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PATRIMÔNIO E INVENTÁRIOS

Referência Bibliográfica: Contabilidade Pública – Roselaine da Cruz Mendes

1. Gestão Patrimonial
A gestão patrimonial ocorre a partir das ações que se relacionam com o
patrimônio púbico. O gestor público precisa estar atento a esse patrimônio, que não
pertence apenas à entidade a qual esteja alocado, mas sim a toda a sociedade.
Conforme a NBC T 16.2, patrimônio público é:
“O conjunto de direitos e bens, tangíveis ou intangíveis, onerados ou não,
adquiridos, formados, produzidos, recebidos, mantidos ou utilizados pelas entidades do
setor público, que seja portador ou represente um fluxo de benefícios, presente um
fluxo de benefícios, presente ou futuro, inerente à prestação de serviços públicos ou à
exploração econômica por entidades do setor público e suas obrigações.”

Para Kohama (2006, p. 173), o Patrimônio Público, por analogia, “compreende o


conjunto de bens, direitos e obrigações avaliáveis em moeda corrente, das entidades que
compõem a Administração Pública.”

2. Bens Públicos
De acordo com Nohara (2010, p.170), “os bens públicos abrangem coisas
corpóreas (móveis ou imóveis) ou incorpóreas (direitos, obrigações ou ações)
pertencentes a entes ou entidades estatais que a Administração deve gerenciar em
função do interesse público.
Sob o ponto de vista jurídico, o Código Civil brasileiro considera como bens
públicos aqueles de domínio nacional, pertencentes às pessoas jurídicas de direito
público interno. Pelo referido dispositivo classificam-se como:

Art. 98. São públicos os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de
direito público interno; todos os outros são particulares, seja qual for a pessoa a que
pertencerem.
Art. 99. São bens públicos:
I - os de uso comum do povo, tais como rios, mares, estradas, ruas e praças;
II - os de uso especial, tais como edifícios ou terrenos destinados a serviço ou
estabelecimento da administração federal, estadual, territorial ou municipal, inclusive os
de suas autarquias;
III - os dominicais, que constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de direito
público, como objeto de direito pessoal, ou real, de cada uma dessas entidades.

Parágrafo único. Não dispondo a lei em contrário, consideram-se dominicais os bens


pertencentes às pessoas jurídicas de direito público a que se tenha dado estrutura de
direito privado.

Art. 100. Os bens públicos de uso comum do povo e os de uso especial são inalienáveis,
enquanto conservarem a sua qualificação, na forma que a lei determinar.

Art. 101. Os bens públicos dominicais podem ser alienados, observadas as exigências da
lei.

Art. 102. Os bens públicos não estão sujeitos a usucapião.

Art. 103. O uso comum dos bens públicos pode ser gratuito ou retribuído, conforme for
estabelecido legalmente pela entidade a cuja administração pertencerem.

2.1 Classificação do Código de Contabilidade Pública da União

- Bens Não Patrimoniais: não se pode apurar o conteúdo econômico (semelhante


aos Bens de Uso Comum)

- Bens Patrimoniais Indisponíveis: pode apurar o conteúdo econômico, mas não


podem ser alienados. (semelhante a Bens de Uso Especial)

- Bens Patrimoniais Disponíveis: pode apurar o conteúdo econômico e pode


dispor de alienação (semelhante aos Bens Dominicais)
2.2 Afetação e Desafetação

O termo afetação e desafetação está relacionado aos fins para os quais está sendo
utilizado o bem público.

. Afetação: quando um bem está sendo utilizado para uma finalidade, seja pelo Estado
ou pelos indivíduos em geral, dizemos que este patrimônio está afetado.

. Desafetação: ao contrário, quando um bem não está sendo utilizado para qualquer fim
público, este está desafetado.

3. Fases da Gestão dos Bens Públicos


- recebimento e aceite
- tombamento
- incorporação (escrituração)
- movimentação
- desfazimento (desincorporação, baixa)

3.1 Recebimento e Aceite – é o ato pelo qual o material encomendado é entregue ao


órgão público no local previamente designado, não implicando em aceitação. Transfere
apenas a responsabilidade pela guarda do material do fornecedor ao órgão recebedor. Já
o aceite, caracteriza-se pelo recebimento definitivo do bem, por meio de declaração
formal de que o mesmo satisfaz às especificações contratadas, equivalendo ao estágio
da liquidação da despesa pública.

3.2 Tombamento – é a enumeração sequencial de registro patrimonial dos materiais


recebidos, os quais deverão ser aplicados mediante gravação, fixação de plaqueta ou
etiqueta apropriada, exceção para os casos de material bibliográfico, o qual o registro
patrimonial poderá ser realizado mediante carimbo.

3.3 Incorporação (escrituração) – incorporação é a agregação de novos elementos ao


patrimônio de uma entidade pública. Realizado o tombamento, o bem público pode ser
incorporado ao patrimônio da entidade estatal, conforme os seguintes procedimentos:
- Aquisição (compra) – adoção de procedimento licitatório, conforme a Lei
8.666/93

- Doação – um bem cedido por terceiro ao ente público.

- Transferência – uma unidade gestora transfere um bem à outra, normalmente


dentro de um mesmo órgão.

3.4 Movimentação – a movimentação pode ser realizada pela cessão ou transferência


gratuita de posse e troca de responsabilidade.
- Cessão - realizada entre órgãos ou entidades da Administração Pública
Federal.
- Transferência - dentro de um mesmo órgão ou entidade.

3.5 Desfazimento (desincorporação, baixa) – desincorporação ou baixa é a exclusão,


retirada ou desagregação de bens constantes no patrimônio de uma entidade pública, por
meio de cessão, alienação ou outras formas de desfazimento, como: extravio, dano,
obsolescência ou desuso. Outra forma de desfazimento é a doação.
O Dec. 99.658/90 regulamentou, no âmbito da Administração Pública Federal, o
reaproveitamento, a movimentação, alienação ou outras formas de desfazimento de
material.
Ainda de acordo com o Decreto, o material considerado genericamente
inservível deverá ser classificado como:

. Ocioso: quando, embora em perfeitas condições de uso, não estiver sendo aproveitado;

. Recuperável: quando sua recuperação for possível e orçar, no âmbito, a 50% de seu
valor de mercado;

. Antieconômico: quando sua manutenção for onerosa, ou seu rendimento precário, em


virtude de uso prolongado, desgaste prematuro ou obsoletismo;
. Irrecuperável: quando não mais puder ser utilizado para o fim a que se destina devido
à perda de suas características ou em razão da inviabilidade econômica de sua
recuperação.
O material ocioso ou recuperável será cedido a outros órgãos que dele
necessitem, mediante Termo de Cessão, do qual constará a indicação de transferência
de carga patrimonial, da unidade cedente para a cessionária, e o valor da aquisição ou
custo de produção.

4. Formas de Controle dos Bens


A principal forma de controle dos bens é o Inventário. Para Jund (2006), o
inventário dos bens patrimoniais consiste na verificação in loco das existências físicas
dos bens permanentes em almoxarifado e em uso. Também incluem-se nesse contexto
os bens de consumo em almoxarifado.
Segundo a Instrução Normativa SEDAP nº 205/1988, define que “Inventário
Físico é o instrumento de controle para a verificação dos saldos de estoques nos
almoxarifados e depósitos, e dos equipamentos e materiais permanentes, em uso no
órgão ou entidade”, que irá permitir, dentre outros:
- o ajuste dos dados escriturais de saldos e movimentações dos estoques com o saldo
físico real nas instalações de armazenagem;

- a análise do desempenho das atividades do encarregado do almoxarifado através dos


resultados obtidos no levantamento físico;

- o levantamento da situação dos materiais estocados no tocante ao saneamento dos


estoques;

- a constatação de que o bem móvel não é necessário naquela unidade.

Obs: A Lei 4.320/64, em seu art. 96, destaca que ―o levantamento geral dos bens
móveis e imóveis terá por base o Inventário Analítico de cada unidade administrativa e
os elementos da Escrituração Sintética da Contabilidade.
O Inventário Físico pode ser classificado como:

. Inventário Inicial: realizado sempre que for instruída uma nova Unidade
Administrativa, para a identificação e registro dos bens sob responsabilidade do agente
público.

. Inventário de Transferência de Responsabilidade: realizado quando ocorre


mudança, a título definitivo, do titular de serviço público.

. Inventário de Extinção ou Transformação: realizado sempre que qualquer órgão for


extinto ou transformado em outro.

. Inventário Eventual: pode ser realizado a qualquer momento durante todo o ano,
sempre que verificado riscos / danos para o ente público.

Dessa forma, deve-se ter o entendimento que os inventários nos entes públicos
devem ser realizados não apenas em função de uma rotina ou obrigação legal, mas
principalmente como instrumento de controle, tendo por objetivo resguardar a
instituição de quaisquer danos.

CONCEITO DE INVENTÁRIO SEGUNDO LINO MARTINS SILVA

INVENTÁRIOS: É a relação (lista, rol, arrolamento) de todos os elementos ativos e


passivos componentes do patrimônio com indicação do valor desses elementos.

Fases ou Operações do Inventário do Patrimônio – O inventário compreende as


seguintes fases ou operações:

- Levantamento – O levantamento compreende a coleta de dados sobre todos os


elementos ativos e passivos do Patrimônio e é subdividido nas seguintes etapas:

a. Identificação – consiste na verificação das características dos bens, direitos e


obrigações, separando-os por classes segundo a analogia de seus caracteres.

b. Grupamento – é a reunião dos elementos que possuem as mesmas


características (móveis, imóveis, etc.)

c. Mensuração – resulta da contagem das unidades componentes da massa


patrimonial (peso, comprimento, número absoluto, etc.).
Obs: O levantamento pode ser Físico e Contábil. Físico, material ou de fato é o
levantamento efetuado diretamente pela identificação e contagem ou medida dos
componentes patrimoniais. Contábil é o levantamento feito pelo apanhado de
elementos registrados nos livros e fichas de escrituração.

- Arrolamento – É o registro das características e quantidades obtidas no levantamento.


Existem duas formas de Arrolamento:

a. Arrolamento Sintético – é o arrolamento que apresenta componentes


patrimoniais de forma resumida.

b. Arrolamento Analítico – é o arrolamento que relaciona individualmente os


componentes patrimoniais.

- Avaliação – Na avaliação, é atribuída uma unidade de valor ao elemento patrimonial.


Os critérios de avaliação dos componentes patrimoniais devem ter sempre por base o
custo. O simples arrolamento não apresenta interesse para a contabilidade se não for
completado pela avaliação. Sem a expressão econômica, o arrolamento serve, apenas,
para o controle da existência dos componentes patrimoniais. A atribuição do valor aos
componentes patrimoniais obedece a critérios que se ajustam:

a. a sua natureza;

b. a sua função na massa patrimonial;

c. a sua finalidade.

Princípios do Inventário:

. Instantaneidade – estabelece que o levantamento refira-se a determinado momento;

. Oportunidade – fixa que a execução do levantamento deve ocorrer no menor


intervalo de tempo possível e que a escolha do momento para realizar o inventario seja
o mais conveniente para a administração;

. Integridade – uma vez fixados os limites do inventário, todos os elementos


patrimoniais nele compreendidos deverão ser objeto de levantamento.

. Especificação – estabelece que todos os elementos inventariados devem ser dispostos


em classes, de acordo com os atributos comuns.

. Uniformidade – estabelece que os critérios de mensuração e avaliação para todos os


elementos do patrimônio devem ser os mesmos ou, quando não for possível, deverá ser
mantida a maior afinidade com os demais.

Comprovação e Formalização de Inventários – A fim de manter atualizados os


registros dos bens patrimoniais, bem como a responsabilidade dos setores onde se
localizam tais bens, a administração pública deve proceder ao inventário mediante
verificações físicas pelo menos uma vez por ano. Assim, a comprovação do balanço
geral será efetuada pelo arrolamento das existências no último dia do exercício. Tal
comprovação é formalizada nos seguintes termos (segundo LINO MARTINS SILVA):

I – ANUAL – Conferência anual para todos os bens móveis e imóveis sob


responsabilidade da unidade administrativa (UA) em 31 de dezembro.

II – De Transferência de responsabilidade – no caso de término da gestão dos


responsáveis. Ou seja, no início e término da gestão, isto é, na substituição dos
respectivos responsáveis, no caso de bens móveis.

Valores do Estado – A inventariação e os demonstrativos de bens obedecerão, quanto


aos valores apropriados, aos seguintes critérios:

I. Materiais Permanentes – Para os materiais permanentes, o valor será o do


preço de aquisição ou construção;

II. Materiais de Consumo – O valor será calculado com base no Preço Médio
Ponderado.

(EsAEx 2006 – Questão 48) A avaliação dos componentes patrimoniais das entidades
de direito público não obedece a seguinte norma:
a) pelo preço médio ponderado das compras para os bens de almoxarifado.
b) pelo valor de aquisição ou pelo custo de produção ou de construção para os bens
móveis e imóveis.
c) pelo valor médio do mercado para os investimentos relevantes.
d) pelo valor nominal para os débitos e créditos.
e) pelo valor nominal para os títulos de renda feita a conversão, quando em moeda
estrangeira.

TIPOS DE INVENTÁRIO (segundo DEUSVALDO CARVALHO) - Os inventários


podem ser realizados de forma SINTÉTICA ou ANALÍTICA.

Inventários SINTÉTICOS:

a) ANUAL: Destinado a comprovar a quantidade e o valor dos bens


patrimoniais do acervo de cada unidade gestora em 31 de dezembro de cada exercício
financeiro.
b) INICIAL: Realizado quando da criação de uma unidade gestora, para
identificação e registro dos bens sob a sua responsabilidade.

c) DE TRANSFERÊNCIA DE RESPONSABILIDADE: Realizado quando da


mudança do dirigente de uma unidade gestora.
d) EVENTUAL: Realizado em qualquer época, por iniciativa do dirigente da
unidade gestora ou por iniciativa do órgão fiscalizador.

Inventário ANALÍTICO - Realiza-se Inventário Analítico, para a perfeita


caracterização dos bens. Assim sendo, deverão figurar no Inventário Analítico, as
seguintes informações acerca do bem: a) Descrição padronizada; b) Número de registro;
c) Valor (preço de aquisição, custo de produção, valor arbitrado ou preço de avaliação);
d) Estado do bem (bom, ocioso, recuperável, antieconômico ou irrecuperável); e) Outros
elementos julgados necessários.

INVENTÁRIOS da Administração Pública - A Administração Pública poderá


realizar ainda os seguintes inventários:

INVENTÁRIO ROTATIVO: Consiste no levantamento rotativo, contínuo e seletivo


dos materiais existentes em estoques ou daqueles permanentes distribuídos para uso,
feito de acordo com uma programação de forma que todos os itens sejam recenseados
ao longo do exercício.

INVENTÁRIO POR AMOSTRAGEM: Realiza-se para um acervo de grande porte.


Esta modalidade alternativa consiste no levantamento, em bases mensais, de amostras
de itens de material de um determinado grupo de classe, e inferir os resultados para os
demais itens do grupo ou classe.

INVENTÁRIO GERENCIAL: Deverão ser efetuados por comissão designada pelo


diretor do departamento de administração ou unidade equivalente, ressalvada aqueles de
prestação de contas, que deverão se subordinar às normas do sistema de controle
interno.

INVENTÁRIO – Para Jund (2006), o Inventário de bens patrimoniais consiste na


verificação in loco das existências físicas de bens permanentes em almoxarifado e em
uso. Também incluem-se neste contexto os bens de consumo e almoxarifado.

O INVENTÁRIO é a principal forma de controle de bens. A Lei 4.320/64, em


seu art. 96, destaca que ―o levantamento geral dos bens móveis e imóveis terá por base
o Inventário Analítico de cada unidade administrativa e os elementos da Escrituração
Sintética da Contabilidade. Nesse sentido, a Instrução Normativa SEDAP nº 205/1998
define que ―Inventário Físico é o instrumento de controle para verificação dos saldos
de estoques nos almoxarifados e depósitos, e dos equipamentos e materiais
permanentes, em uso no órgão ou entidade, que irá permitir, dentre outros:

- o ajuste dos dados escriturais de saldos e movimentações dos estoques com o saldo
físico real nas instalações de armazenagem;
GESTÃO DO PATRIMÔNIO SOB A ÓTICA PÚBLICA

Tanto as atividades-meio como as atividades-fim podem ser divididas de acordo


com a área de atuação em: (1) atividades estratégicas e políticas; e (2) atividades
administrativas e de apoio. Veja o quadro abaixo:

Conceitos de Atividade Financeira do Estado :

a. Segundo Aliomar Baleeiro, a atividade financeira consiste em obter, criar, gerir e


despender o dinheiro indispensável às necessidades, cuja satisfação o Estado assumiu
ou cometeu a outras pessoas de direito público.

b. Segundo Rubens Gomes de Souza, a atividade financeira do Estado desenvolveu-se


fundamentalmente em três campos: (1) a receita, isto é, a obtenção de recursos
patrimoniais; (2) a gestão, que é a administração e conservação do patrimônio público;
e, finalmente, a (3) despesa, ou seja, o emprego de recursos patrimoniais para a
realização dos fins do Estado.

O REGIME CONTÁBIL tem por objetivo, o registro e controle do Patrimônio


e suas Variações. Sobre o Regime Contábil, Deusvaldo afirma que segundo a
STN/SOF, na Contabilidade Pública não há Regime Contábil Misto, mas apenas o
Regime de Competência, tanto para as Receitas quanto para as Despesas, ou seja, a
Secretaria do Tesouro Nacional (STN) consagra o Regime de Competência aplicado à
Contabilidade Pública. Princípio da Competência (no setor público) - conforme as
regras contidas na Resolução CFC nº 1.111/2007, o Princípio da Competência é aquele
que reconhece as transações e os eventos na ocorrência dos respectivos fatos
geradores, independentemente do seu pagamento ou recebimento. Assim sendo, os atos
e os fatos que afetam o patrimônio público devem ser contabilizados por competência, e
os seus efeitos devem ser evidenciados nas Demonstrações Contábeis do exercício
financeiro com o qual se relacionam, complementarmente ao registro orçamentário das
receitas e das despesas públicas.