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Revista Filosofia Capital


ISSN 1982 6613 Vol. 1, Edição 3, Ano 2006.
A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO: UM DEBATE PRAGMÁTICO

PARTE II

Simone Lisniowski
psicosimone@yahoo.com.br

Brasília-DF

2006
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ISSN 1982 6613 Vol. 1, Edição 3, Ano 2006.
A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO: UM DEBATE PRAGMÁTICO

PARTE II1

Simone Lisniowski2
psicosimone@yahoo.com.br

Resumo

A questão nesta parte II deste segundo artigo se concentra no paradigma pós-moderno, crítico

da racionalidade, dos estatutos de verdade e do poder. Este último paradigma parece que

oferece duas tendências opostas: no sentido de negar todos os paradigmas e entender a

realidade como irracional, ou no sentido de aceitar a multiplicidade da realidade e de

interpretações, dando espaço para os diferentes paradigmas. Acredito que é importante refletir

sobre estas proposições, para que compreenda seus limites e potencialidades.

Palavras-Chave: Paradigma Pós-moderno – Verdade – Poder – Potencialidades

Outra Direção para Pensar o Conhecimento Científico: A Diversidade Paradigmática

Coloco aqui Foucault como representante do movimento denominado pós-moderno

por criticar a crença na consciência e na subjetividade. Para ele, a fenomenologia, o

positivismo e o marxismo tentaram responder quem é o sujeito que vive, trabalha e fala.

Nestas concepções,

(...) o homem passa a ter uma vida concreta em meio à natureza e aos outros
animais, passa a falar uma língua que veio do fundo de uma cultura e passa a
ser aquele que produz objetos pelo seu trabalho. Esse ser temporal, finito,
poderá, a partir dessas formas empíricas, conhecer que essas são as
condições de seu saber e ao mesmo tempo de seu ser homem. (ARAÚJO,
2000, p. 102).

1
Trabalho apresentado como parte da avaliação da disciplina de Metodologia ministrada pelo Prof. Dr. Pedro
Demo no Departamento de Pós-Graduação de Sociologia na Universidade de Brasília.
2
Doutoranda na Pós-Graduação em Sociologia na UnB. Mestre em Direito e graduada em Psicologia pela
Universidade Federal do Paraná.
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Estes paradigmas entendem que o empírico é o transcendental, tomaram aquilo que o

homem faz por aquilo que ele é em si mesmo. Também Nietzsche se opõe ao conceito de

consciência na psicanálise e no marxismo, pois a noção de consciência "esteve intimamente

associada, e até mesmo, identificada ao que vem a ser o próprio pensamento". (BARBOSA,

2000, p. 31).

Outro autor que questiona o modo de pensar de Marx, Freud e seus seguidores é

Derrida, (1975) para quem o pensamento filosófico no ocidente tem categorizado os

fenômenos de forma diferencial ou oposicionalmente, não tendo utilizado a forma de oposição

para diferenciar um fenômeno do outro. A tradição do pensamento ocidental privilegiou, além

disso, um fenômeno em detrimento do outro atribuindo um valor central a um, e um valor

periférico ao outro. Considerou um como sendo superior (primário e originador) e o outro

inferior (secundário e derivativo) – ou, como diz Derrida, meramente suplementar. E foi o que

acontecer com o conhecimento científico que ganhou estatuto de verdade enquanto outros

discursos e práticas são considerados menores e superficiais, quando não são totalmente

rechaçados.

Foucault busca fazer uma arquegenealogia do sujeito em certas práticas, “há as

práticas objetivadoras que permitem pensá-lo através de ciências cujo objeto é o indivíduo

normatizável [o normal é ser racional, objetivo e científico]; há as práticas discursivas que

desempenham o papel de produtoras epistêmicas [há um discurso adequado] e há as práticas

subjetivadoras pelas quais; o sujeito pode pensar-se enquanto sujeito [seguindo determinado

método é possível alcançar a verdade, o conhecimento científico]”. (Araújo, 2000, p. 87).

Foucault não pretende mais encontrar uma metafísica do sujeito, sua proposta é desconstruí-

la, pois elas o mantém submetido ao seu próprio poder. Foucault propõe um sujeito que tem
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como tarefa “inventar e construir o que ele deve ser”. 3A proposta de produção do

conhecimento não busca mais estatuto científico, mais um estatuto de criticidade, de

desconstrução das verdades instituídas. Críticas como estas têm provocado abalos nos

fundamentos da ciência e na sua estrutura conceitual, bem como têm fragilizado o sistema de

legitimações da ciência.

Ao analisar o poder do discurso, Foucault (1999, p. 7) fala que o importante é "ver

historicamente como se produzem efeitos de verdade no interior de discursos que não são em

si nem verdadeiros nem falsos". Para Foucault "a verdade não existe fora do poder ou sem o

poder (...). A verdade é deste mundo; ela é produzida nele graças a múltiplas coerções e nele

produz efeitos regulamentados de poder.”.

Para Foucault cada época tem suas próprias práticas disciplinares a fim de constituir

as verdades (científicas ou não) necessárias à reprodução das relações de poder. Ele está

preocupado com a forma como nos constituímos enquanto sujeitos de nosso saber, que

exercem e sofrem relações de poder julgando moralmente as ações. Em cada espaço de poder

institucionalizado existem mecanismos de intensificação das relações de poder. E assim que a

ciência se institucionalizou ela também se utilizou de mecanismos de poder para se afirmar

como valor social, afirmação que buscou validade no conhecimento científico, que quanto

mais absoluto e pretensamente possuidor de uma verdade, mais tenta exercer sua dominação.

Para Foucault, as práticas que definem o homem são as mesmas que podem ser

modificadas por ele e, portanto não tem a menor validade enquanto definidoras de seu ser

homem. Mas a sua capacidade criadora não é reconhecida em sua potência, pois ele acredita

que a ciência sabe dizer quem ele é, ele crê no saber dos especialistas, filósofos e cientistas,

ele crê na técnica e na verdade promulgada pela ciência. Aquilo mesmo que o define é o que o

3
Foucault, “Deux essais sur le sujet el lê pouvoir” In Michel Foucault: Un parcours philosophique, entrevista
com Dreyfus e Rabinow, Gallimard, Paris, 1984, p.308. IN Souza, 2000, p. 135/136).
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condiciona, o homem trabalha, mas o fruto de seu trabalho não lhe pertence; ele fala e torna

vivas as palavras, mas elas obedecem a regras socioculturais rígidas; ele está vivo encarnado

em seu corpo, mas está cercado pela morte, num passado e futuro.

Foucault questiona como esses elementos podem ser a essência do homem se

dependem de aspectos históricos e sociais. Foucault faz a crítica da sujeição e da subjetivação,

a sociedade cria indivíduos que se acreditam sujeitos autônomos, mas que se sujeitam ao

poder e ao saber. Para este autor o conhecimento científico pretende manter este estatuto para

garantir um lugar de poder. É uma verdade que funda novamente outras formas de sujeição.

Todas as sociedades produzem mecanismos de poder que são sustentados pela produção de

verdades, e o mesmo acontece com o conhecimento científico. Foucault introduz o conceito

de poder como questão central, com a idéia do discurso como uma formação regulativa e

regulada, “determinada pelas (e constitutiva das) relações de poder que permeiam o domínio

social”. 4E o conhecimento produzido por Foucault, embora critique o poder investido à

ciência e à verdade, busca um reconhecimento de seu estatuto de verdade, fundado nos

conceitos de poder e discurso.

Foucault aborda uma crítica ao sujeito predominante na ciência, daquele que passou

por um processo de subjetivação disciplinada, pois a ciência coloca no centro um sujeito

uniforme, e todos devem se submeter aos lugares impostos pela lógica das convenções, pelos

lugares já enunciados. Ao criticar a ciência, Foucault critica a dominação dos sujeitos e a

reprodução desta dominação pelos lugares de saber e de poder estabelecidos pela ciência e

seus representantes e aposta na liberdade individual do cientista de combinar uma diversidade

de análises e desconstruir os estatutos de verdade da ciência.

A Diversidade Paradigmática como Perspectiva para Pensar o Conhecimento Científico

4
McNay, 1994:87 IN Hall, 2000:21.
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A partir de autores como Foucault, Nietzsche, Derrida entre outros, e suas críticas à

racionalidade e aos discursos de poder historicamente construído, é possível construir novas

relações, novas identidades, segundo uma ética, em meio a tantas que se constroem e se

cristalizam, se desconstroem e re-significam, numa tentativa de satisfazer objetivos

individuais e/ou coletivos.

No espaço acadêmico apresentam-se possibilidades de pesquisa diferenciadas, como

a prática cada vez maior da interdisciplinaridade e da transdisciplinaridade, de uma fluidez de

fronteiras, entre os paradigmas e entre as áreas de estudo, que desorganiza os domínios

hierarquizados estabelecidos anteriormente pela Filosofia da Ciência. Uma expressão mais

ousada desta mistura são as aproximações realizadas por Capra (1983) entre a física quântica

moderna ao misticismo oriental.

A heterogeneidade paradigmática na contemporaneidade abriga uma diversidade de

saberes e práticas que estão dispersos em todas as áreas, desde os avanços da física quântica

até as tradições orientais e antigas e a combinação com novos paradigmas das ciências

humanas. Portanto, as questões paradigmáticas e de produção do conhecimento, que antes se

limitavam à ciência e ao conhecimento científico, se manifestam em várias áreas do

conhecimento, como a economia, a política, a educação, a psicologia, a estética, a religião e

os cuidados com o corpo e a mente. Estas mudanças refletem uma crise na ciência, que passou

a ser criticada por ter estabelecido e mantido posições de poder a capitalistas, políticos,

militares e se distanciou cada vez mais dos valores que a originaram, a busca pela verdade e

pelo desenvolvimento do homem e da sociedade. E esta proposta contemporânea exige cada

vez mais um debate ético em torno da produção científica.

O conhecimento científico deixa de ser compreendido como a busca do bem e da

verdade, baseado na razão em direção ao progresso, para ser analisado como uma prática

social e, portanto sujeita as determinantes culturais, sociais, econômicos e da história


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individual do pesquisador. E assim começa uma busca por identificar as relações entre a

tessitura social e a produção de conhecimentos. (Mulkay, 1979). A Sociologia do

Conhecimento começa a investigar as atitudes e comportamentos efetivos dos cientistas,

revelando a existência de uma rede complexa de relações sociais que envolvem tanto a

comunidade científica como a sociedade. A sociologia passa a investigar como são

construídos os interesses, como são realizadas as negociações sociais, as mediações culturais,

as interpretações e as ideologias no meio científico. (Idem).

A análise sociológica da produção do conhecimento científico apresenta uma

variedade de relações sociais que não são descritas nas metodologias e nas teorias,

evidenciando como o conhecimento científico é socialmente construído, e a idéia do cientista

como um sujeito onisciente e neutro se modificou para um sujeito motivado por

determinantes históricos e sociais.

Ao mesmo tempo em que fragiliza a ciência, este movimento de crise busca a criação

de novos paradigmas para explicar a realidade. Estes novos paradigmas buscam a inclusão de

uma análise histórica e a inclusão de outras racionalidades. Na época medieval a ciência fez

uma quebra paradigmática com a religião. Na época medieval havia um contexto diferente,

segundo Prigogine e Stengers (1984, p. 41) havia "ressonâncias entre discursos científicos e

teológicos. Hoje podemos falar de outra ressonância, entre as ciências e a dominação 'laica' do

mundo industrializado, reforçada pela afinidade que se conhece entre o exercício dessa

dominação e a prática compartilhada e muda da ciência". A ordem social capitalista e baseada

na ciência difere da ordem social medieval e exige outros critérios e categorias de análise, as

quais o paradigma científico cartesiano não responde. Assim, a própria produção do

conhecimento científico deve ser contextualizada, em uma realidade histórico-social que

exige criticidade para que se produzam novos elementos de análise e não somente a

reprodução de velhos paradigmas que servem atualmente à dominação e à alienação e de


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verdades absolutas que limitam a produção de novos conhecimentos. Estes novos paradigmas

também exigem modelos, metodologias, concepções, fundamentos, que tendem à

universalidade, mesmo considerando sua impossibilidade.

A inclusão de outras racionalidades, e a retirada do cientista como único responsável

pela produção da ciência, inclui na produção do conhecimento científico outros saberes, como

a intuição, o bom senso, a sabedoria (Demo, 1995) e outros sujeitos sociais, como os

trabalhadores, os movimentos sociais, os loucos, pois...

(...) devemos aprender (...) a respeitar as outras abordagens intelectuais, quer


sejam as tradicionais, dos marinheiros e camponeses, quer as criadas pelas
outras ciências. Devemos aprender a não mais julgar a população dos
saberes, das práticas, das culturas produzidas pelas sociedades humanas, mas
a cruzá-los, a estabelecer entre eles comunicações inéditas (...).
(PRIGOGINE & STENGERS, 1984, p 225).

Segundo Guatarri:

Há muitas maneiras de abordar esse ‘avesso’ da racionalidade


humana. Pode-se negar o problema ou reluzi-lo ao domínio da lógica
habitual, da normalidade e da boa adaptação social (...). Dessa
perspectiva, nada mais resta que tentar corrigir as falhas, de modo a
retornar às normas dominantes. Inversamente, pode-se considerar que
esses comportamentos dependem de uma lógica diferente, que deve
ser estruturada como tal. Em vez de abandoná-los à sua
irracionalidade aparente, vamos então tratá-los como uma espécie de
matéria-prima, como espécie de mineral de que se podem extrair
elementos essenciais à vida da humanidade, especialmente à sua vida
de desejo e às suas potencialidades criativas. 5

Para Cassirer (2005, p. 359) ciência parte do pressuposto que a realidade/a natureza é

compreensível. A ciência depende de uma ação construtiva para produzir conhecimento

5
1987:165 In Dorea & Segurado, 2000.
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científico e estas; “espontaneidade e criatividade são o próprio centro de todas as atividades

humanas”.

Uma das características da produção do conhecimento científico, apontadas por

François Jacob, (Dorea & Segurado, 2000) é sua imprevisibilidade, que “sempre busca o

novo, não revela na sua origem qual será o percurso fixo da pesquisa e muito menos seu

destino final. A trajetória da pesquisa é múltipla e complexa. São as desterritorializações que

tornam a ciência e a própria história da humanidade tão instigante”

Em relação às ciências sociais Fábio Reis (1997) afirma que “não podemos abrir mão

de um modelo de ciência social decididamente comprometido com o rigor analítico e de

vocação teórica e nomológica, empenhado na obtenção de um conhecimento passível de ser

formulado em termos genéricos e eventualmente articulado em sistemas abstratos”. E afirma

que é necessário “fortalecer a qualidade de treinamento teórico-metodológico, em termos que

valorizem o modelo analítico e sistemático do trabalho científico”. Expondo assim algumas

características necessárias para que o conhecimento científico possa ser produzido e contribua

para o amadurecimento da pesquisa cientifica nas ciências sociais no Brasil. As diferenças

paradigmáticas são caracterizadas por uma diversidade na produção de conhecimento

científico. E ao produzir conhecimento

(...) o cientista age com base no princípio de que até nos casos mais
complicados acabará conseguindo encontrar um simbolismo adequado que
lhe permita descrever suas observações em uma linguagem universal e de
compreensão geral. (CASSIRER, 2005, p. 357).

Estas tentativas de universalidade muitas vezes se expressam quando se ignora que

cada paradigma possui pressupostos que permitiram a ele pensar a realidade. Por exemplo, a

base natural e lógico-matemática de Descartes, o fundamento existencial do sujeito

heiddegeriano, a base econômica do paradigma marxista, dos determinantes culturais de

Foucault, da sexualidade para a psicanálise, etc.


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Porém, é preciso estar atento às especificidades de cada área e de cada paradigma,

pois pode estar interpretando um se utilizando d outro e anulando conceitos e categorias sem

considerá-las realmente. O que se coloca em questão na atualidade é a busca de um estatuto

de universalidade e de verdade ao conhecimento científico, que foi inicialmente produzido em

diferentes áreas e paradigmas.

Foucault afirma que os discursos, e aqui podemos incluir o conhecimento científico,

constroem posições-de-sujeito no interior do discurso. Mas esta crítica não revela as razões

que fazem os indivíduos ocuparem certas posições-de-sujeito e não outras. Ou seja, a posição-

de-sujeito é uma categoria a priori, e determina o sujeito. Embora a ideologia seja falsa, ou

seja, o reconhecimento não é ‘verdadeiro’, este falso reconhecimento tem “funcionado como

o significante da condensação das subjetividades no indivíduo”, (Hall, 2000, p. 121) e,

portanto não pode ser simplesmente descartada, seu adjetivo de ‘falsa’ não anula seu efeito.

Se o sujeito escolhe determinado lugar para ocupar, deve existir uma motivação para

tal escolha. O argumento de Foucault é de que o sujeito é assujeitado pelos determinantes

sociais e históricos, enfim, ele não escolhe ocupar este ou aquele lugar. Mas esta questão nos

faz pensar se a produção do conhecimento científico está apenas na submissão a certos

pressupostos. Há alguma característica humana que o impulsiona a buscar responder suas

questões, afirmar-se em posições de poder não se explica por si só, porque o sujeito busca se

afirmar? Há um desejo que o impulsiona a produzir conhecimento ou ele está fadado a

reproduzir relações de poder e articulações discursivas determinadas socialmente e

culturalmente?

Na análise do discurso, Foucault coloca o perigo da interdição institucional que,

dando um lugar especial ao discurso, ritualizando-o, se coloca na função de atribuir poder ao

discurso, ao invés de reconhecer o valor de todo discurso como a fala de um sujeito, já que

'tudo' não é dito ou interpretado.


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Porém, acredito que este sujeito expressa, além de uma combinação de determinantes

sociais e históricos, o seu desejo. No sentido de buscar um lugar social para realizar uma

construção imaginária, na busca de uma realização individual.

Ao mesmo tempo em que buscamos expressar diferentes conhecimentos acerca da

realidade, o próprio uso da linguagem limita sua expressão, pois ela objetifica o pensamento e

a experiência ao torná-la explícita, como se o limite do conhecimento científico fosse imposto

também pela linguagem. Por outro lado, nos diferentes discursos pode-se, além de reproduzir

relações de poder, questionar, desconstruir, reconstruir, desobstruir e interpretar os diferentes

discursos como instrumento de construção de novas relações, novas identidades, e novos

conhecimentos.
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