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Disponibilização: Liz

Tradução: Andréa, Regina, Cristina, Margarida, Monica


Revisão: Fabi
Leitura Final: Eliza
Conferencia Liz
Formatação: Eva
Como começar um ótimo verão nos Hamptons:
Procure um lindo apartamento de aluguel na praia. Checado.
Conseguir um emprego em um local badalado de verão. Checado.
Como estragar um ótimo verão nos Hamptons:
Apaixone-se pelo único cara com uma jaqueta de couro escura, a testa
franzida e olhos intensos que não combinam com o resto da multidão, que
parece moderna. Um cara que você não pode ter quando for embora ao final
da temporada.
Checado. Checado. Checado.
Devo acrescentar - especialmente quando o cara é seu chefe sexy e tatuado.
Especialmente quando ele não só possui o seu local de trabalho, mas herdou
metade da cidade.
Especialmente quando ele é mau para você.
Ou então eu pensava.
Até que uma noite, quando ele exige que eu entre em seu carro para que
possa me levar para casa, porque ele não me quer andando no escuro.
Foi assim que tudo começou com o Rush.
E então, pouco a pouco, algumas das paredes deste homem começaram a
cair.
Nunca esperei que nós dois, aparentemente tão diferentes um do outro, nos
entendêssemos tão bem.
Não deveria me apaixonar pelo herdeiro rebelde, especialmente quando ele
deixa claro que não quer cruzar a linha comigo.
Quando a temperatura fica mais fria, as noites ficam mais quentes. Meu verão
fica muito mais interessante e complicado.
Todas as coisas boas devem chegar ao fim, certo?

Exceto que nosso final foi um que não vi chegando.


Capítulo 1

“Eu nunca tive um sex on the beach1, ainda mais fazer um.”

“Existem dois outros bartenders. Eles podem ajudar você a


fazer o que não sabe. Por favorrrr. A bolsa da minha irmã acaba
de romper e quero dirigir de volta a Nova Jersey esta noite para
evitar o trânsito matinal. Eu te devo uma.” Sei que Riley faz bico
através do telefone.

“Mas vou escrever hoje à noite.”

“Você não foi para a praia hoje porque ia escrever o dia


todo. Quantas palavras você escreveu até agora?”

Olho para o meu laptop. Sete. Escrevi sete malditas


palavras hoje. “Mais do que ontem.” Infelizmente, essa é a
verdade. “Mas estou em um rolo.”

“Bem, por favor. É uma emergência ou eu não pediria.”

Bufo “Tudo bem.”

Riley grita. “Obrigada! Oh! E use algo decotado para


mostrar aquelas suas grandes mamas. Ninguém se importará se
você não souber como fazer uma bebida com o que está à
mostra.”

1 Drink feito com vodka, licor de pêssego e suco de laranja e de cranberry e gelo
“Adeus, Riley.”

Olho no espelho. Meu cabelo escuro está em um coque


bagunçado no topo da cabeça. Não tenho maquiagem e já troquei
minhas lentes de contato por óculos, que escondem meus
cansados olhos azuis. Suspiro. Pelo menos tomei banho hoje.

Minha colega de quarto, Riley, é bartender em um dos


bares badalados de Hampton, perto da praia. É o tipo de lugar
que os caras ricos esnobes e yuppies, usam polos com pequenos
cavalos bordados nelas e mocassins sem meia. As mulheres são
todas magras e exibem uma pele excessiva e perfeitamente
bronzeada. Depois do último encontro que tive com um cara,
definitivamente não estou procurando atrair atenção. Coloco um
pouco de rímel, solto meu cabelo do coque e não me preocupo em
colocar minhas lentes de contato de volta. Bom o suficiente.

O estacionamento no The Heights2 está lotado. O lugar tem


um bar na cobertura. Daí o nome. As pessoas estão fumando na
frente e a música de dentro soa tão alto que as janelas vibram.
Lembro-me da vez em que vim que tem três bares... no telhado,
um dentro e um fora no deck que dá para a praia. Há também
um restaurante adjacente que parece ser popular, antes da
multidão do bar assumir. Não tenho certeza de onde minha
colega de quarto está trabalhando hoje à noite.

Um homem gigante abre a porta quando me aproximo,


então verifico primeiro o interior. Riley me vê imediatamente.
Gritando, ela acena com as duas mãos no ar atrás do bar, em
seguida, as coloca em conchas em torno da boca. “Volte. Vou te
dar um passeio rápido.” Eu ando até o final do longo bar e levanto
o topo articulado para acesso.

“Esta é Carly.” Ela aponta para uma ruiva usando tranças


e uma blusa curta. A mulher acena. “Ela trabalha no bar externo

2 Nas alturas.
com Michael. Acaba de aparecer para roubar alguns dos nossos
copos, porque não tem estoque o suficiente em seu próprio bar.”

Carly dá de ombros antes de levantar uma caixa e grita


sobre a música. “Estou sempre atrasada.”

Riley aponta para uma garota loira mais baixa que faz a
roupa minúscula de Carly parecer respeitosa. Por um segundo,
me arrependo de não ter me transformado em algo um pouco
melhor ou, pelo menos, me arrumado um pouco. “E essa é Tia.
Ela trabalha na metade esquerda do bar interno. Eu trabalho na
direita.”

Tia acena.

Riley bate as unhas no topo de uma fileira de torneiras.


“OK. Então temos Bud, Stella, Corona, Heineken, Amstel e
Lighthouse Ale, que é uma cerveja local. Empurre a cerveja local
se disserem para você escolher uma.

“Entendi.” Balanço a cabeça.

Ela se vira para as prateleiras espelhadas atrás de nós.


“Está tudo na prateleira de cima. As coisas mais populares -
Vodka, Jack Daniels, Rum, Fireball, Tequila - estão estocadas no
lado esquerdo e direito do bar, para que não fiquemos nos
batendo tanto.” Ela aponta para baixo do bar. “Copos, xaropes,
pias e refrigeradores para cerveja engarrafada estão todos aqui
embaixo. No topo do cooler vermelho, há um livro laminado que
lhe dá os ingredientes para qualquer coquetel que você não saiba
como fazer.”

“Refrigerador vermelho. Entendi.”

Ela bate o dedo no lábio. “O que mais? Oh. Se alguém lhe


der algum problema, assobie e Oak cuidará disso.”

“Oak?”
Ela aponta para o homem enorme da porta da frente, que
passei no caminho. “O segurança. Não sei o nome real dele. Todo
mundo apenas o chama de Oak3. Suponho que é porque ele tem
a constituição de uma árvore. É o segurança e o gerente
substituto quando o dono não está por perto.” Riley tira a bolsa
debaixo do balcão e coloca a alça no ombro. “Que, sorte para mim
e para você, ele não deve estar hoje à noite. Ele iria surtar se
soubesse que deixei alguém sem experiência atrás do bar.”

Meus olhos se arregalam. “Ele não deve estar hoje à noite?


O que acontece se ele aparecer?”

“Relaxe. O rico idiota está na cidade para uma reunião do


conselho hoje. Não vai aparecer.”

Riley beija minha bochecha e sai correndo pela porta. Ela


grita por cima do ombro: “Obrigada por fazer isso. Eu te devo
uma.”

Meus primeiros clientes pedem cerveja. Além de espuma


extra porque ainda não dominei a arte de servir, ninguém parece
ser o mais sábio - isto é, até que um grupo de quatro mulheres
se aproxima.

“Quero um Cosmo.”

“Eu uma Paloma.”

“Eu vou querer um Moscow Mule.”

Um o quê?

“Eu vou querer uma Corona, por favor.”

Pelo menos a que tem boas maneiras não está estragando


sua bebida. Derramo a Corona, balanço um Cosmo - já que é o
meu favorito, realmente sei como fazer isso - e então começo a
folhear o livro de mixagem de bebidas que está no topo do cooler

3 Árvore carvalho.
vermelho. Só que... não tem receita para um Moscow Mule ou
uma Paloma. Vou até Tia.

“Ei... o que é um Moscow Mule?”

“Sério? Nunca me pediram para fazer um, mas acho que


são duas doses de vodka, quatro doses de cerveja de gengibre e
suco de limão.”

“Obrigada. E que tal uma Paloma?”

“Quem diabos você está servindo?” Ela ri. – “Duas doses de


tequila, sete de soda de grapefruit e suco de limão. As estranhas
bebidas misturadas, como a cerveja de gengibre e o refrigerante
de grapefruit, estão no fundo do cooler. Você terá que procurar.”

“Entendi. Obrigada.”

Caminhando de volta para o outro lado do bar, paro para


repor uma cerveja e entrego para alguém. A música é tão
barulhenta e perturbadora e estou me sentindo um pouco
sobrecarregada, então quando pego os copos e começo a fazer as
bebidas das mulheres, não tenho certeza se me lembro
corretamente.

É ginger ale, cerveja, vodka e limão? Olho para o outro lado


do bar. Tia tem um agitador em uma mão e a outra está servindo
uma cerveja. O bar também está começando a encher.

“Você esqueceu as nossas bebidas?” A Moscow Mule tem


uma atitude.

“É para já.” E não me culpe se tiver gosto de lixo.

Preparo minha melhor imitação dos coquetéis estúpidos e


coloco os dois em um copo caprichado. Tudo parece melhor em
um copo chique de qualquer maneira. Depois que entrego para
elas, mudo para o próximo cliente.

“Eu vou tomar um Mudslide,” diz o cara com a polo rosa


pastel.
“Umm. Ok.” Olho para Tia. Ela ainda está ocupada. Não
posso interrompê-la com todos os clientes. “Isso é com Kahlua,
certo?”

O cara me dá uma olhada. O que há com todos neste lugar?


“Talvez você deva conseguir um emprego na loja de sorvetes no
quarteirão, se você não sabe como fazer um Mudslide.”

“Talvez você deva beber cerveja em vez de uma bebida


feminina,” respondo.

“É para a minha namorada. Não que isso seja da sua


conta.”

“Oh.”

Ando até o livro de receitas. Por que essas coisas não estão
em ordem alfabética? O Mudslide é o penúltimo. Vodka, Bailey’s
Irish Cream, Kahlua, Leite - tudo em partes iguais.

Dois outros clientes pedem suas bebidas enquanto misturo


o coquetel. Preciso aprender a não fazer contato visual até estar
pronta para fazer o próximo pedido. Por causa das interrupções,
eu inadvertidamente coloco o Bailey duas vezes e esqueço o leite.

Enquanto entrego o drink Mudslide para o cara, o quarteto


de mulheres que servi volta ao bar. Eles abrem caminho para
frente e batem dois copos no bar. O líquido das bebidas espirra
por todo o lado.

“Isso não está certo. Não sei o que você colocou neles, mas
têm um gosto horrível.”

“OK. Dê-me um minuto e eu vou refazê-los para você.”

A mulher na vanguarda da brigada de cadela revira os


olhos.

Levo a nota de vinte dólares do cara do Mudslide até o


registro e retorno com seus cinco dólares de troco. Quinze
dólares. Que roubo.
“Aqui está.”

O cara tem um bigode de leite enquanto abaixa o que eu


acabei de preparar. “Isso não está certo também. Você sabe o que
diabos você está fazendo aí atrás?”

“Não!” Grito de volta em defesa. “Estou ajudando uma


amiga. Você não precisa ser tão rude. Estou fazendo o meu
melhor.”

Levo meu tempo refazendo todas às três bebidas e tenho os


esnobes clientes testando-os desta vez antes de ir embora. Sinto
alguém me observando do final do bar, mas tenho trabalho a
fazer.

Não é até que termino de cuidar de mais dois clientes, que


dou uma rápida olhada nos olhos que sinto em mim. Faço um
duplo exame. Esse cara é deslumbrante. Lindo de morrer, mas
também se destaca como um pitbull entre um mar de poodles.
Jaqueta de motoqueiro de couro preto, pele morena pelo sol,
barba no rosto, cabelos loiros que se espalham de um jeito
bagunçado, que parece que ele acabou de fazer sexo. Realmente
sexo bom. Meus olhos ficam presos com os dele, um verde
profundo e seu olhar intenso me deixa nervosa. “Já falo com
você.”

Ele assente uma vez.

Depois que termino com o cara ao lado dele, volto minha


atenção para o rebelde no meio de um mar de trajes polo pastel.

“O que posso fazer por você?”

“O que você sabe fazer?” Deus, a voz combina com seu


rosto. Sexy, profunda e intensa.

Aparentemente, ele está sentado por um bom tempo e


descobriu que eu não sou a melhor bartender. “Cerveja,” sorri.
“Eu sei servir uma cerveja.”
Tenho um vislumbre de uma contração do lábio - penso.
“O proprietário percebeu quando te contratou, que você só sabe
uma receita de bebida?”

“Na verdade, ele não me contratou exatamente. Estou


cobrindo uma amiga e honestamente, não tenho a menor ideia
do que estou fazendo. Acho que talvez até tenha dado ao último
cara o troco errado.”

O cara está quieto. Parece estar me estudando e isso me


deixa desconfortável. Não conheço muitos fodões reais e esse cara
é claramente um valentão.

“Então... o que posso fazer por você?”

Em vez de responder, ele se levanta e tira a jaqueta de


couro. Engulo em seco, dando uma olhada nos músculos
salientes da camiseta branca que ele usa. Tatuagens cobrem os
braços, enrolando-se como uma hera para cobrir cada centímetro
de pele. Tenho a vontade mais louca de examiná-las de perto -
perguntar a ele o que cada uma delas significava.

“Qual é o seu nome?” Ele não tira os olhos de mim, mas


realmente não sinto que ele está me verificando. É confuso e
intrigante ao mesmo tempo.

“Gia.”

“Gia.” Ele repete depois de mim. “Diga-me, Gia, o que o


dono pensaria se soubesse que você está atrás do balcão, dando
troco errado e irritando seus clientes?”

Esse cara pode ser sexy como o inferno, mas sua mudança
repentina de tom faz com que os sinos de alerta disparem. No
entanto, não saio ou assobio para Oak. Fico lá respondendo como
uma idiota. Uma idiota que vomita a verdade quando fica nervosa.
“Estou pensando que o proprietário provavelmente estaria
chateado. Ele não veria isso como estar fazendo uma boa ação
para uma amiga que teve que sair em uma emergência.”
“E por que isto?”

“Bem... ouvi que ele é um idiota.”

Ele levanta uma sobrancelha. “Sim. Eu o conheço e ele é


um idiota.”

Mesmo que tenha concordado comigo, não parece que está


do meu lado. Preciso me livrar dessa conversa bizarra. “Então...
você gostaria da minha especialidade... uma cerveja?”

“Certo.”

“Que tipo?”

Ele sacode a cabeça devagar. “Sua vez.”

Aliviada por escapar por alguns minutos, vou até a


torneira, pego uma caneca de cerveja do caixote embaixo do
balcão e começo a enchê-la com a cerveja local que Riley me disse
para empurrar. Ainda sentindo aqueles olhos em mim, olho por
cima do ombro para o meu cliente rebelde e o encontro me
encarando. Ele nem sequer tem a cortesia de fingir que não está,
quando o pego.

“São seis dólares,” digo estabelecendo a caneca cheia.

“Oito.”

“Perdão?”

“A cerveja, é oito dólares, não seis.” Ele parece um pouco


irritado.

“Oh. Você está me corrigindo para poder pagar mais?”

O segurança-gerente-árvore anda até o bar e fica ao lado


do meu cliente. “A entrega do licor chegou atrasada e foram
quatro garrafas pequenas. O recibo está sob a gaveta do dinheiro,
chefe.”
Leva um minuto para o que eu ouço penetrar. Meus olhos
se arregalam. “Você disse... chefe?”

O durão olha para mim. “Isso mesmo, Gia. Eu sou o idiota.


Sou dono desse lugar.” Sua boca se curva em um sorriso que é
tudo menos feliz. “Agora, saia do meu bar e diga a sua amiga que
ela está demitida.”

Merda!

Ele é o chefe.

Achei que esse cara é algum tipo de andarilho passando


pela cidade em sua moto, não o dono de todo o estabelecimento.

Todo mundo está olhando para mim, enquanto me esforço


para encontrar as palavras certas.

“Você não pode fazer isso. Você não pode demiti-la. Não
culpe Riley porque não posso fazer bebidas para salvar a minha
vida. Isso não é culpa dela. Ela está tentando fazer uma coisa boa
por causa de sua emergência familiar. Ela poderia ter deixado
você sem ninguém. Não a castigue por minha incompetência.”

Quando o segurança se aproxima novamente, o imbecil


estende a mão sem quebrar seu olhar, que está firmemente
direcionado para mim. “Não agora, Freddie.”

“Desculpe, chefe. Tenho que deixar você saber que Elaina


acabou de ligar. Ela não vai voltar a trabalhar. Decidiu ir para a
cidade com o namorado. Ambos fizeram audições para uma peça.
Ela disse que realmente sente muito, mas que desiste.”

O imbecil passa as mãos pelos cabelos em frustração e


range os dentes. “Que porra é essa?” Ele parece que vai explodir.
Solta um suspiro profundo e fecha os olhos para se recompor.
Quando os abre, apenas olha para mim.
Ele é tão intimidador, mas não quero deixá-lo me ver suar.
Preciso defender meu terreno e defender o que sei no meu coração
que está certo.

Dou-lhe alguns segundos para processar a notícia que o


irritou ainda mais e então imploro: “Por favor. Você precisa
reconsiderar. Não vou sair até que você me garanta que Riley não
perdeu o emprego por causa disso. Não é justo.”

Ele faz um exame rápido. “Você não pode ser uma


bartender porra nenhuma... mas você pode ficar ao redor, parecer
bonita, indicar as pessoas a suas mesas e ocasionalmente levar
bandeja de comida se necessário?”

“Do que você está falando?”

“A recepcionista da noite simplesmente desistiu. Não vou


conseguir encontrar alguém a tempo para a noite de sexta-feira,
que está prestes a acontecer a qualquer momento. Se você me
ajudar, deixarei sua amiga Riley, manter o seu emprego.”

Ele quer me contratar?

“Você acabou de tentar me expulsar! Agora você quer que


eu trabalhe aqui?”

“Sim, bem, estou em uma situação difícil que não previ e


tenho alguns minutos para digerir sua desculpa. Parece que você
tem boas intenções em ajudar sua amiga, mesmo que tenha sido
um pedido idiota da parte dela que você fizesse isso.”

“Então, e se eu não aceitar o trabalho?”

“Então Riley é demitida por colocar alguém atrás do meu


bar que não deve estar. A escolha é sua.”

Leva um momento para realmente considerar sua


proposta. Ou extorsão? A verdade é que preciso do dinheiro extra.
Gastei o adiantamento de dez mil que recebi do editor do livro
que estou escrevendo, para alugar o apartamento de verão em
que estou vivendo. Conseguir um trabalho extra, que proporcione
alguma renda suplementar, é algo que estou considerando de
qualquer maneira. Isso pode realmente funcionar a meu favor.

“Esta oferta de emprego é apenas para esta noite, ou até


que você encontre alguém permanente?”

“Eu não sei. Não cheguei tão longe. Você está dentro ou
não?”

“Eu aceito... mas quero a posição permanentemente. E não


é porque estou cedendo ao seu suborno. É porque realmente
gostaria de um trabalho para complementar minha renda. Estou
escrevendo um livro e gastei a maior parte do adiantamento,
então...”

Ele me dá uma olhada. “Você está escrevendo um livro?


Espero que não seja Bartending para Iniciantes?”

“Muito engraçado. Não. É um romance em um


apartamento de verão. Estou alugando um apartamento local
para fins de pesquisa e, atualmente, estou além dos meus meios.
O trabalho será realmente muito útil, se eu puder escrever
durante o dia e trabalhar à noite.”

“Um romance em um apartamento de verão. Soa idiota pra


caralho.” Ele pega um cigarro e acende, soprando um pouco da
fumaça na minha cara.

Tusso. “Com licença? Por que isso é idiota?”

“Eu não sei muito sobre romances, mas isso soa clichê pra
caralho.”

Obrigada, Sr. Prick4, por apontar o óbvio!

4 Chamou o cara de Senhor Pau


Clichê. Pra. Caralho.

Como fazer isso original é precisamente o meu problema.

Tudo começou bem. Os três primeiros capítulos foram


bons o suficiente para me dar o contrato de publicação. Agora,
nada está saindo. Daí, as sete palavras gritantes que escrevi hoje.

Ele joga a cinza no chão. “A propósito, você começa em


quinze minutos, Shakespeare.”

“Meu sobrenome é Mirabelli… Gia Mirabelli… para o


propósito da papelada.”

Ele solta mais fumaça e cutuca levemente a cabeça.


“Apresse-se.”

“Pensei que você disse que tinha quinze minutos. Acalme-


se. Não preciso me apressar.”

Ele olha para o céu como se questionasse os deuses sobre


como eu posso ser tão estúpida. “Rush é o meu nome, gênio, e
cuidado com a boca. Sou seu chefe, lembra?”

Não sei de onde minha ousadia está vindo, mas me sinto,


de repente, cheia disso. Endireito minha postura e descarrego
nele. “Neste momento, parece que você precisa de mim mais do
que preciso de você. Enquanto este trabalho vai ser útil para
mim, posso pegar ou largar. Então, digo que concordemos em nos
respeitar mutuamente. Se você me desrespeitar, direi a você para
calar a boca de novo.” Inclino. “Vou dizer para você se foder
também.”

Eu me preparo, esperando receber algo por isso. Em vez


disso, um sorriso largo se espalha pelo seu rosto como um gato
Cheshire. Ele coloca a mão no meu braço e me leva para longe do
bar, que agora está sem equipe. Ele sussurra em meu ouvido:
“Guarde essa linguagem apenas para os meus ouvidos e tome
cuidado na frente dos clientes, por favor.”
Essa escolha de palavras é estranha. Ele está me
encorajando a xingá-lo?

Calafrios percorrem minha espinha. O cheiro de fumaça de


cigarro e colônia invadem meus sentidos. Estar tão perto dele faz
meu corpo reagir involuntariamente, mesmo que jurei largar os
homens depois do meu encontro ruim algumas semanas atrás.
Mas a minha reação ao Sr. Mean5 é um lembrete de que você não
pode exatamente escolher por quem você fica fisicamente atraída.
Às vezes, é a última pessoa que você deve se sentir atraída.

Limpando minha garganta, pergunto: “Quanto pagam?”

“Vá se refrescar. Faça o seu trabalho e vou cuidar disso


para você.”

“Existe algum treinamento formal?”

Ele apaga o cigarro e solta à última fumaça. “Não.”

“Não?”

“Não. Não é tão difícil.” Ele aponta para o lugar da


recepcionista. “Viu aquela mesa ali, à direita? Você fica lá,
cumprimenta as pessoas e mostra-lhes uma mesa, se elas
escolherem não ir a um dos bares. Se algum membro da equipe
tiver um problema, ou se houver problema com um cliente, ele
pode vir até você, pois você tem o mínimo a fazer. Apenas
improvise. Não requer nenhuma habilidade, o que é uma coisa
boa depois que você falhou como bartender. As pessoas
aprendem fazendo assim mesmo. Sou um grande defensor de
jogar as pessoas no fogo, não perdendo tempo tentando explicar
as coisas, bem, além de ter que arrastá-la para longe do bar hoje,
quando você está perdendo meus clientes.”

“Parece um ambiente de trabalho saudável.”

5 Personagem de uma série infantil cuja personalidade é malvada e avarenta.


Ele pisca. “Não se esqueça de sorrir, Shakespeare.”
Capítulo 2

Realmente não tenho um papel no The Heights. Como


proprietário deste lugar, não sou obrigado a ficar aqui a maior
parte do tempo. É para isso que um gerente e funcionários
existem. Mas você poderia dizer que sou um pouco maníaco por
controle. Além disso, de todas as empresas que possuo, eu gosto
da atmosfera movimentada deste lugar. É onde me sinto mais
revigorado. Então, o fiz a minha base.
Esta noite, no entanto, parece estar beneficiando o The
Heights muito mais do que o habitual e isso está me irritando.
Toda vez que eu me pego olhando para minha nova contratada,
Gia, mentalmente eu me censuro. Mas é difícil não olhar para ela.
Com longos cabelos negros e selvagens, um sorriso contagiante e
mais coragem do que pode conter naquele pequeno corpo, ela se
destacou desde o primeiro momento em que pus os olhos nela. E
está usando óculos, que por alguma razão acho extremamente
quente.
Não vivo muitas regras. Na maior parte do tempo, faço o que
quero, independentemente das consequências. Fumar é um
exemplo. Sei que é terrível para mim, mas fumo de qualquer
maneira, mesmo dizendo a mim mesmo que vou parar um dia.
Deus sabe que tenho os meios para fazer o que diabos quero
na vida. É muito louco poder dizer isso aos vinte e nove anos. O
mundo está ao meu alcance e, como resultado, é muito fácil se
deixar levar e bagunçar tudo. Mas prometi não desperdiçar a
oportunidade que meu avô me deu alguns anos atrás, quando ele
me deixou metade de suas propriedades, que incluía várias
propriedades aqui nos Hamptons. Mesmo não vivendo de acordo
com muitas regras, tento não enlouquecer e foder com isso.
Uma grande regra que tenho é não foder onde eu como. Ou
melhor, não foder onde eu trabalho. Cruzar a linha com um
empregado é um limite difícil para mim. Eu ainda não transei
com ninguém que eu empreguei. E quero continuar assim.
Portanto, o momento em que contratei Gia Mirabelli, foi o
momento em que Gia Mirabelli ficou fora dos limites.
Não misturar negócios com prazer normalmente não é um
problema para mim. Mas quando aquele pequeno rojão saiu de
sua boca para mim mais cedo, posso jurar que meu pau
endureceu no segundo em que a palavra foda saiu de sua boca.
Ninguém fala comigo assim e é precisamente por isso que gostei
quando ela fez. Para não mencionar, foda é um som muito mais
bonito quando sai da boca de uma mulher bonita.
A notícia em torno de The Heights é que as pessoas
pareciam pensar que sou intimidante, particularmente aquelas
que trabalham para mim. Além de Freddie, também conhecido
como “Oak” - que, vamos encarar, não tem que temer ninguém
por causa do seu tamanho - as pessoas parecem quase ter medo
de mim. Mas não Gia. Gia não dá à mínima e essa é a coisa mais
refrescante que experimentei o ano todo.
Durante um período lento à noite, eu a faço anotar todas as
informações pessoais dela para a folha de pagamento e - o que
descobri - acontece que ela mora em uma das minhas
propriedades que foi alugada para o verão. Desde que tenho uma
empresa de gestão que lida com os inquilinos, ela não tem como
saber que eu a possuo. Faço uma anotação mental para dar essa
notícia quando a oportunidade for certa.
A conexão não me surpreende. Possuo vários imóveis nesta
parte dos Hamptons. Meu pai e meu irmão ficam na cidade na
maior parte do tempo, gerenciando os negócios da família. Os
Hamptons, no entanto, são basicamente meu território, pelo
menos do ponto de vista das operações.
Enquanto é um casual bar de praia durante o dia, à noite,
o The Heights se transforma em um clube e restaurante com
música ao vivo na cobertura. E nesta sexta-feira à noite, está
lotado.
Mais uma vez, encontro meus olhos firmemente plantados
em Gia. Ela é muito boa nesse trabalho que dei a ela. Menosprezei
o papel da recepcionista mais cedo, mas não é tão fácil como
disse. Ela cumprimenta cada cliente com um sorriso brilhante e
animado, como se fossem os primeiros a entrar pela porta. Ela
também toma a iniciativa de caminhar até as mesas e verificar os
clientes durante as pausas, quando não há ninguém na fila.
Felizmente, ela parece alheia ao fato de que estou olhando para
ela.
No momento em que todos vão embora, já passa da meia-
noite. Começa a chover e o oceano nas proximidades está ficando
agitado. Estou do lado de fora fumando um cigarro quando Gia
entra na minha nuvem de fumaça.
“Não esperava encontrar você aqui,” ela diz.
Fumaça sai da minha boca quando digo: “Desculpe
desapontá-la.”
“Você não desapontou. Eu só... imaginei que você tinha
saído há muito tempo.”
“Bom trabalho hoje à noite.”
“Espera.” Ela sorri largamente. “Isso é um elogio?”
“Digo isso quando gosto. Eu diria se você fosse uma merda
também. Enquanto você não pode ser bartender para salvar sua
vida... você é uma grande recepcionista.”
“Com o mais...” Ela pisca. “Bem, eu meio que tenho
experiência. Costumava ter um emprego de recepcionista na
cidade.”
“Pode-se definitivamente dizer que não é sua primeira vez.”
Meu olhar instintivamente cai para seus seios enormes, que estão
lutando contra o sutiã preto que posso ver através de sua
camiseta branca. Ergo meus olhos.
Nossos olhos se encontram e, de repente, ela parece ansiosa
para sair. “Bem… tenha uma boa noite. Estarei a tempo aqui
amanhã.” Quando ela começa a passar pelo estacionamento de
carros, percebo que ela não tem um veículo; ela está a pé.
Vestida assim? À noite?
Entro no meu Mustang e dirijo ao lado dela, abrindo minha
janela. “Não é meio tarde para você estar andando sozinha?”
“Está tudo bem. Não me importo de andar.”
“Está escuro e não há muitas luzes de rua a caminho de sua
casa.”
“Como você sabe onde eu moro?”
Está certo. Ela não sabe que eu possuo a sua maldita casa.
“Você me deu seu endereço mais cedo, lembra? Eu conheço
esta cidade como a palma da minha mão.”
“Vejo isso.” Ela continua a andar enquanto dirijo lentamente
ao lado dela.
“Eu vou te levar para casa.”
“Estou bem.”
“Não está bem. Você é minha empregada. Trabalhou até
tarde. Se algo acontecer com você no caminho de casa por causa
disso, eu me sentiria parcialmente responsável. E não quero isso
na minha consciência.”
Ela para de andar e coloca as mãos nos quadris. “Bem, não
tenho carro no momento. Então, estou planejando ir caminhando
para casa na maioria das noites. Se você não pode me levar todas
às vezes, por que se incomodar?”
Eu não vou perder tempo tentando racionalizar com ela.
“Entra no maldito carro,” exijo.
Ela não discute quando abre a porta e olha para mim.
“Obrigada.”
O reconhecimento do cheiro dela e o jeito que está me
fazendo sentir me colocam no limite. Não consigo descobrir por
que estou tendo esse tipo de reação a uma mulher que acabo de
conhecer. Ela parece familiar, embora saiba que nunca nos
cruzamos antes de hoje.
Eu transei com muitas mulheres, a ponto de achar que sou
imune a me sentir assim. Mas há algo diferente sobre Gia que
não posso entender.
Isso é perigoso.
Eu preciso de outro cigarro. Tiro um e acendo.
“Você acha que poderia não fumar aqui?” Ela diz.
“Não. Eu não posso não fumar.”
Insistir em fumar, quando ela me pede para não, é
definitivamente um movimento idiota. Devo ser mais atencioso...
mas, com ela neste carro, eu realmente preciso disso. Abro a
janela e faço um esforço consciente para soprar a fumaça longe
dela.
“Há quanto tempo você é dono do The Heights?”
“Minha família construiu uma década atrás. Tenho sido
responsável por isso há alguns anos.”
“É um estabelecimento muito legal. Só estive uma vez antes
de hoje à noite e tive uma experiência ruim. Não voltei até hoje.”
Minha cabeça vira para o lado. “Que tipo de experiência
ruim?”
“Oh... não foi o bar em si ou algo assim.”
“O que foi então?”
“Eu conheci um cara lá e foi... bem, não acabou bem. Acho
que associo o The Heights com essa experiência. Eu nem queria
vir hoje quando Riley me implorou.”
O pensamento de alguém que ela conheceu no meu bar
prejudicá-la, faz meu sangue ferver. Diminuo a velocidade do
carro e olho para ela. “Ele te machucou?”
“Não.”
“O que aconteceu então?”
Sua resposta descarada me surpreende.
“Eu transei com ele e ele me deu o número errado depois.”
Não são muitas coisas que me deixam sem palavras. Mas
ouvi-la dizer isso, definitivamente, me deixa sem palavras. Não
faz sentido como alguém consegue colocar essa garota na cama e
depois dar a ela um número errado.
Sua honestidade me choca. Quantas mulheres admitiriam
isso para seu chefe? Diga o que quiser sobre Gia, mas ela é
autêntica. Talvez seja isso que me atrai para ela. Porque na
minha vida tem tanta coisa superficial e falsa. Essa garota parece
que não tem nada a esconder.
Ela cobre o rosto. “Deus, por que acabei de dizer isso? Eu
vomito a verdade às vezes.”
“Bem, minha mãe costumava dizer, 'não se desculpe por
suas verdades, apenas suas mentiras'.” Olho para ela. “Ele
provavelmente é casado. Tem muitos desses tipos no bar, acham
que podem vir e foder nos Hamptons e depois voltar para suas
esposas em Manhattan como se nada tivesse acontecido.”
“Sabe... eu acho que você está certo. Ele definitivamente não
é quem disse que é.”
Não consigo controlar o desejo de repreendê-la. “Você
precisa ser cuidadosa. Você não deve ir para casa com homens
que conhece em bares.”
“Não sou uma puta. Há meses que não dormia com ninguém
antes disso. Estava sozinha, no clima e pensei, por que não? Esse
cara... parecia muito bem, bem vestido, articulado. Não é como
se ele me prometesse casamento, mas passamos a noite toda
conversando antes de levá-lo para minha casa. Ele até fez planos
comigo para o fim de semana seguinte. Não achei que ele me daria
o número de telefone errado. Ele é encantador... enganou-me. Se
pudesse voltar atrás, eu absolutamente faria.”
Fui até a casa dela - minha casa - uma extensa casa de praia
em pedra, de cinco quartos, que agora serve como uma casa de
festas para um bando de moradores da cidade, que quer fugir de
Manhattan no verão.
Quando desligo o carro, ela não se mexe.
“Gostaria de não ter contado tudo isso. Não quero que você
me julgue, ou pense que faria algo assim com um cliente
novamente.”
Quem diabos sou eu para julgar? Fodi mais do que a minha
quota de vezes.
“Acredite em mim, julgar algo assim seria o pote chamando
a chaleira de preto. Todos nós cometemos erros,” simplesmente
digo, acendendo outro cigarro. Sopro a fumaça pela janela. “Eu
só quero que você tenha cuidado no The Heights. É um mercado
de encontro.”
“Oh, estou bem ciente disso. Fui cantada a noite toda.”
Aperto meu queixo. Eu sei. Estava assistindo e tive que me
impedir de ser preso várias vezes no meu próprio bar.
“De qualquer forma...” ela diz: “Como você sabia que essa é
exatamente a minha casa? Você nem usou navegação.”
“Eu te disse. Conheço esta área do avesso.”
Ela fica em silêncio e diz: “Posso fazer uma pergunta?”
“Depende da pergunta.”
“Como você chegou a possuir o The Heights? Quero dizer,
você é jovem e...” Ela hesita.
“O que…”
“Não sei como explicar, mas você não se parece com o que
eu imaginava.”
“Não pareço estar chegando à reunião da câmara de
comércio local em breve?”
Ela fica nervosa. “Basicamente…”
Realmente quero entrar nisso?
Foda-se.
“Em resposta à sua pergunta, não fiz nada para ganhar o
The Heights ou qualquer outra coisa que possuo, exceto ter
nascido o filho bastardo de um homem muito rico, com quem não
posso nem ficar na mesma sala. Não há nada de impressionante
nisso, receber riqueza e não merecer.”
“Você não se dá bem com o seu pai?”
“Se fosse do jeito dele, eu nem estaria em sua vida, muito
menos compartilharia qualquer uma de suas riquezas. Quando
meu avô descobriu sobre minha existência, que mais tarde foi
confirmada com um teste de DNA, tudo mudou. Meu avô é um
homem honrado. Ele decidiu que sou digno de todas as coisas
que meu irmão - a criança legítima - conseguiu. Então, eu me
deparei com muita riqueza que não estava realmente pronto ou
esperando. Mas isso não aconteceu até os meus vinte anos.”
“Uau. Então você não cresceu rico?”
“Não. Cresci em uma casa humilde em Long Island, vivi com
minha mãe e minha avó e vi minha mãe lutar para me criar
sozinha. Mal tinha onde cair morto. Então, não considero nada
disso como algo natural.”
Meus olhos ficam colados nas pernas dela, enquanto ela
cruza. Eu me pergunto como elas pareceriam enroladas nas
minhas costas. Um visual dela nua, debaixo de mim, enquanto
pairo sobre ela, me faz tragar a nicotina com mais força.
“Se você é como um de nós, então... por que todo mundo
tem tanto medo de você, Rush?”
“O que faz você pensar que as pessoas têm medo de mim?”
Sei que há verdade nisso, mas quero ver o que ela dirá.
“Bem, todo mundo parece andar em ovos ao seu redor. Isso
é algo que notei hoje à noite.”
“É porque eles sabem que não aceito nenhuma besteira.
Eles me viram demitir pessoas por brincadeiras ou
confraternizações com clientes no trabalho. Eles sabem que não
brinco por aí. Você deve aprender uma lição com eles.”
“E com a carranca permanente? Quando eu te servi no bar
mais cedo, você parecia estar pronto para matar alguém.”
“Eu estava… estava pronto para matar você. Estava
chateado com a garota afugentando meus clientes.”
“Sim, bem, tudo deu certo no final... não foi?”
“O veredicto ainda não foi decidido.”
Ela sorri de uma forma que me mostra que ela sabe que eu
estou exagerando. Ela sente que está segura comigo, que não há
maneira de despedi-la, mesmo se ela queimasse o The Heights.
Essa é a verdade. A compreensão disso é foda.
“Por que você não tem um carro, Gia?”
“Eu tenho.” Ela aponta para uma curva de metal
estacionada na garagem. “Está apenas fora de serviço no
momento, com um pneu vazio e a necessidade de novos freios.”
“Fora de serviço? Parece que está se desintegrando no chão.”
“Não me lembre.” De repente ela abre a porta no meio da
calçada. “Bem... obrigada pelo passeio.”
Um sentimento de decepção está se formando no meu peito.
É quando percebo o quanto não quero que ela saia. É também
quando percebo quanto tempo passou desde que eu me abri um
pouco para alguém. É inquietante o quanto gosto de estar perto
dessa garota.
Ela se vira antes de sair do carro, ainda no meio da calçada.
“Tenho a impressão de que você gostou quando falei com você
antes...”
Foda-se sim, eu gostei.
“O que faz você dizer isso?”
“Apenas um sentimento.” Ela se inclina, “Porra, muito
obrigada pela carona, Rush. Tenha uma maldita boa noite.”
Lá está novamente. Ela disse porra no trabalho duas vezes
e viajou direto para o meu pau, que agora está se contraindo.
Ela está quase na sua porta quando se vira e grita: “E, para
registro, você não me intimida mais.”
“Por que isso?” Grito pela janela.
“Porque qualquer um que tenha um anjinho pendurado no
espelho do carro, não pode ser tão ruim assim.” Ela ri antes de
andar o resto do caminho até a entrada.
Uma vez que ela está fora de vista, permito que o sorriso que
estou lutando, se espalhe pelo meu rosto enquanto encosto
minha cabeça.
O anjo pendurado no meu espelho retrovisor costumava
pertencer à minha avó antes dela morrer. Ela costumava ter isso
pendurado em seu Buick para proteção até que ela ficou velha
demais para dirigir. Minha avó foi à pessoa mais gentil que já
conheci e me dava muito amor, mais do que mereci. Não podia
fazer nada de errado a seus olhos. O anjo é um lembrete para
tentar viver de acordo com isso, apesar do fato de que, na
realidade, minha personalidade me compara mais ao diabo.
Capítulo 3

Na noite seguinte, enquanto Gia está no trabalho, dirijo até


a casa dela e passo três horas consertando seu pedaço de merda.
Fiz três viagens para a loja de autopeças, mas finalmente
consegui consertar seu carro. Ela disse que precisava de freios e
um pneu novo. Ela não mencionou que ela andou por tanto
tempo que também precisava de pastilhas novas. Acabou sendo
mais difícil do que planejei originalmente, mas sei que se ela não
tiver um carro, eu acabarei por trazê-la para casa na maioria das
noites e isso é perigoso.
Desta forma, posso garantir que ela chegue em casa com
segurança e meu pau pode ficar em segurança nas minhas
calças.
Depois de consertar o carro dela, resolvo algumas coisas
atrasadas e planejo trabalhar nos livros do restaurante em casa,
durante algumas horas. Mas às onze, eu fico nervoso e não posso
mais ficar sentado, então vou para o The Heights. Gia precisa de
uma carona para casa de qualquer maneira.
À noite, a cozinha fecha às onze horas. Então, os deveres da
recepcionista estão praticamente acabados, mesmo que as
garçonetes tenham mesas para terminar. Encontro Gia sentada
no bar conversando com sua amiga Riley, que está do outro lado.
É a primeira vez que vejo Riley desde que quase demiti sua
bunda, mas acabei contratando sua amiga em vez disso.
Seus olhos se arregalam quando me aproximo. Gia não deve
ter notado, já que não se vira. Eu me aproximo dela, apoiando
meus braços no bar.
“Alguém trabalhando por aqui?”
Riley pula e começa a secar um copo que já parece seco. Ela
definitivamente parece nervosa. “Apenas se acalme. Nós estamos
ocupadas a maior parte da noite.”
Gia, por outro lado, não recua com a minha aparição
repentina. “Você acha que o sol surge apenas para ouvir você
cantar, não é?”
Tenho que levantar a mão para a minha boca e fingir tossir
para cobrir o meu sorriso. “Não estou pagando a você para ficar
ao redor e de bobeira.”
Ela se vira e me encara. “Isso mesmo. Você não está. Porque
meu turno acabou. Assinei a minha saída dez minutos atrás.
Parei no bar para pedir uma bebida antes de ir para casa.” Ela
aponta os olhos para os vinte dólares colocados no bar em frente
a ela. “Isso me faz uma cliente agora. E, pessoalmente, não gosto
do jeito que estou sendo tratada como cliente pagante.”
E aí vem meu pau de novo. O que diabos está errado comigo
que gosto quando essa garota me dá bronca. Um sorriso lento se
espalha pelo meu rosto. “Você sempre pode ir ao bar do outro
lado da rua, se não gostar do tratamento aqui.”
A cabeça da pobre Riley salta entre nós tão rápido, que ela
começa a parecer um pouco pálida. Seus olhos crescem tanto
quanto podem. Está certo. Tenha medo de mim. Ensine sua
amiguinha a fazer o mesmo.
Enquanto Gia e eu nos encaramos, Riley gagueja uma
desculpa para dar o fora. “Ummm... eu, eu... alguém precisa de
ajuda lá embaixo.” Ela aponta para a outra extremidade do bar.
“Vou ver você daqui a pouco, Gia.”
“Ótimo,” Gia franze a testa. “Agora você afugentou a
bartender e não posso nem pegar uma bebida.”
Murmuro algumas maldições enquanto ando ao redor do
balcão e pego um copo alto debaixo do balcão. Adicionando gelo,
coloco um pouco de grenadine sobre ele e encho o restante do
copo com 7-Up antes de jogar algumas cerejas maraschino no
topo. Quando termino, deslizo pelo bar até Gia. “Aqui está. Sua
bebida. Um Shirley Temple.”
“Quero algo mais forte,” ela diz.
Quero dar a você algo mais forte também.
Gia dá um sorriso diabólico e então começa a balançar uma
cereja na frente de sua boca antes de sugá-la. Observar aqueles
lábios cheios perto daquela pequena cereja, é uma preliminar
melhor do que pornografia. É uma coisa boa estar trás do bar
para esconder o crescimento das minhas calças.
Maldita seja. Estou com tesão pra caralho.
Preciso transar. Esse é o problema. Não tem nada a ver com
Little Miss Cherry Sucker. Dirigindo os olhos para longe para
evitar vê-la acabar com a cereja, meu olhar pousa inocentemente
em seus seios. Embora meus pensamentos fossem tudo menos
inocentes. Para uma pequena coisa, ela tem grandes seios.
Cheios, redondos. Tenho o impulso mais forte de correr pelo bar
e persegui-la, vê-los - descobrir se são reais. Rio alto do que
minha equipe pensaria assistindo aquela merda acontecer.
Claramente, estou perdendo a cabeça.
“Do que você está rindo?” Gia pisca os olhos.
“Nada. Absolutamente nada.” Esfrego as duas mãos no meu
rosto e balanço a cabeça algumas vezes para sair de lá. Então
faço uma anotação mental para enviar uma mensagem para uma
das minhas conexões, depois de ver que Gia chegou em casa em
segurança. Todos os verões, sempre têm algumas que querem se
divertir sem compromisso. Baseado na minha aparência, as
mulheres fazem suposições. Transar com uma pessoa como eu,
as faz achar que estão dizendo foda-se para seus pais ricos.
Preciso ficar com essas mulheres e manter minha mente limpa,
quando se trata da minha nova empregada.
“Como foi o trabalho hoje à noite? Alguém te deu um tempo
difícil?”
“Nada que não aguente.”
“Que tal o livro? Fez alguma coisa hoje, Shakespeare?”
Gia tira um bloco de notas da bolsa que pende no encosto
da cadeira. Ela folheia algumas páginas. “Você gosta do nome
Cedric para um herói masculino?”
Arqueio uma sobrancelha. “Ele é um comediante?”
“Não.”
“Então é um nome estúpido.”
Ela tira uma caneta do bolso e faz um risco em uma palavra
que assumo ser Cedric.
“E Elec?”
“Que porra é um Elec? Ele é eletricista ou algo assim?”
Outro risco.
“Caine?”
“Ele mata seu irmão Abel na história?”
Risco.
“Marley.”
“Cantor reggae?”
Risco.
“Simon?”
“Cara nerd com óculos que é muito espancado?”
Gia suspira.
Tiro o bloco de notas das suas mãos e começo a ler o resto
da lista em voz alta. “Arlin. Áster. Benson. Tile?” Abaixo o bloco
de notas e arqueio uma sobrancelha. “Sério? Tile?”
Ela se inclina sobre o balcão e pega o bloco de notas de volta
das minhas mãos. “Dê-me isso, se você vai tirar sarro de mim.
Você acha que é fácil, então me diga alguns bons nomes para um
herói que é único e forte.”
“Bem. Deixe-me pensar.” Passo a mão na barba como se
estivesse realmente pensando um pouco. Gia parece que está
seriamente esperando para ouvir o que tenho a dizer. Pobre
inocente. Estalo meus dedos. “Tenho o nome perfeito.”
“Qual?” Ela parece animada.
“Rush. Nomeie seu personagem de Rush.”
Ela joga o bloco do outro lado do bar, em mim. “Você é um
idiota.”
Rio quando pego. “Isso não é novidade para você, querida.
Como diabos você começou este livro sem nem mesmo sabe o
nome do seu personagem?”
“No começo ele usa um apelido. Mas precisa de um nome
real também.” Seus ombros caem. “Não posso nem escolher os
nomes dos personagens deste livro. Como vou escrever tudo isso
nos próximos dois meses?”
“Você sabe o que penso?”
“Tenho medo de perguntar...”
“Acho que você está se estressando. Minha mãe é pintora.
Ela nunca conseguiu viver disso, mesmo sendo muito boa.
Trabalhava como garçonete à noite para pagar as contas, mas a
pintura sempre foi sua paixão. Quando eu era criança, ela
costumava pintar o dia todo com um sorriso no rosto. Então
começou a vendê-los por dinheiro extra em feiras de usados e
outras coisas. Chegou um ponto em que ela tinha que produzir
um determinado número em uma data definida para exibi-los à
venda e ficava estressada e não conseguia pintar. Você sabe o
que ela fazia?”
“O quê?”
“Ela tirava alguns dias de folga da pintura e íamos fazer
coisas divertidas. Como ir ao cinema durante o dia - pagava pelo
primeiro filme e depois ficava o dia todo vendo vários filmes. Ou
íamos jogar minigolfe - ela pegava dois tacos e algumas bolas no
porta-malas do carro, por isso não tínhamos que pagar a taxa de
aluguel.”
“Oh. Sua mãe parece ótima.”
“Ela é. Mas esse não é o ponto. A questão é que você precisa
tirar o nariz do seu maldito livro por alguns dias para limpar a
cabeça.”
“Talvez você esteja certo.”
“Estou sempre certo.”
Gia revira os olhos. “Posso pelo menos pegar uma bebida
antes de ir para casa? Uma real?”
Levanto meu queixo. “O que você quer, dor na minha
bunda?”
Ela bate palmas e sobe e desce na cadeira.
Oh sim. Eles são fodidamente de verdade.
“Vou pegar um Cosmo.”
“Tudo bem.” Pego um copo de Martini. “Uma bebida de
buceta chegando.”
Ela franze o nariz. “Você tem que dizer isso?”
“O quê?”
“Essa palavra.”
Eu me inclino para o outro lado do bar, aproximando meu
rosto do dela, depois abaixo minha voz. “Você não gosta da
palavra buceta?”
Ela cobre a boca. “Não. Não gosto dessa palavra. Quase
tanto quanto não gosto da outra palavra.”
Sorrio abertamente. “Xoxota? Você não gosta de xoxota
também?”
Os cantos de sua boca estão voltados para baixo na mão
dela, embora ela tente fingir que a ofendo. “Isso. Não diga essa
palavra também.”
“Ok”. Pego uma dose de Cosmos e coloco no copo fru-fru, a
porcaria açucarada servida dentro, deslizando-o a meio caminho
para o lado do bar, espero até que ela chegue nele e depois
embrulho minha mão firmemente ao redor do copo. “Não tão
rápido. Há uma taxa para esta bebida.”
“Oh. Desculpe.” Ela desliza os vinte dólares para o meu lado
do bar.
Balanço a cabeça. “Não. Seu dinheiro não é bom aqui. Tenho
uma regra. Não cobro os funcionários por uma bebida após o
turno ou por uma refeição enquanto trabalham.”
Ela parecia bem confusa. “Mas você disse que há uma taxa.”
Sorrio abertamente. “Há sim. Você tem que dizer buceta.”
“O quê? Não!”
“Diga ou não bebe.”
“Você é insano.”
“Ouça, você está escrevendo um livro de romance, não é?”
“Sim. E daí?”
“Bem, o que você vai escrever quando eles começarem a
ficar... Baby, abra essas pernas, vou comer sua vagina? Porque
tenho uma notícia para você, Shakespeare, só há uma maneira
de informar a sua mulher que você quer provar - e isso é espalhe
essas pernas, vou comer sua buceta.”
A boca de Gia cai aberta. Considero que isso significa que
ela quer ouvir um pouco mais.
“Na realidade. Em alguns casos, dependendo do clima, se é
a preliminar antes de uma foda um pouco áspera, você
provavelmente pode usar vou comer sua xoxota também.”
“Você é um porco.”
Dou de ombros. “Não sou eu cujo trabalho é escrever sobre
pessoas fodendo, querida.”
“Apenas me dê a minha bebida.”
Sorrio e levanto o Cosmo aos meus lábios. A merda tem um
gosto horrível, mas minto, no entanto. “Mmmm. É delicioso.”
“Dê-me isto.”
Eu adoraria dar a você.
Coloco minha mão no meu ouvido. “O que? Você disse
buceta?” Bebo novamente.
Ela quer estar com raiva, tenta seu mais maldito olhar
irritado, mas o brilho em seus olhos a entrega. “Pare de beber
minha bebida!”
“Diz.”
“Idiota.”
“Isso é jeito de conversar com seu chefe?” Tomo outro gole -
o maldito copo está meio vazio, mesmo com meus pequenos goles.
Quanto é que cobro por essa coisa de quatro goles mesmo?
Quinze dólares?
“Essa é maneira de conversar com sua empregada? Com
essa linguagem? Eu provavelmente posso processá-lo por assédio
sexual.”
“Você sabe o que penso sobre as pessoas que lutam no
tribunal, por algo que pode ser facilmente resolvido por dois
adultos?”
“O quê?”
Eu me inclino. “Acho que elas são maricas.”
Nós nos encaramos por alguns segundos, então ambos
explodimos em uma gargalhada. Nós rimos muito, até que Riley
volta do final do bar. Ela sorri. “O que é tão engraçado?”
Gia bufa rindo. “Rush é um buceta!”
Pego outro copo da prateleira e encho até a borda, enquanto
as lágrimas escorrem pelo meu rosto. “Aqui está, Shakespeare.
Você ganhou.”

Gia não recusa a carona até a sua casa. Pode ser porque
duvido que ela possa caminhar. Depois de apenas dois pequenos
Cosmos ela está muito bêbada. Percebo quão bêbada ela está,
quando ela me pede para parar na loja a caminho de casa.
“Ei... buucceeetttaaaa...” Ela soluça. “…você pode parar na
7-Eleven?”
Olho para ela e sorrio. “Claro, minha pequena xoxota, eu
ficarei feliz.”
Nós dois começamos a rir e ela brinca com o anjinho que
pende do meu espelho, enquanto estou dirigindo.
“Minha avó. Quando ela morreu, minha mãe me disse que
eu poderia pegar qualquer coisa que quisesse dela. Joias ou
qualquer outra coisa.” Levanto meu queixo em direção ao anjo.
“Isso foi o que peguei. Ela tinha pendurado em seu carro. Ela era
a dama mais doce. Mas enquanto dirigia, ela soltava uma série
de maldições que poderiam fazer um caminhoneiro corar.
Quando ela se acalmava, ela beijava dois dedos e tocava o anjo.”
Encolho os ombros. “Isso só me lembra dela.”
“Então você adquiriu sua propensão para a linguagem chula
de sua avó, hein?”
Rio. “Nunca pensei nisso. Mas talvez seja.”
“Huh,” ela diz, como se tivesse acabado de perceber algo.
Olho para ela e volto para a estrada. “O quê?”
“Você é um homem.”
“Estou feliz que você tenha notado.” Sorrio. “É
provavelmente a minha falta de uma buceta que dá nisso.”
“Eu quis dizer que você é um homem e você fala tão bem
sobre sua mãe e lembra sua avó com muito carinho. E ainda
assim você não se dá bem com seu pai.”
“E…”
“É o oposto de mim. Eu não tenho modelos maternais.
Minha mãe foi embora quando eu tinha dois anos. Nem me
lembro dela realmente. Nunca conheci minha avó do lado dela.
Meu pai me criou sozinho e a mãe dele mora na Itália, então só a
vi algumas vezes quando ia visitá-la. E não falo italiano tão bem
e ela não fala inglês.”
“Sua mãe foi embora quando você tinha dois anos?” Paro no
estacionamento da 7-Eleven e estaciono.
“Sim. Encontrei uma carta que ela escreveu para o meu pai
dizendo que não tinha nascido para ser mãe. Ela arrumou uma
mala e partiu. Nunca mais ouvi falar dela.”
“Merda. Isso é pior do que o meu pai imbecil.”
Ela suspira. “Pais.” Abrindo a porta do carro, ela pergunta:
“Você quer alguma coisa? Vão ser apenas dois minutos.”
“Não. Estou bem. Obrigado.”
Alguns minutos depois, ela volta para o carro. Estou curioso
para o que paramos, mas acho que podem ser absorventes ou
algo assim, então não pergunto. Embora minha curiosidade
tenha sido satisfeita quando ela abriu a sacola de papel pardo e
sacou um enorme pacote de Swedish Fish6. Ela rasga aquilo como
se estivesse morrendo de fome.
“É para isso que paramos? Doces?”
“Para o que mais você vai para a 7-Eleven à meia-noite?” Ela
diz.
“Umm. Você vai para absorventes, preservativos ou cerveja.
É para isso que uma corrida da meia noite ao 7-Eleven é.”
Ela empurra a bolsa para mim. “Fish?”
“Não, obrigado. Eu não como doce.”
“O quê?” Ela disse como se eu tivesse acabado de admitir
que matei alguém.
“Não sou de doces. Nem sei como você bebe essa porcaria
de Cosmo. Gosto de puro açúcar para mim.”

6 Bala de goma em formato de peixe originalmente desenvolvido por uma empresa sueca.
Ela arranca a cabeça de um peixe entre os dentes. “Isso é o
que torna tão delicioso.”
Dou de ombros, olhando para os dentes dela. Aposto que
eles pareceriam fodidamente incríveis afundando em minha carne.
Limpando minha garganta, desvio meus olhos de volta para a
direção e saio do estacionamento. “Cada um na sua. Apenas não
é a minha.”
Ela tira outra bala da sacola e acena para mim, enquanto
fala com a boca cheia. “Qual é a sua coisa?”
“Minha coisa?”
“Sim. Todo mundo tem um vício. Como doces quando estou
feliz ou triste. O que você faz?”
“Não tenho certeza se tenho um vício quando estou feliz ou
triste, mas fumo mais quando estou puto.” Também gosto de
foder forte, quando sinto raiva - que geralmente é quando sou
forçado a estar no mesmo lugar do mundo próximo do meu pai.
Mas decido deixar o último, considerando que Gia é minha
funcionária.
“Você deve desistir disso. É muito ruim para sua saúde.”
“Assim como doce. Você vai desistir disso?”
“Talvez... talvez devêssemos fazer uma pequena aposta para
ver quem pode desistir do seu vício por mais tempo.”
Paro na frente da sua casa - minha casa - e estaciono, mas
deixo o motor em marcha lenta. “Oh, sim. Qual seria a aposta? O
que eu ganho?”
Gia bate com o dedo nos lábios. “Hmmm. Não sei. Deixe-me
pensar um pouco.”
Descanso um braço em cima do volante. “Faça isso.”
Ela abre a porta do carro, mas volta antes de sair. “Obrigada
pela carona para casa. Essas duas bebidas foram direto para
minha cabeça e não tenho certeza se andar seria uma boa ideia.
Mas não se preocupe, estou esperando colocar meu carro de volta
na estrada muito em breve, então você não terá que dirigir para
mim.” Ela balança a cabeça. “Não estou dizendo que teria vindo
para casa depois de dois drinques. Nunca bebo e dirijo.
Realmente não bebo frequentemente. Mas você sabe o que quero
dizer. Certo? Não é?”
Sendo dono de um bar, a maioria dos babacas bêbados
incomoda, mas Gia, por alguma razão eu acho fodidamente
adorável. “Sim, Gia. Sei o que você quer dizer.”
“Está bem então. De qualquer forma. Obrigada novamente.”
Ela começa a sair do carro e então lembro que não disse a
ela sobre consertar o carro dela.
“Espere. Eu... a...” Não parecia estranho quando consertei.
Na verdade, parecia exatamente o oposto - como se eu estivesse
resolvendo. No entanto, agora que estou prestes a contar a ela o
que fiz, percebo pela primeira vez que o que é estranho, é a
sensação de que deveria consertar o maldito carro dela.
Gia inclina a cabeça esperando que eu termine. Uma brisa
leve atravessa a porta aberta do carro e um fio de cabelo sopra
em seu nariz. Sem pensar, estendo a mão e afasto do rosto dela.
Os lábios dela estão inchados há cinco minutos?
Enquanto eu olho, eles se separam e sua língua aparece
para rastrear o comprimento de seu lábio inferior. A sua
respiração faz o seu seio se movimentar e parece se expandir
quando o interior do meu carro se fecha ao nosso redor.
Porra.
Leva cada gota de força de vontade, mas saio de qualquer
que seja o feitiço que ela me fez cair. “Tenho que ir.”
Gia pisca algumas vezes. “Oh. Tudo bem.” Ela começa a sair
do carro novamente e começo a sentir que posso respirar. Mas
antes que feche a porta, ela se inclina e me mostra suas covinhas.
“Você sabe, pode fingir tudo o que quiser, mas sei que você quer
me beijar agora. Você não deveria ter sido um buceta e
simplesmente ter feito isso.” Então, ela fecha a porta e grita: “Boa
noite, chefe.”
Capítulo 4

Nos dois dias seguintes, não precisei trabalhar no


restaurante. Ontem passei o dia inteiro tentando escrever.
Literalmente sentei no meu laptop por doze horas e não produzi
nada. Escrevia algumas centenas de palavras, lia de novo, odiava
cada uma delas e excluía. Escrever, ler, excluir. No final do dia,
adicionei a soma total de dezenove palavras. Basicamente,
descrevi o céu. Maldição, eu nem tenho certeza de que todos os
meus personagens estão nomeados.
Então, no segundo dia de folga, decido seguir o conselho de
Rush e passar o dia inteiro tentando clarear a cabeça. Passo a
manhã e a primeira parte da tarde em nosso belo jardim, deitada
na piscina, pegando um bronzeado. Depois de ter bastante sol,
decido ir ao cinema que traz filmes estrangeiros em algumas
cidades. Penso que pode ser uma boa mudança de ritmo passar
o dia lendo legendas e ouvindo algo em francês. Mas não tenho
transporte.
Bato na porta do quarto de Riley.
“Entre.”
Parece que ela está se vestindo para o trabalho. “Você está
trabalhando no restaurante hoje?”
“Sim. Estou cobrindo o turno de Michael. Por que, tudo
bem?”
“Você acha que posso pegar emprestado seu carro? Posso
deixá-la no trabalho e depois buscá-la no final do seu turno?”
Ela encolhe os ombros. “Certo. Você vai a algum lugar bom?”
“Eu vou sozinha ao cinema.”
Riley sacode a cabeça. “Quantas vezes você foi cantada na
semana passada trabalhando no The Heights? Você não precisa
ir sozinha ao cinema.”
“Todos os caras que entram naquele lugar são idiotas.”
Ela olha para mim no reflexo do espelho enquanto amarra o
cabelo em um rabo de cavalo. “Você não pode deixar um ovo ruim
estragar o verão inteiro para você.” Confiei em Riley sobre a
minha noite com Harlan, o menino bonito que dormi e que me
deixou com o número errado.
Se for honesta comigo mesma, posso estar permitindo que
o gosto amargo que Harlan deixou em mim, forme pensamentos
em relação aos homens que pareçam com ele. Mas toda a
população masculina dos Hamptons parece ser um boneco Ken
clonado. São parecidos, falam da mesma maneira - até percebo
que a maioria deles cheira igual. Bem, exceto um. Rush cheira
como algo amadeirado e fumaça de cigarro na metade do tempo.
Começo a pensar sobre a estranha troca no carro duas noites
atrás. É como se Riley lesse minha mente.
Terminando o cabelo, ela se vira para mim. “O que estava
acontecendo entre você e Rush na outra noite? Um minuto ele vai
atirar em nós duas e no outro, vocês dois estão rindo
histericamente e amaldiçoando um ao outro.”
“Nada. Ele é divertido para sacanear.”
Suas sobrancelhas saltam. “Rush? Divertido? Talvez você
tenha passado muito tempo na piscina hoje e a insolação está
fazendo você delirar.”
Rio. “Ele tem um exterior duro, sim. Mas acho que uma vez
que você o conhece, tem um cara decente por baixo. Gosto do seu
sarcasmo seco e da sua inteligência.”
Riley sorri. “Eu não. Acho que uma vez que você passa por
aquele exterior duro, é mais babaca por baixo. Como uma cebola,
cada camada que você descasca é apenas mais cebola. Dito isto,
aposto que ele fode como um campeão. Toda aquela raiva
reprimida... aquele corpo duro. Ele pode ser um babaca, mas é
ridiculamente gostoso.”
Bem, podemos concordar em algo, pelo menos... “Que horas
você tem que sair para o trabalho? Gostaria de tomar um banho
rápido se tiver tempo.”
Ela olha para o celular. “Estou trabalhando das cinco à
meia-noite. Então você tem vinte minutos para ficar toda
enfeitada para o seu grande filme solo.”

Depois de ver dois filmes, um em francês e outro em italiano,


senti-me realmente revigorada. O primeiro filme é sobre uma
mulher que fingia ser sua irmã, depois que ela morre. O filme em
si é um pouco sombrio, mas provocou algo criativo em mim. Na
verdade, sentei-me no cinema por meia hora depois do final do
filme e digitei um monte de anotações no meu celular - todas as
ideias para o meu livro.
No caminho até o The Heights para pegar Riley no final de
seu turno, não conseguia parar de pensar. Meu livro começa a
aparecer na minha imaginação como um filme. Pela primeira vez,
vejo os rostos dos meus personagens, sinto seus movimentos e
ouço o diálogo deles na minha cabeça. É como se uma porta que
estava trancada abriu magicamente e posso finalmente ver por
dentro.
Estou animada para compartilhar minhas boas notícias
com Rush, desde que ele foi o único a sugerir que me afastasse
do meu trabalho por um dia. Ao me aproximo do bar, essa
excitação desaparece quando encontro Rush sentado no bar com
uma mulher. Ela joga a cabeça perfeitamente penteada para trás
e ri de algo que ele disse. Um nó inesperado se forma na minha
garganta. Quero me virar, voltar para o carro e mandar uma
mensagem para Riley, para avisá-la que estou esperando do lado
de fora. Mas antes que possa fazer isso, Riley grita meu nome e
acena. A cabeça de Rush vira e seus olhos pousam em mim. Não
posso sair pela porta graciosamente agora. Nem tenho certeza do
que diabos está acontecendo comigo, por que estou me sentindo
assim.
Forço um sorriso experiente e vou para o bar.
“Apenas me dê cinco minutos,” Riley grita da caixa
registradora. “Preciso levar minha gaveta para trás e contar e
então posso ir.”
Rush sacode a cabeça e resmunga quando Riley se afasta.
“Ela anunciou que vai para trás com uma gaveta cheia de
dinheiro. Volto já. Deixe-me chamar Oak para ficar de olho no
escritório para que ela esteja em segurança.” Ele se levanta e olha
entre eu e a mulher sentada ao lado dele. “Shakespeare, esta é
Lauren. Lauren, Shakespeare. Ela trabalha aqui quando não está
em casa protelando sobre como escrever a próxima grande novela
pornô americana.”
Rush desaparece e o constrangimento se instala, pelo
menos para mim. Sorrio para a mulher e, ao olhar mais de perto,
lamento profundamente a escolha das roupas confortáveis e o
cabelo no alto da cabeça. Porque Lauren é linda. Seus cabelos
louros e grossos tem aquele ar ondulado, que ela provavelmente
pagou uma fortuna em um salão de beleza e usa um vestido de
verão azul sem alças, que acentua sua pele beijada pelo sol que,
ao contrário da minha, não tem marcas de bronzeamento...
Ela parece estar me estudando. “Então... você trabalha
aqui?”
“Sim.”
“E você é uma escritora?”
“Sim.”
“Rush mencionou que ele contratou uma nova
recepcionista. Na verdade, ele mencionou você algumas vezes na
hora em que estivemos sentados aqui.”
A mulher sorri para mim. Mas não com um típico eu-quero-
arrancar-seus-olhos de ciúme. Claro, isso me faz supor que Rush
passou a última hora divertindo-a com histórias sobre mim, que
fazem com que eu pareça uma idiota.
“Não acredite em nada do que ele diz sobre mim. Realmente
não sou uma empregada má.”
Ela sorri um pouco mais e inclina a cabeça. “Ele não tinha
nada além de coisas boas para dizer sobre você. Isso é... o oposto
de Rush.”
“Umm. Tudo bem. Obrigada. Eu acho?”
Rush volta. Ele olha para mim. “Sua amiga é uma cabeça
de vento. Não só ela anunciou que está levando a gaveta para o
escritório. Quando voltei para verificá-la, estava com a porta
aberta e de costas para ela. Eu despediria sua bunda se não
achasse que teria que escutar você por um mês.”
Minhas mãos vão para meus quadris. “Eu não reclamaria
com você.”
A mulher se levanta e coloca a mão em torno do bíceps de
Rush. “Devo ir. Não quero que meu marido saiba que estou aqui.”
Rush assente. “Venha, vou sair com você.” Ele olha para
mim. “Volto em alguns minutos.”
Minha boca ainda está aberta quando ele volta ao bar
alguns minutos depois. Não é da minha conta, mas não posso
evitar.
“Você sabe, estou muito desapontada com você.”
Ele puxa a cabeça para trás com a audácia de parecer
surpreso. “Eu? O que diabos eu fiz?”
“Depois do modo como sua mãe foi tratada por seu pai.
Como você pode?”
“De que merda você está falando?”
“Lauren. Ela é casada! Você pode ter qualquer mulher que
quiser.” Gesticulo minha mão na frente dele. “Você é lindo,
gostoso, tem esse jeito de homem mal que as mulheres amam e,
para completar, tem dinheiro, mas não age como tal. Por que no
mundo você precisa sair com uma mulher casada?”
Um sorriso malicioso aparece em seu rosto. “Você acha que
sou gostoso.”
“Isso é tudo que você entendeu do que acabei de dizer?”
Rush se inclina para estar no nível dos olhos comigo, seu
nariz praticamente tocando o meu. “Lauren é definitivamente
uma mulher casada. Mas ela é a esposa do meu meio-irmão, não
meu maldito encontro.”
“Eu não... espere... o que você disse?”
Ele franze o cenho. “A esposa do meu irmão.”
“Mas por que ela está aqui? Pensei que você e seu irmão não
se davam bem?”
“Nós não. É por isso que ela parou aqui. Está tentando me
convencer a ir a uma festa de aniversário que está fazendo para
ele. Não gosto do meu irmão, mas a mulher dele é uma boa moça.
Embora não tenha ideia de porque ela é casada com aquele
idiota.”
“Oh”
“Sim. Oh.” Rush me imita.
Eu tenho que admitir, o alívio que senti ao perceber que
Rush não está saindo com ela é um pouco desconcertante.
Penso que vai gritar comigo por tirar uma conclusão errada,
mas em vez disso ele sorri, novamente. “Então. Você acha que
sou gostoso...”
“Esqueça que eu disse isso.”
“Desculpa. Tarde demais”. Ele dá um sorriso malicioso e
aponta para a cabeça. “Impregnado aqui agora.”
“Ótimo.”
Rush se inclina para o bar, equilibrando o corpo em seus
braços fortes e tatuados. “O que traz você aqui em uma noite de
folga? Você sente tanto a minha falta?”
Ele está tão perto que posso sentir o cheiro delicioso,
amadeirado e de fumaça. Isso literalmente me deixa fraca.
“Desculpe por estourar sua bolha, mas vim devolver o carro
de Riley. Pedi emprestado hoje. Mas, na verdade, quero agradecer
a você.”
“Pelo quê?”
“Bem, segui seu conselho e fui ver alguns filmes para
espairecer a mente - como você disse que sua mãe costumava
fazer. Tenho a criatividade fluindo totalmente.”
“Bem, estou sempre feliz em te deixar excitada.”
Posso sentir meu rosto esquentar. “Inspirada e excitada.”
Ele pisca. “Certo.”
Riley vira no corredor, parecendo ansiosa para sair. “Você
está pronta para ir?”
Rush responde por mim: “Gia vai ficar para uma bebida.
Vou levá-la para casa.”
Eu me viro para ele. “Você é tão mandão. Quem disse que
quero ficar para uma bebida?” Apesar de fazer biquinho, entrego
as chaves. “Vá em frente sem mim.”
Ela olha com ceticismo entre Rush e eu. “Está bem. Como
quiser. Até mais.”
Uma vez que estamos sozinhos, digo: “Qual é a pegadinha,
Rush? O que tenho que dizer para ganhar minha bebida esta
noite?”
Ele pega um copo de daiquiri debaixo do balcão e bate no
tampo da barra de madeira. “A palavra da noite é pau.”
Balanço a cabeça. “Original.”
Rush derrama e mexe uma mistura e me presenteia com
uma bebida vermelha que nunca vi antes. Ele até adiciona uma
cereja e um pequeno guarda-chuva roxo.
“O que é isso?”
Ele desliza para mais perto de mim. “É um French Kiss.”
“O que tem nele?”
“Vodka, licor de framboesa, Gran Marnier e uma pitada de
chantilly.”
Tomo um gole. É muito bom. “Mmm. Muito obrigada por
este coquetel.”
“Ah!” Ele ri. “Isso foi fraco, mas eu me preparei para isso.”
“Ainda conta.”
Seus olhos seguem cada movimento meu, enquanto chupo
a cereja marasquino. Algo me diz que esse ato é uma parte do
porquê ele ama me servir bebidas. E considerando que gosto de
enlouquecer Rush, faço questão de fazer isso em câmera lenta.
Rush engole em seco. “Então, você gostou do filme?”
“Filmes no plural. Vi dois. Na verdade, são filmes
estrangeiros, um francês e um italiano.”
“Você deveria ter me convidado. Teria ido com você.”
Brincando com meu canudo, digo: “Não imaginei você como
um tipo de filme estrangeiro,”
“De beaux yeux, tu sais7?”
Meu Deus. Ele acabou de falar francês? Ele é muito sexy,
para falar a linguagem do amor além de tudo o mais.
“Bem, bem… o que você sabe. Você fala francês?”
“Minha mãe é natural do Canadá. Ela só se mudou para
Long Island quando adolescente. Ela falava francês comigo e
aprendi muito.”
“O que você acabou de dizer para mim?”
Ele sorri provocativamente. “Não vou te dizer.”
“Bem, agora me desculpe por não ter lhe pedido para ir ao
cinema. Você nem precisaria das legendas. De qualquer forma,
achei que você estava trabalhando.”
Ele limpa a mesa. “Você está esquecendo que sou o chefe.
Posso tirar o tempo que eu quiser.”
“Teria gostado da companhia, mas se tivesse convidado você
para o cinema, isso poderia parecer um pouco à frente, você não
acha? Não quero que você entenda do jeito errado.”

7 Você tem olhos lindos, sabia?


Rush faz uma pausa e diz: “Não seria um encontro. Não
namoro meus funcionários. Então, você não precisa se preocupar
comigo pensando nisso.” Ele olha para mim por alguns segundos,
antes de voltar a limpar a mesa.
Bem, tudo bem então. Obrigada por esclarecer isso.
Fico vários segundos em silêncio. “Então por que você está
mesmo interessado em ir ao cinema comigo?”
“Porque eu meio que gosto da sua companhia.”
“Tipo?”
“Quando você não está me irritando na outra metade do
tempo, sim.”
Rio. “Você não namora seus funcionários. Você apenas
manda neles e os atrai para falarem sujo com você.”
Ele balança a cabeça e dá um sorriso travesso. “Não, apenas
você. Você é a única que eu quero ouvir falar sujo.”
“Sorte minha. Você percebe que seu comportamento é
estranho.”
“Nunca reivindiquei ser normal. Você não sabe nem a
metade, Shakespeare.” Ele bate a toalha contra o bar e a passa
por cima do ombro. “De qualquer forma, você gosta de sair comigo
também. Admita. Você poderia ter ido para casa com Riley. Você
escolheu ficar por aqui.”
“Na verdade, se a minha memória funciona corretamente,
você tomou essa decisão por mim.”
Antes que ele possa responder, uma morena alta se
aproxima. Quando os olhos de Rush pousam nela, ele parece ficar
tenso. Ela acena e vai direto para ele.
Vestindo uma apertada meia-jaqueta de couro por cima de
um curto vestido de verão branco, ela é definitivamente atraente.
Estou começando a me sentir da mesma maneira que quando vi
Lauren pela primeira vez.
Aqui vamos nós novamente.
“Rush... você ainda está aqui,” ela diz. “Estava esperando
encontrar você.”
Sua mandíbula fica tensa. “Rachel…”
Ela olha para mim e depois de volta para ele. “Estou
dirigindo e imaginei parar e ver se você ainda está aqui, ver se
você gostaria de sair hoje à noite.”
Ele coça o queixo e hesita. “Tenho algo para fazer hoje à
noite.”
Rachel olha para mim. “Quem é?”
“Uma das minhas funcionárias.”
Ofereço meu nome. “Gia.”
Sem responder, ela aponta a cabeça em direção à porta.
“Podemos conversar por um minuto?”
Rush parece chateado, mas segue até um canto onde eu
ainda posso ouvir o que eles estão dizendo.
“Eu sinto falta de te foder, Rush. Por que você não retorna
minhas ligações?”
Meu coração cai enquanto continuo a escutar.
“Abaixe sua voz,” ele repreende.
Rush, em seguida, a leva para a entrada, onde permanecem
por alguns minutos. Não posso mais ouvi-los, mas posso ver que
ela está passando os dedos pelos cabelos dele. Mesmo que ele
pareça irritado, me irrita vê-la tocá-lo. Eu não tenho o direito de
me sentir assim.
Sacode isso, Gia.
Depois que ela finalmente sai, ele volta para onde estou
sentada no bar. Ele não reconhece o que acabou de acontecer
enquanto continua a limpar o topo do bar, quando não há mais
nada para limpar.
“Então, quem é a Rachel?”
“Ninguém,” ele é rápido em dizer.
“Eu tenho ouvidos, você sabe.”
“E o que exatamente você ouviu com esses ouvidos, Minnie
Mouse?”
“Que ela sente falta de transar com você. Ela é uma das suas
prostitutas?”
Ele para de limpar e joga a toalha em mim. “Agora… tenha
algum respeito. Eu acho que o termo correto é concubina.”
Estalo meus dedos. “Ah, desculpe. Não quis baratear isso.”
Ele encolhe os ombros. “Honestamente... ela não é uma
pessoa importante... apenas alguém com quem eu costumava
brincar.”
“Costumava?”
“Quando conheço alguém, sou muito claro no fato de que
não quero um relacionamento. Não faço promessas. Às vezes, as
mulheres esperam que as coisas continuem, quando nunca
foram feitas para continuar. Às vezes, não importa o quanto você
mostre suas intenções, ainda não ouvem.”
“Suponho que isso significa que você terminou com ela?”
“Não há razão para continuar.”
“Mas ela sente falta de transar com você,” zombo.
“Isso é problema dela.”
“Bem, se você realmente é sincero com as mulheres, então
respeito isso. Teria preferido se Harlan - o cara que conheci aqui,
se é mesmo o nome dele - me dissesse que tudo em que estava
interessado era em fazer sexo e correr.”
Rush levanta a sobrancelha. “Você teria fodido se ele tivesse
admitido isso?”
“Provavelmente não, mas apreciaria a honestidade brutal,
sobre o que ele fez comigo.”
“Ele podia sentir que você não é o tipo de garota para uma
noite. Sabia que a única maneira de conseguir que você dormisse
com ele é te enganando, a fazendo pensar que era o começo de
algo mais.”
“Como você sabe disso sobre mim... que não sou do tipo de
uma noite só?”
“Bem, por um lado, você me disse que ficou magoada com o
que aconteceu. Se você fosse diferente, não daria à mínima - nem
teria pensado em me contar sobre isso quando acabou de me
conhecer. E mesmo se não tivesse dito nada, eu ainda seria capaz
de ler você. Posso olhar uma mulher nos olhos e saber se há
muita coisa acontecendo em sua cabeça, ou se estão vazias. Não
me pergunte como sei... apenas faço isso.”
“E você vai para as vazias...”
“O vazio é seguro.”
Pondero porque o Rush está tão empenhado em se
distanciar dos relacionamentos. “Você se preocupa com as
mulheres que só estão interessadas em seu dinheiro... tentando
ir atrás de você se as coisas derem errado? É por isso que você é
do jeito que é?”
“Não. Isso não é realmente algo com que eu me preocupo.”
“Você não se preocupa com isso porque nunca deixa as
coisas chegarem a um certo ponto com ninguém.”
“Em sua maior parte.” Ele pega meu copo vazio e levanta no
ar. “Você quer outro?”
“Tenho que dizer pau novamente?”
“Você acabou de dizer.”
Rio. “Sem mais French Kisses para mim. Falsos, de
qualquer maneira.” Pisco. “Honestamente, tenho que escrever
esta noite enquanto as ideias de hoje estão frescas na minha
cabeça. Vou desmaiar se tiver mais álcool. Meus personagens têm
muito a dizer e fazer.”
Ele ri. “Bem, pelo menos alguém está transando hoje à
noite.”
Capítulo 5

Oak movimenta-se ao meu lado durante a correria da noite.


Ele é tão grande que seu corpo lança uma sombra sempre que
está por perto.
“Você está bem, chefe?”
Olhando para a sua estrutura maciça, digo: “Sim. Por quê?”
“Bem, você parece preocupado ultimamente. Qualquer coisa
que você queira me contar?”
“Não particularmente. Porque você está me perguntando
isso?”
“Você não sabe por quê?”
“Não, não sei.”
Ele ri para si mesmo e diz: “Tenho certeza que você tem uma
queda por Gia.”
Porra.
Isso é tão óbvio?
“Você está louco? Você sabe que não saio com funcionárias.”
Olho em volta para ter certeza de que ninguém está ouvindo
nossa conversa. “O que faz você dizer isso de qualquer maneira?”
“Oh, não sei. Desde que ela começou a trabalhar aqui, você
nunca saiu do The Heights? Você também a observa como um
falcão quando pensa que ninguém está olhando. Mas estou
sempre observando você, então é assim que eu sei.”
“Bem, você pode parar de me vigiar. Seu trabalho é vigiar o
The Heights, não eu.”
“Meu trabalho é observar tudo. Parte do meu trabalho é
protegê-lo.”
“Bem, eu não preciso de proteção.”
“Ela parece uma garota legal, muito gentil com todos. Os
clientes a amam. Eu acho que...”
“Poupa-me, Oak. Nada vai acontecer aí.”
“Isso já está acontecendo, do que posso ver...”
Olhando para ele, digo: “Você está cruzando a linha. Você
está esquecendo que posso dispensar sua bunda?”
Sua risada profunda enche minha orelha. “Não. Você não
vai. Eu sei de muita merda.”
“Isso, e que você é gigantesco. Estaria fodido. De qualquer
forma, você tem sorte de eu gostar de você.”
Sua risada morre. “Vamos, Rush. Você não pode me
enganar. Você tem uma queda por Gia. Não há nada de errado
com isso, cara.”
“Há muita coisa errada com isso. Primeiro, ela é minha
funcionária. Nada vai acontecer apenas por esse motivo, mas
mais do que isso… ela é perigosa.”
Oak olha de esguelha. “Perigosa? Aquela coisinha? Como
você acha isso?”
Como explicar isso?
“Você sempre olha para alguém e sabe que se envolver, isso
pode virar sua vida de cabeça para baixo… arruiná-la
completamente?”
Assentindo em compreensão, ele diz: “Oh, sim. Isso já
aconteceu comigo antes.”
“O que você fez?”
“Desisti e casei com ela.”
Ouvi-lo dizer isso me assusta pra caralho.
“Bem, isso não está acontecendo com Gia, ou com qualquer
outra pessoa.”
“Então, o que... você vai continuar a vigiá-la e nunca contar
como se sente?”
“Está certo. Meus sentimentos são irrelevantes. Eu não
posso sair com uma funcionária e se isso não fosse um problema,
não é como se eu pudesse estar com alguém que espera algo de
mim, de qualquer maneira.”
“Em algum momento, você vai se arrepender de ser tão
fechado. A coisa do bad boy não vai ser tão sexy quando você tiver
a minha idade e estiver sozinho.”
Solto um suspiro profundo. Meus olhos estão em Gia
quando digo: “Ela escreve romances, Oak. Malditos contos de
fadas. Isso significa que, no fundo, ela quer o conto de fadas para
si mesma. E não sou o conto de fadas. Sou a história de terror.
Sou o filho fodido bastardo de um idiota e é muito provável que a
maçã não caia longe da árvore. Nunca estive interessado em um
relacionamento e isso não vai mudar só porque estou
temporariamente obcecado por ela e todas as outras partes do
seu corpo.”
Ele apenas continua a me olhar, como se não acreditasse
em mim.
Continuo: “Não sei o que estou fazendo, é o certo? É como
se eu quisesse... protegê-la ou algo assim. É estranho.”
Ele me dá um tapinha nas costas. “Contanto que você
reconheça isso, chefe.”

Meu carro está em marcha lenta enquanto espero que ela


saia do Heights. É uma espécie de coisa não dita eu levar Gia
para casa, depois do turno dela. Ainda não sei como dizer a ela
que consertei seu carro. Esta noite ela apenas passa por mim,
mesmo sabendo que ela me vê.
Enquanto dirijo ao lado dela, ela brinca: “Nós realmente
temos que parar de nos encontrar assim.”
“Entre.”
Gia continua caminhando. “Estou pensando que gostaria de
andar hoje à noite.”
“Não é seguro.”
Ela começa a pular, seu cabelo negro e selvagem soprando
no vento da noite. “Eu acho que vou arriscar.”
Posso dizer pelo olhar em seu rosto que ela está brincando
comigo.
“Traga sua bunda para o carro, Gia.”
Ela ri, depois abre a porta do carro e se senta no banco do
passageiro.
Acendendo um cigarro, jogo a fumaça pela janela. “Merda
teimosa,” resmungo, colocando o carro em movimento e
acelerando muito rápido. Este é um excelente exemplo de tirar
minha tensão sexual no meu Mustang. Está tomando uma surra
ultimamente.
Dou outra dragada, olho para ela. “Você conseguiu escrever
algo ontem à noite?”
“Sim, mais do que o habitual, mas não tanto quanto espero.
Quero terminar o quarto capítulo e não cheguei lá.”
“O que acontece se você não puder produzir este livro a
tempo?”
“Então, estou ferrada. Teria que devolver o adiantamento de
dez mil dólares, que já recebi e posso acabar com o contrato.”
“Como você se meteu nessa confusão?”
“Bem, para muitas pessoas, conseguir um acordo com uma
grande editora é um sonho - dificilmente uma bagunça. No meu
caso, ganhei um concurso baseado na apresentação dos três
primeiros capítulos do livro, que continuam sendo os únicos
capítulos completos. Depois que ganhei, foi como se minha
criatividade fosse por água abaixo. É uma merda.”
“O que você fazia antes de ser uma autora?”
Ela riu. “Você está pronto para isso?”
“Uh-oh.”
Com base em seu aviso, as ideias estão flutuando em minha
mente. Stripper? Ela certamente tem o corpo para isso.
Como se lesse minha mente, ela diz: “Não é tão ruim ou
maluco.”
“O que é?”
“Bem, você sabe quando você compra um cartão? A pequena
declaração melosa dentro? Era eu. Eu as escrevia.”
“Está brincando?”
“Sim. Trabalhei para uma empresa de cartões por alguns
anos, escrevendo sentimentos doces.”
“Realmente acho isso muito legal.”
“Você sabe o que é realmente ruim? Ter que escrever cartões
do dia das mães. Isso realmente explodia.”
Dado que a mãe de Gia partiu quando ela era pequena,
machucou ouvi-la dizer isso.
“Bem, tenho certeza que você arrasou, mesmo que fosse
difícil.”
“Sim. Eu tentei.”
“Por que você deixou esse trabalho?”
“Bem, consegui o acordo do livro e decidi escrever em tempo
integral. Claramente, não podia me dar ao luxo de fazer isso.
Estava lutando, até que esse homem mandão disse para ficar
bonita e me deu um emprego.”
“Feliz em ajudar.”
Quando ela chuta as pernas tonificadas no meu carro,
quase saio da estrada. Gia agarra meu braço por uma fração de
segundo, depois de praticamente cair em seu assento.
“Então,” ela diz. “O que você fazia antes de se tornar um
herdeiro rebelde de uma vasta fortuna?”
“Sou um homem de todos os ofícios. Trabalhei com carros…
servi mesas. Fui tatuador por um tempo e...”
“Mesmo? Você pode tatuar algo em mim? Estou pensando
em colocar na parte baixa das minhas costas esse ditado...”
“Não. Isso não vai acontecer.”
Ela estreita os olhos. “Porque não...”
“Gia. Desista.”
Quando ela pode ver que estou falando sério, ela encolhe os
ombros. “Ok... como quiser, mal-humorado.”
O passeio é tranquilo até que ela pergunta: “Vá em frente,
termine de me contar sobre o que você costumava fazer.
Tatuador... o que mais?”
“Não importa o que eu estava fazendo. Sempre trabalhei
duro, ainda trabalho... só que fazer dinheiro de verdade é muito
mais fácil agora. Mas como disse antes, não uso como certo.”
“Sei que não.” Ela fez uma pausa. “Como você descobriu
sobre seu pai inicialmente?”
Solto um longo suspiro. O que essa garota está fazendo
comigo? Ela me faz me abrir e não gosto nem um pouco disso.
Finalmente cedo e respondo sua pergunta. “Minha mãe
manteve sua identidade em segredo por anos. Apesar de seu
dinheiro, ela não quis nada com ele por causa da maneira como
ele a tratou. Mas ela chegou a um ponto em que sentiu que eu
deveria saber quem é meu pai. E acho que uma parte dela achava
que eu merecia um pedaço da torta, mesmo que isso a enojasse.
Pouco me importa o dinheiro. Na verdade, alguns dias, gostaria
que não existisse, então eu não teria que lidar com isso. O
dinheiro... os negócios... são as únicas coisas que nos conectam.”
“Como seus pais se conheceram?”
“Meu pai estava vivendo uma vida dupla. Ele era casado
quando começou a namorar minha mãe, pegou-a na lanchonete
em que trabalhava como garçonete. Ele saía para Long Island
para vê-la, mas nunca a trouxe para a cidade por medo de ser
visto. Uma vez que ela descobriu a verdade, foi o fim para ela.
Mas a essa altura, já era tarde demais. Ela estava grávida de mim
e acabou descobrindo o pau rico e mentiroso com o qual ela
esteve envolvida.”
“Você mencionou antes que foi seu avô quem realmente
providenciou para que você recebesse uma herança?”
“Sim. Meu avô controlava tudo na época. Minha mãe
realmente foi até ele sem o meu conhecimento e disse sobre mim.
Eu era adolescente na época. Ela não pediu nada, só queria que
ele soubesse da minha existência. Acho que ele entendeu que seu
filho era um perdedor. Após o teste de DNA, o vovô teve seu
testamento reformulado, de modo que ganhei uma parte igual de
tudo quando fiz 24 anos. Como você pode imaginar, o querido
papai e o irmão mais velho ficaram entusiasmados com isso.”
“Seu avô parece um bom homem.”
Respiro fundo quando as lembranças dele passam pela
minha mente. “Ele era. Ele faleceu alguns anos atrás. Por mais
que alguns dias eu desejei ter conhecimento da minha história,
serei sempre grato a ele e pelo breve tempo que o conheci. Antes
de morrer, ele sempre fazia um esforço para me visitar, para se
certificar de que estava bem.”
Quando chego em sua casa, ficamos em silêncio até que ela
se vira para mim.
“Você quer entrar?”
Sim.
“Não.”
“Por que não?”
“Você sabe porquê.”
“Pensei que você deixou claro para mim que nada pode
acontecer entre nós.”
“Exatamente.”
“Então… qual é o dano em entrar se sabemos onde as coisas
estão? Além disso, estamos longe de estar sozinhos.”
Isso é verdade. Ela vivia com uma merda de gente em uma
casa compartilhada. Isso me fez sentir melhor e não dar
nenhuma desculpa para não aceitar isso. Apenas alguns minutos,
digo a mim.
Exalo antes de desligar o carro e sair.
É uma bela propriedade – posso admitir, diretamente na
água, esparramada. Tudo é novo dentro.
Duas garotas e um cara estão na sala de estar assistindo TV
quando entramos. Várias caixas de pizza, garrafas de cerveja e
guardanapos enrolados espalhados.
Gia me apresenta. “Rush, estes são Caroline, Simone e
Allan... três dos meus colegas de quarto.” Ela olha para mim.
“Esse é Rush.”
O proprietário. Rio por dentro.
“Oi,” digo, avaliando o cara. Tenho certeza que o vi pela
cidade antes beijando outro cara.
Pelo menos, ele é um cara que não preciso me preocupar.
Nunca entendi como as pessoas podem lidar com a situação
nas casas compartilhadas. Nunca iria querer viver com tantos
estranhos na minha bunda o tempo todo. Mas sei que, para
muitos, esse arranjo é a única chance que tem de viver nos
Hamptons no verão. Odeio que estou começando a ficar um
pouco cansado desse tipo de coisa, esquecendo o que é ser falido.
Gia indica com a cabeça para eu segui-la. Secretamente
espero que ela planeje ficar na sala de estar principal.
“Onde estamos indo?”
“Para o meu quarto…”
Os sinos de aviso na minha cabeça estão soando
oficialmente. Ir para o quarto de Gia é uma péssima ideia. Para
não mencionar que, andar logo atrás dela, me dá uma visão de
sua bunda nas calças pretas apertadas que está usando. Meu
pau endurece. A única razão pela qual estou concordando com
isso é provar um ponto, que não tenho medo de ficar sozinho com
ela.
“Bem-vindo ao meu humilde quarto.” Ela salta na cama.
“Tive sorte, acabei recebendo meu próprio quarto, quando a
maioria dos outros tem que compartilhar.”
Olho em volta para a decoração predominantemente
lavanda. “É legal.”
Ela continua a saltar quando olha para mim. Seus peitos
fodidos estão saltando junto com ela. “Você parece tenso, Rush.”
Brincando com o meu relógio, digo: “É tarde.”
Gia inclina a cabeça. “Você já pensou na nossa aposta?”
“Aposta?”
“Você sabe... eu desisto de doces e você deixa de fumar.”
Está certo.
“Claro, sim.”
Seus olhos se arregalam quando ela se inclina.
“Por que estamos nos aborrecendo com essa aposta
novamente?”
“Estamos tentando salvar sua vida e me salvar do diabetes.”
“Oh. Entendi. Então, como funciona?” Pergunto.
“Você para de fumar e eu paro de comer doces. Então temos
que criar penalidades se não formos capazes de seguir o
programa.”
Tenho um momento de súbita inspiração. Estou adiando
dizer que consertei o carro dela, porque não quero que ela
questione minhas intenções. Esta é a oportunidade perfeita para
que ela saiba indiretamente sobre isso.
“Que tal se eu perder, vou consertar seu carro.”
Seus olhos se iluminam. “Meu Deus. Isso seria incrível! É
triste esperar que você conserte o meu carro?” Ela sorri.
“O que eu ganho por fazer a minha parte do acordo?”
Pergunto.
“O que você quer?”
Seus lábios apertados em volta do meu pau.
“Já sei!” Ela diz. “Se eu perder, vou nomear o personagem
masculino principal no meu livro de Rush.”
Inclino minha cabeça para trás rindo. Não importa o que ela
planeja me dar, porque planejo perder intencionalmente. “Nós
temos um acordo, então.”
“Legal. Começa a funcionar imediatamente,” ela diz.
Seus olhos me seguem quando começo a andar pelo quarto
dela. Seu armário está aberto. Correndo meus dedos ao longo das
roupas penduradas, noto um par de olhos olhando para mim de
cima da prateleira. Então, outro par de olhos. E outro.
Alinhados em fila, há um conjunto das bonecas mais feias
que já vi na vida. Seu cabelo todo bagunçado e algumas delas
parecem completamente deformadas.
“Que porra você está fazendo aqui?”
Ela não consegue parar de rir. “Essa é a minha coleção de
bonecas feias.”
“Feia é um eufemismo. Elas são horríveis! Dão ao Chucky
uma competição séria. Você coleciona isto?”
“Sim. Não me pergunte como comecei... porque a resposta é
mais fodida do que as próprias bonecas.”
“Ok, bem, agora você sabe que tenho que perguntar. Como
você começou a colecioná-las?”
Ela suspira, se preparando para me contar uma história.
“Antes da minha mãe partir e deixar o meu pai e eu... ela me
deixou com um presente de despedida. Era uma bonequinha. Não
uma boneca feia nem nada... genérica - cabelo loiro, vestido rosa.
O nome dela é Lulu. Enfim... quando envelheci o suficiente para
perceber que ela nunca voltaria... queimei-a... literalmente levei-
a para o quintal quando meu pai estava queimando madeira e
joguei-a no fogo.”
“Puta merda.”
“Sim. Bem, imediatamente me arrependi. Afinal, aquela era
a única lembrança que eu tinha da minha mãe. Então, acabei
puxando para fora alguns segundos depois. Tudo estava
carbonizado, mas ainda assim reconhecível. Eu gostava dela
mais imperfeita. Ela refletia como eu me sentia. Quando meu pai
descobriu o que fiz, ele tentou me fazer sentir melhor sobre isso.
No dia seguinte, quando chegou em casa do trabalho, trouxe para
casa a boneca mais feia que você já viu em sua vida, porque disse
que Lulu precisava de uma amiga. Nesse momento percebi que
tinha o melhor pai do mundo. E foi nesse momento que me
apaixonei por bonecas feias.”
Eu imediatamente avisto a boneca que ela se refere como
Lulu e a ergo. “Esta é a queimada, não é?”
“Sim. E depois daquele dia, comecei a colecionar bonecas
bizarras. Elas vão a todos os lugares comigo.”
Se eu já não tivesse amarrado nessa garota, ela vem e me
diz que jogou uma boneca no fogo. Algo sobre essa história toda
distorcida apenas aquece meu coração negro.
“Essa é uma história fodida... meio que incrível ao mesmo
tempo.”
“Essa é a história da minha vida, Rush.” Ela anda até mim
até que está perigosamente perto.
Porra, eu quero beijá-la.
Em vez disso, apenas caminho em direção à porta e digo:
“Tas de beaux yeux, tu sais.”
“Falando francês novamente, não estamos?” Ela sorri.
“Você quer saber o que isso significa. Quer dizer, você tem
olhos lindos, sabia?”
Gia cora e é adorável, maldição. “Obrigada.”
Essa é a minha sugestão para sair. “É melhor eu ir. Vejo-te
amanhã.”
Ela não discute comigo enquanto saio pela porta, pela sala
de estar e corro para longe no meu Mustang.
Naquela noite, visões de bonecas feias dançam na minha
cabeça. E mesmo planejando perder a aposta intencionalmente,
não toco em outro cigarro.
Capítulo 6

Eu não vou para o The Heights.

Eu ando de um lado para o outro, sozinho na minha sala de


estar.

Eu não vou para o The Heights.

Mais passos.

Eu não tinha certeza de qual vício me impedia de ficar


quieto esta noite. Já passaram quase vinte e quatro horas desde
que eu fumei um cigarro e meia hora a mais desde que eu vi Gia.
Um deles me faz sentir como se estivesse no limite.

Tinha que ser os cigarros. Eu nem sabia por que diabos eu


não tinha fumado hoje, quando meu plano é perder a estúpida
aposta. Por alguma razão, eu quero ver se poderia parar se
quisesse. O pensamento de que eu prefiro dar uma volta até o The
Heights do que fumar, realmente me irrita.

Deitando no meu sofá, pego meu celular. O que eu preciso


não é de um maldito cigarro ou Gia - eu preciso é transar. Percorro
meus contatos para ver se algum nome desperta meu interesse.

Amy. Ruiva. Curvas assassinas. Gostava de andar pelo The


Heights e tentar me distrair. A última coisa que eu precisava é de
outra distração no trabalho.
Blair. Em alguma coisa esquisita e bizarra. Não que eu me
importasse, mas para esse tipo de coisa precisa de certo humor,
que eu não estou sentindo hoje.

Chelsea. A vi pela cidade na semana passada de mãos


dadas com um cara de aparência formal. Eu não tinha muitas
regras na vida, exceto não tocar no que pertence a outra pessoa.
Excluí.

Darryl me mandou uma mensagem no Memorial Day e disse


que não sairia até agosto deste ano. Eu não aguentaria tanto
tempo.

Everly Maldita. Everly.

Se alguém pudesse me ajudar a me acalmar, é aquela


mulher. Melhor cabeça que eu já tive na minha vida. Nós
estivemos juntos algumas vezes no verão passado e ela me
mandou uma mensagem algumas semanas atrás para me dizer
que ela está de volta à cidade. A melhor parte de estar com Everly
é que ela me fazia sentir usado. Ela me dizia exatamente o que
queria e como queria e depois que terminávamos, ela se levantava,
se vestia e dava um beijinho em minha bochecha antes de
agradecer. Vejo você por aí.

Perfeito. Apenas o que eu precisava.

Meu dedo paira sobre o nome dela enquanto eu penso se


ligo ou não. Depois de alguns minutos, jogo o meu celular no sofá.
Que porra está errado comigo? Eu estou agindo como se Everly
fosse algum remédio de gosto ruim, que eu tinha que tomar para
superar a gripe. Quando, de fato, não há nada de errado comigo.

Pare de agir como uma buceta.

Antes que eu pudesse pensar mais nisso, pego meu telefone


novamente e envio um texto rápido. Por que não deixar isso para
o destino? Quem sabe, talvez ela tenha conhecido alguém e não
estivesse mais à disposição.
Rush: Ei

Eu tive que rir de mim mesmo depois de enviar. Grande


linha de abertura. Levou dez minutos de debate para chegar a essa
merda. Suave, Rush. Muito suave.

Menos de um minuto depois, meu telefone toca com uma


resposta.

Everly: Sua casa ou a minha.

Porra. Minha cabeça cai de volta contra o sofá. Acho que o


destino acha que eu preciso transar também. Pelo menos,
manteria minha boca longe de Gia e de me importar com cigarro.
Espere. Não. Deveria ser a minha boca longe de um cigarro e me
importar com Gia. Ou talvez não.

Eu passo as duas mãos pelo cabelo, então respiro fundo e


exalo alto, antes de dizer foda-se.

Rush: A sua.

Everly é basicamente a versão feminina de mim. O velho eu


de qualquer maneira. Direta ao ponto e trata o sexo como prazer
mútuo, trocado entre dois corpos. Emoções não fazem parte disso.

Os pontos saltam enquanto ela digita de volta.

Everly: Esteja aqui em uma hora... ou eu começo sem


você.
Eu esfrego as mãos sobre o rosto e decido que não vou
gastar mais tempo me sentindo culpado. Não há razão para me
sentir culpado. Gia é uma funcionária e talvez uma amiga no
sentido frouxo da palavra. Eu não devo a ela o celibato só porque
eu gosto de olhar para ela e levá-la para casa. Foda-se isso.

Mesmo sabendo que eu não estou fazendo nada errado, não


consigo me livrar da sensação estranha e irritante que eu tenho.
Esse sentimento continua, enquanto eu faço algo para comer e
começo a me preparar para ir à casa de Everly. Normalmente, eu
gosto de ouvir música enquanto tomo banho, mas esta noite eu
estou tão distante que não me lembro de ligar o som. Foi por isso
que pude ouvir meu telefone tocando do outro quarto.

Na primeira vez eu ignoro.

Na segunda vez, saio do banho e envolvo uma toalha em


volta da cintura enquanto xingo.

“O quê?” Eu grito para o telefone. A água escorre pelo chão,


do meu cabelo encharcado.

“Patrão. É Oak.”

“Seja o que for, lide com isso. Eu não estou esta noite. Estou
saindo.”

“Mas é Gia, Rush.”

Jesus Cristo. Poderíamos todos fingir que ela não existe esta
noite para que eu possa me deitar em paz? “Basta lidar com o que
quer que seja.”

“Patrão…”

“Lide com isso!”

Eu estou prestes a desligar quando ele fala de novo. “Ela se


machucou, chefe. Entrou no meio de uma briga que começou no
bar. Pensei que você gostaria de saber.”
Meu coração parecia que começou a ricochetear contra as
minhas costelas. “Onde ela está? Ela está bem?”

“Ela vai ficar bem. Ela está sentada no escritório. Mas ela
levou um soco no olho. Provavelmente vai ter um olho roxo.”

“Eu já vou para aí.”

Até mesmo Oak pareceu nervoso quando viu meu rosto.


Vapor poderia estar saindo dos meus ouvidos com o quão nervoso
estou. Eu fui direto para o escritório, ignorando qualquer um que
tentou falar comigo.

Gia pula da cadeira quando abro a porta. Algo cai no chão


quando a mão dela voa para o peito.

“Você me assustou pra caramba, Rush!”

Eu me aproximo e levanto seu queixo. Seu olho esquerdo


está inchado e já começando a ficar roxo. “O que diabos
aconteceu? Você está ferida em outro lugar?”

Ela balança a cabeça. “Não. Estou bem. Apenas meu olho.


Não é grande coisa. Oak me fez sentar aqui e colocar gelo nele.
Mas eu estou bem. Eu posso voltar a trabalhar.”

Percebendo o que tinha caído quando entrei e a surpreendi,


me ajoelho e pego o bloco de gelo. “Você tem certeza de que nada
mais dói?”

“Eu tenho certeza.”

“Como diabos isso aconteceu?”

Mesmo que eu tenha visto por mim mesmo que ela está
bem, meu coração ainda está batendo desesperadamente. O som
de sangue girando em meus tímpanos dificulta a audição.
“Eu estava no andar de cima...” Gia começa a dizer.

“Não você,” eu a interrompo e me viro para a porta aberta.


“Oak!” Eu grito.

Ele deve ter ficado perto da porta esperando. “Sim, chefe.”

Fecho os olhos e respiro fundo, tentando manter a calma.


Mas a única imagem que vejo quando os fecho, é o punho na cara
da Gia. Alguém ia pagar por isso. E no momento, é o homem que
eu empreguei para garantir que esse tipo de porcaria não
acontecesse no meu bar. “Como diabos isso aconteceu?” Eu rujo.

O homem gigante dá uma olhada no meu rosto e realmente


dá um passo para trás. Jogada inteligente.

“Eu não vi tudo acontecer. Eu estava no andar de baixo e


aconteceu no terraço, perto do bar. Dois caras entraram em uma
discussão sobre qual deles compraria uma bebida para a garota.
Gia subiu para trazer uma garrafa de Patrón porque estava
acabando. Ela tentou acabar com a briga, ficando entre os dois
caras.”

Não ouvi nada depois da primeira frase. “Você não viu isso
acontecer? Não é para isso que eu te pago? Para ter os olhos neste
lugar?”

Oak abaixou a cabeça. “Eu sinto muito. É minha culpa. Eu


deveria estar lá.”

Gia intervém. “Isso não é culpa dele.”

“Cale a boca, Gia. Deixe-me cuidar disso.”

Meu foco está em Oak, mas eu percebo que os olhos de Gia


saem da minha visão periférica. Ela bate o saco de gelo sobre a
mesa para liberar as duas mãos e colocá-las nos quadris.

“Cale a boca? Você acabou de me dizer para calar a boca?”

“Gia…”
“Nada de Gia. Você não pode simplesmente marchar até
aqui e começar a gritar com Oak e me dizer para calar a boca.”

Eu abaixo minha cabeça para que nossos rostos estejam


nivelados. Eu estou prestes a gritar, lembrá-la de que é meu bar
e meus funcionários, então eu tenho todo o direito de marchar
para qualquer lugar que eu quiser e dizer o que diabos eu quiser.
Mas então eu vejo o olho dela novamente. Uma dor no meu peito
me lembra de que eu preciso ir devagar.

Eu me viro para Oak. “Saia. Feche a porta atrás de você.”

Ele não precisa ser informado duas vezes.

Uma vez que estamos apenas Gia e eu no pequeno


escritório, respiro fundo e me concentro no que é importante.
Segurando suas bochechas, pergunto: “Tem certeza de que está
bem?”

Seu rosto suaviza junto com o tom dela. “Estou bem.


Mesmo.”

Eu gentilmente corro meu polegar ao longo do canto do olho


dela que tinha começado a inchar. Ela estremece.

“Você caiu?”

“Não. Eu apenas tropecei. Eu tentei agarrar um dos braços


do cara para impedi-lo de bater no outro e um cotovelo me atingiu
nos olhos.”

“Movimento de principiante.” Eu examino seu olho mais


perto. “Você nunca pega o braço do cara em uma briga.”

“O que eu deveria ter feito?”

Fecho os olhos. “Você não deveria ter feito nada. Oak


deveria ter pegado o cara em um estrangulamento, ou pisado entre
os dois.”

“Mas Oak não estava lá.”


Eu balanço a cabeça. Eu estarei lidando com isso mais
tarde. Mas agora, eu preciso ter certeza de que isso é apenas um
olho roxo. “Qualquer visão dupla?”

“Não.”

“Siga meu dedo.” Mudo meu dedo para frente e para trás,
para testar o movimento dos seus olhos.

“Dor de cabeça?”

“Não.”

“Algum sangramento antes de eu chegar aqui? Do nariz ou


algo assim?”

“Não.”

Eu solto uma respiração profunda. “Eu acho que você vai


ficar bem. Você terá um bom olho roxo pela manhã. Mas o gelo vai
impedir que o inchaço aumente.” Eu pego o bloco de gelo da mesa.
“Continue assim. Venha, eu vou te levar para casa.”

Enquanto Gia vai pegar sua bolsa, falo com Oak e descubro
que ambos os idiotas que tinham entrado em luta, tinham saído
com olhos negros dados pelo meu segurança. Isso é o mínimo que
ele poderia ter feito.

Assim que Gia e eu saímos, acendo um cigarro. A fumaça


espessa cobre a queimadura na minha garganta como uma
pomada.

“Ei. Você está fumando!”

Eu olho para ela. “Foda-se. É sua culpa.”

“Minha culpa? Como é minha culpa?”

“Você me assustou pra caramba. Faça-me um favor. De


agora em diante, quando ver uma luta, ande na outra direção.”

Ela sorri de orelha a orelha.


“Que porra você está sorrindo?”

“Você se importa comigo. É doce que você tenha medo.”

Eu resmungo e jogo o cigarro no chão. Quando meus olhos


baixam, eles se fixam nos peitos de Gia. Ela usa uma blusa
transparente e seus mamilos estão saindo pelo tecido. Contive
meu impulso de mordê-los, tirar toda a minha raiva reprimida e
frustração ao sugar essas coisas até que elas estivessem doloridas
como o inferno. Meus olhos se levantam para encontrar os dela.
“Eu não sou doce. Confie em mim.”

Inesperadamente, Gia joga os braços em volta do meu


pescoço e me abraça. Seus seios se apertam contra o meu peito.
Parece muito bom. O sangue ainda correndo pelo meu corpo. Ela
me beija na bochecha antes de recuar.

“Por que isso?”

“Muitas coisas. Por ter um grande coração mole sob esse


exterior duro que você usa. Por ter vindo para se certificar de que
eu estava bem. Porque você vai consertar meu carro desde que
você perdeu a aposta. E... por parar no 7-Eleven a caminho de
casa para que eu possa pegar um doce da vitória.”

Eu balanço a cabeça e rio. “Vamos, Rocky.”

Gia se joga na cama. “Você vai deitar ao meu lado por um


tempo?”

“Essa não é uma boa ideia.”

Ela faz beicinho. “Mas meu olho realmente dói.”


Meu lábio se contrai. “Você está cheia de merda tentando
jogar com a minha compaixão. Eu não estou comprando o que
você está vendendo.”

Ela sorri ao ser desafiada. “Você não vai confirmar o que eu


estou te dizendo?”

Eu balanço a cabeça. “Não coço o que você está


arranhando.”

“Não acerta o que eu estou lançando?”

Eu entrego a ela o gelo que carreguei comigo. “Coloque isso


de volta por quinze minutos. E não, eu não estou balançando o
que você está rolando.”

Seu sorriso é adorável. Vou até o armário de boneca feia e


arranco a primeira da prateleira. O lado esquerdo do rosto está
carbonizado. O mesmo lado onde está o olho dela. O mesmo lado
do olho roxo desabrochando de Gia. Eu coloco ao lado dela na
cama. “Agora vocês parecem gêmeas.”

Meu celular vibra no meu bolso. Tinha acontecido o mesmo


no caminho para casa de Gia. Não foi até esta segunda vez que
percebi que provavelmente é Everly. Eu fui o único a iniciar o
contato e depois sumi.

Gia aponta os olhos para o bolso da minha calça. “Você não


vai atender a isso?”

“Não. Não agora.”

Ela me avalia por um minuto e depois inclina a cabeça. “É


uma mulher?”

“Eu não olhei, então como eu poderia saber disso?”

Ela aperta os olhos. “É uma mulher, não é? Um telefonema


tarde da noite.”
Eu olho para os meus pés. “Sim, eu tinha planos para esta
noite.”

“Oh. Eu vejo...” A dor em sua voz me mata. “Então você


provavelmente deveria ir. Eu não gostaria de mantê-lo de um bom
tempo.”

Minha cabeça, a que está presa aos meus ombros, grita,


pegue a dica... corra! Mas por alguma razão esquecida por Deus,
o que eu me vejo dizendo é exatamente o oposto. “Mova-se.”

Seu rosto se ilumina e ela joga a boneca feia no chão


enquanto se aproxima e se vira de lado.

Minhas sobrancelhas se levantam. “Isso é jeito de tratar sua


preciosa boneca?”

Ela dá um tapinha na cama ao lado dela. “Não é como se eu


pudesse fazê-la parecer pior.”

Sabendo que é uma má ideia, mas fazendo assim mesmo,


deito na cama ao lado dela. Eu olho para o teto, tenso.

Gia parece muito mais confortável do que eu. Ela se


aproxima e coloca a cabeça no meu peito.

“Eu posso ouvir seu batimento cardíaco. Parece que está


acelerado.”

Isso é porque está. Eu me sinto como o grande lobo mau,


deitado na cama da pequena chapeuzinho vermelho e eu
realmente quero comê-la.

Eu olho para ela, assim que seus grandes olhos olham para
mim.

Que olhos grandes que você tem

O tipo que enlouquece os lobos.

Ela sorri inocentemente e se aconchega mais perto. Seus


seios firmes empurram o meu lado.
Que grandes peitos você tem.

Eles certamente atrairão alguém ruim.

Ela boceja. “Estou tão cansada de repente.”

Sem pensar, me abaixo e acaricio seus cabelos. Parece tão


natural e certo. “Sua adrenalina está caindo. Ela aumentou
quando você pulou naquela luta e ficou alta por um tempo depois.”

Ela suspira. “Sim. Desculpe-me por fazer isso. Eu meio que


fiz e não pensei. Também sinto muito por arruinar seus planos
para a noite.”

“Está bem. Eles não são importantes.”

Alguns minutos depois, ouço sua respiração mudar e acho


que ela já adormeceu. Até ouvir sua voz grogue. “Rush?”

“Sim?”

“Eu realmente não sinto muito por arruinar seus planos


para a noite.”

Eu sorrio. “Eu não sinto muito que eles tenham sido


arruinados, Shakespeare. Agora durma um pouco.”
Capítulo 7

Eu acordo em uma cama vazia.

Confusa, eu não tenho certeza se tinha imaginado a noite


anterior. Eu tinha adormecido usando o peito de Rush como
travesseiro, não tinha?

Levantando a cabeça, giro enquanto vou para o banheiro.


Depois de um rápido xixi matinal, lavo as mãos e cometo o erro de
me olhar no espelho.

E faço uma careta vendo meu reflexo. Meu olho tem um


adorável sombreado preto arroxeado e a pálpebra inchou tanto
que cobriu metade do meu olho. Eu toco um monte rosa perto da
minha bochecha. “Ouch. Merda.”

Felizmente, eu não tenho que trabalhar hoje, então decido


voltar para a cama. Alguns minutos depois de fechar os olhos,
começo a dormir novamente quando ouço um barulho. Olhando
para cima, encontro Rush ao lado da minha cama, mexendo
dentro de uma sacola.

“O que você está fazendo?”

“Desculpa. Não quis te acordar tão cedo. Eu planejava ir à


loja antes de ir para casa. Mas nós dois dormimos na noite
passada.”

Eu me apoio em um cotovelo. “O que é tudo isso?”

“Fui à farmácia para pegar alguns suprimentos.”


“Suprimentos?”

“Para o seu olho roxo.” Ele levanta uma garrafa de Motrin8


e uma garrafa de vitamina C antes de colocar as duas na mesinha
de cabeceira ao lado da minha cama. “Motrin para dor de cabeça
que você provavelmente terá esta manhã. Vitamina C para
fortalecer os vasos sanguíneos e acelerar a cicatrização de um olho
negro.” Mexendo na sacola, ele pega um recipiente de plástico…
“Isso, são abacaxis?”

“Abacaxis têm enzimas que reduzem a inflamação e


aceleram a cura,” diz ele.

“Mesmo?”

“Sim”. Ele puxa o último item para fora da sacola plástica.


Parece um pedaço de tecido azul com algo recheado dentro.
“Compressas quentes por dois dias ou três. Isso fica no micro-
ondas até que esteja quente. Não está quente.”

“Ok”. Eu rio. “Como você sabe tanto sobre essas coisas?”

“Tenho a minha cota de lutas enquanto crescia.”

“Oh.”

Ele se inclina e beija a minha testa. “Tenho que ir. Você está
de folga hoje, certo?”

“Sim.”

“Bom. Descanse um pouco. Eu tenho que ir para a cidade.”

“Para quê?”

“Alguma reunião estúpida do conselho de uma empresa da


qual eu possuo uma parte. Meu avô me deixou uma merda de

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ações com direito a voto. Eu poderia fazer uma nota de ausência,
ou não votar em tudo, mas quando eu compareço, isso perturba
meus queridos pai e irmão. Então, eu faço o meu negócio para
aparecer a cada fodida reunião.”

Eu rio. “Eu gostaria de ser uma mosca nessa reunião.”

“Acalme-se hoje.” Rush bate na ponta do meu nariz com o


polegar e se vira para sair. Ele ficou a noite inteira, mas eu ainda
não quero que ele vá.

“Espere!” Eu puxo as cobertas para trás.

“Sua reunião do conselho é em Manhattan, certo?”

“Sim.”

“Onde?”

“O escritório do meu pai fica na Madison Avenue.”

“Oh, isso é engraçado. É onde está meu agente literário.


Você vai de trem ou dirigindo?”

“Dirigindo. É uma dor na bunda, mas a reunião não é até a


uma, então eu vou esperar até a hora do rush da manhã passar.”

“Posso pegar uma carona com você?”

Suas sobrancelhas se abaixam. “Para a cidade? Você quer


vir para a reunião do conselho?”

“Não. Meu pai trabalha lá. Eu não o vejo há algum tempo,


então seria divertido surpreendê-lo e levá-lo para almoçar.”

Rush encolhe os ombros. “Certo. Contanto que você não


toque no meu rádio ou se importe com o meu cigarro.”

Eu pulo para fora da cama, esquecendo toda a minha dor


de cabeça e olho dolorido. “A que horas eu devo estar pronta?”
“Dez. Vou fazer algumas coisas antes de ir para casa e
tomar banho. Eu vou passar e te pegar antes de pegar a estrada.”

“OK!”

“Você trouxe algo para se trocar?” Eu olho por cima do meu


ombro para o banco de trás do carro do Rush. Não há uma bolsa
de roupas ou qualquer roupa pendurada.

“Você não gosta do que eu estou vestindo?”

Se eu estiver sendo honesta, amo o que ele veste. Calças


jeans rasgadas pretas, botas de estilo militar, uma camiseta
branca e uma jaqueta de couro. É como se James Dean voltasse
à vida, apenas mais quente e tatuado. “Eu gosto do estilo. Mas
não é exatamente apropriado para uma reunião do conselho, é?”

Um sorriso travesso se espalha pelo rosto do Rush. “Não.


De modo nenhum.”

“Seu pai vai dizer alguma coisa para você? Fazer uma cena
por causa do jeito que você está vestido?”

“Eu o respeitaria mais se ele o fizesse. Ele só me julga por


quem ele pensa que sou. Nunca se preocupou em me conhecer.”

“Bem, então, é ele que está perdendo. Porque eu, por


exemplo, sei que por trás desse exterior rebelde, há um homem
que não deixa sua nova empregada voltar para casa sozinha,
mesmo que ela tenha estragado metade das bebidas que ela fez
para os clientes e o tenha irritado.”

“Obrigado. Mas eu acho que você vê o melhor nas pessoas.


E por causa disso, às vezes você perde parte da equação.”

“Do que você está falando?”


“Você acha que eu te levei para casa porque sou uma boa
pessoa. Não tenho certeza de que esse seja o caso. Se estou sendo
honesto, acho que sua aparência provavelmente tem algo a ver
com o fato de eu ser um cara decente e oferecer uma carona para
você.”

“Eu não acredito nisso nem por um minuto. Acho que você
poderia oferecer a qualquer funcionário uma carona para casa.
Você não quer que as pessoas saibam disso sobre você. Além
disso, você mal notou como eu estava na noite em que nos
conhecemos e você me levou para casa.”

Rush acende um cigarro e dá uma longa tragada de fumaça.


Soprando pela janela, ele se vira para mim. “Camiseta branca com
decote em V apertada, sutiã preto por baixo. Calça jeans com um
rasgo em um joelho. Esquerdo, para ser específico. Cabelo solto e
ondulado. Óculos.”

Minha boca cai aberta. Ele descreveu perfeitamente o que


eu usava na noite em que nos conhecemos, até o sutiã que eu nem
percebi que era visível sob a minha camiseta.

Rush olha e pega a surpresa no meu rosto. “Os óculos são


sexy pra caramba, a propósito. Você deveria usá-los com mais
frequência.”

Eu rio. “Eu acho que você tem uma memória muito boa e
seus motivos são mais altruístas do que você quer que eu
acredite.”

Ele sopra o cigarro. “Como você mesma. Mas eu estou te


mostrando um lobo e ainda assim você quer me ver como a
ovelha.”

O celular do Rush toca. Olhando para o nome piscando, ele


diz que é um distribuidor de bebidas que ele está tentando
contatar e que ele tinha que atendê-lo. Claro, ele quebra as regras
de trânsito e fala segurando o celular no ouvido, em vez de usar
as mãos. Eu olho pela janela, enquanto ele discute com alguém
sobre quantas caixas de vodca seriam entregues.

Nós tínhamos acabado de entrar na Long Island


Expressway e tínhamos mais duas horas de viagem pela frente.
Quando eu perguntei a Rush, esta manhã, se eu podia pegar uma
carona com ele para a cidade, foi principalmente uma manobra
para passar mais tempo com ele. Mas agora que está chegando
perto de surpreender meu pai para o almoço, eu estou realmente
animada com isso. Já fazia pelo menos dois meses desde que eu
o vira. Conversamos ao telefone todos os dias, mas normalmente
não demoramos tanto tempo sem nos encontrarmos.

Quando Rush desliga, eu ainda estou pensando em meu


pai. Eu digo: “Quando eu era criança, meu pai e eu costumávamos
fazer uma viagem todos os verões.”

Ele joga seu celular no painel. “Oh sim? Para onde vocês
iam?”

Dei de ombros. “Em nenhum lugar chique. Nós não


tínhamos muito dinheiro, mas papai sempre fazia questão de tirar
férias. Às vezes na Pensilvânia, às vezes o Maine. Algumas vezes
chegamos a dirigir até a Flórida. Nós costumávamos jogar jogos
de carros toda a viagem. Eu nem tenho certeza se eles são jogos
reais, ou se o papai os inventou.”

“O quê? Como o jogo da placa onde você tem que encontrar


todos os estados.”

“Não. Eles sempre foram jogos em que tínhamos que


inventar histórias e outras coisas. Meu favorito é felizmente,
infelizmente.”

Rush olhou para mim e de volta para a estrada. “Nunca ouvi


falar disso.”

“Uma pessoa diz algo afortunado que começa com


Felizmente e então a próxima pessoa tem que inventar algo
lamentável sobre a situação anterior. Se você tropeçar dando a
história infeliz para ir com a história afortunada, você recebe uma
advertência. Três advertências e a outra pessoa vence.”

“Eu não entendo.”

“Assim...” Eu bato meu dedo no meu lábio e olho para fora


da janela enquanto dirigíamos, até que eu pensasse em algo.
“Felizmente, Rush está indo para a cidade hoje e eu podia pegar
uma carona. Agora você tem que criar a próxima parte,
relacionada à minha parte e sua sentença tem que começar com
Infelizmente. Continue. Dê uma chance. Eu vou dizer a minha
novamente. Felizmente, Rush está indo para a cidade hoje e eu
poderia pegar uma carona.”

Rush sorri enquanto continua mantendo os olhos na


estrada. “Infelizmente, Gia lembrou-se deste jogo idiota e arruinou
a viagem para a cidade.”

“É isso aí! É assim que é. Exceto que você é um idiota.”

Rush ri.

“Eu estou começando de novo agora que você pegou o jeito.”


Eu sorrio. “Felizmente, Rush perdeu seu encontro na noite
passada, o que significa que ele foi poupado de um caso horrível
de chatos.”

Ele balança sua cabeça. “Infelizmente, ele agora tem bolas


azuis e vai precisar pegar emprestado o saco de gelo que Gia usou
depois de sua briga de bar na noite passada.”

Eu continuo. “Felizmente, Rush tem uma forte mão direita


e pode cuidar desse problema mais facilmente do que se limpar de
uma DST.”

“Infelizmente, o pau do Rush sabe a diferença entre bater


punheta e estar dentro de uma mulher.”
Eu rio. “Você é muito bom nisso! De uma maneira
distorcida.”

“Oh sim? Apenas espere. No caminho para casa, vou


começar todas as histórias. E eu não tenho nada melhor para fazer
do que sentar na minha reunião do conselho o dia todo e pensar
em alguma merda distorcida para você ter que responder mais
tarde.”

Por que eu estou ansiosa para isso?

Enquanto continuamos dirigindo, percebo que estou


passando todo esse tempo com o Rush e nem sei o sobrenome
dele.

Eu me viro para ele. “Ei... eu nunca perguntei, qual é o seu


sobrenome?”

Sua mandíbula fica tensa. “Essa é uma pergunta


aleatória...”

“Sim, bem, eu acabei de perceber que é um pouco estranho


que eu não saiba.”

Ele solta um suspiro duro. “Você não precisa saber meu


sobrenome.”

“Você dormiu na minha cama ontem à noite. Acho que o


mínimo que você pode fazer é me dizer seu sobrenome. Além disso,
não é como se eu não pudesse simplesmente perguntar a alguém
no trabalho qual é.”

“Na verdade, o único que sabe é o Oak. E ele recebeu


instruções estritas para não informar a ninguém - isso inclui você,
Gia Mirabelli.”

“Meu Deus. Isso é tão sombrio.” Eu rio. “Por quê?”

“Porque as pessoas não precisam saber da porra do meu


negócio.”
“É o seu nome! Isso não é uma informação privada.”

“Para mim é.”

Eu me inclino um pouco. Minha voz é baixa e sexy. “Vamos.


Conte-me.”

“Não,” ele vomita.

“Por quê?”

Silêncio.

Mais silêncio.

Ele não está mais me respondendo. Eu estou ficando cada


vez mais curiosa a cada segundo. Concebo um plano que eu
espero que funcione.

Quando começo a acenar para o motorista de um grande


caminhão próximo a nós, ele grita: “O que diabos você está
fazendo?”

“Se você não me disser seu nome, eu vou me mostrar para


o caminhoneiro.”

O motorista buzina para mim e sorri. Eu realmente não vou


continuar com isso, mas Rush não tem como saber disso.

Seu Mustang desvia um pouco. “Você não faria isso...”

Meus olhos se arregalam. “Oh sim? Veja-me.”

Uma veia no pescoço dele salta, quando começo a levantar


minha camiseta. Ou ele vai me dizer seu sobrenome, ou vai bater
o carro. Assim quando o material está quase todo para cima, Rush
deixa escapar.

“Meu nome é Heathcliff Rushmore!” Ele solta um suspiro e


resmunga: “Foda-se.”

Heathcliff Rushmore?
Heathcliff?

Rushmore?

Eu cubro minha boca. “Oh meu... isso é interessante.”

Ele parece tão zangado consigo mesmo. “Feliz agora?”

Eu sorrio. “Sim, na verdade, estou.” Eu repito para mim


mesma: “Heathcliff Rushmore... Heath... Heath Rushmore...
hmm.”

“Recebi o nome do meu avô.”

Eu bato meu dedo. “Então, é por isso que você vai pôr
Rush...”

Ele finge surpresa. “Uau... você é realmente inteligente.”

“Cale a boca.” Eu rio e digo: “Obrigada por me dizer.”

Ele dá um sorriso hesitante. “Você não me deu muita


escolha, pirralha.”
Capítulo 8

“Heathcliff. É bom ver você, meu filho.” Meu pai deu um


tapinha nas minhas costas, me interrompendo no meio da
conversa em que eu está com Gerald Horvath, o advogado do meu
avô e sempre o único rosto amigável na sala em minha direção.

“Edward.” Eu balancei a cabeça.

Meu pai e meu irmão odiavam a minha existência, mas as


aparências são importantes para eles. Desdém se escondia sob
um sorriso mascarado quando alguém está por perto.
Especialmente quando aquele alguém tinha poder de voto, como
Gerald.

O advogado do meu avô tinha acabado de me dar os


detalhes sujos do propósito da reunião de hoje. A Vanderhaus é
proprietária de imóveis comerciais em Manhattan e o voto de hoje
é para aprovar uma grande venda de imóveis, sem divulgar certas
coisas ao comprador. O conselho está em desacordo. Meu irmão,
Elliott, e meu pai possuem quarenta e nove por cento do poder de
voto da empresa e sempre são uma frente unida. Eu possuo vinte
e cinco por cento, algo que eu tenho certeza que meu avô tinha
decidido estrategicamente. Individualmente, meu irmão e meu pai
têm vinte e quatro por cento e meio, então meu voto superava o
deles. Mas unidos, eles poderiam ultrapassar muitos votos, já que
só precisavam conseguir um por cento para ter uma maioria.
Aparentemente, a votação de hoje é David vs. Goliath e eles ainda
não conseguiram garantir o compromisso de qualquer pessoa em
votar com eles.

“Seu irmão e eu gostaríamos de conversar, se eu pudesse


roubar você de Gerald por alguns minutos.”

Gerald sabia que o sangue entre nós três corria fino, mas se
curvou graciosamente como sempre. “Certo. Sem problemas. Eu
vejo um queijo dinamarquês chamando meu nome antes de
começarmos, de qualquer maneira.”

Uma vez que Gerald está fora do alcance da voz, a máscara


do pai amoroso escorrega, assim que Elliott se juntou a nós.
“Quanto vai demorar para você votar conosco?”

Meu pai sempre achou que eu e minha mãe éramos tudo


sobre o dinheiro. É incompreensível para ele, que alguém
colocasse sua moral e autoestima antes de ganhar um dinheirinho
rápido.

Eu bebo água de uma garrafa. “Deixe-me ver se entendi.


Você comprou um lar de idosos que a comunidade precisava
muito.” Eu aponto para meu irmão. “Suponho que você foi quem
negociou a compra, prometendo ao vendedor que você tinha toda
a intenção de manter a instalação em funcionamento, mas de
alguma forma essa promessa não entrou no contrato. Então você
demoliu o lugar, junto com algumas outras casas que você
comprou ao redor dele. Tudo para dar lugar a um shopping de oito
andares, que você poderia preencher com um monte de cadeias de
lojas superfaturadas.”

Meu irmão me olha de cima a baixo. Ele deve ter chupado


um limão que deixou seu rosto daquele jeito, antes de se
aproximar de nossa adorável conversa. “Eu vou te dizer o que...”
ele diz, “...você vota do nosso jeito e eu vou me certificar de alugar
um espaço para uma rede de terno masculino decente, com preço
moderado e providenciarei para que você ganhe cinco por cento de
desconto.”
Eu sorrio e continuo, não me incomodando em trocar golpes
pessoais com meu arrogante meio-irmão. “Eu não tinha acabado
completamente com a minha história. Então você descobre que o
solo debaixo do prédio que você acabou de derrubar está
contaminado com chumbo e toda uma lista de outras toxinas. Que
vai custar mais de um milhão de dólares para limpar, para não
mencionar atrasos na construção e lidar com o DEP9. Agora que o
shopping está fora de questão, você quer vender a propriedade
para outra empresa, que esteja interessada em construir uma
nova instalação da casa de repouso no local e não tem planos de
divulgar o que encontrou para o comprador.”

“Não seja ingênuo,” meu pai repreende. “Este é o mundo dos


negócios em que estamos. Não é uma sala de tatuagem onde você
decide não estragar a pele da bunda de uma garota bêbada,
porque ela não está no estado de espírito certo para ter aquela
rosa que ela sempre quis tatuada na sua bochecha esquerda. O
risco é do comprador - O comprador que se cuide - Não temos
obrigação legal de mimar um comprador.”

“Nenhuma obrigação legal. Que tal ética?”

“Você está sendo ridículo. Você sabe quanto dinheiro todos


nós perderemos se formos obrigados a manter essa terra e
continuar com essa limpeza?”

“Foi erro da empresa em comprar a terra sem testar o solo.


É a empresa que deve pagar por isso. Pelo que ouvi, a clínica de
repouso que vendeu a propriedade, fez um estudo ambiental antes
de construir o local há sessenta anos. Eles não teriam como saber
o que se infiltrava no solo, dos postos de gasolina, no decorrer dos
anos. E se você mantivesse a propriedade como uma casa de
repouso - como você disse para a comunidade que você planejava
- a questão também não teria surgido.”

9 Department of Environmental Protection: Departamento de Proteção Ambiental


Meu irmão abotoa o terno e olha para o nosso pai. “Eu lhe
disse que é uma perda de tempo tentar fazê-lo entender os
negócios. Você pode tirar o menino tatuado da bandidagem, mas
você nunca tirará a bandidagem do menino.” Ele se vira para mim.
“Com esse tipo de perda e do jeito que tenho certeza que você
administrará os outros negócios que meu avô deixou para você,
você voltará a tatuar criminosos em breve.”

Eu pisco para o meu irmão. “Não os bêbados. Lembre-se, eu


sou o irmão honesto que acredita em não tatuar rosas em suas
bundas.”

Felizmente para mim, a secretária convoca a reunião do


conselho. Nas duas horas seguintes, nós nos sentamos e ouvimos
meu pai e meu irmão mentindo para todo mundo. Eu tenho que
admitir isso sobre eles. Eles me deram uma história tão boa que,
por um minuto, quase acreditei que votar com eles para endossar
a venda sem divulgar a contaminação da propriedade, é do melhor
interesse da comunidade.

Partimos para uma pausa antes da votação formal e saio


para fumar um cigarro. Estranhamente, é mais fácil respirar com
fumaça grossa cheia de nicotina enchendo meus pulmões, do que
na sala de reuniões sofisticada.

No caminho de volta para a reunião, encontro meu irmão,


em um saguão tranquilo, com uma mulher. Eu quase não percebo
que é ele, visto que todo o seu rosto está enterrado no pescoço da
mulher - uma mulher que não é sua esposa. Esse pedaço de
merda.

Ele entra na reunião no último minuto conversando com


um membro do conselho e usando seu habitual sorriso de
satisfação. Eu vi o membro do conselho algumas vezes. Lembrei-
me que ela é a herdeira de alguma fortuna que o marido morto lhe
deixou e tem sotaque britânico - Maribel é o nome dela.
Os dois sentaram-se na diagonal, um em frente ao outro e
a reunião foi retomada. Não tendo conseguido dar uma boa olhada
na mulher no corredor, eu realmente espero que não seja ela e que
ele não estivesse transando com um membro do conselho.

“Tudo bem, vamos acabar com isso,” diz meu pai. “Esta é
uma votação pública. A secretária aqui tem o voto de todos em seu
laptop, então tudo o que precisamos fazer é dizer um sim ou um
não sobre a venda. Ele vai calcular os resultados quando
terminarmos.”

A secretária então começa a chamar os nomes e as pessoas


votam.

“Não.”

“Não.”

“Não.”

“Não.”

Depois que o quarto membro vota não, eu olho para o meu


irmão. Ele não olha para todos os interessados. Quando chega a
minha vez, meu pai me lança um olhar de desgosto por votar com
minha consciência.

Cada membro vota não, até chegarmos ao único voto


restante, além do meu pai e irmão - a mulher que entrou com meu
irmão. Ela olha para ele antes de dar seu voto. Porra. Seus olhos
estão encobertos e, ao olhar mais de perto, seus lábios inchados
confirmam que ela é a mulher do corredor.

“Maribel Stewart? Seu voto?”

“Sim.”

Porra.

Tudo o que precisavam é de uma pessoa para votar com


eles.
Eu fico no meu lugar até que todos, exceto meu irmão e meu
pai, saiam da sala. O rosto do meu irmão é tão presunçoso, que
eu tenho o desejo de reorganizá-lo para ele.

“Eu não sei como você dorme à noite,” eu digo.

“Eu tenho uma cama de dez mil dólares para um rei.” Elliot
sorri.

Eu fico de pé. “Eu prefiro dormir no chão e ter uma


consciência limpa.”

Ele arruma a gravata e olha para mim. “Adequado, o chão é


onde você pertence.”

Depois de tudo resolvido do encontro com minha família


disfuncional, eu mando uma mensagem para Gia, para ver onde
ela está.

Rush: Onde você está?

Ela responde alguns segundos depois.

Gia: No Stardust Diner de Ellen na Broadway.


Almoçando. Eles têm o melhor pão francês.

Rush: Estou indo para aí.


Desde que eu estacionei meu carro em uma garagem
durante o dia, eu pulo em um táxi para o restaurante. O encontro
com meu pai e Elliot ainda está passando pela minha cabeça e eu
preciso me acalmar.

Eu preciso ver Gia.

Eu sei que ela me fará sentir melhor, mesmo que seja


frustrante admitir isso para mim mesmo. Tendo que conter a
vontade de fumar no táxi, abaixo a janela e deixo o ar frio bater
no meu rosto.

Penso em Gia me convencendo a dizer o meu nome. Aquela


bruxinha sabia da minha fraqueza. Ela sabia que meu ciúme não
conhecia limites e sabia exatamente como manipular isso. Esse é
um talento perigoso.

Mas, droga, funcionou.

Eu não posso deixar de rir de mim mesmo.

Ela me pegou.

Boa jogada, Gia. Boa jogada.

O taxista está olhando para mim pelo espelho retrovisor.


“Algo engraçado?” Ele pergunta em um sotaque jamaicano.

Pego.

“Não. Só pensando em uma mulher que me deixa um pouco


louco.”

Balançando a cabeça em compreensão, ele diz: “Sim, meu.


Não são todas elas?”

Ele me deixa e eu entro no restaurante, que é retrô temático


com cabines de vinil vermelho e luzes de neon. Um das garçonetes,
vestida com uma saia rodada dos anos cinquenta, está de pé sobre
uma das cabines, cantando. Ela provavelmente é uma aspirante a
atriz da Broadway.
Não me surpreende nem um pouco que Gia tivesse
escolhido este lugar. É excêntrico, assim como ela. O que me
surpreende é encontrá-la sentada em uma mesa em frente a um
oficial da polícia de Nova York. Antes que eu possa tirar a
conclusão de que ela está se metendo em problemas por ter feito
algo estúpido, percebo que ela parece estar sorrindo e rindo.

Um policial? Que diabos?

Meus punhos se apertam. Uma onda de adrenalina me


atinge até que eu chegue mais perto e percebo que são
semelhantes. Ela disse que estava planejando encontrar seu pai.

Merda.

O pai dela.

Eu me sinto como um idiota agora. Com tudo o que


aconteceu na Vanderhaus, distraí-me e esqueci completamente
que ela estaria se encontrando com ele. Eu definitivamente não
teria vindo aqui se me lembrasse de que ela está com seu pai.

É tarde demais para voltar atrás. Ela me vê. Ele também.

Você poderia ter me dito Gia!

Ela está sorrindo de orelha a orelha e me acena da sua


mesa. Gia parece completamente confortável com essa situação,
que é o oposto de como estou me sentindo agora.

“Oi,” ela diz.

Colocando as mãos nos bolsos da minha calça jeans, eu


aceno uma vez. “Oi.”

“Esse deve ser Rush,” diz seu pai.

Ela falou com ele sobre mim?

“Sim pai. Esse é Rush.” Ela se vira para mim. “Rush, este é
o meu pai, Tony Mirabelli.”
Seu pai parece estar em boa forma para alguém que eu
colocaria em seus cinquenta e poucos anos. Ambos têm os
mesmos olhos azuis que contrastam com o cabelo escuro e a pele
morena.

Eu tiro uma mão do bolso e a estendo. “Prazer em conhecê-


lo, senhor.”

Seu aperto de mão é firme enquanto seus olhos caem para


as tatuagens no meu braço. Ele cutuca a cabeça em direção à
mesa. “Sente. Junte-se a nós.”

Eu olho para Gia. “Eu estou pensando que talvez eu deva


voltar quando você terminar com seu pai. Não quero interromper.
Eu tenho algumas coisas que eu poderia fazer.”

Tony responde por ela: “Bobagem. Sente-se.” Seu tom não é


exatamente casual. É mais exigente, como sente-se, filho da puta.

Eu sinto que não posso mais sair dessa situação, então


concordo e me sento ao lado de Gia. Há um enorme prato de
torrada francesa meio comida na frente dela. O prato do pai dela
está limpo.

Uma garçonete vem e coloca um cardápio na minha frente.


“Posso pegar alguma coisa para você?”

Eu não tinha comido o dia todo, mas não me sinto muito


confortável aqui, então eu digo: “Só café preto.”

Meus olhos pousam nos dele. Tony está me encarando


atentamente. Por alguma razão, o tema de The Sopranos começa
a tocar na minha cabeça. Provavelmente o nome Tony o acionou.
A sequência da abertura em que Tony Soprano está passando pela
ponte para Jersey, passa pela minha cabeça. Isso é exatamente
onde eu quero estar - dirigindo por uma ponte para Jersey e não
encarando esse homem na cara agora.

Não há muitas coisas que me deixam nervoso. Mas sentar


em frente a um homem, que está olhando para você como se ele
soubesse que você quer separar as pernas da filha e comê-la, é
definitivamente uma delas. Especialmente, quando o cara está
guardando uma pistola.

Ele cruza as mãos e inclina a cabeça para o lado. Sua


expressão de repente fica séria. Na verdade, ele parece chateado.
“Minha filha me disse que você deu um soco nos olhos dela.”

Meu coração começa a bater mais rápido. Um longo


momento de silêncio passa, enquanto eu apenas fico ali, sem
palavras.

Ela o quê?

Que merda é essa?

Então… Gia bufa. Tony olha para ela e os dois caem na


gargalhada.

Estou sendo zoado?

“Eu estou apenas brincando, filho.” Ele enxuga os olhos.


“Foi uma piada.”

Ambos são idiotas. Meu pulso finalmente se acalma.

Não posso acreditar que caí nessa.

“Ele sabe a verdade sobre o que aconteceu,” diz ela.

Eu o encaro e digo: “Se eu estivesse lá para monitorar as


coisas, ela não teria conseguido esse olho roxo. Lamento que ela
tenha se machucado.”

Ele simplesmente assente.

“Nós estávamos falando sobre você antes de você entrar,”


diz Gia.

“Deve ter sido por isso que meus ouvidos estão zumbindo.”
Tony se vira para mim. “Ouvi dizer que você deu um
emprego a Gia e que você se certifica de que ela esteja segura em
chegar em casa à noite. Eu nunca realmente amei a ideia dela se
mudar para lá sozinha e tão longe de mim, quando não tenho
escolha, a não ser estar aqui para trabalhar. Mas você conhece
Gia. Ela tem uma mente própria, não pode ser detida. Então, eu
realmente agradeço qualquer ajuda que eu possa ter para cuidar
dela.”

Eu me sinto como uma fraude. Meus pensamentos sobre


Gia estão longe de serem “seguros”.

No entanto, eu pego o crédito. “Sem problemas. O prazer é


meu.”

Ele tira um pedaço de comida do uniforme azul marinho.


“Eu criei minha filha para ser inteligente e independente. Mas há
tanta coisa que ela não pode fazer para se proteger. Eu me
preocupo com ela, particularmente porque ela pode ser impetuosa
como seu pai. Ela pode estar cuidando de seu próprio negócio em
um minuto e separando uma briga de bar no próximo.”

“Bem, eu definitivamente posso concordar com você sobre


isso.” Eu rio. “Gia é definitivamente... impetuosa.”

Gia pisca para mim. Ela parece estar gostando dessa


interação, enquanto eu estou observando o relógio me preparando
para sair.

A garçonete pôs um copo de água e uma caneca fumegante


de café na minha frente. Tomo um gole do líquido quente.

Tony está apenas me observando e então me pega


desprevenido quando diz: “Então... isso sendo dito... com toda a
seriedade, quais são exatamente suas intenções quando se trata
da minha filha?”

Eu quase cuspo meu café.


Um longo momento de silêncio passa, antes que eles voltem
a rir e explodem em gargalhadas. Esses dois estão enganando -
um par de brincalhões.

Tony gargalha e aponta. “Eu amei o olhar em seu rosto.”

“Não se preocupe,” diz Gia enquanto coloca a mão no meu


braço. “Ele sabe que você não está interessado em mim e que você
é inofensivo, apesar do quão perigoso você possa parecer.”
Inclinando seu ombro contra o meu, ela diz: “Certo Rush? Ele não
tem nada para se preocupar?” Ela bate os cílios para mim.

Engulo. “Está certo.”

É para comer você melhor, minha querida.

Disse o grande lobo mau.

Ela se dirige a seu pai, “Rush disse que, porque ele é meu
chefe, não podemos namorar.”

Ele toma um gole de água e diz: “Bem, isso é inteligente,


suponho. Nunca é demais manter as coisas profissionais.”

Eu olho para Gia. “Eu concordo completamente.”

“Embora, você provavelmente esteja se enganando,” diz


Tony. “Eu vejo a maneira como você olha para a minha filha e eu
não tenho certeza se gosto disso, para ser honesto.”

Meus olhos se estreitam.

Merda.

Ele deve ter percebido a preocupação no meu rosto quando


diz: “Cara, você é ingênuo.”

Ele está fodendo comigo de novo. Gia e seu pai estão mais
uma vez rindo de mim. Duas ervilhas em uma vagem.

“Você quer saber a verdade, filho?”


Eu solto um longo suspiro. “Sim…”

“Eu fiz o melhor que pude para dar o exemplo para minha
filha, mostrar a ela como é um homem bom, decente e
trabalhador. Eu confio no julgamento dela. Então, se Gia sente
que alguém é digno de seu tempo e confiança, então isso é o
suficiente para mim, seja um amigo ou mais. Com quem ela
associa... bem, não é minha decisão.”

Eu aceno uma vez. “Tudo bem…”

“Além disso, eu fiz uma checagem completa sobre você há


pouco tempo, assim que ela me contou sobre você. Fui claro.” Ele
sorri. “Heathcliff Rushmore. Nome interessante.”

Muito obrigada, Gia.

Rangendo os dentes, eu digo: “É um nome de família.”

“Falando em família... seu pai é Edward Vanderhaus...”

Ouvi-lo mencionar esse nome faz minha pele arrepiar.

“Eu estou bem ciente disso, sim. Ele é meu pai biológico,
mas ele não me criou.”

“Eu estava em patrulha uma vez, para um evento privado


na cidade, que a Vanderhaus reservou. Ele é meio idiota. Sem
ofensa.”

“Nenhuma ofensa. E acredite em mim, eu estou bem ciente


disso.” Eu suspiro. “O que ele fez?”

“Não foi tanto o que ele fez... apenas a maneira como ele
falou com as pessoas, sabe? Apenas minha observação.”

“Sim. Sei exatamente o que você quer dizer.”

“Gia está me contando tudo - sobre sua herança. Você não


precisa entrar nisso. Uma história muito interessante, no
mínimo.”
Eu me viro para ela. “Você falou sobre outra coisa que não
seja eu hoje, Gia?”

Ela encolhe os ombros. “Desculpa. Mas eu conto tudo ao


meu pai.”

“Eu posso ver isso.” Eu ofereço um leve sorriso, então ela


realmente não acha que esteja bravo com ela. Eu poderia me
importar menos com o que o pai dela sabe. Eu não tenho nada a
esconder.

A garçonete vem para encher o meu café e do Tony também.

Ele engole um pouco e depois disse: “Parece que você fez o


melhor que pode com tudo o que recebeu filho - o bom e o ruim.”

“No fundo, ainda sou um cara de colarinho azul de Long


Island. Eu vi o quanto minha mãe lutou. Eu nunca esperei que as
coisas fossem entregues a mim. Eu ainda trabalho duro e não
tomo nada como garantido.”

“Bem, esse pobre rapaz do Queens acha isso admirável.”

Gia interrompe: “Ele está consertando meu carro para mim


também, pai.”

“Você tem algum conhecimento em carros?”

“Sim. Eu costumava trabalhar em uma oficina mecânica.”

Tony parece impressionado. “Sem brincadeiras…”

“Ele também costumava ser um tatuador,” diz Gia. “Eu


perguntei se ele poderia me tatuar, mas ele se recusa.”

“Parece que ele sabe que você pode ser um pouco impulsiva.
Boa decisão, Rush.”

Eu quase desejo que o pai de Gia fosse mais um idiota. Isso


me daria outra boa razão para ficar longe dela. Ele a criou sozinho
e parece ter feito um ótimo trabalho. Eu odeio dizer isso, mas Tony
é legal como uma merda, o tipo de homem que eu quero ter como
pai.

Ele olha para o relógio. “Bem, por mais que eu adorasse


ficar com você, querida, o trabalho chama. Tenho que voltar para
a delegacia.”

Gia faz beicinho. “Tudo bem, papai. Fico feliz que tenhamos
nos visto.” Ela se levanta e lhe dá um abraço.

Ele estende a mão. “Rush… foi um prazer. Fique longe de


problemas.” Ele me dá uma olhada e, por algum motivo, parece
sério.

Fique longe de problemas.

Tradução: Fique longe de Gia.


Capítulo 9

Rush pergunta se estou com pressa de voltar aos


Hamptons. Já que é minha noite de folga, eu digo a ele que não
há razão para voltar por certo tempo.

Depois que saímos do The Ellen´s, ele diz que quer comer
alguma coisa, o que é estranho, porque passamos a última hora
em um restaurante.

Aparentemente, não é que ele não quisesse comer no


restaurante, mas que ele está com o coração nos cachorros
quentes do Gray's Papaya. Deixamos o Gray's com uma sacola
cheia de cachorro-quente.

Rush anda e come ao mesmo tempo. “Sempre que venho


para a cidade, eu só tenho que ter um,” diz ele, mordendo o
cachorro-quente, que está carregado com pimenta e queijo.

“Um? Você pediu dez!”

“Eles não são todos para mim,” diz Rush com a boca cheia.

“Para quem são eles?”

“Alguns amigos. Você vai encontrá-los daqui a pouco.”

Hmm. Eu vou conhecer seus amigos?

Ele levanta seu cachorro-quente. “Quer morder?”

“Estou cheia, obrigada.”


O sol está descendo sobre a cidade. É uma noite linda.

Cerca de quinze minutos depois, paramos em um beco e


imediatamente percebo quem são seus amigos. Rush leva o saco
de cachorros-quentes para alguns moradores de rua, que estão
reunidos no beco com seus pertences em sacos de lixo pretos.

“Ei pessoal.”

Um deles parece reconhecê-lo. “Ei, Rush, cara. Como vai'?”

“O que há de bom?” Rush pergunta, entregando o saco


inteiro para ele.

“Nada... você sabe... o habitual.”

“Pensei que você poderia estar com fome.”

“Morrendo de fome. Obrigado,” diz o homem. “Quem é a sua


linda amiga?”

“Essa é Gia.”

Aceno. “Olá.”

Rush então enfia a mão na carteira e entrega ao cara uma


nota de cem dólares. “Prometa-me que você não vai gastar em
bebida.”

“Vou fazer o que você quer. Eu prometo.”

Rush aponta os dois dedos para os olhos e depois de volta


para o homem. “Estou te observando, Tommy. Cuide-se, ok?”

Enquanto nos afastamos, eu sussurro: “Isso foi muito legal


da sua parte.”

Ele espera até que não estejamos mais ao alcance da voz


dos homens para dizer: “Há muito tempo, decidi que uma boa
maneira de lavar a negatividade que sinto em relação à ganância
da minha família é combatê-la com um pouco de caridade. Eu
disse a mim mesmo que, toda vez que venho à cidade para uma
reunião de negócios obrigatória, eu ajudarei alguém de alguma
forma, antes de ir. Faz-me sentir bem.”

“Isso é realmente louvável.”

“Não. Eu tenho os meios. Eu nem me sinto mal. Só seria


louvável se fosse um sacrifício. Não é como se eu estivesse dando
a camisa para alguém.”

“Eu não concordo. É o pensamento que conta, não importa


quanto dinheiro você tenha. Você é um cara legal, Rush. E você
daria a qualquer um a camisa se eles precisassem. Só te conheço
há pouco tempo, mas não tenho dúvidas disso.”

Suas orelhas parecem ficar vermelhas. Estou aprendendo


que o Rush não fica confortável em receber elogios.

Ele para pôr um momento. “Aonde você quer ir antes de


voltarmos?”

Começando a me sentir cansada, eu digo: “Eu acho que


gostaria de ir para casa. Eu tenho que escrever esta noite.”

Nós começamos a andar de novo quando ele pergunta:


“Como está indo de qualquer maneira? O livro?”

Suspiro. “Não está realmente... indo.”

Sua boca se contorce e ele parece tenso.

“O que se passa?” Pergunto.

“Você disse indo. Eu perdi minha linha de pensamento por


um segundo.”10

“Esqueci que tenho que ter cuidado com as minhas palavras


ao seu redor.” Eu pisco.

10 Ela disse ‘coming’ que, em inglês, também quer dizer gozando.


“Sério, no entanto,” diz ele. “Por que você acha que está
tendo muito trabalho para se concentrar?”

“Eu simplesmente não consigo parar a insegurança. Eu


imagino cada palavra e apago o que escrevi na metade do tempo.
É horrível.”

Rush coça o queixo. “Por que você não tenta escrever como
se ninguém fosse ler? Apenas diga foda-se... e pare de pensar
demais. Aposto que se você voltar e ler o que escreveu, depois
descobrirá que não é tão ruim assim. Ter algo no papel é melhor
que nada.”

Eu pondero seu conselho. “Então, fingir que ninguém


nunca vai ver…”

“Sim. Sem parar para pensar demais... apenas continue...


até o fim. Preocupe-se com isso mais tarde. Escreva a primeira
coisa que lhe vem à mente e confie em seu instinto. Você é
provavelmente um juiz muito pior de si mesma do que qualquer
um.” Ele me cutuca com o ombro. “De qualquer forma, quem se
importa com o que as pessoas pensam? Escreva o que você gosta...
Eu aposto que isso vai ser o que outras pessoas vão gostar
também.”

Assentindo, eu considero o seu conselho. “Vou tentar adotar


essa abordagem.” Suas palavras se repetem na minha mente e me
levam a dizer: “Mas isso é muito irônico vindo de você, você não
acha?”

“Que parte é irônica?”

“Quem se importa com o que as pessoas pensam? Isso, do


cara que se recusa a sair com uma funcionária por medo do que
todo mundo vai pensar?”

Ele diminui o ritmo, parecendo um pouco chateado comigo


por trazer isso. “Não é sobre o que as pessoas pensam, mas sobre
o princípio da questão. Como proprietário de uma empresa, você
não marca alguém que emprega. É antiético. Também são
escolhas maduras para uma ação judicial e isso é uma dor de
cabeça que eu com certeza não preciso.”

“Mas está tudo bem você dormir na minha cama?”

Esse comentário parece irritá-lo ainda mais. “Não, isso não


está bem. Isso foi um erro.”

A pergunta que está na ponta da minha língua, de alguma


forma escapa do meu melhor julgamento. “E se eu conseguisse
outro emprego? Isso mudaria as coisas?”

Ele parece estar lutando com a forma de responder a isso.


Eu me preparo, porque sei que a resposta para essa pergunta é
uma virada de jogo. Isso provaria seus verdadeiros sentimentos de
uma vez por todas.

Rush enfia a mão no bolso para pegar um cigarro e acender.


Parece que ele estava fazendo um esforço consciente para não
fumar, até que eu o levasse agora.

Seus olhos quase parecem doloridos quando ele diz: “Eu


gosto de sair com você. Mas eu não sou certo para você, Gia.”

“Então o chefe é apenas uma desculpa? Não é realmente a


razão pela qual você não vai namorar comigo.”

“Não é o único problema, não. A questão é, sou eu… não


você.”

Eu reviro meus olhos. “Não é você, sou eu. Que linha


original! Eu deveria colocar isso no meu livro ruim.”
Meu pequeno interrogatório deve ter irritado Rush mais do
que eu imaginei, porque ele ficou quieto o resto da caminhada até
o estacionamento.

Uma vez que chegamos ao carro e na estrada, o tratamento


silencioso continua e ele começa a fumar o tempo todo.

Eu estou com raiva de mim mesma por trazer o assunto do


nosso relacionamento. Ele deixou suas intenções claras e eu tinha
que aceitar isso. Mas ainda há o fato de que eu não tenho certeza
se acredito plenamente que ele não quer mais nada comigo. Ele é
claramente atraído por mim e meu protetor. Ele está com medo?
Ou simplesmente não está interessado? Não importa. Assim que
ele puxou o velho “não é você, sou eu,” estou feita.

Eu não aguento mais o silêncio, então, sou a primeira a


falar.

“Você disse que íamos jogar felizmente, infelizmente na


volta.”

“Sim, bem, eu não estou de bom humor agora.”

Ignorando-o, eu digo: “Tudo bem... eu vou começar.


Felizmente, um de nós não fica bravo por muito tempo e sabe
como quebrar o gelo.”

Ele me dá um olhar de lado e me surpreende quando


começa a brincar. “Infelizmente, Gia decidiu quebrar o gelo,
lembrando-me deste jogo estúpido.” Ele balança a cabeça e sopra
a fumaça pela janela.

“Felizmente, Gia não é sensível, caso contrário, você chamar


o jogo de estúpido a teria chateado.”

“Infelizmente, acho que Gia é sensível e leva certas coisas


de modo muito pessoal, quando ela realmente não deveria.”
“Felizmente, não precisa dizer duas vezes para Gia, então
você não precisa se preocupar mais com ela falando sobre o status
do nosso relacionamento nunca mais.”

Ele acende outro cigarro antes de dizer: “Infelizmente, acho


que é o melhor.”

“Felizmente, agora entendo que somos, na verdade, apenas


amigos.”

Sua expressão atenua. Alguns segundos se passam antes


que ele responda: “Infelizmente, tenho que me desculpar por
minhas ações que a levaram a acreditar no contrário.”

“Felizmente, para você, eu te perdoo.”

“Infelizmente, isso significa que eu não posso mais dormir


na sua cama.”

Eu admiro seu pedido de desculpas, mas isso não me


impede de querer me vingar dele.

“Felizmente, agora que você deixou claro os seus


sentimentos, isso me libera para aceitar o encontro que eu tenho
adiado com Rhys, o barman do terraço.”
Capítulo 10

“Leve os barris até o bar do terraço,” retruco à sombra de


um homem que passa pelo meu escritório. O corredor está escuro,
mas eu sei exatamente quem é. O idiota está no meu radar, desde
que Gia deixou cair a bomba no carro a caminho da cidade.

“Eu?” Rhys dá um passo para trás na entrada do escritório.


Eu não me preocupo em levantar a cabeça da papelada em que
meu nariz está enterrado.

“Com quem mais eu estaria falando? Há outra pessoa por


perto?” Eu ainda não olho para cima.

“Umm. Oak geralmente os leva para cima. Essas coisas


pesam cento e sessenta quilos.”

Claro, eu sei exatamente quanto eles pesam e eu tenho


certeza que as coisas superam seu traseiro magro. Eu olho para
cima, meus olhos vermelhos cheios de desprezo. “Você está
dizendo que você é incapaz de realizar seu trabalho?”

“Oh não. Não. Eu vou levá-los até lá.” Ele continua ali,
olhando.

“Você está esperando por algo?” Eu mordo. “Vá trabalhar.”

“Umm. Certo. Certo. Sim, chefe.” Mesmo que ele tenha dito
isso, quando ele me vê levantar e ir até a porta, o marica fica
congelado no lugar. Por um instante, quando seus olhos se
arregalam e acho que ele poderia defecar nas calças, quase me
sinto mal pelo sujeito. Quase. Embora essa sensação tenha
acabado antes de eu bater à porta na cara do filho da puta.

Nos últimos três dias, consegui evitar Gia. Eu estou


planejando uma renovação de uma das propriedades de aluguel
que eu possuo aqui e as permissões finalmente chegaram da
cidade. Enquanto a equipe de demolição que contratei arranca a
cozinha antiquada e o deque traseiro, passo a maior parte dos dias
encontrando subcontratantes para conseguir orçamentos para
fazer a reforma. Mesmo que eu possa pagar o custo extra de
contratar um engenheiro para fazer esse tipo de merda, eu gosto
de gerenciar meus próprios projetos de construção. E Deus sabe,
eu poderia usar a porra da distração de passar todo o meu tempo
vigiando Gia neste lugar.

Meu celular toca e o primeiro sorriso genuíno que eu tive


em dias aparece no meu rosto. Eu sento de volta na minha cadeira
enquanto respondo. “Bem, se não é a aniversariante. Dormiu até
mais tarde? Eu te liguei há duas horas.”

“Eu está na verdade fora comprando materiais,” diz minha


mãe. “O telefone tocou enquanto eu dirigia e não sei como ligar a
coisa sem as mãos. Você terá que fazer isso para mim neste fim
de semana.”

“Tudo bem.”

“Comprei um novo conjunto de tintas e algumas telas


extras. Espero que o pôr do sol seja tão bonito quanto no ano
passado.”

“O tempo deverá ser bom. Quando você vai sair?”

“Esta tarde, se você não se importar. Eu sei que geralmente


saio na sexta-feira, mas preciso voltar cedo para ajudar no
churrasco de verão que eles estão fazendo na igreja.”

“Claro. O que você quiser. Você é bem vinda a qualquer


hora. Você sabe disso. Deixe-me saber quando você chegar aqui e
eu vou tentar chegar em casa cedo do restaurante. Eu vou levar
para casa um bom jantar de aniversário comigo.”

“Na verdade... estou pensando em ir ao restaurante para o


pôr do sol hoje à noite, para pintar, se isso não interromper o seu
tempo ocupado ou qualquer coisa. Eu não vou ocupar muito
espaço, apenas uma cadeira no canto do bar da cobertura. Eu
nem preciso levar meu cavalete.”

“Traga o que você quiser. Eu vou fechar a porra do lugar se


outras pessoas ao redor te distrair”

“Heathcliff... sua língua.”

Eu sou transportado de volta para quando eu tinha dez


anos. “Desculpa. Eu vou tentar ver minha boca. Mas você pode
demitir o Heathcliff no meu local de trabalho? Ninguém sabe que
meu nome é outra coisa senão apenas Rush. Eu sou como
Madonna... apenas com um p maior… Não importa, apenas me
chame de Rush no trabalho, por favor, mãe”.

“Ok, querido. Vejo você em algumas horas.”

Já é quase cinco quando saio do meu escritório. Eu odeio


sentar atrás de uma mesa o dia inteiro, que foi o principal motivo
que me levou a tarde toda para pôr em dia toda a papelada que eu
estava evitando. A equipe da cozinha tinha chegado e está aqui se
preparando para o início da corrida do jantar quando eu entro.

“Eu preciso de algo que não esteja no cardápio de hoje à


noite, provavelmente cerca de sete horas.”

“Claro, Rush. O que você precisa?” Fred, o chefe de cozinha


pergunta. Ele foi meu primeiro contratado quando assumi o lugar
há cinco anos.
“Salmon Oscar 11 . Assim como você costumava fazer no
McCormick e no Schmick.”

Ele aponta com um pegador na mão para mim e sorri. “Você.


O que quer que você queira, está de bom humor hoje.”

“Na verdade não é para mim. Mas eu agradeço. Eu


provavelmente vou pedir um hambúrguer para comer depois.”

“Encontro quente?”

“É o aniversário da minha mãe. Ela vai estar aqui daqui a


pouco.”

Fred pisca. “Eu vou fazer melhor do que eu fazia quando


trabalhava no McCormick e Schmick, então.”

Eu penso em subir as escadas para separar uma pequena


área para a minha mãe pintar, antes que ela chegue. Às quintas-
feiras são cheias, geralmente mais depois que o jantar termina. A
essa altura, o pôr do sol já teria passado e ela não é uma pessoa
de fim de noite.

Subindo as escadas de dois em dois, com uma cadeira


interna almofadada na minha mão, chego ao terraço e congelo.
Nós não tínhamos aberto ainda, mas minha equipe está ocupada
arrumando mesas e estocando o bar externo. Todos se apressam
em ficar prontos, exceto o meu barman. Rhys. Em vez de
trabalhar, ele mantém os braços apoiados no bar, enquanto flerta
com uma mulher. E não apenas qualquer mulher. O idiota
sorridente está parado ali flertando com a minha garota.

A fúria bombeia nas minhas veias enquanto eu fico ali


assistindo. Rhys diz algo que eu não posso ouvir e Gia joga a
cabeça para trás rindo. Porra. Ela é tão bonita quando sorri.

11
Como se sente olhando para ela, a cabeça de Gia se vira e
nossos olhos se encontram. Ela endireita a coluna e projeta o
queixo para fora, quase me desafiando a fazer algo sobre o que eu
tinha acabado de ver.

Ela nem está trabalhando hoje à noite. Que porra ela está
fazendo aqui?

Leva toda a força de vontade que tenho em mim, para não


andar até lá e dar um soco no pequeno pau com quem ela está
falando. Mas de alguma forma, eu consigo me controlar.
Respirando fundo, não a cumprimento. Em vez disso, eu cuido do
meu próprio negócio. Puxo uma mesa para o canto que tem as
melhores vistas do pôr do sol, coloco uma placa de reservada nela
e então coloco uma cadeira confortável, para que minha mãe
tenha um lugar para pintar.

Quando termino, grito para o barman que agora é meu


inimigo número um. “Isto está reservado para esta noite. Se
alguém se sentar aqui ou pegar a cadeira, você está demitido.”

Eu não espero por uma resposta.

De volta ao andar de baixo, eu coloco minha raiva para fora,


berrando com a minha equipe para mover suas bundas. Eles
olham para mim como se eu fosse uma bomba-relógio, embora
com a quantidade insana de raiva que eu sinto no peito, eu não
tenha certeza se eles estão enganados.

Precisando me acalmar, caminho em direção ao bar, sirvo


uma dose de uísque e viro, antes de sair para fumar um cigarro.
A fumaça acalma o fogo na minha garganta, quando deveria ter
acendido a chama.

Sinto-a antes de ouvir sua voz. Perdido em meus


pensamentos, nem sequer notei Gia abrir ou fechar a porta atrás
de mim. “Ei. Aí está você. Está tudo bem?”
“Tudo bem,” eu recorto e inalo novamente, profundamente,
até que a ponta da brasa do meu cigarro vira um tom brilhante de
laranja.

“Eu não estava tentando impedir Rhys de trabalhar, se é


isso que te irritou. Eu levei algumas garrafas de rum, sabendo que
há uma bebida especial no cardápio com rum nesta noite.”

Eu respondo, em um tom mais amargo do que pretendia.


“Por que você está aqui?”

“Estou trabalhando esta noite. Eu acho que Carla não te


contou? Trocamos esta noite pelo sábado à noite, porque ela tem
algo a fazer.”

Meu rosto está em branco. “Não. Ela não me contou. Por


que diabos alguém me diria alguma coisa por aqui? Eu só possuo
o maldito lugar.”

“Você está de mau humor. Você quer falar sobre isso?”

“Não, Gia. Eu não quero falar sobre isso. Eu só quero que


toda a minha equipe cuide dos seus negócios e se mantenha fora
do que é meu. Isso é tão difícil de fazer?”

Ela pisca algumas vezes, seu rosto parecendo que eu tinha


batido fisicamente nela. “Não. Isso não é tão difícil de fazer, chefe.
Perdoe-me se eu ultrapassei e dei à mínima, porque você parecia
estar chateado.” Ela se vira para sair, parando quando abre a
porta. “Isso não vai acontecer novamente.”

Minha mãe aparece às seis horas. Eu estou conversando


com um DJ que apareceu para discutir a próxima festa de 4 de
julho para a qual eu o contratei, quando a vejo com o canto do
olho.
Ela sorri me observando e é a primeira vez que sinto meus
ombros relaxarem o suficiente para respirar confortavelmente
hoje.

“Ei, mãe.” Eu a envolvo em um grande abraço. Minha mãe


é uma coisinha pequena. Ela gosta de me provocar dizendo que
eu quase a matei dando à luz a meu traseiro gorducho de quatro
quilos e meio. Meu tamanho é a única coisa que eu claramente
recebi do meu pai, que eu não odiava.

“Feliz aniversário de cinquenta e dois anos.”

Ela sorri. “Shhh. Eu tenho trinta e oito este ano.”

Honestamente, ninguém piscaria duas vezes se ela dissesse


que tem trinta e oito anos. Melody Rushmore mantém-se em
grande forma com ioga diária e algum tipo de meditação
transcendental que ela sempre tentou me fazer experimentar.
Olhando para ela, as pessoas nunca saberiam que ela teve uma
vida difícil. A mais nova de quatro crianças criadas no Canadá
rural por um pai abusivo e uma mãe alcoólatra, ela se mudou para
a cidade de Nova York com apenas dezoito anos. Ela conheceu
meu pai idiota aos vinte e dois anos e se apaixonou por suas
besteiras. Dezoito meses depois, quando ela está grávida de dois
meses, suas verdadeiras cores apareceram, quando ele exigiu que
ela fizesse um aborto. Antes disso, ela não tinha ideia de que ele
fosse casado. Definitivamente, nenhum indício de que sua esposa
acabara de dar à luz um filho só seis meses antes. Como o velho
pai não estava disposto a assumir suas responsabilidades sem um
teste de paternidade, mamãe teve que parar de trabalhar em seu
emprego dos sonhos na galeria de arte e encontrar um emprego
que oferecesse seguro. Ela desistiu de muito por mim, mesmo
antes de eu nascer.

“O seu cavalete está no carro?”

“Sim. Mas eu não preciso usá-lo. Eu posso apenas colocar


uma tela no colo.”
“Não seja ridícula. Deixe-me pegar algo para você beber e
então eu vou pegar suas coisas no carro.”

Eu caminho com minha mãe até o bar, meus olhos


treinados na sala de jantar adjacente, onde um idiota em um terno
barato está checando a bunda de Gia, enquanto ela o leva para
uma mesa. A porra do universo está fora para testar minha
paciência hoje à noite.

Distraído, sirvo uma taça de vinho para mamãe que quase


transborda. “Deixe-me ter suas chaves. Eu volto já.”

O terno barato ainda está molestando Gia com seus olhos.


No meu caminho para o carro da mamãe, eu vou até a mesa que
ele ainda não sentou. “Tudo bem aqui?” Meu rosto não parece que
dá uma foda se não estivesse.

As sobrancelhas de Gia franzem. “Bem. Você precisa de


algo?”

Eu olho para o terno barato. “Só que seus clientes se sentem


para que você possa voltar ao trabalho.”

Gia olha para longe. “Obrigada. Se precisarmos de alguma


ajuda, informaremos você.”

Eu vou para o carro. Na porta, Oak me lança um sorriso que


diz que ele assistiu a interação que eu tive com a minha
empregada. Eu aponto um dedo para ele. “Não diga uma porra de
palavra.” Então deixo a porta da frente do restaurante aberta.

O cascalho debaixo dos meus pés range, como se estivesse


tão chateado quanto eu, enquanto caminho pelo estacionamento
para encontrar o carro da mãe. Agarrando as tintas, a tela, o
cavalete e os pincéis, bato o porta-malas do seu Kia e me inclino
contra o carro com os olhos fechados.

O som de passos no cascalho interrompe minha tentativa


de me acalmar. Gia está vindo direto para mim novamente e
parece tão chateada quanto eu me sinto. Eu olho para o céu e
resmungo: “De novo não.”

Suas pequenas mãos voam para seus quadris. “Isso é


besteira.”

“Você sair do restaurante quando deveria estar


trabalhando? Eu não poderia concordar mais.”

Ela olha para mim. “Você sabe do que eu estou falando.”

Eu me empurro do carro e dou um passo para frente. “Eu


não estou com disposição para sua merda de psicanálise, Gia.
Volte para dentro e comece a trabalhar.”

“Eu pensei que você fosse diferente de todos os outros caras


idiotas da Hamptonite. Mas a verdade é que você só usa uma
armadura diferente por fora. No interior você é o mesmo bastardo
narcisista e egocêntrico que todos eles são.”

“Eu sou egocêntrico? Porque eu quero que você faça o seu


trabalho e não coloque os seus seios na cara da minha equipe e
clientes.”

Se eu pensei que ela está chateada antes, seu rosto se


contorce para um novo nível de raiva. Seus lábios se torcem em
uma carranca, sua testa franze e a cor em seu rosto vira um lindo
tom de vermelho. Naquele momento, fica claro que eu estou
perdendo a porra da minha cabeça, porque, enquanto estou
chateado e querendo atacar o mundo desde a primeira vez que vi
aquele barman magro passar pelo meu escritório hoje cedo, de
repente o fervor de Gia muda meu humor.

Aposto que foder com ela zangada seria ótimo.

Ela fica na minha frente, praticamente espumando pela


boca e tudo que eu vejo sou eu, segurando um punhado de seu
cabelo, puxando com força, enquanto eu a penetro por trás,
batendo em sua bunda várias vezes.
Porra.

“Você é um egocêntrico. Você não me quer, mas você não


quer que eu mostre a mais ninguém qualquer atenção.”

Eu olho para ela, suas palavras borradas, quando mais


visões se tornam claras: os pulsos amarrados na minha cabeceira,
enquanto ela se contorce debaixo da minha língua. Eu chupando
sua buceta até que ela estar no limite, prestes a gozar, então eu
levantando suas pernas para o ar e para os meus ombros.
Espalhando sua umidade do clitóris para sua fenda e lubrificando
sua pequena bunda virgem. E então, eu a fodendo com o dedo, até
que ela estivesse implorando por tudo de novo.

“Blá. Blá Blá.” Pelo menos foi o que ouvi. Gia está falando
de novo, mas eu não consigo entender uma palavra se eu tentasse.

“Você está mesmo me ouvindo?” Grita.

Nenhuma maldita palavra. Mas, vire-se, incline-se sobre o


capô do carro da mamãe e eu vou ouvir todos os gritos que eu
puder arrancar de você.

Deus, eu realmente espero que sua bunda nunca tenha sido


tocada. Ela me socaria se eu perguntasse agora? Eu não dou à
mínima se ela faz?

“O que diabos está errado com você?” Ela continua olhando


para mim como se eu tivesse duas cabeças.

Um sorriso escuro puxa os cantos da minha boca. “Posso te


fazer uma pergunta pessoal?”

“O quê?” Sua paciência se esgota.

Meus olhos caem para o movimento pesado de seu peito


com raiva, seus mamilos se projetando. Deus, ela é sexy pra
caralho. Perguntar o status de seu rabo certamente elevaria isso...
Dou um passo à frente e me inclino para que nossos rostos
estejam alinhados. Ela fica firme. “Alguém já entrou pela sua porta
dos fundos, Gia?”

Seu rosto zangado se transforma em confusão. “O quê? Eu


saí pela porta da frente. Você não acabou de me ver saindo?”

“Eu estou falando sobre sua bunda, Gia.”

Leva um minuto para ela entender o que diabos eu quis


dizer. Mas eu sei o minuto em que ela entendeu. Uma tempestade
varre o mar calmo azul de seus olhos para águas escuras agitadas.
Ela dá um passo para trás e eu penso que ela está se virando para
ir embora. Isto é, até que percebo que ela só está me dando um
tapa no rosto.
Capítulo 11

Ele tem algumas bolas.

As gigantes. O tipo que não vou perder se acontecer do meu


pé tentar um chute. O que eu definitivamente não tinha
descartado.

Estou acompanhando um casal de idosos a uma mesa e


observo à distância, como o idiota flerta com uma mulher no bar.
Ele está parado lá desde que voltou para dentro, com a minha mão
gravada em seu rosto. Obviamente a picada no meu coração dói
mais do que a minha mão tinha feito nele, pois já está rindo e
flertando, divertindo-se enquanto jantam.

A mulher levanta-se e a mão do Rush vai para suas costas.


Há uma familiaridade no seu toque e na sua interação. Ela é
provavelmente uma das suas fodas de verão. Ele a guia para a
escada que leva até o terraço, enquanto fico boquiaberta à
distância.

Ela é definitivamente mais velha que ele. Acho que trinta e


tantos anos ou mesmo mais de quarenta anos. Ao contrário da
outra mulher que vi rondando o bar babando sobre ele, esta não
está vestida como uma prostituta. Está com um jeans até o
tornozelo e uma folgada camiseta de grandes dimensões que vai
quase até os joelhos. Um sandália com uma grande margarida em
cada um dos seus pés, em vez dos estiletes habituais que suas
fodas casuais parecem gostar de usar.
Você está me gozando?

Ele teve a audácia de falar comigo do jeito que fez lá fora e


agora assim, casualmente, muda-se para alguma meia estação
bem debaixo do meu nariz?

Não.

Apenas não.

Passo através dos clientes e caminho para a escada. Corro


para o telhado, posso sentir meu pulso acelerar.

Paro sobre a visão de Rush puxando uma cadeira para sua


amiga, antes de se sentar em frente a ela. Eles parecem muito
confortáveis juntos e ele está ―ouso dizer ― sorrindo como um
tolo.

Meu sangue está fervendo. Observo atentamente quando ele


caminha até o bar e pede-lhe um copo de vinho, trazendo-o de
volta para a mesa.

Minha respiração é irregular, quando continuo parada na


entrada observo-os de longe ― até que me perco.

Vou até a mesa e bufo: “Você está brincando comigo agora?”

Rush se levanta de repente e estende as mãos em uma


aparente tentativa de parar o meu desabafo. “Gia... iss...”

“Não!” Me recuso a recuar. “Sinto muito. Não vou calar a


boca.”

“Gia!” Grita mais alto.

O bar está lotado e ninguém parece estar prestando atenção


a este confronto além do encontro de Rush, cujos olhos estão fixos
em mim.

Ignoro sua súplica, entro em seu rosto. “Que tipo de jogo


você está jogando? Um segundo você está lá fora me perguntando
se já fui fodida na bunda e no segundo seguinte, você está no
andar de cima jantando com alguma mulher? O que você tem?”

Seu encontro encolhe.

Rush range os dentes. “Pare!”

“Não, eu...”

Ele me tira dos meus pés. Antes que eu perceba, estou


sendo literalmente levada para fora da área do bar.

Chuto minhas pernas e grito: “O que você pensa que está


fazendo?”

Ele não me responde enquanto segue para o corredor pela


escada e me coloca para baixo, antes de me apoiar contra uma
parede.

Seus olhos estão queimando nos meus, mas ele não diz
nada, enquanto os clientes passam por nós para entrar na área
do terraço.

Ainda sangrando ciúme, ofego. “Quem é aquela mulher?”

Ele olha para mim por vários segundos antes de finalmente


cuspir: “Ela não é uma mulher. É a minha mãe!”

Uma corrida de sangue de repente corta em minhas veias.

Não.

Isto não pode estar acontecendo.

“Sua...” Limpo a garganta. “Você está mentindo. Isso não


é... ela é... eu só... oh... oh, não... não.” Seguro minha cabeça com
as duas mãos. “Eu não disse isso... na frente da sua mãe?”

“Sim.” Ele assente. “Sim, você fez, caralho.”

Estou em pânico. “Oh Deus. Rush, sinto muito. Eu não


sabia.”
Rush parece que está pronto para explodir.

“Volte ao trabalho,” exige. “E fique longe do terraço.”

“Rush...” Eu imploro.

Fervendo, começa a se afastar, me deixando no corredor.


Vira-se e quando vê que não me movi, grita mais alto, “Vá!”

Não sei quanto tempo estou olhando para o espaço antes de


Oak interromper. “Você está bem, Gia? Está pálida.”

Já é hora de fechar. Rush não tinha descido nenhuma vez


desde que fiz uma idiota de mim mesma ― sem trocadilhos ― na
frente da sua mãe. Mesmo que quisesse ir para casa, de alguma
forma, consegui levar o resto do meu turno.

Viro-me para ele, sinto vontade de chorar. “Estraguei tudo,


Oak... de uma forma muito grande.”

Oak puxa uma cadeira ao lado de onde estou. “Quer me


dizer o que aconteceu?”

“Eu realmente não quero dizer.”

“Deixe-me adivinhar. Isso tem algo a ver com o chefe?”

Reviro os olhos e falo: “Como você sabe?”

“Palpite.” Suspira. “Nem sei o que aconteceu, mas suspeito


que envolve Rush sendo superior sobre alguma coisa?”

“Oh, ele explodiu o superior, tudo bem.”

Oak parece quase entretido por meu dilema.

Ele começa a me contar uma história. “Então... minha filha,


Jazzy... ela está na quinta série, certo? Fui chamado para a escola
no outro dia porque há esse menino que está incomodando-a...
provocando-a, puxando seu cabelo... coisas assim.”

“Sim?”
“A mãe do menino apareceu nesta reunião, também. Sabe o
que ela me disse? Que tudo o que esse garoto fala em casa é sobre
Jazzy. Ele parece ter uma queda por ela, mas tem um jeito
engraçado de mostrar isso.”

Brinco: “Onde você quer chegar, Oak?”

Ele levanta a sobrancelha. “Acho que você pode tirar suas


próprias conclusões.”

Sinto-me corar e falo: “Bem, essa noite não teve nada a ver
com os sentimentos ou a falta de sentimentos de Rush em relação
a mim. Essa noite foi cem por cento minha culpa.” Sopro uma
respiração, decido dizer-lhe o que aconteceu. “Assumi que a mãe
de Rush fosse seu encontro mais cedo, confrontei-o com raiva no
andar de cima e disse algo realmente muito ruim na frente dela. E
não posso voltar atrás e tenho certeza que ele quer me matar
agora.”

“Ouch. OK. Uau. Bem... em primeiro lugar, suspeito que o


chefe quer fazer um monte de coisas quando se trata de você, Gia,
mas assassinato não é uma delas.” Ele ri. “De qualquer forma, o
quão ruim pode ser realmente? O que você disse que foi tão
horrível?”

Balanço minha cabeça. “Não posso nem repetir.


Ironicamente, está parafraseando algo que ele disse para mim em
particular. Eu quero vomitar.”

“Bem, vamos voltar por um segundo. A boa notícia é...


Melody é muito pé no chão. Provavelmente riu. Ela não me parece
uma puritana. Tenho certeza de que Rush explicou a situação
para ela agora.”

“Que situação? Que ele tem uma maluca trabalhando para


ele, que grita coisas sexualmente explícitas no meio de um bar
lotado... na frente da sua mãe?”

“Sexualmente explícito? Maldição. É uma droga ser você.”


“Sim. Maldição. É.”

“Estou brincando.” Ele ri.

Suspiro e falo: “Sério, não sei mesmo o que diria se ela


estivesse em pé na minha frente.”

Seus olhos gesticulam para trás dos meus ombros. “Bem...


agora é sua chance de descobrir.”

O quê?

Lentamente viro-me para encontrar a mãe de Rush em pé


lá.

Meu coração cai. “Oh... Olá, Sra... Sra. Rushmore.”

“Por favor, chame-me de Melody, Gia.”

Ela sabe meu nome. Então, novamente, Rush tinha gritado,


em uma tentativa fracassada de me impedir de fazer papel de
boba.

Deus, ela é muito bonita. Seu cabelo castanho claro na


altura do ombro é colorido, loiro nas extremidades. Seus olhos
azuis brilham. Ela meio que me lembra de uma jovem Goldie
Hawn. E é baixinha ― como eu. É estranho pensar que essa
pequena mulher empurrou um cara grande como Rush fora dela.

“Olá.” Sorrio sem jeito.

Oak parece divertido. “É bom ver você, Srta. Melody. Está


linda esta noite, como sempre.”

Ela acena. “Oi, Oak.”

Ele se levanta como se estivesse de saída. Isso não é bom,


porque ele é a única segurança que tenho.

Por favor, não vá.


Oak, em seguida, foge, deixando-me sozinha com a mãe de
Rush.

Ela é a primeira a falar depois de um breve momento de


silêncio. “Meu filho me proibiu de vir me apresentar a você, mas
infelizmente para ele, Rush não é meu chefe.”

Seu sorriso definitivamente me acalma.

“Estou muito feliz que você veio me encontrar. Não tive a


coragem de fazer o mesmo, porque me sinto horrível, realmente
mortificada sobre o que disse a ele lá em cima, na sua frente. Isso
foi tão desrespeitoso e é uma linguagem que normalmente não
uso. Não tinha ideia que você fosse sua mãe. Sinceramente... você
parece muito jovem. Achei que você fosse seu encontro e estava...
com ciúmes.”

“Bem, bajulação vai te levar a todos os lugares.” Ela sorri.


“Entendo que você está chateada. Sem danos causados. Todos nós
dizemos e fazemos coisas no calor do momento.”

Ela sorri de novo e eu sorrio de volta.

“De qualquer forma, não posso dizer o suficiente o quanto


lamento minhas palavras. Sinto muito por fazer uma cena.”

“Aprecio o seu pedido de desculpas, mas está realmente


tudo bem.”

Olho em volta. “Onde está Rush?”

“Ele foi pego em algum negócio... algo sobre uma entrega de


bebidas que deveria ter sido feita antes da manhã, mas nunca
apareceu. Aproveitei... vim e encontrei-a. Espero que você não se
importe.”

“Não, não de todo.”

“Estou interrompendo você no trabalho?” Pergunta ela.


“Não, meu turno acaba de terminar, na verdade. É hora de
fechar.”

“Meu filho me explicou tudo, que você não sabia quem eu


sou e que ele realmente provocou sua explosão mais cedo.
Suponho que deveria estar se desculpando por seu
comportamento com você.”

Surpreende-me que Rush tomou qualquer parte da culpa e


que ele tenha sido tão aberto com sua mãe. Ainda assim, fui eu
quem fez a cena lá fora. Tomei a decisão de usar essa linguagem
na frente dela. Não há nenhuma maneira que vou deixar isso tudo
cair sobre ele.

“Assumo total responsabilidade pelo que disse. Não é como


se usasse essa linguagem tão livremente, especialmente em um
lugar público e, especialmente, no meu trabalho. Às vezes as
coisas esquentam entre eu e ele. Seu filho... bem... ele está me
deixando um pouco louca.”

Melody assente em entendimento. “Não invejo você. Ele não


é um caminho fácil para navegar, meu Heathcliff.” Fecha os olhos
brevemente, em seguida, cobre a boca sorrindo. “Quero dizer,
Rush. Desculpa. Velho hábito. Ele me mataria se soubesse que
apenas deixei isso escapar.”

“Está tudo bem... sei que Heathcliff é o seu nome real.”

Ela olha chocada. “Ele disse a você?”

“Sim, consegui isso dele.”

“Bom para você.”

Depois de alguns segundos de silêncio constrangedor, falo:


“Então... eu estou sem sorte, hein?”

Ela balança a cabeça para o lado. “O que você quer dizer?”

“No departamento de romance? Seu filho é uma causa


perdida?”
“Não disse isso. Quando digo que ele não é fácil... só quero
dizer que ele não é fácil de ler. Nem sempre é fácil levá-lo a se
abrir. Meu filho tem um grande coração. Mas isso não é algo que
as pessoas podem descobrir muito facilmente sobre ele. Ele é
complicado e só leva um tempo para descascar suas camadas.”

“Eu definitivamente estou aprendendo isso.”

“Rush aprendeu muitas lições difíceis. Foi ferido por


pessoas que deveriam amá-lo. Mesmo que ele aja como se não se
preocupasse com isso, definitivamente teve um efeito sobre a
forma como vive sua vida, com sua guarda constantemente alta.”

Faço uma careta. “Sei tudo sobre seu pai, sim.”

Ela está examinando meu rosto. “Ele é apaixonado por


você.”

Meu coração acelera. “Ele disse?”

“Não, não com tantas palavras. Mas ele parecia muito


preocupado que eu fosse pensar mal de você. Não é como se ele
falasse comigo tudo sobre as mulheres em quem está interessado.
Sua vida pessoal é apenas algo que sempre guarda para si. Mas
ele me contou um pouco sobre você durante o jantar... me disse
que é uma escritora.”

“Ele contou?”

“Sim.”

Isso me faz lembrar...

“A propósito...” falo. “Quero agradecer a você, na verdade.


Rush me disse uma vez, que quando você fica presa em seu
processo de arte, às vezes você vai ver um filme para sair do seu
humor deprimido. Realmente tentei uma vez e funcionou. Depois
disso, tive um dos melhores dias de escrita em muito tempo.”
“Oh, isso é maravilhoso. Sim, essa é uma das minhas
estratégias com certeza. Fico feliz que funcionou para você,
também.”

“Você vem visitá-lo aqui no The Heights frequentemente?


Não vi você aqui antes... obviamente.”

“Venho aqui uma vez a cada mês ou dois.” Melody é delicada


e de fala mansa, não como seu filho. “Quero capturar o pôr do sol
sobre o oceano na tela hoje à noite.”

“Você pintou aqui esta noite?”

“Sim. Rush colocou meu cavalete no andar de cima no


terraço da frente.”

“Isso é tão legal. Posso ver o que você fez?”

Ela parece emocionada que eu tenha pedido. “Certo.”

Olho em volta nervosamente, procuro Rush enquanto a sigo


até o terraço. Ela me leva a uma tela de pintura, que está
encostada contra a parede no canto.

Ergue-a para me mostrar. “Não é exatamente perfeita, mas


estou feliz com a forma como saiu.”

Com misturas de laranja, roxo e amarelo, ela tinha


capturado belamente as cores deslumbrantes do pôr do sol sobre
a praia. Manchas de tinta retratam com precisão as nuvens no
céu. Não posso compreender como ela fez o oceano tão realista
com uma mistura de tons verdes, azuis e branco. De alguma
forma, parece que a água está se movendo ao longo da tela, vindo
para a praia. Minha parte favorita de toda a pintura é uma concha
única e elaboradamente detalhada, com linhas marrons e brancas
desenhadas por toda parte. Ela foi apenas colocada fora na areia,
que é meticulosamente pintada em tons de bege. Mesmo que a
concha seja pequena, parece ser o foco para todo o resto que serve
como pano de fundo.
“Isto é tão bonito. Estou seriamente pensando que você tem
a capacidade de se sentar e casualmente pintar algo tão incrível
com um capricho. Quanto tempo você levou?”

Coloca a pintura no chão, inclina-se contra a perna da


mesa. “Cerca de uma hora e meia. Mas você sabe, nem sempre é
fácil para mim. Talvez você passe por isso com sua escrita, mas
alguns dias você apenas faz, certo? Você pode sentir a criatividade
escorrendo de suas veias, e só precisa largar tudo e aproveitar
enquanto ela está lá. É por isso que eu precisava vir à praia esta
tarde.” Seus olhos estão cheios de paixão quando ela fala sobre
sua arte.

Essa mulher é incrível.

“Entendo o que você está dizendo, Melody,” digo.


“Costumava me sentir assim de vez em quando, quando tive pela
primeira vez a ideia para este livro que estou escrevendo. Os três
primeiros capítulos apenas derramaram de mim, muito
organicamente assim. E, em seguida, uma vez que comecei a
aplicar pressão sobre mim, depois que consegui o acordo de
publicação, nada aconteceu.”

“Rush disse que você escreve no gênero romance?”

Mais uma vez, fico surpresa que ele tenha entrado em


detalhes com ela.

“Sim. Contemporâneo. Bem, se eu conseguir novamente,


sim.”

“Nada como pressão para dificultar a criatividade. Posso


relacionar. Algumas das minhas peças foram encomendadas no
passado. Há definitivamente uma diferença entre criar algo fora
do seu livre arbítrio versus obrigação.”

“Exatamente.”

“Você vai encontrar o seu caminho ― sua inspiração, Gia.


Isso vai acontecer.”
Posso ficar com ela?

“Obrigada. Espero que sim.”

Ficamos ali apenas olhando uma para a outra


momentaneamente. Se não soubesse melhor, acho que ela
realmente gosta de mim também. Não estou pronta para deixá-la
ir. Melody Rushmore me fascina.

As palavras só saíram de mim. “Adoraria ver mais de suas


pinturas em algum momento.” Espero que não esteja sendo muito
adiantada enquanto espero sua resposta.

“Bem, você é bem-vinda a minha casa sempre que quiser.


Tenho um estúdio lá cheio de arte.”

“Honestamente? Realmente adoraria isso.”

Rush vem atrás de mim. “O que é isso, agora?”

Ele cheira a fumaça. Meu pulso dispara. Não posso avaliar


sua reação comigo saindo com sua mãe. Mas jogo com calma.

“Você está me levando para ver o estúdio da sua mãe. Eu


quero ver suas pinturas ― todas elas.”

Sua sobrancelha levanta, como se para desafiar isso. “É isso


mesmo?”

Cruzo os braços. “Sim.”

“Se soubesse que vocês duas estavam conversando, teria


me apressado para cá,” diz ele.

Sua mãe está sorrindo para ele. “Gia e eu temos muito em


comum.”

“Sim, vocês são dores na minha bunda,” brinca, piscando


para Melody.
Ela deve estar acostumada com seu sarcasmo, porque não
reage a essa afirmação. Fico aliviada que ele não pareça mais com
raiva.

“Você está indo para casa hoje à noite?” Pergunto a ela.

“Não, vou ficar por algumas noites.”

“Vamos para o seu lugar de panqueca favorito para o café


da manhã todo ano, quando ela vem para o fim de semana do seu
aniversário,” diz Rush.

Viro-me para ela. “Amanhã é seu aniversário?”

“É hoje, na verdade.”

“Oh, meu Deus. Feliz Aniversário!”

“Obrigada. Rush teve o chef fazendo um jantar especial para


mim. Salmão Oscar. Foi muito gostoso.”

Aquece meu coração quão protetor e doce ele é com sua


mãe. Realmente amo esse lado de Rush. Se ao menos ele não fosse
um idiota insensível na outra metade do tempo.

Rush enfia a mão no bolso e entrega a sua mãe uma chave.


“Aqui. Pegue isso e acomode-se.”

Ela pergunta-lhe: “Você vai para casa hoje à noite?”

Aparentemente, ela conhece seu filho o suficiente para


saber que há uma chance de que ele não volte para casa.
Provavelmente imagina que ele vá ficar no apartamento de alguma
vadia.

“Sim. Só vou terminar algumas coisas aqui. Vou encontrá-


la em casa. Você pode deixar seu material de arte aqui. Vou
arrumar tudo no meu carro e levá-lo para casa.”

“Obrigada. Parece bom. Estou meio ansiosa para tomar um


banho quente.” Ela vira-se e me oferece um abraço. “Gia... foi um
prazer absoluto conhecê-la. Deixe-me saber quando você gostaria
de vir para uma visita. Vou fazer um bule de chá e liberar à tarde.”

Abraçando-a, falo: “Isso soa maravilhoso, Melody. Obrigada.


Estou pensando nisso. Foi muito bom conhecê-la.”

Ela começa a se afastar, então para. “Na verdade, você


gostaria de ficar com a pintura que fiz hoje à noite? Tenho tantas.
Não posso manter todas.”

“Meu Deus. Adoraria. Você tem certeza?”

“Totalmente. Adoraria que você a tivesse.” Anda até onde


está a tela e entrega para mim.

“Muito obrigada, Melody. Sério, isso realmente fez a minha


noite. Vou pendurar essa no meu quarto.”

Vejo quando ela se dirige para as escadas e desaparece. O


bar já fechou e Rush e eu estamos agora sozinhos no terraço.

Seguro a pintura em minhas mãos, olho para ele. “Sua mãe


é incrível.”

“Ela é.”

Coloco a pintura sobre uma mesa, em seguida, olho para


cima em Rush, durante vários segundos.

“O quê?” Pergunta. “Você está olhando para mim


engraçado.”

“Não é nada.”

“Deixe-me adivinhar... você está se perguntando como com


meu temperamento e coração negro, posso ser tão diferente do
tipo gentil e alma zen que minha mãe é?”

“Não disse isso.” Sorrio.

“Você está pensando nisso.”


“Não. Eu não está pensando exatamente isso, porque
realmente acho que você é do tipo gentil também. Agora sei de
onde você tira isso, esse lado seu. Você me mostrou bondade. Só
tem uma maneira de arruiná-la às vezes.” Faço uma pausa.
“Quero que saiba que me desculpei com sua mãe por meu
comportamento mais cedo. E agora, estou pedindo desculpas a
você.”

“Está bem. Você sabe... só a traumatizou, porque agora ela


acha que seu precioso filho é um ladrão de bunda12.”

Caio na gargalhada. “Meu Deus. Ladrão de bunda?”

“Sim, ela vai ter pesadelos agora.” Pisca.

“Você é louco.”

Nós dois estamos tendo um colapso. Pelo menos, ele não me


odeia mais.

Quando as risadas cessam, ele diz: “Sinto muito, perdi o


controle mais cedo.”

Olho para ele. “Não, você não sente.”

“Você está certa. Provavelmente diria essa merda a você


tudo de novo.”

“Imagino.”

“Você me deixou louco falando com aquele barman maricas


idiota. Perdi a minha cabeça um pouco.”

“Bem, se você não quer estar comigo, tem que se acostumar


a ver coisas assim.”

“Não significa que tenho que gostar, especialmente quando


está sendo feito na minha frente, no meu local de trabalho.”

12 No original é butt burglar que significa ladrão de bunda, alguém que gosta de sexo anal.
Não quero entrar nisso com ele agora, expulso o
pensamento. “Podemos simplesmente esquecer toda essa noite?
Bem, exceto a parte onde conheci sua mãe muito legal?”

Ele me surpreende quando diz: “Sim. Nós podemos fazer


isso.” Rush caminha até o bar. “Você quer uma bebida?”

“Estou dirigindo para casa. Tenho o carro de Riley esta


noite, então não devo beber.”

Ele me ignora, pega um copo de qualquer maneira. “Vou


limitá-la a uma e fazê-la fraca.”

“Qual é a pegadinha da noite? Que palavrão eu tenho que


dizer para ganhar a minha bebida grátis?”

“Baby... você falou sobre a porra da sua bunda na frente da


minha mãe, eu diria que você está absolvida por um tempo.”

Um arrepio percorre minha espinha e não posso descobrir


se é por causa da minha vergonha, ou o fato de que ele me chamou
de “baby”.

Cubro minha boca. “Meu Deus. Será que esta noite


realmente aconteceu?”

“Receio que sim.”

Assisto em silêncio enquanto ele faz alguma mistura de


frutas, antes de deslizar um guarda-chuva dentro e deslizar o copo
em minha direção.

Tomo um gole, penso um pouco mais sobre como aceitei


imediatamente Melody. “A vida é engraçada.”

Ele levanta uma sobrancelha. “Engraçada?”

“Sim. Estou pensando sobre como temos situações de vida


semelhantes, mas com situações opostas. Tenho um grande pai e
sem mãe. E você tem uma mãe incrível e nenhum pai. Bem, você
tem um pai... mas você sabe o que quero dizer.”
Inclina-se para o bar e fecha os olhos por alguns instantes.
“Sim, infelizmente, eu... sei o que quer dizer.”

“De qualquer forma, é uma espécie de algo que temos em


comum. Quando estava conversando com sua mãe esta noite,
encontrei-me estranhamente com inveja de você, pensando que
daria qualquer coisa para ter uma mãe como ela. Então, tive que
lembrar que você está perdendo alguma coisa, também.”

Rush está limpando o balcão, mas para e olha para mim.

Continuo: “De qualquer forma, nem sei por que estou


dizendo isso para você agora. É apenas ―”

“Tive o mesmo pensamento quando conheci o seu pai.”

Surpreende-me ouvi-lo admitir isso. “Mesmo?”

“Sim. Lembro-me de pensar que não me importaria nem um


pouco em ter um pai legal. Então, você não está louca. É natural
que sinta inveja. Às vezes você não percebe o que está perdendo
até vê-lo bem na sua frente.”

“Sim. Exatamente.” Ele coloca em palavras meus


sentimentos exatos. “Você é uma alma complexa, Rush.”

Realmente quero poder ficar aqui a noite toda com ele. Me


pego caindo novamente, quando deveria estar trabalhando para
superá-lo, de repente me forço. “É realmente melhor ir andando.”

Rush dá a volta por trás do bar e para bem na minha frente.


“Cuidado na estrada.”

Ele está desconfortavelmente perto e seu cheiro, a mistura


de cigarros e seu perfume estão me deixando fraca. Isso me lembra
da noite que passou em minha cama. É para eu estar saindo, mas
não me movo. Meus mamilos estão formigando e tenho a súbita
vontade de responder à sua pergunta de mais cedo.
“Nunca tive ninguém entrando pela minha porta dos
fundos, mas estaria aberta a isso com a pessoa certa. Muito
aberta.”

Antes que possa capturar sua reação, passo por ele e vou
para as escadas.
Capítulo 12

Fui para a cama duro.

Acordei duro.

Estou totalmente fodido.

Não tem como colocar meu pau para baixo após as palavras
que saíram da boca de Gia, na noite passada.

Muito aberta.

Foda-me.

Preciso me acalmar antes que eu tenha que ir para o café


da manhã com a minha mãe.

Depois de mais uma sessão de masturbação em um banho


longo, frio, finalmente tomo meu caminho para baixo.
Normalmente não amo me masturbar. Prefiro muito mais estar
dentro de uma mulher real, mas masturbação com pensamentos
sobre sexo anal com Gia ― bem, isso é o melhor que vou ter além
da coisa real.

Mamãe está esperando por mim na cozinha, quando


finalmente desço.

“Bom dia, dorminhoco.”

“Bom dia, Ma,” falo, despejando um pouco do café que ela


fez.
“Não tinha certeza se você já estava descendo.”

“Sim, eu dormi demais. Devemos ir comer. Estou faminto.”

Fome da bunda da Gia.

“Na verdade, queria esperar você descer, mas não posso ir


para o café da manhã. Tenho que voltar para casa. Esqueci
completamente que o meu sofá novo vai ser entregue esta tarde.”

“Oh. Bem, isso é uma merda.”

“Por que você não chama Gia? Peça-lhe para ir para o café
da manhã. Realmente gosto dela.”

“Ma...”

“Sente-se, Heathcliff.”

Porra. Minha mãe mandar eu me sentar e me chamar pelo


meu nome de batismo, nunca é um bom sinal. A última vez que
ela me fez sentar e ter um cara a cara, foi quando tinha dezessete
anos e ela me disse que nosso cão morreu.

Puxo a cadeira e planto minha bunda nela de qualquer


maneira.

“Você sabe que raramente coloco o nariz em seu negócio


privado.”

E depois da depravação sobre bunda de ontem à noite, achei


que iria ficar desse jeito.

“Eu sei…”

“Você não fala sobre as mulheres. Na verdade,


praticamente, a única vez que meus olhos pousaram sobre as
mulheres que... conheci... foi quando as vi saindo da janela do seu
quarto no meio da noite, quando você era um adolescente.”

Meus olhos se arregalam. “Você sabia disso?”


Ela ri. “Claro. E sobre a água que colocou nas minhas
garrafas de bebida para substituir o álcool que tinha roubado. E
sobre a primeira tatuagem que você fez aos dezesseis anos, mas
não me mostrou até que tinha dezoito anos. E todas as vezes que
tirou meu carro para fora da garagem e saiu durante a noite,
quando eu tinha tirado seus privilégios para chegar em casa tarde.
A propósito, apreciei você encher o tanque depois de cada vez que
você o roubou.”

Balanço minha cabeça. “Como é que você nunca disse nada


sobre toda essa merda?”

“Porque é tudo parte do crescimento, querido. Mantive meu


olho em você de longe, para me certificar de que não estava indo
ao mar ou se metendo em muita dificuldade. Mas precisava deixá-
lo viver um pouco e experimentar, enquanto estava sob o meu teto.
Se você não começasse a fazer o inferno até que se mudasse, não
haveria ninguém para vigiá-lo. É como aqueles jovens que bebem,
pela primeira vez quando vão para a faculdade. Eles são os que se
machucam mais, do que os jovens que experimentaram e
aprenderam suas lições em casa.”

“Bem... não sei o que dizer. Sinto muito, eu acho. Por trazer
as meninas para casa e ser ruim.”

Minha mãe sorri. “Isso não é necessário. O ponto em trazer


isso para você agora, não é para fazer você se sentir mal ou ter
suas desculpas. É para mostrar que, enquanto você pensa que
está escondendo coisas de mim, você não é tão bom como pensa.”

“Eu não estou entendendo, Ma.”

Ela estende sua mão e acaricia a minha. “Você tem


sentimentos por Gia. E ela tem por você. Fortes.”

Passo a mão pelo meu cabelo. “Ela não é uma foda


ocasional...” Paro bem na hora. “Ela não é alguém que você fica e
deixa sem ferir, Ma.”
“Então por que você precisa ir embora e machucá-la?”

Abro minha boca para responder e percebo que


honestamente não tenho o que dizer.

Minha mãe me oferece um sorriso triste. “Querido, às vezes,


o risco de que coisas ruins possam acontecer, nos impede de
experimentar todas as coisas boas que a vida tem para oferecer.”

Minha mãe não é o tipo de pessoa para dar um conselho de


ânimo leve. As melhores partes de mim são as coisas que aprendi
observando como ela agia. Então, penso sobre o que ela falou por
alguns minutos. Quero estar com Gia... e não da forma normal
que eu quero estar com uma mulher ― que normalmente é sair
para uma refeição e algumas horas na cama. Quero sentar e
conversar com ela. Quero levá-la para a minha mãe e ver a forma
como seus olhos se iluminarão quando olhar para as pinturas pela
primeira vez. Claro, também estou obcecado com estar dentro
dela, não apenas fazê-la gozar e gozar, também. Quero preencher
cada orifício dessa maldita mulher. Alguns dias atrás, sonhei com
meu pau na boca dela. Aparentemente ontem foi o dia da bunda.
Então, por que não nos dar uma chance?

Há apenas uma resposta e não gosto muito dela.

Estou com medo pra caralho.

Percebo isso, olho para minha mãe, que está sentada em


silêncio, apenas tomando seu chá e esperando por mim. Seus
olhos procuram meu rosto antes de falar novamente. “Quando
você tem medo de se apaixonar por alguém, geralmente é porque
você já começou a cair, querido.”

E eu aqui pensando que fui escorregadio todos esses anos,


mantendo tudo da minha mãe. Balanço a cabeça novamente.
“Você sempre foi uma filósofa e eu não sabia?”

Ela ri. “Alguns dos melhores filósofos sobre o amor falham


em amar, você sabe.”
Quebra meu coração ouvir minha mãe dizer isso. Sei que
meu pai a tinha fodido, mas nunca me questionei porque ela não
tinha um namorado enquanto eu está crescendo. Essa já é uma
conversa estranha... que porra...

“Porque é que você nunca namorou enquanto eu está


crescendo?”

Ela suspira. “Eu realmente amava seu pai. Ele não é a


pessoa que é hoje, quando estava comigo naquela época. Pelo
menos ele não me mostrou esse lado dele. Ou eu não queria ver.
Mas fui surpreendida quando descobri que era casado e, naquele
momento, ele revelou suas verdadeiras cores. Levei muito tempo
para curar e estava ocupada criando meu filho lindo...
trabalhando... pintando. Usei a desculpa de estar ocupada para
justificar não deixar ninguém entrar. Você provavelmente não
quer ouvir isso... mas eu não fui celibatária todos esses anos em
que você estava crescendo, mesmo que você nunca tenha
conhecido ninguém.”

“Você está certa. Definitivamente não quero ouvir isso.”

Ela sorri. “Minha visão sobre relacionamentos não é muito


melhor do que a sua é agora. Na verdade, é por isso que é tão claro
para mim o que está acontecendo com você. É como olhar no
espelho em meus anos de vida passados, em uma série de
maneiras.”

“E aqui está você, me dando conselhos. Mesmo que não os


siga.”

Levanta-se e coloca a caneca na pia antes de se sentar


novamente. “Na verdade, tenho seguido meu próprio conselho.
Tenho visto alguém.”

Minhas sobrancelhas saltam. Isso está apenas começando


a ficar estranho. “Oh sim?”
“O nome dele é Jeff. Ele é curador em uma galeria de arte.
Estamos nos vendo por quase um ano agora.”

“Um ano? Por que não o mencionou? Ou trouxe com você


em uma visita?”

“Não sei. Acho que no começo pensei que seria o meu


relacionamento típico. Não esperava que florescesse tão
lindamente.”

Uau. Apenas Uau.

“Você só está se abrindo sobre tudo hoje, não é?”

Mamãe ri e para. Tenho um olhar mais atento sobre ela pela


primeira vez em muito tempo. Ela parece muito feliz. “Preciso ir
para a minha entrega do sofá. Se a perder, eles vão me cobrar
outra taxa de entrega. Por que vocês não veem na próxima semana
um dia e almoçam. Vou mostrar-lhe o meu trabalho e então todos
nós podemos ir para a galeria de Jeff e ver o que tem em exposição
e ter algum jantar. Acho que é hora de você conhecê-lo.”

Ela anda até mim, estou de pé e envolvo-a em um grande


abraço. Tenho uma dor no peito, quando o pensamento de Gia não
ter uma mãe para fazer isso com ela surge na minha cabeça. Isso
me faz querer compartilhar a minha com ela.

“Vou carregar seu carro para você.”

Olho o carro da minha mãe, aceno uma última vez quando


a vejo olhando para mim no espelho retrovisor. Estou no fundo da
minha garagem por alguns minutos apenas pensando. Até que
isso me bate. Acabei de montar um encontro duplo com minha
mãe e uma mulher que não estou namorando?
Menti sobre consertar um carro... essa foi a primeira.

Enquanto ignoro a sugestão da minha mãe de levar Gia para


o café da manhã, decido usar o dia para fingir consertar o carro
de Gia, o carro que já consertei e nunca lhe contei. O carro que
consertei e, em seguida, perdi uma aposta para ter uma razão e
fazer os consertos que já tinha feito. Tudo o que tem a ver com
essa mulher acaba sendo um pouco louco por algum motivo.

Mas lá estou eu, com um Nissan levantado no ar enquanto


estou debaixo dele ouvindo música e fingindo fazer merda. Bati na
porta e peguei as chaves com Gia, fingindo que são necessárias
para corrigir os freios e pneus. Felizmente, a combinação da
merda séria que falei com minha mãe esta manhã e me
masturbar, fez com que não me envergonhasse quando ela
atendeu a porta com os olhos grogue, usando um short minúsculo
e um top sem sutiã.

Disse a ela que vim para pagar minha dívida da aposta e


tinha que começar, para que eu possa ir ao canteiro de obras de
uma das minhas propriedades. Mas a verdade é que a minha
equipe não está trabalhando no sábado. Só queria que ela me
convidasse para ficar ou algo assim. Minha cabeça ainda está
girando da minha conversa com minha mãe e não estou no estado
de espírito certo para passar um tempo com Gia.

Cerca de meia hora no meu falso conserto, sinto um toque


no meu pé e saio de debaixo do carro.

Foda-me.

Não posso sequer tentar esconder meu olhar malicioso. Gia


está de pé ao lado do carro, vestindo um biquíni amarelo e
segurando o que parecem ser dois copos de chá gelado. Seus
amplos peitos estão alegres e o pequeno top do biquíni, mau cobre
suas aréolas.

“Que diabos você está vestindo?” Finalmente resmungo.


Ela olha para baixo. “Uma roupa de banho. É bonita, então
vou deitar à beira da piscina por uma ou duas horas antes de
começar a escrever.”

“Isso não é um traje de banho, são restos de um maiô que


alguém retalhou.”

Ela inclina a cabeça. “Você está dizendo que não gosta?”

“Você usa isso em público?”

“Normalmente não. Só uso no quintal, porque é muito


pequeno. Mas é perfeito para se bronzear.”

“Bom.” Agarro o chá da mão dela sem pedir e engulo-o. Hoje


está quente, mas de repente estou começando a suar. “Obrigado
pelo chá. Você deve voltar para o quintal antes que seja citada por
exposição indecente.”

Estreita os olhos para mim. “Você é um idiota.”

“Sim. Sei disso. Você deixou isso bem claro. Para mim... e
minha mãe.”

Ela faz beicinho. “Você vai me fazer sentir mal por isso para
sempre?”

Sorrio. “Provavelmente.”

Gia mostra a língua para mim. Deus, quero ver essa coisa
lamber a cabeça do meu pau.

Sento-me na calçada, me preparando para descansar e


terminar o meu conserto de mentira. “Não mostre essa coisa, a
menos que pretenda usá-la, garotinha.”

“Vou estar à beira da piscina se precisar de mim.”

Rastejo de volta sob o carro. “Certo.”

Claro, isso não acabou. É com Gia que estou lidando.


“Rush.”
Rastejo de volta para fora. “O quê?”

Um pequeno sorriso pecaminoso está espalhado por seu


rosto. “Só não quero que você perca minha volta para casa.
Considerando a sua obsessão com minha bunda, recentemente.”

Antes que possa responder, ela se vira para ir embora,


revelando a parte traseira do seu biquíni. Ou, mais corretamente,
a falta de uma parte traseira no seu biquíni. Gia está usando um
fio dental que revela dois globos perfeitamente redondos e os
bebês estão me provocando enquanto balançam em seu caminho
para casa.

“Jesus H. Cristo,” resmungo para mim mesmo. Nunca dei


qualquer pensamento para o que o H representava antes, mas
nesse ponto, com a forma como ele está testando a minha
paciência, tenho certeza que é insensível13.

“Tudo feito.” Encontro Gia tomando sol no quintal. Claro,


ela tem que estar deitada de bruços para que eu possa ter um
olhar mais atento na sua bunda. Ela está fenomenal. Parece um
coração gordinho, de cabeça para baixo de onde estou. Passei a
última hora fingindo arrumar seu carro e imaginando ela me
montando de costas, sua bunda sacudindo como gelatina,
enquanto me monta duro. Tenho que forçar meus olhos para seu
rosto e limpar a garganta para continuar. “Aqui estão suas chaves.
Seus discos de freios foram arrumados, também. No futuro, não
ande com freios ruins. Só torna um pequeno problema em um
grande.”

13 No original é heartless que em português é insensível.


Gia protege os olhos do sol e torce o pescoço para olhar para
mim, ainda de bruços. “Oh. Ok. Obrigada. Posso fazer-lhe o
almoço? É o mínimo que posso fazer para recompensá-lo pelas
horas de trabalho no meu carro.”

Sua bunda está no menu?

“Não. Tenho que ir.”

Levanta seu tronco e para de joelhos em uma pose de yoga,


toma seu tempo antes de virar.

“Tem certeza?” Morde o lábio inferior. “Você tem que estar


com fome.”

Está fodendo comigo? Tenho um apetite muito bom. “Tenho


que correr.”

Sou como um disco quebrado, mas ainda estou aqui de pé.


Minha cabeça quer dar o fora desse quintal, mas meus pés
traidores não se movem. Nem mesmo quando ela se levanta, vira-
se e praticamente esfrega sua bunda contra mim, quando levanta
seu protetor solar. “Você pode esfregar um pouco de protetor solar
nas minhas costas antes de ir? Não quero me queimar.”

Não. “Certo.”

“Obrigada.”

Pego o protetor solar e aperto uma bola de loção branca


cremosa na palma da minha mão. Engulo em seco, começo a
esfregá-lo em suas costas. Seus ombros estão quentes e suaves
com a mais ínfima camada de penugem sobre eles. Isso me lembra
de um pêssego. Minha boca saliva com o pensamento de mordê-
la.

“Você pode passar um pouco mais baixo?”

Minha respiração torna-se difícil e meu pau incha quando


abaixo minhas mãos e esfrego no meio das suas costas. Estou
indo em território perigoso.
“Mais baixo,” diz. Sei por sua voz sussurrada que não sou o
único que despertou.

Abaixo até a parte inferior do biquíni e esfrego a loção toda.

Quando termino, ela vira a cabeça para que possa ver o lado
do seu rosto e fecha os olhos para sussurrar: “Mais baixo.”

Foda-me.

Não consigo me conter. Estendo a mão para o protetor solar


e aperto o suficiente em minha mão para cobrir todo o corpo de
uma pessoa grande e, em seguida, começo a esfregá-lo em suas
nádegas. Ela tem uma verruga em forma de coração muito original
no seu lado esquerdo que é perfeitamente simétrica. Corro meus
dedos sobre ela. Quando sigo um pouco de loção para o topo de
sua bunda, e lentamente, esfrego, traçando seu biquíni entre suas
bochechas, ela solta um gemido baixo.

Mais. Faça mais sons como esse.

Tudo que posso pensar é em como quero dobrá-la e transar


com ela por trás. Quero marcar cada polegada da pele perfeita em
seus ombros com meus dentes, enquanto entro tão fundo dentro
dela, que nunca vou sair de novo. Meu coração dispara fora de
controle quando ela dá um passo para trás e pressiona seu corpo
contra o meu. Mas... não quero que seja dessa maneira. Ela não é
uma foda que você inclina no quintal antes de dar aos vizinhos
um bom show.

“Gia...” Minha voz treme, enquanto tento parar o que está a


dois segundos de acontecer.

Felizmente, uma voz de mulher passa através da névoa de


luxúria que não posso quebrar. Só que não é a voz da Gia. Viro a
cabeça em uma névoa, percebo que é sua colega de quarto, Riley,
que trabalha para mim.

Porra.
“Uh. Desculpa. Não sabia que havia alguém com você,”
grita.

Por instinto, pulo para trás.

Riley desaparece dentro da casa e nos segundos que leva


para Gia se virar, estou longe dela.

“Desculpe por isso,” diz ela. “Você está pronto para passar
o resto?”

“Tenho que ir.” É a terceira vez que falo isso, mas desta vez
quero dizê-lo. Praticamente tropeço no frasco de protetor solar aos
meus pés, tentando dar o fora de lá.

Gia grita: “Rush. Espera.”

Mas não paro até que estou dentro do meu carro. Não tinha
ideia de porque estou fugindo como um covarde, mas parece que
estou fazendo a Gia um favor.
Capítulo 13

Outro dia desperdiçado. Sem escrever. Sem planos. Nada


feito.

Tenho uma queimadura na bunda, das horas que passei


deitada de barriga para baixo, esperando Rush entrar no quintal.
Nunca tinha usado um biquíni fio dental na minha vida. É por
isso que minhas nádegas virgens de sol parecem como se
estivessem em chamas.

Quando Rush veio essa manhã, entrei sorrateiramente no


quarto de Riley e peguei um dos seus biquínis minúsculos. Ainda
não posso acreditar que tive coragem de usar essa coisa ― que mal
cobria meus seios e expunha toda a minha bunda.

Mas nem mesmo praticamente me jogar nele nua, fez algo.


Deixou-me mais deprimida e mais do que um pouco irritada. Riley
percebe e vem se sentar comigo no sofá.

“Derrame suas tripas, quatro olhos.”

Troco de posição sentada pela milionésima vez hoje,


inclinando-me mais no meu quadril esquerdo do que na
queimadura e empurro os óculos para cima da minha cabeça.
“Não tenho nenhuma ideia de como você usa aquele biquíni.
Minha bunda está frita igual a uma batata.”

“Oh não, não. Você não vai mais evitar esta conversa,
culpando seu rosto deprimido por uma bunda queimada.”
“O que você quer dizer?”

Ela me lança um olhar que diz sem me sacanear. “O que


está acontecendo com você e o chefe? Eu o vi lá fora com você está
manhã, esfregando loção em sua bunda. Parece que ele estava
prestes a fazer jorrar um creme diferente em você.”

“Ele veio para consertar meu carro. Praticamente me joguei


nele. Novamente. Mas nada aconteceu.”

“Honestamente não tenho ideia do que você vê nele. Bem,


além do óbvio ― que é gostoso pra caralho. Mas ele é um idiota.”

Balanço minha cabeça. “Ele não é realmente. Não depois


que você começa a conhecê-lo. Acho que é a sua maneira de
manter as pessoas à distância. Ele definitivamente não deixa que
as pessoas entrem facilmente.”

“Mas ele te deixou entrar?”

“Eu acho que sim. Nós temos uma conexão. Sei que ele está
atraído por mim. E estou definitivamente atraída por ele. Mas é
mais do que isso. Embora nada disso me faz bem, porque ele não
vai deixar que nada aconteça entre nós fisicamente, não importa
o quanto eu tente. Não entendo.”

Riley aponta um dedo. “Você só respondeu à sua própria


pergunta.”

“Do que você está falando?”

“Você disse que vocês têm uma conexão, que é mais do que
física.”

“Então?”

“Esse é o problema.”

“Não estou entendendo.”


“Um cara como Rush é esse tipo de cara ‘ame-as e deixe-as’.
Trabalho no The Heights há três anos. Ele tem um tipo de mulher
com quem sai.”

Reviro os olhos. “Sim. Horrorosas. Vi algumas lá.”

“Há uma razão para que ele só se envolva com certo tipo de
mulher.”

“E isso é?”

Riley ri. “Não sei. Mas você provavelmente sabe, se você está
próxima como diz.” Ela encolhe os ombros. “Talvez uma ex o tenha
queimado.”

“Não acho que ele já teve quaisquer relacionamentos de


longo prazo.”

“Ok.” Ela bate o dedo em seu lábio. “Não é de uma relação


que alguém geralmente tem medo, é de um relacionamento ruim.
E o que geralmente vem de algo em sua vida, como uma ex. Mas
talvez seja algo diferente.”

O pai dele.

E como seu pai tratou sua mãe. Isso pode ter dado a ele uma
perspectiva negativa, com certeza. Mas não quero discutir
negócios pessoais de Rush com Riley, mesmo que a considere uma
boa amiga.

“Não tenho certeza. Mas se esse for o caso e ele evita


relacionamentos por causa de algo em sua vida, como vou passar
por isso?”

Riley joga uma almofada que está segurando no colo para


mim. “Você não vai, boba. Você dá o que ele acha que quer e deixa
a relação acontecer naturalmente. Diga-lhe que você quer apenas
um amigo de foda para o verão. Deixe sua mente à vontade, ele
não precisa se preocupar com a parte de relacionamento.
Comecem a transar e se estiver destinado a ser, o resto só vai cair
no lugar e ele não vai nem perceber até que seja tarde demais.”

“Eu não sei... soa como se alguém pudesse se machucar...”

“Sim. Você. Se depois que o seu tempo de amigos de foda


acabar, ele terminar, é claro que você vai se machucar. Mas o que
você tem agora? Uma amizade estranha e celibatária. Olha,
quando você sair após o verão e acabar, você vai ficar arrasada se
ele não quiser manter contato, certo? Então por que não ter um
estouro de verão ― trocadilho intencional ― se você vai estar
amuada em setembro afinal?”

Suponho que ela tenha um ponto... há apenas um


problema. “Mas Rush não me vê dessa forma.”

“Então o faça ver você desse jeito.”

“Como?”

“Quanto tempo até que você tenha que trabalhar?”

Olho para o meu telefone. “Cerca de uma hora e meia.”

Riley fica de pé. “Vamos lá, isso não é muito tempo para
transformar sua bela bunda em uma prostituta.”

Sinto como se as Pink Ladies 14 tivessem acabado de me


transformar na sexy Sandy de Grease. Saio do meu carro, olho

14 Pink Ladies são um grupo de garotas composto por Rizzo, Jan, Marty, Frenchy, e no final do
filme Grease, Sandy. Durante todo o filme, podem ser vistas ostentando suas jaquetas rosas.
para o meu traje uma última vez e respiro fundo. Vermelho, blusa
decotada, saia curta e saltos que duvido que possa durar uma
hora neles, muito menos trabalhar a noite toda. Riley adicionou
uma tonelada de volume para o meu cabelo naturalmente
ondulado e fez minha maquiagem com todas essas coisas que vejo
as pessoas fazendo no YouTube, mas nunca me preocupei em
tentar fazer.

Olho para o meu reflexo na janela enquanto caminho em


direção à porta. Pareço bem. Sexy, de um jeito sacana.
Definitivamente mais como as mulheres que Rush sai. Oak
assobia e abre a porta. “Parece bem, Gia.”

Coro, mas seu comentário realmente ajuda o meu nível de


confiança um pouco. “Obrigada.”

No interior, olho ao redor e uma onda de alívio toma conta


de mim quando não encontro nenhum sinal do chefe. Vestir-me
para o papel é apenas metade do plano. Preciso realmente
arrumar coragem de me aproximar de Rush e oferecer a ele... bem,
meu corpo.

Jogo-me em minha preparação habitual antes do jantar ―


verifico sobre as reservas, checo com a cozinha quais são os
especiais para que saiba quando as pessoas ligarem e
perguntarem ― sempre ligam antes e perguntam ― trago garrafas
extras de todas as bebidas que vão no especial da noite e ajudo os
garçons a arrumar as mesas. Estou aqui há cerca de uma hora,
sem nenhum sinal de Rush ainda. Isso me faz sentir à vontade,
acho que talvez ele não vá aparecer hoje à noite e não terei a
chance de fazer a minha proposta para ele.

É por isso que quando abro a porta do escritório para


colocar um dos telefones sem fio no carregador, não espero que
alguém esteja lá dentro.
Pulo ao encontrar Rush. Sua mesa está excepcionalmente
limpa e ele está sentado lá olhando para o espaço. “Rush!
Desculpa. Não sabia que você estava aqui.”

Seus olhos fazem uma varredura lenta pelo meu corpo e


uma subida ainda mais lenta. Eles param em meu decote
abundante em exposição por longos segundos, antes do seu olhar
encontrar o meu. “Toda vestida hoje por uma razão?”

Merda.

Ele tinha acabado de me entregar à oportunidade perfeita


para abrir a porta. Engulo em seco e tento não me contorcer.
“Sim.”

Os olhos de Rush estreitam. “Encontro?”

“Talvez.”

Seu olhar é intenso. “Quem é o sortudo?”

Meu pulso começa a correr. Isso está prestes a acontecer.


Não se acovarde, Gia. Não seja medrosa toda a sua vida.

Rush levanta de sua mesa e caminha ao redor dela. O


escritório não é muito grande para começar, mas tê-lo a sessenta
centímetros de distância, enquanto digo o que quero dizer, faz
parecer como se as paredes estivessem se aproximando de mim.

Ele cruza os braços e sua mandíbula marca. “Pra quem você


colocou essa roupa sacana, Gia?”

Olho para os meus pés, respiro fundo e então encontro seu


olhar. “Você. Eu vesti está roupa para você.”

Rush dá um passo mais perto. Seu rosto está duro, não


mostra nada. “Você gosta de usar coisas provocativas para mim,
não é?”

Balanço a cabeça.

“Você gosta de me provocar?”


Minhas mãos começam a suar. “Não. Bem, sim. Mas não
quero te provocar mais.”

Ele inclina a cabeça. “Você está cansada de me provocar?”

“Sim.”

“Mas você colocou a roupa de qualquer maneira?”

“Sim.”

“Você não entende a definição de provocação, então?”

Desembucha, Gia. Desembucha!

Dou um último suspiro profundo. Vou discutir ou passar


por isso. “Provocação é quando você incita alguém sem intenção
de seguir adiante.” Olho nos olhos dele. “Eu gostaria de seguir
adiante. Acho que você e eu... nós devemos ter relações sexuais.”
Agora que tirei a rolha da garrafa, palavras começam a derramar
fora de mim. “Você não tem relacionamentos. Estamos obviamente
atraídos um pelo outro. Às vezes a gente se dá bem... embora às
vezes discutimos também. Mas é verão e... você sabe... temos
necessidades. Então por que não sermos apenas amigos de foda?”
Encolho após essa última parte que falo, acho que soou como uma
prostituta. Ou Riley. Bem... Riley dormiu por aí. Mas isso é
irrelevante. Agora não consigo parar a divagação na minha
cabeça, muito menos a da minha boca. Ótimo. Simplesmente
ótimo.

Rush arqueia uma sobrancelha. “Amigos de foda?”

Aperto meus lábios pintados de vermelho vem-me-foder


fechados e aceno.

“Você só quer transar comigo, então? Nada mais?”

Balanço a cabeça.

“Eu vejo.” Ele me encara. “Deixe-me ver se entendi... então


ficamos claros. Você não quer namorar comigo?”
“Não.”

“Mas você quer me foder?”

“Sim.”

“Então, posso dizer... ir até a sua casa depois do trabalho a


qualquer hora e talvez comer você?”

Engulo. “Sim.”

“E talvez, algumas vezes, você vá me dar um boquete.”

“Certo.”

“E eu poderia sair depois que o sexo acabasse? Sem


aconchego ou sutilezas necessárias?”

“Está certo.”

Seu rosto maldito está tão impassível; não tenho ideia do


que está acontecendo na sua cabeça. Depois de mais um minuto
de duração do olhar intenso que quase me desmorona, ele volta
para trás de sua mesa e senta-se.

“Quanto tempo tenho?”

“Perdão?”

“Para decidir e dar-lhe minha resposta à sua proposta.”

“Oh.” Não tinha pensado tão longe. Mas não posso me


torturar para sempre. Endireito minha coluna. “Até o final da
noite.”

Rush pega uma caneta e puxa um pedaço de papel a de uma


pilha no canto da sua mesa. Começa a ler, ele resmunga sem olhar
para cima. “Volte para o seu trabalho de merda, Gia.”
O resto da noite é tensa, para dizer o mínimo.

Pego Rush olhando para mim enquanto trabalho. Ele não


está flertando ou qualquer coisa. Na verdade, ele parece mais
chateado enquanto a noite avança. É impossível saber o que ele
está pensando.

Incapaz de me concentrar, estou errando a toda hora, me


esqueço de trazer menus para a mesa, ou levo as pessoas para as
seções erradas ― tudo isso, é claro, sob o olhar atento de Rush.

A realização do que fiz está começando a me bater. Por que


tinha me vestido assim para começar? O homem tinha me levado
oficialmente a agir como louca. Fiz papel de boba na frente dele ―
me jogando nele. Isso nunca é resposta para ter um homem
querendo você. Isso é o oposto do que alguém deve fazer.

Consegui me arrumar e me fez parecer como uma puta,


embora, no fundo, sei que sua atração por mim nunca foi à
questão; é que ele não quer estar comigo. Ponto final. Ele gosta de
brincar comigo, me paquerar, empurrar os limites. Mas ele
realmente não quer puxar o gatilho. Se quisesse, já teria feito até
agora. Confundi seu macho alfa querer me proteger com interesse
sério. Estou completamente errada. O homem tem problemas e
estou cansada de ser um deles.

Em um ponto, cerca de uma hora antes do fechamento,


Rush passa por mim e diz: “Venha ao meu escritório após o seu
turno.” Se afasta antes que eu possa responder, deixa o cheiro
almiscarado de cigarros e colônia em seu rastro.

Ótimo. É isso. Vai ser o ponto onde ele me dá todas as razões


por que não quer prosseguir com nada comigo.

Ele sabe que não sou do tipo apenas para sexo. Nós
tínhamos falado sobre isso, por amor de Cristo. Não há como
enganá-lo.
Além disso, por que ele vai se preocupar com alguém que
está emocionalmente carente, quando tem belas mulheres caindo
aos seus pés o tempo todo, as que realmente só querem a mesma
coisa que ele? Apenas sexo, não amor.

Você é uma idiota, Gia.

Depois que meu turno termina, fico adiando ir para seu


escritório. Ele tinha desaparecido da área principal, então assumi
que ele poderia estar esperando por mim lá atrás.

Talvez eu o deixe e apenas vá para casa. Afinal de contas,


tenho um carro funcionando estacionado lá fora agora, graças a
ele. Não há nenhuma razão para me colocar através da agonia de
ouvir sua rejeição.

Fico enrolando até que ele finalmente desce para a área de


recepção, parece mais chateado do que nunca.

“Fechamos há uma meia hora. Acho que lhe disse para me


encontrar no meu escritório. Estive esperando por você.”

Organizo alguns menus e não o olho nos olhos, falo: “Sim,


bem, não tenho que saltar só porque você me pede.”

“Gia...” ameaça. Quando olho para cima, seus olhos


queimam nos meus. “Traga sua bunda ao meu escritório.”

Rush sai depressa e cedo, sigo-o com o coração acelerado.

Depois de fechar a porta atrás de mim, cruzo os braços.


“Certo, o quê?”

Rush senta-se e coloca os pés em cima da mesa. Começa


batendo uma caneta repetidamente antes de dizer: “Estive
pensando sobre o que você propôs anteriormente e não acho que
é uma boa ideia. Eu...”

“Pare!” Grito. Estou perdendo. “Simplesmente pare! Não


preciso ouvir isso, ok? Já sei o que vai dizer, que você não acredita
que eu realmente quis dizer o que disse sobre sermos amigos com
benefícios. Você nunca vai me ver como uma amiga de foda. Blá,
blá, blá. Por favor, me poupe. Não preciso me sentar aqui e ouvir
a explicação.”

Sua cadeira de rodinhas bate contra a parede quando ele de


repente se levanta. Depois marcha em minha direção, ele para a
cerca de trinta centímetros longe de mim. “Você vai me deixar
terminar?”

Afasto-me dele para a porta. “Não. Não quero falar sobre


isso. Agi como uma tola, me jogando em você e nunca deveria ter
acontecido. Você está certo. Não sou o tipo de garota para você.
Tenho dignidade e respeito e quero mais ― muito mais do que ser
seu brinquedo de foda. Não me importa quão atraente você é com
toda essa merda misteriosa e bad-boy que você tem em curso. No
final, você é um homem que não quer nenhuma das coisas que
quero da vida.”

“Posso só...”

“Não,” interrompo. “Vou embora.”

Assim quando me viro, sinto o aperto de mão no meu pulso.


Ele me vira ao redor antes de me apoiar contra a porta.

Posso sentir sua respiração enquanto fala perto do meu


rosto. “Você é muito teimosa. Devo dobrá-la e bater na sua bunda
tão forte por não me deixar ter uma palavra, literalmente.”

Meus mamilos ficam duros com esse pensamento. Engulo.


“Veja... isto é o que você faz. Você...”

“Cale-se.”

Antes que possa brigar por me dizer para calar a boca, seus
lábios estão nos meus, engolindo todas as minhas palavras não
ditas, espertinho. Minhas pernas quase entram em colapso com o
poder absoluto do seu beijo.
As mãos de Rush estão enterradas no meu cabelo, enquanto
ele empurra sua língua dentro da minha boca. Atendo
desesperadamente o ritmo de suas investidas. Tem um gosto tão
bom, como cigarros e um sabor todo seu. Eu gemo em sua boca,
incapaz de esconder meu desespero por mais. Minhas mãos estão
cavando através do seu cabelo, pressionando seus lábios mais
profundos nos meus. Não posso ter o suficiente do seu gosto
inebriante.

Seu pescoço queima um pouco contra meu queixo quando


ele inclina seu corpo mais para perto do meu e continua a invadir
minha boca. Passa as mãos do meu cabelo, todo o caminho pelas
minhas costas, até que pousa na minha bunda. Aperta com força
antes de assumidamente empurrar seu pênis rígido contra o meu
abdômen.

Seus baixos murmúrios de prazer são tudo que tinha


imaginado ser. Sinto-me caindo, cada vez mais fraca, quanto mais
ele continua a devorar meus lábios. Minha calcinha está agora
encharcada e sei que sou um caso perdido, se ele tentar me levar
aqui mesmo.

Rush chupa meu lábio inferior forte, antes de


abruptamente, se afastar. Ele parece triste quando ofega.
“Precisamos conversar.”
Capítulo 14

Gia parece que está irritada depois que paro o beijo.

Afastar-me foi uma das coisas mais difíceis que já tive que
fazer. Mas precisamos conversar. Sem mencionar, que não vou
transar com ela em meu escritório. E estamos perigosamente
perto desse cenário. Mais alguns segundos daquele beijo e não
tenho certeza se seria capaz de parar.

Ela está ofegante. “O que você precisa dizer?”

Meu pau ainda está duro como uma rocha, quando falo: “Se
você tivesse parado de falar por dois segundos antes, iria perceber
que está errada sobre o que pensou que eu ia dizer-lhe esta noite.”

Respiro fundo.

Continuo: “Não quero apenas foder...” corrijo a minha


língua, porque o que tenho a dizer é importante. “Não quero
apenas... dormir com você.” Deixo escapar um suspiro e empurro
o resto das palavras: “Acho que deveríamos... ver aonde as coisas
vão.”

O queixo dela cai. “Aonde você quer chegar?”

“Anteriormente, quando você entrou no meu escritório toda


arrumada, parecendo uma excêntrica Betty Boop, estava
pensando sobre essa coisa com a gente, tentando descobrir meus
sentimentos. Mas não há nada para descobrir, exceto que estou
em negação. Não posso prometer nada, Gia. Não posso prometer
que não vou foder isso regiamente. Mas... quero tentar.”

Seus olhos arregalam em surpresa genuína. “Você quer


mais do que apenas uma foda ocasional comigo?”

Balanço a cabeça. “Sim.” Ando, envolvo minhas mãos em


torno do seu rosto e esfrego um pouco do batom da sua boca. “E
você não precisa de toda essa merda em seu rosto. Você é tão
bonita sem ela. Da próxima vez que fizer isso, vou beijar tudo fora
de você.”

“Isso é um desafio?” Um rubor sobe em seu rosto. “Então o


que fazemos agora? Para onde vamos daqui?”

O conceito de namoro é tão estranho para mim. Não consigo


me lembrar da última vez que levei uma mulher para um encontro
formal. Quanto mais lentamente levar as coisas com Gia, menor a
chance que tenho de estragar as coisas. Isso significa evitar ficar
sozinho com ela por um tempo.

“Você está de folga amanhã à noite, certo?” Pergunto.

“Sim.”

“Vou buscá-la.”

Ela sorri. “Você está me levando para um encontro?”

Meu coração começa a palpitar com o pensamento. “Olha...


realmente não sei o que estou fazendo quando se trata de namoro.
Não tenho um encontro de verdade há muito tempo. Mas sim, vou
buscá-la. Levá-la para sair.”

“Pegar-me. Levar-me para sair. Isso parece muito com um


encontro para mim,” brinca.

Reviro os olhos, depois sorrio em concessão. “Tudo bem,


dane-se. É um encontro.”
O que há de errado comigo esta noite?

Indeciso como o inferno, tiro a terceira camisa que visto em


cinco minutos e jogo-a no canto do meu quarto. Você pensaria que
nunca saí com uma mulher antes.

Não estou acostumado a me vestir elegantemente, também,


finalmente decido por uma camisa carvão e jeans escuros.

A verdade é que, a camisa certa não vai me proteger do meu


comportamento autodestrutivo esta noite. Sei muito bem que não
tenho controle sobre minha reação física a Gia. Sim, quero
conhecê-la ainda melhor. Sim, quero sair com ela. Mas quero
transar com ela mais do que minha próxima respiração e temo
que no minuto em que começar a tocá-la novamente hoje à noite,
essa necessidade irá superar tudo. Vou perdê-la. Só sei disso.

Fiz uma reserva para nós em um restaurante de frutos do


mar elegante cerca de meia hora de distância. Imagino que quanto
mais tempo no carro, melhor. Isso é mais tempo no carro onde
não poderei me meter em problemas na primeira noite de
“namoro”.

O sol está começando a se por quando chego à casa de


verão.

Toco a campainha, limpo o suor da minha testa enquanto


espero que ela atenda. O fato de que ela ainda não sabe que sou
o dono da maldita casa, me faz rir comigo mesmo.

Gia abre, parece boa o suficiente para comer aqui mesmo,


o que só confirma como fodido estou. Ela está usando um vestido
amarelo, decotado, longo e florido. Apesar de sexy, não se parece
com uma vadia. Seu cabelo está solto em ondas. Uma tiara
brilhante no alto da cabeça. Isso me lembra de algo que Cleópatra
teria usado. Gia é naturalmente exótica e bonita, então estou feliz
que ela me ouviu e deixou a maquiagem no mínimo. Ela não
precisa disso.

“Você está bonita.” Sorrio.

“Você também,” diz.

Sem saber o que diabos fazer com elas, coloco minhas mãos
em meus bolsos. Fico consciente de cada movimento meu. É como
se, de repente, eu tivesse me esquecido de como agir em torno
dela. Agora que sei onde estão as coisas e tenho rédea livre para
tocá-la, estou assustado que possa estar me movendo muito
rápido e fazer algo para machucá-la.

Quando caminhamos de volta para o meu Mustang, ela


pergunta: “Para onde estamos indo?”

“Você já ouviu falar de Oceanside Manor?”

“Sim. Esse lugar é uma fantasia louca.”

“Tente se comportar, então.” Pisco, abrindo a porta do lado


do passageiro. “Sem nenhuma briga esta noite.”

Quando ela se acomoda no assento, respira fundo. “Sinto


falta de andar no seu carro.”

Droga, eu também.

Ela cruza as pernas, revelando que o vestido que está


usando tem uma fenda enorme, que me permite uma visão de sua
perna tonificada e bronzeada todo o caminho até o topo de sua
coxa.

Droga. Droga. Droga. Tanto para o tempo extra no carro para


me manter longe de problemas.

Alcanço meu bolso por um cigarro, percebo que não trouxe.


Não há nenhuma maneira que vá sobreviver a uma viagem de
trinta minutos com “pernas” aqui, se não posso fumar.
No caminho, paro de repente em uma 7-Eleven15 antes de
entrar na rodovia.

“O que você está fazendo?”

“Eu tenho que pegar alguns cigarros. Deixei os meus em


casa.”

Corro para fora do carro rápido, então não tenho que ouvir
seu discurso sobre o fato de que ainda estou fumando. Esta não
é à noite para desistir.

“Maço de Marlboro,” falo para o caixa.

Quando ele me entrega, enfio a mão no bolso procurando a


minha carteira para descobrir que ela não está lá. Bato nas
minhas roupas para baixo, logo descubro que deixei minha
carteira em casa.

Merda!

Estava tão preocupado com meu guarda-roupa como uma


buceta, esqueci a coisa mais importante.

Encostado ao balcão, deixo escapar um longo suspiro e


deslizo os cigarros de volta para o homem.

“Desculpe, cara. Esqueci minha carteira.”

Gia deve ter sentido o olhar irritado no meu rosto quando


volto para o carro.

“O que está errado?”

Aciono a ignição e suspiro. “Temos que voltar. Deixei minha


carteira em casa. Só vamos parar em casa e vou correr e pegá-la.”

15 7-Eleven é uma marca internacional, licenciada, operadora de lojas de franquia. Ela é, desde Março de
2007, a maior cadeia de lojas em todas as categorias, estando na frente do McDonald's por 20.000 lojas.
Ela coloca a mão na minha coxa e isso faz uma agitação no
meu pau. “Não seja bobo. Posso pagar o jantar.”

Não há nenhuma maldita maneira que vou deixar Gia fazer


isso, mesmo que eu pague de volta. Não posso imaginar nada mais
humilhante do que vê-la abrir sua carteira esta noite e pagar a
conta.

“Nah. Vou voltar.”

Todo o passeio até a minha casa, estou me preparando para


sua reação quando chegarmos na minha garagem. Ela nunca
tinha visto onde moro.

Quando finalmente nos aproximamos ― como imaginei ―


seus olhos arregala, quando ela tem uma visão da minha casa.

“Meu Deus. Esta é a sua casa? É incrível.”

Mesmo que não tenha feito dinheiro como o meu pai e


irmão, com as riquezas que herdei, a única coisa que proporcionei
a mim mesmo, foi um lugar realmente agradável para morar.

Dois níveis, todas as janelas de vidro no exterior e com vista


para o oceano, é definitivamente uma propriedade doce. Não há
como negar isso. Fica em uma pequena área de praia privada,
isolada ― do jeito que gosto.

Estou prestes a correr para dentro quando Gia pergunta,


“Importa-se se eu for com você? Adoraria ver o interior.”

Não deveria ter me surpreendido que queira ver a casa.


Tecnicamente, deveria ter sido um cavalheiro e a convidado.
Simplesmente não confio em ficar sozinho com ela. Mas o que devo
fazer agora, fazê-la ficar no carro depois que me pediu para vê-la?

“Sim. Certo.”

Uma vez dentro, Gia olha ao redor, absorvendo o meu estilo


moderno, mas minimalista. A maioria dos meus móveis é preta ou
cinza. As paredes do espaço principal são brancas e cobertas de
pinturas da minha mãe. Especificamente, pedi-lhe para pintar
diferentes variações da lua sobre o mar à noite.

Gia absorve tudo. “Rush... este lugar. É…”

“Obrigado.”

Não demora muito tempo para perceber as obras de arte.


Ela vai direto para a pintura da lua cheia. “A sua mãe fez isso?”

Paro atrás dela. “Sim.”

“Elas são incríveis,” diz, passa seu dedo suavemente sobre


a tela. “Você tem uma obsessão com a lua?”

“Você pode dizer que gosto da lua, sim. Ela está sempre lá
para mim e tem um pouco de um lado escuro, como eu tenho, eu
suponho. Pedi a minha mãe para pintar diferentes interpretações
da lua sobre a água durante a noite.”

Posso dizer que as rodas giram na cabeça de Gia, como se


estivesse tentando descobrir o significado por trás do motivo que
amo a lua, talvez tentando encontrar alguma correlação entre ela
e meu desejo de confiança ou amor, ou algo assim.

“Bem, definitivamente acho que a lua combina mais com


você que o sol.”

Levanto uma sobrancelha. “Porque eu sou um lunático?”

Ela ri. “Bem, sim, mas também a vibração escura,


misteriosa.”

Gia fica vagando ao redor da casa, alheia à minha coceira


para sair. “Você se importa se eu verificar o segundo nível?”

Não vou ser capaz de sair dessa, mas uma parte de mim
está começando a querer mostrar-lhe mais, enquanto me
acostumo a tê-la dentro da minha casa. Em vez de responder,
balanço minha cabeça e levo-a para me seguir até as escadas.
Ela dança através do meu quarto e abre as portas que dão
para o andar superior.

O sol está se pondo sobre o oceano agitado. Gia apenas fica


lá imersa no ar da noite e no cenário. Ela parece requintada com
seu cabelo soprando ao redor enquanto ela olha para a água.

Estamos em silêncio por um longo tempo, ouvindo as


gaivotas antes que ela finalmente fala.

“Se eu vivesse aqui, tenho certeza de que eu nunca sairia.”

Uma imagem de Gia em algemas, amarrada a minha cama,


incapaz de sair, passa pela minha cabeça.

Não posso evitar meus pensamentos, certo?

Quando se vira para mim, por alguma razão, tenho o


impulso de dizer, “Você é muito bonita. Sabe disso?”

De onde veio isso?

“Aposto que você diz isso para todas as garotas que traz até
este terraço.”

Raramente trago mulheres para casa, se posso evitar.


Normalmente, vou para a casa delas. Nas raras ocasiões em que
não posso evitar, nunca as levo até meu quarto, que leva a este
terraço. Uso o quarto de hóspedes do primeiro andar para
“entreter.”

“Você é a primeira garota que vem aqui.”

Sua testa enruga. “Você está falando sério?”

“Sim. Sou um cara reservado. Nunca trouxe uma mulher


aqui antes. Este... terraço... é como o meu santuário.”

“Por que me deixou subir aqui, então?”

“Foda-se, se eu sei. Acho que... confio em você... ou algo


assim.”
Sua sobrancelha levanta. “Ou algo assim?”

“Algo que não entendo. Perco a cabeça ao seu redor. No


momento que te conheci, você colocou algo em mim que não tenho
sido capaz de conter.”

“Então, não... contenha.”

Aproximo-me mais dela, coloco um pouco de cabelo atrás


da orelha. “É como se quisesse protegê-la e corrompê-la ao mesmo
tempo. É fodido.”

“Não é fodido. É doce.”

“Você não pensaria que é doce se soubesse o que está


acontecendo na minha cabeça agora.”

“Eu acho que tenho uma vaga ideia.”

Quero tanto beijá-la, seguro, em vez disso olho para o meu


telefone. “Devemos ir...”

“Será que tem uma reserva para jantar?”

“Sim. Perdemos.”

Ela parece hesitante ao dizer: “Você se importa se ficarmos


aqui em vez de sair? Realmente não estou com vontade de ir a um
restaurante. Sinto que gasto metade da minha vida em um. Vou
adorar apenas me sentar neste terraço com um copo de vinho.
Talvez pedir alguma comida?”

Isso soa exatamente o que gostaria de fazer, se não estivesse


com tanto medo de ficar sozinho com ela.

Quando não respondo, ela diz: “Está tudo bem se você


prefere não fazer isso.”

“Não. Está bem,” falo. “Podemos ficar aqui.”

Minha noite ficou muito mais desafiadora.


Capítulo 15

Rush pede comida italiana de um restaurante chamado


Margarita’s, que fica no caminho para sua casa.

Bebemos um pouco de vinho com nossa berinjela ao


parmesão e camarão scampi. Ele parece muito mais relaxado do
que anteriormente.

Tem um pátio maravilhoso no terraço. Estamos deitados em


duas espreguiçadeiras ao ar livre. Ele bebe seu vinho e fuma,
enquanto seu cabelo balança com a brisa da noite. Está escuro
agora e faz com que o brilho do seu cigarro seja mais proeminente.

Rush esteve uns sessenta centímetros longe de mim a noite


toda. Mas não posso deixar de desejar que ele vá se aproximar,
enquanto a memória do nosso beijo de ontem consome meus
pensamentos. Nunca tinha sido beijada com tanta força, tanta
paixão. Só posso imaginar como ele é na cama.

Durante o jantar, falamos sobre um monte de coisas,


incluindo a nossa infância e um pouco sobre seus vários negócios.
Conseguimos cobrir várias coisas ― bem, exceto o assunto sobre
o que exatamente está acontecendo entre nós.

Agora, estamos apenas olhando para o mar novamente.

“Sinto-me tão calma aqui. É tão pacífico,” falo.

“Nunca compartilhei essa visão com ninguém.”

“Ainda não posso acreditar nisso.”


Ele apaga o cigarro antes de alcançar minha mão. “Gosto de
ter você aqui. Muito.”

Aperto-a, notando um olhar de preocupação em seu rosto.


“Parece que o incomoda um pouco. O que há de errado em gostar
disso?”

Ele fica em silêncio por um longo tempo antes de falar: “Não


aguente qualquer merda minha, Gia. Está bem?”

“O que isto quer dizer?”

“Se você me pegar começando a foder, me coloque no meu


lugar.”

Fica claro que Rush tem alguns receios profundamente


enraizados sobre me magoar. Talvez resulte de seu pai ter
abandonado sua mãe.

“Você sabe, posso te machucar tanto quanto você pode me


machucar. Lembre-se, sou a filha de uma mulher que abandonou
o marido e a filha. Pode ter sangue ruim em mim, também. Mas
não vou me preocupar com isso. E não tenho medo de você, Rush.”

“Você deve ter.”

“Por quê?”

“Porque quero fazer coisas realmente ruins com você agora.


O que realmente devo fazer é levá-la para casa.”

“Não quero ir.”

Seus olhos são penetrantes. “O que você quer Gia?”

Sinto-me ousada, me levanto do meu lugar, me arrasto até


sua espreguiçadeira e começo a ficar em cima dele. “Isto,” digo
antes de devorar seus lábios e beijá-lo com toda a minha alma.
“Quero você, Rush,” sussurro em seus lábios.
A velocidade do beijo acelera quando ele, de repente, me
levanta da espreguiçadeira, me levando através das portas para
sua cama.

Ele me coloca para baixo, pairando sobre mim. “Quero ir


devagar, mas realmente preciso provar sua buceta, Gia.”

Suas palavras fazem os músculos entre as minhas pernas


pulsarem.

Rush lentamente levanta a saia do meu vestido, enterra sua


cabeça entre minhas pernas. Beija suavemente a pele entre as
minhas coxas.

Contorço-me, incapaz de controlar a reação do meu corpo


com a sensação.

“Relaxe,” diz.

Quando sua língua bate no meu clitóris, juro que vejo


estrelas. Deixo escapar um grito no contato, abaixo minha cabeça
para trás em êxtase. Minhas pernas estão tremendo.

Rush me puxa para mais perto em um movimento rápido,


enquanto enterra sua boca em mim, arrasta sua língua sobre o
meu clitóris e usa toda a sua boca para o meu prazer.

Meus olhos estão fechados quando sinto seus dedos


deslizarem dentro de mim. Ele está me fodendo com os dedos,
porra, enquanto continua devorando o meu corpo.

Não espero gozar tão rápido. Meus músculos começam a se


contrair sob sua boca. Durou apenas cerca de um minuto, incapaz
de me lembrar da última vez que um homem usou a boca para me
dar prazer.

Grito no clímax enquanto puxo o cabelo de Rush.

Ele me deixa completamente mole e sem palavras.


Levantando para respirar, Rush lambe os lábios e geme: “Não
posso esperar para te foder, Gia.”
Sua ereção está esticando seu jeans. Sei que ele precisa de
alívio e não posso esperar para dar a ele.

Agarro a fivela do cinto, tento abrir sua calça, quando ele


coloca a mão sobre a minha para me parar.

“Não posso ir lá essa noite. Vou destruir você.” De repente,


pula da cama. “Volto já.”

Ele desaparece por um longo tempo e quando volta, só


posso supor que foi se masturbar, porque parece calmo.

“Mexa-se,” diz quando me envolve em seus braços.

Rush me deu o melhor orgasmo da minha vida e agora está


me abraçando. Não posso dizer que tem algo melhor do que isso.

“Senti falta disso,” falo. “Dormir ao seu lado.”

“Você só fez uma vez e sente falta?” Diz contra minhas


costas.

“Todas as noites desde então.”

Rush beija minhas costas suavemente. “Eu também, Gia.”

A sensação mais quente vem sobre mim. Sinto-me


incrivelmente segura em seus braços, mais segura do que
provavelmente já estive em toda a minha vida.

Ele traça os dedos no meu braço enquanto está deitado


atrás de mim, de conchinha. Relaxada e satisfeita no momento,
fecho os olhos para desfrutar da neblina pós-orgasmo que me
cobre.

Nossos peitos se movem em uníssono, sua frente nas


minhas costas, deve ter me balançado para dormir. Porque a
próxima coisa que sinto é o calor do sol batendo no meu rosto, me
acordando, para encontrar uma cama vazia.
Encosto contra a porta da cozinha. Agora essa é uma vista
de manhã que posso me acostumar.

Rush está na frente do forno, sem camisa e com o cabelo


molhado, cozinha algo que cheira delicioso, enquanto balança
com a música. Parece-me estranho que é música country. Teria
levado mais para o heavy metal ou algo assim.

“Você vai ficar aí me olhando, ou vem me dar um beijo de


bom dia?” Rush fala sem se virar.

“Como você sabe que estou parada aqui?”

Ele bate os dedos sobre a porta de aço inoxidável sobre o


forno. “Reflexo. Belo traje, por sinal.”

Adormeci com meu vestido e quando vi a camisa que Rush


usou ontem no chão, ao lado da cama, esta manhã, decidi colocá-
la, depois de me lavar em seu banheiro.

Caminho para ele e passo meus braços em torno de sua


cintura. “Bom dia.”

Rush estica o pescoço para trás e inclina a cabeça para um


beijo. “Dormiu bem?”

“Na verdade, muito bem. Nem me lembro de adormecer. Sua


cama deve ser muito confortável.”

Ele ri. “Sim. Foi à cama, não a minha boca na sua buceta
que te esgotou.”

“Você é tão grosseiro.”

Ele mexe os ovos na panela, quando as torradas aparecem


da torradeira. “Esqueci, que tenho que suborná-la com uma
bebida para você dizer palavras sujas.” Pisca. “Vá se sentar. Vou
fazer um pouco de café e decidir o que quero ouvir para que você
consiga qualquer cafeína.”

Sentamos juntos para o café da manhã e não posso deixar


de cobiçar o corpo de Rush. Ele tem um corpo magro, mas forte e
musculoso. Seus peitorais são bem definidos, abdômen esculpido
em um pacote de seis, ou talvez fosse oito ― definitivamente quero
contar os picos e vales com a minha língua em algum momento e
os músculos dos seus braços saltam e incham a cada vez que ele
leva sua caneca de café para os lábios. Não vou nem começar
sobre essa linha fina de cabelo que corre do seu umbigo para
baixo, em sua calça de moletom.

“O que está acontecendo em sua cabeça louca essa


manhã?” Rush está me observando.

“Estou apenas verificando a mercadoria.”

Ele arqueia uma sobrancelha.

“O quê? Você teve que me ver antes de decidir me convidar


para sair. Não cheguei a vê-lo.”

Suas sobrancelhas abaixam. “Quando a vi nua?”

“No biquíni amarelo.”

Ele sorri. “Isso não foi exatamente nua. Embora tenha visto
uma aréola e toda a sua bunda. Por isso, foi muito perto.”

Eu não sei o que há sobre Rush, mas ele me deixa ousada.


Atiro-lhe um sorriso diabólico. “Bem, não quero ser injusta.”
Prontamente levanto a camisa que estou sobre a cabeça, jogo-a no
chão. Deixei meu sutiã com o meu vestido no quarto, então tudo
o que tenho é uma tanga de renda preta.

O garfo de Rush cai no prato. “Foda-se.” Engole em seco.


“Você não está facilitando as coisas.”

Inclino a cabeça timidamente. “Está dizendo, que está duro


para você?”
Seus olhos treinados sobre meus seios. Na verdade, assisto-
os escurecer para um tom mais profundo de verde. “Você tem seios
lindos.”

“Obrigada.” Tomo um gole de café, tento agir casualmente.

“Gostaria de fodê-los.”

Engasgo com o resto do gole e derramo um pouco de café


no meu prato. Comecei isso, mas Rush certamente tinha
terminado. Minha boca está seca de repente e é a minha vez de
engolir. “Você gostaria de...”

“Fodê-los.”

“Umm. Tudo bem.”

Seus olhos brilham no meu pescoço, e Rush aponta para


ele. “Amo sua clavícula. É tão delicada e bonita. A pele ao redor é
tão perfeita e suave.”

“Obrigada.”

“Vou gozar aí.”

“Perdão?”

“Em todo o seu pescoço. Depois que foder seus seios lindos.”

Contorço-me na minha cadeira. “E quando isso vai


acontecer?”

Seus olhos se levantam e trancam com os meus. Eles


brilham com maldade. “Sempre que eu quiser.”

Talvez eu devesse ter me chateado, que o cara que eu tinha


acabado de começar a namorar, apenas me diz no café da manhã,
que ele planeja fazer sexo com meus seios e gozar em todo o meu
pescoço, sempre que quiser, mas porra... estou no jogo.

Pulo quando Rush abruptamente empurra sua cadeira para


trás da mesa. Caminha até onde estou e se inclina para beijar
meus lábios. “Coloque sua camisa de volta. Estou tentando ser
bom.” Ele a pega do chão e estende para mim.

Faço beicinho.

“Foder os seios requer pelo menos um encontro ou dois.”


Ele se vira e começa a caminhar para fora da cozinha.

“Aonde você vai? Não terminou o seu café da manhã.”

“Use sua imaginação, Gia. Eu certamente vou usar a


minha.”

Rush me leva para casa. Mesmo que não esteja pronta para
deixá-lo ainda, realmente preciso para escrever o dia todo, antes
de trabalhar esta noite. Ele está parado na frente de casa em vez
de estacionar. “Você trabalha hoje à noite, certo?”

Balanço a cabeça. “Seis horas.”

“Que tal fazer alguma coisa amanhã?”

“Vou trabalhar no brunch a partir das onze.”

“Conheço o patrão. Tenho certeza que ele vai te dar o dia de


folga.”

Sorrio. “Tudo bem! O que você quer fazer?”

“Estava pensando em ir ver minha mãe. Ela quer que eu


conheça um idiota que está vendo e você quer ver suas pinturas,
de qualquer maneira.”

Minhas sobrancelhas se unem. “Ela está namorando um


idiota? Como você sabe se ainda não conheceu?”
Rush brinca. “Ele está saindo com a minha mãe.”

Sorrio. “E ele é automaticamente um idiota só porque está


namorando sua mãe?”

“Ele começa como um idiota e tem que ganhar seu caminho


daí.”

Inclino-me e encosto meus lábios nos seus. “Você tem sorte


que acho sua parte protetora adorável, porque algumas pessoas
realmente podem pensar que você é o único que é o idiota.”

“Vá escrever, Shakespeare.”

Esfrego meu nariz contra o seu. “Talvez eu vá escrever uma


cena em que o herói se apaixona pela heroína, já que eu tenho
uma memória bem agradável para emprestar.”

Rush geme. “Saia do meu carro antes que eu tenha que


tomar outro banho.”

Sorrio e abro a porta do carro. “Mais tarde, chefe.”


Capitulo 16

Eu deveria ter me masturbado uma segunda vez esta


manhã.

Considerando que é a primeira vez na minha vida que estou


namorando alguém oficialmente, você pensaria que eu não tenho
que tomar isso em minhas próprias malditas mãos. Quem diria
que namoro significa se acariciar várias vezes por dia.

Olho para Gia sentada no banco do passageiro. Ela está com


um short de seda azul e uma camisa com os ombros cortados. Isso
faz com que suas pernas pareçam ter quilômetros de pele lisa. Eu
quero gozar em tudo isso, também.

Eu passo os dedos pelo meu cabelo. Que porra há de errado


comigo quando se trata desta menina? Ela é doce e pura e eu
quero ouvi-la falar sujo e fodê-la. Ontem à noite, eu tentei tanto
me manter profissional na merda do restaurante. Mas quando ela
se agachou para pegar uma pilha de menus que caíram na sala
de armazenamento através do meu escritório, eu não pude evitar.
Tranquei a porta e chupei seus seios lindos, até que eu consegui
que ela dissesse que não podia esperar para sentir meu pau
deslizando entre eles. E agora, mesmo no caminho para a casa da
minha mãe, eu mal estou segurando minha merda.

Gia tira suas sandálias e coloca os pés descalços no meu


painel. “Então, a casa que sua mãe vive é a mesma em que você
cresceu?”
“Sim, é a mesma. Ela está lá há trinta e cinco anos.”

“Isso significa que eu vou ver onde você dormiu quando era
um adolescente?”

“Sim.”

“Aposto que você era difícil de lidar quando adolescente.


Trazendo meninas para o seu quarto e não para brincar.” Ela
franziu o nariz. “Pensando bem... Eu posso não querer ir nesse
quarto.”

“Vamos lá. Nós podemos fingir que temos quatorze anos de


novo e eu vou tocá-la, enquanto chupo o seu rosto e pressiono um
cano de chumbo no osso do seu quadril.”

Ela riu. “Quatorze? Foi quando você começou a apalpar as


meninas?”

Pela sua reação, eu percebo que é melhor não dizer a ela


que é foi algo mais como doze. “Algo em torno disso.”

“Isso é jovem.”

“Quantos anos você tinha a primeira vez que se tocou?”

“Dezoito.”

Meus olhos brilham mudando da estrada para ela, para ver


se ela está brincando. Ela não está.

“Dezoito é um pouco velha para ir para a primeira base, não


é?”

Ela encolhe os ombros. “Eu acho.”

“Os meninos devem ter perseguido você. Eu estou supondo


que o início tardio não tinha nada a ver com falta de
oportunidade.”

“Não. Fui convidada um monte de vezes. Eu só…”


Não olho para ela. “Você o quê?”

“Eu não sei. Em retrospectiva, acho que eu não queria


deixar meu pai para baixo. Minha mãe tinha agido de forma
irresponsável por ter ido embora depois de me ter. Ele colocou
tanto esforço em me criar. Eu só não queria desapontá-lo.”

Todas as meninas e a maioria das mulheres com quem eu


passei algum tempo como um adulto, tinham o objetivo oposto na
vida. Elas queriam irritar seus pais. Eu sempre me mantive longe
de meninas do papai, dizendo-me que são hipócritas. Mas, de
repente, eu me pergunto se eu tinha me mantido longe daquelas
meninas, porque eu não acho que eu poderia viver para alcançar
os padrões que elas tinham. Gia definitivamente tinha grandes
expectativas e isso me assustou pra caralho.

“Eu vi a maneira como seu pai olha para você, do jeito que
você dois interagem, eu não acho que é possível você desapontá-
lo.”

Ela sorri. “De qualquer forma, para voltar a nossa conversa.


Eu nunca tive um menino que me fez sentir vontade de estar em
seu quarto. Mas eu deixei Robbie Kravit colocar a mão debaixo da
minha camisa na parte de trás do cinema, quando estávamos nos
formando no ensino médio.”

“É fodido que eu tenha vontade de socar Robbie agora?”

Ela ri. “Bem, agora você sabe como eu me senti no último


mês... mulheres parando no restaurante para ver você, enquanto
vestem pequenas saias de couro.”

Eu não tinha pensado nisso. “Eu não convidei nenhuma


delas.”

Ela olha para fora da janela, em silêncio, por um minuto e


depois diz: “Posso te perguntar uma coisa?”

“Quando uma mulher pergunta se ela pode te perguntar


uma coisa, é geralmente algo que eu não quero responder.”
Ela ri. “Você esteve com alguma mulher desde que nos
conhecemos?”

“Não.” Eu tinha quase ido lá na noite em que ela teve aquela


briga. Mas, honestamente, eu tinha me forçado a chegar à outra
mulher apenas para que eu pudesse parar de pensar em Gia e eu
estou em dúvida se eu teria ido até o fim, se tivesse ido. “Eu queria
estar com alguém, porque pensei que poderia me impedir de ficar
obcecado com você, mas eu nunca realmente fiquei.”

Ela assente com a cabeça e não diz nada. O que me deixa,


porra, paranoico. Será que ela tem algo a confessar?

“Você esteve com alguém?”

“Não. Eu só estive com uma outra pessoa no último ano. E


como eu disse, foi um erro total. Eu só fui com o conto do cara
legal porque eu sentia falta de ter uma conexão com um homem.
Mas eu percebi depois que ele deixou o número errado, que o sexo
não satisfez a conexão que eu perdi.”

Eu balanço minha cabeça. “Agora eu quero bater no idiota


que você ficou, também. Por uma variedade de razões. A primeira
é que ele esteve dentro de você e eu não.”

Gia descansa a mão no topo da minha coxa e eu quase saio


da minha faixa. “Nós podemos consertar isso, sabe?” Diz ela. “Eu
não sou a única nos obrigando a levar isso lento. Acabamos de
passar um Motel na última saída.”

Eu dou um gemido. “Você vai ser a minha morte, mulher.”

“Oi!” Minha mãe abre a porta da frente e engole Gia em um


grande abraço, antes mesmo de me cumprimentar. “Estou tão feliz
que você pode vir.”
As duas começam a essa merda de elogiar uma a outra,
imediatamente.

“Eu amo o seu colar.”

“O azul é sua cor!”

“Você mudou seu cabelo?”

Reviro os olhos. “Que diabos eu sou? Fígado picado?”

Minha mãe estende o lábio inferior. “Awww. Será que o meu


menino se sentiu negligenciado? Venha aqui. Dê a sua mama um
abraço.”

Bem, agora isso só parece forçado. Mas eu não dou à


mínima, porque minha mãe é a merda. Eu a aperto com força e
me sinto incrivelmente aliviado.

Quando ela se afasta, ela olha entre Gia e eu, com o rosto
mais animado que eu já vi sobre ela. Ela bate as mãos algumas
vezes, mal conseguindo conter seu entusiasmo. “Entrem.
Entrem.”

A casa em que eu cresci é pequena, uma casa típica de estilo


Cape Cod 16 que lotava muitos dos bairros de classe média em
Long Island. Mas minha mãe manteve cheia de cores vivas e
pinturas, por isso sempre pareceu maior do que a maioria das
casas dos meus amigos, por algum motivo. A melhor coisa que
veio do meu avô ter me deixado a herança, foi de que eu fui capaz
de comprá-la pra ela alguns anos atrás.

“Uau. Eu amo este lugar.” Gia olha ao redor com os olhos


arregalados.

16
“Eu sou meio que uma decoradora compulsiva. Eu alterno
as cores e movo os móveis ao redor o tempo todo. Quando
Heathcliff era pequeno, ele saía para a escola no período da manhã
e as paredes eram bronze e os sofás vermelhos e ele chegava em
casa e tínhamos paredes azuis e eu tinha uma pistola de grampo
para mudar o tecido dos sofás.”

Gia sorri para mim. “Heathcliff. Isso soa tão engraçado para
mim, mesmo que eu saiba que é o seu nome.”

“Algumas pessoas da minha família o chamam de Heath.


Mas isso nunca pareceu bem para mim.”

“Ele não é o nome de alguém?”

Mãe concordou. “Meu pai. Ele é um bom homem. Mas


Heathcliff nunca teve a chance de conhecê-lo. Ele morreu quando
eu estava grávida.”

“Eu sinto muito.”

“Obrigada. Na verdade, ele me lembra muito do meu pai.


Cara duro, um pouco áspero em torno das bordas, mas ferozmente
leal e protetor.”

Gia sorri. “Eu definitivamente vejo o lado protetor.”

“Eu aposto que você vê. Vamos, deixe-me lhe mostrar o meu
estúdio, antes de Jeff chegar aqui para nos levar para sua galeria.”

“Vocês vão em frente,” eu digo. “Eu as encontro lá em


poucos minutos. Vou sair para fumar um cigarro rápido.”

As duas mulheres se viram para mim e franzem a testa em


uníssono.

“Eu gostaria que você parasse com isso, querido,” diz a mãe.

“Eu também,” Gia completa.

Olho entre as duas e rosno. “Exatamente o que eu preciso.


As duas na minha bunda.”
Jeff é nada como eu espero.

Ele parece mais um avô do que alguém que minha mãe


deveria estar namorando. Embora, suponho que, tecnicamente, a
minha mãe é velha o suficiente para ser uma avó também. Eu
nunca a achei tão velha porque ela não age assim e parece tão
jovem.

Jeff tem cabelos grisalhos, pele bronzeada com rugas


profundas e usa um par de mocassins. Eu nunca tinha conhecido
um encontro dela, muito menos tive um olhar para um cara que
ela passou um tempo, mas eu esperava que ele se parecesse mais
com um roqueiro do que o cara que deveria estar sentado numa
maldita cadeira de balanço.

“Você está muito quieto,” Gia se aproxima do meu lado,


enquanto eu finjo estudar uma pintura na galeria de Jeff. Parece
um monte de borrões de tinta para mim, mas o preço é de sete
mil.

Aponto para a mancha. “Você pagaria sete mil por isso?”

Ela ri. “Eu não tenho sete mil em minha conta bancária.
Mas se eu tivesse, eu não estaria desperdiçando com isso.”

“Com o que você estaria gastando?”

“Setembro.”

“Setembro?”

Ela suspira. “Sim. A casa que alugo é de vinte mil por mês
nos meses de verão, mas cai para uma fração disso em setembro.
Eu só percebi que só tem seis semanas faltando pra isso.” Nossos
olhos se encontram. “Eu não estou pronta para sair de lá ainda.”
Sim. Ela não estaria partindo se eu tivesse alguma coisa a
ver com isso. Cubro a renda com o aluguel de primavera e verão.
Mas é cedo demais para pedir-lhe para ficar e dizer a ela que iria
pagar a conta.

Ela bate seu ombro em mim. “Então... o que você acha do


namorado de sua mãe?”

“Eu acho que ele é velho pra caralho.”

Ela ri. “Melody disse que ele é apenas quatro anos mais
velho do que ela.”

“Ele parece quarenta anos mais velho.”

“Quem se importa? Ele parece ser um cara legal e eles


parecem felizes juntos.”

Olho para o outro lado da galeria. Jeff e minha mãe estão


na frente de uma pintura e ele está dizendo algo enquanto aponta
para a arte. Sua cabeça inclina para trás numa gargalhada e meu
coração aperta. “Sim, eles parecem felizes.”

“Você sabe...,” diz Gia “...as pessoas podem olhar para nós
e acharem que fazemos um casal estranho, também. Você é todo
tatuado e tem essa coisa sombria e perigosa acontecendo. Eu
pareço uma simples Jane em pé ao seu lado.”

Meus olhos passam pra cima e para baixo nela. “Você


definitivamente não é uma simples Jane. Talvez uma bibliotecária
sexy sobre a qual todos fantasiam curvar na mesa, entre as pilhas
de papel, mas não uma simples Jane, querida.”

Ela se inclina para mim. “Eu não me importaria se você me


inclinasse na mesa. Na verdade, eu acho que poderia ser um
pouco quente.”

Meu pau se contrai. Quieto menino.

“Oh sim? Que tal o banheiro de uma galeria de arte


enquanto minha mãe e seu namorado estão na sala ao lado? Nada
melhor para conhecer a namorada de seu filho, do que ouvir seu
gemido enquanto seu filho enfia seu pau dentro dela.”

Gia crava minhas costelas com o cotovelo. “Bruto.”

“Você ama isso. Aposto que sua calcinha está molhada.”

Ela me surpreende, inclinando-se e beijando minha


bochecha sussurrando antes em meu ouvido: “Ela está molhada
na verdade. Mas não é de ouvir você dizer que quer me foder. Ela
está encharcada de ouvir você se referir a mim como sua
namorada, sem qualquer hesitação. É algo totalmente diferente.”

Enrolo uma mão ao redor da cintura dela e a puxo forte


contra mim. “Oh sim?”

Ela assente com um sorriso de orelha a orelha.

“Vamos, namorada. Vamos levar este show para a estrada e


jantar com minha mãe e o avô para que eu possa levá-la de volta
para casa e começar a segunda base depois do nosso segundo
encontro.”

Ela arqueia uma sobrancelha. “Segunda base? Que diabos


é a segunda base. Se você acha que ir pra cima de mim é a
primeira?”

“Como está indo o livro, Gia?” Minha mãe pergunta durante


o jantar.

“Ele está se movendo um pouco melhor agora. Cada dia as


palavras estão ficando um pouco mais rápidas e os personagens
estão realmente assumindo mais suas personalidades.”
“Isso é ótimo. Muitas vezes eu acho que é mais difícil
começar uma pintura, mas uma vez que eu começo, entro em um
frenesi e termino muito rápido.”

“Espero que esse seja o caso para mim. Eu tenho um prazo


iminente.”

Mamãe aponta para mim. “Meu filho, por outro lado, pode
começar uma pintura mais rápido do que qualquer um que eu já
conheci. No entanto, ele nunca termina qualquer uma delas.”

A cabeça de Gia vira para mim. “Você pinta?”

Dei de ombros. “Eu costumava. Mas não tenho pintado em


anos. Descobri que sou melhor em terminar um pedaço de pele de
uma pessoa do que sou sobre uma tela.”

“Eu não sei por que eu nunca coloquei dois e dois juntos.
Sua mãe é uma artista e você usa seu talento para fazer tatuagens.
Claro que você deve ser um pintor talentoso. Você tem alguns dos
seus trabalhos artísticos antigos?”

“Em um armário em algum lugar.”

“Eu adoraria vê-los.”

Mãe olha entre nós. “Umm. A arte do Rush é um pouco


diferente da minha.”

“Como assim?”

Olho para minha mãe. “Eu não pinto paisagens.”

“Bem. Agora você me deixou curiosa.”

“Jeff também pinta,” diz a mamãe.

“Não há muito mais,” Jeff acrescenta. “Eu comprei a galeria


há quinze anos, com a minha aposentadoria da pintura. Mas de
vez em quando, eu ainda fico inspirado e me sento em frente à
velha tela. Embora estes dias, esteja um pouco enferrujado.”
“Jeff está sendo modesto.” Mãe jorra. Algo que eu só a vi
fazer quando fala sobre mim. “Ele é um pintor incrível. Um de seus
quadros está em exposição na galeria de hoje.”

“Qual?” Pergunto.

“Ele foi chamado Ink Splatter17.”

Meus olhos saltam para Gia e nós dois levamos as bebidas


para nossas bocas, em uma tentativa de esconder nossos sorrisos.

Depois do jantar e do café, que foi uma porra de muito


menos doloroso de compartilhar com o cara que minha mãe está
namorando do que eu pensava que seria, fomos para o
estacionamento. Mamãe e Gia passam alguns minutos
conversando e mamãe promete que irá para um longo fim de
semana antes do final do verão.

Jeff me olha nos olhos e dá um aperto de mão firme. “Sua


mãe é uma mulher especial. A sua opinião significa o mundo para
ela. Eu gostaria de conhecê-lo melhor. Talvez eu possa ir para uma
partida de golfe num fim de semana.”

“Certo. Eu não sou tão bom no golfe embora. Eu,


basicamente, bato a bola o mais longe que eu posso, para tentar
alcançar a maior distância.”

Jeff sorri. “Bom. Eu sou ruim nisso também. Podemos


treinar por uma hora, quem jogar mais longe não tem que pagar
pelas cervejas depois?”

“Agora você está falando.” Talvez o vovô não fosse tão ruim
assim.

A volta para casa parece que demora muito, porque eu não


posso esperar para colocar minhas mãos em Gia, sozinho. Eu
ainda acho que não devemos selar o negócio, mas não há

17 Tradução: Respingos de tinta.


nenhuma maneira da porra de que estaríamos passando uma
noite sem brincar, pelo menos.

Pego a via expressa e vou para nossa vizinhança. “Você


precisa de qualquer coisa, da sua casa?”

Seus lábios deslizam em um sorriso adorável. “Isso é um


pouco presunçoso da sua parte, não é? Você está supondo que eu
estou voltando para casa com você para passar a noite?”

“Pode apostar que eu estou. Eu fui um perfeito cavalheiro


durante toda a noite. Essa merda fica na porta quando chegar em
minha casa. Eu vou fazer coisas sujas com seu corpo e você vai
adorar.”

Ela engole em seco. “Jesus, Rush.”

“Eu prefiro ser chamado de Deus, como em Oh Deus, oh


Deus.”

“Você é um idiota.”

“Verdade. Mas você precisa de alguma coisa de sua casa?


Porque eu preciso fazer um desvio rápido, se você tiver que ir lá.”

“Não. Eu estou bem.”

Eu olho de lado para ela. “Sem pílulas ou qualquer coisa?”

“Pílulas?” Ela está confusa com o que eu quis dizer no início,


mas depois bate nela. “Oh! Não, eu não estou tomando pílula
mais. Eu parei de tomá-las há mais de um ano, desde que eu não
estou... você sabe, ativa. Mas eu acho que eu deveria voltar para
elas.”

Outra razão para levar as coisas devagar. A última coisa que


eu preciso é foder a vida desta menina - quando ela está
começando a acertá-la. E eu estou certo de que, quando eu
finalmente estiver dentro dela, eu vou atirar uma grande carga, de
tal forma que encherei um preservativo e essa merda irá
transbordar nela.
“Se você não se importa de tomá-las, seria mais seguro
assim.”

“Não, eu não me importo. Além disso, então nós podemos...”

“Foder cru?”

Ela cora. “Eu ia dizer fazer amor sem ter que parar e colocar
um preservativo. Mas sim.”

Meu pau incha com o pensamento de estar dentro dela nu.


Eu piso no acelerador para fazer o resto do caminho de casa e
praticamente nos arrasto para a porta da frente. Jogando minhas
chaves sobre a mesa de centro, eu digo: “Fique confortável. Preciso
tomar um banho rápido.”

Ela agarra a minha mão antes que eu possa fugir. “Quer


companhia?”

Eu dou um gemido. “Você está me matando.”


Capitulo 17

Meus nervos começam a tirar o melhor de mim quando eu


ouço a água do chuveiro desligar. Eu tinha tirado todas as minhas
roupas, esfregado óleo em meus seios e me sentei no canto da
cama, enquanto espero por Rush. Esta será a minha primeira
experiência com um homem deslizando dentro e fora do meu
decote e eu não tenho certeza em que posição pode funcionar
melhor. Algo me diz que Rush sabe exatamente como ele gostaria
que isso aconteça, desde que ele parece ter fantasiado sobre fazê-
lo comigo antes.

Ele sai do banheiro com uma toalha enrolada na cintura e


olhando para baixo, enquanto usa outra para secar o cabelo. Ele
congela quando olha para cima e me vê. O calor em seus olhos
empurra para fora o nervosismo que eu sinto. Rush tem um jeito
de me fazer sentir bonita e desejada, sem dizer uma única palavra.

Estendo a mão e seguro meus seios, empurrando-os juntos.


“Eu peguei emprestado um pouco do óleo que eu encontrei em seu
criado-mudo.”

Ele olha para mim por muito tempo. Eu tenho a sensação


de que ele está tentando se controlar. Meus olhos caem para a
protuberância crescendo em sua toalha. Definitivamente não está
funcionando. Inconscientemente, eu lambo meus lábios e quando
olho para cima, vejo que ele está me observando.

Eu quase paro de respirar quando ele chega ao nó da toalha


e ela cai no chão.
Jesus.

É longo.

É grosso.

E está gloriosamente duro.

O ar na sala estala quando olhamos um para o outro.

Sua voz está rouca. “Fique no centro da cama. Deite de


costas.”

Uma vez que estou pronta, ele vai até a beira da cama e olha
para mim, enquanto acaricia seu pênis. “Eu acabei de gozar tão
forte no chuveiro imaginando isso.”

Meu corpo inteiro está em chamas. Eu estou mais excitada,


apenas pensando sobre o que estou prestes a experimentar; mais
do que eu já estive durante qualquer ato sexual real. Rush levanta
um joelho ao subir na cama e depois monta em mim. Eu aperto
meus seios juntos em oferta. Bloqueio nossos olhos. Ele traz seus
quadris para baixo e guia seu pau entre meus seios.

Seus olhos fecham enquanto ele se firma por alguns


segundos. Então, ele começa a bombear rápido e furiosamente.
Eu aperto tão forte quanto eu posso, enquanto ele desliza o grosso
comprimento dentro e fora, mais e mais.

“Porra. Porra. Suas tetas são tão boas. Vou gozar em cima
de você. A pele sedosa em seu pescoço... sua bela clavícula. Quero
pintar todo o seu corpo com o meu gozo... marcá-lo como meu.”

Engulo. Jesus Cristo. Eu amo o jeito que ele parece tão


possessivo comigo, como se ele não pudesse evitar e quisesse
dominar meu corpo de uma forma quase animalesca.

Ele abre os olhos e olha para baixo. “Foda-se... tão bonita.


Assim, tão perfeita.”
Assistir seu orgasmo o consumir, é uma das coisas mais
belas que eu já presenciei. A tensão no seu rosto tenso quando os
músculos de seu abdômen ficam rígidos. Com um gemido do meu
nome, que é tão sexy que faz meu próprio corpo alcançar sua
própria libertação, ele solta - exatamente como ele tinha dito que
queria - tudo em meu pescoço.

O protecionismo de Rush se estende para além do cuidado.


Ele me limpa com uma toalha quente, e, em seguida, retorna o
favor ao descer em mim novamente. Ao contrário da última vez,
porém, eu não desmaio de exaustão logo depois. Enquanto Rush
adormece, permaneço acordada. Meus pensamentos vagueiam
obcecados por ter meu coração partido, por fantasiar sobre como
seria o sexo real com ele. Este último me leva a pensar sobre a
nossa conversa anterior e meu ciclo mensal, quando eu poderia
começar a voltar a tomar pílula.

Eu não deveria estar no meu período?

Isso me arruinaria, se ele quisesse ter relações sexuais esta


semana. Nesse momento, no meio da noite, deitada na cama do
Rush, que percebo que não consigo me lembrar da última vez que
eu tive um ciclo normal. No mês passado foi tão leve e irregular,
mas eu ainda achava que é meu período.

E agora eu estou atrasada.

Mas quanto?

O pânico se estabelece.

Não pode ter sido muito mais do que um mês atrás.

Foi?
De repente, eu começo a realmente entrar em pânico. Eu
normalmente marco o primeiro dia do meu ciclo na minha agenda
de telefone. Eu preciso saber. Eu preciso verificar o meu telefone
agora, para ver quando foi à última vez que eu tinha marcado o
meu ciclo.

Rush ainda está apagado como uma luz quando eu movo


seu braço para fora de mim e passo por ele, caminhando até a
minha bolsa no chão.

Tirando meu telefone, vou direto para o calendário. Rolo


para trás através dos dias, para verificar a última vez que eu tinha
feito uma nota sobre o meu período.

Passo ao longo do último mês e percebo que não há uma


nota, eu começo a sentir meu coração bater mais rápido. Não é
até o meu dedo parar sobre a data da última entrada, que eu
realmente começo a pirar. A última vez que comecei um período
normal foi mais de dois meses atrás.

Não seria tão importante, se não fosse o fato de que eu tive


relações sexuais com um homem antes desse tempo, meu caso de
uma noite bêbada.

Na manhã seguinte, tento o meu melhor para manter a


calma durante o resto do meu tempo com Rush. Não há sentido
em pirar ou tirar conclusões precipitadas sem uma resposta
concreta.

Rush me leva em minha casa e me deixa sozinha para,


supostamente, escrever.

Mas não há escrita acontecendo. Devo ter olhado a parede


no meu quarto por várias horas.
Meus olhos vagam até a pintura do sol que a mãe do Rush
tinha me dado. É uma imagem que uma vez me trouxe tanta
alegria, mas que agora me faz sentir tristeza pura, um lembrete
de todas as coisas que eu poderia estar perdendo - toda uma vida
de possibilidades que nunca poderia ter.

Eu estarei vendo Rush esta noite novamente e não sei como


irei enfrentá-lo, a menos que eu saiba com certeza. No entanto, eu
simplesmente não consigo ir à loja e comprar um teste de gravidez.

Como eu poderia ter me colocado em uma posição como


esta é, ainda que remota? Eu fiz o meu melhor a minha vida toda
para tomar decisões sensatas. Aquela noite com Harlan, foi uma
das poucas vezes que eu tinha realmente feito besteira. Quer dizer,
eu nem sabia seu sobrenome ou se seu nome é realmente Harlan.
Eu não podia contatá-lo se eu quisesse. Eu tinha me sentindo
vulnerável e deprimida sobre minha carreira, quando eu o conheci
e ele forneceu uma distração, encantou as calças fora de mim,
literalmente. Mas foi um erro enorme. Pensar que um erro de
julgamento poderia significar acabar com uma vida de
responsabilidade, é incompreensível.

Eu mal posso cuidar de mim mesma; eu não estou pronta


para ser mãe solteira.

Isso iria quebrar o coração do meu pai.

E esse cenário seria certamente o fim de Rush e eu. Ele está


hesitante em se comprometer com um relacionamento que fosse;
muito menos se envolver com uma menina que carrega uma
criança, uma de outro homem, que tinha desaparecido.

Colocando a cabeça em minhas mãos, volto a pensar na


noite de ontem, o quão incrível foi à sensação de estar com Rush.
Eu estou me apaixonando tanto por ele. Eu sei que ele está
levando isso fisicamente mais lento comigo do que está
acostumado. E isso torna a minha necessidade por ele ainda mais
forte. Eu o quero tanto, em todos os sentidos. Agora, eu posso
nunca chegar a ter qualquer parte dele. A menos que este
resultado seja negativo, eu nunca poderei experimentar o que
realmente seria estar com Rush.

Eu preciso saber.

Eu estou seriamente com medo de ter um ataque cardíaco,


se for positivo. Não tenho certeza se eu posso lidar com fazer o
teste sozinha, pondero se posso confiar em Riley com este segredo.

Se descobrir que ela está em seu quarto, eu direi a ela. Se


ela não estiver, esse será o meu sinal alto para manter isso para
mim.

Riley está sentada na frente de sua penteadeira, fazendo


ondas na frente de seu cabelo, quando eu interrompo.

Ela pode dizer imediatamente que algo está errado só de


olhar no meu rosto, enquanto estou em sua porta.

Ela larga o ferro de ondulação. “Aconteceu alguma coisa?”

Meu tom é firme. “Riley, você precisa me prometer que não


vai dizer nada a ninguém.”

“Mas o que... Rush fez alguma coisa?”

“Não. Rush é... incrível. Isto não tem nada a ver com ele.”
Sentada em sua cama, vou direito ao ponto. “Você se lembra do
caso de uma noite que tive com aquele cara do The Heights?”

“A pessoa que lhe deu o número errado. Sim.”

“Bem, eu estou com medo de que ele possa ter me deixado


com mais do que apenas um número errado.”

Seus olhos se arregalam. “Você tem uma doença?”

Eu balanço minha cabeça. “Não. Pelo menos, eu espero que


não.”

“O que, então?”
“Eu tive um período irregular no mês passado e estou
atrasada agora.”

Ela cobre a boca. “Meu Deus.”

Minha voz está tremendo. “Estou com medo, Riley.


Realmente assustada.”

“Rush sabe?”

“Claro que não. Eu não posso nem imaginar como ele


reagiria. Isso seria completamente demais pra ele. Nós estamos
realmente chegando perto, até o ponto onde acho que...” Eu não
posso dizer as palavras, mesmo que eu sinta profundamente
dentro do meu coração.

Ela lê minha mente. “Você está se apaixonando por ele.”

Sim.

Lágrimas começam a fluir pelo meu rosto enquanto eu


balanço a cabeça em silêncio. Eu estou me perdendo totalmente
agora.

“Venha aqui.” Riley vai até a cama e me abraça.

“Eu tenho que descobrir, mas estou com medo.”

Ela respira fundo, em seguida, sopra lentamente. “Ok, não


diga a ele. Você fica aqui. Tente não entrar em pânico. Eu vou até
a loja comprar um teste. Ironicamente, eu tenho que correr e
comprar preservativos para o meu encontro hoje à noite.”

Eu resmungo. “Bom.”

“Vai ser interessante quando o caixa me passar os


preservativos e um teste de gravidez.” Ela sorri.
“Olhar para o caixa não vai fazer esta situação ir embora.
Só há uma maneira de saber,” diz ela.

“Eu sei.”

Forçando-me para fora da cama, eu me aventuro para o


banheiro e, entorpecida, abro o pacote seguindo as instruções e
faço xixi na vara.

Com o coração batendo forte, caminho de volta para o


quarto onde Riley está esperando e exalo.

Sento-me na cama e ela se junta a mim.

Riley esfrega minhas costas. “Apenas respire, Gia.”

“Cinco minutos.” Eu suspiro.

Meu telefone soa, quase me matando de susto, porque meus


nervos estão tão sensíveis.

Quando o pego, percebo que é um texto de Rush.

Rush: Lembra-se da ducha que você queria tomar comigo


ontem à noite... mas eu não deixei? Sim, eu acho que pode
ter que ser esta noite. Eu não consigo parar de pensar em
ensaboar seus deliciosos seios, mas não antes de eu deslizar
entre eles novamente. Tudo bem pra você?

Essa mensagem teria normalmente me deixado tão


animada sobre esta noite. Em vez disso, uma dor inimaginável me
enche. Eu já sinto como se o tivesse perdido, de alguma forma. É
difícil imaginar não ter Rush mais ao redor. Ele tem consumido
cada parte da minha vida, desde o momento em que eu o conheci.

Acho que eu deveria escrever de volta.


Gia: Eu já sinto saudades.

Ele não tem ideia de que há um significado mais profundo


nessa declaração. Eu já perdi o que eu sabia que poderia estar
perdendo em questão de minutos.

Passa do tempo de olhar para o teste agora. O resultado está


lá. Eu simplesmente não consigo caminhar até o banheiro.

“Você quer que eu verifique?” Pergunta ela.

Engolindo nervosamente, eu esfrego as palmas das mãos


nas minhas coxas. “Sim. Por favor.”

Riley atravessa o corredor e entra no banheiro. Parecem os


mais longos trinta segundos da minha vida.

Quando ela volta, seu rosto está vermelho. Ela parece


sombria.

Ela nem precisa dizer nada.

Eu sei.

Meu telefone soa.

Rush: Você me fodeu, Gia. Eu estou louco por você.

Suas palavras são como uma faca no meu coração e não


poderiam ter vindo em pior hora possível.

Sentindo-me dormente, eu fecho os olhos e Riley me puxa


para um abraço de lado. Inclinando a cabeça em seu ombro, eu
sei que vou ter que lhe dizer. Mas eu preciso de apenas mais uma
noite.
Mais uma noite onde seja apenas Rush e eu.

Mais uma noite antes de eu, inevitavelmente, perdê-lo.


Capitulo 18

Gia insiste em ficar em casa esta noite. Ela disse que não
está se sentindo bem e só quer passar um tempo comigo na minha
casa.

Eu não vou discutir com isso. Depois de um longo dia


fazendo rondas em várias propriedades diferentes e falar com um
possível contratante, não há nada que eu queira mais do que
apenas me descontrair com a minha garota.

Uau.

A minha garota.

Porra. Eu acho bom?

Eu acho.

Gia é a minha menina.

O que está acontecendo comigo que eu realmente amo a


ideia de estar amarrado? Amarrado. Tanto faz. Fato é, eu nunca
quis ser amarrado até que ela veio e me ensinou que há uma
primeira vez para tudo.

Bem, maldita.

Eu não consigo me lembrar da última vez que eu tive namorada.


Foi provavelmente na escola, mas mesmo assim, meus
relacionamentos foram de curta duração. Eu costumava pensar
que eu não queria isso. Mas agora, percebo que é apenas por que
a pessoa certa não tinha aparecido.

Gia tinha insistido em dirigir para a minha casa. Isso foi


bom para mim, porque me deu tempo extra para fazer algo para
nós comermos. Cozinhar não é meu forte, mas sou um inferno de
um churrasqueiro. Eu posso marinar a porra de alguns legumes
e carne, jogar tudo em espetos e colocá-los na grelha. Fiz arroz e
joguei um pouco de pão de alho no forno. Anteriormente, eu tinha
parado na loja de bebidas para pegar o Moscato favorito de Gia.
Isso definitivamente eleva meu estado de dominação-buceta em
um entalhe.

Quando ela bate na porta, largo a minha cerveja e vou até


porta e deixo entrar.

Seus ombros estão subindo e descendo enquanto ela está


na porta. Ela parece ansiosa. Ela está usando um vestido
vermelho sem alças e sua pele corada parece que está tentando
competir com a cor de sua roupa.

Gia levanta a mão. “Ei.”

Puxo-a para um abraço e isso se transforma em levantá-la


no ar enquanto ela enrola as pernas em volta de mim. Beijo-a com
tanta força, sugando todo o brilho de seus lábios.

Quando a coloco para baixo, eu não posso deixar de notar


o quão boas suas mamas parecem.

Elas parecem enormes, como se elas quisessem derramar desse


vestido.

“Eu senti sua falta hoje,” eu digo.

Buceta. Dominada.

“Também senti sua falta.”


Quando eu finalmente tiro meus olhos dos seus seios e olho
para seu rosto, percebo que parece que seus olhos estão
molhados.

Minhas sobrancelhas franzem. “Você está chorando?”

Ela funga. “Eu não sei o que há de errado comigo. Eu só


fiquei emocional de repente. Eu sinto muito. Isso acontece comigo
às vezes. É aleatório. Eu estou bem.” Ela enxuga os olhos.
“Realmente feliz, na verdade. Eu prometo.”

Eu não sei o que fazer com isso. Eu só sei que preciso provar
seus lábios novamente. Acariciando seu rosto, eu trago sua boca
para a minha.

Gia toma uma respiração profunda. “Algo cheira realmente


delicioso.”

“Fiz um jantar para nós. Pensei que é hora de você provar a


minha carne.” Eu pisco.

Quando ela não responde a isso com um riso - na verdade,


quando ela não responde nada - eu sei que algo ainda a está
preocupando. É diferente para Gia, não voltar com alguma coisa.

Colocando minha mão ao redor da sua cintura e trazendo-


a para perto de mim, eu digo: “Você tem certeza que está bem?”

“Sim.” Ela sorri.

Acabamos comendo o jantar no convés. Nós dois devoramos


as peças de bife com cogumelos, pimentão, cebola e abobrinha.
Gia diz que não se sente bem para qualquer vinho, o que é
estranho. Então, tento oferecer-lhe outra coisa. Mesmo tentando
levá-la a dizer uma palavra suja em troca de um Cosmo, não
funciona.

Nós assistimos ao pôr do sol enquanto eu bebo meu próprio


vinho e ela bebe água. Ficar no meu deque está se tornando
habitual.
Depois do jantar, Gia senta-se entre as minhas pernas,
enquanto nós olhamos para o oceano escuro.

Seu cabelo está soprando na brisa quando de repente ela


diz: “Eu quero aprender tudo sobre você, Rush. Não quero perder
nada que há para saber.”

“Temos muito tempo para isso, não é?”

Ela vira-se momentaneamente quando diz: “Ninguém sabe


quanto tempo nós temos.”

Eu a aperto. “Ok, Senhorita Mórbida. O que você quer


saber? Eu vou te dizer. Tudo mesmo. Atire.”

“Qual é a sua cor favorita?”

“Preto.”

“Não há surpresa nisso. Combina com você.” Ela ri. “Hum...


onde você se vê daqui a dez anos?”

“Isso é um pouco de um salto...”

“Eu sei. Estou apenas fazendo perguntas como elas


aparecem na minha cabeça.”

Penso sobre sua pergunta, em seguida, digo: “Eu


honestamente não sei, Gia. Eu sei a resposta típica que a maioria
das pessoas iria dar, que é... casado, com filhos e um cachorro ou
algo assim. Mas eu não sou a maioria das pessoas. Isso nunca foi
como eu vi minha vida. Mas eu estou percebendo que,
ultimamente, o que eu penso que eu quero e o que eu realmente
quero, podem ser diferentes. Eu não tenho uma compreensão
clara sobre o que vai ser daqui a dez anos, ou mesmo como
amanhã parece.” Falo contra a parte de trás do seu pescoço. “Eu
espero que você apenas esteja nisso comigo.”

Ela se vira e me responde silenciosamente com um beijo.


Em seguida, ela deixa escapar: “Com quantas mulheres
você ficou?”

Eu deveria ter visto isso chegando em algum ponto.

“Por que você ainda quer saber isso?”

“Curiosidade mórbida, eu acho.”

Suspiro. “Eu honestamente não sei. Eu nunca contei.” Eu


quero dar-lhe alguma coisa, então eu estimo. “Se eu tivesse que
adivinhar? Talvez cinquenta.”

“Uau. Está bem.”

“Uau?” Eu a imito. “Diga-me o que você está pensando.”

“Eu honestamente não sabia o que esperar aqui. Eu pensei


que talvez pudesse até mesmo ser mais do que isso.”

Eu realmente não sei se eu quero saber a resposta, mas eu


pergunto de qualquer maneira. “Quantos homens você já
dormiu?”

“Cinco,” ela responde sem hesitar.

De repente eu quero matar cinco homens que eu nunca


conheci.

“Isso não é tão ruim assim,” eu digo.

“É o que é, certo?”

“Sim,” eu digo ainda com um pouco de inveja, o que é fodido.

Gia hesita antes de perguntar. “Alguma vez você já esteve


apaixonado?”

Ela está definitivamente me acertando com todas as


grandes perguntas hoje à noite.
Há apenas uma relação em minha vida que alguma vez
chegou perto disso. Uma vez que parece que estamos nos abrindo
esta noite, eu decido contar-lhe uma história.

“O mais perto que cheguei foi com uma garota chamada


Beth. Ela era minha melhor amiga enquanto estávamos
crescendo. Seu pai é, na verdade, como a coisa mais próxima que
eu tive de um pai. Seu nome é Pat. Ele é muito legal e eu
costumava ir para ele para conselhos sobre... você sabe, coisas de
caras. Barbear e essa merda. De qualquer forma, eles viviam
apenas algumas casas depois de nós.”

“Como ela parecia?”

“Ela tinha cabelos castanhos, não tão escuros quanto os


seus, embora. Ela é bonita. Ela realmente usava óculos como você,
às vezes. Éramos próximos. Mas eu nunca olhei para ela de uma
forma sexual, até que estávamos com cerca de dezessete anos.”

Ela engole em seco. “Então o que aconteceu?”

“Eu gostaria de saber qual foi o ponto de virada. Eu acho


que foram apenas hormônios adolescentes fazendo a sua coisa.
Eu realmente achei que nada disso iria acontecer com ela. Eu
nunca quis ir lá. Enfim, uma noite... bem... acabamos fazendo
sexo e realmente colocou uma pressão sobre o nosso
relacionamento.”

Gia suspira. “Uau.”

“Não há nenhuma maneira de que eu estivesse pronto para


qualquer coisa séria. Ela queria mais depois disso e eu
simplesmente não podia me comprometer com qualquer coisa
quando jovem. Mas eu realmente me importava com ela. E eu
sempre lamentei machucá-la. Éramos crianças. E ela é
praticamente da família. As coisas realmente nunca mais foram
as mesmas depois do que aconteceu.”

“Onde ela está hoje?”


“Depois que se formou no colegial, seu pai acabou por
conseguir um emprego no Arizona. Quando seus pais e irmão se
mudaram para lá, ela os seguiu, mesmo que ela tivesse idade
suficiente para ficar aqui sozinha, se ela realmente quisesse. Eu
acho que se eu lhe pedisse para ficar, ela teria. Mas como eu disse,
eu não estava pronto para isso. Então, ela se mudou.”

“Você nunca mais falou com ela?”

“Nós mantivemos contato. Ela está casada agora e com uma


criança. Então, tudo funcionou do jeito que deveria.”

“Aposto que ela ainda fantasia sobre você.” Ela sorri.

Puxo-a para mim. “Oh sim? O que te faz pensar isso?”

“Porque eu não posso imaginar fazer sexo com você e ter


que voltar a ser apenas amigos.”

“Bem, você não terá que se preocupar com isso. Não tenho
nenhum interesse em ser apenas seu amigo, nunca mais. Porque
as minhas intenções são completamente impuras quando se trata
de você e eu não vejo isso mudando.” Eu rio.

Ela corre os dedos pelo meu cabelo, em seguida, faz outra


pergunta que me joga em um loop. “Você acredita em Deus?”

Meus sentimentos sobre isso são complexos. Eu faço o meu


melhor para oferecer uma explicação de como eu vejo as coisas,
quando se trata de espiritualidade.

“Sim. Eu acredito. Bem, pelo menos, eu acredito que há algo


poderoso que cuida de todos nós. Mas a única coisa que é certa
para mim é que nós não fomos feitos para saber tudo. Qualquer
um que afirma entender exatamente como este complexo universo
funciona é um mentiroso. Ou eles estão acreditando no que eles
querem. Todos nós apenas temos que fazer o nosso melhor com o
conhecimento que temos e ter um pouco de fé cega. Recebemos
sinais a cada dia, que nos dizem se estamos no caminho certo. As
pessoas e as oportunidades são colocadas diante de nós. Sabe
aquela sensação que você tem quando algo parece realmente certo
na vida? Quando todas as estrelas estão finalmente alinhadas?
Essa confiança que você sente, que o universo enviou-lhe
exatamente o que você precisa, mesmo que você não soubesse que
precisava?

“Sim.”

“Bem, isso para mim é Deus.”

Ela fica quieta, absorvendo a minha resposta. Por alguma


razão, uma vez que isso foi aberto, eu tenho o desejo de
compartilhar algo com ela, que eu não tinha compartilhado com
ninguém, além de minha mãe.

Eu a cutuco. “Posso te mostrar uma coisa?”

“Sim.”

Com as nossas mãos entrelaçadas, eu a levo a um quarto


de reposição na parte de trás da minha casa. É onde eu alojo
minha própria arte, juntamente com todos os meus equipamentos
de tatuagem, que nunca me separei. Eu ainda me envolvo no
projeto, principalmente coisas pedidas, amigos que querem uma
nova tinta.

Ela caminha ao redor, olhando para as pinturas na parede.

“Eu fiz isso.”

“Esses... são seus?”

Eu balanço a cabeça.

Não que eu tivesse vergonha do que eu tinha criado, mas


estes não são o tipo de imagens que exibiria no meio da sua sala
de estar. Desde que me tornei adolescente, eu tive uma obsessão
em pintar mulheres bonitas... Mas não qualquer mulher - sexy,
mulheres sensuais, com asas. Eu não sei se você pode considerá-
las fantasia de anjos ou fadas. Mas todas elas tinham algumas
coisas em comum, cabelos longos, sexy, corpos voluptuosos, olhos
penetrantes - e asas. Algumas estão nuas. Outras estão vestidas.
Eu poderia totalmente ver como uma mulher média pode achar
essas imagens assustadoras, mas eu suspeito que Gia não. Eu sei
que ela é uma pessoa aberta e irá encontrar o valor artístico nelas.

“Eu nem sei por que estou mostrando-lhe essas,” eu digo.


“Você pareceu tão interessada na arte da minha mãe. Obviamente,
estas são muito diferentes de... pôr do sol.”

“Sim, elas são. Elas são absolutamente deslumbrantes - de


tirar o fôlego.” Ela para na frente de uma das imagens mais
escuras, uma menina de aparência demoníaca, com as asas
pretas e chifres. “O que fez você decidir começar a fazer essa?”

Encolhendo os ombros, eu digo: “Eu gostaria de saber.


Acabei por começá-la e achei bela e misteriosa. Eu realmente não
tenho criado uma em alguns anos, no entanto. Estas são todas
muito antigas. E você vai notar, cada uma é ligeiramente
inacabada. É como se eu ficasse preso em torná-la perfeita, depois
passo para a próxima, para sair da frustração.”

Ela sorri. “Eu quase sinto inveja delas. De como elas são
lindas. É estranho?”

Bem, eu tomo isso como um elogio.

Eu rio. “Elas não se comparam a você. Elas são fantasias.


Todas as coisas que as tornam belas... a força que elas parecem
transmitir... isso é tudo trazido à vida sempre que eu olho para
você, sempre que estou com você.”

Gia parece que está tentando afastar as lágrimas


novamente. Foi algo que eu disse?

Ela anda até onde eu guardo todos os meus suprimentos de


tinta.

“Meu Deus. É aqui que você tatua as pessoas?”


“Eu alugava um espaço em uma loja quando eu estava
fazendo isso para ganhar a vida. Mas eu trouxe todas as minhas
coisas comigo. Então, eu tenho um pouco de equipamento aqui.”

No canto da sala, tem uma mesa, juntamente com várias


peças de equipamento: uma autoclave de pressão de vapor,
configurações de barra de agulhas e vários contentores selados
para manter as coisas estéreis.

“Posso te perguntar uma coisa?” Diz ela.

“Atire.”

“Você faria qualquer coisa por mim?” Ela estende a mão e


coloca os braços em volta do meu pescoço.

Inclinando-me, eu provo seus lábios, em seguida, digo:


“Com certeza que eu faria, sim. A menos que você diga que quer
que eu a deixe foder outro cara enquanto eu observo. Esse é um
limite rígido. Eu não compartilho.”

“Bem, então este pedido vai parecer nada comparado a


isso.”

“O que é?”

“Você vai desenhar algo pequeno no meu corpo hoje à noite?


Eu quero que você escolha onde vai ser e o que é. Não uma
tatuagem permanente ou nada, apenas o seu trabalho artístico no
meu corpo. Eu quero algo criado por você, só para mim.”

Eu dou um suspiro. Ela sabe como eu me sinto sobre


realmente a tatuar, que tinha me recusado a fazê-lo. Ela me pediu
antes e eu disse que não. Não é que eu não queira colocar minha
marca nela. Eu só não quero que ela se arrependa de alterar seu
corpo perfeito se ela não estiver absolutamente certa sobre isso.
Então, isso parece inofensivo.

“Você realmente quer que eu desenhe na sua pele?”

“Eu realmente quero. Sim, por favor.”


A urgência em seu pedido é estranha, mas ao mesmo tempo,
a perspectiva de conseguir marcá-la - ainda que temporariamente,
com algo de minha escolha me anima.

“Você é um pé no saco,” eu provoco.

Seu rosto se ilumina quando ela percebe que estou cedendo


a seu pedido.

“Obrigada!” Ela sorri.

“Vá deitar na mesa, mas em primeiro lugar, tire a roupa.


Tire tudo.”

Ela faz o que eu digo e caminha até a mesa que eu tinha


criado.

Ela está completamente nua. “Como você me quer?”

“Há tantas maneiras que eu poderia responder a essa


pergunta.” Meu pau endurece a mastro cheio quando eu falo:
“Deite-se de barriga para baixo em primeiro lugar.”

Gia faz como eu digo e, de repente, estou olhando para sua


bunda bonita, de face para cima, na mesa. Eu suavemente beijo
suas costas, baixando minha boca lentamente até suas nádegas.

Eu sei exatamente onde eu quero colocar minha marca nela,


mas é muito trabalhoso até mesmo pra começar. Eu preciso fazê-
la se contorcer em primeiro lugar.

Botando meu dedo na minha boca, lambo-o, antes de


deslizá-lo entre suas pernas e em sua buceta. Ela estremece com
o contato. Adiciono o meu dedo indicador e empurro mais
profundo dentro dela. Com o polegar firmemente colocado na sua
bunda, eu mudo meus dois dedos, um fora do seu buraco
enquanto ela se contorce sob a minha mão. Eu estou tão tentado
a substituir os dedos pelo meu pau. Mas antes que eu possa
realmente considerar isso, suas mãos agarram a mesa, enquanto
ela move a bunda em sincronia com o movimento dos meus dedos.
Então, eu posso sentir seu pulsar em torno da minha mão quando
ela goza.

É uma bela vista, enquanto ela ofega com o rosto em cima


da mesa.

Quando recupera do seu orgasmo, esfrego minha mão


calejada sobre a pele macia de seu traseiro.

“Está pronta?”

Sem fôlego, ela rola de costas, seus belos seios saltando.


“Eu espero que você não dê orgasmos a todos os seus clientes,
antes de trabalhar com eles.”

“Só você, baby.” Inclino-me uma última vez para tomar seu
mamilo em minha boca. Eu estou duro pra caralho, mas eu tinha
prometido a ela um pouco de tinta. “Deite em seu estômago
novamente.”

Eu sei exatamente o projeto que eu quero para ela e começo


a desenhá-lo na parte inferior das costas, logo acima da curva de
sua bunda. Tem sido um longo tempo, mas eu não pareço
enferrujado em tudo. Eu uso uma caneta de cor violeta, apenas a
cor que eu escolheria se fosse tinta permanente.

Leva cerca de dez minutos.

“Pronta para vê-la?”

“Meu Deus. Sim.”

Ajudo Gia a descer da mesa e ela leva seu corpo lindo, nu,
ao longo de um espelho na parede. Ela vira a cabeça para olhar
para o que eu tinha desenhado sobre ela.

Seus olhos focados no pequeno par de asas na parte inferior


das costas.

“Você me deu asas.” Sua boca se espalha em um sorriso


largo. “Agora, eu sou uma das suas meninas.”
Puxo-a para mim. “Não. Você é a menina. Eu não tenho que
imaginar mais nada.”

De alguma forma, eu consigo não perder o controle


enquanto ela dorme na minha cama, naquela noite.

Nós brincamos, mas não fodemos. Eu sei, sem sombra de


dúvida, que eu não posso esperar mais, no entanto. Se ela estiver
de acordo, à próxima noite em que estivermos juntos, eu irei tê-
la. Eu preciso estar dentro dela.

O carro de Gia não liga, quando ela tenta deixar a minha


casa na manhã seguinte. Eu não posso acreditar; aquele pedaço
de merda tinha morrido novamente, depois que eu tinha acabado
de consertá-lo. Então, eu de bom grado a levo para casa no meu
Mustang.

Quando chegamos, eu preciso me aliviar, então uso o


pequeno banheiro fora do corredor, do lado de fora de seu quarto.

Quando puxo meu pau para fora, no banheiro, olho para a


caixa do lixo e noto a embalagem de um teste de gravidez.

Hmm.

Há duas varas no lixo também. Sendo o filho da puta intrometido


que eu sou, eu as levanto para fora e noto duas linhas cor de rosa
em cada uma delas.

Alguém nesta casa está grávida.

Mas quem?

Este banheiro é compartilhado por três dos quartos. Gia e


Riley tinham seus próprios quartos e depois o outro quarto fora
desta sala é compartilhado por dois caras.
A vara deve pertencer a Riley.

Sim.

Tinha que ser.

Bem, não poderia ser Gia. Eu sei. Porque ela não tinha
fodido ninguém.

Meu coração está batendo loucamente.

Certo? Não pode ser.

Ela não tinha fodido ninguém.

Exceto por aquele cara do The Heights.

Mas ela tinha que ter usado proteção, certo?

À medida que os segundos passam, eu me torno mais e mais


paranoico.

“Tudo bem aí?” Eu ouço Gia perguntar.

“Sim.” Eu grito pela porta.

Minha mente vaga de volta para ontem à noite. Começo a


pensar mais sobre alguns dos seus comportamentos estranhos.

Todas as perguntas - implicando que não há tempo.

O choro.

Os peitos. Puta merda. Os seios dela, que parece que


tinham crescido desde a última vez que a vi.

Não pode ser.

Não.

Não.

Não.
A vara ainda está na minha mão trêmula, quando flexiono
os dedos, deixando-a mais uma vez cair para o lixo.

Quando abro a porta, Gia está ali olhando como se tivesse


visto um fantasma. Ela está tremendo... pirando.

Ela descobriu – porra - que ela tinha deixado os testes no


lixo.

Adrenalina passa por mim quando as palavras saem da


minha boca. “Você está grávida?”
Capitulo 19

Pensei que meu coração tinha quebrado quando olhei para


os resultados do teste de gravidez. Mas isso não aconteceu. Ele
tinha rachado, mas ainda continuou a bater. Eu sabia no
momento que olhei para os olhos do Rush, porque foi o momento
que essas rachaduras cederam e meu coração quebrou em um
milhão de pedacinhos. Eu não consegui nem responder a ele. Eu
só fiquei lá e deixei as lágrimas escorrerem pelo meu rosto. A dor
nos olhos do Rush combinava com a dor excruciante dentro do
meu peito.

“Foda-se!” Ele grita.

“Foda-se!” Ele puxa punhados do seu cabelo com ambas as


mãos.

“Porra. Porra. Poooooorra.”

Riley empurra a porta do quarto aberta e corre para o


corredor parecendo como se a tivéssemos acordado. “O que está
acontecendo? Está tudo bem?”

Ela dá uma olhada em nós e sabe o que tinha acabado de ir


para baixo. Dizendo “sinto muito,” ela se vira e volta para o quarto,
fechando a porta silenciosamente atrás dela.

Meus olhos vão para Rush.

“Diga, Gia.” Sua voz é o tipo de calma que acontece no olho


do furacão. Você sabe que há um grande redemoinho crescendo e
crescendo, que vai bater ainda mais forte muito em breve e você
só pode se preparar para isso.

“Sinto muito,” eu sussurro. “Eu não sei como isso


aconteceu.”

“Você não sabe como essa porra aconteceu?”

Minhas lágrimas tinham caído em silêncio, mas estouram a


bolha. Soluços sacodem meus ombros e enfraquecem as minhas
pernas, quando eu abaixo no chão.

“Foda-se,” Rush rosna.

“Porra.”

“Porra. Porra. Pooooorra.”

Através da minha visão turva, eu o vejo se mover e por


alguns horríveis segundos, penso que ele está indo embora, penso
que ele vai passar por mim, sentada no chão e correr direto pela
porta da frente. Mas, então, de repente, eu estou no ar e nos
braços de Rush. Ele me pega e me leva para o meu quarto. Chuta
a porta fechada atrás dele, ele vai até a cama e gentilmente me
põe nela.

“Nós usamos proteção. Eu juro que fizemos. E foi só uma


vez. Eu só tive relações sexuais com uma pessoa em mais de um
ano, uma vez e isso acontece”.

Rush senta ao meu lado e só fica balançando a cabeça.

“Desculpe-me, eu não lhe disse. Eu só descobri ontem e...eu


simplesmente não podia dizer isso em voz alta ainda.”

Longos minutos se passam e ele continua apenas sentado


lá acenando. “Diga alguma coisa, por favor,” eu sussurro
enquanto enxugo as lágrimas.

Ele não pode sequer olhar para mim. “Você disse que não
sabe nem mesmo o número do cara.”
Olho para baixo e balanço a cabeça.

“Que tipo de merda nem sequer dá a uma mulher a


informação de contato certo?”

“O tipo que não quer ser envolvido em sua vida após uma
noite.”

Rush respira fundo e solta o ar. Em seguida, ele finalmente


se vira para mim. “Jesus Cristo. Você já pensou sobre o que você
vai fazer?”

“Eu não fui capaz de pensar em nada, Rush. Honestamente,


eu estive tão preocupada com o que você pensaria; a ficha
realmente não caiu ainda. Eu sei que não posso fazer um aborto,
no entanto. Se minha mãe tivesse...”

Rush estende a mão e pega a minha. “Eu sei. Entendi.”

Ficamos em silêncio novamente. Eventualmente, eu digo:


“Eu não estou pronta para ser mãe. Eu vivo em um estúdio no
Queens e tenho um compromisso com um livro de uma editora
com um pequeno adiantamento, que provavelmente vai ter que me
processar para devolver, quando eu não transformá-lo em um
manuscrito a tempo. Eu não sei uma única coisa sobre bebês, ou
ser mãe, por acaso. Eu não tive sequer um exemplo materno
enquanto crescia. Mas o que me assusta mais é...” Eu me viro
para encará-lo e ele olha nos meus olhos. “...o que significa tudo
isto para nós?”

“Gia...” Rush passa a mão pelo cabelo pelo que parece ser a
décima vez. “Eu não tenho nenhuma resposta.”

Eu não tenho o direito de estar com raiva de sua resposta


evasiva. Eu tinha me metido nesta situação, não sou ingênua o
suficiente para pensar que isso não mudaria tudo. Mas isso não
significa que não iria me esmagar senti-lo se afastar.
O telefone de Rush soa e ele puxa do bolso. “Merda. A
empresa de bebidas está no The Heights com a minha entrega. Eu
deveria estar lá agora para recebê-los.”

“Vá.” Forço um sorriso. “Não é possível executar um bar sem


bebidas alcoólicas, e, infelizmente, minha situação não vai a lugar
nenhum tão cedo.”

Ele se levanta. “Sim. Bem. Eu vou... Eu te vejo mais tarde.”


Rush caminha alguns passos em direção à porta do meu quarto e
depois volta para onde eu ainda estou sentada na cama.
“Descanse um pouco.” Ele beija o topo da minha cabeça. De
alguma forma eu consigo segurar as lágrimas até que ele saia e eu
ouço seu carro ligar lá na frente. Então, eu deixo tudo sair. Choro
e choro, até que finalmente choro até dormir.

“O que há, Gia?” Oak ergue o queixo quando entro cedo no


trabalho, para o meu turno. Eu não tinha ouvido falar de Rush o
dia todo e espero que ele esteja aqui, então talvez podemos falar
novamente. O choque inicial, provavelmente, tinha se
transformado em algo diferente por agora e eu me pergunto o que
ele está sentindo. Seu Mustang não estava no estacionamento
quando Riley me deixou, mas meu carro está. Ele deve ter
conseguido isso pronto de alguma forma.

Vou para o escritório e bato. Depois de esperar alguns


minutos, respiro fundo e abro a porta. Vazio. Meu pulso acelera
enquanto eu vago ao redor do piso principal do restaurante à
procura dele. Toda vez que eu penso que ele pode estar por trás
de uma porta- na cozinha, sala de abastecimento, na parte de trás,
eu seguro a respiração, enquanto dou uma espiada. Cada vez que
ele não está lá, fico desapontada e aliviada ao mesmo tempo.
Caminhando para o andar de cima, o telefone toca. Eu tinha
me esquecido de pegá-lo no escritório onde normalmente o coloco
no carregador ligado, durante a noite, na mesa do Rush. Mas o
som vem da sala de jantar. Alguém o deixou na estação da
recepcionista, junto com as chaves do meu carro. Atendo o
telefone e faço uma reserva para as sete horas. Uma barstool,18
que não está normalmente na estação da recepcionista, também
está lá, embora não seja uma das outras do bar. É de couro e tem
um acento alto agradável. Após a chamada, fico sentada nela por
mais alguns minutos, tomando algumas respirações profundas,
antes de ir para as escadas. O único lugar onde Rush poderia
estar é em cima, no bar da cobertura.

Mas quando chego lá em cima, não há ninguém ao redor,


exceto por Oak. Ele está atrás do bar mudando um barril de
cerveja. Eu ando. “Oak? Você sabe onde Rush está?”

“Não o vi desde que ele deixou aqui a sua cadeira e carro.”

Minha cadeira?

“Ele não está aqui?”

“Não.” Ele termina empurrando o barril em seu espaço


apertado e limpa as mãos em uma toalha. “Achei que você sabia
disso. Ele deixou as chaves do carro e a atual cadeira que ele
comprou. Disse que está tirando a noite de folga.”

Meu estômago se aperta. “Oh. OK. Obrigada.”

Caminho de volta para baixo nas escadas e vou procurar


meu telefone na bolsa. Eu não o tinha verificado desde que eu
deixei a casa. Talvez Rush tivesse mandado uma mensagem para
me deixar saber que ele não estaria aqui nesta noite. Claro que,
no fundo, eu sei, a partir do sentimento de vazio na boca do

18 Banqueta para bar.


estômago, que não haveria texto. Mas isso não me impede de
verificar.

Uma grande tristeza toma conta de mim, quando eu


confirmo que não tinha enviado um texto. Tento dizer a mim
mesma que não quer dizer nada. Rush só precisa de algum tempo
para deixar tudo entrar. Quem não gostaria?

Quando Oak volta para baixo, me forço a ficar ocupada.


Trabalhar seria pelo menos uma distração. Eu faço a minha rotina
habitual pré-abertura, embora eu tenha programado meu celular
para vibrar quando qualquer novo texto chegue e, em seguida,
coloco no bolso, enquanto eu deixo tudo pronto para a noite.
Embora nunca tenha vibrado, eu verifico incessantemente de
qualquer maneira.

Oak para na sala da recepcionista, enquanto eu estou


deslizando o papel com as especialidades diárias impressas nas
bolsas plásticas do menu. “Cinco minutos para abertura, G.”

“OK. Obrigada.” Quando ele começa a se afastar, um


pensamento me ocorre. “Oak?”

Ele vira-se para trás. “Hmmm?”

“Aonde essa cadeira que eu estou sentada deveria ir? Você


disse que Rush a trouxe. Pertence ao escritório?”

“Não. Ele disse algo sobre as recepcionistas precisarem de


um lugar para descansar os pés.” Ele pisca. “Mas eu tenho certeza
que há apenas uma recepcionista cujos pés Rush dá a mínima.”

Apesar da tristeza que sinto de Rush não fazer contato hoje


e tirar a noite de folga, o que eu suspeito que seja para me evitar,
agarro-me ao fato de que ele tinha tido tempo para sair e comprar
uma cadeira, para que eu possa ter um lugar para descansar, se
eu precisar. Para não falar que ele também consertou o meu carro,
para se certificar de que não irei a pé para casa. É uma loucura
até mesmo pensar, mas Rush seria um ótimo pai, com todo o seu
amparo.

O restaurante permanece ocupado pelas próximas horas,


por isso, pelo menos eu não posso ficar obcecada demais sobre a
minha situação. Sorrisos forçados e bate-papo amigável foram
basicamente a maior parte do meu trabalho. Mas às dez horas
quando as coisas abrandam e eu praticamente acabei com a
bateria do telefone, de constantemente verificar uma mensagem
que nunca chegou, eu não tenho mais sorrisos falsos para dar.

Oak percebe e para. “Você está bem, G?”

“Sim. Apenas um pouco cansada.” Não é uma mentira. Eu


estou exausta, emocional e fisicamente.

Oak levanta uma sobrancelha. “Mmm-hmm. O chefe


parecia um pouco cansado quando ele parou aqui, também.”

“Ele... disse alguma coisa?”

“Se você ainda não notou, Rush é um pensador, não um


falador.”

Esse comentário é premiado com o meu primeiro sorriso


genuíno da noite.

Oak olha por cima do ombro para a sala de jantar. “Parece


que você só tem uma mesa ainda. Eles encerraram?”

“Sim. Apenas tomando seu café. A garçonete deixou o


canhoto da conta, mas eles não estão correndo para pagá-lo para
que eu possa passar o cartão de crédito.”

Ele acena com a cabeça em direção à porta. “Vá para casa.


Vou passar o cartão. Descanse um pouco. Enquanto você está
nisso, ligue para o homem e diga que você o perdoa por qualquer
coisa estúpida que ele fez de errado.”

Eu queria que fosse assim tão fácil. “Tem certeza de que


você não se importa?”
“Vá para casa. O chefe chutaria a minha bunda se ele
soubesse que eu não a mandei pra casa quando precisava ir.”

“Obrigada, Oak.”

Vou para casa em uma névoa. Foi estúpido da minha parte


e no futuro, eu provavelmente não deveria me colocar em risco
como esse, se eu não estiver me sentindo alerta o suficiente para
dirigir. Não é mais apenas em mim que eu preciso pensar. Quando
eu estaciono na minha casa, desligo a ignição e relaxo no assento
do motorista, pela primeira vez, eu coloco a mão em meu
estômago. Parece surreal reconhecer que há uma pessoa
crescendo dentro de mim.

“Ei. Eu... bem, eu acho que sou sua mãe.” Eu esfrego um


círculo suave logo abaixo do meu umbigo. “Sinto que eu já deveria
ter me apresentado até agora. Mas, eu só descobri que você existia
ontem.” Deus. Tem realmente sido apenas um dia?

Eu respiro fundo. “Eu só quero que você saiba que, só


porque você não foi planejado, não significa que eu vou fazer você
se sentir como se fosse indesejado. Meu pai costuma dizer: 'A vida
é dez por cento do que acontece com você e noventa por cento o
que você faz dela.' E você e eu, nós vamos fazer o melhor dela.
Assim como meu pai e eu fizemos.”

Termino a minha pequena introdução estranha, puxo o


telefone do carregador do carro, jogo as chaves na bolsa e saio do
carro. Enquanto eu caminho para a porta da frente, eu não posso
deixar de verificar as minhas mensagens de texto novamente.
Afinal, minha casa fica há quinze minutos e foi provavelmente o
mais longo trecho que eu tinha passado sem verificar todo o dia.

Mas... não há nada. Novamente.


Olho para baixo, enquanto eu me revolvo na auto piedade e
faço isso quase até porta, quando uma voz quase me mata de
susto. “Gia”.

Eu pulo e minha mão chicoteia para o meu peito. Rush está


de pé no escuro, na frente da minha porta. “Puta merda. Há
quanto tempo você está parado aí?”

“Um tempo,” diz ele. “Eu estava aqui esperando quando


você chegou. Parecia que você precisava de um minuto no carro,
então eu não quis me intrometer.”

“Sim... eu...” Olho por cima do ombro, para trás de mim.


Será que eu estou tão indiferente ao meu redor que eu não vi o
seu carro quando estacionei? Mas eu ainda não o vi. “Onde está
seu carro?”

“Eu andei até aqui.”

“Isso tem que ser, pelo menos, algumas milhas.”

Rush dá de ombros. “Eu estive bebendo mais cedo e eu


precisava de algum tempo para pensar de qualquer maneira. A
caminhada me fez bem.”

Nossos olhares se encontram. “Oh.”

“Você quer conversar?”

“Claro.” Eu dou um passo à frente para abrir a porta e Rush


me para.

“Você se importaria se nós nos sentássemos no quintal?


Talvez na espreguiçadeira, para conversar?”

“Certo. Posso arranjar-lhe uma bebida ou algo assim?”

Rush sacude a cabeça. “Não, obrigado. Eu estou bem.”

Ele dá um passo para o lado e estende a mão para eu andar


em primeiro. Enquanto vamos para o portão que dá para o quintal,
eu me pergunto por que ele não quer entrar. Ele não quer ficar
sozinho comigo no meu quarto? Será que ele acha que eu gritaria
e ele quer privacidade? Eu poderia estar cismada e ele só quer
desfrutar do bom tempo esta noite?

No quintal, Rush puxa duas cadeiras juntas e senta-se na


borda de uma de frente para mim. Sigo sua liderança e sento em
frente a ele. As luzes de segurança de fora acenderam quando
passamos, então eu tenho o primeiro visão de perto dele, na luz.

Rush parece horrível. Como se ele tivesse ido a uma farra e


alguém atropelou seu cão enquanto ele assistia. Seu cabelo
definitivamente tinha resistido à continuação de puxões desta
manhã.

Ele apoia os cotovelos sobre os joelhos e abaixa a cabeça.


“Como você está se sentindo?”

“Fisicamente, eu estou bem. Cansada. Mas bem.”

“Você vai precisar de mais descanso. Se mantenha fora de


seus pés o quanto você puder”.

Eu sorrio. “Bem, eu posso fazer isso no trabalho agora.


Graças a você.”

Ele assente. “Eu pensei muito hoje.”

“OK…”

“Eu pensei sobre as coisas que você disse que está


preocupada: Você não está pronta. Você vive em um apartamento
de estúdio. Você não tem um emprego estável e você não sabe
como ser mãe.”

Uau. Ele realmente ouviu. “Eu não quis dizer para


descarregar todos os meus problemas em você. Eu estava apenas
divagando porque eu estou com medo.”

“Bem, você precisa reduzir o estresse agora. Não aumentá-


lo se preocupando com as coisas. Então, eu quero ajudar.”
Minhas esperanças aumentam. “O que você quer dizer?”

“Primeiro, o apartamento no Queens. Há algo que eu não


mencionei a você sobre o seu aluguel de verão.”

“O quê?”

“Eu o possuo.”

“Você comprou a casa?”

“Hoje não. Eu quis dizer que eu sou o proprietário que a


alugou a partir de, bem, minha empresa. Esta casa e outras duas
são parte da minha herança do meu avô. Na verdade, ele é dono
de um grupo e ele as dividiu entre o meu irmão, meu pai e eu,
como ele fez com um monte de seus outros negócios.”

“Por que você não disse nada?”

Rush ri. “Eu não tenho uma ideia do caralho. Eu pensei que
era engraçado no início, uma estranha coincidência e então eu
esqueci que você não sabia.”

“Isso é tão esquisito. Existem milhares de casas aqui e


acontece você possuir a que eu estou alugando para o verão? E
acontece que eu consegui um emprego em seu bar?”

“Minha mãe diria que alguém lá em cima...” Ele sacude o


polegar para cima, para o céu. “... queria que nos
encontrássemos.”

Eu sorrio. “Eu teria que dizer que concordo com ela.”

“De qualquer forma. Não é alugado após o Dia do Trabalho.


Normalmente, eu só pego alguns alugueis rápidos por alguns fins
de semana aqui e ali no período de entressafra, não muito até o
próximo verão. Se eu calculei corretamente, sua data de
vencimento será o fim do inverno. Fique aqui. Use a casa durante
o inverno sem pagar aluguel. Você pode desistir de seu estúdio no
Queens e poupar algum dinheiro até que chegue o próximo verão.”
Uau. Totalmente não é o que eu espero, mas também é
muito mais do que eu posso aceitar dele. “Rush... isso é muito
generoso de sua parte, mas...”

Ele ergue a mão para me parar. “Deixe-me terminar. Isto


resolve um monte de suas preocupações, não apenas o
apartamento. Você quer terminar o livro que está escrevendo, é
melhor nos Hamptons. Você mesma disse que ficaria feliz se você
pudesse transformá-lo em uma série. Bem, você vai escrever essa
série melhor se ficar aqui. E, eu praticamente perco toda a minha
equipe após o Dia do Trabalho. O restaurante fecha em outubro,
mas eu mantenho o bar aberto durante todo o ano. Ele se
transforma em um ponto de moradores locais, que não bebem
toda a merda estúpida que os pirralhos aqui fora vão beber. Então,
eu vou te ensinar a como fazer algumas bebidas e você pode ficar
como minha bartender, para que você tenha um trabalho estável.”

“Rush... eu não sei o que dizer...”

Sua mão foi para cima novamente. “Ainda não terminei.”

Eu sorrio, minhas esperanças crescendo a cada minuto.


“OK.”

“A última coisa que você está preocupada - não está pronta


para ser mãe. Eu realmente não posso ajudá-la nisso, eu mesmo.
Mas eu tenho a pessoa perfeita que pode - minha mãe me criou
sozinha. Tenho certeza que ela gostaria de sair e passar um tempo
com você e lhe ensinar essa merda de mãe.”

“Merda de mãe...”

“Tudo o que você precisa aprender a fazer para se sentir


melhor.”

Esta manhã eu tinha deixado cair uma bomba sobre este


homem e em vez de ficar chateado e correr para as montanhas,
ele passou o dia tentando resolver todos os meus problemas para
mim. E ele dominou a imagem. Foi incrivelmente generoso e
pensativo. Mas ele tinha perdido a parte mais importante do que
eu disse esta manhã. Ou talvez ele não tenha...

“Rush. Essa é a proposta mais amável e generosa que


alguém já tentou me fazer. E eu realmente a aprecio mais do que
você jamais saberá. Mas...” Eu não tenho certeza de como dizer o
que eu realmente quero depois que ele tinha acabado de me dar
tanto.

“O quê?”

“Eu disse todas essas coisas. E eu não quero que você pense
que eu não aprecio tudo o que você está oferecendo enquanto você
pensou sobre as coisas hoje. Mas o ponto de eu dizer-lhe tudo isso
anteriormente, não é para que você pudesse resolver os meus
problemas. O ponto é, que quando eu terminei de lhe dizer quanto
medo eu estou de todas essas coisas...” Eu respiro fundo e tranco
os olhos em Rush antes de chegar à parte mais importante. “Eu
disse que estou com medo de todas essas coisas e ainda o que me
assusta mais é... o que acontece entre eu e você agora.”

Os olhos de Rush me dizem a resposta antes de encontrar


as palavras. Ele parece perturbado e triste, misturado com um
toque do que eu penso que poderia ser culpa. Com uma respiração
profunda, ele estende a mão e aperta meu joelho.

“Sinto muito, Gia. Eu realmente sinto. Eu só... Eu não estou


pronto para uma família. Eu não tenho certeza se eu tive um
relacionamento sério na minha vida antes de te conhecer. É por
isso que eu ficava tentando nos atrasar. Você é uma mulher
incrível e eu quero ajudá-la no que eu puder. Mas a merda ficou
real e agora não é só você que eu vou foder quando eu finalmente...
Eu só... Eu não estou pronto para isso.”

Parece que um peso enorme se instalou no meu peito. E


torna difícil respirar. “Compreendo.”

Ele aperta meu joelho novamente para chamar minha


atenção. Rush parece tão triste como eu me sinto. “Fique na casa.
Trabalhe o inverno no The Heights. Deixe-me ajudar nesse
sentido, pelo menos.”

O sabor do sal na minha garganta me diz que eu não ia ser


capaz de conter as lágrimas por muito mais tempo. Rush se sente
mal o suficiente. Ele está tentando fazer a coisa certa, tanto
quanto pode. Este não é o seu fardo para carregar. Eu fico de pé.
“É muito em que pensar. Mas eu realmente aprecio sua oferta.”

“Gia...” Ele para. É uma tortura não ser capaz de estender


a mão e tocá-lo no momento.

“Eu tenho que ir para dentro. A natureza chama.”

Ele parece abatido, mas assente.

Eu seguro minha cabeça erguida enquanto corro para a


porta esperando, apenas esperando, que eu possa disfarçar minha
fuga como bravura e torná-la um pouco mais fácil para Rush.
Capitulo 20

O enjoo matinal, aparentemente, não vem sempre na parte


da manhã.

Esta noite o especial é Salmão frito com alho, parmesão e


aspargos assados. Eu sempre amei o cheiro da cozinha no
Heights, até que eu entro duas noites depois da minha conversa
com Rush. Eu tenho que correr, literalmente, para o banheiro,
onde eu continuo perdendo o pouco que eu tinha comido durante
o dia.

Minha cabeça pende sobre o vaso sanitário quando eu


engasgo. Nada foi deixado, mas aparentemente meu estômago não
recebeu a mensagem. A porta do banheiro se abre e fecha.

“Você está bem?” A voz do Rush está baixa.

Eu engasgo quando abro a boca para responder.

“O que eu posso fazer?” A partir da proximidade de sua voz,


eu sei que ele está bem do outro lado da porta do box.

“Você pode talvez me conseguir algo para beber? Alguma


Coca-Cola sem cafeína?”

“Certo. Já volto.” A porta se abre e fecha e alguns minutos


mais tarde, Rush está de volta dentro do banheiro feminino.

“Você quer que eu coloque debaixo da porta. Ou você está


saindo?”
Eu estendo e destravo o ferrolho que mantém a porta
fechada, mas não me levanto do chão. Rush gentilmente abre. Ele
se ajoelha ao meu lado com um copo de refrigerante. “Aqui está.”

Tomo alguns goles hesitantes e balanço a cabeça.


“Obrigada. Eu sinto muito. Eu não vi isso chegando. Eu só entrei
na cozinha e acho que o cheiro fez isso comigo.” Depois de estar
fora ontem, o primeiro contato que tive com este homem tinha que
ser em um banheiro. Mais uma prova de que ele deve correr para
o outro lado.

Rush senta-se no chão ao meu lado. “Não se desculpe. Se


os homens tivessem que atravessar a merda que as mulheres
passam, a raça humana teria sido extinta há muito tempo.”

Eu sorrio.

Ele escova um fio de cabelo do meu rosto. “Você está bem?”

“Sim. Espero que isso não aconteça com muita frequência


embora. A empresa de limpeza está aqui somente de dia. O
pensamento de ter minha cabeça no vaso sanitário após as
pessoas usarem as cabines toda a noite é suficiente para me fazer
querer vomitar novamente.”

Rush sorri. “Espere um segundo.”

Levanta-se e desaparece. Dois minutos depois, ele está de


volta com um pedaço de papel e fita adesiva. Ele rasga dois
pedaços fora do rolo e grava o papel sobre a porta da tenda em
que eu ainda estou sentada.

“Pronto. Agora esta é a sua cabine exclusiva.”

Olho para cima e leio o que tinha escrito no papel, agora


colado na porta. FORA DE SERVIÇO.

Eu rio. “Você não pode colocar uma cabine fora de ordem


no caso de eu precisar vomitar.”
“Como diabos eu não posso. É o meu lugar. Há duas outras
cabines. Qualquer pessoa que não gostar, pode vir falar comigo e
eu vou dizer a eles que há todo um oceano lá fora. Vá mijar nele.”
Ele estende a mão com uma pequena ferramenta de prata que
parece uma chave mestra.

“O que é isso?” Pergunto.

“É para abrir a porta quando o trinco estiver fechado, assim


você não tem que rastejar por baixo para usar sua cabine limpa.
Você só a coloca através da fresta da porta e torce. Ela abre o
trinco. Você ficaria surpresa com quantas pequenas pestes
entram com seus pais para jantar e pensam que é engraçado
entrar em uma cabine, bloqueá-la e, em seguida, se arrastar para
fora por baixo.”

Ele continua a me matar com sua bondade. Isso só me faz


querer mais, quando eu já não posso tê-lo.

“Bem, obrigada. Eu realmente aprecio isso.”

“De nada.” Ele permanece em silêncio por um tempo antes


de dizer: “De qualquer maneira... Eu, uh, espero que você não se
importe, eu disse à minha mãe sobre a gravidez. Ela quer que você
saiba que pode chamá-la a qualquer momento, se você precisa
falar. Eu vou enviar seu número.”

Uau.

Eu não tenho certeza de como eu me sinto sobre Melody


saber, mas algo me diz que eu preciso falar com ela sobre isso.

“Isso é muito legal da parte dela. Obrigada.”


Algumas noites depois, eu estou sozinha no meu quarto,
com o que parece ser um ataque de pânico. Eu tinha ido ao médico
no início do dia e ele me disse que eu estou realmente grávida. Ele
agendou o meu primeiro ultrassom na próxima consulta.

A notícia formal não foi nenhuma surpresa, mas ainda é


chocante ouvi-la confirmada, sem sombra de dúvida.

O choque da minha gravidez está começando a passar e a


realidade está afundando. Tudo está começando a me bater ao
mesmo tempo.

O fato de que eu vou ser mãe.

O fato de que eu nem sequer disse ao meu pai ainda.

Perder Rush. Essa foi à coisa mais difícil de aceitar. Bem,


talvez teria sido mais fácil se eu o tivesse perdido totalmente. Ele
ainda está por perto, para garantir que eu esteja confortável e
segura no trabalho, oferecendo tudo o que eu preciso, quando a
única coisa que eu realmente preciso é do seu maldito coração.

Ele estando ao redor torna as coisas ainda mais difíceis,


porque eu anseio por mais, pelo que tínhamos - por ele. Eu não
quero nada mais do que ele me abraçando durante a noite. Eu me
sinto tão segura em seus braços. E agora, justamente quando eu
mais preciso dele, eu não posso tê-lo dessa maneira e não é justo
da minha parte esperar.

Então, enquanto eu olho para a bonita pintura do sol de


Melody, que agora mostra para todos a esperança que tinha sido
drenada da minha vida, percebo que eu realmente precisava falar
com alguém. Sentindo-se desesperada, olho para as informações
de contato da mãe do Rush que ele me mandou em uma
mensagem e tomo a decisão impulsiva de chamá-la.

Depois que ela responde, eu digo, “Melody?”

“Gia?”
Ela sabe que sou eu. Rush deve ter dito a ela para esperar
a minha chamada.

“Oi. Eu... uh... Rush me disse que estaria tudo bem se eu


te chamasse.”

“Claro. Ele me contou sobre a sua notícia. Eu diria


parabéns, mas eu me lembro de como me sentia quando as
pessoas costumavam dizer isso para mim, no começo. Você não
se sente pronta para isso, porque você ainda está abrigando tantas
dúvidas sobre suas habilidades.” Ela suspira ao telefone. “Tudo
vai ficar bem, Gia. Eu sei que pode não parecer assim agora.”

Suas palavras calmantes me deixam ainda mais emocional. Isso é


que é como ter uma mãe para conversar?

Eu não perco tempo para chegar ao ponto. “Estaria tudo


bem se eu fosse vê-la... para falar pessoalmente?”

“Claro. Tem certeza de que está se sentindo bem para dirigir


até aqui, porque eu poderia ir ai?”

“Eu realmente gostaria de ir vê-la. Eu acho que preciso sair


da cidade um pouco.”

Quando eu digo a Rush que estou planejando ir visitar sua


mãe, ele se recusa a me deixar dirigir meu carro, temendo que eu
não consiga chegar até lá.

Ele me aluga um confortável Honda CRV, apesar da minha


insistência para que ele não se preocupe comigo. Mas, uma vez na
estrada, eu estou grata por não ter minha mente em branco no
meu caminho.
No caminho para Melody, pego um chá descafeinado da
Starbucks e coloco um audiobook o romance sobre esse cara
australiano quente e um maldito bode. O tempo está perfeito para
uma longa viagem e acaba sendo muito relaxante. É só o que eu
preciso para limpar a minha cabeça um pouco antes de vê-la.

Melody está jardinando o exterior quando estaciono em sua


garagem. Ela limpa a sujeira em seu avental e aproxima-se do
carro. Eu abaixo a janela.

“Você fez isso em um tempo bom.” Ela sorri.

“Sim. O tráfego está bom.”

Nós entramos. É reconfortante estar de volta em sua casa,


cercada por todas as pinturas e cores brilhantes. Melody tem um
estilo muito Boêmio e há uma vibração zen em todo o lugar.

Nós nos sentamos em sua cozinha onde ela tinha preparado


um prato com fruta e queijo, juntamente com uma grande jarra
de limonada.

Eu aperto minhas mãos e descanso os cotovelos sobre a


mesa. “Obrigada por me encontrar. Eu sei o quão estranho isto
deve ser... estar falando com a ex-namorada de seu filho, que está
grávida de outra pessoa”.

Ela balança a cabeça como se quisesse me dizer que as


minhas preocupações são infundadas. “É o meu prazer, Gia. Eu
fiquei definitivamente surpresa e um pouco decepcionada quando
Rush me disse, para ser honesta.” Ela rapidamente coloca a mão
na minha para esclarecer. “Não com você... apenas com o fato de
que eu sabia o que isso poderia significar para você e meu filho.”

Sim.

Eu realmente espero que ela não fosse me julgar por causa


de como eu me meti nesta situação - em um caso de uma noite.
Pelo menos com o pai de Rush, ela estava em um relacionamento
de verdade, pelo menos do ponto de vista dela.
“Eu não sei o quanto o Rush lhe disse...,” eu digo.

“Ele me disse tudo. Você não tem que explicar nada para
mim sobre como isso aconteceu. Estou ciente disso. Não se
estresse sobre explicar uma coisa.” Ela estende a mão sobre a
mesa novamente, colocando-a no meu braço. “Como você está?”

Soprando uma respiração instável, eu digo: “Não muito


bem. Sinto-me culpada por me sentir tão triste, porque isso não é
maneira de trazer uma criança a este mundo. E eu tenho medo
que toda a minha energia negativa vá de alguma forma afetar o
bebê. Mas é muito difícil ser feliz quando você se sente como se
seu mundo estivesse de cabeça para baixo.”

Ela olha triste para mim. “Eu sinto muito. Mas garanto que
é temporário. As coisas sempre ficam melhores, não
necessariamente fáceis, mas melhores.”

“Você pode me dizer um pouco sobre como foi a sua


experiência, quando você descobriu que estava grávida de Rush?”

Melody fecha os olhos momentaneamente, em seguida, diz:


“Bem, você sabe, minha situação não é muito diferente da sua.
Seu pai não está na foto. Acho que isso me ajudou no início com
algumas coisas. Aprender a levar as coisas um dia de cada vez e
compreender que você não tem que fazer mais do que isso... é
realmente fundamental. É tudo tão esmagador, que mesmo
pensar sobre isso pode ser suficiente para fazer você ficar louca.
Há tantas coisas que você sente que precisa fazer para se
preparar, mas realmente a única coisa que você precisa fazer
agora, é respirar e cuidar de si mesma. Não há nenhuma razão
que você não possa simplesmente pegar cada momento enquanto
se cuida. Você não tem que lidar com tudo de uma vez e você
certamente não tem que ter todas as respostas.”

Suas palavras me trazem um pouco de conforto. “É sempre


mais fácil dizer do que fazer, mas eu realmente vou tentar me
lembrar disso.”
Ela aponta para o prato de frutas. “Por favor, pegue algo
para comer.” Melody derrama um pouco da limonada em um copo
e desliza na minha frente. “A outra coisa é entender que é
totalmente normal não saber o que você está fazendo e ficar
desconfortável com as coisas. Há uma primeira vez para tudo e
muito disso vai ter tentativa e erro. Coisas como trocar fraldas,
alimentação do bebê... tudo vai parecer como uma segunda
natureza uma vez que você se acostumar com isso. Mas não há
nenhuma maneira real de aprender a cuidar de um bebê, além de
realmente fazê-lo. E, novamente, ninguém espera que você seja
perfeita o tempo todo.”

“Bom. Porque eu tenho certeza de que eu vou ser uma


bagunça.”

Ela ri quando coloca uma uva em sua boca. “Você vai se


surpreender.”

Houve um momento de silêncio, onde ela apenas olha para


mim do outro lado da mesa. Eu não sei por que me sinto obrigada
a dizer: “Eu não tenho uma mãe, você sabe.”

Os olhos de Melody estão cheios de simpatia. “Eu sei.”

“Eu não conseguia me lembrar se eu lhe disse isso.” Eu olho


para fora, contemplando a minha falta de modelo no papel
materno. “Como é que eu vou ser boa mãe quando eu nem sequer
tenho uma?”

“Porque é inato,” diz ela sem hesitação. “Você é uma pessoa


amorosa, preocupada que fará tudo em seu poder para cuidar de
seu bebê. Ela provavelmente nunca teve um osso maternal em seu
corpo. Você não é sua mãe.”

Eu realmente espero que ela esteja certa. Enquanto eu


processo suas palavras, lágrimas correm pelo meu rosto. Melody
move a cadeira para o meu lado da mesa e me abraça.
Nós ficamos assim por um tempo até que ela me dá um
guardanapo para limpar os meus olhos e diz: “Vai ficar tudo bem.
É difícil saber isso agora. Mas acredite em mim, vai.” Ela levanta-
se e começa a caminhar em direção a seu quarto. “Eu volto já.
Quero te mostrar algo.”

Poucos minutos depois, ela volta com um álbum de fotos.

Ela o coloca na mesa. “Tenho certeza de que Rush me


mataria se ele soubesse que eu vou mostrar isso para você, mas
isso é muito ruim.”

Há tantas fotos de uma jovem Melody com o Rush bebê, que


é surpreendentemente loiro quando criança. Ele ainda tem o
mesmo sorriso travesso e olhos expressivos. Melody parecia tão
jovem e seu cabelo é muito longo.

Quando ela aponta um conjunto de fotos que parecem que


foram tiradas profissionalmente, ela sorri de orelha a orelha.

“Lembro-me deste dia.” Ela cobre a boca enquanto aponta


para uma foto em particular de Rush bebê, sentado em seu colo.
“Oh meu Deus. Eu tinha levado Rush para o estúdio de Fotos
Sears. Logo antes disso, ele vomitou todo seu almoço. Eu estava
em lágrimas, porque o shopping era uma viagem bastante longa
para mim e eu não queria ter que voltar, então o fotógrafo me deu
uma roupa que um cliente anterior esqueceu lá. Você vê como seu
macacão está um pouco grande?”

“Olhe para esse sorriso desdentado,” Eu jorro.

“Eu sei que eu estava tão estressada logo antes disso, mas
uma vez que o fotógrafo nos deixou prontos, Rush estava
brilhando para as câmeras. Eu tive tanta sorte, de uma maneira
totalmente diferente em comparação com o jeito que eu entrei.”
Ela olha para o espaço por um momento antes de ela olhar para
mim. “Isso é como a maternidade é. É uma série de altos e baixos.
Mas tudo vale a pena, Gia. Confie em mim.”
Eu fico olhando para a imagem do grande sorriso do bebê
Rush. É reflexo da bondade natural construída no meu cara
durão.

Meu cara durão.

Eu não tinha lido o memorando que ele não é meu mais?

“O que há de errado Gia?”

Melody deve ter notado a expressão repentina de tristeza em


meu rosto. Os hormônios da gravidez agindo.

A realização disso me atinge como uma tonelada de tijolos.


“Eu estava apaixonada pelo seu filho antes que isso acontecesse.
Rush deixou claro que ele não está pronto para tudo isso. Eu não
o culpo. Isso é uma droga, você sabe? Porque ele e eu... nós
realmente tínhamos algo. Mas eu entendo por que ele não pode
estar comigo. Eu entendo.”

“Eu sinto muito. Se eu tivesse um botão mágico, eu gostaria


de poder fazer isso direito para ambos. Eu queria que meu filho se
sentisse diferente, também. Mas se há uma coisa que aprendi
sobre ele, é que eu não posso lhe dizer o que fazer, ou como se
sentir. Mas eu vou torcer por você, que talvez ele tenha uma
mudança em seu coração sobre isso”.

Eu me pergunto se ela realmente quis dizer isso, ou se no


fundo, ela não quer que seu filho esteja com alguém que vem com
bagagem quando ele provavelmente poderia ter alguém que ele
quer. Eu nunca saberia se ela está me dizendo à verdade, ou só
quer me fazer sentir melhor.

Não há nenhuma maneira de que eu tenha esperanças de


qualquer modo. Há muito em jogo agora, pra me preocupar com
meu coração partido. Ao invés disso eu preciso me concentrar no
pequeno coração batendo dentro de mim.
Capitulo 21

Tornou-se o meu novo ritual noturno. Ficar ao ar-livre no


The Heights durante vários minutos durante a hora de pico. Eu
fico aqui fora, fumando, enquanto observo as coisas de longe
através das janelas.

Quando o anoitecer chega, as luzes no interior do


restaurante me dão a visão perfeita do lugar da recepcionista. O
clarão nas janelas significa que ela não pode me ver observá-la.

Estar dentro de casa por longos períodos de tempo é demais


para mim, ultimamente. Além disso, eu preciso fumar ainda mais,
como se isso fosse de alguma forma tirar esse sentimento, que
nem eu consigo descrever, de dentro do meu peito.

Eu fumo um cigarro atrás do outro, alterno entre acenar


para os clientes quando eles entram e espreitar pela janela para
me certificar de que Gia está bem, que ela não está muito tempo
de pé.

Tudo tinha mudado.

E, no entanto nada tinha mudado.

Eu ainda sinto tudo o que sempre senti por ela; a única


diferença é que não posso mais agir sobre isso. Essa porra me
matou. Matou-me admitir a ela que eu não sou talhado para o que
ela precisa. Matou-me ver a tristeza em seus olhos quando eu o
fiz. Mas eu não ia arriscar desiludir uma criança. É onde eu
desenho a linha.
Ela iria encontrar o seu caminho, eventualmente; ela iria.
Eu só preciso ajudá-la. Então, eu a incentivarei a voltar para a
cidade uma vez que souber que ela vai ficar bem - que eles vão
ficar bem. Nesse meio tempo, eu quero que ela fique aqui, onde
posso manter um olho sobre ela.

A fumaça ascende do meu nariz, enquanto alterno entre


olhar para a água e para Gia, através da janela.

Eu tinha acabado de apagar o meu cigarro com o pé e


soprado a última fumaça dele quando olho e encontro dois
homens que estão perto do posto da recepcionista.

Um alarme dispara na minha cabeça. Um cara inclina-se


para ela, sendo extremamente agressivo para o meu gosto,
enquanto o outro apenas parece bêbado e ri como um tolo.

Poucos minutos depois, eles estão praticamente em cima


dela e bloqueiam a minha visão dela.

É isso aí.

Chega de ficar olhando.

Entrando como uma tempestade, vou em modo de ataque


até onde eles estão. “Eu posso ajudar com alguma coisa?”

“Não, nós estamos apenas apreciando a companhia de sua


linda recepcionista aqui.”

“Bem, ela não está aqui para sua apreciação. Ela está
fazendo o seu trabalho. Dê-lhe algum maldito espaço.”

Gia intervém, “Rush... está tudo realmente bem.”

Eu ignoro o apelo de Gia, prometo não sair até que eles


deixem de importuná-la.

Ambos os homens se recusam a sair de onde estão.

Dou dois passos para mais perto deles, fechando o meu


punho. “Você não ouviu o que diabos eu disse?”
“Cara, eu ouvi você. Eu apenas não estou ligando.”

Então o seu amigo comete o erro de levantar-se na minha


cara com um hálito de cerveja. “Quem diabos é você para dizer-
lhe o que fazer?”

Eu explodo, agarro o homem pelo pescoço e arrasto-o com


todas as minhas forças através da porta até à rua. O outro cara
nos segue.

“Eu sou o dono deste lugar, filho da puta e eu posso fazer o


que quiser,” eu cuspo em seu rosto, antes de libertá-lo do meu
aperto de morte.

Oak, que está no telhado quando tudo isso acontece, vem


correndo para fora.

“Mantenha esses caras fora daqui,” eu vomito antes de


passar por ele sem dar qualquer explicação adicional.

Todos os olhos estão em mim quando caminho de volta para


dentro. Não foi a decisão mais profissional da minha carreira. Mas
essa é a última coisa com que estou preocupado no momento.

Gia parece alarmada quando volta da mesa de alguns


clientes. “Você não acha que foi uma reação um pouco
exagerada?”

“Não,” eu digo. “Agora, volte ao trabalho.”

Passo o resto da noite sozinho em meu escritório,


ruminando. Apesar de não me arrepender de ter jogando esses
idiotas para fora, é a foto maior do que isso representa que está
me corroendo.

Se eu ia ficar longe de Gia, eu tinha que parar de ser tão


emocionalmente envolvido e tão malditamente possessivo. É um
hábito difícil de quebrar.

É quase hora de fechar. De repente, salto da cadeira e


atravesso o restaurante sem fazer contato visual com Gia ou Oak.
Aventuro-me para fora, para o estacionamento, entro no
carro, acendo um cigarro e em seguida, pego o meu telefone. Rolo
os meus contatos até o seu nome.

Eu ia realmente fazer isso?

Eu preciso.

Eu digito um texto.

Rush: Você está a fim de foder?

Mal passa alguns segundos antes de uma resposta


chegar.

Everly: O que faz você pensar que ainda falo com


você após a merda que você fez da última vez, me
deixando na mão.

Rush: Isso é um não?

Everly: Eu gostaria de poder dizer não para você.

Rush: Eu vou até sua casa.

Everly: Eu vou estar aqui.


Devo ir a cento e cinquenta quilômetros por hora todo o
caminho até sua casa. Não é por causa da emoção de ir vê-la. Eu
sei que é porque uma parte de mim quer acabar com isso, só para
provar que posso seguir em frente depois de Gia. Porque eu tenho
que fazer.

Everly abre a porta vestida com nada além de short jeans


Daisy Duke e um sutiã. Eu passo por ela sem lhe dar uma
saudação, vou direto para o seu frigorífico onde me sirvo de uma
das cervejas que eu sei que ela tem lá.

“Bem, olá para você, também.” Ela ri e inclina-se sobre o


balcão, as mamas dela em plena exibição.

Depois de engolir metade da garrafa, vou até onde ela está.

Everly coloca os braços em volta do meu pescoço. “Estou


muito feliz que você ligou. Já faz muito tempo desde a última vez.”

O velho Rush a teria encostada contra a parede neste


momento. Eu só fico ali olhando para ela com o meu corpo rígido,
sem saber se posso realmente fazer isso.

Parece que estou traindo Gia e eu honestamente posso


dizer, que é a primeira vez na minha vida, que eu dou a mínima
para algo parecido.

Ela dá um passo atrás. “Você está suando. O que está


acontecendo com você essa noite?”

Os meus olhos percorrem o seu corpo. Não há dúvida de


que Everly é sexy como o inferno. Eu não devia estar pensando
tanto nisso. Mas eu não estou nem mesmo duro, porque estou
estupidamente estressado.

“Eu acho que sei o que você precisa,” diz ela e cai de joelhos.

Ela começa a abrir o zíper dos meus jeans enquanto lambe


os lábios, preparando-se para me chupar.

Eu congelo.
Pega o meu pau com a sua mão e se inclina para me levar
em sua boca, quando eu a agarro na parte de trás de seu cabelo,
um pouco antes de seus lábios serem capazes de fazer contato
com minha pele.

“Foda-se,” eu gemo enquanto a afasto e fecho o zíper da


minha calça.

Ela levanta-se e olha para mim. “Que diabos está


acontecendo com você, Rush? É sério. Você foi o único que me
enviou uma mensagem. Que tipo de jogo você está jogando?”

Eu sei que entre esta noite e a última vez em que estive aqui,
se eu sair por aquela porta, posso muito bem dizer adeus a
qualquer esperança de ter sexo sem sentido no futuro com Everly.
Esse fato não significa nada para mim... então, saio.

Eu simplesmente não posso continuar com isso.

Isto não é uma necessidade de sexo. É um teste. E eu falhei,


caralho.

Paro na porta e finalmente peço desculpa. “Eu sinto muito.”

“Cai fora. E nem sequer pense novamente em me ligar ou


mandar qualquer mensagem.” Ela bate à porta na minha cara.

A suas palavras não me dizem nada, enquanto caminho de


volta para o meu carro e entro. Eu não o ligo imediatamente, só
fico lá olhando para a rua deserta.

O meu comportamento esta noite me surpreendeu.

Ao contrário de quando ia para casa de Everly, eu estou


dirigindo de volta em um ritmo mais lento do que a velocidade
média. O que é provavelmente porque uma parte de mim sabe que
não estou indo para casa.

Depois que estaciono, devo ter ficado sentado no meu carro


por mais de 30 minutos antes de decidir se devo ou não tocar à
campainha.
Que porra você está fazendo, Rush?

Por que você está aqui?

O meu telefone toca.

Gia: Existe alguma razão pela qual você está


estacionado em frente da minha casa?

Rush: Vigilância?

Gia: Não acredito nisso.

Rush: Entrega de pizza?

Gia: A minha pizza deve estar muito fria, então.

Rush: Eu não sei o que estou fazendo aqui.

Gia: Você quer entrar?

Rush: Sim.

Gia: Mas você não vai...


Rush: Eu acho que eu não deveria.

Gia: Ok.

Apesar das minhas palavras, poucos momentos depois,


estou batendo na porta.

Gia abre, ela usa uma camisola fina, branca, que mostra os
seus enormes mamilos. Eu tenho que erguer os meus olhos para
cima, porque tudo o que quero fazer é levantar a camisola e
chupá-los.

Está tranquilo na casa quando olho ao redor. “Onde estão


os seus companheiros de quarto?”

“Cada um deles ou está fora, ou trabalhando. Isso


raramente acontece. Estou desfrutando da paz e tranquilidade.”

Isso não é bom. Eu realmente preciso sair.

Ela me surpreende quando diz: “Você quer comer um pouco


de sorvete comigo?”

“Sorvete…”

“Sim.” Ela sorri e eu simplesmente derreto ao ver isso.

Parece bastante inocente.

“Depende do sabor,” eu provoco.


“Chunky Monkey19 ...tipo como eu vou parecer em poucos
meses?”

Esse pensamento devia me desligar, talvez, mas teve o efeito


oposto. Eu amo as suas novas curvas e a ideia de mais. A minha
afinidade com o seu corpo só faz a minha situação em tudo muito
mais dura.

“Esse é o meu sabor favorito,” eu digo.

Sentamos na sala de estar, calmamente comemos do


mesmo recipiente de Ben & Jerry.

Ela finalmente diz: “Todos estão falando sobre a sua


explosão mais cedo, como você jogou esses dois caras para fora e,
em seguida, como você acabou por sair do The Heights sem dizer
nada a ninguém.”

A minha boca está cheia de sorvete. “Bem, deixe-os falar.


Eu não me importo. Eu ainda defendo o que eu fiz. Esses idiotas
não deviam estar ao redor de você assim.”

“Onde você foi quando saiu?”

Quando paro de comer e não digo nada, ela chega à sua


própria conclusão. Talvez a minha culpa seja óbvia.

Um olhar de preocupação atravessa o seu rosto. “Você foi


ver uma mulher?” Quando eu não respondo, ela fica mais
insistente. “Responda-me.”

Eu ainda não quero admitir a minha estupidez de hoje à


noite.

19
Ela continua empurrando, “Você fez sexo com alguém hoje
à noite?”

“Não.” Isso sai mais alto do que eu pretendo.

“Então, onde você estava?”

Eu não quero mentir para ela.

“Eu tentei ficar com alguém. Eu queria me esquecer do que


aconteceu no Heights, me esquecer de você.”

Eu não tinha a intenção de ser tão brusco. Mas ela quer a


verdade. É isso.

As lágrimas começam a cair de seus olhos. Isso me mata,


porra, eu a perturbei. Por que eu lhe disse a verdade?

“Mas eu não pude, Gia.”

“Por que não? Você pode também. Não é como se você me


devesse algo. Você devia estar saindo e tendo uma festa de foda,
agora. Você tomou a sua decisão quando se trata de mim.”

“Isso não é justo.”

“É a verdade!”

“Só porque eu não posso estar com você, não significa que
eu não quero estar com você. E isso não significa que estou pronto
para seguir em frente, apesar de que eu gostaria de poder. Ficar
longe de você é a porra da coisa mais difícil que já tive que fazer.”

Nós ficamos em silêncio por muito tempo, apenas olhando


intensamente nos olhos um do outro.

“Eu sinto sua falta,” ela sussurra.

Também sinto a sua falta.

Eu não pude resistir a puxá-la para perto de mim. Ela


esconde o rosto no meu peito. O meu coração bate fora de controle.
Tudo é muito: a suavidade de sua pele, o reconhecimento de seu
perfume. A necessidade de continuarmos exatamente de onde
tínhamos parado.

O meu pau endurece. Eu não pude ficar assim para Everly,


mas coloquem uma mulher grávida linda em meus braços e o meu
corpo está totalmente desperto. Eu queria que ela estar grávida
me brochasse, mas nunca nada mais me tinha excitado como isso,
na minha vida.

Entrar na casa foi um erro.

Eu a largo, coloco a minha colher na mesa de café e me


levanto. “Eu tenho que ir.”

Quando estou a caminho da porta, a sua voz me para. “Eu


vou fazer o meu primeiro ultrassom amanhã.”

Eu congelo. O meu coração começa a bater mais rápido.


Ouvi-la dizer realmente faz ver a realidade, de que há um ser
humano de verdade dentro dela.

Ela continua: “Estou realmente com medo. Como... se


encontrarem algo de errado... ou se não houver nenhuma batida
do coração... ou eu surtar quando vê-lo. Eu sei que isso vai
parecer loucura, Rush. Além de Riley, que está fora do estado esta
semana, você é o melhor amigo que tenho aqui. Eu nem sequer
tive coragem para dizer ao meu pai ainda. De qualquer forma...
você acha que você pode vir comigo?”

O quê?

Diga algo.

“Eu não sei, Gia.”

“Por favor?”

Como eu posso dizer não? Ela está com medo e para além
de todas as partes complicadas desta situação, eu me importo
profundamente com esta menina. Se ela precisa de mim para
segurar a sua mão, então eu preciso ser forte e fazê-lo.

Deixo escapar um longo suspiro e assinto. “OK.”


Capitulo 22

“Você está me deixando ainda mais nervosa.” Gia descansa


a mão no meu joelho e para o subir e descer incessante da minha
perna. Eu nem percebi que estava fazendo isso.

“Desculpa.”

Sentados lado a lado na sala de espera do consultório


médico, espero impacientemente por seu nome ser chamado. Eu
estou uma pilha de nervos no momento em que entrei no maldito
estacionamento. Que bela ajuda eu sou. Eu vim porque ela está
nervosa, mas ela está aqui tendo que me acalmar. Não tenho ideia
de porque me sinto tão ansioso, mas há dez minutos, quando o
telefone da recepcionista tocou, eu literalmente pulei da minha
cadeira. Para disfarçar fingi que precisava usar o banheiro. Que
porra há de errado comigo?

“Eu pensei sobre o meu antigo emprego na noite passada,”


disse Gia. “Todos os cartões de felicitações que escrevi.”

“Oh sim? Aposto que você não tinha o seu próprio banheiro
nesse trabalho.”

Ela ri. “Não, eu definitivamente não tinha. Mas eu não


estava comparando o meu antigo emprego com o trabalhar para
você. Não há comparação com o quanto mais eu gosto de passar
tempo com você no The Heights... Quero dizer, de trabalhar no
Heights. Mas eu estava pensando sobre os cartões que costumava
escrever que são feitos para parabenizar as pessoas por suas
gestações. Na época, pensei que eles eram engraçados. Embora,
neste momento, quando estou sentada no consultório de um
obstetra de verdade, esteja pensando que talvez alguns deles
foram um pouco longe demais, quase ao ponto de ser insensível,
mesmo sem perceber.”

“Como o quê?”

“Bem, houve este em particular, lembro-me de escrever algo


como isto: Na parte de fora, dizia: 'Como você encaixa uma
melancia através de um buraco de uma rosquinha’ E, em seguida,
do lado de dentro dizia: 'Você está prestes a descobrir'.”

Eu rio. “Isso é engraçado.”

“Diz o homem que não tem que empurrar uma melancia


através de seu buraco de rosquinha.”

A recepcionista chama o nome de Gia e ela olha para mim.


O medo é palpável de repente em seus olhos. Pego a mão dela e
aperto. “Vai ficar tudo bem. Este bebê vai ser saudável e bonito
exatamente como a mãe dele.”

“Dele?”

“Dele o quê?”

“Você disse exatamente como a mãe dele. Então você acha


que estou tendo um menino?”

Eu não notei que tinha dado ao bebê um sexo. “Vamos. Pare


de enrolar.” Levanto-me e dou-lhe a mão com um puxão leve. “E
eu não acho que você está tendo um menino, eu sei o que você
está tendo.”

Gia levanta-se. “Você sabe?”

Eu pisco para ela. “Claro. A porra de uma melancia gigante.”


“É um pouco cedo para ser capaz de dizer o sexo do bebê.
Mas, antes de começar, você quer saber, se eu for capaz de ver o
sexo claramente?” A técnica de ultrassom puxa umas luvas de
uma caixa sobre o balcão e bate com elas em suas mãos.

“Umm.” Gia me olha para uma resposta. “Eu não sei. Eu


não pensei que você poderia me dizer isso tão cedo, então eu
realmente não pensei nisso. O que você acha, Rush?”

Eu sorrio. “Você decide. Eu já sei o que é.”

A técnica de ultrassom, obviamente, não sabe que eu quero


dizer que ela está grávida de uma melancia. Ela apaga as luzes do
quarto e puxa um banquinho para o lado de Gia. “Então o pai já
acha que sabe o que é, hein? Eu estou supondo que isso significa
que ele pensa que é um menino. A maioria dos pais pensa.”

Gia fica perturbada. “Ele não é... ele pensa que é uma...”

Tento ajudá-la. “Eu não sou o... uh... Eu não acho que...”

A técnica deve estar acostumada a ter duas pessoas com a


língua presa nesta sala. “Vamos fazer assim. Eu não vou dizer o
que você está tendo, se puder ver, mas vou anotar na sua ficha
para que você possa ligar para o consultório, a qualquer momento,
se você decidir descobrir.”

Gia solta uma forte lufada de ar. “OK. Sim. Isso é ótimo.”

“Eu vou apenas desprender a sua bata e puxá-la para ter


acesso à sua barriga e talvez seja necessário rolar para baixo suas
calças um pouco.”

“OK.”

Gia aperta a minha mão enquanto a técnica a apronta. Eu


posso ser um doente do caralho, mas meu pau se contrai com a
visão da pele suave da sua barriga. Aparentemente estou alheio
de que estamos em uma consulta médica e não em um peep
show20. A técnica rola a calça de Gia um pouco acima do seu osso
púbico e os meus olhos ficam colados à sua pele bronzeada.

Porra. Eu quero desonrar uma mãe.

A técnica levanta um tubo com algo. “Isso pode ser um


pouco frio.” Ela então começa a jorrar algum gel de merda em todo
o ventre de Gia.

Aqui, deixe-me cuidar disso para você. O meu lubrificante


será agradável e quentinho.

Eu balanço a cabeça para me livrar desse pensamento.

Não ajudou nem um pouco, caralho.

A técnica puxa um monitor sobre rodas ao lado da mesa de


exame e posiciona-o para que nós três possamos ver. Eu fico do
lado oposto, ao lado da cabeça de Gia, por isso temos a mesma
visão.

No minuto em que ela toca a varinha na barriga de Gia, um


som alto sai da máquina. A técnica olha para a tela e ajusta um
botão. “O seu bebê tem uma boa e forte batida de coração.”

Gia e eu olhamos para a tela.

“Eu vou lhes dar uma rápida vista da anatomia do bebê para
que possam apreciá-lo, enquanto eu tomo medidas e as imagens
que preciso.” A técnica aponta para o que parecia ser um colar de
pérolas. “Esta é a espinha de seu bebê.” Ela inclina a varinha um
pouco para a esquerda com uma mão e aponta para a tela com a
outra. A imagem é granulada em preto e branco, mas eu consigo
distinguir o que ela mostra mesmo antes que ela diga. “Cabeça”.
Ela esboça o que é claramente um crânio, em seguida, traça o
perfil do bebê. “Nariz. Lábios.” Caramba. Eu posso realmente ver
um esboço do rosto de um bebê. Embora mais pareça um

20 Espetáculo erótico.
alienígena nadando do que um bebê, de onde estou. Mas lá está
ele, uma pessoa - dentro de Gia - uma pessoa já com o seu próprio
batimento cardíaco e imagem. A técnica sorri e move bastante à
varinha enquanto olha para a tela. “Você tem um bem ativo.”

“Isso é uma mão?” Diz Gia.

“Claro que é.”

“Uau.”

“Se você optar por ter um ultrassom 3D mais tarde em sua


gravidez, as imagens são muito mais claras. Mas você está
realmente recebendo um show muito bom hoje, considerando que
você está apenas de 14 semanas.”

Hipnotizado pela tela, me esqueci completamente da barriga


de Gia e percebi que estou realmente animado com a gravidez,
pela primeira vez. Eu mal podia esperar para conhecer o rapaz.

Ok, talvez eu achasse que ele é um menino.

Eu continuo a olhar com admiração. Eu vejo os dedos se


moverem, lábios, um longo pescoço e isso é...

A minha excitação deve ter tido o melhor de mim. Eu aponto


para o que eu acho que é um pênis. “Será que é o seu...”

A técnica ri. “Não. Isso é realmente um pé inteiro.”

Gia tinha virado a cabeça e me observava, em vez da tela. O


seu rosto brilha e ela está tão linda. Sem pensar, inclino-me e beijo
a sua testa. “OK. Então, talvez eu meio que ache que é um
menino.”

A técnica termina a digitalização da barriga de Gia e depois


imprime algumas fotos. “As primeiras fotos para a geladeira,
mamãe,” ela diz, entregando-as a Gia. “Eu não devia dar qualquer
resultado ou qualquer coisa, mas tudo parece ótimo. Por que você
não se veste e eu vou chamar a minha assistente para responder
a quaisquer dúvidas que possa ter hoje, já que você não vai ver o
médico nesta consulta.” Ela entrega um monte de toalhas de papel
para Gia. “Para limpar o gel.”

“OK. Obrigada.”

A técnica deixa-nos sozinhos na sala e Gia enxuga algumas


lágrimas, em seguida, começa a limpar a sua barriga. Eu pego as
toalhas de papel de sua mão e limpo a bagunça. Parece
perfeitamente natural fazer isso, mas depois de fazer, noto Gia
olhando para mim de uma maneira engraçada. “Eu podia ter feito
isso.”

Jogo as toalhas de papel no lixo e quando me viro para trás,


Gia se senta na mesa de exame. A bata que tinha sido desapertada
e empurrada para cima, cai. Ela está com um sutiã de renda preta,
e os seus peitos estão praticamente saindo. Gia segue a linha de
onde o meu olhar está grudado e olha para baixo. “Ganhei três
quilos até agora e tudo parece ter ido para os meus peitos.”

Engulo. “A gravidez definitivamente fica bem em você.”

Ela coloca a mão em sua barriga. “Eu não estou ansiosa por
engordar.”

Aparentemente, os seus seios inchados me fazem delirar.


Porque o pensamento de uma Gia curvilínea com uma barriga
grande, redonda e cheia e um pouco de flacidez em seus peitos
empertigados realmente me faz ficar duro no consultório do
médico. “Você vai ser sexy para caralho grávida.”

Ela pensa que estou tentando fazê-la se sentir melhor. De


pé ao lado da mesa de exame, ela aponta para a cadeira atrás de
mim. “Você vai ter que continuar mentindo para mim quando eu
começar a gingar. Pode me passar a minha camisa?”

Mesmo que a sua bata tenha acabado por se abrir, Gia vira
as costas para mim para vestir a sua camisa. Ela não é
normalmente modesta sobre seu corpo, assim isso me faz pensar
que ela realmente acha que não é atraente grávida.
A batida na porta veio antes que eu pudesse retificar isso.
A assistente da técnica entra e estende a mão para nós dois. “Eu
sou Jessica Abbot. Eu vou ver você de vez em quando ao longo de
sua gravidez. Geralmente depois de uma ultrassonografia, ou vou
ligar para você com os resultados do laboratório. Eu só dei uma
olhada rápida em seu ultrassom e pelas medidas a data do
nascimento é a inicialmente prevista. O seu bebê parece bem e
saudável. Existem quaisquer perguntas que você tem para mim
hoje, sobre a ultrassonografia ou não?”

Gia sacode a cabeça. “Eu penso que não.”

“OK. Bem, você pode continuar com as suas atividades


regulares, que tinha antes da gravidez. Trabalho, sono, sexo, tudo
como de costume.”

Gia olha para mim e depois para a assistente. “É normal


que a gravidez afete... a sua libido?”

“Sim. Muito. Muitas mulheres experimentam uma


diminuição no seu desejo sexual durante a gravidez. Muitas vezes
é no primeiro trimestre e, em seguida, ele volta como uma
vingança para o fim.”

“Oh.”

Olho para Gia. O seu rosto começa a ficar rosa. Ela tem
vergonha de perguntar alguma coisa... talvez porque estou ao lado
dela. Eu aponto para a porta. “Você quer que dê a vocês duas um
minuto para conversar?”

Gia balança a cabeça antes de tomar uma respiração


profunda, virar-se para a assistente do PA e dizer: “Eu acho que
tenho o problema oposto.”

A assistente sorri. “Oh. Eu sinto muito. Eu interpretei mal


o que está dizendo. Sim, definitivamente é normal ter um aumento
do desejo sexual. A experiência de cada mulher é individual para
cada gravidez particular e algumas terão um aumento do apetite
sexual que flutua, enquanto outras podem não ter nenhum desejo
durante toda a gravidez. Mas você é jovem e saudável, por isso não
há razão para não se divertir, se o desejo é mais forte do que o
normal.”

Porra. Gia apenas disse a esta mulher que ela está com
tesão. Todo. O. Tempo.

“Então... qualquer tipo de sexo está bem? Eu não vou


machucar o bebê?”

Onde diabos ela está querendo chegar?

“Contanto que você não desafie a si mesma muito


fisicamente, sim. O seu parceiro não vai machucar o bebê, se esse
é o seu medo.” Ela olha para mim e depois para Gia. “É realmente
uma preocupação comum em casais. Então, eu estou feliz que
você está perguntando, se isso está pesando em sua cabeça.”

Gia morde o lábio inferior. O seu rosto fica vermelho rosa


agora. “E sexo... sem um parceiro?” Ela faz um gesto entre nós
dois. “Nós não somos... e eu queria perguntar ao meu médico na
última consulta, mas ele é um homem e ele é mais velho... e eu
gostaria de usar um...”

Enquanto eu estou completamente perdido sobre onde no


inferno Gia quer chegar, aparentemente, o código secreto que ela
está falando faz sentido para a assistente. “Oh. Eu sinto muito.
Sim absolutamente. Você pode usar com segurança um vibrador
ou quaisquer outros brinquedos que você usa regularmente. Não
é um problema em tudo.” A mulher cava em seu bolso e tira um
cartão de visita. “Eu totalmente entendo por que fazer essa
pergunta ao Dr. Daniels pode ter sido difícil. Ele é um médico
maravilhoso, mas eu entendo. Por favor... ligue-me a qualquer
momento se você quiser discutir qualquer coisa.”

As duas conversam por mais alguns minutos, mas não ouço


a porra de uma palavra. O meu cérebro está totalmente preso no
fato de que Gia está com tesão e prestes a ir para a cidade sozinha,
com o seu vibrador.
Capitulo 23

“Está tudo bem?” Rush não tinha dito uma palavra desde
que deixamos o consultório médico e nós já estamos a meio
caminho da minha casa.

“Tudo bem.”

“Será que você se assustou por ir comigo? Sinto muito se


pedi demais.”

“Não. Eu gostei de você ter me pedido.”

Ver os nós dos seus dedos ficarem brancos do aperto de


morte que ele tem sobre o volante e ouvir as suas respostas curtas,
não me faz sentir como se ele tivesse gostado de ir.

Fico olhando para as imagens do ultrassom e tento me


convencer de que estou paranoica e que nada está errado. Mas
sinto como se tivesse cometido um grande erro por recorrer a
Rush. É pedir muito para alguém e eu realmente preciso aprender
a ficar de pé sozinha. Nas últimas semanas, pesei os prós e
contras da oferta de Rush para me ajudar, para ficar em sua casa
até depois do bebê nascer. Hoje me fez perceber que não é uma
boa ideia. Ele tem um grande coração e eu acredito que a sua
oferta é sincera, mas é injusto sobrecarregar alguém com meus
problemas. Eu preciso libertá-lo. Por mais que esse pensamento
me eviscere, sei que é a coisa certa a fazer. É como ter uma ferida
coberta que dói quando você a toca, uma vez que decidi que é hora
de rasgar o Band Aid fora, acho melhor fazer isso de uma maneira
rápida.

“Tenho pensado muito recentemente. E, embora a sua


oferta seja extremamente generosa, não vou ficar aqui após o
verão acabar.”

Rush continua a olhar para fora da janela, mesmo depois


que ele para no meio-fio. Ele finalmente se vira para mim. “O quê?
Por quê?”

“Preciso fazer isso sozinha, Rush. Se ficar aqui com você,


vou apenas me manter encostada em você e isso não é justo para
nenhum de nós.”

Ele olha para trás e para frente entre meus olhos. “Eu quero
que você se apoie em mim.”

Toco o seu braço. “Eu sei que você quer. Porque você é um
bom homem, Rush. Mas isso só vai fazer com que seja mais difícil
eu me afastar a certa altura. E eu vou impedi-lo de seguir em
frente. Veja o que aconteceu na outra noite, quando tentou ficar
com outra mulher. Você é o homem mais leal que já conheci.
Percebo agora que você não irá seguir em frente comigo aqui,
mesmo que você queira. E, honestamente, nem eu.” Sinto
lágrimas nos meus olhos. “Então, eu acho que é a hora. Às vezes
você tem que deixar de lado as coisas que você nunca teve
realmente.”

Rush fica parado com os olhos fechados, então aproveito a


oportunidade para sair do carro antes que ele me veja quebrar.
“Obrigada por me levar hoje, Rush.”

Eu consigo chegar à porta segurando as minhas emoções,


mas com o tempo que levo tentando colocar a chave na fechadura,
as lágrimas não derramadas turvam a minha visão e deixo cair as
minhas chaves no chão. Abaixo-me, mas uma grande mão as pega
antes que eu possa pegá-las.
A voz de Rush está logo atrás de mim quando me levanto,
mas eu não posso me virar.

“Eu sou um idiota,” diz ele com uma voz baixa e tensa. Isso
faz as minhas lágrimas caírem mais rápido. Eu olho em frente
para a porta.

“Não. Você não é. Eu sou a idiota.”

“Você disse que eu sou o homem mais leal que você já


conheceu. Esse é o meu maior medo. Que eu não possa viver de
acordo com isso. Essa parte de mim é como o meu pai. Você me
vê do jeito que você quer me ver. Não como um homem que fode
uma dúzia de mulheres diferentes em todos os verãos e nunca
pensa que as fere quando sai porta afora na manhã seguinte.”

Viro-me e encontro lágrimas nos olhos de Rush, também.


Estendo a mão, limpo uma bochecha com o polegar, depois a
outra. “Elas são adultas que consentiram. Você não prometeu
nada a elas ou as enganou. Lealdade é se comprometer com a
verdade para si mesmo e para aos outros. Você sempre foi
verdadeiro no que você quer delas. Mas o que você me deu,
também é a sua verdade e é porque você é tão leal, que tenho que
ser a única a ir embora.” Coloco a minha mão sobre o seu coração.
“Você prometeu ‘estar lá’ para mim aqui. E se eu ficar, você estará.
Porque a sua lealdade é inabalável. Essa é a razão pela qual tenho
que ir, porque é a sua lealdade que não vai deixar você ser a
pessoa a se afastar.”

Rush olha para baixo e toma algumas respirações


profundas. Eu sei que mostrar o quão vulnerável ele está não é
fácil, então eu não insisto. Quando ele olha para cima, olha direto
nos meus olhos. “Você realmente sempre teve.”

“A sua lealdade?”

Ele balança a cabeça. “Você disse que, às vezes você tem


que deixar de lado as coisas que você nunca teve realmente. Você
teve o meu amor desde o primeiro dia. Você me teve desde o
primeiro dia. Sou muito covarde para admitir isso.”

O meu coração começa a bater mais rápido. Eu tento pará-


lo, com medo de me permitir ter esperanças, com medo de que ele
esteja dizendo algo diferente do que eu quero pensar que ele está
dizendo. Mas por dentro, meu peito troveja como um trem
desgovernado.

Rush segura ambas as minhas bochechas. “Gia Mirabelli,


eu estou tão apaixonado por você, que não consigo pensar direito.
Não há nenhuma maneira no inferno que eu vá deixar você ir. Não
desta casa. Não do The Heights. Não da minha vida. Isso me
assusta muito, mas percebi hoje, vendo aquele garotinho na tela,
que não sou apenas apaixonado por você. Estou também
apaixonado por esse pequeno alienígena crescendo dentro de você.
Eu quero tudo isso. Quero as fodidas bonecas em meus armários.
Quero segurar o seu cabelo para trás quando você estiver
vomitando as suas entranhas. Quero comer Chunky Monkey com
você do pote, enquanto nos deitamos nus na cama às duas da
manhã. E eu definitivamente, definitivamente, quero ser o único
a cuidar de você quando você tem um apetite sexual maior.”

Lágrimas escorrem pelo meu rosto. De todas as coisas que


ele prometeu, por algum motivo estúpido, fico presa no sorvete.
Talvez seja porque no fundo já sei que ele quer manter o meu
cabelo para trás e cuidar de mim, mas acho que ele poderia estar
louco por pensar que iria me querer com o passar dos meses. “Eu
vou ficar grande e gorda de tanto sorvete.”

Ele dá um passo para mais perto e passa a mão ao longo da


curva do meu quadril. “Pode vir. Tenho imaginado você cerca de
vinte quilos mais pesada e redonda quando me masturbei nos
últimos dias. Acho que poderia ficar com você dessa forma após a
gravidez.”

Eu rio, mas tão louco quanto parece, sei que ele está me
dizendo à verdade. “Eu acho que você está um pouco louco.”
O seu belo rosto fica sério novamente. “Desculpe-me, eu
tenho te afastado e fiz você se sentir mal. Mas eu não irei mais ser
um covarde. Quero você, apesar de todos os meus próprios medos
que não têm nada a ver com você e apesar do fato de que você
provavelmente merece alguém melhor do que eu. Por favor, me
perdoe e me diga que você não vai embora e que vai ficar comigo.
Realmente ficar comigo neste momento.”

Eu não tenho que pensar sobre a questão. Embora, eu


provavelmente devesse ter lhe dado algum aviso de que a minha
resposta ia ser mais do que apenas vocal. Eu pulo para os braços
de Rush, faço-o tropeçar para trás alguns passos e quase caindo
quando ele cambaleia na varanda da frente. “Sim! Sim!” Eu planto
um beijo em seus dentes quando ele abre a boca para rir.

Balançando a cabeça, ele diz: “Podemos levar isto para


dentro agora? Estou pensando que é hora de selar o acordo sobre
essa relação.”

“O que diabos está errado com você?” Eu olho para mim


mesma no espelho do banheiro. Eu disse a Rush para ficar
confortável, enquanto eu me tranco no banheiro para controlar os
meus nervos. Eu já tinha estado com este homem. Ele já tinha
visto o meu corpo nu e me feito sexo oral. E há menos de dez
minutos ele declarou o seu amor por mim e o feto de outro homem.
No entanto, estou literalmente tremendo. Escovo os dentes, lavo a
minha boca e olho para o meu reflexo por mais alguns minutos.
“Ele disse que te ama. Agora, o que você está esperando?”

Uma batida suave vem da porta. “Tudo bem aí?”

“Sim. Vou ficar bem.”


Dez minutos mais tarde, quando ainda estou lá dentro
tentando fazer com que as minhas pernas deixem o banheiro, há
outra batida na porta. “Gia?”

Parece que ele está mesmo do outro lado da porta. Vou até
lá e inclino a minha cabeça contra ela. “Sim.”

“Estou nervoso, também. Se isso a ajuda de alguma forma.”

Os meus ombros relaxam. “Você está?”

“Sim. Você me assusta para caralho.”

Eu sorrio, mas mesmo assim não abro a porta. “Por que


estamos com tanto medo um do outro agora, Rush?”

“Porque quando você finalmente aceita que encontrou a


pessoa certa, é aterrador que você possa perdê-la e depois nunca
mais haverá outra.”

Eu acho que meu coração realmente incha um pouco em


meu peito. “Meu Deus. Essa é a coisa mais romântica que eu já
ouvi alguém dizer.”

“Ah, é?” Diz. “Bem, venha aqui e deixe-me fazer coisas


românticas para você, linda.”

Respiro fundo, destranco a porta e abro-a. O seu sorriso faz


os meus joelhos ficarem fracos quando ele estende a mão para
mim. Dar a minha mão a ele é colossal, como se o meu coração
estivesse se rendendo. Rush foi tão doce, tão aberto, mas
nenhuma dessas coisas me faz relaxar como quando ele,
abruptamente, puxa a minha mão e me aperta contra ele, forte. A
aspereza que sinto parece o meu Rush novamente. O meu Rush.

Pressionada contra ele, ele coloca as minhas duas mãos


atrás das minhas costas e as prende lá com uma das suas. A sua
outra mão agarra a minha nuca e sua boca sela a minha.

Eu grito entre nossos lábios juntos, quando Rush me pega


em seus braços e me carrega até a cama. De alguma forma
conseguimos não quebrar o beijo enquanto ele me coloca no
colchão e sobe em cima de mim. Todo o nervoso que sentia apenas
há alguns minutos foram expulsos pelo desejo carnal que sinto
por este homem. O beijo que tinha começado quente e macio,
rapidamente aquece e passa a quente e selvagem. Rush usa um
joelho para cutucar as minhas pernas, abrindo-as e, em seguida,
enterra os seus quadris. A sensação de seu pau duro pressionado
contra o meu núcleo me faz gemer. Eu mal posso esperar para tê-
lo dentro de mim.

Rush sente a minha necessidade, põe fim ao beijo e se


afasta. A minha cabeça está literalmente tonta. Ele nunca afasta
os olhos dos meus quando tira a sua camisa e, em seguida,
escorrega a minha sobre a minha cabeça. A sua língua corre ao
longo de seu lábio inferior quando ele olha para o meu sutiã.
Quando o seu olhar volta a encontrar o meu, engole antes de falar.
“Você precisa que seja suave, baby?”

Eu balanço a minha cabeça.

Um sorriso malicioso se espalha pelo seu rosto. “Obrigado,


caralho.”

Rush tira o resto de nossas roupas tão rápido, que parece


que uma de suas mãos me despe e outra arranca as suas calças.
Recostando-se em cima de mim, esfrega o seu pênis nu para cima
e para baixo entre as minhas pernas e, em seguida, pressiona com
força contra meu clitóris. Penso que posso gozar apenas com o
atrito. O brilho em seus olhos me diz que ele sabe exatamente o
que está fazendo comigo. Mas dois podem jogar o seu jogo. Abro
as minhas pernas tanto quanto posso e deslizo uma de minhas
mãos entre nós e o agarro. Percebo que a minha mão não pode
envolver totalmente a sua grossura, eu estou grata pelo quanto
este homem me excita, porque eu estou pronta para tudo dele.

Os nossos olhos estão fechados quando ele começa a


empurrar dentro de mim. Ele balança os quadris, facilitando a
entrada do seu comprimento duro e grosso dentro e fora algumas
vezes. Engulo em seco quando ele me penetra e afunda dentro de
mim.

Rush para e eu sinto o seu corpo começar a tremer. “Porra,


Gia. Porra. Este é o lugar onde eu quero estar desde o dia em que
te conheci. Profundamente dentro de você, como você está dentro
de mim.”

Ele toma a minha boca com o mais belo beijo enquanto


desliza dentro e fora e depois volta a me observar. O verde de seus
olhos escurece quase em um cinza, enquanto as suas estocadas
se tornam mais e mais poderosas. Eu já fiz sexo antes, mas nunca
soube, até aquele momento, que eu nunca tinha feito amor. Os
nossos corpos se tornaram um, mas são os nossos corações e
almas se ligando que fazem o ato ser muito mais do que apenas
físico. Todo o resto do mundo deixou de existir, exceto nós.

A mandíbula de Rush aperta e ele rosna: “Eu quero encher


essa doce buceta uma e outra vez, todos os dias, porra.”

Foi isso. O que quer que fosse o último pedaço de controle


que eu tinha, foi completamente aniquilado ao ouvir o desespero
em sua voz. Ondas começam a se formar. O meu corpo inteiro
zumbe com a necessidade. Lágrimas de alegria enchem os meus
olhos. Rush alcança e levanta uma das minhas coxas para o ar, o
que lhe permite ir ainda mais fundo no meu corpo. Eu gemo
quando o meu orgasmo rasga através de mim e Rush responde me
fodendo mais e mais duro. Ele grita quando me penetra uma
última vez e se planta tão profundo quanto ele pode, antes de
gozar dentro de mim.

Depois, ele me beija suavemente enquanto continua a se


mover, me diz o quão bonita sou e quanto ele me ama. Ocorre-me
que eu não disse isso a ele de volta. Mesmo que tenha certeza que
ele sabe, é hora. “Rush?” Eu sussurro.
“Hmmm?” Ele arrasta um caminho de beijos carinhosos da
minha orelha até o meu pescoço e depois volta para cima até o
meu queixo, antes de nossos lábios se encontrarem.

"Eu também te amo.”

O seu sorriso é de orelha a orelha. “Bem, isso é bom. Porque


eu também te amo. Mas não T-Oh-Oh, too.” Ele desce pelo meu
corpo e dá um beijo na minha barriga. “Porque eu te amo, T-W-
Oh, Two.”21

21Jogo de palavras com too que é também em inglês e two que é dois, ou seja ele diz que não ama só ela mas
também o bêbe.
Capitulo 24

Adoro explorá-la enquanto ela dorme.

Quando círculo o meu dedo indicador ao redor de seu


mamilo, juro que a sua auréola parece maior e mais escura do que
ontem. O seu corpo está mudando a cada dia, como uma flor
lentamente florescendo. E porra... Eu amo tanto isso. Eu amo
tanto Gia.

Fazer esse tipo de compromisso com alguém é assustador


como tudo, caralho, mas não quero que seja de maneira diferente.
Aceitar os meus sentimentos é a melhor coisa que já fiz. É tão bom
não ter que lutar mais contra eles. O medo não foi embora. A
diferença é que eu estou deixando ele estar lá, digo-lhe para se
foder, enquanto vivo a minha vida e amo essa menina. Apesar de
estar mais assustado do que eu jamais estive em toda a minha
vida, nunca estive mais feliz, também. O que supera todo o resto.

Deslizo a minha mão lentamente para baixo em seu


abdômen, antes de deslizar os dedos dentro dela. Ela está
molhada. O apetite sexual de Gia é voraz, mesmo dormindo.

O seu corpo se agita e, em seguida, ela estende a mão para


mim. “Ei... você está tentando alguma coisa?”

Eu lentamente tiro os dedos dela. “Estou. Você me dará?”

Ela sobe para cima de mim, me beija duro nos lábios. “Eu
pensei que você podia estar cansado de mim, depois de todas as
vezes que me teve na noite passada.”
“Não, caralho.” Eu aperto a sua bunda. “Você sabe que
existe uma coisa chamada pregnofilia?”

“Oh meu Deus... o quê?”

“É um fetiche. Eu pesquisei no Google alguém que não se


cansa de mulher grávida e foi o que surgiu. Eu acho que posso ser
um pregnofilista.”

Ela acha divertido. “Eu pensei que você estava apenas


dizendo isso por dizer, a princípio, mas agora, estou começando a
acreditar.”

Pego a mão dela e a coloco no meu pau rígido. “Acredite


nisso.”

Gia me monta antes de deslizar o meu pau em sua boceta


molhada. O sentimento de afundar em sua buceta quente é como
nenhum outro. É realmente assim que imagino que o céu se
pareça.

Ela começa a moer seus quadris em cima de mim. Eu amo


ter sexo com ela em qualquer posição, mas quando ela me monta,
sempre parece que estou mais fundo dentro dela. Eu amo a
possibilidade de assistir as mamas dela saltarem e poder colocar
as minhas mãos sobre diferentes partes de seu corpo, explorar o
seu rosto, os seus quadris, a sua bunda. Quase me faz sentir
culpado por ser capaz de me sentar enquanto ela faz todo o
trabalho, exceto pelo fato de que ela realmente parece adorar estar
no topo, parece amar estar no controle.

Sabe o que mais eu amo, caralho? Ser capaz de transar com


ela sem camisinha. Antes dela, eu nunca tive chance de fazer com
ninguém, sempre me cobri. Transar com ela nu, parece quase bom
demais e tenho que constantemente me parar para evitar gozar
cedo demais. Felizmente, Gia está tão excitada que nunca leva
muito tempo para gozar.
Desta vez não foi exceção. Quando desaba em cima de mim,
palpitando sobre meu pau, gozo dentro dela até não sobrar mais
nada.

Gia desaba sobre o meu peito. “Como me tornei tão


sortuda?”

Acaricio o seu cabelo por um tempo antes de dizer: “Eu sou


o sortudo.”

Nós ficamos ali em silêncio. Eu não sei o que me faz dizer:


“Eu sinto muito por aquele bastardo no The Heights, seja lá quem
ele for, porque ele não sabe o que está perdendo.” Eu solto um
suspiro. “Foda-se. Eu não sinto pena dele. Fico feliz que ele tenha
sumido.”

Ela deita a cabeça sobre mim e fica em silêncio por um


tempo antes de dizer: “Eu desejava que este bebê fosse seu. Eu
daria qualquer coisa para isso.”

As suas palavras apertam o meu peito. Claro, eu queria que


fosse esse o caso. Mas pensar nisso de qualquer forma é inútil.
Nós nunca poderemos mudar o fato de que ele não é meu.

“Eu gostaria, também, por razões de ego, mas você sabe...


ele nunca vai sentir que não tem um pai. Eu sempre estarei lá
para ele e para você. No final, não vai fazer diferença quem foi o
seu doador de esperma.” Eu a abraço mais apertado. “As coisas
são do jeito que estão destinadas a ser. Você, na vida, não conhece
pessoas por acidente. Era para esse cara sumir e você deveria me
conhecer. Está tudo escrito nas estrelas.”

Ela levanta a cabeça para encontrar os meus olhos. “Eu não


sabia que você é tão filosófico.”

“Você conheceu a minha mãe?”

Ela ri. “Isso é verdade.”


Quando o seu sorriso desaparece, pergunto: “O que há de
errado?”

Ela esfrega a sua barriga. “Muito em breve, não vamos ser


capazes de esconder isso. Como posso explicar isso para as
pessoas no trabalho?”

“Você não tem que explicar nada para eles. Você não deve
uma explicação a ninguém.”

“Mas eu quero fazê-lo antes que comecem a falar. Eu sinto


que eu só preciso colocar tudo para fora e ser a única a controlar
quando descobrirem, antes de começarem a cochichar sobre o
meu tamanho.”

Eu não quero que isso a estresse e jurei a mim mesmo que


eu iria cuidar das coisas.

“Não se preocupe com nada. Eu vou lidar com isso.”

No dia seguinte, no The Heights, convoco uma reunião de


pessoal obrigatória, mesmo após o fechamento. Eu quero todos lá,
para que não tenha que me explicar duas vezes. Se os funcionários
não estão nesse turno, eles ainda foram chamados e pagos por
essa hora.

Eu fiz isso especificamente durante a noite de folga de Gia,


de modo que ela não tivesse que lidar com isso.

Todos se reuniram em torno de mim. Escolhi a área do bar


no andar de baixo, como o local para o nosso encontro informal.
As pessoas estão definitivamente confusas. Acho que elas podem
ter pensado que eu ia fechar o The Heights, porque não é comum
eu convocar uma reunião.
Quando parece que todo mundo está lá, eu limpo a minha
garganta para chamar a sua atenção. “Eu vou ser breve. Sei que
estamos todos cansados e já é tarde, então não vou mantê-los aqui
um segundo a mais do que é preciso.” Respiro fundo. “Vocês
sabem que eu normalmente não falo sobre a minha vida pessoal,
porque geralmente não tem nada a ver com o negócio, mas como
Gia é uma empregada aqui, eu não quero que ela tenha que se
preocupar com as pessoas falando nas suas costas.” Inalo antes
de cuspir tudo para fora. “Ela e eu estamos juntos. Ela é minha
namorada.” Faço uma pausa. “Eu a amo. E nós também vamos
ter um bebê. Se vocês tiverem dúvidas ou preocupações sobre a
notícia, vocês podem me procurar. Mas eu não quero que ninguém
a faça se sentir desconfortável por causa disso, ou a trate de forma
diferente, a menos que seja para fazer o seu trabalho mais fácil.”
Eu balanço a cabeça uma vez. “Eu não tenho mais nada a dizer.”

Vou embora e deixo os rumores e sussurros da minha


equipe para trás. Ninguém teve a chance de me felicitar ou mesmo
responder. O que está bom para mim.

Passos largos me seguem. Eu sei exatamente quem é antes


de sua voz profunda vir de trás de mim. “Uau. Uau. Uau. Você
acha que vai fazer um anúncio como esse e não ter de lidar
comigo? Está muito enganado.”

Quando Oak me segue até meu escritório, eu não posso


evitar o sorriso no meu rosto, porque sei que ele vai ter um dia
cheio com isso.

Viro-me para encará-lo e suspiro. “Desculpe-me, eu não ter


lhe dito primeiro. Procurei-o mais cedo, mas você estava ocupado
separando uma briga e depois a noite simplesmente voou.”

“Isso é real?” Ele sorri.

“Sim. É real.”
Oak me pega de surpresa quando ele se aproxima e me dá
um grande abraço de urso. “Eu não podia estar mais feliz por você,
cara. De quanto tempo ela está?”

Eu procuro em meu cérebro uma resposta que espero que


faça sentido.

“Dois meses...”

Dois meses e mais qualquer coisa.

“Vocês estão juntos há um tempo, então. Você me enganou.


Isso explica muito sobre o seu comportamento louco, no entanto.”

“Nós não dissemos nada a ninguém, até decidirmos as


coisas.”

Ele coloca a mão no meu ombro. “A paternidade é um


presente. Estou feliz que você vai ter essa experiência. Estava
preocupado que você não iria vivê-la, porque você é teimoso.”

“É algo que pensei que não queria, Oak. Mas acho que
quando você encontra a pessoa certa, tudo muda.”

“Está totalmente certo.” Ele continua balançando a cabeça


e sorri. “Eu sempre soube que você e Gia iriam acabar juntos um
dia. Estou feliz que você finalmente viu isso, também.”

Naquela noite a caminho de casa, eu ia acender um cigarro.


Pela primeira vez, eu realmente paro para pensar sobre o fato de
que preciso desistir, por causa do bebê. Eu não posso fumar perto
dele e não posso estar fumando ao lado de Gia mais, também.
Jogo o meu cigarro apagado pela janela e decido dar uma
verdadeira oportunidade para parar de fumar desta vez.

Então, pego o telefone e disco o número de Gia. Quando ela


atende, simplesmente digo: “Você sabe aquela situação no
trabalho sobre a que você está preocupada? Eu cuidei disso.”
Algumas noites depois, Gia e eu íamos comer quando eu
digo: “Você se importa se pararmos na minha casa rapidinho?”

“Não, não de todo. Você sabe que eu amo a sua casa.”

Eu não pedi a ela para morar comigo. Estávamos juntos


todas as noites, às vezes na minha casa, às vezes na dela. Mas eu
não quero apressar as coisas. Ainda assim, quero que ela saiba
que estou totalmente comprometido, por isso passei um bom
pedaço desta semana reunindo uma pequena surpresa para ela.

Quando entro em minha casa, a levo para o quarto de


hóspedes. “Eu quero te mostrar algo.”

Ela parece desconfiada quando sorri. “Ok...” Quando abro a


porta, ela engasga. “De jeito nenhum!”

“Passei a semana mudando o quarto de hóspedes para um


berçário. Você gosta?”

O quarto tem aspeto de um espaço recém-decorado. A


minha mãe pintou um mural na parede da lua e das estrelas. Eu
montei um berço branco e todo o quarto está em tons de azul e
cinza para combinar com a parede. Um móvel para mudar fraldas
está no canto. Ele está totalmente abastecido com suprimentos. O
quarto está pronto para ser usado.

Ela caminha ao redor, absorvendo tudo. “Eu... eu adoro


isso. Será que projetou tudo isso sozinho?”

“Eu posso ter tido uma pequena ajuda de minha mãe. Ela
pintou essa parede, na verdade. Ela esteve aqui toda a semana e
você nem soube. Mas eu escolhi a roupa de cama e as outras
coisas. Eu percebi que é bem neutro em relação ao gênero com o
cinza misturado no... apenas no caso de ele acabar por ser uma
menina.”
Ela é bonita sem palavras.

“Eu não sei o que dizer. Esta é a coisa mais incrível que
alguém já fez por mim.”

Beijo-a na testa e digo: “Eu não quero que você pense que
eu estou pressionando você a se mudar. Não é disso que se trata.
Este quarto é para o bebê tanto se você viver comigo ou não. Essa
é sua escolha. Mas eu percebi que ele vai precisar de um lugar
para dormir, quando você estiver aqui.”

Não há nada mais que eu queira do que Gia se mude para


a minha casa. Mas ela é muito independente e eu não quero
pressioná-la. Já há bastante mudanças acontecendo. Ao mesmo
tempo, quero que ela saiba que a minha casa é sua casa.

Gia vai até o canto da sala e pega um urso de pelúcia que


está sentado na cadeira de balanço. Ela o abraça e me choca
quando começa a chorar.

Ela enxuga os olhos. “É estranho que eu simplesmente não


me sinta merecedora de tudo isso?”

“Por que não?”

“Apenas algumas semanas atrás, eu senti que a minha vida


tinha acabado, como eu ia começar do zero e encontrar o meu
caminho de volta. Então, você disse que me amava e aceitava o
meu bebê e a mim. E só... virou o meu mundo de cabeça para
cima novamente. Aceitar o meu filho como seu próprio é uma
tarefa enorme. Eu sinto que você está me dando tanto,
sacrificando tanto e tudo o que tenho para dar é o meu amor.”

Envolvo as mãos em volta do seu rosto e olho em seus olhos.


“Isso é tudo que preciso. É algo que apenas algumas pessoas têm
realmente me dado nesta vida. Você subestima o quanto isso
realmente significa para mim.” Eu a levo até a cadeira de balanço
e puxo-a para o meu colo. “Você nunca sabe quando o jogo vai
virar na vida, Gia, ou o que vai acontecer. Mas eu sei que se algo
inimaginável acontecer, que você fará qualquer coisa por mim. E
quando se trata de você e este bebê... sim, é um empreendimento
enorme... mas sacrifício não é a palavra certa, é uma honra.”
Capitulo 25

É o terceiro vestido preto que experimento em dez minutos.


Puxo-o sobre a minha cabeça e jogo-o no chão.

Nada me serve mais, mas estou determinada a me espremer


em algo que tenha. E tem que ser preto.

O suor está aparecendo em minha testa, quando Rush entra


bem no meio da minha crise de guarda-roupa.

“O que está acontecendo aqui?”

“Devia ter comprado uma roupa nova para esta noite.


Nenhuma das minhas roupa me cabe. Estou nesse momento
estranho, onde eu realmente não estou mostrando, mas pareço
gorda e não entra nenhuma das minhas roupas.”

Parecer bem esta noite é fundamental, pois iria encontrar a


família de Rush. Está certo que ele não se dá bem com eles, mas
isso não significa que eu não quero ter uma boa aparência.

Rush me surpreendeu quando me pediu para acompanhá-


lo à festa de aniversário de seu irmão, de quem é afastado, na
cidade. Embora esteja curiosa para conhecer as maçãs podres da
família - o seu pai e irmão - isso me deixou muito nervosa. Mas
ele me disse que tinha prometido a sua cunhada, a que eu tinha
conhecido no The Heights, que ele pelo menos, iria aparecer.

Rush tinha uma camisa extra, de colarinho, pendurada em


meu armário de uma das últimas vezes que tínhamos saído e
fomos a um restaurante chique. Ele a pega e diz: “Faça-me à
vontade. Tente esta camisa.”

“Você está brincando comigo?”

“Não. Ela precisa ser engomada, mas a coloque um minuto.


Eu tenho uma ideia.”

Embrulho-me na grande camisa preta e rio enquanto a


abotoo. Na verdade, ela é comprida o suficiente para usar como
um vestido, mas ela é muito folgada.

Rush agarra um cinto vermelho, grosso de verniz que está


pendurado no meu armário e o coloca na minha cintura. Ele puxa
um pouco de tecido para cima na cintura, em seguida, rola as
mangas até meio do braço e ajusta o colarinho.

Fico ali sem palavras enquanto ele vai à minha caixa de


joias e pega um colar de pérolas que pertenceram à mãe de meu
pai. Levanta o meu cabelo para cima e o prende em volta do meu
pescoço.

Ele então me leva até o espelho que está colocado na parede.

Rush coloca as mãos sobre meus ombros, por trás de mim.


“O que você acha?”

O conjunto parece realmente bem. Eu não posso acreditar


que ele se lembrou disso, que esta camisa podia ser usada como
um vestido e ainda parecer elegante.

“Eu amo isso. Está perfeito. E isso não me faz sentir gorda.
Eu nunca teria imaginado você como um estilista.”

“Eu não sou. Sou apenas bom em pensar numa saída em


tempos de crise.” Ele aponta para os sapatos que estão alinhados
no chão do closet. “Esses saltos vermelhos, ficará perfeita com
eles, também.”
Viro-me e coloco os meus braços em volta do seu pescoço.
“Você é como o meu herói hoje à noite, você sabe disso? Devo-lhe
um bom tempo depois.”

“Eu tenho certeza de que vou amar tanto tirá-la, ou até


mais, do que eu amei colocá-la.”

Rush dedilha ao longo do volante durante a viagem de carro


para a cidade. Ele definitivamente parece tenso, o que é
compreensível.

Coloco a minha mão em seu joelho. “Você tem certeza de


que quer fazer isso? Não temos que ir. Nós poderíamos
simplesmente sair para comer em outro lugar.”

“Eu disse à mulher do meu irmão que iria aparecer. Ela está
me implorando por semanas. Ela está delirante, porque ela acha
que de alguma forma o meu relacionamento com ele pode ser
reparado. Eu só faço isso por ela. Ela sempre foi boa para mim.
Mas, honestamente, uma parte de mim quer apenas aparecer para
criar-lhe um mal-estar em seu aniversário, porque ele é um
babaca. Então, é isso.”

“Não temos de ficar muito tempo se você vai ficar chateado


por estar perto deles.”

“Eu vou ficar bem. Eu sou um menino grande. Eu lido com


eles o tempo todo em reuniões de negócios. Algumas horas em
uma festa não vão me matar.”

O fato de que ele não está mais fumando não passou


despercebido por mim.

“Eu quero que você saiba que estou tão orgulhosa de você
por não estar acendendo um cigarro agora, porque sei que você
realmente quer. Você normalmente estaria fumando um atrás do
outro em uma situação como esta.”

“Sim. Não vamos nem mencionar os cigarros, ok?”

Eu me encolho. “Desculpa.”

Ele olha para mim. “Tem alguma outra ideia para aliviar o
stress, enquanto eu estou dirigindo?”

“Eu iria chupar você agora, você sabe. Não me tente.”

“Nah. Eu não vou deixar você tirar o seu cinto de segurança,


não com a minha carga preciosa. Eu posso deixar você fazer isso
no banheiro na casa do meu irmão, apesar de tudo.”

“Qualquer coisa para fazer você se sentir melhor.”

Ele levanta uma sobrancelha. “Você vai fazer qualquer


coisa, hein?”

“Praticamente.”

“Essa é uma das coisas que eu amo em você, linda.”

Uma vez em Manhattan, estacionamos perto da casa do


irmão de Rush, em seguida, caminhamos algumas quadras até o
prédio de luxo.

Um porteiro verifica os nossos nomes em uma lista e nos


leva a um elevador privado que vai até a suíte da cobertura.

Assim que as portas se abrem uma onda de calor me atinge,


quando entramos na sala lotada. Garçons transportam bandejas
de canapés e champanhe. As luzes da cidade iluminam o espaço
através das enormes janelas do chão ao teto. Alguém está tocando
um piano de cauda em uma extremidade da sala de estar.

Então, muitas pessoas estão falando uns com os outros, o


que faz tudo soar abafado. Eu realmente desejava poder beber.
Conhecer novas pessoas sempre me deixa um pouco nervosa, mas
especialmente neste caso, dada a tensão entre Rush, seu pai e seu
irmão.

Rush vai me buscar um copo de água. Ele volta com um e


uma taça de champanhe para si mesmo.

A mulher loura bonita que me lembro de ver no The Heights,


caminha em nossa direção com um grande sorriso no rosto.
“Rush! Estou tão feliz que você pode vir.”

Ela usa um vestido longo, preto que parece muito formal


para uma festa de aniversário, mesmo uma tão pomposa como
essa.

“É bom ver você, Lauren,” diz ele.

Ela se vira para mim. “Gia, certo? É bom ver você de novo.”
Ela me dá um vislumbre de seus dentes brancos e brilhantes
antes de dar mais uma rápida olhadela em mim. Eu me pergunto
se ela descobriu que estou usando a camisa de Rush.

Lauren parece que acabou de fazer um bronzeamento


artificial. Parece que brilha, como se tivesse pedacinhos de brilho
sobre a sua pele impecável. Os seus cachos dourados estão
enrolados.

“Prazer em vê-la novamente, também.” Eu sorrio.

“Por favor, sirvam-se de alguns aperitivos e bebidas. Temos


o restaurante favorito de Elliot, La Grenouille, servindo o jantar
mais tarde, por isso guarde algum espaço.”

Alguém vem e a leva embora com outra conversa.

Viro-me para Rush e pergunto: “Onde está o seu irmão?”

Ele bebe o resto de seu champanhe e examina a sala. “Eu


não o vi ainda.”

“Você acha que ele vai ser um idiota para você?”


“Não. Ele vai ser falso e simpático na frente de outras
pessoas. Ele vai ser bom na sua frente também, porque ele flerta
com qualquer mulher que não é sua esposa. Ele é principalmente
um pau para mim quando ninguém vê.” Rush beija a minha testa.
“Quer que eu pegue para você alguns canapés ou qualquer outra
merda que eles estão servindo?”

“Nah. Eu estou bem. Sinto um pouco enjoada, na verdade.


Não com fome.”

Rush agarra uma vieira envolta em bacon de uma das


bandejas e a coloca na boca.

Olho em volta. “Deus, você até pode sentir o cheiro do


dinheiro, não pode?”

“E das besteiras, também.” Rush olha para o canto da sala.


“Falando de besteira, lá está o Riquinho, o meu irmão.”

Quando os meus olhos pousam no canto para onde Rush


apontou, parece que o meu coração para pôr um momento. Há
três homens envolvidos em uma conversa. Quanto mais tempo os
meus olhos estão em um dos caras, maior a certeza de que o
conheço.

Ele usa uma gravata borboleta.

A cada segundo que olho para o seu rosto, eu fico mais e


mais enjoada.

Eu olho, tento o meu melhor para ver claramente, para ter


certeza.

Oh Deus.

Parece que a minha garganta está se fechando.

Tenho certeza que é... Harlan.

Harlan que eu nunca mais deveria ver.


Harlan, que me deu o número errado depois de nossa
aventura de uma noite.

Harlan, que tinha me engravidado.

Lembranças daquela noite passam pela minha cabeça como


um filme em retrocesso. Eu fico olhando para seu rosto. Os
mesmos olhos. O mesmo queixo quadrado. A mesma forma que
usa o seu cabelo para o lado. Os mesmos perfeitos dentes brancos.
O mesmo sorriso encantador. Aquela risada.

É ele.

Meu Deus! É ele!

O meu coração está batendo descontrolado no meu peito e


parece que a sala está girando.

Consigo dizer as palavras. “Qual...qual desses caras é seu


irmão?”

Rush chupa o seu palito e em seguida, aponta para ele.


“Aquele com a gravata borboleta.”

O fim…

Por agora…

A história de Rush e Gia continua em Rebel Heart.