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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO

ESCOLA POLITÉCNICA
DEPTO RECURSOS HÍDRICOS E MEIO AMBIENTE

Ecologia

DISCIPLINA:

ENGENHARIA DO MEIO AMBIENTE


PRIMEIRO SEMESTRE 2002
Engenharia do Meio Ambiente - Ecologia

Prof. Haroldo Mattos de Lemos

ÍNDICE

Página:

1. Introdução 3

2. Ecossistema 3

3. Produção e Decomposição na Natureza 5

4. Fluxo de Energia 7

5. Ciclos Biogeoquímicos 12

6. Fatores Limitantes 15

7. Regulação Ecológica 17

8. Bibliografia 17

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ECOLOGIA

1 Introdução
A palavra Ecologia foi criada em 1869 pelo Biólogo alemão Ernst Haeckel, a partir de oikos
(casa) e logos (ciência), sendo, portanto, etmologicamente a “ciência do ambiente" ou mais
precisamente, a "ciência das relações entre os organismos e o ambiente em que vivem". Os
ecólogos modernos preferem, entretanto, defini-la como a "ciência que estuda os ecossistemas",
ou como o “estudo da estrutura e função da Natureza".
Outra maneira de delimitar o campo da Ecologia é considerar o conceito de níveis de
organização ou níveis sucessivos: protoplasma - células - tecidos - órgãos - sistemas de órgãos
- organismos - populações - comunidades - ecossistemas - biosfera. A ecologia trata
principalmente dos quatro últimos níveis:
população: é o conjunto de indivíduos da mesma espécie que vive na mesma área e no
mesmo tempo.
comunidade: é o conjunto de populações de uma dada área, que vive no mesmo tempo.
ecossistema (ou sistema ecológico): é o conjunto da comunidade e o meio ambiente inerte.
biosfera: é a porção da Terra ocupada pelos seres vivos, isto é, o solo, o ar e a água
biologicamente habitados.
Obs.: A biosfera está dividida em: a) litosfera (camada superficial sólida da Terra); b) hidrosfera
(ambiente líquido: rios, lagos e oceanos,que representam 7/10 da superfície total do planeta); c)
atmosfera (camada gasosa que circunda a superfície da Terra). A espessura da biosfera não
chega aos 7km acima do nível do mar, e só excepcionalmente ultrapassa 6km abaixo deste. No
total, em seus pontos mais espessos, a biosfera não vai além de 15km de espessura, para um
planeta de quase 14.000km de diâmetro.

2. Ecossistema
Ecossistema é o conjunto formado por um ambiente inanimado (solo, ar, água) – meio abiótico -
e os seres vivos que o habitam – meio biótico.

2.1 Partes Componentes de um Ecossistema


Todos os ecossistemas da Terra, por maiores que sejam as diferenças entre eles (lago, floresta,
deserto, etc.), possuem estrutura e funcionamento basicamente semelhantes. Em todo
ecossistema existem dois componentes bióticos (com vida); um componente autotrófico
(alimenta-se por si só), capaz de fixar energia luminosa e fabricar alimentos a partir de
substâncias inorgânicas simples, e um segundo componente heterotrófico (alimenta-se dos
outros), que utiliza, rearranja e decompõe os materiais complexos sintetizados pelos autótrofos.
O princípio funcional fundamental de um ecossistema é o de uma máquina de interceptar a
energia solar, transformá-la em energia química pela fotossíntese e repartir essa energia
química de modo a assegurar a permanência de sua estrutura funcional.
Os vegetais clorofilados são o instrumento da fotossíntese, os herbívoros e os predadores
contribuem na repartição da energia e da matéria, e os agentes de decomposição permitem a
decomposição dos materiais orgânicos, tornando disponíveis de novo para os vegetais os
elementos minerais que eles encerravam. Os mecanismos de regulação (mecanismos
homeostáticos) freqüentemente em estreita relação com a diversidade das espécies, permitem
aos ecossistemas perpetuar (ou restabelecer, quando submetidos a perturbações), sua estrutura
funcional.

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Constituintes de um ecossistema, sob o ponto de vista estrutural:

Substâncias
Água, Ar, Minerais, Rochas
Abióticas
Fotossintetizantes
Ecossistema Autotróficos Produtores Quimiossintetizantes
Componentes
Bióticos
Herbívoros
Consumidores Carnívoros
Onívoros
Heterotróficos
Decompositores

Substâncias abióticas (sem vida) são elementos básicos e compostos do meio: solo, ar, água,
compostos inorgânicos (C, N2, C02 etc.) e orgânicos essenciais (proteínas, carboidratos etc.).
Produtores fotossintetizantes são aqueles que sintetizam a matéria orgânica a partir de
compostos inorgânicos, na presença da luz. São os principais produtores (vegetais clorofilados).
Produtores quimiossintetizantes são os que obtêm a energia que necessitam a partir de
compostos inorgânicos, através de reações químicas (de oxi-redução), sem a presença de
clorofila. Exemplo: bactérias que "respiram" o gás sulfídrico (ou bactérias do enxofre),
ferrobactérias, etc.
Consumidores são organismos heterotróficos: animais, alguns grupos vegetais como fungos
(cogumelos, mofos, levedos) e muitas bactérias. Podem ser classificados em:
a) Primários: alimentam-se diretamente do produtor – são os herbívoros (boi, gafanhoto etc.)
b) Secundários: são carnívoros que se alimentam dos consumidores primários.
c) Tercíários: são carnívoros que se alimentam de outros carnívoros (consumidores
secundários)
d) Onívoros: alimentam-se tanto de produtores (vegetais) quanto de consumidores (animais).
Exemplo: o homem.
Decompositores (ou microconsumidores ou saprófitas) são organismos heterotróficos,
principalmente bactérias e fungos, que decompõem os componentes do protoplasma morto,
absorvem alguns produtos da decomposição e liberam substâncias simples utilizáveis pelos
produtores.

2.2 Estrutura trófica


O arranjo produtor-consumidor constitui um tipo de estrutura chamada estrutura trófica (estrutura
alimentar), e cada nível "alimentar" é conhecido como nível trófico. Assim, as plantas verdes
ocupam o 1o. nível trófico, os herbívoros o 2o. nível trófico etc.
Uma dada população, de uma dada espécie, pode ocupar um ou mais nível trófico, de acordo
com a fonte de energia assimilada (exemplo: o homem, que pode se alimentar de vegetais e de
animais).
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A quantidade de substância viva nos diferentes níveis trófícos ou uma população é conhecida
como "produto em pé" (standing crop), termo que se aplica tanto às plantas quanto aos animais.
O "produto em pé" pode ser expresso em termos de número por unidade de área ou em termos
de biomassa, isto é, massa orgânica.
A biomassa pode ser expressa como peso fresco, peso seco, peso seco livre de minerais, peso
em carbono, calorias, etc.

2.3 Estrutura Bioquímica


Chamamos de Estrutura Bioquímica de um ecossistema a quantidade de distribuição, tanto das
substâncias inorgânicas como dos materiais orgânicos presentes na biomassa ou no ambiente.
Exemplos: quantidade de clorofila por unidade de área (de terra ou de superfície de água);
quantidade de material orgânico dissolvido na água etc.

2.4 Estrutura em Espécies


A Estrutura em Espécies de um ecossistema inclui, não somente número e tipos de espécies
presentes, mas também, a diversidade das espécies, isto é, a relação entre as espécies e o
número de indivíduos e a dispersão (arranjo espacial) dos indivíduos de cada espécie, que estão
presentes na comunidade.
Quanto maior e mais diversificado for o ecossistema, tanto mais estável ele poderá ser, e tanto
mais independente será (sentido relativo) dos ecossistemas adjacentes.

2.5 Nicho Ecológico e Habitat


Nicho Ecológico é o conjunto de fatores e características ambientais (fatores físicos, alimento
típico, inimigos naturais da espécie etc.), que definem o papel (função) de uma determinada
espécie na biosfera.
Habitat é o local habitado por uma determinada espécie. Exemplo: o gafanhoto (herbívoro) e o
louva-Deus (predador de insetos) podem ser encontrados no mesmo habitat, mas ocupam
nichos ecológicos distintos. (Habitat: "endereço"; nicho ecológico: "profissão").

3. Produção e Decomposição na Natureza


3.1 Produção
Todos os seres vivos têm uma necessidade básica de alimentação para:
a) Material para formação de novas células, indispensáveis ao crescimento e à reprodução
dos organismos (C, H,O, N, S,P, Ca etc.).
b) Energia, para ser utilizada na locomoção, manutenção da temperatura interna (no caso
de aves e mamíferos), transporte da seiva (vegetais) etc.
Necessitam, portanto, de compostos orgânicos que, além de serem os principais constituintes
da matéria viva (protoplasma) são também dotados de grande quantidade de energia
condensada.

3.1.1 Fotossíntese
É o principal processo de produção de matéria orgâníca (cerca de cem bilhões de toneladas
anuais). A fotossíntese consiste numa série de reações químicas, resumidas através da
seguinte equação simplifícada:

6 CO2 + 6 H2O luz (energia) C6H12O6 + 6 O2


(glicose)
clorofila
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A glicose, se não for consumida pelo próprio vegetal na produção de energia (através da
respiração), passa a ser transformada em inúmeros outros compostos que compõem a estrutura
vegetal e permitem o seu crescimento (celulose, proteínas), ou é acumulada, na forma de
amido, glicogênio, óleos e outras substânciais de reserva para posterior utilização na respiração.

3.1.2 Quimíossíntese
A quantidade de matéria orgânica produzida pela quimiossíntese é muito pequena,
relativamente à produzida pela fotossíntese. Exemplo: bactérias do enxofre.

CO + 2 H2S luz (CH2O) + H2O + 2 S


Bactérias do S

3.2 Decomposição
A decomposição da matéria orgânica produzida pelos seres autotróficos pode ocorrer pela
respiração (animal ou vegetal) ou pela biodegradação da matéria orgânica morta.

3.2.1 Respiração
O consumo (decomposição) de compostos orgânicos para a produção de energia, tanto nos
vegetais quanto nos animais, é realizado através do processo de respiração. É uma reação de
oxidação que se processa no nível celular (com o consumo de O2 do ar ou dissolvido na água),
que pode ser representada pela seguinte equação simplificada:

C6H12O6 + 6 O2 6 CO2 + 6 H2O + energia


(glicose)
Uma molécula-grama de glicose, ao ser "respirada", libera 686 Kcal de energia que será
utilizada sob a forma de calor ou na realização de trabalho (exemplo: movimento).

A "combustão" dos compostos orgânicos nas células é completa, produzindo apenas CO2 e H2O
(que voltam à atmosfera) e sais minerais (que são eliminados pelos órgãos excretores).

3.2.2 Biodegradação
a) Oxidação (decomposição) aeróbica.
novas células
(Matéria orgânica) + bactérias + O2 -3
C, H, O ,P ,N ... CO2 + H2O + NH3 + PO4

b) Oxidação (decomposição) anaeróbica.

Novas
células I
(matéria orgânica)
+
Novas células II
bactérias
Álcoois
e + bactérias II
Ácidos CH4 + H2S + CO2 + H2O + NH3 + PO4-3

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Observações:
a) a oxidação anaeróbica é realizada em duas etapas distintas, com bactérias de famílias
diferentes atuando em cada etapa.
b) a oxidação anaeróbica é mais lenta que a aeróbica, e a energia liberada durante a
decomposição é menor que a liberada pela decomposição aeróbica.
c) o gás metano proveniente da decomposição anaeróbica do lixo do Aterro do Caju está
sendo recolhido e misturado ao gás canalizado da cidade do Rio de Janeiro.

4. Fluxo de Energia
4.1 Introdução
Materiais não energéticos (água, C, N etc.) circulam, porém, a energia não. Qualquer átomo de
matéria pode ser usado e reusado, mas a energia, uma vez usada por um determinado
organismo é convertida em calor, e é logo perdida pelo ecossistema.
Se em um determinado ecossistema estão presentes organismos adaptados, o número de
indivíduos e a intensidade de vida que o ecossistema mantém, depende, em última análise, da
intensidade com que a energia flui através da parte biológica do sistema e da intensidade com
que os materiais circulam no interior do sistema e/ou são trocados com os sistemas adjacentes.
O fluxo de energia unidirecional constitui um fenômeno universal da Natureza, sendo resultado
das leis da termodinâmica:
1a. Lei: "A energia pode ser transformada de um tipo em outro, mas jamais é criada ou
destruída".
2a. Lei: "Nenhum processo de transformação de energia ocorrerá se não houver uma
concomitante degradação de energia de uma forma concentrada para uma forma
dispersa".
Como uma certa porção de energia é sempre dispersada sob a forma de energia calorífica não
aproveitável, nenhuma transformação espontânea (ex: luz em alimentos) pode ser 100%
eficiente.
O fluxo unidirecional da energia e a circulação dos materiais constituem os dois grandes
princípios ou "leis" da Ecologia Geral, já que são aplicáveis a todos os ambientes e organismos,
inclusive ao homem.

4.2 Cadeia Alimentar


Cadeia alimentar é a seqüência biológica responsável pela transferência de matéria e
energia em um ecossistema. Toda cadeia alimentar começa com o produtor e termina
com o decompositor. Entre eles estão os consumidores, que de acordo com o que
comem são classificados em primários, secundários etc. Exemplo de cadeia alimentar
simples:

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4.3 Pirâmide Alimentar


Pirâmide alimentar ou pirâmide ecológica é a representação quantitativa de uma cadeia
alimentar. A base da pirâmide está representada pelos produtores, vindo em seguida os
consumidores. As pirâmides podem ser de 3 tipos: números, biomassa e energia.

a) Pirâmides de números: indica o número de indivíduos que participam da cadeia alimentar.

1 criança
Exemplo teórico: uma criança de 12 anos
consome durante um ano, 4,5 bezerros, 4,5 bezerros
que por sua vez consomem 2 x 107 pés
de alfafa durante um ano. 2 X 107 pés de alfafa

b) Pirâmide de biomassa: indica a massa dos organismos que participam da cadeia alimentar,
nos vários níveis tróficos.
48kg/criança

No ex. teórico anterior uma criança de 12 1.035kg/


anos consome durante um ano, 1.035kg bezerros
de carne de bezerros, e estes consomem 8.211kg de alfafa
8.211kg de alfafa durante um ano.

c) Pirâmide de energia: indica a transferência de energia ao longo da cadeia alimentar.

No ex. anterior, os 2 x 107 de alfafa 83x103cal/criança


correspondem a 1,5 x 107 cal, dos
quais apenas 1,2 x 106 cal ficam 1,2x106 cal
disponíveis nos 4,5 bezerros e, bezerros
finalmente 8,3 X 103 cal na criança de
1,5x107 cal de alfafa
12 anos.

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Exemplos de Pirâmides Ecológicas:


Carnívoros: 0,1g/m2
1. Pirâmide de biomassa em um campo
abandonado da Geórgia (EUA): mostra Herbívoros:
2
o peso total de organismos de uma 0,6g/m
região em um dado instante. Produtores: 470 g/m2

Carnívoros maiores:
2
2. Pirâmide de energia em Silver Springs, 6 kcal/m /ano
Flórida: mostra a quantidade de energia Carnívoros:
disponível para outros organismos 67 kcal/m2/ano
durante o período de um ano. Uma
Herbívoros:
quantidade maior de energia foi 1478kcal/m2/ano
produzida, mas parte foi consumida
pelos próprios organismos nos vários Produtores: 8.833 kcal/m2/ano
níveis da pirâmide.

4.4. Fluxo de Energia - Produtividade


Produção primária ou produtividade primária bruta – PPB é a quantidade de energia que é
assimilada e convertida em matéria orgânica pela cobertura vegetal de uma determinada área
num determinado intervalo de tempo. É, portanto, a quantidade total de matéria orgânica
produzida, incluindo aquela usada na respiração da planta, durante o período da medição.
(Unidade: energia/área/tempo).
Produtividade primária líquida – PPL é a matéria orgânica armazenada nos tecidos vegetais
durante o período da medição. Representa a energia que vai ficar à disposição dos
consumidores, isto é, a energia que foi incorporada.

PPL = PPB – R (cal/m2/h)


onde: R = respiração (matéria orgânica "respirada", isto é, energia consumida pelo próprio
organismo).
A PPL é, em média, 80 a 90% da PPB. Quando as plantas estão crescendo rapidamente, sob
condições de luz e temperatura favoráveis a respiração pode consumir 10% da produtividade
primária bruta. Em condições normais na natureza, a respiração é maior, em virtude, inclusive,
da competição pela luz.
Quando o herbívoro come o produtor, parte da energia que corresponde à PPL é perdida, e
parte transforma-se na produtividade secundária bruta (PSB). Parte desta energia é consumida
(movimentação, manutenção da temperatura interna) através da respiração, e parte é
incorporada (crescimento, reprodução).

PSL = PSB – R onde PSL = prod. sec. líquida


Obs.: O consumo de matéria orgânica (alimentação) pelos seres heterotróficos tem a
finalidade principal de obter energia: cerca de 10% é consumido na produção de
células para crescimento e reprodução e cerca de 90% na produção de energia
(através da respiração) e detritos.

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Na passagem para os carnívoros parte da energia à também perdida para o ecossistema,


diminuindo o nível energético. Em cada transferência de energia (de um nível trõfíco para
outro) calor é liberado para o ecossistema.

PTL = PTB – R etc.

4.5 Diagrama Simplificado de Fluxo Energético


Cerca de metade da energia luminosa média que incide sobre as plantas verdes é absorvida
pelo mecanismo fotossintetizante, mas apenas de 1 a 5% desta energia absorvida é convertida
em energia alimentar (armazenada na forma de compostos orgânicos).

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Exemplo: Ecossistema em zona temperada (em kcal/m2/dia):


L = 3000 LA 1500 PPL = 15 PSL = 1,5 PTL = 1,15

Neste exemplo supõe-se a existência de organismos presentes adaptados para utilizar


plenamente estas fontes.
No diagrama anterior:

L = luz total LA = luz absorvida


R = perda de energia pela respiração NU = energia não usada
NA = energia não assimilada

A redução devida a cada transformação é, geralmente, cerca de 2 graus de magnitude no


primeiro nível trófico (produtores), e cerca de 1 grau de magnitude a partir daí.
De acordo com a 2a. lei da termodinâmica em cada transferência de energia de um organismo
para outro (ou de um nível trófico para outro), uma grande parte da energia é degradada em
calor. Desta forma, os herbívoros têm uma quantidade de energia, à sua disposição, maior dos
que os carnívoros, e assim por diante. Logo, quanto mais próximo estiver um organismo do
início da cadeia alimentar, maior será a energia disponível para ele.

Obs:
a) Poderíamos alimentar um número maior de homens com os produtos de uma área
qualquer (10ha, por exemplo), se eles funcionarem como consumidores primários
(herbívoros) em vez de secundários.
b) Geralmente, a biomassa vegetal corresponde a ± 4 kcal/g de peso seco de matéria
orgânica desmineralizada, e a animal, ± 5 kcal/g. Entretanto, nas sementes ou nos
corpos de animais migradores ou hibernadores, a energia é armazenada até valores
próximos de 7 ou 8 kcal/g.

4.6 Padrão Mundial da Distribuição da Produção Primária

desertos
< 0,5g de matéria orgânica seca/m /dia
2

oceanos profundos

campos, lagos profundos, florestas de


0,5 a 3,0g mat. orgânica seca/m2/dia montanhas, certos tipos de agricultura,
águas da plataforma continental

florestas úmidas, lagos rasos, campos


3,0 a 10g de mat. orgânica seca/m2/dia
úmidos, agricultura em lugares úmidos

alguns estuários, recifes de coral,


10 a 25g mat. orgânica seca/m2/dia comunidades terrestres sobre planícies
aluvião, agricultura intensiva

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5. Ciclos Biogeoquímicos
5.1 Introdução
Geoquímica e uma ciência física interessada na composição química da Terra e a troca de
elementos entre as diferentes partes da crosta terrestre com seus rios, oceanos, etc.
A biogeoquímica estuda as trocas de materiais entre os componentes vivos e os componentes
inanimados da biosfera.
A biosfera caracterizasse por um fluxo contínuo e cíclico de elementos que, retirados do solo, do
ar e da água pelos seres autótrofos, entram na composição dos compostos orgânicos,
circulando pelas cadeias alimentares e são, posteriormente, devolvidos ao meio físico através
dos processos de decomposição.
Os ciclos dos elementos são realizados graças à presença de energia solar, através
principalmente, do processo da fotossíntese.
A existência dos ciclos biogeoquímicos confere à biosfera um poder considerável de auto-
regulação ou homeostase, a qual assegura a perenidade dos ecossistemas e se traduz numa
notável constância da proporção dos diversos elementos em cada meio.

5.2 Nutrientes
São os elementos e os sais dissolvidos essenciais para a vida. Podem ser divi didos em dois
grupos:
a) macronutrientes: que incluem elementos e seus compostos, que exercem papéis
fundamentais no protoplasma e que são necessários em quantidades relativa mente
grandes: C, H, 0, N, K, Ca, Mg, S, P.
b) micronutrientes: incluem aqueles elementos e seus compostos que são necessários,
também, para o funcionamento dos seres vivos, porém solicitados em quantidades muito
pequenas: Fe, Mn, Cu, Zn, Bo, Na, Mo, Cl, Va e Co.

Obs:
1. A presença de um certo nutriente no ambiente, em quantidade inferior à necessária para o
desenvolvimento de um organismo, limita a produtividade do ecossistema. (Exemplo do Mar
dos Sargaços).
2. A presença de micronutrientes, em quantidades excessivas, pode ser tóxica para os
organismos. Ex: Cu, Zn, etc.

5.3 Tipos de Ciclos Biogeoquímicos


Em cada um dos ciclos biogeoquímicos existe um compartimento que contém uma grande
reserva da substância mineral, denominado reservatório do nutriente, e que garante um fluxo
lento e regularizado desta substância.
Os reservatórios, via de regra, não são de natureza biológica, e impedem a interrupção do ciclo,
caso haja um consumo temporário exagerado ou uma interrupção temporária no processo de
restituição da substância ao meio. Os ciclos biogeoquímicos podem ser de dois tipos:
a) ciclos gasosos, nos quais o reservatório é constituído pela atmosfera ou pela hidrosfera.

Exemplos: ▪ ciclo do nitrogênio, cujo reservatório é a atmosfera


▪ ciclo do carbono, cujo reservatório está na hidrosfera, constituído pelos
carbonatos existentes no oceano (carbonatos existem também na litosfera),
embora a atmosfera contenha uma grande quantidade de carbono sob a forma de
CO2 (0,033% de CO2, 78,1% de N2, 20,95% de 02, em volume).
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b) ciclos sedimentares, nos quais o reservatório está situado na litosfera.


Exemplos: ▪ ciclo do fósforo, cujo reservatório são as rochas, formadas em remotas eras
geológicas, que liberam gradativamente fosfatos através da decomposição por
fenômenos de erosão.
▪ ciclo do enxofre, cujo reservatório é a crosta terrestre
▪ ciclo da água, cujo maior reservatório está na litosfera (águas subterrâneas), que
armazena cerca de 20 vezes mais águas que o próprio oceano.

5.3.1 Ciclo do Carbono

Obs.:
1. O tempo médio que o carbono gasta para perfazer um ciclo completo é estimado em 300
anos, enquanto os tempos médios do oxigênio e da água são estimados em 2 mil e 2
milhões de anos, respectivamente.
2. O metabolismo dos seres vivos divide-se em anabolismo, que é o metabolismo assimilativo,
e catabolismo, que é o metabolismo desassimilativo.

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5.3.2 Ciclo do Nitrogênio

O nitrogênio e um elemento de importância fundamental para os seres vivos, pela formação dos
aminoácidos e das proteínas. O corpo humano tem aproximadamente 16% de proteínas e 14%
de gorduras.
As reservas de nitrogênio mineral no solo, em forma utilizável pelas plantas (nitratos), são
geralmente baixas. O nitrogênio constitui, assim, ao lado de outros elementos como fósforo e
potássio, um dos mais importantes fatores para determinar a fertilidade da terra.
Alguns organismos são capazes de fixar diretamente o nitrogênio atmosférico:
a) bactérias: Azotobacter (aeróbica), Clostridium (anaeróbica), Rhizobium (vivem em
nódulos nas raízes de plantas leguminosas), Rhodospirillum (fotossintática), variedades
de Pseudomona (do solo) etc.
b) certas algas azuis (cianofíceas): Anabaena, Nostoc, e outras.
As plantas leguminosas (feijão, soja, ervilhas, árvores como a Araucária e a Casuarina), graças
à simbiose com as bactérias Rhizobium, contribuem para a fertilização dos solos (exemplo da
rotação de culturas).
Uma grande diferença do ciclo do nitrogênio em relação ao ciclo do carbono é que algumas
partes do ciclo do nitrogênio são executadas por organismos específicos. Além da fixação do
nitrogênio do ar pelos organismos citados anteriormente, a conversão de amônia em nitritos, e a
de nitritos em nitratos e executada, respectivamente, pelas bactérias Nitrosomonas e
Nitrobacter.

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5.3.3 Ciclo do Fósforo


Como já foi dito anteriormente, o reservatório do fósforo é constituído pelas rochas da crosta
terrestre, que, pela desagregação sob o efeito da erosão, libera o fósforo para entrar na
composição do solo e das águas, de onde ele é retirado pelos produtores (vegetais), passando a
integrar as cadeias alimentares.

Grande parte dos fosfatos levados dos continentes para os oceanos perdem-se sedimentando-
se à grandes profundidades não atingidas pela luz, e onde, portanto, não há fotossíntese. Outra
parte entra nas cadeias alimentares marinhas e uma parte dela é devolvida aos continentes na
forma de guano produzido pelas aves aquáticas, e pelo consumo de produtos do mar pelo
homem.

5.3.4 Ciclo da Água


A água é, quantitativamente, o constituinte inorgânico mais abundante da matéria viva. O
homem possui 63% do seu peso formado de água, e alguns animais aquáticos chegam a
possuir 98% de água em seu corpo. A biomassa terrestre é, inclusive, sensivelmente
proporcional ao volume das precipitações pluviométricas.

6. Fatores Limitantes
6.1 Introdução
Fator limitante é qualquer fator que tenda a baixar o crescimento potencial em um ecossistema.
Quando este fator é importante na sobrevivência, usa-se chamar de fator regulador.
O fluxo de energia e a circulação de materiais limitam e regulam a comunidade biológica, assim
como fatores ambientas (ex.: temperatura) e as interações de organismos com organismos (ex.:
predação).

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6.2 Lei de Liebig Ampliada


O químico alemão Justus von Liebig (1840), um dos pioneiros no estudo dos fertilizantes
químicos inorgânicos na agricultura, verificou que os organismos podiam ser controlados pelo
elo mais fraco na cadeia das necessidades ecológicas.
Lei do Mínimo de Liebig: "A taxa de crescimento é dependente do nutriente ou outras condições
presentes em quantidade mínima, em termos de necessidade e disponibilidade".
Mais recentemente, esta idéia foi ampliada, incluindo os efeitos limitantes do máximo (um
excesso também pode ser limitante) e a interação entre os fatores.
Lei de Liebig Ampliada: "O sucesso de uma população ou comunidade depende de um
complexo de condições; qualquer condição que se aproxime ou exceda o limite de tolerância
para o organismo ou grupo em questão, pode ser considerada um fator limitante".

6.3 Indicadores Ecológicos


Alguns organismos podem servir, às vezes, de úteis indicadores das condições ambientais.
Assim, certas condições geológicas, geográficas e ecológicas podem ser indicadas pela
presença, ausência, abundância ou escassez de algumas plantas, animais ou microrganismos.
Exemplos: o pH de uma água pode ser identificado através de certos organismos, como os
vegetais Isoetes e Sparganium que brotam em águas de pH menor que 7,5, ou pela Typha
augustifolia, que é abundante em águas de pH entre 8,5 e 9.
Usamos os prefixos "euri" e "esteno" para indicar respectivamente, grandes limites de tolerância
e pequenos limites de tolerância.
Exemplos:
a) As trutas são estenotérmicas (não são capazes de tolerar uma grande variação de
temperatura) e eurifágicas (grande variedade de alimentos).
b) Uma planta pode ser euritérmica mas estenoídrica.
As espécies do tipo "esteno" (que são espécies mais raras) produzem, geralmente, indicadores
mais eficazes do que as espécies do tipo "euri".

6.4 Condições Ambientais como Fatores Reguladores


Nos ecossistemas terrestres, luz, temperatura e água (pluviosidade) são fatores ambientas de
grande importância. Nos mares, os mais importantes são luz, temperatura e salinidade, mas em
águas doces, outros fatores, como o oxigênio dissolvido na água, podem ser de grande
importância.
Estas condições de existência podem ser, não somente fatores limitantes (propriamente ditos),
como também, fatores reguladores no sentido benéfico, em que organismos adaptados
respondem a estes fatores de tal maneira que a comunidade adquire o máximo de homeostase
possível nestas condições.
Por exemplo, a luz, que pode ser um fator limitante (pela carência ou pelo excesso, que pode
ser mortal), mas é um regulador extremamente importante da atividade diária e estacional de um
grande número de organismos vegetais e animais.
O fotoperíodo (duração do dia) é um dos elementos mais seguros pelos quais organismos
regulam suas atividades nas zonas temperadas, pois ele é sempre o mesmo em uma dada
época do ano, o que já não ocorre com a temperatura.

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7. Regulação Ecológica
7.1 Introdução
Trata da interação de organismos com organismos, na manutenção da estrutura e função da
comunidade.
As comunidades não são dirigidas pelo ambiente físico somente, mas modificam, alteram e
regulam seu ambiente físico, dentro de certos limites (como a construção de recifes por equipes
de corais e algas).

7.2 Sucessão Ecológica


Quando uma pastagem é abandonada, inicia-se um processo de sucessão ecológica, com o
aparecimento de pequenos arbustos, arbustos maiores, árvores etc. A tendência, desde que as
condições sejam favoráveis, é se ter no final de certo tempo, uma floresta do mesmo tipo da que
existia naquele lugar antes do desmatamento.
A sucessão ecológica pode ser definida de acordo com os seguintes parâmetros:
a) é um processo ordenado de mudanças de comunidade; estas mudanças são direcionais
e, portanto, previsíveis.
b) é um resultado da modificação do ambiente físico pela comunidade.
c) culmina no estabelecimento de um ecossistema tão estável quanto seja possível
biologicamente naquela lugar (comunidade clímax).
Obs.: Os estágios do desenvolvimento são chamados estados serais (seres), e o estado
constante final, clímax (comunidade clímax).
As sucessões ecológicas podem ser classificadas em:
1) Sucessão primária: é a que começa em uma área estéril onde as condições de existência
não são favoráveis no início (ex.: local onde houve um derrame de lava, ou uma duna de
areia recentemente exposta). Nestes casos, até 1.000 anos podem ser necessários para
atingir o clímax.
2) Sucessão secundária: o desenvolvimento de comunidades se faz em áreas previamente
ocupadas por comunidades bem estabelecidas, ou em locais onde nutrientes e condições
de existência são favoráveis (ex.: pastagem abandona da, um lago recente). Como a
velocidade de mudanças é maior que o tipo anterior, o tempo necessário para completar a
série (atingir a comunidade clímax) é de aproximadamente 200 anos em clima úmido e
temperado.
Os aspectos mais significativos de uma sucessão ecológica são:
a) os tipos de plantas e animais mudam continuamente com a sucessão;
b) a biomassa e o produto em pé da matéria orgânica aumentam com a sucessão;
c) a diversidade das espécies tende a aumentar com a sucessão (significa maior
estabilidade, isto é, maior resistência a distúrbios);
d) diminuição na produção líquida da comunidade e o correspondente aumento na
respiração da comunidade;
e) populações mais simples precedem as mais complexas, preparando o ambiente para
elas.

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7.3 Competição
Ao nível ecológico, a competição torna-se importante quando dois organismos lutam por algo
que não existe em quantidade adequada para ambos. Ocorre quando organismos que ocupam
o mesmo nicho ecológico estão presentes no mesmo ambiente. Ex.: plantas, pela luz e pelos
nutrientes numa floresta: animais, por alimento e abrigo (quando são relativamente escassos).
A competição pode ser:
a) intra-específica: ocorre entre indivíduos da mesma espécie;
b) ínter-específica: entre indivíduos de espécies diferentes.
Um interessante exemplo de competição intra-específica por espaço, que exerce um controle
realmente efetivo sobre o tamanho da população é a territorialidade (reserva de uma
determinada área pelo macho para a criação da família), exercida, por exemplo, por certos
pássaros (pelo canto), micos (feromônios, secretados por glândulas peitorais, que "marcam" os
galhos das árvores), etc.

7.4 Interação entre Organismos


Simbiose é qualquer tipo de associação entre os seres vivos. As simbioses podem ser:
a) harmônicas, quando não existe nenhum prejudicado;
b) desarmônicas, quando um tira proveito, prejudicando o outro.

Colônias + +
Intra-específica
Sociedade + +
Harmônicas
Mutualismo + +
Inter-específica
comensalismo + 0
Intra-específica Canibalismo + -
Desarmônicas Predação + -
Inter-específica
Parasitismo + -
Convenções: (+): tira proveito. (-): é prejudicial; (0): não é afetado

Exemplos:
a) mutualismo: plantas leguminosas e bactérias Rhizobium
b) comensalismo: leão e hiena
c) predação: leão e zebra
d) parasitismo: boi e carrapato; homem e vermes intestinais

Obs.:O predador age rápida e violentamente, destruindo total ou parcial mente a presa. O
parasita, normalmente, age lentamente, procurando não destruir o hospedeiro.

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7.5 População
É o conjunto de indivíduos da mesma espécie que habitam a mesma área, num mesmo instante.
Características populacionais importantes, como atributos de grupo:
a) densidade: no. de indivíduos
D= espaço ocupado
b) taxa de natalidade:
no. de indivíduos nascidos
vivos durante 1 ano
TN = X 100
total de indivíduos
da população

c) taxa de mortalidade:
TM = no .de mortes em 1 ano X 100
total da população

d) distribuição de idades: é a proporção de indivíduos de diferentes idades no grupo


e) dispersão: é o modo como os indivíduos daquela população se distribuem no espaço.
Pode ser:

dispersão propriamente dita

migração

imigração emigração
População A População B População C

f) taxa de crescimento da população: é o resultado final da natalidade, mortalidade e


dispersão do grupo.

Pt = Pto + (N - M) + (I - E)

Onde (N – M) = crescimento vegetativo


(I - E) = saldo migratório } no período (t - to)

Pt - Po
TC = x 100
Po

A taxa de crescimento de uma população qualquer dentro de um ecossistema depende de uma


série de fatores, como por exemplo, o estágio da sucessão ecológica e a competição intra e
inter-específica.

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No caso particular do crescimento da população humana, o crescimento vegetativo e o saldo


migratório dependem também de fatores econômicos, sociais e políticos. Vários métodos foram
desenvolvidos para a previsão da população futura, mas fatores inicialmente intangíveis podem
esporadicamente modificar completamente a tendência do crescimento populacional de uma
determinada região ou cidade. Por exemplo, a decisão do governo brasileiro de construir a
Rodovia Transamazônica produziu na cidade de Altamira, no Pará, um crescimento populacional
inimaginável alguns anos antes. Mas qualquer previsão populacional feita nos primeiros anos
após esta decisão teria também chegado a uma população bem maior do que a real de hoje,
pois a rodovia nem de longe atingiu os objetivos inicialmente traçados. Daí a importância de,
sempre que possível, construir as grandes obras de engenharia ou sistemas de serviços
urbanos em várias etapas. Um sistema de abastecimento de água é, geralmente, projetado
para ser construído em duas ou mais etapas, que podem ser antecipadas, retardadas ou mesmo
totalmente modificadas de acordo com o crescimento real que a cidade estiver apresentando.
Admitindo-se a não interferência de fatores de perturbação, o crescimento populacional de uma
cidade apresenta, na prática, três estágios diferentes: o primeiro, de crescimento rápido, quando
a população é pequena em comparação com os recursos econômicos em potencial (é o estágio
em que se encontram a maioria das cidades brasileiras); o segundo, no qual a taxa de
crescimento é praticamente constante, quando há um certo equilíbrio entre o número de
habitantes e as reais possibilidades de colocação de mão-de-obra; o terceiro, no qual a taxa de
crescimento se torna decrescente, aproximando-se o núcleo urbano, pouco a pouco, do seu
limite de saturação.

8. Bibliografia

1. Branco, Samuel Murgel, "Ecologia para o 20 Grau", CETESB, São Paulo, 1978.

2. Odum, "Ecologia", Editora Guanabara, Rio de Janeiro, 1988.

3. Dajoz, Roger, "Ecologia Geral", Editora Vozes, Rio de Janeiro, 1978.

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