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EXMO. SR.

JUIZ DE DIREITO DO 1º JUIZADO ESPECIAL CÍVEL E DAS RELAÇÕES


DE CONSUMO DE PAULISTA-PE

Proc.: nº 0005126-96.2016.8.17.8222

EVERALDO RODRIGUES DE MOURA, já qualificado na AÇÃO DE


INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS que move em face de SENDAS
DISTRIBUIDORA S/A, vem, por seu advogado devidamente constituído que assina a
presente digitalmente, apresentar à V.Exa. CONTRA-RAZÕES AO RECURSO
INOMINADO interposto, na forma do arts. 42, §2º da Lei nº 9.099/95, requerendo a
remessa dos autos para a superior instância para manutenção da r. sentença recorrida.

Nestes Termos,
Pede Deferimento.

Paulista-PE, 22 de março de 2018.

SILVIO BATISTA DA SILVA


OAB -PE N° 38.925 D

CONTRA RAZÕES AO RECURSO INOMINADO

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Processo nº 0005126-96.2016.8.17.8222
Recorrido: EVERALDO RODRIGUES DE MOURA
Recorrente: SENDAS DISTRIBUIDORA S/A

EGRÉGIA TURMA RECURSAL

Merece ser mantida integralmente a r. sentença recorrida, em razão da


correta apreciação das questões de fato e de direito, conforme restará demonstrado ao
final.

DA GRATUIDADE DE JUSTIÇA

Inicialmente, sob as penas da Lei, e de acordo com o disposto no art. 4º, §


1º, da Lei 1.060/50, com a redação introduzida pela Lei 7.510/86, o Recorrido afirma
que não tem condições financeiras de arcar com as custas processuais e honorários
advocatícios sem prejuízo do próprio sustento e de sua família, razão pela qual faz jus
ao benefício da Gratuidade de Justiça.

DA TEMPESTIVIDADE

De acordo com o disposto no art. 42, § 2º, da Lei nº 9.099/95, o Recurso


Inominado deverá ser respondido no prazo de 10 dias a contar da intimação do
recorrido.

Assim sendo, considerando que o Recorrido, através de seu Advogado


registrou ciência na presente data, verifica-se que as contra-razões são tempestivas.

DAS RAZÕES DE FATO E DE DIREITO.

Trata-se de Ação de Indenização por Danos Materiais e Morais


ajuizada por EVERALDO RODRIGUES DE MOURA, em face de SENDAS
DISTRIBUIDORA S/A, uma vez que teve seu veículo furtado no estacionamento da
Ré em 15.10.2016.

A ocorrência foi devidamente comprovada, tendo em vista as provas


juntadas aos autos, evidenciando a propriedade do bem pelo requerente, conforme Id.
Num. 16482513 - Pág. 1, bem como das compras realizadas no dia do evento, de
acordo com o Id. Num.16482507 - Pág.1, tendo ainda sido o fato registrado, através de
Boletim de Ocorrência, conforme Id: Num. 16482516 – Pág. 1.

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A sentença de ID do documento: 28475375, julgou procedente pedido,
resolvendo o mérito (art. 487, inciso I do NCPC), deduzido na inicial, para:

1) condenar o réu a restituir ao autor o montante de R$ 6.064,00 (seis mil e sessenta e


quatro reais), a título de danos materiais, incidentes correção monetária pela tabela
ENCOGE e juros legais, desde a data da citação;

2) Condenar ainda a requerida a pagar ao postulante indenização por danos morais,


com base no art. 6º, inciso VI do CDC, no montante de R$ 3.000,00 (três mil) reais,
acrescidos de juros legais e correção monetária pela tabela ENCOGE, desde a
publicação da sentença (súmula 362 STJ).

Inconformada, a Requerida apresentou recurso inominado sustentando


que não foi devidamente comprovado o nexo de causalidade, assim, não havendo o
dever de indenização a título de Dano Material. Na mesma linha, sustenta que não
existem provas do dano moral sofrido pelo autor, sendo o mesmo absurdo.

Data venia, a r. sentença não merece reparo.

A alegação de que não foi devidamente comprovado o nexo de causalidade, quanto ao


furto do veículo do autor, é verdadeiramente ABSURDA diante das provas
colacionadas, incorrendo em responsabilidade o depositário por eventuais danos
causados à coisa posta sob sua guarda.

Deste modo, verifica-se que a r. sentença impugnada se encontra correta,


uma vez que o Recorrente provou: propriedade do bem (veículo), das compras
realizadas no dia do evento e registros da ocorrência, através de Boletim de
Ocorrência.

Neste sentido, segue Jurisprudência deste Tribunal:

CIVIL E PROCESSO CIVIL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. RECURSO DE


AGRAVO. ESTABELECIMENTO COMERCIAL. ESTACIONAMENTO DE
SUPERMERCADO. VEÍCULO. FURTO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. DANOS
MORAL E MATERIAL. DEVER DE INDENIZAR. APELAÇÃO. JULGAMENTO

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MONOCRÁTICO. PRECEDENTES. RECURSO DESPROVIDO. Os estabelecimentos
comerciais respondem, perante os clientes, pela reparação dos danos ou furtos de
veículos ocorridos em seu estabelecimento. Súmula 130 do STJ. O estabelecimento
comercial que disponha de estacionamento como forma de fomentar a sua atividade,
tem o dever de guarda e vigilância do bem que lhe foi confiado, sendo certo que tem
cabimento a indenização por danos morais em face do fato afetar negativamente a
esfera jurídica do consumidor. O art. 557, do CPC, autoriza o julgamento monocrático
do recurso quando este se apresenta manifestamente improcedente e em confronto
com a jurisprudência dominante dos Tribunais Superiores.

(TJ-PE - Agravo 254977-10144156-21.2009.8.17.0001, Rel. Adalberto de Oliveira Melo,


2ª Câmara Cível, julgado em 26/03/2014, DJe 08/04/2014)

Quanto à inexistência do dever de indenizar os danos morais, tampouco


merece melhor sorte o recurso da requerida, tendo em vista todas as situações
desconfortantes em voltar a utilizar o transporte público durante a semana
(trabalho) e finais de semana (lazer com a família) desde 15.10.2016. Situação esta,
VAI ALÉM DO ABORRECIMENTO!!!

Neste sentido, segue Jurisprudência deste Tribunal:

CONSTITUCIONAL. CIVIL. FURTO DE VEÍCULO EM


ESTACIONAMENTO DE SUPERMERCADO. CARACTERIZAÇÃO DO DANO MORAL.
DANOS MATERIAIS. SENTENÇA PARCIALMENTE REFORMADA. DECISÃO
UNÂNIME. 1.Restou demonstrado nos autos, apenas os prejuízos materiais
reconhecidos pela sentença a quo. Ademais, o documento acostado no processo, não
serve como prova dos prejuízos materiais, pois se trata apenas de um orçamento de
serviço à executar. 2.O veículo da apelante foi furtado enquanto seus filhos faziam
compras no supermercado/apelado e em razão do já admitido contrato de depósito,
está o supermercado obrigado a indenizar-lhe pelos danos materiais e morais
provenientes do furto do veículo. Ademais, apesar do veículo ter sido encontrado pouco
tempo depois do furto, o mesmo ficou muito avariado. 3.Em relação aos danos
materiais requeridos, a douta sentença monocrática deve ser mantida. 4.A autora,
experimentou a sensação de ver o veículo furtado, com os objetos pessoais, além do
desconforto e do constrangimento inevitáveis em tais episódios. 5.Por tudo, merece a
apelante uma reparação que possa minimizar os efeitos da situação vivenciada e que
sirva também de reprimenda à empresa ré. 6.Assim, a título de danos morais, fixo a
indenização em R$ 5.000,00 (cinco mil reais), o que faço levando em conta também o
porte econômico da empresa apelada. 4.Recurso provido em parte, a fim de reformar a

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sentença de primeiro grau apenas no que diz respeito ao reconhecimento dos danos
morais.

(TJ-PE- Apelação 211390-00125600-68.2009.8.17.0001, Rel. Francisco


Manoel Tenorio dos Santos, 4ª Câmara Cível, julgado em 01/12/2011, DJe 13/04/2012)

Portanto, impõe-se a manutenção da condenação por danos morais.

Por fim, não há qualquer dúvida quanto à correção do valor da


condenação da Recorrente ao pagamento dos danos materiais e morais, já que as
indenizações não foram fixadas em patamar exagerado.

DO PEDIDO

Diante de todo o exposto, requer que essa Egrégia Turma Recursal negue
provimento ao recurso inominado interposto pelos fundamentos expostos.

Nestes Termos,
Pede Deferimento.

Paulista-PE, 22 de março de 2018.

SILVIO BATISTA DA SILVA


OAB -PE N° 38.925 D

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