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AMPMG Ministério Público

do Estado de Minas Gerais


COORDENADORIA REGIONAL DE MEIO AMBIENTE DAS PROMOTORIAS DE JUSTIÇA
INTEGRANTES DAS BACIAS DOS RIOS PARACATU, URUCUIA E ABAETÉ

Patos de Minas, 11 de abril de 2016.


Ofício n. 0 : 114/2016/CRPUA

Excelentíssimo Senhor,

Em cordial visita, encaminho a Vossa Excelência documentação anexa


referente à Comissão Externa destinada a acompanhar e monitorar os
desdobramentos do desastre ambiental ocorrido em Mariana-MG, para fins de
conhecimento.

Sem mais para a ocasião, apresento votos de estima e consideração.

MARCELO AZEVEDO MAFFRA

Promotor de Justiça

Coordenador das Promotorias de


Defesa de Meio Ambiente das Bacias

o dos Rios Paracatu, Urucuia e Abaeté

Ex.mº. Sr.
Sarney Filho
Deputado Federal
Coordenador da Comissão Externa destinada a acompanhar e monitorar os
desdobramentos do desastre ambiental ocorrido em Mariana-MG
Brasília/DF

Av. Getúlio Vargas, n° 946, bairro Centro


CEP: 38700-128-Patos de Minas-MG
(34) 3823-9944 / 3821-4643 - E-mail: pjsfpatos@mpmg.mp.br
CÓPIA
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

EXCELENTÍSSIMO(A) JUIZ(A) DE DIREITO DA VARA DA FAZENDA


PÚBLICA DA COMARCA DE BELO HORIZONTE/MG

URGENTE

CERTIDÃO

Certifico que a presente Ação Civil Pública, foi distribuída em 04 de abril de


2016 na Comarca de Belo Horizonte sob nº 5047686-32.2016.8.13.0024.
Em, 11 de abril d 20.. .

Marilaine\J. s s olentmo de Oliveira


Oficiala do P (MAMP 2869)

O MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS


GERAIS, pelos Promotores de Justiça infra-assinados, no uso
de suas atribuições legais, com fulcro no art. 129, III, da
Constituição Federal, c/c art. 25, IV, "a", da Lei n° 8.625/93,
art. 11 e seguintes da Lei n° 7.347/85, vem, com base peças
extraídas dos Inquéritos Civis 0024.16.002490-7,
0024.15.016236-0 e 0024.15.017864-8, propor a presente
AÇÃO CIVIL PÚBLICA, COM PEDIDO LIMINAR em face de:

1) SAMARCO MINERAÇÃO S/ A, sociedade anônima


inscrita no CNPJ sob o n°. 16.628.281/0003-23, com sede na
Rua dos Inconfidentes, n° 1190, Savassi, Belo Horizonte/MG;

2) ESTADO DE MINAS GERAIS, Pessoa Jurídica de Direito


Público Interno, CNPJ n° 05.475.103/0001-21, a ser citado na
pessoa do Advogado Geral do Estado, com endereço na Av.
Avenida Afonso Pena, 1901, Bairro Funcionários, Belo Horizonte
- MG, pelas razões fáticas e jurídicas a seguir expostas:

1
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

1- DOS FATOS

A SAMARCO MINERAÇÃO S/A é responsável pelo "Complexo Minerário


Germano", nos Municípios de Mariana e Ouro Preto/MG. No dia 05 de novembro de
2015, houve o rompimento da Barragem Fundão, que integra o referido complexo
minerário, causando um dos maiores desastres socioambientais já ocorridos no Brasil,
conforme amplamente divulgado na imprensa.

A onda de rejeitas decorrente do rompimento da Barragem Fundão ceifou


vidas humanas, destruiu comunidades inteiras e seu patrimônio social, histórico e
cultural, além de ter provocado danos ambientais de imensas proporções.

Os fatos já foram objeto de diversas ações judiciais (cíveis e criminais), além


de várias outras investigações que ainda estão em curso. Também foram lavrados
diversos autos de fiscalização pelos órgãos ambientais competentes, que, além de
apontar irregularidades, exigiram a adoção de medidas de precaução e prevenção
para evitar o agravamento dos impactos e a ocorrência de novos danos.

Contudo, em que pese a gravidade e a urgência da situação e não obstante as


obrigações assumidas perante os órgãos competentes, a ré Samarco Mineração S/A
não está realizando as intervenções necessárias para interromper o vazamento da
lama remanescente no "Complexo de barragens de Germano".

Estima-se que, somente nos meses de janeiro e fevereiro 2016,


aproximadamente 5.000.000m 3 (cinco milhões de metros cúbicos) de lama vazou
ininterruptamente pela barragem de Santarém, através do extravasar que ainda se
encontra danificado, sendo lançado diretamente no Córrego Santarém.

Consoante o relatório de vistoria elaborado pelo Núcleo de Combate aos


Crimes Ambientais - NUCRIM (doe. anexo), ainda existem aproximadamente 9,795
milhões de metros cúbicos de rejeitas depositados na Barragem Santarém, que
podem ser carreados até os cursos d'água.

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Extravasor danificado da barragem Santarém Lama chegando ao Rio Gualaxo do Norte

Durante a fiscalização realizada pelos policiais militares, foi verificado que a


empresa ré vem realizando algumas obras de reforço e reestruturação dos taludes e
bermas da Barragem Santarém. Também foram identificados 03 (três) diques (Sl, S2
e S3) instalados recentemente pela Samarco à jusante da barragem, para tentar
conter parte da lama antes do entroncamento do Córrego Santarém com o Rio
Gualaxo do Norte, que é um dos afluentes do Rio do Carmo.

Todavia, tais estruturas não estão sendo suficientes para impedir o


carreamento de sólidos até os referidos cursos d'água, que continuam a receber
ininterruptamente grandes quantidades destes resíduos. Como se pode verificar do
laudo pericial, os "diques" foram construídos de forma precária, sem
observância das normas técnicas pertinentes, não possuindo a capacidade
de retencão e filtragem necessárias.

Tanto é assim que as amostras de água coletadas no Ribeirão Santarém, no


dia 11 de março de 2016, à jusante do Dique S3, pela Polícia Militar juntamente com
técnicos da Samarco, indicaram níveis acentuados de turbidez, extrapolando os
limites fixados pela Deliberação Normativa COPAM n° 01/2008.

De acordo com o laudo pericial, a turbidez elevada ''é um indicativo que


demonstra que as águas podem servir de abrigo para microrganismos patogênicos,
podendo se associar a compostos tóxicos, além de reduzirem a penetração da luz,
prejudicando a fotossíntese e por consequência a biota aquática'~

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

A lama de rejeito que continua a vazar da Barragem Santarém é composta,


basicamente, por água, óxido de ferro e sílica. De acordo com o laudo pericial, os
elementos ferro (Fe3+) e manganês (Mn4+) quando lançados fora dos padrões
estabelecidos causam problemas na cor da água, o sabor e no odor, afetando sua
potabilidade.

Em relação aos metais pesados oriundos de atividades de extração mineral,


quando entram na dinâmica do sistema hídrico, constituem contaminantes químicos
nas águas. A principal preocupação dos peritos com estes metais é a bioacumulação
pela flora e fauna aquática, que acaba atingindo também os seres humanos,
produzindo efeitos subletais e letais, decorrentes de disfunções metabólicas.

Vale dizer, a Samarco Mineração S/A continua a provocar graves danos ao


meio ambiente, além de expor a saúde dos seres humanos a risco.

Não obstante, as licenças ambientais concedidas ao "Complexo Minerário de


Germano" pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável
- SEMAD continuam formalmente válidas até a presente data, possibilitando a
retomada das atividades da mineradora tão logo seja revogado o embargo
administrativo imposto pelo Estado de Minas Gerais.

Contudo, as investigações evidenciam que eventual retorno das operações da


Samarco Mineração S/A em Mariana/MG poderá comprometer a efetividade das ações
de recuperação das áreas degradadas, principalmente porque a empresa, até agora,
não conseguiu garantir a completa estabilização dos impactos ambientais, bem como
a segurança de suas estruturas.

Diante da gravidade dos fatos, o Ministério Público do Estado de Minas Gerais


solicitou um estudo preliminar (doe. anexo) para indicar quais seriam as medidas
necessárias para conter o vazamento dos rejeites de mineração. Após uma minuciosa
análise técnica, os experts sugeriram a construção de um "Dique Provisório de
Segurança" (DPS), sem prejuízo de outras técnicas de contenção, até que os
trabalhos de recuperação das estruturas remanescentes sejam concluídos.

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CÓPIA

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Registre-se que a pontual e específica obrigação de cessação da conduta ilícita


impõe-se como medida extrema e · excepcional, independente e não vinculada à
reparação integral dos danos advindos do rompimento da barragem de fundão.

Ante o exposto, sem outra alternativa para impedir a perpetuação da atividade


lesiva ao meio ambiente e à saúde dos seres humanos, o Ministério Público vale-se
da presente Ação Civil Pública para coibir a prática ilícita e trazer respeito à sociedade
mineira, sobretudo os cidadãos diretamente afetados.

2. DOS FUNDAMENTOS

2.1. DA PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE

A Constituição da República alçou o direito ao meio ambiente ecologicamente


ordem econômica e social, impondo ao Poder Público e à coletividade o dever de
defendê-lo e preservá-lo, senão vejamos:

Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado,


bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida,
impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e
preservá-lo para as presentes e futuras gerações.
§ 1º. Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público:
1- preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o
manejo ecológico das espécies e ecossistemas; (... )
VII- proteger a fauna e flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que
coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de
espécies ou submetem os animais a crueldade.
§ 2° Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o
meio ambiente degradado, de acordo com solução técnica exigida pelo
órgão público competente, na forma da lei.
§ 3.º as condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente
sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e
administrativas. independentemente da obrigação de reparar os danos.

Consoante a lição de Édis Milaré, ''ao proclamar o meio ambiente como 'bem
de uso comum do povo; foi reconhecida sua natureza de 'direito público subjetivo;

5
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vale dizer, exigível e exercitável em face do próprio Estado, que tem também a
missão de protegê-lo'' 1 •

Isto porque a proteção ao meio ambiente é pressuposto de atendimento do


mais importante dos valores fundamentais: o direito à vida, seja pela ótica da própria
existência física e saúde dos seres humanos, quer quanto ao aspecto da dignidade
dessa existência (qualidade de vida).

O art. 2°, VIII, da Lei n° 6.938/81, estabelece como um dos princípios da


Política Nacional do Meio Ambiente, a "recuperação das áreas degradadas', sendo
que o art. 4°, VII, coloca como um dos seus objetivos a "imposição, ao poluidor e ao
predador, a obrigação de reparar ou indenizar os danos causados'.

O art. 3º do mesmo diploma legal conceitua degradação da qualidade


ambiental, como sendo: a alteração adversa das características do meio ambiente e
poluição como sendo ''a degradação da qualidade ambiental resultante de atividades
que direta ou indiretamente: a) prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da
população; b) criem condições adversas às atividades sociais e econômicas; c)
afetem desfavoravelmente a biata; d) afetem as condições estéticas ou sanitárias do
meio ambiente; e) lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões
ambientais estabelecidos'~

O mesmo dispositivo conceitua poluidor como sendo ''a pessoa física ou


jurídica, de direito público ou privado, responsável direta ou indiretamente, por
atividade causadora de degradação ambiental'~

2.2. DA RESPONSABILIDADE CIVIL OBJETIVA

O art. 14, §1 º, da Lei n° 6.938/81 (Política Nacional do Meio Ambiente),


consagra, em relação aos danos ambientais, a responsabilidade civil objetiva,
estabelecendo que ''sem obstar a aplicação das penalidades previstas neste artigo, g
o poluidor obrigado, independentemente da existência de culpa, a indenizar ou
reparar os danos causados ao meio ambiente e a terceiros afetados por sua
atividade'~

1
Direito do Ambiente. 4 ed. São Paulo: RT, 2005. Pág. 186.
6
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Como se pode perceber, a legislação ambiental brasileira adotou a teoria do


risco integral, segundo a qual aquele que contribui de qualquer forma para a
ocorrência de danos ao meio ambiente tem a obrigação de recuperá-lo. Assim, para
que se possa pleitear a reparação do dano, basta demonstrar o evento danoso e
do nexo de causalidade, uma vez que a ação é substituída pelo risco do
resultado 2 .

Na lição de Édis Milaré 3 :

"A adoção da teoria do risco da atividade, da qual decorre a


responsabilidade objetiva, traz como conseqüências principais para que
haja o dever de indenizar: a) a prescindibilidade de investigação de culpa;
b) a irrelevância da licitude da atividade; c) a inaplicação das causas de
exclusão da responsabilidade civil".

Todos aqueles que direta ou indiretamente contribuíram, omissiva ou


comissivamente, para a ocorrência dos danos ao meio ambiente podem ser
demandados solidariamente para a reparação. Esse é o entendimento consolidado
pelo Superior Tribunal de Justiça:

(... ) 13. Para o fim de apuração do nexo de causalidade no dano ambiental,


equiparam-se quem faz. quem não faz quando deveria fazer4 , quem deixa
fazer, quem não se importa que façam, quem financia para que façam. e
quem se beneficia quando outros fazem. 14. Constatado o nexo causal
entre a ação e a omissão das recorrentes com o dano ambiental em
questão, surge, objetivamente, o dever de promover a recuperação da
área afetada e indenizar eventuais danos remanescentes, na forma do art.
14, § 1º, da Lei 6.938/81. (... ). (REsp 650728/SC, Rei. Ministro HERMAN
BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/10/2007, DJe 02/12/2009).

Dessa forma, verifica-se que a empresa ré deixou de realizar as obras


necessárias para conter adequadamente o vazamento da lama remanescente,
permitindo o agravamento dos danos ambientais, razão pela qual deve ser compelida
a adotar imediatamente todas as medidas necessárias para impedir o incremento dos
impactos ao meio ambiente.

2
MILARÉ. Edis. Direito do Ambiente. 4ª ed. São Paulo: RT, 2005 . Pág. 831.
3
Op. Cit. Pág. 834.
7
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2.3. PRINCÍPIO DA PREVENÇÃO E CESSAÇÃO DA CONDUTA LESIVA

Mesmo que o ilícito ou o dano já tenha ocorrido, a função de evitar novos


danos ambientais ainda é preventiva e absolutamente importante. Destarte, quando
haja a ocorrência de dano ao meio ambiente, além da previsão de reparação deste,
de maneira integral, deve o poder público cumprir fielmente sua função preventiva
estipulando obrigações à ré que, se cumpridas, mitiguem a possibilidade de novos
ilícitos e o agravamento de suas conseqüências.

A prevenção é princípio fundamental para a justa tutela de qualquer tipo de


direito transindividual; mas na tutela do meio ambiente essa questão assume
contornos dramáticos. De fato, "não podem a humanidade e o próprio direito
contentar-se em reparar e reprimir o dano ambiental. A degradação ambiental, como
regra, é irreparável. Como reparar o desaparecimento de uma espécie? Como trazer
de volta uma floresta de séculos que sucumbiu sob a violência do corte raso? Como
purificar um lençol freático contaminado por agrotóxicos?". 5

Desse modo, como admitir que o maior dano ambiental da história do Brasil
continue a ser agravado sem que a ré Samarco adote as medidas necessárias e
imprescindíveis à cessação da conduta lesiva?

O princípio da prevenção tem função preponderante na concretização do


desenvolvimento sustentável, "concernindo à prioridade que deve ser dada às
medidas que evitem o nascimento de atentados ao ambiente, de molde a reduzir ou
eliminar as causas de ações suscetíveis de alterar sua qualidade". 6

A perpetuação da conduta lesiva alija o meio ambiente dos atributos inerentes


à prestação de serviços ambientais, causando prejuízos irreparáveis não apenas ao
meio ambiente, mas à população como um todo.

Pondere-se que a coletividade de um modo geral não pode ser obrigada a


suportar o incremento dos danos decorrentes da situação ora exposta, aguardando

5
Fábio Feldman, na apresentação ao livro Dano Ambiental: prevenção, reparação, e repressão, de Édis Milaré e
Herman Benjamim. São Paulo: RT, 1993. P.5.
6
MILARÉ, Édis.Direito do Ambiente. São Paulo: RT 2000. P. 102.
8
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ainda que, depois de decorrido determinado lapso de tempo, possa-se considerar que
os danos advindos do descumprimento legal sejam tidos como irreparáveis.

Não se pode perder de vista, outrossim, o princípio da prevenção, pois,


consoante preleciona Edis Milaré:

[ ... ] os objetivos do Direito Ambiental são fundamentalmente


preventivos. Sua atenção está voltada para momento anterior à
da consumação do dano - o do mero risco. Ou seja, diante da
pouca valia da simples reparação, sempre incerta e, quando
possível, excessivamente onerosa, a prevenção é a melhor,
quando não a única, solução. "De fato, não podem a
humanidade e o próprio Direito contentar-se em reparar e
reprimir o dano ambiental. A degradação ambiental, como
regra, é irreparável. Como reparar o desaparecimento de uma
espécie? Como trazer de volta uma floresta de séculos que
sucumbiu sob a violência do corte raso? Como purificar um
lençol freático contaminado por agrotóxicos? Com efeito, muitos
danos ambientais são compensáveis mas, sob a ótica da ciência
e da técnica, irreparáveis. 7

Logo, se a situação persistir, o incremento dos danos irreversíveis poderão


advir, sem falar na privação de toda a coletividade do bem ambiental e o evidente
prejuízo aos processos ecológicos, afora a potencialidade de recebimento de lucros
ilícitos com a eventual retomada de atividades.
Como muito bem assevera Marinoni, 8 a tutela inibitória só se aperfeiçoa
quando a exigência do cumprimento do dever de evitar o ilícito ou o dano está
vinculada a possibilidade de fixação de uma medida coercitiva que desestimule o
devedor à prática ou à reiteração do ilícito. A fixação da multa como medida de
pressão psicológica na formação da vontade do devedor é fundamental para o
melhor desempenho da função preventiva.

7
Direito do Ambiente: doutrina , jurisprudência , glossário, 4 ed ., São Paulo: Revista dos
Tribunais, 2005 , p. 166.
8
MARINONI, Luiz Guilherme. A tutela inibitória. Individual e coletiva. São Paulo: RT, 19989. P.30.
9
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Como ensina Geisa de Assis Rodrigues: "tal qual na vida em geral, prevenir é
melhor do que remediar, mormente quando pode não existir o remédio eficaz para
combater o mal. Assim, em virtude desse valor perseguido pela norma deve-se
privilegiar a tutela preventiva; em segundo em segundo lugar permitir a reparação
integral do dano; e só em última hipótese ensejar que o ajuste tenha medidas
apenas de ressarcimento". 9

3. DO PEDIDO LIMINAR

Diante do quadro fático exposto e das relevantes razões jurídicas deduzidas,


imperiosa se faz a antecipação dos efeitos da tutela jurisdicional, impondo-se
imediatamente aos réus a obrigação de adotar as medidas necessárias para
interromper os danos ao meio ambiente, pois, estão presentes os requisitos insertos
no art. 12 da Lei nº 7.347/85 c/c art. 300 do Novo Código de Processo Civil.

Os fatos alegados encontram-se cabalmente demonstrados pelo conjunto


probatório carreado aos autos, mormente pelo Laudo Técnico elaborado pelo
Instituto Prístino, pelo Relatório de Fiscalização do NUCRIM, pelos Autos de
Fiscalização dos órgãos ambientais, pelas notícias veiculadas na imprensa e pelas
imagens registradas nas câmeras de monitoramento da própria Samarco.

O fumus bani iuris decorre de toda legislação invocada, dos princípios


orientadores do Direito Ambiental, bem como do conjunto probatório que
acompanha a inicial, os quais não deixam dúvidas quanto a obrigação legal da ré de
impedir o agravamento dos danos causados ao meio ambiente.

Por outro lado, resta também demonstrado o periculum in mora, uma vez que
a omissão da ré Samarco Mineração S/A vem agravando diariamente os danos
ambientais decorrentes do rompimento da Barragem do Fundão, causando enormes
prejuízos à qualidade dos recursos hídricos, à fauna, à flora e às comunidades
ribeirinhas.

9
RODRIGUES, Geisa de Assis. Ação Civil Pública e Termo de Ajustamento de conduta. Teoria e Prática. 3ª
Edição. Editora Forense. P. 112.
10
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

Cumpre lembrar que a falta de adoção de medidas preventivas adequadas já


causou a perda de mais de uma dezena de vidas, além da maximização dos danos ao
meio ambiente e à comunidades atingidas.

Diante do exposto, requer seja concedida, com fundamento no art. 12 da Lei


nº 7.347/85 c/c art. 300 do NCPC, MEDIDA LIMINAR contra o ESTADO DE
MINAS GERAIS, após sua prévia oitiva nos termos da Lei 8.437/2002,
suspendendo os efeitos de todas as licenças ambientais referentes ao
"Complexo Minerário de Germano" da Samarco Mineração S/ A, até que seja
demonstrada em Juízo a completa estabilização dos impactos ambientais, por meio
da contenção da lama remanescente, sob pena de multa diária no valor de
R$100.000,00 (cem mil reais).

Além disso, seja concedida, com fundamento no art. 12 da Lei nº 7.347/85 c/c
art. 300 do NCPC, inaudita altera par~ MEDIDA LIMINAR contra SAMARCO
MINERAÇÃO S/A as seguintes obrigações, sob pena de multa diária no valor de
R$1.000.000,00 (um milhão de reais), sem prejuízo da responsabilidade penal:

a) Cessar, no prazo máximo de 05 (cinco) dias, o vazamento de


lama que continua a poluir o meio ambiente e o agravamento
dos danos ambientais.

b) Não operar qualquer empreendimento no "Complexo


Minerário de Germano", até que seja demonstrada em Juízo a
completa estabilização dos impactos ambientais, por meio da
contenção da lama remanescente, além da comprovação de
ações de reparação efetiva dos danos causados;

c) Implantar, no prazo de 80 dias, o "Dique Provisório de


Segurança" (DPS), constante do projeto anexo, observando-
se às normas técnicas pertinentes para a construção e
operação;

d) Apresentar em juízo, bem como à SEMAD e ao DNPM, no


prazo máximo de 10 (dez) dias, projeto técnico, assinado por
11
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

profissional habilitado e com a respectiva Anotação de


Responsabilidade Técnica - ART, contendo medidas
emergenciais adicionais para conter totalmente o vazamento
da lama residual das barragens integrantes do complexo
Germano;

e) Executar imediatamente as medidas emergenciais


apresentadas no projeto referido no item anterior, garantindo
a interrupção total do vazamento de rejeitos;

f) Apresentar relatórios semanais, com fotografias, descrevendo


detalhadamente a implantação das medidas emergenciais
descritas nos itens "a" e "b";

g) Apresentar relatórios mensais, com fotografias, descrevendo


detalhadamente as atividades de recuperação.

Requer a destinação de eventuais valores decorrentes da multa diária por


descumprimento da liminar para o fundo municipal para atendimento às famílias
impactadas pelo rompimento da Barragem de Fundão (Banco do Brasil, CNPJ :
18.295.303/0001-44, Agência: 2279-9, Conta Corrente: 10.000-5).

A fim de obter o efetivo cumprimento da medida ora pleiteada requerem os


autores sejam intimados, com urgência, os representantes legais dos réus para
darem cumprimento imediato à decisão liminar.

4. DOS PEDIDOS

Ante o exposto, o Ministério Público do Estado de Minas Gerais requer:

4.1. Seja deferida a MEDIDA LIMINAR, nos moldes descritos no item anterior,
sendo cominada à demandada, em liminar, multa diária no valor de R$ 1.000.000,00
(um milhão de reais) por dia de descumprimento da decisão liminar.

Requer o Ministério Público do Estado de Minas Gerais a reversão dos valores


aplicados a título cominatório ao municipal para atendimento às famílias impactadas

12
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

pelo rompimento da Barragem de Fundão (Banco do Brasil, CNPJ: 18.295.303/0001-


44, Agência: 2279-9, Conta Corrente: 10.000-5).

4.2. Seja determinada a citação dos réus, nos termos e para os fins legais;

4.3. Ao final, seja confirmada a liminar e julgados procedentes os pedidos,


condenando a ré SAMARCO MINERAÇÃO S/A ao cumprimento das seguintes
obrigações, sob pena de multa diária no valor de R$1.000.000,00 (um milhão de
reais), sem prejuízo da responsabilidade penal:

a) Cessar, no prazo máximo de 05 (cinco) dias, o vazamento de


lama que continua a poluir o meio ambiente e o agravamento
dos danos ambientais.

b) Não operar qualquer empreendimento no "Complexo


Minerário de Germano", até que seja demonstrada em Juízo a
completa estabilização dos impactos ambientais, por meio da
contenção da lama remanescente, além da comprovação de
ações de reparação efetiva dos danos causados;

c) Implantar, no prazo de 80 dias, o "Dique Provisório de


Segurança" (DPS), constante do projeto anexo, observando-
se às normas técnicas pertinentes para a construção e
operação;

d) Apresentar em juízo, bem como à SEMAD e ao DNPM, no


prazo de 10 (dez) dias, projeto técnico, assinado por
profissional habilitado e com a respectiva Anotação de
Responsabilidade Técnica - ART, contendo medidas
emergenciais adicionais para conter totalmente o vazamento
da lama residual das barragens integrantes do complexo
Germano;

13
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

e) Executar imediatamente as medidas emergenciais


apresentadas no projeto referido no item anterior, garantindo
a interrupção total do vazamento de rejeites;

f) Apresentar relatórios semanais, com fotografias, descrevendo


detalhadamente a implantação das medidas emergenciais
descritas nos itens "a" e "b";

g) Apresentar em juízo, bem como à SEMAD e ao DNPM, no


prazo de 30 (trinta) dias, Plano de Recuperação de Áreas
Degradadas (PRAD), elaborado por profissional habilitado,
com cronograma de execução de no máximo três anos e
Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), específico para
a recuperação integral dos danos ambientais decorrentes do
vazamento do material remanescente das barragens
integrantes do complexo Germano;

h) Executar integralmente o PRAD, nos prazos estabelecidos no


cronograma de execução;

i) Apresentar relatórios mensais, com fotografias, descrevendo


detalhadamente as atividades de recuperação.

4.4. Ao final, seja confirmada a liminar e julgados procedentes os pedidos,


condenando o ESTADO DE MINAS GERAIS a suspendendo os efeitos de todas as
licenças ambientais referentes ao "Complexo Minerário de Germano" da Samarco
Mineração S/A, até que seja demonstrada em Juízo a completa estabilização dos
impactos ambientais, por meio da contenção da lama remanescente, sob pena de
multa diária no valor de R$100.000,00 (cem mil reais).

14
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

4.5. A condenação da ré SAMARCO MINERAÇÃO S/A ao pagamento de custas,


honorários periciais e demais despesas extraordinárias que se façam necessárias para
a instrução.

4.6. Seja determinada a inversão do ônus da prova, nos termos do art. 21 da Lei n. 0
7.347/85 c/c arts. 83 e 6°, VIII da Lei n. 0 8078/90, bem como art. 373, §1º, do Novo
Código de Processo Civil;

Protesta por todos os meios de prova admitidos em direito, em especial


juntada de novos documentos, depoimento pessoal dos representantes legais dos
réus, inspeção judicial e perícia.

Embora inestimável, dá-se à causa o valor de R$1.000.000,00 (um milhão de


reais).

Belo Horizonte, 04 de abril de 2016.

Andrea de Figueiredo Soares Carlos Eduardo Ferreira Pinto


Promotora de Meio Ambiente da Promotor de Justiça - NUCAM
Comarca de Belo Horizonte

Marcos Paulo de Souza Miranda Mauro da Fonseca Ellovitch


Promotor de Justiça - NUCAM Promotor de Justiça - NUCAM

Marcelo Azevedo Maffra Felipe Faria de Oliveira


Promotor de Justiça - NUCAM Promotor de Justiça - NUCAM

Daniel Oliveira de Ornelas Francisco Chaves Generoso


Promotor de Justiça - NUCAM Promotor de Justiça - NUCAM

15
PRÍST INO

IPBH. 003.2016

Belo Horizonte, 01 de abril de 2016

ANÁLISE AMBIENTAL REFERENTE AS MEDIDAS EMERGENCIAIS DE


CONTENÇÃO DE REJEITOS NO CÓRREGO SANTARÉM SOB
RESPONSABILIDADE DO EMPREENDEDOR SAMARCO MINERAÇÃO S.A.,
MUNICÍPIO DE MARIANA.

o 1. APRESENTAÇÃO

O presente laudo, solicitado pelo Ministério Público do Estado de Minas Gerais


(MPMG), através da Coordenadoria Geral das Promotorias de Justiça de Defesa do Meio
Ambiente por Bacias Hidrográficas, refere-se a análise ambiental das medidas emergenciais
de contenção de rejeitos no leito do Córrego Santarém, adotadas pelo empreendedor
Samarco Mineração S.A., CNPJ nº 16.628.281 / 0003-23, município de Mariana/MG,
localizadas a jusante (rio abaixo) da "Barragem de Contenção de Rejeitos de Santarém".

2. MATERIAL E MÉTODOS

O presente laudo foi realizado com base em:

• Estudo Preliminar para a construção de um "Dique Provisório de Segurança"


(DPS), elaborado pela França Ribeiro Consultoria Limitada.

• Relatório de Fiscalização nº 15/2016 e registro fotográfico, elaborados pelo Núcleo


de Combate aos Crimes Ambientais (NUCRIM) do MPMG.

• Autos de Fiscalização nº 62.535 / 2015, 68.529 / 2015, 38.966 / 2015, 40.988/ 2016,
68.534/ 2016, 62.536 / 2016, 68.535 / 2016 e 68.536/ 2016, emitidos pela Secretaria

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••
til!

PRÍSTINO

de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais


(SEMAD).

• Diretrizes para Elaboração de Estudos Hidrológicos e Dimensionamentos


Hidráulicos em Obras de Mineração / Mário Cicareli Pinheiro. Porto Alegre:
ABRH, 2011. 308 p.

• Introdução à qualidade das águas e ao tratamento de esgotos / Marcos von


Sperling. 4. Ed. - Belo Horizonte: Editora UFMG, 2014. 472 p.

• Avaliação de impacto ambiental: conceitos e métodos / Luiz Enrique Sánchez. 2.


Ed. São Paulo: Oficina de Textos, 2013.

• Manual Técnico e Administrativo de Outorga de Direito de Usos de Recursos


Hídricos no Estado de Minas Gerais. / Instituto Mineiro de Gestão das Águas. -
Belo Horizonte: Igam, 2010. 227 p.

• Identificação e caracterização das fontes de poluição em sistemas hídricos. Pereira,


R. S. 2004. IPH - UFRGS. Volume 1, (1):20-36.

• Design and Construction of Tailings Dams: The development of current tailings


dam design and construction methods. Colorado School of Mines, Colorado,
USA, p. 2-75.

• Sistema Integrado de Informação Ambiental (SIAM) da Secretaria de Estado de


Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SEMAD).

3. CONTEXTUALIZAÇÃO /ANÁLISE

3.1. DIQUE PROVISÓRIO DE SEGURANCA- DPS

O MPMG solicitou à França Ribeiro Consultoria Limitada, um estudo preliminar


para a construção de um "Dique Provisório de Segurança" (DPS), o qual foi apresentado
em 01/12/2015.

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CÓPLi4
PRÍST INO

De acordo com o estudo apresentado, a função do DPS é "propiciar uma


proteção adicional contra eventual rompimento a montante do mesmo, até que os
trabalhos de recuperação das barragens e diques da SAMARCO sejam terminados e
aprovados conforme as normas técnicas e de segurança pertinentes. O referido estudo
preliminar ainda esclarece que após as obras de reparos nas barragens existentes do
empreendedor, o DPS poderá ser removido. Destaca-se ainda como premissa básica do
DPS a construção de reservatório com capacidade de 6.000.000 m 3 (seis milhões de
metros cúbicos) com retenção de rejeitas.

O estudo preliminar prevê a construção do DPS num prazo aproximado de 2


meses e 1O dias, com a localização do DPS em um ponto a jusante da "Barragem de
Contenção de Rejeitas de Santarém", conforme apresentado no croqui abaixo, extraído
do estudo preliminar.

Estrutura Barragem de

Figura 01 - Croqui extraído do estudo preliminar indicando a localização do DPS, distante 450
metros das estruturas da Barragem de Rejeitos de Santarém.

3.2. FISCALIZACÃO NUCRIM

Em 11/03/2016 o NUCRIM/MPMG, realizou uma fiscalização objetivando


verificar as obras de reparos na "Barragem de Contenção de Rejeitas de Santarém" e as
estruturas denominadas de "Dique S1", "Dique S2", "Dique S3" e "Dique S4", obras
caracterizadas como emergenciais, para fins de exercerem a contenção dos rejeitas

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PRÍSTINO

provenientes do rompimento da "Barragem de Fundão" Oocalizada acima da "Barragem


de Contenção de Rejeitos de Santarém") .

Ainda, a fiscalização acompanhou o monitoramento do parâmetro "turbidez" em


pontos imediatamente a jusante das estruturas denominadas "Dique S3" e "Dique S4".
Também, de acordo com a fiscalização, houve monitoramento da qualidade da água no
Rio Gualaxo do Norte, em ponto localizado à jusante da contribuição do Córrego
Santarém (tributário do Rio Gualaxo do Norte) (Figura 02).

Figura 02 - Imagem de satélite, extraída do programa de Geoprocessamento Google Earth Pro


(data: julho/2013) onde é possível verificar o local da foz do Córrego Santarém, no Rio Gualaxo
do Norte. O Rio Gualaxo do Norte é tributário do Rio do Carmo que por sua vez é tributário do
Rio Doce.

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••
~

PRÍSTINO

Durante a fiscalização do NUCRIM em 11/03/2016, foi realizado o registro


fotográfico da foz do Córrego Santarém no encontro com o Rio Gualaxo do Norte
(Figura 03).

[A • ·~ ....., *lr..-..1!1!-..,, . ~.- .-....l....-.. I ' ,a_._!:). -~------·


Figura 03 - Encontro do Córrego Santarém com o Rio Gualaxo do Norte. Foto cedida pelo
NUCRIM quando da fiscalização ocorrida em 11/03/2016.

3.3. OBRAS DE REPAROS NA "BARRAGE M DE CONTENCÃO DE REJEITOS


DE SANTARÉM"

De acordo com o NUCRIM, foram realizadas obras de reforço e reestruturação


dos taludes e bermas, alteamento (elevação) da crista do barramento com
impermeabilização por meio de instalação de uma manta de Polietileno de Alta
Densidade (PEAD).

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~
( •t.
PRÍSTINO

Ainda, a fiscalização constatou que o vertedouro de superfície (extravasar) estava


danificado (Figura 04), o que exigiu a construção de um vertedouro lateral para permitir a
execução dos reparos.

Parte inferior da calha do vertedouro


interrompida por ruptura Barramento
visto à jusante

- ·-
Figura 04 -Ponto de ruptura da parte inferior da calha do vertedouro e a presença de processo
erosivo. Foto cedida pelo NUCRIM.

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PRÍSTINO

3.4. ESTRUTURAS DENOMINADAS: "DIQUE S1". "DIQUE S2" e "DIQUE S4"

A estrutura "Dique S1" foi implantada nas coordenadas geográficas


20°13'55.20"S / 43°26'18.30"0 (DATUM WGS 84) (Figura 05).

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Figura 05 - Local onde foi construído o "Dique Sl". Foto cedida pelo NUCRIM.

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PRÍSTINO

A estrutura "Dique S2" foi implantada nas coordenadas geográficas 20°14'4.SO"S


/ 43°25'57.40"0 (DATUM WGS 84) (Figura 06).

Figura 06 - Local de instalação do "Dique S2". Foto cedida pelo NUCRIM

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.~
PRÍSTINO

A estrutura "Dique S4" foi implantada nas coordenadas geográficas


20°14'23.00"S / 43°24'40.70"0 (DATUM WGS 84) (Figura 07).

Figura 07 - Local de instalação do "Dique S4". Foto cedida pelo NUCRIM.

As imagens das estruturas "Dique S1", "Dique S2" e "Dique S4" permitem
caracterizá-las como um aglomerado de pedras britadas sem estrutura armada, dispostas
aletoriamente sem promover o barramento ou contenção dos rejeitas provenientes à
montante. Nota-se, por aspectos visuais, que os rejeitas ao passarem pelas estruturas
denominadas "Dique S1", "Dique S2" e "Dique S4" não são contidos, uma vez que a
jusante, o corpo hídrico permanece com a coloração marrom-avermelhada característica
dos rejeitas.

Ainda, não há que se denominar tais estruturas como "diques", uma vez que a
Deliberação Normativa COPAM nº 62/ 2002, define o dique como uma estrutura capaz
de formar uma parede de contenção de rejeitas e de formar reservatório.

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PRÍST INO

3.5. ESTRUTURA DENOMINADA "DIQUE S3"

A estrutura "Dique S3" foi implantada nas coordenadas geográficas 20º14'6.20"S


/ 43°25'21.30"0 (DATUM WGS 84) (Figuras 08 e 09).

Córrego Mirandinha, tributário


do Córrego Santarém
Córrego Santarém

()

. ,,..,...,._,.._
Figura 08 - Local de instalação do "Dique S3". Vista a jusante do Córrego Santarém e foz do
Córrego Mirandinha. Foto cedida pelo NUCRIM.

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-..
.~
PRÍSTINO

Local a jusante do "Dique 53" Pedras britadas formando o


com acúmulo de líquido barramento do "Dique 53"

Figura 09 - Imagem do "Dique S3". Foto cedida pelo NUCRIM.

De acordo com Pinheiro (2011 ), as barragens destinadas à disposição dos rejeitas


do processo minerário visam a formação de reservatório que permita a clarificação da
água decantada para fins de lançamento no corpo hídrico ou para reuso, os quais
possuem estruturas hidráulicas tais como vertedouro, canal de descarga, bacias de
dissipação de energia, entre outros.

Em relação aos aspectos geotécnicos, conforme I<John (1981), a instalação de


drenas e filtros internos representam algumas das medidas de segurança a serem adotadas
quanto da instalação das barragens de rejeitas.

A imagem do "Dique S3" possibilita verificar que a estrutura é formada por


pedras britadas e solo compactado. Entretanto não é possível verificar qual é o caminho
preferencial da água através do "Dique S3", uma vez que não é possível identificar a
presença de estruturas hidráulicas tais como o vertedouro e descarga de fundo, assim
como a existência de drenas e filtros internos.

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PRÍSTINO

4. QUALIDADE DA ÁGUA/ IMPACTOS POTENCIAIS

4.1. "DIQUE S1". "DIQUE S2" e "DIQUE S4"

PARÂMETRO: COR

Em análise das condições hídricas a jusante das estruturas denominadas "Dique


S1", "Dique S2" e "Dique S4", verifica-se que por meio de aspectos visuais, a alteração da
cor aparente da água.

O parâmetro cor, constituído por sólidos dissolvidos, pode ser oriundo da


decomposição de matéria orgânica ou da presença de ferro e manganês (VON
SPERLING, 2014).

A importância do parâmetro cor é devida ao momento em que há o tratamento de


agua para consumo humano. O processo de cloração da água na presença de matéria
orgânica dissolvida pode gerar produtos potencialmente cancerígenos. Ainda, quando a
alteração se dá devido à presença de ferro ou manganês, a água pode ser tóxica ou não.

PARÂMETRO: TURBIDEZ

A turbidez da água é passível de visualização, uma vez que há um grau de


interferência com a passagem da luz através da água, conferindo uma aparência turva à
mesma.

O empreendedor encaminhou ofício ao NUCRIM, datado de 18/03/2016,


contendo os resultados das análises em alguns pontos de monitoramento, incluindo um
ponto no "Dique S4".

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PRÍSTINO

Os resultados do parâmetro turbidez para esse ponto, entre os dias 12 e 17 de


março de 2016, ultrapassaram os limites permitidos pela legislação (Quadro 01).

Quadro 01 -Resultados do monitoramento de turbidez no "Dique S4", considerando o limite de


até 100 UNT (unidades nefelométrica de turbidez) preconizado pela Deliberação Normativa
Conjunta COPAM/CERH-MG nº 01, de 05 de maio de 2008 e pela Resolução CONAMA nº
357 /2005.

DATADA MONITORAMENTO TURBIDEZ


AMOSTRAGEM "DIQUES4"

12/03/ 2016 641 UNT

13/03/2016 119 UNT

14/03/ 2016 432UNT

15/03/2016 258 UNT

16/03/ 2016 374 UNT

17/03/2016 216 UNT

Em relação a turbidez a jusante das estruturas "Dique S1" e "Dique S2", além do
extrapolamento de padrão no "Dique S4", deve-se destacar que o referido parâmetro é um
indicativo que demonstra que as águas podem servir de abrigo para microrganismos
patogênicos, podendo se associar a compostos tóxicos, além de reduzirem a penetração da
luz, prejudicando a fotossíntese e por consequência a biota aquática (VON SPERLING,
2014) .

4. 2. BARRAGEM DE SANTARÉM. "DIQUE S3" E RIO GUALAXO DO NORTE

PARÂMETRO: TURBIDEZ

O ofício supracitado, encaminhado ao NUCRIM, e datado de 18/03/2016, informa


também os resultados das análises pontos de monitoramento, realizadas entre os dias 1 e 17
de março de 2016, próximo ao vertedouro da "Barragem de Contenção de Rejeitos de
Santarém", "Dique S3" e no Rio Gualaxo do Norte, com a maioria dos valores
extrapolando o limite máximo permitido (Quadro 02).

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.~
PRÍSTINO

Quadro 02 - Resultados do monitoramento de turbidez no "Dique S4", considerando o limite de


até 100 UNT (unidades nefelométrica de turbidez) preconizado pela Deliberação Normativa
Conjunta COPAM/CERH-MG nº 01, de 05 de maio de 2008 e pela Resolução CONAMA nº
357 /2005.

MONITORAMENTO MONITORAMENTO MONITORAMENTO


DATADA
TURBIDEZ BARRAGEM DE TURBIDEZ "DIQUE S3" TURBIDEZ RIO
AMOSTRAGEM
SANTARÉM GUALAXO DO NORTE

01 / 03 / 2016 304.000 UNT 259 UNT 917 UNT

02/ 03/ 2016 340.000 UNT - -

03/ 03 / 2016 436.000 UNT - -

04/03/ 2016 402.000 UNT 180 UNT 538 UNT

05 / 03/2016 387.000 UNT 123 UNT 958 UNT

06/ 03 / 2016 277.000 UNT - 258 UNT

07/ 03/ 2016 352.500 UNT 101 UNT 527 UNT

08/ 03 / 2016 245.200 UNT 83,50 UNT 531 UNT

09/ 03/ 2016 326. 000 UNT 60,70 UNT 361 UNT

10/03/ 2016 180.000 UNT 57,30 UNT 329 UNT

11 / 03/ 2016 181.000 UNT 144,00 UNT 314 UNT

12/ 03/2016 304.400 UNT 71,70 UNT 664 UNT

13/ 03 / 2016 206.180 UNT 51,10 UNT 257 UNT

14/ 03 / 2016 199.800 UNT 1.446 UNT 722UNT

15/ 03/ 2016 311. 805 UNT 116 UNT 587 UNT

16/03/ 2016 741. 108 UNT 159 UNT 682 UNT

17 /03/2016 365.961 UNT 97,80 UNT 402UNT

Em relação ao extrapolamento do parâmetro turbidez a jusante da "Barragem de


Contenção de Rejeitas de Santarém", "Dique S3" e no Rio Gualaxo do Norte, tem-se
como já descrito, que o referido parâmetro é um indicativo que demonstra que as águas
podem servir de abrigo para microrganismos patogênicos, podendo se associar a
compostos tóxicos, além de reduzirem a penetração da luz, prejudicando a fotossíntese e
por consequência a biota aquática (VON SPERLING, 2014).

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PRÍST INO

5. REGULARIZAÇÃO AMBIENTAL DA "BARRAGEM DE CONTENÇÃO


DE REJEITOS DE SANTARÉM"

A época da ruptura da "Barragem de Contenção de Rejeitas de Fundão", em


05/11/2015, a "Barragem de Contenção de Rejeitas de Santarém" possuía o processo
administrativo nº 00015/1984/091/2012, o qual encontrava-se em fase de revalidação da
licença de operação.

Em consulta ao SIAM, verificou-se que o processo administrativo foi arquivado em


função do rompimento da "Barragem de Contenção de Rejeitas de Fundão" (Figura 10).
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Figura 10 - Captura de tela no SIAM, com informações sobre o arquivamento do processo


administrativo nº 00015 / 1984/ 091 / 2012 em 18/ 02/ 2016.

Ainda, não há informações sobre a aprovação do órgão ambiental para fins de


adoção das medidas emergenciais adequadadas para a contenção de rejeitas no Córrego
Santarém, conforme preconizado no art. 90, do Decreto Estadual nº 44.844/2008, além
das regularizações ambientais exigidas pelo Auto de Fiscalização nº 62.535/2015 de
11/12/2015, emitido pela SEMAD.

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PRÍSTINO

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

- As obras emergenciais implantadas por meio dos denominados "Dique S1'',


"Dique S2" e "Dique S4" não formam barramento hídrico para a contenção de rejeitas
para fins de clarificação da água. Ainda, visualmente é possível ver a alteração da cor
aparente e turbidez em pontos a jusante das referidas estruturas. Houve monitoramento do
parâmetro TURBIDEZ em ponto a jusante do "Dique S4", constatando-se o
extrapolamento dos padrões de qualidade da água, nos termos da norma estadual
Deliberação Normativa Conjunta COPAM/CERH-MG nº 01 / 2008 e da norma federal
Resolução CONAMA nº 357 / 2005.

- As estruturas "Dique S1"e "Dique S2" podem não ter atingido o objetivo de
manter os padrões de qualidade da água.

- De acordo com o monitoramento apresentado no ponto a jusante do "Dique S4,


constata-se que a estrutura não atingiu o objetivo de manter os padrões de qualidade da
água.

- As obras emergenciais implantadas por meio do denominado "Dique S3" formam


barramento hídrico. Entretanto, não é possível verificar a instalação de estruturas
hidráulicas tais como vertedouro, canal de descarga, bacias de dissipação de energia, entre
outros. Ainda, não há informação sobre os aspectos construtivos relativos à geotécnica,
para fins de verificação da instalação de drenos e filtros, garantido a segurança da estrutura.
Doutro turno, houve o monitoramento do parâmetro TURBIDEZ em ponto a jusante do
"Dique S3'', constatando-se o extrapolamento dos padrões de qualidade da água, nos
termos da norma estadual Deliberação Normativa Conjunta COPAM/CERH-MG nº
01/2008 e da norma federal Resolução CONAMA nº 357 /2005.

- De acordo com o monitoramento apresentado no ponto a jusante do "Dique S3,


constata-se que a estrutura não atingiu o objetivo de manter os padrões de qualidade da
agua.

- Os monitoramentos do parâmetro TURBIDEZ realizadas em pontos a jusante do


vertedouro da "Barragem de Contenção de Rejeitas de Santarém" e no Rio Gualaxo do
Norte constataram o extrapolamento dos padrões de qualidade da agua, nos termos da
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PRÍSTINO

norma estadual Deliberação Normativa Conjunta COPAM/CERH-MG nº 01/2008 e da


norma federal Resolução CONAMA nº 357 /2005.

- De acordo com o monitoramento apresentado no ponto a jusante do vertedouro


da "Barragem de Contenção de Rejeitas de Santarém", constata-se que as obras de reparos
não atingiram o objetivo de manter os padrões de qualidade da água.

- Em consulta aos processos administrativos do "Complexo Minerário de


Germano", em especial aos processos nº 00015/1984/063/2007; 00015/1984/007 /1996;
00015/1984/ 028 / 2001; 00015 / 1984/ 022 / 2000; 00015 / 1984/ 051 / 2005;
00015/1984/065/2008 e 00015/1984/097 /2013, constatou-se que as barragens de
contenção de rejeitas são estruturas necessárias para operação do empreendimento,
destinadas a receber (acondicionar) os rejeitas (resíduos do processo de beneficiamento) e
funcionar como medida mitigadora intrínseca para garantir as águas efluentes nos padrões
de qualidade. Nesse contexto, cabe ressaltar que em relação a "Barragem de Contenção de
Rejeitas de Santarém", a qualidade dos efluentes não vem atendendo aos padrões legais
para águas superficiais.

- De acordo com o monitoramento apresentado no Rio Gualaxo do Norte,


constata-se os mesmo não atinge os padrões de qualidade da água.

- Em relação aos aspectos da qualidade da água, verificou-se visualmente alteração


do parâmetro COR. Caso seja confirmada, a consequência desta alteração pode aparecer
quando ocorre o tratamento desta água para fins de consumo humano. O processo de
cloração de agua, contendo matéria orgânica dissolvida, pode gerar produtos
potencialmente cancerígenos. Já quando a alteração se dá devido à presença de ferro ou
manganês, pode ou não haver toxicidade da água.

- Em relação aos aspectos da qualidade da água, o extrapolamento dos padrões para


o parâmetro TURBIDEZ, indicam que as águas podem servir de abrigo para
microrganismos patogênicos, podendo se associar a compostos tóxicos, além de reduzirem
a penetração da luz, prejudicando a fotossíntese e por consequência a biata aquática (VON
SPERLING, 2014). Altas concentrações de material em suspensão limitam a qualidade da
água bruta, por estarem relacionadas com a turbidez, a salinidade e dureza da água

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PRÍSTINO

(PEREIRA, 2004). Existe ainda o aspecto econômico, levando ao aumento de custo do


tratamento da água para torná-la potável.

- Em 01 / 12/ 2015, foi elaborado um estudo preliminar visando a construção do


Dique Provisório de Segurança" (DPS). Trata-se de uma proposta de alternativa técnica
visando a contenção dos rejeitos para fins de atendimento aos padrões de qualidade da
água. A função do DPS é "propiciar uma proteção adicional contra eventual rompimento a
montante do mesmo, até que os trabalhos de recuperação das barragens e diques da
SAMARCO sejam terminados e aprovados conforme as normas técnicas e de segurança
pertinentes". Destaca-se ainda como premissa básica do DPS a construção de reservatório
com capacidade de 6.000.000 m 3 (seis milhões de metros cúbicos) com retenção de rejeitos.

- Caso os rejeitos da atividade minerária possuam poluentes inorgânicos, tais como


os metais: arsênio, cádmio, cromo, chumbo, mercúrio e prata, constituídos na forma de
sólidos em suspensão, existe risco de concentração dos mesmos na cadeia alimentar,
resultando em perigo para os organismos superiores (VON SPERLING, 2014).

- O empreendimento "Barragem de Contenção de Rejeitos de Santarém" nao


possw licença ambiental, uma vez que o processo administrativo de revalidação foi
arquivado.

- Não há informações sobre a aprovação do órgão ambiental para fins de adoção


das medidas emergenciais adotadas para a contenção de rejeitos no Córrego Santarém,
conforme preconizado no art. 90, do Decreto Estadual nº 44.844/ 2008, além das
regularizações ambientais exigidas pelo Auto de Fiscalização nº 62.535 / 2015.

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PRÍSTINO

O presente Laudo (IPBH. 003.2016) contém 19 páginas. Pelo presente, por ser
verdade, assina a equipe do Instituto Prístino.

Equipe Técnica

Eng. Agr. Cássio Fernandes Lopes - CREA/MG nº. 84.345/D

Eng. Civil Guilherme Silvino - CREA/MG nº. 84.851/D

Tereza Cristina Souza Sposito - CRBio nº. 8.910/04-D

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Núcleo de Combate
aos Crimes Ambientais
,AMPMG Ministério Público
do Estado de Minas Gerais

RELATÓRIO DE FISCALIZAÇÃO Nº 15/2016

(MONITORAMENTO DAS OBRAS EMERGENCIAIS DA SAMARCO)

Senhor Promotor de Justiça Coordenador Geral das Promotorias de Justiça do Meio


Ambiente por Bacia Hidrográfica e Coordenador do Núcleo de Combate aos Crimes
Ambientais, no dia 11 de março de 2016, cumprindo recomendação de V. Excelência
deslocamos até a mineradora SAMARCO, município de Mariana, conforme relato a seguir:

E,qm r>e de F.isca rizaçao


Nome Matrícula Lotação
Valmir José Fagundes, Ten Cel PM 107.149-7 NUCRIM/CAO-MA-PGJ
Marcelos Antônio Marques, 2º Ten PM 099554-8 NUCRIM/CAO-MA-PGJ
Thelio Frederico Maciel Sanabria Burgos, Cb PM 137.027-9 GP MAMB MARIANA/CIA MAMB
Jaideir da Silva Oliveira, Sd PM 148.913-7 GP MAMB MARIANA/CIA MAMB

1 OBJETIVO
Verificar a construção dos diques S 1,S2,S3 e S4, definidos como obras emergências
destinadas a contenção de sedimentos, bem como reparos nas estruturas da Barragem
Santarém.
Acompanhar o monitoramento do paramento de turbidez nas referidas estruturas.

2 DADOS DOS ENVOLVIDOS


2.1 Empreendedor
SAMARCO MINERAÇÃO S.A. CNPJ 16.628.28110001-61 , Endereço: Rua Paraíba 1122,
9º andar, Bairro Funcionários, CEP 30.130-918, Belo Horizonte/MG.

2.2 Empreendimento:
MINA GERMANO, CNPJ 16.628.281/0003-23 . Endereço: Rodovia MG 129, Km 117,5,
caixa postal 22, Mina do Germano, Zona Rural de Mariana/MG.
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Núcleo de Comb:lte
• •• C'lm" Ambl•ntol•
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Mp MG FL. 2111
Ministério Público
do EsUldo de Mln• $ Ger• ls

2.3 Técnicos da Empresa


2.3.1 JOSÉ BERNADO, Eng. Civil - Coordenador de Projetos de Engenharia - Tel 31 -
984672077;
2.3 .2 REUBER LUIZ NEVES KOURY - Eng. Elétrico- Gerente Geral de Engenharia e
Projetos; Tel 31 - 984573809;

3 INFORMAÇÕES PRELIMINARES
Segundo informações as obras emergencia1s realizadas pela SAMARCO, para
contenção de sedimentos provenientes da barragem rompida de Fundão não estariam
apresentando resultado esperado com a lama sendo lançada diretamente no Ribeirão Gualaxo.

3.1 BARRAGEM DE SANTARÉM

A Barragem Santarém está localizada nas coordenadas geográficas WGS 84, S20º
13'53.4" e W043º 26'26.4", altitude de 745 metros ao nível do mar.
Nesta barragem as obras de reforço e reestruturação dos taludes e bermas estão em
fase final (Figura O1). O talude da crista foi elevado e foi procedida a impermeabilização com
uso de uma manta de geomembrana de Polietileno de Alta Densidade - PEAD (Figura 02).
O extravasor da barragem ainda se encontra rompido, está sendo construído um canal
lateral para desvio do fluxo de água da barragem para possibilitar a execução da finalização
das obras de reforma (Figura 03 e 04).
A Barragem ainda possui um volume estimado de 9,795 milhões de metros cúbicos de
rejeitos.

Núd,ode Combate
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MPMG
Ministério Público
do Esl:.ltdo de Mln;u Geral:;
'º'NúcleodeComb;lte
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do Estado de Mlnu Ger<1l1

BARRAGEM DE SANTARÉM - REESTRUTURAÇÃO DOS BERMAS E TALUDES

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Figura O1: vista dos bermas e taludes da barragem sendo refeitos.
Fonte: NUCRIM/MPMG - março 2016.

Figura 02: Manta Geomembrana em PEAD na crista da Barragem de Santarém


Fonte: NUCRIM/MPMG-março 2016

NúcleodeComb;ite ~ MPMC
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Ministério Público
do Elta.do d e Mlnu Genils
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M inistério Público
do Estado de Mlnu Gera is

Figura 03: Vista do canal extravasor da barragem de Santarém


. . .. -
1

Fonte: NUCRIM/MPMG - março 2016.

Obras do canal lateral

Figura 04: vista das obras do canal lateral para reforma do extravasar da barragem
Fonte: NUCRIM/MPMG -março 2016

Na barragem de Santarém foram instalados pontos de lançamento de coagulante e


floculador para decantar os sólidos em suspensão que estão sendo retidos nos diques a jusante
(figura 05).

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Núc.h:ode Combate
C"m" Amblontol•
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Min istério Público
do bl.lldo de Mln;is Geniis
~ MPMC
NúcleodeCombate
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Ministério Público
FL. 5/11
do Est.do de M!nu Gerais

Vertedouro da Barragem de Santarém


Lançamento de coagulante e floculador

() Figura 06: vista do lançamento de coagulante e floculador para retenção dos sólidos em suspensão.
Fonte: NUCRIM/MPMG

3.2 DIQUE SI

O DIQUE S 1, foi construído nos pontos de coordenadas geográficas WGS 84 S 20º


13' 55.2" e W043º 26' 18.3 ", altitude de 725 metros, o dique encontra-se completamente
assoreado, com sua capacidade de retenção de rejeitas saturada (Figura 06).

Figura 06: vista do DIQUE Sl, completamente assoreado.


Fonte: NUCRIM/MPMG

Núc.ltodeCom~tt ~ MPMC
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Ministério Público
do E.'IQ.do de Mln:u Gll':r010ls

O DIQUE SI, segundo informações dos engenheiros Reuber e José Bernardo, conteve
um volume de 15.000 m3 de rejeitos, entretanto o relatório apresentado pelos advogados da
empresa, mencionou o volume de 3.778 m3 .

3.2 DIQUE S2
O DIQUE S2, localizado nos pontos de coordenadas geográficas WGS 84, S20º
14'04.8" e W043º 25'57.4", altitude de 716 metros, está localizado ajusante do DIQUE SI,
também se encontra saturado (Figura 07 e 08).

Figura 07: vista de localização dos DIQUES Sl E S2 completamente saturado.


Fonte: Google earth

Figura 08: DIQUE S2 completamente assoreado.


Fonte: NUCRIM/MPMG

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Ministério Público
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'º'Núcleo de Combate
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MPMG
M inistério Público
do E.sbldo de Mlnu Ger~ls

O DIQUE S2, conforme informações dos engenheiros da empresa reteve um volume


45.000 m3, entretanto o relatório apresentado pelos advogados da empresa, mencionou o
volume de 95,259 m3 de rejeitas.

3.3 - DIQUE S3 -
O DIQUE S3 localizado nos pontos de coordenadas geográficas WGS 84, S 20º 14'
06.2" e W043º 25'21.3 ", altitude de 703 metros está situado a jusante do DIQUE S2, foi
construído em área da vertente do córrego Santarém, logo após receber como afluente o
córrego Mirandinha. Possui capacidade de armazenamento atual de 1, 7 milhões de metros
cúbicos, todavia já apresenta um volume de sedimentos depositado de 1,03 milhões, apresenta
ainda capacidade para receber 670.000 m3 de rejeito.
Considerando que DIQUE S3 começou a operar no dia 20 de fevereiro de 2016, e a
fiscalização realizada no dia 11 de março de 2016, ou seja, em apenas 20 dias ocupou
aproximadamente 60% de sua capacidade.
No DIQUE S3 existe ainda a pretensão de alteamento de mais 01 (um) metro, o que
proporcionaria a elevação de seu volume em mais 400.000 m 3 .

Figura 09: vista do DIQUE S2 e S3


Fonte: Google earth

Durante a fiscalização acompanhou-se a coleta de amostra de efluentes a montante e a


jusante do DIQUE S3 (Figura 1O). Segundo informações do funcionário responsável pelas

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Mp MG
Ministério Público
do Esllldo de Minais Genil$
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MPMG C ur~u. ~
Ministério Público
FL. 8/11
do ü~do de Mln;n Gerais

coletas, eram analisados apenas dois parâmetros, pH e Turbidez. Conforme relatou o


funcionário, no DIQUE S3, a coleta do dia anterior a Turbidez a montante do DIQUE S3,
apresentou o valor de 57 unidades nefelométrica de turbidez (UNT);

Figural O: coleta realizada no DIQUE S3 realizado a montante e a jusante do DIQUE S3.


Fonte: NUCRIM/MPMG

Figura 11: ponto de localização do DIQUE S3 obras quase que concluídas


Fonte: NUCRIM/MPMG

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M inistério Público
do Est.-do de Mln;11s Ge niii;
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C•lm" Amb<onto" ~

Ministério Público
do Estado de Mfnu Gerais

Em relatório enviado pela SAMARCO em data 21/03/2016 ao NUCRIM/MPMG,


observou-se que na realidade as coletas a jusante do DIQUE S3, em data de 11/03/2016,
apresentou o pH em 8,16 e turbidez em 144,00 UNT, no dia 10111/2016 este valor ficou em
57,30 UNT e o pH em 8,01. No dia 14/01/2016 é registrado uma turbidez de 1446,00 UNT e
o pH em 7,97.

3.4 DIQUE S4
A construção do DIQUE S4 não foi concluída. Ele está localizado nos pontos de
coordenadas geográficas WGS 84, S 20º 14' 23 .0" W043º 24'40.7", com 706 metros de
altitude, logo abaixo das ruínas do distrito de Bento Rodrigues.
As obras estão paralisadas, segundo informações do engenheiro José Bernado, devido
a existência de um muro com valor histórico que está sendo alvo de trabalhos de arqueologia.
O local onde se encontra o muro ficaria submerso com a construção do DIQUE S4.

Figura 12: Vista do DIQUE S4, com o ponto de localização das ruínas de Bento Rodrigues
Fonte: Google earth

Núcleo de Comblte
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do Esbldo de Minas Geniis
'º'Núcleo de Combate
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Ministério Público
do Esbldo de Mlnu Gen1ls

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Figura 13: vista do muro de pedras que existia em Bento Rodrigues e foi soterrado pela lama.
Fonte: Google Earth - Street View - Julho de 2012 .

Figura 14: obras inacabadas do DIQUE S4 - paralisadas em função do muro de pedras


Fonte: NUCRIM/MPMG

A empresa pleiteou junto aos órgãos competentes autorização para a remoção deste
muro, e conclusão do DIQUE S4.
Verificou-se que a água do ribeirão Santarém, no ponto onde será edificado o
barramento do DIQUE S4, apresenta nitidamente uma forte turbidez, aspecto barrento,
demonstrando que todo o trabalho de contenção de sedimentos realizado a montante não está
sendo eficiente. Solicitou-se os dados de monitoramento neste ponto, todavia o funcionário
responsável informou que não realizava a coleta neste local.
Recomendou-se que a empresa iniciasse campanhas de monitoramento neste local.

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Núcleo de Combate
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Ministério Público
do bl<!do de Mlnu Gt1111i i
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Mp MG
Ministério Público
do Elbldo de Mlnu Gerais

No dia 16 de março de 2016 militares da Companhia de Policia Militar de Meio


Ambiente estiveram no DIQUE S4, juntamente com técnicos da SAMARCO, quando foi
realizada a medição de turbidez e pH, com os seguintes resultados respectivamente: 374 UNT
e 8,06. Este valor de turbidez é extremamente elevado e corrobora a avaliação de ineficiência
das medidas emergenciais adotadas pela empresa.
A empresa apresentou, após a fiscalização ocorrida em 11/03/2016, dados das
campanhas de amostragem em ponto a jusante do DIQUE S4 e do Ribeirão Gualaxo, segue
anexo.
O Ribeirão Gualaxo pertence a micro bacia do Ribeirão do Carmo, que conforme
enquadramento da Bacia do Rio Doce, o trecho possui enquadramento na classe 02. A DN
COPAM 01/2008, estabelece para os padrões de qualidade de água de classe 02, dentre outros
parâmetros, o pH entre 6 a 9 e a Turbidez :S 100 UNT.
o No período das seis últimas campanhas apresentadas, o pH mínimo alcançado a
jusante do DIQUE S4 foi de pH 7,90 e de Turbidez de 119UNT. A média da Turbidez e pH
deste ponto foi de pH 8, 1O e 345 UNT.
No Rio Gualaxo, logo após a confluência do Ribeirão Santarém o resultado do
monitoramento nas seis últimas campanhas obteve médias de Turbidez de 552,33 UNT e o
pH de 8,1.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
As obras emergenciais foram realizadas como parte de um acordo entre o IBAMA,
SEMAD e Secretaria Municipal de Mariana.
O Sr Reuber, Engenheiro da SAMARCO, relatou que a empresa executaria estas obras
no prazo de 90 (noventa) dias e os órgãos ambientais acompanhariam estas medidas através
de reuniões semanais na empresa. Percorrido este prazo, todas as demais obras entrariam em
processo de licenciamento seguindo os tramites normais.
As amostras realizadas demonstram que os diques existentes, ainda não tem a
eficiência necessária para garantir os parâmetros de qualidade da água no enquadramento na
classe 2.
Belo Horizonte 22 de março de 2016.

Valmir José Fagundes, Ten Cel PM


Assistente Militar do NUCRIM

NúclcodeCom~te
oo.Crimn Amblontol•
~ MPMG
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Ministério Público
do E$bldo de Mlnu Geniis
'TJMG
Processo Judicial Eletrônico
Poder Judiciário do Estado de Minas Gerais

Detalhe do Processo

Número do Processo: 5047686-32.2016.8.13.0024


Çlasse Judicial: AÇÃO CIVIL PÚBLICA (65)
Orgão Julgador: 2ª Vara da Fazenda Pública e Autarquias da Comarca de Belo
Horizonte
Órgão Julgador Colegiado:
Data de Distribuição: 4 de Abril de 2016
Assunto: DIREITO ADMINISTRATIVO E OUTRAS MATÉRIAS DE DIREITO PÚBLICOIM1~io
Ambientei Poluição!

o
Informações do Processo

Polo Ativo
Nome Parte 1 Tioo Parte
Ministério Público - MPMG !AUTOR

Polo Passivo
Nome Parte Tioo Parte
ESTADO DE MINAS GERAIS RÉU
SAMARCO MINERACAO S.A. RÉU

Movimentacão do Processo
Data Atualizacão Movimento
06/04/2016 18: 13:05 Expedição de Mandado.
06/04/2016 18: 13:03 Expedição de Mandado.
06/04/2016 18: 13:01 Expedição de intimação via sistema .
06/04/2016 16:28:18 Concedida a Antecipação de tutela
04/04/2016 17:59:07 Conclusos para despacho
04/04/2016 17:57:45 Juntada de certidão
04/04/201616:31:36 Distribuído por sorteio

Visualizado/Impresso em:11/04/2016 12:47:09

1
PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

COMARCA DE BELO HORIZONTE

2ª Vara da Fazenda Pública e Autarquias da Comarca de Belo Horizonte

Rua Gonçalves Dias, 1260, Funcionários, BELO HORIZONTE - MG - CEP: 30140-


091

PROCESSO Nº 5047686-32.2016.8.13.0024

CLASSE: AÇÃO CIVIL PÚBLICA (65)

ASSUNTO: [Poluição]

AUTOR: MINISTÉRIO PÚBLICO - MPMG

RÉU: ESTADO DE MINAS GERAIS, SAMARCO MINERACAO S.A.

Vistos, etc.

Trata-se de ação civil pública com pedido de liminar promovida pelo Ministério Público
do Estado de Minas Gerais em face de Samarco Mineração S/A e o Estado de Minas
Gerais, noticiando que apesar de já decorridos mais de cinco meses do acidente que
resultou o rompimento da Barragem de Rejeitos conhecida como Fundão, ainda assim,
até hoje, persiste vazamento de rejeitos que perpetua a poluição da bacia atingida.

Alegou que o vazamento de lama tóxica remanescente do Complexo de Barragens


Germano continua a atingir o Córrego Santarém, embora se reconheça que requerida
Samarco tenha feito algumas obras de reforço e estruturação dos taludes e bermas, que
foram insuficientes para conter o dano ainda persistente.

Arguiu que a requerida Samarco continua a poluir o meio ambiente e que existe
possibilidade de retomo das atividades minerárias tão logo seja revogado o embargo
administrativo imposto pelo Estado de Minas Gerais.

Mencionou que não restou alternativa a não ser a propositura da presente ação para
coibir a pratica ainda vigente de ato ilícito por parte da requerida Samarco.

Requereu, liminarmente, contra a SAMARCO, sob pena de multa diária de R$


1.000.000,00, as seguintes medidas:

• a cessação do vazamento de lama no prazo máximo de 05 dias;

• impedir operação de qualquer empreendimento no Complexo Minerário de


Germano, até que seja demonstrada a completa estabilização dos impactos
ambientais, por meio da contenção da lama remanescente, além da comprovação
de efetiva reparação dos danos causados;
• implantar no prazo de 80 dias dique provisório de segurança, observando-se
as normas técnicas pertinentes para a construção e operação conforme projeto
em anexo;

• apresentar em Juízo, bem como a CEMAD e ao DNPM, no prazo de máximo


de 10 dias, projeto técnico assinado por profissional habilitado e com o ART,
contendo as medidas emergenciais adicionais para conter totalmente o
vazamento da lama residual das barragens do complexo de Germano;

• executar imediatamente as medidas emergenciais apresentadas no projeto


referido no item anterior, garantindo a interrupção total do vazamento de
rejeitas;

• apresentar relatórios semanais, com fotografias, descrevendo detalhadamente


a implantação das medidas emergenciais descritas nos itens "a" e "b";

• apresentar relatórios mensais, com fotografias, descrevendo detalhadamente


as atividades de recuperação.
o Em relação ao Estado de Minas Gerais a parte autora solicitou sua oitiva prévia e, após,
fosse concedida liminar, suspendendo-se os efeitos de todas as licenças ambientais
referentes ao Complexo Minerário de Germano, até que seja demonstrada em Juízo a
completa estabilização dos impactos ambientais, por meio de contenção da lama
remanescente, sob pena de multa diária de R$ 100.000,00.

A inicial veio acompanhada de documentos.

É o relatório.

Decido.

A presente ação trata do dano ambiental causado pelo rompimento da Barragem de


Fundão, ocasião em que o Ministério Público formula duas pretensões liminares
diversas, uma contra a ré Samarco e outra contra o Estado de Minas Gerais. Os pedidos
liminares solicitados contra a Samarco são de extrema urgência, o que impõe análise na
presente decisão, enquanto o pedido liminar formulado contra o Estado, por suas
próprias características, só será analisada após prévia oitiva do ente público.

Dessa forma, passo a análise inicial dos pedidos liminares formulados contra a ré
Samarco, tudo em face da sua indelével urgência.

Para a concessão da tutela de urgência, necessária se faz a existência, no pedido inicial,


de prova da probabilidade do direito invocado, do fundado receio de dano ou risco ao
resultado útil do processo.

É importante destacar as significativas alterações promovidas pela atual legislação


processual, especialmente quanto aos requisitos para sua concessão, insculpidos no art.
300, in verbis:
Art. 300. A tutela de urgência será concedida quando houver elementos que evidenciem
a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo.

§ 1o Para a concessão da tutela de urgência, o juiz pode, conforme o caso, exigir


caução real ou fidejussória idônea para ressarcir os danos que a outra parte possa vir
a sofrer, podendo a caução ser dispensada se a parte economicamente hipossuficiente
não puder oferecê-la.

§ 2o A tutela de urgência pode ser concedida liminarmente ou após justificação prévia.

§ 3o A tutela de urgência de natureza antecipada não será concedida quando houver


perigo de irreversibilidade dos efeitos da decisão. (destacamos) .

Evidenciam-se, assim, os requisitos que deverão ser verificados pelo juízo para fins de
concessão da tutela provisória: i) a probabilidade do direito e ii) o perigo da demora na
prestação da tutela jurisdicional.

A respeito desses requisitos, eis o que elucida Elpídio Donizetti:

Probabilidade do direito. Deve estar evidenciada por prova suficiente para levar o juiz
a acreditar que a parte é titular do direito material disputado. Trata-se de um juízo
provisório. Basta que, no momento da análise do pedido, todos os elementos convirjam
no sentido de aparentar a probabilidade das alegações. Em outras palavras, para a
concessão da tutela de urgência não se exige que da prova surja a certeza das
alegações, contentando-se a lei com a demonstração de ser provável a existência do
direito alegado pela parte que pleiteou a medida.

Perito de dano ou o risco ao resultado útil do processo. Pode ser definido como o
fundado receio de que o direito afirmado pela parte, cuja existência é apenas provável,
sofra dano irreparável ou de difícil reparação ou se submeta a determinado risco capaz
de tornar inútil o resultado final do processo. (. ..)

Saliente-se que não basta a mera alegação, sendo indispensável que o autor aponte fato
concreto e objetivo que leve o juiz a concluir pelo perigo de lesão. (Novo código de
processo civil comentado (Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015): análise comparativa
entre o novo CPC e o CPC/ 73) -São Paulo: Atlas, 2015) (destaques no original).

Além de tais requisitos, é importante atentar, ainda, para um terceiro, de caráter


negativo, insculpido no §3º, do art. 300, acima transcrito, já que não será concedida a
tutela de urgência antecipada quando houver risco de irreversibilidade dos efeitos da
decisão.

Tais requisitos se mostram imprescindíveis porque a tutela de urgência é, em verdade, a


antecipação de um resultado que somente seria alcançado após a decisão de mérito
transitada em julgado.

Em análise da situação concreta, constato que a responsabilidade civil das atividades


mineradoras acontece na forma objetiva, ocorrendo independente da presença de culpa
ou dolo.
É o que dispõe o Código Civil, que determina a responsabilização objetiva quando a
atividade desenvolvida oferecer risco a outrem, é o que se vê:

Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica
obrigado a repará-lo.

Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de


culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente
desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos
de outrem.

Art. 942. Os bens do responsável pela ofensa ou violação do direito de outrem


ficam sujeitos à reparação do dano causado; e, se a ofensa tiver mais de um autor,
todos responderão solidariamente pela reparação.

Não há novidade nas disposições do Código Civil, uma vez que a Lei 6.938 de 1981 já
determinava a responsabilização objetiva das empresas mineradoras:

Art 4º - A Política Nacional do Meio Ambiente visará:

( ...)

VII - à imposição, ao poluidor e ao predador, da obrigação de recuperar e/ou indenizar


os danos causados e, ao usuário, da contribuição pela utilização de recursos ambientais
com fins econômicos.

Art 14 - Sem prejuízo das penalidades definidas pela legislação federal, estadual e
municipal, o não cumprimento das medidas necessárias à preservação ou correção dos
inconvenientes e danos causados pela degradação da qualidade ambiental sujeitará os
transgressores:

§ 1º - Sem obstar a aplicação das penalidades previstas neste artigo, é o poluidor


obrigado, independentemente da existência de culpa, a indenizar ou reparar os danos
causados ao meio ambiente e a terceiros, afetados por sua atividade. O Ministério
Público da União e dos Estados terá legitimidade para propor ação de responsabilidade
civil e criminal, por danos causados ao meio ambiente.

Por sua vez, o Decreto-Lei 227 de 1967, que regula a atividade minerária, novamente já
previa a responsabilidade objetiva das mineradoras:

Art. 47. Ficará obrigado o titular da concessão, além das condições gerais que constam
deste Código, ainda, às seguintes, sob pena de sanções previstas no Capítulo V:

( ...)

VIII - Responder pelos danos e prejuízos a terceiros, que resultarem, direta ou


indiretamente, da lavra
Nesse aspecto, as provas anexadas aos autos conduzem a impressão inicial de que os
danos ambientais ainda continuam a se perpetrar nas instalações da empresa ré,
produzindo efeitos deletérios juntos aos rios da região.

Conforme se demonstra inicialmente, ainda existem depositados na Barreira de


Santarém 9,795 milhões de metros cúbicos de rejeitos (id 7278694 - pág. 3 e id
7278698 - pág.1 ), os quais, conforme fotografias e laudos produzidos, continuam a
escorrer pelos escombros restantes da barreira destruída no maior dano ambiental já
produzido no Brasil.

O Relatório de Fiscalização nº 15/2016 informa preliminarmente que: "Segundo


informações as obras emergenciais realizadas pela Samarco, PARA CONTENÇÃO DE
SEDIMENTOS PROVENIENTES DA BARRAGEM ROMPIDA DE Fundão não estaria,
apresentando resultado esperado com a lama sendo lançada diretamente no Ribeirão
Gualaxo" (id 7278694 -pág.3).

Ao final, esse mesmo relatório de fiscalização, conclui: "As amostras realizadas


demonstram que os diques existentes, ainda não tem a eficiência necessária para
garantir os parâmetros de qualidade da água no enquadramento na classe 2" (id
7278694 - pág. I 2).

Por sua vez, o Laudo de Análise Ambiental de id 7278696 - pág.5 traz fotografia
impressionante, onde se visualiza a turbidez da água no encontro do Córrego Santarém e
Rio Gualaxo do Norte

Nesse laudo, o perito conclui que ainda há poluição escorrendo para o Córrego
Santarém e Rio Gualaxo do Norte, uma vez que as obras de contenção até hoje
realizadas pela ré Samarco não teriam sido suficientes para estancar o vazamento de
rejeitos e consequentemente, cessar o dano ambiental. Nesse sentido:

"As obras emergenciais implantadas por meio dos denominados Dique SI, Dique S2,
Dique S4 não formam barramento hídrico para a contenção de rejeitas para fins de
clarificação da água. Ainda, visualmente é possível ver a alteração da cor aparente e
turbidez em pontos da jusante das referidas estruturas. Houve monitoramento do
parâmetro TURBIDEZ em ponto a jusante do Dique S4, constatando-se o
extrapolamento dos padrões de qualidade da água, nos termos da norma estadual
Deliberação Normativa Conjunta COPAMICERH-MG nº Oil2008 e da norma federal
Resolução CONAMA nº 35712005".

As estruturas Dique SI e Dique S2 podem não ter atingido o objetivo de manter os


padrões de qualidade da água.

De acordo com o monitoramento apresentado no ponto da jusante do Dique S4,


constata-se que a estrutura não tingiu o objetivo de manter os padrões de qualidade da
água"

(. ..)
"De acordo com o monitoramento apresentado no ponto a jusante do Dique S3,
constata-se que a estrutura não atingiu o objetivo de manter os padrões de qualidade
da água

Os monitoramentos do parâmetro Turbidez realizados em pontos da jusante do


vertedouro da Barragem de Contenção de Rejeitas de Santarém e no Rio Gualaxo do
Norte constataram extrapolamento dos padrões de qualidade da água, nos termos da
norma estadual Deliberação Normativa Conjunta COPAMICERH-MG nº 0112008 e da
norma federal Resolução CONAMA 35712005 ". (id 7278696 - pág.16/17)

Sumariamente, portanto, resta constatado que as obras efetivadas pela ré Samarco,


mesmo ultrapassados mais de 05 meses do catastrófico rompimento da barragem de
rejeitos de Fundão, não foram suficientes para cessar o dano ambiental.

Na verdade, o que se tem inicialmente, é que o dano ambiental se agrava dia após dia,
sem que as partes envolvidas tomem efetiva medida de contenção e reparação dos
estragos vivenciados.

Mediante esse quadro, o pedido formulado pelo Mistério Público é plenamente


justificável, mormente quando propõe a realização sob as custas da ré de obra que
viabilizará a contenção da poluição ambiental local (id 7278697 - pág.1 /12).

A medida pleiteada pelo Ministério Público é de todo pertinente portanto, uma vez que
além de amparada na probabilidade do direito invocado, há evidente perigo na demora,
caso não concedida a medida, já que o prejuízo ambiental e social só tende a agravar
com a permanência da situação.

Pelo exposto, defiro o pedido de tutela de urgência formulado pelo Ministério


Público, para determinar que a ré Samarco adote as seguintes medidas, sob pena
de multa diária de R$ 1.000.000,00:

• cessação do vazamento de Iama no prazo máximo de 05 dias;

• implantar no prazo de 80 dias dique provisório de segurança,


observando-se as normas técnicas pertinentes para a construção e operação
conforme projeto em anexo (id 7278697 - pág.1/12);

• apresentar em Juízo, bem como a CEMAD e ao DNPM, no prazo de


máximo de 10 dias, projeto técnico assinado por profissional habilitado e
com o ART, contendo as medidas emergenciais adicionais para conter
totalmente o vazamento da lama residual das barragens do complexo de
Germano;

• executar imediatamente as medidas emergenc1a1s apresentadas no


projeto referido no item anterior, garantindo a interrupção total do
vazamento de rejeitos;

• apresentar relatórios semanais, com fotografias, descrevendo


detalhadamente a implantação das medidas emergenciais descritas nos itens
"a" e "b";
• apresentar relatórios mensais, com fotografias, descrevendo
detalhadamente as atividades de recuperação.

Determino, ainda, que a ré Samarco fique impedida de operar qualquer


empreendimento no Complexo Minerário de Germano, até que seja demonstrada a
completa estabilização dos impactos ambientais, por meio da contenção da lama
remanescente.

Diante das especificidades da causa e que o interesse público a ela subjacente é de


caráter indisponível, inadmitindo de início a transação por parte do ente público e
privado demandado, deixo para momento oportuno a análise da conveniência de
designação da audiência de conciliação, o que faço com fulcro no art. 139, incisos V e
VI, do NCPC.

Citem-se os réus para, querendo, contestar o feito no prazo legal.

Destaco que a liminar pretendida contra o Estado de Minas Gerais, só será analisada
após a apresentação da contestação.

BELO HORIZONTE, 6 de abril de 2016


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PARECER ÚNICO Nº 021/2016 (SIAM) 0341157/2016


INDEXADO AO PROCESSO: PACOPAM: SITUAÇÃO:
Licenciamento Ambiental 015/1984/091 /2012 Sugestão pelo Indeferimento
Revalidação da Licença de
FASE DO LICENCIAMENTO: VALIDADE DA LICENÇA:
Operação

PROCESSOS VINCULADOS CONCLUÍDOS: PACOPAM: SITUAÇÃO:


LO 1015/1984/040/2004 !Autorizada
LO 015/1984/049/2005 Autorizada
LO 015/1984/069/2009 Autorizada

EMPREENDEDOR: Samarco Mineração S.A CNPJ: 16.628.281 /0003-23


Samarco Mineração SA - Mina do
EMPREENDIMENTO: CNPJ: 00. 000. 00010000-00
Germano
MUNICÍPIO(S): Mariana/MG ZONA: Rural
COORDENADAS GEOGRÁFICA
LAT/Y 7.762.449 LONG/X 862.330
(DATUM): SAD69
LOCALIZADO EM UNIDADE DE CONSERVAÇÃO:
ºINTEGRAL OZONA DE AMORTECIMENTO ouso SUSTENTÁVEL []NÃO
NOME:
BACIA FEDERAL: Rio Doce BACIA ESTADUAL: Rio Piracicaba
UPGRH: Região da Bacia do Rio Piranga e Piracicaba SUB-BACIA: Córrego Santarém
CÓDIGO: ATIVIDADE OBJETO DO LICENCIAMENTO (DN COPAM 74/04): CLASSE
Barragem de contenção de rejeitas/resíduos e recirculação de água - Barragem
A-05-03-7 6
Santarém.

o E-01-18-1 Correia transportadora TCLD. 3

CONSULTORIA/RESPONSÁVEL TÉCNICO: REGISTRO:

RELATÓRIO DE VISTORIA: 85694/2012 IDATA: 23/11/2012

EQUIPE INTERDISCIPLINAR MATRÍCULA ASSINATURA


Gladson de Oliveira - Gestor Ambiental 1.149.306-1
Philipe Jacob de Castro Sales - Gestor Ambiental (Jur) 1.365.493-4
De acordo: Daniel dos Santos Gonçalves
1.364.290-5
Diretor Regional de Apoio Técnico
De acordo: Rafael Cordeiro de Lima Mori
1.132.467-7
Diretor de Controle Processual

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QUADRO 02: Condicionantes da LO Nº 265/2007 - Barragem Santarém


DESCRIÇÃO SITUAÇÃO
1 - Dar continuidade ao programa de monitoramento da Condicionante Cumprida
qualidade das águas superficiais e de efluentes líquidos. Comentário:
a) Os parâmetros a serem analisados e as respectivas Protocolo R171558/2011
freqüências de coletam constam do ANEXO li. Os Protocolo R217868/2012
relatórios de monitoramento poderão ser apresentados a
FEAM com freqüência quadrimestral.
b) A freqüência e os parâmetros de monitoramento
poderão ser alterados, com base em avaliação técnica da
FEAM.
Prazo: A partir da revalidação da LO.
Vencimento: Até a data de vencimento da licença -
17/09/2012
2 - Apresentar proposta que contemple ações Condicionante Cumprida
necessárias para minimizar a alteração constatada na Comentário:
qualidade das águas do Córrego Santarém, referente a Protocolo 111509/2007.
carga de sólidos, inclusive visando melhorar a eficiência
da barragem Santarém no que tange a qualidade das
águas na saída do vertedouro.
Prazo: 60 dias após revalidação da LO.
Vencimento: 16/11 /2007
Condicionante cumprida
Comentário:
a) Item cumprido através da GMA
3 - Em cumprimento á Deliberação Normativa COPAM Nº
164/2007, protocolo nº R127294/2007.
87 /2005, apresentar:
Anexo 02 - Manual de segurança da
a) Manual de operação do sistema, incluindo
Barragem de Santarém
procedimentos operacionais e de manutenção, freqüência

e. de monitoramento, níveis de alerta e emergência da


instrumentação instalada;
b) Protocolo nº R 127294/2007 Anexo
03 - Manual de segurança da
b) Análise de performance do sistema e elaboração de
Barragem de Santarém, item 3.4.1.
plano de contingência, com informação às comunidades;
c) plano de desativação do sistema;
c) Protocolo nº R 127294/2007. Anexo
d) supervisão da construção da barragem e elaboração de
03 - Plano de desativação do sistema
relatórios as built (como construído);
da Barragem de Santarém.
e)execução de auditoria periódica por profissional
legalmente habilitado.
d) Item cumprido através do protocolo
Prazo: 90 dias após revalidação da LO.
R033909/201 O - GMA 039/201 O
Vencimento: 17/12/2007

e) Protocolo nº R 127294/2007. Auto de


fiscalização nº 536; 16024; 16053; 058;
16085.

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O processo está instruído com a documentação exigível pela legislação pertinente, estando apto
assim a ser analisado. O Formulário de Caracterização do Empreendimento fora corretamente
preenchido (fls. 01-03) e assinado pelo Gerente de Meio Ambiente da empresa - que tem procuração
à fl. 08 e documentos pessoais ás fls. 14- e protocolados todos os documentos exigidos no
Formulário de Orientação Básica - FOB (fl. 04-05).

Verifica-se que foi dada a devida publicidade ao pedido de licenciamento nos termos da resolução
CONAMA nº 6 de 1986 e DN COPAM nº 13/95 através da publicação em jornal de grande circulação
(fls. 164/169) e no Diário Oficial (fl. 166)

A resolução SEMAD nº 412, prevê em seu art. 11 que "Não ocorrerá a formalização do processo de
AAF ou de licenciamento ambienta/, bem como dos processos de autorizações de uso de recursos
hídricos e intervenções em recursos florestais, nas seguintes hipóteses, configuradas isoladamente
ou em conjunto". Desta sorte fora emitida Certidão Negativa de Debito Ambiental nº 464996/2012
que atesta que o empreendedor não possui qualquer débito decorrente de aplicação de multas por
infringência à legislação ambiental, que consta á fl. 165.

O empreendedor apresentou inscrição no Cadastro Técnico Federal de atividades potencialmente


poluidoras, conforme fl. 783.

Os custos indenizatórios de análise do licenciamento ambiental foram devidamente quitados, bem


como os emolumentos, cujos comprovantes de recolhimento estão acostados aos autos.

Por se tratar de imóvel localizado na zona rural faz-se necessária a manutenção de área de reserva
legal nos moldes do art. 25 da Lei nº 20.922/13. A reserva legal do imóvel do empreendimento
encontra-se regularizada da certidão de registro do imóvel e termo de responsabilidade de
preservação de florestas (fls. 04-15 / 182-218 / 225-232). Não fora apresentada inscrição do imóvel
no CAR.

O relatório de cumprimento de condicionantes das licenças ambientais anteriores foi devidamente


apresentado pelo empreendedor e, após verificação, conforme consta neste parecer único, julgado
satisfatório pela equipe de análise técnica.

Foi feito caminhamento e apresentado relatório de prospecção espeleológico para a identificação de


potenciais cavidades. Foi apresentado PUP e PRTF ás folhas 398-562

O uso de recursos hídricos necessário ao empreendimento fora outorgado através da Portaria nº


1115/2006, válida, em renovação através do processo nº 10.495/2011.

Passemos ás especificidades do caso.

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cúP'i f\
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ANEXO Ili
Relatório Fotográfico
As ens abaixo mostram a barra em Santarém em 20/07/2015 e 09/11/2015.

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As duas imagens abaixo mostram a barragem Santarém 09/03/2016. Ao centro o vertedouro original
destruído e à esquerda o novo provisório. Na imagem seguinte o conceito preliminar de reforma e
reconstrução do barramento.

• ALTEAMENTO SANTARÉM SAMARCO :•


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Superintendênc ia Reg iona l de Meio Amb iente Centra l Metropo litana - SUPRAM CM
Rua Esp íri to Santo, 495 - Centro - Belo Hori zonte/MG - 30. 160-030 - Te lefone: (3 1) 3228-7700
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

EXCELENTÍSSIMA JUÍZA DE DIREITO DA r VARA CRIMINAL DA


COMARCA DE MARIANA/MG.

Distribuição por dependência à medida cautelar nº 0007896-65.2016.8.13.0400

CERTIDÃO

Certifico que o presente Procedimento Investigatório, foi distribuído em 11


de março de 2016 na Comarca de Belo Horizonte sob nº 0008613-77.2016.8.13.0400.
Em, 11 de abril d 6.

Marilairl .e us o entino de Oliveira


Oficiala do MP (MAMP 2869)

O MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS, por


intermédio dos Promotores de Justiça ao final assinados, no exercício de suas atribuições,
vem, com fulcro no art. 129, I, da Constituição Federal, c/c art. 41 do CPP, com base no
incluso Procedimento Investigatório Criminal nº 0400.16.000020-6, medida cautelar nº
0007896-65.2016.8.13.0400, peças extraídas dos Inquéritos Civis 0024.15.017864-8 e
0024.15.016236-0, oferecer DENÚNCIA em face de:

1) SAMARCO MINERAÇÃO S.A., pessoa jurídica de direito privado,


inscrita no CNPJ sob n. 16.628.281/0003-23, com sede na Mina Germano,
( localizada à Rodovia MG 129 km 117,5, zona rural de Mariana/MG;

2) RICARDO VESCOVI DE ARAGÃO, brasileiro, casado, engenheiro


metalúrgico, natural de Vitória/ES, nascido aos 14/01/1970, filho de Maria
Domingas V escovi de Aragão e de José Lourenço Costa de Aragão, CPF n.
003.273.567-74, residente e domiciliado na rua Luz Serena, OS, residencial
Nascentes, Nova Lima-MG;

3) KLÉBER LUIZ DE MENDONÇA TERRA, brasileiro, casado,


engenheiro de minas, natural de Barroso/MG, nascido aos 28/01/1971, filho de
Dulce Rosimeri de Mendonça Terra, inscrito no CPF sob n. 780.363.136-34,
residente na rua José Capistrano Nobre, 36, Guarapari-ES;
1
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

4) MAURY SOUZA JÚNIOR, brasileiro, engenheiro metalúrgico, Diretoria


de Operações e Infraestrutura da Samarco Mineração S/ A, nascido em
02/08/1967, filho de Maury de Souza e Maria Aparecida de Souza, CPF nº
639.573.296-04, RG M-3778112, SSP /MG, com endereço profissional na Mina
Germano, localizada à Rodovia MG 129 km 117,5, zona rural de Mariana/MG,
Mariana-MG;

5) RUBENS BECHARA JÚNIOR, brasileiro, casado, engenheiro


metalúrgico, Gerente Geral de Saúde e Segurança da Samarco Mineração S/ A,
filho de maria Solange de mendonça Bechara, CPF 275.072.386-87, RG M-
572475, residente na Rua Alberto Ramalhete, Coutinho, 2066, apto 101, Praia do
Morro, Guarapari/ES;

6) MÁRCIO ISAÍAS PERDIGÃO MENDES, brasileiro, casado,


engenheiro mecânico, nascido aos 24/01/1960, filho de Mário Mendes
Castanheira e Efigênia Perdigão Mendes, CPF Nº 372.713.696-00, RG M-
1566148 - SSP /MG, residente a Av.Viõ.a Del Mar, 1206, apto 402, Guarapari/ES,
CEP 29.206.170;

7) WAGNER MILAGRES ALVES, brasileiro, casado, engenheiro, RG


369046-5, CPF 789.869.406-63, filho de Maria Ângela Milagres Alves e Sebastião
Alves Filho, residente na Rua Lucy de Morais, nº 147, Bairro Santana,
Mariana/MG;

8) GERMANO SILVA LOPES, brasileiro, casado, engenheiro civil, natural


de Ibabirito/MG, nascido aos 02/03/1970, filho de Nata Maria Silva Lopes e de
Geraldo Benedito Lopes, inscrito no CPF sob n. 732.291.056-72, residente na rua
Antonio Carlos, 216, bairro Boa Viagem, Itabirito-MG;

9) DAVIELY RODRIGUES DA SILVA, brasileira, casada, engenheira civil,


natural de Belo Horizonte/MG, nascida aos 13/12/1974, filha de Adelino Eli
Silva e Maria Lúcia Nascimento Silva, CPF nº 979.757.376-15, RG nº M-7317581

2
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- SSP /MG, residente a Rua Antares 2, Cruzeiro do Sul, Mariana/MG, CEP:


35.420-000;

10) ÁLVARO JOSÉ RIBEIRO PEREIRA, brasileiro, casado, engenheiro


Metalurgista, natural de Lavras/MG, nascido aos 28/12/1980, filho de José
Petrini Pereira e Maria Edilze Ribeiro Pereira, CPF nº 051.521.186-96, RG nº MG
- 10644499 /SSP /MG, residente a Rua Volanz, 148, bairro Cruzeiro do Sul,
Mariana/MG, CEP: 35.420-000;

o 11) JOÃO BATISTA SOARES FILHO, brasileiro, engenheiro de minas,


Gerente de Desenvolvimento Ambiental e Licenciamento na Samarco Mineração
S/ A, nascido em 25/02/1970, CPF 009.715.657-40, residente na Rua Diamante,
nº 03, Vila Samaraco, Ouro Preto/MG, CEP 35.400-000;

12) EUZIMAR AUGUSTO DA ROCHA ROSADO, brasileiro, casado,


natural de Vitória/ES, filho de Esmeralda Fiorotii da Rocha Rosado, CPF n.
034.845.677-83, residente e domiciliado na rua Constante Sodré, 1190, apto 801,
Praia do Canto, Vitória-ES;

13) EDMILSON DE FREITAS CAMPOS, brasileiro, filho de Maria Helena


Trindade Campos, CPF n. 814.567.276-72, residente e domiciliado na rua
Andromeda, 77, Cruzeiro do Sul, Mariana-MG;

14) REUBER LUIS NEVES KOURY, brasileiro, filho de Maria Efigênia


Neves Koury, CPF n. 519.643.766-53, residente e domiciliado na rua Ceará, 1.735,
apto 1.601, Funcionários, Belo Horizonte-MG;

15) WANDERSON SILVÉRIO SILVA, brasileiro, casado, engenheiro civil,


natural de Belo Horizonte/MG, nascido aos 13/10/1971, filho de José Darly
Silva e Odentina Laureano da Silva, CPF nº 815.705.706-04, CREA/MG nº
63.173 D, residente a Rua 5 de Junho, nº 149, Vila Maquiné, Mariana/MG, CEP:
35.420-000, pelos seguintes fatos que passa a expor:

3
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

Constam dos documentos anexos, que, durante o período compreendido entre o


dia 05 de novembro de 2015 até o dia 15 de fevereiro de 2016, os denunciados RICARDO
VESCOVI, KLEBER TERRA, MAURY SOUZA JÚNIOR, RUBENS BECHARA,
MÁRCIO PERDIGÃO, WAGNER MILAGRES, GERMANO LOPES, DAVIELY
SILVA, ÁLVARO PEREIRA, JOÃO BATISTA SOARES FILHO, EUZIMAR
ROSADO, WANDERSON SILVA, EDMILSON CAMPOS e REUBER KHOURY, em
unidade de desígnios e comunhão de esforços recíprocos, se associaram com o fim
específico de cometerem crimes ambientais, em interesse e benefício da SAMARCO
MINERAÇÃO S.A., que obteve vantagens indevidas em razão de não despender recursos
para cumprimento de obrigações exigidas pela legislação ambiental e determinadas pelos
órgãos ambientais competentes, além de se eximir de eventuais penalidades administrativas
e minimizar a exposição negativa do nome da empresa perante a opinião pública.

No mesmo lapso temporal, os acusados RICARDO, KLÉBER, MAURY,


RUBENS, MÁRCIO, WAGNER, GERMANO, DAVIELY, ÁLVARO e JOÃO
BATISTA, em unidade de desígnios e comunhão de esforços recíprocos, deixaram de
adotar, em diversas ocasiões distintas, medidas de precaução exigidas pelos órgãos
ambientais competentes em razão de risco de dano ambiental grave e irreversível.

Consta ainda dos autos que, no mesmo período, os acusados RICARDO,


KLÉBER, MÁRCIO, WAGNER, GERMANO, DAVIELY, JOÃO BATISTA,
EUZIMAR e WANDERSON, em unidade de desígnios e comunhão de esforços
recíprocos, deixaram de cumprir obrigações de relevante interesse ambiental.

Segundo se apurou, no dia 05 de novembro de 2015, por volta de 17:00hs, o


denunciado MARCIO PERDIGÃO, Gerente Geral de Meio Ambiente e Licenciamento
da Mina Germano, localizada à Rodovia MG 129 km 117,5, em Mariana/MG, pertencente
à denunciada SAMARCO MINERAÇÃO S/ A, comunicou à Secretaria de Meio Ambiente
e Desenvolvimento Sustentável (SEMAD) do Estado de Minas Gerais o rompimento da
Barragem de Rejeitos do Fundão, que provocou danos ambientais e sociais de imensas
proporções.
4
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

No mesmo dia, por volta das 21:00hs, os técnicos do Núcleo de Emergência


Ambiental (NEA) e da Fundação E stadual do Meio Ambiente (FEAM) compareceram ao
local para verificar as circunstâncias do rompimento, avaliar a extensão dos danos e
identificar as medidas emergenciais necessárias para mitigar os impactos socioambientais.

Naquela oportunidade, os agentes ambientais foram recepcionados pelos


denunciados EUZIMAR, Coordenador de Meio Ambiente, WANDERSON,
Coordenador Técnico de Planejamento e Monitoramento, e DAVIELY, Gerente de
Geotecnia de Barragens, que prestaram as informações iniciais relativas à ruptura da
barragem e ao monitoramento das estruturas remanescentes. Em seguida, os servidores do
NEA e da FEAM determinaram a apresentação dos Relatórios de Auditoria Técnica de
Segurança de Barragem Ano Base 2014 e 2015, nos termos da legislação ambiental
pertinente.

No dia seguinte, por volta das 09:00hs, os órgãos ambientais realizaram vistoria in
loco nas estruturas remanescentes do complexo de barragens e nas áreas impactadas pelo
rompimento. Na ocasião, requereram aos denunciados EUZIMAR, WANDERSON e
DAVIELY a entrega imediata do projeto de alteamento da barragem Fundão, do manual
de operação e da carta de risco da estrutura.

Contudo, conforme o Relatório Técnico FEAM / GERIM nº 13/ 2015, os


documentos exigidos pela fiscalização nos dias OS e 06 / 11 não foram providenciados
adequada e tempestivamente pelos denunciados, impedindo, naquele momento, a
identificação das possíveis causas do rompimento, da extensão do dano, dos riscos ainda
existentes e das medidas emergenc1a1s necessárias para mitigar os impactos
socioambientais.

Ao final da vistoria, os agentes públicos lavraram o Auto de Fiscalização nº


38.963 / 2015 e, diante do grave e iminente risco para novas vidas humanas, para o meio
ambiente e recursos hídricos, determinaram a suspensão imediata das atividades do
complexo minerário de Germano da Samarco Mineração S /A, autorizando apenas a
adoção das medidas emergenciais necessárias para conter novo s danos.
5
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

No dia 09 de novembro de 2015, foi realizada uma nova fiscalização pelo Núcleo
de Emergência Ambiental (NEA), conforme relatado no Auto de Fiscalização nº
92.886/2015. Naquela data, os agentes ambientais exigiram do denunciado ÁLVARO
PEREIRA informações acerca das providências relativas à proteção da população
localizada à jusante das barragens de rejeito, especialmente sobre o Plano de Alerta. Em
seguida, determinaram a realização, com a maior brevidade possível, de simulados de
evacuação com as comunidades e demais interventores, para garantir a efetividade do
Plano Alerta.

O denunciado RUBENS exercia a função de Gerente Geral de Saúde e Segurança,


tendo como um de seus subordinados o Gerente de Segurança do Trabalho, qual seja, o
denunciado ÁLV ARO, ambos com atribuições relativas às atividades de segurança do
trabalho e do meio ambiente, coordenação de equipes, treinamento e atividade de trabalho
visando à promoção de um ambiente saudável e seguro. Tanto o denunciado RUBENS
como o denunciado ÁLVARO tinham, dentre outras, a atribuição específica de
implementar ações dos planos de emergência após o rompimento da barragem de Fundão,
incluindo a realização de simulados e ações de alerta à comunidade.

Naquela data, o denunciado GERMANO LOPES, Gerente Geral de Projetos


Estruturantes, prestou esclarecimentos ao órgão ambiental sobre os riscos de novos
rompimentos nas estruturas remanescentes, o que poderia ensejar o agravamento dos
danos ao meio ambiente e às comunidades situadas à jusante do empreendimento.

Ainda no dia 09 de novembro de 2015, a Fundação Estadual do Meio Ambiente


(FEAM), por meio do Auto de Fiscalização nº 40.764/2015, exigiu da denunciada
SAMARCO MINERAÇÃO S.A, no prazo máximo de 05 (cinco) dias, a apresentação dos
seguintes documentos: 1) Geometria dos alteamentos em planta e perfis transversais,
locação e leituras dos piezômetros, NA do reservatório da Barragem do Fundão e as
medições de vazão em drenos nos últimos 12 (doze) meses; 2) Fichas de inspeções
rotineiras realizadas nos últimos 12 (doze) meses, em atendimento à lei Federal nº
12.334/2010, com o devido protocolo no DNPM; 3) ART (Anotação de Responsabilidade
6
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

Técnica) do Projeto e de construção dos últimos alteamentos; 4) ART (Anotação de


Responsabilidade Técnica) do responsável pela Operação da Barragem do Fundão; 5)
Declaração de Condição de Estabilidade das Barragens Fundão, Santarém e Germano
(modelo oficial gerado no Banco de Declarações Ambientais - BDA) dos anos de 2014 e
2015.

No mesmo Auto de Fiscalização nº 40.764/2015, o órgão ambiental deixou


consignado que "a empresa descumpriu determinação de servidor credenciado ao não entregar a
documentaç'ão solicitada através do auto de fiscalizafãO lavrado pelo NEA", referindo-se as
o determinações registradas no AF nº 38.963/2015, lavrado no dia 06/11/2015.

No dia 12 de novembro de 2015, a FEAM lavrou o Auto de Fiscalização nº


40.765/2015, registrando novamente que os denunciados não cumpnram as
determinações impostas pelos órgãos ambientais na vistoria realizada no dia 06/11/2015
(AF nº 38963/2015).

No dia 15/11/2015, os técnicos do órgão ambiental lavraram outro Auto de


Fiscalização (nº 68.515), que foi recebido pelo denunciado JOÃO BATISTA, Gerente de
Desenvolvimento Ambiental e Licenciamento da Samarco, reiterando pela terceira vez a
imprescindibilidade da documentação solicitada anteriormente.

As medidas de precaução e os documentos exigidos pelo NEA e pela FEAM nos


dias 05, 06, 09, 12 e 15/11 eram, naquele momento, imprescindíveis para a definição das
ações emergenciais necessárias para impedir o agravamento dos impactos ambientais,
humanos e sociais.

Entretanto, em que pese a urgência das providências requeridas pelos órgãos


ambientais e não obstante o risco iminente de outros danos graves e irreversíveis, os
denunciados deixaram de atender adequada e tempestivamente as determinações das
autoridades competentes.

No dia 11 de dezembro de 2015, na sede da SAMARCO em Mariana/MG, foi


realizada reunião entre os representantes da empresa e diversos órgãos de proteção ao

7
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

meio ambiente. Na oportunidade os servidores do NEA reforçaram a importância da


realização de simulado de evacuação com as populações das comunidades a jusante das
estruturas remanescentes, em conjunto com a defesa civil dos municípios. Em resposta, o
denunciado ÁLV ARO, representando a denunciada SAMARCO, informou que o
simulado não havia sido realizado, pois ainda estaria em fase de planejamento.

Nos dias 16 e 17 de janeiro de 2016, ocorreram seguidos carreamentos de blocos


de enrocamento e resíduos depositados nas estruturas remanescentes, com intensa
movimentação de lama e consequente rompimento do Dique 2, principalmente em razão
da instabilidade das estruturas associada às fortes chuvas que atingiram a região naquele
período.

Os deslocamentos de material residual depositados no vale da Barragem do Fundão


foram registrados pelas câmeras de vigilância instaladas pela denunciada SAMARCO, para
monitorar a estabilidade das estruturas remanescentes, e eram de pleno conhecimento dos
denunciados MÁRCIO, GERMANO, DAVIELY, KLÉBER, JOÃO BATISTA,
WAGNER e RICARDO.

Contudo, nos dia 16 e 17 janeiro de 2016, os acusados supramencionados, apesar


de saberem dos riscos de novos danos ambientais, deixaram de executar o Procedimento
de Emergência e acionar os alertas necessários, além de não informarem os fatos aos
órgãos competentes, omitindo-se novamente na adoção das medidas de precaução e
descumprindo obrigações de relevante interesse ambiental.

Restou comprovado que, depois de tomarem ciência do grave sinistro ocorrido nos
dias 16 e 17 /01/2016, os referidos denunciados, unidos pelo mesmo liame subjetivo,
preocuparam-se, primordialmente, em evitar que a aludida gravação chegasse ao
conhecimento de terceiros, buscando se furtar a qualquer tipo de responsabilização e
minimizar a exposição negativa do nome da empresa.

Já no dia 27 de janeiro de 2016, por volta de 12:00hs, foi identificada pela sala de
monitoramento das barragens da SAMARCO outra grande movimentação de lama no

8
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

mesmo local, tendo sido emitido alerta amarelo e determinada a imediata evacuação da
área exposta a risco.

Contudo, os acusados MAURY, MÁRCIO, GERMANO, DAVIELY, JOÃO


BATISTA e WAGNER deixaram de comunicar imediatamente o ocorrido à FEAM e
demais órgãos ambientais competentes, descumprindo a obrigação de relevante interesse
ambiental prevista no art. 90, I, do Decreto Estadual nº 44.844/2008 1.

No dia 29 de janeiro de 2016, em reunião realizada na sede da denunciada


SAMARCO, o Núcleo de Ações Emergenciais elaborou o Auto de Fiscalização nº
68536/2016, reiterando, pela segunda vez, a necessidade de realizar, com a máxima
urgência, o simulado de evacuação envolvendo a população e todos os entes públicos
intervenientes no processo de prevenção, especialmente em virtude dos eventos ocorridos
no mês de janeiro.

No dia 15 de fevereiro de 2016, pela manhã, na sede da Samarco, em Mariana, os


acusados REUBER e EDMILSON, funcionários da empresa, em comunhão de desígnios,
agindo no interesse e benéfico da SAMARCO, cumprindo ordem manifestamente ilegal de
seu superior MAURY, obstaram e dificultaram a ação fiscalizadora do Poder Público no
trato das questões ambientais.

Na data e local acima citados, REUBER e EDMILSON, ao receberem equipe de


fiscalização integrada por agentes do Núcleo de Combate aos Crimes Ambientais do
Ministério Público do Estado de Minas Gerais e da Polícia Ambiental de Minas Gerais,
deixaram de designar profissional da área de geotecnia para acompanhamento da vistoria,
impedindo e dificultando a obtenção dos dados e informações necessários, bem como o
trabalho dos técnicos envolvidos.

No período compreendido entre os dias OS de novembro de 2015 e 20 de janeiro


de 2016, a associação criminosa ora denunciada operava com a seguinte estrutura

1
"Art. 90. Fica a pessoa física ou jurídica responsável por empreendimento que provocar acidente com dano
ambiental obrigada a: I - comunicar imediatamente o acidente à Superintendência Regional de Meio Ambiente da
SE:NLAD ou à FEAM ou ao IEF ou ao IGAM, solicitando registro da data e horário da comunicação, para fins de
futura comprovação".
9
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

hierárquica:

Ricardo
Vescovi

lillill ltn•
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Lfii!l!I

O denunciado RICARDO era o diretor Presidente da Samarco Mineração S/ A,


tendo como função assegurar a obtenção dos resultados definidos nos planos operacionais
e administrativos, bem como realizar a coordenação geral de todas as áreas da empresa.
O denunciado KLÉBER, enquanto Diretor de Operações e Infraestrutura da
Samarco Mineração S /A, era responsável pela direção de todas as atividades produtivas,
bem como pela infraestrutura física e patrimonial, tendo, ainda, função de avaliação de
requisitos que garantissem operações seguras e em conformidade com questões
ambientais.
Por sua vez, o denunciado MÁRCIO exercia a função de Gerente Geral de Meio
Ambiente e Licenciamento e detinha as atribuições de coordenação das atividades de
controle ambiental e licenciamento, tendo como subordinado, dentre outros, o
denunciado JOÃO BATISTA, Gerente de Desenvolvimento Ambiental e Licenciamento.
Restou comprovado que o denunciado MÁRCIO e sua equipe eram sempre informados a
respeito de todas as eventualidades e intercorrências nas estruturas, exercendo a função de
fazer contatos e comunicações aos órgãos ambientais.

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

O denunciado WAGNER exercia a função de Gerente Geral de Operações de


Mina e era responsável pelos processos de mineração e barragens e por zelar pela saúde e
segurança dos empregados e gestão do meio ambiente. Tal denunciado respondia ao
Diretor de Operações e Infraestrutura, o denunciado KLEBER, e tinha como
subordinado, dentre outros, a denunciada DAVIELY, a qual exercia a função de Gerente
de Geotecnia e Hidrogeologia de Barragens, e WANDERSON, Coordenador Técnico de
Planejamento e Monitoramento.
O denunciado GERMANO, Gerente Geral de Projetos Estruturantes, tinha sob a
sua responsabilidade a execução dos planos de ações emergenciais da empresa, inclusive
das providências para evitar e minimizar impactos em situações de rompimento de
barragem.
Os denunciados RICARDO e KlÉBER desempenharam suas funções até o dia 20
de janeiro de 2016, enquanto os acusados WAGNER, DAVIELY, GERMANO e
WANDERSON foram licenciados a partir do dia 28 de janeiro de 2016.
Com o afastamento do denunciado KLÉBER, o denunciado MAURY assumiu as
funções inerentes à Diretoria de Operações e Infraestrutura, tendo como subordinado,
dentre outros, o denunciado REUBER, a quem dirigiu ordem manifestamente ilegal no
sentido de que a fiscalização efetivada pelo Ministério Público e pela polícia Militar fosse
obstruída e dificultada.
Os denunciados RICARDO, KLÉBER, MAURY, RUBENS, MÁRCIO,
WAGNER, DAVIELY e GERMANO, enquanto responsáveis por funções de comando e
de gestão de crise, tinham pleno conhecimento, após o rompimento da barragem de
Fundão, de todos os fatos relacionados às ocorrências nas estruturas remanescentes do
complexo minerário, às determinações dos órgãos ambientais e às obrigações ambientais
inerentes ao empreendimento. Tais denunciados, podendo e devendo agir, omitiram-se
quanto ao seu dever de adotar as medidas de precaução necessárias em razão do risco
ambiental decorrente da situação de fragilidade das estruturas remanescentes e de cumprir
as obrigações de relevante interesse ambiental.

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

As condutas delitivas praticadas pelas pessoas físicas denunciadas repercutem em


responsabilidade penal da pessoa jurídica denunciada, a teor do que dispõe o art. 3º, Lei
9605/98.
Destarte, havendo provas da existência dos fatos típicos e indícios veementes de
sua autoria, presente a justa causa para deflagração da ação penal.

Ante o exposto, o Ministério Público do Estado de Minas Gerais denuncia:

1) SAMARCO MINERAÇÃO S.A. como incursa nos artigos 54, §3º (por 03 vezes),
Ü art. 68 (por 02 vezes) e art. 69 (por 01 vez) e.e. art. 3° e 24, todos da Lei 9605/98, na
forma do art. 69 do CP;

2) RICARDO VESCOVI DE ARAGÃO, como incurso nos artigos 54, §3º (por 02
vezes) e art. 68 (por 02 vezes) e.e. art. 2°, todos da Lei 9605/98, bem como no art. 288 do
Código Penal, na forma do art. 69 do CP;

3) KLEBER LUIZ DE MENDONÇA TERRA, como incurso nos artigos 54, §3º
(por 02 vezes) e art. 68 (por 02 vezes) e.e. art. 2°, todos da Lei 9605/98, bem como no art.
288 do Código Penal, na forma do art. 69 do CP;

4) WAGNER MILAGRES ALVES, como incurso nos artigos 54, §3º (por 03 vezes)
e art. 68 (por 02 vezes) e.e. art. 2°, todos da Lei 9605/98, bem como no art. 288 do
Código Penal, na forma do art. 69 do CP;

5) GERMANO SILVA LOPES, como incurso nos artigos 54, §3º (por 03 vezes) e
art. 68 (por 02 vezes) e.e. art. 2°, todos da Lei 9605 / 98, bem como no art. 288 do Código
Penal, na forma do art. 69 do CP;

6) DAVIELY RODRIGUES DA SILVA, como incursa nos artigos 54, §3º (por 03
vezes) e art. 68 (por 02 vezes) e.e. art. 2°, todos da Lei 9605 / 98, bem como no art. 288 do
Código Penal, na forma do art. 69 do CP;

7) MÁRCIO ISAÍAS PERDIGÃO MENDES, como incurso nos artigos 54, §3º (por
02 vezes) e art. 68 (por 02 vezes) e.e. art. 2°, todos da Lei 9605/98, bem como no art. 288
do Código Penal, na forma do art. 69 do CP;
12
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

8) JOÃO BATISTA SOARES FILHO, como incurso nos artigos 54, §3º (por 02
vezes) e art. 68 (por 02 vezes) e.e. art. 2°, todos da Lei 9605/98, bem como no art. 288 do
Código Penal, na forma do art. 69 do CP;

9) MAURY SOUZA JÚNIOR, como incurso nos artigos 54, §3º (por 01 vez) e art. 69
(por 01 vez) e.e. art. 2°, todos da Lei 9605/98, bem como no art. 288 do Código Penal, na
forma do art. 69 do CP;

10) ÁLVARO JOSÉ RIBEIRO PEREIRA, como incurso nos artigos 54, §3º (por 01

o vez) e.e. art. 2°, ambos da Lei 9605/98, bem como no art. 288 do Código Penal, na forma
do art. 69 do CP;

11) RUBENS BECHARAJÚNIOR, como incurso nos artigos 54, §3º (por 01 vez) e.e.
art. 2°, ambos da Lei 9605/98, bem como no art. 288 do Código Penal, na forma do art.
69 do CP;

12) REUBER LUIS NEVES KHOURY, como incurso nos artigos 69 (por 01 vez) e.e.
art. 2°, ambos da Lei 9605/98, bem como no art. 288 do Código Penal, na forma do art.
69 do CP;

13) EDMILSON DE FREITAS CAMPOS, como incurso nos artigos 69 (por 01 vez)
e.e. art. 2°, ambos da Lei 9605/98, bem como no art. 288 do Código Penal, na forma do
art. 69 do CP;

14) EUZIMAR AUGUSTO DA ROCHA ROSADO, como incurso nos artigos 68


(por 02 vezes) e.e. art. 2°, ambos da Lei 9605/98, bem como no art. 288 do Código Penal,
na forma do art. 69 do CP;

15) WANDERSON SILVÉRIO SILVA, como incurso nos artigos 68 (por 02 vezes)
e.e. art. 2°, ambos da Lei 9605/98, bem como no art. 288 do Código Penal, na forma do
art. 69 do CP;

Requer o Ministério Público que, autuada e recebida a presente, seiam os


denunciados citados, processados e, ao final, condenados nas penas cabíveis, ouvindo-se,
oportunamente, as testemunhas abaixo arroladas.
13
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

ROL DE TESTEMUNHAS:

1. Wanderlene Ferreira Nacif, servidora pública estadual, integrante do Núcleo de

Emergências Ambientais da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, com


endereço profissional na Rodovia Prefeito Américo Gianetti, 4143 Bairro Serra
Verde - Belo Horizonte - Minas Gerais - CEP: 31630-900.

2. Milton Olavo de Paiva Franco - NEA - servidor público estadual, integrante do


Núcleo de Emergências Ambientais da Secretaria Estadual de Meio Ambiente,
com endereço profissional na Rodovia Prefeito Américo Gianetti, 4143 Bairro
Serra Verde - Belo Horizonte - Minas Gerais - CEP: 31630-900.

3. Alder Marcelo de Souza, servidor público estadual junto à FEAM, com endereço
profissional na Rodovia Prefeito Américo Gianetti, 4143 Bairro Serra Verde -
Belo Horizonte - Minas Gerais CEP: 31630-900;

4. Diogo Soares de Melo Franco, Presidente da FEAM, com endereço profissional


na Rodovia Prefeito Américo Gianetti, 414 3 Bairro Serra Verde - Belo Horizonte
- Minas Gerais CEP: 31630-900;

5. Walmir José Fagundes, Policial Militar, com endereço na Rua Dias Adorno, 378,
8º andar, Santo Agostinho - Belo Horizonte - MG.

6. José Bernardo Vasconcelos Rodrigues de Oliveira, com endereço na Rua Vereda


da Estrela, nº 63, Bairro Veredas das Gerais, Nova Lima/MG;

Mariana, 10 de março de 2016.

Antônio Carlos de Oliveira Carlos Eduardo Ferreira Pinto


Promotor de Justiça Promotor de Justiça - NUCRIM
Curador do Meio Ambiente de Mariana

14
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

Marcos Paulo de Souza Miranda Mauro da Fonseca Ellovitch


Promotor de Justiça - NUCRIM Promotor de Justiça - NUCRIM

Marcelo Azevedo Maffra Francisco Chaves Generoso

Promotor de Justiça - NUCRIM Promotor de Justiça - NUCRIM

Daniel Oliveira de Ornelas Felipe Faria de Oliveira

Promotor de Justiça - NUCRIM Promotor de Justiça - NUCRIM

15
NUMERAÇÃO ÚNICA: 0008613-77.2016.8.13.0400
1ª CÍVEL/CRIME - Jll ATIVO PRINCIPAL

Class Procedimento Investigatório do MP (Peças de


e: Informação)
Assu PENAL > Crimes Previstos na Legislação Extravagante > Crimes contra o
nto: Meio Ambiente e o Patrimônio Genético > Da Poluição
Maço 84

CS: -

Indiciado : S.M. e outros.


Todos os Andamentos

NUMERAÇÃO ÚNICA: 0008613-77.2016.8.13.0400


1ª CÍVEL/CRIME - Jll ATIVO

PROCESSO SUSPENSO OU SOBRESTADO JUIZ(A) SUBSTITUTO(A)


11/04/2016
POR CONFLITO DE COMPETÊNCIA 74872
RECEBIDOS OS AUTOS DO MINISTÉRIO
11/04/2016
PÚBLICO
AUTOS ENTREGUES EM CARGA AO
PROMOTOR(A) 20001572 08/04/2016
MINISTÉRIO PÚBLICO
ATO ORDINATÓRIO VISTA MP 07/04/2016
PROFERIDO DESPACHO - CUMPRA-SE 07/04/2016
JUIZ(A) SUBSTITUTO(A)
CONCLUSOS PARA DESPACHO 17/03/2016
74872
JUNTADA DE PETIÇÃO DE EMBARGOS
17/03/2016
DE DECLARAÇÃO
RECEBIDOS OS AUTOS DO MINISTÉRIO
17/03/2016
PÚBLICO
AUTOS ENTREGUES EM CARGA AO
PROMOTOR(A) 20001572 15/03/2016
MINISTÉRIO PÚBLICO
PROFERIDO DESPACHO - CUMPRA-SE 15/03/2016
JUIZ(A) SUBSTITUTO(A)
CONCLUSOS PARA DESPACHO 14/03/2016
74872
RECEBIDOS OS AUTOS 11/03/2016
REMETIDOS OS AUTOS DA
DISTRIBUIÇÃO À SECRETARIA DE 11/03/2016
JUÍZO
REDISTRIBUÍDO POR PREVENÇÃO 04000902400160007896 11/03/2016
DISTRIBUÍDO POR SORTEIO