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Deveríamos levar mais a sério o seguinte axioma do marxismo: "A ideologia

dominante de uma época é a ideologia da classe dominante" simplesmente


porque é um axioma objetivo que independe de nossa vontade e do nosso
desejo.

Se assim é: perguntamos: qual é a classe dominante de nossa época e,


portanto, qual ideologia a ela vinculada é a dominante mundialmente? A classe
dominante de nossa época é a oligarquia estadunidense, proprietária dos
meios de produção do complexo industrial/militar/financeiro que produz e
reproduz as relações sociais dominantes do mundo contemporâneo.

A ideologia dominante de nossa época está relacionada a essa classe


dominante e se expressa de forma mais visível na divisão interna
estadunidense entre a plataforma do Partido Democrata e a do Partido
Republicano estadunidenses. Por exemplo, Trump expressa a ideologia
dominante do Partido Republicano. Ele não é uma exceção à regra como
dizem. Pelo contrário: ele é a regra. Nesse sentido, a ideologia dominante (
Bolsonaro é o efeito do efeito do efeito dessa ideologia) de um segmento da
classe dominante mundial se expressa ao estilo Trump: afirma a sua
masculinidade, e detém o vetor religioso e messiânico da crença na
supremacia branca. Mas se considerarmos o Partido Democrata americano
veremos que a ideologia dominante da classe dominante de nossa época se
expressa também de forma mais sutil; defende a diversidade de gênero, étnica,
cultural, sabe sorrir e ser simpática. Minha conclusão número 1 a respeito
assim é a seguinte: a ideologia dominante de nossa época é a ideologia ao
mesmo tempo ( não há uma exclusão) do Partido Republicano e do Partido
Democrata americanos. Ora, ser de esquerda é a práxis real social e política de
defesa de uma ideologia que esteja na contramão da ideologia dominante de
sua época. O maior problema da atualidade é que as esquerdas se expressam
de modo geral em conformidade com a ideologia dominante do Partido
Democrata americano e assim combate a ideologia do Partido Republicano.
Isso significa? Significa que desse modo ficamos presos nos dilemas, dramas,
neuroses, limites do complexo ideológico da classe dominante americana. A
conclusão número 2 é: o Partido Democrata americano tem que ser combatido,
tanto quanto o Partido Republicano; e não defendido ou, o que é pior, usado
como plataforma dos Partidos de Esquerda brasileiros e mundiais, como está
efetivamente acontecendo.

Bons dias. Uma reflexão pequena sobre a questão da diversidade a partir de


uma pergunta: existe diversidade no interior do capitalismo? Sim, é a resposta
óbvia; vivemos em uma sociedade ( é sempre do mundo de que se fala)
complexa e múltipla seja sob o ponto de vista geográfico, cultural,, étnico, de
gênero, religioso, econômico, epistemológico... seja sob o ponto de vista que
for. Segmentos sociais medianos - o que chamamos de classe média -
geralmente gostam de se situar no lugar da diversidade, falando sempre em
nome desta como se ao fazê-lo expressasse o mais sincero desejo
democrático. Diversidade, assim, passa a ser relacionada com a ideia de
democracia. Ser uma pessoa democrática é cultivar a diversidade; é defender o
direito de múltiplas escolhas; é ter o direito de escolher diante de uma "bandeja'
de alternativas. No entanto, não obstante o que desejamos ou o que pensamos
não podemos ignorar que uma sociedade mundial existe antes da gente e essa
sociedade se processa objetivamente, independente da nossa vontade, como
um modo econômico mundial, assentado em forças produtivas específicas,
historicamente construídas, e em relações sociais de produção também
objetivas que independem da nossa vontade. Nesse contexto, a diversidade
não pode ser pensada fora do lastro social que a captura e determina. O
problema das diversidades não é, pois, uma questão a si, de desejo, de
subjetiidade, de direito à representação. Pelo contrário, é uma questão objetiva,
Se o capitalismo se configura ( isso é objetivo) como uma sociedade mundial
cujo modo de produção, as forças produtivas sociais, são privadas é evidente
que as relações sociais de produção ( é aqui que a diversidade se
expressa)principalmente na fase do imperialismo da indústria cultural ( e das
redes sociais) em que vivemos não é possível ignorar