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Morfologia, Sintaxe e Semântica na Interpretação de Formações do Inconsciente

Christian Ingo Lenz Dunker


Universidade São Marcos, 1999

Resumo

O presente estudo pretende ressaltar a importância da distinção entre processos morfológicos, sintáticos e
semânticos na apreensão do chiste, entendido como modelo estrutural das formações do inconsciente.
Examina-se a partir do texto específico de Freud sobre o tema (Freud, 1905 a) a precisão conceitual das
noções de condensação e deslocamento, essenciais para a compreensão dos processos primários. Propõe-se
que diferentes formas retóricas são combinadas por Freud através da utilização de critérios heterogêneos
de classificação. O estudo termina pela apresentação de uma nova maneira de ordenar as formações de
chiste levando em conta as distinções antes apresentadas.

Palavras Chave: interpretação, chiste, retórica.

1. Figuras de Palavra

O caso mais típico de transformações no plano da palavra é o da chamada condensação com palavra
composta. Ele implica a colusão de dois significantes gerando um terceiro. É o caso de “familionário”,
neologismo referido à forma de hospitalidade com a qual certo tio rico recebe o sobrinho pobre na prosa de
Heine. A formação de empréstimo ou contaminação tem sua origem na alteração do significante previsto
pelo léxico, alteração que respeita os modos associativos previstos pela língua para a formação e
transformação diacrônica de palavras.
O caso da condensação (Verdichtung) é um exemplo típico da dificuldade definicional no livro dos
chistes. Ela designa ora omissão de sílabas com formação de substitutos (como em “familionário”), ora
omissão de frases como no caso do “Rote Fadian” 1 . Além disso encontramos a condensação utilizada
para designar o princípio de economia que deve reger o chiste, como em:

1 Ver capítulo sobre os processos semânticos para exposição do exemplo.


“Chegamos a este ponto uma vez, anteriormente, quando ainda esperávamos encontrar em todo
chiste o processo de condensação (…) (p.60)
Aqui condensação é sinônimo de compressão, ao modo da compressão de pensamentos oníricos que
origina o sonho. Com uma noção assim ampla de condensação como distingui-la, da técnica do duplo
sentido ? O próprio texto freudiano entra em contradição categorial neste aspecto como o comprova a
seguinte passagem:
“ Um dos primeiros atos do reino de Napoleão III foi, como sabemos, confiscar os bens da família
Orleans. Fez-se um belo jogo de palavras: ‘C’est le premier vol de l’aigle’ (o primeiro vôo/roubo da águia).
Porém este vol é um rapto: trata-se aqui, portanto, do duplo sentido da palavra vol. Para justificar esta
palavra vol significa ao mesmo tempo a ação de voar e furto. Não há ao mesmo tempo, condensação e
economia ?” (p.60)
Se estendemos o exame da noção de condensação para além do livro dos chistes, incluindo, por
exemplo, A Interpretação dos Sonhos (1900a) o espectro semântico do conceito amplia-se mais ainda. Por
exemplo, qual seria a diferença entre condensação e a figura de empréstimo, indicada por certas produções
oníricas ? A condensação envolvendo transformações morfológicas da palavra é uma coisa a hibridização
de imagens outra. É certo que nas formações inconscientes as representações-palavra são tratadas como se
fossem representações-coisa, mas isto não é o mesmo que tratar palavras como se fosse imagens. Irma,
personagem do sonho modelo da psicanálise 2 reúne simultaneamente, no modo como aparece figurada,
Ana, Sophie, Martha Freud e Mathilde Breuer; no entanto o significante que representa o conjunto é apenas
“Irma”. Os traços-imagens estão presentes diretamente na figuração destas mulheres, seus significantes, no
entanto estão em absentia e são produzidos pelo processo associativo, vale dizer interpretativo, de
apreensão do sonho.
Verificamos assim a primeira utilidade da aproximação entre processos formadores do simbolismo
no chiste e processos retóricos. É possível distinguir uma categoria, a formação de empréstimo, de um
princípio mais geral a condensação como processo primário (do qual esta é um caso particular).
Voltemos ao exemplo de “familionário”. Podemos notar que ele é produzido por dois movimentos
morfologicamente distintos. Por um lado supressão de fonemas de um significante seguido por adjunção
de fonemas restantes de outro significante.

FAMILIAR . MILIONÁRIO = FAMILIONÁRIO


supressão adjunção

2 Ver A Interpretação dos Sonhos (1900a) capítulo V.


Além disso a construção deste neologismo pode decorrer de uma única ocorrência ou da repetição
diferenciadora do significante em questão, como no caso de “Rote Fadian”. Temos então três casos
possíveis: supressão, adjunção e supressão + adjunção, que se subdividem conforme a ocorrência simples
ou repetida. A partir disso é possível delimitar os casos da técnica do chiste que envolvem transformação
morfológica.
Um caso de supressão e adjunção repetida está representado no seguinte exemplo:
“Um jovem boêmio reencontra um amigo que imediatamente nota em seu dedo a presença de uma
aliança. Diante disso o boêmio comenta: ‘Trauring aber Wahr’ “ (p.34)
Onde “Trauring” é um neologismo formado a partir de “Traurig” (triste) e “Ehering” (anel ou
aliança de casamento). A frase, no seu conjunto implica deformação de uma expressão idiomática:
“Traurig aber Wahr” (Triste mas verdadeiro).
Incluem-se neste grupo casos que Freud chamava de emprego do material com palavras inteiras e
seus compostos e emprego do material com pequena modificação.
Podem ocorrer casos de transformação morfológica do significante por supressão sem adjunção.
Inclui-se aqui o que Freud (p.46) denomina, duplo uso da palavra, com a segmentação de seus fonemas
componentes, ou seja, por escansão. Registre-se o seguinte caso:
“(…) quando Antikone (de Sófocles) foi encenada em Berlim, a crítica lamentou que faltasse à
encenação o adequado caráter de antiguidade. O espírito berlinense transformou a crítica nas seguintes
palavras: ‘Antik ? Oh nee.’ (Antigo ? Ah não)” (p.46)
O último caso que é preciso destacar corresponde a presença pura de adjunção sem supressão.
Quando isso ocorre de forma repetida encontramo-nos diante da figura retórica conhecida como
paranomásia ou aliteração. Freud a definia como um caso de “uso múltiplo do mesmo material”:
“(…) de modo a cobrir os casos em que a palavra (ou palavras) em que reside o chiste ocorre, uma
vez, inalterada, mas na segunda com leve modificação.” (p.48)
Como no exemplo do dito: “Traduttore-Tradiore” (Tradutor-traidor). Quando a segunda palavra
não encontra-se no léxico estamos diante de um trocadilho, como no dito “Amantes-amentes”.
Diante da ambiguidade de categorias como duplo sentido, jogo de palavras, uso múltiplo (com ou
sem modificação) e trocadilho, Freud indica o caminho para a compreensão das diferenças.
“Duplo sentido propriamente dito, ou jogo de palavras.(?) pode-se descrevê-lo como o caso ideal do
‘múltiplo uso’. Nenhuma violência é feita às palavras: não se as segmenta em sílabas separadas, não é
preciso sujeitá-las a modificações, nem se tem que transferi-las da esfera a que pertencem (a dos nomes
próprios por exemplo) a alguma outra. Exatamente como figuram na sentença, é possível, graças a certas
circunstâncias favoráveis, faze-las expressar dois significantes diferentes” (p.52)
A passagem começa imbricando três categorias: duplo sentido, jogo de palavras e uso múltiplo. O
duplo sentido comporta os subgrupos a) nome e a coisa por ele denotada b) significado literal e
metafórico, além de c) duplo sentido propriamente dito. Por que ? Não seriam estes subgrupos passíveis de
inclusão no grupo jogo de palavras ? Eles possuem, de fato dois sentido simultaneamente associados à
mesma “expressão verbal”. E qual seria então a diferença entre jogo de palavras e trocadilho, para além da
qualidade estética elevada do jogo de palavras e baixa no trocadilho 3 ?
A passagem em questão oferece outro ângulo de consideração. Ela opõe “violência da palavra” à
“figuração na sentença”, isto é, processos morfológicos e processos sintáticos. Por outro lado, nos casos
remanescentes de duplo sentido prefiguram-se o que isolamos sob a égide dos processos semânticos: o
nome e a coisa por ele denotada (metonímia) e significado literal e metafórico (metáfora). Portanto, dentro
de um mesmo grupo de chistes, e pelo próprio critério explicitado por Freud, encontramos três princípios
formais diferentes. Vejamos então como se pode rearticular as categorias freudianas antes de passar ao
exame dos processos sintáticos.

Princípio Chiste Forma Retórica

adjunção + supressão condensação formação de empréstimo


a) palavra composta neologismo
b) com modificações

adjunção uso múltiplo do material paranomásia


a) com pequena modificação assonância
b) Klangwitz rima
c) trocadilho aliteração

supressão duplo sentido síncope


a) jogo de palavras

emprego do material escansão


a) palavras inteiras e seus compostos

3“O trocadilhjo é apenas uma subvariedade do grupo cujo jogo de palavras constinua a ser o tipo mais elevado” (1905c, p67-
68).
2. Figuras de Construção

No domínio dos processos sintáticos interessam-nos menos a forma do significante e mais sua rede
de relações possíveis com outros significantes no interior de uma unidade mínima que não é mais o signo
(significante/significado), mas a sentença ou proposição. Aqui o chiste retira seus efeitos das
transformações posicionais e funcionais entre elementos considerados. É preciso notar que sempre o
significante será uma unidade relacional, definida por relações de diferença e oposição no interior de um
sistema ou estrutura. Historicamente, no entanto, a incorporação dos princípios estruturalistas à psicanálise,
notadamente a partir das pesquisas de Lacan, parece ter enfatizado as relações do significante no interior do
signo, em detrimento de suas relações sintática e semânticas. O trabalho de formalização pode assegurar
que estas últimas são de fato dedutíveis da primeira. No entanto isso nos informa sobre uma espécie de
princípio geral (como vimos em relação à condensação) deixando de lado, muitas vezes, distinções
clinicamente relevantes. Dizemos com isso que se as transformações sintáticas são de fato suficientes para
caracterizar a formação de chistes, isso implica que elas devem ser levadas em conta na apreensão e
formalização dos processos inconscientes.
As operações de supressão e adjunção são aplicáveis igualmente para entender os processos
sintáticos. A supressão significa elisão de um elemento da estrutura sintática, sujeito, verbo ou objeto, por
exemplo. A adjunção lê-se aqui como sucessão de funções conferidas ao significante em face de sua
reutilização sintagmática. Assim elipse e assíndeto são casos de supressão, antanáclase e a crase exemplos
de adjunção bem como a silepse é exemplo da combinação entre supressão e adjunção.
O que Freud chamava de “uso múltiplo do mesmo material”, como observou Todorov (1996, p.335)
responde à definição de antanáclase, isto é, repetição de uma mesma palavra, tomada em diferentes
sentidos, ou segundo diferentes concordâncias, como se nota no seguinte exemplo:
“O Sr. E a Sra. X vivem em grande estilo. Alguns pensam que o sr. X ganha muito dinheito e tem
dado pouco, outros porém, pensam que a esposa tem dado pouco, ganhando portanto muito dinheiro.”
(p.47)
A expressão “tem dado pouco” ao ser repetida diferencialmente produz um efeito de métrica que
promove a adjunção de um novo significado. Poderíamos incluir neste grupo a técnica do “emprego
múltiplo do mesmo material, no sentido pleno e vazio, como em:
“O ciúme (Eifersucht) é uma paixão (Leidenschaft)
que com avidez procura (mit Eifer sucht)
o que causa a dor (Leiden Schaft).” (p.50)
O dito “sentido pleno” não se refere ao sentido mais usual, no léxico, aferível por um dicionário e o
“sentido vazio” à sua utilização idiossincrática, como se o coletivo aferisse um sentido mais pleno que o
individual. Pelo contrário, o que a antanáclase faz e acrescentar um sentido ao exposto em primeira
instância 4 . O exemplo é redutível ao caso modificação de palavra (Antik ? Oh nee). A diferença reside na
forma de leitura. Em Eifersucht enfatizamos que a função do termo se transforma passando de sujeito
(ciúme) a predicado (procura com avidez).
Mais difícil seria encontrar um exemplo de pura supressão sintática na construção de um chiste.
Excluindo-se a elipse, que está presente em grande parte dos chistes (por alusão, por exemplo) é difícil
encontrarmos exemplos em que preserve-se no próprio interior da frase o lugar a ser ocupado por um
elemento sintático sem a sua correlativa presença. Podemos incluir nessa categoria o relato de um sonho
constante em A Interpretação dos Sonhos (1900a). Trata-se do sonho dos “serviços de amor”
(Liebesdienste); expressão que designa trabalho voluntário, não remunerado, expressão, semanticamente
não destituída de certa ambiguidade. No sonho uma senhora chega a um posto militar disposta a prestar
“serviços de amor”:
“Ela dirige sua proposta ao capitão médico, que depois de poucas palavras a compreende. O texto
de seu dito no sonho é: ‘Eu e muitas outras senhoras e jovens de Viena estamos dispostas a … os solados,
tropas e oficiais sem distinção’ (…) O capitão médico lhe responde ‘ Nobre senhora, suponha você no
caso, de fato, chegaria a … ? ‘ É igual aos outros, - ela replica. Ademais teria se que respeitar uma
condição: considerar a idade; que não seja uma mais velha … com um jovem. Seria terrível.” (p.162)
As obstruções do texto, marcadas pelas reticências são um exemplo notável da atuação da censura
onírica. Se consideramos o sonho como um chiste ele exemplifica a operação de supressão em termos
sintáticos. Quando lemos a primeira interrupção: “estamos dispostas a …” o lugar ocupado pelas
reticências prescreve a presença de um verbo e não de um sujeito ou um objeto. A interpretação da
obstrução depende desta condição prescrita pela sintaxe.
Vimos que é possível a repetição diferencial do termo na frase gerando a antanáclase (emprego
múltiplo), vimos também a presença de elipses indicando a supressão sintática, falta examinar o caso
lógico seguinte que teria que implicar supressão e ajunção; isto é, deveríamos esperar a presença
simultânea de um sentido (em elipse na frase) e de outro sentido, que se acresce a partir de uma suposição
implicativa. Teríamos assim uma sucessão de movimentos assim definida:
1. estrutura sintática suposta
2. sentido induzido pela elipse ou supressão
3. sentido aduzido pela transformação sintática

4 Um equivalente brasileiro, bem menos nobre, deste tipo de recurso técnico aparece no grafite popular:
“Eternamente
é ter na mente
éter na mente”
Estes movimentos são a muito conhecidos da retórica através da noção de silepse, onde uma palavra
admite no interior de uma frase diferentes funções simultaneamente, realizando, por exemplo, sua
concordância verbal ou nominal com um elemento em absentia. Ao contrário da anatanáclase onde estas
funções vão se sucedendo na silepse elas funcionam sincronicamente. Definição que converge com a classe
postulada por Freud de duplo sentido, especialmente os subgrupos nome próprio e nome de objeto e
“double entendre” (Zwedutligkeit). Ilustra-o o seguinte exemplo:
“Esta garota me lembra Dreyfuss 5 . O exército não acredita em sua inocência.” (p.56)
A palavra “inocência” admite grande variação contextual. O contexto sugerido para sua apreensão é
o jurídico (oposto de culpado), em face do caso Dreyfus. No entanto, este sentido está em elipse na
comparação com a moça, que ao que se saiba não enfrenta processo criminal algum. A concordância
portanto não se faz com este sentido mas com outro, que é sugerido pela supressão do primeiro. A
descrença na sua inocência torna-se a descrença na sua inocência sexual, combinando o juízo
recriminatório da primeira asserção ao juízo sexual da segunda. Fecha-se a silepse que no seu conjunto
implica em três movimentos e não dois, como a expressão “duplo sentido” sugere.
Podemos agora esboçar um quadro da vinculação dos processos sintáticos retóricos à tipologia
freudiana dos chistes:

Princípio Chiste Forma retórica


adjunção + supressão duplos sentido silepse
a) double entendre
b) equívoco

adjunção emprego múltiplo do material antanáclase


a) em ordem diferente
b) no sentido pleno e vazio
c) com palavras inteiras e
seus compostos
supressão elipse

5Militar francês condenado por espionagem, no incío do século, sem as provas jurídicas necessárias e aparentemente motivado
pelo anti-semitismo vigorante nos círculos militares franceses.
3. Tropos: Metáfora, Metonímia e Sinédoque

Designar o último grupo de técnicas do chiste de palavra como tributários de processos semânticos
implica em duas dificuldades iniciais. Em primeiro lugar a análise das técnicas precedentes depende
também da semântica. Por outro lado seria preciso justificar porque e em que condições seria possível
precisar a diferença destes para com aqueles.
Uma solução preliminar para este ponto implicaria observar que as figuras de construção e as
figuras de palavra parecem depender de processos muito mais diretamente ligados ao funcionamento da
língua, ao passo que a metáfora e os demais tropos parecem mais próximos do campo da fala. Isso quer
dizer que conhecendo a história de uma determinada língua (diacronia) podemos reconhecer os princípios
transformacionais que regem alterações significantes e sintáticas 6 . Deste modo, poderia-se notar como
estes princípios são reencontrados nas técnicas de construção e de palavra, isolando-se assim a estrutura
que os rege. O caso da metáfora, e dos outros processos semânticos, parece, de outro modo, muito mais
sensível ao contexto de uso da língua para que se encontre sua legitimação. O que era uma metáfora ontem
pode não sê-lo mais hoje. Metáforas envelhecem, se incorporam ao léxico 7 , se literalizam, ao contrário de
silepses ou contaminações. Isto é, não se pode apreender uma metáfora sem apreender correlativamente o
universo cultural onde ela se desenvolve, legitima ou desaparece. A não ser que se postule uma noção tão
abrangente de metáfora que esta se identifique com a própria linguagem. Neste caso a concepção torna-se
tão verdadeira quanto inútil. Não permite que se possa reconhecer, diante de um ato linguístico concreto se
estamos ou não diante de uma metáfora.
Outra dificuldade reside na própria complexidade e extensão do debate que cerca a definição dos
processos semânticos e em particular a noção de metáfora, dentro da psicanálise, mas também na
linguística, semiótica, filosofia e crítica literária. A noção de metáfora parece ser a questão chave de onde
se pode decidir, por exemplo, a que teoria do simbólico se está aderido, qual a concepção da relação entre
inconsciente e linguagem se está adotando e coextensivamente a legitimidade do modo interpretativo que
se emprega, tanto clinicamente como em psicanálise aplicada.
Freud descreve apenas um exemplo para o caso de chiste de duplo sentido com significado
metafórico e literal, onde se poderia apreender a noção de metáfora por ele empregada. Trata-se do caso de
um médico, que certa vez, dirigindo-se ao dramaturgo Arthur Schnitzler comenta:

6 Uma exemplificação curiosa disto se encontra no caso da Sra. Hélen Smith, a vidente de Prevorst que afirmava falar marciano
e sânscrito durante suas incorporações mediunicas. Analisado por Saussure e Flornoy o marciano mostrou-se de fato uma
derivação neológica do francês, uma vez que preservava sua estrutura sintática e atinha-se aos princípios de transformação
fonêmicas desta língua. Dificuldade intrasnponível foi encontrada quando a questão era saber se uma palavra era empregada em
sentido metafórico, posto que não se dispunha da comunidade de falantes que a legitimasse como tal (Todorov, 1996, p. 353).
7 Derrida (1996), por exemplo, defende a tese de que todo o vocabulário filosófico depende, em última instância de literalizações
de metáforas, esquecidas enquanto tais.
“Não me surpreendo que você tenha se tornado um grande escritor. Afinal seu pai foi um espelho
para seus contemporâneos” (p.52)
O chiste exige grande contextualização para ser interpretado. O pai do dramaturgo fora um médico
famoso, conhecido pela invenção do laringoscópio, instrumento virtualmente composto por um espelho
para examinar a laringe. Ao dizer que o pai fora um espelho para seus contemporâneos o chiste efetua um
transporte, analogia ou comparação entre os predicados deste invento e os predicados aplicáveis ao pai. A
definição de metáfora depende da forma como se considera a proporção estabelecida entre estes
predicados. O problema é que não se pode estabelecer preliminarmente quais são os predicados possíveis
de um termo levando-se em conta simplesmente o léxico de uma linguagem.
Isso explicaria porque, historicamente, o conceito de metáfora se mostra isomórfico à ontologia que
subjaz o projeto filosófico onde este é proposto. Por exemplo, em Aritóteles o ser se organiza
definicionalmente, vale dizer na linguagem, a partir da relação gênero-espécie. . Sua concepção de
metáfora reza que esta se dá por deslocamentos de predicados ligados ao gênero para espécie, ou da espécie
para o gênero, ou da espécie para espécie (Eco, 1991, p.158). Aristóteles emprega o termo methaforein que
reúne tanto o que hoje chamaríamos de metonímia, quanto sinédoque além da metáfora propriamente dita.
Formou-se uma extensa tradição que compreende a metáfora sempre a partir de uma rede de predicações
que se apóia no gênero ou espécie ao qual o termo efetivamente pertence. Mas como dizer que exista algo
universal que de fato garanta esta relação de predicação ?
A relatividade de que estamos falando nos parece demonstrada pelos estudos antropológicos de
Levi-Strauss (1994) acerca do pensamento classificatório de certos povos indígenas. Ela é ilustrada pelo
clássico exemplo da enciclopédia chinesa descrita por Borges, segundo a qual os animais (gênero) se
dividem em:
“a) pertencentes ao imperador, b) embalsamados, c) domesticados, d) leitões, e) sereias, f)
fabulosos, g) cães em liberdade, h) incluídos na presente classificação, i) que se agitam como loucos, j)
inumeráveis, k) desenhados com um pincel muito fino de pêlo de camelo, l) etc, m) que acabem de quebrar
a bilha, n) que de longe parecem moscas”
Tal classificação se parece mais com uma associação livre do que com uma ordenada inclusão de
espécies ao gênero por algum motivo articulador. Ela nos traz predicados não dicionarizáveis mas postos
na forma de uma enciclopédia dependente portanto de forças culturais que fixam sua agregação, seleção e
consequente exclusão de outros predicáveis. Vale dizer uma fixação temporal do que adquire valor de
metáfora.
Mas continuemos na trilha aristotélica de modo a verificar se não há conciliação possível entre as
duas perspectivas. Três formas de metáfora podem ser pensadas a partir dos lugares necessários para que
ocorra conexão entre predicados. No primeiro caso trata-se de transporte do gênero para a espécie ou da
espécie ao gênero, ou seja, uma operação de sinonímia irregular. Inclui-se aqui a sinédoque
(generalizadora ou particularizadora) conforme tomemos o conjunto pelo elemento (animal por homem,
por exemplo) ou o elemento pelo conjunto (as velas pelo navio). Esta relação pode ser ilustrada da seguinte
maneira:

Na segunda possibilidade pensa-se o transporte de predicados como uma operação a três termos.
Tem se em mente o compartilhar de propriedades contíguas de dois gêneros formando uma região de
intercecção (um terceiro conjunto). É o caso do chiste:
“Aquele professor não é uma luz mas um verdadeiro candelabro.”
Onde “candelabro” indica conjunto de velas ou luzes, acentuando seu valor de representante da
sabedoria:

sabedoria luz multiplicada

sabedoria multiplicada
A produção do sentido atribui-se a elisão ou supressão dos nexos associativos dos predicados dos
termos componentes (luz e candelabro) com ênfase nas propriedades comuns a ambos que em adjunção
formam o novo sentido. Eco (p.153) observou a similaridade deste processo com a condensação. Em
termos metapsicológicos a tese é plausível uma vez que Freud define a condensação como transferência
de catexias de duas representações para uma terceira. Como se trata de um processo primário deve-se notar
que permanecem ligadas, às representações desinvestidas, outros nexos associativos possíveis em face das
catexias pré-conscientes (ou contra-catexias). O que se ajusta ao fato de que nesta forma de transporte não
são todos os nexos associativos que perdem sua capacidade de ligação mas apenas aqueles ligados à série
do desejo recalcado.
O mesmo movimento se atesta na interpretação freudiana da figura mitológica da medusa (Freud,
1940c). A cabeça decapitada da Medusa propõe a equação decapitar = castrar, pois ambos se identificam
no mesmo gênero (cortar). Mas isso reduziria a interpretação freudiana a uma estrutura de sinédoque. A
sequencia do texto relativiza este juízo. Freud analisa outros predicados da Medusa: a cabeça repleta de
serpentes, seu olhar petrificante, seu poder evocatório de horror. A proliferação de símbolos do pênis
(serpentes) é então associada à castração. Assim, o excesso indica paradoxalmente a falta, isto é, o
predicado é representado precisamente por aquilo que o nega. Isso não se pode atribuir à teoria filológica
que Freud empresta a Abel, onde as palavras em sua origem significariam o contrário (a antítese) do que
hoje significam 8 , mas justamente a presença da diferença de predicados no interior da identidade. Em
última instância é o retorno da aparentemente contraditória proposição de Porfírio, de que um predicado
possa ser específico pela diferença que mantém para com o gênero onde se inclui.
Ocorre que há certas metáforas que melhor se ajustam à uma proporção efetivada entre quanto
lugares, onde a conexidade não se dá por inclusão ou exclusão nem por compartilhamento de predicados.
“Não é mais A/C = C/B (o cume está para o gênero ponteagudo assim como o está o dente), mas
A/B = C/D.” (Eco, 1991, p.154)
Aqui o que se conjuga para produzir o tropo não é o transporte de uma propriedade ligada a um
significante para outro significante, o que se desloca é a própria valência predicativa de cada significante.
Entendemos por valência predicativa a possibilidade combinatória a que um significante está sujeito no
interior de uma rede enciclopédica, não dicionarizável. O caso da enciclopédia chinesa exemplifica a idéia.
Podemos dizer que quando uma metáfora se forma ocorre um desequilíbrio na valência de um significante
que deve encontrar o predicado que a estabilize. Ora este predicado não se encontra no outro signo, com o
qual o primeiro é posto em proporção, mas é encontrado ou produzido pelo processo associativo que parte
de cada um dos significantes. Ele se efetiva em absentia em relação ao enunciado e por isso torna a
metáfora interpretável. Aqui, mais do que em outros casos, a metáfora corresponde ao reconhecimento de
semelhanças e diferenças ou o reconhecimento de diferenças entre semelhantes.
Mas o que torna possível o reconhecimento destas diferenças e semelhanças ? O caminho tomado
pela retórica clássica, em resposta a esta questão, está repleto de teses que tornam essas diferenças e
semelhanças necessárias e não contingentes, motivadas e não arbitrárias. Reúne-se aqui ontologia e teoria
do simbolismo para sustentar o edifício compreensivo sobre a metáfora. Isso tem por consequencia desligar
a produção da metáfora do desejo que lhe seria subjacente. Com isso exclui-se a importência de uma teoria
do sujeito para pensar a metáfora. Note-se que é a partir disso que se poderá discernir, sem hesitação, o que
é metáfora e o que é linguagem em “estado normal”, a denotação da conotação, a língua impura da língua
pura. O ganho em termos epistemológicos, desta separação, não é, como se sabe, desprezível. É a partir
desta distinção que se pode separar também a brincadeira (o chiste, por exemplo) da fala séria.

8 Por exemplo, “altus” em latim significa poço, algo justamente “baixo” por definição. Ver para isso Freud (1910e).
O reconhecimento de que não há nenhuma necessidade natural para agregar significantes em sua
identidade e diferença ou em continguidade e similaridade, nos coloca diretamente na difícil tarefa
metodológica de organizar critérios de classificação que regem as trocas linguísticas. Em outras
palavras somos levados a afirmar o caráter temporal, cultural e social da instituição de um dito como
metafórico.
A transformação desses sistemas temporais constitutivos das metáforas, em códigos transcendentais
e supra culturais, isto é, redes fixas de analogias que sedimentam significado, significação e discurso é o
que chamamos, em outros lugar (Dunker, 1996a) de alegorias. Sua preservação ao longo do tempo se deve
a motivos políticos e éticos e não a justificativas epistêmicas ou necessidades linguísticas. Interpretar, nesta
vertente alegórica, é revelar o sentido já dado, prescrito por uma rede de legitimação de diferenças e
identidades onde as relações gênero-espécie não são paradoxais.
Mas voltemos à metáfora como proporção. Vimos que ela estabelece uma comparação onde são
trocadas propriedades relacionais dos termos envolvidos. Para compreender e interpretar tal troca é
necessário entender como o contexto associativo funciona. Isso pode ser feito pelo que Eco (1991)
denomina de árvore de Porfírio.
Porfírio, comentador medieval de Aristóteles, fez grandes contribuições ao problema dos
predicados, notadamente no campo da lógica e da gramática. Ao conjunto de quatro predicados possíveis
assinalados pelo estagirita, a saber: gênero, próprio, definição e acidente, Porfírio acrescentou um quinto: a
diferença. A noção de predicável, guarda proximidades com o que chamamos de valência do significante
ou representação (em termos freudianos). Literalmente o predicado é possível desde que haja sujeito (em
termos gramaticais). O que ressoa com a definição que Lacan dá do significante, isto é, aquilo que
representa um sujeito para outro significante. Sujeito aqui pode ser entendido em sua etimologia de sub-
jectum, ou seja o que está lançado sob, submetido à. Os predicáveis aristotélicos estão nitidamente
orientados para permitir o estabelecimento de identidades e excluir diferenças, isto é, para permitir dizer do
que é, que é; legitimando assim ciência ou conhecimento. O que se ilustraria por uma árvore definicional
do seguinte tipo:
Ser

corpóreo incorpóreo

animado inanimado

sensível insensível
Uma árvore deste tipo possui o que se pode chamar, nos termos de Eco (1991), uma estrutura de
dicionário, pois não prescreve variações de uso contextual, e afirma conjuntos que legitimam inclusões
sucessivas e que tendem ao fechamento. Sistemas alegóricos e suas interpretações derivadas de estruturas
dicionariais como esta excluem a possibilidade de articulação dos termos por diferenças, Seria de fato um
paradoxo dizer que algo se associa com outra coisa por lhe ser diferente. Enfatizemos que diferença aqui
não se reduz à oposição ou contradição.
Árvores de Porfírio, ao contrário, assemelham-se mais a enciclopédias, isto é, sistemas de
articulação abertos, onde o valor dos termos dependem do contexto de uso ou da posição no universo de
linguagem que se isola como contexto. Neste caso a metáfora pode ser pensada como uma zona de contato
entre uma estrutura de dicionário, que tende a identidade, e uma estrutura de enciclopédia, que tende a
diferença. Zona onde ocorre a transferência ou troca não entre os predicados, mas de suas possibilidades
associativas. Vejamos como isso se dá a partir do exemplo sugerido por Eco (1991, p. 178), que toma como
ponto de partida para a construção de uma árvore de Porfírio as quatro causas aristotélicas (destituídas de
sua conotação metafísica e utilizadas apenas como exemplo operativo). Assim os significantes envolvidos
na metáfora se desmembram nesta série:

E causa eficiente F causa formal M causa material S causa final


(como é produzido) (qual o aspecto) (do que é feito) (para que serve)

Suponhamos que a metáfora em questão seja “um espelho para seus contemporâneos”.
Examinemos os predicáveis envolvidos:

Significantes Quem produziu ? Forma ? Composição ? Utilidade ?

espelho o homem retangular vidro reflexão


o dono na vidraçaria oval inorgânico adornar a parede

Dr. Schnitzer o homem humanóide orgânica curar pessoas


os pais do Dr. Schnitzer envelhecida carne servir de exemplo

Vê-se que a proporção entre propriedades se dá um torno da finalidade: o espelho está para
reflexão assim como o Dr. Schnitzer está para curar pessoas e ser um exemplo para sua época. Se se
tratasse de uma metonímia diríamos que o espelho está para a reflexão assim como a reflexão está para o
Dr. Schnitzer Ocorre que assim a metáfora não possui nenhum efeito chistoso, este decorre de propriedades
indiretamente ligadas à reflexão ótica, isto é, mais distantes na árvore de Porfírio, a saber sua associação
com “reflexão” no sentido de exemplo, imagem ao qual se está aderido ou procura-se espelhar. O chiste
efetua uma reduplicação de uma metáfora banal graças ao contexto biográfico que permite tal escolha de
predicados. Retomando-se o exemplo do “professor como candelabro” constata-se que ele efetua uma
reduplicação de uma metáfora banal: luz por sabedoria. Assim a metáfora a quatro termos subsume a
metonímia (três termos) e a sinédoque (dois termos).
Vejamos como esta teoria se comporta diante de um chiste preciso. Trata-se de um comentário
crítico sobre um determinado escritor ruivo que dedicava-se à tediosa ensaística sobre as relações entre
Napoleão I e a Áustria. O comentário crítico é o seguinte:
“Esse não é aquele roter Fadian (vermelho estúpido) que se estende sobre a história dos
Napoleônidas ?”
Assim apresentado e traduzido a frase não revela qualquer efeito chistoso, ela simplesmente não é
um chiste mas uma afirmação algo preconceituosa e violenta contra o escritor. Ocorre que o comentário
conjuga um juízo crítico com uma citação, ele exige um trabalho de interpretação ou decifração para ser
lido como um chiste.
A citação refere-se à expressão “rote Faden” (fio vermelho), utilizada por Goethe ao descrever o fio
de afeição e dependência que atravessa o diário de Otilie no livro Afinidades Eletivas. Mas também no
caso de Goethe trata-se de uma citação, a saber, sobre a prática da Armada inglesa de construir o cordame
de seus navios introduzindo um fio vermelho (rote Faden) no seu interior de forma que não seria possível
extraí-lo sem desfazer toda a corda. Assim Goethe toma este fio como representação dos laços (fios) de
afeição e dependência que ao mesmo tempo unem os pontos do diário de Otilie e o caracterizam em seu
conjunto. Mas nisso se poderia registrar outros dois deslocamentos semânticos: o laço como metáfora da
relação amorosa e a própria prática da Armada inglesa que tinha por fim representar a pertença do navio ao
império britânico. Fica apresentada assim a vertente alusiva que compõe intrincecamente o chiste ao
associar a exaustiva prosa do escritor à impossibilidade de decompô-la em seus acontecimentos essenciais.
Passemos à análise retórica do chiste. Incialmente ocorre uma sinédoque que faz um predicado,
ruivo, representa a espécie em sua totalidade. O escritor é reconhecido integralmente a partir desta
qualidade. Uma relação de inclusão a dois termos.
O segundo momento corresponde à indução de uma questão no enunciado, que leva seu leitor a
perguntar se de fato o que ele apreendeu neste primeiro momento é suficiente. Isto depende das condições
de enunciação, do chiste como processo social e não pode ser deduzido da frase isoladamente. As
condições de enunciação, que não nos fazem esperar um juízo de tal forma violento a partir deste sujeito
específico, induzem um desequilíbrio na valência significante dos termos envolvidos. Isto põe os signos, a
frase e o discurso em questão sob suspeita. Movimento que se registra na forma de uma escansão temporal,
própria do movimento interpretativo e na indução do processo associativo como resposta ao enigma. Esse
enigma pode ser representado desta maneira:

roter Fadian . Fedian, Fade, Faden, Ferdinand … n


__________ _____________________________

estúpido, tedioso, ?
obtuso, insípido … n

O problema é saber qual o predicado que diante da variação significante se ajusta à proporção
intencionada pela metáfora. Ilustra-se assim a diferença entre as associações segundo uma árvore de tipo
Aristotélica, que procura a identidade entre os predicados do significante e uma associação regida pela
forma enciclopédica, ou seja, por uma árvore de tipo Porfírio, que trabalha com o predicado da diferença.
Se encontrássemos um significante que se ajustasse diretamente aos significados associados a “roter
Fadian” estaríamos diante de uma metonímia. Ou seja uma proporção a três termos:

rote Fadian . ?
___________ ______________

estúpido, tedioso, estúpido, tedioso,


insípido, obtuso … n insípido, obtuso … n

Suponhamos, apenas com o fito de ilustrar a tese, que roter Fadian seja o nome técnico de uma cor
para pintura, assim como Amarelo Canário ou Azul Cobalto. Acrescentaríamos assim o Vermelho Estúpido
em nossa paleta imaginária. Suponhamos em seguida que esta seja a cor predileta de nosso escritor.
Teríamos então produzido um chiste de estrutura metonímica. O escritor está para a estupidez assim como
a estupidez está para o vermelho.
Finalmente se atentássemos apenas para os predicados possíveis de nosso escritor e procurássemos
aqueles que o poderiam representar integralmente, conferindo-lhe identidade poderíamos transformar a
expressão em uma sinédoque:
o escritor dos ensaios sobre Napoleão I
_______________________________

quem produziu ? a cultura vienense da virada do século, o jornal que o emprega … n


forma ? alto, baixo, envelhecido, ruivo … n
composição ? substância entediante, amorfa, insípida, Fadian … n
finalidade ? informar, divertir, fazer refletir … n

Temos então dois predicados que representam todos os outros aos quais o escritor se encontra
ligado compondo uma espécie de caricatura deste. Os outros predicados possíveis ficam assim suprimidos.
Vemos que a maioria dos chiste que tomam por objeto grupos étnicos, religiosos ou nacionalidades tomam
como ponto de partida sidédoques particularizadoras que eventualmente evoluem para metonímias e
metáforas.
É possível concluir o quadro de aproximação entre processos retóricos e técnicas de chiste do
seguinte modo:

Princípio Chiste Forma Retórica

adjunção + supressão duplo sentido metáfora


a) sentido metafórico e literal

supressão duplo sentido sinédoque


a) nome próprio e nome de
objeto

adjunção duplo sentido metonímia


a) com alusão
Bibliografia

Dunker, C. - Lacan e a Clínica da Interpretação, Hacker/Cespuc, São Paulo, 1996a.


Eco, U. - Semiótica e Filosofia da Linguagem, Ática, São Paulo, 1991
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- (1901b) Psicopatologia da Vida Cotidiana
- (1905c) O Chiste e sua Relação com o Inconsciente
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Lacan, J. - - (1953a) Função e Campo da Palavra e da Linguagem em Psicanálise
- (1958b) Direção da Cura e os Princípios de seu Poder
- (1958c) Instância da letra no inconsciente ou a razão desde Freud
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Todorov, T. - Os Gêneros do Discurso, Martins Fontes, São Paulo, 1980.

- Teorias do Símbolo, Papirus, Campinas, 1988

Christian Ingo Lenz Dunker


Programa de Pós Graduação em Psicologia
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