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Trabalho Lutas II – Espírito de Luta

A resenha tem como objetivo trazer informações sobre três lutas originalmente
criadas em terras brasileiras. Tais informações irão abordar um pouco de como são
praticadas tais lutas, seus objetivos, sua cultura, etc, tendo como referência o
documentário “Espírito de Luta”.

A primeira luta abordada será a Huka-Huka. É originária dos povos Bakairi do


Xingu. Primeiramente, o objetivo da luta é derrubar o oponente ou levantá-lo do chão
ou agarrá-lo pelas costas. Para o combate, são chamados dois lutadores ao centro da
arena, ambos realizam a dança da onça para depois se colocarem em posição inicial que
é ajoelhado no chão de frente para o outro com um agarre de mão e pescoço. Após o
ritual de iniciação inicia-se as tentativas já descritas para vencer a luta.

O interessante de observar na cultura Huka-Huka é que ela está muito conectada


a cultura do povo Bakairi. Os lutadores são escolhidos desde os 12 – 13 anos e passam
por diversos rituais de cura e de fortalecimento para se tornarem excelentes lutadores.

Para um dos lutadores, mais do que ganhar a luta, se ganha respeito entre os
lutadores e não-lutadores inclusive de outras etnias quando é realizado do Kuarup
(Celebração aos Mortos dos Povos Indígenas do Xingu). As mulheres também lutam e
isso é incentivado pela Pajé da comunidade.

A segunda luta que irei abordar é a Luta Marajoara, originária pelos nativos da
Ilha de Marajó. Semelhante à Huka-Huka, o objetivo também é projetar o oponente no
chão, nesta luta existe principalmente a busca de tocar as costas do adversário no chão
da arena. Para definir o combate, observa-se os resquícios de areia do solo nas costas do
lutador, como era definido pelos nativos da luta.

Os torneios são organizados com regras claras, inclusive com restrições de


alguns golpes para não haver acidentes graves, juízes, classificações e troféus e
medalhas. As categorias de lutadores são definida pelo peso dos combatentes, o “pé
casado” é a posição inicial de todos os combates, diferente da Huka-Huka a luta deve se
desenvolver predominantemente em pé a luta pode continuar no chão, mas com o
entendimento do árbitro de que ambos buscam a finalização do oponente, caso
contrário, ela recomeça.

Por fim, temos a capoeira também como representante de uma luta


genuinamente brasileira. No documentário, fez-se um recorte da capoeira baiana e de
uma forma de capoeira muito ligada à campeonatos. Entretanto, a origem da capoeira no
Brasil é incerta, existem manifestações em diferentes locais. O que sabemos é que é
uma prática de matriz afro. Dessa forma, seus rituais e sua cultura trazem muito da
cultura africana, em relação a valores e à característica da prática. Por exemplo, a
capoeira envolve roda, cantos e coro, instrumentos percussivos, movimentos que
buscam a circularidade, os adversários lutam, dançam e jogam ao mesmo tempo.

Por fim, o interessante de entrar em contato com as lutas brasileiras foi


identificar que elas, assim como as artes marciais orientais, apresentam na sua
configuração muito além de golpes e técnicas. As lutas estão fundamentadas de filosofia
própria, rituais, vestimentas particulares que juntas a caracterizam.