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Finanças Públicas

e-book

S. Nhabinde
nyabinde@gmail.com
2014

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 1


Módulo I
Finanças Públicas e o Papel do Estado

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 2


Finanças Públicas = Economia Pública= Economia
do Sector Público
↓↓
 Disciplina de natureza Interdisciplinar porque
situa-se na confluência de:
Abordagem da Ciência Económica
 Abordagem da Ciência Política
 Abordagem da Ciência Jurídica

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1. Confluência com a Economia

• Toma em consideração as 3 questões económicas fundamentais no


âmbito do sector público: O que produzir/como produzir/ para
quem produzir.

2. Confluência Política

 As decisões do sector público são tomadas através do


funcionamento de um processo político relativamente complexo.

↓↓↓

 Entrada da ciência política para ajudar a compreender as escolhas


colectivas em regimes democráticos

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Súmula 1
Respostas dada por uma sociedade democrática aos 3 Principais
Problemas da Economia:

a) Resposta Predominantemente económica;

b) Resposta Predominantemente política;

c) Resposta Mix: razões de natureza económica e política.

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Súmula 2
Abordagem Político Económica do Sector:
 Fundamenta economicamente as politicas financeiras do
sector público tendo em consideração (ou não) as regras
e instituições que proporcionam essas políticas.
Condições para o carácter desejável de uma política:
a) Política económica em si;
b) Instituições e regras que foram desenhadas para a
implementar.

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Sumula 3
 Aspectos a ter em consideração no estudo das Finanças Públicas:

1. Efeitos da manipulação de certas variáveis instrumentais (política

orçamental).

2. Efeitos de alterações em variáveis estruturais (regras e

instituições) na implementação das políticas públicas

3. Intervenção do Estado na economia na vertente financeira(


Receitas e despesas públicas).

4. Regras das instituições que operaram no sector público para a


implementação das políticas públicas desejáveis.
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Raciocínio Económico para as 4 Questões acima

 Problema 1 e 2: Análise Positiva

 Problema 3 e 4: Análise Normativa.

↓↓↓

Finanças Públicas é:

 Análise normativa VS Análise positiva das


actividades das entidades do sector público.

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Critérios Normativos em Economia

1. Equidade

2. Eficiência

3. Liberdade

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1. Análise da Equidade/Justiça

 Analise/medição do bem estar social = necessidade de uma comparação


interpessoal de níveis de bem estar

 Visa determinar os efeitos da distribuição da carga fiscal e dos benefícios


da despesa pública no bem estar.

↓↓↓↓

 Procura-se melhorar a situação dos mais desfavorecidos e diminuir as


desigualdades e a pobreza.

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2. Eficiência
 Sentido económico mais simples:

 Afectar os recursos económicos de forma óptima no


sentido paretiano = Não é possível melhorar o bem estar
de um agente económico sem que seja através da
diminuição do bem estar do outro.

Problemas que se Levantam

a) Conhecer aquilo que as pessoas desejam em termos de


bens públicos.
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b) Determinar a dimensão ideal do sector público em relação ao
privado no âmbito da afectação eficiente de recursos.

3. Liberdade (Negativa)

 Significado: o indivíduo deve reter uma esfera de autonomia


imune à intervenção coerciva do Estado: Deve haver limites às
possibilidades de intervenção do Estado na vida privada dos
cidadãos

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Exemplos da Liberdade Negativa
 O Estado não deve intrometer-se em conflitos familiares
(violência doméstica): É um acto privado que tem a ver com o
casal e o Estado não deve regulamentar:

 Os cidadãos não devem ter BI para que o Estado não tenha


imensa informação acerca dos cidadãos.

 O acesso público ás contas bancárias individuais é uma


violação do critério da liberdade.

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Importância Relativa dos Critérios

 Juristas: Ao tratarem do fenómeno financeiro dão primazia


ao conceito da equidade (justiça) em detrimento da eficiência
e liberdade.

 Economistas: Dividem-se entre:

 Os que dão primazia aos critérios de eficiência e liberdade.

 Os que dão primazia aos critérios de equidade e justiça social.

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Fontes de divergências entre os economistas

i. Análise positiva: Divergências quanto a:

 Modelos mais realistas

 Análise empírica

ii. Analise empírica: Divergência quanto a:

 Hierarquização dos critérios normativos

 Grau de conflito entre os critérios

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Funções do Sector Público Segundo Musgrave
1. Estabilização: Óptica macroeconómica

2. Afectação : Óptica microeconómica

3. Distribuição: Óptica microeconómica

Paises em Vias de Desenvolvimento


↓↓↓
 Pode-se falar numa terceira função: Função Desenvolvimento

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Ramos da Economia do Estado/Governo segundo Musgrave

1º Ramo da Estabilização: Responsável por manter a economia em


pleno emprego com preços estáveis.

2º Ramo de Afectação: Preocupação como a forma de alocar os seus


recurso;

3º Ramo da Distribuição: Preocupação com a forma como os bens


produzidos pela sociedade são distribuídos: Função preocupada com
questões de equidade e trade-offs entre a equidade e eficiência

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Economistas do Sector Público
↓↓↓↓
 Focalizam-se na Função Afectação e Função Distribuição.

Função Afectação
↓↓↓
 O sector público tem de contribuir para a afectação eficiente de
recursos.
Áreas de Intervenção
a) Provisão de bens públicos ou serviços públicos que não encontram
provisão através dos mecanismos do mercado.
b) Controlo dos efeitos das externalidades da produção e consumo.

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↓↓↓

 O sector público tem que intervir para tributar as poluições para


que os agentes económicos incorporem as externalidades nas suas
decisões.

c) Regulação para evitar que os agentes económicos pratiquem preços


de monopólio. (Muitos mercados funcional de forma não competitiva:
oligopólio ou monopólio = necessidade de intervenção do Estado).

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2. Função Distribuição
• Distribuição de rendimento e riqueza com vista a adequa-la a
uma norma distributiva considerada mais desejada.
• Provisão em espécie de certos bens e serviços com vista a
contribuir para uma maior igualdade de oportunidades.
3. Função Estabilização
 Função que se coloca ao nível macroeconómico para:
 O crescimento sustentado da economia.
 Níveis de emprego elevados.
 Estabilidade de preços.
 Equilíbrio das contas externas.
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Teorias do Papel do Estado
Numa Economia Capitalista Mista

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Concepções do Estado numa Economia Mista

1. Estado mínimo ou de serviços;

2. Estado Protector ou de Bem-estar;

3. Estado Imperfeito.

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1. Estado Mínimo ou de Serviços: Primazia do Mercado
↓↓↓
Situação em que o peso do sector público na

na economia mista é:

 Mínimo (10-15% do PIB).

 Resume-se à provisão de bens públicos necessários ao bom


funcionamento dos mercados:

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 Defesa e segurança interna;

 Leis e tribunais

 Administração da justiça

 Infra-estruturas indispensáveis ao desenvolvimento


económico (estradas, portos etc).

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Principais Mentores (Teóricos) do Estado Mínimo

 1º Momento: Século XVIII – Meados do XIX: Escola


Clássica (Adam Smith).

 2º Momento: Século XX: Autores Libertários (Nozick)

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1º Escola Clássica: Laissez Faire, Laissez Passer
Funções Essenciais do Estado Desenvolvidos por Adam
Smith:
1. Proteger a sociedade contra a invasão estrangeira =
Defesa Nacional
2. Proteger cada membro da sociedade contra as injustiças
que possam ser cometidas por outros membros =
Segurança interna e justiça necessárias para:

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 Preservar a vida e a propriedade privada dos
agentes económicos
3. Fornecer certas instituições e obras públicas que
são de interesse público, mas que não serão
fornecidas pelo mercado.
Sumarizando a teoria neoclássica sobre o Estado:
 A razão da intervenção do Estado tem a ver com a
Função Afectação

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2. Estado Protector (Estado de Bem-estar/ Estado Providência).

Definição de Briggs (1961)


Estado em que o poder organizado é deliberadamente usado
(através da política e da administração) num esforço de modificar
o funcionamento das forças de mercado em 3 direcções:

1º Garantir aos indivíduos e às famílias um rendimento mínimo


independente do valor de mercado da sua propriedade.

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2º Diminuir a extensão da insegurança: Permitir aos indivíduos e às
famílias fazer face às contingências sociais (doença, velhice,
desemprego) que de outro modo conduziriam a crises individuais e
sociais.

3ºAssegurar a todos os indivíduos (sem distinção do status


ou classe) um certo tipo de serviços sociais nos melhores
padrões disponíveis.

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Estado do Bem-Estar VS Estado Mínimo
↓↓↓
Aspecto Comum: A intervenção pública é necessária para o próprio
funcionamento do mercado.
Diferença: O Estado Protector dá ênfase á função redistributiva.

Componentes da Dimensão Redistribuitiva Estado

 Primeira componente: Redistribuição do Rendimento.


 Segunda Componente: Provisão de bens primários.
 Terceira componente: Diminuição do risco, assimetrias e informação
assimétrica.

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Primeira Componente: Redistribuição do Rendimento.
↓↓↓↓
 Instrumento necessário para a melhoria do bem-estar
social.
 Não pode ser realizada satisfatoriamente pelo mercado.
↓↓↓
Cabe aos Estados fazer essa tarefa.

Vias Essenciais da Redistribuição:


• Sistema fiscal.
• Prestações pecuniárias dos sistema de segurança social.

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Segunda Componente: Fornecimento de bens primários:
 Direitos e liberdade; poderes e oportunidades; rendimento e
riqueza.

Terceira Componente: Estado como agente que diminui o risco,


incerteza e informação assimétrica.

Transacções Económicas e Políticas


↓↓
 Existência de assimetria entre o papel dos indivíduos
envolvidos.
↓↓↓↓
 Existência de uma relação de agência
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Relação de Agência
↓↓↓
Relação do tipo contractual

↓↓↓

 Principal: Delega certos direitos a favor de outro indivíduo.

 Agente: Suposto actuar de acordo com os interesses do principal


a troco de qualquer contrapartida pecuniária ou não.

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Entidades duma Relação de Agência:

 Accionistas/Gestores de uma empresa.

 Gestores/Trabalhadores.

 Doentes/Médicos.

 Cidadãos eleitores/Membros de cargos políticos.

 Companhias de seguro/Segurado.

 Compradores/ Vendedores de automóveis usados.

 Governantes/Dirigentes da administração.

 Dirigentes/funcionários públicos.

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Principal vs Agente

↓↓↓

Têm Informação Assimétrica

Principais Problemas com a Informação Assimétrica

1. Risco Moral (Acção escondida): Resultante dos efeitos


negativos de acções escondidas por parte dos agentes.

2. Selecção Adversa: Consequência dos agentes não revelarem


informação sobre as suas características ao principal.

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Racionalidades da intervenção do Estado resultante da
informação assimétrica entre os Agentes:

i. O governo como entidade legisladora

ii. Governo enquanto agente económico

iii. Governo como entidade de Direcção Política da


administração pública e principal na relação
interinstitucional

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i. O governo como entidade Legisladora: Faz o
enquadramento das actividades dos agentes
económicos

 Regula as relações de agência, mas é externo a essa


relação).

ii. Governo enquanto agente económico: Participa em


transacções como principal numa relação de agência
com entidades privadas (indivíduos/empresas).
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iii. Governo como entidade de Direcção Política da
administração pública e Principal na relação inter-
institucional com os dirigentes da administração ou
com funcionário públicos ou contratados no sector
público

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Racionalidade da Intervenção do Governamental
quando o governo é o “Principal”
2 casos a considerar:

• Agente fora da Administração Pública.

• Agente na Administração Pública.

1º Caso: Agente Fora da Administração: Uso do sistema


de segurança Social para:

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a) Superar um problema de fracasso do mercado;

b) Alcançar a justiça social ao operar uma distribuição


de rendimento: Os que têm maiores rendimentos
contribuem em parte para os que têm menores
rendimentos.

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Problemas com o Sistema Social Público:

Conflito entre Eficiência e Equidade

• As prestações que os indivíduos recebem dos sistemas são


muita das vezes independes das contribuições.

↓↓↓

 Muitos tentam maximiza as prestações (Tirar do sistema) e


minimizar as contribuições.

Resultados desta Situação

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Racionalidades para a intervenção governamental e introdução de
um Sistema de Segurança Social

 Racionalidade 1:Fracasso parcial do mercado.

 Racionalidade 2: Provisão de bens de mérito (a sociedade

sobrepõe-se ás preferências individuais).

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2º Caso: Agente na Administração Pública.
 Acontece na relação entre os dirigentes políticos
governamentais e os dirigentes do 1º grau da administração
pública (Directores gerais, por exemplo).
Ou
 Na relação entre aqueles e os funcionários públicos.
• Há problemas de risco moral e selecção adversa. Mas,
• A solução destes problemas não é a mesma que se pratica no
sector privado.
Propostas de Solução

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Apologistas das virtudes do mercado: Autores da New Public
Manangment:
 Usar os mesmos mecanismos usados no mercado:
 Medição dos outputs e do desempenho;
 Diferenciação salarial na base do mérito
 Implementação de incentivos (negativos/positivos) materiais.
Argumentos Contra
 Dificuldades de medir o output no sector público.
 Dificuldade de distinguir o efeito dos inputs privado e público.
 Existência de contractos mais incompletos que no privado: Mais difícil
de avaliar o desempenho.

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Alternativas Propostas
 Usar contractos incompletos

Vantagens:

• Fortalecimento do capital social das organizações.

• Poupança de custos de monitorização permanente


Características Desta Perspectiva
 Não considera os agentes económicos como agentes racionais e
egoístas.

 Considera os agentes económicos como agentes norteados por


normas de: Sentido de dever/Reciprocidade/Resposta a incentivos
materiais e não materiais.
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3. Estado Imperfeito
Análise do Estado Mínimo VS Estado Protector
↓↓
 Abordagens normativas acerca do papel do Estado
↓↓
 Estado Imperfeito = análise positiva (preditiva)

Tipologias de Estado Imperfeito


a. Caso Extremo: Estado Leviatã de Hobbes (1588-1679).
 O Estado é um monstro cuja dimensão cresce sem sessar.

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Análise contemporâneas do Estado Leviatã: O Sector público:

 Tende a crescer desmesuradamente em relação ao privado.

 O seu peso torna-se excessivo.

 Prejudicial ao bom funcionamento da economia porque origina


um peso excessivo dos impostos necessários para o financiar.

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b. Estado ao Serviço dos Interesses
 É uma visão moderna (anos ´70, ´80 e ´90 do séc XX)
 Olha as potencialidades da intervenção do Estado.
de forma crítica.
Visão
 Governo é uma agência monopolista com poderes exclusivos de:
tributação/ emissão de licenças/regulação da competição.
 Em regime democrático funciona a regra da maioria: Há maiorias
e minorias.
 As decisões democráticas embora maioritárias nem sempre
favorecem o interesse público.

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• Este Estado não está capaz de superar os fracassos do Governo

Tipos/Fontes de fracasso de Governo


1. Rent Seeking (Teoria da procura da renda): Os governos
oferecem situações específicas dos agentes económicos através de
benefícios (favorecimentos especiais a alguns agentes (ex: certos
subsídios ou benefícios fiscais)
2. Burocracia (Teoria da burocracia): Os executivos têm menor
informação sobre a eficácia da utilização dos recursos públicos do
que a administração (burocracia) que supostamente controlam.

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↓↓↓↓

Condução ao excesso de gastos públicos

3. Ciclos Político-Económico: As decisões políticas estão sujeitas


aos ciclos eleitorais

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Ideia dum Estado Imperfeito
↓↓↓
 Existência de um Estado Ideal.

Estado Ideal
↓↓↓
 Instrumento da vontade da generalidade dos cidadãos expressa
democraticamente.
 Satisfaz o interesse público
 Não está para satisfazer a soma de interesses individuais que vão
contra o interesse público
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 Partilha a concepção clássica de que uma importante
função do Estado é a afectação eficiente de recursos.

 É generalista no âmbito da distribuição de rendimentos:

 São necessárias restrições de natureza institucional ou


outras para evitar que o Estado seja um instrumento de
restrição selectiva p/ grupos de interesse

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Concepção do Estado
VS
Tipo de Finanças Públicas.

↓↓↓

O tipo de Finanças Públicas é definido pelas formas de


abordar o papel do Estado e as suas potencialidades
(Teorias do papel do Estado):

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1. Estado Mínimo = Finanças Públicas clássicas;
2. Estado do Bem Estar (Protector): Finanças Intervencionistas por
parte do sector público.

3. Estado Imperfeito (falhas do Governo): Constitucionalismo


financeiro (ênfase às restrições de natureza constitucional para
restringir o livre arbítrio das decisões do governo)

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1. Finanças Clássicas
 Orçamento: Equilibrado neutro e reduzido (10% do PIB)

 Fonte de financiamento: impostos (receitas fiscais) e não


endividamento.

 Primado da função afectação: despesas com a defesa e infra-


estruturas.

 Mercados: auto-regulados c/ tendência p/ o equilíbrio caso não


seja afectados negativamente pela intervenção do Estado.

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2. Finanças Intervencionistas
Características Básicas
1. Intervenção do Estado para a estabilização macroeconómica.

2. Redistribuição de rendimento e serviços básicos para os mais


carenciados.

Porquê?
a) O mercado é auto-regulado: leva a situações de desemprego.

b) O mercado não é um processo justo: Reproduz desigualdade.

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3. Compatibilidade com orçamentos deficitários.
4. Dimensão significativa do sector público.

5. Peso significativo das despesas sociais (em particular a


transferência de rendimentos).

6. C/ excepção da regra de ouro das FP (o saldo corrente deve ser


superavitário ou nulo) não é atribuída importância a regra de
equilíbrio orçamental.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 57


↓↓↓
Gestão Macroeconómica Keynesiana
 Existência de défices crescente em períodos de recessão.

 Défices menores ou superavites em períodos de expansão


económica.
3. Finanças Constitucionais
 Surgem como consequências da situação económica dos anos
`70, `80 e ´90: Excessiva dimensão do sector público na
economia

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 58


 Pressupõe a restrição por via da constituição do poder financeiro
discricionário dos governos e maiorias parlamentares do dia.
Versão mais radical do constitucionalismo financeiro
 Definição de trajectórias para a dívida pública.
 Definição do défice anual das contas das administrações públicas
em função de valores de referência e do ciclo económico.
 Descentralização Política caracterizada por:
 Existência de diferentes níveis de governo ( central/regional/local).
Para evitar:
• Excessivo poder do executivo.
• Excessivo crescimento da despesa pública.

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4. Finanças modernas

↓↓↓

 Mistura do modelo intervencionista VS constitucionalismo


financeiro.
Características comuns

1. Sustentabilidade: Controlo das défices públicos e da dívida


pública p/ manter uma estabilidade inter-temporal.

↓↓↓

Exigência de uma regra constitucional

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2. Orçamento do Estado parcelado:
 Parcela para melhorar a afectação de recursos e crescimento;
 Parcela significativa para a promoção da justiça social e redução das
desigualdades.

3. Fontes diferenciadas no financiamento das despesas públicas:


 Fonte para as despesas correntes: Impostos.
 Fonte para as despesas de capital: Endividamento.

4. A actividade financeira do Estado não se limita às administrações


públicas, mas também a um sector público empresarial.

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Fundamentos da Intervenção Pública

↓↓↓

Assenta nos 2 teoremas fundamentais do bem estar

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1º Teorema
 Sob certas condições, mercados competitivos em equilíbrio
caracterizam-se por uma afectação eficiente de recursos (segundo
Pareto).

Eficiência de pareto

 Uma afectação eficiente de recursos é aquela em que ninguém


pode ficar melhor sem ser á custa da diminuição do bem estar do
outrem.

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2º Teorema

 Qualquer afectação de recursos eficiente (a Pareto) pode ser


alcançada como um equilíbrio competitivo de mercado após uma
apropriada redistribuição das dotações inicias.

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Teorema 1 e 2
↓↓↓

Duas racionalidades que justificam a intervenção do sector público

na economia:

 1ª Racionalidade: Ineficiência do mercado = fracassos de

mercado.

 2ª Racionalidade: Equidade

↓↓↓

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Racionalidade 1
Intervenção por fracasso do mercado ou por razões de eficiência

Razões do fracasso dos mercado


I. Existência de certos bens que pelas suas características se torna difícil
haver acordos voluntários para a sua provisão = Bens Públicos.

II. Situação em que a acção de certos agentes económicos afecta o bem


estar de outros e essa acção é devidamente reflectida no sistema de
preços = Externalidades.

III. Existência de monopólios = imperfeição na concorrência

IV. Assimétrica de Informação entre os agentes económicos do bem ou


serviço a transaccionar.
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Razão1 do fracasso de mercados: Intervenção para a provisão
de bens públicos

Características dos bens públicos puros

 Não rivalidade no consumo.

 Impossibilidade de exclusão

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Características de rivalidade

 Rivalidade Total: o consumo de um bem ou serviço por parte de


João impossibilita o consumo do mesmo pela Ana.

Exemplo

 Se João e Ana pretendem consumir um bem X, o consumo


conjunto será:

X1 + X2 = X
↓↓↓
Bens Privados = o consumo é totalmente rival.

↓↓↓

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↓↓↓

 Se Ana consome uma maçã, o João é impossibilitado de o fazer.

 Rivalidade Parcial de Consumo = O consumo de um bem por


parte de João não impede o consumo por parte da Ana. Mas
↓↓↓
 A qualidade do serviço consumido por Ana diminui.

Rivalidade Parcial

↓↓↓

 Existência de bens mistos (bens privados em sentido lato)

Exemplo: Auto-estrada congestionada


21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 69
Característica de Não Rivalidade no Consumo

 O consumo de um bem Y por João não subtrai a quantidade


disponível para o consumo da Ana.

Y 1 = Y2 = Y

↓↓↓

 O que é fornecido é imediatamente disponibilizado para João e


Ana na mesma quantidade.

Ex: Defesa Nacional/ Iluminação Pública

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 70


Características de Exclusão
 Um bem, serviço ou recurso natural é possível de exclusão se:
 For possível excluir um indivíduo do seu consumo ou;

 Monitorar individualmente o consumo (de forma permanente


ou temporário) de modo que se possa praticar um preço
associado à utilização desse bem.

Condições para a Prática de Exclusão

 Possibilidade legal.

 Viabilidade tecnológica a baixo custo.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 71


Exemplo: Praias
 A exclusão não é legalmente possível mas é tecnologicamente
viável.

Bem Público

 Para a totalidade dos indivíduos não existe rivalidade no


consumo.

 A exclusão ou não possível ou se for possível não é desejável do


ponto de vista económico = É Ineficiente

↓↓↓↓

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 72


 Não havendo rivalidade o custo marginal de mais um indivíduo
a consumir o bem público é nulo.

 Qualquer forma de exclusão baseado no preço ou racionamento


é ineficiente já que diminui o consumo sem que haja algum
benefício.

Exemplo 1: Bem Público

↓↓↓↓

Conhecimento Científico

↓↓↓↓

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 73


 A utilização/consumo é não rival = o facto de alguém
utilizar não impede qualquer outro de aceder.

 A exclusão é possível = Pode se manter privados os


resultados da investigação. Mas em geral não é
desejável.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 74


Exemplo 2:
↓↓↓
Parque Natural
Situação 1
Gráfico 1
 Capacidade em termos de visitante/hora = Qmax
 Procura caso o preço seja nulo = Q0
↓↓↓↓
Mesmo com acesso livre não há congestionamento no uso do
recurso.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 75


Situação 2: Necessidade de manutenção
↓↓

• Introdução de um preço de acesso P1

↓↓

 Redução de utilização do parque de Q0 para Q1 sem benefício

associado a esse racionamento.


Mercados Competitivos.
 Não conseguem fornecer nenhuma quantidade de bens público,
Ou

 Fornece quantidades insuficientes


21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 76
• A provisão voluntária/privada de bens públicos é sempre
ineficiente e abaixo do nível óptimo
Causas
 Rivalidade de consumo
 Comportamento borlista (free-rider) de agentes que podem
beneficiar do bem sem contribuírem em nada.
↓↓↓↓
 Se haver uma proporção significativa de free-riders a provisão
do bem será ineficiente.
 Se todos pensarem em ser free-riders a provisão privada no
mercado será nula.
21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 77
Bens Públicos

 Os agentes tendem a não relevar as suas preferências por bens


públicos, embora os tenha.

↓↓↓↓

 Não há procura efectiva = não há mercado de bens públicos.

 A quantidade oferecida é única.

↓↓↓↓

 Todos dispõem da mesma quantidade quando o bem é fornecido.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 78


 Para cada quantidade há um custo associado que deve ser
partilhado de alguma forma entre os consumidores.

 A quantidade é única

 O preço do Bem é igual aos preços individuais (Pi) pagos pelos


indivíduos.

𝑃= 𝑃𝑖
𝑖=1

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 79


↓↓
 Cada unidade do bem público é potencialmente financiado por
todos através de:

 Impostos fiscais individuais (tax price).

 Parcela de imposto (tax share).


Teoricamente
 È possível determinar a provisão eficiente de bens públicos
↓↓↓↓
 É igual a soma das disposições marginais a pagar com o custo
marginal de produção.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 80


Nota

 A quantidade eficiente de produção de bens públicos é dada


pela condição de Samuelson (1954) que demostra que:

 TMS entre o bem público e o bem privado = a TMT do


bem privado pelo bem público

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 81


Formas de Produção e Provisão de Bens Públicos

 Provisão: Forma de fornecimento e de acesso a bens públicos e


serviços.

 Produção: Actividade produtiva que gera o bem.

Provisão VS Produção

↓↓↓

4 formas

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 82


Provisão
Privada Pública

Privada 1 3
Produção

Pública 2 4

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 83


Provisão
 Financiada pelo orçamento duma entidade pública:
orçamento do Estado/orçamento duma autarquia.
Pública
 Se os utilizadores não pagam um preço pela
utilização o financiamento é indirecto via impostos.

É financiada através de um preço ou tarifa

Privada A tarifa é igual ao custo marginal ou médio de


produção.
O utilizador é o pagador do serviço.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 84


Produção

Pública  O processo produtivo ou a manutenção é assegurada


por uma entidade pública.

Privada  O processo produtivo ou a manutenção é assegurada


por uma empresa privada.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas – FE/UEM 85


Produção Pública  O equipamento colectivo é financiado pelo
e Produção Pública orçamento público c/ livre acesso.
Caso 4  Pode também ter produção pública:
Manutenção é feita pelos funcionários públicos.

Provisão Privada com  O serviço é concessionado a uma empresa


Produção Privada: C3 privada, mas mantém-se o livro acesso.

Provisão Privada com  Pagamento de uma taxa de utilização aos


Produção Privada: C2 Domingos p/ evitar o congestionamento
excessivo.

Provisão Privada com  Há exclusão de consumo (pratica-se preço).


Produção Privada: C1 Propriedade, manutenção e gestão é privada,

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 86


Preço dos Bens Públicos

 É o preço fiscal = impostos = é um preço político

↓↓↓

 È politicamente determinado.

 Há um grau de liberdade na determinação de quem paga o quê:


↓↓↓

 É possível que certas pessoas não paguem e que outros paguem

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 87


Principais Formas de Financiamento de Bens Públicos

1. Todas as pessoas pagam a mesma quantia.


↓↓↓
𝑝
𝑝𝑖 = ; com p = preço; n = população
𝑛
↓↓↓
 O custo marginal de produção é divido uniformemente por
todos os indivíduos = imposto per capita = lump sum.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 88


2. Cada família contribui com o valor do seu património
imobiliário.

3. Preços de Lindahl = Caso mais importante de preços fiscais


↓↓↓
 Aplicação mais fidedigna do princípio do benefício à tributação
para financiar bens públicos.
 Preços fiscais que os indivíduos pagariam se contribuíssem para a
produção do nível óptimo do bem público ao nível dos seus
benefícios.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 89


↓↓↓

 Disposições marginais a pagar (DPM) pelo bem público

↓↓↓

 Possibilidade de determinara a DMP pelo Bem Público


↓↓↓
 O nível de provisão óptima do bem público pode ser
determinado pela condição de Samuelson

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 90


Razão 2 do Fracasso do Mercado: Externalidades
 Há externalidade quando a acção de um consumo, produção
realizada por agente afecta significante o bem estar de outro agente.
 O efeito não é transmitido através do sistema de preços.

Tipos de Externalidades
 Consumo e produção.
 Com muitos ou com poucos agentes.
 Positivas vs Negativas.
 Unidireccionais vs Bidireccionais.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 91


Exemplo

Externalidade Negativa: Poluição ambiental devido a


produção do aço.

Efeitos:

 Introdução duma divergência entre o custo marginal privado


(CMP) e o custo marginal social (CMS);

 CMS = CMP + CME (Custo Marginal Externo)

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 92


Custo Marginal Externo (CME)
• Custo em todos os agentes económicos afectados
negativamente pela externalidade.

• É externo porque não é incorporado pela empresa


produtora no calculo do preço de aço.

Consequências da Divergência: Afectação ineficiente


de recursos .
Gráfico 2

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 93


 Preço de mercado (Pe): inferior ao preço óptimo (P*d)
que incorpora o CME

• Nível de procura de equilíbrio (Qe): será superior ao


óptimo Q*

↓↓↓

• Os consumidores defrontam preços relativamente baixos


que não reflectem os CMS

↓↓↓

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 94


 Há consumo de quantidades excessivas do bem.

Formas Para Solucionar as Externalidades

I. Formas Jurídicas
a) Zoneamento
 Separar zonas de fumadores e não fumadores
 Atribuição de certas parcelas do território para certas
actividades específicas para minorar as externalidades.
Exemplos

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 95


• Separação das zonas residenciais/zonas de equipamentos
colectivos (jardins)zonas industriais.
↓↓↓
• Incentiva as externalidades positivas e reduz a dimensão das
externalidades negativas
b) Soluções para a tragédia dos recursos comuns:
Tragédia dos recursos comuns
 Situação que ocorre quando cada indivíduo considera apenas os
seus interesses pessoas para utilizar os recursos comuns de uma
dada comunidade.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 96


Soluções
a. Negociação e coordenação por parte da sociedade.

b. Privatização e atribuição dos direitos a um único proprietário.

c. Nacionalização/municipalização com mecanismos de restrição


de acesso.

a. Negociação e Coordenação por parte da sociedade.

 Aplica-se quando os indivíduos pertencem a comunidades com


fortes laços de solidariedade recíproca

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 97


Entraves de Aplicação
 Problema da Acção colectiva resultante do comportamento free rider
caso os benefícios da restrição são não rivais = todos beneficiam sem
redução do benefício marginal.

b. Privatização e atribuição de direitos: O Teorema de Coase


↓↓↓
Pressupõe uma solução privada óptima = Os agentes privados sem a
intervenção do Estado chegam a um consenso socialmente óptimo da
externalidade.
O Que diz o Teorema
↓↓↓

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 98


↓↓↓

• O nível óptimo da externalidade pode ser alcançado, independentemente


de quem for atribuído os direitos de propriedade se os custos de
transacção (negociação) forem nulos.

Factores que Influenciam uma Solução Óptima

 Custo de transacção para:

 Avaliar as propriedade do bem transaccionado,

 Elaboração de contractos que incluem: Determinação do preço/


Condições de pagamento/Monitorização ex post do contratado.

Entraves da Solução Coase: Acção colectiva = Existência de Free Riders.


21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 99
Formas Económicas de Resolução das Externalidades
 Tributação para que os poluidores internalizem o CME
associado á sua actividade.

↓↓↓

Aplicação do Imposto Pigouviano

 Imposto unitário (por unidade de output) igual ao CME para o


nível eficiente de output eficiente

t = CME(Q*)

↓↓↓

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 100


↓↓↓
= CMS(Q*) = CMP(Q*)+CME(Q*) = CMP+t

 P*d = Preço óptimo para o consumidor

 CMS = Custo Marginal Social

 CMP = Custo Marginal Privado

 CME = Custo Marginal Externo

 Q* = Procura de Equilíbrio

 t = imposto Pigouviano

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 101


Imposto Pigouviano t
 Deve ser cobrado ao produtor da externalidade.
 Conduz ao preço óptimo
↓↓↓

 Originará uma quantidade procurada eficiente

Preço Eficiente para o Consumidor Inclui

↓↓↓

CMP + CME associado à produção

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 102


Actividades Associadas a Externalidades Positivas

 Podem ser comparticipadas através dum subsídio pigouviano igual


ao Beneficio Marginal Externo (BME) ao nível do output óptimo.
↓↓↓↓

Benefício Fiscal = Redução da tributação

Imposto e subsídio Pigouviano

↓↓↓↓

Justificam-se por razões de eficiência

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 103


Razão 3 do Fracasso do Mercado: Intervenção para Regulamentar a
Concorrência Imperfeita (O Caso do Monopólio)

Razões da Existência de Monopólios

1. Existência de economias de escala na produção de forma que os


custos médios de produção diminuam com os níveis crescentes de
produção tornando-se potencialmente mais vantajosos a existência
duma única empresa no mercado.

↓↓↓´

Monopólio Natural.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 104


2. Regulamentação Pública ou outras Formas de Barreiras à

entrada.

↓↓↓

Monopólio Artificial

Monopólio Natural + Monopólio Artificial

↓↓↓

Fracasso do Mercado

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 105


Gráfico 3
Equilíbrio do Monopolista

Formas de intervenção pública em caso de Monopólio


 Produção directa por uma empresa de capitais total e
maioritariamente públicos.

 Produção directa por uma empresa de capital maioritariamente


privado, mas regulada pelo sector público.

 Variantes que combinam elementos público e privados

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 106


Razão 4 do Fracasso do Mercado: Intervenção Pública Devido a
Informação Assimétrica.

Alguma das características desejáveis dos mercados competitivos

 Existência de Informação Simétrica

 Não existência de excessiva informação assimétrica.

↓↓↓

 A intervenção pública justifica-se para evitar a selecção adversa: ao


agentes económicos são forçados a produzir mais informação de
forma credível.
21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 107
Resumo da Tipologia da Intervenção Pública por Razões de
Eficiência
Tipos de Fracasso de Tipos de Intervenção Exemplos
Mercado Possível

Bens Públicos Despesa Pública em Bens e Defesa Nacional


serviços Iluminação Pública/recolha
do lixo/água canalizada
Externalidades Positivas Despesa com subsídios Subsídios às fundações
/associações
Externalidades Negativas Impostos Imposto sobre o tabaco
Concorrência Imperfeita Regulação Regulamentação nas
(Monopólio) Telecomunicações através do
INCM
Informação Assimétrica Regulação Regulação sobre bens de
consumo público através da
21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM
Associação da Defesa ao
108
Consumo
Tipologia de Intervenção por razões de Equidade
Objectivo de Tipo de Intervenção Exemplos
Promoção da Pública (Possível)
Justiça Social
Promoção de Despesa Pública em Bens Provisão Pública de
Igualdade de de Mérito escolaridade básica e
Oportunidades cuidados de saúde
primária
Diminuição da Tributação e despesa Tributação progressiva
desigualdade na com Prestações Sociais em IRS; Esquema
repartição do Redistributivo de
rendimento pensões na Segurança
Social
Diminuição do risco Despesa com Prestações Subsídios de
individual através sociais Desemprego, doença,
da 21-02-2014
partilha do risco S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM
invalidez 109
Módulo II
Teoria da Despesa Pública

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 110


Provisão Pública de Bens Privados
↓↓↓↓
Tem um grande custo marginal associado com a oferta/produção
individual adicional.

Exemplo1: Educação

 Se o nº de estudantes matriculados duplica.

↓↓↓

 Aumento de custos (mantendo tudo o resto constante:


qualidade/ despesas com os professores/ textos de apoio).

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 111


Exemplo 2: Água
 O cmg da água é alto = custa dinheiro para purificar água.
↓↓↓
Fornecimento pelo governo
↓↓
 As pessoas podem consumir mais do que o necessário porque
não pagam. = Sobre-consumo
↓↓↓
↓↓↓
A procura é feita até ao ponto em que o Bmg = 0

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 112


Consequências

 Alguns casos (água): a saturação pode ser atingida rapidamente

de modo que a distorção do sobre-consumo pode não ser muito

grande. = Exemplo 1

 Outros casos (cuidados médicos): A saturação pode ser muito

grande = Exemplo 2

↓↓↓↓

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 113


 Há uma perda de bem estar medida pelas diferença entre o que
o indivíduo está disposto a pagar pelo aumento da produção a
partir de Qe (onde P= cmg) para Qm (onde P = zero)

eo

 Custo do aumento da produção de Qe para Qm (área do


triângulo sombreado).

Fazer

Fig 1= água;

Fig 2 = cuidados médicos

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 114


Razões que explicam a oferta pública de bens privados: Tem a ver
com consideração redistributivas.

Métodos de racionalização do consumo de bens privados


produzidos publicamente
a) Preços

b) Provisão Uniforme

c) Quieuing

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 115


a) Preços: Taxas moderadoras para reduzir a demanda.
 Vantagens: O beneficiário do bem arca com os custos
 Desvantagens: Sub-consumo/aumento dos custos p/ a administração
do sistema de preços.

b. Provisão Uniforme: Fornecer a mesma quantidade para todos os


consumidores
↓↓↓
Oferecer educação uniforme
• Se alguém quiser serviços de educação suplementares tem de ir ao
mercado privado.
 Vantagens: Poupa-se os custos de transacção.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 116


Desvantagens:

 Não permite adaptação para as necessidades e desejos


como no mercado privado:

 Em alguns casos conduz a algum subconsumo noutros a


um sobreconsumo.

 Elevado nº de consumidores pode suplantar o consumo


público.

 Aumento dos custos totais de transacção

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 117


c)Queuing (filas = bichas)

↓↓↓

 Paga-se o custo através do tempo de espera.

 Permite alguma adaptabilidade do nível da oferta às


necessidades individuais. ↓↓

 Pessoas que precisam de cuidados médios: Estão mais


dispostos a esperar na porta do médico.
Porque é que os ricos têm grandes direitos para uma boa saúde que
os pobres?

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 118


↓↓
 Bicha/Fila: é um argumento: Forma de discriminar entre os
que precisam verdadeiramente de cuidados médico dos que
precisam menos.
 Vantagens: Bens privados como a saúde não são
necessariamente fornecidos na base de quem é rico.
Desvantagens
 Base alternativa de alocação: Para quem não tem tempo para
esperar pode ser indesejável.
 Perda de tempo.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 119


Teoria das Escolhas Colectivas e Decisão
Política

Problemas das Escolhas Colectivas

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 120


Fracassos do Governo
2 Razões Das Dificuldades

 Incapacidade de servir o interesse público.

 Falta de interesse (visão pessimista).

↓↓↓↓

Necessidade de regrar as decisões nos regimes democráticos


Regras de decisão em regimes democráticos
 Maioria Relativa
 Maioria Absoluta
 Maioria Qualificada.
 Unanimidade.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 121


Escolha das regras de decisão: Depende do tipo de propostas em
análise ↓↓↓
Funções da Economia do Sector Público: Afectação Vs Redistribuição.
A. Função afectação: Toma-se decisões colectivas acerca de:

 Provisão de Bens Públicos

 Correcção das Externalidades.

 Redução de assimetria de informação.

 Outros problemas relacionados c/ a melhoria na afectação de recursos.


↓↓↓

 Decisões associadas a melhoramentos de Pareto: Todos poderão ficar


melhor = Decisões de soma Positiva
21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 122
 Regra ideal para cada tipo de decisão de soma positiva envolve:
Custos de Tempo + Custos Externo
1. Custos de Tempo

 Tomada de decisão de 1 pessoa: Rapidez e custo zero no tempo.

 Regra de maioria relativa/qualificada: Aumento dos custos da tomada


de decisão.

 Regra da unanimidade: Maior dificuldade de se obter consenso.


↓↓↓
 Cada indivíduo tem um veto: Pode usar p/ bloquear uma decisão
colectiva.

 Certos votantes: usam o voto p/ alcançar o máximo dos ganhos com a


troca.
21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 123
2. Custos Externos

 Resulta do afastamento da unanimidade para a maioria

qualificada/relativa/absoluta.

 São os custos impostos aos que saem derrotados.

Implicações da Existência dos Custos

↓↓↓

 Decisões de Soma Positiva: Decisões que envolvem

melhoramentos de Pareto.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 124


Wicksell

↓↓↓

Regra óptima de decisão: Maioria qualificada

↓↓↓

Revela o interesse público.

 Diferenças entre Autores: Tem a ver com a Qualificação

 Maioria Qualificada: 2/3, 3/4, 6/7, 7/8.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 125


A. Função Redistribuição

 Uns indivíduos ficam melhor : Outros ficam pior.

↓↓↓

 Decisões de soma nula ou mesmo negativa.

Regra1: Proximidade da maioria absoluta.

 Menor peso do status quo: É mais fácil tomar a decisão.

 Maior probabilidade de haver descontentes (derrotados).

 Menores custos de tomada de decisão (tempo).

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 126


Regra2: Proximidade da Unanimidade
 Maior peso do stau quo: É mais fácil tomar decisões.
 Menor a probabilidade de haver descontentes (derrotados)
 Maiores custos de tomada de decisão que se podem tornar
proibitivos.
Tomada de Decisões Colectivas
↓↓↓
Muita complexidade que resulta em contrariedades
↓↓↓

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 127


↓↓↓
Paradoxo de Condorcet
↓↓↓
 Problema ligado à regra de maioria absoluta.

 É o ciclo de Votação resultante da intransitividade das escolhas


colectivas. Exemplo

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 128


↓↓↓
 Não há resultado inequívoco = Necessidade dum novo ciclo de
votação Porque:

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 129


Piscina Vence Jardim
Escola Vence Piscina
Jardim Vencem Escola
 Não há transitividade nos resultados da escolha política

↓↓↓↓

Paradoxo!

↓↓↓↓

 Regra da maioria absoluta: É possível não se chegar a nenhuma


proposta de equilíbrio.

Solução para o Paradoxo: Teorema da Impossibilidade de Arrow


21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 130
Teorema da Impossibilidade de Arrow
↓↓↓↓
 Todas as regras de tomada das decisões colectivas têm problemas.
Propriedades/critérios de Arrow para a tomada duma decisão
colectiva
i. 1. Critério de melhoramento de Pareto (P): Se todos os indivíduos
preferem a alternativa X em relação a Y → a escolha deve ser X.
ii. Critério de n/ existência de ditador (ND): Se um indivíduo i tem
preferência X, não pode significar escolha colectiva.
iii. Critério da racionalidade (R): critério da transitividade (não se
deve admitir situações de paradoxo de condorcet)

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 131


iv. Critério do domínio irrestrito das preferências (U): Não se deve
restringir o domínio das preferências dos indivíduos.

v. Critério da independência de alternativas irrelevantes (I): Na


escolha de Y contra Z só deve interessar a forma como se
hierarquiza Y em relação a Z. Não deve interessar a forma como se
valoriza X que neste caso é irrelevante

O que diz o teorema da impossibilidade de Arrow

↓↓↓

 Não há nenhuma regra de escolha colectiva que satisfaça


simultaneamente os cinco critérios.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 132


Implicações do Teorema de Arrow

1. Não há regras perfeitas.


2. Não é possível tecer juízos de valor éticos sobre o bem
estar social a partir da observação do bem estar de cada
indivíduo na sociedade = Não há regras perfeitas.
3. A possibilidades de se encontrar um Processo de escolha
colectiva satisfatória passa pela violação de um dos critérios

Questão: Qual dos critérios pode ser violado?


↓↓↓
21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 133
Critério

P (i) Não violável: Há sempre fracassos do mercado que


justificam a intervenção pública

ND (ii) Não violável: Os regimes democráticos não


permitem/Pode haver delegação de poderes a um
representante de confiança para representar os
interesses duma maioria e actuar como ditador
benevolente.

R (iii) Não violável: Evitar o paradoxo de Condorcet.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 134


Critério

U (iv) Violável: Sem a limitação das escolhas haveria


intransitividades e dependência das escolhas irrelevantes =
As escolhas são feitas por instituições que permitem
diminuir as escolhas colectivas e permitir a tomada de
decisões

I (v) Violável = É sempre violável = No parlamento, em muito


dos casos a aprovação de certas propostas depende duma
negociação de outras propostas irrelevantes.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 135


Regras de Escolha Colectiva
↓↓↓
Todas têm problemas

Solução Alternativa
↓↓↓
Teorema do Votante Mediano

Condições
Condição1:Escolhas Unidimensionais: Escolhas sobre uma
única variável.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 136


EX: Rácio da despesa pública no PIB associado à oposição entre
um Partido da esquerda e um Partido da direita numa economia
mista

• Indicador zero: ausência completa da intervenção

• Indicador 1: socialização total dos meios de produção.

↓↓↓↓

 Votantes da esquerda: tenderiam a escolher valores superiores

dos escolhidos pelo votantes da direita.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 137


Condição 2:Todos os votantes têm que ter preferências unimodais.

Preferências Unimodais: Preferências cujo máximo de utilidade

corresponde a um determinado valor para a variável.

↓↓↓↓

 O afastamento desse valor significa níveis de satisfação inferiores.

Quem é Votante Mediano


 votante cujo valor (% despesa pública) da máxima satisfação, ocupa
uma posição mediana nas preferências de todos os indivíduos em
relação a escolha/variável

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 138


Fig1: Votação da despesa para educação

(Colocar no quadro)
O votante mediano é o votante E3:
↓↓↓↓
 Votantes que preferem um nível de despesa superior: E4 e E5 →
Não votam E1 e E2

 Há votantes que preferem um nível de despesa inferior: E1 e E2


→ Não votam em E4 e E5.
↓↓↓
 Haverá uma convergência para E3: Preferência do votante
mediano.
21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 139
↓↓↓
 Haverá uma convergência para E3: Preferência do votante
mediano.

Teorema do Votante Mediano:


i) Se a escolha colectiva for realizada usando a regra da maioria
absoluta;
ii) Se os indivíduos tiverem todos preferências unimodais.

iii) Se a escolha incidir sobre um problema unidimensional.

↓↓↓
 O resultado da escolha colectiva coincidirá com a escolha do
votante mediano.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 140


↓↓↓

 Poder haver milhões de pessoas a votar numa determinada


questão, mas basta saber o que escolhe um deles (Votante
mediano) para se conhecer o resultado final.

Implicações do Teorema do Votante Mediano.

a. Em sistemas bipartidários haverá uma convergência das


plataformas políticas dos partidos para o centro da distribuição
(a mediana)

Fig. 2: Sistema Bipartidários

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 141


b. Distribuição de Rendimento:

i. Redistribuição que provoca o aumento de rendimento do votante


mediano.

↓↓↓↓

 Aumento da procura de bens públicos (bens superiores)

 Aumento da despesa pública

ii. Redistribuição que não afecta o rendimento do votante mediano.


↓↓↓↓

 Não se altera o nível da procura de bens públicos e da despesa pública

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 142


Preferências por bens públicos financiados diferentemente

 Será que é possível prever o resultado da votação com três


indivíduos?

 Um de rendimento baixo (p- pobre)

 Um de rendimento médio (m)

 Um de rendimento elevado (r – rico)

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 143


Caso1
 Bem público financiado com tributação uniforme: Imposto per
capita.
↓↓↓
Ordem de Preferência pelo bem público
 1º: individuo de rendimento elevado (r)
 2º: indivíduo de rendimento mediano (m)
 3º : Indivíduo de rendimento baixo (p)

Racionalidades
↓↓↓

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 144


 O sacrifício marginal da pessoa de menor rendimento (SMp) será
superior ao sacrifício marginal da do rendimento médio (SMm) e ao
de rendimento elevado (SMr)
Preferências unimodais + Questão Unimodal
↓↓↓
 Votação aos pares: ganha a proposta do rendimento mediano.
↓↓↓
 O indivíduo de menor rendimento fica pior do que na ausência da
provisão desse bem público.
↓↓↓
 O sacrifico total que ele suporta é superior ao benefício do bem público.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 145


Caso 2
Bem público financiado com tributação proporcional e progressiva.

 O resultado da votação depende das hipóteses quanto aos


benefícios e sacrifícios marginais: Tudo pode acontecer

↓↓↓↓

 È possível que os mais ricos desejem:

 Maior despesa pública (e mais imposto) ou Menor despesa


pública.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 146


Razões
 Existência de vários substitutos privados para bens e serviços
públicos ou de clube.
 Os impostos (preços ficais) impõem idênticos sacrifícios
marginais a todos = mais elevados para os de rendimento
elevado.
Existência de mais indivíduos de baixo rendimento que os de
rendimento elevado
↓↓↓
 A decisão democrática vai favorecer o nível da despesa mais
alta que favorece as pessoas de menor rendimento.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 147


Avaliação e Tendência da Despesa Pública

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 148


Importância da Despesa Pública
1. Promoção de crescimento e do bem estar social.

2. Nível reduzido da despesa pública ≡ Necessidade de menos receitas ≡


Menos impostos ≡ Maior estimulo ao crescimento e emprego.
3. Variável chave para a sustentabilidade das finanças públicas.

↓↓↓↓

 Controlo da despesa pública quando possível permite:

 Equilibrar entre um menor endividamento público.

 Menos impostos.

 Financiamento do investimento público em áreas chaves da economia.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 149


4. Acumulação de capital: físico e humano.

5. Apoio na investigação, desenvolvimento e inovação.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 150


Teorias Sobre o Crescimento da Despesa Pública

1. Lei de Wagner

 A longo prazo há uma tendência de crescimento da despesa

pública em relação ao rendimento.


↓↓↓
 A procura de bens e serviços fornecido pelo Estado é elástica
em relação ao rendimento.
↓↓↓
 A despesa pública é endógena ao rendimento = É resultado e
não causada do rendimento nacional

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 151


2. Pressuposto Keynesiano
 A despesa pública é um factor exógeno que pode ser usado na
implementação da politica económica

Lei de Wagner

 A causalidade é do rendimento nacional para a despesa pública.

Teoria Keynesiana

 A causalidade é da despesa pública para o rendimento

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 152


Factores que Explicam o Crescimento da Despesa Pública

1. Necessidade acrescida de serviços públicos associados a:

 Aumento da população

 Mobilidade das pessoas.

2. Envelhecimento da população: custos sociais acrescidos suportados


pelo Estado.

3. Aumento da dimensão do Estado: aumento da burocracia.

4. Interesses dos decisores políticos sem objectivos de eficiência e

interesse da população

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 153


5. Aumento dos custo dos bens e serviços proporcionados pelo

Estado mais do que os bens fornecidos pelo sector privado.

6. Alterações tecnológicas que podem significara maior

sofisticação em sectores como a defesa.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 154


Estrutura da Despesa Pública

1. Classificação Económica

1.1. Despesas correntes

1.1.1 Transferências sociais

1.1.2. Despesa com o pessoal

1.1.3. Juros da dívida pública

1.1.4. Despesa com juros e com o pessoal

1.1.5. Formação bruta de capital fixo

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 155


2. Classificação Funcional: COFOG (Classification of Fuction
of Government) = classificação mais usada.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 156


Desempenho e Eficiência da Despesa Pública
↓↓↓
Avaliação das Políticas Públicas

Tema em construção

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 157


Módulo III
Teoria da Receita Pública

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 158


Conceito de Receita Pública
 Somas em dinheiro ou recurso equivalente em que:
 O beneficiário é o Estado/ou entidade pública;
 Finalidade principal: Satisfazer as necessidades financeiras e
outros fins públicos relevantes.

 Actividade Pública/Estado:Realização das Despesas +


Obtenção de Receitas

 Finalidade da actividade financeira pública: Satisfação das


Necessidades Sociais

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 159


Critérios de Classificação da Receita Pública

1. Natureza Económica: Receitas correntes VS Receitas de


capital.

2. Grau de Efectividade: Receitas efectivas (carácter definitivo)


VS Receitas não efectivas (têm de ser reembolsadas).

3. Coercividade: Carácter obrigatório VS Carácter facultativo.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 160


Principais Modalidades de Receita Pública
1. Receitas Fiscais ou Impostos.

2. Receitas Parafiscais ou Contribuições Sociais.

3. Receitas Patrimoniais.

4. Taxas, Licenças e Preços

5. Multas, Penalidades e Coimas

6. Receitas Creditícias ou Empréstimos

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 161


1. Receitas Fiscais ou Impostos
 Prestações pecuniárias de natureza corrente definitivas com
carácter coercivo e unilateral que beneficiam: Estado/ autarquia
local/outros níveis de governo.

Porque definitivas com carácter coercivo e unilateral? Porque


não há contrapartida directa para quem paga ou suporta.
Exemplos de Receitas ou Impostos
 IRSP/IVA/Imposto sobre veículos/Impostos sobre o consumo de
tabacos/Imposto Municipal sobre Imóveis.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 162


2. Receitas Parafiscais ou Contribuições Sociais

 Impostos/pagamentos de natureza obrigatória e de carácter


corrente.

Exemplos

 Contribuições para a segurança social pagas pelo trabalhador e


respectiva entidade patronal em percentagem do salário
recebido ou pago.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 163


Diferença Entre as Receitas Parafiscais e as Receitas Fiscais/
Impostos

Receitas Parafiscais
a) Têm como contrapartida uma prestação social futura em favor do
beneficiário. Exemplos: Pensão de reformas /subsídio de
desemprego.

b) São geridas por departamentos ou instituições públicas


especializadas. Exemplos: organismos da segurança social.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 164


3. Receitas Patrimoniais
 Receitas efectivas provenientes do património mobiliário e
imobiliário do Estado.
 Pode ser carácter corrente ou extraordinário.
Exemplos
 Juros de depósitos ou obrigações de que o Estado é titular.
 Renda de edifícios ou de concessões
 Dividendos recebidos de empresas públicas.
 Produto de alienação de imóveis/venda de participações sociais em
empresas.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 165


4. Taxas, Licenças e Preços
 Prestações pecuniárias efectivas de carácter corrente e de natureza
bilateral porque:
 Pressupõem uma contraprestação específica (benéfica ou não para
quem a paga) por parte do serviço público que a cobra.

Exemplos de Contraprestação
 Prestação concreta de um serviço público.
 Utilização privativa ou individualizada de bens do domínio público.
 Remoção de um limite jurídico à actividade dos particulares.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 166


Exemplos de Taxas de Licenças e Preços

 Emissão de passaporte ou de diploma escolar comprovativo de

uma grau académico.

 Autorização de uso comercial de uma área ou passeio público.

 Permissão para a prática da caça em zonas não

concessionadas.

 Pagamento de portagens

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 167


5. Multas, Penalidades Coimas
 Pagamentos feitos pelos particulares ao Estado e outras
entidades públicas.

 Os pagamentos têm natureza de penalização ou compensação


por infracção a um regulamento ou outra disposição legal

Exemplos
• Multas por infracção de código de Estrada
• Atraso no cumprimento de uma obrigação legal fiscal.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 168


6. Receitas Creditícias ou Empréstimos
 Receitas que resultam da contracção de dívidas por parte
do Estado/autarquias locais/ outros entes públicos a
particulares/outras entidades financiadoras
(nacionais/internacionais).

 Tem natureza não efectiva porque:

 Implica posterior reembolso (amortização) do capital


mutuado.

Exemplos: Títulos de tesouro/Certificados de aforro.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 169


Fonte mais Importante do Financiamento Público
 Receitas Fiscais
Razões: Objectivos redistributivos.
↓↓↓
Necessidade de um sistema Fiscal
↓↓↓
 Conjunto de impostos vigentes num determinado país ou
espaço geográfico.
Razões da existência dum sistema fiscal
 Obtenção de receitas para financiar a provisão de bens
públicos.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 170


Sistema Fiscal
↓↓↓↓
Tem de ser Óptimo
Características de Um Sistema Fiscal Óptimo
1. Equidade
2. Eficiência
3. Flexibilidade
4. Transparência
5. Baixo Custo de Funcionamento
6. Eficácia Financeira.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 171


1. Equidade

 A distribuição da carga fiscal entre os indivíduos deve ser


equitativa

 Não pode ser arbitrária

 Cada cidadão suporta uma parcela considerada justa dos


encargos com actividade pública.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 172


2. Eficiência
 Em mercados competitivos os impostos têm que
minimizar as interferências com decisões eficientes dos
agentes económicos.
Exemplos de Ineficiência:
 Imposto de janela na Inglaterra do séc XVII-XVIII: veio
contribuir para a diminuição da luminosidade dentro das
habitações.
 Imposto colonial de palhota em Moçambique: Redução
das palhotas familiares no campo.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 173


3. Flexibilidade
 A estrutura dos impostos deve ser concebida de modo a
constituir um instrumento eficaz de estabilização automática da
conjuntura.
↓↓↓
 O sistema fiscal e os impostos têm de reagir de forma especial
ao estado da economia contribuindo p/ reduzir as flutuações:
 Nível da procura agregada: Consumo/investimento.
 Desemprego;
 Nível de preço

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 174


Exemplos de Desestabilizadores Automáticos

 Impostos progressivos sobre o rendimento pessoal.

4. Transparência
 As regras tributárias devem:

 Ser estáveis

 Ser de fácil compreensão para os contribuintes

 Permitir a responsabilidade dos governos pelas medidas


tomadas.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 175


5. Baixo Custo de Financiamento

 Os custos de administração e cumprimento do sistema de


impostos e regras fiscais devem ser de baixos.

6. Eficácia Financeira
 As receitas geradas devem ser adequadas para fazer face às
necessidades financeiras e objectivos da política orçamental.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 176


Eficiência e Tributação

Surgimento de Ineficiência
↓↓↓
 Situação da carga excedentária = perda de bem-estar

Medidas para avaliar o bem estar colectivo


↓↓↓
 Excedente do consumidor VS Excedente do produtor

Ver Figuras 1 Perda do bem estar

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 177


Impostos: Podem ser:
1. Não-Distorcedores
2. Distorcedores
3. Intencionalmente Distorcedores
4. Intencionalmente Não Distorcedores

1. Imposto Não-Distorcedor (neutrais)


 Existe se legalmente não existir nada que um agente económico
possa fazer para evitar ou alterar a sua incidência.
↓↓↓

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 178


↓↓↓

 Imposto lump-sum ou de montante fixo

↓↓↓

 Exemplo: Imposto por cabeça ou de capitação.

↓↓↓

 O montante a pagar é apenas função da existência física do


indivíduo

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 179


2. Impostos Distorcedores

 Tendem a alterar comportamentos económicos.

 Regra Geral: Todos os impostos são distorcedores.

↓↓↓
 Visão Económica: Nem todos os impostos são indesejáveis
↓↓↓↓
 Podem ser usados para induzir mais eficiência.
↓↓↓↓

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 180


3. Impostos intencionalmente distorcedores (tributação coerciva)
Exemplo: Impostos pigouvianos
↓↓

 Permitem gerar receitas.


 Permitem melhorar a eficiência na afectação de recursos.
↓↓↓↓
 São instrumentos de internalização de efeitos externos negativos
(ex: actividades poluentes).
 Compensam as externalidades positivas resultantes das actividades
económicas que precisam de ser incentivadas ou compensadas
=Impostos de benefícios fiscais (Subsídios Implícitos).

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 181


Exemplos de Impostos de Benefícios Fiscais
 Deduções no IRS das despesas de educação e formação
 Benefícios à poupança de longo prazo.
 Incentivo à utilização de energias renováveis

4. Impostos Intencionalmente Não-Distorcedores


 Maioria dos impostos
 Visam:
 Obtenção de receitas
 Alteração na distribuição do rendimento
 Induzir soluções de menor eficiência.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 182


↓↓↓

Objectivo do Sistema Fiscal

 Reduzir a interferência com decisões económicas tomadas em


mercados eficientes = Minimização da carga excedentária da
tributação.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 183


Equidade (Justiça) de um sistema fiscal
Critérios de Equidade e princípios de tributação
Critério 1: Critério de Equidade Horizontal.
Critério 2: Critério de Equidade Vertical.

1. Equidade Horizontal
 A distribuição é feita de modo que: Impostos e sacrifícios idênticos
sejam suportados por pessoas em idênticas ou similares circunstâncias.
↓↓↓
• Concretização do princípio de “igualdade de tratamento do que é
igual.”

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 184


 Concretização do Princípio de “Igualdade de tratamento do que é
igual.

↓↓↓

 Manifestação do conceito: “Igualdade de todos os cidadãos


perante a lei e de não- descriminação” nas sociedades
democráticas.
2.Equidade Vertical
 A equidade na tributação deve conduzir a que
indivíduos/Famílias em situação distinta suportem distintos
montantes de imposto.
21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 185
Critério de Equidade Horizontal VS Critério de Vertical
↓↓↓↓
Critérios de Difícil Aplicação
↓↓↓↓
 Necessidade de associação com outros princípios para a
avaliação da equidade dum impostos ou sistema fiscal.
↓↓↓↓
1. Princípio do benefício
VS
2. Princípio de capacidade de pagar

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 186


1. Princípio do benefício

 Os impostos deveriam ser distribuídos entre indivíduos em função dos


benefícios recebidos da provisão de bens públicos e serviços.

↓↓↓

 Equidade Horizontal : Pessoas com idênticos níveis de benefícios


resultantes da actividade pública pagam idênticos montantes de
impostos.

 Equidade Vertical: Será alcançada sempre que aqueles que


beneficiam mais pagam mais impostos do que os que beneficiam
menos.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 187


Vantagens do princípio de benefícios
 Liga a dimensão e a estrutura da despesa pública (uso) à receita
fiscal (fonte) e à sua repartição entre indivíduos (ónus).
↓↓↓↓
 Situação que pode melhorar a eficiência e a transparência na
provisão de bens e serviços.
↓↓↓↓
 Pode ter maior aceitação social = Princípio de tributação justa.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 188


Limitações/Desvantagens do Critério do Princípios de
Benefícios
1. Exigência do conhecimento das preferências dos indivíduos
por bens públicos.
↓↓↓↓
 Conflito com as características de não rivalidade e não
exclusão que caracteriza os bens públicos.

2. Não permite a prossecução de políticas redistributivas quer


em dinheiro quer em espécie devido a neutralização entre os
benefícios e montantes de impostos a pagar

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 189


3. Não é um instrumento adequado de flexibilidade e
ajustamento macroeconómico (não reage automaticamente
aos estímulos da conjuntura)

3. Está ligado aos objectivos de eficiência do que da


equidade.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 190


2. Princípio da capacidade de pagar: Tende a tributar:

 O rendimento

 Outras manifestações de capacidade económica.

 Focaliza-se atenção exclusivamente do lado das receitas.

↓↓↓↓

Ideia de partida do princípio.

 O nível e a estrutura da despesa pública é determinado através


do processo político-económico autónomo.

↓↓↓↓

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 191


↓↓↓↓
 Definido o montante a financiar por recursos a impostos, estes deverão
ser distribuídos equitativamente entre as pessoas em função da
respectiva capacidade económica.

Implicações do Princípio

 Equidade Horizontal: Pessoas com idêntica capacidade de pagar

suportam o mesmo montante de imposto.

 Equidade Vertical: As pessoas com maior capacidade de pagar


suportarão impostos mais elevados.
↓↓↓

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 192


↓↓↓
Pressuposto: Necessidade de se determinar
 Capacidade de pagar
 Montante do imposto a cobrar a pessoas com capacidades de
pagar diferentes.

Equidade Horizontal
Medidas/indicadores de capacidade de pagar: Rendimento/
Propriedade/ Consumo de Bens e Serviços

1.Rendimento: Indicador que reúne maior consenso enquanto


medida da capacidade a pagar.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 193


Consequências destes indicadores
 Aplicação da equidade horizontal: Pessoas com idêntico rendimento equivalente ou bem
estar pagam igual moente de impostos.
 Aplicação da equidade vertical: Destintos níveis de rendimento pessoal pagam
montantes diferentes habitualmente crescentes com o rendimento.

Rendimentos a considerar
 Rendimentos periódicos.

 Ganhos extraordinários: Mais valias/ganhos dos jogos (rendimento acréscimo


patrimonial).

 Especificidade das diferentes situações familiares.


 Encargos socialmente relevantes que condicionam a capacidade económica
líquida: (encargos: Despesas com saúde/ educação/ habitação etc)

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 194


Equidade Vertical e Progressividade Fiscal

Tipos de Impostos
 Progressivos: A taxa média aumenta quando o rendimento
aumenta.

 Proporcionais: A taxa média mantém-se constante.

 Regressivo: A taxa média decresce com o aumento do


rendimento.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 195


𝑇 𝑚 = taxa média
T = Imposto a pagar
Y = Rendimento
𝑇
𝑇𝑚=
𝑌

 Imposto progressivo: 𝛿𝑇 𝑚 /δY>0

 Imposto proporcional: 𝛿𝑇 𝑚 /δY=0

 Imposto regressivo :𝛿𝑇 𝑚 /δY<0

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 196


↓↓↓↓

Teoria da Igualdade de Sacrifícios

 Fiscalidade justa = igualdade de sacrifício do imposto

 Igualdade de sacrifício = É função da utilidade marginal do rendimento

Utilidade Marginal do Rendimento:

 Definido como o bem-estar ou satisfação adicional associada a cada unidade de


rendimento.

 Tem inclinação negativa.

 As funções da utilidade marginal do rendimento são iguais para todos os


indivíduos.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 197


Conclusões da Progressividade Fiscal
 Imposto sobre o rendimento: é o mais indicado para alcançar quaisquer
objectivos redistributivos.

 Impostos sobre o consumo: são normalmente regressivos.

 Impostos sobre o património: tendem a ser proporcionais ou


moderadamente progressivos.

Julgamento de cada imposto


 Deve ser feito com base nos seus próprios méritos.
 Objectivo mais relevante de julgamento de um imposto:
Análise da equidade do sistema fiscal no seu todo.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 198


 Avaliações: Devem ser cautelosas
Razões
 Um determinado imposto ou medida pode ser criticável por absorver
maior proporção do rendimento dos pobres do que dos ricos (É
regressivo).
 Pode justificar-se por razões de eficiência ao tentar desincentivar o
respectivo consumo (correcção duma externalidade negativa)
Exemplo
 Imposto sobre o consumo de álcool e tabaco

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 199


Incidência Legal e Económica do Impostos

1. Incidência Legal
 Realidade sobre a qual o imposto incide ou a pessoa a quem incumbe a
obrigação de pagar o imposto de acordo com definição constante da lei ou
código tributário.
 Pessoa a que, incumbe a obrigação de pagamento de imposto:
↓↓↓
 Contribuinte legal ou sujeito passivo.
Exemplos
IRPS = titular do rendimento;
IVA = Empresa vendedora do bem.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 200


2. Incidência Económica.
 Refere-se à pessoa ou entidade sobre a quem efectivamente
recai o ónus da tributação (contribuinte de facto)
Exemplo
 Aumento do impostos sobre um médico da clínica privada
↓↓↓
 Aumento do preço da consulta.
↓↓↓
 Transferência do imposto com incidência económica sobre o
paciente.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 201


Repercussão

 Efeito sobre a partilha do imposto entre os agentes económicos


envolvidos que resultou das alterações ocorridas nos preços dos
bens e factores de produção

 Quando ocorre a repercussão? Quando a incidência legal do


imposto difere da sua incidência económica.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 202


Factores do Sentido e Amplitude da Repercussão.

 Tipo de imposto: Directo/Indirecto /geral/ Selectivo.

 Natureza das Taxas: unitária ou ad valorem/ Proporcional/ Progressivo.

 Elasticidade preço da oferta e da procura.

 Estrutura do Mercado: concorrência perfeita, monopólio.

 Economia aberta e fechada.

 Perfil dos custos de produção: crescentes/constantes/decrescente.

 Duração do período de ajustamento: incidência no curto/médio/logo


prazo.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 203


Papel da Elasticidade-Preço da Procura e da Oferta
1. Elasticidade da Procura: Quanto mais rígida for a procura e/ou
mais elástica for a oferta à variação do preço, maior a repercussão
do imposto para frente sob a forma de aumento do preço.
↓↓↓
 Incidência é mais forte sobre os consumidores

2. Elasticidade da Oferta: Quanto mais rígida for a oferta, e/ou mais


elástica a procura, mais difícil é a repercussão do imposto para a frente.
↓↓↓↓
 Incidência económica sobre os produtores

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 204


4 Tipos de Situações:

1. Repercussão total para frente: Quando o imposto é lançado


sobre os produtores e é totalmente repercutido sobre os
consumidores ou os utentes dos bens através do aumento do
preço. Painel A
2. Não Repercussão: Quando se dá a total identificação entre o
contribuinte legal e o contribuinte de facto, entre incidência legal e
incidência económica (Ex: do imposto sobre a terra arável onde a

oferta é rígida) Painel B

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 205


3. Repercussão Partilhada ou Mista: Consumidores e
Produtores repartem entre si a incidência económica do
imposto, sendo esta última situação a que mais tenderá a
ocorrer. Painel C

4. Repercussão para Trás: Os agentes que suportam o imposto


são os detentores dos factores de produção
(trabalhadores/capitalistas) situados a montante do próprio
processo produtivo. (Sem figura)

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 206


Conclusão
Imposto de um Bem em Mercados Competitivos
↓↓↓
1. Não é suportado pelos consumidores se a curva da procura for
perfeitamente elástica ou se a curva da oferta é totalmente rígida;
2. Será totalmente suportado pelos produtores se a procura for
perfeitamente elástica ou se a curva da oferta for rígida.

Mundo Real

↓↓↓↓

 A incidência efectiva de um imposto nem sempre ocorre integralmente


na direcção indicada.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 207


Importante:
 O aumento da taxa de imposto pode ser seguido por:
 Redução compensadora de outro imposto.

 Aumento de benefícios fiscais.

 Aumento da despesa pública;

 Redução das necessidades de endividamento do Estado.


↓↓↓↓
 Medidas cujos efeitos agregados têm de ser avaliados em termos
de: Incidência económica Vs Efeitos redistributivos.
↓↓↓↓
Necessidade de análise mais abrangente

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 208


Incidência económica com incidências legais distintas

 Observação da incidência legal do imposto: Não é suficiente


para:

 Inferir sobre os respectivos efeitos económicos.

 Inferir sobre a partilha do respectivo ónus fiscal entre os


agentes económico envolvidos.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 209


Outros Tipos de Impostos Relevantes
1. Imposto “ad valorem”

 Imposto “ad valorem”: Imposto em que o respectivo montante é função de


uma dada percentagem sobre o preço.

 Impostos de Ramsey:
 Do ponto de vista da eficiência os impostos deviam concentrar-se
preferencialmente em bens e factores de procura ou oferta rígida
 Permitem reduzir a carga excedentária para um determinado nível da receita
fiscal caso o governo esteja impossibilitado de usar impostos lump-sump.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 210


Consequências dos impostos: Modificação dos preços relativos de
bens/serviços/factores.
↓↓↓
Implicações:
 Alteração da afectação de recursos com efeitos a vários níveis:
1. Comportamental.
2. Financeiro.
3. Organizacional.
4. Equilíbrio geral.
5. Antecipação e capitalização.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 211


1. Efeito a Nível Comportamental

 Opções ao nível da oferta de trabalho/educação/reforma.

 Escolhas entre: poupança, investimento, assunção de riscos.

 Custos com planeamento fiscal.

 Opção familiar: casamento/divórcio, número de filhos, etc.

2. Efeitos a Nível Financeiros:

 Opção por remunerações em espécie (fringe benefits).

 Efeitos sobre a estrutura financeira das empresa.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 212


3. Efeitos a nível organizacional
 Escolha entre: Empresa individual/empresa societária.
 Opções sobre a organização do sistema financeiro.

4. Efeitos no equilíbrio geral


 Efeitos indirectos importantes: caso de impostos de base ampla
(impostos sobre os rendimentos salariais e juros).

5. Efeitos de antecipação e capitalização.


 Reflexos dos impostos futuros anunciados no preço actual dos activos

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 213


MÓDULO IV

Finanças Públicas a Diferentes Níveis do Governo


↓↓↓
Federalismo Fiscal

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 214


 Federalismo orçamental = Escola anglo-saxónica.

 Descentralização financeira= Escola continental


(França/Portugal).

Escola anglo-saxónica

 Mais coerente com a teoria economia.

 Dá mais importância à entidade política do governo:


central/regional/local

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 215


Realidade Contemporânea

Todo os Estado são mais ou menos descentralizados porque:

↓↓↓

1. Há uma estrutura vertical associada a níveis territoriais cada


vez mais pequenos (regiões/províncias/ distritos/localidades).

2. Em relação a essa estrutura definem-se:

 Atribuições/ competências/recursos a serem afectados a cada


nível de governo.

 As transferências entre os vários níveis.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 216


Indicadores do Grau de Descentralização de um País

 1º Rácio da despesa de entidades sub-nacionais (governos

regionais/ locais) no total da despesa efectiva das

administrações públicas.

 2º Rácio das receitas dessas entidades em relação ao total das

receitas das administrações públicas.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 217


Descentralização Política
 Repartição do poder político entre o governo central, governos
regionais e locais.
 Concretiza-se com a transferência de atribuições e
competências acrescidas para as entidades regionais e locais.
 Os titulares dos cargos políticos (nacionais/ regionais /locais)
são agentes da preferência dos cidadãos dos respectivos
territórios com mesma legitimidade democrática.
 Relaciona-se com a estrutura vertical do governo.
 É objecto central da teoria do federalismo orçamental.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 218


Graus de Descentralização Política
 Autonomia: Regiões autónomas
 Secessão/ Independência: separação de um pais ou região em
relação à entidade política a que esteve associada.

Abordagem tradicional da descentralização financeira


↓↓↓↓
Necessidade da clarificação de:
 Natureza dos bens e serviços públicos fornecidos.
 objectivos do sector público: redistribuição/ afectação/
estabilização

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 219


1. Função Distribuição: Provisão uniforme de certos bens de
mérito

↓↓↓↓

 A desconcentração ou a descentralização administrativa são


mais eficazes. ↓↓↓

 Tentativa de se alcançar padrões de ensino básico ou de saúde


pública semelhantes em todo o território nacional

Argumento

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 220


a. A concepção de equidade é nacional:
Independentemente do local de residência todos
os indivíduos têm de usufruir de melhores bens e
serviços locais.

b. Diferenciação exagerada de tratamento local de


munícipes pode levar a migrações indesejáveis e
a situações de stress fiscal.
21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 221
2. Função Afectação: Principal Justificação da descentralização
Política.

 Administração central: Fornece bens públicos puros.

 Administração Local: Fornece bens públicos locais de acordo


com o princípio da equivalência orçamental.

↓↓↓

 Há preferência pela provisão diferenciada de acordo com as


especificidades locais porque:

↓↓↓

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 222


 A autonomia regional e local conduz a padrões diferenciados que
promovem eficiência na afectação de recursos.

3. Função Estabilização

 Deve ser centralizada pelas seguintes razões:

a) Alguns instrumentos da política de estabilização não estão disponíveis


aos governos sub-nacionais.

Exemplo: Instrumentos da política monetária

b) Eventuais benefícios de uma política de estabilização sub-nacional iriam


ser capturados por outras jurisdições face a presença de mobilidade.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 223


Abordagem Económica do Federalismo
Definições
1. Bens Público Locais (Puros): Características
 São bens públicos = Partilham das características de não
rivalidade do consumo e da não exclusão no usufruto.
 Só beneficiam os indivíduos que habitam ou visitam
determinado território.
Exemplos
 Sistema de iluminação pública municipal
 Baixos níveis de ruído municipal

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 224


2. Bens Públicos Locais Impuros

 Bens do consumo colectivo em que a partir de certo nível de


utilização passa a haver congestionamento e a qualidade de
serviço deteriora.

 Não se pratica exclusão

Exemplos

 Praias/jardins municipais/ património Histórico/bibliotecas ou


museus municipais onde não se pratica exclusão (Não se
pratica preço nenhum ou o preço é ínfimo ao custo médio)

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 225


3. Bens de Clube: Bens misto que se caracterizam-se por:

 Consumo colectivo/Adesão voluntária/Pratica-se exclusão na

base de um preço/Existência de rivalidade no consumo a partir

de uma certa densidade de utilização/Os membros partilham os

custos de fornecimento do bem.

Bens que os Municípios Podem Fornecer: Bens Públicos (puros


e impuros)/Bens de clube/Bens privados.

Questão: Porquê a existência de muitos municípios a fornecer


esses bens/Porque não fornecer tudo de forma centralizada?

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 226


Primeiro argumento para a descentralização política
↓↓↓↓↓

 A descentralização permite adaptar a provisão dos bens e serviços


fornecidos pelos municípios às preferências dos cidadãos.

Exemplo: Considere-se:

1. Dois tipos de serviços locais: Espaços verdes (V); Equipamentos


colectivos associados a actividades desportivas (E)

2. Municípios (i e j)

 Município i: Predomínio de idoso = preferência por espaços verdes.

 Município j: Predomínio de jovens = preferência pelos Equipamentos

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 227


Seja: 𝑉 e 𝐶 : níveis de provisão uniforme desses bens caso fossem
fornecidos por uma autoridade central.

↓↓↓

 Os dois municípios teriam mesmo orçamento/ Mesma despesa em


cada um dos bens.

Situação em que cada comunidade pode escolher livremente quanto


despender em cada uma das opções teremos

Município i : Vai gastar mais em espaços verdes (V)

Município j: Vai gastar mais em equipamentos colectivos (E) para o


desporto.

Graficamente
21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 228
População óptima de um município com equipamentos fixos
 Tem de se ter em consideração os benefícios e os custos
adicionais de novos residentes.

 Modelo de Bem de Clube: Exemplo que melhor explica a


situação

Exemplo do caso de uma piscina com:

 Capacidade Fixa: 25 metros.

 Nº óptimo de utilizadores.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 229


Aumento do número de utilizadores

↓↓↓↓↓

 Surgimento de 2 efeitos: efeito partilha vs efeito


congestionamento

a. Efeito partilha (Ci): Os utilizadores repartem os custos (C) do


uso

↓↓↓

 Quanto mais utilizadores: Menor o que cada um tem que pagar.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 230


b. Efeito congestionamento (Bi): A partir de um certo número de
utentes a piscina fica congestionada.

↓↓↓

 Menores são os benefícios (Bi) que os utentes retiram do uso da


piscina.

Número óptimo de utentes (N) para uma dada dimensão da piscina

↓↓↓

 É dada pela situação em que o Benefício Líquido da sua utilização é


máximo.

Gráfico 2

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 231


Adaptação da Situação da Piscina a um Município com uma

Dimensão Fixa

Condições:

1. A quantidade de bens e serviços locais fornecidas pelo

município é fixa.

2. Todos os residentes contribuem (através de impostos locais)

para o pagamento dos serviços que o município lhes

proporciona.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 232


Município: Espécie de clube-multi-serviços
↓↓↓

a. Existe um consumo colectivo de vários serviços pelos munícipes.

b. Há alguma rivalidade de consumo principalmente nas zonas urbanas

c. Exclusão: pode ser feita através do zoneamento (capacidade que os


munícipes têm de fechar certas áreas de uso particular (conforme
consta nos Planos Directores Municipais e nos Planos de urbanização)

d. Há uma aproximação a um preço fiscal que cada residente paga por


viver na jurisdição.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 233


Resultados

 Mais indivíduos para o município

↓↓↓↓

 Menores impostos a pagar por munícipe para financiar os mesmos bens


públicos locais devido ao alargamento da base tributária.

Mas

 Haverá crescimento populacional do município.

↓↓

 Congestionamento que provocará uma baixa qualidade de vida dos


munícipes. ↓↓

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 234


Solução a Longo Prazo para o Município
↓↓↓
 Tentativa de limitar a dimensão populacional do município
para 𝑁.
↓↓↓
 Surgimento de outro problema: Como limitar a entrada de
novos indivíduos quando os níveis de congestionamento
são elevados?

↓↓↓

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 235


Duas formas para limitar uma expansão excessiva

Primeira Forma: Regulamentações


↓↓
 Zoneamento através do PDM (Plano Director do Município)
↓↓↓

 Permite estabelecer zonas de baixa densidades de construção e áreas de


não construção habitacional (espaços verdes/equipamentos
culturais/desportivos)

Segunda Forma: Preço Fiscal


↓↓↓
 Impostos locais suficientemente elevados.
↓↓↓
 Instrumento de exclusão para indivíduos de baixa renda.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 236


Qualidade óptima de serviços fornecidos

 Situação em que a capacidade pode aumentar.

Exemplo da Piscina

(Desenhar gráfico 3 no quadro)

 Possíveis dimensões da piscina: X1, X2, X3,….

↓↓↓↓

Qual é a capacidade óptima?

↓↓↓↓

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 237


Assumindo Fixo o Número de utentes : 2 efeitos
↓↓
 Há medida que a dimensão da piscina aumenta: Aumenta
também o custo para cada indivíduo.
 Hipótese de uma piscina muito pequena e congestionada (X1)
↓↓
 Um pequeno aumento significa ter um benefício do
congestionamento, um custo de financiar uma piscina maior.
 Qual é a Dimensão óptima da piscina: É aquela que
corresponde ao benefício líquido máximo.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 238


 Quantidade óptima de serviços fornecidos caso haja um número
fixo de munícipes =Quantidade óptima de despesa pública
local:

↓↓↓

 É quantidade que iguala os custos marginais individual (os


impostos adicionais por unidade adicional de despesa pública)
ao benefício marginal individual. Cmg = Bmg

↓↓↓↓

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 239


 Escolas/ piscinas/bibliotecas/museus e outros
bens que possam ser replicados.

↓↓↓

 A eficiência na sua provisão passa por produzir


vários “clubes” de dimensão e capacidade
óptima.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 240


Eficiência e descentralização = Análise do federalismo na
óptica da função afectação

Critérios de Eficiência:
↓↓↓

1. Princípio de Equivalência Orçamental.


2. Princípio de Responsabilidade Política.
3. Receitas Públicas Locais.
4. Despesas Públicas Locais.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 241


1. Princípio de Equivalência Orçamental

↓↓↓

Implicações a 2 Níveis

a. Nível da Estrutura Política

b. Nível da Estrutura Administrativa

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 242


a. Nível da Estrutura Política:

 Deliberação e financiamento de bens públicos nacionais :

 Decisão ao nível nacional.

 Deliberação e Financiamento de bens públicos regionais:

 Decisão a nível regional.

 Deliberação e Financiamento de bens públicos locais:

 Decisão ao nível local.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 243


b. Nível da divisão Administrativa
 Dimensão óptima do município do ponto de vista económico:
Tem de ser adequada do ponto de vista político-administrativo.

↓↓↓↓

 Não deve haver efeito spillover nem exportação fiscal

↓↓↓↓

 Efeito spillover: Não pode haver benefícios de serviços para


não residentes do município que para ele não contribuem

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 244


 Exportação fiscal: os não residentes não podem suportar custos
de serviços locais pelos quais não beneficiam.

2. Princípio de Responsabilidade Política:

 BMS dos bens fornecidos localmente = CMS desses bens.

 Variações marginais das despesas devem ser acompanhadas por


variações marginais nas taxas de imposto

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 245


 Implicações da falta de verificação do princípio 1 e 2:
Ineficiência: Sobre-provisão dos bens VS Sub-provisão dos
bens

Forma de Resolução.

 Agentes não residentes que usam serviços locais contribuem


para os custos. Ex: Portagens

 Subvenções inter-governamentais entre os municípios que


valoriza o efeito spillover.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 246


3. Receitas Públicas Locais
a. Uso de taxas, tarifas e preços eficientes é preferível em relação a
imposto para financiar:

 bens ou serviços de apropriação privada. Ex: água.


 Consumo com elevado congestionamento. Ex: estacionamento
urbano.

b. Tributação de imóveis:
 Tributação diferenciada de município p/ município pela
lógica do imposto de Ramsey.
 Não se pode tributar de acordo com o princípio do benefício.
21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 247
Impostos de Ramsey: Bens de procura menos elásticas devem
ser tributadas a taxas mais elevadas que os de procura mais

elástica.

↓↓↓
 Terra/construções: oferta fixa no espaço territorial VS procura
relativamente rígida.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 248


c. Tributação de Móveis: Devem ser tributadas de forma mais
uniforme (rendimentos do capital e trabalho)
d. Uso de tributação de bases de incidência móveis numa
óptica Pigouvina na presença de fracassos de mercado
territoriais.
4. Despesa Pública Local
 Bens e serviços fornecidos de forma diferenciada devem ser bens
públicos locais ou bens de clube.
↓↓↓↓↓
 Não podem ser bens de mérito = Têm de ter provisão uniforme

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 249


Equidade Pessoal, Territorial e Redistribuição
↓↓↓↓
Análise dos problemas do federalismo orçamental na óptica da

equidade e da função redistribuição.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 250


Situações a Considerar

1. Redistribuição Pessoal de Rendimento Nacional.

2. Redistribuição Pessoal do Rendimento Regional.

3. Redistribuição Regional do Rendimento.

4. Redistribuição em Espécie.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 251


1. Redistribuição Pessoal de Rendimento Nacional
↓↓↓

 Cidadão A não deve ser discriminado pelo orçamento público

(positiva ou negativamente) por viver na região X, nem o cidadão

B por viver na região Y. ↓↓↓↓

Redistribuição por via orçamental consiste em:

 Discriminar com base numa determinada medida pessoal de

capacidade económica.

 A medida é definida nos mesmos moldes para todos os cidadãos.

21-02-2014
↓↓↓↓
S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 252
Instrumentos ideias para se operar a redistribuição

a. Prestações sociais a favor de rendimento.

b. Imposto pessoal sobre o rendimento definido

centralmente

Vantagens

 Personalização

 Implementação duma noção geral de equidade

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 253


Questão que se coloca na Redistribuição Pessoal do
Rendimento

 A redistribuição deve ser centralizada (administração central)


ou descentralizada?

Literatura predominante defende que:

1. Função redistribuição: deve ser centralizada quer na definição


dos padrões de prestações sociais quer no seu financiamento.

2. Aplicação e Gestão de Programas (AGP) de apoio aos mais


desfavorecidos: deve ser descentralizada

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 254


Argumentos da Descentralização para AGP

1. A noção de equidade é nacional.

2. Há que considerar os efeitos potenciais da migração dos mais


pobres. Exemplo

Comunidade X

 Decide de forma autónoma e independente das comunidades


vizinhas melhorar o bem estar social (habitação social/transferências
e apoios especiais para famílias carenciadas)

Implicações para a comunidade X

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 255


 Atracção de pessoas carenciadas para o município.

↓↓↓
1º Momento:

 Diminuição da base tributária (valor patrimonial da habitação).

 Aumento das necessidades sociais que implicam:

 Aumento do esforço fiscal (ex: taxa de imposto municipal sobre


imóveis).
 Diminuição da qualidade de outros bens locais (educação/
saneamento básico/bibliotecas municipais)

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 256


2º Momento

 Saída da comunidade de pessoas com elevada capacidade


contributiva

Resultados destes Factores: Stress fiscal do município.

↓↓↓

 Impraticabilidade da continuação dos programas


redistributivos.

 Provisão de níveis sub-óptimos de prestações sociais para


evitar atrair pessoas carenciadas para o município.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 257


2. Redistribuição Pessoal do Rendimento Regional
↓↓↓
 Implementação de políticas diferenciadas entre
indivíduos do mesmo território
Instrumentos

a. Prestações sociais a favor de rendimento.

b. Imposto pessoal sobre o rendimento definido


centralmente
21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 258
Pressupostos: Existência de liberdade ao nível descentralizado
para a aplicação dos instrumentos tanto do lado das receitas
como das despesas.

Redistribuição Pessoal do Rendimento VS Redistribuição Regional.


↓↓↓
 Redistribuição Pessoal: Essencial do ponto de vista económico.

 Redistribuição Territorial: Essencial do ponto de vista político (os


actores políticos são o Estado/Regiões/Municípios.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 259


Teoria Económica: Dá primazia na distribuição pessoal por ser
mais eficiente porque:

Redistribuição Territorial: Nas regiões mais pobres: Existem


pessoas com elevada capacidade contributiva

↓↓↓

 Redistribuição beneficia em média os mais carenciados. Mas


também beneficia os que têm capacidade contribuitiva

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 260


Racionalidades para Redistribuição Territorial:

Equidade + Eficiência

Questão que Levanta:

 O que são regiões ricas?

 O que são regiões pobres?

↓↓↓↓↓

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 261


3. Redistribuição Regional do Rendimento

↓↓↓

Redistribuição do Rendimento entre regiões de:

 Agentes económico de regiões mais ricas para os orçamentos do


governos das regiões mais pobres.

Pretensão/objectivo

 Alterar a capacidade dos governos recipientes para efectuarem


despesas públicas aproximando a capacidade entre os
municípios.
21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 262
Como se Faz?
 Nunca é directa
↓↓↓↓

 Tem a mediação do governo central através de transferências.


Descentralização vs Desconcentração
Exemplo: Ensino Básico
Regras Gerais
1º Maior centralização na afectação de recursos humanos de pessoal
docente.
↓↓↓↓
 Normalmente é feita pela administração central ou organismo
desconcentrados da administração central.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 263


2º Maior autonomia (regional/local) na afectação de pessoal não
docente e recursos operacionais.

Objectos de centralização típica

 Currículo obrigatório/provas de aferição/monitorização da


qualidade do sistema educativo.

Transferências Intergovernamentais

3 Razões das transferências

1. Eficiência

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 264


2. Correcção das desigualdade na posição orçamental dos municípios:
objectivo de equilíbrio financeiro horizontal entre autarquias do mesmo
grau.

3. Partilha de receitas fiscais que devem ser cobradas pela administração


central.

Mas
 Devem ser partilhadas por vários níveis de administração para aproximar
recursos com as necessidades de despesa de cada nível de administração:

Objectivo

 Equilíbrio financeiro vertical entre diferentes níveis de administração.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 265


Transferências mais importantes para atingir os 3 Objectivos

1. Subvenções Gerais:

 Não condicionados a nenhum tipo de utilização.

 Destinam-se a manter o equilíbrio financeiro vertical (administração


central/regional e local) e Horizontal

Razões do desequilíbrio Vertical

 Despesas Públicas em:

 Bens públicos nacionais: defesa nacional/ diplomacia e representações no


exterior.

 Bens públicos regionais: Qualidade de meio-ambiente/infra-estruturas/promoção


turística.

 Bens públicos locais: iluminação pública/rede viária municipal.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 266


Implicações destas despesas públicas

 1ª Qualquer contribuinte (cidadão ou empresa) deve financiar


os três níveis.

 2ª Os vários níveis de administração devem ter os recursos


adequados para as necessidades de despesa associadas às
respectivas atribuições e competências.

Razões do desequilíbrio horizontal:

 Diferentes bases tributárias face a factores exógenos aos


próprios municípios.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 267


Forma de realizar o equilíbrio horizontal
 Subvenções gerais que dependem de:
 Avaliação de recursos.
 Avaliação das principais disparidades nas necessidades locais e/ou nos
custos para fazer face a essas necessidades.

2. Subvenções Específicas: destinada a certos itens de despesas


específicas: Podem ser:

i. Consignadas a certas categorias de despesas

ii. Comparticipadas.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 268


i. Subvenções Consignadas

 São semelhantes às transferências gerais em termos de:

 Efeito rendimento

 Aumento dos vários bens/serviços fornecidos pelo município

independentemente do serviço especifico a qual foi dada a

subvenção desde que o nível de despesa desejado no sector

específico após a subvenção seja superior ao montante global

da despesa.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 269


ii. Subvenções Comparticipadas

 A entidade que dá a subvenção exige que a entidades que recebe


participe com uma dada percentagem.

 Pode ser:

 Subvenções Comparticipadas Abertas: o dador dá sempre


enquanto o recebedor financiar a sua parte.

 Subvenções Comparticipadas Fechadas: Há um limite

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 270


Efeitos das subvenções comparticipadas

 Efeito Rendimento.

 Efeito Substituição.

↓↓↓↓

 È mais incentivadora da despesa no bem/serviço que se


pretende subsidiar.

 Diminui o preço para o município do bem/serviço que é


comparticipado.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 271


Módulo V
Orçamento do Estado

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 272


Noção

 Documento apresentado sob forma de lei que:

 Descreve detalhadamente de todas as receitas do Estado.

 Descreve detalhadamente todas as despesas do Estado.

 É proposto pelo governo.

 Tem a autorização da assembleia da República.

 Antecipa as receitas e despesas para um horizonte temporal de 1


ano.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 273


Elementos do Orçamento
1. Elemento económico.

 Previsão da actividade financeira anual e a realizar por


determinados subsectores das Administrações Públicas sob o
comando governo

2. Elemento político

 Autorização concedida pela Assembleia da República mediante


a aprovação formal da proposta elaborada e submetida pelo
governo.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 274


3. Elemento jurídico

 Instrumento sob a forma de lei que limita os poderes financeiros do


Estado no que respeita à realização das despesas e à obtenção das
receitas.
Perspectivas de Visão Sobre o Orçamento
1. Reducionista: documento técnico.

2. Abrangente: documento político que reflecte as políticas e prioridades


de um governo consubstanciadas nas estruturas de:

 Recursos financeiros obtidos da economia: receitas orçamentais.

 Recursos financeiros afectados a: politicas sectoriais


/programas/projectos
21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 275
Contexto legal do orçamento do Estado
Normalmente Comporta 3 Níveis:
1. Lei constitucional.
2. Lei orgânica orçamental e legislação conexa.
3. Lei anual do orçamento e decreto-lei de execução orçamental.

1. Lei constitucional
 Estabelece os grandes princípios e orientações refentes a:
 Âmbito e conteúdo do orçamento e estrutura da respectiva lei anual.
 Organização do orçamento e apresentação das receitas e despesas
 Definição das competências do Parlamento e do Governo em cada fases
do ciclo orçamental e prazos de algumas das competências.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 276


2. Lei orgânica orçamental
 Consagra um conjunto de disposições que regula matérias relativas a:
Elaboração/discussão/ aprovação/ execução/ controlo do
orçamento.
(Ver o contexto legal Moçambique: Comporta isto?)

Horizonte Temporal do Orçamento

a. Sempre refere-se a um horizonte anual:


↓↓↓↓
 Determinado ano económico coincidente ou não com o ano civil.

b. Faz referêcia a um horizonte pluri-anual:


 As opções que ele concretiza não se esgotam.
 Os seu efeitos não se circunscrevem a um ano.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 277


4 Factores da importância da perspectiva de médio prazo
F1: Cada orçamento concretiza objectivos e prioridades políticas
de um governo em cada ano da sua legislatura.

↓↓↓↓

 Existência de um documento de médio prazo: Programa do


Governo. ↓↓↓↓

 Enquadra/condiciona a elaboração/execução do orçamento para


os 4 anos económicos sucessivos

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 278


F2:Muitas opções de política sectorial exigem um horizonte de
concretização superior a um ano.

Exemplos: Construção de um hospital:

 Fase1: Elaboração e selecção do projecto = 1 ano.

 Fase2: Construção e equipamento = 3 anos mínimo.

 Fase3: Funcionamento = pode ser faseado em função da


disponibilidade do pessoal da saúde.

↓↓↓

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 279


↓↓↓

 Previsão dum horizonte mínimo de 5 anos entre:

 Tomada da decisão + inscrição da dotação orçamental +


Entrada em funcionamento.

↓↓↓↓

Governo responsável pela decisão hospitalar tem de:

 Inscrever a dotação inicial + Prever os encargos futuros a


assumir nos orçamentos económicos seguintes.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 280


F3: Rigidez da despesa pública: Dificuldade em alterar a curto prazo
(único ano económico) das prioridades sectoriais.

2 Razões das dificuldades

R1:Envolvimento do parlamento para aprovação de novos quadros


legais.

R2:Despesa que têm de ser obrigatoriamente prevista no orçamento:

 Juros da dívida pública.

 Pensões pagas pelo sistema de segurança social (fórmula legalmente


estabelecida).

 Transferências para outros sectores: Autarquias, p.e


21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 281
↓↓↓
 Elevada proporção do total da despesa do Estado está
comprometida à partida.
↓↓↓
 A reorientação significativa das prioridades e estrutura da
despesa: Só pode ser feito num período superior a um ano.

F4: Interacção orçamento/economia/função afectação


 Cada orçamento deve ser enquadrado em previsões
macroeconómicas de médio prazo (Cenário Económico de Médio
Prazo –CEMP) para assegurar a coerência com o ciclo económico.
21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 282
2 Factores que justificam a programação financeira plurianual
Factor1: As opções de política sectorial exigem um horizonte de
concretização superior a um ano.
Factor2: Rigidez da despesa pública.
Factor1 + Factor2
↓↓↓↓
 Previsões das despesas e receitas.
 Composição das despesas e receitas.
 Défice orçamental.
 Dívida pública para um horizonte de médio prazo.
21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 283
2 Vantagens de se adoptar o Factor1 + Factor2
1. Evita o adiamento da implementação de medidas de consolidação
orçamental seja por:

 Compromisso do governo em relação à trajectória dos principais


agregados da despesa e receita.

 Maior dificuldade em omitir os efeitos esperados de novas políticas.

2. Favorece a implementação de:

 Reformas estruturais por tornar mais visíveis os efeitos a


prazo da reafectação de recursos.

 Medidas fiscais
21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 284
2 Requisitos para que as vantagens sejam efectivas

 Previsões macroeconómicas: Têm de assentar em hipóteses


realistas para não sobreavaliar a capacidade financeira do
Estado.

 Projecções das receitas e despesas: Têm de ser credíveis e permitir


distinguir objectivos e previsões.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 285


O Ciclo Orçamental = 4 fases distintas e independentes:

Fase1: Elaboração do Orçamento do Estado e da Respectiva


Proposta de Lei.

Fase2:Discussão e votação da proposta de lei.

Fase3: Execução e fiscalização do Orçamento do Estado.

Fase4:Elaboração/Discussão/Votação/Fiscalização da Conta do
Estado

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 286


Regras de organização do orçamento: Regras Orçamentais

Regra1: Anualidade: Deve referir-se a um período temporal


de 1 ano: ↓↓↓↓
i. Aprovação em cada ano.
ii. Execução num ano.
NB: o período de vigência ou execução orçamental pode
coincidir ou não com o ano civil = ano civil Vs ano
económico.
Moçambique ?

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 287


2 Razões da anualidade do orçamento

1. Razões politicas: Um ano é um período mais adequado para o


exercício regular e mais eficaz do acompanhamento e controlo
político do parlamento sobre o Estado.

2. Razões Económicas:

i. O período natural de referência para os agentes económicos


(obrigações contabilísticas e fiscais) é também o anual.

ii. Período mais longo introduz mais incerteza na previsão e


execução das despesas e receitas orçamentais.
21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 288
2 Críticas a Regra da Anualidade
Crítica1: Muitas decisões políticas de um governo não são
realizáveis num único ano.

Exemplos

 Investimento públicos em infra-estruturas:


aeroportos/pontes/hospitais/escolas.

 Aquisição de equipamento militar.

 Extensão do ensino a todas as escolas: despesas de investimento


e financiamento

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 289


Formas de corrigir a limitação de anualidade: Apresentação de
programas plurianuais (4 anos):
↓↓↓
 Ano económico do orçamento = o parlamento tem de autorizar a
previsão da despesa.

 Anos Subsequentes: As previsões apresentadas pelo governo são


apenas indicativas.

Crítica2: Duração dos ciclos económicos (expansão/recessão).

 Impossibilidade de o orçamento interagir correctamente com o


quadro macroeconómico.
21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 290
Regra 2: Unidade e Universalidade
a. Unidade: o conjunto das receitas e das despesas deve ser apresentado num
único documento.
↓↓↓↓
 O orçamento deve ser único ou unitário: 2 Razões
Razão1: Transparência na apresentação das receitas e das despesas:
Impedimento de existência de doações ocultas ou secretas.

Razão2: Visão global das opções e prioridades do governo: Apreciação e


controlo parlamentar mais eficaz.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 291


b. Universalidade: Há entidades cuja actividade financeira
(receita/despesa) é legalmente excluída do Orçamento do Estado
por várias razões:

 Descentralização política e/ou administrativa.

 Correspondência c/ unidades com personalidade jurídicas e


organizadas e geridas sob forma empresarial: Empresas
públicas.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 292


Regra 3: Não compensação: As receitas e as despesas devem
ser inscritas pelos seus valores brutos.

↓↓↓

 Sem qualquer dedução de eventuais despesas associadas:


encargos de cobrança.

 Sem eventuais receitas associadas: ganhos originários pela


realização da despesa

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 293


R4: Não consignação: A totalidade das receitas orçamentais deve
servir para financiar a totalidade das despesas orçamentais.
↓↓↓

 Não permitir que uma determinada receita seja afecta a uma


determinada despesa.

2 Razões que justificam a não consignação

Razão1: Se a receita de cada tipo de imposto fosse consignada a


uma despesa especifica os contribuintes reconheceriam a aplicação
dos seus benefícios fiscais

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 294


↓↓↓
 Os contribuintes podem não desejar continuar a contribuir na
ausência de benefícios directos.
Razão2:
a. Existência de receita excedentária de um determinado imposto
consignado face ao valor da despesa prevista = O excedente
não pode financiar qualquer outra despesa.
b. Existência de receita insuficiente de um determinado imposto
consignado face ao valor da despesa prevista = impossibilidade
de realizar plenamente o projecto ou medida.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 295


Nota: A não consignação pode ter excepções baseadas em 2
aspectos:
i. Enquadramento jurídico de cada país legalizando as
consignações.
ii. Caso haja uma vantagem fundamentada que constitui garantida
para uma despesa considerada essencial.
Existe em Moçambique? (Receitas do orçamento da segurança
social).
Imposto do tabaco = não devia ser consignada para combater o
cancro?

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 296


Regra5: Especificação: O orçamento deve especificar ou individualizar
de forma suficiente mas não exaustiva as receitas e as despesas previstas.
Objectivos
 Garantir uma maior transparência do orçamento.
 Evitar a existência de dotações secretas.
 Permitir uma mais fácil avaliação e controlo político pelo parlamento.
 Tornar mais eficaz a execução e o controlo de execução.
 Possibilitar a comparação inter-temporal das prioridades políticas e
sua realização.
Regra 6: Equilíbrio: Tem de haver equilíbrio entre as receitas e as
despesas = Equilíbrio orçamental.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 297


Apresentação das despesas e das receitas no orçamento

 Há um conjunto de critérios ou códigos de nível internacional.

 O critério padrão tem sido o da OCDE

 Cada país pode adoptar parcial ou totalmente os critérios.

Observações a considerar

1º Possibilidade de comparação entre os orçamentos de países.

2º Cada país tem de manter estável os critérios seleccionados.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 298


Razões da Manutenção
 Permitir uma análise temporal da política orçamental.
 Identificação clara dos objectivos e prioridades anual e sucessivamente
assumidos.
Classificação das despesas: 4 Critérios
1.Orgânica/2. Funcional/3. Económica/4. Por programas

1. Classificação Orgânica
 Descriminação por departamentos da administração pública = Ministérios.
 Em cada Ministério a despesa é desagregada em capítulos correspondente
a serviços ou grupos de despesas afins

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 299


Vantagens
 Facilidade e identificação directa do Ministério/Departamento responsável
pela execução de cada bloco da despesa.
 Facilidade de avaliação do contributo e desempenho no cumprimento dos
objectivos e política do Governo
Nota
 A concretização e esquematização em cada país varia em função da
estrutura do Governo
 O número de Ministérios/Departamentos pode variar de legislatura para a
legislatura: Criação/extinção de Ministérios.
↓↓↓

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 300


A afectação de recursos financeiros em cada Ministério/Departamento:
↓↓↓
 Anualmente o orçamento tem de reflectir a organização político-
administrativa do Governo do dia.

2. Classificação Funcional
 É a desagregação dos diferentes domínios de intervenção do Estado.
↓↓↓↓
 Funções e subfunções de finalidades específicas: Defesa
nacional/educação/segurança social/ transportes /saúde
 É independente da organização político-administrativa = Não há
correspondência biunívoca entre subfunção e departamento.
21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 301
Exemplo
Sub-função da Educação
 Integra toda e qualquer despesa para o mesmo objectivo
independentemente dos Departamentos/Ministérios Executores:
 Ministério da educação/Ministérios do Ensino Superior e
Tecnologia/Ministério da Defesa Nacional etc.

Vantagens da classificação funcional


 Permite Avaliar se as prioridades políticas têm ou não tradução
financeira (em cada ciclo orçamental e para o conjunto da
legislatura)

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 302


 Permite determinar o grau de cumprimento das prioridades políticas.
 Permite identificar no longo prazo e para as sucessivas legislaturas: As
prioridades dos sucessivos governos/evolução das prioridades dos
sucessivos governos.

3. Classificação Económica
 Possibilita uma decomposição por grandes agregados.
 É constituída por 12 agrupamentos económicos divididos em despesas
correntes e despesas de capital.
 É uma classificação indispensável para uma análise do orçamento do ponto
de vista macroeconómico.
Ver Tabela 2 em Word
21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 303
4. Classificação por Programas
Programa

 Conjunto das despesas correspondentes a acções/medidas que


contribuem para a realização de um mesmo objectivo específico.

 Cada programa pode ser da responsabilidade de um ou mais


ministérios.

 Deve referir-se a um horizonte plurianual: As despesas inscritas


p/ o 2º ano e seguintes têm um carácter indicativo

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 304


Exemplo de Programa
 Promoção da Segurança dos Cidadãos: Alimentação
/medicamentos/infra-estruturas/obras públicas.

↓↓↓↓↓

 Envolvimento de vários Ministérios: Agricultura/


educação/saúde/obras públicas.

Vantagens da estruturação da despesa por programas:


 Identificação dos objectivos e políticas.

 Avaliação na afectação dos recursos financeiros aos diversos objectivos.

 Avaliação do grau de realização e dos resultados obtidos.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 305


Exigências da estruturação por programas
 Os diversos departamentos/Ministério envolvidos têm de:
 Clarificar suas responsabilidades em cada objectivo especifico.
 Definir seus próprios objectivos/metas.
 Avaliar os resultados esperados.

Classificação das Receitas


 São aplicados apenas os critérios de classificação económica e
orgânica.
 Classificação económica: Estado/ Serviços financeiros da
administração/ Segurança social
21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 306
A classificação económica compreende:

 Receitas correntes

 Receitas de capital

 Outras receitas

Ver Tabela em Word

Comentários

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 307


1º Capítulo 14 a 17 (outras receitas)
 Não constituem fontes de financiamento da despesa no seu conjunto.
↓↓↓↓
 São inscritos montantes que apresentam equivalentes na despesa = 3
tipos de receitas que justificam 3 tipos de despesa de iguais montantes.
2º Receitas não efectivas (capítulo 11 e 12)
 São excluídas do saldo global
 Destacam-se pelo seu significado e alcance nos passivos financeiros
↓↓↓↓
 A verba correspondente traduz as necessidades de financiamento do
Estado por recurso a empréstimo
21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 308
3º As diferentes fontes ou meios de financiamento não apresentam
uma importância equivalente na estrutura da receita.

↓↓↓↓

 Primeira fonte de financiamento: Receitas fiscais.

 Segunda fonte de financiamento: Receitas credícias (passivos


financeiros).

↓↓↓↓

 Decorre das finanças públicas intervencionistas e aceitabilidade


do endividamento do Estado

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 309


Informação da classificação económica da receita
Primeira informação:

i. Importância do sistema fiscal no financiamento da despesa pública

ii. Principais impostos sobre a redistribuição do rendimento e da


riqueza

Segunda Informação

i. Recurso ao crédito e seus efeitos sobre o endividamento público


Terceira Informação
 Importância do sector Públio empresarial como fonte de receitas através dos
rendimentos de propriedade.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 310


4 Indicadores orçamentais

1. Saldo Corrente: Diferença entre as receitas correntes e as


despesas correntes

2. Saldo de Capital : Diferença entre as receitas de capital e


despesas de capital.

Situação de excedente corrente mesmo com défice de capital

↓↓↓↓↓

Cumprimento da regra de ouro das finanças públicas

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 311


3. Saldo global ou efectivo: Diferença entre as receitas totais e as
despesas totais (Exclui-se os passivos e activos financeiros).
4. Saldo primário: Saldo global ou efectivo menos as despesas de
juros e outros encargos.
Importância do saldo primário
 Em caso de défice traduz uma medida de endividamento adicional
gerado em cada orçamento.

5. Saldo Global ou Efectivo ajustado das medidas temporárias:


 Saldo global corrigido dos valores de medidas ou efeitos
temporários.
21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 312
Objectivos das medidas
 Manutenção do défice orçamental abaixo do valor de referência.

Etapas do processo orçamental


Etapa 1: Elaboração do Cenário Macroeconómico = conjunto das previsões
referentes a:

 Taxas de crescimento em volume das 5 variáveis da procura interna e


externa : Consumo privado/Consumo Público/
Investimento/Exportações/Importações.

 Taxas de crescimento do PIB.

 Deflactores do produto e do consumo privado/inflação.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 313


Requisitos para a elaboração do cenário Macroeconómico
1. Modelo macroeconómico que representa com rigor as relações
e comportamentos de economia.

2. Sistema de informação consistente para alimentar o modelo.

3. Não sobrestimação deliberada porque:

 Uma previsão acima do esperado para o crescimento económico


conduz a uma sobrevalorização das receitas fiscais.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 314


Implicações da sobrevalorização das receitas fiscais
↓↓↓
 Sobrevalorização das reais capacidades de despesa
↓↓↓
 Não verificação do requisito 3 = elaboração de um mau orçamento
que não pode ter uma boa execução.

Etapa 2: Fixação dos saldos orçamentais e limites da despesa


total
 Baseia-se no cenário macroeconómico e nas opções e
prioridades da política geral do governo.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 315


 Consiste na fixação sequencial dos valores relativos a:
 Saldo global do sector público administrativo (percentagem do PIB e
valor absoluto).
 Saldos dos subsectores.
 Receita fiscal do saldo global.

Etapa 3: Fixação dos tectos para as despesas específicas e das


despesas por Ministério.
↓↓↓
 Repartição do valor pré-fixado para o total da despesa.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 316


Recomendações

Momento 1: Fixação de dotações máximas para determinadas


categorias de despesa que:

 Sua natureza é transversal a todos os Ministérios: Salários dos


funcionários públicos/ investimento público.

 Não são directamente imputáveis a nenhum dos Ministérios


sectoriais e a sua execução fica a cargo do Ministério das
finanças: Juros/outros encargos da dívida pública/pensões de
reforma de ex-funcionários públicos

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 317


↓↓↓↓

 Despesas obrigatórias cujos montantes estimados têm de ser


previamente assegurados.

Momento 2: Repartição do montante remanescente pelos diferentes


ministérios dando origem aos tectos (plafonds) por ministério.

Etapa4: Apreciação e Aprovação em Conselho de Ministros.

Etapa5: Preparação dos Orçamentos por Ministério.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 318


Requisitos desejáveis nos projectos de orçamento dos
Ministérios

Requisito1: Distinguir a previsão da despesa para:

i. Continuidade das políticas.

ii. Implementação de novas políticas.

Requisto2: Estimar não só as despesas do ano económico do


orçamento, mas também dos anos seguintes:

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 319


Implicações da não verificação do requisito 2
 Surgimento de despesas inesperadas nos anos económicos seguintes.

 Concluídos os projectos de orçamentos com ou não cumprimento dos


tectos: Remissão ao Ministério das Finanças.

Etapa6: Consolidação dos orçamentos e verificação da sua conformidade


com os tectos.

Caso1: Ministérios que ultrapassaram o tecto sem anuência do MF

↓↓↓

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 320


 Início do processo de negociação informal: Ministério das
Finanças vs Ministérios infractores.

Negociação não resolvidos

↓↓↓↓

 Necessidade de intervenção do chefe do governo

ou

 Transição para o conselho de Ministros,

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 321


Caso2: Correcção das previsões macroeconómicas

 Opção pela manutenção do valor (percentual) fixado do saldo


global do sector público administrativo

↓↓↓

 Necessidade de ajustar o tecto da despesa total.

↓↓↓

 Necessidade de ajustamento dos tectos específicos.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 322


Revisão de todos os tectos depende de:

 Prioridade politica.

 Poder negocial dos ministros sectoriais.

↓↓↓↓

 Necessidade geral de reformulação dos projectos orçamentais

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 323


Etapa7: Preparação da proposta de Lei

 È feita de acordo com o quadro jurídico do país.

 É da responsabilidade do Ministério das Finanças e envolve:

 O articulado/mapas orçamentais/informação complementar.

Etapa 8: Final

 Apreciação e aprovação c/ ou s/ alterações pelo Conselho de


Ministros.

 Apresentação da Assembleia da República.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 324


Calendarização

 Depende de país para país:

 Há países em que o processo arranca no início do ano


económico que antecede o relativo ao orçamento = pode
desenrolar entre 9 a 10 meses.
 Há países em que a etapas decorrem entre 3 a 4 meses.

Vantagens desta opção

 Menor risco de desactualização das previsões económicas.

 Maior conhecimento de execução do orçamento em vigor.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 325


3 Requisitos de um processo ideal

Requisito1: Não sobrestimação das receitas e não subestimação


das despesas.

Factores de sobrestimação das receitas

 Avaliação técnica incorrecta.

 Estimativa optimista não fundamentada tecnicamente .

↓↓↓

 Elevado grau de incerteza na sua realização.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 326


Factores de subestimação da despesa
 Erro técnico de previsão dos encargos associados a um novo
projecto/actividade/ medida.

 Opção deliberada que visa: assegurar a inscrição de uma


dotação no orçamento que vai exigir uma verba extra.

Requisito2: Uso da metodologia top-down em detrimento do


Botton-up para a fixação dos tectos específicos da despesa por
Departamento/Ministério.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 327


Metodologia Bottom-Up

 Consiste na não pré-fixação de qualquer tecto sectorial

↓↓↓

 Os montantes definidos por cada ministro resultariam no que é


necessário para a concretização plena da sua política

↓↓↓
 Surgimento dum montante global de despesa pública superior ao
pré-fixado pelo Ministério das Finanças.

↓↓↓

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 328


 Quanto maior for o grau de liberdade para os ministro sectoriais
maior será o excesso da despesa.

↓↓↓

 Maiores dificuldades no processo de coordenação e ajustamento.

Requisito3: O processo de negociação deve basear-se em:

 Prioridades políticas

 Mérito das medidas.

 Menos poder de influência de cada ministro.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 329


↓↓↓↓

 Evita-se a desorçamentação que é:

 Inviabilização de determinadas políticas ou medidas.

 Criação de organismos fora das administrações políticas.

Execução Orçamental: É a entrada em vigor do orçamento após:


 Aprovação parlamentar/promulgação Presidencial/Publicação
oficial (Boletim da República)

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 330


Forma de Execução
 Obtenção das receitas previstas: Natureza/montante.
 Realização das despesas previstas: Natureza/montante.
↓↓↓↓
 Concretização dos objectivos/prioridades/metas da política
orçamental/ políticas sectoriais.
Boa Execução Orçamental: Pressupostos
 Respeito pela autorização concedida pelo parlamento.
 Adaptação a alterações do cenário macroeconómico.
 Resolução de problemas não previstos nas receitas e/ou nas
despesas.
21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 331
Execução das despesas
3 Princípios da realização da despesa ao longo do ano económico

Princípio1: Legalidade
 O acto pelo qual uma entidade pública assume um compromisso e
respectivo encargo deve respeitar o quadro jurídico aplicável.
Exemplo
 Entrada de novos trabalhadores para determinado organismo tem de
respeitar:
 O regime jurídico de trabalho da administração pública.

 Regra de direito privado se a lei orgânica ou estatutos expressamente o


autorizarem.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 332


Princípio2: Regularidade orçamental

 O Governo só pode realizar:

 Uma despesa que esteja inscrita no orçamento.

 Uma despesa até ao montante previsto

↓↓↓↓

 As dotações inscritas no orçamento constituem um limite que


não pode ser ultrapassada.

↓↓↓↓

Surgimento de 2 questões a:
21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 333
Questão1: Situações que exigem a modificação ou rectificação do
orçamento em vigor
 Surgimento de situações imprevistas mas inadiáveis relativas =
calamidades.
 Detecção de erros de previsão que revelam insuficiência das dotações
inscritas.
Questão2
 Os Ministéiros podem não esgotar as dotações inscritas.
 O governo pode cativar/congelar determinadas despesas no início ou em
qualquer momento no decurso do ano económico.
Razão do Congelamento: Aumento da margem de manobra do Governo através da
criação de um segundo limite mais baixo.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 334


Princípio3: Boa Gestão Financeira
 A execução orçamental deve obter o máximo rendimento com o mínimo
de dispêndio tendo em conta: Utilidade da despesa/ Prioridade da despesa
Princípios de boa gestão financeira
 Economia = A decisão deve corresponder a opção ou alternativa menos
onerosa para alcançar o objectivo pretendido.

 Eficiência: A decisão deve corresponder à alternativa de um conjunto de


custo idêntico que maximiza os resultados.

 Eficácia: A decisão deve permitir a realização do objectivo e resultados


pretendidos.
21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 335
Execução da Receita
2 Princípios de Execução
 Legalidade orçamental.

 Regularidade orçamental.

Princípio1: Legalidade orçamental

 Nenhuma receita pode ser cobrada se não tiver existência legal.

 Nenhuma receita pode ser cobrada (mesmo que legal) se não


estiver inscrita no orçamento (autorizada pelo parlamento.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 336


Situações de Alterações Orçamentais
 Alteração dos pressupostos do cenário macroeconómico com
efeito na previsão da receita e ou despesa.
 Dotações de despesa desnecessárias ou insuficientes.
 Implementação de projectos/acções ou medidas geradoras de
despesa não inscrita.
 Realização de despesa imprevista (sem inscrição orçamental)
 Insuficiência de receita orçamental explicada por:
 Factores macroeconómicos/erro técnico de previsão ou de
excesso do optimismo

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 337


Controlo Orçamental: 3 critérios de mecanismos e procedimentos

Critério1: Controlo administrativo (envolve 3 entidades)


i. Entidade executora do orçamento.

ii. Entidade responsável pela coordenação e acompanhamento da


execução do orçamento

iii. Entidades de inspecção e controlo

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 338


Critério2: Controlo jurisdicional (Feito pelo tribunal de contas)
2 Modalidades: controlo à priori =Visto VS controlo concomitante.

Modalidade1: Controlo à priori:


 Tem uma natureza preventiva
 Geralmente é muito moroso.
 Visa verificar a conformidade legal e o cabimento orçamental das
despesas geradas por contrato ou diplomas
Modalidade2: Controlo concomitante: Pode ser realizado a qualquer
momento no decurso da execução orçamental

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 339


Critério3: Controlo político:

 É exercido pela Assembleia da República.

 Elementos informativos para a fiscalização:

 Execução do orçamento do Estado incluindo o orçamento da


segurança social.

 Execução do orçamento consolidado do sector público


administrativo.

 Alterações orçamentais aprovadas pelo Governo no âmbito das


suas competências.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 340


Conta do Estado
 Representação do resultado da execução orçamental do ano
económico de:

 Todas as receitas obtidas

 Todas as despesas pagas durante o ano económico.

3 Componentes da conta do Estado

1. Relatório da apresentação geral da conta do Estado

2. Mapas contabilísticos relativos.

3. Agrupamento das contas e elementos informativos:

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 341


1. Relatório da apresentação geral da Conta do Estado relativo a:
evolução dos agregados macroeconómicos/situação
macroeconómica dos subsectores/execução orçamental/
alterações orçamentais.

2. Mapas contabilísticos relativos a:


 Execução orçamental: receitas obtidas e despesas realizadas.
 Situação da tesouraria: cobranças e pagamentos orçamentais.
 Situação patrimonial: aplicação das receitas obtidas por recurso
a empréstimos/ operações relativas a dívida pública

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 342


3. Agrupamento das contas e elementos informativos:
i. Contas relativas:
 serviços e organismos sem autonomia administrativa e
financeira.
 Segurança social,
 Transferências para a administração a municipal.
ii. Agrupamentos das contas de (i) em departamentos e
ministérios
iii. Elementos informativos: informação detalhada sobre as duas
contas (i e ii).

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 343


Módulo VI

Política Orçamental e a Política Macroeconómica

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 344


Principais Instrumentos da Política Macroeconómica

 Política Orçamental/Política Monetária.

Outros Instrumentos:

 Política comercial/Política cambial

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 345


Objectivos Estatais da Política Orçamental

 Estabilização da Actividade económica:/Nível de emprego elevado/


nível de crescimento económico elevado/nível dos preços Baixos/nível
das contas externas Equilibradas.
Objectivo Indirecto da Política Orçamental: Taxa de juro a longo prazo

Instrumentos da Política Orçamental


 Receitas Públicas: Em especial as receitas correntes = impostos.
 Despesas Públicas: Em especial as despesas de capital que:
 Impulsionam o crescimento.
 Impulsionam a actividade económica
21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 346
Indicadores e Conceitos da Política Orçamental

 Saldo Global/Saldo Primário

1. Saldo Global e Primário = Receitas - Despesas efectivas


Notação

T= Receitas Públicas

G= Consumo Público

TR = Transferências Públicas

SO= Saldo Orçamental Global

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 347


2. Saldo orçamental primário

 Expurga do SO as despesas com juros da dívida pública

 Permite obter o valor do défice/excedente orçamental caso não

existisse a dívida pública de anos anteriores.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 348


Resultados

SO= - Défice orçamental

SO = 0 Saldo Equilibrado

SO = + Superavit orçamental
 Saldo Orçamental Global. É Expresso em Percentagem para permitir comparações
internacionais.
Regra de Ouro das Finanças Públicas
↓↓↓↓
 Valor do défice orçamental: Não deve ser superior ao valor das despesas de
investimento (essencialmente as despesas de investimento)

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 349


Racionalidades Teórica da Regra

 Despesas de investimento: Necessárias para:

 Criar infra-estruturas/Potenciar o desenvolvimento/

Crescimento.

Componentes do saldo orçamental

 Componente Cíclica (C)

 Componente Estrutural (E)

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 350


 Componente Clínica: Reflecte os efeitos das flutuações

cíclicas da actividade económica sobre o saldo orçamental.

 Componente Estrutural: Indica qual deve ser o saldo

orçamental caso a actividade económica se encontrasse no

respectivo nível de tendência

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 351


Conceito do saldo estrutural

 Indicador que capta as medidas discricionárias de política

orçamental caso se expurgassem os efeitos dos ciclos

económicos sobre o orçamento.

Metodologias para a obtenção do saldo orçamental:

 Organização para a cooperação e desenvolvimento

 Fundo Monetário Internacional

 União Europeia

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 352


Regra comum

1º Cálculo do saldo orçamental conjuntural.

2º Subtrair o saldo conjuntural do saldo global.

 Decomposição do défice orçamental em componente cíclica e


componente estrutural:Pode ser feita em termos de despesas e
das receias públicas assim:

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 353


Onde:

São as receitas públicas da categoria i em t

𝐺𝑖,𝑡 são as despesas públicas da categoria j em t

C e E referem-se, respectivamente às componentes cíclica e estrutural de cada rúbrica


orçamental.
Cálculo do saldo orçamental conjuntural ou saldo cíclico
↓↓↓
 Uso de diferentes categorias de receitas públicas sendo usadas elasticidades
constantes face ao rendimento

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 354


Processo de obtenção das componentes cíclicas
1ºMomento: Estimação do hiato de produto
Diferença entre o produto actual e o produto potencial, em
percentagem do produto potencial.

Onde Y e Y* são respectivamente: produto e produto potencial


2º Momento: estimação das reacções das várias categorias de receitas e
despesas orçamentais ao hiato do produto através das elasticidades.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 355


3º Momento: Ajustamento do défice global tendo em conta os
resultados do momento 2. Ou seja,

 A componente cíclica é subtraída ao saldo global para a obtenção da


componente estrutural

Exemplo

 Suponha que a elasticidade do saldo orçamental ao hiato do produto


éα

 A partir de (4) pode se escrever a componente estrutural do saldo


orçamental como:

 𝑆𝑂𝐸 =S0-𝑆𝑂𝑐 (8)

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 356


 Substituindo a expressão anterior a informação para a
elasticidade para o hiato de produto, ou seja, 𝑆𝑂𝑐 =α x Hiato,
tem-se também:

𝑆𝑂𝐸 = SO –(α x Hiato) (9)

Componentes da Política Orçamental

1. Política Orçamental Discricionária.

2. Estabilizadores Automáticos.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 357


1. Política orçamental discricionária

 Há alterações deliberadas na sua implementação para responder às


condições económica:

a) Política Orçamental Expansionista: Conjuntura de desaceleração


da actividade económica.

↓↓↓

• Aumento das despesas públicas (correntes e/ou de capital)

• Redução dos impostos (redução de taxas de impostos e/ou


concessão de isenções fiscais ou de bonificações).
21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 358
b) Política Orçamental Restritiva: Situação de maior crescimento
económico. Redução do défice orçamental/Aumento do saldo
orçamental.

↓↓↓↓

Acumulação de receitas públicas para responder a futuras

desacelerações da actividade económica.

Política orçamental expansionista X Política orçamental restritiva

↓↓↓↓

 Política orçamental activa: Influencia as variáveis económicas:


21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 359
 Consumo/investimento público/transferências públicas/taxas de
imposto.
Situação de recessão: Governo pode estimular a economia através do
aumento do consumo público. Mas,
↓↓↓
Implicações orçamentais: aumento da défice orçamental/
endividamento do Estado.

Limitações das Medidas Orçamentais Discricionárias


 Desfasamento no tempo com os respectivos efeitos a curto
prazo limitados.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 360


Exemplo
 Situação de necessidade de aumento de receitas públicas.
↓↓↓
 Um aumento das taxas de IRPS pode ter efeito no exercício orçamental
do ano seguinte.

2. Estabilizadores Automáticos

 Rúbricas orçamentais cujo valor é ajustado de forma automática

consoante o nível da actividade económica.

 Contribuem para ajustar a procura agregada ao produto.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 361


 São úteis para nivelar actividade económica do consumo privado
contribuindo assim para o bem estar da sociedade.

Exemplos de Estabilizadores
a) Despesas com o subsídio de desemprego.
↓↓↓
Situação de recessão + aumento de desemprego
↓↓↓
Aumento da despesa do Estado no subsídio de desemprego.
↓↓↓

Atenua a quebra do rendimento das classes sociais mais vulneráveis c/ a


recessão. Mas,
↓↓↓

 Consequências: Aumento do défice orçamental

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 362


b) Despesas com o rendimento mínimo.
c) Taxas de impostos progressivos.

Na situação de recessão

↓↓↓↓

 A redução automática da receita dos impostos permite uma


diminuição menos intensa do rendimento disponível.

Ou seja:

 A quebra da procura agregada tenderá a ser mais mitigada do


que a quebra observada no rendimento.

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 363


Situação de Aceleração
↓↓↓
 Aumento moderado do rendimento disponível e, portanto das
despesas de consumo e do nível de preços.
Limitações dos Estabilizadores Automáticos
 Desfasamento temporal dos efeitos.
 Falta de simetria conforme o aumento ou redução da actividade
económica.
 Probabilidade de um acção insuficiente que forçando a politicas
discricionárias.
21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 364
Decomposição da Política Orçamental

 Componente Não-Discricionária/Componente Discricionária

↓↓↓

Em termos de Saldo Orçamental podemos Escrever

SO=(Estabilizadores automáticos–juros) + 𝑆𝑂𝐸 primário


(10)

Ou ainda

SO = (α x Hiato –juro)+política orçamental discricionária (11)

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 365


Nota:
 Os estabilizadores variam de forma contra-cíclica com o
hiato do produto.
 α mede a sensibilidade entre aqueles mecanismo e o
hiato produto.

Composição da componente não- discricionária


• Estabilizadores automáticos
• Rúbrica dos juros a pagar sobre o saldo existente da
dívida pública
21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 366
Saldo Orçamental Estrutural Primário

 Medida operacional das alterações discricionárias da política


orçamental.

↓↓↓

 O Saldo Orçamental Estrutural ou Corrigido do ciclo, é o Saldo


Orçamental Corrigido dos Efeitos dos Estabilizadores
Automáticos.

FIM

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 367


Bibliografia Básica
 Pereira, P. (2009) Economia e Finanças Públicas, 3ª edição, Escolar Editora.
 Stiglitz, J. (1988). The Economics of the Public Sector. New York: Norton Company

21-02-2014 S. Nhabinde Finanças Públicas - UEM 368