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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA QUÍMICA E QUÍMICA


INDUSTRIAL

ENGENHARIA QUÍMICA

DETERMINAÇÃO DA DIFUSIVIDADE DO ÉTER ETÍLICO NO


AR UTILIZANDO AS CÉLULAS DE ARNOLD E STEFAN E
COMPARAÇÃO COM VALORES DA LITERATURA E
CALCULADOS POR CORRELAÇÕES

BIANCA OLIVEIRA MEDEIROS

FERNANDA CARVALHO SANTOS

JOÃO VÍCTOR MAIA LEITE GARRIDO

JULIANE ARAUJO DE CARVALHO

RAQUEL ESTEVEZ ROCHA

SÃO CRISTOVÃO

2019
BIANCA OLIVEIRA MEDEIROS

FERNANDA CARVALHO SANTOS

JOÃO VÍCTOR MAIA LEITE GARRIDO

JULIANE ARAUJO DE CARVALHO

RAQUEL ESTEVEZ ROCHA

DETERMINAÇÃO DA DIFUSIVIDADE DO ÉTER ETÍLICO


NO AR UTILIZANDO AS CÉLULAS DE ARNOLD E
STEFAN E COMPARAÇÃO COM VALORES DA
LITERATURA E CALCULADOS POR CORRELAÇÕES

Relatório para a disciplina de Laboratório


de Fenômenos de Transporte da turma 01
do curso de Engenharia Química no
período 2018.2.

PROFª. DR. MANOEL PRADO.

SÃO CRISTOVÃO 2019

2
Resumo:

A difusão é um processo cuja força motriz é a diferença da concentração de uma espécie


em dois meios diferentes. Quando ocorre esta diferença, a espécie se move da região de
maior para a de menor concentração. A lei que modela as variações nas concentrações de
espécies é conhecida como a Lei de Fick. O coeficiente de difusão, conhecido também
como difusividade mássica, é o fator de proporcionalidade da Lei de Fick. A célula de
Arnold é um aparato experimental que tem como objetivo medir o coeficiente de
difusividade de um gás experimentalmente, consistindo de um tubo capilar, parcialmente
preenchido por um líquido puro que vaporiza e se difunde por estar em contato com uma
corrente de gás B. Assim, acompanha-se o nível de líquido de tempos em tempos e a partir
da modelagem correta do problema, pode-se utilizar os valores experimentais para
determinar a difusividade. Desta maneira, este relatório teve como a determinação do
coeficiente de difusividade do éter etílico no ar experimentalmente a partir de duas
metodologias experimentais: a Célula de Arnold e a Célula de Stefan. Para a Célula de
Arnold, acompanhou-se o nível do líquido no capilar ao longo de uma hora e foram
medidos 12 pontos. Para a Célula de Stefan, as medidas foram realizadas em dois dias
seguidos, com 9 pontos experimentais. A fim de se encontrar os valores de difusividade
para cada aparato experimental foram realizadas regressões lineares dos dados obtidos
com relação à equação obtida a partir da modelagem do problema em regime pseudo-
estacionário. Os coeficiente encontrados foram de 1,52𝑥10−5 𝑚2 /𝑠 e 7,25𝑥10−6 𝑚2 /𝑠
para as Células de Arnold e Stefan, respectivamente. Comparou-se esses valores
determinados com o valor tabelado na literatura (9,36𝑥10−6 𝑚2 /𝑠), obtendo-se assim
erros de 60,67% e 20,54%. Os valores determinados experimentalmente também foram
comparados com os valores calculados para as correlações de Chapman-Enskog, Wilk-
Lee e Fuller et al. (1966). O maior erro entre as correlações e os valores experimentais
foi de 80,73% para Chapman-Enskog e a difusividade obtida através da Célula de Arnold.
Em contrapartida, o menor erro foi entre a difusividade estimada pela correlação de
Chapman-Enskog e a determinada pela Célula de Stefan, com um erro de 13,20%. Assim,
foi possível estabelecer que para as condições analisadas a Célula de Arnold não foi tão
eficiente quanto a Célula de Stefan para determinar a difusividade do éter etílico no ar.

Palavras-chave: célula de Arnold, célula de Stefan, difusividade, éter etílico, lei de Fick.

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LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Altura da coluna de gás (Lg ) e de líquido (Ll) em diferentes instantes e


diferença quadrática de altura da coluna de gás com o instante inicial (Lg²-
Lg0²)..................................................................................................................................23

Tabela 2 – Dados para o Éter Etílico na temperatura de 31,6°C e constante universal dos
gases............................................................................................................................... 25

Tabela 3 - Temperatura ambiente, altura da coluna de gás (Lg ) e de líquido (Ll) em


diferentes instantes e diferença quadrática de altura da coluna de gás com o instante
inicial (Lg²-Lg0²) para o capilar 1.....................................................................................27

Tabela 4 - Temperatura ambiente, altura da coluna de gás (Lg ) e de líquido (Ll) em


diferentes instantes e diferença quadrática de altura da coluna de gás com o instante
inicial (Lg²-Lg0²) para o capilar 2.....................................................................................27

Tabela 5 - Coeficientes angular e de correlação obtidos através do ajuste


linear................................................................................................................................30

Tabela 6 – Dados para o Éter Etílico na temperatura de 30,5°C e constante universal dos
gases.................................................................................................................................30

Tabela 7 – Valores de difusividades mássicas encontrados experimentalmente (DABexp) e


a média entre eles, na literatura (DABlit), valores de erros em relação a literatura (Errolit)
e entre DAB’s (Erro1-2)......................................................................................................31

Tabela 8 - Parâmetros de Lennard Jones estimados........................................................32

Tabela 9 - Volumes molares para as substâncias utilizadas. Fonte: Adaptada de Fuller,


Schetter e Giddgs.............................................................................................................33

Tabela 10 - Difusividades obtidas experimentalmente, via correlações e pela literatura e


erro calculado com relação a célula de Arnold (Erro1) e com relação a célula de Stefan
(Erro2) à temperatura de 31,6°C......................................................................................34

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LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Absorção de um gás soluto A num líquido B. (Fonte:


http://labvirtual.eq.uc.pt/siteJoomla/index.php?option=com_content&task=view&id=24
9&Itemid)........................................................................................................................8

Figura 2 - Preparação de chá por infusão (Fonte:


http://labvirtual.eq.uc.pt/siteJoomla/index.php?option=com_content&task=view&id=24
9&Itemid)....................................................................................................................... 9

Figura 3 - Integral de colisão em função da temperatura adimensional. (Fonte: Welty et


al., 2007)..........................................................................................................................13

Figura 4 – Esquema para célula de difusão de Arnold (Fonte: Welty et al., 2007)........15

Figura 5 - Modelo de filme para transferência de massa do componente A líquido para


corrente de gás B (Fonte: Welty et al., 2007).................................................................... 16

Figura 6 - Ilustração do aparato experimental utilizado no experimento da Célula de


Arnold..............................................................................................................................20

Figura 7 - Ilustração do aparato experimental utilizado no experimento da Célula de


Stefan...............................................................................................................................21

Figura 8 - Ajuste linear da função 𝐿2𝑔 − 𝐿𝑔0 ² versos tempo..........................................24

Figura 9 - Ajuste linear da função 𝐿2𝑔 − 𝐿𝑔0 ² versos tempo para o capilar 1.................29

Figura 10 - Ajuste linear da função 𝐿2𝑔 − 𝐿𝑔0 ² versos tempo para o capilar 2...............29

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SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO...................................................................................................................7
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA .....................................................................................7
2.1 Transferência de Massa.....................................................................................................7
2.2 Lei de Fick da Difusão.......................................................................................................8
2.3 Coeficiente de Difusão (DAB).................................................................................9
2.4 Correlações para determinação do coeficiente de difusividade mássica.........10
2.4.1 Coeficiente de difusão de massa para Gases.......................................................10
2.4.2 Coeficiente de difusão de massa para líquidos...............................................13
2.5 Difusividade mássica e temperatura..................................................................13
2.6 Modelagem matemática para Célula de Arnold...............................................14
2.7 Objetivos...............................................................................................................19
3. MATERIAIS E MÉTODOS ............................................................................................19
3.1 Equipamentos e Materiais...............................................................................................19
3.1.1 Célula de Arnold...........................................................................................................19
3.1.2 Célula de Stefan............................................................................................................20
3.2. Procedimento Experimental ........................................................................................ 21
3.2.1 Célula de Arnold...........................................................................................................21
3.2.2 Célula de Stefan............................................................................................................21
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO .....................................................................................22
4.1 Determinação do Coeficiente de Difusividade Éter Etílico/Ar através da Célula de
Arnold.................................................................................................................................... 22
4.2 Determinação do Coeficiente de Difusividade Éter Etílico/Ar através da Célula de
Stefan......................................................................................................................................26
4.3 Correlações para a estimativa do 𝑫𝑨𝑩 .................................................................... 31
4.3.1 Chapman-Enskog........................................................................................................ 31
4.3.2 Wilk- Lee.......................................................................................................................32
4.3.3 Fuller et al. (1966).........................................................................................................32
4.3.4 Comparação entre as difusividades estimadas por correlações, a encontrada na
literatura e a difusividade experimental.............................................................................33
5. CONCLUSÃO...................................................................................................................34
6. REFERÊNCIAS................................................................................................................35

6
1. INTRODUÇÃO

A solubilização do açúcar no café, a evaporação da água para uma corrente de


gás em um umidificador doméstico, são alguns exemplos diários do fenômeno de
transferência de massa. Na indústria química, diversos processos de separação e de
purificação têm como base os princípios de transferência de massa (Incropera et al., 2008;
Welty et al., 2007; Geankoplis, 1993).
Os processos de adsorção e secagem, levam em consideração a transferência de
componentes na interface de duas fases em contato. Já a extração líquido-líquido e a
absorção de um gás, são baseadas na difusão de componentes de uma fase fluida até o
bulk (Welty et al., 2007).
A dispersão de óxidos de enxofre liberados no ambiente pelas chaminés de
usinas, a dissolução de oxigênio na solução disponível na fermentação, a difusão de
reagentes em reatores catalíticos, são exemplos de aplicações industriais. Os exemplos
citados mostram a diversidade de processo que os fundamentos de transferência de massa
são aplicados (Incropera et al., 2008; Geankoplis, 1993).
O estudo dos parâmetros que influenciam na transferência de massa nesses
processos é de grande importância. Conhecendo parâmetros como a difusividade, as fases
que governam a taxa de transferência, é possível otimizar os processos e estudar novas
alternativas aos tradicionais.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1 Transferência de Massa

De forma similar a transferência de calor que ocorre ao existir um gradiente de


temperatura, a transferência de massa se deve a existência de um gradiente de massa. Essa
massa em trânsito não deve ser confundida com o movimento de um fluído ocasionado
por bombas ou turbinas, deve-se ter em mente que o fenômeno está atrelado com o
movimento relativo de espécies em uma mistura. (Incropera et al., 2008).

7
Figura 1- Absorção de um gás soluto A num líquido B (Fonte:
http://labvirtual.eq.uc.pt/siteJoomla/index.php?option=com_content&task=view&id=24
9&Itemid).

Ainda de forma análoga aos processos de transferência de energia térmica na


forma de calor, a transferência de massa ocorre por mecanismos de difusão e convecção
devido ao movimento do meio quando existe. Exceto para o caso de radiação onde a
transferência de energia ocorre sem recorrer a um meio contínuo de suporte. Logo, a
transferência de massa pode ocorrer pelo movimento molecular no caso de fluídos
estagnados ou podem ser transferidos a partir de uma superfície para um líquido em
movimento, devido as características dinâmicas do escoamento (Azevedo, 2000). Um
exemplo do cotidiano é a preparação de um chá, como pode ser visualizado na Figura 2,
o processo de transferência de massa é favorecido pela convecção (agitação da colher).

Figura 2- Preparação de chá por infusão (Fonte:


http://labvirtual.eq.uc.pt/siteJoomla/index.php?option=com_content&task=view&id=24
9&Itemid).

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2.2 Lei de Fick da Difusão

Conforme afirmam Mey e Mendes (2010), a difusão é um dos mais fundamentais


processos irreversíveis. Nesse processo uma diferença de concentrações é reduzida por
um fluxo espontâneo. Em uma solução contendo um soluto, este se move da região de
maior para a de menor concentração, enquanto o solvente se move no sentido oposto.
A lei que traduz as variações nas concentrações de espécies é conhecida como a
Lei de Fick, descrita na Equação (1). Ela é válida para misturas binárias, sólida, líquida
ou gasosa desde que JA seja definido como fluxo de massa relativo à velocidade da
mistura. (Bird et al., 2004; Incropera et al., 2008). O sinal negativo da equação indica o
decréscimo da concentração da espécie A com o sentido do fluxo.

𝐽𝐴 = −𝜌𝐷𝐴𝐵 ∇𝑚 = −𝐶𝐷𝐴𝐵 ∇𝑥𝐴 (1)

De tal forma que:


𝐽𝐴 representa o fluxo molar de massa;
𝐷𝐴𝐵 fator de proporcionalidade conhecido como difusividade do sistema A-B;
𝜌 A densidade do sistema.

2.3 Coeficiente de Difusão (DAB)

O coeficiente de difusão, designado também como difusividade mássica, foi


apresentado como o fator de proporcionalidade na Lei de Fick. Possui a mesma dimensão
da difusividade térmica e de momento, em m2/s. A relação entre essas grandezas resultam
nos seguintes adimensionais (Bird et al, 2004):

𝑣
o Número de Prandtl : (2)
𝛼
𝑣
o Número de Schimidt: (3)
𝐷𝐴𝐵
𝛼
o Número de Lewis: (4)
𝐷𝐴𝐵

O coeficiente de difusão de massa em sólidos necessita ser determinado


experimentalmente pois não existem modelos teóricos que façam esta previsão, para os
gases quando a pressão e temperatura permitem utilizar a aproximação de gás ideal,
permite-se derivar uma expressão para o cálculo do coeficiente (Azevedo, 2000). Já para

9
os líquidos existem métodos para determinação da difusividade quando a concentração
do soluto é baixa.

Existem vários métodos para a determinação experimental do coeficiente


de difusão em que os fluídos entre os quais ocorre a difusão são estacionários entre si.
Eles diferem pelas condições limites e procedimentos analíticos usados, estes métodos
encontram um problema semelhante: O processo de difusão é muito lento e demoram dias
para que a mudança de concentração seja suficiente para uma medida precisa. (Mey e
Mendes, 2010)

O coeficiente de difusão está relacionado com a mobilidade do soluto,


sendo assim o DAB em gases é superior ao de líquidos que por sua vez é maior que aqueles
observados em sólidos. Para gases diluídos em pressões normais, a difusividade é
essencialmente independente da composição da mistura e tende a aumentar com a
temperatura (T) enquanto diminui com a pressão (P), como pode ser observado na
Equação (5) (Cremasco, 2015).

𝐷𝐴𝐵,1 𝑃2 𝑇1
= ( )3/2 (5)
𝐷𝐵,2 𝑃1 𝑇2

2.4 Correlações para determinação do coeficiente de difusividade mássica

Assim como é feito em transferência de calor, pode-se agrupar as variáveis


associadas ao processo de transferência de massa sob a forma de números adimensionais
e estabelecer correlações entre eles usando em conjunto os dados experimentais. (Portal
de Engenharia Química, 2007).

2.4.1 Coeficiente de difusão de massa para Gases

Para gases à baixa pressão Chapman e Enskog desenvolveram uma correlação


empírica baseada na teoria cinética dos gases, considera as forças de atração e repulsão
das moléculas A e B bem como os seus diferentes tamanhos. Segundo Bird et al. (2004)
a teoria de Chapman-Enskog fornece expressões para as propriedades de transporte em
termos da energia potencial intermolecular.

10
3
1,8583 10−3 𝑇 2 1 1
𝐷𝐴𝐵 = 2 𝛺 (√𝑀 + 𝑀 ) (6)
𝑃𝜎𝐴𝐵 𝐷𝐴𝐵 𝐴 𝐵

De tal forma que:

𝐷𝐴𝐵 é o coeficiente de difusão em cm2/s;

T é a temperatura do sistema, em K;

P é a pressão do sistema em atm;

𝜎𝐴𝐵 é o diâmetro médio de colisão;

𝛺𝐷𝐴𝐵 é a integral de colisão.

O diâmetro de colisão é determinado via parâmetros de Lennard-Jones, através


da Equação (7):

𝜎𝐴 + 𝜎𝐵
𝜎𝐴𝐵 = ( ) (7)
2

A integral de colisão é baseado no potencial de Lennard-Jones e que fornece o


desvio de um gás com interações em relação a um gás de partículas esféricas rígidas e
𝑘𝑇
elásticas. É também função da temperatura e do potencial intermolecular 𝜀 (Bird et al,
𝐴𝐵

2004).

A energia de interação de Lennard-Jones pode ser determinada como mostra a


Equação (8).

𝜀𝐴𝐵 𝜀 𝜀
= √( 𝑘𝐴)( 𝑘𝐵 ) (8)
𝑘

Onde, k é a contante de Boltzman.

11
Quando tais parâmetros não estiverem disponíveis na literatura podem ser
determinados a partir das aproximações feitas pelas Equações (9) e (10).

𝜀
= 0,75𝑇𝑐 (9)
𝑘

5 1/3
𝜎= 𝑉 (10)
6 𝑐

Onde Tc e Vc representam a temperatura e o volume crítico respectivamente.

Essa aproximação também pode ser determinada via gráfico como mostra a
Figura 3.

Figura 3 - Integral de colisão em função da temperatura adimensional (Fonte:


Welty et al., 2007).

A correlação se Fuller e colaboradores (1996) expressa na Equação (11) é


baseada em muitos dados experimentais, dessa forma semi-empírica e amplamente
utilizada, visto a dificuldade de determinar alguns parâmetros da correlação de Chapman-
Enskog.

1 1
1,00 10−3 𝑇 1,75 (√ + )
𝑀𝐴 𝑀𝐵
𝐷𝐴𝐵 = 1 1 (11)
𝑝[(∑ 𝑉𝐴 )3 +(∑ 𝑉𝐵 )3 ]2

Onde o somatório de VA e VB são obtidos dos volumes estruturais de difusão para cada
constituinte.

12
A correlação de Wilke e Lee (1955), dada pela Equação (12), é uma adaptação
da correlação de Chapman-Enskog que deve ser usada em casos em que pelo menos uma
das espécies da mistura apresente massa molar superior a 45 g/mol.

3
1 1 1 𝑇2 1 1
𝐷𝐴𝐵 = [2,17 − 2 (√𝑀 + 𝑀 )] 𝑃𝜎2 (√𝑀 + 𝑀 ) × 10−3 (12)
𝐴 𝐵 𝐴𝐵 𝛺𝐷𝐴𝐵 𝐴 𝐵

2.4.2 Coeficiente de difusão de massa para líquidos

Segundo Tannous e Perna (2011) o coeficiente de difusão mássico para líquidos


depende fortemente do grau de idealidade da solução. A Correlação de Wilk-Chang
(1955), dada pela Equação (13), é semi-empírica e adequada para sistemas diluídos.

1,173×10−16 (𝛹𝐵 𝑀𝐵 )1/2


𝐷𝐴𝐵 = (13)
𝜇𝑉𝐴0,6

Onde,

VA é o volume molar o soluto A no ponto de ebulição, [m3/kgmol], Tabela 6.3.2, p.


602, Geankoplis (1993);

T é a temperatura absoluta em K;

𝑀𝐵 é a massa molar do solvente em kg/kgmol;

𝛹𝐵 é um parâmetro associado ao solvente;

µ é a viscosidade da solução, em Pa s ou [kg/m s].

2.5 Difusividade mássica e temperatura

De maneira similar ao que é feito na transferência de calor pode-se adaptar a


equação de Arrhenius para determinar a influência da temperatura no coeficiente de
difusividade mássica. Segundo Park et al (2001) a velocidade de troca de calor entre a
matéria-prima e o ar durante um processo de secagem pode ser analisado através da
13
difusividade efetiva nas diversas temperaturas de processo, de forma análoga é analisado
a velocidade de transferência de massa.
A dependência da difusividade com a temperatura é expressa pela energia de
ativação baseada em uma equação do tipo Arrhenius, como demonstra a Equação (14):

𝐸
ln 𝐷𝑒𝑓𝑓= ln 𝐷0 − 𝑅𝑇𝑎 (14)

Sendo que:

𝐷𝑒𝑓𝑓 é a difusividade efetiva em m2/s;

𝐷0 é o fator de Arrhenius (m2/s);

Ea a energia de ativação (J/mol);

R a constante universal dos gases (8,1314 J/mol K);

T a temperatura absoluta (K).

2.6 Modelagem matemática para Célula de Arnold

A célula de Arnold é um instrumento que tem como objetivo medir o coeficiente


de difusividade de um gás experimentalmente. Esta consiste em um tubo de pequeno
diâmetro, parcialmente preenchido por um líquido puro A que vaporiza e se difunde por
estar em contato com uma corrente de gás B, esquematizado na Figura 4. Uma escala
graduada na superfície do vidro, permite avaliar a variação do nível de líquido ao longo
do tempo (Welty et al., 2007; Bird et al., 2002).

14
Figura 4 – Esquema para célula de difusão de Arnold (Fonte: Welty et al., 2007).

Hipótese simplificadoras, de acordo com Welty et al. (2007) e Bird et al. (2002):

i. Sistema opera a temperatura e pressão constantes;


ii. Sistema binário (A/B);
iii. Gás B tem solubilidade desprezível no líquido A;
iv. Gás B é inerte no líquido A;
v. A e B podem ser considerados gases ideais;
vi. O líquido A se encontra puro;
vii. Regime pseudo estacionário;
viii. Transferência de massa em uma única direção (unidirecional em z);
ix. A difusividade entre A e B, DAB é constante;
x. Propriedades físicas são mantidas constantes;
xi. Coordenadas retangulares.

A hipótese (vii) considera que o fluxo de evaporação é lento o suficiente de


forma a ser possível considerá-lo constante ao longo da coordenada z (Welty et al., 2007).

15
A Figura 5, representa o filme de gás estagnado que se forma na superfície do líquido.

Figura 5 – Modelo de filme para transferência de massa do componente A líquido para


corrente de gás B (Fonte: Welty et al., 2007).

Dessa forma, podemos avaliar a equação geral de transferência de massa em


coordenadas retangulares, como na Equação (15):

𝜕𝑁𝐴𝑥 𝜕𝑁𝐴𝑦 𝜕𝑁𝐴𝑧 𝜕𝑐𝐴


+ + + − 𝑅𝐴 = 0 (15)
𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧 𝜕𝑡

Das hipóteses simplificadoras, podemos reduzir a Equação (15) à (16):

𝜕𝑁𝐴𝑧
=0 (16)
𝜕𝑧

Para o balanço de massa no volume de controle S.∆z, dividindo pelo volume de


controle e tomando limite quando ∆z se aproxima de 0, temos a Equação (17):

𝑆𝑁𝐴𝑧 |𝑧+∆𝑧 − 𝑆𝑁𝐴𝑧 |𝑧 = 0 (17)

Logo, o fluxo molar de A é dado pela Equação (1), obtendo-se assim a Equação
(18):

16
𝑑𝑦𝐴
𝑁𝐴,𝑧 = −𝑐𝐷𝐴𝐵 + 𝑦𝐴 (𝑁𝐴,𝑧 + 𝑁𝐵,𝑧 ) (18)
𝑑𝑧

Sabendo que 𝑁𝐵,𝑧 = 0, obtém-se a Equação (19):

𝑐𝐷 𝑑𝑦𝐴
𝑁𝐴,𝑧 = − 1−𝑦𝐴𝐵 (19)
𝐴 𝑑𝑧

As condições de contorno são dadas, considerando a nomenclatura da Figura 4,


pot:

Para 𝑧 = 𝑧1 , 𝑦𝐴 = 𝑦𝐴1

Para 𝑧 = 𝑧2 , 𝑦𝐴 = 𝑦𝐴2

Lembrando que a difusividade independe da concentração e que o fluxo é


constante, podemos integrar a Equação (19) com as condições de contorno como limites
de integração:

𝑧2 𝐴2 𝑦 𝑐𝐷
∫𝑧 𝑁𝐴,𝑧 𝑑𝑧 = − ∫𝑦 1−𝑦𝐴𝐵 𝑑𝑦𝐴 (20)
1 𝐴1 𝐴

𝑐𝐷𝐴𝐵 1−𝑦
𝑁𝐴,𝑧 = − 𝑧 𝑙𝑛 (1−𝑦𝐴1 ) (21)
2 −𝑧1 𝐴2

Se considerarmos 𝑧2 − 𝑧1 como Lg que é uma função do tempo, temos:

𝑐𝐷𝐴𝐵 1−𝑦
𝑁𝐴,𝑧 = − 𝐿 𝑙𝑛 (1−𝑦𝐴1 ) (22)
𝑔 (𝑡) 𝐴2

Fazendo o balanço de massa para o componente A:

17
𝑑𝑚𝐴
0 − 𝑁𝐴,𝑧 𝐴 𝑀𝑀𝐴 = (23)
𝑑𝑡

Onde,

𝑚𝐴 = 𝜌𝐴 𝐴𝐿𝑙 (𝑡) (24)

Sendo Ll(t) é o comprimento da interface gás líquido e Ll+Lg= L (comprimento total do


tudo capilar.

Logo,

𝑑𝑚𝐴 = 𝜌𝐴 𝐴𝑑𝐿𝑙 (25)

Assim, substituindo a Equação (25) na Equação (23):

𝑑𝐿𝑙
−𝑁𝐴,𝑧 𝑀𝑀𝐴 = 𝜌𝐴 (26)
𝑑𝑡

Substituindo a Equação (22) na (26) e sabendo que dLl=-dLg:

𝑐𝐷𝐴𝐵 𝑀𝑀𝐴 1−𝑦 𝑑𝐿𝑔


𝑙𝑛 (1−𝑦𝐴1 ) = −𝐿𝑔 (𝑡) (27)
𝜌𝐴 𝐴2 𝑑𝑡

Separando as variáveis e integrando nos limites t[0,t] e Lg[Lg0, Lg], chegamos a:

𝐿2𝑔 −𝐿2𝑔0 𝑐𝐷𝐴𝐵 𝑀𝑀𝐴 1−𝑦


= 𝑙𝑛 (1−𝑦𝐴2 ) 𝑡 (28)
2 𝜌𝐴 𝐴1

Sendo 𝑀𝑀𝐴 é a massa molar do componente A, 𝜌𝐴 é a massa específica do componente


A.

18
2.7 Objetivos

O objetivo principal deste relatório foi determinar o coeficiente de difusividade


do éter etílico no ar experimentalmente a partir de duas metodologias experimentais
consagradas na literatura: a Célula de Arnold e a Célula de Stefan. De posse dos valores
determinados, realizou-se o objetivo secundário do relatório, que foi comparar os valores
de difusividade mássica encontrados a partir de cada metodologia experimental e
compará-los com o valor experimental tabelado na literatura e com os valores calculados
a partir de diferentes correlações.

3. MATERIAIS E MÉTODOS

O coeficiente de difusividade para o éter etílico foi determinado por duas


metodologias diferentes: a Célula de Arnold e a Célula de Stefan. As diferenças dos dois
equipamentos e nas metodologias aplicadas serão detalhadas nos próximos tópicos.

3.1 Equipamentos e materiais

3.1.1 Célula de Arnold

A Figura 6 demonstra o esquema do aparato experimental utilizado para


determinação da difusividade de um liquido utilizando a Célula de Arnold.

Figura 6 - Ilustração do aparato experimental utilizado no experimento da


Célula de Arnold.

19
Conforme demonstra a Figura 6, os equipamentos e materiais enumerados são:

1) Tubo capilar;
2) Régua graduada;
3) Banho termostático com agitação;
4) Medidor de vazão do tipo rotâmetro;
5) Coluna de desumidificação de ar com sílica gel;
6) Tubo para a circulação de ar;
7) Reservatório;
8) Éter etílico no interior da bureta;
9) Painel elétrico para o controle da temperatura, agitação e injeção de ar;
10) Lupa.

3.1.2 Célula de Stefan

A Figura 7 demonstra o esquema do aparato experimental utilizado para


determinação da difusividade de um liquido utilizando a Célula de Stefan.

Figura 7- Ilustração do aparato experimental utilizado no experimento da


Célula de Stefan.

20
Conforme demonstra a Figura 7, os equipamentos e materiais enumerados são:

1) Dois tubos capilares de vidro;


2) Éter etílico no interior dos capilares;
3) Papel milimetrado graduado (em cm) para a medição de nível;
4) Suporte de madeira para os capilares;
5) Termômetro de mercúrio graduado de precisão 0,5°C;
6) Lupa;
7) Capela de exaustão da marca Lucadema.

3.2 Procedimento experimental

3.2.1 Célula de Arnold

Antes do experimento iniciar, o setpoint da temperatura do banho termostático


foi ajustado para um valor de 31°C, mas no decorrer do experimento o painel marcou a
temperatura de 31,6°C. A velocidade do ar utilizado para arrastar o éter etílico difundido
para a parte superior do capilar foi ajustada em 0,5 l/min com ajuda do bolhômetro. Por
fim, a torneira da bureta foi aberta lentamente a fim de alimentar a Célula de Arnold com
o éter etílico, de modo que o nível de líquido ficou 2,3 cm abaixo do nível superior do
capilar.

Anotou-se o nível inicial de líquido no capilar (8,7 cm) medido pela régua
utilizando-se a lupa para auxiliar na leitura. Posteriormente, acompanhou-se o nível do
líquido no capilar ao longo de uma hora e foram medidos mais 12 pontos aos 5, 10, 15,
20, 25, 30, 35, 40, 45, 50, 55 e 60 minutos do experimento.

Não foram realizadas medidas do nível de líquido em outras temperaturas devido


ao fato da temperatura de ebulição do éter etílico ser de 34,6°C.

3.2.2 Célula de Stefan

No experimento da célula de Stefan, o aparato experimental foi colocado em


uma capela e a difusão ocorreu à temperatura ambiente. No início do experimento, foram

21
medidos os níveis iniciais do líquido nos dois capilares, resultando em 3 cm e 3,2 cm
abaixo da altura máxima de cada capilar. A temperatura inicial medida foi de 30,9°C.

A queda do nível de éter etílico nos dois capilares foi monitorada com ajuda do
papel milimetrado graduado e da lupa ao longo de dois dias seguidos, com mais 9 pontos
experimentais medidos nos tempos de 1h11min, 2h26min, 3h15min, 4h20min, 5h16min,
6h12min, 22h3min, 25h10min, 27h11min. As medidas de temperatura foram realizadas
de forma conjunta a cada medida de nível de líquido no capilar com a ajuda do termômetro
de mercúrio graduado.

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.1 Determinação do Coeficiente de Difusividade Éter Etílico/Ar através da Célula


de Arnold

Como descreve o tópico 3.2.1, foram colhidos em laboratório dados referentes


ao nível da coluna de líquido e seu respectivo tempo. Com a altura total de coluna de 11
cm, obteve-se o tamanho da coluna de gás pela diferença entre o tamanho total da coluna
e o nível de líquido. Assim foi possível obter a diferença entre os quadrados das colunas
de gás no instante indicado e na condição inicial, 𝐿2𝑔 − 𝐿𝑔0 ², a fim de ajustar os dados à
Equação (28). Estes dados estão dispostos na Tabela 1, seguidos do ajuste linear da função
𝐿2𝑔 − 𝐿𝑔0 ² versus tempo ilustrado na Figura 8 realizado através do software SciDAVis.

Tabela 1- Altura da coluna de gás (Lg ) e de líquido (Ll) em diferentes instantes e


diferença quadrática de altura da coluna de gás com o instante inicial (Lg²-Lg0²).

Tempo (s) Nível Ll (m) Nível Lg (m) Lg²-Lg0² (m²)

0 0,087 0,023 0

300 0,085 0,025 9,60E-05

600 0,083 0,027 2,00E-04

900 0,081 0,029 3,12E-04

1200 0,08 0,030 3,71E-04

22
1500 0,079 0,031 4,32E-04

1800 0,076 0,034 6,27E-04

2100 0,076 0,034 6,27E-04

2400 0,073 0,037 8,40E-04

2700 0,072 0,038 9,15E-04

3000 0,072 0,038 9,15E-04

3300 0,072 0,038 9,15E-04

3600 0,071 0,039 9,92E-04

Figura 8 - Ajuste linear da função 𝐿2𝑔 − 𝐿𝑔0 ² versos tempo.

Foi realizado um ajuste linear na forma y = Ax. O coeficiente angular encontrado


bem como o coeficiente de correlação foram 3,04107x10-7 e 0,9661, respectivamente.
Comparando a Equação (28) com a equação de ajuste, percebe-se que o coeficiente
angular da reta pode ser dado por:

23
2𝑃𝑀𝐴 𝐷𝐴𝐵 𝑃
𝐴= 𝑙𝑛 (𝑃−𝑃 ) (29)
𝑅𝑇𝜌𝐴 𝑣𝑎𝑝−𝐴

Para o Éter Etílico a 31,6°C foram calculadas as propriedades físicas necessárias


para o cálculo do 𝐷𝐴𝐵 na Equação (29). Essas propriedades foram estimadas através de
equações encontradas para pressão de vapor (Tabela 2-6) e massa específica (Tabela 2-
30) em Perry & Green (1997). Essas propriedades, juntamente com a constante universal
dos gases estão dispostos na Tabela 2.

Tabela 2 - Dados para o Éter Etílico na temperatura de 31,6°C e constante universal dos
gases.

R (m³. atm/ K.
𝑴𝑨 (g/mol) 𝝆𝑨 (kg/m³) 𝑷𝒗𝒂𝒑−𝑨 (atm)
mol)

74,12 700,33 8,2x10-5 0,90515

Com os dados da Tabela 2 e com a Equação (29), tem-se:

2 × 1 × 74,12 × 10−3 × 𝐷𝐴𝐵 1


3,04107 × 10−7 = −5
𝑙𝑛 ( )
8,2 × 10 × 304,75 × 700,33 1 − 0,90515

𝑚²
𝐷𝐴𝐵 = 1,52𝑥10−5
𝑠

Assim, o valor estimado da difusividade na temperatura de 31,6°C é


𝑚²
1,52𝑥10−5 .
𝑠

Perry & Green (2007) na Tabela 2-371 fornecem um valor para o DAB de
7,78x10-6 m2/s a 0° C. Para comparação com o valor encontrado experimentalmente é
necessário utilizar a Equação (5) para obter o DAB correspondente à temperatura de
31,6°C:

24
7,78𝑥10−6 1𝑎𝑡𝑚 273,151,75
=
𝐷𝐴𝐵 1𝑎𝑡𝑚 304,75

𝐷𝐴𝐵 = 9,46𝑥10−6 𝑚2 /𝑠

O erro associado para a difusividade encontrada na literatura é de:

9,46𝑥10−6 − 1,52𝑥10−5
𝐸𝑟𝑟𝑜 (%) = | | 𝑥100 = 60,67%
9,46𝑥10−6

Conforme observado, houve uma diferença significativa entre a difusividade


experimental e a encontrada na literatura, isso pode ser explicado pelas hipóteses
simplificadoras adotadas na modelagem do problema no tópico 2.6 que não foram
atendidas rigorosamente. Em primeiro lugar, o sistema e Arnold não se apresentou
isotérmico durante todo o experimento, ou seja, as massas específicas do ar e do éter não
foram constantes, mesmo com pequenas variações de temperatura, menores que 2°C,
ainda pode ter interferido no resultado do experimento. Outro fato relacionado a
temperatura medida é que esta pode não ter sida a temperatura real do experimento devido
a falta de calibração no medidor, pois verifica-se que a difusividade experimental foi
maior que a teórica e sabe-se que a difusividade em gases é diretamente proporcional à
temperatura de operação e esta é proporcional à velocidade molecular média, que depende
da temperatura e da pressão dos gases.

É possível também verificar que houve variações na vazão de ar de topo,


podendo este ter se tornado um escoamento turbulento que carreia o éter+ar ainda no tubo
e invalida a hipótese de meio estagnado no qual a modelagem foi desenvolvida.

Existem ainda, erros do operador na leitura do menisco de éter, pois o coeficiente


de correlação dos dados foi 0,9661 não sendo este tão próximo da idealidade igual a 1 e
sugerindo ainda um coeficiente linear no ajuste.

25
4.2 Determinação do Coeficiente de Difusividade Éter Etílico/Ar através da Célula
de Stefan

O procedimento realizado, assim como descreve o tópico 3.2.2 é análogo ao da


célula de Arnold, com a exceção da corrente de gás escoando no topo do capilar. Assim
como ilustra a Figura 7 utilizou-se dois capilares com alturas de Éter Etílico de 29,5 cm
e 29,6 cm para os capilares 1 e 2 respectivamente. As Tabelas 3 e 4 dispõem dos dados
obtidos no laboratório, bem como a diferença quadrática de altura da coluna de gás com
o instante inicial (Lg²-Lg0²) para os capilares 1 e 2, respectivamente.

Tabela 3 - Temperatura ambiente, altura da coluna de gás (Lg ) e de líquido (Ll) em


diferentes instantes e diferença quadrática de altura da coluna de gás com o instante
inicial (Lg²-Lg0²) para o capilar 1.

Temperatura
Tempo (s) Nível Ll (m) Nível Lg (m) Lg²-Lg0² (m²)
(°C)

30,8 0 0,2650 0,0300 0,0000

30,8 4260 0,2570 0,0380 0,0005

30,5 8760 0,2500 0,0450 0,0011

30,5 11700 0,2460 0,0490 0,0015

30,5 15600 0,2410 0,0540 0,0020

30,5 18960 0,2370 0,0580 0,0025

30,5 21720 0,2340 0,0610 0,0028

30,0 79380 0,1910 0,1040 0,0099

30,0 90600 0,1845 0,1105 0,0113

30,5 97860 0,1800 0,1150 0,0123

26
Tabela 4 - Temperatura ambiente, altura da coluna de gás (Lg ) e de líquido (Ll) em
diferentes instantes e diferença quadrática de altura da coluna de gás com o instante
inicial (Lg²-Lg0²) para o capilar 2.

Temperatura
Tempo (s) Nível Ll (m) Nível Lg (m) Lg²-Lg0² (m²)
(°C)

30,8 0 0,2640 0,0320 0,0000

30,8 4260 0,2560 0,0400 0,0006

30,5 8760 0,2490 0,0470 0,0012

30,5 11700 0,2450 0,0510 0,0016

30,5 15600 0,2410 0,0550 0,0020

30,5 18960 0,2370 0,0590 0,0025

30,5 21720 0,2340 0,0620 0,0028

30,0 79380 0,1915 0,1045 0,0099

30,0 90600 0,1850 0,1110 0,0113

30,5 97860 0,1810 0,1150 0,0122

É notório pelas Tabelas 3 e 4 que houve uma pequena variação da temperatura


ambiente. Para simplificações de cálculos considera-se o sistema isotérmico por isso foi
realizado a média dessas temperaturas obtendo-se o valor de 30,5 °C.

Comparando as Tabelas 3 e 4 com a Tabela 1 é possível verificar que para a


célula de Stefan o tempo necessário para a difusão foi bem maior do que para a célula de
Arnold. Isso acontece devido à ausência do escoamento forçado de ar no topo da coluna
que mantém o máximo gradiente de concentração para que ocorra a difusão.

A partir dos dados dispostos nas Tabelas 3 e 4 foi possível realizar um ajuste
linear do tipo y = Ax em analogia à Equação (29). Os ajustes estão ilustrados pelas Figuras
9 e 10, respectivamente.

27
Figura 9 - Ajuste linear da função 𝐿2𝑔 − 𝐿𝑔0 ² versos tempo para o capilar 1.

Figura 10 - Ajuste linear da função 𝐿2𝑔 − 𝐿𝑔0 ² versos tempo para o capilar 2.

28
A Tabela 5 apresenta os valores de coeficiente angular (A) bem como o
coeficiente de correlação (R2) obtidos pelo ajuste.

Tabela 5 – Coeficientes angular e de correlação obtidos através do ajuste linear.

A R2

Capilar 1 1,2531x10-07 1,2502x10-07

Capilar 2 0,9998 0,9997

Análogo ao que foi feito no tópico 4.1 o coeficiente angular da reta pode ser
dado pela Equação (29). Portanto, as propriedades físicas do Éter Etílico a 30,5 °C foram
buscadas para o cálculo da difusividade mássica. As propriedades dispostas na Tabela 6
foram estimadas através de equações encontradas para pressão de vapor (Tabela 2-6) e
massa específica (Tabela 2-30) em Perry & Green (1997).

Tabela 6 – Dados para o Éter Etílico na temperatura de 30,5°C e constante universal dos
gases.

R (m³. atm/ K.
𝑴𝑨 (g/mol) 𝝆𝑨 (kg/m³) 𝑷𝒗𝒂𝒑−𝑨 (atm)
mol)

74,12 701,51 8,2x10-5 0,8693

Através da Tabela 6 e com a Equação (29) é possível encontrar a difusividade


mássica experimental. A Tabela 7 dispõe dos valores de DAB encontrados para os capilares
1 e 2 além do erro absoluto entre os DAB’s calculados e comparação com o valor
disponível em Perry & Green (1997) após a transformação feita pela Equação (5).

29
Tabela 7 – Valores de difusividades mássicas encontrados experimentalmente
(DABexp) e a média entre eles, na literatura (DABlit), valores de erros em relação a
literatura (Errolit) e entre DAB’s (Erro1-2)

Erro1-2
DABexp (m2/s) DABlit (m2/s) Errolit (%)
(m2/s)

Capilar 1 7,26x10-6 22,43

Capilar 2 7,24x10-6 9,36x10-6 22,65 0,02

Média 7,25x10-6 22,54

Apesar dos dados experimentais terem se ajustado bem à Equação (28), já que
os coeficientes de correlação estão bem próximos de 1 (vide Tabela X), os DAB’s obtidos
experimentalmente para os capilares 1 e 2 apresentaram erros maiores de 20% em relação
ao valor da literatura.

Assim como na célula de Arnold essa diferença pode ser atribuída às hipóteses
simplificadoras adotadas na modelagem do sistema e que não foram atendidas. A
temperatura do ambiente, por exemplo, não se manteve constante ao longo das medidas
(vide Tabelas 2 e 3) influenciando nos cálculos, visto que foi necessário fazer uma média
aritmética dessas temperaturas para a busca das propriedades físicas.

Ao decorrer do experimento as leituras eram feitas por diferentes operadores, o


que pode ter influenciado nas medidas coletadas, já que cada leitura pode ser feita de
modo diferente.

É importante salientar que os dados disponíveis na literatura são obtidos com


condições de quase idealidade, com controle de temperatura, pressão, condições de
umidade e escoamento de ar. Já o sistema experimental não houve um controle preciso
dessas variáveis, com exceção da pressão que é a atmosférica. Portanto é notável a
dificuldade de se atingir o valor preciso disponível na literatura.

A Tabela 7 apresenta também o erro absoluto entre os DAB’s obtidos


experimentalmente, já que a célula de Stefan foi realizada em duplicata para o Éter
Etílico. O erro associado foi bem pequeno o que era esperado, pois estavam submetidos

30
às mesmas condições experimentais. Isso evidencia uma boa reprodutibilidade do
experimento.

Como o experimento foi realizado em duplicata, foi feita uma média aritmética
entre os valores de DAB’s obtidos para os capilares 1 e 2, obtendo-se o valor de 7,25x10-
6
m2/s, mostrado na Tabela 7.

4.3 Correlações para a estimativa do 𝑫𝑨𝑩

4.3.1 Chapman-Enskog

Para o cálculo a correlação de Chapman- Enskog apresentada na Equação (6),


foi necessário fazer a estimativa dos parâmetros de Lennard- Jones para o Éter Etílico,
pois este não estava disponível nas tabelas consultadas. Para tanto, foram utilizadas as
Equações (7) e (8) para buscar o diâmetro médio de colisão e a energia de interação das
duas espécies, respectivamente. Ambas usam as propriedades críticas da substância, as
quais foram obtidas através da Tabela 2-401, Perry & Green (2007). A energia de
interação faz-se necessária para a estimativa da integral de colisão, prevista pelo gráfico
mostrado na Figura 3. Estes parâmetros estimados se encontram na Tabela 8, sendo o
sobrescrito ‘A’ referente ao Éter Etílico e ‘B’ para o Ar. Em seguida é demonstrado o
cálculo da difusividade para esta correlação.

Tabela 8 - Parâmetros de Lennard Jones estimados

𝑨 𝑩 𝑨𝑩
𝜺𝑨 (𝒆𝒓𝒈) 𝜺𝑩 (𝒆𝒓𝒈) 𝜺𝑨𝑩 (𝒆𝒓𝒈) 𝑻𝒂𝒅𝒎𝒆𝒏𝒔𝒊𝒐𝒏𝒂𝒍𝛀𝑨𝑩
̂)
(𝑨 ̂)
(𝑨 ̂)
(𝑨

5,450 3,617 6,063 4,688x10-14 1,339x10-14 2,505x10-14 1,653 1,25

O diâmetro médio de colisão,  e a energia de interação 𝜺 para o ar foram


encontrados na tabela E-1, Bird et al. (2004).

31
Assim, com os dados da Tabela 8, tem-se:

3 1
304,752 1 1 2
𝐷𝐴𝐵 = 1,858 × 10−3 2
( + )
1 × 4,534 × 1,25 74,12 29

𝑐𝑚2
𝐷𝐴𝐵 = 0,0841
𝑠

4.3.2 Wilk- Lee

A correlação de Wilk- Lee, mostrada na Equação (12), é uma adaptação de


Chapman- Eskog, por isso os dados da Tabela 8 também foram utilizados, como segue:

1 3 1
1 1 1 2 304,752 1 1 2
𝐷𝐴𝐵 = [2,17 − ( + ) ] ( + ) × 10−3
2 74,12 29 1 × 4,5342 × 1,25 74,12 29

𝑐𝑚2
𝐷𝐴𝐵 = 0,0930
𝑠

4.3.3 Fuller et al. (1966)

A correlação de Fuller et al. (1996) utiliza os volumes molares das substâncias


envolvidas no processo de difusão, estes se encontram na Tabela 9.

Tabela 9 -Volumes molares para as substâncias utilizadas. Fonte: Adaptada de Fuller,


Schetter e Giddgs.

Substância Volumes molares (cm3/mol)

C 16,5

O 5,48

H 1,98

Ar 20,10

(C2H5)2º 91,28

32
Assim, com a Tabela 9, tem-se:

1
1 1 2
10−3 × 304,751,75 × [(74,12 + 29) ]
𝐷𝐴𝐵 =
1[91,281/3 + 20,11/3 ]²

𝐷𝐴𝐵 = 0,0932 𝑐𝑚²/𝑠

4.3.4 Comparação entre as difusividades estimadas por correlações, a encontrada


na literatura e a difusividade experimental

A Tabela 10 mostra, no SI, as difusividades encontradas empiricamente por meio


de correlações e pela literatura. Todas as difusividades foram calculadas, para efeitos de
comparação, na temperatura de 31,6°C. Portanto foi necessário fazer a transformação para
a difusividade da célula de Stefan pela Equação (5) já que a temperatura do ambiente
estava a 30,5°C no experimento, e o valor utilizado para transformação foi o valor médio.

Tabela 10 – Difusividades obtidas experimentalmente, via correlações e pela literatura e


erro calculado com relação a célula de Arnold (Erro1) e com relação a célula de Stefan
(Erro2) à temperatura de 31,6°C.

Célula de Célula de Literatur Chapman- Fuller et


Wilk- Lee
Arnold Stefan a Eskog al.

DAB
1,52𝑥10−5 7,30x10-6 9,46𝑥10−6 8,41𝑥10−6 9,30𝑥10−6 9,32𝑥10−6
(m2/s)

Erro1
- - 60,67 80,73 63,44 63,09
(%)

Erro2
- - 22,83 13,20 21,50 21,67
(%)

33
Pelos resultados mostrados na Tabela 10 é notório que os erros associados a
medida da difusividade pela célula de Arnold foram significativamente maiores que os
erros associados a de Stefan. Em tese isso não deveria ocorrer uma vez que o sistema de
Arnold é a temperatura controlada, juntamente com o escoamento de ar desumidificado
e por ser fechado recebe menos influências do ambiente que a célula de Stefan. No entanto
erros operacionais levaram a grandes desvios da medida de difusividade por Arnold,
como já explicitado no tópico 3.1.

Pelas correlações verifica-se que o maior erro está na de Chapman Eskog, o que
era esperado uma vez que os parâmetros de Lennard Jones foram estimados e não estavam
tabelados, associa-se um erro maior a estas medidas.

A difusividade assumida como correta para o experimento, da célula de Stefan,


apresenta coerência, uma vez que está dentro da faixa esperada para difusividades em
gases, que Segundo Welty et al. (2007) é de 0,05 a 1 cm²/s.

5. CONCLUSÃO

Neste estudo, foi possível determinar o coeficiente de difusão do éter etílico no


ar seguindo dois arranjos experimentais clássicos: a Célula de Arnold e a Célula de Stefan.

Os valores de difusividade foram encontrados a partir das regressões lineares dos


dados experimentais em relação ao modelo proposto para o problema. Os coeficientes de
difusão obtidos foram 1,52𝑥10−5 𝑚2 /𝑠 para a Célula de Arnold, e 7,25𝑥10−6 𝑚2 /𝑠, a
média das difusividades nos dois capilares da Célula de Stefan.

Ao comparar com o valor tabelado na literatura (9,36𝑥10−6 𝑚2 /𝑠) encontra-se


erros de 60,67% e 20,54%, para a Célula de Arnold e Stefan, respectivamente.

Além disso, foi possível calcular a difusividade a partir de três correlações


diferentes: Chapman-Enskog, Wilk-Lee e Fuller et al. (1966). Comparando os resultados
experimentais com estes calculados, percebeu-se que os maiores eros encontraram-se na
difusividade estimada a partir da célula de Arnold, chegando a 80,73% para a comparação
com a correlação de Chapman-Enskog.

34
Em contrapartida, o menor valor de erro relativo encontrado foi calculado a partir
comparação da mesma correlação com o coeficiente estimado utilizando-se o arranjo
experimental da célula de Stefan, apenas 13,20%.

Sendo assim, é possível notar que os erros associados à determinação da


difusividade com a Célula de Arnold foram significativamente maiores que para aqueles
determinados com o auxílio da célula de Stefan. Pode-se atribuir estes erros ao fato de
que a vazão de ar no capilar do experimento da Célula de Arnold sofreu algumas
variações, podendo ter interferido nas medidas ao carrear a mistura éter+ar ainda no tubo
capilar, o que invalidaria as hipóteses da modelagem desenvolvida.

6. REFERÊNCIAS

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Técnico, 2000.
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Janeiro: LTC, 2004, 2ª ed.
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Wiley & Sons, 2002, 2ª ed.
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Blucher Ltda., 2015, 3ª ed.
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Momentum, Heat, and Mass Transfer. John Wiley & Sons, 2007, 5ª ed.

35