naturalizado, em caso de crime comum, praticado antes da direitos políticos, conforme previsto no art. 15, I, da CF/88.
naturalização, ou de comprovado envolvimento em tráfico
ilícito de entorpecentes e drogas afins, na forma da lei; Art. 15. É vedada a cassação de direitos políticos, cuja
perda ou suspensão só se dará nos casos de:
Art. 89. O Conselho da República é órgão superior de I - cancelamento da naturalização por sentença transitada
consulta do Presidente da República, e dele participam: em julgado;
I - o Vice-Presidente da República;
II - o Presidente da Câmara dos Deputados;

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II - adquirir outra nacionalidade, salvo nos casos: (Redação brasileira. (STF MS 33.864, Rel. Min. Roberto Barroso, J.
dada pela ECR 3, de 1994) 19.04.2016, 1ªT, DJ 20.09.2016).
a) de reconhecimento de nacionalidade originária pela lei
estrangeira; (Incluído pela ECR 3, de 1994) Art. 13. A língua portuguesa é o idioma oficial da República
Federativa do Brasil.
b) de imposição de naturalização, pela norma estrangeira,
ao brasileiro residente em Estado estrangeiro, como § 1º São símbolos da República Federativa do Brasil a
condição para permanência em seu território ou para o bandeira, o hino, as armas e o selo nacionais.
exercício de direitos civis. (Incluído pela ECR 3, de 1994) § 2º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão
ter símbolos próprios.
A aquisição voluntária de outra nacionalidade por um
brasileiro conduz como regra, à perda da sua nacionalidade A língua portuguesa é oficial no Brasil, o que não proíbe que
brasileira, seja ele nato ou naturalizado, sendo aceitas as outras aqui sejam faladas e reconhecidas, como no caso do
duas exceções expressas nas alíneas “a” (caso de art. 210, § 2º, da CF/88, que reconhece aos índios no Brasil
acumulação de nacionalidade, ou dupla nacionalidade) e o direito de usarem suas linguagens e dialetos no
“b”. aprendizado.
O processo de perda da nacionalidade, nesse caso, ocorrerá
administrativamente no Ministério da Justiça.
3.4. DIREITOS POLÍTICOS
Dispositivo infraconstitucional correspondente – art. 76 da
Lei 13.445/2017. PRINCÍPIO DA SOBERANIA POPULAR
 Jurisprudência relacionada ao tema: Segundo Pimenta Bueno, os direitos políticos são um
EMENTA. (...). A perda da nacionalidade brasileira, por sua conjunto de prerrogativas, atributos, faculdades, ou poder
vez, somente pode ocorrer nas hipóteses taxativamente de intervenção dos cidadãos ativos no governo de seu país,
definidas na CR, não se revelando lícito, ao Estado brasileiro, intervenção direta ou indireta, mais ou menos ampla. Seria,
seja mediante simples regramento legislativo, seja mediante assim, a inserção da vontade do cidadão no universo da
tratados ou convenções internacionais, inovar nesse tema, formação da vontade nacional.
quer para ampliar, quer para restringir, quer, ainda, para As formas dessa participação são, basicamente: o direito de
modificar os casos autorizadores da privação – sempre votar e de ser votado, o plebiscito, o referendo, a iniciativa
excepcional – da condição político-jurídica de nacional do popular de leis, a ação popular, a fiscalização popular de
Brasil. (...). (STF HC 83.113-QO, Rel. Min. Celso de Mello, contas públicas, o direito de informação em órgãos públicos
julgamento em 26-3-2003, Plenário, DJ de 29-8-2003). e a filiação a partidos políticos.
EMENTA. NATURALIZAÇÃO. REVISÃO DE ATO. Art. 14. A soberania popular será exercida pelo sufrágio
COMPETÊNCIA. Conforme revela o inciso I do § 4º do artigo universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para
12 da Constituição Federal, o Ministro de Estado da Justiça todos, e, nos termos da lei, mediante:
não tem competência para rever ato de naturalização. (STF
RMS 27.840, rel. p/ o ac. min. Marco Aurélio, julgamento em Sufrágio configura um direito público subjetivo de eleger e
7-2-2013, Plenário, DJE de 27-8-2013). ser eleito, e também o direito de participar da organização e
da atividade do poder estatal. O sufrágio universal se apoia
EMENTA. Brasileira naturalizada americana. Acusação de na coincidência entre a qualidade de eleitor e de nacional de
homicídio no exterior. Fuga para o Brasil. Perda de um país, sujeito, contudo, a condicionamentos, como idade.
nacionalidade originária em procedimento administrativo O sufrágio restrito pode ser censitário (quando o votante
regular. Hipótese constitucionalmente prevista. Não precisa preencher requisitos de natureza econômica, como
ocorrência de ilegalidade ou abuso de poder. (...) A renda e bens) ou capacitária (quando o eleitor precisa
Constituição Federal, ao cuidar da perda da nacionalidade apresentar algumas condições especiais de capacidade,
brasileira, estabelece duas hipóteses: (i) o cancelamento como as de natureza intelectual). O voto, por seu turno, é o
judicial da naturalização (art. 12, § 4º, I); e (ii) a aquisição de ato político que materializa, na prática, o direito subjetivo
outra nacionalidade. Nesta última hipótese, a nacionalidade de sufrágio. O voto apresenta as características de
brasileira só não será perdida em duas situações que personalidade (só pode ser exercido pessoalmente),
constituem exceção à regra: (i) reconhecimento de outra obrigatoriedade formal de comparecimento (pela regra, o
nacionalidade originária (art. 12, § 4º, II, a); e (ii) ter sido a eleitor precisa comparecer, embora não precise
outra nacionalidade imposta pelo Estado estrangeiro como efetivamente votar), liberdade (o eleitor escolhe livremente
condição de permanência em seu território ou para o o nome de sua preferência), sigilosidade (o voto é secreto),
exercício de direitos civis (art. 12, § 4º, II, b). No caso sob periodicidade (o eleitor é chamado a votar de tempos em
exame, a situação da impetrante não se subsume a qualquer tempos), igualdade (cada voto tem o mesmo peso no
das exceções constitucionalmente previstas para a aquisição processo político, embora a Constituição admita casos em
de outra nacionalidade, sem perda da nacionalidade que isso é negado, como no art. 45).

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I - plebiscito; b) trinta anos para Governador e Vice-Governador de


estado e do Distrito Federal;
Consulta prévia ao cidadão.
c) vinte e um anos para Deputado Federal, Deputado
II - referendo; Estadual ou Distrital, Prefeito, Vice-Prefeito e Juiz de Paz;
Manifestação popular sobre questão concreta efetivada, d) dezoito anos para Vereador.
geralmente legislativa.
A elegibilidade refere-se à capacidade de ser eleito.
III - iniciativa popular
Ressalte-se que o Juiz de paz tem que preencher as
É o poder que o povo possui de apresentar um projeto de lei condições de elegibilidade, em obediência ao comando
ao poder legislativo. previsto no art. 98, II da CF/88.
Existe no âmbito federal (art. 61, § 2º), no estadual (27, § Art. 98. A União, no Distrito Federal e nos Territórios, e os
4º) e no municipal (art. 29, XIII), sujeito a diferentes Estados criarão:
II - justiça de paz, remunerada, composta de cidadãos
requisitos.
eleitos pelo voto direto, universal e secreto, com mandato
Os Direitos Políticos podem ser positivos e negativos. Os de quatro anos e competência para, na forma da lei,
positivos são a alistabilidade (capacidade eleitoral ativa) e a celebrar casamentos, verificar, de ofício ou em face de
elegibilidade (capacidade eleitoral passiva). Os negativos impugnação apresentada, o processo de habilitação e
exercer atribuições conciliatórias, sem caráter jurisdicional,
são a inalistabilidade (incapacidade eleitoral ativa) e a
além de outras previstas na legislação.
inelegibilidade (incapacidade eleitoral passiva).
§ 1º O alistamento eleitoral e o voto são: § 4º São inelegíveis os inalistáveis e os analfabetos.
I - obrigatórios para os maiores de dezoito anos; Inelegibilidade é impedimento à capacidade ao direito de
ser votado. Não se confunde com a inalistabilidade, que é a
II - facultativos para:
impossibilidade de se alistar eleitor, nem com a
a) os analfabetos; incompatibilidade, impedimento ao exercício do mandato
depois de eleito.
b) os maiores de setenta anos;
Este parágrafo enumera os casos de inelegibilidade
c) os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos.
absoluta, estabelecida para todos os cargos, os quais só
Alistabilidade é o alistamento eleitoral, ou seja, é a inscrição podem ser previstos pela Constituição Cidadã.
como eleitor. Só é feito por iniciativa do interessado, uma
Nos §§ 5º ao 8º estão casos de inelegibilidades relativas,
vez que não é possível alistamento ex ofício.
porque dizem respeito a determinados cargos e
§ 2º Não podem alistar-se como eleitores os estrangeiros determinadas situações, que podem ser estabelecidos
e, durante o período do serviço militar obrigatório, os inclusive por norma subconstitucional.
conscritos.
§ 5º O Presidente da República, os Governadores de Estado
A inalistabilidade é a incapacidade de se alistar como e do Distrito Federal, os Prefeitos e quem os houver
eleitor. sucedido ou substituído no curso dos mandatos poderão
ser reeleitos para um único período subsequente.
Conscritos são os recrutados para servir às Forças Armadas,
dentre eles, aquele que presta o serviço militar obrigatório, Não é necessário que o Presidente da República, o
não podendo alistar-se como eleitor. Os demais integrantes Governador de Estado ou do Distrito Federal e o Prefeito
das Forças Armadas têm o poder-dever de alistamento. afastem-se desses cargos ou renunciem para postular a
reeleição.
§ 3º São condições de elegibilidade, na forma da lei:
 Jurisprudência relacionada ao tema:
I - a nacionalidade brasileira;
EMENTA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO
II - o pleno exercício dos direitos políticos; GERAL. REELEIÇÃO. PREFEITO. INTERPRETAÇÃO DO ART. 14,
III - o alistamento eleitoral; § 5º, DA CONSTITUIÇÃO. MUDANÇA DA JURISPRUDÊNCIA
EM MATÉRIA ELEITORAL. SEGURANÇA JURÍDICA. I.
IV - o domicílio eleitoral na circunscrição; REELEIÇÃO. MUNICÍPIOS. INTERPRETAÇÃO DO ART. 14, § 5º,
V - a filiação partidária; DA CONSTITUIÇÃO. PREFEITO. PROIBIÇÃO DE TERCEIRA
ELEIÇÃO EM CARGO DA MESMA NATUREZA, AINDA QUE EM
VI - a idade mínima de: MUNICÍPIO DIVERSO. O instituto da reeleição tem
a) trinta e cinco anos para Presidente e Vice-Presidente da fundamento não somente no postulado da continuidade
República e Senador; administrativa, mas também no princípio republicano, que
impede a perpetuação de uma mesma pessoa ou grupo no
poder. O princípio republicano condiciona a interpretação e
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a aplicação do próprio comando da norma constitucional, de § 8º O militar alistável é elegível, atendidas as seguintes
modo que a reeleição é permitida por apenas uma única condições:
vez. Esse princípio impede a terceira eleição não apenas no
mesmo município, mas em relação a qualquer outro I - se contar menos de dez anos de serviço deverá afastar-
município da federação. Entendimento contrário tornaria se da atividade;
possível a figura do denominado “prefeito itinerante” ou do II - se contar mais de dez anos de serviço, será agregado
“prefeito profissional”, o que claramente é incompatível pela autoridade superior e, se eleito, passará
com esse princípio, que também traduz um postulado de automaticamente, no ato da diplomação, para a
temporariedade/alternância do exercício do poder. inatividade.
Portanto, ambos os princípios – continuidade administrativa
e republicanismo – condicionam a interpretação e a  Jurisprudência relacionada ao tema:
aplicação teleológicas do art. 14, § 5º, da Constituição. O EMENTA. (...). Diversamente do que sucede ao militar com
cidadão que exerce dois mandatos consecutivos como mais de dez anos de serviço, deve afastar-se definitivamente
prefeito de determinado município fica inelegível para o da atividade o servidor militar que, contando menos de dez
cargo da mesma natureza em qualquer outro município da anos de serviço, pretenda candidatar-se a cargo eletivo. (...).
federação. (...). (STF RE 637.485 RJ, Rel. MIN. GILMAR (STF RE 279.469, Rel. p/ o ac. Min. Cezar Peluso, julgamento
MENDES, Plenário, DJ 01.08.2012). em 16-3-2011, Plenário, DJE de 20-6-2011).
§ 6º Para concorrerem a outros cargos, o Presidente da EMENTA. (...). Militar da ativa (sargento) com mais de dez
República, os Governadores de Estado e do Distrito Federal anos de serviço. Elegibilidade. Filiação partidária. (...) Se o
e os Prefeitos devem renunciar aos respectivos mandatos militar da ativa é alistável, é ele elegível (CF, art. 14, § 8º).
até seis meses antes do pleito. Porque não pode ele filiar-se a partido político (CF, art. 42, §
6º), a filiação partidária não lhe é exigível como condição de
Para tentarem eleição para qualquer outro cargo, deverão
elegibilidade, certo que somente a partir do registro da
renunciar. A renúncia, nesse caso, é irreversível.
candidatura é que será agregado (CF, art. 14, § 8º, II; Cód.
§ 7º São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o Eleitoral, art. 5º, § único; Lei 6.880, de 1980, art. 82, XIV, §
cônjuge e os parentes consanguíneos ou afins, até o 4º). (STF AI 135.452, Rel. Min. Carlos Velloso, julgamento em
segundo grau ou por adoção, do Presidente da República, 20-9-1990, Plenário, DJ de 14-6-1991).
de Governador de estado ou Território, do Distrito Federal,
de Prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos seis OUTRAS INELEGIBILIDADES
meses anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato
§ 9º Lei complementar estabelecerá outros casos de
eletivo e candidato à reeleição.
inelegibilidade e os prazos de sua cessação, a fim de
Tem-se, aqui, a inelegibilidade reflexa. Para esses fins, o proteger a probidade administrativa, a moralidade para o
território de “jurisdição” (a doutrina prefere “circunscrição”) exercício do mandato, considerada a vida pregressa do
do titular é a área física em que esse exerce poder. Assim, o candidato, e a normalidade, legitimidade das eleições
do Presidente da República é todo o País; o do Governador, contra a influência do poder econômico ou o abuso do
o respectivo Estado; e o do Prefeito, o Município. Assim, exercício de função, cargo ou emprego na administração
cônjuge e parentes do Prefeito não poderão disputar os direta ou indireta.
cargos e mandatos de Prefeito, Vice-Prefeito e Vereador
A Lei Complementar 64/90 prevê tais casos de
naquele Município; do Governador, esses cargos citados,
inelegibilidade.
nos Municípios do Estado, mais os cargos de Governador e
Vice-Governador e de Deputado Estadual, Federal e
AÇÃO DE IMPUGNAÇÃO DE MANDATO ELETIVO
Senador, estes dois últimos para vagas do próprio Estado,
do Presidente da República, por fim, são absolutamente § 10 O mandato eletivo poderá ser impugnado ante a
inelegíveis, salvo a única hipótese do final da redação do Justiça Eleitoral no prazo de quinze dias contados da
dispositivo. Cabe aqui, referência à decisão do Tribunal diplomação, instruída a ação com provas de abuso do
Superior Eleitoral, onde foi decidido que em se tratando de poder econômico, corrupção ou fraude.
eleição para Deputado Federal ou Senador, cada Estado e o
Distrito Federal constituem uma circunscrição eleitoral, o A legitimação ativa para essa ação é do Ministério Público,
que amplia a relação dos impedimentos. dos partidos políticos, das coligações e dos candidatos,
eleitos ou não.
 Jurisprudência relacionada ao tema:
§ 11 A ação de impugnação de mandato tramitará em
SÚMULA VINCULANTE 18. A dissolução da sociedade ou do
segredo de justiça, respondendo o autor, na forma da lei,
vínculo conjugal, no curso do mandato, não afasta a
se temerária ou de manifesta má-fé.
inelegibilidade prevista no § 7º do artigo 14 da Constituição
Federal.

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PERDA / SUSPENSÃO DOS DIREITOS POLÍTICOS Min. Sydney Sanches, DJ 18.03.94), o art. 16 representa
garantia individual do cidadão-eleitor, detentor originário
Art. 15. É vedada a cassação de direitos políticos, cuja do poder exercido pelos representantes eleitos e "a quem
perda ou suspensão só se dará nos casos de: assiste o direito de receber, do Estado, o necessário grau de
A cassação aqui mencionada e proibida é ato unilateral, do segurança e de certeza jurídicas contra alterações abruptas
Poder Executivo, configurando uma radical medida contra o das regras inerentes à disputa eleitoral" (ADI 3.345, rel. Min.
regime democrático, que suprime direitos e garantias Celso de Mello). 5. Além de o referido princípio conter, em
individuais. Perda é a privação definitiva; suspensão é uma si mesmo, elementos que o caracterizam como uma
perda temporária. garantia fundamental oponível até mesmo à atividade do
legislador constituinte derivado, nos termos dos arts. 5º, §
I - cancelamento da naturalização por sentença transitada 2º, e 60, § 4º, IV, a burla ao que contido no art. 16 ainda
em julgado; afronta os direitos individuais da segurança jurídica (CF, art.
5º, caput) e do devido processo legal (CF, art. 5º, LIV). 6. A
II - incapacidade civil absoluta;
modificação no texto do art. 16 pela EC 4/93 em nada
III - condenação criminal transitada em julgado, enquanto alterou seu conteúdo principiológico fundamental. Tratou-
durarem seus efeitos; se de mero aperfeiçoamento técnico levado a efeito para
facilitar a regulamentação do processo eleitoral. 7. Pedido
IV - recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou
que se julga procedente para dar interpretação conforme no
prestação alternativa, nos termos do art. 5º, VIII;
sentido de que a inovação trazida no art. 1º da EC 52/06
V - improbidade administrativa, nos termos do art. 37, somente seja aplicada após decorrido um ano da data de
§ 4º. sua vigência. (STF ADI 3.685/DF. Rel. Min. Ellen Gracie. DJ
10.08.2006).
PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE ELEITORAL
EMENTA. A Lei Complementar 135/2010 – que altera a Lei
Art. 16. A lei que alterar o processo eleitoral entrará em Complementar 64/90, que estabelece, de acordo com o § 9º
vigor na data de sua publicação, não se aplicando à eleição do art. 14 da CF, casos de inelegibilidade, prazos de
que ocorra até um ano da data de sua vigência. cessação e determina outras providências, para incluir
hipóteses de inelegibilidade que visam a proteger a
Aqui se estabelece o princípio da anterioridade da lei probidade administrativa e a moralidade no exercício do
eleitoral (princípio da anualidade eleitoral). mandato – não se aplica às eleições gerais de 2010. Essa a
 Jurisprudência relacionada ao tema: conclusão do Plenário ao prover, por maioria, recurso
extraordinário em que discutido o indeferimento do registro
EMENTA. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. ART. de candidatura do recorrente ao cargo de deputado
2º DA EC 52, DE 08.03.06. APLICAÇÃO IMEDIATA DA NOVA estadual nas eleições de 2010, ante sua condenação por
REGRA SOBRE COLIGAÇÕES PARTIDÁRIAS ELEITORAIS, improbidade administrativa, nos termos do art. 1º, I, l, da LC
INTRODUZIDA NO TEXTO DO ART. 17, § 1º, DA CF. 64/90, com redação dada pela LC 135/2010 [“Art. 1º São
ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE inelegíveis: I - para qualquer cargo: ... l) os que forem
DA LEI ELEITORAL (CF, ART. 16) E ÀS GARANTIAS condenados à suspensão dos direitos políticos, em decisão
INDIVIDUAIS DA SEGURANÇA JURÍDICA E DO DEVIDO transitada em julgado ou proferida por órgão judicial
PROCESSO LEGAL (CF, ART. 5º, CAPUT, E LIV). LIMITES colegiado, por ato doloso de improbidade administrativa
MATERIAIS À ATIVIDADE DO LEGISLADOR CONSTITUINTE que importe lesão ao patrimônio público e enriquecimento
REFORMADOR. ARTS. 60, § 4º, IV, E 5º, § 2º, DA CF. 1. ilícito, desde a condenação ou o trânsito em julgado até o
Preliminar quanto à deficiência na fundamentação do transcurso do prazo de 8 (oito) anos após o cumprimento da
pedido formulado afastada, tendo em vista a sucinta porém pena”]. (...). (STF RE 633703/MG, rel. Min. Gilmar Mendes,
suficiente demonstração da tese de violação constitucional 23.3.2011).
na inicial deduzida em juízo. 2. A inovação trazida pela EC
52/06 conferiu status constitucional à matéria até então PARTIDOS POLÍTICOS
integralmente regulamentada por legislação ordinária
federal, provocando, assim, a perda da validade de qualquer Art. 17. É livre a criação, fusão, incorporação e extinção de
restrição à plena autonomia das coligações partidárias no partidos políticos, resguardados a soberania nacional, o
plano federal, estadual, distrital e municipal. 3. Todavia, a regime democrático, o pluripartidarismo, os direitos
utilização da nova regra às eleições gerais que se realizarão fundamentais da pessoa humana e observados os
a menos de sete meses colide com o princípio da seguintes preceitos:
anterioridade eleitoral, disposto no art. 16 da CF, que busca
I - caráter nacional;
evitar a utilização abusiva ou casuística do processo
legislativo como instrumento de manipulação e de II - proibição de recebimento de recursos financeiros de
deformação do processo eleitoral (ADI 354, rel. Min. Octavio entidade ou governo estrangeiros ou de subordinação a
Gallotti, DJ 12.02.93). 4. Enquanto o art. 150, III, b, da CF estes;
encerra garantia individual do contribuinte (ADI 939, rel.
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III - prestação de contas à Justiça Eleitoral; “Art. 1º É facultado ao detentor de mandato eletivo
desligar-se do partido pelo qual foi eleito nos trinta dias
IV - funcionamento parlamentar de acordo com a lei. seguintes à promulgação desta Emenda Constitucional,
sem prejuízo do mandato, não sendo essa desfiliação
§ 1º É assegurada aos partidos políticos autonomia para
considerada para fins de distribuição dos recursos do
definir sua estrutura interna e estabelecer regras sobre Fundo Partidário e de acesso gratuito ao tempo de
escolha, formação e duração de seus órgãos permanentes rádio e televisão”.
e provisórios e sobre sua organização e funcionamento e
para adotar os critérios de escolha e o regime de suas A Emenda Constitucional n o 97, ainda acrescenta:
coligações nas eleições majoritárias, vedada a sua Art. 2º A vedação à celebração de coligações nas eleições
celebração nas eleições proporcionais, sem proporcionais, prevista no § 1º do art. 17 da Constituição
obrigatoriedade de vinculação entre as candidaturas em Federal, aplicar-se-á a partir das eleições de 2020.
âmbito nacional, estadual, distrital ou municipal, devendo Art. 3º O disposto no § 3º do art. 17 da Constituição
seus estatutos estabelecer normas de disciplina e Federal quanto ao acesso dos partidos políticos aos
fidelidade partidária. (Redação dada pela EC 97, de 2017) recursos do fundo partidário e à propaganda gratuita no
rádio e na televisão aplicar-se-á a partir das eleições de
§ 2º Os partidos políticos, após adquirirem personalidade 2030.
jurídica, na forma da lei civil, registrarão seus estatutos no
Tribunal Superior Eleitoral. Parágrafo único. Terão acesso aos recursos do fundo
partidário e à propaganda gratuita no rádio e na
§ 3º Somente terão direito a recursos do fundo partidário e televisão os partidos políticos que:
acesso gratuito ao rádio e à televisão, na forma da lei, os
I - na legislatura seguinte às eleições de 2018:
partidos políticos que alternativamente: (Redação dada pela
EC 97, de 2017) a) obtiverem, nas eleições para a Câmara dos Deputados,
no mínimo, 1,5% (um e meio por cento) dos votos válidos,
I - obtiverem, nas eleições para a Câmara dos Deputados, distribuídos em pelo menos um terço das unidades da
no mínimo, 3% (três por cento) dos votos válidos, Federação, com um mínimo de 1% (um por cento) dos
distribuídos em pelo menos um terço das unidades da votos válidos em cada uma delas; ou
Federação, com um mínimo de 2% (dois por cento) dos
b) tiverem elegido pelo menos nove Deputados Federais
votos válidos em cada uma delas; ou (Incluído pela EC 97, de distribuídos em pelo menos um terço das unidades da
2017) Federação;
II - tiverem elegido pelo menos quinze Deputados Federais II - na legislatura seguinte às eleições de 2022:
distribuídos em pelo menos um terço das unidades da
Federação. (Incluído pela EC 97, de 2017) a) obtiverem, nas eleições para a Câmara dos Deputados,
no mínimo, 2% (dois por cento) dos votos válidos,
§ 4º É vedada a utilização pelos partidos políticos de distribuídos em pelo menos um terço das unidades da
organização paramilitar. Federação, com um mínimo de 1% (um por cento) dos
votos válidos em cada uma delas; ou
§ 5º Ao eleito por partido que não preencher os requisitos
previstos no § 3º deste artigo é assegurado o mandato e b) tiverem elegido pelo menos onze Deputados Federais
distribuídos em pelo menos um terço das unidades da
facultada a filiação, sem perda do mandato, a outro
Federação;
partido que os tenha atingido, não sendo essa filiação
considerada para fins de distribuição dos recursos do III - na legislatura seguinte às eleições de 2026:
fundo partidário e de acesso gratuito ao tempo de rádio e a) obtiverem, nas eleições para a Câmara dos Deputados,
de televisão. (Incluído pela EC 97, de 2017) no mínimo, 2,5% (dois e meio por cento) dos votos
válidos, distribuídos em pelo menos um terço das
Segundo José Afonso da Silva partido político é “uma forma unidades da Federação, com um mínimo de 1,5% (um e
de agremiação de um grupo social que se propõe organizar, meio por cento) dos votos válidos em cada uma delas; ou
coordenar e instrumentar a vontade popular com o fim de
assumir o poder para realizar seu programa de governo”. b) tiverem elegido pelo menos treze Deputados Federais
distribuídos em pelo menos um terço das unidades da
A natureza jurídica do partido político é de pessoa jurídica Federação.
de direito privado (art. 17, § 2º). ___________________________________________________________
A Emenda Constitucional 91 altera a Constituição Federal _____________________________________________________________
para estabelecer a possibilidade, excepcional e em _____________________________________________________________
_____________________________________________________________
período determinado, de desfiliação partidária, sem
_____________________________________________________________
prejuízo do mandato.
_____________________________________________________________
As Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado _____________________________________________________________
Federal, nos termos do § 3º do art. 60 da Constituição _____________________________________________________________
Federal, promulgam a seguinte Emenda ao texto _____________________________________________________________
constitucional: _____________________________________________________________
_____________________________________________________________
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Segundo Maurice Croisat, o federalismo de equilíbrio


Capítulo 4 prioriza a conciliação entre integração e autonomia, entre a
unidade e a diversidade, como uma resposta às aspirações
Organização do Estado
de independência e solidariedade dos homens. Para André
Ramos Tavares, o federalismo equilíbrio pode ser alcançado
pelo estabelecimento de regiões de desenvolvimento e de
ORGANIZAÇÃO POLÍTICO-ADMINISTRATIVA
regiões metropolitanas, concessão de benefícios, além de
Art. 18. A organização político-administrativa da República redistribuição de rendas.
Federativa do Brasil compreende a União, os Estados, o Por fim, Manoel Gonçalves Ferreira Filho, fala em uma
Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos, nos tríplice estrutura do Estado brasileiro, considerando que no
termos desta Constituição. Brasil existem três ordens, que são: a da União (ordem
República e União não são sinônimas. A União é pessoa central), a dos Estados (ordens regionais) e a dos Municípios
jurídica de Direito Público interno com capacidade política, (ordens locais).
possuindo apenas autonomia, como deixa claro o texto Sobre o Distrito Federal, o art. 32, da CF/88, reza que: “O
deste artigo. A República Federativa do Brasil é que é Distrito Federal, vedada sua divisão em Municípios,
soberana, pessoa jurídica de direito público internacional ou reger-se-ão por lei orgânica, votada em dois turnos com
externo. interstício mínimo de dez dias, a aprovada por dois terços
Para Celso Bastos, soberania é atributo que se confere ao da Câmara Legislativa, que a promulgará, atendidos os
poder do Estado em virtude de ser juridicamente ilimitado. princípios estabelecidos nesta Constituição”.
Já autonomia é margem de discrição de que uma pessoa Sobre os Estados Federados, o art. 25, caput, da CF/88, reza
goza para decidir sobre seus negócios. que: “Os Estados organizam-se e regem-se pelas
A Constituição define a República sob dois ângulos. Sob o Constituições e leis que adotarem, observados os princípios
aspecto territorial, ou físico, a República é composta dos desta Constituição”.
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios (art. 1º, da Sobre os Municípios, o art. 29, caput, da CF/88. reza que: “O
CF/88). Já sob o aspecto político-administrativo, ou Município reger-se-á por lei orgânica, votada em dois
institucional, ou jurídico, tem ela quatro partes turnos, com o interstício mínimo de dez dias, e aprovada
componentes: a União, os Estados-membros (Estados por dois terços dos membros da Câmara Municipal, que a
Federados), o Distrito Federal e os Municípios, que formam promulgará, atendidos os princípios estabelecidos nesta
o Estado Federal, encontrando-se no mesmo patamar Constituição, na Constituição do respectivo Estado e os
hierárquico. São entes federativos com capacidade de auto seguintes preceitos: (...)”.
legislação, de auto governo, autoadministração e auto
organização. § 1º Brasília é a Capital Federal.
No Brasil, o federalismo se deu por desagregação, resultado Antes de ser promulgada a Carta de Outubro, a Capital
de um movimento centrífugo (de dentro para fora), Federal era o Distrito Federal.
diferente do que ocorreu na formação da Federação dos
O texto constitucional evidencia a diferença entre a Capital
EUA, que se formou por agregação, num movimento
da República e a sua circunscrição territorial, que é o Distrito
centrípeto (de fora para dentro).
Federal.
Quanto ao modo de separação de competências entre os
A Constituição Federal determina que Brasília seja a Capital
entes federativos, a doutrina identifica o federalismo dual,
Federal. É civitas civitatum, na medida em que é cidade-
onde a divisão de competências é extremamente rígida e o
centro, polo irradiante de onde partem as decisões mais
federalismo cooperativo, no qual se verifica uma
graves e onde acontecem os fatos decisivos para o destino
cooperação entre as atribuições dos entes federalistas. No
do país. Não se encaixa no conceito geral de cidade porque
Brasil, o federalismo é cooperativo. De qualquer forma,
não é sede de município, segundo José Afonso da Silva.
como a maior parte da competência se concentra na União,
o sentido é centrípeto. § 2º Os Territórios Federais integram a União, sua criação,
Destaca-se também na doutrina a classificação do transformação em Estado ou reintegração ao Estado de
federalismo em simétrico e assimétrico. No federalismo origem serão reguladas em lei complementar.
simétrico verifica-se homogeneidade em relação à cultura, Os territórios federais, portanto, são meras autarquias
ao desenvolvimento, à língua etc. Ex: Estados Unidos. territoriais da União, descentralizações administrativas
Contrariamente, o federalismo assimétrico decorre da territoriais, sem a capacidade de se auto legislar, auto
diversidade cultural e até mesmo de língua. Ex: Canadá e administrar e se autogovernar.
Suíça. A maioria dos doutrinadores defendem que o Brasil
possui um federalismo assimétrico. Sobre os Territórios, o art. 33, da CF/88, reza que:
Art. 33. A lei disporá sobre a organização administrativa e
judiciária dos Territórios.
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§ 1º Os Territórios poderão ser divididos em municípios,  Jurisprudência relacionada ao tema:


aos quais se aplicará, no que couber, o disposto no
Capítulo IV deste Titulo. EMENTA. A expressão “população diretamente interessada”
§ 2º As contas do Governo do Território serão submetidas constante do § 3º do art. 18 da CF (“Os Estados podem
ao Congresso Nacional, com parecer prévio do Tribunal de incorporar-se entre si, subdividir-se ou desmembrar-se para
Contas da União. se anexarem a outros, ou formarem novos Estados ou
§ 3º Nos Territórios Federais com mais de cem mil Territórios Federais, mediante aprovação da população
habitantes, além do Governador nomeado na forma desta diretamente interessada, através de plebiscito, e do
Constituição, haverá órgãos judiciários de primeira e Congresso Nacional, por lei complementar”) deve ser
segunda instância, membros do Ministério Público e
entendida como a população tanto da área desmembrada
defensores públicos federais; a lei disporá sobre as
eleições para a Câmara Territorial e sua competência do Estado-membro como a da área remanescente. (...).
deliberativa. Dever-se-ia adotar interpretação sistemática da
Constituição, para se extrair do termo “população
Mesmo em Territórios Federais com menos de 100 mil diretamente interessada” o significado de que, na hipótese
habitantes haverá governador indicado pelo Presidente da de desmembramento, caberia a consulta, mediante
República, cuja posse depende de aprovação pelo Senado plebiscito, a toda população do Estado ou do Município, e
Federal (art. 52, III, “c” e art. 84, XIV). não somente a da área a ser destacada, porquanto isso
fortaleceria os princípios da soberania popular e da
Qualquer Território Federal terá atuação judiciária, do cidadania (...). (STF ADI 2650/DF, rel. Min. Dias Toffoli,
Ministério Público e da Defensoria Pública, porém, como a 24.8.2011).
redação bem indica, a diferença é que, nos Territórios com
mais de cem mil habitantes, esses órgãos e agentes
§ 4º A criação, a incorporação, a fusão e o
públicos estarão atuando no local, sendo que, nos demais,
desmembramento de Municípios far-se-ão por lei estadual,
atuarão a partir do Distrito Federal.
dentro do período determinado por lei complementar
Caso exista Território, o mesmo elegerá deputados federal, e dependerão de consulta prévia, mediante
federais, nos moldes do art. 45, da CF/88, porém não plebiscito, às populações dos Municípios envolvidos, após
elegerá senadores (art. 46). divulgação dos Estudos de Viabilidade Municipal,
apresentados e publicados na forma da lei. (Redação dada
Dispositivos correspondentes: arts. 14 e 15 do ADCT.
pela EC 15, de 1996)
§ 3º Os Estados podem incorporar-se entre si, subdividir-se
São requisitos fundamentais: a) realização e divulgação dos
ou desmembrar-se para se anexarem a outros, ou
Estudos de Viabilidade Municipal, cujos requisitos genéricos
formarem novos Estados ou Territórios Federais, mediante
exigíveis e a forma de divulgação, apresentação e publicação
aprovação da população diretamente interessada através
serão mediante lei federal; b) convocação de plebiscito
de plebiscito, e do Congresso Nacional, por lei
entre as populações dos Municípios envolvidos, pela
complementar.
Assembleia Legislativa do Estado; c) realização do plebiscito
A divisão política-administrativa interna da Federação pela Justiça Eleitoral; d) se aprovado o movimento,
Brasileira não é imutável. oferecimento do projeto de lei ordinária estadual de
criação, na época permitida por lei complementar federal,
São requisitos fundamentais: a) plebiscito (condição prévia, que fixa genericamente o período de criação, incorporação,
essencial e prejudicial), b) propositura do projeto de lei fusão e desmembramento de municípios.
complementar, que deverá ser aprovada pelo Congresso
Nacional. Vale dizer que a EC 57/2008, que acrescentou o art. 96 ao
ADCT, convalidou as situações ocorridas até o dia
População diretamente interessada é toda a população do 31.12.2006, considerando que a lei complementar
Estado ou Estados envolvidos, segundo já decidiu o supracitada não foi promulgada. (O projeto desta lei
Supremo Tribunal Federal. complementar foi recentemente aprovado, mas o processo
A jurisprudência do STF também deixou assentado que não legislativo ainda não foi concluído).
se pode instaurar o processo legislativo referente à lei Art. 96. Ficam convalidados os atos de criação, fusão,
complementar de criação do Estado sem que tenha havido a incorporação e desmembramento de Municípios, cuja lei
aprovação da emancipação por plebiscito homologado pela tenha sido publicada até 31 de dezembro de 2006,
Justiça Eleitoral. Por outro lado, a aprovação da criação do atendidos os requisitos estabelecidos na legislação do
Estado no plebiscito não obriga o Congresso a aprovar a lei respectivo Estado à época de sua criação.
complementar respectiva, já que isso é ato político e
discricionário do Legislativo, a partir de critérios de  Jurisprudência relacionada ao tema:
conveniência e oportunidade. EMENTA. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. LEI N.
Dispositivo correspondente: art. 48, VI, da CF/88. 7.619/00, DO ESTADO DA BAHIA, QUE CRIOU O MUNICÍPIO
DE LUÍS EDUARDO MAGALHÃES. INCONSTITUCIONALIDADE
DE LEI ESTADUAL POSTERIOR À EC 15/96. AUSÊNCIA DE LEI
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COMPLEMENTAR FEDERAL PREVISTA NO TEXTO II - recusar fé aos documentos públicos;


CONSTITUCIONAL. AFRONTA AO DISPOSTO NO ARTIGO 18, §
4º, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. (...). 1. O Município foi Documento público, passado por autoridade pública, tem a
efetivamente criado e assumiu existência de fato, há mais seu favor a presunção de legitimidade, que só pode ser
de seis anos, como ente federativo. 2. Existência de fato do vencida por prova definitiva em contrário, após processo
Município, decorrente da decisão política que importou na regular. Desta forma, a União não pode negar fé a
sua instalação como ente federativo dotado de autonomia. documento expedido por órgão oficial do Distrito Federal,
Situação excepcional consolidada, de caráter institucional, do Estado ou dos Municípios, e, assim, uns em relação aos
político. Hipótese que consubstancia reconhecimento e outros.
acolhimento da força normativa dos fatos. 3. Esta Corte não III - criar distinções entre brasileiros ou preferências entre
pode limitar-se à prática de mero exercício de subsunção. A si.
situação de exceção, situação consolidada – embora ainda
não jurídica – não pode ser desconsiderada. 4. A exceção As distinções entre brasileiros natos e naturalizados e
resulta de omissão do Poder Legislativo, visto que o preferências entre os Entes Federativos (União, Estados-
impedimento de criação, incorporação, fusão e membros, Distrito Federal e Municípios) são matérias
desmembramento de Municípios, desde a promulgação da exclusivamente constitucionais.
Emenda Constitucional 15, em 12 de setembro de 1996,
Princípio da Isonomia Federativa.
devem-se à ausência de lei complementar federal. 5.
Omissão do Congresso Nacional que inviabiliza o que a Dispositivo correspondente: art. 22, § único, da CF/88.
Constituição autoriza: a criação de Município. A não edição
da lei complementar dentro de um prazo razoável BENS PÚBLICOS
consubstancia autêntica violação da ordem constitucional.
(...) No aparente conflito de inconstitucionalidades impor- Art. 20. São bens da União:
se-ia o reconhecimento da existência válida do Município, a I - os que atualmente lhe pertencem e os que lhe vierem a
fim de que se afaste a agressão à federação. 10. O princípio ser atribuídos;
da segurança jurídica prospera em benefício da preservação
do Município. 11. Princípio da continuidade do Estado. 12. Entende-se que o rol não é taxativo.
Julgamento no qual foi considerada a decisão desta Corte no II - as terras devolutas indispensáveis à defesa das
MI 725, quando determinado que o Congresso Nacional, no fronteiras, das fortificações e construções militares, das
prazo de dezoito meses, ao editar a lei complementar vias federais de comunicação e à preservação ambiental,
federal referida no § 4º do artigo 18 da Constituição do definidas em lei;
Brasil, considere, reconhecendo-a, a existência consolidada
do Município de Luís Eduardo Magalhães. Declaração de São bens públicos dominicais, constituem o patrimônio
inconstitucionalidade da lei estadual sem pronúncia de sua disponível, sem destinação específica. As demais terras
nulidade 13. Ação direta julgada procedente para declarar a devolutas pertencem aos Estados, onde estiverem
inconstitucionalidade, mas não pronunciar a nulidade pelo localizadas (art. 26, IV).
prazo de 24 meses, da Lei n. 7.619, de 30 de março de 2000,
do Estado da Bahia. (STF ADI 2.240/BA. Rel. Min. Eros Grau. III - os lagos, rios e quaisquer correntes de água em
DJ 03.08.2007). terrenos de seu domínio ou que banhem mais de um
Estado, sirvam de limites com outros países, ou se
estendam a território estrangeiro ou dele provenham, bem
VEDAÇÕES
como os terrenos marginais e as praias fluviais;
Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal Terrenos marginais são as áreas de terra às margens dos
e aos Municípios: cursos de água, até uma distância de 15 metros, medidos do
ponto médio das enchentes normais dos rios.
I - estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los,
embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou As praias fluviais é a parte dos terrenos marginais lavadas
seus representantes relações de dependência ou aliança, pelas cheias normais desses cursos de água.
ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse
público; IV - as ilhas fluviais e lacustres nas zonas limítrofes com
outros países; as praias marítimas; as ilhas oceânicas e as
O Brasil é um Estado laico, inexistindo religião oficial, como costeiras, excluídas, destas, as que contenham a sede de
já fora destacado anteriormente, entretanto a relação ora Municípios, exceto aquelas áreas afetadas ao serviço
vedada não é absoluta, uma vez que excepcionalmente público e a unidade ambiental federal, e as referidas no
poderá haver aliança para a colaboração de interesse artigo 26, II; (Redação dada pela EC 46, de 2005)
público, na forma da lei.
Primeiramente, as ilhas fluviais e lacustres somente serão
Dispositivos correspondentes: arts. 150, VI, b, 210, § 1º e bens da União se estiverem localizadas no trecho de rio ou
215, § 2º, da CF. lago que faça fronteira entre o Brasil e outro país. As outras

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pertenceram aos Estados-membros onde estiverem X - as cavidades naturais subterrâneas e os sítios


localizadas (art. 26, III). arqueológicos e pré-históricos;
Praias marítimas são as áreas continentais cobertas e
descobertas pelo movimento das marés. XI - as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios.
Ilhas oceânicas são as que estão afastadas da costa e têm As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios estão
ligação com o relevo do continente por profundidade maior definidas no art. 231, § 1º. Os índios, nessas terras, não são
do que 200 metros. Ilhas costeiras são as próximas à costa, e proprietários, são possuidores e detentores de usufruto, de
cuja formação é um prolongamento do relevo submarino da caráter permanente, nos termos do art. 231, § 2º, senão
plataforma continental, estando ligadas ao continente por vejamos:
profundidade de até 200 metros. Estados, Municípios e Art. 231. São reconhecidos aos índios sua organização
terceiros podem ser proprietários de terras tanto nas ilhas social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos
oceânicas quanto nas costeiras, a teor do art. 26, II. originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam,
competindo à União demarcá-las, proteger e fazer
V - os recursos naturais da plataforma continental e da respeitar todos os seus bens.
zona econômica exclusiva; § 1º São terras tradicionalmente ocupadas pelos índios as
por eles habitadas em caráter permanente, as utilizadas
A título de informação, zona contígua é a “... faixa que se
para suas atividades produtivas, as imprescindíveis à
estende das 12 as 24 milhas marítimas, contadas das linhas preservação dos recursos ambientais necessários a seu
de base que servem para medir a largura do mar territorial”. bem-estar e as necessárias a sua reprodução física e
(art. 4º, da Lei 8.617/93), zona econômica exclusiva é a cultural, segundo seus usos, costumes e tradições.
“... faixa que se estende das 12 as 200 milhas marítimas, § 2º As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios
contadas a partir das linhas de base que servem para medir destinam-se a sua posse permanente, cabendo-lhes o
a largura do mar territorial” (art. 6º, da Lei 8.617/93), e usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos
plataforma continental é o “... leito ou subsolo das águas lagos nelas existentes.
marítimas que se estendem além do seu mar territorial, em
 Jurisprudência relacionada ao tema:
toda a extensão do prolongamento natural de seu território
terrestre, até o bordo exterior da margem continental, ou SÚMULA 650, STF. Os incisos I e XI do art. 20 da Constituição
até uma distância de 200 milhas marítimas das linhas de Federal não alcançam terras de aldeamentos extintos, ainda
base, a partir das quais se mede a largura do mar territorial, que ocupadas por indígenas em passado remoto.
nos casos em que o bordo exterior da margem continental
SÚMULA 479, STF. As margens dos rios navegáveis são
não atinja essa distância” (art. 11, da Lei 8.617/93).
domínio público, insuscetíveis de expropriação e, por isso
VI - o mar territorial; mesmo, excluídas de indenização.

Mar territorial é a “... faixa de 12 milhas de largura,


§ 1º E assegurada, nos termos da lei, aos Estados, ao
medidas a partir da linha de baixa-mar do litoral continental
Distrito Federal e aos Municípios, bem como a órgãos da
e insular brasileiro...” (art. 1º, da Lei 8.617/93).
administração direta da União, participação no resultado
VII - os terrenos de marinha e seus acrescidos; da exploração de petróleo ou gás natural, de recursos
hídricos para fins de geração de energia elétrica e de
Terrenos de marinha são as terras marginais ao mar ou à outros recursos minerais no respectivo território,
foz de rios navegáveis, até a distância de 33 metros, plataforma continental, mar territorial ou zona econômica
continente adentro, medidos da linha de preamar médio. exclusiva, ou compensação financeira por essa exploração.
Sua utilização depende de autorização federal, exceto se
área urbana ou urbanizável, caso em que é competência do
§ 2º A faixa de até cento e cinquenta quilômetros de
Município. Os acrescidos são formados por terra conduzida
largura, ao longo das fronteiras terrestres, designada como
e depositada pela caudal dos cursos de água.
faixa de fronteira, é considerada fundamental para defesa
VIII - os potenciais de energia hidráulica; do território nacional, e sua ocupação e utilização serão
reguladas em lei.
São, principalmente, as quedas d’água, mesmo que
localizadas em rios estaduais ou em terras articulares. A faixa de fronteira é de interesse da segurança nacional. É
possível a existência, nela, de propriedades particulares,
IX - os recursos minerais inclusive os do subsolo; mas sempre sujeitas, na sua exploração e manutenção, à
permissão federal.
De sua exploração participam as entidades mencionadas no
§ 1º deste artigo e também o particular dono da terra em  Jurisprudência relacionada ao tema:
que seja descoberta a jazida, conforme consta no art. 176,
EMENTA. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE.
§ 2º da CF, que diz: “É assegurada participação ao
INCISO X DO ART. 7º DA CONSTITUIÇÃO DO ESTADO DO RIO
proprietário do solo nos resultados da lavra, na forma e no
GRANDE DO SUL. BENS DO ESTADO. TERRAS DOS EXTINTOS
valor que dispuser a lei”.
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ALDEAMENTOS INDÍGENAS. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 20, I E XI, DISTRITO FEDERAL - poderes enumerados e remanescentes
22, CAPUT E INCISO I, E 231 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. (art. 32, § 1º).
INTERPRETAÇÃO CONFORME. EXTINÇÃO OCORRIDA ANTES
b) Possibilidade de delegação (art. 22, § único);
DO ADVENTO DA CONSTITUIÇÃO DE 1891. ADI JULGADA
PARCIALMENTE PROCEDENTE. I - A jurisprudência do c) Áreas comuns de atuação administrativa paralela (art.
Supremo Tribunal Federal, por diversas vezes, reconheceu 23);
que as terras dos aldeamentos indígenas que se extinguiram
d) Áreas de atuação legislativa concorrentes (art. 24).
antes da Constituição de 1891, por haverem perdido o
caráter de bens destinados a uso especial, passaram à
COMPETÊNCIA DA UNIÃO
categoria de terras devolutas. II - Uma vez reconhecidos
como terras devolutas, por força do artigo 64 da No artigo que se estuda adiante está a competência
Constituição de 1891, os aldeamentos extintos administrativa exclusiva da União, também chamada de
transferiram-se ao domínio dos Estados. III – ADI julgada competência não legislativa.
procedente em parte, para conferir interpretação conforme
Verifica-se, ainda, a dupla posição da União: como pessoa
à Constituição ao dispositivo impugnado, a fim de que a sua
de direito internacional, representando a República
aplicação fique adstrita aos aldeamentos indígenas extintos
Federativa do Brasil (exemplos: incisos I e II) e como pessoa
antes da edição da primeira Constituição Republicana. (STF
de direito interno (exemplo: inciso VII).
ADI 255/RS - Rel. Min. Ilmar Galvão, Pleno, DJ 24.05.2011)
Art. 21. Compete à União:
Art. 26. Incluem-se entre os bens dos Estados:
I - manter relações com Estados estrangeiros e participar
I - as águas superficiais ou subterrâneas, fluentes, de organizações internacionais;
emergentes e em depósito, ressalvadas, neste caso, na
II - declarar a guerra e celebrar a paz
forma da lei, as decorrentes de obras da União;
III - assegurar a defesa nacional;
II - as áreas, nas ilhas oceânicas e costeiras, que estiverem
no seu domínio, excluídas aquelas sob domínio da União, IV - permitir, nos casos previstos em lei complementar, que
Municípios ou terceiros; forças estrangeiras transitem pelo território nacional ou
nele permaneçam temporariamente;
III - as ilhas fluviais e lacustres não pertencentes à União;
V - decretar o estado de sítio, o estado de defesa e a
IV - as terras devolutas não compreendidas entre as da
intervenção federal;
União.
VI - autorizar e fiscalizar a produção e o comércio de
material bélico;
COMPETÊNCIAS
VII - emitir moeda;
José Afonso da Silva conceitua competência, dizendo:
VIII - administrar as reservas cambiais do País e fiscalizar as
“... faculdade juridicamente atribuída a uma entidade, órgão
operações de natureza financeira, especialmente as de
ou agente do Poder Público para emitir decisões.
crédito, câmbio e capitalização, bem como as de seguros e
Competências são as diversas modalidades de poder de que
de previdência privada;
se servem os órgãos ou entidades estatais para realizar suas
funções”. IX - elaborar e executar planos nacionais e regionais de
ordenação do território e de desenvolvimento econômico
Doutrinariamente, há uma classificação com base no
e social;
princípio da predominância do interesse. Na União
predomina o interesse geral, nos Estados predomina o X - manter o serviço postal e o correio aéreo nacional;
interesse regional, nos Municípios predomina o interesse XI - explorar, diretamente ou mediante autorização,
local e no Distrito Federal predomina o interesse regional e concessão ou permissão, os serviços de telecomunicações,
local. nos termos da lei, que disporá sobre a organização dos
O legislador adotou quatro pontos básicos no regramento serviços, a criação de um órgão regulador e outros
constitucional para dividir as competências administrativas aspectos institucionais; (Redação dada pela EC 8, de 1995)
e legislativas, quais sejam: XII - explorar, diretamente ou mediante autorização,
a) Reserva de campos específicos de competência concessão ou permissão:
administrativa e legislativa a) os serviços de radiodifusão sonora e de sons e imagens;
UNIÃO - poderes enumerados (arts. 21 e 22). (Redação dada pela EC 8, de 1995)

ESTADOS - poderes remanescentes (arts. 25, § 1º). b) os serviços e instalações de energia elétrica e o
aproveitamento energético dos cursos de água, em
MUNICÍPIOS - poderes enumerados (art. 30)

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articulação com os Estados onde se situam os potenciais c) sob regime de permissão, são autorizadas a produção,
hidroenergéticos; (Redação dada pela EC 8, de 1995) comercialização e a utilização de radioisótopos de meia-
c) a navegação aérea, aeroespacial e a infraestrutura vida igual ou inferior a duas horas; (Redação dada pela EC
49, de 2006)
aeroportuária;
d) a responsabilidade civil por danos nucleares independe
d) os serviços de transporte ferroviário e aquaviário entre
da existência de culpa; (Incluída pela EC 49, de 2006)
portos brasileiros e fronteiras nacionais, ou que
transponham os limites de Estado ou Território; XXIV - organizar, manter e executar a inspeção do
trabalho;
e) os serviços de transporte rodoviário interestadual e
internacional de passageiros; XXV - estabelecer as áreas e as condições para o exercício
da atividade de garimpagem, em forma associativa.
f) os portos marítimos, fluviais e lacustres.
No próximo artigo consta a competência legislativa
XIII - organizar e manter o Poder Judiciário, o Ministério
privativa da União, ou seja, matérias sobre as quais
Público do Distrito Federal e dos Territórios e a Defensoria
somente poderá haver lei federal.
Pública dos Territórios; (Redação dada pela EC 69, de 2012)
Entretanto, haverá possibilidade de delegação dessa
XIV - organizar e manter a polícia civil, a polícia militar e o
competência nos termos do § único do mesmo dispositivo.
corpo de bombeiros militar do Distrito Federal, bem como
prestar assistência financeira ao Distrito Federal para a A competência delegatória possui requisitos explícitos, pois
execução de serviços públicos, por meio de fundo próprio; exige lei complementar (requisito formal), “questões
(Redação dada pela EC 19, de 1998) específicas” das matérias relacionadas (requisito material) e
XV - organizar e manter os serviços oficiais de estatística, requisito implícito, subentendido por conta do estabelecido
geografia, geologia e cartografia de âmbito nacional; no inciso III do art. 19, da CF/88, uma vez que é vedada
preferências entre os entes federativos.
XVI - exercer a classificação, para efeito indicativo, de
diversões públicas e de programas de rádio e televisão; Delegação que também será dada ao Distrito Federal,
embora o texto não explicite (art. 32, § 1º).
XVII - conceder anistia;
Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre:
XVIII - planejar e promover a defesa permanente contra as
calamidades públicas, especialmente as secas e as I - direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral,
inundações; agrário, marítimo, aeronáutico, espacial e do trabalho;

XIX - instituir sistema nacional de gerenciamento de II - desapropriação;


recursos hídricos e definir critérios de outorga de direitos III - requisições civis e militares, em caso de iminente
de seu uso; perigo e em tempo de guerra;
XX - instituir diretrizes para o desenvolvimento urbano, IV - água, energia, informática, telecomunicações e
inclusive habitação, saneamento básico e transportes radiodifusão;
urbanos;
V - serviço postal;
XXI - estabelecer princípios e diretrizes para o sistema
nacional de viação; VI - sistema monetário e de medidas, títulos e garantias
dos metais;
XXII - executar os serviços de polícia marítima,
aeroportuária e de fronteiras; (Redação dada pela EC 19, de VII - política de crédito, câmbio, seguros e transferência de
1998) valores;

XXIII - explorar os serviços e instalações nucleares de VIII - comércio exterior e Interestadual;


qualquer natureza e exercer monopólio estatal sobre a IX - diretrizes da política nacional de transportes;
pesquisa, a lavra, o enriquecimento e reprocessamento, a
industrialização e o comércio de minérios nucleares e seus X - regime dos portos, navegação lacustre, fluvial,
derivados, atendidos os seguintes princípios e condições: marítima, aérea e aeroespacial;

a) toda atividade nuclear em território nacional somente XI - trânsito e transporte;


será admitida para fins pacíficos e mediante aprovação do XII - jazidas, minas, outros recursos minerais e metalurgia;
Congresso Nacional;
XIII - nacionalidade, cidadania e naturalização;
b) sob regime de permissão, são autorizadas a
comercialização e a utilização de radioisótopos para a XIV - populações indígenas;
pesquisa e usos médicos, agrícolas e industriais; (Redação XV - emigração e imigração, entrada, extradição e expulsão
dada pela EC 49, de 2006)
de estrangeiros;

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XVI - organização do sistema nacional de emprego e de estabelecimentos industriais, comerciais e de serviços


condições para o exercício de profissões; com sede ou filiais no Estado. Proibição. Matéria
concernente a relações de trabalho. Usurpação de
XVII - organização judiciária, do Ministério Público do competência privativa da União. Ofensa aos arts. 21, XXIV, e
Distrito Federal e dos Territórios e da Defensoria Pública 22, I, da CF. Vício formal caracterizado. Ação julgada
dos Territórios, bem como organização administrativa procedente. Inconstitucionalidade por arrastamento, ou
destes; (Redação dada pela EC 69, de 2012) consequência lógico-jurídica, do decreto regulamentar. É
XVIII - sistema estatístico, sistema cartográfico e de inconstitucional norma do Estado ou do Distrito Federal que
geologia nacionais; disponha sobre proibição de revista íntima em empregados
de estabelecimentos situados no respectivo território. (STF
XIX - sistemas de poupança, captação e garantia da ADI 2.947, Rel. Min. Cezar Peluso, julgamento em 5-5-2010,
poupança popular; Plenário, DJE de 10-9-2010).
XX - sistemas de consórcios e sorteios; EMENTA. Ação direta de inconstitucionalidade. Lei
XXI - normas gerais de organização, efetivos, material 6.457/1993, do Estado da Bahia. 2. Obrigatoriedade de
bélico, garantias, convocação e mobilização das polícias instalação de cinto de segurança em veículos de transporte
militares e corpos de bombeiros militares; coletivo. Matéria relacionada a trânsito e transporte.
Competência exclusiva da União (CF, art. 22, XI). 3.
XXII - competência da policia federal e das polícias
Inexistência de lei complementar para autorizar os Estados a
rodoviária e ferroviária federais;
legislar sobre questão específica, nos termos do art. 22,
XXIII - seguridade social; parágrafo único, da Constituição Federal. 4. Ação direta
julgada procedente.(STF ADI 874, Rel. Min. Gilmar Mendes,
XXIV - diretrizes e bases da educação nacional;
julgamento em 3-2-2011, Plenário, DJE de 28-2-2011).
XXV - registros públicos;
EMENTA. Ação direta. Lei 2.769/2001, do Distrito Federal.
XXVI - atividades nucleares de qualquer natureza; Competência Legislativa. Direito do trabalho. Profissão de
motoboy. Regulamentação. Inadmissibilidade. Regras sobre
XXVII - normas gerais de licitação e contratação, em todas
direito do trabalho, condições do exercício de profissão e
as modalidades, para as administrações públicas diretas,
trânsito. Competências exclusivas da União. Ofensa aos arts.
autárquicas e fundacionais da União, Estados, Distrito
22, incs. I e XVI, e 23, inc. XII, da CF. Ação julgada
Federal e Municípios, obedecido o disposto no art. 37, XXI,
procedente. Precedentes. É inconstitucional a lei distrital ou
e para as empresas públicas e sociedades de economia
estadual que disponha sobre condições do exercício ou
mista nos termos do art. 173, § 1º, III. (Redação dada pela
criação de profissão, sobretudo quando esta diga à
EC 19, de 1998)
segurança de trânsito. (STF ADI 3610/DF, rel. Min. Cezar
XXVIII - defesa territorial, defesa aeroespacial, defesa Peluso, 1º.8.2011)
marítima, defesa civil e mobilização nacional;
EMENTA. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE.
XXIX - propaganda comercial. ARTIGO 2º, §§ 1º E 2º, DA LEI 4.711/92 DO ESTADO DO
ESPÍRITO SANTO. ESTACIONAMENTO DE VEÍCULOS EM
Parágrafo único. Lei complementar poderá autorizar os
ÁREAS PARTICULARES. LEI ESTADUAL QUE LIMITA O VALOR
Estados a legislar sobre questões especificas das matérias
DAS QUANTIAS COBRADAS PELO SEU USO. DIREITO CIVIL.
relacionadas neste artigo.
INVASÃO DE COMPETÊNCIA PRIVATIVA DA UNIÃO. 1.
Lei Complementar 103/2000. Hipótese de inconstitucionalidade formal por invasão de
competência privativa da União para legislar sobre direito
 Jurisprudência relacionada ao tema:
civil (CF, artigo 22, I). 2. Enquanto a União regula o direito de
SÚMULA VINCULANTE 2. É inconstitucional a lei ou ato propriedade e estabelece as regras substantivas de
normativo estadual ou distrital que disponha sobre sistemas intervenção no domínio econômico, os outros níveis de
de consórcios e sorteios, inclusive bingos e loterias. governo apenas exercem o policiamento administrativo do
uso da propriedade e da atividade econômica dos
SÚMULA VINCULANTE 39. Compete privativamente à União
particulares, tendo em vista, sempre, as normas
legislar sobre vencimentos dos membros das polícias civil e
substantivas editadas pela União. Ação julgada procedente.
militar e do corpo de bombeiros militar do Distrito Federal.
(STF ADI 1.918 ES, Rel. Maurício Corrêa, Julgamento
SÚMULA VINCULANTE 46. São da competência legislativa da 23/08/2001, Tribunal Pleno, DJ 01/08/2003)
União a definição dos crimes de responsabilidade e o
EMENTA. (...). Competência normativa. Telefonia. Assinatura
estabelecimento das respectivas normas de processo e
básica mensal. Surge conflitante com a Carta da República
julgamento.
lei local a dispor sobre a impossibilidade de cobrança de
EMENTA. Ação Direta. Lei 2.749, de 23 de junho de 1997, do assinatura básica mensal pelas concessionárias de serviços
Estado do Rio de Janeiro, e Decreto Regulamentar 23.591, de telecomunicações. (ADI 4.369, rel. min. Marco Aurélio, j.
de 13 de outubro de 1997. Revista íntima em funcionários 15-10-2014, P, DJE de 3-11-2014)

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EMENTA. (...). A definição de regras de competência, na coletivo de trabalho. Trata-se de lei estadual que
medida em que estabelece limites e organiza a prestação da consubstancia um exemplo típico de exercício, pelo
atividade jurisdicional pelo Estado, é um dos componentes legislador federado, da figura da competência privativa
básicos do ramo processual da ciência jurídica, cuja delegada. A expressão “que o fixe a maior” contida
competência legislativa foi atribuída, pela CF de 1988, no caput do art. 1º da Lei estadual 5.627/2009 tornou os
privativamente à União (art. 22, I, CF/88). (...) A fixação da valores fixados na lei estadual aplicáveis, inclusive, aos
competência dos juizados especiais cíveis e criminais é trabalhadores com pisos salariais estabelecidos em lei
matéria eminentemente processual, de competência federal, convenção ou acordo coletivo de trabalho inferiores
privativa da União, não se confundindo com matéria a esse. A inclusão da expressão extrapola os limites da
procedimental em matéria processual, essa, sim, de delegação legislativa advinda da LC 103/2000, violando,
competência concorrente dos estados-membros. (STF ADI assim, o art. 22, inciso I e § único, da CF, por invadir a
1.807, rel. min. Dias Toffoli, j. 30-10-2014, P, DJE de 9-2- competência da União para legislar sobre direito do
2015.) trabalho. (STF ADI 4.391, rel. min. Dias Toffoli, j. 2-3-2011,
P, DJE de 20-6-2011)
EMENTA. (...). É formalmente inconstitucional a lei estadual
que cria restrições à comercialização, à estocagem e ao
COMPETÊNCIA DOS ENTES FEDERATIVOS
trânsito de produtos agrícolas importados no Estado, ainda
que tenha por objetivo a proteção da saúde dos O artigo que se segue especifica a competência
consumidores diante do possível uso indevido de administrativa comum dos Entes Federativos, conhecida
agrotóxicos por outros países. A matéria é por paralela ou cumulativa.
predominantemente de comércio exterior e interestadual,
sendo, portanto, de competência privativa da União (CF, art. Art. 23. É competência comum da União, dos Estados, do
22, inciso VIII). (STF ADI 3.813, rel. min. Dias Toffoli, j. 12-2- Distrito Federal e dos Municípios:
2015, P, DJE de 20-4-2015.) I - zelar pela guarda da Constituição, das leis e das
EMENTA. (...). A Lei Distrital 919/1995 tratou de operação instituições democráticas e conservar o patrimônio
de crédito de instituição financeira pública, matéria de público;
competência privativa da União, nos termos dos arts. 21, II - cuidar da saúde e assistência pública, da proteção e
VIII, e 22, VII, da Constituição. A relevância das atividades garantia das pessoas portadoras de deficiência;
desempenhadas pelas instituições financeiras, sejam
públicas ou privadas, demanda a existência de um III - proteger os documentos, as obras e outros bens de
coordenação centralizada das políticas de crédito e de valor histórico, artístico e cultural, os monumentos, as
regulação das operações de financiamento, impedindo os paisagens naturais notáveis e os sítios arqueológicos;
Estados de legislarem livremente acerca das modalidades de
crédito praticadas pelos seus bancos públicos. (STF ADI IV - impedir a evasão, a destruição e a descaracterização de
1.357, rel. min. Roberto Barroso, j. 25-11-2015, P, DJE de 1º- obras de arte e de outros bens de valor histórico, artístico
2-2016) ou cultural;
EMENTA. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. V - proporcionar os meios de acesso à cultura, à educação,
LIMINAR CONCEDIDA AD REFERENDUM DO PLENÁRIO. à ciência, à tecnologia, à pesquisa e à inovação; (Redação
PROXIMIDADE DO RECESSO. IMPOSSIBILIDADE DE dada pela EC 85, de 2015)
SUBMISSÃO AO COLEGIADO. PRESENTES A VI - proteger o meio ambiente e combater a poluição em
VEROSSIMILHANÇA DO DIREITO (FUMUS BONI IURIS) PELA qualquer de suas formas
POSSÍVEL OFENSA À COMPETÊNCIA DA UNIÃO E O PERIGO
DE DANO PELA DEMORA (PERICULUM IN MORA) PELO VII - preservar as florestas, a fauna e a flora;
IMINENTE PREJUÍZO AO ERÁRIO PÚBLICO. LEI ESTADUAL VIII - fomentar a produção agropecuária e organizar o
NÃO PODE AFASTAR A EXIGÊNCIA DE REVALIDAÇÃO DE abastecimento alimentar;
DIPLOMA OBTIDO EM INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR
DOS PAÍSES MEMBROS DO MERCOSUL PARA A CONCESSÃO IX - promover programas de construção de moradias e a
DE BENEFÍCIOS E PROGRESSÕES A SERVIDORES PÚBLICOS. melhoria das condições habitacionais e de saneamento
REFERENDO DA DECISÃO PELO PLENÁRIO. (STF ADI 5.341 básico;
MC, rel. min. Edson Fachin, j. 10/03/2016, Dj 29/03/2016) X - combater as causas da pobreza e os fatores de
EMENTA. (...). A competência legislativa do Estado do Rio de marginalização, promovendo a integração social dos
Janeiro para fixar piso salarial decorre da LC Federal 103, de setores desfavorecidos;
2000, mediante a qual a União, valendo-se do disposto no XI - registrar, acompanhar e fiscalizar as concessões de
art. 22, inciso I e parágrafo único, da Carta Maior, delegou direitos de pesquisa e exploração de recursos hídricos e
aos Estados e ao Distrito Federal a competência para minerais em seus territórios;
instituir piso salarial para os empregados que não tenham
esse mínimo definido em lei federal, convenção ou acordo

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XII - estabelecer e implantar política de educação para a X - criação, funcionamento e processo do juizado de
segurança do trânsito. pequenas causas;
Parágrafo único. Leis complementares fixarão normas para XI - procedimentos em matéria processual;
a cooperação entre a União e os Estados, o Distrito Federal XII - previdência social, proteção e defesa da saúde;
e os Municípios, tendo em vista o equilíbrio do
desenvolvimento e do bem-estar em âmbito nacional. XII - assistência jurídica e defensoria pública;
(Redação dada pela EC 53, de 2006)
XIV - proteção e integração social das pessoas portadoras
Por fim, tem-se a competência legislativa concorrente da de deficiência;
União, Estados-membros e Distrito Federal (vertical, não XV - proteção à infância e à juventude;
cumulativa).
XVI - organização, garantias, direitos e deveres das polícias
A competência da União sobre as matérias deste artigo se civis.
limita ao estabelecimento de normas gerais, possuindo os
Estados-membros e do Distrito Federal competência § 1º No âmbito da legislação concorrente, a competência
legislativa suplementar, em face da verticalidade. da União limitar-se-á a estabelecer normas gerais.

Verifica-se que os Municípios não têm competência § 2º Competência da União para legislar sobre normas
legislativa concorrente, mas podem suplementar (art. 30, II). gerais não exclui a competência suplementar dos Estados.

Os Estados-membros e o Distrito Federal, diante da inércia § 3º Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados
federal para fazer a lei sobre as normas gerais, poderão exercerão a competência legislativa plena, para atender a
exercer a competência plena sobre normas gerias e sobre suas peculiaridades.
seu detalhamento, para uso próprio. § 4º A superveniência de lei federal sobre normas gerais
Caso, posteriormente, o Ente Federal legisle sobre as suspende a eficácia da lei estadual, no que lhe for
normas gerias, para resolver o conflito temporal de normas contrário.
gerais, é possível, contudo, a aplicação concomitante das
normas gerais nacionais, das normas gerais estaduais ou  Jurisprudência relacionada ao tema:
distritais e das normas específicas estaduais e distritais, já EMENTA. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. LEI N.
que a Constituição, claramente, fala em suspensão das 7.844/92, DO ESTADO DE SÃO PAULO. MEIA ENTRADA
normas gerais estaduais ou distritais no que forem ASSEGURADA AOS ESTUDANTES REGULARMENTE
contrárias às nacionais, já que não é possível, juridicamente, MATRICULADOS EM ESTABELECIMENTOS DE ENSINO.
a uma lei nacional ou federal revogar leis estaduais ou INGRESSO EM CASAS DE DIVERSÃO, ESPORTE, CULTURA E
distritais. LAZER. COMPETÊNCIA CONCORRENTE ENTRE A UNIÃO,
Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal ESTADOS-MEMBROS E O DISTRITO FEDERAL PARA LEGISLAR
legislar concorrentemente sobre: SOBRE DIREITO ECONÔMICO. CONSTITUCIONALIDADE.
LIVRE INICIATIVA E ORDEM ECONÔMICA. MERCADO.
I - direito tributário, financeiro, penitenciário, econômico e INTERVENÇÃO DO ESTADO NA ECONOMIA. ARTIGOS 1º, 3º,
urbanístico; 170, 205, 208, 215 e 217, §3º, DA CONSTITUIÇÃO DO
II - orçamento; BRASIL. (...) 4. Se de um lado a Constituição assegura a livre
iniciativa, de outro determina ao Estado a adoção de todas
III - juntas comerciais; as providências tendentes a garantir o efetivo exercício do
IV - custas dos serviços forenses; direito à educação, à cultura e ao desporto [artigos 23,
inciso V, 205, 208, 215 e 217 § 3º, da Constituição]. Na
V - produção e consumo; composição entre esses princípios e regras há de ser
VI - florestas, caça, pesca, fauna, conservação da natureza, preservado o interesse da coletividade, interesse público
defesa, do solo e dos recursos naturais, proteção do meio primário. 5. O direito ao acesso à cultura, ao esporte e ao
ambiente e controle da poluição; lazer, são meios de complementar a formação dos
estudantes. 6. Ação direta de inconstitucionalidade julgada
VII - proteção ao patrimônio histórico, cultural, artístico, improcedente. (STF ADI 1950, Rel. Min. Eros Grau, Plenário,
turístico e paisagístico; DJ de 2-6-2006).
VIII - responsabilidade por dano ao meio ambiente, ao EMENTA. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. LEI
consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético, DISTRITAL 3.694, DE 8 DE NOVEMBRO DE 2005, QUE
histórico, turístico e paisagístico; REGULAMENTA O § 1º DO ART. 235 DA LEI ORGÂNICA DO
IX - educação, cultura, ensino, desporto, ciência, DISTRITO FEDERAL QUANTO À OFERTA DE ENSINO DA
tecnologia, pesquisa, desenvolvimento e inovação; LÍNGUA ESPANHOLA AOS ALUNOS DA REDE PÚBLICA DO
(Redação dada pela EC 85, de 2015) DISTRITO FEDERAL. AUSÊNCIA DE AFRONTA À
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. 1. Competência concorrente

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entre a União, que define as normas gerais e os entes competência legislativa concorrente da União e dos estados-
estaduais e Distrito Federal, que fixam as especificidades, os membros, prevê o art. 24 da Carta de 1988, em seus
modos e meios de cumprir o quanto estabelecido no art. 24, parágrafos, duas situações em que compete ao estado-
inc. IX, da Constituição da República, ou seja, para legislar membro legislar: (a) quando a União não o faz e, assim, o
sobre educação. 2. O art. 22, inc. XXIV, da Constituição da ente federado, ao regulamentar uma das matérias do art.
República enfatiza a competência privativa do legislador 24, não encontra limites na norma federal geral – que é o
nacional para definir as diretrizes e bases da educação caso ora em análise; e (b) quando a União edita norma geral
nacional, deixando as singularidades no âmbito de sobre o tema, a ser observada em todo território nacional,
competência dos Estados e do Distrito Federal. 3. Ação cabendo ao estado a respectiva suplementação, a fim de
direta de inconstitucionalidade julgada improcedente. (STF adequar as prescrições às suas particularidades locais. 4.
ADI 3.669, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 18-6- Não havendo norma geral da União regulando a matéria, os
2007, Plenário, DJ de 29-6-2007). estados-membros estão autorizados a legislar
supletivamente no caso, como o fizeram os Estados do
EMENTA. (...). Nas hipóteses de competência concorrente
Espírito Santo e do Rio de Janeiro, até que sobrevenha
(CF, art. 24), nas quais se estabelece verdadeira situação de
disposição geral por parte da União. 5. Ação direta julgada
condomínio legislativo entre a União Federal e os Estados-
improcedente. (STF ADI 2818, Relator(a): Min. DIAS
membros (Raul Machado Horta, Estudos de Direito
TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 09/05/2013, ACÓRDÃO
Constitucional, p. 366, item 2, 1995, Del Rey), daí resultando
ELETRÔNICO DJe-148 DIVULG 31-07-2013 PUBLIC 01-08-
clara repartição vertical de competências normativas, a
2013).
jurisprudência do STF firmou-se no sentido de entender
incabível a ação direta de inconstitucionalidade, se, para o EMENTA. (...) O Município é competente para legislar sobre
específico efeito de examinar-se a ocorrência, ou não, de meio ambiente com União e Estado, no limite de seu
invasão de competência da União Federal, por parte de interesse local e desde que tal regramento seja e harmônico
qualquer Estado-membro, tornar-se necessário o confronto com a disciplina estabelecida pelos demais entes federados
prévio entre diplomas normativos de caráter (art. 24, VI c/c 30, I e II da CRFB). (STF RE 586.224, rel.
infraconstitucional: a legislação nacional de princípios ou de min. Luiz Fux, j. 5-3-2015, P, DJE de 8-5-2015, com
normas gerais, de um lado (CF, art. 24, § 1º), e as leis repercussão geral.)
estaduais de aplicação e execução das diretrizes fixadas pela
EMENTA. (...) A legislação que disciplina o inquérito policial
União Federal, de outro (CF, art. 24, § 2º). Precedentes. É
não se inclui no âmbito estrito do processo penal, cuja
que, tratando-se de controle normativo abstrato, a
competência é privativa da União (art. 22, I, CF), pois o
inconstitucionalidade há de transparecer de modo imediato,
inquérito é procedimento subsumido nos limites da
derivando, o seu reconhecimento, do confronto direto que
competência legislativa concorrente, a teor do art. 24, XI, da
se faça entre o ato estatal impugnado e o texto da própria
CF de 1988, tal como já decidido reiteradamente pelo STF. O
CR. (...). (STF ADI 2.344-QO, Rel. Min. Celso de Mello,
procedimento do inquérito policial, conforme previsto pelo
julgamento em 23-11-2000, Plenário, DJ de 2-8-2002).
CPP, torna desnecessária a intermediação judicial quando
EMENTA. Ação direta de inconstitucionalidade. Lei 3.874, de ausente a necessidade de adoção de medidas constritivas
24 de junho de 2002, do Estado do Rio de Janeiro, a qual de direitos dos investigados, razão por que projetos de
disciplina a comercialização de produtos por meio de reforma do CPP propõem a remessa direta dos autos ao
vasilhames, recipientes ou embalagens reutilizáveis. Ministério Público. No entanto, apesar de o disposto no
Inconstitucionalidade formal. Inexistência. Competência inciso IV do art. 35 da LC 106/2003 se coadunar com a
concorrente dos estados-membros e do Distrito Federal exigência de maior coerência no ordenamento jurídico, a
para legislar sobre normas de defesa do consumidor. sua inconstitucionalidade formal não está afastada, pois
Improcedência do pedido. 1. A Corte teve oportunidade, na insuscetível de superação com base em avaliações
ADI 2.359/ES, de apreciar a constitucionalidade da Lei pertinentes à preferência do julgador sobre a correção da
5.652/98 do Estado do Espírito Santo, cuja redação é opção feita pelo legislador dentro do espaço que lhe é dado
absolutamente idêntica à da lei ora questionada. Naquela para livre conformação. Assim, o art. 35, IV, da Lei
ocasião, o Plenário julgou improcedente a ação direta de Complementar estadual 106/2003 é inconstitucional ante a
inconstitucionalidade, por entender que o ato normativo se existência de vício formal, pois extrapolada a competência
insere no âmbito de proteção do consumidor, de suplementar delineada no art. 24, § 1º, da CF de 1988. (STF
competência legislativa concorrente da União e dos estados ADI 2.886, rel. p/ o ac. min. Joaquim Barbosa, j. 3-4-2014,
(art. 24, V e VIII, CF/88). 2. As normas em questão não P, DJE de 5-8-2014.)
disciplinam matéria atinente ao direito de marcas e
patentes ou à propriedade intelectual – matéria disciplinada COMPETÊNCIA DOS ESTADOS FEDERADOS
pela Lei federal 9.279 -, limitando-se a normatizar acerca da
proteção dos consumidores no tocante ao uso de Art. 25. Os Estados organizam-se e regem-se pelas
recipientes, vasilhames ou embalagens reutilizáveis, sem Constituições e leis que adotarem, observados os
adentrar na normatização acerca da questão da propriedade princípios desta Constituição.
de marcas e patentes. 3. Ao tempo em que dispõe sobre a

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Há, aqui, a previsão de exercício, pelos Estados, do poder  Jurisprudência relacionada ao tema:
constituinte decorrente, pelo qual eles elaborarão a sua
EMENTA. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. § 2º
própria Constituição, dentro dos limites fixados pela
DO ARTIGO 229 DA CONSTITUIÇÃO DO ESTADO DO
Constituição Federal (art. 11 do ADCT). Os Estados
ESPÍRITO SANTO. TRANSPORTE COLETIVO INTERMUNICIPAL.
federados devem respeitar os princípios sensíveis (art. 36,
TRANSPORTE COLETIVO URBANO. ARTIGO 30, V DA
VII), os princípios extensíveis e os estabelecidos de forma
CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. TRANSPORTE GRATUITO.
explícita ou implícita em todo texto constitucional.
COMPETÊNCIA LEGISLATIVA. POLICIAIS CIVIS. DIREITO
A autonomia estatal caracteriza-se pela capacidade de auto ADQUIRIDO. INEXISTÊNCIA. 1. Os Estados-membros são
organização e normatização própria, autogoverno e competentes para explorar e regulamentar a prestação de
autoadministração. Os Estados-membros se auto organizam serviços de transporte intermunicipal. 2. Servidores
por meio do exercício de seu poder constituinte derivado públicos não têm direito adquirido a regime jurídico.
decorrente (art. 25, caput). O autogoverno evidencia-se pelo Precedentes. 3. A prestação de transporte urbano,
fato do próprio povo do Estado escolher diretamente seu consubstanciando serviço público de interesse local, é
representante nos poderes locais (arts. 27, 28 e 125). E se matéria albergada pela competência legislativa dos
auto administram no exercício de suas competências Municípios, não cabendo aos Estados-membros dispor a seu
administrativas, legislativas e tributárias definidas respeito. 4. Pedido de declaração de inconstitucionalidade
constitucionalmente (art. 25, § 1º ao § 3º). julgado parcialmente procedente. (STF ADI 2349 ES, Rel.
Min. Eros Grau, Julgamento 31/08/2005, Tribunal Pleno, DJ
 Jurisprudência relacionada ao tema:
14/10/2005).
EMENTA. (...) Noutras palavras, não é lícito, senão contrário
EMENTA. (...). Revestem-se de constitucionalidade as Leis
à concepção federativa, jungir os Estados-membros, sob o
5.717/98 e 6.931/2001, do Estado do Espírito Santo, que
título vinculante da regra da simetria, a normas ou
autorizam a utilização, pela polícia militar ou pela polícia
princípios da Constituição da República cuja inaplicabilidade
civil estadual, de veículos apreendidos e não identificados
ou inobservância local não implique contradições teóricas
quanto à procedência e à propriedade, exclusivamente no
incompatíveis com a coerência sistemática do ordenamento
trabalho de repressão penal. Avaliou-se não se tratar de
jurídico, com severos inconvenientes políticos ou graves
matéria correlata a trânsito, mas concernente à
dificuldades práticas de qualquer ordem, nem com outra
administração. Recordou-se que norma do Código de
causa capaz de perturbar o equilíbrio dos poderes ou a
Trânsito Brasileiro permitiria que veículos fossem levados a
unidade nacional. A invocação da regra da simetria não
hasta pública, embora constituísse permissão que nem
pode, em síntese, ser produto de uma decisão arbitrária ou
sempre ocorreria. Destacou-se que as normas disporiam
imotivada do intérprete. (...). (ADI 4.298-MC, voto do Rel.
sobre a regulação no plano estritamente administrativo, na
Min. Cezar Peluso, julgamento em 7-10-2009, Plenário, DJE
esfera de autonomia do estado-membro. (...) (STF ADI 3327,
de 27-11-2009).
Rel. Min. Dias Toffoli, Julgamento 08.08.2013, Tribunal
EMENTA. (...). A Constituição do Brasil, ao conferir aos Pleno).
Estados-membros a capacidade de auto-organização e de
autogoverno – art. 25, caput –, impõe a obrigatória § 2º Cabe aos Estados explorar diretamente, ou mediante
observância de vários princípios, entre os quais o pertinente concessão, os serviços locais de gás canalizado, na forma
ao processo legislativo. O legislador estadual não pode da lei, vedada a edição de medida provisória para a sua
usurpar a iniciativa legislativa do chefe do Executivo, regulamentação. (Redação dada pela EC 5, de 1995)
dispondo sobre as matérias reservadas a essa iniciativa Aqui se encontra a competência exclusiva expressa dos
privativa. Precedentes. (...). (ADI 1.594, Rel. Min. Eros Grau, Estados Federados, além de outras como as previstas nos
julgamento em 4-6-2008, Plenário, DJE de 22-8-2008). arts. 18, § 4º, 25, § 3º e 125). A nova redação imposta a este
EMENTA. (...). Norma que subordina convênios, acordos, parágrafo extinguiu o monopólio estatal sobre os serviços
contratos e atos de Secretários de Estado à aprovação da de distribuição de gás canalizado, que agora podem ser
Assembleia Legislativa: inconstitucionalidade, porque realizados, também, por empresa privada.
ofensiva ao princípio da independência e harmonia dos  Jurisprudência relacionada ao tema:
Poderes. (...). (ADI 676, Rel. Min. Carlos Velloso, julgamento
em 1º-7-1996, Plenário, DJ de 29-11-1996). EMENTA. Ação direta de inconstitucionalidade. Art. 51 e
parágrafos da Constituição do Estado de Santa Catarina.
§ 1º São reservadas aos Estados as competências que não Adoção de medida provisória por Estado-membro.
lhes seja vedadas por está Constituição. Possibilidade. Arts. 62 e 84, XXVI, da CF. EC 32, de 11-9-
2001, que alterou substancialmente a redação do art. 62.
Técnica da competência residual, ou remanescente, para os
Revogação parcial do preceito impugnado por
Estados. Teoria dos poderes remanescentes.
incompatibilidade com o novo texto constitucional.
Dispositivos correspondentes: arts. 22, § único, 23 e 24, da Subsistência do núcleo essencial do comando examinado,
CF. presente em seu caput. Aplicabilidade, nos Estados-
membros, do processo legislativo previsto na CF.
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Inexistência de vedação expressa quanto às medidas VI - manter, com a cooperação técnica e financeira da
provisórias. Necessidade de previsão no texto da Carta União e do Estado, programas de educação infantil e de
estadual e da estrita observância dos princípios e limitações ensino fundamental; (Redação dada pela EC 53, de 2006)
impostas pelo modelo federal. (...). Ação direta cujo pedido
VII - prestar, com a cooperação técnica e financeira da
formulado se julga improcedente. (ADI 2.391, Rel. Min. Ellen
União e do Estado, serviços de atendimento à saúde da
Gracie, julgamento em 16-8-2006, Plenário, DJ de 16-3-
população;
2007).
VIII - promover, no que couber, adequado ordenamento
§ 3º Os Estados poderão, mediante lei complementar, territorial, mediante planejamento e controle do uso, do
instituir regiões metropolitanas, aglomerações urbanas e parcelamento e da ocupação do solo urbano;
microrregiões, constituídas por agrupamentos de
Municípios limítrofes, para integrar a organização, o IX - promover a proteção do patrimônio histórico cultural
planejamento e a execução de funções públicas de local, observada a legislação e a ação fiscalizadora federal
interesse comum. e estadual.

Segundo José Afonso da Silva, “região metropolitana é um Nos incisos I e II estão as competências legislativas dos
conjunto de municípios cujas sedes se unem com certa Municípios e nos demais incisos, as competências
continuidade urbana em torno de um município-polo. administrativas.
Microrregiões formam-se de grupos de municípios limítrofes  Jurisprudência relacionada ao tema:
com certa homogeneidade e problemas administrativos
comuns, cujas sedes não sejam unidas por continuidade SÚMULA VINCULANTE 38. É Competente o Município para
urbana. Aglomerados urbanos carecem de conceituação, fixar o horário de funcionamento de estabelecimento
mas, de logo, se percebe que se trata de áreas urbanas, sem comercial.
um polo de atração urbana, quer tais áreas sejam das SÚMULA 19, STJ. A fixação do horário bancário, para
cidades sedes dos municípios, como na baixada santista (em atendimento ao público, é da competência da União.
São Paulo) ou não”.
SÚMULA VINCULANTE 49. Ofende o princípio da livre
 Jurisprudência relacionada ao tema: concorrência lei municipal que impede a instalação de
EMENTA. (...). Regiões metropolitanas, aglomerações estabelecimentos comerciais do mesmo ramo em
urbanas, microrregiões. CF, art. 25, § 3º. Constituição do determinada área.
Estado do Rio de Janeiro, art. 357, parágrafo único. A
EMENTA. (...). Atendimento ao público e tempo máximo de
instituição de regiões metropolitanas, aglomerações
espera na fila. Matéria que não se confunde com a atinente
urbanas e microrregiões, constituídas por agrupamentos de
às atividades fim das instituições bancárias. Matéria de
Municípios limítrofes, depende, apenas, de lei
interesse local e de proteção ao consumidor. Competência
complementar estadual. (...). (ADI 1.841, Rel. Min. Carlos
legislativa do Município. (...). (RE 432.789, Rel. Min. Eros
Velloso, julgamento em 1º-8-2002, Plenário, DJ de 20-9-
Grau, julgamento em 14-6-2005, Primeira Turma DJ de 7-10-
2002).
2005).
COMPETÊNCIA DOS MUNICÍPIOS EMENTA. CONSTITUCIONAL. MUNICÍPIO. SERVIÇO
FUNERÁRIO. C.F., art. 30, V. I. - Os serviços funerários
Art. 30. Compete aos Municípios: constituem serviços municipais, dado que dizem respeito
I - legislar sobre assuntos de interesse local; com necessidades imediatas do Município. C.F., art. 30, V. II
- Ação direta de inconstitucionalidade julgada procedente.
II - suplementar a legislação federal e a estadual no que (ADI 1221, Relator(a): Min. CARLOS VELLOSO, Tribunal
couber; Pleno, julgado em 09/10/2003, DJ 31-10-2003).
III - instituir e arrecadar os tributos de sua competência, EMENTA. AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE
bem como aplicar suas rendas, sem prejuízo da INSTRUMENTO. SERVIÇOS BANCÁRIOS. MUNICÍPIOS.
obrigatoriedade de prestar contas e publicar balancetes COMPETÊNCIA LEGISLATIVA. Nos termos da jurisprudência
nos prazos fixados em lei; do Supremo Tribunal Federal, os Municípios possuem
IV - criar, organizar e suprimir Distritos, observada a competência para legislar sobre assuntos de interesse local,
legislação estadual; tais como medidas que propiciem segurança, conforto e
rapidez aos usuários de serviços bancários. Precedentes.
V - organizar e prestar, diretamente ou sob regime de Agravo regimental a que se nega provimento. (STF AI
concessão ou permissão, os serviços públicos de interesse 768666 AgR/SP, Rel. Min. ROBERTO BARROSO
local, incluído o de transporte coletivo, que tem caráter Julgamento: 26/11/2013 Órgão Julgador: Primeira Turma,
essencial; DJ 03.02.2014).
EMENTA. (...). Competência do município para legislar em
matéria de segurança em estabelecimentos financeiros.
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Terminais de autoatendimento. (STF ARE 784.981 AgR, rel. § 1º O decreto de intervenção, que especificará a
min. Rosa Weber, j. 17-3-2015, 1ª T, DJE de 7-4-2015) amplitude, o prazo e as condições de execução e que, se
couber, nomeará o interventor, será submetido à
COMPETÊNCIA DO DISTRITO FEDERAL apreciação do Congresso Nacional ou da Assembleia
Legislativa do Estado, no prazo de vinte e quatro horas.
Art. 32. O Distrito Federal, vedada sua divisão em
Municípios, reger-se-ão por lei orgânica, votada em dois § 2º Se não estiver funcionando o Congresso Nacional ou a
turnos com interstício mínimo de dez dias, a aprovada por Assembleia Legislativa, far-se-á convocação extraordinária,
dois terços da Câmara Legislativa, que a promulgará, no mesmo prazo de vinte e quatro horas.
atendidos os princípios estabelecidos nesta Constituição. § 4º Cessados os motivos da intervenção, as autoridades
Entidade Federativa autônoma em virtude da presença de afastadas de seus cargos a estes voltarão, salvo
sua capacidade de auto legislação, auto organização, impedimento legal.
autogoverno e autoadministração (arts. 1º, 18, 32 e 34 da Através do decreto interventivo, que especificará a
CF), ressaltando as restrições previstas nos arts. 21, XIII e amplitude, prazo e condições de execução, o Presidente da
XIV e 22, XVII, inclusive no que tange ao Poder Judiciário e República nomeará (quando necessário) interventor,
Ministério Público, afetando parcialmente sua autonomia. afastando as autoridades envolvidas.
O Distrito Federal não pode ser dividido em municípios, o Nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 36, o Congresso Nacional
que implica dizer que as eventuais subdivisões existentes realizará controle político sobre o decreto de intervenção
serão meramente administrativas. expedido pelo Executivo no prazo de vinte e quatro horas,
§ 1º Ao Distrito Federal são atribuídas as competências devendo ser feita a convocação extraordinária, também no
legislativas reservadas aos Estados e Municípios. prazo de vinte e quatro horas, caso a Casa Legislativa esteja
em recesso parlamentar. Assim, nos termos do art. 49, IV, o
O Distrito Federal acumula as competências dos Estados e Congresso Nacional ou aprovará a intervenção federal ou a
Municípios, mas nem todas as competências estaduais são rejeitará sempre por meio de decreto legislativo,
exercitáveis pelo Distrito Federal, já que há restrições suspendendo a execução do decreto interventivo nesta
quanto à organização Judiciária, do Ministério Público, da última hipótese.
Policia Militar, do Corpo de Bombeiros Militar e da Policia
Na última hipótese, ou seja, em caso de rejeição pelo
Civil (arts. 21, XIII e XIV, 22, XVII e 48, IX).
Congresso Nacional do decreto interventivo, o Presidente da
República deverá cessá-lo imediatamente, sob pena de
INTERVENÇÃO
cometer crime de responsabilidade (art. 85, II - atentado
Os entes federativos são autônomos, no entanto, contra os poderes constitucionais do Estado), passando o
excepcionalmente, a CF estabelece situações de ato a ser inconstitucional.
anormalidade onde haverá intervenção, suprimindo-se,
Ressalte-se, ainda, que durante a intervenção federal, a
temporariamente, a aludida autonomia.
Constituição Federal não poderá ser emendada (art. 60,
As hipóteses por trazerem regras de exceção, devem ser § 1º).
interpretadas restritivamente, consubstanciando-se um rol
Dispositivo correspondente: art. 57, § 6º da CF.
taxativo, numerus clausus.
A regra da intervenção seguirá o seguinte esquema:
A decretação e execução da intervenção federal é de
competência privativa do Presidente da República (art. 84, a) Intervenção federal: União nos Estados, Distrito Federal
X), dando-se de forma espontânea ou provocada. No âmbito (hipóteses do art. 34) e nos Municípios localizados em
estadual, é privativa do Governador. Território Federal (hipótese do art. 35);
Antes de decretar, há previsão da oitiva de dois órgãos de b) Intervenção estadual: Estados em seus Municípios
consulta do Poder Executivo, quais sejam, o Conselho da (art. 35).
Republica (art. 90, I) e o Conselho de Defesa Nacional (art.
91, § 1º, II), sem haver qualquer vinculação do Chefe do INTERVENÇÃO FEDERAL - ESPÉCIES
Executivo aos aludidos pareceres.
Art. 34. A União não intervirá nos Estados nem no Distrito
A decretação materializar-se-á através de decreto Federal, exceto para:
presidencial de intervenção, que especificará a amplitude, o
prazo e as condições de execução, e quando couber, Intervenção espontânea, decretada de ofício pelo
nomeará o interventor. Empós, será submetida ao controle Presidente da República.
político do Poder Legislativo. I - manter a integridade nacional;
Art. 36. (…). II - repelir invasão estrangeira ou de uma unidade da
Federação em outra;

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III - pôr termo a grave comprometimento da ordem e) aplicação do mínimo exigido da receita resultante de
pública; impostos estaduais, compreendida a proveniente de
transferências, na manutenção e desenvolvimento do
V - reorganizar as finanças da unidade da Federação que:
ensino e nas ações e serviços públicos de saúde. (Redação
a) suspender o pagamento da dívida fundada por mais de dada pela EC 29, de 2000)
dois anos consecutivos, salvo motivo de força maior; Art. 34, VI, 1ª parte e VII, combinado com o art. 36, III: para
b) deixar de entregar aos Municípios receitas tributárias prover a execução de lei federal (pressupondo ter havido
fixadas nesta Constituição, dentro dos prazos recusa à execução de lei federal) e assegurar a observância
estabelecidos em lei; dos princípios constitucionais sensíveis, a intervenção
dependerá de provimento, pelo STF, de representação do
Intervenção provocada por solicitação e por requisição. Procurador Geral da República (ADI Interventiva).
Art. 34, IV, combinado com o art. 36, I, 1ª parte: quando a  Jurisprudência relacionada ao tema:
coação ou impedimento recaírem sobre o Poder Legislativo
ou o Poder Executivo, impedindo o livre exercício dos EMENTA. Representação do procurador-geral da República.
aludidos poderes nas unidades da Federação, a decretação Distrito Federal. Alegação da existência de largo esquema de
da intervenção federal, pelo Presidente da República, corrupção. Envolvimento do ex-governador, deputados
dependerá de solicitação do Poder Legislativo ou do Poder distritais e suplentes. Comprometimento das funções
Executivo coacto ou impedido. governamentais no âmbito dos Poderes Executivo e
Legislativo. Fatos graves objeto de inquérito em curso no
Art. 34, IV, combinado com o art. 36, I, 2ª parte: se a coação STJ. Ofensa aos princípios inscritos no art. 34, VII, a, da CF.
for exercida contra o Poder Judiciário, a decretação da (...) Enquanto medida extrema e excepcional, tendente a
intervenção federal dependerá de requisição do Supremo repor Estado de coisas desestruturado por atos atentatórios
Tribunal Federal. à ordem definida por princípios constitucionais de extrema
IV - garantir o livre exercício de qualquer dos Poderes nas relevância, não se decreta intervenção federal quando tal
unidades da Federação; ordem já tenha sido restabelecida por providências eficazes
das autoridades competentes. (STF IF 5179, Rel. Min.
Na hipótese de solicitação pelo Executivo ou Legislativo, o Presidente Cezar Peluso, julgamento em 30-6-2010,
Presidente da República não estará obrigado a intervir, Plenário, DJE de 8-10-2010).
possuindo discricionariedade para convencer-se da
conveniência e oportunidade. Por outro lado, havendo INTERVENÇÃO ESTADUAL - ESPÉCIES
requisição do Judiciário, não sendo o caso de suspensão da
execução do ato impugnado (art. 36, § 3º), o Presidente da Art. 35. O Estado não intervirá em seus Municípios, nem a
República estará vinculado e deverá decretar a intervenção União nos Municípios localizados em Território Federal,
federal. exceto quando:

Intervenção provocada por requisição. I - deixar de ser paga, sem motivo de força maior, por dois
anos consecutivos, a dívida fundada;
VI - prover a execução de lei federal, ordem ou decisão
judicial; II - não forem prestadas contas devidas, na forma da lei;
III - não tiver sido aplicado o mínimo exigido da receita
Art. 34, VI, 2ª parte, combinado com o art. 36, II: no caso de
municipal na manutenção e desenvolvimento do ensino e
desobediência a ordem ou decisão judicial, a decretação
nas ações e serviços públicos de saúde; (Redação dada pela
dependerá de requisição do STF, STJ ou do TSE, de acordo
EC 29, de 2000)
com a matéria.
IV - o Tribunal de Justiça der provimento a representação
Intervenção provocada por Provimento de Representação.
para assegurar a observância de princípios indicados na
VI - prover a execução de lei federal, ordem ou decisão Constituição Estadual, ou para prover a execução de lei, de
judicial; ordem ou de decisão judicial.

VII - assegurar a observância dos seguintes princípios A decretação e execução da intervenção estadual é de
constitucionais: competência privativa do Governador de Estado, através e
decreto de intervenção que especificara a amplitude, o
a) forma republicana, sistema representativo e regime
prazo e as condições da execução e, quando couber,
democrático;
nomeara o interventor.
b) direitos da pessoa humana;
A Constituição estabeleceu a realização de controle político
c) autonomia municipal; a ser exercido pelo Legislativo, devendo o decreto de
intervenção ser submetido à apreciação da Assembleia
d) prestação de contas da administração pública, direta e
Legislativa, no prazo de vinte e quatro horas. Na hipótese de
indireta.

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não estar funcionando, haverá convocação extraordinária, Vale ressaltar que a Lei 12.562/2011 regula a representação
também no prazo de vinte e quatro horas. interventiva.
Como regra geral, o decreto interventivo deverá ser
DISPENSA DA APRECIAÇÃO DO CONTROLE POLÍTICO
apreciado pela Assembleia Legislativa (intervenção
estadual). Excepcionalmente, porém, a CF (art. 36, § 3º) § 3º Nos casos do art. 34, VI e VII, ou do art. 35, IV,
dispensa a aludida apreciação pelo Congresso Nacional, ou dispensada a apreciação pelo Congresso Nacional ou pela
pela Assembleia Legislativa estadual, sendo que o decreto, Assembleia Legislativa, o decreto limitar-se-á a suspender
nestes casos, se limitara a suspender a execução do ato a execução do ato impugnado, se essa medida bastar ao
impugnado, se essa medida bastar ao restabelecimento da restabelecimento da normalidade.
normalidade. A hipótese em que o controle político é
dispensado consta no art. 35, IV o Tribunal de Justiça der Como regra geral o decreto interventivo deverá ser
provimento à representação para assegurar a observância apreciado pelo Congresso Nacional (controle político).
de princípios indicados na Constituição Estadual, ou para Excepcionalmente, a CF (art. 36, § 3º) dispensa a aludida
prover a execução de lei, de ordem ou de decisão judicial. apreciação, sendo que o decreto se limitará a suspender a
execução do ato impugnado se essa medida bastar ao
No entanto, se a suspensão da execução do ato impugnado restabelecimento normalidade. As hipóteses em que o
não for suficiente para o restabelecimento da normal idade, controle político é dispensado são seguintes:
o Governador de Estado decretara a intervenção no
Município, submetendo o decreto interventivo à Assembleia Art. 34, VI. Para prover a execução de lei federal, ordem ou
Legislativa que, estando em recesso, será convocada decisão judicial;
extraordinariamente. Art. 34, VII. Quando houver afronta aos princípios sensíveis
No decreto interventivo que especificará a amplitude, prazo da CF.
e condições de execução, o Governador de Estado nomeará, Art. 35, IV. O Tribunal de Justiça der provimento à
quando necessário, interventor, afastando as autoridades representação para assegurar a observância de princípios
envolvidas. indicados na Constituição Estadual, ou para prover a
Cessados os motivos da intervenção, as autoridades execução de lei, de ordem ou de decisão judicial.
afastadas de seus cargos a estes voltarão, salvo No entanto, nesses casos, se o decreto que suspendeu a
impedimento legal (art. 36, § 4º). execução do ato impugnado não foi suficiente para o
 Jurisprudência relacionada ao tema: restabelecimento da normalidade, o Presidente da
República decretará a intervenção federal, nomeando, se
SÚMULA 637, STF. Não cabe recurso extraordinário contra couber, interventor, devendo submeter o seu ato ao exame
acórdão de Tribunal de Justiça que defere pedido de do Congresso Nacional (controle político) no prazo de 24
intervenção estadual em Município. horas, nos termos do art. 36, § 1º, conforme visto.
EMENTA. (...). Ação direta julgada procedente em relação ___________________________________________________________
aos seguintes preceitos da Constituição sergipana: (...) Art. _____________________________________________________________
23, V e VI: dispõem sobre os casos de intervenção do Estado _____________________________________________________________
no Município. O art. 35 da Constituição do Brasil prevê as _____________________________________________________________
hipóteses de intervenção dos Estados nos Municípios. A _____________________________________________________________
Constituição sergipana acrescentou outras hipóteses. (...). _____________________________________________________________
(ADI 336, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 10-2-2010, _____________________________________________________________
Plenário, DJE de 17-9-2010). _____________________________________________________________
_____________________________________________________________
Art. 36. A decretação da intervenção dependerá: _____________________________________________________________
_____________________________________________________________
I - no caso do art. 34, IV, de solicitação do Poder Legislativo _____________________________________________________________
ou do Poder Executivo coacto ou impedido, ou de _____________________________________________________________
requisição do Supremo Tribunal Federal, se a coação for _____________________________________________________________
exercida contra o Poder Judiciário; _____________________________________________________________
_____________________________________________________________
II - no caso de desobediência a ordem ou decisão judiciária,
_____________________________________________________________
de requisição do Supremo Tribunal Federal, do Superior _____________________________________________________________
Tribunal de Justiça ou do Tribunal Superior Eleitoral; _____________________________________________________________
III de provimento, pelo Supremo Tribunal Federal, de _____________________________________________________________
representação do Procurador-Geral da República, na _____________________________________________________________
_____________________________________________________________
hipótese do art. 34, VII, e no caso de recusa à execução de
_____________________________________________________________
lei federal. (Redação dada pela EC 45, de 2004)
_____________________________________________________________
Correspondência com o art. 129, IV, da CF/88. _____________________________________________________________

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Capítulo 5 Art. 47. Salvo disposição constitucional em contrário, as


deliberações de cada Casa e de suas Comissões serão
Organização dos Poderes tomadas por maioria dos votos, presente a maioria
absoluta de seus membros.
As deliberações da Câmara dos Deputados, do Senado
5.1. PODER LEGISLATIVO
Federal, do Congresso Nacional ou de suas Câmaras serão
CONGRESSO NACIONAL tomadas por maioria simples de votos, quando a própria
ORGANIZAÇÃO E ATRIBUIÇÕES Constituição Federal não impor outro quórum, como os
previstos nos arts. 51, I, 69 e 60, § 2º, da CF/88. O quórum
Art. 44. O Poder Legislativo é exercido pelo Congresso constitucional de maioria simples corresponde a um número
Nacional, que se compõe da Câmara dos Deputados e do variável, pois, dependendo de quantos parlamentares
Senado Federal. estiverem presentes, este número poderá alterar-se.

Parágrafo único. Cada legislatura terá a duração de quatro A Constituição Federal também exige um quórum mínimo
anos. para instalação da sessão, onde deve estar presente a
maioria absoluta dos membros da casa.
O poder Legislativo Federal é bicameral, diferentemente dos
estaduais, distritais e municipais, onde é consagrado o Art. 48. Cabe ao Congresso Nacional, com a sanção do
unicameralismo (arts. 27, 29 e 32, § 3º, da CF/88). Presidente da República, não exigida esta para o
especificado nos arts. 49, 51 e 52, dispor sobre todas as
Art. 45 A Câmara dos Deputados compõe-se de matérias de competência da União, especialmente sobre:
representantes do povo, eleitos, pelo sistema
proporcional, em cada Estado, em cada Território e no I - sistema tributário, arrecadação e distribuição de rendas;
Distrito Federal. II - plano plurianual, diretrizes orçamentárias, orçamento
§ 1º O número total de Deputados, bem como a anual, operações de crédito, dívida pública e emissões de
representação por Estado e pelo Distrito Federal, será curso forçado;
estabelecido por lei complementar, proporcionalmente à III - fixação e modificação do efetivo das Forças Armadas;
população, procedendo-se aos ajustes necessários no ano
anterior às eleições, para que nenhuma daquelas unidades IV - planos e programas nacionais, regionais e setoriais de
da Federação tenha menos de oito ou mais de setenta desenvolvimento;
Deputados. V - limites do território nacional, espaço aéreo e marítimo
§ 2º Cada Território elegerá quatro Deputados. e bens do domínio da União;
VI - incorporação, subdivisão ou desmembramento de
O sistema é proporcional quando a distribuição dos
áreas de Territórios ou Estados, ouvidas as respectivas
mandatos ocorre de maneira que o número de
Assembleias Legislativas;
representantes em cada circunscrição eleitoral seja dividido
em relação com o número de eleitores, de sorte que resulte VII - transferência temporária da sede do Governo Federal;
uma proporção. O Sistema majoritário é aquele em que será
VIII - concessão de anistia;
considerado vencedor o candidato que obtiver maior
número de votos, tendo o texto constitucional optado pelo IX - organização administrativa, judiciária, do Ministério
sistema majoritário puro ou simples (um único turno ou Público e da Defensoria Pública da União e dos Territórios
maioria simples). e organização judiciária e do Ministério Público do Distrito
Federal; (Redação dada pela EC 69, de 2012)
O número de deputados estaduais e distritais está previsto
no art. 27, caput e no art. 32, § 3º, enquanto que o dos X - criação, transformação e extinção de cargos, empregos
vereadores consta no artigo art. 29, IV, todos da CF/88. e funções públicas, observado o que estabelece o art. 84,
VI, b; (Redação dada pela EC 32, de 2001)
Art. 46. O Senado Federal compõe-se de representantes
dos Estados e do Distrito Federal, eleitos segundo o XI - criação e extinção de Ministérios e órgãos da
princípio majoritário. administração pública; (Redação dada pela EC 32, de 2001)
§ 1º Cada Estado e o Distrito Federal elegerão três XII - telecomunicações e radiodifusão;
Senadores, com mandato de oito anos.
XIII - matéria financeira, cambial e monetária, instituições
§ 2º A representação de cada Estado e do Distrito Federal financeiras e suas operações;
será renovada de quatro em quatro anos, alternadamente,
XIV - moeda, seus limites de emissão, e montante da dívida
por um e dois terços.
mobiliaria federal;
§ 3º Cada Senador será eleito com dois suplentes.

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XV - fixação do subsídio dos Ministros do Supremo Tribunal XIV - aprovar iniciativas do Poder Executivo referentes a
Federal, observado o que dispõem os arts. 39, § 4º, 150, II; atividades nucleares;
153, III; e 153, § 2º, I. (Redação dada pela EC 41, de 2003) XV - autorizar referendo e convocar plebiscito;
As atribuições do Congresso Nacional vêm definidas nos XVI - autorizar, em terras indígenas, a exploração e o
arts. 48 e 49 da Constituição Federal, sendo que no art. 48, aproveitamento de recursos hídricos e a pesquisa e lavra
exige-se a sanção presidencial, materializando-se por lei, de riquezas minerais;
enquanto no art. 49, por se tratar de competências
exclusivas do Congresso Nacional, são tratadas somente no XVII - aprovar, previamente, a alienação ou concessão de
âmbito do Poder Legislativo, por meio de Decreto terras públicas com área superior a dois mil e quinhentos
Legislativo, dispensando a sanção do Presidente da hectares.
República. Trata-se de competência administrativa, considerando que
Art. 49. E da competência exclusiva do Congresso Nacional: uma das funções do Congresso Nacional é fiscalizar,
especialmente o Poder Executivo. Dita atribuição concretiza-
I - resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos se por meio de decreto legislativo. Ressalte-se que o
internacionais que acarretem encargos ou compromissos Congresso Nacional também expede resolução, conforme
gravosos ao patrimônio nacional; estabelecido no art. 68, § 2º, da CF/88.
II - autorizar o Presidente da República a declarar guerra, a Os decretos legislativos serão, obrigatoriamente, instruídos,
celebrar a paz, a permitir que forças estrangeiras transitem discutidos e votados em ambas as casas legislativas, no
pelo território nacional ou nele permaneçam sistema bicameral; e, se aprovado, serão promulgados pelo
temporariamente, ressalvados os casos previstos em lei Presidente do Senado Federal, na qualidade de Presidente
complementar; do Congresso Nacional, que determinará sua publicação.
III - autorizar o Presidente e o Vice-Presidente da República O inciso I tem correspondência com o art. 84, VIII,
a se ausentarem do País, quando a ausência exceder a considerando o processo legislativo para a aprovação de
quinze dias; tratados, acordos ou atos internacionais.
IV - aprovar o estado de defesa e a intervenção federal, Vê-se que o subsídio de Deputados Federais e Senadores,
autorizar o estado de sítio, ou suspender qualquer uma Presidente da República, Vice-Presidente e Ministro de
dessas medidas; Estado é estabelecido, nos termos dos incisos VII e VIII, pelo
V - sustar os atos normativos do Poder Executivo que Congresso Nacional, mediante Decreto Legislativo,
exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de enquanto o subsídio dos Ministros do Supremo Tribunal
delegação legislativa; Federal é fixado por lei, conforme o art. 48, XVI, tendo a
iniciativa do próprio STF (art. 96, II, “b”).
VI - mudar temporariamente sua sede;
Importante saber que a remuneração dos Deputados
VII - fixar idêntico subsídio para os Deputados Federais e os Estaduais segue a regra prevista no § 2º do art. 27 da CF/88.
Senadores, observado o que dispõem os arts. 37, XI, 39, No que tange aos Vereadores a regra segue o disposto nos
§ 4º, 150, II, 153, III e 153, § 2º, I; (Redação dada pela EC 19, de incisos VI e VII do art. 29 e dos incisos I ao IV e § 1º do artigo
1998) 29-A, todos da CF/88. O subsídio do Governador, Vice-
VIII - fixar os subsídios do Presidente e do Vice-Presidente Governador e Secretários de Estado, do Prefeito, Vice-
da República e dos Ministros de Estado, observado o que Prefeito e Secretários Municipais serão fixados na forma do
dispõem os arts. 37, XI, 39, § 4º, 150, II, 153, III e 153, arts. 28, § 2º e 29, V, da CF/88, respectivamente.
§ 2º, I; (Redação dada pela EC 19, de 1998)
CÂMARA DOS DEPUTADOS E SENADO FEDERAL
IX - julgar anualmente as contas prestadas pelo Presidente ATRIBUIÇÕES
da República e apreciar os relatórios sobre a execução dos
planos de governo; Art. 51. Compete privativamente à Câmara dos Deputados:
X - fiscalizar e controlar, diretamente, ou por qualquer de I - autorizar, por dois terços de seus membros, a
suas Casas, os atos do Poder Executivo, incluídos os da instauração de processo contra o Presidente e o Vice-
administração indireta; Presidente da República e os Ministros de Estado;
XI - zelar pela preservação de sua competência legislativa II - proceder à tomada de contas do Presidente da
em face da atribuição normativa dos outros Poderes; República, quando não apresentadas ao Congresso
Nacional dentro de sessenta dias após a abertura da sessão
XII - apreciar os atos de concessão e renovação de
legislativa;
concessão de emissoras de rádio e televisão;
III - elaborar seu regimento interno;
XIII - escolher dois terços dos membros do Tribunal de
Contas da União; IV - dispor sobre sua organização, funcionamento, polícia,
criação, transformação ou extinção dos cargos, empregos e
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funções de seus serviços, e a iniciativa de lei para fixação VI - fixar, por proposta do Presidente da República, limites
da respectiva remuneração, observados os parâmetros globais para o montante da dívida consolidada da União,
estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias; (Redação dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios;
dada pela EC 19, de 1998)
VII - dispor sobre limites globais e condições para as
V - eleger membros do Conselho da República, nos termos operações de crédito externo e interno da União, dos
do art. 89, VII. Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, de suas
autarquias e demais entidades controladas pelo Poder
Essas atribuições são materializadas através de resolução,
Público Federal;
que são instruídas, discutidas, votadas, promulgadas e
publicadas na própria casa legislativa. VIII - dispor sobre limites e condições para a concessão de
garantia da União em operações de crédito externo e
No que tange à condição de admissibilidade prevista no
interno;
inciso I, deve ser conjugada com o inciso I, do art. 52 c/c
§ único, da CF. IX - estabelecer limites globais e condições para o
montante da dívida mobiliária dos Estados, do Distrito
Quanto à tomada de contas prevista no inciso II, dito
Federal e dos Municípios;
dispositivo se contextualiza com os arts. 49, IX, 84, XXIV e
71, I, da CF. X - suspender a execução, no todo ou em parte, de lei
declarada inconstitucional por decisão definitiva do
Os incisos III, IV e V, são atribuições internas da Câmara,
Supremo Tribunal Federal;
tendo o Senado Federal as mesmas atribuições (art. 52, XII,
XIII e XIV, da CF) XI - aprovar, por maioria absoluta e por voto secreto, a
exoneração de ofício, do Procurador-Geral da República
A fixação da remuneração dos seus servidores (art. 51, IV)
antes do término de seu mandato;
será estabelecida por lei.
XII - elaborar seu regimento interno;
Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal:
XIII - dispor sobre sua organização, funcionamento, polícia,
I - processar e julgar o Presidente e o Vice-Presidente da criação, transformação ou extinção dos cargos, empregos e
República nos crimes de responsabilidade, bem como os funções de seus serviços, e a iniciativa de lei para fixação
Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do da respectiva remuneração, observados os parâmetros
Exército e da Aeronáutica nos crimes da mesma natureza estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias; (Redação
conexos com aqueles; (Redação dada pela EC 23, de 02/09/99) dada pela EC 19, de 1998)
II - processar e julgar os Ministros do Supremo Tribunal XIV - eleger membros do Conselho da República, nos
Federal, os membros do Conselho Nacional de Justiça e do termos do art. 89, VII;
Conselho Nacional do Ministério Público, o Procurador-
Geral da República e o Advogado-Geral da União nos XV - avaliar periodicamente a funcionalidade do Sistema
crimes de responsabilidade; (Redação dada pela EC 45, de Tributário Nacional, em sua estrutura e seus componentes,
2004) e o desempenho das administrações tributárias da União,
dos Estados e do Distrito Federal e dos Municípios. (Incluído
III - aprovar previamente, por voto secreto, após arguição pela EC 42, de 19.12.2003)
pública, a escolha de:
Parágrafo único. Nos casos previstos nos incisos I e II,
a) Magistrados, nos casos estabelecidos nesta funcionará como Presidente o do Supremo Tribunal
Constituição; Federal, limitando-se a condenação, que somente será
b) Ministros do Tribunal de Contas da União indicados pelo proferida por dois terços dos votos do Senado Federal, à
Presidente da República; perda do cargo, com inabilitação, por oito anos, para o
exercício de função pública, sem prejuízo das demais
c) Governador de Território; sanções judiciais cabíveis.
d) Presidente e diretores do Banco Central; Tais atribuições também se materializam por resolução.
e) Procurador-Geral da República; Os incisos I e II do presente artigo indica as autoridades que
f) titulares de outros cargos que a lei determinar; poderão ser processadas e julgadas por crime de
responsabilidade e o inciso III menciona as autoridades que
IV - aprovar previamente, por voto secreto, após arguição
passarão pela arguição pública antes de serem nomeadas
em sessão secreta, a escolha dos chefes de missão
pelo Presidente da República (art. 84, XIV, da CF/88).
diplomática de caráter permanente;
A função pública mencionada no § único diz respeito a
V - autorizar operações externas de natureza financeira, de decorrente de concurso público, de confiança ou de
interesse da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos mandato eletivo e a sentença condenatória formaliza-se por
Territórios e dos Municípios; resolução.

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Vale dizer que o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) da legislatura, para a posse de seus membros e eleições
julgou parcialmente procedente a Arguição de das respectivas Mesas, para mandato de dois anos, vedada
Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 378, em a recondução para o mesmo cargo na eleição
18.12.2015, que discute a validade de dispositivos da Lei imediatamente subsequente. (Redação dada pela EC 50, de
1.079/1950 que regulamentam o processo de impeachment 2006)
de presidente da República. Com o julgamento, firmou-se o
O órgão administrativo de direção do Congresso Nacional é
entendimento de que a Câmara dos Deputados apenas dá a
sua Mesa, que serão eleitas, na forma do § 4º do art. 57, da
autorização para a abertura do processo de impeachment,
CF/88. Porém, apesar da clareza da norma constitucional, o
cabendo ao Senado fazer juízo inicial de instalação ou não
Congresso Nacional interpretou-a no sentido de somente
do procedimento, quando a votação se dará por maioria
existir vedação à recondução para o mesmo cargo na
simples; a votação para escolha da comissão especial na
eleição subsequente dentro da mesma legislatura; por
Câmara deve ser aberta, sendo ilegítimas as candidaturas
conseguinte, permitiu a recondução imediata, em diversas
avulsas de deputados para sua composição; e o afastamento
legislaturas.
de presidente da República ocorre apenas se o Senado abrir
o processo. Essa vedação não é de preordenação obrigatória aos
Estados Federados.
DAS REUNIÕES
 Jurisprudência relacionada ao tema:
Art. 57. O Congresso Nacional reunir-se-á, anualmente, na EMENTA. (...) Esta Corte, (...), tem entendido, na esteira da
Capital Federal, de 02 de fevereiro a 17 de julho e de 1º de orientação adotada na Representação 1.245 com referência
agosto a 22 de dezembro. (Redação dada pela EC 50, de 2006) ao art. 30, § único, letra “f”, da Emenda Constitucional 1/69,
§ 1º As reuniões marcadas para essas datas serão que o § 4º do art. 57, que veda a recondução dos membros
transferidas para o primeiro dia útil subsequente, quando das Mesas das Casas legislativas federais para os mesmos
recaírem em sábados, domingos ou feriados. cargos na eleição imediatamente subsequente, não é
princípio constitucional de observância obrigatória pelos
§ 2º A sessão legislativa não será interrompida sem a Estados-membros. - Com maior razão, também não é
aprovação do projeto de lei de diretrizes orçamentárias. princípio constitucional de observância obrigatória pelos
Cada legislatura terá a duração de quatro anos, Estados-membros o preceito, contido na primeira parte
compreendendo quatro sessões legislativas ordinárias ou desse mesmo § 4º do art. 57 da atual Carta Magna, que só
oito períodos legislativos. Existem ainda as sessões estabelece que cada uma das Casas do Congresso Nacional
ordinárias (do dia) e as sessões legislativas extraordinárias, se reunirá, em sessões preparatórias, a partir de 1º de
que ocorrem no período de recesso. fevereiro, no primeiro ano da legislatura, para a posse de
seus membros e a eleição das respectivas Mesas, sem nada
§ 3º Além de outros casos previstos nesta Constituição, a aludir - e, portanto, sem estabelecer qualquer proibição a
Câmara dos Deputados e o Senado Federal reunir-se-ão em respeito - à data dessa eleição para o segundo biênio da
sessão conjunta para: legislatura. (...). (STF ADI 2371 MC/ES, Rel. Min. Moreira
Alves, 07/02/2003).
I - inaugurar a sessão legislativa;
II - elaborar o regimento comum e regular a criação de § 5º A Mesa do Congresso Nacional será presidida pelo
serviços comuns às duas Casas; Presidente do Senado Federal, e os demais cargos serão
exercidos, alternadamente, pelos ocupantes de cargos
III - receber o compromisso do Presidente e do Vice- equivalentes na Câmara dos Deputados e no Senado
Presidente da República; Federal.
IV - conhecer do veto e sobre ele deliberar.
§ 6º-A convocação extraordinária do Congresso Nacional
Sessão conjunta difere de sessão unicameral (art. 3º, ADCT). far-se-á: (Redação dada pela EC 50, de 2006)
Na primeira a votação é simultaneamente feita por casa e os
votos são computados separadamente (maioria absoluta da I - pelo Presidente do Senado Federal, em caso de
Câmara = 257 deputados e maioria absoluta do Senado = 41 decretação de estado de defesa ou de intervenção federal,
senadores), e na sessão unicameral a votação é conjunta, ou de pedido de autorização para a decretação de estado de
seja, os votos de senadores e deputados são contados de sítio e para o compromisso e a posse do Presidente e do
forma igual, a atuação é como uma só casa (513 deputados Vice-Presidente da República;
+ 81 senadores = 594 parlamentares, sendo a maioria II - pelo Presidente da República, pelos Presidentes da
absoluta 298 congressistas). Câmara dos Deputados e do Senado Federal ou a
Dispositivo correspondente: art. 66, § 4º, da CF/88. requerimento da maioria dos membros de ambas as Casas,
em caso de urgência ou interesse público relevante, em
§ 4º Cada uma das Casas reunir-se-á em sessões todas as hipóteses deste inciso com a aprovação da
preparatórias, a partir de 1º de fevereiro, no primeiro ano

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maioria absoluta de cada uma das Casas do Congresso Sua criação depende dos seguintes requisitos: requerimento
Nacional. (Redação dada pela EC 50, de 2006) de, pelo menos, um terço dos membros da casa legislativa,
indicação do fato determinado a ser investigado e fixação de
§ 7º Na sessão legislativa extraordinária, o Congresso
um tempo certo para o término da investigação. Podem ser
Nacional somente deliberará sobre a matéria para a qual
criadas separadamente (CPI) ou conjuntamente (CPMI).
foi convocado, ressalvada a hipótese do § 8º, vedado o
pagamento de parcela indenizatória em razão da Segundo a Corte Suprema, por força do pacto federativo, o
convocação. (Redação dada pela EC 50, de 2006) modelo federal de criação e instauração das Comissões
Parlamentares de Inquérito são matérias de extensão
 Jurisprudência relacionada ao tema: obrigatória às Assembleias Legislativas dos Estados.
EMENTA. (...) Por vislumbrar aparente ofensa ao art. 57, § As comissões podem convocar qualquer particular e
7º, da CF – que veda o pagamento de parcela indenizatória autoridade pública, na condição de testemunhas ou como
aos parlamentares em virtude de convocação investigados, embora o poder de condução não possa
extraordinária, norma de reprodução obrigatória pelos alcançar os investigados. Podem também determinar
Estados-membros (CF, art. 27, § 2º), o Plenário deferiu diligências, perícias e exames, bem como requisitar
pedido de medida cautelar em ação direta de informações, podendo ainda determinar busca e apreensão,
inconstitucionalidade, proposta pelo Conselho Federal da desde que não seja no domicílio das pessoas. Além disso,
Ordem dos Advogados do Brasil, para suspender a eficácia podem proceder a quebra dos sigilos fiscal, bancário e
do § 5º do art. 147 do Regimento Interno da Assembleia telefônico do investigado quando for a medida devidamente
Legislativa do Estado de Goiás, aprovado pela Resolução fundamentada e pela decisão da maioria absoluta (princípio
1.218/2007. O dispositivo impugnado prevê o pagamento da colegialidade).
de valores a deputados estaduais pela presença em sessões
extraordinárias. (...). (STF ADI 4587 MC/GO, rel. Min. Ricardo Tais comissões não podem, porque são cláusulas de reserva
Lewandowski, 25.8.2011). do Poder Judiciário, é expedir ordem de prisão, ressalvada a
possibilidade da prisão em flagrante, determinar medidas
§ 8º Havendo medidas provisórias em vigor na data de cautelares de ordem penal e civil, decretar o perdimento de
convocação extraordinária do Congresso Nacional, serão bens e autorizar a interceptação telefônica, além da ordem
elas automaticamente incluídas na pauta da convocação. de busca e apreensão domiciliar.
(Redação dada pela EC 50, de 2006)
A atuação das comissões parlamentares de inquérito
COMISSÕES submete-se ao controle judicial do Poder Judiciário.
 Jurisprudência relacionada ao tema:
Art. 58. O Congresso Nacional e suas Casas terão comissões
permanentes e temporárias constituídas na forma e com EMENTA. (...). 2. A garantia assegurada a um terço dos
as atribuições previstas no respectivo regimento ou no ato membros da Câmara ou do Senado estende-se aos
de que resultar sua criação. membros das assembleias legislativas estaduais – garantia
das minorias. O modelo federal de criação e instauração das
As comissões são órgãos colegiados, criadas com o intuito
comissões parlamentares de inquérito constitui matéria a
de examinar as diversas proposições legislativas
ser compulsoriamente observada pelas casas legislativas
apresentadas e sobre elas emitir parecer para facilitar as
estaduais. 3. A garantia da instalação da CPI independe de
deliberações parlamentares no plenário. Elas podem ser
deliberação plenária, seja da Câmara, do Senado ou da
permanentes, criadas pelo regimento interno ou
Assembleia Legislativa. Precedentes. 4. Não há razão para a
temporárias, constituídas no ato de sua criação.
submissão do requerimento de constituição de CPI a
qualquer órgão da Assembleia Legislativa. Os requisitos
COMISSÕES TEMPORÁRIAS
COMISSÕES PARLAMENTARES DE INQUÉRITO indispensáveis à criação das comissões parlamentares de
inquérito estão dispostos, estritamente, no artigo 58 da
§ 3º As comissões parlamentares de inquérito, que terão CB/88. (...). (STF ADI 3619/SP, rel. Min. Eros Grau,
poderes de investigação próprios das autoridades judiciais, 1º/08/2006).
além de outros previstos nos regimentos das respectivas
EMENTA. (...) 2. O Tribunal já firmou entendimento de que
Casas, serão criadas pela Câmara dos Deputados e pelo
as Comissões Parlamentares de Inquérito são dotadas de
Senado Federal, em conjunto ou separadamente, mediante
poder investigatório, ficando assentado que devem elas, a
requerimento de um terço de seus membros, para a
partir de meros indícios, demonstrar a existência concreta
apuração de fato determinado e por prazo certo, sendo
de causa provável que legitime a quebra do sigilo. (...). (STF
suas conclusões, se for o caso, encaminhadas ao Ministério
MS 24217/DF, rel. Min. Maurício Corrêa, 18/10/2002).
Público, para que promova a responsabilidade civil ou
criminal dos infratores. EMENTA. (...) Trata-se de habeas corpus preventivo, com
pedido de liminar, impetrado em favor de DANIEL VALENTE
É o exercício do controle político-administrativo do Poder DANTAS, contra possíveis constrangimentos decorrentes do
Legislativo para fiscalizar os atos do Poder Público. requerimento Nº 113/08 feitos aos membros da Comissão
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Parlamentar de Inquérito - Escutas Telefônicas Clandestinas judicial. Segredo de justiça. Quebra. Requisição, às
por seu Presidente, Deputado Marcelo Itagiba. Tal operadoras, de cópias das ordens judiciais e dos mandados
requerimento tem por fim a obtenção do depoimento e/ou de interceptação. Inadmissibilidade. Poder que não tem
interrogatório do paciente, na data de 13 de agosto, às 14 caráter instrutório ou de investigação. Competência
horas e 30 minutos, no plenário da Câmara dos deputados, exclusiva do juízo que ordenou o sigilo. Aparência de ofensa
para prestar depoimento sobre os fatos relacionados ao a direito líquido e certo. Comissão Parlamentar de Inquérito
objeto de investigação da referida CPI. (...). As comissões não tem poder jurídico de, mediante requisição, as
parlamentares de inquérito possuem poderes instrutórios operadoras de telefonia, de cópias de decisão nem de
próprios das autoridades judiciais, nos termos do § 3º do mandado judicial de interceptação telefônica, quebrar sigilo
art. 58 da Constituição Federal. Porém, tais poderes devem imposto a processo sujeito a segredo de justiça. Este é
ser exercidos com respeito aos direitos constitucionalmente oponível a Comissão Parlamentar de Inquérito,
garantidos ao paciente: privilégio contra a autoincriminação, representando expressiva limitação aos seus poderes
direito ao silêncio e a comunicar-se com o seu advogado. Do constitucionais (...). (STF MS 27.483 MC/DF, rel. Min. Cezar
exposto, defiro o pedido de liminar, para assegurar ao Peluso, 14/08/2008)
paciente, que não está dispensado da obrigação de
EMENTA. (...). Mandado de segurança contra ato do
comparecer perante a CPI das Escutas Telefônicas
Presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito destinada
Clandestinas: a) o direito de ser assistido por seu advogado
a investigar o avanço e a impunidade do narcotráfico. 2.
e de comunicar-se com este durante a sua inquirição, bem
Apreensão de documentos e equipamentos sem
como o acesso aos documentos nos quais haja referência ao
fundamentação em locais invioláveis. 3. Parecer da
paciente; b) o direito de exercer o seu direito ao silêncio,
Procuradoria-Geral da República pela concessão da ordem.
incluído o privilégio contra a autoincriminação (art. 5º, LXIII),
4. O fato da autorização judicial para a perícia dos
excluída a possibilidade de ser submetido a qualquer
equipamentos, oriunda de autoridade judiciária de primeiro
medida privativa de liberdade ou restritiva de direitos em
grau, após a apreensão, sem mandado judicial, não legitima
razão do exercício de tais prerrogativas processuais. Em
os resultados da perícia que se tenha realizado ou em curso.
razão de o paciente ostentar a condição de réu em ações
5. Mandado de segurança que se defere para determinar a
penais acerca dos crimes cuja apuração constitui objeto da
devolução dos bens e documentos apreendidos,
CPI das Escutas Telefônicas Clandestinas, ressalto que ele
declarando-se ineficaz eventual prova decorrente dessa
não pode ser obrigado a assinar termo ou firmar
apreensão com infração do art. 5º, XI, da Lei Maior. (MS
compromisso na condição de testemunha, em relação aos
23642, Relator(a): Min. NÉRI DA SILVEIRA, Tribunal Pleno,
respectivos fatos. (...). (STF HC 95.718/DF, Rel. Min. Joaquim
julgado em 29/11/2000, DJ 09-03-2001 PP-00103 EMENT
Barbosa, DJ 18.08.2008)
VOL-02022-01 PP-00123)
EMENTA. (...). O princípio da colegialidade traduz diretriz de
EMENTA. (...). HABEAS-CORPUS. COMISSÃO PARLAMENTAR
fundamental importância na regência das deliberações
DE INQUÉRITO. CONVOCAÇÃO DE MAGISTRADO PARA
tomadas por qualquer CPI, notadamente quando esta, no
PRESTAR DEPOIMENTO EM FACE DE DECISÕES JUDICIAIS.
desempenho de sua competência investigatória, ordena a
CONSTRANGIMENTO ILEGAL CARACTERIZADO. 1. Configura
adoção de medidas restritivas de direitos, como aquelas que
constrangimento ilegal, com evidente ofensa ao princípio da
importam na revelação (disclosure) das operações
separação dos Poderes, a convocação de magistrado a fim
financeiras ativas e passivas de qualquer pessoa. A
de que preste depoimento em razão de decisões de
legitimidade do ato de quebra do sigilo bancário, além de
conteúdo jurisdicional atinentes ao fato investigado pela
supor a plena adequação de tal medida ao que prescreve a
Comissão Parlamentar de Inquérito. (...). (STF HC 80539/PA.
Constituição, deriva da necessidade de a providência em
Rel. Min. MAURÍCIO CORRÊA DJ 01-08-2003)
causa respeitar, quanto à sua adoção e efetivação, o
princípio da colegialidade, sob pena de essa deliberação EMENTA. (...). Ao Supremo Federal compete exercer,
reputar-se nula. (...). (STF MS 24.817, Rel. Min. Celso de originariamente, o controle jurisdicional sobre atos de CPI
Mello, Plenário, DJ de 6-11-2009) que envolvam ilegalidade ou ofensa a direito individual,
dado que a ele compete processar e julgar habeas corpus e
EMENTA. (...). Poderes de CPI estadual: ainda que seja
mandado de segurança contra atos das Mesas da Câmara
omissa a Lei Complementar 105/2001, podem essas
dos Deputados e do Senado Federal, art. 102, I, i, da CF, e a
comissões estaduais requerer quebra de sigilo de dados
CPI procede como se fora a Câmara dos Deputados ou o
bancários, com base no art. 58, § 3º, da Constituição. (...).
Senado Federal ou o Congresso Nacional. Construção
(STF ACO 730/RJ, rel. Min. Joaquim Barbosa, 11/11/2005).
constitucional consagrada, MS 1.959, de 1953 e HC 92.678,
EMENTA. (...). Comissão Parlamentar de Inquérito. Não se de 1953. (...). (STF HC 71.039, Rel. Min. Paulo Brossard,
inscreve, em seu poder de investigar (Constituição, art. 58, § Plenário, DJ 6-12-1996)
3o), a decretação da indisponibilidade de bens. (...). (STF MS
23.471, rel. Min. Octávio Gallotti, 10/08/2000).
EMENTA. (...). 2. COMISSÃO PARLAMENTAR DE INQUÉRITO - COMISSÕES REPRESENTATIVAS
CPI. Prova. Interceptação telefônica. Decisão judicial. Sigilo PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE PARTIDÁRIA

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§ 4º Durante o recesso, haverá uma Comissão ausência sem justificação adequada. (Redação dada pela
representativa do Congresso Nacional, eleita por suas ECR 2, de 1994)
§ 2º As Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado
Casas na última sessão ordinária do período legislativo,
Federal poderão encaminhar pedidos escritos de
com atribuições definidas no regimento comum, cuja informações a Ministros de Estado ou a qualquer das
composição reproduzirá, quanto possível, a pessoas referidas no caput deste artigo, importando em
proporcionalidade da representação partidária. crime de responsabilidade a recusa, ou o não-atendimento,
no prazo de trinta dias, bem como a prestação de
Comissão Representativa do Congresso Nacional, que informações falsas. (Redação dada pela ECR 2, de 1994)
funcionará durante o recesso parlamentar, também é uma
comissão temporária e deve obedecer, quanto possível, o
PARLAMENTARES. IMUNIDADES
princípio da proporcionalidade da representação partidária.
IMUNIDADE MATERIAL (INVIOLABILIDADE)
O princípio da proporcionalidade da representação
partidária deve ser observado na composição das comissões Art. 53. Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e
e das mesas nos termos do § 1º, do art. 58, ex vi: penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e
votos. (Redação dada pela EC 35, de 2001)
Art. 58. (...).
§ 1º Na constituição das Mesas e de cada Comissão, é São garantias funcionais, normalmente divididas em
assegurada, tanto quanto possível, a representação material e formal, onde a imunidade material
proporcional dos partidos ou dos blocos parlamentares que (inviolabilidade) acarretará a irresponsabilidade da conduta,
participam da respectiva Casa. enquanto a imunidade formal poderá obstar o livre
desenvolvimento do processo.
COMISSÕES PERMANENTES OU TEMÁTICAS
A imunidade material só protege o congressista nos atos,
§ 2º Às comissões, em razão da matéria de sua palavras, opiniões e votos proferidos no exercício de ofício
competência, cabe: congressual. Dita garantia se estende para fora do recinto
do Congresso Nacional se o representante do Poder
I - discutir e votar projeto de lei que dispensar, na forma do Legislativo estiver no desempenho das suas funções. A
regimento, a competência do Plenário, salvo se houver imunidade material é aquela que garante ao parlamentar a
recurso de um décimo dos membros da Casa; não responsabilização nas esferas penal, civil, disciplinar ou
II - realizar audiências públicas com entidades da sociedade política por suas opiniões, votos e palavras. A imunidade
civil; material é extensiva aos Deputados Estaduais (art. 27, § 1º,
da CF/88). Com relação aos Vereadores, esta imunidade
III - convocar Ministros de Estado para prestar esta restrita aos limites do município no qual exerce seu
informações, sobre assuntos inerentes a suas atribuições; mandato (art. 29, VIII, da CF/88).
IV - receber petições, reclamações, representações ou A jurisprudência do STF assegura que os discursos
queixas de qualquer pessoa contra atos ou omissões das proferidos das tribunas das Casas Legislativas estão
autoridades ou entidades públicas; amparados pela cláusula constitucional da imunidade
V - solicitar depoimento de qualquer autoridade ou parlamentar em sentido material. A garantia prevista no
cidadão; art. 53 da Constituição Federal representa um instrumento
para viabilizar o exercício independente do mandato,
VI - apreciar programas de obras, planos nacionais, impedindo a responsabilização criminal e civil do membro
regionais e setoriais de desenvolvimento e sobre eles do Congresso Nacional em decorrência de palavras, opiniões
emitir parecer. e votos, notadamente nas hipóteses em que suas
São as comissões permanentes, temáticas, que podem manifestações tenham sido proferidas da própria Tribuna da
inclusive quebrar a “cláusula de reserva do plenário”, Casa Legislativa. Dita imunidade parlamentar também
quando nos termos do inciso I, for dispensada a abrange as entrevistas jornalísticas, a transmissão do
competência do plenário. conteúdo de pronunciamentos para a imprensa ou de
relatórios produzidos nas Casas Legislativas e as declarações
Vale lembrar a importante comissão mista do orçamento, feitas aos meios de comunicação social, desde que
permanente, cujas finalidades estão previstas no art. 166, vinculadas ao desempenho do mandato, pois qualificam-se
§ 6º, da CF/88, comissão responsável pelo controle como natural projeção do exercício das atividades
financeiro-orçamentário, prevista no art. 72, da CF/88. parlamentares. Entretanto, se o membro do Poder
Legislativo, ainda que amparado pela imunidade
Art. 50. A Câmara dos Deputados e o Senado Federal, ou
parlamentar material, incidir em abuso de tal prerrogativa,
qualquer de suas Comissões, poderão convocar Ministro de
Estado ou quaisquer titulares de órgãos diretamente poderá expor-se à jurisdição censória da própria Casa
subordinados à Presidência da República para prestarem, legislativa a que pertence.
pessoalmente, informações sobre assunto previamente A imunidade formal ou relativa prevista nos §§ 2º a 5º é
determinado, importando crime de responsabilidade a
concedida apenas a Deputados Federais e Estaduais e

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Senadores. Compreende duas vertentes, quais sejam: a A imunidade formal quanto à prisão abrange a prisão civil e
prisão e o processo de parlamentares. penal, salvo na hipótese de flagrante de crime inafiançável
(art. 53, § 2º, da CF). A imunidade relativa não abarca a
 Jurisprudência relacionada ao tema:
proibição de execução de pena privativa de liberdade
EMENTA. PENAL. DENÚNCIA E QUEIXA-CRIME. INCITAÇÃO imposta ao membro do Congresso Nacional após o devido
AO CRIME, INJÚRIA E CALÚNIA. TRANSAÇÃO PENAL. NÃO processo legal.
OFERECIMENTO. MANIFESTAÇÃO DE DESINTERESSE PELO
Recentemente, o Plenário do Supremo Tribunal Federal
ACUSADO. IMUNIDADE PARLAMENTAR. INCIDÊNCIA
decidiu que o Poder Judiciário tem competência para impor
QUANTO ÀS PALAVRAS PROFERIDAS NO RECINTO DA
a parlamentares as medidas cautelares do artigo 319 do
CÂMARA DOS DEPUTADOS. ENTREVISTA. AUSENTE
Código de Processo Penal (CPP). Apenas no caso da
CONEXÃO COM O DESEMPENHO DA FUNÇÃO LEGISLATIVA.
imposição de medida que dificulte ou impeça, direta ou
INAPLICABILIDADE DO ART. 53 DA CONSTITUIÇÃO
indiretamente, o exercício regular do mandato, a decisão
FEDERAL. PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS DO ART. 41
judicial deve ser remetida, em 24 horas, à respectiva Casa
DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL QUANTO AOS DELITOS
Legislativa para deliberação (ADI nº 5526).
DE INCITAÇÃO AO CRIME E DE INJÚRIA. RECEBIMENTO DA
DENÚNCIA E REJEIÇÃO PARCIAL DA QUEIXA-CRIME,  Jurisprudência relacionada ao tema:
QUANTO AO CRIME DE CALÚNIA. 1. (...). 9. In casu, (i) o
EMENTA. (...).O Poder Judiciário é competente para impor,
parlamentar é acusado de incitação ao crime de estupro, ao
aos parlamentares, as medidas cautelares previstas no art.
afirmar que não estupraria uma Deputada Federal porque
319 do CPP. Contudo, caso qualquer dessas medidas
ela “não merece”; (ii) o emprego do vocábulo “merece”, no
impossibilite o exercício da função legislativa, deverá o STF,
sentido e contexto presentes no caso sub judice, teve por
órgão competente para o processamento e julgamento de
fim conferir a este gravíssimo delito, que é o estupro, o
membros do Congresso Nacional, encaminhar a sua decisão,
atributo de um prêmio, um favor, uma benesse à mulher,
em 24 horas, à Câmara dos Deputados ou ao Senado
revelando interpretação de que o homem estaria em
Federal para que a respectiva Casa delibere se a medida
posição de avaliar qual mulher “poderia” ou “mereceria” ser
cautelar imposta deve ou não ser mantida. Aplicação
estuprada. (...). 13. In casu, (i) a entrevista concedida a
analógica da regra do §2º do art. 53 da CF/88 também para
veículo de imprensa não atrai a imunidade parlamentar,
as medidas cautelares diversas da prisão. (STF. Plenário. ADI
porquanto as manifestações se revelam estranhas ao
5526/DF, rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min.
exercício do mandato legislativo, ao afirmar que “não
Alexandre de Moraes, julgado em 11/10/2017).
estupraria” Deputada Federal porque ela “não merece”; (ii)
o fato de o parlamentar estar em seu gabinete no momento IMUNIDADE FORMAL
em que concedeu a entrevista é fato meramente acidental, EM RELAÇÃO À SUSPENSÃO DO PROCESSO
já que não foi ali que se tornaram públicas as ofensas, mas
§ 3º Recebida a denúncia contra o Senador ou Deputado,
sim através da imprensa e da internet; (iii) a campanha “#eu
por crime ocorrido após a diplomação, o Supremo Tribunal
não mereço ser estuprada”, iniciada na internet em seguida
Federal dará ciência à Casa respectiva, que, por iniciativa
à divulgação das declarações do Acusado, pretendeu expor
de partido político nela representado e pelo voto da
o que se considerou uma ofensa grave contra as mulheres
maioria de seus membros, poderá, até a decisão final,
do país, distinguindo-se da conduta narrada na denúncia,
sustar o andamento da ação. (Redação dada pela EC 35, de
em que o vocábulo “merece” foi empregado em aparente
2001)
desprezo à dignidade sexual da mulher. (...). 22. Ex positis, à
luz dos requisitos do art. 41 do Código de Processo Penal, § 4º O pedido de sustação será apreciado pela Casa
recebo a denúncia pela prática, em tese, de incitação ao respectiva no prazo improrrogável de quarenta e cinco dias
crime; e recebo parcialmente a queixa-crime, apenas do seu recebimento pela Mesa Diretora. (Redação dada pela
quanto ao delito de injúria. Rejeito a Queixa-Crime quanto à EC 35, de 2001)
imputação do crime de calúnia. (STF. 1ª Turma. Inq 3932/DF § 5º A sustação do processo suspende a prescrição,
e Pet 5243/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgados em 21/6/2016). enquanto durar o mandato. (Redação dada pela EC 35, de
2001)
IMUNIDADE FORMAL EM RELAÇÃO À PRISÃO
PROVISÓRIA Quanto à suspensão do processo, estabelecida no art. 53,
em seu § 3º, da CF/88, o Órgão de Cúpula do Poder
§ 2º Desde a expedição do diploma, os membros do Judiciário brasileiro recebe a denúncia por crime ocorrido
Congresso Nacional não poderão ser presos, salvo em após a diplomação e dá ciência à respectiva Casa Legislativa
flagrante de crime inafiançável. Nesse caso, os autos serão que, por iniciativa de partido político nela representado,
remetidos dentro de vinte e quatro horas à Casa poderá, pelo voto da maioria de seus membros, até a
respectiva, para que, pelo voto da maioria de seus decisão final, sustar o andamento da ação. Havendo a
membros, resolva sobre a prisão. (Redação dada pela EC 35, sustação do processo, haverá a consequente suspensão do
de 2001) lapso prescricional, enquanto durar o mandato, segundo o
§ 5º do mencionado dispositivo legal. O prazo de

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deliberação do pedido de sustação é de 45 dias, EMENTA. Questão de Ordem em Inquérito. 1. (...) 2.


improrrogáveis. Apuração do envolvimento do parlamentar quanto à
ocorrência das supostas práticas delituosas sob investigação
PARLAMENTARES na denominada “Operação Sanguessuga”. 3. (...) 4.
PRERROGATIVA DE FORO Considerações doutrinárias e jurisprudenciais acerca do
tema da instauração de inquéritos em geral e dos inquéritos
§ 1º Os Deputados e Senadores, desde a expedição do
originários de competência do STF: i) a jurisprudência do STF
diploma, serão submetidos a julgamento perante o
é pacífica no sentido de que, nos inquéritos policiais em
Supremo Tribunal Federal. (Redação dada pela EC 35, de 2001)
geral, não cabe a juiz ou a Tribunal investigar, de ofício, o
Com a diplomação, os possuidores de mandato no Poder titular de prerrogativa de foro; ii) qualquer pessoa que, na
Legislativo Federal, passam a ser processados e julgados condição exclusiva de cidadão, apresente “notitia criminis”,
perante o Supremo Tribunal Federal, nos crimes comuns, diretamente a este Tribunal é parte manifestamente
consubstanciando a prerrogativa de foro, que só permanece ilegítima para a formulação de pedido de recebimento de
com o parlamentar enquanto durar o exercício de seu denúncia para a apuração de crimes de ação penal pública
mandato. O crime comum, em consonância com incondicionada. Precedentes (...). iii) diferenças entre a
entendimento do Supremo Tribunal Federal, abrange todas regra geral, o inquérito policial disciplinado no Código de
as modalidades de infrações penais, inclusive crimes contra Processo Penal e o inquérito originário de competência do
a vida e as contravenções penais, assim como crimes STF regido pelo art. 102, I, b, da CF e pelo RI/STF. (...). Se a
eleitorais. A prerrogativa de foro prevalece na hipótese do Constituição estabelece que os agentes políticos
parlamentar vir a ocupar algum Ministério do Poder respondem, por crime comum, perante o STF (CF, art. 102, I,
Executivo, ou outro cargo público que não seja incompatível b), não há razão constitucional plausível para que as
com o seu mandato, não subsistindo, assim, neste caso, atividades diretamente relacionadas à supervisão judicial
nem a imunidade formal, nem a imunidade material. (abertura de procedimento investigatório) sejam retiradas
do controle judicial do STF. A iniciativa do procedimento
 Jurisprudência relacionada ao tema: investigatório deve ser confiada ao MPF contando com a
SÚMULA 451, STF. A competência especial por prerrogativa supervisão do Ministro-Relator do STF. 5. A Polícia Federal
de função não se estende ao crime cometido após a não está autorizada a abrir de ofício inquérito policial para
cessação definitiva do exercício funcional. apurar a conduta de parlamentares federais ou do próprio
Presidente da República (no caso do STF). No exercício de
SÚMULA 704, STF. Não viola as garantias do juiz natural, da competência penal originária do STF (CF, art. 102, I, b c/c Lei
ampla defesa e do devido processo legal a atração por 8.038/1990, art. 2º e RI/STF, arts. 230 a 234), a atividade de
continência ou conexão do processo do corréu ao foro por supervisão judicial deve ser constitucionalmente
prerrogativa de função de um dos denunciados. desempenhada durante toda a tramitação das investigações
EMENTA. (...) I. - O fato de um dos corréus ser Deputado desde a abertura dos procedimentos investigatórios até o
Federal não impede o desmembramento do feito com base eventual oferecimento, ou não, de denúncia pelo dominus
no art. 80 do Código de Processo Penal. II. - A possibilidade litis. 6. Questão de ordem resolvida no sentido de anular o
de separação dos processos quando conveniente à instrução ato formal de indiciamento promovido pela autoridade
penal é aplicável também em relação ao crime de quadrilha policial em face do parlamentar investigado. (STF Inq 2.411
ou bando (art. 288 do Código Penal). (...). QO/MT, rel. Min. Gilmar Mendes, 10/10/2007).
EMENTA. AÇÃO PENAL. QUESTÕES DE ORDEM. CRIME OUTRAS IMUNIDADES
DOLOSO CONTRA A VIDA IMPUTADO A PARLAMENTAR
FEDERAL. COMPETÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL § 6º Os Deputados e Senadores não serão obrigados a
VERSUS COMPETÊNCIA DO TRIBUNAL DO JÚRI. NORMA testemunhar sobre informações recebidas ou prestadas
CONSTITUCIONAL ESPECIAL. PREVALÊNCIA. RENÚNCIA AO em razão do exercício do mandato, nem sobre as pessoas
MANDATO. ABUSO DE DIREITO. NÃO RECONHECIMENTO. que lhes confiaram ou deles receberam informações.
EXTINÇÃO DA COMPETÊNCIA DO STF PARA JULGAMENTO. (Redação dada pela EC 35, de 2001)
REMESSA DOS AUTOS AO JUÍZO DE PRIMEIRO GRAU. 1. O
§ 7º A incorporação às Forças Armadas de Deputados e
réu, na qualidade de detentor do mandato de parlamentar
Senadores, embora militares e ainda que em tempo de
federal, detém prerrogativa de foro perante o Supremo
guerra, dependerá de prévia licença da Casa respectiva.
Tribunal Federal, onde deve ser julgado pela imputação da (Redação dada pela EC 35, de 2001)
prática de crime doloso contra a vida. (...). 3. A renúncia do
réu produz plenos efeitos no plano processual, o que implica § 8º As imunidades de Deputados ou Senadores subsistirão
a declinação da competência do Supremo Tribunal Federal durante o estado de sítio, só podendo ser suspensas
para o juízo criminal de primeiro grau. (...). 4. Autos mediante o voto de dois terços dos membros da Casa
encaminhados ao juízo atualmente competente. (STF AP respectiva, nos casos de atos praticados fora do recinto do
333/PB, rel. Min. Joaquim Barbosa, Tribunal Pleno, DJ Congresso Nacional, que sejam incompatíveis com a
11/04/2008). execução da medida. (Redação dada pela EC 35, de 2001)

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As regras sobre inviolabilidade, imunidades, remuneração, III - que deixar de comparecer, em cada sessão legislativa,
perda de mandado, licença, impedimentos e incorporação à Terça parte das sessões ordinárias da Casa a que
às forças armadas previstas nos arts. 53 a 56, da CF/88, pertencer, salvo licença ou missão por esta autorizada;
serão aplicadas aos parlamentares estaduais (art. 27, § 1º,
IV - que perder ou tiver suspensos os direitos políticos;
da CF) e distritais (art. 32, § 3º, da CF/88).
V - quando o decretar a Justiça Eleitoral, nos casos
Quanto aos vereadores, além da imunidade material, ou
previstos nesta Constituição;
inviolabilidade, prevista no art. 29, VIII, da CF, possuem as
mesmas regras de proibições e incompatibilidades similares, VI - que sofrer condenação criminal em sentença
nos termos do inciso IX do art. 29, da CF. Não possuindo as transitada em julgado.
imunidades formais e nem a prerrogativa de foro.
§ 1º É incompatível com o decoro parlamentar, além dos
casos definidos no regimento interno, o abuso das
PROIBIÇÕES
PERDA DO MANDATO. CASSAÇÃO. EXTINÇÃO
prerrogativas asseguradas a membro do Congresso
Nacional ou a percepção de vantagens indevidas.
Art. 54. Os Deputados e Senadores não poderão: § 2º Nos casos dos incisos I, II e VI, a perda do mandato
I - desde a expedição do diploma; será decidida pela Câmara dos Deputados ou pelo Senado
Federal, maioria absoluta, mediante provocação da
a) firmar ou manter contrato com pessoa jurídica de direito
respectiva Mesa ou de partido político representado no
público, autarquia, empresa pública, sociedade de
Congresso Nacional, assegurada ampla defesa. (Alterado
economia mista ou empresa concessionária de serviço pela ECR 76, de 2013)
público, salvo quando o contrato obedecer a cláusulas
uniformes; § 3º Nos casos previstos nos incisos III a V, a perda será
declarada pela Mesa da Casa respectiva, de ofício ou
b) aceitar ou exercer cargo, função ou emprego mediante provocação de qualquer de seus membros, ou de
remunerado, inclusive os de que sejam demissíveis “ad partido político representado no Congresso Nacional,
nutum”, nas entidades constantes da alínea anterior; assegurada ampla defesa.
II - desde a posse: § 4º A renúncia de parlamentar submetido a processo que
a) ser proprietários, controladores ou diretores de empresa vise ou possa levar à perda do mandato, nos termos deste
que goze de favor decorrente de contrato com pessoa artigo, terá seus efeitos suspensos até as deliberações
jurídica de direito público, ou nela exercer função finais de que tratam os §§ 2º e 3º. (Incluído pela ECR 6, de
remunerada; 1994)

b) ocupar cargo ou função de que sejam demissíveis “ad O art. 55 da Constituição Federal estabelece as hipóteses
nutum”, nas entidades referidas no inciso I, “a”; em que, excepcionalmente, os parlamentares perderão o
mandato, antes do término do mesmo.
c) patrocinar causa em que seja interessada qualquer das
entidades a que se refere o inciso I, “a”; O “decoro parlamentar” deve ser entendido como o
conjunto de regras legais e morais que devem reger a
d) ser titulares de mais de um cargo ou mandato público conduta dos parlamentares, no sentido de dignificação da
eletivo. nobre atividade legislativa.
A Constituição Federal prevê como forma de garantia da Nos casos de infringência das incompatibilidades, falta de
independência do Poder Legislativo, algumas vedações aos decoro parlamentar e condenação criminal em sentença
parlamentares, conhecidas como incompatibilidades. transitada em julgado, a perda do mandato será decidida
As incompatibilidades podem ser classificadas em funcionais pela Câmara dos Deputados ou pelo Senado Federal
(art. 54, I, “b” e II, “b”, da CF/88), negociais ou contratuais (cassação do mandato eletivo).
(art. 54, I, “a”, da CF/88), políticas (art. 54, II, “c”, da CF/88) Quando houver ausência à terça parte das sessões
e profissionais (art. 54, II, “a” e II, “c”, da CF/88). ordinárias da respectiva Casa ou privação dos direitos
Existem termos iniciais diferentes para a incidência das políticos, a perda será declarada pela Mesa da Casa
incompatibilidades, algumas a partir do momento da respectiva (extinção do mandato eletivo).
diplomação, outras a partir da posse.  Jurisprudência relacionada ao tema:
Art. 55. Perderá o mandato o Deputado ou Senador: EMENTA. (...). III. Suspensão de direitos políticos pela
I - que infringir qualquer das proibições estabelecidas no condenação criminal transitada em julgado (CF, art. 15, III):
artigo anterior; interpretação radical do preceito dada pelo STF (RE 179502),
a cuja revisão as circunstâncias do caso não animam
II - cujo procedimento for declarado incompatível com o (condenação por homicídio qualificado a pena a ser
decoro parlamentar; cumprida em regime inicial fechado). IV. Suspensão de
direitos políticos pela condenação criminal: direito
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intertemporal. À incidência da regra do art. 15, III, da (CF, art. 87, parágrafo único, incisos I, II, III e IV), uma vez
Constituição, sobre os condenados na sua vigência, não que a Constituição prevê modalidade específica de
cabe opor a circunstância de ser o fato criminoso anterior à responsabilização política para os membros do Poder
promulgação dela a fim de invocar a garantia da Executivo (CF, arts. 85, 86 e 102, I, c). 5. Na hipótese dos
irretroatividade da lei penal mais severa: cuidando-se de autos, contudo, embora afastado do exercício do mandato
norma originária da Constituição, obviamente não lhe são parlamentar, o Impetrante foi acusado de haver usado de
oponíveis as limitações materiais que nela se impuseram ao sua influência para levantar fundos junto a bancos “com a
poder de reforma constitucional. Da suspensão de direitos finalidade de pagar parlamentares para que, na Câmara dos
políticos - efeito da condenação criminal transitada em Deputados, votassem projetos em favor do Governo”
julgado - ressalvada a hipótese excepcional do art. 55, § 2º, (Representação 38/2005, formulada pelo PTB). (...). (STF MS
da Constituição - resulta por si mesma a perda do mandato 25.576 MC/DF, rel. Sepúlveda Pertence, 24/08/2007).
eletivo ou do cargo do agente político. (...). (STF RE
EMENTA. (...). O suplente, em sua posição de substituto
418.876/MT, rel. Min. Sepúlveda Pertence, 04/06/2004).
eventual de membro do Congresso Nacional, não goza -
enquanto permanecer nessa condição - das prerrogativas
Art. 56. Não perderá o mandato o Deputado ou Senador: constitucionais deferidas ao titular do mandato legislativo,
I - investido no cargo de Ministro de Estado, Governador tanto quanto não se lhe estendem as incompatibilidades,
de Território, Secretário de Estado, do Distrito Federal, de que, previstas na Carta Política, incidem, unicamente, sobre
Território, de Prefeitura de Capital ou chefe de missão aqueles que estão no desempenho do ofício parlamentar. -
diplomática temporária; A Constituição da República não atribui, ao suplente de
Deputado Federal ou de Senador, a prerrogativa de foro,
II - licenciado pela respectiva Casa por motivo de doença, ratione muneris, perante o Supremo Tribunal Federal, pelo
ou para tratar, sem remuneração, de interesse particular, fato de o suplente - enquanto ostentar essa específica
desde que, neste caso, o afastamento não ultrapasse cento condição - não pertencer a qualquer das Casas que
e vinte dias por sessão legislativa. compõem o Congresso Nacional. (...). (STF Inq. 1.684/PR, rel.
§ 1º O suplente será convocado nos casos de vaga, de Min. Celso de Mello, 18/12/2001).
investidura em funções previstas neste artigo ou de licença EMENTA. MANDADO DE SEGURANÇA PREVENTIVO.
superior a cento e vinte dias. CONSTITUCIONAL. SUPLENTES DE DEPUTADO FEDERAL.
§ 2º Ocorrendo vaga e não havendo suplente, far-se-á ORDEM DE SUBSTITUIÇÃO FIXADA SEGUNDO A ORDEM DA
eleição para preenchê-la de faltarem mais de quinze meses COLIGAÇÃO. REJEIÇÃO DAS PRELIMINARES DE
para o término do mandato. ILEGITIMIDADE ATIVA E DE PERDA DO OBJETO DA AÇÃO.
AUSÊNCIA DE DIREITO LÍQUIDO E CERTO. SEGURANÇA
§ 3º Na hipótese do inciso I, o Deputado ou Senador
DENEGADA. 1. (...). 6. O quociente partidário para o
poderá optar pela remuneração do mandato. preenchimento de cargos vagos é definido em função da
 Jurisprudência relacionada ao tema: coligação, contemplando seus candidatos mais votados,
independentemente dos partidos aos quais são filiados.
EMENTA. (...) 3. O membro do Congresso Nacional que se Regra que deve ser mantida para a convocação dos
licencia do mandato para investir-se no cargo de Ministro de suplentes, pois eles, como os eleitos, formam lista única de
Estado não perde os laços que o unem, organicamente, ao votações nominais que, em ordem decrescente, representa
Parlamento (CF, art. 56, I). Consequentemente, continua a a vontade do eleitorado. 7. A sistemática estabelecida no
subsistir em seu favor a garantia constitucional da ordenamento jurídico eleitoral para o preenchimento dos
prerrogativa de foro em matéria penal (INQ-QO 777-3/TO, cargos disputados no sistema de eleições proporcionais é
rel. min. Moreira Alves, DJ 01.10.1993), bem como a declarada no momento da diplomação, quando são
faculdade de optar pela remuneração do mandato (CF, art. ordenados os candidatos eleitos e a ordem de sucessão
56, § 3º). Da mesma forma, ainda que licenciado, cumpre- pelos candidatos suplentes. A mudança dessa ordem atenta
lhe guardar estrita observância às vedações e contra o ato jurídico perfeito e desvirtua o sentido e a razão
incompatibilidades inerentes ao estatuto constitucional do de ser das coligações. 8. Ao se coligarem, os partidos
congressista, assim como às exigências ético-jurídicas que a políticos aquiescem com a possibilidade de distribuição e
Constituição (CF, art. 55, § 1º) e os regimentos internos das rodízio no exercício do poder buscado em conjunto no
casas legislativas estabelecem como elementos processo eleitoral. 9. Segurança denegada. (STF MS
caracterizadores do decoro parlamentar. 4. Não obstante, o 30.260/DF, Rel. Min. Cármem Lúcia, Tribunal Pleno, DJ
princípio da separação e independência dos poderes e os 29.08.2011).
mecanismos de interferência recíproca que lhe são
inerentes impedem, em princípio, que a Câmara a que
pertença o parlamentar o submeta, quando licenciado nas
condições supramencionadas, a processo de perda do
mandato, em virtude de atos por ele praticados que tenham
estrita vinculação com a função exercida no Poder Executivo

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PODER LEGISLATIVO NO ÂMBITO ESTADUAL, O Legislativo Municipal consta no art. 29, da CF, que diz:
DISTRITAL E MUNICIPAL
Art. 29. O Município reger-se-á por lei orgânica, votada em
No âmbito do Estado, o Poder Legislativo está dois turnos, com o interstício mínimo de dez dias, e
regulamentado no art. 27, da CF, que diz: aprovada por dois terços dos membros da Câmara
Municipal, que a promulgará, atendidos os princípios
Art. 27. O número de Deputados à Assembleia Legislativa estabelecidos nesta Constituição, na Constituição do
corresponderá ao triplo da representação do Estado na respectivo Estado e os seguintes preceitos:
Câmara dos Deputados e, atingindo o número de trinta e
seis, será, acrescido, de tantos quantos forem os Deputados O Município é dotado de autonomia política, administrativa
Federais acima de doze. e financeira, que o leva a exercer quatro capacidades: a) de
§1º Será de quatro anos o mandato dos Deputados
auto organização, mediante o poder elaborar a sua lei
Estaduais, aplicando-se lhes as regras desta Constituição
sobre sistema eleitoral, inviolabilidade, imunidades, orgânica, respeitados os princípios das Constituições Federal
remuneração, perda de mandato, licença, impedimentos e e Estadual; b) de autogoverno, pela eletividade de Prefeito e
incorporação às Forças Armadas. Vereadores, sendo sabido que o Município não dispõe de
§2º O subsidio dos Deputados Estaduais será fixado por lei Judiciário, tornando-se um ente federativo atípico ou
de Iniciativa da Assembleia Legislativa, na razão de no anômalo; c) normativa, de elaboração das leis de que
máximo, setenta e cinco por cento daquele estabelecido, necessite, nos termos do art. 30, I e II; d) de
em espécie, para os Deputados Federais, observado o que autoadministração, para manter e prestar os serviços de
dispõem os arts. 39, § 4º, 57, § 7º, 150, II, 153, III, e 153, § interesse local.
20, I. (Redação dada pela EC 19, de 1998)
Art. 29. (...)
Em regra, o que se fixa aos parlamentares federais, é I - eleição do Prefeito, do Vice-Prefeito e dos Vereadores,
aplicável aos parlamentares estaduais. para mandato de quatro anos, mediante o pleito direto e
simultâneo realizado em todo o País;
No que tange ao número de membros, deve-se obedecer as
(...)
seguintes regras:
IV - para a composição das Câmaras Municipais, será
Regra 1: observado o limite máximo de:
Dep. Est. = 3 X Dep. Fed. (de 8 até 12 deputados federais). a) 9 (nove) Vereadores, nos Municípios de até 15.000
Regra 2: (quinze mil) habitantes;
Dep. Est. = 36 + Dep. Fed. - 12 (a partir dos 13 deputados b) 11 (onze) Vereadores, nos Municípios de mais de 15.000
federais até 70 deputados federais). (quinze mil) habitantes e de até 30.000 (trinta mil)
habitantes;
Diferentemente dos federais, não há prerrogativa de foro c) 13 (treze) Vereadores, nos Municípios com mais de
para Deputados Estaduais estabelecida pela Constituição 30.000 (trinta mil) habitantes e de até 50.000 (cinquenta
Federal, entretanto a Constituição Estadual poderá prevê a mil) habitantes;
competência do Tribunal de Justiça local para julgá-los. d) 15 (quinze) Vereadores, nos Municípios de mais de
O subsídio dos deputados estaduais será alterável por lei. 50.000 (cinquenta mil) habitantes e de até 80.000 (oitenta
mil) habitantes;
Esse pagamento aos deputados estaduais será composto de
verba única, sem qualquer tipo de adicional, gratificação, e) 17 (dezessete) Vereadores, nos Municípios de mais de
80.000 (oitenta mil) habitantes e de até 120.000 (cento e
abonos ou verbas especiais (conforme o art. 39, § 4º). Não
vinte mil) habitantes;
haverá pagamento de verba indenizatória em razão de
f) 19 (dezenove) Vereadores, nos Municípios de mais de
convocação extraordinária (art. 57, § 7º). Esses subsídios
120.000 (cento e vinte mil) habitantes e de até 160.000
continuam sendo descontados de imposto de renda (arts.
(cento sessenta mil) habitantes;
150 e 153).
g) 21 (vinte e um) Vereadores, nos Municípios de mais de
No que tange ao Distrito Federal, o Poder Legislativo segue 160.000 (cento e sessenta mil) habitantes e de até 300.000
as mesmas regras dos Estados-membros, conforme se vê no (trezentos mil) habitantes;
art. 32, § 3º: h) 23 (vinte e três) Vereadores, nos Municípios de mais de
300.000 (trezentos mil) habitantes e de até 450.000
Art. 32. O Distrito Federal, vedada sua divisão em (quatrocentos e cinquenta mil) habitantes;
Municípios, reger-se-ão por lei orgânica, votada em dois i) 25 (vinte e cinco) Vereadores, nos Municípios de mais de
turnos com interstício mínimo de dez dias, a aprovada por 450.000 (quatrocentos e cinquenta mil) habitantes e de até
dois terços da Câmara Legislativa, que a promulgará, 600.000 (seiscentos mil) habitantes;
atendidos os princípios estabelecidos nesta Constituição.
j) 27 (vinte e sete) Vereadores, nos Municípios de mais de
(...)
600.000 (seiscentos mil) habitantes e de até 750.000
§3º Aos Deputados Distritais e à Câmara Legislativa
(setecentos cinquenta mil) habitantes;
aplica-se o disposto no art. 27.
k) 29 (vinte e nove) Vereadores, nos Municípios de mais de
750.000 (setecentos e cinquenta mil) habitantes e de até
900.000 (novecentos mil) habitantes;

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l) 31 (trinta e um) Vereadores, nos Municípios de mais de corresponderá a quarenta por cento do subsídio dos
900.000 (novecentos mil) habitantes e de até 1.050.000 Deputados Estaduais; (Incluído pela EC 25, de 2000)
(um milhão e cinquenta mil) habitantes; d) em Municípios de cem mil e um a trezentos mil
m) 33 (trinta e três) Vereadores, nos Municípios de mais de habitantes, o subsidio máximo dos Vereadores
1.050.000 (um milhão e cinquenta mil) habitantes e de até corresponderá a cinquenta por cento do subsídio dos
1.200.000 (um milhão e duzentos mil) habitantes; Deputados Estaduais; (Incluído pela EC 25, de 2000)
n) 35 (trinta e cinco) Vereadores, nos Municípios de mais de e) em Municípios de trezentos mil e um a quinhentos mil
1.200.000 (um milhão e duzentos mil) habitantes e de até habitantes’ o subsídio máximo dos Vereadores
1.350.000 (um milhão e trezentos e cinquenta mil) corresponderá a sessenta por cento do subsídio dos
habitantes; Deputados Estaduais; (Incluído pela EC 25, de 2000)
o) 37 (trinta e sete) Vereadores, nos Municípios de f) em Municípios de mais de quinhentos mil habitantes, o
1.350.000 (um milhão e trezentos e cinquenta mil) subsídio máximo dos Vereadores corresponderá a setenta e
habitantes e de até 1.500.000 (um milhão e quinhentos mil) cinco por cento do subsidio dos Deputados Estaduais;
habitantes; (Incluído pela EC 25, de 2000)
p) 39 (trinta e nove) Vereadores, nos Municípios de mais de
Não há possibilidade de alteração de subsídios na mesma
1.500.000 (um milhão e quinhentos mil) habitantes e de até
1.800.000 (um milhão e oitocentos mil) habitantes; legislatura.
q) 41 (quarenta e um) Vereadores, nos Municípios de mais Nas alíneas, o limite geral de 75% dos subsídios dos
de 1.800.000 (um milhão e oitocentos mil) habitantes e de Deputados Estaduais passa a ser escalonado de acordo com
até 2.400.000 (dois milhões e quatrocentos mil) habitantes; a população do Município, iniciando em 20% daqueles
r) 43 (quarenta e três) Vereadores, nos Municípios de mais subsídios, para Municípios de até 10.000 habitantes.
de 2.400.000 (dois milhões e quatrocentos mil) habitantes e
de até 3.000.000 (três milhões) de habitantes; Art. 29. (...)
s) 45 (quarenta e cinco) Vereadores, nos Municípios de mais VII - o total da despesa com a remuneração dos Vereadores
de 3.000.000 (três milhões) de habitantes e de até não poderá ultrapassar o montante de cinco por cento da
4.000.000 (quatro milhões) de habitantes; receita do Município; (Incluído pela EC 1, de 1992)
VIII - inviolabilidade dos Vereadores por suas opiniões,
t) 47 (quarenta e sete) Vereadores, nos Municípios de mais
palavras e votos no exercício do mandato e na circunscrição
de 4.000.000 (quatro milhões) de habitantes e de até
do Município;
5.000.000 (cinco milhões) de habitantes;
u) 49 (quarenta e nove) Vereadores, nos Municípios de mais O vereador não dispõe de imunidades formais, ou freedon
de 5.000.000 (cinco milhões) de habitantes e de até from arrest, quais sejam: a proteção contra prisão criminal
6.000.000 (seis milhões) de habitantes;
ou civil e contra processo criminal, assegurada aos
v) 51 (cinquenta e um) Vereadores, nos Municípios de mais legisladores federais pelo art. 53, §§ 2º ao 5º e aos
de 6.000.000 (seis milhões) de habitantes e de até
legisladores estaduais pelo art. 27, §1º. É beneficiado
7.000.000 (sete milhões) de habitantes;
apenas pela imunidade material, prevista no art. 53, caput,
w) 53 (cinquenta e três) Vereadores, nos Municípios de ou freedon of speech. Não há também previsão de
mais de 7.000.000 (sete milhões) de habitantes e de até
prerrogativa de foro.
8.000.000 (oito milhões) de habitantes; e
x) 55 (cinquenta e cinco) Vereadores, nos Municípios de  Jurisprudência relacionada ao tema:
mais de 8.000.000 (oito milhões) de habitantes; (Redação
EMENTA. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE.
alterada pela Emenda Constitucional nº 58, de 2009).
CONSTITUÇÃO DO ESTADO DE SERGIPE, ARTIGO 13, INCISO XVII,
(...) QUE ASSEGURA AOS VEREADORES A PRERROGATIVA DE NÃO
VI - o subsídio dos Vereadores será fixado pelas respectivas SEREM PRESOS, SALVO EM FLAGRANTE DE CRIME INAFIANÇÁVEL,
Câmaras Municipais em cada legislatura para a NEM PROCESSADOS CRIMINALMENTE SEM A DEVIDA
subsequente, observado o que dispõe esta Constituição, AUTORIZAÇÃO DA RESPECTIVA CÂMARA LEGISLATIVA, COM
observados os critérios estabelecidos na respectiva Lei SUSPENSÃO DA PRESCRIÇÃO ENQUANTO DURAR O MANDATO.
Orgânica e os seguintes limites máximos: COMPETÊNCIA DA UNIÃO PARA LEGISLAR SOBRE DIREITO PENAL E
(Incluído pela EC 25, de 2000) PROCESSUAL PENAL. 1. O Estado-membro não tem competência
para estabelecer regras de imunidade formal e material aplicáveis
a) em Municípios de até dez mil habitantes, o subsídio a Vereadores. A Constituição Federal reserva à União legislar sobre
máximo dos Vereadores corresponderá a vinte por cento do Direito Penal e Processual Penal. 2. As garantias que integram o
subsídio dos Deputados Estaduais; universo dos membros do Congresso Nacional (CF, art. 53, §§ 1º,
(Incluído pela EC 25, de 2000) 2º, 5º e 7º), não se comunicam aos componentes do Poder
b) em Municípios de dez mil e um a cinquenta mil Legislativo dos Municípios. Precedentes. Ação direta de
habitantes, o subsídio máximo dos Vereadores inconstitucionalidade procedente para declarar inconstitucional a
corresponderá a trinta por cento do subsídio dos Deputados expressão contida na segunda parte do inciso XVII do art. 13 da
Estaduais; (Incluído pela EC 25, de 2000) Constituição do Estado de Sergipe. (...). (ADI 371/SE, rel. Min.
Maurício Corrêa, 23/04/2004).
c) em Municípios de cinquenta mil e um a cem mil
habitantes, o subsídio máximo dos Vereadores

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Art. 29. (...) normativas previstas no art. 59 (atos normativos primários


ou leis em sentido formal).
IX - proibições e incompatibilidades, no exercício da
vereança, similares, no que couber, ao disposto nesta As regras básicas de processo legislativo previstas na
Constituição para os membros do Congresso Nacional e na Constituição Federal impõem-se, enquanto padrão
Constituição do respectivo Estado para os membros da
normativo, de compulsório atendimento, à observância
Assembleia Legislativa;
incondicional dos Estados-Membros, como modelos
Art. 29-A. O total da despesa do Poder Legislativo obrigatórios às Constituições Estaduais (princípio da
Municipal, incluídos os subsídios dos Vereadores e simetria constitucional).
excluídos os gastos com inativos, não poderá ultrapassar os
seguintes percentuais, relativos ao somatório da receita Apesar de existe uma minoria doutrinária que defende a
tributária e das transferências previstas no § 5o do art. 153 hierarquia das leis complementares em relação às leis
e nos arts. 158 e 159, efetivamente realizado no exercício ordinárias, o Supremo Tribunal Federal chancelou seu
anterior: (Incluído pela EC 25, de 2000) entendimento em sentido contrário, aduzindo que a
I - 7% (sete por cento) para Municípios com população de questão esta relacionada à distribuição de matéria
até 100.000 (cem mil) habitantes; (Redação dada pela EC legislativa.
58, de 2009)
Só poderá ser objeto de lei complementar a matéria
II - 6% (seis por cento) para Municípios com população taxativamente prevista na Constituição Federal, enquanto
entre 100.000 (cem mil) e 300.000 (trezentos mil) todas as demais matérias deverão ser objeto de lei
habitantes; (Redação dada pela EC 58, de 2009) ordinária.
III - 5% (cinco por cento) para Municípios com população
O processo legislativo de emenda constitucional consta no
entre 300.001 (trezentos mil e um) e 500.000 (quinhentos
art. 60, das leis ordinárias e complementares estão nos
mil) habitantes; (Redação dada pela EC 58, de 2009)
arts. 61, 63, 64, 65, 66 e 67, de medida provisória está
IV - 4,5% (quatro inteiros e cinco décimos por cento) para previsto no art. 62 e lei delegada no art. 68, da CF.
Municípios com população entre 500.001 (quinhentos mil e
um) e 3.000.000 (três milhões) de habitantes; (Redação  Jurisprudência relacionada ao tema:
dada pela EC 58, de 2009)
EMENTA. (...). 3. Inexistência de relação hierárquica entre lei
V - 4% (quatro por cento) para Municípios com população ordinária e lei complementar. Questão exclusivamente
entre 3.000.001 (três milhões e um) e 8.000.000 (oito constitucional, relacionada à distribuição material entre as
milhões) de habitantes; (Incluído pela EC 58, de 2009) espécies legais. (...). (STF RE 377.457/PR, rel. Min. Gilmar
VI - 3,5% (três inteiros e cinco décimos por cento) para Mendes, 17/09/2008)
Municípios com população acima de 8.000.001 (oito
milhões e um) habitantes. (Incluído pela EC 58, de 2009) LEI ORIDNÁRIA E LEI COMPLEMENTAR
§ 1º A Câmara Municipal não gastará mais de setenta por São duas as diferenças entre lei complementar e lei
cento de sua receita com folha de pagamento, incluído o
ordinária. A primeira é material, uma vez que somente
gasto com o subsídio de seus Vereadores. (Incluído pela EC
poderá ser objeto de lei complementar a matéria
25, de 2000)
taxativamente prevista na Constituição Federal, enquanto
todas as demais matérias deverão ser objeto de lei
PROCESSO LEGISLATIVO ordinária. A segunda é formal e diz respeito ao processo
legislativo, na fase de votação. Enquanto o quórum para
Art. 59. O processo legislativo compreende a elaboração aprovação da lei ordinária é de maioria simples (art. 47), o
de: quórum para aprovação da lei complementar é de maior
absoluta (art. 69).
I - emendas à Constituição;
II - leis complementares; FASE INTRODUTÓRIA
III - leis ordinárias; Art. 61. A iniciativa das leis complementares e ordinárias
IV - leis delegadas; cabe a qualquer membro ou Comissão da Câmara dos
Deputados, do Senado Federal ou do Congresso Nacional,
V - medidas provisórias; ao Presidente da República, ao Supremo Tribunal Federal,
VI - decretos legislativos; aos Tribunais Superiores, ao Procurador-Geral da
República e aos cidadãos, na forma e nos casos previstos
VII - resoluções.
nesta Constituição.
Parágrafo único. Lei complementar disporá sobre a
A Iniciativa de lei é a faculdade que se atribui a alguém ou a
elaboração, redação, alteração e consolidação das leis.
algum órgão para apresentar projetos de lei ao Legislativo,
Processo legislativo é o conjunto de atos a serem realizados podendo ser parlamentar ou extraparlamentar e
pelos órgãos legislativos, visando à formação das espécies concorrente ou exclusiva.

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Diz-se iniciativa de lei parlamentar a prerrogativa que a circunscrita às iniciativas privativas do Chefe do Poder
Constituição confere a todos os membros do Congresso Executivo Federal na órbita exclusiva dos territórios
Nacional de apresentação de projeto de lei. Por outro lado, federais. (...). A reserva de iniciativa prevista no art. 165, II
iniciativa de lei extraparlamentar é àquela conferida ao da Carta Magna, por referir-se a normas concernentes às
Chefe do Poder Executivo, ao Supremo Tribunal Federal, aos diretrizes orçamentárias, não se aplica as normas que
Tribunais Superiores, ao Ministério Público e aos cidadãos. A tratam de direito tributário, como são aquelas que
iniciativa concorrente ocorre quando há possibilidade de concedem benefícios fiscais. (...). (STF ADI 2464/AM. Rel.
dois ou mais legitimados apresentarem projeto de lei sobre Min. Ellen Gracie. DJ 25/05/2007)
a mesma matéria e a exclusiva (privativa) é aquela que
somente por ser exercida por um único legitimado (art. 61, c) servidores públicos da União e Territórios, seu regime
§ 1º). jurídico, provimento de cargos, estabilidade e
aposentadoria; (Redação dada pela EC 18, de 1998)
O cidadão também tem direito de iniciar o processo
legislativo em razão da soberania popular, prevista no artigo Lei 8.112/90.
14, III, da CF/88, nos termos do art. 61, § 2º, que dispõe: d) organização do Ministério Público e da Defensoria
Pública da União, bem como normas gerais para a
Art. 61. (...)
organização do Ministério Público e da Defensoria Pública
§ 2º A iniciativa popular pode ser exercida pela
apresentação à Câmara dos Deputados de projeto de lei dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios;
subscrito por, no mínimo, um por cento do eleitorado Note-se que essa iniciativa é facultativa ao Procurador Geral
nacional, distribuído pelo menos por cinco Estados, com
da República, nos termos do art. 128, § 5º, da CF.
não menos de três décimos por cento dos eleitores de cada
um deles. Dispositivo correspondente: art. 48, IX, da CF/88.

Dispositivos correspondentes: arts. 27, § 4º e 29, XIII, da CF. e) criação e extinção de Ministérios e órgãos da
administração pública, observado o disposto no art. 84, VI;
INICIATIVA PRIVATIVA DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA
(Redação dada pela EC 32, de 2001)
§ 1º São de iniciativa privativa do Presidente da República Dispositivo correspondente: art. 48, XI, da CF.
as leis que:
f) militares das Forças Armadas, seu regime jurídico,
I - fixem ou modifiquem os efetivos das Forças Armadas; provimento de cargos, promoções, estabilidade,
Dispositivos correspondentes: arts. 48, III, 84, XIII, da CF. remuneração, reforma e transferência para a reserva.
(Redação dada pela EC 18, de 1998)
II - disponham sobre:
Dispositivo correspondente: art. 84, XIII, da CF.
a) criação de cargos, funções ou empregos públicos na
administração direta e autárquica ou aumento de sua Art. 63. Não será admitido aumento da despesa prevista:
remuneração; I - nos projetos de iniciativa exclusiva do Presidente da
Trata-se de iniciativa reservada ao âmbito do Poder República, ressalvado o disposto no art. 166, § 3º e § 4º;
Executivo, considerando a iniciativa do Poder Legislativo II - nos projetos sobre organização dos serviços
(arts. 51, IV e 52, XIII) e a do Poder Judiciário (art. 96, II, b). administrativos da Câmara dos Deputados, do Senado
Dispositivos correspondentes: arts. 48, X e 84, II, VI e XXV, Federal, dos Tribunais Federais e do Ministério Público.
da CF. De acordo com esse dispositivo legal não são permitidas
b) organização administrativa e judiciária, matéria emendas que visem ao aumento de despesa prevista nos
tributária e orçamentária, serviços públicos e pessoal da projetos de iniciativa exclusiva do Presidente da República,
administração dos Territórios; sendo, de flagrante inconstitucionalidade, a norma inserida,
por emenda parlamentar, em projeto de iniciativa exclusiva
A iniciativa privativa do Chefe do Executivo, nessa alínea, do Chefe do Poder Executivo, que acarreta aumento de
restringe-se ao âmbito dos Territórios, entretanto no que despesa pública, por flagrante ofensa ao princípio de
diz respeito à competência orçamentária, estende-se à independência e harmonia entre os Poderes da República.
União, nos termos do art. 84, XXIII, da CF/88.
Exemplo disso foi o julgamento do Supremo Tribunal
Dispositivo correspondente: art. 48, IX, da CF. Federal na Ação Direta de Inconstitucionalidade 4433/SC
que declarou a inconstitucionalidade do artigo 3º da Lei
 Jurisprudência relacionada ao tema:
catarinense 15.215/2010, em 18.06.2015. A norma criava
EMENTA. (...) 1. Não ofende o art. 61, § 1º, II, b da gratificação beneficiando servidores da Procuradoria Geral
Constituição Federal lei oriunda de projeto elaborado na do Estado, da Secretaria de Estado da Administração e do
Assembleia Legislativa estadual que trate sobre matéria Instituto de Previdência do Estado de Santa Catarina pelo
tributária, uma vez que a aplicação deste dispositivo está “êxito judicial e pelo incremento efetivo da cobrança da

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dívida ativa do Estado”. O Plenário verificou a existência de


FASE CONSTITUTIVA
vício formal de iniciativa na edição da norma, pois a DELIBERAÇÃO PARLAMENTAR E
proposta de aumento de remuneração, tema de iniciativa DELIBERAÇÃO EXECUTIVA
privativa do Poder Executivo, foi incluída durante a
tramitação na Assembleia Legislativa, desrespeitando o Art. 65. O projeto de lei aprovado por uma Casa será
princípio da independência dos poderes, prevista no art. 2º revisto pela outra, em um só turno de discussão e votação,
da Constituição Federal. A relatora observou ainda a falta de e enviado à sanção ou promulgação, se a Casa revisora o
pertinência temática, pois a criação da gratificação aos aprovar, ou arquivado, se o rejeitar.
servidores do Poder Executivo estadual foi incluída por meio Parágrafo único. Sendo o projeto emendado, voltará à
de emenda parlamentar em medida provisória destinada a Casa iniciadora.
estabelecer o subsídio mensal como forma de remuneração
da carreira de procurador do estado. Art. 66. A Casa na qual tenha sido concluída a votação
enviará o projeto de lei ao Presidente da República, que,
 Jurisprudência relacionada ao tema: aquiescendo, o sancionará.
EMENTA. (...). As normas questionadas dispõem sobre § 1º Se o Presidente da República considerar o projeto, no
cadastro de contratações temporárias, bem como sobre todo ou em parte, inconstitucional ou contrário ao
alterações nos quadros de cargos de provimento efetivo, de interesse público, vetá-lo-á total ou parcialmente, no prazo
cargos em comissão e de funções gratificadas do instituto- de quinze dias úteis, contados da data do recebimento, e
geral de perícias daquela unidade federativa, comunicará, dentro de quarenta e oito horas, ao
respectivamente. Assinalou-se que os projetos de lei seriam Presidente do Senado Federal os motivos do veto.
de iniciativa do Chefe do Poder Executivo estadual.
Ademais, consignou-se que as emendas possuiriam § 2º O veto parcial somente abrangerá texto integral de
pertinência temática com o projeto de lei originário e que artigo, de parágrafo, de Inciso ou de alínea.
delas não decorreria aumento da despesa global prevista. § 3º Decorrido o prazo de quinze dias, o silêncio do
(...). (STF ADI 2583/RS, rel. Min. Cármen Lúcia, 1º.8.2011). Presidente da República importará sanção.

Art. 64. A discussão e votação dos projetos de lei de § 4º O veto será apreciado em sessão conjunta, dentro de
iniciativa do Presidente da República, do Supremo Tribunal trinta dias a contar de seu recebimento, só podendo ser
Federal e dos Tribunais Superiores terão início na Câmara rejeitado pelo voto da maioria absoluta dos Deputados e
dos Deputados. Senadores. (Redação dada pela ECR 76, de 2013)
§ 5º Se o veto não for mantido, será o projeto enviado,
para promulgação, ao Presidente da República.
PEDIDO DE URGÊNCIA DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA
§ 6º Esgotado sem deliberação o prazo estabelecido no §
Art. 64. (...). 4º, o veto será colocado na ordem do dia da sessão
imediata, sobrestadas as demais proposições, até sua
§ 1º O Presidente da República poderá solicitar urgência
votação final. (Redação dada pela EC 32, de 2001)
para apreciação de projetos de sua iniciativa.
§ 7º Se a lei não for promulgada dentro de quarenta e oito
§ 2º Se, no caso do § 1º, a Câmara dos Deputados e o
horas pelo Presidente da República, nos casos dos § 3º e §
Senado Federal não se manifestarem sobre a proposição,
5º, o Presidente do Senado a promulgará, e, se este não o
cada qual sucessivamente, em até quarenta e cinco dias,
fizer em igual prazo, caberá ao Vice-Presidente do Senado
sobrestar-se-ão todas as demais deliberações legislativas
fazê-lo.
da respectiva Casa, com exceção das que tenham prazo
constitucional determinado, até que se ultime a votação. Art. 67. A matéria constante de projeto de lei rejeitado
(Redação dada pela EC 32, de 2001) somente poderá constituir objeto de novo projeto, na
mesma sessão legislativa, mediante proposta da maioria
§ 3º A apreciação das emendas do Senado Federal pela
absoluta dos membros de qualquer das Casas do
Câmara dos Deputados far-se-á no prazo de dez dias,
Congresso Nacional.
observado quanto ao mais o disposto no parágrafo
anterior. Art. 69. As leis complementares serão aprovadas por
maioria absoluta.
§ 4º Os prazos do § 2º não correm nos períodos de recesso
do Congresso Nacional, nem se aplicam aos projetos de Apresentado o projeto de lei ao Congresso Nacional (fase
código. introdutória), haverá ampla discussão e votação sobre a
matéria nas duas Casas, delimitando-se o objeto a ser
A Constituição Federal, como regra, não fixou prazo para
aprovado, rejeitado ou mesmo emendado pelo Poder
que o Poder Legislativo exercesse sua função legiferante.
Legislativo (art. 65). Além da atividade legislativa
Há, porém, uma exceção prevista nesse artigo que
(deliberação parlamentar), caso o projeto de lei seja
estabelece o chamado “regime de urgência constitucional”
aprovado pelas duas Casas Legislativas, haverá participação
ou “processo legislativo sumário”.
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do chefe do Poder Executivo, por meio do exercício do veto Se houver sanção parcial, somente o texto vetado retornará
ou da sanção (deliberação executiva). ao Congresso Nacional para deliberação. A parte sancionada
Tratando-se de lei ordinária, a aprovação do projeto de lei deverá ser, no prazo de 48horas, promulgada e publicada.
condiciona-se à maioria simples dos membros da respectiva A votação sobre a manutenção ou derrubada do veto será
Casa, ou seja, somente haverá aprovação pela maioria dos realizada em sessão conjunta (art. 57, § 3º). Se o veto for
votos, presente a maioria absoluta de seus membros (art. 47 superado, pela maioria absoluta dos Deputados e
da CF/88, que diz: “Salvo disposição constitucional em Senadores, a lei será remetida ao Presidente da República
contrário, as deliberações de cada Casa e de suas Comissões para promulgação.
serão tomadas por maioria dos votos, presente a maioria Promulgar é atestar que a ordem jurídica foi inovada,
absoluta de seus membros”). declarando que uma lei existe e, em consequência, deverá
O quórum constitucional de maioria simples corresponde a ser cumprida. Em regra é o próprio Presidente da República
um número variável, pois, dependendo de quantos que promulga a lei (art. 84, IV), mesmo nos casos em que
parlamentares estiverem presentes, esse número poderá seu veto haja sido derrubado pelo Congresso Nacional.
alterar-se. No caso de elaboração de lei complementar o Nesse caso, a Constituição Federal fixa um prazo de 48
quórum será de maioria absoluta (art. 69). horas, contadas da sanção expressa ou tácita ou da
Uma vez, e somente se aprovado o projeto de lei por uma comunicação da rejeição do veto, findo o qual, a
das Casas, seguirá para a outra, que exercerá o papel de competência transfere-se ao Presidente do Senado Federal
Casa Revisora. e, se este não promulgá-la no mesmo prazo, fá-lo-á o Vice-
Presidente do Senado Federal (§ 7º).
Na Casa Revisora o projeto de lei será analisado, discutido e
votado. Se o projeto de lei for aprovado nos mesmos termos A publicação consiste em uma comunicação dirigida a todos
da Casa Inicial, seguirá para o Presidente da República. os que devem cumprir o ato normativo, informando-os de
sua existência e de seu conteúdo, constituindo-se,
Se, porém, o projeto de lei for rejeitado, a matéria nele
atualmente, na inserção do texto promulgado no Diário
constante somente poderá constituir-se objeto de novo
Oficial, para que se torne de conhecimento público a
projeto na próxima sessão legislativa. Essa regra é
existência da lei, pois é condição de eficácia da lei.
excetuada, no caso de reapresentação, mediante proposta
da maioria absoluta dos Deputados Federais ou dos
EMENDA CONSTITUCIONAL
Senadores conforme o art. 67, da CF/88.
Caso o projeto de lei seja aprovado com alterações, haverá O legislador constituinte de 1988, ao prever a possibilidade
retorno dessas alterações à Casa Legislativa inicial e votação de alteração das normas constitucionais por meio de um
em um único turno. Empós, será o projeto enviado ao processo legislativo especial e mais dificultoso que o
Executivo. ordinário, definiu nossa Constituição como rígida, fixando-se
Após o término da deliberação parlamentar, o projeto de lei a ideia de supremacia da ordem constitucional.
aprovado pelo Congresso Nacional é remetido à deliberação A emenda à Constituição Federal, enquanto proposta, é
executiva, na qual será analisado pelo Presidente da considerada um ato infraconstitucional sem qualquer
República, podendo este vetá-lo ou sancioná-lo (art. 66). normatividade, só ingressando no ordenamento jurídico
A sanção é a aquiescência do Presidente da República aos após sua aprovação, passando então a ser preceito
termos de um projeto de lei devidamente aprovado pelo constitucional, de mesma hierarquia das normas
Congresso Nacional. Poderá ser expressa, nos casos em que constitucionais originárias.
o Presidente manifesta-se favoravelmente, no prazo de 15 A Constituição Federal traz duas espécies de limitações ao
dias úteis, ou tácita, quando silencia nesse mesmo prazo. A Poder de reformá-la: as limitações expressas e implícitas. As
sanção também poderá ser total ou parcial, conforme limitações expressamente previstas no texto constitucional,
concorde ou não com a totalidade do projeto de lei já por sua vez, subdividem-se em três subespécies:
aprovado pelo Parlamento. circunstanciais (art. 60, § 1º), materiais (art. 60, § 4º) e
Veto é a manifestação de discordância do Presidente da formais (Art. 60, §§ 2º, 3º e 5º); Enquanto os limites
República com o projeto de lei aprovado pelo Poder implícitos do poder de reforma, que derivam dos limites
Legislativo, no prazo de 15 (quinze) dias úteis, iniciando-se expressos, dividem-se em dois grupos: as normas sobre o
sua contagem com o recebimento do projeto de lei por titular do poder constituinte reformador e as disposições
parte do Chefe do Poder Executivo. relativas à eventual supressão das limitações expressas.
Presidente da República poderá discordar do projeto de lei, LIMITAÇÕES FORMAIS. FASES DO PROCESSO
ou por entendê-lo inconstitucional (veto jurídico) ou FASE INTRODUTÓRIA
contrário ao interesse público (veto político).
O veto é irretratável, pois, uma vez manifestado e Art. 60. A Constituição poderá ser emendada mediante
comunicadas as razões ao Poder Legislativo, tornar-se-á proposta:
insuscetível de alteração de opinião do Presidente da I - de um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos
República. Deputados ou do Senado Federal;

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II - do Presidente da República; Tais matérias formam o núcleo intangível da Constituição


III - de mais da metade das Assembleias legislativas das Federal, denominado tradicionalmente por cláusulas
Unidades da Federação, manifestando-se, cada uma delas, pétreas.
pela maioria relativa de seus membros. No que tange aos direitos e garantias individuais, o rol não é
taxativo, uma vez que os mesmos estão estabelecidos em
O rol dos legitimados para a iniciativa de uma proposta de
toda a Constituição Federal, de forma explícita e implícita
emenda constitucional é taxativo.
(art. 5º, § 2º, da CF/88).
O professor Pedro Lenza defende a tese de que pode há
Tem-se, ainda, que tais direitos podem até ser restringidos,
possiblidade de proposição popular, por considerar que o
desde que não haja ofensa ao núcleo essencial do direito,
titular do poder constituinte é o Povo (art. 1º, § único, da
segundo a exegese dogmática atual.
CF). Tese não acolhida pela jurisprudência pátria.
MEDIDA PROVISÓRIA
FASE CONSTITUTIVA: DELIBERAÇÃO PARLAMENTAR LIMITAÇÕES

§ 2º A proposta será discutida e votada em cada Casa do Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da
Congresso Nacional, em dois turnos, considerando-se República poderá adotar medidas provisórias, com força
aprovada se obtiver, em ambos, três quintos dos votos dos de lei, devendo submetê-las de imediato ao Congresso
respectivos membros. Nacional. (Redação dada pela EC 32, de 2001)
§ 1º É vedada a edição de medidas provisórias sobre
Na deliberação parlamentar, a proposta será aprovada com
matéria: (Incluído pela EC 32, de 2001)
quorum qualificado, em dois turnos, em cada casa do
I - relativa a: (Incluído pela EC 32, de 2001)
Congresso Nacional, evidenciando que a Constituição
a) nacionalidade, cidadania, direitos políticos, partidos
Federal atual adotou um modelo rígido de mudança de suas
políticos e direito eleitoral; (Incluído pela EC 32, de 2001)
normas.
b) direito penal, processual penal e processual civil;
Importante ressaltar que no processo legislativo de (Incluído pela EC 32, de 2001)
emendas constitucionais não ocorre a deliberação c) organização do Poder Judiciário e do Ministério Público,
executiva, pois não existe participação do Presidente da a carreira e a garantia de seus membros; (Incluído pela EC 32,
República na fase constitutiva, uma vez que não existe de 2001)
sanção ou vento à emenda constitucional. d) planos plurianuais, diretrizes orçamentárias, orçamento
§ 5º A matéria constante de proposta de emenda rejeitada e créditos adicionais e suplementares, ressalvado o
ou havida por prejudicada não pode ser objeto de nova previsto no art. 167, § 3º; (Incluído pela EC 32, de 2001)
proposta na mesma sessão legislativa. II - que vise a detenção ou sequestro de bens, de poupança
popular ou qualquer outro ativo financeiro; (Incluído pela EC
32, de 2001)
FASE COMPLEMENTAR
III - reservada a lei complementar; (Incluído pela EC 32, de
2001)
§ 3º A emenda à Constituição será promulgada pelas IV - já disciplinada em projeto de lei aprovado pelo
Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Congresso Nacional e pendente de sanção ou veto do
com o respectivo número de ordem. Presidente da República. (Incluído pela EC 32, de 2001)
Note-se que a competência, em regra, para promulgar as § 2º Medida provisória que implique instituição ou
leis é do Presidente da República (art. 84, IV), no entanto, majoração de impostos, exceto os previstos nos arts. 153,
no caso de emendas constitucionais, a promulgação e I, II, IV, V, e 154, II, só produzirá efeitos no exercício
publicação é atribuição do Poder Legislativo. financeiro seguinte se houver sido convertida em lei até o
último dia daquele ano em que foi editada. (Incluído pela EC
LIMITAÇÕES CIRCUNSTANCIAIS 32, de 2001)
Podem ser mencionadas outras vedações a edição de
§ 1º A Constituição não poderá ser emendada na vigência medida provisória, tais quais: arts. 25, § 2º; 246, da CF;
de intervenção federal, de estado de defesa ou de estado art. 73, do ADCT; 2º da EC 8/95 e 3º da EC 9/95.
de sítio.  Jurisprudência relacionada ao tema:
EMENTA. (...). III. LIMITES CONSTITUCIONAIS À ATIVIDADE
LIMITAÇÕES MATERIAIS
LEGISLATIVA EXCEPCIONAL DO PODER EXECUTIVO NA
EDIÇÃO DE MEDIDAS PROVISÓRIAS PARA ABERTURA DE
§ 4º Não será objeto de deliberação a proposta de emenda
CRÉDITO EXTRAORDINÁRIO. Interpretação do art. 167, § 3º
tendente a abolir:
c/c o art. 62, § 1º, inciso I, alínea d, da Constituição. Além
I - a forma federativa de Estado;
dos requisitos de relevância e urgência (art. 62), a
II - o voto direto, secreto, universal e periódico;
Constituição exige que a abertura do crédito extraordinário
III - a separação dos Poderes;
seja feita apenas para atender a despesas imprevisíveis e
IV - os direitos e garantias individuais.
urgentes. Ao contrário do que ocorre em relação aos

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requisitos de relevância e urgência (art. 62), que se § 4º O prazo a que se refere o § 3º contar-se-á da
submetem a uma ampla margem de discricionariedade por publicação da medida provisória, suspendendo-se durante
parte do Presidente da República, os requisitos de os períodos de recesso do Congresso Nacional. (Incluído pela
imprevisibilidade e urgência (art. 167, § 3º) recebem EC 32, de 2001)
densificação normativa da Constituição. Os conteúdos A matéria tem que ser relevante e urgente e só o Presidente
semânticos das expressões "guerra", "comoção interna" e da República poderá adotar medidas provisórias. Uma vez
"calamidade pública" constituem vetores para a editada, a medida provisória permanecerá em vigor pelo
interpretação/aplicação do art. 167, § 3º c/c o art. 62, § 1º, prazo de 60 dias, prorrogável por mais 60 dias, e será
inciso I, alínea "d", da Constituição. "Guerra", "comoção submetida imediatamente ao Poder Legislativo.
interna" e "calamidade pública" são conceitos que O prazo de 60 (sessenta) dias contar-se-á da publicação da
representam realidades ou situações fáticas de extrema medida provisória e ficará suspenso durante o período de
gravidade e de consequências imprevisíveis para a ordem recesso, salvo se houver convocação extraordinária, nos
pública e a paz social, e que dessa forma requerem, com a termos do artigo 57, § 8º, que dispõe: “Havendo medidas
devida urgência, a adoção de medidas singulares e provisórias em vigor na data de convocação extraordinária
extraordinárias. (...). A edição da MP 405/2007 configurou do Congresso Nacional, serão elas automaticamente
um patente desvirtuamento dos parâmetros constitucionais incluídas na pauta da convocação”.
que permitem a edição de medidas provisórias para a
 Jurisprudência relacionada ao tema:
abertura de créditos extraordinários. (...). (STF ADI 4.048
MC/DF, rel. Min. Gilmar Mendes, 04/05/2008). SÚMULA VINCULANTE 54. A medida provisória não
apreciada pelo congresso nacional podia, até a Emenda
EMENTA. (...). De outra parte, já se acha assentado no STF o
Constitucional 32/2001, ser reeditada dentro do seu prazo
entendimento de ser legítima a disciplina de matéria de
de eficácia de trinta dias, mantidos os efeitos de lei desde a
natureza tributária por meio de medida provisória,
primeira edição.
instrumento a que a Constituição confere força de lei (cf.
ADIMC nº 1.417). (...). (STF ADI 1.667 MC/DF, rel. Min. Ilmar
FASE CONSTITUTIVA E FASE COMPLEMENTAR
Galvão, 21/11/1997).
EMENTA. Prazo processual. Embargos à execução. Prazos Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da
previstos no art. 730 do CPC e no art. 884 da CLT. Ampliação República poderá adotar medidas provisórias, com força
pela Medida Provisória nº 2.180-35/2001, que acrescentou de lei, devendo submetê-las de imediato ao Congresso
o art. 1º-B à Lei Federal 9.494/97. Limites constitucionais de Nacional. (Redação dada pela EC 32, de 2001)
urgência e relevância não ultrapassados. Dissídio § 9º Caberá à comissão mista de Deputados e Senadores
jurisprudencial sobre a norma. Ação direta de examinar as medidas provisórias e sobre elas emitir
constitucionalidade. Liminar deferida. Aplicação do art. 21, parecer, antes de serem apreciadas, em sessão separada,
caput, da Lei 9.868/99. Ficam suspensos todos os processos pelo plenário de cada uma das Casas do Congresso
em que se discuta a constitucionalidade do art. 1º-B da Nacional. (Incluído pela EC 32, de 2001)
Medida Provisória 2.180-35. (...). (STF ADC 11/DF - MC, Rel. § 5º A deliberação de cada uma das Casas do Congresso
Min. Cezar Peluso, Plenário, DJ 28.03.2007). Nacional sobre o mérito das medidas provisórias
FASE INTRODUTÓRIA dependerá de juízo prévio sobre o atendimento de seus
pressupostos constitucionais. (Incluído pela EC 32, de 2001)
Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da § 6º Se a medida provisória não for apreciada em até
República poderá adotar medidas provisórias, com força quarenta e cinco dias contados de sua publicação, entrará
de lei, devendo submetê-las de imediato ao Congresso em regime de urgência, subsequentemente, em cada uma
Nacional. (Redação dada pela EC 32, de 2001) das Casas do Congresso Nacional, ficando sobrestadas, até
§ 8º As medidas provisórias terão sua votação iniciada na que se ultime a votação, todas as demais deliberações
Câmara dos Deputados. (Incluído pela EC 32, de 2001) legislativas da Casa em que estiver tramitando. (Incluído
§ 3º As medidas provisórias, ressalvado o disposto nos §§ pela EC 32, de 2001)
11 e 12 perderão eficácia, desde a edição, se não forem § 10 É vedada a reedição, na mesma sessão legislativa, de
convertidas em lei no prazo de sessenta dias, prorrogável, medida provisória que tenha sido rejeitada ou que tenha
nos termos do § 7º, uma vez por igual período, devendo o perdido sua eficácia por decurso de prazo. (Incluído pela EC
Congresso Nacional disciplinar, por decreto legislativo, as 32, de 2001)
relações jurídicas delas decorrentes. (Incluído pela EC 32, de § 12 Aprovado projeto de lei de conversão alterando o
2001) texto original da medida provisória, esta manter-se-á
§ 7º Prorrogar-se-á uma única vez por igual período a integralmente em vigor até que seja sancionado ou vetado
vigência de medida provisória que, no prazo de sessenta o projeto. (Incluído pela EC 32, de 2001)
dias, contado de sua publicação, não tiver a sua votação A medida provisória, chegando ao Congresso Nacional, será
encerrada nas duas Casas do Congresso Nacional. (Incluído encaminhada para a Comissão mista de Deputados e
pela EC 32, de 2001) Senadores para emissão de parecer por sua aprovação ou
não. Após a análise pela Comissão mista, a medida

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provisória será encaminhada à Câmara dos Deputados, que Assim, caso o Congresso Nacional não aprecie em tempo
realizará a deliberação principal nesse processo legislativo e constitucional hábil, esse ato normativo perderá sua
realizará a primeira votação, devendo, antes de analisar o eficácia, no que se denomina de rejeição tácita.
mérito, efetivar juízo sobre a presença dos requisitos A rejeição das medidas provisórias, seja expressa, seja
constitucionais exigidos, ou seja, sobre a presença ou não de tácita, opera com efeitos retroativos, ex tunc, competindo
relevância e urgência (§§ 5º e 9º). ao Congresso Nacional a edição do decreto legislativo para
Tendo sido aprovada pela Câmara dos Deputados, por disciplinar as relações jurídicas delas decorrentes (§ 3º).
maioria simples, a medida provisória será encaminhada ao Caso o Congresso Nacional não edite o decreto legislativo
Senado Federal, que igualmente deverá analisar a presença no prazo de 60 dias após a rejeição ou perda de sua eficácia,
dos requisitos constitucionais exigidos para sua edição, a medida provisória continuará regendo somente as
antes da análise do mérito e eventual aprovação por maioria relações jurídicas constituídas e decorrentes de atos
simples. Aprovada a medida provisória, será convertida em praticados durante sua vigência, com efeito ex nunc (§ 11).
lei, devendo o Presidente do Senado Federal promulgá-la, LEI DELEGADA
uma vez que se consagrou na esfera legislativa essa
atribuição ao próprio Poder Legislativo, remetendo ao Art. 68. As leis delegadas serão elaboradas pelo Presidente
Presidente da República, que publicará a lei de conversão. da República, que deverá solicitar a delegação ao
Se em 45 (quarenta e cinco) dias as medidas provisórias não Congresso Nacional.
forem apreciadas, entraram em regime de urgência, § 1º Não serão objeto de delegação os atos de
trancando a pauta, pois todas as demais deliberações da competência exclusiva do Congresso Nacional, os de
Casa Legislativa que estiver analisando a medida provisória competência privativa da Câmara dos Deputados ou do
ficarão sobrestadas, até que seja concluída a votação. Senado Federal, a matéria reservada à lei complementar,
Caso seja a MP aprovada com alterações (emendas nem a legislação sobre:
supressivas ou aditivas), o Congresso Nacional estará I - organização do Poder Judiciário e do Ministério Público,
transformando-a em projeto de lei de conversão, que será a carreira e a garantia de seus membros;
remetido ao Presidente da República para sanção ou veto II - nacionalidade, cidadania, direitos individuais, políticos
(art. 62, § 12). e eleitorais;
III - planos plurianuais, diretrizes orçamentárias e
PERDA DA EFICÁCIA / REJEIÇÃO
orçamentos.
DA MEDIDA PROVISÓRIA § 2º A delegação ao Presidente da República terá a forma
de resolução do Congresso Nacional, que especificará seu
Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da conteúdo e os termos de seu exercício.
República poderá adotar medidas provisórias, com força
§ 3º Se a resolução determinar a apreciação do projeto
de lei, devendo submetê-las de imediato ao Congresso
pelo Congresso Nacional, este a fará em votação única,
Nacional. (Redação dada pela EC 32, de 2001)
vedada qualquer emenda.
§ 3º As medidas provisórias, ressalvado o disposto nos §§
11 e 12 perderão eficácia, desde a edição, se não forem Lei delegada é ato normativo elaborado e editado pelo
convertidas em lei no prazo de sessenta dias, prorrogável, Presidente da República, em razão de autorização do Poder
nos termos do § 7º, uma vez por igual período, devendo o Legislativo, e nos limites postos por este, constituindo-se
Congresso Nacional disciplinar, por decreto legislativo, as verdadeira delegação externa da função legiferante e aceita,
relações jurídicas delas decorrentes. (Incluído pela EC 32, de desde que com limitações (§ 1º), como mecanismo
2001) necessário para possibilitar a eficiência do estado e sua
§ 11 Não editado o decreto legislativo a que se refere o § necessidade de maior agilidade e celeridade.
3º até sessenta dias após a rejeição ou perda de eficácia de Uma vez encaminhada a solicitação ao Congresso Nacional,
medida provisória, as relações jurídicas constituídas e a mesma será submetida à votação pelas Casas do
decorrentes de atos praticados durante sua vigência Congresso Nacional, em sessão bicameral conjunta ou
conservar-se-ão por ela regidas. (Incluído pela EC 32, de 2001) separadamente, e, em sendo aprovada por maioria simples,
§ 12 Aprovado projeto de lei de conversão alterando o terá a forma de resolução, que especificará
texto original da medida provisória, esta manter-se-á obrigatoriamente as regras sobre seu conteúdo e os termos
integralmente em vigor até que seja sancionado ou vetado de seu exercício (delegação própria).
o projeto. (Incluído pela EC 32, de 2001) Se a resolução determinar, haverá delegação imprópria,
devendo o projeto voltar ao Congresso Nacional para se
Uma vez rejeitada expressamente pelo Legislativo, a medida
apreciado em votação única e proibida emenda parlamentar
provisória perderá seus efeitos retroativamente, cabendo
(§ 3º).
ao Congresso Nacional disciplinar as relações jurídicas dela
Extrapolando o Presidente da República os limites fixados na
decorrentes, sem possibilidade de reedição na mesma
resolução concedente da delegação legislativa, poderá o
sessão legislativa.
Congresso Nacional, mediante a aprovação de decreto
A decadência da medida provisória, pelo decurso do prazo legislativo, sustar a referida lei delegada, paralisando seus
constitucional, opera a desconstituição, com efeitos efeitos normais (art. 49, V).
retroativos, dos atos produzidos durante a sua vigência.
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LEI ORDINÁRIA / LEI COMPLEMENTAR

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EMENDA CONSTITUCIONAL

MEDIDA PROVISÓRIA

Medida Provisória: Presidente da República edita e publica. Da publicação contam-se 60 dias, os quais ficam suspensos no
recesso se não houver convocação extraordinária.

Fase Constitutiva: Congresso Nacional comissão mista de Senadores e Deputados.

Aprovada
Presidente do SF promulga
Fase complementar
Presidente da República
Publicação

Supressivas
Pode haver emendas parlamentares Aditivas

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Se não tiver sido apreciada em 45 dias estará em regime de urgência e assim as casas terão 15 dias para sucessivamente
apreciares. O regime de urgência constitucional para MP poderá, excepcionalmente, estender-se por 75 dias não sendo
suficientes os 15 dias restantes (reedição).

Aprovação sem alterações.


Aprovação com alteração (Projeto de Lei de Conversão).

Rejeição expressa.
Rejeição tácita (desconstituição).
Efeito retroativo, cabendo ao Congresso Nacional disciplinar as relações jurídicas em 60 dias.

Não há possibilidade de reedição de medida provisória.

 Impossibilidade do Presidente da República retirar da apreciação do Congresso nacional, medida provisória já editada.
 Medida provisória e Lei anterior que trate do mesmo assunto (ab-rogação).
 Estados e Municípios pode editar medidas provisórias.
 Limites materiais: arts. 62, § 1º, 246, 21, § 2º, da CF e art. 73 do ADCT.

LEI DELEGADA

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PROCESSO LEGISLATIVO

PROCESSO FASE DELIBERAÇÃO DELIBERAÇÃO


FASE COMPLEMENTAR PECULIARIDADES
LEGISLATIVO INTRODUTÓRIA PARLAMENTAR EXECUTIVA

Art. 66. Art. 66, § 4º.


A Casa na qual tenha O veto será apreciado em
sido concluída a votação sessão conjunta, dentro
enviará o projeto de lei de 30 dias a contar de
Art. 65.
ao PR, que, aquiescendo, seu recebimento, só
O projeto de lei aprovado Art. 66, § 7º.
o sancionará. Se o PR podendo ser rejeitado
por uma Casa será Em regra, o PR promulga e
considerar o projeto, no pelo voto da maioria
revisto pela outra, em um publica a lei (art. 84, IV).
Art. 61. todo ou em parte, absoluta dos Deputados e
só turno de discussão e Se a lei não for promulgada
CN / CD / SF inconstitucional ou Senadores.
votação, e enviado à dentro de 48 horas pelo PR,
(membro ou comissão) contrário ao interesse
LEI sanção ou promulgação, nos casos de sanção tácita Art. 67.
PR público, vetá-lo-á total ou
ORDINÁRIA se a Casa revisora o e derrubada do veto, o A matéria constante de
STF parcialmente, no prazo
aprovar, ou arquivado, se Presidente do Senado a projeto de lei rejeitado
TRIBUNAIS SUPERIORES de 15 dias úteis,
o rejeitar. Sendo o promulgará, e, se este não somente poderá
PGR contados da data do
projeto emendado, o fizer em igual prazo, constituir objeto de novo
CIDADÃOS recebimento, e
voltará à Casa iniciadora. caberá ao Vice-Presidente projeto, na mesma
comunicará, dentro de 48 sessão legislativa,
Art. 47. do Senado fazê-lo.
horas, ao Presidente do mediante proposta da
Aprovação por maioria SF os motivos do veto. maioria absoluta dos
simples Decorrido o prazo de 15 membros de qualquer
dias, o silêncio do PR das Casas do Congresso
importará sanção. Nacional.

Art. 65.
LEI Art. 66, § 4º.
Art. 61. Art. 69. Art. 66. Art. 66, § 7º.
COMPLEMENTAR Aprovação por maioria Art. 67.
absoluta

Art. 60, § 1º.


A Constituição não
poderá ser emendada na
vigência de intervenção
federal, de estado de
defesa ou de estado de
sítio.
Art. 60, § 4º.
Art. 60, caput. Não será objeto de
Art. 60, § 2º.
¹/3 CD (mínimo) deliberação a proposta de
A proposta será discutida
¹/3 SF (mínimo) Art. 60, § 3º. emenda tendente a
e votada em cada Casa
EMENDA PR Será promulgada pelas abolir: a forma federativa
do CN, em 2 turnos,
CONSTITUCIONAL + da ¹/2 das AL das NÃO TEM Mesas da Câmara dos de Estado; o voto direto,
considerando-se
Unidades Federadas, Deputados e do Senado secreto, universal e
aprovada se obtiver, em
manifestando-se, cada Federal. periódico; a separação
ambos, ³/5 dos votos dos
uma delas, pela maioria dos Poderes; os direitos e
respectivos membros.
relativa. garantias individuais.
Art. 60, § 5º.
A matéria constante de
proposta de emenda
rejeitada ou havida por
prejudicada não pode ser
objeto de nova proposta
na mesma sessão
legislativa.

Art. 62, § 9º.


Caberá à comissão mista Art. 62, § 3º.
de Deputados e Podem ser rejeitadas ou
Senadores examinar as perder a eficácia no prazo
medidas provisórias e de 60 dias, prorrogáveis
sobre elas emitir parecer, por mais 60 dias (regra).
antes de serem
Cabe ao Congresso
apreciadas, em sessão
Nacional disciplinar por
separada, pelo plenário
decreto legislativo as
de cada uma das Casas
Art. 62, caput. relações jurídicas
do Congresso Nacional. NÃO TEM Presidente do Senado
Em caso de relevância e decorrentes da medida
Art. 62, § 5º. Federal promulga. provisória rejeitada ou
MEDIDA urgência, o PR poderá
A deliberação de cada Se for emendada prejudicada.
PROVISÓRIA adotar MPs, com força de
uma das Casas do converte-se em Projeto Presidente da República
lei, devendo submete-las Art. 62, §§ 1º e 2º.
Congresso Nacional sobre de Lei. publica.
de imediato ao CN. Limites materiais.
o mérito das medidas
provisórias dependerá de Art. 62, § 10.
juízo prévio sobre o É vedada a reedição, na
atendimento de seus mesma sessão legislativa,
pressupostos de medida provisória que
constitucionais. tenha sido rejeitada ou
que tenha perdido sua
Art. 47.
eficácia por decurso de
Aprovação por maioria
prazo.
simples

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PROCESSO LEGISLATIVO

PROCESSO FASE DELIBERAÇÃO DELIBERAÇÃO


FASE COMPLEMENTAR PECULIARIDADES
LEGISLATIVO INTRODUTÓRIA PARLAMENTAR EXECUTIVA

DELEGAÇÃO TÍPICA
Terá a forma de
Resolução do CN, que
especificará seu conteúdo
e os termos de seu
exercício.

DELEGAÇÃO ATÍPICA
O projeto aprovado por Se a resolução
uma Casa será revisto determinar a apreciação
pela outra, em 1 só turno do projeto pelo
de discussão e votação, e Congresso Nacional será
enviado à promulgação, em votação única,
Art. 68, caput. se a Casa Revisora o vedada qualquer emenda.
Art. 84, IV.
Serão elaboradas pelo aprovar, ou arquivado, se
LEI DELEGADA NÃO TEM Promulgação e publicação
PR, que deverá solicitar a o rejeitar. Sendo o Art. 68, § 1º.
pelo PR.
delegação ao CN. projeto emendado, Limites materiais.
voltará à Casa Iniciadora.
Art. 67.
Art. 47. A matéria constante de
Aprovação por maioria projeto de lei rejeitado
simples somente poderá
constituir objeto de novo
projeto, na mesma
sessão legislativa,
mediante proposta da
maioria absoluta dos
membros de qualquer
das Casas do Congresso
Nacional.

Art. 49. A doutrina diz que o


DECRETO Congresso Nacional edita
DECRETO DECRETO LEGISLATIVO
LEGISLATIVO decreto legislativo
LEGISLATIVO CN.
Só o CN. Previsão no quando a matéria tem
NÃO TEM
Regimento Interno efeitos externos e expede
RESOLUÇÃO RESOLUÇÃO
Arts. 49, 51 e 52. Resolução quando o
CN / CD / SF
RESOLUÇÃO efeito é interno, com
CN / CD / SF exceção do art. 68, § 2º.

_______________________________________________________________________________________________________________________________
 Jurisprudência relacionada ao tema:
FISCALIZAÇÃO
CONTROLE EXTERNO E CONTROLE INTERNO EMENTA. (...) Ao Tribunal de Contas da União compete
julgar as contas dos administradores e demais responsáveis
Art. 70. A fiscalização contábil, financeira, orçamentária,
por dinheiros, bens e valores públicos da administração
operacional e patrimonial da União e das entidades da
direta e indireta, incluídas as fundações e sociedades
administração direta e indireta, quanto à legalidade,
instituídas e mantidas pelo poder público federal, e as
legitimidade, economicidade, aplicação das subvenções e
contas daqueles que derem causa a perda, extravio ou outra
renúncia de receitas, será exercida pelo Congresso
irregularidade de que resulte prejuízo ao erário (CF, art. 71,
Nacional, mediante controle externo, e pelo sistema de
II; Lei 8.443, de 1992, art. 1º, I). As empresas públicas e as
controle interno de cada Poder.
sociedades de economia mista, integrantes da
Parágrafo único. Prestará contas qualquer pessoa física ou administração indireta, estão sujeitas à fiscalização do
jurídica, pública ou privada, que utilize, arrecade, guarde, Tribunal de Contas, não obstante os seus servidores estarem
gerencie ou administre dinheiros, bens e valores públicos sujeitos ao regime celetista. (...). (STF MS 25.092, Rel. Min.
ou pelos quais a União responda, ou que, em nome desta, Carlos Velloso, Plenário, DJ de 17-3-2006).
assuma obrigações de natureza pecuniária. (Redação dada
EMENTA. TRIBUNAL DE CONTAS - CONTROLE. Surge
pela EC 19, de 1998)
harmônico com a Constituição Federal diploma revelador do
O dispositivo estabelece a função fiscalizadora do Congresso controle pelo Legislativo das contas dos órgãos que o
Nacional (controle externo) e dos Poderes (controle auxiliam, ou seja, dos tribunais de contas. (...). (STF ADI
interno). Todo poder deverá manter sistema de controle 1.175, Rel. p/ ac. Min. Marco Aurélio, Plenário, DJ de19-12-
interno fiscalizatório (art. 74) e no caso do Poder Legislativo, 2006).
além do controle interno, também realiza o controle
externo, sendo o TCU órgão auxiliar do Poder Legislativo
(art. 71), embora a ele não subordinado.

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CONTROLE EXTERNO. CONGRESSO NACIONAL. X - sustar, se não atendido, a execução do ato impugnado,
TRIBUNAL DE CONTAS. ATRIBUIÇÕES comunicando a decisão à Câmara dos Deputados e ao
Senado Federal;
Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional,
será exercido com o auxílio do Tribunal de Contas da XI - representar ao Poder competente sobre
União, ao qual compete: irregularidades ou abusos apurados.
I - apreciar as contas prestadas anualmente pelo § 1º No caso de contrato, o ato de sustação será adotado
Presidente da República, mediante parecer prévio que diretamente pelo Congresso Nacional, que solicitará, de
deverá ser elaborado em sessenta dias a contar de seu imediato, ao Poder Executivo as medidas cabíveis.
recebimento;
§ 2º Se o Congresso Nacional ou o Poder Executivo, no
II - julgar as contas dos administradores e demais prazo de noventa dias, não efetivar as medidas previstas
responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos da no parágrafo anterior, o Tribunal decidirá a respeito.
administração direta e indireta, incluídas as fundações e
§ 3º As decisões do Tribunal de que resulte imputação de
sociedades instituídas e mantidas pelo Poder Público
débito ou multa terão eficácia de título executivo.
federal, e as contas daqueles que derem causa a perda,
extravio ou outra irregularidade de que resulte prejuízo ao § 4º O Tribunal encaminhará ao Congresso Nacional,
erário público; trimestral e anualmente, relatório de suas atividades.
III - apreciar, para fins de registro, a legalidade dos atos de O Tribunal de Contas é órgão técnico, já que os atos
admissão de pessoal, a qualquer título, na administração praticados são de natureza meramente administrativa, ou
direta e indireta, incluídas as fundações instituídas e seja, não vincula o Poder Legislativo.
mantidas pelo Poder Público, excetuadas as nomeações
Embora caiba ao Tribunal de Contas à apreciação das contas
para cargo de provimento em comissão, bem como a das
prestadas anualmente pelo chefe do Poder Executivo (art.
concessões de aposentadorias, reformas e pensões,
71, I), somente o Poder Legislativo poderá julgar as mesmas
ressalvadas as melhorias posteriores que não alterem o
(art. 49, IX). Lembrando que caso o Presidente não
fundamento legal do ato concessório;
apresente as contas no prazo constitucional (art. 84, XXIV),
IV - realizar, por iniciativa própria, da Câmara dos caberá a Câmara dos Deputados proceder a tomada de
Deputados, do Senado Federal, de Comissão técnica ou de contas (art. 51, II).
inquérito, inspeções e auditorias de natureza contábil,
Importante salientar a possibilidade do TCU fazer o controle
financeira, orçamentária, operacional e patrimonial, nas
da constitucionalidade na via incidental, ou seja, os
unidades administrativas dos Poderes Legislativo,
Tribunais de Contas poderão reconhecer a desconformidade
Executivo e Judiciário, e demais entidades referidas no
formal ou material de normas jurídicas, podendo deixar de
inciso II;
aplicar ato por considerá-lo inconstitucional, bem como
V - fiscalizar as contas nacionais das empresas sustar outros atos praticados com base em leis vulneradoras
supranacionais de cujo capital social a União participe, de da Constituição, conforme Súmula 347 do STF.
forma direta ou indireta, nos termos do tratado
Considerando que o TCU não é órgão jurisdicional, as
constitutivo;
decisões proferidas de que resulte imputação de débito ou
VI - fiscalizar a aplicação de quaisquer recursos repassados multa terão eficácia de título executivo extrajudicial (§ 3º,
pela União mediante convênio, acordo, ajuste ou outros VIII).
instrumentos congêneres, a Estado, ao Distrito Federal ou
O Órgão de Contas só poderá suspender os atos
a Município;
impugnados (X). No caso de contratos, caberá ao Congresso
VII - prestar as informações solicitadas pelo Congresso Nacional (§ 1º).
Nacional, por qualquer de suas Casas, ou por qualquer das
 Jurisprudência relacionada ao tema:
respectivas Comissões, sobre a fiscalização contábil,
financeira, orçamentária, operacional e patrimonial e SÚMULA 6, STF. A revogação ou anulação, pelo Poder
sobre resultados de auditorias e inspeções realizadas; Executivo, de aposentadoria, ou qualquer outro ato
aprovado pelo Tribunal de Contas, não produz efeitos antes
VIII - aplicar aos responsáveis, em caso de ilegalidade de
de aprovada por aquele Tribunal, ressalvada a competência
despesa ou irregularidade de contas, as sanções previstas
revisora do Judiciário.
em lei, que estabelecerá, entre outras cominações, multa
proporcional ao dano causado ao erário; SÚMULA 347, STF. O tribunal de Contas, no exercício de
suas atribuições, pode apreciar a Constitucionalidade das
IX - assinar prazo para que o órgão ou entidade adote as
leis e dos atos do Poder Público.
providências necessárias ao exato cumprimento da lei, se
verificada ilegalidade; SÚMULA VINCULANTE 3. Nos processos perante o TCU
asseguram-se o contraditório e a ampla defesa quando da
decisão puder resultar anulação ou revogação de ato
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administrativo que beneficie o interessado, excetuada a INFORMAÇÕES ALUSIVAS A OPERAÇÕES FINANCEIRAS


apreciação da legalidade do ato de concessão inicial de REALIZADAS PELAS IMPETRANTES. RECUSA INJUSTIFICADA.
aposentadoria, reforma e pensão. DADOS NÃO ACOBERTADOS PELO SIGILO BANCÁRIO E
EMPRESARIAL. 1. (...). 3. O sigilo de informações necessárias
EMENTA. (...) a atribuição de poderes explícitos, ao Tribunal
para a preservação da intimidade é relativizado quando se
de Contas, tais como enunciados no art. 71 da Lei
está diante do interesse da sociedade de se conhecer o
Fundamental da República, supõe que se lhe reconheça,
destino dos recursos públicos. 4. Operações financeiras que
ainda que por implicitude, a titularidade de meios
envolvam recursos públicos não estão abrangidas pelo sigilo
destinados a viabilizar a adoção de medidas cautelares
bancário a que alude a Lei Complementar nº 105/2001, visto
vocacionadas a conferir real efetividade às suas
que as operações dessa espécie estão submetidas aos
deliberações finais, permitindo, assim, que se neutralizem
princípios da administração pública insculpidos no art. 37 da
situações de lesividade, atual ou iminente, ao erário público.
Constituição Federal. Em tais situações, é prerrogativa
Impende considerar, no ponto, em ordem a legitimar esse
constitucional do Tribunal [TCU] o acesso a informações
entendimento, a formulação que se fez em torno dos
relacionadas a operações financiadas com recursos públicos.
poderes implícitos, cuja doutrina, construída pela Suprema
5. O segredo como “alma do negócio” consubstancia a
Corte dos Estados Unidos da América, no célebre caso
máxima cotidiana inaplicável em casos análogos ao sub
McCulloch v. Maryland (1819), enfatiza que a outorga de
judice, tanto mais que, quem contrata com o poder público
competência expressa a determinado órgão estatal importa
não pode ter segredos, especialmente se a revelação for
em deferimento implícito, a esse mesmo órgão, dos meios
necessária para o controle da legitimidade do emprego dos
necessários à integral realização dos fins que lhe foram
recursos públicos. É que a contratação pública não pode ser
atribuídos. (...) É por isso que entendo revestir-se de integral
feita em esconderijos envernizados por um arcabouço
legitimidade constitucional a atribuição de índole cautelar,
jurídico capaz de impedir o controle social quanto ao
que, reconhecida com apoio na teoria dos poderes
emprego das verbas públicas. 6. “O dever administrativo de
implícitos, permite, ao Tribunal de Contas da União, adotar
manter plena transparência em seus comportamentos
as medidas necessárias ao fiel cumprimento de suas funções
impõe não haver em um Estado Democrático de Direito, no
institucionais e ao pleno exercício das competências que lhe
qual o poder reside no povo (art. 1º, parágrafo único, da
foram outorgadas, diretamente, pela própria Constituição
Constituição), ocultamento aos administrados dos assuntos
da República. (...). (STF MS 24.510, Rel. Min. Ellen Gracie,
que a todos interessam, e muito menos em relação aos
voto do Min. Celso de Mello, Plenário, DJ: 19.3.2004)
sujeitos individualmente afetados por alguma medida”.
EMENTA. (...) 2. Embora as atividades do TCU, por sua (MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de Direito
natureza, verificação de contas e até mesmo o julgamento Administrativo. 27ª edição. São Paulo: Malheiros, 2010, p.
das contas das pessoas enumeradas no art. 71, II, da CF, 114). 7. O Tribunal de Contas da União não está autorizado
justifiquem a eventual quebra de sigilo, não houve essa a, manu militari, decretar a quebra de sigilo bancário e
determinação na lei específica que tratou do tema, não empresarial de terceiros, medida cautelar condicionada à
cabendo a interpretação extensiva, mormente porque há prévia anuência do Poder Judiciário, ou, em situações
princípio constitucional que protege a intimidade e a vida pontuais, do Poder Legislativo. Precedente: MS 22.801,
privada, art. 5º, X, da Constituição Federal, no qual está Tribunal Pleno, Rel. Min. Menezes Direito, DJe 14.3.2008.
inserida a garantia ao sigilo bancário. (...). (STF MS 8. In casu, contudo, o TCU deve ter livre acesso às operações
22.801/DF. Rel. Min Menezes Direito. DJ 13.03.2008) financeiras realizadas pelas impetrantes, entidades de
direito privado da Administração Indireta submetidas ao seu
EMENTA. (...). ARTIGO 78, § 3º, DA CONSTITUIÇÃO DO
controle financeiro, mormente porquanto operacionalizadas
ESTADO DO PARANÁ. POSSIBILIDADE DE REEXAME, PELO
mediante o emprego de recursos de origem pública.
TRIBUNAL DE CONTAS ESTADUAL, DAS DECISÕES
Inoponibilidade de sigilo bancário e empresarial ao TCU
FAZENDÁRIAS DE ÚLTIMA INSTÂNCIA CONTRÁRIAS AO
quando se está diante de operações fundadas em recursos
ERÁRIO. VIOLAÇÃO DO DISPOSTO NO ARTIGO 2º E NO
de origem pública. Conclusão decorrente do dever de
ARTIGO 70 DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. 1. A Constituição
atuação transparente dos administradores públicos em um
do Brasil - artigo 70 - estabelece que compete ao Tribunal
Estado Democrático de Direito. 9. A preservação, in casu, do
de Contas auxiliar o Legislativo na função de fiscalização a
sigilo das operações realizadas pelo BNDES e BNDESPAR
ele designada. Precedentes. 2. Não cabe ao Poder
com terceiros não, apenas, impediria a atuação
Legislativo apreciar recursos interpostos contra decisões
constitucionalmente prevista para o TCU, como, também,
tomadas em processos administrativos nos quais se discuta
representaria uma acanhada, insuficiente, e, por isso
questão tributária. 3. Ação direta julgada procedente para
mesmo, desproporcional limitação ao direito fundamental
declarar a inconstitucionalidade do § 3º do artigo 78 da
de preservação da intimidade. (...). (STF MS 33.340 DF, Rel.
Constituição do Estado do Paraná. (STF ADI 523/PR, rel. Min.
Min. Luiz Fux, 1ª Turma, J.26/05/2015)
Eros Grau, 03/04/2008)
EMENTA. DIREITO ADMINISTRATIVO. CONTROLE
LEGISLATIVO FINANCEIRO. CONTROLE EXTERNO.
REQUISIÇÃO PELO TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO DE

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TRIBUNAL DE CONTAS Ministério Público comum. II - Além de violar os arts. 73, §


ORGANIZAÇÃO E COMPOSIÇÃO 2º, I, e 130, da Constituição Federal, a conversão automática
dos cargos de Procurador do Tribunal de Contas dos
Art. 73. O Tribunal de Contas da União, integrado por nove
Municípios para os de Procurador de Justiça - cuja
Ministros, tem sede no Distrito Federal, quadro próprio de
investidura depende de prévia aprovação em concurso
pessoal e jurisdição em todo o território nacional,
público de provas e títulos - ofende também o art. 37, II, do
exercendo, no que couber, as atribuições previstas no art.
texto magno. (...). (STF ADI 3.315/CE, rel. Min. Ricardo
96.
Lewandowski, 11/04/2008).
§ 1º Os Ministros do Tribunal de Contas da União serão
nomeados dentre brasileiros que satisfaçam os seguintes CONTROLE INTERNO
requisitos:
Art. 74. Os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário
I - mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos manterão, de forma integrada, sistema de controle interno
de idade; com a finalidade de:
II - idoneidade moral e reputação ilibada; I - avaliar o cumprimento das metas previstas no plano
III - notórios conhecimentos jurídicos, contábeis, plurianual, a execução dos programas de governo e dos
econômicos e financeiros ou de administração pública; orçamentos da União;

IV - mais de dez anos de exercício de função ou de efetiva II - comprovar a legalidade e avaliar os resultados, quanto
atividade profissional que exija os conhecimentos à eficácia e eficiência, da gestão orçamentária, financeira e
mencionados no inciso anterior. patrimonial nos órgãos e entidades da administração
federal, bem como da aplicação de recursos públicos por
§ 2º Os Ministros do Tribunal de Contas da União serão entidades de direito privado;
escolhidos:
III - exercer o controle das operações de crédito, avais e
I - um terço pelo Presidente da República, com aprovação garantias, bem como dos direitos e haveres da União;
do Senado Federal, sendo dois alternadamente dentre
auditores e membros do Ministério Público junto ao IV - apoiar o controle externo no exercício de sua missão
Tribunal, indicados em lista tríplice pelo Tribunal, segundo institucional.
os critérios de antiguidade e merecimento; § 1º Os responsáveis pelo controle interno, ao tomarem
II - dois terços pelo Congresso Nacional. conhecimento de qualquer irregularidade ou ilegalidade,
dela darão ciência ao Tribunal de Contas da União, sob
§ 3º Os Ministros do Tribunal de Contas da União terão as pena de responsabilidade solidária.
mesmas garantias, prerrogativas, impedimentos,
vencimentos e vantagens dos Ministros do Superior § 2º Qualquer cidadão, partido político, associação ou
Tribunal de Justiça, aplicando-se lhes, quanto à sindicato é parte legítima para, na forma da lei, denunciar
aposentadoria e pensão, as normas constantes do art. 40. irregularidades ou ilegalidades perante o Tribunal de
(Redação dada pela EC 20, de 1998) Contas da União.

§ 4º O auditor, quando em substituição a Ministro, terá as  Jurisprudência relacionada ao tema:


mesmas garantias e impedimentos do titular e, quando no EMENTA. (...). I. - A Lei 8.443, de 1992, estabelece que
exercício das demais atribuições da judicatura, as de juiz qualquer cidadão, partido político ou sindicato é parte
de Tribunal Regional Federal. legítima para denunciar irregularidades ou ilegalidades
Quanto à composição do Tribunal de Contas da União, 1/3 perante o TCU. A apuração será em caráter sigiloso, até
dos Ministros do Órgão será escolhido pelo Presidente da decisão definitiva sobre a matéria. Decidindo, o Tribunal
República, com aprovação por maioria simples do Senado manterá ou não o sigilo quanto ao objeto e à autoria da
Federal, valendo salientar que mesmo devendo a vaga ser denúncia (§ 1º do art. 55). Estabeleceu o TCU, então, no seu
preenchida pelo critério da antiguidade, o Tribunal de Regimento Interno, que, quanto à autoria da denúncia, será
Contas deverá remeter uma lista tríplice para que o mantido o sigilo: inconstitucionalidade diante do disposto
Presidente da República escolha um deles. no art. 5º, incisos V, X, XXXIII e XXXV, da Constituição
Federal. (...). (STF MS 24405/DF. Rel. Min. Carlos Velloso, DJ:
No que tange ao Ministério Público que atua perante o 03.12.2003).
Tribunal de Contas da União, o qual não pertence à
Instituição do Ministério Público da União, aos seus TRIBUNAL DE CONTAS DOS ESTADOS, DO DISTRITO
membros se aplicam as regras previstas no art. 130 da CF. FEDERAL E DO(S) MUNICÍPIO(S)
 Jurisprudência relacionada ao tema: Art. 75. As normas estabelecidas nesta seção aplicam-se,
EMENTA. (...). I - Segundo precedente do STF (ADI 789/DF), no que couber, à organização, composição e fiscalização
os Procuradores das Cortes de Contas são ligados dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal,
administrativamente a elas, sem qualquer vínculo com o
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bem como dos Tribunais e Conselhos de Contas dos  Jurisprudência relacionada ao tema:
Municípios.
SÚMULA 653, STF. No TC estadual, composto por sete
Parágrafo único. As Constituições estaduais disporão sobre conselheiros, quatro devem ser escolhidos pela Assembleia
os Tribunais de Contas respectivos, que serão integrados Legislativa e três pelo Chefe do Poder Executivo estadual,
por sete Conselheiros. cabendo a este indicar um dentre auditores e outro dentre
membros do MP especial, e um terceiro à sua livre escolha.
Os Estados-membros, o Distrito Federal e os Municípios
estão sujeitos, em matéria de organização, composição e EMENTA. (...) Municípios e Tribunais de Contas. A
atribuições fiscalizadoras de seus Órgãos de Contas, ao Constituição da República impede que os Municípios criem
modelo jurídico estabelecido pela CF/88. os seus próprios Tribunais, Conselhos ou órgãos de contas
municipais (CF, art. 31, § 4º), mas permite que os Estados-
Recentemente, o Plenário do Supremo Tribunal Federal membros, mediante autônoma deliberação, instituam órgão
julgou improcedente a ADI nº 5763, asseverando que é estadual denominado Conselho ou Tribunal de Contas dos
possível a extinção de Tribunal de Contas dos Municípios Municípios (RTJ 135/457, Rel. Min. Octavio Gallotti – ADI
por meio de emenda constitucional estadual. A maioria dos 445/DF, Rel. Min. Néri da Silveira), incumbido de auxiliar as
ministros julgou improcedente a Ação Direta de Câmaras Municipais no exercício de seu poder de controle
Inconstitucionalidade foi proposta pela Associação dos externo (CF, art. 31, § 1º). Esses Conselhos ou Tribunais de
Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon) e Contas dos Municípios – embora qualificados como órgãos
questionava emenda feita à Constituição do Estado do estaduais (CF, art. 31, § 1º) – atuam, onde tenham sido
Ceará, aprovada em agosto passado, que extinguiu o instituídos, como órgãos auxiliares e de cooperação técnica
Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-CE). das Câmaras de Vereadores. A prestação de contas desses
O art. 31 da CF/88 estabelece que a fiscalização do Tribunais de Contas dos Municípios, que são órgãos
Município também será exercida mediante controle externo estaduais (CF, art. 31, § 1º), há de se fazer, por isso mesmo,
da Câmara Municipal, com o auxílio dos Tribunais de Contas perante o Tribunal de Contas do próprio Estado, e não
dos Estados ou dos Conselheiros ou Tribunais de Contas dos perante a Assembleia Legislativa do Estado-membro.
Municípios, onde houver, nos seguintes termos: Prevalência, na espécie, da competência genérica do
Tribunal de Contas do Estado (CF, art. 71, II, c/c o art. 75.
Art. 31. A fiscalização do Município será exercida pelo (...). (STF ADI 687, Rel. Min. Celso de Mello, Plenário, DJ de
Poder Legislativo Municipal, mediante controle externo, e 10-2-2006)
pelos sistemas de controle interno do Poder Executivo
Municipal, na forma da lei. EMENTA. Ação Direta de Inconstitucionalidade. (...). 5.
§ 1º O controle externo da Câmara Municipal será exercido Reconhecimento da possibilidade de existência de
com o auxílio dos Tribunais de Contas dos Estados ou do procuradorias especiais para representação judicial da
Município ou dos Conselhos ou Tribunais de Contas dos Assembleia Legislativa e do Tribunal de Contas nos casos em
Municípios, onde houver. que necessitem praticar em juízo, em nome próprio, série
§ 2º O parecer prévio, emitido pelo órgão competente sobre de atos processuais na defesa de sua autonomia e
as contas que o Prefeito deve anualmente prestar, só independência em face dos demais poderes, as quais
deixará de prevalecer por decisão de dois terços dos também podem ser responsáveis pela consultoria e pelo
membros da Câmara Municipal. assessoramento jurídico de seus demais órgãos. (...). 10.
§ 3º As contas dos Municípios ficarão, durante sessenta Ação Direta de Inconstitucionalidade julgada parcialmente
dias, anualmente, à disposição de qualquer contribuinte, procedente para confirmar a medida liminar e declarar
para exame e apreciação, o qual poderá questionar-lhes a inconstitucionais o artigo 254 das Disposições Gerais e o
legitimidade, nos termos da lei. artigo 10 das Disposições Transitórias da Constituição do
§ 4º É vedada a criação de Tribunais, Conselhos ou órgãos Estado de Rondônia; e assentar a constitucionalidade dos
de Contas Municipais. artigos 252, 253 e 255 da Constituição do Estado de
§ 3º As contas dos Municípios ficarão, durante sessenta Rondônia. (STF ADI 94 RO, Rel. Min. Gilmar Mendes, Pleno,
dias, anualmente, à disposição de qualquer contribuinte, DJ 15.12.2011).
para exame e apreciação, o qual poderá questionar-lhes a
legitimidade, nos termos da lei.
5.2. PODER EXECUTIVO
§ 4º É vedada a criação de Tribunais, Conselhos ou órgãos
de Contas Municipais. SISTEMA ELEITORAL. POSSE

O legislador reconheceu a existência dos Tribunais de Art. 76. O Poder Executivo é exercido pelo Presidente da
Contas de Município já existentes na data da promulgação República, auxiliado pelos Ministros de estado.
da CF/88, não permitindo às respectivas Construções
Estaduais aboli-los, entretanto vedou expressamente a O Executivo pratica atos de chefia de estado, chefia de
criação de novos Conselhos de Contas Municipais. governo e atos da administração, características do sistema
presidencialista, adotado pela constituição atual, que teve
influência norte-americana. Foi vivenciado por toda a
República, com exceção do período 1961/1963, durante a
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Constituição de 1946, onde foi instituído o Art. 78. O Presidente e o Vice-Presidente da República
Parlamentarismo. tomarão posse em sessão do Congresso Nacional,
A grande diferença entre o Sistema Parlamentarista e prestando o compromisso de manter, defender e cumprir a
Presidencialista é que no primeiro as funções de Chefe de Constituição, observar as leis, promover o bem geral do
Estado e Chefe de Governo são exercidas por pessoas povo brasileiro, sustentar a união, a integridade e a
diferentes (Monarca ou Presidente e Primeiro Ministro ou independência do Brasil.
Conselho, respectivamente) e no segundo as funções se Parágrafo único. Se, decorridos dez dias da data fixada
acumulam na pessoa do Governante. Além disso, no para a posse, o Presidente ou o Vice-Presidente, salvo
Parlamentarismo, há uma relação de interdependência motivo de força maior, não tiver assumido o cargo, este
entre o Poder Executivo e Poder Legislativo e no será declarado vago.
Presidencialismo a relação é de independência.
Dispositivos correspondentes: arts. 28, caput; 29, III e 57,
No âmbito estadual e distrital, o Poder Executivo é exercido § 6º, I, da CF.
pelo Governador e segue as regras do art. 28 e artigo 32, §
2º, ambos da CF/88, observado, quando ao mais, o disposto Art. 82. O mandato do Presidente da República é de quatro
no artigo 77. E no âmbito municipal, pelo Prefeito (art. 29, I, anos e terá início em primeiro de janeiro do ano seguinte
II, III, V, X e XIV). A direção dos Territórios Federais dar-se-á ao da sua eleição.
por Governador nomeado pelo Presidente da República,
Dispositivos correspondentes: arts. 28, caput; 29, I e 32,
conforme estabelecido no artigo 33, § 3º, 52, III, c, e 84, XIV,
§ 2º, da CF.
todos da CF/88.
Art. 77. A eleição do Presidente e do Vice-Presidente da PRESIDENTE E VICE-PRESIDENTE DA REPÚBLICA
República realizar-se-á, simultaneamente, no primeiro REGRAS DE SUBSTITUIÇÃO E SUCESSÃO
domingo de outubro, em primeiro turno, e no último
Art. 79. Substituirá o Presidente, no caso de impedimento,
domingo de outubro, em segundo turno, se houver, ao ano
e suceder-lhe-á, no de vaga, o Vice-Presidente.
anterior ao do término do mandato presidencial vigente.
(Redação dada pela EC 16, de 1997) Parágrafo único. O Vice-Presidente da República, além de
outras atribuições que lhe forem conferidas por lei
§ 1º A eleição do Presidente da República importará a do
complementar, auxiliará o Presidente, sempre que por ele
Vice-Presidente com ele registrado.
for convocado para missões especiais.
§ 2º Será considerado eleito Presidente o candidato que,
Art. 80. Em caso de impedimento do Presidente e do Vice-
registrado por partido político, obtiver a maioria absoluta
Presidente, ou vacância dos respectivos cargos, serão
de votos não computados os em branco e os nulos.
sucessivamente chamados ao exercício da Presidência o
§ 3º Se nenhum candidato alcançar maioria absoluta na Presidente da Câmara dos Deputados, o do Senado Federal
primeira votação, far-se-á nova eleição em até vinte dias e o do Supremo Tribunal Federal.
após a proclamação do resultado, concorrendo os dois
Art. 81. Vagando os cargos de Presidente e Vice-Presidente
candidatos mais votados e considerando-se eleito aquele
da República, far-se-á eleição noventa dias depois de
que obtiver a maioria dos votos válidos.
aberta a última vaga.
§ 4º Se, antes de realizado o segundo turno, ocorrer morte,
§ 1º Ocorrendo a vacância nos últimos dois anos do
desistência ou impedimento legal de candidato, convocar-
período presidencial, a eleição para ambos os cargos será
se-á, dentre os remanescentes, o de maior votação.
feita trinta dias depois da última vaga, pelo Congresso
§ 5º Se, na hipótese dos parágrafos anteriores, remanes- Nacional, na forma da lei.
cer, em segundo lugar, mais de um candidato com a
§ 2º Em qualquer dos casos, os eleitos deverão completar o
mesma votação, qualificar-se-á o mais idoso.
período de seus antecessores.
As regras para a eleição do Presidente e Vice Presidente da
Há diferença entre substituir (caráter temporário) e suceder
República são observadas pelos Estados, DF e Municípios
(caráter permanente).
com mais de 200 mil eleitores, de forma subsidiária
(arts. 28, caput; 32, § 2º e 29, I e II). No caso de vacância do cargo de Presidente da República,
sucede o Vice Presidente da República.
As condições de elegibilidade para Presidente são: ser
brasileiro nato (art. 12, § 3º, I), estar no pleno exercício dos Na hipótese de vaga dos cargos de Presidente e Vice
direitos políticos (art. 14, § 3º, II), alistamento eleitoral Presidente da República far-se-á nova eleição, nos termos
(art. 14, § 3º, III), domicílio eleitoral na circunscrição (art. 14, do art. 81, da CF. Assim, os Presidentes da Câmara dos
§ 3º, IV), filiação partidária (arts. 14, § 3º, V e 77, § 2º), Deputados, do Senado Federal e do Supremo Tribunal
idade mínima de 35 anos (art. 14, § 3º, VI, a), não ser Federal podem substituir, apenas (art. 80).
inalistável, nem analfabeto (art. 14, § 4º) e não ser inelegível
nos termos do art. 14, §§ 5º e 7º, da CF.
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Art. 83. O Presidente e o Vice-Presidente da República não III - iniciar o processo legislativo, na forma e nos casos
poderão, sem licença do Congresso Nacional, ausentar-se previstos nesta Constituição;
do País por período superior a quinze dias, sob pena de
IV - sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem
perda do cargo.
como expedir decretos e regulamentos para sua fiel
execução;
COMPETÊNCIAS DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA
V - vetar projetos de lei, total ou parcialmente;
Como o Brasil adotou o sistema de Governo
Presidencialista, a Constituição Federal não explicitou quais O Presidente pode propor uma emenda constitucional
as atribuições do Presidente da República quando exerce a (art. 60, caput), apresentar projeto de lei ordinária e
função de Chefe de Estado, representante público do Estado complementar (art. 61, caput), inclusive com competência
Federal e Chefe de Governo, que cuida das políticas de iniciativa privativa para propor (61, § 1º). Não poderá
internas, funções executivas, na qualidade de chefe do iniciar o processo legislativo de um decreto legislativo e de
Poder Executivo. uma resolução (art. 59, VI e VII).
A doutrina cita algumas competências do Presidente No caso de medida provisória, o art. 84, XXVI, prevê:
quando em suas atribuições age como chefe de Estado, tais “editar medidas provisórias com força da lei nos termos do
como os previstos nos incisos VII, VIII, XIX e XX. art. 62”.
Tais competências são materializadas através de decretos. O ato de sancionar um projeto de lei é de competência
Os decretos regulamentares são fontes secundárias, pois o privativa do Presidente da República, mas a promulgação e
conteúdo e amplitude do regulamento devem sempre estar publicação da lei pode ser exercida por outras autoridades
definidos em lei, podendo o Congresso Nacional sustar os (arts. 60, § 3º e 66, § 7º).
atos normativos do Poder Executivo, quando este extrapolar Poder Regulamentar é atribuição conferida pela
o seu poder regulamentar, nos termos do art. 49, V, da CF. Constituição aos Chefes do Poder Executivo para produzir
Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da regulamentos e decretos, sem a participação ordinária ou
República: regular do Poder Legislativo. Poderá ser exercido pelos
Estados, DF e municípios, desde que previstos em suas
I - nomear e exonerar os Ministros de Estado; Constituições Estaduais (estados) e Leis Orgânicas (DF e
II - exercer, com o auxílio dos Ministros de Estado, a municípios).
direção superior da administração federal; O ato de vetar um projeto de lei é de competência privativa
Os Ministros de Estado, auxiliares da Presidência, são de do Presidente da República.
livre nomeação e exoneração do Presidente da República VI - dispor, mediante decreto, sobre.
(art. 84, I), escolhidos dentre brasileiros maiores de vinte e
um anos e no exercício dos direitos políticos, nos termos do a) organização e funcionamento da administração federal,
art. 87, que diz: quando não implicar aumento de despesa nem criação ou
extinção de órgãos públicos.
Art. 87. Os Ministros de Estado serão escolhidos dentre
brasileiros maiores de vinte e um anos e no exercício dos b) extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos;
direitos políticos.
O decreto regulamentar está estabelecido no inciso IV,
Parágrafo único. Compete ao Ministro de Estado, além de
outras atribuições estabelecidas nesta Constituição e na lei;
parte final, que rege: “sancionar, promulgar e fazer publicar
as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua
I - exercer a orientação, coordenação e supervisão dos
fiel execução”, que não se confunde com o decreto
órgãos e entidades da administração federal na área de
sua competência e referendar os atos e decretos assinados autônomo previsto neste dispositivo.
pelo Presidente da República; O primeiro é ato normativo secundário e o segundo é ato
II - expedir instruções para a execução das leis, decretos e normativo primário, embora nenhum dos dois passe pela
regulamentos; deliberação do Congresso Nacional.
III - apresentar ao Presidente da República relatório anual
de sua gestão no Ministério; Dispositivos correspondentes: arts. 48, X; 61, § 1º, II, a, da
CF.
IV - praticar os atos pertinentes às atribuições que lhe
forem outorgadas ou delegadas pelo Presidente da  Jurisprudência relacionada ao tema:
República.
EMENTA. (...) tem-se objeto idôneo à ação direta de
Ressalte-se que o Ministro de Estado de Defesa deve ser inconstitucionalidade quando o decreto impugnado não é
brasileiro nato (art. 12, § 3º, VII). de caráter regulamentar de lei, mas constitui ato normativo
que pretende derivar o seu conteúdo diretamente da
Dispositivos correspondentes: arts. 12, § 3º e 87, da CF.
Constituição. (...). (STF ADI 1590. Rel. Ministro Sepúlveda
Pertence; DJ 15.08.97)

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Ressalte-se que órgãos e ministérios são criados e extintos XVII - nomear membros do Conselho da República, nos
por lei, conforme prevê o art. 88, ex vi legis: “A lei disporá termos do art. 89, VII;
sobre a criação e extinção de Ministérios e órgãos da
administração pública”. XVIII - convocar e presidir o Conselho da República e o
Conselho de Defesa Nacional;
VII - manter relações com Estados estrangeiros e acreditar
seus representantes diplomáticos; Os dispositivos que regulam o Conselho da República e o
Conselho de Defesa Nacional, dispõem que:
VIII - celebrar tratados, convenções e atos internacionais,
Art. 89. O Conselho da República é órgão superior de
sujeitos a referendo do Congresso Nacional;
consulta do Presidente da República, e dele participam:
Dispositivos correspondentes: arts. 5º, § 2º; 49, I e 102, III, I - o Vice-Presidente da República;
b, da CF/88. II - o Presidente da Câmara dos Deputados;

IX - decretar o estado de defesa e o estado de sítio; III - o Presidente do Senado Federal;


IV - os líderes da maioria e da minoria na Câmara dos
X - decretar e executar a intervenção federal; Deputados;
Dispositivo correspondente: art. 49, IV, da CF/88. V - os líderes da maioria e da minoria no Senado Federal;
VI - o Ministro da Justiça;
XI - remeter mensagem e plano de governo ao Congresso VII - seis cidadãos brasileiros natos, com mais de trinta e
Nacional por ocasião da abertura da sessão legislativa, cinco anos de idade, sendo dois nomeados pelo Presidente
expondo a situação do País e solicitando as providências da República, dois eleitos pelo Senado Federal e dois eleitos
que julgar necessárias; pela Câmara dos Deputados, todos com mandato de três
anos, vedada a recondução.
Dispositivos correspondentes: arts. 49, IX e 51, II, da CF.
Art. 90. Compete ao Conselho da República pronunciar-se
XII - conceder indulto e comutar penas, com audiência, se sobre:
necessário, dos órgãos instituídos em lei; I - intervenção federal, estado de defesa e estado de sítio;
II - as questões relevantes para a estabilidade das
Indulto, que é espécie de graça, é o perdão proveniente do instituições democráticas.
Poder Executivo. Comutar penas é substituir penas. São
§ 1º O Presidente da República poderá convocar Ministro
concedidos por decreto.
de Estado para participar da reunião do Conselho, quando
A anistia, que também é clemência, será aprovada pelo constar da pauta questão relacionada com o respectivo
Congresso Nacional e sancionada pelo Presidente da Ministério.
República (art. 48, VIII). § 2º A lei regulará a organização e o funcionamento do
Conselho da República.
XIII - exercer o comando supremo das Forças Armadas, Art. 91. O Conselho de Defesa Nacional é órgão de consulta
nomear os Comandantes da Marinha, do Exército e da do Presidente da República nos assuntos relacionados com
Aeronáutica, promover seus oficiais-generais e nomeá-los a soberania nacional e a defesa do Estado democrático, e
para os cargos que lhes são privativos; dele participam como membros natos:
I - o Vice-Presidente da República;
Dispositivos correspondentes: arts. 48, II; 61, § 1º, I e II, f, da
CF. II - o Presidente da Câmara dos Deputados;
III - o Presidente do Senado Federal;
XIV - nomear, após aprovação pelo Senado Federal, os IV - o Ministro da Justiça;
Ministros do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais
V - o Ministro de Estado da Defesa; (Redação dada pela EC
Superiores, os Governadores de Territórios, o Procurador-
23, de 1999)
Geral da República, o presidente e os diretores do Banco
VI - o Ministro das Relações Exteriores;
Central e outros servidores, quando determinado em lei;
VII - o Ministro do Planejamento.
Dispositivo correspondente: art. 52, III, da CF/88. VIII - os Comandantes da Marinha, do Exército e da
Aeronáutica. (Incluído pela EC 23, de 1999)
XV - nomear, observado o disposto no art. 73 os Ministros
do Tribunal de Contas da União; § 1º Compete ao Conselho de Defesa Nacional:
I - opinar nas hipóteses de declaração de guerra e de
Dispositivos correspondentes: arts. 49, XIII; 52, III, b e 73, celebração da paz, nos termos desta Constituição ;
§ 2º, da CF. II - opinar sobre a decretação do estado de defesa, do
estado de sítio e da intervenção federal;
XVI - nomear os magistrados, nos casos previstos nesta
Constituição, e o Advogado-Geral da União. III - propor os critérios e condições de utilização de áreas
indispensáveis à segurança do território nacional e opinar
Os nomeados não serão arguidos pelo Senado Federal. sobre seu efetivo uso, especialmente na faixa de fronteira e
nas relacionadas com a preservação e a exploração dos
Dispositivos correspondentes: arts. 107; 115 e 131, da CF. recursos naturais de qualquer tipo;

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IV - estudar, propor e acompanhar o desenvolvimento de único): validade da Portaria do Ministro de Estado que, no
iniciativas necessárias a garantir a independência nacional uso de competência delegada, aplicou a pena de demissão
e a defesa do Estado democrático. ao impetrante. (...). (STF MS 25.518, Rel. Min. Sepúlveda
§ 2º A lei regulará a organização e o funcionamento do Pertence, Plenário, DJ de 10-8-06).
Conselho de Defesa Nacional.
CRIME DE RESPONSABILIDADE E JULGAMENTO DO
XIX - declarar guerra, no caso de agressão estrangeira, PRESIDENTE DA REPÚBLICA
autorizado pelo Congresso Nacional ou referendado por
ele, quando ocorrida no intervalo das sessões legislativas, Art. 85. São crimes de responsabilidade os atos do
e, nas mesmas condições, decretar total ou parcialmente a Presidente da República que atentem contra a
mobilização nacional; Constituição Federal e, especialmente, contra:

XX - celebrar a paz, autorizado ou com o referendo do I - a existência da União;


Congresso Nacional; II - o livre exercício do Poder Legislativo, do Poder
Judiciário, do Ministério Público e dos Poderes
Dispositivo correspondente: art. 49, II, da CF.
constitucionais das unidades da Federação;
XXI - conferir condecorações e distinções honoríficas;
III - o exercício dos direitos políticos, individuais e sociais;
XXII - permitir, nos casos previstos em lei complementar,
IV - a segurança interna do País;
que forças estrangeiras transitem pelo território nacional
ou nele permaneçam temporariamente; V - a probidade na administração;

Dispositivo correspondente: art. 49, II, da CF. VI - a lei orçamentária;

XXIII - enviar ao Congresso Nacional o plano plurianual, o VII - o cumprimento das leis e das decisões judiciais;
projeto de lei de diretrizes orçamentárias e as propostas de Parágrafo único. Esses crimes serão definidos em lei
orçamento previstos nesta Constituição; especial, que estabelecerá as normas de processo e
julgamento.
Dispositivos correspondentes: art. 48, II, da CF.
Segundo a Carta de Outubro, o procedimento é bifásico,
XXIV - prestar, anualmente, ao Congresso Nacional, dentro
primeiramente passa pelo juízo de admissibilidade na
de sessenta dias após a abertura da sessão legislativa, as
Câmara dos Deputados (art. 51, I) e na fase final, é julgado
contas referentes ao exercício anterior;
perante o Senado Federal.
Dispositivos correspondentes: arts. 49, IX; 51, II e 71, I, da
Os detentores de altos cargos públicos poderão praticar,
CF.
além de outros crimes comuns, os crimes de
XXV - prover e extinguir os cargos públicos federais, na responsabilidade, ou seja, infrações político-administrativas
forma da lei; (crimes, portanto, de natureza política), submetendo-se ao
processo de impeachment.
XXVII - exercer outras atribuições previstas nesta
Constituição. Além do Presidente da República (art. 52, I), também
poderão ser responsabilizados politicamente e destituídos
O rol das competências do Presidente da República não é de seus cargos: o Vice-Presidente da República (art. 52, I), os
exaustivo, mas enumerativo. Ministros de Estado nos crimes conexos com aqueles
Parágrafo único. O Presidente da República poderá delegar praticados pelo Presidente e Vice-Presidente da República
as atribuições mencionadas nos incisos VI, XII e XXV, (art. 52, I), os Ministros do STF (art. 52, II), os membros do
primeira parte, aos Ministros de Estado, ao Procurador- Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do
Geral da República ou ao Advogado-Geral da União, que Ministério Público (art. 52, II), o Procurador Geral da
observarão os limites traçados nas respectivas delegações. República (art. 52, II) e o Advogado Geral da União (art. 52,
II), bem como governadores e Prefeitos (art. 31).
É possível a delegação da edição do decreto autônomo (VI),
A Lei 1.079/50 define os crimes e regula o processo.
a concessão de indulto e comutação de penas (XII) e o
prover cargos públicos federais, na forma da lei (XXV, 1ª  Jurisprudência relacionada ao tema:
parte) a Ministro de Estado, ao Procurador Geral da
SÚMULA 722, STF. São da competência legislativa da União
República e ao Advogado Geral da União.
a definição dos crimes de responsabilidade e o
 Jurisprudência relacionada ao tema: estabelecimento das respectivas normas de processo e
julgamento.
EMENTA. (...) Presidente da República: competência para
prover cargos públicos (CF, art. 84, XXV, primeira parte), que EMENTA. RECLAMAÇÃO. USURPAÇÃO DA COMPETÊNCIA DO
abrange a de desprovê-los, a qual, portanto é susceptível de SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. IMPROBIDADE
delegação a Ministro de Estado (CF, art. 84, parágrafo ADMINISTRATIVA. CRIME DE RESPONSABILIDADE. AGENTES
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POLÍTICOS. (…) II. 1. Improbidade administrativa. Crimes de  Jurisprudência relacionada ao tema:


responsabilidade. Os atos de improbidade administrativa
EMENTA. COMPETÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
são tipificados como crime de responsabilidade na Lei
AÇÃO CIVIL PÚBLICA CONTRA PRESIDENTE DA REPUBLICA.
1.079/1950, delito de caráter político-administrativo. II. 2.
LEI N. 7.347/85. A competência do Supremo Tribunal
Distinção entre os regimes de responsabili-zação político-
Federal e de direito estrito e decorre da Constituição, que a
administrativa. O sistema constitucional brasileiro distingue
restringe aos casos enumerados no art. 102 e incisos. A
o regime de responsabilidade dos agentes políticos dos
circunstancia de o Presidente da Republica estar sujeito à
demais agentes públicos. A Constituição não admite a
jurisdição da Corte, para os feitos criminais e mandados de
concorrência entre dois regimes de responsabilidade
segurança, não desloca para esta o exercício da
político-administrativa para os agentes políticos: o previsto
competência originaria em relação às demais ações
no art. 37, § 4º (regulado pela Lei 8.429/1992) e o regime
propostas contra ato da referida autoridade. (...). (STF Pet
fixado no art. 102, I, "c", (disciplinado pela Lei 1.079/1950).
693 AgR/SP - Rel. Min. ILMAR GALVÃO, DJ 01-03-1996).
Se a competência para processar e julgar a ação de
improbidade (CF, art. 37, § 4º) pudesse abranger também EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE.
atos praticados pelos agentes políticos, submetidos a PODER CONSTITUINTE DERIVADO. CONSTITUIÇÃO
regime de responsabilidade especial, ter-se-ia uma ESTADUAL. INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL.
interpretação ab-rogante do disposto no art. 102, I, "c", da REGULAÇÃO DA FORMA DE PROCESSAMENTO DOS CRIMES
Constituição. II. 3. Regime especial. Ministros de Estado. Os DE RESPONSABILIDADE IMPUTADOS A GOVERNADOR DE
Ministros de Estado, por estarem regidos por normas ESTADO. USURPAÇÃO DA COMPETÊNCIA PRIVATIVA DA
especiais de responsabilidade (CF, art. 102, I, "c"; Lei UNIÃO PARA LEGISLAR SOBRE DIREITO PENAL E DIREITO
1.079/1950), não se submetem ao modelo de competência PROCESSUAL. ENUNCIADO 46 DA SÚMULA VINCULANTE DO
previsto no regime comum da Lei de Improbidade STF. INCONSTITUCIONALIDADE MATERIAL. AUTORIZAÇÃO
Administrativa (Lei 8.429/1992). II. 4.Crimes de PRÉVIA DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA COMO CONDIÇÃO
responsabilidade. Competência do Supremo Tribunal PARA INSTAURAÇÃO DE AÇÃO PENAL EM FACE DE
Federal. Compete exclusivamente ao Supremo Tribunal GOVERNADOR DO ESTADO. MUTAÇÃO CONSTITUCIONAL.
Federal processar e julgar os delitos político-administrativos, OFENSA AO PRINCÍPIO REPUBLICANO. FORÇA NORMATIVA
na hipótese do art. 102, I, "c", da Constituição. Somente o DA CONSTITUIÇÃO. GOVERNADOR. CHEFIA DE ESTADO E
STF pode processar e julgar Ministro de Estado no caso de CHEFIA DE GOVERNO. DISTINÇÃO. DEFESA DA SOBERANIA
crime de responsabilidade e, assim, eventualmente, NACIONAL. PODER CONSTITUINTE DERIVADO. SIMETRIA. - O
determinar a perda do cargo ou a suspensão de direitos Supremo Tribunal Federal fixou a tese segundo a qual “[é]
políticos. (...). (STF Rcl 2138 / DF - Rel. Min. NELSON JOBIM, vedado às unidades federativas instituírem normas que
DJ 18-04-2008) condicionem a instauração de ação penal contra
Governador, por crime comum, à prévia autorização da casa
Art. 86. Admitida a acusação contra o Presidente da legislativa, cabendo ao Superior Tribunal de Justiça dispor,
República, por dois terços da Câmara dos Deputados, será fundamentadamente, sobre a aplicação de medidas
ele submetido a julgamento perante o Supremo Tribunal cautelares penais, inclusive afastamento do cargo”. (…). (STF
Federal, nas infrações penais comuns, ou perante o Senado ADI4772/RJ, Rel. Min. Luiz Fux, Plenário, J. 12.06.2017).
Federal, nos crimes de responsabilidade.
§ 1º O Presidente ficará suspenso de suas funções:
A acusação poderá ser apresentada por qualquer cidadão na
Câmara dos Deputados, que declarará procedente ou não a I - nas infrações penais comuns, se recebida a denúncia ou
acusação (art. 51, I). Instaurado o processo, será o queixa-crime pelo Supremo Tribunal Federal;
Presidente da República submetido a julgamento perante o II - nos crimes de responsabilidade, após a instauração do
Senado Federal (art. 52, I), nos crimes de responsabilidade e processo pelo Senado Federal.
ao Supremo Tribunal Federal, nos crimes comuns.
§ 2º Se decorrido o prazo de cento e oitenta dias, e
Não cabe ao Senado federal decidir se instaura ou não o julgamento não estiver concluído, cessará o afastamento
processo depois de admitido pela Câmara dos Deputados. do Presidente sem prejuízo do regular prosseguimento do
No caso dos crimes comuns, o Supremo Tribunal não está processo.
vinculado, podendo receber ou não a denúncia.
IMUNIDADE PRESIDENCIAL
A expressão “crime comum”, conforme posicionamento do
STF abrange “todas as modalidades de infrações penais, § 3º Enquanto não sobrevier sentença condenatória, nas
estendendo-se aos delitos eleitorais, alcançando até mesmo infrações comuns, o Presidente da República não estará
os crimes contra a vida e as próprias contravenções penais”. sujeito a prisão.
As regras procedimentais para o processamento dos crimes § 4º O Presidente da República, na vigência de seu
comuns estão previstas na Lei 8.038/90 e no Regimento mandato, não pode ser responsabilizado por atos
Interno do Supremo Tribunal Federal. estranhos ao exercício de suas funções.

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O Presidente da República não poderá ser preso nem em § 1º Perderá o mandato o Governador que assumir outro
flagrante, nem por prisão temporária ou preventiva , nas cargo ou função na administração pública direta ou
infrações comuns, considerando que após o trânsito em indireta, ressalvada a posse em virtude de concurso público
e observado o disposto no art. 38, I, IV e V.
julgado o Chefe do Executivo Federal poderá ser preso
(§ 3º). (Renumerado do parágrafo único, pela EC 19, de 1998)
§ 2º Os subsídios do Governador, do Vice-Governador e dos
Também não poderá, nas infrações penais praticadas antes Secretários de Estado serão fixados por lei de iniciativa da
do início do mandato ou durante a vigência, porém, sem Assembléia Legislativa, observado o que dispõem os arts.
qualquer relação com a função presidencial (não praticadas 37, XI, 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I.
in officio ou propter officium), ser perseguido (Incluído pela EC 19, de 1998)
criminalmente, já que a persecução penal ficará inibida,
provisoriamente, acarretando a suspensão do curso da Dispositivos correspondentes: art. 105, I, a, da CF.
prescrição – irresponsabilidade penal relativa. O Executivo Municipal consta no art. 29, da CF/88, que diz:
Tais imunidades são aplicáveis somente ao Presidente da
República, não se aplicando aos Governadores de Estados- Art. 29. O Município reger-se-á por lei orgânica, votada em
dois turnos, com o interstício mínimo de dez dias, e
membros (Imunidade Presidencial).
aprovada por dois terços dos membros da Câmara
 Jurisprudência relacionada ao tema: Municipal, que a promulgará, atendidos os princípios
estabelecidos nesta Constituição, na Constituição do
EMENTA. (...). Os Governadores de Estado - que dispõem de respectivo Estado e os seguintes preceitos:
prerrogativa de foro ratione muneris perante o Superior I - eleição do Prefeito, do Vice-Prefeito e dos Vereadores,
Tribunal de Justiça (CF, art. 105, I, a) - estão para mandato de quatro anos, mediante o pleito direto e
permanentemente sujeitos, uma vez obtida a necessária simultâneo realizado em todo o País;
licença da respectiva Assembleia Legislativa (RE 153.968-BA, II - eleição do Prefeito e do Vice-Prefeito realizada no
Rel. Min. ILMAR GALVAO; RE 159.230-PB, Rel. Min. primeiro domingo de outubro do ano anterior ao término
SEPÚLVEDA PERTENCE), a processo penal condenatório, do mandato dos que devam suceder, aplicadas as regras do
ainda que as infrações penais a eles imputadas sejam art. 77, no caso de Municípios com mais de duzentos mil
estranhas ao exercício das funções governamentais. - A eleitores; (Redação dada pela EC 16, de1997)
imunidade do Chefe de Estado a persecução penal deriva de III - posse do Prefeito e do Vice-Prefeito no dia 1º de janeiro
cláusula constitucional exorbitante do direito comum e, por do ano subseqüente ao da eleição;
traduzir consequência derrogatória do postulado V - subsídios do Prefeito, do Vice-Prefeito e dos Secretários
republicano, só pode ser outorgada pela própria Municipais fixados por lei de iniciativa da Câmara
Constituição Federal. (...). O Estado-membro, ainda que em Municipal, observado o que dispõem os arts. 37, XI, 39,
norma constante de sua própria Constituição, não dispõe de § 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I; (Redação dada pela EC
competência para outorgar ao Governador a prerrogativa 19, de 1998)
extraordinária da imunidade a prisão em flagrante, a prisão X - julgamento do Prefeito perante o Tribunal de Justiça;
preventiva e a prisão temporária, pois a disciplinação dessas (Renumerado do inciso VIII, pela EC 1, de 1992)
modalidades de prisão cautelar submete-se, com XIV - perda do mandato do Prefeito, nos termos do art. 28,
exclusividade, ao poder normativo da União Federal, por parágrafo único. (Renumerado do inciso XII, pela EC 1, de
efeito de expressa reserva constitucional de competência 1992)
definida pela Carta da Republica. - A norma constante da Art. 29-A. (...).
Constituição estadual - que impede a prisão do Governador § 2º Constitui crime de responsabilidade do Prefeito
de Estado antes de sua condenação penal definitiva - não se Municipal: (Incluído pela EC 25, de 2000)
reveste de validade jurídica e, consequentemente, não pode I - efetuar repasse que supere os limites definidos neste
subsistir em face de sua evidente incompatibilidade com o artigo; (Incluído pela EC 25, de 2000)
texto da Constituição Federal. PRERROGATIVAS INERENTES II - não enviar o repasse até o dia vinte de cada mês; ou
AO PRESIDENTE DA REPUBLICA ENQUANTO CHEFE DE (Incluído pela EC 25, de 2000)
ESTADO. (...). (STF ADI 978 / PB - Rel. Min. ILMAR GALVÃO, III - enviá-lo a menor em relação à proporção fixada na Lei
DJ 24-11-1995). Orçamentária. (Incluído pela EC 25, de 2000)
§ 3º Constitui crime de responsabilidade do Presidente da
No âmbito do Estado, o Poder Executivo está
Câmara Municipal o desrespeito ao § 1º deste artigo.
regulamentado no art. 28, da CF/88, que diz: (Incluído pela EC 25, de 2000)
Art. 28. A eleição do Governador e do Vice-Governador de  Jurisprudência relacionada ao tema:
Estado, para mandato de quatro anos, realizar-se-á no
primeiro domingo de outubro, em primeiro turno, e no SÚMULA 702, STF. A competência do tribunal de justiça para
último domingo de outubro, em segundo turno, se houver, julgar prefeitos restringe-se aos crimes de competência da
do ano anterior ao do término do mandato de seus justiça comum estadual; nos demais casos, a competência
antecessores, e a posse ocorrerá em primeiro de janeiro do originária caberá ao respectivo tribunal de segundo grau.
ano subseqüente, observado, quanto ao mais, o disposto no
art. 77. (Redação dada pela EC 16, de1997)
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No que tange ao Distrito Federal, o Poder Legislativo segue convergência, ou seja, apreciam as causas oriundas de todo
as mesmas regras dos Estados-membros, conforme se vê no o território nacional, nos termos do § 2º, do presente artigo.
art. 32, § 3º:
Os juízes monocráticos ou de 1º grau e os Tribunais
Art. 32. O Distrito Federal, vedada sua divisão em Inferiores ou Tribunais de 2º grau (TRF's, TJ's, TRT's, TRE's),
Municípios, reger-se-ão por lei orgânica, votada em dois formam a justiça de 1ª e 2ª instâncias, respectivamente.
turnos com interstício mínimo de dez dias, a aprovada por
dois terços da Câmara Legislativa, que a promulgará, Sobre o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), é
atendidos os princípios estabelecidos nesta Constituição. imprescindível estudar o art. 103-B, da CF, que dispõe:
§ 2º A eleição do Governador e do Vice-Governador, Art. 103-B. O Conselho Nacional de Justiça compõe-se de 15
observadas as regras do art. 77, e dos Deputados Distritais (quinze) membros com mandato de 2 (dois) anos, admitida
coincidirá com a dos Governadores e Deputados Estaduais, 1 (uma) recondução, sendo: (Incluído pela EC 45, de 2004)
para mandato de igual duração. (Alterado pela EC 61, de 11/11/2009)
I - o Presidente do Supremo Tribunal Federal; (Alterado pela
5.3. PODER JUDICIÁRIO EC 61, de 11/11/2009)
II - um Ministro do Superior Tribunal de Justiça, indicado
ORGANIZAÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO pelo respectivo tribunal;
CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA
III - um Ministro do Tribunal Superior do Trabalho, indicado
Art. 92. São órgãos do Poder Judiciário: pelo respectivo tribunal;
IV - um desembargador de Tribunal de Justiça, indicado
I - o Supremo Tribunal Federal; pelo Supremo Tribunal Federal;
I-A - o Conselho Nacional de Justiça; (Incluído pela EC 45, de V - um juiz estadual, indicado pelo Supremo Tribunal
2004) Federal;
VI - um juiz de Tribunal Regional Federal, indicado pelo
II - o Superior Tribunal de Justiça;
Superior Tribunal de Justiça;
II-A O Tribunal Superior do Trabalho; (Incluído pela EC 92, de VII - um juiz federal, indicado pelo Superior Tribunal de
2016) Justiça;
III - os Tribunais Regionais Federais e Juízes Federais; VIII - um juiz de Tribunal Regional do Trabalho, indicado
pelo Tribunal Superior do Trabalho;
IV - os Tribunais e Juízes do Trabalho; IX - um juiz do trabalho, indicado pelo Tribunal Superior do
V - os Tribunais e Juízes Eleitorais; Trabalho;
X - um membro do Ministério Público da União, indicado
VI - os Tribunais e Juízes Militares; pelo Procurador-Geral da República;
VII - os Tribunais e Juízes dos Estados e do Distrito Federal XI - um membro do Ministério Público estadual, escolhido
e Territórios. pelo Procurador-Geral da República dentre os nomes
indicados pelos órgãos competente de cada instituição
§ 1º O Supremo Tribunal Federal, o Conselho Nacional de estadual;
Justiça e os Tribunais Superiores têm sede na Capital XII - dois advogados, indicados pelo Conselho Federal da
Federal. (Incluído pela EC 45, de 2004) Ordem dos Advogados do Brasil;
§ 2º O Supremo Tribunal Federal e os Tribunais Superiores XIII - dois cidadãos, de notável saber jurídico e reputação
têm jurisdição em todo o território nacional. (Incluído pela ilibada, indicados um pela Câmara dos Deputados e outro
EC 45, de 2004) pelo Senado Federal.
§ 1º O Conselho será presidido pelo Presidente do Supremo
São órgãos do Poder Judiciário: O Supremo Tribunal Federal Tribunal Federal e, nas suas ausências e impedimentos,
(art. 101), o Conselho Nacional de Justiça (art. 103-B), o pelo Vice-Presidente do Supremo Tribunal Federal.
Superior Tribunal de Justiça (art. 104), o Tribunal Superior (Alterado pela EC 61, de 2009)
do Trabalho (art. 111-A), os Tribunais Regionais Federais e § 2º Os demais membros do Conselho serão nomeados pelo
Juízes Federais, justiça comum federal (art. 106), os Presidente da República, depois de aprovada a escolha pela
Tribunais e Juízes do Trabalho, justiça especializada (art. maioria absoluta do Senado Federal. (Alterado pela EC 61,
111), os Tribunais e Juízes Eleitorais (art. 118), os Tribunais e de2009)
Juízes Militares (art. 122) e os Tribunais e Juízes dos Estados § 3º Não efetuadas, no prazo legal, as indicações previstas
(art. 125). neste artigo, caberá a escolha ao Supremo Tribunal
Federal.
O Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça
§ 4º Compete ao Conselho o controle da atuação
são órgãos de superposição. O primeiro é o órgão máximo administrativa e financeira do Poder Judiciário e do
do Poder Judiciário e o segundo é o maior órgão da justiça cumprimento dos deveres funcionais dos juízes, cabendo-
comum, não especializada, que juntamente com os lhe, além de outras atribuições que lhe forem conferidas
Tribunais Superiores (TST, TSE, STM), formam os órgãos de pelo Estatuto da Magistratura;

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I - zelar pela autonomia do Poder Judiciário e pelo composta por membros do próprio Poder Judiciário, e pode
cumprimento do Estatuto da Magistratura, podendo ser dividido da seguinte forma: membros do Judiciário,
expedir atos regulamentares, no âmbito de sua membros das funções essenciais à Justiça (Advocacia e
competência, ou recomendar providências;
Ministério Público) e membros da sociedade escolhidos pelo
II - zelar pela observância do art. 37 e apreciar, de ofício ou Legislativo.
mediante provocação, a legalidade dos atos
administrativos praticados por membros ou órgãos do O Presidente do Conselho será o Presidente do Supremo
Poder Judiciário, podendo desconstituídos, revê-los ou fixar Tribunal Federal e os demais membros do Conselho deverão
prazo para que se adotem as providências necessárias ao ser nomeados pelo Presidente da República, depois de
exato cumprimento da lei, sem prejuízo da competência do aprovada a escolha pela maioria absoluta do Senado
Tribunal de Contas da União; Federal. O Mandato é de dois anos, permitido somente uma
III - receber e conhecer das reclamações contra membros recondução sucessiva.
ou órgãos do Poder Judiciário, inclusive contra seus serviços
auxiliares, serventias e órgãos prestadores de serviços O Ministro do Superior Tribunal de Justiça exercerá a função
notariais e de registro que atuem por delegação do poder de Ministro-Corregedor.
público ou oficializados, sem prejuízo da competência
disciplinar e correcional dos tribunais, podendo avocar O texto constitucional prevê que o Procurador-Geral da
processos disciplinares em curso e determinar a remoção, a República e o Presidente do Conselho da Ordem dos
disponibilidade ou a aposentadoria com subsídios ou Advogados do Brasil oficiarão junto ao CNJ,
proventos proporcionais ao tempo de serviço e aplicar consequentemente não poderão compor o Conselho como
outras sanções administrativas, assegurada ampla defesa; membros das funções essenciais à Justiça.
IV - representar ao Ministério Público, no caso de crime
A atuação constitucional do Conselho Nacional de Justiça
contra a administração pública ou de abuso de autoridade;
direciona-se para duas importantes missões: o controle da
V - rever, de ofício ou mediante provocação, os processos atuação administrativa e financeira do Poder Judiciário e o
disciplinares de juízes e membros de tribunais julgados há
controle do cumprimento dos deveres funcionais dos juízes.
menos de um ano;
Na função correcional e disciplinar dos membros, órgãos e
VI - elaborar semestralmente relatório estatístico sobre
serviços do Poder Judiciário, o Conselho atua como órgão
processos e sentenças prolatadas, por unidade da
Federação, nos diferentes órgãos do Poder Judiciário;
administrativo hierarquicamente superior, podendo analisar
tanto a legalidade quanto o mérito de eventuais faltas
VII - elaborar relatório anual, propondo as providências que
funcionais.
julgar necessárias, sobre a situação do Poder Judiciário no
País e as atividades do Conselho, o qual de integrar Diversamente, porém, na função de controle da atuação
mensagem do Presidente do Supremo Tribunal Federal a administrativa e financeira do Poder Judiciário, inclusive
ser remetida ao Congresso Nacional, por ocasião da com a possibilidade de desconstituição ou revisão dos atos
abertura da sessão legislativa.
administrativos praticados pelos membros ou órgãos
§ 5º O Ministro do Superior Tribunal de Justiça exercerá a judiciários, o CNJ somente poderá analisar a legalidade do
função de Ministro-Corregedor e ficará excluído da
ato, e não o mérito.
distribuição de processos no Tribunal, competindo-lhe,
além das atribuições que lhe forem conferidas pelo Estatuto O poder de determinar a remoção, a disponibilidade ou a
da Magistratura, as seguintes: aposentadoria com subsídios ou proventos proporcionais ao
I - receber as reclamações e denúncias, de qualquer tempo de serviço será objeto de deliberação nos termos do
interessado, relativas aos magistrados e aos serviços art. 93, VIII, ex vi:
judiciários;
II - exercer funções executivas do Conselho, de inspeção e Art. 93. (...)
de correição geral; VIII - o ato de remoção, disponibilidade e aposentadoria do
III - requisitar e designar magistrados, delegando-lhes magistrado, por interesse público, fundar-se-á em decisão
atribuições, e requisitar servidores de juízos ou tribunais, por voto da maioria absoluta do respectivo tribunal ou do
inclusive nos Estados, Distrito Federal e Territórios. Conselho Nacional de Justiça, assegurada ampla defesa.
(Redação dada pela EC 45, de 2004)
§ 6º Junto ao Conselho oficiarão o Procurador-Geral da
República e o Presidente do Conselho Federal da Ordem dos
Advogados do Brasil. As ações contra o CNJ serão processadas e julgadas perante
§ 7º A União, inclusive no Distrito Federal e nos Territórios,
o STF (art. 102, I, r):
criará ouvidorias de justiça, competentes para receber Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal,
reclamações e denúncias de qualquer interessado contra precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe:
membros ou órgãos do Poder Judiciário, ou contra seus
serviços auxiliares, representando diretamente ao Conselho I - processar e julgar, originariamente:
Nacional de Justiça. r) as ações contra o Conselho Nacional de Justiça e contra o
Conselho Nacional do Ministério Público; (Incluída pela EC
A Emenda Constitucional 45 estabeleceu como órgão do
45, de 2004)
Poder Judiciário, o Conselho Nacional de Justiça, com sede
na Capital Federal, porém sem funções jurisdicionais,
composto por quinze membros, cuja maioria (nove) é
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A Constituição Federal não previu prerrogativa de foro, nos atuando com fundamento na Portaria 23, emitida pela
crimes comuns, para os conselheiros do Conselho Nacional Ministra Presidente do CNJ: 'Com efeito, a competência
de Justiça, entretanto, nos crimes de responsabilidade, fixada para este Conselho é restrita ao âmbito
serão julgados perante o Senado Federal, nos seguintes administrativo do Poder Judiciário, pelo que não pode
termos: intervir em conteúdo de decisão judicial, seja para corrigir
eventual vício de ilegalidade ou nulidade, seja para inibir o
Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal: exercício regular dos órgãos investidos de jurisdição. Para
II - processar e julgar os Ministros do Supremo Tribunal reverter eventuais provimentos que considera incorretos,
Federal, os membros do Conselho Nacional de Justiça e do ilegais ou desfavoráveis aos seus interesses, deve a parte
Conselho Nacional do Ministério Público, o Procurador- valer-se dos meios processuais adequados. (...). (STF MS
Geral da República e o Advogado-Geral da União nos
27.148 MC/DF, rel. Min. Celso de Mello, 26/05/2008)
crimes de responsabilidade; (Redação dada pela EC 45, de
2004) EMENTA. (...) Reforçou que a EC 45/2004 nunca aventara a
 Jurisprudência relacionada ao tema: hipótese da subalternidade da ação disciplinar do CNJ em
relação às corregedorias. A Min. Rosa Weber acrescentou
EMENTA. (...). Poder Judiciário. Conselho Nacional de
que o CNJ deteria competência para expedir normas de
Justiça. Instituição e disciplina. Natureza meramente
caráter genérico e abstrato sobre as matérias do art. 103-B,
administrativa. Órgão interno de controle administrativo,
I, II e § 4º, da CF, de sorte a não se falar em usurpação da
financeiro e disciplinar da magistratura. Constitucionalidade
competência dos tribunais ou do legislador complementar.
reconhecida. Separação e independência dos Poderes.
Entreviu que, enquanto não vigente o novo Estatuto da
História, significado e alcance concreto do princípio. Ofensa
Magistratura, caberia ao CNJ disciplinar, mediante
a cláusula constitucional imutável (cláusula pétrea).
resoluções, as matérias de sua competência. Assim, o
Inexistência. Subsistência do núcleo político do princípio,
referido órgão poderia regulamentar matérias até então
mediante preservação da função jurisdicional, típica do
sediadas na LOMAN e nos regimentos internos dos tribunais
Judiciário, e das condições materiais do seu exercício
nos processos disciplinares que tramitassem no âmbito
imparcial e independente. Precedentes e súmula 649.
dessas Cortes, diante do redesenho institucional promovido
Inaplicabilidade ao caso. Interpretação dos arts. 2º e 60, §
pela EC 45/2004. (...) Considerou que a uniformização das
4º, III, da CF. (...) 4. PODER JUDICIÁRIO. Conselho Nacional
regras pertinentes aos procedimentos administrativos
de Justiça. Órgão de natureza exclusivamente
disciplinares aplicáveis aos magistrados apresentar-se-ia
administrativa. Atribuições de controle da atividade
como condição necessária à plena efetividade da missão
administrativa, financeira e disciplinar da magistratura.
institucional do CNJ. Consignou, nesse sentido, o caráter
Competência relativa apenas aos órgãos e juízes situados,
uno do Judiciário, a legitimar a existência de um regramento
hierarquicamente, abaixo do Supremo Tribunal Federal. (...)
minimamente uniforme na matéria. Deduziu não haver
O Conselho Nacional de Justiça não tem nenhuma
ameaça ao Pacto Federativo, à luz do art. 125 da CF.
competência sobre o Supremo Tribunal Federal e seus
Concluiu, com base no art. 103-B, § 4º, I, II, III e V, da CF,
ministros, sendo esse o órgão máximo do Poder Judiciário
que a competência do CNJ na matéria seria originária e
nacional, a que aquele está sujeito. (...) 6. PODER
concorrente, e não meramente subsidiária. (...) Vencidos o
JUDICIÁRIO. Conselho Nacional de Justiça. Membro.
relator e os Ministros Luiz Fux, Ricardo Lewandowski, Celso
Advogados e cidadãos. Exercício do mandato. Atividades
de Mello e Presidente, que referendavam a liminar, para
incompatíveis com tal exercício. Proibição não constante das
exigir que o CNJ, ao evocar sua competência correcional,
normas da Emenda Constitucional 45/2004. Pendência de
fizesse-o mediante motivação. (...). (STF ADI 4638
projeto tendente a torná-la expressa, mediante acréscimo
Referendo-MC/DF, rel. Min. Marco Aurélio, 1 e 2.2.2012).
de § 8º ao art. 103-B da CF. Irrelevância. Ofensa ao princípio
da isonomia. Não ocorrência. Impedimentos já previstos à EMENTA. (...). No mérito, aduziu-se competir ao CNJ o
conjugação dos arts. 95, § único, e 127, § 5º, II, da CF. Ação controle do cumprimento dos deveres funcionais dos
direta de inconstitucionali-dade. Pedido aditado. magistrados brasileiros, cabendo-lhe receber e conhecer de
Improcedência. Nenhum dos advogados ou cidadãos reclamações contra membros do Poder Judiciário (CF, art.
membros do Conselho Nacional de Justiça pode, durante o 103-B, § 4 º, III e V). Consignou-se que, tendo em conta o
exercício do mandato, exercer atividades incompatíveis com princípio da hermenêutica constitucional dos “poderes
essa condição, tais como exercer outro cargo ou função, implícitos”, se a esse órgão administrativo fora concedida a
salvo uma de magistério, dedicar-se a atividade político- faculdade de avocar processos disciplinares em curso, de
partidária e exercer a advocacia no território nacional. (STF igual modo, poderia obstar o processamento de sindicância
ADI 3.367, rel. Min. Cezar Peluso, 17/03/2006) em tramitação no tribunal de origem, mero procedimento
preparatório. Ademais, realçou-se que, no caso, o CNJ
EMENTA. (...) As decisões dos magistrados no âmbito do
concluíra pela existência de elementos suficientes para a
processo não são passíveis de revisão pelo CNJ, cuja
instauração de processo administrativo disciplinar, com
competência, como bem ressaltaram os requerentes, cinge-
dispensa da sindicância. Rechaçou-se, ainda, a alegação de
se à esfera administrativa, envolvendo também a
invalidade da primeira interceptação telefônica. Registrou-
fiscalização da atuação funcional do Juiz. Neste sentido foi a
se que, na situação em apreço, a autoridade judiciária
fundamentação da decisão do Juiz Auxiliar da Presidência,
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competente teria autorizado o aludido monitoramento dos do Supremo Tribunal Federal, que deverá obedecer os
telefones de outros envolvidos em supostas irregularidades princípios aqui estabelecidos.
em execuções de convênios firmados entre determinada
As categorias da carreira da Magistratura são organizadas
prefeitura e órgãos do governo federal. Ocorre que a
em entrâncias, cujo escalonamento é matéria das leis da
impetrante teria mantido contatos, principalmente, com o
organização judiciária dos Estados ou da Justiça Federal. Na
secretário municipal de governo, cujo número também seria
carreira estão os cargos de juiz substituto, que é categoria
objeto da interceptação. Assim, quando das degravações
inicial. O ingresso na carreira se dá por provimento do cargo
das conversas, teriam sido verificadas condutas da
de juiz substituto e a progressão ocorre de entrância para
impetrante consideradas, em princípio, eticamente
entrância, por promoção, e para o tribunal correspondente,
duvidosas — recebimento de vantagens provenientes da
por acesso.
prefeitura —, o que ensejara a instauração do processo
administrativo disciplinar. Acresceu-se que a descoberta
INGRESSO NA CARREIRA
fortuita ou casual do possível envolvimento da impetrante
não teria o condão de qualificar essa prova como ilícita. I - Ingresso na carreira, cujo cargo inicial será o de juiz
Dessa forma, reputou-se não ser razoável que o CNJ substituto, mediante concurso público de provas e títulos,
deixasse de apurar esses fatos apenas porque o objeto da com a participação da Ordem dos Advogados do Brasil em
citada investigação criminal seria diferente das supostas todas as fases, exigindo-se do bacharel em direito, no
irregularidades imputadas à impetrante. Discorreu-se, mínimo, três anos de atividade jurídica e obedecendo-se,
ademais, não poder o Judiciário, do qual o CNJ seria órgão, nas nomeações, à ordem de classificação; (Redação dada pela
omitir-se no tocante à averiguação de eventuais fatos EC 45, de 2004)
graves que dissessem respeito à conduta de seus
magistrados, ainda que colhidos via interceptação de Como atividade jurídica tem-se as indicadas na Resolução 75
comunicações telefônicas judicialmente autorizada em do Conselho Nacional de Justiça, que deverá ser provada no
inquérito instaurado com o fito de investigar outras pessoas momento da inscrição definitiva do concurso da
e fatos diversos. (...). (STF MS 28003/DF, rel. orig. Min. Ellen Magistratura.
Gracie, red. p/ o acórdão Min. Luiz Fux, 8.2.2012) Resolução 75 do CNJ de 12.05.2009:

JUIZADOS ESPECIAIS Art. 58. Requerer-se-á a inscrição definitiva ao presidente


da Comissão de Concurso, mediante preenchimento de
Art. 98. A União, no Distrito Federal e nos Territórios, e os formulário próprio, entregue na secretaria do concurso.
Estados criarão: § 1º O pedido de inscrição, assinado pelo candidato, será
instruído com:
I - juizados especiais, providos por juízes togados, ou
i) formulário fornecido pela Comissão de Concurso, em que
togados e leigos, competentes para a conciliação, o
o candidato especificará as atividades jurídicas desempe-
julgamento e a execução de causas cíveis de menor nhadas, com exata indicação dos períodos e locais de sua
complexidade e infrações penais de menor potencial prestação bem como as principais autoridades com quem
ofensivo, mediante os procedimentos oral e sumaríssimo, haja atuado em cada um dos períodos de prática
permitidos, nas hipóteses previstas em lei, a transação e o profissional, discriminados em ordem cronológica.
julgamento de recursos por turmas de juízes de primeiro Art. 59. Considera-se atividade jurídica, para os efeitos do
grau; art. 58, § 1º, alínea "i":
(...). I - aquela exercida com exclusividade por bacharel em
Direito;
§ 1º Lei federal disporá sobre a criação de juizados II - o efetivo exercício de advocacia, inclusive voluntária,
especiais no âmbito da Justiça Federal. mediante a participação anual mínima em 5 (cinco) atos
privativos de advogado (Lei 8.906, 4 de julho de 1994,
No caso dos juizados especiais, a lei usou o critério do valor
art. 1º) em causas ou questões distintas;
da causa para definir “causas de menor complexidade” nas
III - o exercício de cargos, empregos ou funções, inclusive de
causas cíveis e na seara criminal, a competência dos juizados
magistério superior, que exija a utilização preponderante
especiais é para processar e julgar as infrações penais em de conhecimento jurídico;
que a lei comine pena máxima até dois anos e as
IV - o exercício da função de conciliador junto a tribunais
contravenções penais.
judiciais, juizados especiais, varas especiais, anexos de
REGRAS DA MAGISTRATURA juizados especiais ou de varas judiciais, no mínimo por 16
(dezesseis) horas mensais e durante 1 (um) ano;
Art. 93. Lei complementar, de iniciativa do Supremo V - o exercício da atividade de mediação ou de arbitragem
Tribunal Federal, disporá sobre o Estatuto da Magistratura, na composição de litígios.
observados os seguintes princípios:
 Jurisprudência relacionada ao tema:
A Lei Complementar em referência é o Estatuto da
Magistratura (LC 35/1979 - LOMAN), de iniciativa exclusiva EMENTA. (...). A norma impugnada veio atender ao objetivo
da Emenda Constitucional 45/2004 de recrutar, com mais
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rígidos critérios de seletividade técnico-profissional, os Quanto à promoção por antiguidade, verifica-se a


pretendentes às carreira ministerial pública. Os três anos de possibilidade da recusa do juiz mais antigo pelo voto
atividade jurídica contam-se da data da conclusão do curso fundamentado de dois terços dos membros do tribunal,
de Direito e o fraseado "atividade jurídica" é significante de valendo aqui também a regra da retenção de autos além do
atividade para cujo desempenho se faz imprescindível a prazo legal.
conclusão de curso de bacharelado em Direito. O momento
da comprovação desses requisitos deve ocorrer na data da III - o acesso aos tribunais de segundo grau far-se-á por
inscrição no concurso, de molde a promover maior antiguidade e merecimento, alternadamente, apurados na
segurança jurídica tanto da sociedade quanto dos última ou única entrância; (Redação dada pela EC 45, de 2004)
candidatos. (...). (STF ADI 3.460/DF, rel. Min. Carlos Britto, Esse dispositivo deve ser estudado com a regra contida no
15/06/2007) art. 94, da CF, regra do quinto constitucional.
PROMOÇÃO DE ENTRÂNCIAS E ACESSO AO 2º GRAU
Art. 94. Um quinto dos lugares dos Tribunais Regionais
II - promoção de entrância para entrância, alternadamente, Federais, dos Tribunais dos Estados, e do Distrito Federal e
Territórios será composto de membros, do Ministério
por antiguidade e merecimento, atendidas as seguintes
Público, com mais de dez anos de carreira, e de advogados
normas:
de notório saber jurídico e de reputação ilibada, com mais
a) é obrigatória a promoção do juiz que figure por três de dez anos de efetiva atividade profissional, indicados em
vezes consecutivas ou cinco alternadas em lista de lista sêxtupla pelos órgãos de representação das
merecimento; respectivas classes.
Parágrafo único. Recebidas as indicações, o Tribunal
b) a promoção por merecimento pressupõe dois anos de formará lista tríplice, enviando-a ao Poder Executivo, que,
exercício na respectiva entrância e integrar o juiz a nos vinte dias subsequentes, escolherá um de seus
primeira quinta parte da lista de antiguidade desta, salvo integrantes para nomeação.
se não houver com tais requisitos quem aceite o lugar
vago; Dispositivos correspondentes: arts. 104 (regra de ¹/3), 107,
111-A e 115, da CF.
c) aferição do merecimento conforme o desempenho e
pelos critérios objetivos de produtividade e presteza no SUBSÍDIO, APOSENTADORIA E
exercício da jurisdição e pela frequência e aproveitamento PENSÃO POR MORTE DOS MAGISTRADOS
em cursos oficiais ou reconhecidos de aperfeiçoamento;
(Redação dada pela EC 45, de 2004) V - o subsídio dos Ministros dos Tribunais Superiores
corresponderá a noventa e cinco por cento do subsídio
d) na apuração de antiguidade, o tribunal somente poderá mensal fixado para os Ministros do Supremo Tribunal
recusar o juiz mais antigo pelo voto fundamentado de dois Federal e os subsídios dos demais magistrados serão
terços de seus membros, conforme procedimento próprio, fixados em lei e escalonados, em nível federal e estadual,
e assegurada ampla defesa, repetindo-se a votação até conforme as respectivas categorias da estrutura judiciária
fixar-se a indicação; (Redação dada pela EC 45, de 2004) nacional, não podendo a diferença entre uma e outra ser
e) não será promovido o juiz que, injustificadamente, superior a dez por cento ou inferior a cinco por cento, nem
retiver autos em seu poder além do prazo legal, não exceder a noventa e cinco por cento do subsídio mensal
podendo devolvê-lo ao cartório sem o devido despacho ou dos Ministros dos Tribunais Superiores, obedecido, em
decisão; (Incluído pela EC 45, de 2004) qualquer caso, o disposto nos arts. 37, XI, e 39, § 4º;
(Redação dada pela EC 45, de 2004)
Entrância: categoria das circunstâncias jurisdicionais,
VI - a aposentadoria dos magistrados e a pensão de seus
estabelecida segundo a organização judiciária de cada
dependentes observarão o disposto no art. 40; (Redação
Estado, correspondendo a cada uma delas um grau na
dada pela EC 45, de 2004)
carreira da magistratura, para o efeito de promoção.
Por merecimento a promoção tem como pressupostos: dois O subsídio dos Ministros do STF será fixado por lei de
anos de exercício na respectiva entrância e integrar o juiz a iniciativa do próprio STF (art. 96, II, b e art. 48, XV).
primeira quinta parte da lista de antiguidade. Tal Sobre as regras da aposentadoria e pensão por morte, tem-
merecimento será aferido conforme o desempenho e pelos se o art. 40, da CF e o art. 100 do ADCT.
critérios objetivos de produtividade e presteza no exercício
PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE E MOTIVAÇÃO
da jurisdição e pela frequência e aproveitamento em cursos
NOS PROCESSOS JUDICIAIS E ADMINISTRATIVOS
oficiais ou reconhecidos de aperfeiçoamento. Ressaltando
que o juiz que figurar por três vezes consecutivas ou cinco IX - todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário
alternadas na lista de merecimento obrigatoriamente será serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob
promovido e que não retiver autos em seu poder além do pena de nulidade, podendo a lei limitar a presença, em
prazo legal, não podendo devolver os autos sem o devido determinados atos, às próprias partes e a seus advogados,
despacho ou decisão. ou somente a estes, em casos nos quais a preservação do

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direito à intimidade do interessado no sigilo não XIII - o número de juízes na unidade jurisdicional será
prejudique o interesse público à informação; (Redação dada proporcional à efetiva demanda judicial e à respectiva
pela EC 45, de 2004) população; (Incluído pela EC 45, de 2004)
X - as decisões administrativas dos tribunais serão XIV - os servidores receberão delegação para a prática de
motivadas e em sessão pública, sendo as disciplinares atos de administração e atos de mero expediente sem
tomadas pelo voto da maioria absoluta de seus membros; caráter decisório; (Incluído pela EC 45, de 2004)
(Redação dada pela EC 45, de 2004)
XV - a distribuição de processos será imediata, em todos os
graus de jurisdição. (Incluído pela EC 45, de 2004)
ÓRGÃO ESPECIAL
Os incisos supra referidos foram incluídos pela EC 45, de
XI - nos tribunais com número superior a vinte e cinco
8.12.2004.
julgadores, poderá ser constituído órgão especial, com o
mínimo de onze e o máximo de vinte e cinco membros, Estão excluídos da regra de vedação de férias coletivas: o
para o exercício das atribuições administrativas e Supremo Tribunal Federal e os Tribunais Superiores.
jurisdicionais delegadas da competência do tribunal pleno,
provendo-se metade das vagas por antiguidade e a outra
metade por eleição pelo tribunal pleno; (Redação dada pela  Jurisprudência relacionada ao tema:
EC 45, de 2004)
EMENTA. (...). 1. Ato Regimental 5, de 10 de novembro de
Não é obrigatória a instituição do órgão especial e as 2006, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios,
atribuições políticas não são delegadas. sobre o regime de férias dos membros daquele Tribunal e
dos juízes a ele vinculados, pelo qual os magistrados
Vale destacar que o órgão especial pode inclusive declarar a
indicados “gozarão as férias do ano de 2007 nos períodos de
inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, conforme
2 a 31 de janeiro e 2 a 31 de julho de 2007”. 2. Resolução
art. 97, da CF, que reza:
24, de 24 de outubro de 2006, editada pelo Conselho
Art. 97. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus Nacional de Justiça, que revogou o art. 2º da Resolução 3,
membros ou dos membros do respectivo órgão especial de 16 de agosto de 2005, fundamento do Ato Regimental 5,
poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei de 10 de novembro de 2006. 3. Afronta aos arts. 93, inc. XIII,
ou ato normativo do Poder Público. e 103-B da Constituição da República. 4. Princípio da
ininterruptabilidade da jurisdição. 5. As regras legais que
O controle difuso de constitucionalidade possibilita a todos estabeleciam que os magistrados gozariam de férias
os órgãos do Poder Judiciário examinarem e decidirem a coletivas perderam seu fundamento de validade pela
respeito da constitucionalidade das normas jurídicas. E para promulgação da Emenda Constitucional 45/2004. A nova
que tal exame se dê por parte dos Tribunais é dever seja o norma constitucional plasmou paradigma para a matéria,
mesmo submetido a maioria absoluta ou ao órgão especial contra a qual nada pode prevalecer. Enquanto vigente a
se existente (reserva de plenário), o que não se dá em norma constitucional, pelo menos em exame cautelar,
relação ao juiz singular, que pode reconhecer e proclamar a cumpre fazer prevalecer a vedação de férias coletivas de
inconstitucionalidade por si só quando verificada. juízes e membros dos tribunais de segundo grau,
Para que não haja decisões contraditórias e para assegurar a suspendendo-se a eficácia de atos que ponham em risco a
segurança jurídica das relações, não é permitido ao efetividade daquela proibição. (...). (STF ADI 3.823 MC/DF,
colegiado de julgadores, Câmaras ou Turmas (órgãos rel. Min. Cármen Lúcia, 23/11/2007).
fracionários), proceder ao afastamento da norma sob
exame, devendo submetê-la ao plenário do Tribunal ou ao GARANTIAS DOS MEMBROS E
Órgão Especial. DOS ÓRGÃOS DO PODER JUDICIÁRIO

 Jurisprudência relacionada ao tema: Art. 95. Os juízes gozam das seguintes garantias:
SÚMULA VINCULANTE 10. Viola a cláusula de reserva do I - vitaliciedade, que, no primeiro grau, só será adquirida
plenário a decisão de órgão fracionário de Tribunal que, após dois anos de exercício, dependendo a perda do cargo,
embora não declare expressamente a inconstitucionalidade nesse período, de deliberação do Tribunal a que o juiz
de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua estiver vinculado, e, nos demais casos, de sentença judicial
incidência, no todo ou em parte. transitada em julgado;
ATIVIDADE JURISDICIONAL II - inamovibilidade, salvo por motivo de interesse público,
na forma do art. 93, VIII;
XII - a atividade jurisdicional será ininterrupta, sendo
vedado férias coletivas nos juízos e tribunais de segundo III - irredutibilidade de subsídio, ressalvado o disposto nos
grau, funcionando, nos dias em que não houver expediente arts. 37, X e XI, 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I.
forense normal, juízes em plantão permanente; (Incluído (Redação dada pela EC 19, de 1998)
pela EC 45, de 2004)

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DIREITO CONSTITUCIONAL PARA CONCURSOS
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Não se cumpre conceituar um verdadeiro Estado VIII - o ato de remoção, disponibilidade e aposentadoria do
Democrático de Direito sem a existência de um Poder magistrado, por interesse público, fundar-se-á em decisão
Judiciário autônomo e independente para que exerça sua por voto da maioria absoluta do respectivo tribunal ou do
Conselho Nacional de Justiça, assegurada ampla defesa.
função de guardião das leis. Daí as garantias de que goza,
(Redação dada pela EC 45, de 2004)
algumas das quais asseguradas pela própria Constituição
Federal, sendo as principais a vitaliciedade, inamovibilidade VIII-A - a remoção a pedido ou a permuta de magistrados
de comarca de igual entrância atenderá, no que couber, ao
e a irredutibilidade de vencimentos.
disposto nas alíneas "a", "b", "c" e "e" do inciso II; (Incluído
As garantias conferidas aos membros do Poder Judiciário pela EC 45, de 2004)
têm assim como condão conferir à Instituição a necessária
independência para o exercício da Jurisdição, resguardando- Assim, verifica-se que nenhuma das garantias é absoluta.
a das pressões do Legislativo e do Executivo, não se
caracterizando, pois, os predicamentos da magistratura GARANTIAS DE IMPARCIALIDADE
PROIBIÇÕES
como privilégio dos magistrados, mas sim como meio de
assegurar o seu livre desempenho, de molde a revelar a Parágrafo único. Aos juízes é vedado:
independência e autonomia do Judiciário.
I - exercer, ainda que em disponibilidade, outro cargo ou
O mestre José Afonso da Silva dividiu as garantias do função, salvo uma de magistério;
Judiciário em garantias institucionais e garantias aos
membros. II - receber, a qualquer título ou pretexto, custas ou
participação em processo;
Garantias Institucionais: dizem respeito à Instituição como
um todo, ou seja, garantem a independência do Poder III - dedicar-se à atividade político-partidária.
Judiciário no relacionamento com os demais poderes. A IV - receber, a qualquer título ou pretexto, auxílios ou
autonomia funcional, administrativa e financeira do Poder contribuições de pessoas físicas, entidades públicas ou
Judiciário (art. 99 da CF) e o modo de escolha dos dirigentes privadas, ressalvadas as exceções previstas em lei; (Incluído
dos tribunais (art. 96, I, a da CF) são exemplos dessa pela EC 45, de 2004)
garantia.
V - exercer a advocacia no juízo ou tribunal do qual se
Garantias aos membros: subdividem-se em Garantias de afastou, antes de decorridos três anos do afastamento do
Liberdade e Garantias de Imparcialidade (art. 95, § único, I cargo por aposentadoria ou exoneração. (Incluído pela EC 45,
ao V). As garantias de liberdade dizem respeito às garantias de 2004)
que os magistrados possuem da vitaliciedade (art. 95, I),
inamovibilidade (art. 93, VIII, 95, II e 103-B, § 4º, III) e O magistrado não pode receber custas processuais e por
irredutibilidade de subsídio (art. 95, III). isso o § 2º foi incluído ao art. 98 da CF/88.

A partir da nomeação, se não o eram, os membros dos Art. 98. (...)


tribunais se tornam vitalícios, independentemente dos dois § 2º As custas e emolumentos serão destinados
anos de exercício. exclusivamente ao custeio dos serviços afetos às atividades
específicas da Justiça. (Incluído pela EC 45, de 2004)
É requisito indispensável ao processo de vitaliciamento, o
disposto no art. 93, IV, da CF/88:
 Jurisprudência relacionada ao tema:
Art. 93. (...)
IV - previsão de cursos oficiais de preparação, EMENTA. (...) 4. Considerou-se, no caso, que o objetivo da
aperfeiçoamento e promoção de magistrados, constituindo restrição constitucional é o de impedir o exercício da
etapa obrigatória do processo de vitaliciamento a atividade de magistério que se revele incompatível com os
participação em curso oficial ou reconhecido por escola afazeres da magistratura. Necessidade de se avaliar, no caso
nacional de formação e aperfeiçoamento de magistrados; concreto, se a atividade de magistério inviabiliza o ofício
(Redação dada pela EC 45, de 2004) judicante. 5. Referendada a liminar, nos termos em que foi
concedida pelo Ministro em exercício da presidência do
No caso dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, há
Supremo Tribunal Federal, tão-somente para suspender a
também a possiblidade de perda do cargo nos termos do
vigência da expressão "único (a)", constante da redação do
art. 52, II c/c § único.
art. 1o da Resolução no 336/2003, do Conselho de Justiça
Quanto à inamovibilidade, a exceção está transcrita no Federal. (...). (STF ADI 3.126 MC/DF, rel. Min. Gilmar
art. 93, nos seguintes incisos: Mendes, 06/05/2005).
Art. 93. (...) EMENTA. (…). 1. A proibição jurídica é sempre uma ordem,
VII - o juiz titular residirá na respectiva comarca, salvo que há de ser cumprida sem que qualquer outro provimento
autorização do Tribunal; (Redação dada pela EC 45, de administrativo tenha de ser praticado. O efeito proibitivo da
2004) conduta - acumulação do cargo de integrante do Poder
Judiciário com outro, mesmo sendo este o da Justiça

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OS: 0111/1/18-Gil

Desportiva - dá-se a partir da vigência da ordem e impede III - aos Tribunais de Justiça julgar os juízes estaduais e do
que o ato de acumulação seja tolerado. (...) 3. As vedações Distrito Federal e Territórios, bem como os membros do
formais impostas constitucionalmente aos magistrados Ministério Público, nos crimes comuns e de
objetivam, de um lado, proteger o próprio Poder Judiciário, responsabilidade, ressalvada a competência da Justiça
de modo que seus integrantes sejam dotados de condições Eleitoral.
de total independência e, de outra parte, garantir que os
juízes dediquem-se, integralmente, às funções inerentes ao GARANTIAS DE ATUAÇÃO FINANCEIRA
cargo, proibindo que a dispersão com outras atividades
deixe em menor valia e cuidado o desempenho da atividade Art. 99. Ao Poder Judiciário é assegurada autonomia
jurisdicional, que é função essencial do Estado e direito administrativa e financeira.
fundamental do jurisdicionado. 4. O art. 95, parágrafo único, § 1º Os tribunais elaborarão suas propostas orçamentárias
inc. I, da Constituição da República vinculou-se a uma dentro dos limites estipulados conjuntamente com os
proibição geral de acumulação do cargo de juiz com demais Poderes na lei de diretrizes orçamentárias.
qualquer outro, de qualquer natureza ou feição, salvo uma
de magistério. (...). (STF MS 25.938/DF, rel. Min. Cármen § 2º O encaminhamento da proposta, ouvidos os outros
Lúcia, 12/09/2008) tribunais interessados, compete:
I - no âmbito da União, aos Presidentes do Supremo
GARANTIAS DE ATUAÇÃO ADMINISTRATIVA Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores, com a
aprovação dos respectivos tribunais;
Art. 96. Compete privativamente:
I - aos tribunais: II - no âmbito dos Estados e no do Distrito Federal e
Territórios, aos Presidentes dos Tribunais de Justiça, com a
a) eleger seus órgãos diretivos e elaborar seus regimentos aprovação dos respectivos tribunais.
internos, com observância das normas de processo e das
garantias processuais das partes, dispondo sobre a § 3º Se os órgãos referidos no § 2º não encaminharem as
competência e o funcionamento dos respectivos órgãos respectivas propostas orçamentárias dentro do prazo
jurisdicionais e administrativos; estabelecido na lei de diretrizes orçamentárias, o Poder
Executivo considerará, para fins de consolidação da
b) organizar suas secretarias e serviços auxiliares e os dos proposta orçamentária anual, os valores aprovados na lei
juízos que lhes forem vinculados, velando pelo exercício da orçamentária vigente, ajustados de acordo com os limites
atividade correcional respectiva; estipulados na forma do § 1º deste artigo. (Incluído pela EC
45, de 2004)
c) prover, na forma prevista nesta Constituição, os cargos
de juiz de carreira da respectiva jurisdição; § 4º as propostas orçamentárias de que trata este artigo
forem encaminhadas em desacordo com os limites
d) propor a criação de novas varas judiciárias;
estipulados na forma do § 1º o Poder Executivo procederá
e) prover, por concurso público de provas, ou de provas e aos ajustes necessários para fins de consolidação da
títulos, obedecido o disposto no art. 169, parágrafo único, proposta orçamentária anual. (Incluído pela EC 45, de 2004)
os cargos necessários à administração da Justiça, exceto os
§ 5º Durante a execução orçamentária do exercício, não
de confiança assim definidos em lei;
poderá haver a realização de despesas ou a assunção de
f) conceder licença, férias e outros afastamentos a seus obrigações que extrapolem os limites estabelecidos na lei
membros e aos juízes e servidores que lhes forem de diretrizes orçamentárias, exceto se previamente
imediatamente vinculados; autorizadas, mediante a abertura de créditos
suplementares ou especiais. (Incluído pela EC 45, de 2004)
II - ao Supremo Tribunal Federal, aos Tribunais Superiores
e aos Tribunais de Justiça propor ao Poder Legislativo A Lei de Diretrizes Orçamentárias é de iniciativa do
respectivo, observado o disposto no art. 169: Presidente da República (art. 165). São inconstitucionais,
a) a alteração do número de membros dos tribunais pois, limites à proposta orçamentária dos tribunais que não
inferiores; tiverem participado da elaboração da Lei de Diretrizes
Orçamentárias e concordado com aqueles limites.
b) a criação e a extinção de cargos e a remuneração dos
seus serviços auxiliares e dos juízos que lhes forem EXECUÇÃO DE SENTENÇA
vinculados, bem como a fixação do subsídio de seus PAGAMENTO DE PRECATÓRIOS
membros e dos juízes, inclusive dos tribunais inferiores,
onde houver; (Redação dada pela EC 41, de 2003) Antes de estudar o art. 100, o concurseiro deve saber que o
Plenário do STF declarou a inconstitucionalidade dos
c) a criação ou extinção dos tribunais inferiores; seguintes dispositivos: a) da expressão “na data de
d) a alteração da organização e da divisão judiciárias. expedição do precatório”, contida no § 2º do art. 100 da CF;
b) dos §§ 9º e 10 do art. 100 da CF; c) da expressão “índice
oficial de remuneração básica da caderneta de poupança”,
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