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18-O MISTÉRIO DOS ANIMAIS-15/Outubro/2004

Já não é novidade para ninguém que os animais, na sua totalidade, têm um sexto sentido
tão apurado quanto o olfato ou a audição, já que a visão não é tão potente em termos
físicos, mas também parece detectar outros campos vibracionais. Essa extra-percepção é
que lhes permite “sentir” além do comum com relação a nós, seres bípedes limitados
ainda mal treinados para tanto. Todo mundo já ouviu falar que quando se aproxima uma
tempestade, ou algo pior, certos animais domésticos se tornam irrequietos. Ou mesmo
quando um cachorro começa a latir olhando para o suposto “nada”. É nesse momento
que eles atingem uma dimensão ainda inacessível por grande parte dos indivíduos ditos
racionais. E então surge a oportuna questão: por quê todos os animais possuem tal poder
extra-sensorial e a maioria dos humanos não? Teriam eles uma região no cérebro, mas
que nós ainda não a despertamos? Quando será que os pesquisadores e cientistas
conseguirão decifrar a parte psíquica do animal, seja este alado, terrestre ou aquático? E
a questão da linguagem? Por quê até hoje o ser humano não entende o idioma dos
bichos? Nessa área, é de se admirar, segundo consta ao público, que nada se tenha
descoberto acerca do idioma daqueles que presunçosamente chamamos de “irracionais”.
Afinal, é certo que eles devem ter um padrão característico para se comunicar entre si.
Caso contrário, não existiriam os grupos e as comunidades que os elefantes, por
exemplo, formam.
No plano biológico, os bichos, assim como os humanos, estão praticamente
configurados. Em pouco tempo, eles certamente, também terão seu genoma delineado.
Mas nada de concreto se conhece sobre a parte subjetiva do animal. Não é de se
admirar. Se o homem dificilmente consegue se auto-analisar, o que diremos com relação
aos animais. Assim, o cientista ainda não conhece totalmente a forma com que o animal
se comunica, sequer como vislumbra certos espectros, invisíveis aos nossos olhos.
Em síntese, seu comportamento é analisado apenas sob o ponto de vista prático, isto é,
sabemos quando os bicho estão alegres, tristes, famintos, mas não sabemos o que se
passa nos confins de sua mente. Nada está comprovado cientificamente, porém para não
fugir do hábito, há especulações em torno do assunto. Sabe-se, também, que o padrão
gramático da linguagem humana tem uma ordem peculiar, independente de sua raiz. Isto
é, os sons vocálicos e consonantais estão inseridos em qualquer tipo de idioma. Mesmo
os que possuem a escrita através de ideogramas (como os chineses, japoneses e os
antigos egípcios), têm a lógica gramatical inserida no seu sistema de comunicação
gráfica. E os bichos? Como “falam” entre si? Como seria a construção gramatical de
suas frases usadas para se expressar? A onomatopéia é a palavra que imita o som de seu
significado. E o que entendemos dos sons animais, exceto que emitem sons típicos de
sua raça? Somente a identificação de quem os emite, ou seja, se é uma ave, um porco,
etc. Nada mais. Pesquisas sobre entonação, timbre, e acústica em geral deveriam ser
mais aprofundados para o contexto zoológico. A título de exemplo, é notório que os
cachorros são exímios "guardadores de imagens", pois sabemos que através do odor,
eles fixam no cérebro a cena que o faro captou, uma vez que o cheiro sempre está
atrelado à visão. Essa postura lhes permite "fotografar" a figura que acabaram de
"farejar". Não seria este o ponto de partida para começar a decodificar a fala canina? E
o que se pode dizer dos macacos? Sabe-se que há estudos bastante adiantados nesse
sentido, pois se especula que a comunicação do símio é muito similar à do ser humano.
Em suma, se um dia pudermos desvendar o mistério da linguagem animal, e formos
capazes de entender o seu comportamento psíquico e psicológico, isso na certa nos
possibilitará atingir a almejada sintonia “homem/natureza. Será quando amenizaremos
as maldades que tanto lhes infringimos. Nesse momento especial, passaremos a nos
conscientizar que não somos os únicos “inteligentes” da Terra.