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TEMA 17
CONSELHO FEDERAL

O Conselho Federal é o órgão supremo da OAB e tem sua sede na capital do país (Brasília).

Composição do Conselho Federal

O Conselho Federal é composto pelos conselheiros federais, conforme o disposto no art. 51 do EAOAB.

São conselheiros federais:


a) os integrantes das delegações de cada unidade federativa;
b) os ex-presidentes do próprio Conselho Federal.

Quanto ao primeiro grupo (integrantes das delegações de cada unidade federativa), cada Conselho Secci-
onal elegerá três advogados (conselheiros federais) para representá-lo no Conselho Federal. Esses conselheiros
federais são eleitos pelo voto direto dos advogados nas eleições que se realizam trienalmente nos Conselhos
Seccionais por meio de chapas. As chapas contêm os candidatos à Diretoria do Conselho Seccional (Presidente,
Vice-Presidente, Secretário Geral, Secretário Geral Adjunto e Tesoureiro), os conselheiros seccionais, a Diretoria
da Caixa de Assistência dos Advogados e a delegação de conselheiros federais.
Quando o Presidente do Conselho Federal, que é o Presidente Nacional da OAB, encerra o seu mandato,
passando a ser ex-presidente, ele continua sendo conselheiro federal, na qualidade de membro honorário vitalício.
Assim, há 81 conselheiros federais provenientes das delegações (já que no Brasil há 27 unidades federa-
tivas, contando com o Distrito Federal) mais os ex-presidentes.

Votação no Conselho Federal

Os votos no Conselho Federal são tomados por delegação. Cada delegação tem direito a um voto.
Sendo a delegação composta por três conselheiros federais, o voto será tomado por maioria (3x0 o u 2x1).
No caso de falta de um conselheiro, e na ausência de um suplente, esta delegação só poderá votar se os
dois que estiverem presente votarem no mesmo sentido. Caso contrário, haverá empate e o voto da delegação
não será computado (será inválido).
Os conselheiros federais integrantes das delegações não poderão exercer o direito de voto nas matérias
de interesse específico da unidade federativa que represente, podendo, no entanto, opinar sobre o assunto (art.
68, § 2º, do Regulamento Geral). Assim, por exemplo, se estiver sendo decidido se o Conselho Federal deve, ou
não, intervir no Conselho Seccional de São Paulo, os integrantes da delegação de São Paulo ficarão impedidos de
votar.
De acordo com art. 51, § 2º, do atual Estatuto da Advocacia, os ex-presidentes não têm mais direito a
voto, como se permitia no passado, por ocasião da Lei nº 4.215/63, tendo agora apenas direito de voz. Entretanto,
o art. 81 da Lei nº 8.906/94 determinou que não se aplica essa restrição de direito de voto aos que tenham assu-
mido originariamente o cargo de Presidente do Conselho Federal até a data da publicação desta lei (05 de julho
de 1994), ficando assegurados o pleno direito de voz e voto em suas sessões, ou nas palavras do art. 77, § 2º, do
Regulamento Geral: “Os ex-Presidentes empossados antes de julho de 1994, têm direito de voto equivalente ao
de uma delegação, em todas as matérias, exceto na eleição dos membros da Diretoria do Conselho Federal.”

Atribuições do Presidente do Conselho Federal

O Presidente deste órgão tem apenas o voto de qualidade (voto de minerva, voto de desempate), compe-
tindo-lhe exercer a representação nacional e internacional da OAB, convocar o Conselho Federal, presidi-lo, re-
presentá-lo, ativa e passivamente, em juízo ou fora dele, promover-lhe a administração patrimonial e ainda dar
execução às suas decisões.

Diretoria do Conselho Federal

Todos os órgãos da OAB possuem uma diretoria. A Diretoria do Conselho Federal é composta pelo Presi-
dente, Vice-Presidente, Secretário Geral, Secretário Geral Adjunto e Tesoureiro, sendo que, nas deliberações
deste Conselho, esses membros votam como membros de suas delegações, exceto quanto ao Presidente, que
somente lhe cabe o voto de desempate e o direito de embargar da decisão, se esta não for unânime.

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Outras considerações

Os Presidentes dos Conselhos Seccionais, nas sessões do Conselho Federal, têm lugar reservado junto à
sua delegação e somente direito de voz, ou seja, não podem votar nas sessões do Conselho Federal.
O Presidente do Instituto dos Advogados Brasileiros e os agraciados com a Medalha Rui Barbosa podem
participar das sessões do Conselho Pleno do Conselho Federal com direito somente à voz (veja mais sobre Meda-
lha Rui Barbosa no item próprio mais abaixo).
Apesar de o art. 50 do Estatuto possibilitar, para o cumprimento de suas finalidades, aos Presidentes dos
Conselhos da OAB e das Subseções a requisição de cópias de peças de autos ou de outros documentos a qual-
quer tribunal, magistrado, cartório e órgãos da Administração Pública, o Supremo Tribunal Federal, na Ação Direta
de Inconstitucionalidade nº 1.127-8, deu interpretação a este dispositivo, sem redução do texto, para fazer enten-
der a palavra requisitar como dependente de motivação, compatibilização com as finalidades da lei e atendimento
de custos, ficando, ressalvados, os documentos sigilosos.

Competências do Conselho Federal

As competências do Conselho Federal estão arroladas no art. 54 do Estatuto da Advocacia, sendo elas:
a) dar cumprimento efetivo às finalidades da OAB;
O art. 44 do Estatuto define as finalidades institucionais e corporativas da OAB. Dessa forma, é através de
seus órgãos que elas serão efetivadas.

b) representar, em juízo ou fora dele, os interesses coletivos ou individuais dos advogados;


Essa competência também é em cumprimento às finalidades da OAB (art. 44, II, EAOAB).

c) velar pela dignidade, independência, prerrogativas e valorização da advocacia;

d) representar, com exclusividade, os advogados brasileiros nos órgãos e eventos internacionais


da advocacia;
Pelo EAOAB, esta competência é do Conselho Federal. Porém, o Regulamento Geral, no art. 80, parágra-
fo único, determina que os Conselhos Seccionais podem representar a OAB em geral ou os advogados brasileiros
em eventos internacionais ou no exterior, quando autorizados pelo Presidente Nacional da OAB, que é o Presi-
dente do Conselho Federal.

e) editar e alterar o Regulamento Geral, o Código de Ética e Disciplina, e os Provimentos que julgar
necessários;
O Regulamente Geral e o Código de Ética e Disciplina não são leis em sentido material. São atos normati-
vos criados pelo Conselho Federal da OAB. Se este Conselho pode criá-los, também pode alterá-los.

f) adotar medidas para assegurar o regular funcionamento dos Conselhos Seccionais;


Sendo o Conselho Federal o órgão supremo da OAB, com “jurisdição” em todo o território nacional, com-
pete-lhe assegurar o regular funcionamento dos Conselhos Seccionais, localizados nos Estados-membros e no
Distrito Federal.

g) intervir no Conselho Seccional, onde e quando constatar grave violação desta lei ou do Regula-
mento Geral;
Essa intervenção depende de prévia aprovação por 2/3 (dois terços) das delegações, sendo garantido o
amplo direito de defesa do Conselho Seccional respectivo, nomeando-se diretoria provisória para o prazo que se
fixar.

h) cassar ou modificar, de ofício ou mediante representação, qualquer ato, de órgão ou autoridade


da OAB, contrário à presente lei, ao Regulamento Geral, ao Código de Ética e Disciplina e aos Provimen-
tos, ouvida a autoridade ou o órgão em causa;
O Conselho Federal é guardião da legislação da advocacia e da OAB.

i) julgar, em grau de recurso, as questões decididas pelos Conselhos Seccionais nos casos previs-
tos neste Estatuto e no Regulamento Geral;
O Conselho Federal, órgão supremo da OAB, tem competência para julgar em última instância os recur-
sos na Ordem.

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j) dispor sobre a identificação dos inscritos na OAB e sobre os respectivos símbolos privativos;
Para que haja uniformidade, o Conselho Federal é o órgão responsável pela identificação dos inscritos na
OAB e pelos símbolos privativos da advocacia.

k) apreciar o relatório anual e deliberar sobre o balanço e as contas de sua diretoria;

l) homologar ou mandar suprir relatório anual, o balanço e as contas dos Conselhos seccionais;

m) elaborar as listas constitucionalmente previstas, para o preenchimento dos cargos nos tribu-
nais judiciários de âmbito nacional ou interestadual, com advogados que estejam em pleno exercício da
profissão, vedada a inclusão de nome de membro do próprio Conselho ou de outro órgão da OAB;
É competência do Conselho Federal elaborar a lista sêxtupla quando a destinação for para os tribunais de
abrangência nacional ou interestadual, ou seja, o Superior Tribunal de Justiça, o Tribunal Superior do Trabalho ou
os tribunais federais cuja competência territorial alcance mais de um estado. Sendo tribunal estadual, a compe-
tência passa a ser dos Conselhos Seccionais.
A proibição para a inclusão de membros do próprio Conselho Federal ou de outro órgão da OAB é justa e
ética, já que são os conselheiros que irão escolher os seis indicados para o Tribunal Judiciário, evitando-se assim
que possa haver qualquer privilégio ou tráfico de influência.

n) ajuizar ação direta de inconstitucionalidade de normas legais e atos normativos, ação civil pú-
blica, mandado de segurança coletivo, mandado de injunção e demais ações cuja legitimação lhe seja
outorgada por lei;
O Estatuto da Advocacia e da OAB entrou em vigor no ano de 1994, quando a Constituição Federal arro-
lava no art. 103 as pessoas legitimadas a propor a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) e, no art. 105, aque-
las com legitimidade para propor a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC). Acontece que, por ocasião da
Emenda Constitucional nº 45/2004, que trouxe a reforma do Judiciário, passou a ser determinado no art. 103 que
as mesmas pessoas legitimadas a propor a ADI, agora, também podem propor a ADC, e o Conselho Federal da
OAB lá está.
A Lei nº 9.882/99, no art. 2º, I, prevê que os legitimados para a Ação Direta de Inconstitucionalidade têm
competência para propor Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental, razão pela qual a OAB também
pode propor a ADPF.

o) colaborar com o aperfeiçoamento dos cursos jurídicos, e opinar, previamente, nos pedidos
apresentados aos órgãos competentes para criação, reconhecimento ou credenciamento desses cursos;
Também em cumprimento às finalidades da OAB (art. 44, EAOAB), o Conselho Federal desempenha o
relevante papel de opinar, antecipadamente, nos pedidos de criação, reconhecimento e credenciamento dos cur-
sos jurídicos nos órgãos competentes.

p) autorizar, pela maioria absoluta das delegações, a oneração ou alienação de seus bens imóveis;
Atente-se para o quorum exigido neste inciso: maioria absoluta.

q) participar de concursos públicos, nos casos previstos na Constituição e na lei, em todas as su-
as fases, quando tiverem abrangência nacional ou interestadual;
Deve a OAB, através do Conselho Federal, participar de forma efetiva nos concursos públicos de âmbito
nacional ou interestadual, quando houver previsão na Constituição Federal e nas leis, como, por exemplo, nos
concursos públicos para o ingresso na Magistratura, no Ministério Público e na Advocacia Geral da União.
Quando os concursos não tiverem abrangência nacional ou interestadual, a competência será dos Conse-
lhos Seccionais (art. 58, X, EAOAB).

r) resolver os casos omissos neste Estatuto.

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