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PEREIRA,  Marcos  Villela.

  O  limiar  da  experiência  estética:  contribuições  para  pensar  um 


percurso de subjetivação.​ Pro-Posições​, Campinas, v. 23, n. 1 (67), p. 183-195, jan./abr. 2012. 
 
 
Oscar Wilde, em 1891 
Segundo ele, “revelar a arte e ocultar o artista é a finalidade da arte” (idem, p. 17). 
Com  essa  ideia,  ele  inaugura  a  visão  contemporânea  da  dimensão  conceitual  da  arte  e 
proporciona  a  compreensão  da  experiência  ​com  a  obra  de  arte  como  uma  experiência  singular e 
subjetiva  que  pode  bem  ser  individual  ou  coletiva​,  mas  que  definitivamente  vai  na  direção  da 
singularidade​.  E  a  singularidade,  nesse  caso,  tanto  pode  ser  a  do  artista  quanto  a  do  crítico  ou, 
ainda,  a  do  espectador.  É arte o que eu digo que é arte. É arte o que eu faço ser arte. É arte o que 
eu  torno  arte.  E,  em  última  análise,  ela  serve  para  produzir  efeitos  de  sentido  no  criador,  no 
crítico e no público 
“a arte reflete o espectador e não a vida. (idem, p. 17)” 
 
ATITUDE ESTÉTICA  
antes de viver uma experiência estética é preciso assumir uma atitude estética 
“Não  como  uma  intencionalidade,  uma  premeditação,  uma  antecipação  racional  do  que  está por 
vir, mas como uma disposição contingente, uma abertura circunstancial ao mundo” p. 186 
“uma  atitude  desinteressada,  é  uma  abertura,  uma  disponibilidade  não  tanto  para  a  coisa  ou  o 
acontecimento  “em  si”,  naquilo  que  ele  tem  de  consistência,  mas  para  os  efeitos  que  ele  produz 
em mim, na minha percepção, no meu sentimento.” 
Desinteresse - reside na suspensão dos juízos explicativos  
 
ATITUDE ESTÉTICA - EXPERIÊNCIA ESTÉTICA 

ATITUDE ESTÉTICA - atitude nem ativa, nem passiva - mas uma disponibilidade 

SOMOS SERES DE ENCONTRO - não se pode polarizar a atitude no sujeito nem no objeto 

JOGO - do encontro surge algo que não existia 


um sentimento, um gosto, um estado que apenas existia enquanto possibilidade, como porvir 

CAMPO DA EXPERIÊNCIA - o jogo entre o sujeito e o objeto faz que com o objeto deixa 
de ser exterior ao sujeito e constituem o campo da experiência - começa a CRIAÇÃO E A 
EXPERIÊNCIA ESTÉTICA 
 
 
 
 

EXPERIÊNCIA ESTÉTICA - PONTO DE VISTA DO CRIADOR 

CONDIÇÃO BÁSICA: domínio técnico/linguagem/matéria 

Não é espontânea 

DESINTERESSADA = abertura indefinida e incondicional (ATITUDE ESTÉTICA) 


não relação de dominação entre o artista e o mundo 
entre eles ZONA DE POTÊNCIA (campo de possibilidades/porvir de uma nova realidade) 
DESLOCAMENTO DO MODO DE SER DO SUJEITO 

experiência estética assemelha estado apaixonado de encontro com a pessoa amada - arranjo - 
composição - não uma dominação  
algo novo - inexplicável 
Capacidade de compreensão e capacidade de expressão 
Estar aberto à aquilo que não sabemos 

PRÁTICA - ação que dá forma à expressão 


Técnica operada com rigor 

O artista fabrica a obra ao mesmo tempo que é fabricado por ela 

 
 

EXPERIÊNCIA ESTÉTICA - PONTO DE VISTA DO OBSERVADOR 

ATITUDE ESTÉTICA - desinteressada 

JOGO - objeto artístico não está para ser dominado, oferece uma confluência de 
possibilidades, coloca em movimento o repertório e o universo do observador 
EXPERIÊNCIA INVOLUNTÁRIA - soco, arrebatamento. 
EXPERIÊNCIA INTENCIONAL - o sujeito se dispoem 

ARTE = RACIONALIDADE PRÓPRIA 


AMPLIAÇÃO DA CAPACIDADE PERCEPTIVA 
(Competência nas diferentes linguagens, familiarização, suspensão dos juízos explicativos) 
Se tentar dominar o objeto buscando decifrá-lo, dominar pela racionalidade, deixo de sentir os 
efeitos da experiência. 
Se me entrego livremente a experiência = CATARSE = FALTA DE RIGOR 
ENTRELAÇAMENTO (sujeito e objeto) = produz os sentidos da experiência  

FORMAÇÃO DO SUJEITO FRUIDOR = AMPLIAÇÃO DA PERCEPÇÃO 


"A formação do sujeito fruidor consiste em explorar diferentes maneiras de compreender a 
experiência estética, possibilitando uma abertura à diversidade de sentidos do mundo (ou seja, 
de formas de sentir a realidade)" (p. 191) 
"Ampliar o repertório cultural, ampliar o repertório de experiências representa, assim, uma 
ampliação da capacidade de os sujeitos orientarem sua percepção e compreensão ante as 
infinitas possibilidades da existência"(p. 191) 
AMPLIAÇÃO DA COLEÇÃO DE EXEMPLOS - arte como coleção de exemplos 

 
 

EXPERIÊNCIA ESTÉTICA diante de qualquer objeto 

Ready-made​ - qualquer objeto possa, deslocado de seu contexto, tornar-se disparador de 
experiência estética 
Ideia tira o objeto como centro - o centro está na ATITUDE ESTÉTICA 
 
"Nessa medida, tanto o artista quanto o crítico ou o público têm a prerrogativa de transfigurar 
os objetos e os acontecimentos, convertendo-os em objetos estético" (p. 192) 
 
No entanto, esses não tem o mesmo valor que a arte - sem valor hierárquico que maior ou 
menor - apenas diferente categorias 
INTERPRETAÇÃO - no encontro com o objeto produzimos uma interpretação e outras 
infinitas outras interpretações permanecem como interpretações possíveis. 
TRANSFIGURAMOS A REALIDADE - SOMOS TRANSFIGURADOS POR ELA 

MEDIDA DO RIGOR - está no nível de intradutibilidade do conteúdo da experiencia (na 


racionalidade e linguagem conhecida). A concretude da experiencia precisa ser INVENTADA.  
 
ABISMO - tudo começa quando o mundo acaba (Chantal Maillard) 
"A experiência estética inicia quando tudo o que sei e tudo o que tenho sido já não bastam e o 
mundo apela por ser inventado” (p. 193) 
 
OUTRA FORMA DE RAZÃO - razão estética e aprender a apalpar o VAZIO do que está 
porvir 

Os efeitos da experiência estética – os valores, os sentimentos, os gostos, os juízos, as 


representações, as categorias – são as modalidades das experiências que vão se modificando 
com a própria história, cujo núcleo é sempre essa estranha satisfação que resulta do 
reconhecimento da capacidade de construir, de produzir sentidos que, quando a gente 
experimenta, ao mesmo tempo está construindo e produzindo a gente mesmo (Maillard, 1998, 
p. 254 apus PEREIRA, 2012, 193). 
 
É isso que KASTRUP chama de INVENÇÃO DE SI 

 
 
Síntese  do  que  o  museu  pode  proporcionar/estimular  para  uma  possível  experiência  estética.  A 
experiência pode ocorrer por arrebatamento ou de forma intencional: 
 
1. ABERTURA:  Estimular  uma  atitude  estética,  desinteressada  (abertura),  baixar  os  juízos 
explicativos,  uma  abertura  para  o  que  a  experiência  produz em mim (e não para aguardar 
um acontecimento). 
2. AMPLIAÇÃO  DA  CAPACIDADE  PERCEPTIVA:  competência  nas  diferentes 
linguagens,  familiarização,  suspensão  dos  juízos  explicativos.  Se  tentar  dominar  o  objeto 
buscando decifrá-lo, dominar pela racionalidade, deixo de sentir os efeitos da experiência; 
3. JOGO:  entrelaçamento  entre  o  sujeito  e  o  objeto  (não  há  uma  dominação  hierárquica), 
coloca em movimento os repertórios e experiências anteriores do observador; 
4. PORVIR:  estimular  uma  interpretação  individual  dentre  infinitas  possibilidades  de 
existência;  
5. AMPLIAÇÃO  DA  COLEÇÃO  DE  EXEMPLOS:  se  a  arte  for  considera  como 
exemplos. 
 
PARA A PRÁTICA: 
6. DOMÍNIO DE UMA TÉCNICA, LINGUAGEM, MATERIA 
7. DESLOCAMENTO  DO  MODO  DE  SER  DO  SUJEITO  (isso  não  pode  estar  acima 
também) 

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