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TEMA 2

RESPONSABILIDADE DISCIPLINAR

A responsabilidade disciplinar é aquela apurada e aplicada pela OAB. O advogado, ou o


estagiário, que infringir as normas contidas no Estatuto da Advocacia, no Regulamento Geral e
no Código de Ética e Disciplina será processado e punido pela OAB.
Passaremos, então, ao estudo das sanções e infrações disciplinares (arts. 34 ao 41 do
EAOAB).
Sanções disciplinares
O art. 35 do Estatuto lista as sanções disciplinares que podem ser aplicadas pela OAB:
censura, suspensão, exclusão e multa.
A censura é uma das sanções mais leves aplicadas pela OAB, de maneira que ela pune a
prática das infrações mais leves cometidas pelos advogados, que são aquelas arroladas no art.
36 do Estatuto. Com essa punição, o advogado pode continuar exercendo a sua profissão, po-
rém, tal reprimenda deve ser registrada nos assentamentos do inscrito, deixando o mesmo de
ser primário, e com isso uma eventual prática de outra infração será considerada como reinci-
dência, ensejando, por sua vez, a aplicação de uma sanção mais grave (suspensão de 30 dias
a 12 meses - art. 37, II, EAOAB).
O art. 36, parágrafo único, do Estatuto da Advocacia, prevê que a censura poderá ser con-
vertida em uma simples advertência, constituindo em ofício reservado encaminhado ao advo-
gado, sem registro nos assentamentos, desde que presente circunstância atenuante. Essas
atenuantes estão no art. 40 do Estatuto (falta cometida na defesa de prerrogativa profissional,
ausência de punição disciplinar anterior - primariedade -, exercício assíduo e proficiente de
mandado ou cargo em qualquer órgão da OAB e prestação de relevantes serviços à advocacia
ou à causa pública).
Entendemos que a advertência não é essencialmente uma punição. Primeiro, porque ela
não consta no art. 35 do Estatuto da Advocacia; segundo, porque não é considerada para fins
de reincidência. Trata-se, portanto, de um benefício aplicado ao advogado que comete uma
infração de natureza leve e possui alguma circunstância atenuante. Assim, caso um advogado
viole um segredo profissional (art. 34, VII, EAOAB), mas já exerceu um cargo na OAB com as-
siduidade e proficiência, deverá ser tão-somente advertido pela OAB, sem aplicação de censu-
ra. Se porventura uma nova infração leve for novamente cometida pelo profissional, agora sim,
sofrerá uma censura, devendo tal sanção ser lançada nos seus assentamentos.
A suspensão é uma sanção mais grave do que a censura, eis que impossibilita o advoga-
do de exercer sua atividade profissional, em todo o país, por um prazo que pode variar, em re-
gra, de 30 (trinta) dias a 12 (doze) meses. O prazo da suspensão pode ainda se estender por
prazo indeterminado nas hipóteses do art. 37, §§ 2º e 3º: (1) recusar-se injustificadamente a
prestar contas ao cliente de quantias recebidas dele ou de terceiros por conta dele; (2) deixar
de pagar as contribuições, multas e preços de serviços devidos à OAB, depois de regularmente
notificado a fazê-lo; e (3) incidir em erros reiterados que evidenciem inépcia profissional. Nes-
ses casos específicos, a suspensão perdura até que o advogado satisfaça integralmente a dí-
vida, inclusive com correção monetária ou até que preste novas provas de habilitação.
Neste último caso de suspensão por prazo indeterminado (inépcia profissional), há de ser
feita uma observação. A inépcia profissional ocorre quando o advogado comete erros reitera-
dos no exercício da advocacia. Não basta um erro isolado. Há de ser comprovada a repetição
de falhas para que haja punição pela OAB.

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Ainda, neste ponto, cabe-nos uma explicação a respeito da expressão “prestar novas pro-
vas de habilitação”. Para Geronimo Theml de Macedo, o conteúdo deve ser entendido como
nova aprovação no Exame da Ordem (obra citada, p. 130). Tal entendimento parece ser o
mesmo do Conselho Federal da OAB na decisão mencionada pelo autor: “inépcia profissional
evidente e comprovada deve gerar a necessidade da suspensão exercício profissional até que
o representado faça novo exame de ordem” (processo nº 1.875/98/SCA-SP, Relator Clovis Cu-
nha da Gama Malcher Filho (PA), DJ 26.05.99).
No que pese os respeitáveis entendimentos, defendemos um posicionamento diferente, no
sentido de que “prestar novas provas de habilitação” não é prestar novo Exame da Ordem.
Uma, porque se o legislador quisesse que o advogado punido por inépcia profissional se sub-
metesse a novo Exame, assim teria dito expressamente. Outra, porque o Estatuto somente faz
referência à aprovação no Exame da Ordem para quem desejar se inscrever no quadro de ad-
vogados da OAB (art. 8º, IV).
A exclusão é a sanção mais grave aplicada pela OAB. O advogado que for excluído terá
sua inscrição cancelada (art. 11, II, EAOAB) e, consequentemente, não poderá advogar até
seja reabilitado. Para a aplicação da sanção disciplinar de exclusão é necessária a manifesta-
ção favorável de 2/3 (dois terços) dos membros do Conselho Seccional competente.
Por fim, a multa é uma sanção acessória, ou seja, ela não será aplicada isoladamente,
sendo aplicada em conjunto com uma censura ou com uma suspensão sempre que houver
circunstâncias agravantes, como a reincidência. O valor da multa pode variar de 1 (uma) a 10
(dez) anuidades.
As sanções disciplinares (censura, suspensão, exclusão e multa) devem constar nos as-
sentamentos do inscrito após o trânsito em julgado da decisão, não podendo ser objeto de pu-
blicidade a de censura, justamente porque nesta não há problema em alguém o contratar. Na
suspensão e na exclusão, a OAB deve ter todo o cuidado para que ninguém contrate o profis-
sional. Os atos praticados por advogado suspenso ou excluído são nulos (art. 4º e parágrafo
único do EAOAB).
Das infrações e suas respectivas sanções
O art. 34 do Estatuto da Advocacia e da OAB tem 29 incisos, trazendo uma série de infra-
ções disciplinares.
Essas infrações podem ser dividas em três grupos: leves, graves e gravíssimas. Advirta-se
que a lei não faz essa classificação. Nós assim fizemos para melhor entendimento do leitor.
Dessa forma, as infrações leves são punidas com censura (que, conforme já vimos, pode
ser convertida em mera advertência, se presentes circunstâncias atenuantes), as graves com
suspensão e as gravíssimas com exclusão.
Infrações punidas com censura.

O art. 36 do Estatuto determina que a censura será aplicada nos casos de:
a) infrações definidas nos incisos I a XVI e XXIX do art. 34;
b) violação ao Código de Ética e Disciplina;
c) violação a preceito desta lei, quando para a infração não se tenha estabelecido sanção
mais grave.

Veremos a seguir as infrações dos incisos I a XVI e XXIX do art. 34:


I – exercer a profissão, quando impedido de fazê-lo, ou facilitar, por qualquer meio, o seu
exercício aos não-inscritos, proibidos ou impedidos;
II – manter sociedade profissional fora das normas e preceitos estabelecidos nesta lei;
III – valer-se de agenciador de causas mediante participação nos honorários a receber;

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IV – angariar ou captar causas, com ou sem a intervenção de terceiros;
V – assinar qualquer escrito destinado a processo judicial ou para fim extrajudicial que não
tenha feito ou em que não tenha colaborado;
VI – advogar contra literal disposição de lei, presumindo-se a boa-fé quando fundamentado
na inconstitucionalidade, na injustiça da lei ou em pronunciamento judicial anterior;
VII – violar, sem justa causa, sigilo profissional;
VIII – estabelecer entendimento com a parte adversa sem autorização do cliente ou ciência
do advogado da parte contrária;
IX – prejudicar, por culpa grave, interesse confiado ao seu patrocínio;
X – acarretar, conscientemente, por ato próprio, a anulação ou a nulidade do processo em
que funcione;
XI – abandonar a causa sem justo motivo ou antes de decorridos 10 (dez) dias da comuni-
cação da renúncia;
XII – recusar-se a prestar, sem justo motivo, assistência jurídica, quando nomeado em vir-
tude de impossibilidade da Defensoria Pública;
XIII – fazer publicar na imprensa, desnecessária e habitualmente, alegações forenses ou
relativas a causas pendentes;
XIV – deturpar o teor de dispositivo de lei ou de citação doutrinária ou de julgado, bem co-
mo de depoimentos, documentos e alegações da parte contrária, para confundir o adversário
ou iludir o juiz da causa;
XV – fazer, em nome do constituinte, sem autorização escrita deste, imputação a terceiro
de fato definido como crime;
XVI – deixar de cumprir, no prazo estabelecido, determinação emanada do órgão ou auto-
ridade da OAB, em matéria da competência desta, depois de regularmente notificado;
XXIX – praticar o estagiário ato excedente de sua habilitação.
Infrações punidas com suspensão

A suspensão é aplicada nos casos do art. 37 do Estatuto da Advocacia, a saber:


a) infrações definidas nos incisos XVII a XXV do art. 34;
b) reincidência.

Vejamos as infrações de natureza grave (art. 34, XVII ao XXV):


XVII – prestar concurso a clientes ou a terceiros para a realização de ato contrário à lei ou
destinado a fraudá-la;
XVIII – solicitar ou receber de constituinte qualquer importância para aplicação ilícita ou
desonesta;
XIX – receber valores da parte contrária, ou de terceiros, relacionados com o objeto do
mandato sem expressa autorização do constituinte;
XX – locupletar-se, por qualquer forma, à custa do cliente ou da parte adversa, por si ou in-
terposta pessoa;
XXI – recusar-se, injustificadamente, a prestar contas ao cliente de quantias recebidas dele
ou de terceiros por conta dele;
XXII – reter, abusivamente, ou extraviar autos recebidos com vista ou em confiança;
XXIII – deixar de pagar as contribuições, multas e preços de serviços devidos à OAB, de-
pois de regularmente notificado a fazê-lo;
XXIV – incidir em erros reiterados que evidenciem inépcia profissional;
XXV – manter conduta incompatível com a advocacia.

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Para o parágrafo único do art. 34 do Estatuto, inclui-se na conduta incompatível a prática
reiterada de jogo de azar não autorizado por lei, a incontinência pública e escandalosa e a em-
briaguez ou toxicomania habituais.
Reincidência
O advogado que já foi punido com uma censura ou uma suspensão deixa de ser primário.
Desse modo, caso venha a cometer uma nova infração disciplinar será considerado reinciden-
te. Por exemplo: um advogado anteriormente punido com uma censura que vem a ser conde-
nado por ter abandonado uma causa sem justo motivo (art. 34, XI – infração de natureza leve)
será considerado reincidente e será suspenso pelo prazo de 30 (trinta) dias a 12 (doze) meses.
Infrações punidas com exclusão

A exclusão será infligida nas hipóteses mencionadas no art. 38 do Estatuto da Advocacia,


sendo elas:
a) na aplicação por 3 (três) vezes de suspensão: o advogado que for suspenso pela tercei-
ra vez, seja qual for a infração cometida, após o trânsito em julgado da decisão que a fi-
xou, será excluído dos quadros da OAB. A exclusão exige o quorum de 2/3 (dois terços)
dos membros do Conselho competente.
b) nas infrações definidas nos incisos XXVI a XXVIII do art. 34.
Veja a seguir as infrações gravíssimas:
XXVI – fazer falsa prova de qualquer dos requisitos necessários para a inscrição na OAB;
XXVII – tornar-se moralmente inidôneo para o exercício da advocacia;
XXVIII – praticar crime infamante.

Atenuantes (art. 40, caput do EAOAB)

São consideradas atenuantes, para a aplicação das sanções disciplinares, as seguintes


circunstâncias:
a) falta cometida na defesa de prerrogativa profissional;
b) ausência de punição disciplinar anterior (primariedade);
c) exercício assíduo e proficiente de mandado ou cargo em qualquer órgão da OAB;
d) prestação de relevantes serviços à advocacia ou à causa pública.

Dosimetria da sanção disciplinar (art. 39, parágrafo único, do EAOAB)

Os antecedentes profissionais do advogado ou do estagiário, as atenuantes, o grau de


culpa por eles revelada, as circunstâncias e as consequências da infração serão consideradas
para o fim de decidir sobre a conveniência da aplicação cumulativa da multa e de outra sanção
disciplinar, bem como sobre o tempo de suspensão e o valor da multa aplicáveis.
Assim, se um advogado comete uma infração de natureza leve, como, por exemplo, violar
um segredo profissional (art. 34, VII, EAOAB), e é primário, terá a censura convertida em uma
simples advertência. Entretanto, o advogado que já foi punido com uma censura, e agora viola
um segredo profissional, deverá ser suspenso, podendo, ainda, ser aplicada uma multa no va-
lor de uma a dez anuidades.

Prescrição da pretensão punitiva (art. 43, caput, do EAOAB)

A aplicação da punibilidade às infrações disciplinares prescreve em 5 (cinco) anos, conta-


dos da data da constatação oficial do fato.

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Prescrição intercorrente (art. 43, § 1º, do EAOAB)

Dar-se-á a prescrição intercorrente quando, durante o decorrer do processo, o mesmo fica


paralisado por mais de 3 (três) anos, pendente de despacho ou julgamento, devendo ser arqui-
vado ex officio ou por requerimento da parte interessada. Os eventuais responsáveis pela para-
lisação deverão ser punidos pela OAB.

Interrupção da prescrição (art. 43, § 2º, do EAOAB)

Interrompe-se a prescrição, devendo ter sua contagem reiniciada, em duas situações:


a) pela instauração de processo disciplinar ou pela notificação válida feita diretamente ao
representado;
b) pela decisão condenatória recorrível de qualquer órgão julgador da OAB.

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