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Faculdade de Ciências Gerenciais de Manhuaçu

Campus Alfa Sul


Trabalho Acadêmico

CONSTRUÇÃO CIVIL
FORMAS E ESCORAS

Materiais de Construção II

Curso: Engenharia Civil – 4º período


Faculdade de Ciências Gerenciais de Manhuaçu

Albert Valentim Fochat

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Assinatura

Manhuaçu, 11/11/2015
Formas
Além de modelar e dar a forma a qualquer peça em concreto, as fôrmas são responsáveis por
atender a várias exigências não menos importantes:
• Garantir a geometria (dimensões e formatos)
• Garantir o posicionamento das peças (junto com o cimbramento permite a locação exata no espaço
de todas as peças estruturais)
• Manter a conformação do concreto fresco
• Permitir a obtenção de superfícies especificadas (concreto aparente, a ser revestido, texturado etc.)
• Possibilitar o posicionamento de outros elementos nas peças (furos de passagem, inserts, elementos
de instalações elétricas e hidráulicas, espaçadores, a própria armadura etc.)
• Proteger o concreto novo (devido à fragilidade do concreto novo, as fôrmas o protegem contra
impactos acidentais bem como contra variações bruscas da temperatura ambiente)
• Evitar a fuga de finos (as fôrmas devem ser estanques, evitando perdas de argamassa ou nata de
cimento)
• Limitar a perda de água do concreto fresco (mantendo a quantidade de água necessária para a
hidratação do cimento).
A grande importância das fôrmas é evidente, porém, por se tratar de um elemento provisório,
que não fica incorporado ao produto final (o imóvel), as fôrmas muitas vezes não recebem a atenção
necessária.

Materiais Utilizados
Madeira serrada
O material tem como vantagens o seu baixo custo, facilidade de corte e montagem e sua
disponibilidade. Possui, como desvantagens, baixa durabilidade, variabilidade (que exige cálculos
muitas vezes superdimensionados) e poucos fornecedores “profissionalizados”, além de ser um recurso
natural que precisa ser explorado de maneira sustentável.
Chapas de madeira revestidas
Surgidas na década de 60, unem a facilidade de corte da madeira com um alto índice de
reaproveitamento. Apresentam-se principalmente com revestimento resinado, cuja reutilização chega
a aproximadamente 8 vezes, e oferecem aspecto superficial rugoso ao concreto; e com revestimento
plastificado (filme fenólico), que permite aproximadamente 18 reutilizações e deixa a superfície do
concreto lisa
Aço
Muito utilizado nas fôrmas que demandam alto índice de reaproveitamento, tanto na forma de
perfis (mais usual), que servem de estruturação e travamento dos painéis, como na forma de chapas
revestindo os painéis e proporcionando aspecto liso e uniforme ao concreto.
Alumínio
Agrega as vantagens do aço com a leveza própria do alumínio; sua desvantagem é o alto custo
de aquisição e manutenção.
Plástico
Material bastante leve, resistente e reciclável. Cuidado especial deve ser tomado em relação à
estruturação dos painéis, devido à sua grande deformabilidade.
Papelão
Utilização basicamente em pilares de seção circular com diâmetro de até 1,0 m,
aproximadamente. Sua principal vantagem é ser uma fôrma autoestruturada, necessitando apenas de
elementos de posicionamento e prumo. A desvantagem é ser destruída no momento da desforma,
restringindo-se a apenas uma utilização.
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Financeiro
A fim de entendermos o posicionamento do item fôrmas na composição de custos de uma
obra, tomaremos como base uma obra hipotética com os seguintes dados gerais:
• Edifício residencial com estrutura vigada (otimizada)
• 4 apartamentos por andar, 12 andares tipo, 2 subsolos
• Área de projeção de laje tipo = 500 m2
• Área de fôrmas do pavimento tipo = 1.100 m2
• Volume de concreto do pavimento tipo = 80 m3
• Armação do pavimento tipo = 8 ton (100kg/m3)
• Área construída (estrutura) total = 10.000 m2
• Área de fôrmas total = 23.500 m2
• Volume de concreto total = 1.650 m3
• Armação total = 165 ton

O material forma representa menos de 10% do custo da estrutura, ficando abaixo dos materiais
concreto e aço. Em contrapartida, a mão de obra envolvida diretamente na atividade de montagem e
desmontagem das fôrmas ultrapassa todas as demais atividades, tornando-se o maior custo existente
na execução de estruturas e posicionando-se como o maior candidato a receber a nossa atenção quando
o assunto é gerenciamento de custos do empreendimento.
Citamos que a mão de obra está envolvida com a montagem e a desmontagem das fôrmas.
Omitimos propositalmente a mão de obra necessária para a fabricação destas, pois o tempo gasto para
fabricar as fôrmas é inexpressivo quando comparado com o tempo gasto na sua utilização.
Se desmembrarmos os 24% do item mão de obra de fôrmas teríamos algo próximo de:
• Fabricação = 2%
• Montagem = 12%
• Desforma = 6%
• Transporte = 2%
• Reformas e ajustes = 2%

Escoramento
Os escoramentos não são de responsabilidade dos fabricantes de lajes, mas sempre que possível
devem ser fornecidos para o cliente, projetos com sugestões para orientação dos construtores.
A distância máxima entre linhas de escoras deve ser 1,30 m de eixo para as lajes acabadas com
alturas de 12 e 16 cm; e para as lajes mais altas, reduz-se este valor para 1,00 m. O escoramento deve
ser feito com tábuas de 1ª qualidade com 1"x 30 cm em pé, apoiadas em pontaletes distanciados

Manhuaçu, 11/11/2015
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conforme a altura da laje e sobre uma base sólida, não permitindo que as escoras cedam quando
receberem as cargas da montagem e do concreto do capeamento. Tão importante quanto a distância
entre as escoras, é a execução de encaixes nos pontaletes para receber as tábuas (ver detalhe), os
tamanhos dos pregos utilizados e o perfeito travamento do conjunto.
Uma laje bem escorada não pode ruir. Dois procedimentos importantes, quanto ao escoramento
são o tempo em que a laje deve ficar escorada e a retirada das escoras.
Nas obras com ensaios e controle de concreto, após o mesmo atingir a resistência solicitada em
projeto, pode–se retirar as escoras. Não sendo possível esse controle, sugere–se que fique escorado no
mínimo 21 dias após a concretagem, e a retirada deve ser sempre do centro para as extremidades.
Em obras assobradadas, temos que tomar um grande cuidado, pois é comum executar as
paredes intermediarias do andar superior, com o andar inferior escorado. Esse procedimento, com
certeza poderá apresentar trincas nos sentidos horizontais e inclinados nessas paredes do pavimento
superior, após a retirada do escoramento.

Desforma
A desforma de um pavimento é uma etapa muito importante no processo de execução da
estrutura. A realização desta tarefa com critérios, preocupando-se com a qualidade dos painéis, pode
determinar a vida útil das fôrmas. O que se observa em alguns canteiros de obras é um certo descaso
na execução desta fase construtiva, em que não são realizados os procedimentos corretos e, muitas
vezes, os prazos necessários para reescoramento não são obedecidos.
Pilares
A desforma começa pelos painéis de pilares, normalmente nos dias subsequentes à concretagem
de vigas e lajes. Solte o travamento dos pilares - tensores, sargentos ou barras de ancoragem. Retire os
painéis, manuseando com cuidado para não danificar as fôrmas, desprendendo-os com ferramentas
apropriadas ou por intermédio de cunhas de madeira. Painéis de dimensões maiores e principalmente
pilares de canto podem ser preservados, amarrando-os com cordas para evitar eventuais choques ou
quedas. As chupetas plásticas e as mangueiras devem ser retiradas e reaproveitadas posteriormente.
Vigas e Lajes
Posicione as reescoras das vigas, retire os sarrafos-guia e remova as cunhas laterais e da base
dos garfos, liberando os painéis laterais de vigas. O desprendimento desta fôrma não deve ser feito
com pé-de-cabra, para não danificar os painéis. O procedimento correto é a utilização de cunhas de
madeira, batendo em vários lugares entre o compensado e o concreto, forçando a descolagem destes.
Também devemos tomar precauções para evitar a queda do painel diretamente no chão, o que pode
danificar as bordas. Os funcionários devem trabalhar sobre andaimes, segurando as fôrmas tão logo
elas se soltem e apoiando-as sobre o mesmo. Além disto, estando eles mais próximos das fôrmas,
podem retirar todos os mosquitos remanescentes, evitando o retrabalho posterior quando da liberação
para as próximas etapas (alvenaria e revestimento). Para proceder à desforma das lajes, posicione o
reescoramento nas tiras de sacrifício do assoalho e retire as escoras, longarinas e transversinas. A
desforma dos compensados deve ser iniciada pela peça munida de uma alça, evitando-se o uso de pé-
de-cabra. Para evitar estragos nas peças da fôrma, podemos utilizar uma rede, cordas ou cavaletes de
apoio sob a laje, de maneira a amortecer os impactos. Limpe os painéis, escoras, longarinas e
transversinas e organize as peças em carrinhos, facilitando assim o transporte e deixando-as prontas
para o próximo ciclo de trabalho.

Manhuaçu, 11/11/2015