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Radiação, Calor e Frio

O calor, o frio e a radiação são classificados na NR – 9 como Riscos Ambientais. Eles são
capazes de causar danos à saúde e à integridade física do trabalhador em função de sua natureza,
concentração, intensidade, suscetibilidade e tempo de exposição.
O calor está presente nas atividades desempenhadas em espaços confinados, como por exemplo:
Subestações, câmaras subterrâneas, usinas (devido deficiência de circulação de ar e temperaturas
elevadas).
As consequências da exposição ao calor são:
- desidratação, erupção da pele, câimbras; fadiga física, distúrbios psiconeuróticos, problemas
cardiocirculatórios, taquicardia, aumento de pulsação, cansaço, irritação, intermação (afecção
orgânica produzida pelo calor), prostração térmica, choque térmico, fadiga térmica
perturbações das funções digestivas, hipertensão, insolação.
O frio também faz parte dos Riscos Ambientais. A execução de trabalho à baixas
temperaturas podem provocar:
- feridas, rachaduras e necrose na pele, enregelamento: ficar congelado, agravamento de doenças
reumáticas, predisposição para acidentes, predisposição para doenças das vias respiratórias.
Para o controle das ações nocivas das temperaturas extremas (frio e calor)
- de proteção coletiva: ventilação local exaustora com a função de retirar o calor e gases dos
ambientes, isolamento das fontes de calor/frio.
- de proteção individual: fornecimento de EPI (ex: avental, bota, capuz, luvas especiais para
trabalhar no frio).

Radiação são formas de energia que se transmite por ondas eletromagnéticas. A absorção
das radiações pelo organismo é responsável pelo aparecimento de diversas lesões. Podem ser
classificadas em dois grupos: ionizante e não ionizante. A radiação emitida pelas linhas de alta
tensão a que o profissional de elétrica está exposto, são do tipo não ionizante. Seus efeitos são
perturbações visuais (conjuntivites, cataratas), queimaduras, lesões na pele, etc.
Trabalhos em instalações elétricas ou serviços com eletricidade quando realizados em
áreas abertas podem também expor os trabalhadores à radiação solar. Como consequências
podem ocorrer queimaduras, lesões nos olhos e até câncer de pele, provocadas pela radiação
solar.
Para que haja o controle da ação das radiações para o trabalhador é preciso que se tome:
Medidas de proteção coletiva: isolamento da fonte de radiação (ex: biombo protetor para operação em solda),
enclausuramento da fonte de radiação (ex: pisos e paredes revestidas de chumbo em salas de raio-x). Medidas
de proteção individual: fornecimento de EPI adequado ao risco (ex: avental, luva, perneira e mangote de
raspa para soldador, óculos para operadores de forno).

Riscos Mecânicos

Os riscos mecânicos são aqueles relacionados à falta de organização e segurança no ambiente ou


existência de processos de trabalho que podem acarretar algum dano à saúde e integridade física dos
trabalhadores. Os principais agentes mecânicos — representados pela cor azul — considerados como riscos
causadores de acidentes são:
- Arranjos físicos deficientes;
- Maquinários e equipamentos sem a proteção adequada;
- Ferramentas inapropriadas ou com problemas;
- Eletricidade;
- Risco de queda;
- Incêndio ou explosão;
- Animais peçonhentos;
- Armazenamento inadequado.
Problemas com equipamentos mecânicos são motivo de acidentes traumáticos ocasionando fatalidade, ou
minimamente fraturas e/ou amputações. A falta de manutenção da máquina, a falta de dispositivos de proteção, falta
de treinamento para manipular equipamentos representam os principais motivos desencadeadores dos problemas.
Esse tipo de risco está presente em qualquer atividade ou ramo de atuação e, para evita-los, é
essencial que sejam realizadas inspeções de rotina dentro das organizações. Essa avaliação deve ser
executada por um profissional altamente qualificado, capaz de identificar todos os possíveis riscos do
ambiente de trabalho.
Os riscos mecânicos podem causar lesões nos trabalhadores, nomeadamente: traumatismos superficiais, entorses, cortes, contusões,
esmagamentos, fraturas, luxações, amputações e até a morte.
Por meio dessas inspeções, a empresa consegue obter informações a respeito das medidas
preventivas que devem ser tomadas, além de realizar reparos e eliminar as situações de risco em potencial.
Desse modo, evita-se que os trabalhadores sofram algum tipo de acidente ou desenvolvam uma doença
relacionada ao trabalho.
Este tipo de avaliação também permite que sejam identificados os Equipamentos de Proteção
Individual (EPIs) adequados para a realização das funções de cada colaborador. Vale lembrar que esses
dispositivos de segurança devem ser disponibilizados gratuitamente aos trabalhadores, que também devem
receber treinamento adequado para o manuseio correto dos maquinários e equipamentos.

Riscos Ergonômicos

Os riscos ergonômicos são aqueles provenientes de ambientes ou atividades incompatíveis com as


características psicofisiológicas dos trabalhadores. São exemplos de riscos ergonômicos: esforço físico
intenso, exigência de postura física inadequada, controle rígido de produtividade, etc.
Os riscos ergonômicos são significativos nas atividades do setor elétrico relacionados aos fatores:
- Biomecânicos: posturas inadequadas de trabalho provocadas pela exigência de ângulos e posições
inadequadas dos membros superiores e inferiores para realização das tarefas, principalmente em altura,
sobre postes e apoios inadequados, levando a intensas solicitações musculares, levantamento e transporte
de carga, etc.
- Organizacionais: pressão psicológica para atendimento a emergências ou a situações com períodos de
tempo rigidamente estabelecidos, realização rotineira de horas extras, trabalho por produção, pressões da
população com falta do fornecimento de energia elétrica.
- Psicossociais: elevada exigência cognitiva necessária ao exercício das atividades associada à constante
convivência com o risco de vida devido à presença do risco elétrico e também do risco de queda (neste caso
sobretudo para atividades em linhas de transmissão, executadas em grandes alturas).
- Ambientais: conforme teoria, risco ambiental compreende os físicos, químicos e biológicos; esta
terminologia fica inadequada, deve-se separar os riscos provenientes de causas naturais (raios, chuva,
terremotos, ciclones, ventanias, inundações, etc.).