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EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ FEDERAL DA 5ª VARA DA SEÇÃO JUDICIÁRIA

DO ESTADO DO PIAUÍ.

PROCESSO Nº:1000132-10.2017.4.01.4000
CLASSE: 70191 – MANDADO DE SEGURANÇA CÍVEL
IMPETRANTE: FREDERICO OZANAM SILVA DE MACÊDO
IMPETRADO: DIRETOR ACADÊMICO DO INSTITUTO CAMILLO FILHO

Trata-se de mandamus impetrado por FREDERICO OZANAM SILVA DE MACÊDO em


face de suposta prática de ato coator por parte do DIRETOR ACADÊMICO DO INSTITUTO
CAMILLO FILHO relativo ao indeferimento administrativo para que o impetrante cursasse,
simultaneamente, as disciplinas de Direito Processual do Trabalho e Prática Jurídica IV –
Trabalhista.
Narra a Inicial que o impetrante é aluno do 10º período do curso de bacharelado em
Direito no Instituto Camillo Filho, sendo que no semestre de 2016.2, quando estava no 9º período,
não cursou a disciplina Direito Processual do Trabalho.
Alegou o impetrante que, para concluir a graduação no semestre 2017.1, teria que cursar
Direito Processual do Trabalho e Prática Jurídica IV – Trabalhista, porém em requerimento de
solicitação de matrícula (processo administrativo em anexo), teve seu pedido negado, sob a
alegação de que Direito Processual do Trabalho é pré-requisito de Prática Trabalhista e o mesmo só
poderia cursá-la no próximo semestre, ou seja, a partir de agosto de 2017.
Contudo, afirmou que, caso não curse nesse semestre Prática Jurídica IV – Trabalhista,
não poderá participar das cerimonias de formatura, diante dessa situação, o autor restará
extremamente prejudicado financeiramente e moralmente.
Ressaltou que não há vínculo de conteúdo que comprometa ou impossibilite cursar as
referidas disciplinas ao mesmo tempo, além do que há possibilidade de encaixe dos horários, uma
vez que o impetrante está matriculado no 10° período noite e a matéria, Direito Processual do
Trabalho, também é disponibilizada no turno da tarde, de acordo com o horário acadêmico da
faculdade, em anexo.
Em sede de decisão interlocutória, a MM. Juíza Federal deferiu o pedido liminar para
determinar a quebra de pré-requisito, com a imediata efetivação da matrícula do impetrante na
disciplina “prática jurídica IV – trabalhista” (período 2017.1), do curso de bacharelado em Direito
no ICF, sob o fundamento de que, no caso em tela, a persistir o ato administrativo impugnado, o
estudante não terá condições de colar grau no final do presente semestre e será obrigado a
permanecer mais um semestre na faculdade para cursar apenas 1 (uma) disciplina.
Assim, para a magistrada, não é razoável impedir que um aluno prestes a concluir seu
curso superior possa cursar, concomitantemente, mais de uma matéria da qual uma é pré-requisito
da outra, observando-se a compatibilidade de horários, em que pese a exigência deste pré-requisito
encontrar-se dentro da autonomia didático científica conferida às Universidades pela Constituição.
Nesse sentido, mencionou que a jurisprudência do Egrégio Tribunal Regional Federal da 1ª
Região tem se firmado em relação à possibilidade de matrícula de aluno de curso superior em
disciplina simultaneamente com outra da qual é pré-requisito, quando o aluno estiver terminando o
curso.
É o breve relatório. Passa-se ao Parecer.
Compulsando os autos, vê-se que a Impetrante insurge-se contra ato do Diretor Acadêmico
do Instituto Camillo Filho ao indeferir o seu requerimento de autorização para cursar,
simultaneamente, as disciplinas de Direito Processual do Trabalho e Prática Jurídica IV –
Trabalhista.
Cumpre ressaltar que as Instituições de Ensino Superior possuem autonomia para organizar
a grade curricular na forma que reputarem mais conveniente para os fins pedagógicos. Nesse
contexto, o sistema de pré-requisitos curriculares, cuja legitimidade é pautada na autonomia
didático-científica, tem respaldo na Lei 9.394/96 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação – LDBE):
Art. 47. Na educação superior, o ano letivo regular, independente do ano civil, tem,
no mínimo, duzentos dias de trabalho acadêmico efetivo, excluído o tempo
reservado aos exames finais, quando houver.
§ 1º As instituições informarão aos interessados, antes de cada período letivo, os
programas dos cursos e demais componentes curriculares, sua duração, requisitos,
qualificação dos professores, recursos disponíveis e critérios de avaliação,
obrigando-se a cumprir as respectivas condições.
Excepcionalmente, porém, considerando as peculiaridades do caso concreto, a observância
do sistema de pré-requisitos curriculares pode constituir imposição de restrição ao particular, como
o retardo da conclusão do curso, em medida superior àquela necessária à garantia da autonomia
didático-científica das Instituições de Ensino.
Dessa forma, a Jurisprudência tem se firmado em relação à possibilidade de matrícula
de aluno de curso superior em disciplina simultaneamente com outra da qual é pré-requisito,
quando o aluno estiver na qualidade de concluinte do curso.
Nesse sentido, os julgados colacionados abaixo:
CONSTITUCIONAL. ADMINISTRATIVO. ENSINO SUPERIOR.
MATRÍCULA EM DISCIPLINA CONCOMITANTEMENTE COM OUTRA DA
QUAL É PRÉ-REQUISITO. ALUNO CONCLUINTE DE CURSO DE
ENGENHARIA MECÂNICA DA UFMG. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES.
1. A jurisprudência tem orientação firmada no sentido da possibilidade de autorizar
a matrícula em disciplina concomitantemente com outra da qual é pré-requisito,
quando se tratar de aluno concluinte, hipótese dos autos. 2. Remessa oficial
desprovida. (TRF1. REO 0012488-19.2010.4.01.3800 / MG, Rel.
DESEMBARGADOR FEDERAL JOSÉ AMILCAR MACHADO, Rel. Conv.
JUIZ FEDERAL MARCELO DOLZANY DA COSTA (CONV.), SEXTA
TURMA, e-DJF1 p.1385 de 18/01/2013).

ENSINO SUPERIOR. ALUNO CONCLUINTE. MATRÍCULA EM DISCIPLINA


CONCOMITANTEMENTE A DE PRÉ-REQUISITO.
1.Possibilidade de quebra de pré-requisito, quando se tratar de aluno concluinte,
quando não houver incompatibilidade de horários e prejuízo à formação acadêmica
e ao estabelecimento educacional. 2. Agravo regimental desprovido. (TRF1. AGA
0025802-15.2012.4.01.0000 / DF, Rel. DESEMBARGADOR FEDERAL JOSÉ
AMILCAR MACHADO, Rel.Conv. JUIZ FEDERAL MARCELO 14/08/2012).
Aufere-se das Ementas, então, que a possibilidade de deferimento do pleito de quebra de
pré-requisito está condicionada ao fato do aluno ser concludente no curso e haver incompatibilidade
de horários.
Logo, considerando que o impetrante é aluno concludente e, ainda, a compatibilidade de
horários para o curso das matérias simultâneas, conforme comprovado pelos documentos acostados
à inicial, vê-se que houve violação ao direito líquido e certo do autor quando a autoridade impetrada
indeferiu o seu requerimento administrativo.
Diante do exposto, o MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL se manifesta pela concessão
da segurança buscada no presente writ, para tornar definitiva a matrícula do impetrante na
disciplina “Prática Jurídica IV – Trabalhista (período 2017.1), do Curso de Bacharelado em Direito
do Instituto Camillo Filho.

Teresina, 12 de julho de 2017

PATRÍCIO NOÉ DA FONSECA


Procurador da República