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TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO


COMARCA DE SÃO PAULO
FORO CENTRAL CÍVEL
39ª VARA CÍVEL
PRAÇA JOÃO MENDES S/Nº, São Paulo - SP - CEP 01501-900
Horário de Atendimento ao Público: das 12h30min às19h00min

Para conferir o original, acesse o site https://esaj.tjsp.jus.br/pastadigital/pg/abrirConferenciaDocumento.do, informe o processo 1077897-54.2018.8.26.0100 e código 6969AA5.
SENTENÇA

Processo Digital nº: 1077897-54.2018.8.26.0100


Classe - Assunto Procedimento Comum Cível - Defeito, nulidade ou anulação
Requerente: Consuelita Rodrigues Vargas e outros
Requerido: Cooperativa Habitacional dos Bancários – Bancoop

Juiz(a) de Direito: Dr(a). Juliana Pitelli da Guia

Este documento é cópia do original, assinado digitalmente por JULIANA PITELLI DA GUIA, liberado nos autos em 12/03/2019 às 19:16 .
Vistos.

CONSUELITA RODRIGUES VARGAS e outros sete autores ajuizaram a


presente demanda em face de COOPERATIVA HABITACIONAL DOS BANCÁRIOS –
BANCOOP requerendo, em síntese, a declaração de inexistência de relação cooperativa entre as
partes, de responsabilidade dos autores pelo passivo da ré e sua abstenção de colocar em votação
em assembleia matérias afeitas à sua extinção. Alegam que a ré foi constituída em 1996 como
cooperativa, com fulcro na Lei nº 5.764/71 com a finalidade de construir imóveis em condições
facilitadas para integrantes da categoria profissional de bancários, mas que, no curso de suas
atividades, desvirtuou-se para verdadeira incorporadora imobiliária, passando a vender produtos
deste tipo com intuito de lucro.

Narram os autores que são cooperados e adquiriram unidades imobiliárias de


empreendimentos denominados "Villas da Penha" e "Colina", sendo que após quitação do preço,
não houve conclusão das obras, razão pela qual constituíram associação de moradores, que ajuizou
ação coletiva em face de BANCOOP. Aduzem em suma, que as atividades da ré foram sempre
desvirtuadas do intuito cooperativo e voltadas ao lucro, que houve diversos atos de má gestão e
fraudes, justificando diversas acoes judiciais e celebração de Termo de Ajustamento de Conduta –
TAC com o Ministério Público do Estado de São Paulo, pelo qual, dentre outras obrigações, a ré
deveria sempre destacar sua condição de cooperativa.

Alegam que houve ação judicial movida pelo Ministério Público na qual se
determinou a liquidação da BANCOOP, porém, esta convocou assembleia geral para 31/07/2018,
com a finalidade de deliberar a respeito de sua dissolução voluntária. Entendem os autores que

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referido ato lhes é prejudicial, na medida em que podem vir a ser responsabilizados, como
cooperados, por eventuais danos. Assim, requerem, em tutela de urgência, a suspensão do ato e, ao
fim, a declaração de inexistência de relação cooperativa com a ré e sua condenação a retirar seus
nomes de todos os registros internos e documentos que os vinculem como cooperados.
Documentos instruíram a inicial às fls. 53/853.

A ré compareceu espontaneamente aos autos (fls. 854/888, com documentos às fls.


889/1.518)

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Deferida tutela de urgência às fls. 1.519/1.520.

Contestação às fls. 1.534/1.572.

Reconhecida a conexão com o processo nº 1077460-13.2018.8.26.0100 (fls. 1.573)


e determinada redistribuição a este Juízo.

Parecer do Ministério Público às fls. 1.591/1.594, pela rejeição das preliminares e


procedência dos pedidos, reiterado às fls. 1.599.

Vieram os autos conclusos.

É O RELATÓRIO, FUNDAMENTO E DECIDO.

1. Passo ao pronto julgamento, nos termos do artigo 355, inciso I, do Código de


Processo Civil, pois a prova dos fatos controvertidos é essencialmente documental e já está
acostada aos autos, sendo desnecessária dilação probatória.

2. Nenhuma das preliminares arguidas pela ré prospera. Por evidente, não há que
se falar em perda de objeto pelo simples fato de não se ter realizado votação em assembleia dos
temas objeto de impugnação nos autos, pois houve decisão judicial expressamente neste sentido,
de modo que tratou a ré, pura e simplesmente, de cumprir a determinação – seja neste, seja em
qualquer dos outros três feitos conexos. Não há comprovação de que a abstenção de votar tais
matérias foi espontânea e prévia ao ajuizamento de qualquer dos processos. Mais que isso, a

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pretensão dos autores vai além, voltada à obstar a apreciação dessas matérias futuramente.

3. Quanto ao mérito propriamente dito, tampouco assiste razão à ré. Todavia, a


pretensão é procedente apenas em parte. Os autores pretendem, em essência, que seja declarada
a inexistência de relação cooperativa com a ré, bem como sua condenação a retirar seus nomes de
todos os registros internos e documentos que os vinculem como cooperados. Como sabido, nos
termos do artigo 4º da Lei nº 5.764/71, as cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e
natureza jurídica próprias, de natureza civil, voltadas à prestar serviços aos associados e não à

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obtenção de lucro ou empreendendorismo.

4. Como bem salientado pela d. Promotora de Justiça em seu parecer, da análise


dos documentos trazidos a estes autos, bem como do contido na ação civil pública nº
0159572-66.2012.8.26.0100 ou, ainda, na ação nº 0245877-29.2007.8.26.0100, em trâmite junto à
37ª Vara Cível deste Foro Central, não há dúvidas de que a BANCOOP incorreu em diversas
irregularidades, desviando-se do seu caráter inicialmente cooperativo. Não por outra razão, em
referida ação civil pública, o Ministério Público requereu sua dissolução judicial.

5. Daí a se concluir que a pretensão ora exercida parece voltada a resguardar os


autores, na condição de cooperados, quanto ao ressarcimento dos prejuízos incorridos pelas ações
da BANCOOP e, ainda, afastar a possibilidade de terem que, eles próprios, arcar com os danos,
dada a posição que ocupam. Com efeito, a Lei nº 5.764/71 prevê que as despesas da cooperativa
devem ser rateadas entre os cooperados, em proporção à fruição dos serviços. Pois bem.

6. A ação civil pública nº 0159572-66.2012.8.26.0100 tem como objeto justamente


o pedido de dissolução judicial da BANCOOP e está ainda em curso – por determinação do E.
Tribunal, que proveu recurso de apelação do Ministério Público em face de sentença de extinção.
Ora, pendente a análise daquele pedido, é evidente que qualquer ato da BANCOOP voltado à sua
extinção, por qualquer outro meio, constitui indevida inovação no estado de fato/bem litigioso, a
ser analisada naqueles autos. A bem da verdade, para obstar a deliberação em assembleia voltada à
extinção da cooperativa, bastava aos autos noticiar esse intuito naqueles autos, ou ao ao Ministério
Público, autor da demanda, sem manejar ação própria.

7. De todo modo, dado o estado atual deste feito e dos conexos, não há óbice ao

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acolhimento do pedido neste sentido, confirmando-se a tutela de urgência outrora concedida. Para
além disso, respeitado o entendimento da d. Representante do Ministério Público, tenho que os
demais pedidos são improcedentes. Não há como se reconhecer inexistência de relação
cooperativa entre os autores e a BANCOOP, pois isso configuraria promover a extinção da ré por
via transversa, quando o próprio Parquet pretende sua liquidação judicial em ação própria. A
decisão pretendida aqui, no mérito, afetaria sobremaneira o pedido ali formulado, sendo certo que
a incidência do Código de Defesa do Consumidor é questão passível de apreciação naqueles autos,
em momento oportuno.

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8. O pedido de abstenção de deliberação da dissolução da cooperativa, este sim,
comporta acolhimento – inobstante, repise-se, pudesse ter sido formulado nos autos próprios,
voltados à efetivação do pedido principal. De fato, com a liquidação judicial da BANCOOP,
observadas as responsabilidades de seus dirigentes por eventuais desvios – de finalidade ou
patrimônio – e respeitados direitos dos cooperados – dê-se a estes o nome que se dê – é a medida
correta e já está sub judice, muito antes do ajuizamento desta demanda. Consigno, por fim, nos
termos do artigo 489, §1º, IV do Código de Processo Civil, que as demais teses veiculadas pelas
partes são incompatíveis com a fundamentação supra e inaptas a alterar a decisão ora proferida.

9. Ante o exposto, JULGO PROCEDENTE EM PARTE a pretensão e,


confirmando a decisão antecipatória de fls. 1.519/1.520, determino que a ré BANCOOP –
Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo não coloque em votação em assembleia os
itens I, II e IV da pauta de assembleia designada para 31/07/2018, bem como quaisquer outros
relacionados a sua dissolução, ficando rejeitados os demais pedidos. Assim, julgo extinto o feito
com resolução de mérito, nos termos do artigo 487, inciso I do Código de Processo Civil.

Em consequência, condeno a ré ao pagamento das custas, despesas processuais e


honorários advocatícios, que arbitro em 10% (dez por cento) sobre o valor atribuído à causa, nos
termos do artigo 85, §2º do Código de Processo Civil.

Após o trânsito em julgado, ao arquivo, com as anotações devidas.

P.I.C.

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São Paulo, 11 de março de 2018.

JULIANA PITELLI DA GUIA


Juíza de Direito Auxiliar
(assinatura digital)

DOCUMENTO ASSINADO DIGITALMENTE NOS TERMOS DA LEI 11.419/2006,


CONFORME IMPRESSÃO À MARGEM DIREITA

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