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Brasília, 3 a 7 de novembro de 1997 - Nº 91

Data (páginas internas): 12 de novembro de


1997.

Este Informativo, elaborado a partir de


notas tomadas nas sessões de julgamento das
Turmas e do Plenário, contém resumos não-
oficiais de decisões proferidas pelo Tribunal. A
fidelidade de tais resumos ao conteúdo efetivo
das decisões, embora seja uma das metas
perseguidas neste trabalho, somente poderá
ser aferida após a sua publicação no Diário da
Justiça.

ÍNDICE DE ASSUNTOS
ADIn e Cursos Profissionais de Nível Básico
Aplicação de Lei Salarial e Coisa Julgada
Cargo Público e Acumulação Remunerada
Cerceamento de Defesa e Produção de Provas
HC e Desaforamento
Inadmissão de RE Penal: Prazo para o Agravo
Inidoneidade Moral e Financeira
Lei 9.099/95: Inaplicabilidade
Letras Financeiras do Tesouro do Estado de SC
Novas Provas e Princípio do Contraditório
Peculato e Auditoria Militar
Policial e Revisão de Processo Administrativo

PLENÁRIO
Policial e Revisão de Processo Administrativo
Iniciado o julgamento de mandado de segurança
impetrado por policial federal contra decisão denegatória de
revisão proposta com base no art. 174 da Lei 8.112/90 (“O
processo disciplinar poderá ser revisto, a qualquer tempo, a
pedido ou de ofício, quando se aduzirem fatos novos ou
circunstâncias suscetíveis de justificar a inocência do
punido ou a inadequação da penalidade aplicada.”) do
processo administrativo disciplinar que culminou com sua
demissão do serviço público por ato do Presidente da
República. O Min. Carlos Velloso, relator, denegou a
segurança ao argumento de que a Lei 8.112/90 não revogou a
Lei 4.878/65 Estatuto dos Policiais Civis da União e do
Distrito Federal , que não contempla semelhante revisão,
nem seu regulamento, o Decreto 59.310/66. Após, pediu
vista o Min. Sepúlveda Pertence. Precedentes citados: MS
21.331-DF (RTJ 150/742) e MS21.451-PR (RTJ 153/146).
MS 22.628-DF, rel. Min. Carlos Velloso, 5.11.97.

Cargo Público e Acumulação Remunerada


O Tribunal, ao argumento da ofensa ao art. 37,
XVI, da CF — que veda a acumulação remunerada de cargos
públicos à exceção dos que indica, quando houver
compatibilidade de horários — julgou procedente ação direta
proposta pelo Governador do Estado do Mato Grosso, e
declarou inconstitucional o art. 145, § 7 o, c , da Constituição
do Estado (“§ 7o É vedada a acumulação remunerada de
cargos públicos, exceto, quando houver compatibilidade de
horários: ... c) a de dois cargos privativos de profissionais
de saúde.”). Ponderou-se, ainda, que o disposto no referido
artigo da CF é de observância compulsória pelo Poder
Constituinte dos Estados, à vista do que diz o art. 11 do
ADCT (“Cada Assembléia Legislativa, com poderes
constituintes, elaborará a Constituição do Estado, no prazo
de um ano, contado da promulgação da Constituição
Federal, obedecidos os princípios desta.”). ADIn 281-MT,
rel. Min. Ilmar Galvão, 5.11.97.

Letras Financeiras do Tesouro do Estado de SC


Considerando, sobretudo, o conteúdo concreto dos
diplomas atacados, o Tribunal não conheceu da ação direta
de inconstitucionalidade proposta pelo Partido dos
Trabalhadores - PT contra a Lei 10.168/96, do Estado de
Santa Catarina, que dispõe sobre a criação, lançamento e
colocação de Letras Financeiras do Tesouro do Estado de
Santa Catarina - L.F.T.S.C., e a Resolução 76/96, do Senado
Federal, que autoriza o Estado de Santa Catarina a emitir
L.F.T.S.C., cujos recursos serão destinados à liquidação da
sétima e oitava parcelas dos precatórios judiciais, bem como
dos complementos da primeira à sexta parcelas. Alegara o
Partido requerente ofensa ao art. 33 e seu parágrafo único do
ADCT (“Ressalvados os créditos de natureza alimentar, o
valor dos precatórios judiciais pendentes de pagamento na
data da promulgação da Constituição, incluído o
remanescente de juros e correção monetária, poderá ser
pago em moeda corrente, com atualização, em prestações
anuais, iguais e sucessivas, no prazo máximo de oito anos, a
partir de 1o de julho de 1989, por decisão editada pelo
Poder Executivo até cento e oitenta dias da promulgação da
Constituição. Parágrafo único. Poderão as entidades
devedoras, para o cumprimento do disposto neste artigo,
emitir, em cada ano, no exato montante do dispêndio, títulos
de dívida pública não computáveis para efeito do limite
global de endividamento.”). Precedentes citados: ADIn 597-
RJ (DJU de 10.6.97), ADIn 794-GO (DJU de 21.5.93) e
ADIn (QO) 1.286-SP (DJU de 13.12.96). ADIn 1.523-SC,
rel. Min. Maurício Corrêa, 5.10.97.

ADIn e Cursos Profissionais de Nível Básico


Considerando, à primeira vista, a ausência de
plausibilidade jurídica na tese do autor, o Tribunal indeferiu
pedido cautelar formulado em ação direta proposta pelo
Partido dos Trabalhadores - PT contra o § 1 o, do art. 4o, do
Decreto 2.208/97 (“§ 1o - As instituições federais e as
instituições públicas e privadas sem fins lucrativos,
apoiadas financeiramente pelo Poder Público, que
ministram educação profissional deverão, obrigatoriamente,
oferecer cursos profissionais de nível básico em sua
programação, abertos a alunos das redes públicas e
privadas de educação básica, assim como a trabalhadores
com qualquer nível de escolaridade.”), e os artigos 3o (“As
instituições federais de educação tecnológica ficam
autorizadas a manter ensino médio, com matrícula
independente da educação profissional, oferecendo o
máximo de 50% do total das vagas oferecidas para os
cursos regulares de 1997, observando o disposto na Lei
9.394/96.”), e 14 (“As instituições de educação tecnológica
deverão adaptar seus regimentos internos, no prazo de 120
dias, ao disposto na Lei 9.394/96, no Decreto 2.208/97 e
nesta Portaria.”), todos da Portaria Ministerial 646/97. O
requerente alega afronta aos artigos 6 o, educação como
direito social, 18, autonomia dos Estados, Distrito Federal e
Municípios, e 208, II (“O dever do Estado com a educação
será efetivado mediante a garantia de: ... II - progressiva
extensão da obrigatoriedade e gratuidade ao ensino
médio.”), todos da CF. ADInMC 1.670-UF, rel. Min. Octavio
Gallotti, 5.11.97.

Inadmissão de RE Penal: Prazo para o Agravo


A Lei 8.950/94 que alterando dispositivos do CPC
relativos a recursos, fixara o prazo do agravo de instrumento
em 10 dias (CPC, art. 544) não revogou a Lei 8.038/90, que
continua a regular os recursos especiais, extraordinários e
agravos de instrumento, em matéria penal. Assim, o prazo
para a interposição do agravo de instrumento nos feitos
criminais é de 5 dias (Lei 8.038/90, art. 28). Com esse
entendimento, o Tribunal não conheceu de agravo de
instrumento, visto que intempestivo. O feito foi submetido
ao Plenário pelo relator, Min. Sepúlveda Pertence, à vista do
disposto no art. 22, parágrafo único, b, do Regimento Interno
(“O relator submeterá o feito a julgamento do Plenário ... b)
quando em razão da relevância da questão jurídica ou da
necessidade de prevenir divergência entre as Turmas,
convier pronunciamento do Plenário.”). AG 197.032-RS,
rel. Min. Sepúlveda Pertence, 5.11.97 (v. íntegra do relatório
e voto do relator na sessão Transcrições).

PRIMEIRA TURMA
Inidoneidade Moral e Financeira
Considerando que o habeas corpus não serve para
defesa de direito estranho à liberdade de locomoção, a Turma
não conheceu do writ interposto contra acórdão do Tribunal
do Estado do Rio Grande do Sul que mantivera sentença que
julgara procedente “ação declaratória para o fim de
reconhecer a inidoneidade moral e financeira” contra o
paciente, desse modo o autor da referida ação pretendia
acionar, à vista do disposto no art. 39, § 3 o, da Lei 5.250/67
— Lei de Imprensa (“Declarado inidôneo o primeiro
responsável, pode o ofendido exercer a ação penal contra o
que lhe suceder nessa responsabilidade, na ordem dos
incisos anteriores, caso a respeito deste novo responsável
não haja alegado ou provado falta de idoneidade.”), outros
responsáveis pelo crime de que se diz vítima. HC 75.624-RS,
rel. Min. Sydney Sanches, 4.11.97.

HC e Desaforamento
Considerando que a alegação de que a imprensa
local tem dado destaque ao crime não demonstra, por si só,
eventual parcialidade dos jurados suficiente para justificar o
desaforamento, e que referência à parcialidade do conselho
de sentença deve ser devidamente demonstrada, a Turma
indeferiu habeas corpus interposto contra decisão do
Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. O pedido
não foi conhecido na parte em que impugnou a sentença de
pronúncia, já que em relação a ela não houve recurso.
Precedente citado: HC 70.288-MS (DJU de 4.6.93). HC
75.919-RJ, rel. Min. Moreira Alves, 4.11.97 .

Peculato e Auditoria Militar


A Turma indeferiu pedido de habeas corpus
interposto, ao argumento da falta de fundamentação da pena
aplicada e da ofensa ao princípio do juiz natural, contra
decisão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro
que mantivera sentença condenatória contra o paciente
Oficial Capitão da Polícia Militar do Rio de Janeiro
proferida pela Auditoria Militar do Estado, por infração ao
art. 303 do CPM: peculato. Quanto à dosagem da pena,
ponderou o Min. Ilmar Galvão, relator, que ela fora
suficiente fundamentada. Sobre a eventual ofensa ao
princípio do juiz natural, a Turma destacou que a existência
de um órgão judicial auditoria militar sem titular provido
das garantias inerentes ao cargo (p. ex. inamovibilidade), há
13 anos, é uma situação irregular que deve ser sanada o
quanto antes mediante iniciativa legislativa , mas que não
chega a anular os processos apreciados. HC 75.861-RJ, rel.
Min. Ilmar Galvão, 4.11.97 .

SEGUNDA TURMA
Aplicação de Lei Salarial e Coisa Julgada
Concluído julgamento de recurso extraordinário
em que se discute, com base no princípio que assegura o
respeito à coisa julgada (CF, art. 5º, XXXVI), sobre se as
regras de correção salarial instituídas pela Medida Provisória
32/89, depois convertida na Lei 7.730/89 (URP), afastariam,
ou não, cláusula de reajuste prevista em sentença normativa
transitada em julgado, cujos efeitos, nesse ponto, se
produziriam em data posterior ao início de vigência da
mencionada lei (v. Informativo 44). O Min. Nelson Jobim,
proferindo voto de desempate, acompanhou o entendimento
dos Ministros Maurício Corrêa, relator, e Néri da Silveira, no
sentido de que a incidência imediata da nova política salarial
não ofenderia a coisa julgada. Com esse fundamento, a
Turma, por maioria de votos, deu provimento ao recurso
extraordinário do empregador, vencidos os Ministros Marco
Aurélio e Carlos Velloso, que consideravam que haveria, em
tal hipótese, retroatividade. RE 202.686-SP, rel. Min.
Maurício Corrêa, 3.11.97.

Cerceamento de Defesa e Produção de Provas


Não configura constrangimento ilegal a tomada de
depoimento em juízo de advogado que acompanhou o
interrogatório do réu realizado no inquérito policial, não para
pronunciar-se sobre os fatos delituosos, mas, tão-só, para
atestar a regularidade do ato. Por outro lado, considerando
que a sentença de pronúncia decide apenas sobre a
admissibilidade da acusação, a Turma entendeu não
configurar cerceamento de defesa o indeferimento de
diligência requerida com vistas a se ter acesso a processo
disciplinar sigiloso instaurado perante a OAB contra o
referido advogado que atuara como testemunha já que a
parte poderá produzir outros meios de prova porquanto ainda
não encerrada a fase instrutória. HC 75.342-SP, rel. Néri da
Silveira, 4.11.97.

Novas Provas e Princípio do Contraditório


Apenas se admite a produção de novas provas
para efeito de revisão criminal (CPP, art. 621, III) quando
feitas em juízo e observado o princípio do contraditório.
Com base nesse entendimento, a Turma indeferiu habeas
corpus em que se pleiteava a validade da retratação de
testemunha da acusação feita mediante correspondência
enviada ao paciente. HC 75.364-SP, rel. Min. Carlos Velloso,
4.11.97.

Lei 9.099/95: Inaplicabilidade


Considerando que o art. 90 da Lei 9.099/95, ao
determinar que “as disposições desta Lei não se aplicam aos
processos penais cuja instrução já estiver iniciada”, alcança
inclusive a esfera recursal, a Turma deferiu habeas corpus
em favor do paciente condenado a 1 ano de prisão nos
termos do art. 58 do DL 6.259/44 (jogo do bicho) em ação
penal iniciada antes do advento da Lei 9.099/95 , para anular
o acórdão da Turma Recursal dos Juizados Especiais
Criminais do Rio Grande do Sul que confirmou a sentença
condenatória do paciente, por incompetência desta,
determinando a remessa dos autos da apelação ao Tribunal
de Alçada do Estado do Rio Grande do Sul, competente para
julgar o recurso. HC 76.029-RS, rel. Min. Néri da Silveira,
4.11.97.

Sessões Ordinárias Extraordinárias Julgamentos

Pleno 5.11.97 -------- 48


1ª Turma 4.11.97 --------- 20
2ª Turma 4.11.97 3.11.97 374

CLIPPING DO DJ
7 de novembro de 1997
ADIn N. 892
RELATOR : MIN. CELSO DE MELLO
E M E N T A: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE
- PEDIDO DE MEDIDA CAUTELAR - DESISTÊNCIA -
IMPOSSIBILIDADE - PRINCÍPIO DA INDISPONIBILIDADE -
PEDIDO DE DESISTÊNCIA INDEFERIDO.
- O princípio da indisponibilidade, que rege o processo de controle
normativo abstrato, impede - por razões exclusivamente fundadas
no interesse público - que o autor da ação direta de
inconstitucionalidade venha a desistir do pedido de medida cautelar
por ele eventualmente formulado.
- AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE -
CONSTITUIÇÃO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL -
COMPOSIÇÃO DO TRIBUNAL DE CONTAS ESTADUAL -
PROVIMENTO DOS CARGOS DE CONSELHEIRO - NORMAS
QUE RESERVARAM, À ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA, O
PREENCHIMENTO DE CINCO VAGAS E, AO GOVERNADOR
DO ESTADO, APENAS DUAS VAGAS - SUSPENSÃO
CAUTELAR DEFERIDA.
- Os Estados-membros estão sujeitos, na organização e composição
dos seus Tribunais de Contas, a um modelo jurídico heterônomo
estabelecido pela própria Carta Federal, que lhes restringe o
exercício e a extensão do poder constituinte decorrente de que se
acham investidos. A norma consubstanciada no art. 75 do texto
constitucional torna, necessariamente, extensíveis aos
Estados-membros as regras nele fixadas.
- É indiscutível o relevo jurídico da questão suscitada, a que se
associa, por igual, uma situação configuradora do periculum in
mora que se expressa na conveniência de evitar que o caráter
abrangente da norma impugnada venha a gerar possível conflito
institucional entre os Poderes Legislativo e Executivo do Estado,
com evidente repercussão sobre a ordem político-jurídica local.
A Carta Federal, ao delinear o modelo de organização do Tribunal de
Contas da União, extensível, de modo cogente e imperativo, à
organização e composição dos Tribunais de Contas locais,
prescreve, no seu art. 73, § 2º, incisos I e II, que os componentes da
Corte de Contas serão escolhidos na proporção de 1/3 pelo Chefe do
Poder Executivo e de 2/3 pelo Poder Legislativo. Observando-se tal
relação de proporcionalidade, os Tribunais de Contas estaduais
deverão ter quatro Conselheiros eleitos pela Assembléia Legislativa
e três Conselheiros nomeados pelo Chefe do Poder Executivo do
Estado-membro. Dentre os três nomeados pelo Chefe do Poder
Executivo estadual, apenas um será de livre nomeação do
Governador do Estado. Os outros dois deverão ser nomeados pelo
Chefe do Poder Executivo local, necessariamente, dentre ocupantes
de cargos de Auditor do Tribunal de Contas (um) e de membro do
Ministério Público junto à Corte de Contas local (um).

ADIn N. 965
RELATOR : MIN. PAULO BROSSARD
EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE.
VENCIMENTOS DA MAGISTRATURA. Correção. Exigência de
lei e limitação a ela imposta. Parágrafo único, do art. 2º, da Lei
10.917/93. LIMINAR.
PROJETO DE LEI de iniciativa do Tribunal de Justiça. EMENDA
PARLAMENTAR que exige lei para a correção dos vencimentos da
magistratura e que limita esta a índices não superiores aos dos
servidores públicos estaduais. PROCESSO LEGISLATIVO
ORDINÁRIO. Observância das regras. Inexistência de
inconstitucionalidade formal.
VENCIMENTOS. Reajuste decorrente de atualização monetária.
Extensão aos membros da magistratura. Exigência de lei formal e
limitação ao reajuste concedido aos servidores do executivo.
Plausibilidade na concessão da liminar.
A exigência de lei formal, de iniciativa do Poder Judiciário, aplica-se
às hipóteses de aumento real de vencimentos e não às de extensão,
aos magistrados, dos reajustes gerais de vencimentos do
funcionalismo estadual.
Medida liminar deferida.

ADIn N. 1.682
RELATOR : MIN. OCTAVIO GALLOTTI
EMENTA: - Relevância jurídica da argüição da
inconstitucionalidade, perante o art. 96, II, b e d, da Carta Federal,
de dispositivos de Leis Complementares Estaduais em cuja
elaboração foram inseridos, por emenda parlamentar, dispositivos
destituídos de pertinência temática com o projeto oriundo do
Tribunal de Justiça.
* noticiado no Informativo 86

HC N. 73.711
RELATOR : MIN. MOREIRA ALVES
EMENTA: "Habeas corpus".- Correto o parecer da Procuradoria-
Geral da República.
- Com efeito, tendo o Ministério Público apelado para que o réu
fosse condenado por infringência ao artigo 12 da Lei de Tóxicos, o
acolhimento de sua pretensão levava, por via de consequência
necessária, à determinação do regime inicial do cumprimento da
pena imposta. E esta Primeira Turma, ao julgar o HC nº 68.360,
voltou a reafirmar o entendimento pacífico desta Corte no sentido de
que se impõe aos condenados por infração do art. 12 da Lei
Antitóxicos o cumprimento inicial da pena em regime
fechado, por ser - como salientou o acórdão ora atacado - o fato
anterior à Lei 8.072/90.
"Habeas corpus" indeferido, cassando-se a liminar concedida.
* noticiado no Informativo 29

HC N. 74.757
RELATOR : MIN. OCTAVIO GALLOTTI
EMENTA: - 1. Alegações improcedentes dos impetrantes, quanto à
suposta invasão da competência municipal, à tipificação e à
consumação do crime e à prescrição, bem como à indivisibilidade e
à conexão da ação penal, sendo, ainda, inaplicável o disposto no art.
89 da Lei nº 9.099-95, dada a anterioridade da sentença
condenatória.
2. Pedido deferido, em parte, para exclusão do acréscimo de pena
pela continuidade, visto constituir delito único a multiplicidade de
condutas relativas ao mesmo parcelamento de solo urbano (art. 50, I,
e parágrafo único da Lei nº 6.766-79).
* noticiado no Informativo 83

HC N. 74.973
RELATOR : MIN. SEPÚLVEDA PERTENCE
EMENTA: Sentença condenatória: prazo de recurso: intimação
dupla.
A intimação da sentença condenatória há de fazer-se ao defensor e
pessoalmente ao réu, contando-se da última, seja ela qual for, o
prazo para a apelação; é irrelevante que, intimado em primeiro lugar,
o defensor renunciado ao recurso, aliás, sem poderes especiais para
tanto: tempestiva a apelação interposta no prazo contado a partir da
intimação do réu.
* noticiado no Informativo 84

HC N. 75.238
RELATOR : MIN. CARLOS VELLOSO
EMENTA: PENAL. PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS.
RÉU SEMI-IMPUTÁVEL. EXAME DE SANIDADE MENTAL.
PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE. SUBSTITUIÇÃO POR
MEDIDA DE SEGURANÇA. DECISÃO ULTRA PETITA E
REFORMATIO IN PEJUS: INOCORRÊNCIA. CPP, ART. 149.
SÚMULA 525-STF.
I. - Se o juiz tiver dúvida razoável sobre a integridade mental do
acusado, poderá, de ofício, submetê-lo a exame médico-legal. CPP,
art. 149.
II. - Não constitui reformatio in pejus o fato de o juiz substituir a
pena privativa de liberdade por medida de segurança, com base em
laudo psiquiátrico que considerou o acusado semi-imputável. CP, art.
98.
III. - Como a lei não estabelece o momento processual para a
realização do exame médico legal de que trata o art. 149 do CPP,
deverá ele ser realizado com o surgimento de dúvida razoável sobre
a integridade mental do acusado. Precedente do STF.
IV. - Com a reforma penal de 1984, a medida de segurança passou a
ser aplicada apenas aos inimputáveis e aos semi-imputáveis (CP,
arts. 97 e 98). A Súmula 525-STF, editada antes da reforma penal,
subsiste apenas para vedar a reformatio in pejus no caso específico
da medida de segurança. Precedente do STF.
V. - HC indeferido.

HC N. 75.462
RELATOR : MIN. MARCO AURÉLIO
(...)LEGÍTIMA DEFESA - NECESSIDADE DOS MEIOS -
MODERAÇÃO E EXCESSO. O fato de os jurados responderem
negativamente ao quesito alusivo à necessidade dos meios não
prejudica a seqüência do questionário no tocante à moderação e ao
excesso. Precedentes: Recurso Extraordinário Criminal nº 105.558-
8/SP, Relator Ministro Francisco Rezek, Diário da Justiça de 3 de
outubro de 1986, página 18.339; Recurso Extraordinário nº 113.393-
7/MG, Relator Ministro Octavio Gallotti, Diário da Justiça de 14 de
agosto de 1987, à página 16.091.
* noticiado no Informativo 85

HC N. 75.671
RELATOR : MIN. OCTAVIO GALLOTTI
EMENTA: - Nada tendo requerido o acusado entre a data da
vigência da Lei nº 9.099-95 e a da sentença condenatória (6-6-96), e
havendo dela apelado perseguindo absolvição, não há lugar, após
confirmada a condenação, para invocação de ultrapassada solução de
consenso, prevista no art. 89 do citado dispositivo legal (suspensão
do processo).
* noticiado no Informativo 85

MS N. 22.076
RED. P/ O ACÓRDÃO: MIN. MAURÍCIO CORRÊA
EMENTA: MANDADO DE SEGURANÇA. INDEFERIMENTO.
PROCESSO ADMINISTRATIVO E PROCESSO PENAL.
AUTONOMIA DAS INSTÂNCIAS RECONHECIDA
PACIFICAMENTE POR ESTA CORTE. EXCEÇÕES.
CONCLUSÃO NA INSTÂNCIA PENAL QUANTO À
INEXISTÊNCIA MATERIAL DO FATO OU NEGATIVA DE SUA
AUTORIA, ALÉM DA FUNDAMENTAÇÃO, NA INSTÂNCIA
ADMINISTRATIVA REFERENTE À PRÁTICA DE CRIME
CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. NÃO SE
CONFIGURA, NO CASO PRESENTE, A COINCIDÊNCIA DAS
PREMISSAS DE AMBOS OS PROCESSOS, DE MODO A
CONFIGURAR A TESE DA PREJUDICIALIDADE DA AÇÃO
PENAL INTENTADA.
1. A autonomia das instâncias penal e administrativa é firmemente
reconhecida por esta Corte, ressalvando-se as situações em que
ocorre a repercussão dessa, naquela, ou seja, quando na instância
penal se conclua pela inexistência material do fato ou pela
negativa de sua autoria e, ainda, quando o fundamento lançado na
instância administrativa refira-se à prática de crime contra a
administração pública.
2. No presente caso, contudo, nenhuma das mencionadas exceções
se apresenta. A Comissão Disciplinar encarregada do processo
administrativo deixou de acolher a inclusão do artigo 364, inciso II
do Decreto nº 59.310/66, justamente porque o indiciado não havia
sido ainda julgado pelo Judiciário, por Crime Contra a
Administração Pública, não se fundando a imputação, assim, em
tipo penal, restando improcedente a tese desenvolvida pelo
impetrante quanto à prejudicialidade da ação penal contra ele
intentada.
Mandado de segurança indeferido.
* noticiado no Informativo 11

MS N. 22.696
RELATOR : MIN. MARCO AURÉLIO
MANDADO DE SEGURANÇA - DECISÃO DO TRIBUNAL DE
CONTAS - SUSPENSÃO DOS EFEITOS. O mandado de segurança
não é meio hábil a suspender-se decisão do Tribunal de Contas da
União, mesmo ante a notícia de pretender o Impetrante ajuizar a
ação desconstitutiva do ato impugnado.

RECLAMAÇÃO N. 645
RELATOR : MIN. OCTAVIO GALLOTTI
EMENTA: - Mesmo após a redação dada, pela Lei nº 9.132-95, ao
art. 528 do Código de Processo Civil, prevalece a regra, ínsita à
natureza do agravo de instrumento de despacho denegatório de
recurso extraordinário, no sentido de que, mesmo reputado
intempestivo aquele agravo, não pode ele deixar de ser remetido
pelo Presidente do Tribunal a quo, ao conhecimento do Supremo
Tribunal.
* noticiado no Informativo 85

RE (AgRg) N. 148.835
RELATOR : MIN. CELSO DE MELLO
E M E N T A: RECURSOS EXTRAORDINÁRIOS -
INTEMPESTIVIDADE - MANDATÁRIOS JUDICIAIS
DIVERSOS - ART. 191 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL -
INAPLICABILIDADE - JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE PELO
TRIBUNAL
A QUO - PROVISORIEDADE - CONTROLE DA
TEMPESTIVIDADE DOS RECURSOS PELO SUPREMO
TRIBUNAL FEDERAL - PRESSUPOSTO RECURSAL DE
ORDEM PÚBLICA - AGRAVO IMPROVIDO.
CONTROLE DA TEMPESTIVIDADE DO RECURSO
EXTRAORDINÁRIO PELO SUPREMO TRIBUNAL
FEDERAL - JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE PELO
TRIBUNAL
A QUO - CARÁTER PROVISÓRIO.
- O Supremo Tribunal Federal não está sujeito à interpretação das
normas infraconstitucionais firmada pelo Egrégio Superior Tribunal
de Justiça, eis que assiste a esta Corte Suprema o amplo poder de
definir a exegese das regras pertinentes à contagem dos prazos
concernentes aos processos de sua competência, inclusive daqueles
concernentes à interposição do próprio recurso extraordinário.
- O estudo da teoria geral dos recursos revela que o controle de
admissibilidade das espécies recursais assiste, num primeiro
momento, ao órgão competente do Tribunal a quo.
A prolação de juízo positivo de admissibilidade, pelo Tribunal a
quo, não tem, ante a provisoriedade de que se reveste tal ato
decisório, o condão de constranger o órgão judiciário ad quem a
conhecer do recurso interposto. Isso significa que o Supremo
Tribunal Federal, nos recursos de sua competência - ainda que
admitidos estes pela Presidência do Tribunal inferior -, pode,
sempre, recusar-lhes trânsito nesta esfera jurisdicional, se e quando
ausente o requisito da tempestividade.
A TEMPESTIVIDADE CONSTITUI PRESSUPOSTO
RECURSAL DE ORDEM PÚBLICA.
- O controle da tempestividade dos recursos na Suprema Corte -
precisamente por constituir pressuposto recursal de ordem pública -
revela-se matéria suscetível até mesmo de conhecimento
ex officio pelo Supremo Tribunal Federal, independentemente de
qualquer formal provocação dos sujeitos da relação processual.
LITISCONSORTES COM PROCURADORES DIVERSOS.
A constituição de mandatário judicial diverso, por um dos
litisconsortes, não basta, por si só, para legitimar a invocação da
norma inscrita no art. 191 do Código de Processo Civil, que veicula
o benefício excepcional da dilatação dos prazos processuais. É
também necessário que o ato de constituição de novo procurador
por qualquer dos litisconsortes seja comunicado ao juízo processante
dentro do lapso temporal ordinário para a interposição do recurso,
em ordem a impedir que a tardia notificação passe a revestir-se de
inaceitável eficácia restauradora de prazos, que, por serem
essencialmente de caráter preclusivo e de natureza peremptória, não
podem sofrer prorrogação indevida.
* noticiado no Informativo 25

RE N. 193.456
RED. P/ O ACÓRDÃO: MIN. MAURÍCIO CORRÊA
EMENTA: CONSTITUCIONAL. PREVIDENCIÁRIO. AUTO-
APLICABILIDADE DO ART. 202 DA CONSTITUIÇÃO
FEDERAL. ALEGAÇÃO IMPROCEDENTE. SUPERVENIÊNCIA
DAS LEIS 8.212/91 E 8.213/91. INTEGRAÇÃO LEGISLATIVA.
RECURSO EXTRAORDINÁRIO NÃO CONHECIDO.
1 - O preceito do art. 202, "caput", da Constituição Federal não é
auto-aplicável, por necessitar de integração legislativa, para
complementar e conferir eficácia ao preceito.
2 - Superveniência das Leis 8.212/91 e 8.213/91, normas sem as
quais a vontade da Lei Maior não se cumpria.
Recurso extraordinário não conhecido.
* noticiado no Informativo 61

RE N. 197.911
RELATOR : MIN. OCTAVIO GALLOTTI
EMENTA: 1 - DISSÍDIO COLETIVO. Recursos extraordinários
providos, para excluir as cláusulas 2ª (piso correspondente ao salário
mínimo acrescido de percentual) e 24ª (estabilidade temporária), por
contrariarem, respectivamente, o inciso IV (parte final) e I do art. 7º
da Constituição, este último juntamente com o art. 10 do ADCT,
bem como a cláusula 29ª (aviso prévio de sessenta dias), por ser
considerada invasiva da reserva legal específica, instituída no art. 7º,
XXI, da Constituição.
2. Recursos igualmente providos, quanto à cláusula 14ª
(antecipação, para junho, da primeira parcela do 13º salário), por
exceder seu conteúdo à competência normativa da Justiça do
Trabalho, cujas decisões, a despeito de configurarem fonte de direito
objetivo, revestem o caráter de regras subsidiárias, somente
suscetíveis de operar no vazio legislativo, e sujeitas à supremacia da
lei formal (art. 114, § 2º, da Constituição).
3. Recursos de que não se conhece no concernente à cláusula 1ª
(reajuste salarial), por ausência de pressupostos de admissibilidade,
e, ainda, no que toca às cláusulas 52ª (multa pela falta de pagamento
de dia de trabalho), 59ª (abrigos para a proteção dos trabalhadores),
61ª (fornecimento de listas de empregados), 63ª (afixação de quadro
de avisos), visto não contrariarem os dispositivos constitucionais
contra elas invocados, especialmente o § 2º do art. 114.
Decisão por maioria, quanto às cláusulas 29ª e 14ª, sendo, no
restante unânime.
* noticiado no Informativo 46

RHC N. 74.789
RELATOR : MIN. MARCO AURÉLIO
AÇÃO PENAL - CRIME MILITAR - LESÕES CORPORAIS
LEVES OU CULPOSAS - REPRESENTAÇÃO - Aplica-se ao
processo penal militar o disposto no artigo 88 da Lei nº 9.099/95:
"Além das hipóteses do Código Penal e da legislação especial,
dependerá de representação a ação penal relativa aos crimes de
lesões corporais leves e lesões culposas".
* noticiado no Informativo 75

Acórdãos publicados: 286

T R A N S C R I Ç Õ E
S

Com a finalidade de proporcionar aos leitores


do INFORMATIVO STF uma compreensão mais
aprofundada do pensamento do Tribunal,
divulgamos neste espaço trechos de decisões que
tenham despertado ou possam despertar de modo
especial o interesse da comunidade jurídica.

Inadmissão de RE Penal: Prazo para o Agravo


RE 197.032 - RS*

Ministro Sepúlveda Pertence (relator)

Relatório: RE, a, fundado em violação ao princípio do


contraditório (CF, art. 5º, LV), contra acórdão que, reformando
sentença de primeiro grau que absolvera o recorrente, condenou-o à
pena de 1 ano, 5 meses e 15 dias de detenção, substituída por
prestação de serviços à comunidade e multa, como incurso no artigo
121, § 3º (duas vezes), comb. com o art. 70, caput, do Código Penal.

O Ministério Público local, em sua resposta (f. 90/93),


alega que o agravo é intempestivo, pois, publicada a decisão
agravada em 22.4.96, em 29.4.96 expirou o prazo (5 dias) e a petição
só foi protocolada em 2.5.96 (10º dia).

Argumenta que não se aplica à hipótese a L. 8.950/94,


segundo a qual o prazo do agravo de instrumento é de 10 dias, uma
vez que esta apenas revigorou os artigos 541 a 546 do C. Proc. Civil,
dando-lhes nova redação, mas não revogou a L. 8.038/90, que assim
continua a regular os recursos especiais, extraordinários e agravos
de instrumento, em matéria criminal.

Nos termos do art. 22, parag. único, b, RISTF, submeto o


feito ao Plenário para decidir da tempestividade do recurso.
É o relatório.

Voto: A L. 8.950, de
13.12.94, alterou dispositivos do Código de
Processo Civil relativos aos recursos,
incluídos o recurso extraordinário e o
recurso especial e o agravo contra a sua
não admissão na instância a qua, que são
objeto da nova redação dos arts. 541 a 545:
surge daí a questão de sua incidência ou a
das correspondentes disposições da L.
8.038/90 sobre os aludidos recursos,
quando interpostos em processos penais.

Dois pontos, pelo menos, dão


efetivo relevo prático à questão: o prazo do
agravo de instrumento - de cinco dias, na L.
8.038 é de dez dias, no atual art. 544,
C.Pr.Civ. - e a formação de instrumento - de
que antes se incumbia a secretaria do
Tribunal a quo, mediante traslado das
peças obrigatórias e das indicadas pelas
partes (L. 8.038, art. 28, § 1º) é hoje, com
as peças já apresentadas pelas partes
(C.Pr.Civ., art. 544, parag. único).

Desconheço que a matéria tenha


sido enfrentada no Tribunal: minha
pesquisa não encontrou marca de
precedentes.

No col. Superior Tribunal de


Justiça - onde o problema se põe em termos
rigorosamente idênticos, a propósito do
agravo da denegação do recurso especial -,
logrei encontrar três decisões: a primeira -
AgRAg 78.951, 5ª Turma, 13.12.95,
Ministro Assis Toledo, DJ 26.2.96 - no
sentido da aplicação da nova disciplina do
C.Pr.Civ. também em matéria penal - e as
duas outras - AgRAg 80.339, 6ª Turma,
Ministro Adhemar Maciel, DJ 1º.4.96, e o
AgRAg 98.148, 6ª Turma, 13.5.96, Ministro
Anselmo Santiago, DJ 1º.7.96 - em sentido
contrário.

O ponto nuclear da argumentação


do em. Ministro Toledo pela aplicação do
C.Pr.Civ. é o caráter unitário do recurso
especial. E aduz:
“Em artigo intitulado
“Observações sobre o recurso especial em
matéria penal”, tive oportunidade de
manifestar entendimento nos seguintes
termos:


1. A Constituição
de 1988, ao
instituir o recurso
especial, no art.
105, III, não faz
nem sugere
qualquer distinção
entre o recurso no
processo civil e o
recurso no processo
penal.
Compreende-se que
assim seja, tendo
em vista os
objetivos
supradisciplinares
dessa impugnação
excepcional. Daí o
seu caráter
unitário, já
identificável, em
certa medida, no
antigo recurso
extraordinário das
Constituições
anteriores. Essa
unidade mais se
acentua, contudo,
presentemente, no
recém-criado
recurso, tendo em
vista a supressão
dos antigos óbices
regimentais (a
alçada) que, de
certo modo, através
de várias formas de
limitação,
introduziram, no
sistema processual,
exigências
diferentes para o
recurso em matéria
penal das que se
faziam para o seu
congênere em
matéria cível.

V
ê-se, portanto,
agora, que os
pressupostos
genéricos e
específicos de
admissibilidade do
recurso especial
são os mesmos na
esfera cível e na
criminal, não mais
se permitindo
limitações
regimentais, não
previstas pelo atual
texto
constitucional.

2.
Por isso é que o
Regimento Interno
do Superior
Tribunal de Justiça
não cogita de
espécies de recurso
especial, mas de
um só tipo,
estabelecendo
regras
rigorosamente
uniformes,”...
(“
Recursos no
Superior Tribunal
de Justiça”, editora
SARAIVA - 1991,
pág. 125).

A Lei 8.038/90, que


instituiu normas para os processos perante
esta Corte, não alterou essa linha de
orientação. Tanto o recurso especial no
processo civil quanto o recurso no
processo penal foram regulados por normas
uniformes, sem discriminação.

Com o advento da Lei


8.950/94, que modificou o Código de
Processo Civil, a matéria relativa aos
recursos especiais passou a ser regulada
pela nova legislação. Não somente o
recurso especial em matéria civil foi
modificado, como também o recurso penal
sofreu alterações, tendo em vista o caráter
unitário conferido pela Constituição
Federal ao recurso especial”.

Não tenho dúvidas quanto ao


caráter unitário do recurso especial,
originário do recurso extraordinário, que
unitário surgiu, desde o D. 848, de 1890 - e,
superada alguma dúvida inicial, de patente
improcedência, quanto ao seu cabimento
em matéria criminal (Pedro Lessa, Do
Poder Judiciário, 1915, p. 144; Vasco
Lacerda Gama, Recurso Extraordinário,
1935, p. 465 ss - unitário continua a ser.

De ser o recurso extraordinário um


só, extraiu Castro Nunes (Teoria e Prática
do Poder Judiciário, 1943, p. 335), a sua
“índole civil”, independente de ser civil ou
criminal a causa em que proferida a
decisão recorrida.

Melhor dizer, no entanto, como


José Afonso da Silva (Do Recurso
Extraordinário, 1963, p. 40), que o RE
“não é um recurso civil, nem criminal, nem
trabalhista, nem eleitoral, nem fiscal,
porque cabe em qualquer processo seja
qual for a sua natureza. Em suma, não é
recurso de nenhum ramo do Direito
processual, porque é de todos”.

Certo, daí extraem, ambos os


autores, que unitária deveria ser, em
conseqüência, a disciplina legal do seu
processo e procedimento.

De lege ferenda, talvez. Mas nem


sempre tem sido assim. E nem há razão
dogmática que o imponha: único, por sua
função unitária, é o seu regime
constitucional; no entanto, diferençar ou
não o ordenamento legal de seus aspectos
processuais e procedimentais, conforme a
natureza e as peculiaridades do processo
em que se manifesta, é uma opção do
legislador federal.

Nascido, antes da primeira


Constituição Federal, no D. 848, de
11.10.1890, de onde o avocou, ainda sem
nome, a Carta Republicana de 1891, o
recurso extraordinário - assim denominado,
em primeiro lugar, pelo regimento pré-
constitucional do STF - na Primeira
República, foi tratado unitariamente pelas
leis federais que dele sucessivamente
cuidaram - a L. 221, de 20.11.1894, o D.
3.084, de 5.11.1898, o D. 1.939, de
28.8.1908 - assim como pelo Regimento
Interno, ao qual sempre se delegou tratar
do seu procedimento e julgamento na Casa
(cf. JC Matos Peixoto, Recurso
Extraordinário, 1935, p.112; Vasco de
Lacerda Gama, ob.cit., p.515).

Igualmente unitária a disciplina


que lhe deram os dois editos do Governo
Provisório instalado com a Revolução de
1930 (D. 19.656, 5.2.31 e D. 20.106,
13.6.31).

Não obstante, os dois primeiros


Códigos nacionais de Processo - o
C.Pr.Civ., de 1939 (arts. 863/869), e o
C.Pr.Pen., de 1941 (arts. 632/638), ainda
sobrevivente - cuidaram paralela e
diversamente do recurso extraordinário,
ainda que a única diferença de relevo fosse
a de subir, o RE cível, nos autos principais,
e o RE criminal, em traslado.

Curiosamente, essa diferença


procedimental subsistiu à L. 3.396, de
2.6.58, que reunificou, no mais, o trato do
recurso extraordinário fosse cível ou
criminal.

Nota-se, finalmente, que, na área


das Justiças especiais, só na do Trabalho é
que - no silêncio da CLT -, se aplica
subsidiariamente a lei processual civil
comum; na Eleitoral, ao menos com relação
ao prazo, mantém-se, até hoje, a regra
especial do tríduo, tanto para o RE, quanto
para o agravo; e na Militar, malgrado o
capítulo próprio do recurso extraordinário
(CPPM, arts. 573/586) seja
substancialmente idêntico às disposições da
L. 3.396/58, há uma peculiaridade: o
procedimento do agravo começa com o
requerimento de formação do traslado,
dirigido à Secretaria do STM, nas
“quarenta e oito horas seguintes à decisão
que denegar o recurso extraordinário” (art.
581).

A L. 8.038/90, sim, é que além de


dar disciplina única ao recurso
extraordinário cível ou criminal, estendeu-
a, quase inteiramente, à nova figura, dele
surgida por cissiparidade, o recurso
especial: limitado, porém, o seu âmbito
normativo aos processos originários e
recursos de que cuidou, “perante o
Superior Tribunal de Justiça e o Supremo
Tribunal Federal”, deixou subsistirem os
pontos peculiares do regramento do tema
nas Justiças especiais.

É de ver, assim, que - não sendo


imposta pelo caráter unitário da função e
dos pressupostos substanciais do recurso
extraordinário - a uniformidade do seu
procedimento não é sequer da tradição, no
plano da legislação ordinária.

O problema se reduz a saber se a


L. 8.950/94 revogou a L. 8.038/90, em tudo
quanto nela dizia com os recursos
extraordinário e especial e respectivos
agravos de instrumento, ou se se limitou a
subtrair da última a regência dos mesmos
recursos, apenas na área civil, não porém,
na esfera criminal.

A tanto reduzida a questão, estou


em que lhe deu solução inequívoca o
acórdão referido do em. Ministro Adhemar
Maciel - AgRAg 80.339 - verbis:

“... o caso dos autos é de


natureza penal, não se aplicando, por via
de conseqüência, o caput do art. 544 do
CPC, com a nova redação dada pela Lei n.
8.950/94, mas, sim, o caput do art. 28 da
Lei n. 8.038/90, que continua sendo
aplicado aos feitos criminais.
Por oportuno, transcrevo
o comando da Lei n. 8.950/94, in verbis:


Altera dispositivos
do Código de
Processo Civil,
relativos aos
recursos”. (grifei).

Para que não reste


dúvida, copio o caput do art. 2º da Lei n.
8.950/94:


Os arts. 541 a 546
da Lei nº 5.869, de
11 de janeiro de
1973, revogados
pela Lei nº 8.038,
de 28 de maio de
1990, ficam
revigorados com a
seguinte redação:”
(grifei).

Por fim, lembro que a


mencionada Lei n. 5.869/73 é a que
“Institui o Código de Processo Civil.”
Como se vê, a Lei n.
8.950/94, é direcionada tão-somente ao
processo civil.
Na verdade, basta uma
simples leitura nos parágrafos do art. 2º da
LICC, para solucionar a questão. Dispõem
os §§ do dispositivo retro:


§ 1º A lei posterior
revoga a anterior
quando
expressamente o
declare, quando
seja com ela
incompatível ou
quando regule
inteiramente a
matéria de que
tratava a lei
anterior.
§
2º A lei nova, que
estabeleça
disposições gerais
ou especiais a par
das já existentes,
não revoga nem
modifica a lei
anterior.”
§
3º Salvo disposição
em contrário, a lei
revogada não se
restaura por ter a
lei revogadora
perdido a
vigência.” (grifei)
.
No tocante ao processo
civil, aplicam-se os §§ 1º, última parte, e 3º
do art. 2º da LICC. Realmente, ao revigorar
os arts. 539 a 546 do CPC, o art. 2º da Lei
n. 8.950/94 afastou a incidência dos arts.
26 a 28 e 33 a 35 em matéria processual
civil.
No que diz respeito aos
feitos criminais, aplica-se o § 2º do art. 2º
da LICC. A Lei n. 8.038/90 instituiu normas
procedimentais para os processos (civil e
penal) perante o STJ e o STF. Ora, a Lei n.
8.950/94 (“lei nova”) estabelece
disposições especiais (ou seja, dirigidas
tão-somente ao processo civil) a par das já
existentes na Lei n. 8.038/90, que são
endereçadas ao processo civil e penal, não
revoga nem modifica a Lei n.8.038/90 (“lei
anterior”) em relação à matéria de que não
tratou (processo penal).
Por oportuno, transcrevo
o pronunciamento de CÂNDIDO RANGEL
DINAMARCO ao examinar “o que resta da
lei n. 8.038, de 28.5.90”:


A Lei dos Recursos
ficou severamente
esvaziada, em sua
aplicação ao
processo civil,
quando para o
Código a Lei n.
8.950, de 13 de
dezembro de 1.994
transpôs os
dispositivos
referentes ao
recurso
extraordinário, ao
recurso especial, ao
recurso ordinário
constitucional e aos
embargos de
divergência. Com
isso, seguramente
ficou afastada a
incidência de seus
arts. 26-29 e 33-35
em matéria
processual civil.
OMISSIS. Em tudo
que se refere ao
processo penal a lei
dos Recursos
permanece
inalterada.”
(DINAMARCO,
Cândido Rangel.
“A reforma do
Código de Processo
Civil.” 2ª ed.,
Malheiros Editores,
1995, páginas
205/206) (grifei).

Acolho o raciocínio e a conclusão


do ilustre Juiz e, em conseqüência, no caso
presente, não conheço do agravo de
instrumento, porque extemporâneo: é o meu
voto.

* acórdão ainda não publicado

Assessores responsáveis pelo Informativo


Maria Ângela Santa Cruz Oliveira
Márcio Pereira Pinto Garcia

informativo@stf.gov.br