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04/07/2018

NOTA - REGIMES ESCOLARES

MEDIDAS EDUCATIVAS DE ACOMPANHAMENTO

(Reg. UE 2016/791 do PE e do CONS e Reg. Delegado UE 2017/40 da COM)

1. Enquadramento e objetivo

O Regulamento (UE) 2016/791, prevê no nº10 do artigo 23.º a obrigatoriedade de que


todos os estabelecimentos de ensino aderentes ao Regime Escolar tenham de aplicar as
Medidas Educativas de Acompanhamento, podendo ser objeto de reembolso de custos,
ou não.

O Regulamento Delegado 2017/40 no seu artigo 3.º refere que as Medidas Educativas
de Acompanhamento devem estar diretamente ligadas aos objetivos do regime de
distribuição nas escolas, apoiar a distribuição de fruta, hortícolas e leite nas escolas,
prever a degustação de determinados produtos e envolver outros públicos-alvo que não
os alunos, como por exemplo pais e professores.

Por sua vez, a Portaria n.º 113/2018, de 30 de abril, prevê, no capítulo III, as “Medidas
educativas de acompanhamento” que visam “o aumento a curto e médio prazo do
consumo dos produtos abrangidos pelo regime escolar, a aproximação das crianças à
agricultura, a promoção de hábitos alimentares saudáveis e outros, como a atividade
física, e a educação relativamente a questões conexas, como as cadeias alimentares
locais, a agricultura biológica, a produção sustentável ou o combate ao desperdício de
alimentos”.

Assim, pretende-se com as referidas medidas reaproximar as crianças da agricultura e


de todas as questões conexas que envolvem esta atividade, mas também que as
mesmas possam também chegar às pessoas que lidam todos os dias com as crianças,
como os pais, educadores, professores e técnicos de educação.

2. Medidas Educativas de Acompanhamento

Neste contexto, e com vista à implementação destas medidas de acompanhamento de


âmbito local, a referida Portaria propõe:

a) Organização de aulas de degustação, criação e manutenção de atividades de


jardinagem, organização de visitas a explorações agrícolas e atividades similares
destinadas a sensibilizar as crianças para a agricultura;

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b) Medidas destinadas a promover o conhecimento das crianças sobre a agricultura,
designadamente a diversidade e sazonalidade dos produtos, os hábitos alimentares
saudáveis e as questões ambientais relacionadas com a produção, a distribuição e o
consumo de frutas, produtos hortícolas, leite e produtos lácteos.

Num exercício de cruzamento entre os objetivos da referida Portaria e o trabalho que


foi feito no âmbito do Regime Escolar, a DGE e a DGS sugerem as seguintes ações, a
serem desenvolvidas no contexto das medidas escolares:

MEDIDAS DE PROMOÇÃO DO CONSUMO DE HORTOFRUTÍCOLAS E LEITE:

1. Dirigidas às crianças:
Criação e/ou dinamização de atividades lúdico-pedagógicas de promoção dos
géneros alimentícios em causa:
a) Criação de folhetos/cartazes/placares com acrósticos, receituários,
provérbios e lengalengas alusivos.
b) Leitura de contos/histórias.
c) Participação/dinamização de teatros/dramatizações.
d) Dinamização de roleplays, em que as crianças são incentivadas a selecionar,
comprar, confecionar e consumir os referidos géneros alimentícios.
e) Dinamização de momentos de preparação de refeições com os géneros
alimentícios do Regime Escolar: espetadas de fruta, batidos, saladas,
gelados…
f) Valorização e recompensas pelo consumo dos géneros alimentícios –
distribuição de cromos, por exemplo.

2. Dirigidas aos pais e educadores:


a) Dinamização de sessões de promoção, sensibilização, informação,
dinamizadas e realizadas por técnicos, nomeadamente nutricionistas1.
b) Criação e distribuição de folhetos alusivos à introdução e/ou promoção dos
géneros alimentícios em causa, nas diferentes refeições da dieta da criança.

3. Dirigidas aos professores e outros técnicos da educação:


a) Dinamização de sessões de promoção, sensibilização, informação,
dinamizadas e realizadas por técnicos, nomeadamente nutricionistas.
b) Criação de condições para que os professores partilhem com as crianças o
momento de ingestão dos alimentos, ou através da negociação com as
entidades fornecedoras, quer através, por exemplo, da “migração” de fruta

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Pode-se sempre recorrer a técnicos das Unidades de Saúde ou a técnicos das próprias Autarquias.

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sobrante do refeitório para o momento de distribuição no âmbito do Regime
Escolar.

MEDIDAS DE APROXIMAÇÃO À PRODUÇÃO:

1. Dinamização de visitas a locais de produção: pomares, hortas e vacarias.


2. Dinamização de visitas a locais de processamento: indústria de lacticínios,
por exemplo.
3. Dinamização de visitas a mercados municipais de venda dos referidos
géneros alimentícios.
4. Dinamização de momentos de pesquisa orientada sobre a sazonalidade dos
hortofrutícolas.
5. Análise crítica da “Roda da Alimentação Mediterrânica”, explorando por
exemplo, o setor externo (alimentos típicos da alimentação dos portugueses)
e sobretudo os das frações relativas ao Regime Escolar (Hortofrutícolas e
lacticínios).
6. Dinamização e/ou manutenção de pomares e hortas pedagógicas (desde a
sementeira até à colheita, passando pela rega e outros processos de
manutenção).

Estrategicamente, poderá ser ainda importante relacionar estas atividades, tanto na


escola como na comunidade com:

1) As estratégias de combate ao desperdício alimentar pois podem ser exploradas


diversas sinergias.

2) A promoção da economia circular e a promoção dos circuitos curtos, promovendo a


ligação aos produtores locais e aos locais onde se compra diretamente.

3) As orientações das equipas de saúde escolar e suas atividades.

4) A promoção do Conceito de Dieta Mediterrânica.

5) Com os materiais pedagógicos já existentes, em particular os materiais já produzidos


pela DGS (PNPAS) e DGE nesta área. Neste contexto, deve porém existir uma grande
precaução com os materiais pedagógicos produzidos externamente a essas entidades,
mesmo que ao abrigo de motivações de ordem social, não sendo aconselhável a sua
utilização sem o devido controlo das entidades envolvidas.

Exemplo de boas práticas de referência adotadas no âmbito da fruta escolar

Existem algumas boas práticas já desenvolvidas a nível nacional:

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 Realização de atividades de preparação e provas de alimentos ao nível de escola
(espetadas e sumos naturais);
 Participação em peças de teatro alusivas ao tema das frutas e hortícolas;
 Organização de sessões de esclarecimentos com nutricionistas, para os
encarregados de educação das escolas com o objetivo principal de sensibilizar
este público para a importância de uma alimentação saudável em todas as faixas
etárias e, incentivar à prática da mesma;
 Promover a inclusão da fruta no lanche;
 Elaboração de um folheto informativo “Refeições em Idade Escolar” entregue a
todos os encarregados de educação dos alunos
 Criação de logótipo e de mascote municipal da “Fruta Escolar”;
 Dinamização de um concurso para a criação de um conto subordinado ao tema
“Frutas e Hortícolas”, culminando com a publicação do conto vencedor e a sua
distribuição a todos os alunos;
 Distribuição de vasos com sementes;
 Criação de um ebook de receitas com fruta;
 Criação de folhetos com acrósticos, receituários, provérbios e lengalengas
alusivos a frutos e hortícolas;
 Organização de sessões de confeção e degustação de hortícolas e frutas;
 Atividades lúdicas de aproximação e sensibilização à agricultura: desfolhadas e
visita/dinamização de “feiras”, atividades de jardinagem, organização de visitas
a explorações agrícolas;
 Em contexto de sala de aula, com supervisão e participação do professor;
distribuição de uma caderneta de cromos por aluno, para ser preenchida com os
cromos que são oferecidos sempre que se verifica o consumo efetivo do
fruto/hortícola;
 Distribuição de caderneta com cromos de cada fruta distribuída;
 Dinamização de um concurso da melhor história e ilustração sobre a mascote do
projeto “Fruta Escolar”;
 Supressão da distribuição de leite com cacau;
 Criação e disponibilização de uma página online, com atividades lúdico-
pedagógicas direcionadas para os alunos, com informação sobre cada fruta
disponibilizada (sazonalidade, informação nutricional, curiosidades).

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