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Trypanosoma cruzi

1-Morfologia.

Os Trypanosoma dos mamíferos foram divididos em duas seções, de acordo com


o atributo de sua transmissão, a Salivaria e a Estercoraria: O Trypanosoma Cruzi
pertence à segunda seção,sendo dela o único agente patogênico conhecido.Nesta
seção é característica principal a transmissão do parasito pelas dejeções de um inseto
vetor,portadoras de formas infectantes do flagelos.
Varias espécies de protozoários flagelados parasitam o homem, mas há um
grupo que se destaca porque seus membros possuem, além das estruturas celulares
habituais, uma organela bastante singular, o cinetoplasto. Este é formado por um
segmento de sua longa mitocôndria onde se encontra o DNA de tipo especial, o
KNDA. O núcleo é único, havendo também um só flagelo, que nasce do corpúsculo
basal ou blefaroplasto, junto ao cinetoplasto. O grupo constitui a ordem
Kinetoplastida, onde a família Trypanosomatidae reúne grande número de espécies
parasitas de insetos e de vertebrados.
Trypanosoma Cruzi apresenta muitas variações morfológicas, fisiológicas e
ecológicas, além de variações quanto a sua infectividade e patogenicidade. Mais de
60 linhagens de cepas já foram descritas por diferentes autores, seguindo diferentes
critérios.
Com base nas informações reunidas e nos estudos sobre o DNA ribossômico,
três grupos de Trypanosoma Cruzi foram propostos recentemente no Brasil:
O grupo 1 e aquele encontrado em animais silvestres e triatomíneos que com
eles convivem, particularmente na região amazônica.
O grupo 2 é o prevalente nas áreas endêmicas da doença humana e tem como
principal vetor o Triatoma infestans. Supõe-se que seja originário dos Andes
bolivianos, tendo-se adaptado, com esse vetor, a um ciclo doméstico nas habitações
rústicas das zonas rurais.
O grupo 3, de ocorrência mais rara, é também uma zoonose de animais
silvestres, a merecer mais estudos de compreensão de seu papel epidemiológico.
Os Trypanosoma Cruzi dos grupos 1 e 3 raramente causam infecções do homem.
Os gêneros e espécies da família Trypanosomatidae, ainda que possuam todos
basicamente a mesma organização exibe morfologia que varia não só de gênero para
gênero.
As mudanças morfológicas podem estar condicionadas pelo tipo de hospedeiro
em que a espécie se encontre, do tecido que esta parasitando ou, mesmo, da posição
que o parasito esteja ocupando no aparelho digestivo do inseto vetor.
Amastigota. Quando se apresenta como um microorganismo de pequenas
dimensões e contorno aproximadamente circular, ovóide ou fusiforme. Seu corpo é
achatado, com pouco citoplasma e com núcleo relativamente grande, redondo e
excêntrico. O cinetoplasto de forma discóide é bem visível, porém o flagelo,
curtíssimo e incluído em uma invaginação da membrana chamada bolso flagela.
Epimastigotas. Caracteriza-se por sua forma alongada (fusiforme) e por ficar o
cinetoplasto discóide nas proximidades do núcleo; também, porque o bolso flagelar,
sempre estreito, abre-se lateralmente. O flagelo emerge, portanto, longe da
extremidade anterior, mas mantém-se colado a membrana celular por uma prega de
a bainha flagelar denominada membrana ondulante, em vista de acompanhar os
movimentos flagelares.
Tripomastigotas. Forma que apresenta o corpo celular longo e achatado, como
no epimastigotas, porém, tendo o cinetoplasto arredondado e o bolso flagelar
deslocados para a região entre o núcleo e a extremidade posterior; não raro muito
próximos desta. O flagelo percorre externamente toda a extensão da célula, aderido
por sua longa membrana ondulante.

2- Ciclo Biológico em Hospedeiros Vertebrados

Trypanosoma Cruzi infecta grande número de mamíferos e é transmitido de um


hospedeiro a outro por um intermédio de inseto estritamente hematófagos –os
triatomíneos -, hemípteros da família Reduviidae. Na espécie humana, a transmissão
pode dar-se também por transfusão de sangue.
No organismo dos vertebrados, os parasitos assumem a forma de
tripomastigotas, ou de amastigotas, enquanto nos insetos encontram-se no tubo
digestivo principalmente como epimastigotas ou tripomastigotas.
Tripomastigotas Sanguícolas. Nadando no sangue periférico dos mamíferos, o
Trypanosoma Cruzi apresenta-se como um microrganismo muito ágil, medindo em
média 20um de comprimento por 2um de largura. Nas amostras de sangue fixada e
coradas, tem a forma de um c, outras vezes de um s, com extremidades afiladas e
um cinetoplasto globoso.
Um exame cuidadoso mostra que há nítido polimorfismo entre os tripanossomos
sanguícolas. Assim costumam-se descrever dois tipos morfológicos extremos, entre
os quais podem existir todas as formas intermediárias:
a ) formas finas ( com 20um de comprimento por 1um de largura ), sinuosa,
com um cinetoplasto afastado da extremidade posterior, que é longa e delgada.
b) formas largas (que medem até 15um de comprimento, por 2 a 4 um de
largura), caracteristicamente recurvadas em C ou U, ou com dupla curvatura em S
nas preparações fixadas. O cinetoplasto fica muito próximo da extremidade
posterior.
O significado dessas diferenças morfológicas não está bem esclarecido. Algumas
observações sugerem que após a inoculação em animal de laboratório:
i) as formas delgadas dos tripomastigotas desaparecem rapidamente da
circulação, ou por terem penetrado em células dos tecidos do hospedeiro, ou por
terem sido destruídas pelos processos imunológicos.
ii) as formas largas não penetram nas células do hospedeiro vertebrados e
persistem muito tempo no sangue, pois são muitos resistentes a aglutinação ou a lise
pelo soro do hospedeiro imune.

2.1- Ciclos Biológico em Hospedeiros Invertebrados

Quando o triatomíneo, ao sugar o sangue de um vertebrado infectado, ingere


tripanossomos sanguícolas, tem início um ciclo de desenvolvimento característicos
do Trypanosoma Cruzi na luz do tubo digestivo do inseto.
No estômago deste, constatam-se fenômenos regressivos como se o meio lhes
fora inadequado. Os tripomastigotas delgados parecem condenados a destruição.
Ciclo evolutivo do Trypanosoma cruzi. No intestino do inseto, há multiplicação
de formas epimastigotas; na ampola real, os parasitos transformam-se em
tripomastigotas metacíclicos que são eliminados com as fezes; ao penetrarem no
hospedeiro vertebrado, os flagelados invadem células do SFM cutâneo onde, sob as
formas amastigotas, voltam a mutiplicar-se; daí passa para o sangue, como
tripomastigotas, e disseminam-se pelo organismo, parasitando músculos e outros
tecidos. O ciclo fecha-se quando o paciente é sugado pó outro triatomíneo e as
formas sanguícolas chegam ao intestino do inseto.
3- Patologia
A virulência do parasitismo depende de linhagem de Trypanosoma cruzi,
assim como das condições que prevalecem quando determinada cepa do flagelado se
instala no hospedeiro vertebrado em causa.
A origem ou fonte de infecção pode ser uma das razões da diversidade de
comportamento do parasito. Sabe-se que a doença de Chagas é mais benigna em
certar regiões geográficas do que em outras: os eletrocardiogramas feitos em
indivíduos com reação sorológica positiva para o Trypanosoma cruzi mostram-se
geralmente normais. Mas nos estados de São Paulo e Minas Gerais, as cardiopatas
chagásticas têm sido mais freqüentes.
Dos fatores dependentes do hospedeiro e que condicionam maior virulência:
a) A idade, pois a suscetibilidade é maior em indivíduos jovens;
b) As influências hormonais, visto que em animais de laboratórios a cortisona
ou a hidrocortisona estimulam a parasitemia. O mecanismo envolvido parece
ser a inibição do sistema fagocítico mononuclear, reduzindo a inflamação,
produção de anticorpo se fagocitose:
c) As deficiências nutricionais, particularmente a carência de vitaminas, bem
como uma dieta deficiente em lisina, levam a um aumento da parasitemia,
das lesões viscerais e da mortalidade, em ratos.

3.1-Mecanismos Patogênicos

A multiplicação dos parasitos e destruição das células hospedeiras pela ação


direta dos flagelados seguida pela invasão de novas células vai num crescendo que se
manifesta pelo aumento concomitante da parasitemia, durante o período inicial da
doença. Eventualmente, a morte pode sobrevir na fase aguda da infecção.
As células e fibras parasitadas não despertam, inicialmente, nenhuma reação
em torno. Mas quando se rompem, destruídas pelos parasitos, são envolvidas por um
processo inflamatório focal que, nos primeiros dias da infecção, caracteriza-se por
infiltração agudas em geral. Nesses leucócitos podem ser vistas formas amastigotas
fagocitadas. Segue-se o aparecimento de mononucleares, principalmente células de
linhagem linfocitária e alguns macrófagos. A morte pode resultar de uma miocardite
difusa aguda.
Se o organismo sobrevive ao período agudo, surgem as reações imunológicas
e, a partir da terceira semana, os monócitos que se tornam confluentes e difusos.
Quando o processo se agrava aparecem fenômenos degenerativos ou, mesmo, focos
de necrose que, se transformam em áreas focais de fibrose.
Mas a inflamação da fase aguda, em nítido contraste como o que ocorre na fase
crônica, não tem grande potencial fibrosonte. Os processos inflamatórios agudos
tendem a curar-se pela reabsorção dos exsudatos, enquanto as lesões da fase crônica
evoluem para fibrose. Neste caso, o processo orienta-se para a formação de focos
granulo matosos e granulomas. Vêem, então, numerosos macrófagos dispostos de
maneira mais ou menos ordenada, em camadas, e com abundante citoplasma,
constituindo chamadas “células epitelióides”; e aparecem gigantócitos.
Quando se procede ao exame histológico do coração dilatado e flácido da fase
aguda da doença, encontra-se um miocarde focal. Na fase crônica, há cardiomegalia
com hipertrofia e dilatação do coração e, histologicamente escassos foco
inflamatórios crônicos.
4- Profilaxia
Não existindo terapêutica eficaz, nem processos de imunização para proteger
indivíduos suscetíveis, a prevenção dessa endemia restringe-se fundamente ao
combate aos triatomíneos e à modificação do biótipo que propiciou a instalação do
ciclo doméstico de transmissão do parasito: a casa de taipa e similares.
Para as pessoas que se expõem ao risco de contaminação apenas
ocasionalmente, recomenda-se evitar o pernoite em lugares abertos ou em casas com
triatomíneos, usando mosquiteiros quando não tenham alternativas.

Malária
1-Morfologia
Esporozoítas. São organismos alongados com extremidades afiladas, que medem
11 um de comprimento por 1 um de diâmetro, em media. Sua membrana externa
encontra-se revestida de uma capa superficial formada principalmente por um material
protéico- a proteína circunsporozoítica- de grande importância.
Na extremidade anterior, em forma de cone trucando, há um sistema de
penetração ou complexo apical que compreende três formações anulares, centrados por
uma pequena depressão apical, aonde vêm ter um par de roptrias e numerosos
micronemas. Estas estruturas contêm substâncias necessárias à aderência e penetração
do parasito nas células do hospedeiro vertebrado.
Criptozoítas. A penetração do parasito nas células hepáticas depende da proteína
transmembrana do grupo das trambospondinas, já referida, que parece essencial para a
aderência do Esporozoítas ao hepatócito e para sua endocitose.
Assim que se encontrem no interior das células do fígado, as formas infectantes
acima descritas sofrem profundas transformações morfológicas, para dar lugar à fase
esquizogônica de crescimento e multiplicação dos plasmódios. As modificações
compreendem uma grande simplificação estrutural, desaparecendo os componentes do
aparelho apical e outras estruturas fibrilares ou membranosas que asseguravam a forma
Esporozoítas. Por isso ele se torna agora arredondado.

2- Ciclo Evolutivo Dos Plasmódios


O ciclo parasitário inicia-se quando o anofelino infectado, ao picar uma pessoa
para chupar-lhe o sangue, inocula diretamente na circulação, com sua saliva, as formas
infectantes do Plasmodium que se haviam acumulado nas glândulas salivares do inseto.
Antes de decorrida umas horas, essas formas, que são esporozoítas, não se
encontram mais no sangue. È que os parasitos já alcançaram o fígado e invadiram as
células hepáticas, depois de um reconhecimento molecular destas e endocitose.
Ciclo evolutivo dos plasmódios humanos. Inoculação de esporozoítas pelo
mosquito, na circulação do homem. Invasão e multiplicação assexuada no interior das
células hepáticas. Disseminação das formas infectantes para as hemácias. Invasão e
multiplicação assexuada dos parasitos no interior das hemácias, passando pelas fases de
trofozoíta, esquizonte, rosácea e merozoítas sanguíneos que irão repetir o ciclo
eritrocítico. Formação de gametócitos masculinos e femininos. Ingestão dos
gametócitos por um anofelino. Ciclo sexuado no inseto, com formação de gametas
masculinos e femininos. Zigoto ou oocineto. Oocisto e produção de esporozoítas que se
disseminam pela hemolinfa do inseto. Concentração de esporozoítas infectantes nas
glândulas salivares do inseto.

3- Patologia
A malária é doença sistemática que provoca alterações nas maiorias dos órgãos,
variando, porém sua gravidade dentro de amplos limites, desde as formas benignas até
as muito graves e fatais. A principal ação patogênica é exercida pela anóxia dos tecidos,
devida a redução da capacidade de transporte de oxigênio pelo sangue. A ela somam-se
as perturbações locais do fluxo circulatório e um aumento da glicólise anaeróbia dos
tecidos.
Anóxia. A falta de oxigênio é uma decorrência da destruição intra e extra
vascular de elevado número de hemácias, parasitadas ou não.
Parte de tal destruição ocorre quando merócitos rompem as hemácias onde
estão. Os macrófagos fagocitam esses restos celulares, mas também eritrócitos inteiros
contendo parasitos, bem como outros trazem, adsorvidos na superfície, os
imunocomplexos com complemento. O complemento destes complexos, além de
danificar a membrana celular, facilita sua fagocitose. A redução de taxa de hemoglobina
começa desde os primeiros dias de febre se torna evidente ao fim da semana.
Perturbações Circulatórias. A circulação em certas áreas é perturbada por vaso
constrição arteriolar e dilatação capilar, que agravam anóxia local.
Aumento da Glicólise Anaeróbia. Outro fator de anóxia histotóxica desenvolve-
se no interior das próprias células. Assim, a fosforilação oxidativa das mitocôndrias
hepáticas e inibidas pelo soto de pacientes com malária aguda, com o que prevalece a
glicólise anaeróbica.
Acumulação de Pigmento. A hemozoína lançada na circulação e fagocitada
pelos leucócitos, pelos macrófagos e pelos demais elementos do sistema fagocitário. O
acumulo de hemozoína nos tecidos, principalmente nas formas crônicas da malária, leva
a uma pigmentação escura dos órgãos.
Antígenos Parasitados. Na fase eritrocitária da infecção constata-se no sangue a
presença dos imunógenos que integram as várias formas do parasito, mas também a
existência de antígenos parasitários solúveis, que circulam no plasma ou que se
manifestam na superfície da membrana das hemácias, parasitadas ou não. Estes
antígenos estão presentes durante as infecções e nas primeiras semanas depois da cura.
5- Profilaxia
Para evitar ser picado pelos mosquitos, telar as habitações, usar mosquiteiros
para camas e redes, roupas que assegurem cobertura adequada e repelente. Recomenda-
se, também, utilizar mosqueteiros e cortinas impregnadas com piretróides.
Em vista de insuficiência desses métodos, recomenda-se a quimioprofilaxia,
particularmente para aqueles que devem expor-se ao risco de infecções por prazos
limitados. A cloroquina é a droga mais usada, devendo um adulto tomar 300mg, uma
vez por semana enquanto permanecer na área endêmica. Pode-se também usar a
amodiaquina, 400mg para um adulto, semanalmente. Ao regressar da zona malarígena,
convém prolongar essa medicação durante quanto a cinco semanas.
Para proteção em áreas onde há P.falciparum resistente à cloroquina, tomar,
além da medicação acima prescrita, também três comprimido de Fansidar
semanalmente; ou Metakelfin três comprimidos semanais.
As doses de antimaláricos para crianças, ou adultos com menos de 60 kg de
peso, devem ser reduzidas.