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André Victtor Silva Paiva – Direito Administrativo

MODALIDADES DE LICITAÇÃO

CONCURSO:

Modalidade destinada para a escolha de trabalho (técnicos, artísticos,


cientifico, etc). Exemplo: Monografia; Projeto Arquitetônico.

Mediante pagamento de prêmio ou remuneração ao ganhador. Anteriormente


fixado no edital.

CUIDADO: A lei 8.666, NÃO estabelece o procedimento licitatório do concurso,


é previsto em lei especifica.

A comissão é especial, pois é composta por três membros, mas não precisam
ser servidores públicos, bastam que sejam pessoas idôneas com conhecimento
na área do concurso.

Quanto ao intervalo mínimo, é de 45 dias.

PREGÃO – Lei 10.520/02

Modalidade não prevista na Lei 8.666/93. Mesmo esta prevendo a não


possibilidade de criação de uma nova modalidade de licitação, bem como,
combinação de procedimentos, duas lei que criaram agências reguladoras,
trouxeram essa possibilidade.

CRITICA: A doutrina majoritária entende que é inconstitucional. Pois, a lei de


licitações embora seja de caráter geral quanto ao procedimento, é de caráter
especifico quanto ao tratamento do tema licitação. Já a lei de criação das
agências reguladoras, não é especifica de licitação, não podendo revogar e
muito menos criar novas modalidades licitatórias. Contudo, com a criação da
Lei 10.520/02, isso foi sanado, já que esta é lei especifica.

Com uma MP em 2000, estendeu-se o pregão para todas as entidades da


administração direta e indireta da União. Com a lei 10.520/02 estendeu a todos
os entes.

OBS: Embora não tenha regulamentação, a consulta é a modalidade especifica


das agências reguladoras.
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O pregão é feito exclusivamente para adquirir bens e serviços comuns


(Aqueles que podem ser definidos no edital com expressão usual de mercado),
independente do valor. Exemplo: Caneta.

NÃO É POSSIVEL PARA OBRAS E CONSTRUÇÕES.

CUIDADO: Não tem comissão, quem faz o pregão é o pregoeiro, que é um


servidor público designado. Contudo, é possível uma comissão de apoio ao
pregoeiro, mas esta não tem qualquer reponsabilidade quanto aos atos.

Quanto ao intervalo mínimo, é de 8 dias ÚTEIS.

O pregão é SEMPRE menor preço. Independente do objeto.

OBS: A licitação nem sempre é feita para celebrar o contrato, a administração


pública pode licitar para registro de preços. Porém deve vir expresso no edital.
A administração Pública não é obrigada a contratar.

O registro tem validade de um ano e deve respeitar o quantitativo máximo


estabelecido no edital. Exemplo: Registro de preço de 10 carros. Nesse
período de um ano, havendo recursos, a administração pública pode comprar
esses carros sem precisar de uma nova licitação, podendo comprar no máximo
de 10.

CUIDADO: É possível a chamada “Ata de Adesão ao Registro de Preço ou


Licitação Carona”. Que ocorre quando outro órgão, por exemplo, não fez
licitação para registro, e no final do ano sobram recursos que podem ser
usados. Exemplo: PFN fez registro de preço para compra de carros, INSS não
fez, mas sobraram recursos, nesse caso, o INSS pode aderir à ata da PFN.

O máximo possível é o quíntuplo do valor do edital. Exemplo: 10 carros, pode


ser até 50.

Critica: Esta havendo contratação sem licitar. Porém o TCU admitiu, mas com a
ressalva que a União não pode aderir à ata de Estados e Municípios.

PROCEDIMENTO LICITATÓRIO

CONCORRÊNCIA

Inicia-se com a FASE INTERNA, onde a administração pública esta fazendo os


atos preparatórios para publicação edital. Começa pela designação da
comissão (se for especial, pois caso seja permanente basta anexar ao
processo a portaria de nomeação da comissão). Após, é feito a exposição
dos motivos, que é a justificativa da contratação. Indicação do recurso
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orçamentário (basta apresentar uma declaração de adequação orçamentária –


STJ), e por fim a elaboração edital e da minuta do contrato.

Nesse momento, todo o procedimento devidamente documentado, é enviado


para a consultoria jurídica do Órgão, para emissão de parecer. CUIDADO: Esse
parecer é OBRIGATÓRIO, porém não é VINCULANTE.

Após, inicia a FASE EXTERNA, que começa com a publicação do Edital. Que
deve ser feita em diário oficial e em jornal de grande Circulação. No edital já
deve conter a data para a abertura dos envelopes, obviamente respeitando o
limite mínimo.

Nesse momento, qualquer cidadão interessado, poderá o impugnar o edital,


desde que o faço até o quinto dia útil anterior à data para abertura dos
envelopes. Porém se o cidadão também for licitante, seu prazo é maior,
podendo impugnar o edital até o segundo dia útil anterior á data para abertura
dos envelopes.

Com ou sem impugnação, é possível a alteração/revogação do edital pela


Administração Pública, pois é um ato administrativo – AUTOTUTELA – SUM.
473 DO STF.

OBS: Havendo alteração do Edital, é necessária uma nova publicação da parte


alterada, nos mesmos moldes da publicação originária - ERRATA. Ademais, é
necessária a nova abertura de prazo mínimo, salvo, se a alteração não
modificar os conteúdos das propostas.

FASE DE HABILITAÇÃO

Antes da habilitação, qualquer licitante pode desistir sem a necessidade de


justificativa, após, é necessário previamente justificar o motivo e administração
decide se aceita ou não.

Aqui é verificado se o licitante esta idôneo a contratar com o Poder Público, se


cumpre requisitos, se não tiver, sua proposta de preço sequer é verificada.

CUIDADO: Os requisitos de habilitação (art.27) DEVEM está previstos em lei,


além disso, todos os requisitos devem ser indispensáveis à execução do
contrato. Caso contrário, é Fraude a Licitação.

Exemplo: Exigir que a empresa tenha sede no Município; Qualificação técnica


superior à necessária.

Os requisitos estão contidos no Artigo 27 da Lei 8.666/93.

1) Habilitação Jurídica: Demonstração que o sujeito existe de Direito.

2) Qualificação Técnica: Não se pode exigir nem mais e nem menos técnica
que a necessária para execução do contrato.
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OBS: É possível exigir que a pessoa já tenha executado o objeto do contrato


antes – STJ.

3) Qualificação Econômico Financeira: Para comprovar que o sujeito tem


idoneidade financeira para executar o contrato, antes da existência de qualquer
pagamento, pois, em regra, primeiro se executa o contrato para depois receber
o pagamento. Comprovado por meio de Balanço Patrimonial.

4) Comprovação que se adeque as condições do Art.7º, XXXIII da CF/88.


Vedação ao trabalho infantil. Normalmente, o Poder Público exige apenas uma
declaração, sob pena de responsabilidade pessoal, que se adeque ao disposto
no inciso acima citado.

5) Regularidade Fiscal: Demonstra a quitação com o fisco. Comprovado por


meio de certidões negativas de débitos (não tem qualquer débito), ou certidão
positiva de débitos com efeito de negativa (tem débito, mas tá com exigibilidade
suspensa).

OBS: É muito amplo, pois embora seja uma licitação, por exemplo, no âmbito
federal, é possível a exigência das certidões municipais e estaduais.

6) Regularidade Trabalhista: Demonstração que o sujeito não tem débitos


com a Justiça do Trabalho, em sede de execução. Comprovado por meio de
Certidão Negativa de Débitos Trabalhista expedida pela Justiça do Trabalho.
Porém, também é possível a Certidão Positiva com efeitos de negativa, no
caso de haver execução, mas tiver com a garantia do Juízo, por exemplo.

CUIDADO: Em regra, a ausência de qualquer desses requisitos INABILITA a


empresa, SALVO, se for ME ou EPP, nesse caso, estas tem um beneficio
quanto a Regularidade Fiscal. Mesmo que não estejam com a Regularidade
Fiscal em dias, podem participar da licitação, porém CUIDADO, elas não
podem fingir que esse requisito não existe, pois vão ter que juntar todas as
certidões da mesma forma, mesmo que positivas, a diferença é que isso não
vai fazer com que sejam inabilitadas.

Ao final, se saírem como vencedoras, a Administração Pública deve conceder o


prazo de 05 dias úteis improrrogáveis, para que procedam com a regularização
com o fisco.

Outra ressalva é quanto aos Institutos de Ciência e Tecnologia - ICT, onde a lei
prevê que é possível a dispensa de um ou mais dos requisitos de habilitação.
OBS: A lei não diz o que pode ser dispensado, então, é discricionário.

Após o termino da habilitação, abre-se prazo para recurso, prazo esse de cinco
dias úteis. CUIDADO: Esse recurso tem efeito suspensivo automático. –
ART.109.
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CUIDADO: A interposição de recurso, juntando documento obrigatório que


faltou no momento da habilitação e tornou a empresa inabilitada, não deve ser
provido. Prazo para recurso não é para juntar documento obrigatório.

Porém, se todos os licitantes forem inabilitados, para evitar o fracasso do


procedimento licitatório, a Administração Pública pode abrir um prazo de oito
dias úteis para que todos se adequem ao edital trazendo novos documentos.

Embora tenha a expressão “pode”, a Doutrina Majoritária entende que é um


“Poder-Dever”.

CLASSIFICAÇÃO E JULGAMENTO DAS PROPOSTAS

Última fase do trabalho da Comissão. Somente os licitantes que forem


habilitados. Os que não foram recebem os envelopes de proposta de preço
lacrados. Nessa fase o julgamento é feito de acordo com o tipo da licitação e os
critérios objetivos previstos no edital.

Ao termino do procedimento de classificação e julgamento, prazo para recurso


também é de cinco dias úteis, com efeito suspensivo automático. – Art. 109.

CUIDADO: Assim como na fase de habilitação, se todos os licitantes forem


desclassificados, para evitar o fracasso da licitação, a Administração pode
(deve) abrir um prazo de oito dias úteis para que se adequem ao edital e
tragam nova proposta.

OBS: É possível que a Administração Pública, previamente a licitação,


estabeleça uma preferência pela aquisição de produtos manufaturados e
para serviços nacionais que obedeçam as normas técnicas. Porém, essa
preferência não pode ultrapassar 25% dos demais concorrentes. Isto é, a
Administração Pública pode adquirir um produto, por exemplo, até 25% mais
que caro que outro só pelo fato de ser manufaturado. – FUNDAMENTO
DESENVOLVIMENTO NACIONAL SUSTENTÁVEL. APLICAÇÃO DA
ISONOMIA MATERIAL.

Também é possível, a preferência adicional em face de produtos


manufaturados ou serviços nacionais, pelo fato de decorrer de uma nova
tecnologia criada no País. Exemplo: Entre dois produtos manufaturados, da
preferência ao que decorrer de tecnologia criada no País. OBS: Continua no
máximo de 25%.

HOMOLOGAÇÃO

Fase de responsabilidade da autoridade máxima do Órgão. Aqui a autoridade


vai verificar o procedimento licitatório, e se entender que esta tudo certo irá
proceder com a homologação.
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No entanto, a autoridade também pode fazer a anulação do procedimento, se


entender que existe vicio de ilegalidade em qualquer das fases, ou ainda,
proceder com a revogação em caso de comprovação de interesse público
superveniente.

OBS: Em caso de homologação não precisar abrir prazo para recurso, mas no
caso de anulação ou revogação é necessário o respeito ao contraditório, com a
abertura do prazo de cinco dias úteis para apresentação de eventuais recursos.
SEM EFEITO SUSPENSIVO AUTOMATICO.

ADJUDICAÇÃO

Última fase do procedimento licitatório. Fase em que se declara de forma oficial


o vencedor. OBS: Mesmo nesse caso, a Administração, por motivo
superveniente, pode optar por não contratar, de forma fundamentada. Porém,
CUIDADO, a adjudicação vincula a Administração no sentido de que se
resolver contratar aquele objeto, dentro daquele exercício financeiro, só pode
assim fazer com o Adjudicatário – PRINC. DA ADJUDICAÇÃO
COMPULSÓRIA.

Da mesma forma, após a adjudicação, o vencedor é obrigado a celebrar o


contrato com a Administração, nos termos da proposta, desde que, seja
convocado no prazo de até 60 dias contados da abertura da proposta. Se for
convocado e não concordar, sofre sanções previstas na Lei. Após os 60 dias, o
vencedor não é mais obrigado a cumprir a proposta e assinar o contrato. Ao
mesmo tempo, se assim ocorrer, abre para a Administração a possibilidade de
convocação do segundo colocado, porém esse segundo colocado será
convocado conforme a proposta do primeiro, mas não é obrigado a contratar.

TOMADA DE PREÇO

A primeira diferença, quanto à concorrência, é que na Tomada de Preço não


existe fase de habilitação, pois os licitantes estão previamente cadastrados no
Órgão. Porém a Administração pode solicitar documentos específicos.

Restante é igual à Concorrência.

CONVITE

Também não tem fase de habilitação, pois os licitantes já estão previamente


cadastrados no Órgão, e aqueles que não estiverem terão um prazo fixado pela
Administração para fazerem o cadastramento. Podendo também exigir um
documento especifico
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OBS: Aqui não tem Edital, mas sim carta convite. Não tem publicação ampla,
apenas o envio da carta convite aos convidados e a fixação no átrio da
repartição.

OBS: Aqui os prazos para recursos são de dois dias úteis, com efeito
suspensivo automático.

OBS: Se todos os licitantes forem desclassificados, para evitar o fracasso, a


Administração pode reduzir o prazo de oito dias úteis, previsto na Concorrência
e na Tomada, para três dias úteis.

PREGÃO

Fase interna é a mesma. A grande novidade do pregão é a inversão de fases,


ou seja, primeiro se classifica as propostas, para somente depois verificar a
habilitação somente dos que tiveram suas propostas classificadas. Ademais,
primeiro adjudica para somente depois homologar.

Classificação Habilitação Adjudicação Homologação

Ao invés de habilitar inúmeros licitantes, para só depois classificar apenas um.


Primeiro se classifica, para só depois verificar somente a habilitação do
classificado.

Outra grande novidade, é a busca do menor preço, através do Principio da


Oralidade, em que consiste em uma fase de lances verbais. Tem Direito de
passar para esses lances verbais, a melhor proposta e todas as outras que não
ultrapassem 10% daquela. OBS: Embora não tenha limite máximo, existe um
limite mínimo nos lances verbais, que consistem em no mínimo três propostas.
Ou seja, se todas as outras propostas forem maiores que os 10%, as duas
primeiras mais baixas subsequentes aos 10%, necessariamente participaram
dos lances verbais.

Após, decidido a melhor proposta, esta vai para a habilitação, porém se for
inabilidade chama o segundo, para negociar o preço. Havendo acordo na
negociação, procede com a habilitação deste.

Ademais, o próprio pregoeiro faz a adjudicação, o encaminhamento para a


autoridade máxima é somente para homologar e já encerrar o procedimento.

CUIDADO: Entre as fases do pregão não é possível a interposição de recurso,


o único recurso possível é após a adjudicação pelo pregoeiro. O prazo para
recurso no pregão é imediato, ou seja, o individuo, após a adjudicação, já deve
manifestar interesse em recorrer, sob pena de preclusão. Apresentando o
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interesse em recorrer, tem o prazo de três dias para elaborar e entregar as


razões do recurso.

OBS: Atualmente no âmbito da União (Dec. 5450), é possível o pregão


eletrônico. O procedimento é o mesmo, porém de forma virtual. É possível nos
Estados e Municípios também, desde que regulamentem por meio de Decreto,
com a criação de plataformas virtuais.

CUIDADO: PRIVILÉGIOS DE ME E EPP.

A Administração Pública deve realizar procedimentos exclusivos para ME e


EPP quando se tratar de contratações de até R$ 80.000,00;

OBS: Nas contratações acima de oitenta mil, se a natureza do objeto for


divisível, a Administração Pública DEVE estabelecer uma cota de participação
para ME e EPP de até 25% do objeto do contrato.

Exemplo: Licitação para 800 cadeiras. Até 200 cadeiras devem ser exclusivas
para ME ou EPP.

De outra forma, não podendo ser divisível e não se tratando de uma licitação
de até oitenta mil, a Administração Pública PODE estabelecer que os
contratados celebrem subcontratações com ME e EPP.

HIPOTESES DE CONTRATAÇÕES DIRETA

Em regra, todas as contratações feitas pela Administração Pública devem ser


precedidas de licitação. Porém, de forma excepcional, existem casos em que a
Administração Pública poderá contratar de forma direta, isto é, sem a
necessidade de licitar. Existem dois casos na legislação, a dispensa e a
inexibilidade.

INEXIBILIDADE – ART.25 DA LEI 8.666/93

É inexigível a licitação sempre que for inviável a competição.

Exemplos Legais (ROL EXEMPLIFICATIVO):

 Fornecedores exclusivos ou bens de natureza singular;


 Serviço técnico especializado de natureza singular com profissionais de
notória especialização;

CUIDADO: É vedada a inexibilidade de licitação para serviços de


divulgação e de publicidade.
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 Artistas consagrados pela mídia.

DOUTRINA: Traz três pressupostos necessários a licitação, a qual sem


qualquer um deles, a competência será inviável, e, portanto a licitação não será
exigida.

 Pressuposto Lógico: É a pluralidade de bens e de fornecedores


desses bens;
CUIDADO: Se o fabricante for exclusivo, mas houver mais de um
fornecedor, não é possível a dispensa. – STJ.

 Pressuposto Fático: A generalidade da contratação. Se for, contratação


de natureza especifica não é possível fazer competição.
Exemplo: Contratação do melhor tributarista do País, para defender
causa bilionária em favor da União; Contratação de Oscar Niemeyer
para projetar construção.

 Pressuposto Jurídico: É o interesse Público, propriamente dito.


Portanto, sempre que a competição for contrária ao interesse público, à
licitação é inexigível.
Exemplo: TCU entende que as EP e SEM, que sejam exploradoras de
atividade econômica, não precisam licitar para os contratos referentes à
sua atividade fim.

DISPENSA – ART.___ DA LEI 8.666/93

Aqui é plenamente viável a competição, porém a lei estabelece a não


necessidade de licitar. Portanto, só existe dispensa nas hipóteses previstas em
lei (Art.17 e 24 da Lei 8.666/93). Rol taxativo.

Situações que mais caem em prova:

1) Em razão do valor: É dispensável a realização de licitação, para


contratações de até 10% do valor do convite.
Obras – Até 15 mil reais. Bens e Serviços – Até 8 mil reais.

Exceção: §1º do Art. 24 – EP, SEM, Agencias Executivas e Consórcios Públicos


tem dispensa de licitação em dobro. Ou seja, até 20% do valor do convite.
Obras – Até 30 mil reais. Bens e Serviços – Até 16 mil reais.

2) Situações de Urgência: Nesse caso, os contratos devem ser diretamente


vinculados a situação de urgência, ademais, esses contratos não podem
ultrapassar 180 dias improrrogáveis.
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Exemplo: Único hospital da Cidade pegou fogo. Porém, cuidado com o prazo,
se passar 180 dias precisa licitar. Ademais, não pode construir além do
necessário.

3) Em caso de licitação deserta anterior, e essa não puder ser repetida


sem prejuízo a Administração Pública.

CUIDADO: Em regra, a licitação fracassada não pode ser objeto de dispensa,


salvo no caso do Art. 24, VII da 8.666, em que todos os licitantes foram
desclassificados por apresentarem uma proposta muito acima da proposta
referência. Nesse caso, se a Administração encontrar alguém que forneça o
bem ou execute o serviço no preço de referência, pode contratar diretamente.

4) Contratos firmados pelas Organizações Sociais, desde que sejam para


cumprirem o objeto do contrato de gestão.

CUIDADO: Seja na dispensa ou na inexigibilidade, o Art. 26 estabelece que


essa contração, sem o procedimento licitatório, depende de um processo
administrativo simplificado para justificar o motivo da dispensa ou
inexigibilidade. Nesse procedimento é necessário justificar:

 A razão pela qual a administração esta contratando sem licitar;


Se for dispensa basta comprovar o texto legal, já em caso de
inexigibilidade tem que comprovar a inviabilidade de competição.

 O porquê da escolha daquele sujeito, para contratar com ele.


Geralmente, é feito uma rápida cotação de preços, entre mais de uma
empresa, e contrata a que apresentar o menor preço.
OBS: A justificativa não pode ser de caráter pessoal. Deve ser
impessoal.

 Demonstrar que o preço contratado está dentro do preço de


mercado.

OBS: Após isso, é encaminhado todo o procedimento para a autoridade


máxima do Órgão, que deve ratificar a contratação direta.

CONTRATOS ADMINISTRATIVOS
André Victtor Silva Paiva – Direito Administrativo

Inicialmente é necessário esclarecer que nem todos os contratos celebrados


pela administração são contratos administrativos. A doutrina diferencia
contratos da administração de contratos administrativos.

Os contratos da administração são aqueles pelo meio do qual a


administração publica figura na relação contratual em qualquer um dos polos,
inclusive, contratado regido pelo Direito Privado (Estado em igualdade com
o particular). Ao contrário, os contratos administrativos são os contratos
celebrados pela administração e regidos pelo Direito Público (Estado com a
supremacia do interesse público, em desigualdade com o particular).

OBS: Características dos Contratos Administrativos:

 Consensual: Significa que o contrato está perfeito e acabado com o


simples consenso das partes. A entrega da coisa é mera consequência
do contrato.
Portanto, não é um contrato real.

 Comutativos: Direitos e obrigações recíprocos e pré-definidos no


contrato.
Portanto não é um contrato aleatório.

 De adesão: Pois as cláusulas já estão previamente estabelecidas por


uma das partes (Poder Público), não admitindo rediscussão de cláusula.

DOUTRINA MATHEUS CARVALHO: É um contrato de adesão prévio, pois,


como já vem junto com o edital à minuta do contrato, ao participar da licitação o
licitante já está aderindo e concordando com o contrato, mesmo sem saber se
será o vencedor.

 Formal: A forma predefinida em lei é indispensável à validade do


contrato administrativo. A Lei 8.666/93, no art. 55, define a forma.

OBS: A lei estabelece quando será necessário o instrumento de contrato.


Sendo que é necessário nas licitações em que o valor exige a realização na
modalidade concorrência ou tomada de preço (Obras acima de 150mil; Bens e
Serviços acima de 80 mil). Mesmo, que seja dispensada ou inexigível, ainda
assim é necessário. Quando a contratação for abaixo desses valores, o
instrumento de contrato não é necessário, podendo ser substituído pela carta
contrato, nota de emprenho, ordem de serviço, por exemplo.

OBS: Sempre é necessário que o contrato administrativo seja por escrito,


sendo verbal é nulo e de nenhum efeito. Salvo, no caso de pequena compra
correspondente em no máximo a 5% do valor do convite (ate R$ 4.000,00),
porém, deve ser de pronta entrega e pronto pagamento, sem gerar qualquer
obrigação futura.
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Após a feitura do contrato, deve ser publicado um resumo no DO. Com relação
ao prazo para publicar, até o 5º dia útil do mês subsequente a administração
deve providenciar a publicação (elaborar o resumo e encaminhar para
impressa, etc.), providenciada, tem mais 20 dias corridos para sair à
publicação.

CUIDADO: Se o contrato não for publicado ele é válido, porém não é eficaz. Já
que a publicação é requisito de eficácia do contrato.

PRERROGATIVAS E LIMITAÇÕES DOS CONTRATOS ADMINISTRATIVOS

Os contratos administrativos são predominantemente regidos pelo Direito


Público, portanto, a administração pública age em superioridade em relação ao
particular, tendo em vista a supremacia do interesse público. Porém, ao mesmo
tempo em que age com prerrogativas, tem também limitações inerentes ao
interesse público, como por exemplo, a necessidade de licitar.

PRERROGATIVAS

A principal prerrogativa do Poder Público nos contratos administrativos são as


chamadas cláusulas exorbitantes, que se estivessem previstas em um
contrato privado seriam nulas. As cláusulas exorbitantes estão implícitas em
todos os contratos administrativos. Não precisa esta de forma expressa, pois,
decorre diretamente da lei. São as seguintes:

 Alteração Unilateral do Contrato: Poder que a administração tem de


alterar o contrato administrativo e suas cláusulas, independente da
vontade do particular. Porém, essa alteração deve ser justificada na
necessidade de adequação do contrato ao interesse público.

CUIDADO: Não pode substituir o objeto do contrato. Exemplo: Licitação para


compra de cadeiras, e muda para mesa.
.Mas é possível que haja alteração quanto: ao projeto e quanto ao valor.

Quanto ao valor, a lei impõe limites: A administração pode acrescer ou suprimir


desse contrato, unilateralmente, até 25% do valor originário. Salvo, quando for
contrato de reforma, de equipamentos ou edifícios, nesse caso as alterações
para acrescer podem chegar até 50%, porém, para suprimir continua limitado a
25%.
OBS: Se a administração alterar, por exemplo, a quantidade do objeto do
contrato, e o licitante ganhador não quiser cumprir o acréscimo ele se torna
INADIMPLENTE. Exemplo: Eram 100 km de estrada, agora são 120 km.
Porém, o valor do contrato, obviamente, deve ser aumentado, para manter o
equilíbrio econômico financeiro do contrato, que corresponde à margem de
lucro do particular.
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OBS: Se por motivo de interesse público, a administração precisar suprimir o


contrato em mais de 25%, PODE, desde que, tenha a anuência do particular.
Portanto, é uma alteração bilateral.

OBS: Se o particular tiver ganhado uma licitação para recuperar 100 km de


rodovia, e tiver comprado todo o material necessário para tal recuperação,
porém, depois, a administração pública faz uma supressão unilateral de 25%.
Como fica o particular? A administração Pública deve adquirir o material
excedente e indenizar o particular no valor da nota fiscal. Pois ele não pode ter
prejuízo.

 Rescisão Unilateral do Contrato: Poder que a administração tem de


por fim ao contrato administrativo, independente da vontade do
particular. Pode ser por dois motivos:

1) Inadimplemento, total ou parcial, do particular contratado.

Aqui o particular irá sofrer sanções, e inclusive, ficará obrigado a indenizar a


administração por eventuais prejuízos.

CUIDADO: Precisa da instauração de um Processo Administrativo, em que se


assegure o contraditório e ampla defesa.

2) Motivo de interesse público.

Aqui a administração pública é quem deve indenizar o particular, por eventual


prejuízo oriundo da rescisão.

CUIDADO: Precisa da instauração de um Processo Administrativo, em que se


assegure o contraditório e ampla defesa.

OBS: Nos contratos de concessão de serviços público, regidos pela lei 8987,
quando o inadimplemento se der por culpa do particular chama-se de
caducidade, e quando for por motivo de interesse público chama-se de
encampação. Nesse caso, será RETOMADA a prestação do serviço pelo poder
público.

CUIDADO: O particular nunca poderá rescindir o contrato unilateralmente,


ainda que o Estado esteja sendo inadimplente. Somente podendo ocorrer por
meio de controle judicial. Não confundir com exceção de contrato não
cumprido.

 Ocupação temporária dos bens da contratada: Garantia do principio


da continuidade. Se, por qualquer motivo, o particular deixar de cumprir
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o objeto do contrato, a administração pode ocupar os bens da


contratada para manter a prestação do serviço.

Exemplo: Empresa de ônibus. Ocupação dos ônibus. Havendo dano dessa


ocupação, a administração deve indenizar.

 Fiscalização e Controle: A administração pública tem o poder (dever),


de fiscalizar e controlar a execução do contrato. No momento em que o
contrato é celebrado, a administração pública deve expedir uma portaria
informando quem será o agente público responsável pela fiscalização do
contrato.

OBS: Se a administração não fiscaliza e eventualmente vem a existir um dano


em razão dessa omissão, a administração acaba se tornando responsável por
esse dano causado.

Exemplo: Art. 71, §1º da Lei 8.666/93. A principio a administração pública não
responde por débitos trabalhistas da empresa contratada. Contudo a Súmula
331 do TST diz que o Estado responde subsidiariamente pelos débitos
trabalhistas, desde que se comprove a culpa. Qual culpa? Falta de fiscalização!

 Aplicação de Penalidades: Regulamentado no Art. 87 da Lei 8.666/93.


Diz como exorbitante, pois, algumas penalidades muita vezes
extrapolam a relação contratual.

OBS: A lei exige que os critérios de definição de penas, estejam no contrato.


Portanto, devem está no contrato.

OBS: As penalidades são autônomas entre si, ou seja, não necessita de aplicar
uma menos grave antes da mais gravosa. Porém, o que deve se levado em
conta é o principio da proporcionalidade.

OBS: Em todas as penalidades é necessária a instauração de Processo


Administrativo em que se assegure o contraditório e a ampla defesa.

OBS: Quais as sanções? Estão previstas no Art. 87 da 8.666/93.

1) Advertência: Mais leve. Sempre por escrito.


2) Multa: Pena pecuniária. Cuidado, não é ressarcimento ao erário.
3) Suspensão de contratar com o Poder Público por até dois anos.

CUIDADO: Essa suspensão não extrapola o ente federativo que aplicou a


pena. Exemplo: Altaneira aplicou a pena. Pode contratar com Nova Olinda.

4) Declaração de Inidoneidade por até dois anos.

CUIDADO:
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 Aqui é mais amplo. A empresa não pode licitar, contratar, receber


incentivos fiscais e creditícios.
 Ademais, para a doutrina majoritária, essa sanção extrapola o ente
federativo que aplicou a pena. Exemplo: Foi declarado inidôneo em
Altaneira, não pode contratar com ninguém.
 Por fim, a doutrina entende ainda, que para que a pessoa declarada
inidônea volte a ter sua idoneidade, além do prazo, precisa de
reabilitação, que seria o ressarcimento ao erário pelos prejuízos
causados.

OBS: Por se tratar de uma pena bem mais grave, só pode ser aplicada pelo
Ministro de Estado competente, ou pelo Secretário de Estado competente.
Portanto, não pode ser aplicada pelo presidente da comissão de processo
administrativo.

DEMAIS OBSERVAÇÕES

OBS: O Direito Administrativo moderno permite a aplicação da


desconsideração da Personalidade Jurídica, em caso de aplicação de sanção a
Pessoa Jurídica. O fundamento invocado é a proibição à fraude, pois poderia
no plano fático aplicar uma penalidade a Pessoa Jurídica, e o sócio abrir uma
nova Pessoa Jurídica e vir novamente contratar com o Poder Público, já que
essa nova PJ jamais teria sofrido qualquer sanção.

CUIDADO: O Art. 78, XV da Lei 8.666/93, traz o instituto da exceção de


contrato não cumprido, porém não é uma cláusula exorbitante, já que é em
favor do particular. Basicamente, diz que se o Poder Público for inadimplente
por mais de noventa dias, o particular pode SUSPENDER a execução do
contrato.

OBS: Embora não seja uma cláusula exorbitante prevista no art. 58, o poder
que a administração pública tem de exigir do particular contratado a prestação
de uma garantia (art. 56), é uma prerrogativa administrativa decorrente da
supremacia do interesse público. Porém, CUIDADO, quem define o valor da
garantia é a própria administração pública, a lei estabelece que pode ser de até
5% do valor do contrato. Exceções:
1) Contratos de grande vulto (acima de 25 vezes 1,5 milhão); de alta
complexidade técnica ou que envolvam riscos financeiros consideráveis, a
garantia pode ser de até 10%.
2) Se a administração tiver entregando ao contratado bens públicos, em
deposito, além da garantia acresce o valor dos bens.

Ao final do contrato, caso a administração pública verifique o inadimplemento


do particular com a existência de prejuízo, vai possibilitar a execução da
garantia. CUIDADO, a garantia serve como mínimo indenizatório, ou seja, se o
valor do prejuízo for superior a garantia, a administração executa a garantia e
André Victtor Silva Paiva – Direito Administrativo

cobra o resto. Não sendo o contratado inadimplente, devolve-se a garantia


corrigida, sem prestada em dinheiro.

CUIDADO: O valor da garantia é definido pela administração, porém, a forma


como será prestada quem define é o contratado, logicamente, dentro dos
limites legais.
A garantia pode ser em dinheiro; em títulos da divida pública; fiança
bancária; seguro garantia.

DOUTRINA: É possível a aplicação do CDC nos contratos administrativos, em


defesa do Estado? Ou seja, o Estado na condição de consumidor de bens e/ou
serviços.
O posicionamento majoritário no Direito Brasileiro, através de Marçal Justen
Filho, é que não é possível a aplicação do CDC, por dois motivos.
1) O Estado ao contratar, não é destinatário final. Ele não adquiri o bem para si,
mas sim para a colocação na cadeia produtiva;
2) Além disso, uma das características do consumidor é a hipossuficiência, e o
Estado no contrato administrativo não é hipossuficiente, mas sim
“hiperssuficiente”. Principalmente, pelas cláusulas exorbitantes.

Porém, o Direito comparado entende pela aplicação do CDC, pois entende que
o Estado é destinatário final, já que não tem por intuito auferir lucro com o bem
e/ou serviço. Ademais, entende que o Estado atua como hipossuficiente na
relação, pois a superioridade jurídica do Estado, não impede a hipossuficiente
técnica, por exemplo.

LIMITAÇÕES

SUBCONTRATAÇÃO: É possível a subcontratação em contratos


administrativos?
Em regra, não é possível. Pois em tese, seria fraude a licitação. Pois o terceiro
contratado, sequer participou da licitação, ou se participou, perdeu.
De forma excepcional é possível, desde que atenda os seguintes critérios:

1) Deve ser parcial.


2) Previsão no Edital e no contrato.
3) Autorização do Poder Público.

DURAÇÃO DOS CONTRATOS: Os contratos administrativos, em regra, devem


ter prazo determinado.
A principio o prazo de duração está previsto no Art. 57 da Lei 8.666/93. Que
traz que o contrato deve durar no máximo, o prazo de duração do crédito
orçamentário. No Brasil, o crédito está previsto na Lei Orçamentária Anual, e
André Victtor Silva Paiva – Direito Administrativo

tem vigência de um ano. Portanto, o prazo máximo dos contratos administrativo


é um ano.

Exceções:
1) Se o contrato estiver previsto no PPA, pode durar até 4 anos, que é o
prazo do PPA;

2) Contratos de prestações continuadas.


Podem sofrer sucessivas prorrogações, no máximo de 60 meses. CUIDADO,
ele deve ser celebrado por no máximo 12 meses também, a diferença é que é
possível a prorrogação até chegar a no máximo de 60 meses.

CUIDADO: Após os 60 meses, em caráter excepcional e por motivo de


interesse público devidamente justificado, é possível prorrogar por mais 12
meses.

3) Contratos de aluguel de equipamentos e programas de informática.


Podem ser celebrados por até 48 meses.

4) Contratos previstos nos incisos IX, XIX, XXVIII e XXXI do Art. 24.
Podem ser celebrados por até 120 meses.

5) Contratos que não vinculam recursos orçamentários..


Pois aqui como não existe despesa para a administração pública, não precisa
seguir a Lei Orçamentária. Quem paga o contratado, é o próprio usuário do
serviço. Exemplo: As concessões em geral.

Tomando isso como base, nos contratos que não vinculam os créditos
orçamentários, não é necessário seguir os prazos do art. 57. CUIDADO, isso
não quer dizer que possa ser por prazo indeterminado, pois deve ter um prazo,
não precisando apenas respeitar o do art. 57. Pode ser por 20 anos, por
exemplo.

OBS: Nas Parcerias Públicas Privadas – PPP, embora exista despesa para o
Poder Público, a lei expressamente diz que esses contratos, devem ser
celebrados por no mínimo 5 e no máximo 35 anos.

CUIDADO: Respeitados os prazos, os contratos administrativos podem ser


prorrogados, desde que seja de forma expressa, e atenda os seguintes
requisitos:

1) Vigência do Contrato.
Portanto, deve-se prorrogar o contrato que está prestes a vencer. Depois de
vencido não pode mais ser prorrogado.

2) Previsão no Edital e no Contrato.

3) Justificativa da vantagem da prorrogação.


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Vai demonstrar de alguma forma que é mais vantajoso prorrogar o contrato, do


que celebrar um novo. Exemplo: Pesquisa de mercado.

PAGAMENTOS ACESSÓRIOS
Tem por finalidade, manter o equilíbrio econômico financeiro do contrato, que é
a margem de lucro do particular.

1) Correção Monetária.
Atualização da moeda. Deve ser feita por meio de índices, previamente
definidos no contrato.

2) Reajustamento de preços.
Para fazer face ao aumento ordinário no custo do contrato. Exemplo: Aumento
de insumos; salário mínimo, etc.

3) Recomposição/Revisão de preços e/ou prazos.


Surge todas às vezes, que o aumento no custo do contrato é inesperado. E o
reajustamento do preço não é capaz de resolver.

É a chamada Teoria da Imprevisão. Que pode ocorrer por:

A) Caso fortuito/ força maior.


Situações imprevisíveis, ou se previsíveis, inevitáveis.

B) Interferência/ Sujeições imprevistas.


Situação pré-existente ao contrato, mas que somente vem à tona durante a
execução contratual. Exemplo: Terreno pantanoso em obra.
CUIDADO: A situação imprevista não pode ter sido causada pela administração
ou pelo particular. Salvo, no fato do príncipe e no fato da administração.

C) Fato da Administração
A administração pública atua enquanto contratante desiquilibrando o contrato.
Por meio de uma ação ou omissão.
Exemplo: Não desapropriação de terreno pela administração, para feitura de
obra.

D) Fato do Príncipe
A administração pública celebra o contrato, e depois, atuando fora deste,
enquanto poder público e não contratante, acaba atingindo o contrato
indiretamente.
Exemplo: Contrata empresa para prestar serviço de transporte de servidores,
após a celebração do contrato, na condição de poder público, triplica o valor do
ICMS sobre o combustível.
CUIDADO: Para a doutrina majoritária, se o tributo, por exemplo, que for
aumentado pela União, embora atinja um contrato celebrado pelo Estado não é
fato do príncipe, mas sim, caso fortuito.
André Victtor Silva Paiva – Direito Administrativo

EXTINÇÃO DO CONTRATO ADMINISTRATIVO

1) Extinção natural.
Ocorre pela conclusão do objeto (exemplo: Obras) ou advento do termo final
(exemplo: Prestação de serviço).

2) Anulação (ex tunc).


Ocorre quando existe um vicio de ilegalidade no contrato. Pode ocorrer por ato
da própria administração (autotutela), ou ainda, pelo Poder Judiciário.

OBS: Havendo vicio em qualquer das fases do procedimento licitatório, torna o


contrato viciado. Ou ainda, se foi feito dispensa ou inexigibilidade de forma
indevida.

OBS: Ainda que o contrato administrativo seja viciado, os serviços prestados


pelo particular deverão ser pagos. Ademais, se esse particular estiver de boa-
fé, a administração deve indeniza-lo por todos os prejuízos causados.

3) Desaparecimento do contratado.
Tendo em vista, que via de regra, os contratos administrativos são
personalíssimos. Exemplo: Falência se PJ; Falecimento se PF.

4) Rescisão.
A doutrina traz quatro hipóteses:

A) Rescisão Unilateral (administrativa – art. 78 – interesse público ou


descumprimento do contrato).
Feita pela Administração Pública. Cláusula exorbitante.

B) Judicial
Decorre de decisão judicial, já que o particular não pode reincidir o contrato
unilateralmente. Ocorre quando o inadimplemento do contrato ocorre por parte
da administração.
CUIDADO: Após 90 dias de inadimplemento, o que o particular pode fazer é
suspender a execução do contrato, mas nunca reincidir. Somente ocorre a
rescisão pela via judicial.

C) Amigável (bilateral)
É feita por acordo entre as partes. Quando existe interesse público e particular
na rescisão.

D) De pleno Direito
Ocorre todas as vezes que o contrato é extinto por uma vontade alheia a
vontade das partes.
Exemplo: Empresa contratada para fazer limpeza de escola, porém, ocorre um
incêndio nessa escola e ela consequentemente é destruída.
André Victtor Silva Paiva – Direito Administrativo

CONTRATOS ADMNISTRATIVOS EM ESPÉCIE – LEI 8.666/93

1) Contrato de prestação de serviço.

Pago pela própria administração. Tem prazo definido, podendo sofrer


prorrogações. Extingue-se pelo decurso do prazo, pois como é prestação de
serviço, o objeto não se encerra.

OBS Previamente a licitação, a administração pública deve fazer uma pesquisa


de mercado, e por meio desta pesquisa, definir o orçamento do procedimento
licitatório, que nada mais é do que o valor máximo que a administração pública
está disposta a pagar pelo serviço.

2) Contrato para aquisição de bens.

Também precisa de um prazo, porém, aqui esse prazo correspondente ao


máximo que a administração pública está disposta a esperar pela entrega do
bem. Pois, o contrato se encerra pela conclusão do objeto, uma vez entregue
os bens, o contrato estará extinto.
Também precisa de uma prévia pesquisa de mercado, para definir o valor
máximo que esta disposta a pagar pelo contrato.

3) Contrato para execução de obras.

O prazo previsto no contrato é o máximo que a administração esta disposta a


esperar para a entrega da obra. Uma vez entrega a obra, o objeto do contrato
estará cumprido, e consequentemente este será extinto.

OBS: Não é possível que se faça uma pesquisa de mercado. Portanto precisa
seguir três etapas para definição do preço:

Incialmente contrata-se alguém que vai elaborar o projeto básico (projeto


arquitetônico com planilha orçamentária), depois, se contrata outra pessoa que
irá elaborar o projeto executivo (defini os prazos de duração da obra), e por fim,
outra pessoa, que irá executar a obra.

CUIDADO: O autor do projeto básico e do projeto executivo está IMPEDIDO de


participar da licitação para execução da obra. Entende-se que ele faria o
projeto direcionando a licitação para si. OBS: Ainda que por intermédio de PJ.
Porém, a administração pode contratar o autor do projeto básico, para que
auxilie na fiscalização da obra.

OBS: É possível que a administração faça apenas a licitação para contratar


uma pessoa para fazer o projeto básico. E deixe a cargo do vencedor, a feitura
do projeto executivo. Já deve está previsto no edital da licitação.
André Victtor Silva Paiva – Direito Administrativo

REGIME DIFERENCIADO DE CONTRATAÇÕES – LEI 12.462

Foi criado a principio para os eventos esportivos. Tem por objetivo, da


celeridade as contratações. É uma nova modalidade licitatória, portanto, não se
aplica a Lei 8.666/93.

A lei 12.462 determina a criação de uma entidade pública denominada APO.

OBS: Por meio de MP’S e leis, estendeu-se o RDC para as contratações do


PAC, do Sistema Pública de Ensino, do Sistema Único de Saúde, para as
obras do sistema carcerário e para os institutos de ciência e tecnologia – ICT.

PECULARIEDADES:

1) A lei estabelece que a comissão de licitação, deve ser composta por no


mínimo três membros, contudo, majoritariamente por servidores estáveis. Isso
que dizer que vai depender da quantidade de membros da comissão.
Exemplo: Se for 8 membros, pelo menos 5 devem ser efetivos.

2) É possível contratar mais de uma empresa para o mesmo objeto. Dividindo o


objeto em partes, e dando “pedaços” para cada empresa.

3) Pode haver indicação de marca, dentro do edital da licitação. Podendo


ocorrer em três situações:

Padronização do objeto; A marca for à única capaz de atender o objeto do


contrato (qualidade do objeto); Para identificação do objeto do contrato, ou
similar. Exemplo: Maquina Xerox ou similar.

PAREI NA AULA 9.1