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Conforme combinei com vocês segue um esquema de um curso de análise de

conjuntura que eu fiz com o Guilherme Boulos, como forma de pensarmos na definição

de um método para nos guiar (e evitar fazer análises do tipo: “eu acho isso, acho

aquilo”, ou então ficar fazendo análises teóricas):

Ele divide a análise em quatro partes: categorias, acontecimentos, tendências e

desafios.

1 – CATEGORIAS:

As categorias são as seguintes: Economia (segundo ele querendo ou não a economia

é crucial, pois afeta a todos), institucionalidade, mídia e forças sociais. Para cada

uma dessas categorias ele lista vários itens que temos que checar e que neste espaço

não tenho como colocar, mas na reunião vou elencar um a um para vocês (por ex., na

categoria Economia, o crescimento econômico, a inflação, os interesses em disputa,

quem ganha e quem perde – inclusive com a questão das classes e frações de classe

-, na categoria Institucionalidade, a relação entre os poderes, força dos militares,

cenário mundial etc.; na categoria Mídia, a legislação regulatória, o grau de

credibilidade social etc; na categoria forças sociais, a organização e unidade das

classes sociais, existência de tensões latentes etc.).

2 – ACONTECIMENTOS-CHAVE:

Uma vez realizada a análise das categorias, os acontecimentos é que vão qualificar

de fato as categorias, pois se trata de, em cada item de cada categoria, mapear

acontecimentos que são decisivos para análise e que podem dizer muito em termos

de significados. Boulos mencionou no período da análise que ele fez, por ex.:

programa inédito de retirada de direitos do Governo Temer, crise institucional da

Lava Jato, cerco a Lula e o fortalecimento da antipolítica, alteração do perfil das

mobilizações sociais...

A meu ver um bom caminho é compreender cada item de cada categoria (parte 1) a

partir de acontecimentos-chave.

3 – TENDÊNCIAS (de preferência as tendências para cada categoria)


Por ex., Boulos chegou às seguintes tendências quando da sua análise: continuidade

da recessão ou estagnação (neste ano isso se manteve mas estamos num momento de

reversão dessa ideia, que pode prosperar, ou não, no novo governo), falência da Nova

República (implosão do centro e a abertura à novidades nos polos – o que de fato

aconteceu), tentativa decidida do bloco da Lava Jato em inviabilizar Lula e fazer

nova transição (o que de fato aconteceu), potencial de convulsão social (aqui a

questão é mais complexa e eu precisaria explicar melhor, mas de certa forma,

soluções autoritárias são comuns nesse momento e, de fato, a própria eleição de

Bolsonaro acabou assumindo esse caráter e não um movimento vindo da esquerda).

4 – DESAFIOS (DA ANÁLISE Á AÇÃO – uma vez visto o cenário global, macro, cada

setor, movimento etc., se posiciona no seu raio de ação):

Boulos chegou aos seguintes desafios na sua análise, sob o olhar dos movimentos

sociais:

- necessidade de unidade ampla;

- recuperar a capacidade de mobilização, o que não se faz só com eleições;

- renovar os caminhos da esquerda.

E uma conclusão muito importante: a partir de certo momento deixou de existir o

chamado “ganha-ganha” que facilitou muito o governo Lula e parte do Governo Dilma

(neste governo, a partir de certo momento, Dilma ficou sem força por não ter

conseguido manter essa possibilidade, por incompetência própria, mas também pelos

movimentos do atores sociais).

Minha proposta é que olhemos a conjuntura global sob o enfoque dos direitos

humanos (que se misturam às lutas de várias organizações de campos específicos),

as perspectivas no que diz respeito ao tema, pautas e organizações, como forma de

ver as ações que podem ser mais efetivas para o grupo, a AIB etc.