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69-MISTÉRIO DA ILUSÃO – Fev/2006

Por que as pessoas se enganam ou se deixam ser enganadas com tanta facilidade? O que
faz com que o ser humano se torne tão susceptível à crença, às vezes sem questionar, ou
sequer duvidar e comprovar? Por isso mesmo, o homem se tornou um escravo das
próprias criações. A ilusão passou a ser fato consumado. É parte de sua vida e, pelo
visto, está arraigada nos seus conceitos acerca da realidade que o cerca. O tema é vasto
e suas variações já foram abordadas em artigos anteriores. É um mistério: por quê o ser
humano só “enxerga” outra realidade? Desde pequeno, para sobreviver, ele tem que
seguir as “regras do jogo”, caso contrário, fica à margem do sistema e destoa dos
demais, porque a obediência aos ditames é fundamental para não ser discriminado pelos
considerados “normais”. Em outras palavras, normal seria aquele que usa os cinco
sentidos. Eis o problema. Essa realidade fictícia sobrepuja as potencialidades da pessoa
e a ilusão impera. É um hábito que vem do berço. Não existe outra realidade senão
aquela que é palpável. Por outro lado, certos indivíduos, cientes de suas limitações
físicas, passam a se interessar pelos mistérios que os cercam e, gradativamente, vão
“corrigindo” seus conceitos anteriores.
O ritmo dessa aprendizagem depende, como sempre, do grau de interesse de cada um.
Assim, passam a perceber que o sofrimento decorre de seus “pré-conceitos”. Aqueles
que se deixam levar pelas ilusões, encaram o sofrimento como uma forma de purgação
pelos erros cometidos. Seria a vontade divina e ponto final. Sofrer faz parte da vida. O
alto índice de informações contribui para fomentar esta sensação. As notícias pouco
alentadoras são as que predominam e isto faz com que a insegurança geral prevaleça.
Em conseqüência, diminui a auto-confiança, aumenta o medo e a desilusão torna a vida
mais difícil. A pseudo-realidade mina todas as possibilidades de crescimento interno. A
paranóia se instala e se torna um inquilino indesejável que insiste em ficar. No final das
contas, foi esta a vida que o homem “forjou” para ele próprio. Um autêntico “tiro
saindo pela culatra”. Não importa a localidade, é desse jeito que se vive nos dias atuais.
Viver para sofrer e vice-versa. O dia-a-dia do ser humano poderia muito bem ser
resumido em ganância, competição e seus derivativos. Como e por quê se chegou a tal
ponto? Egoísmo e oportunismo desenfreados contribuíram para este lamentável e
incontrolável estado de coisas? Em suma, o homem armou uma armadilha que o ilude e
faz marionete de si mesmo. É o círculo vicioso do “iludir para ser iludido”. Se pensar
é como emitir ondas eletromagnéticas que podem até alterar um ambiente, pode se
concluir que tudo isso seria fruto de pensamentos antagônicos que se tornaram forma, se
consumaram e viraram realidade. Não seria o caso, então, de “reprogramar” a
máquina? Dizem que a fórmula ideal para dar início à essa auto-remodelação seria,
“intenção + atenção = manifestação”, que significa: através do estabelecimento do
foco mais uma acurada observação, constrói-se uma nova realidade que dará um outro
sentido para a vida. Quer dizer, a materialização do desejo depende da vontade, pois ao
operar a mente de modo adequado e objetivo, as realizações, antes difíceis ou até
impossíveis, tornar-se-iam rotineiras. Não é milagre. É fato. A pessoa passaria a ocupar
seus pensamentos somente com eventos construtivos. Seria o fim da “pré-ocupação”
que sempre mina as potencialidades infindáveis do ser humano que ainda ignora sua
força. No mais, eliminar a ilusão pode parecer – e é - difícil num primeiro momento.
Contudo, se a pessoa se conscientizar que sua realidade pode e deve ser modificada, ela
estará dando um passo decisivo rumo às suas consecuções almejadas. Será, por
conseguinte, criada uma aura igual a um campo de força que alimentará a auto-
confiança, fazendo surgir a certeza de que, excetuando a morte- que é definitiva sob o
ponto de vista material - tudo é passageiro, portanto, ilusório.