Você está na página 1de 6

Artur Jorge Vieira Fatia da Silva Pereira1

1. J.F. Schenk Soluções Estatísticas, Portugal

2019

Author's Note

I want to thank my family for the support provided during this investigation, more precisely to

my children Daniel Filipe Assis Schenk Fatia Pereira and Ester Carolina Assis Schenk Fatia Pereira,

my treasures. My Mailing Contact is analise-do-comportamento@vodafone.pt


Resumo: O presente papper pretende analisar a letra da música “naquela linda manhã”. Esta musica

é sobejamente conhecida naquilo que se considera músicas infantis populares, da cultura popular

portuguesa. A análise será feita tendo como modelo teórico a Análise do Comportamento (A.C.), de

forma sistemática e coerente, continuando uma tradição iniciada por B.F. Skinner e posteriormente

por continuadores, este é um dos poucos exemplos de análise feito em Portugal segundo o modelo

referenciado.
"Naquela linda manhã"

É ponto assente na Análise do Comportamento que a criança, a cria dos humanos e restantes crias

de outras espécies do agrupamento zoológico designado de mamíferos, veja-se por exemplo as

seguintes filmagens https://www.youtube.com/watch?v=dLsitmxElws e

https://www.youtube.com/watch?v=4UVSIhCzaDM no qual se vêm os progenitores e crias de leão

e de gorila respetivamente, nas quais brincam, comportam-se, são estimulados pelo meio físico e

relacional, exploram o meio, numa palavra são curiosos(as).

Esta constatação cientifica por um lado e de senso comum também é defendida pelos Estruturalistas

como Piaget e continuadores, por outro lado a cultura é o repositório de práticas culturais que

podem possuir ou não resticios filogenéticos, inclusive de proteção da espécie ou pelo contrário

terem traços de destruição da espécie, veja-se o perigar da espécie humana e restantes espécies do

planeta terra devido à poluição industrial e doméstica massiva, consequência perversa da

industrialização.

Face ao exposto chegamos à constatação que à práticas culturais funcionais e outras não funcionais

o que leva também à constatação óbvia de consequência imediatas e atrasadas e como qualquer

Analista do Comportamento sabe à uma preferência natural por consequências imediatas que se vão

alterando ao longo do desenvolvimento humano para uma preferência por consequências a médio,

longo prazo.

Face ao exposto, passamos de seguida à análise da letra da música "Uma linda manhã" de autor para

mim desconhecido, mesmo face à pesquisa efectuada.

A presente música não é música erudita pertence antes ao que se designa música popular portuguesa

infantil, de idade desconhecida. A música refere-se a uma ida ao jardim entre filho(a) e mãe. Nesta

ida ao jardim, a criança corre e brinca como qualquer cria humana ou da espécie dos mamíferos

faria, o correr também remete para outros tantos tempos históricos tais como a caçada dos mamutes,
a primeira ou uma das primeiras atividades colaborativas entre humanoides, ancestrais diretos e

também indiretos do Homo Sapiens Sapiens, antes de se tornarem sedentários.

Face ao simples correr da criança, o que é uma atividade saudável de exploração do corpo como

diria a Terapia de Aceitação e Compromisso derivação do modelo Skinneriano de intervenção na

clínica e porque não de exploração do meio, a mãe adverte, seria o que se designa nos tempos

modernos uma mãe super protetora que vê o filho(a) como algo frágil até para brincar, assim emite

o mando, o pedido de "não brinques só a correr" e estipula a regra de causa e efeito, se.. então, se

corres-tropeças e aleijaste.

E como Skinner diria no episódio do copo de água, sobejamente conhecido na Análise do

Comportamento, qualquer mando, principalmente aqueles que são pedidos tem tendência para

originar obediência, ou seja, por outras palavras, reforçar unicamente o falante.

Após o pedido ou advertência branda, realmente a criança cai e fica com arranhões, sem qualquer

tipo de importância para esta, i.e., para a sua saúde, mas leva a criança a emitir a auto-regra

"depois de então procurei ser melhor", mas perguntamos nós como pais e analistas do

comportamento, "Porquê melhor?", a criança teve algum tipo de "mau comportamento", não!

Aleijou alguém? Não! Apenas brincou a criança está a criar a regra de que brincar de forma natural

é mau, traz más consequências, se a mãe não tivesse intervido a criança poderia após a queda ir

brincar outra vez sem nada de monta a apontar, como se nada tivesse acontecido ou então pedia

apoio à mãe e a coisa ficava por aí.

Mas continuemos a nossa análise "por ser má fui infeliz", perguntamos nós, má? Nunca! Brincou

apenas e diríamos nós e bem!, a criança revela assim uma auto-regra disfuncional, incompatível

com as contingências, se...então. Não sendo esta auto-regra disfuncional suficiente leva a uma outra

conclusão "faço agora tudo quanto a mamã me diz", o que leva à ausência do pensamento crítico

das suas práticas, ou seja, da criança, que pode por equivalência de relações funcionais, coloca o

organismo a que se dá o nome de criança que no futuro será uma mulher ou um homem de por-se

nas mãos dos outros para que decidam da sua vida.


Deixo abaixo a letra da música, bem como o link da música. Boa análise. Cordiais Cumprimentos.

Jorge Fatia

Letra:

naquela linda manhã,

estava a brincar no jardim

a certa altura a mamã

chamou me e disse me assim

não brinques só a correr

tropeças sem querer

se cais ficas mal

respondi pronto está bem

depressa porém esqueci me de tal

não me lembro depois como foi

escorreguei caí no chão

no joelho ficou um doidoi

no nariz um arranhão

depois de então procurei ser melhor

por ser má fui infeliz

faço agora tudo quanto a mamã me diz


naquela linda manhã,

estava a brincar no jardim

a certa altura a mamã

chamou me e disse me assim

não brinques só a correr

tropeças sem querer

se cais ficas mal

respondi pronto está bem

depressa porém esqueci me de tal

não me lembro depois como foi

escorreguei caí no chão

no joelho ficou um doidoi

no nariz um arranhão

depois de então procurei ser melhor

por ser má fui infeliz

faço agora tudo quanto a mamã me diz.