Você está na página 1de 50

ÍNDICE

Motores Elétricos – Noções Fundamentais ................................................... 1


Características da Rede de Alimentação ..................................................... 10
Características de Aceleração ...................................................................... 16
Especificações de Motores Elétricos ........................................................... 19
Conjugado Motor............................................................................................ 22
Especificação de Motores para Ventiladores .............................................. 25
Especificação de Motores para Bombas...................................................... 30
Especificação de Motores para Transportadores Contínuos..................... 38
Especificação de Motores para Compressores........................................... 40
Especificação de Motores para Talhas ........................................................ 47

Bibliografia

- Manual WEG de Motores Elétricos


- Máquinas Elétricas
A.E.Fitzgerald / Charles Kingsley
Editora McGraw-Hill
- Bombas e Instalações de Bombeamento
Archibald Joseph Macintyre
Editora LTC
1

MOTORES ELÉTRICOS

NOÇÕES FUNDAMENTAIS

Motores Elétricos

Motor elétrico é a máquina destinada a transformar energia elétrica em


energia mecânica. É o mais usado de todos os tipos de motores, pois combina
as vantagens da utilização de energia elétrica - baixo custo, facilidade de
transporte, limpeza e simplicidade de comando - com sua construção simples,
custo reduzido, grande versatilidade de adaptação às cargas dos mais diversos
tipos e melhores rendimentos.
Os tipos mais comuns de motores elétricos são:

a) Motores de corrente contínua

São motores de custo mais elevado e, além disso, precisam de uma


fonte de corrente contínua, ou de um dispositivo que converta a corrente
alternada comum em contínua. Podem funcionar com velocidade ajustável
entre amplos limites e se prestam a controles de grande flexibilidade e
precisão. Por isso, seu uso é restrito a casos especiais em que estas exi-
gências compensam o custo muito mais alto da instalação.

b) Motores de corrente alternada

São os mais utilizados, porque a distribuição de energia elétrica é feita


normalmente em corrente alternada. Os principais tipos são:

− Motor síncrono: Funciona com velocidade fixa; utilizado somente


para grandes potências (devido ao seu alto custo em tamanhos
menores) ou quando se necessita de velocidade invariável.
− Motor de indução: Funciona normalmente com uma velocidade
constante, que varia ligeiramente com a carga mecânica aplicada ao
eixo. Devido a sua grande simplicidade, robustez e baixo custo, é o
motor mais utilizado de todos, sendo adequado para quase todos os
tipos de máquinas acionadas, encontradas na prática.

Conceitos Básicos

São apresentados a seguir os conceitos de algumas grandezas básicas,


cuja compreensão é necessária para melhor acompanhar as explicações das
outras partes deste manual.

Conjugado

O conjugado (também chamado torque, momento ou binário) é a medida


do esforço necessário para girar um eixo.

1
2

É sabido, pela experiência prática que, para levantar um peso por um


processo semelhante ao usado em poços de água, a força F que é preciso
aplicar à manivela depende do comprimento l da manivela. Quanto maior for a
manivela, menor será a força necessária.
Se dobrarmos o tamanho l da manivela, a força F necessária será
diminuída à metade.
No exemplo, se o balde pesa 20N e o diâmetro do tambor é 0,20 m, a
corda transmitirá uma força de 20N na superfície do tambor, isto é, a 0,10 m do
centro do eixo. Para contrabalançar esta força, precisam de 10N na manivela,
se o comprimento l for 0,20 m. Se l foi o dobro, isto é, 0,40 m, a força F será a
metade, ou seja 5N.
Como vemos, para medir o "esforço" necessário para fazer girar o eixo
não basta definir a força empregada: é preciso também dizer a que distância do
eixo a força é aplicada. O "esforço" é medido pelo conjugado, que é o produto
da força pela distância, F x l.
No exemplo citado, o conjugado vale:
C = 20N x 0,10m = 10N x 0,20m = 5N x 0,40m = 2,0 N.m,
As unidades utilizadas aqui são as do Sistema Internacional (SI), o qual
será utilizado neste manual.

C = F. l (N. m)

Energia e potência mecânica

A potência mede a "rapidez" com que a energia é aplicada ou


consumida. No exemplo anterior, se o poço tem 24,5 metros de profundidade, a
energia gasta ou trabalho realizado para trazer o balde do fundo até a boca do
poço é sempre a mesma, valendo 20N x 24,5 m = 490 Nm (note que a unidade
de medida de energia mecânica, Nm, é a mesma que usamos para o
conjugado - trata-se, no entanto, de grandezas de naturezas diferentes, que
não devem ser confundidas.

W = F. d (N. m)

OBS.: 1 Nm = 1 J = W. ∆ t

A potência exprime a rapidez com que a energia é aplicada e se calcula


dividindo a energia ou trabalho total pelo tempo gasto em realizá-lo. Assim, se
usarmos um motor elétrico capaz de erguer o balde de água em 2,0 segundos,
a potência necessária será:

490
P1 = = 245W
2,0
Se usarmos um motor mais potente, com capacidade de realizar o
trabalho em 1,3 segundos, a potência necessária será:

490
P1 = = 377 W
1,3

2
3

A unidade mais usual para medida de potência mecânica é o cv (cavalo-


vapor), equivalente a 736W. Então, as potências dos dois motores acima
serão:

245 1 377 1
P1 = = cv P1 = = cv
736 3 736 2

F⋅d
Pmec = (W)
t

como, 1 cv = 736W então,

F⋅d
Pmec = (cv)
736 ⋅ t

Para movimentos circulares

C=F.r (N. m)

π⋅d⋅n
v= (m/s)
60

F⋅ v
Pmec = (cv)
736
Onde:

C = conjugado em Nm
F = força em N
= braço de alavanca em m
r = raio da polia em m
v = velocidade angular em m/s
d = diâmetro da peça em m
n = velocidade em rpm

Energia e Potência Elétrica

Embora a energia seja uma coisa só, ela pode se apresentar de formas
diferentes. Se ligarmos uma resistência a uma rede elétrica com tensão,
passará uma corrente elétrica que irá aquecer a resistência. A resistência
absorve energia e a transforma em calor, que também é uma forma de energia.
Um motor elétrico absorve energia elétrica da rede e a transforma em energia
mecânica disponível na ponta do eixo.

Circuitos de Corrente Contínua

A "potência elétrica”, em circuitos de corrente contínua, pode ser obtida


através da relação da tensão (V), corrente (I) e resistência (R) envolvidas no
circuito, ou seja:

3
4

P=V.I (W)

ou,
V2
P= (W)
R

ou,
P = RI2 (W)

Onde: V = Tensão em volt


I = Corrente em ampère
R = Resistência em ohm
P = Potência média watt

a) Resistência

No caso de "resistências", quanto maior a tensão da rede, maior será a


corrente e mais depressa a resistência irá se aquecer. Isto quer dizer que a
potência elétrica será maior. A potência elétrica absorvida da rede, no caso da
resistência, é calculada multiplicando-se a tensão da rede pela corrente, se a
resistência (carga), for monofásica.

P=VxI (W)

No sistema trifásico a potência em cada fase da carga será Pf = Vf x lf,


como se fosse um sistema monofásico independente. A potência total será a
soma das potências das três fases, ou seja:

P = 3Pf = 3 x Vf x If

Lembrando que o sistema trifásico é ligado em estrela ou triângulo,


temos as seguintes relações:

Ligação estrela: VL = ν3 . Vf e IL = If

Ligação triângulo: VL = Vf e IL = ν3 . If

Assim, a potência total, para ambas as ligações, será:

P = ν3 × VL × IL (W)
OBS.:
Esta expressão vale para a carga formada por resistências, onde não há
defasagem da corrente.

b) Cargas Reativas

Para as "cargas reativas", ou seja, onde existe defasagem, como é o


caso dos motores de indução, esta defasagem tem que ser levada em conta e
a expressão fica:

4
5

P = ν3 x VL x IL x cos ϕ (W)

A unidade de medida usual para potência elétrica é o watt (W),


correspondente a 1 volt x 1 ampère, ou seu múltiplo, o quilowatt = 1000 watts.
Esta unidade também é usada para medida de potência mecânica.
A unidade de medida usual para energia elétrica é o quilowatt-hora
(kWh) correspondente à energia fornecida por uma potência de 1kW
funcionando durante uma hora – é a unidade que aparece, para cobrança, nas
contas de luz.

Potência Aparente, Ativa e Reativa

Potência Aparente ( S )
É o resultado da multiplicação da tensão pela corrente (S = V x 1 para
si«temas monofásicos e S = ν3 x VL x IL, para sistemas trifásicos). Corresponde
à potência real ou “potência ativa" que existiria se não houvesse defasagem da
corrente, ou seja, se a carga fosse formada por resistências. Então,

P
S= (V . A )
cos ϕ

ou

ν3 ⋅ VL ⋅ IL
S= (V. A)
cos ϕ

Evidentemente, para as cargas resistivas, cosϕ = 1 e a potência ativa se


confunde com a potência aparente.
A unidade de medida para potência é o volt-ampère (VA) ou seu
múltiplo, o quilo-volt-ampère (kVA).

Potência Ativa ( P )
É a parcela da potência aparente que realiza trabalho, ou seja, que é
transformada em energia.

P = ν3 x VL x IL x cosϕ (W)

ou,

P = S. cosϕ (W)

Potência reativa ( Q )
É a parcela da potência aparente que "não" realiza trabalho.
Apenas é transferida e armazenada nos elementos passivos
(capacitores e indutores) do circuito.

5
6

Q = ν3 . VL . IL sem ϕ (V. Ar)

ou,

Q = S . senϕ (V. Ar)

Triângulo de Potências

Triângulo de potências (carga indutiva)

Fator de Potência

O fator de potência, indicado por cosϕ, onde ϕ é o ângulo de defasagem


da tensão em relação à corrente, é a relação entre a potência real (ativa) P e a
potência aparente S.

P P(kW ) × 1000
cos ϕ = =
S ν3 × VL × IL

Assim,
− Carga Resistiva: cosϕ = 1
- Carga Indutiva: cosϕ atrasado
- Carga Capacitiva: cosϕ adiantado

Os termos, atrasado e adiantado, referem-se à fase da corrente em


relação à fase da tensão.

Rendimento

O motor elétrico absorve energia elétrica da linha e a transforma em


energia mecânica disponível no eixo. O rendimento define a eficiência com que
é feita esta transformação.
Chamando "Potência útil" Pu, a potência mecânica disponível no eixo e,
"Potência absorvida" Pa, a potência elétrica que o motor retira da rede, o
rendimento será a relação entre as duas, ou seja.

6
7

Pu ( W ) 736 × P (cv) 1000 × P (kW )


η= = =
Pa (W ) ν3 × VL ⋅ IL ⋅ cos ϕ ν3 × VL ⋅ IL ⋅ cos ϕ

ou

736 × P (cv)
η% = × 100
ν3 × VL ⋅ IL ⋅ cos ϕ

Relação entre unidade de potência

P (kW) = 0,736 P (cv) ou P(cv) = 1,359(kW)

Relação entre Conjugado e Potência

Quando a energia mecânica é aplicada sob a forma de movimento


rotativo, a potência desenvolvida depende do conjugado C e da velocidade de
rotação n. As relações são:

C (kgfm ) n (rpm) C (Nm) × n (rpm)


P (cv) = =
716 7024

C (kgfm ) n (rpm) C (Nm) × n (rpm)


P (kW) = =
974 9555

INVERSAMENTE

716 × P(cv) 974 × P (kW)


C (kgfm) = =
n (rpm) n (rpm)

7024 × P(cv) 9555 × P (kW)


C (Nm) = =
n (rpm ) n (rpm )

Motor de Indução Trifásico

O motor de indução trifásico é composto fundamentalmente de duas


partes: estator e rotor.

Estator

• Carcaça – é a estrutura suporte do conjunto, de construção robusta em


ferro fundido, aço ou alumínio injetado, resistente à corrosão e com aletas.
• Núcleo de chapas– as chapas são de aço magnético, tratadas
termicamente para reduzir ao mínimo as perdas no ferro.
• Enrolamento trifásico – três conjuntos iguais de bobinas, uma para cada
fase, formando um sistema trifásico ligado à rede trifásica de alimentação.

7
8

Rotor

• Eixo – transmite a potência mecânica desenvolvida pelo motor. É tratado


termicamente para evitar problemas como empenamento e fadiga.
• Núcleo de chapas – as chapas possuem as mesmas características das
chapas do estator.
• Barras e anéis de curto-circuito – são de alumínio fundidos sob pressão
numa única peça.

Outras partes do motor de indução trifásico:

• Tampas
• Ventilador
• Proteção do ventilador
• Caixa de ligação
• Placa de bornes
• Rolamentos

O objetivo deste manual é o "motor de gaiola", cujo rotor é constituído de


um conjunto de barras não isoladas e interligadas por anéis de curto-circuito.
O que caracteriza o motor de indução é que só o estator é ligado à rede
de alimentação. O rotor não é alimentado externamente e as corrente que
circulam nele, são induzidas eletromagneticamente pelo estator, donde o seu
nome de motor de indução.

Princípio de Funcionamento – campo girante

Quando uma bobina é percorrida por uma corrente elétrica, é criado um


campo magnético dirigido conforme o eixo da bobina e de valor proporcional à
corrente.

Velocidade Síncrona (nS)

A velocidade síncrona do motor é definida pela velocidade de rotação do


campo girante, a qual depende do número de pólos (2p) do motor e da
freqüência (f) da rede, em ciclos por segundo (hertz).
Os enrolamentos podem ser construídos com um ou mais pares de
pólos, que se distribuem alternadamente (um "norte" e um "sul") ao longo da
periferia do núcleo magnético.
O campo girante percorre um par de pólos (p) a cada ciclo. Assim, como
o enrolamento tem pólos ou p pares de pólos, a velocidade do campo será:

60 × f 120 × f
nS = = (rpm)
p 2p
Exemplos:

8
9

a) Qual a rotação síncrona de um motor de 6 pólos, 50Hz?

120 × 50
nS = = 1000 rpm
6

b) Motor de 12 pólos, 60Hz?

120 × 60
nS = = 600 rpm
12

Note que o número de pólos do motor terá que ser sempre par, para
formar os pares de pólos. Para as freqüências e "polaridades" usuais, as
velocidades síncronas são:

Tabela – Velocidades síncronas

Rotação síncrona por minuto


Nº de pólos
60 hertz 50 hertz
2 3.600 3.000
4 1.800 1.500
6 1.200 1.000
8 900 750

Para motores de "dois pólos", o campo percorre uma volta a cada ciclo.
Assim, os graus elétricos eqüivalem aos graus mecânicos.
Para motores com mais de dois pólos, teremos de acordo com o número
de pólos, um giro "geométrico" menor, sendo inversamente proporcional a 360°
em dois pólos.
Por exemplo: para um motor de seis pólos teremos, em um ciclo
completo, um giro do campo de 360° x 2/6 = 120° geométricos. Isto eqüivale,
logicamente, a 1/3 da velocidade em dois pólos. Conclui-se, assim, que:

Graus elétricos = Graus mecânicos x p

Escorregamento (s)

Se o motor gira a uma velocidade diferente da velocidade síncrona, ou


seja, diferente da velocidade do campo girante, o enrolamento do rotor "corta"
as linhas de força magnéticas do campo e, pelas leis do eletromagnetismo,
circularão nele correntes induzidas.
Quanto maior a carga, maior terá que ser o conjugado necessário para
acioná-la. Para obter o conjugado, terá que ser maior a diferença de
velocidades para que as correntes induzidas e os campos produzidos sejam
maiores. Portanto, à medida que a carga aumenta, cai a rotação do motor.
Quando a carga é zero (motor em vazio) o rotor girará praticamente com a
rotação síncrona. A diferença entre a velocidade do motor n e a velocidade
síncrona ns chama-se escorregamento s, que pode ser expresso em rpm, como
fração da velocidade síncrona, ou como porcentagem desta

9
10

nS − n nS − n
s (rpm) = n S − n ; s = ; s(%) = × 100
nS nS

Para um dado escorregamento s(%), a velocidade do motor será,


portanto

 s(%) 
n = n S × 1 − 
 100 

Exemplo: Qual o escorregamento de um motor de 6 pólos, 50Hz, se sua


velocidade é de 960rpm?

1000 - 960
s (%) = × 100
1000

s (%) = 4%

CARACTERÍSTICAS DA REDE DE ALIMENTAÇÃO

O sistema

No Brasil, o sistema de alimentação pode ser monofásico ou trifásico. O


sistema monofásico é utilizado em serviços domésticos, comerciais e rurais,
enquanto o sistema trifásico, em aplicações industriais, ambos em 60Hz.

Trifásico

As tensões trifásicas mais usadas nas redes industriais são:

− Baixa tensão: 220V, 380V e 440V


- Média tensão: 2300V, 4160V e 6600V

O sistema trifásico estrela de baixa tensão, consiste de três condutores


de fase (R, S, T) e o condutor neutro (N), sendo este, conectado ao ponto
estrela do gerador ou secundário dos transformadores.

Monofásicos

As tensões monofásicas padronizadas no Brasil são as de 115V


(conhecida como 110V),127V e 220V.
Os motores monofásicos são ligados à duas fases (tensão de linha V) ou
à uma fase e o neutro (tensão de fase Vf). Assim, a tensão nominal do motor
monofásico deverá ser igual à tensão V ou Vf do sistema.
Quando vários motores monofásicos são conectados ao sistema trifásico
(formado por três sistemas monofásicos), deve-se tomar o cuidado para
distribui-los de maneira uniforme, evitando-se assim, desequilíbrio entre as
fases.

10
11

Monofásico com retorno por terra – MRT

O sistema monofásico com retorno por terra – MRT -, é um sistema


elétrico em que a terra funciona como condutor de retorno da corrente de
carga. Afigura-se como solução para o emprego do monofásico a partir de
alimentadores que não têm o condutor neutro. Dependendo da natureza do
sistema elétrico existente e características do solo onde será implantado
(geralmente na eletrificação rural), tem-se:

a) Sistema monofilar

É a versão mais prática e econômica do MRT, porém, sua utilização só é


possível onde a saída da subestação de origem é estrela-triângulo

Sistema Monofilar

b) Sistema monofilar com transformador de isolamento

Este sistema possui algumas desvantagens além do custo do


transformador, como:

1) Limitação da potência do ramal à potência nominal do transformador de


isolamento:
2) Necessidade de reforçar o aterramento do transformador de isolamento,
pois na sua falta, cessa o fornecimento de energia para todo o ramal.

Sistema monofilar com transformador de isolamento

11
12

c) Sistema MRT na versão neutro parcial

É empregado como solução para a utilização do MRT em regiões de


solos de alta resistividade, quando se torna difícil obter valores de resistência
de terra dos transformadores dentro dos limites máximos estabelecidos no
projeto.

Sistema MRT na versão neutro parcial

Limitação da Corrente de Partida em Motores Trifásicos

Sempre que possível, a partida de um motor trifásico de gaiola, deverá


ser direta, por meio de contatores. Deve ter-se em conta que para um
determinado motor, as curvas de conjugado e correntes são fixas,
independente da dificuldade de partida, para uma tensão constante.
Nos casos em que a corrente de partida do motor é elevada podem
ocorrer as seguintes conseqüências prejudiciais:

a) elevada queda de tensão no sistema de alimentação da rede. Em função


disto, provoca a interferência em equipamentos instalados no sistema;

b) sistema de proteção (cabos, contatores) deverá ser superdimensionado,


ocasionando um custo elevado;

c) a imposição das concessionárias de energia elétrica que limitam a queda de


tensão da rede.

Caso a partida direta não seja possível, devido aos problemas citados
acima, rode-se usar sistema de partida indireta para reduzir a corrente de
partida.

Estes sistemas de partida indireta (tensão reduzida) são:

− chave estrela-triângulo
− chave compensadora
- chave série-paralelo
- resistor primário
- reator primário
- partida eletrônica (Soft Start)

12
13

Partida com chave estrela-triângulo ( Y - ∆)

É fundamental para a partida com a chave estrela-triângulo que o motor


tenha a possibilidade de ligação em dupla tensão, ou seja, em 220/380V, em
380/660V ou 440/760V. Os motores deverão ter no mínimo seis bornes de
ligação. A partida estrela-triângulo poderá ser usada quando a curva de
conjugados do motor é suficientemente elevada para poder garantir a
aceleração da máquina com a corrente reduzida. Na ligação estrela, a corrente
fica reduzida para 25 a 33% da corrente de partida na ligação triângulo.
Também a curva do conjugado é reduzida na mesma proporção. Por este
motivo, sempre que for necessário uma partida estrela-triângulo, deverá ser
usado um motor com curva de conjugado elevado. Os motores Weg, tem alto
conjugado máximo e de partida, sendo, portanto, ideais para a maioria dos
casos, para uma partida estrela-triângulo.
Antes de se decidir por uma partida estrela-triângulo, será necessário
verificar se o conjugado de partida será suficiente para operar a máquina. O
conjugado resistente da carga não poderá ultrapassar o conjugado de partida
do motor, nem a corrente no instante da mudança para triângulo poderá ser de
valor inaceitável. Existem casos onde este sistema de partida não pode ser
usado..

Corrente e conjugado para partida estrela-triângulo de um motor de gaiola acionando uma


carga com conjugado resistente Cr.
I∆ - corrente em triângulo
IY - corrente em estrela
CY - conjugado em estrela
C ∆ - conjugado em triângulo

13
14

Comparação entre chaves estrela-triângulo e compensadoras


“automáticas”

1) Estrela triângulo (automática)

Vantagens
a) A chave estrela-triângulo é muito utilizada por seu custo reduzido.
b) Não tem limite quanto ao seu número de manobras.
c) Os componentes ocupam pouco espaço.
d) A corrente de partida fica reduzida para aproximadamente 1/3

Desvantagens
a) A chave só pode ser aplicada a motores cujos seis bornes ou terminais
sejam acessíveis.
b) A tensão da rede deve coincidir com a tensão em triângulo do motor.
c) Com a corrente de partida reduzida para aproximadamente 1/3 da corrente
nominal, reduz-se também o momento de partida para 1/3.
d) Caso o motor não atingir pelo menos 90% de sua velocidade nominal, o
pico de corrente na comutação de estrela para triângulo será quase como
se tosse uma partida direta, o que se torna prejudicial aos contatos dos
contatores e não traz nenhuma vantagem para a rede elétrica.

2) Chave compensadora (automática)

Vantagens
a) No tap de 65% a corrente de linha é aproximadamente igual a da chave
estrela-triângulo, entretanto, na passagem da tensão reduzida para a
tensão da rede, o motor não é desligado e o segundo pico é bem reduzido,
visto que o auto-trafo por curto tempo se torna uma reatância.
b) É possível a variação do tap de 65 para 80% ou até para 90% da tensão da
rede, a fim de que o motor possa partir satisfatoriamente.

Desvantagens
a) A grande desvantagem é a limitação de sua freqüência de manobras. Na
chave compensadora automática é sempre necessário saber a sua
freqüência de manobra para determinar o auto-trafo de acordo.
b) A chave compensadora é bem mais cara do que a chave estrela-triângulo,
devido ao auto-trafo.
c) Devido ao tamanho do auto-trafo, a construção se torna volumosa,
necessitando quadros maiores, o que torna o seu preço elevado.

Partida com chave série-paralelo

Para partida em série-paralelo é necessário que o motor seja religável


para duas tensões, a menor delas igual a da rede e a outra duas vezes maior.
Este tipo de ligação exige nove terminais no motor e a tensão nominal
mais comum é 220/440V, ou seja: durante a partida, o motor é ligado na
configuração série até atingir sua rotação nominal e, então, faz-se a comutação
para a configuração paralelo.

14
15

Partida com resistor primário

Neste método de partida são colocados resistores em série com cada


uma das fases, provocando uma queda de tensão nos bornes do motor e
conseqüentemente, uma redução na corrente absorvida. Naturalmente, o
conjugado de partida também fica reduzido. Quando o motor está próximo de
sua velocidade nominal é ligado diretamente à rede. Este método de partida
melhora o fator de potência na partida, mas, possui o inconveniente de produzir
maior perda de energia nos próprios resistores. Na prática, é um método pouco
utilizado.

Partida com reator primário

Este método de partida é similar ao anterior, sendo inserida uma


reatância indutiva nas fases de alimentação. Tem-se com isso perdas menores,
maior fator de potência e torque máximo maior que no caso do resistor
primário. Porém, os reatores são mais caros, sendo utilizados, na prática,
apenas para partida de motores de grande potência e de média tensão (acima
de 600V).

Partida eletrônica (soft start)

O avanço da eletrônica permitiu a criação da chave de partida a estado


sólido, a qual consiste de um conjunto de pares de tiristores (SCR) (ou
combinações de tiristores/diodos), um em cada borne de potência do motor.
O ângulo de disparo de cada par de tiristores é controlado
eletronicamente para aplicar uma tensão variável aos terminais do motor
durante a "aceleração". Este comportamento é, muitas vezes, chamado de
"partida suave" (soft start). No final do período de partida, ajustável tipicamente
entre 2 e 30 segundos, a tensão atinge seu valor pleno após uma aceleração
suave ou uma rampa ascendente, ao invés de ser submetido a incrementos ou
"saltos" repentinos, como ocorre com os métodos de partida por
autotransformador, ligação estrela-triângulo, etc. Com isso, consegue-se
manter a corrente de partida (na linha) próxima da nominal e com suave
variação, como desejado.
Além da vantagem do controle da tensão (corrente) durante a partida, a
chave eletrônica apresenta, também, a vantagem de não possuir partes móveis
ou que gerem arco, como nas chaves mecânicas. Este é um dos pontos fortes
das chaves eletrônicas, pois sua vida útil é mais longa (até centenas de
milhões de manobras).
E importante lembrar, porém, que uma vida útil tão longa, tem pouco a
ver com o motor, o qual pode falhar bem mais cedo por questões que não tem
a ver com a partida.

Sentido de rotação de motores de indução trifásicos

Um motor de indução trifásico trabalhará em qualquer sentido


dependendo da conexão com a fonte elétrica. Para inverter o sentido de
rotação, inverte-se qualquer par de conexões entre motor e fonte elétrica.

15
16

Os motores Weg possuem ventilador bidirecional, proporcionando sua


operação em qualquer sentido de rotação, sem prejudicar a refrigeração do
motor.

CARACTERÍSTICAS DE ACELERAÇÃO

Conjugados

Curva Conjugado X Velocidade

Definição

Conforme foi explicado, o motor de indução tem conjugado igual a zero à


velocidade síncrona. Á medida que a carga vai aumentado, a rotação do motor
vai caindo gradativamente, até um ponto em que o conjugado atinge o valor
máximo que o motor é capaz de desenvolver em rotação normal. Se o
conjugado da carga aumentar mais, a rotação do motor cai bruscamente,
podendo chegar a travar o rotor. Representando num gráfico a variação do
conjugado com a velocidade para um motor normal, vamos obter uma curva
com o aspecto representado.

Co: Conjugado básico – é o conjugado calculado em função da potência


e velocidade síncrona ( ns).

716 × P (cv) 794 × P (kW)


Co (kgfm) = =
n S (rpm) n S (rpm)

7094 × P (cv) 9555 × P (kW)


Co (Nm) = =
n S (rpm) n S (rpm)

Cn: Conjugado nominal ou de plena carga – é o conjugado desenvolvido


pelo motor à potência nominal, sob tensão e freqüência nominais.
Cp: Conjugado com rotor bloqueado ou conjugado de partida ou, ainda,
conjugado de arranque – é o conjugado mínimo desenvolvido pelo motor
bloqueado, para todas as posições angulares do rotor, sob tensão e freqüência
nominais

Comentários

1) Esta definição leva em conta o fato de que o conjugado com rotor


bloqueado pode variar um pouco conforme a posição em que se trava o
motor.
2) Este conjugado pode ser expresso em Nm ou, mais comumente, em
percentagem do conjugado nominal.

Cp (Nm)
Cp (%) = × 100
Cn (Nm)

16
17

3) Na prática, o conjugado de rotor bloqueado deve ser o mais alto possível,


para que o rotor possa vencer a inércia inicial da carga e possa acelerá-la
rapidamente, principalmente quando a partida é com tensão reduzida.

Na curva abaixo destacamos e definimos alguns pontos importantes. Os


valores dos conjugados relativos a estes pontos são especificados pela norma
NBR 7094 da ABNT, e serão apresentados a seguir:

Curva conjugado x rotação

Cmin: Conjugado mínimo – é o menor conjugado desenvolvido pelo


motor ao acelerar desde a velocidade zero até a velocidade correspondente ao
conjugado máximo.
Na prática, este valor não deve ser muito baixo, isto é, a curva não deve
apresentar uma depressão acentuada na aceleração, para que a partida não
seja muito demorada, sobreaquecendo o motor, especialmente nos casos de
alta inércia ou partida com tensão reduzida.
Cmáx: Conjugada máximo – é o maior conjugado desenvolvido pelo
motor, sob tensão e freqüência nominais, sem queda brusca de velocidade.
Na prática, o conjugado máximo deve ser o mais alto possível, por duas
razões principais:

1) O motor deve ser capaz de vencer, sem grandes dificuldades, eventuais


picos de carga como pode acontecer em certas aplicações, como em
britadores, calandras, misturadores e outras.
2) O motor não deve arriar, isto é, perder bruscamente a velocidade, quando
ocorrem quedas de tensão, momentaneamente, excessivas.

17
18

Características dos motores Weg

Embora os motores Weg sejam, na sua maioria, declarados como


pertencendo à categoria N, a exemplo da maioria dos motores encontrados no
mercado, os valores reais típicos dos conjugados excedem em muito os
valores exigidos em norma. Na maioria dos casos excedem até mesmo, os
mínimos exigidos para a categoria H. Isto significa uma curva conjugado X
velocidade bastante alta, trazendo as seguintes vantagens:

1) Rápida aceleração em caso de partida pesada, como bombas de pistão,


esteiras carregadas, cargas de alta inércia, compressores com válvulas
abertas, etc.
2) Atendimentos de casos especiais, com motores padrão de estoque, com
vantagens de preço, prazo e entrega.
3) Permitem o uso de sistemas de partida com tensão reduzida, como chaves
estrela-triângulo, em casos normais, sem prejuízo da perfeita aceleração da
carga.
4) Devido ao elevado valor do conjugado máximo, enfrentam, sem perda
brusca de rotação, os picos momentâneos de carga e as quedas de tensão
passageiras. Isto é fundamental para o acionamento de máquinas sujeitas a
grandes picos de carga, como britadores, calandras, etc.

Inércia da carga

O momento de inércia da carga acionada é uma das características


fundamentais para verificar, através do tempo de aceleração, se o motor
consegue acionar a carga dentro das condições exigidas pelo ambiente ou pela
estabilidade térmica do material isolante.
Momento de inércia é uma medida da resistência que um corpo oferece
a uma mudança em seu movimento de rotação em torno de um dado eixo.
Depende do eixo em torno do qual ele está girando e, também, da forma do
corpo e da maneira como sua massa está distribuída. A unidade do momento
de inércia é kgm2.

Tempo de aceleração

Para verificar se o motor consegue acionar a carga, ou para dimensionar


uma instalação, equipamento de partida ou sistema de proteção, é necessário
saber o tempo de aceleração (desde o instante em que o equipamento é
acionado ate ser atingida a rotação nominal).
O tempo de aceleração pode ser determinado de maneira aproximada
pelo conjugado médio de aceleração.

18
19

ESPECIFICAÇÕES DE MOTORES ELÉTRICOS

CARACTERÍSTICAS DA CARGA ACIONADA

Potência Nominal do Motor

Quando se deseja escolher um motor para acionar uma determinada


carga, é preciso se conhecer o conjugado requerido pela carga e a rotação que
essa carga deve ter em condições nominais. Conhecendo-se também o tipo de
acoplamento é possível saber qual é a rotação nominal do motor.
Portanto a potência nominal do motor é dada por:

Pn = 2 πn Cn

Onde: Pn = Potência nominal do motor em (WATT)


Cn = Conjugado nominal do motor em (mN)
n = rotação nominal do motor em (rps)

Na equação acima considerou-se que o conjugado requerido pela carga


é igual ao conjugado nominal do motor. Essa consideração só é verdadeira
para acoplamento direto.
Quando o acoplamento for com redução de velocidade, o conjugado
requerido pela carga deve ser referido ao eixo do motor, da seguinte maneira:

1 nC
Cn = C cn
ηac n

Onde: nc = Rotação da carga em (rps)


Ccn = Conjugado nominal da carga em (mN)
ηac = rendimento do acoplamento

O rendimento do acoplamento é definido por:

Pc
ηac =
Pn

Onde: Pc = Potência transmitida à carga em (WATT)

Na tabela a seguir pode ser observado o rendimento para alguns tipos


de acoplamentos:

19
20

Rendimento de acoplamento

TIPO DE ACOPLAMENTO FAIXA DE RENDIMENTO EM (%)


DIRETO 100
EMBREAGEM ELETROMAGNÉTICA 87-98
POLIA COM CORREIA PLANA 95-98
POLIA COM CORREIA V 97-99
ENGRENAGEM 96-99
RODA DENTADA (CORREIA) 97-98
CARDÃ 25-100
ACOPLAMENTO HIDRAÚLICO 100

OBSERVAÇÃO:

Potência normalmente é expressa em kw que é um múltiplo do WATT.

Portanto: 1 kw = 1000w

Uma outra unidade de potência muito usada na prática é o Cavalo Vapor (CV).
A relação entre CV e kw é mostrado abaixo:

1CV = 0,736kw

Conjugado Resistente da Carga

O conjugado requerido pela carga é denominado “CONJUGADO


RESISTENTE DA CARGA”.
O conjugado resistente depende do tipo de carga. Porém todos podem
ser representados pela expressão:

Cc = Co + Kc nx

Onde: Cc = conjugado resistente da carga em (mN)


Co = conjugado da carga para rotação zero (mN)
Kc = CONSTANTE que depende da carga
x = parâmetro que depende da carga. Pode assumir valores –1, 0, 1, 2.

De acordo com a equação percebe-se que o conjugado da carga varia


com a rotação n. Esta variação depende do parâmetro x.
De acordo com o parâmetro x a carga pode ser classificada em quatro
grupos:

1º - Conjugado Constante (x = 0)

Para este tipo de carga o parâmetro x é zero (x = 0).

20
21

Portanto: Cc = Co + kc = CONSTANTE

Nas máquinas desse tipo, o conjugado permanece constante durante a


variação de velocidade e a potência aumenta proporcionalmente com a
velocidade. Logo:

Pc = k . n*

k = constante que depende da carga.

Este caso está mostrado na figura abaixo

Exemplos de cargas com conjugado constante:

− Compressores a Pistão - Bombas a Pistão


− Talhas - Britadores
− Guindastes - Transportadores Contínuos

2º - Conjugado linear (x = 1)

Neste grupo de carga o parâmetro é igual a 1 (x = 1)

Então: Cc = Co + kcn = Linear

Nestes tipos de máquina o conjugado varia linearmente com a rotação e


a potência com o quadrado da rotação.

Portanto: Pc = Con + kn2

21
22

Inércia da Carga

O momento de inércia da carga acionada é uma das características


fundamentais para o estudo da aplicação do motor elétrico. Tanto o momento
do motor como da carga afetam o tempo de aceleração do motor. O momento
de inércia é a grandeza que mede a “resistência” que um corpo oferece à uma
mudança em seu movimento de rotação em torno de um dado eixo. Depende
do eixo de rotação, da forma do corpo e da maneira como sua massa é
distribuída.
A unidade do momento de inércia no sistema SI é o kgm2.
O momento de inércia de uma máquina que tem rotação diferente da do
motor deverá ser referida a rotação do motor, conforme expressão:

2
n 
Jce = Jc  c 
 n 

Onde: Jce = Momento de inércia da carga referido ao eixo do MOTOR


em kgm2
Jc = Momento de inércia da carga em kgm2

A inércia total vista pelo motor será: Jt = Jm + Jce

OBSERVAÇÃO:

Uma grandeza muito usada para medir o momento de inércia é o


“Momento de IMPULSÃO”, conhecido como o GD2 da carga. É expresso em
kgfm2. Sua relação com momento de inércia é dado por:

GD 2
J=
4

CONJUGADO MOTOR

Curva Conjugado x Velocidade

O motor de indução tem conjugado igual a zero à velocidade síncrona. À


medida que a carga vai aumentando, a rotação do motor vai caindo
gradativamente, até um ponto em que o conjugado atinge o valor máximo que
o motor é capaz de desenvolver, em rotação normal. Se o conjugado da carga
aumentar mais, a rotação do motor cai bruscamente, podendo chegar a travar
o rotor.
Representando num gráfico a variação do conjugado com a velocidade
para um motor normal vamos obter uma curva com o aspecto representado na
figura abaixo”:

22
23

Nesta curva vamos destacar e definir alguns pontos importantes: os


valores dos conjugados relativos a estes pontos são especificados pela norma
(NBR 7094 da ABNT) e serão apresentados a seguir:

1º. Conjugado Básico (Cb)

É o conjugado calculado em função da potência e velocidade síncrona.

Pn
Cb =
2πn s

Onde: Cb = Conjugado base em (mN)


ns = rotação síncrona em (rps)

2º. Conjugado Nominal ou de Plena Carga (Cn)

É o conjugado desenvolvido pelo motor à potência nominal, sob tensão


e freqüência nominais.

Pn
Cn =
2πn

Onde: Cn = Conjugado Nominal em (mN)


n = Rotação Nominal em (rps)

3º. Conjugado com Rotor Bloqueado (Cp)

Também denominado “CONJUGADO DE PARTIDA” ou “CONJUGADO


DE ARRANQUE”. É o conjugado mínimo desenvolvido pelo motor com rotor
bloqueado. O valor do conjugado de partida depende do projeto do motor e
normalmente é encontrado no catálogo ou na Folha de Dados do motor.
O conjugado de partida pode ser expresso em mN ou mais comumente
em porcentagem do conjugado nominal, ou seja:

23
24

C p (mN )
Cp = ⋅ 100
C n (mN )

OBSERVAÇÃO: Na prática, o conjugado de rotor bloqueado deve ser o


mais alto possível para que o motor possa vencer a inércia inicial da carga e
possa acelerá-la rapidamente, principalmente quando a partida é com tensão
reduzida.

4º. Conjugado Mínimo (Cmin)

É o menor conjugado desenvolvido pelo motor ao acelerar desde a


velocidade zero até a velocidade correspondente ao conjugado máximo.
Na prática, este valor não deve ser muito baixo, isto é, a curva não deve
apresentar uma depressão acentuada na aceleração, para que a partida não
seja muito demorada, sobreaquecendo o motor, especialmente nos casos de
alta inércia ou partida com tensão reduzida.
O conjugado mínimo também pode ser expresso em (mN) ou em
porcentagem do conjugado nominal.

5º. Conjugado Máximo (Cmáx)

É o maior conjugado desenvolvido pelo motor, sob tensão e freqüência


nominais, sem queda brusca de velocidade.
Na prática, o conjugado máximo deve ser o mais alto possível, por duas
razões principais:

a) O motor deve ser capaz de vencer, sem grande transtorno, eventuais picos
de carga como pode acontecer em certas aplicações, como em britadores,
calandras, misturadores e outras.
b) O motor não deve arriar isto é, perder bruscamente a velocidade quando
ocorrem quedas de tensão excessivas momentaneamente.

O conjugado máximo normalmente é expresso em porcentagem do


conjugado nominal.

Categorias

Conforme as suas características de conjugado em relação à velocidade


e corrente de partida, os motores de indução trifásico com rotor de gaiola são
classificados em categorias, cada uma adequada a um tipo de carga.
Estas categorias são definidas em norma, e são as seguintes:

Categoria N – Conjugado de partida normal, corrente de partida normal, baixo


escorregamento. Constituem a maioria dos motores encontrados no mercado e
prestam-se ao acionamento de cargas normais, como bombas, máquinas
operatrizes.
Categoria H – Conjugado de partida alto, corrente de partida normal; baixo
escorregamento. Usados para cargas que exigem maior conjugado na partida,
como peneiras, transportadores carregadores, cargas de alta inércia, etc.

24
25

Categoria D – Conjugado de partida alto, corrente de partida normal; alto


escorregamento (mais de 5%). Usados em prensas excêntricas e máquinas
semelhantes, onde a carga apresenta picos periódicos. Usados também em
elevadores e cargas que necessitam de conjugados de partida muito altos e
corrente de partida limitada.

ESPECIFICAÇÃO DE MOTORES PARA VENTILADORES

VENTILADORES

Definição

Ventiladores são máquinas rotativas capazes de aumentar a energia de


um fluído pelo aumento da pressão estática e cinética.
Os ventiladores são geralmente classificados em função da direção do
fluxo do fluído através da roda. Nestas condições pode-se ter os seguintes
tipos.

Ventiladores de Fluxo Axial

O fluxo através do aparelho é paralelo ao eixo principal do ventilador.


Podem ser subdivididos em três grupos:

1. Propeler: São ventiladores constituídos apenas por uma única hélice ou


montados em uma chapa ou em anel de venture. Usados normalmente para
aplicações em baixas pressões. Alcançam seu maior rendimento quando
trabalham em fluxo livre.
2. Tubo axial: São ventiladores propeler enclausurados em um cilindro o qual
coleta e dirige o fluxo de ar.
3. Vane axial: São ventiladores do tipo propeler. Apresentam adicionalmente
palhetas diretrizes a montante, a jusante, ou a ambos do rotor (hélice) são
utilizados em médias e altas pressões.

Ventiladores Centrífugos

Nestes ventiladores, o ar entra no rotor numa direção axial e sai


tangencialmente sendo coletado por uma carcaça espiralada. A formação de
pressão é devida a três causas principais.

− Força centrífuga, criada pela rotação do ar entre as pás.


− Energia cinética comunicada ao ar pelas pás.
− Alargamento dos canais.

Os ventiladores centrífugos podem apresentar, basicamente, três tipos


de pás:

− Pás voltadas para trás;


− Pás radiais;
− Pás inclinadas para frente.

25
26

Os ventiladores com pás radiais têm construções simples e velocidades


médias. Têm funcionamento estável, isto é, a curva de pressão não possui o
fundamento a esquerda do ponto de pressão máxima.
Os ventiladores com pás voltadas para trás não estão sujeitos a
sobrecargas, isto é, a potência não aumenta quando funciona com o fluxo livre.
Apresentam funcionamento estável.
Os ventiladores com pás voltadas para frente operam, em baixas
velocidades na obtenção de pressão.

CRITÉRIOS PARA SELECIONAR O MOTOR QUE IRÁ ACIONAR O


VENTILADOR

As características do local a onde o motor irá trabalhar são fatores


importantes na seleção do motor, e portanto, devem ser conhecidos
previamente. São eles:

Características da Rede de Alimentação

a) Tensão de alimentação do motor (e dos aquecedores internos)


b) Freqüência nominal em Hz
c) Método de Partida (quando esta informação não for fornecida, será
considerado como partida direta)

Características do Ambiente

a) Altitude
b) Temperatura Ambiente
c) Atmosfera Ambiente

Quando não são informados valores de altitude e temperatura serão


considerados valores de normas, ou seja, 1000m e 40 º C.

Características Construtivas

a) Forma construtiva
b) Potência
c) Rotação (n) em rps
d) Proteção Térmica
e) Sentido de rotação (olhando-se pelo lado do acionamento)

Características do Ventilador

a) Vazão (Q) em m3/s


b) Pressão total (p) em N/m2
c) Rotação (nc) em rps
d) Momento de inércia do ventilador (Jc) em kgm2
e) Curva de conjugado x rotação do ventilador
f) Dados do Acoplamento
g) Esforços radiais e/ou axiais (se existirem)

26
27

DETERMINAÇÃO DA VELOCIDADE DO MOTOR

Além do rendimento (nac) do acoplamento, o fator de redução (R) é um


fator muito importante que deve ser conhecido.
O fator de redução (R) de um acoplamento é normalmente definido
como sendo a relação entre a rotação de saída e de entrada, ou seja:

nc
R=
n

Onde nc representa a rotação de saída do redutor que é a rotação do


ventilador e n a rotação de entrada que é a rotação do motor. POR EXEMPLO,
quando se diz que a redução é de 1:2 significa que R = 0,5. Portanto.

n = 2nc

Então conhecendo-se a velocidade (nc) do ventilador e o fator de


redução do acoplamento é possível obter a velocidade do motor:

nc
n=
R

Como a rotação síncrona (ns) em rps é dada por:

f
ns =
p

Onde f é a freqüência da rede dada em Hz e p pares de pólos.


Analisando estes dois últimos tópicos, podemos obter a polaridade do
motor.

POTÊNCIA NOMINAL OU DE SERVIÇO DO MOTOR (PN)

Para se determinar a potência absorvida pelo ventilador existem duas


maneiras:

1º. Conhecendo a vazão (q) e pressão total (p) do ventilador.

Sendo a vazão (Q) dada em m3/s e a pressão total (p) em N/m2 a


potência requerida pelo ventilador em kw é dada por:

pQ
PV = 10 −3 ⋅
nv

Onde nv representa o rendimento do ventilador.

27
28

OBSERVAÇÃO

a) Se a pressão total for dada em mmH2O temos:

1mmH2O = 9,81 N/m2

b) Se a pressão total for dada em atmosferas temos:

1atm = 10,33mH2O = 76cmHg ≅ 105 N/m2

c) É mostrado a seguir algumas faixas de rendimento (nv) de


ventiladores.

0,5 < nv < 0,8 = Para ventilador cuja pressão total seja maior que 400mmH2O
0,35 < nv < 0,5 = Para ventiladores cuja pressão total varia de 100 até 400mmH2O
0,2 < n2 < 0,35 = Para ventiladores cuja pressão total seja menor que 100mmH2O

2º. Conhecendo–se o conjugado (ccn) nominal do ventilador

Seja o conjugado (Ccn) dado em mN e a rotação (nc) do ventilador dado


em rps, a potência requerida pelo ventilador em kw é dado por:

Pv = 10-3 . 2πnc . Ccn

Portanto a potência nominal do motor (Pn) em kw é dado por:

Pv
Pn =
n ac

TEMPO DE ACELERAÇÃO (ta)

Para o cálculo do tempo de aceleração é necessário que se conheça a


curva de conjugado x rotação do motor.
Na figura a seguir as curvas características de um ventilador.
Na condição A o ventilador parte com registro aberto e na condição F o
ventilador parte com registro fechado.
A condição F é favorável ao motor na partida porque a curva de
conjugado é mais baixa. Isto implica num tempo de aceleração menor.

28
29

Como o ventilador apresenta conjugado quadrático, este pode ser


calculado pela expressão

Cc = Co + kcnv2

O conjugado Co é obtido diretamente da curva. Quando a curva não é


conhecida pode-se tomar Co como sendo um valor compreendido entre 10% e
20% do conjugado nominal.
O valor da constante kc vai depender em que condição o ventilador
parte.

C cn ( A ) − C 0
Condição A kc =
n c2

C cn (F) − C 0
Condição F kc =
n c2

Onde a rotação é dada em (rps) e os conjugados em (m. N).


O conjugado médio (Ccmed) do ventilador em (mN) é obtido pela
expressão:

1
C cmed = C 0 + k c n c2
3
O conjugado resistente médio (CRmed) do ventilador em (mN) referido ao
eixo do motor é dado por:

29
30

CRmed = R . Ccmed

Para acionar um ventilador em condições normais o motor pode ser


CATEGORIA N.
Para motores de categoria N o conjugado motor médio (CMmed) em (mN)
é obtido pela expressão

 Cp C máx . 
C Mmed = 0,45  +  ⋅ Cn ⋅ 9,81
 Cn Cn 

 Cp  C 
O conjugado de partida   , máxima  máx  e o conjugado nominal
 Cn   Cn 
(Cn) são obtidos do catálogo de motores ou da folha de dados do motor. O
conjugado nominal é expresso em kgfm. O CMmed é obtido em mN.
Finalmente o tempo de aceleração em (s) é obtido a partir da expressão:

 JM + Jce 
t a = 2πn 
 C Mmed − CRmed 

Onde JM é o momento de inércia do motor e Jce é o momento de inércia


do ventilador referido ao eixo do motor

ESPECIFICAÇÃO DE MOTORES PARA BOMBAS

BOMBAS

Definição

São máquinas destinadas a fornecer energia hidráulica ao líquido, a


partir de uma fonte externa, no caso motor, com o fim de promover o seu
deslocamento.
As bombas podem ser classificadas como:

a) Bombas de deslocamento positivo:

Essas bombas são usadas para o bombeamento de fluídos com


viscosidade maior que a da água, como por exemplo óleo.

b) Bombas rotativas dinâmicas:

São utilizadas para o bombeamento de água e podem ser divididos em:

b.1. Radial ou centrífuga: O sentido do maior fluxo de fluído no interior


do rotor é radial. São de pressão alta e utilizados para grandes alturas de
elevação. Possuem baixa vazão.

30
31

b.2. Helicoidal ou misto: O sentido do fluxo do fluído no interior do rotor


se dá de dois modos: sentido radial e sentido axial. São bombas de média
pressão e de média vazão.

b.3. Axial: A maior parte do fluxo de fluído no interior do rotor se dá no


sentido axial. As bombas axiais são de baixa pressão e alta vazão. São
utilizadas para pequenas alturas de elevação.
As bombas rotativas quanto a posição de sei eixo podem ser:
horizontais, verticais ou inclinados.

CRITÉRIOS PARA SELECIONAR O MOTOR QUE IRÁ ACIONAR A BOMBA

Características da rede de alimentação

a) Tensão de alimentação do motor (e dos aquecedores internos)


b) Freqüência nominal em Hz
c) Método de Partida (quando esta informação não for fornecida, será
considerado como partida direta)

Características do Ambiente

a) Altitude
b) Temperatura Ambiente
c) Atmosfera Ambiente

Quando não são informados valores de altitude e temperatura serão


considerados valores de normas, ou seja, 1000m e 40 º C.

Características Construtivas

a) Forma construtiva
b) Potência
c) Rotação (n) em rps
d) Proteção Térmica
e) Sentido de rotação (olhando-se pelo lado do acionamento)

Características da Bomba

a) Vazão (Q) em m3/s


b) Pressão total (p) em N/m2
c) Altura manométrica (h) em m
d) Rotação (nc) em rps
e) Momento de inércia da bomba (Jc) em kgm2
f) Curva de conjugado x Rotação da bomba
g) Dados do acoplamento
h) Esforços radiais e/ou axiais (se existirem)
i) Massa específica do fluído (p) em kg/m3

31
32

DETERMINAÇÃO DA VELOCIDADE DO MOTOR

Além do rendimento (nac) do acoplamento, o fator de redução (R) é um


fator muito importante que deve ser conhecido.
O fator de redução (R) de um acoplamento é normalmente definido
como sendo a relação entre a rotação de saída e de entrada, ou seja:

nc
R=
n

Onde nc representa a rotação de saída do redutor que é a rotação do


ventilador e n a rotação de entrada que é a rotação do motor. POR EXEMPLO,
quando se diz que a redução é de 1:2 significa que R = 0,5. Portanto.

n = 2nc

Então conhecendo-se a velocidade (nc) do ventilador e o fator de


redução do acoplamento é possível obter a velocidade do motor:

nc
n=
R

Como a rotação síncrona (ns) em rps é dada por:

f
ns =
p

Onde f é a freqüência da rede dada em Hz e p pares de pólos.


Analisando estes dois últimos tópicos, podemos obter a polaridade do
motor.

POTÊNCIA NOMINAL OU DE SERVIÇO DA BOMBA (Pn)

Para se determinar a potência absorvida pela bomba existem três


maneiras:

1º. Conhecendo-se a vazão (q) e a pressão total (p) da bomba


Sendo a vazão (Q) dada em m3/s e a pressão total (p) em N/m3 a
potência requerida pela bomba em (kw) é dada por:

p⋅Q
Pb = 10 −3 ⋅
nb

Onde nb representa o rendimento da bomba.


É mostrado a seguir algumas faixas de rendimento (nb) da bombas:

PARA BOMBAS DE PISTÃO 0,75 < nb < 0,85


PARA BOMBAS CENTRÍFUGAS 0,45 < nb < 0,75

32
33

2º. Conhecendo-se a vazão (q) e a altura manométrica (h) da bomba

Sendo a vazão dada em m3/s e a altura manométrica (h) em m, a


potência requerida pela bomba em (kw) é dada por:

Q⋅p ⋅ g⋅h
Pb = 10 −3 ⋅
nb

Onde p é a massa específica do fluído dado em kg/m3 e g é a


aceleração da gravidade local dado em m/s2.

3º. Conhecendo-se o conjugado (Ccn_) nominal da bomba

Sendo o conjugado (Ccn) dado em mN e a rotação (nc) da bomba em rps,


a potência requerida pela bomba em (kw) é dado por:

Pb = 10-3 . 2π . nc . Ccn

Portanto a potência nominal do motor (Pn) em kw é dada por:

Pb
Pn =
Nac

TEMPO DE ACELERAÇÃO (ta)

Considera-se apenas as bombas centrífugas que apresentam curva de


conjugado x rotação parabólico, análogo a ventiladores centrífugos.
As bombas a pistão que apresentam conjugado constante são análogas
a compressores a pistão.
Para o cálculo do tempo de aceleração é necessário que se conheça a
curva de conjugado x rotação da bomba. Na figura a seguir temos a curva
característica de uma bomba centrífuga.
Dessa curva pode-se determinar o conjugado de partida e o conjugado
nominal.
O conjugado é dado pela expressão:

Cc = Co + kcnb2

33
34

O conjugado Co é obtido diretamente da curva. Quando a curva não é


conhecida pode-se tomar Co como sendo um valor compreendido entre 10% a
20% do conjugado nominal.
A constante kc é dada por:

C cn − C 0
kc =
n c2

O conjugado médio (Ccmed) da bomba em (mN) é obtido pela expressão:

1
C cmed = C 0 + k c n c2
3

O conjugado resistente médio (CRmed) da bomba em (mN) referido ao


eixo do motor é dado por:

CRmed = R x Ccmed (10.5.4)

Para acionar uma bomba centrífuga em condições normais o motor pode


ser CATEGORIA N.
Para motores de categoria N o conjugado motor médio (Ccmed) em (mN)
é obtido pela expressão

 Cp C máx . 
C Mmed = 0,45  +  ⋅ Cn ⋅ 9,81
 Cn Cn 

34
35

 Cp  C 
O conjugado de partida   , máxima  máx  e o conjugado nominal
 Cn   Cn 
(Cn) em kgfm, são obtidos do catálogo de motores ou da folha de dados do
motor. O conjugado nominal (Cn) é expresso em kgfm. O CMmed é obtido em
mN.
Portanto o tempo de aceleração em (s) é obtido a partir da expressão

 JM + Jce 
t a = 2πn 
 C Mmed − CRmed 

Onde JM é o momento de inércia do motor e Jce é o momento de inércia


do ventilador referido ao eixo do motor

EXEMPLOS

Deseja-se saber que motor deve ser acoplado a uma bomba que
apresenta as seguintes características:

1. Características da rede de alimentação


a) U = 440 Volts
b) f = 60Hz
c) Partida Direta

2. Característica do ambiente

a) Atmosfera limpa (normal)

3. Características construtivas

a) Horizontal
b) Proteção Térmica para classe F
c) Sentido de rotação horário

4. Características da bomba

a) Ccn = 500 mN
b) Nc = 1750 rpm
c) Jc = 6 kgm2
d) Acoplamento direto
e) Curva de conjugado x rotação (a seguir)

35
36

SOLUÇÃO

a) Velocidade do Motor (n)


Como o acoplamento é direto temos R = 1, logo:

n c 1750
n= = = 1750 rpm
R 1

ou n = 29,17 rps

b) Potência Nominal do Motor (Pn)

A potência requerida pela bomba é obtida da expressão::

Pb = 10-3 . 2 . π . 29,17 . 500

Pb = 92 kw

ou Pb = 125 cv

Escolhemos o motor de 90kw ou 125cv que é normal de catálogo.

c) Conjugado Resistente Médio (CRmed)

O conjugado Co é obtido diretamente da curva.

36
37

Co = 0,12 x 500

Co = 60 mN

A constante kc é obtida da expressão:

500 − 60
kc =
29,17

Kc = 0,517

Como R = 1, obtemos o conjugado resistente médio:

1
CRmed = CCmed = 60 + . 0,517 . (29,17)2
3

CRmed = 206,6 mN

d) Conjugado Motor Médio (CMed)

Para o motor de 90 kw 4 pólos do catálogo, temos:

Cn = 50 kgfm
Cp/Cn = 2,2
Cmáx/Cn = 2,3

O conjugado motor médio é obtido a partir de:

CMmed = 0,45 (2,2 + 2,3) . 50. 9,81

CMmed = 993 mN

e) Tempo de Aceleração (ta)

O momento de inércia do motor é obtido do catálogo.

Jm = 2,10 kgm2

Como o acoplamento é direto temos:

Jce = Jc = 6 kgm2

Logo o tempo de aceleração é obtido:

2,10 + 6,0
Ta = 2 . π . 29,67 .
93 − 206,6

37
38

Ta = 1,92 s ≅ 2 s

Do catálogo obtemos o tempo de rotor bloqueado:

Tb = 12 s

Como ta < trb o motor está apto para acionar a bomba.

f) Especificação do Motor

− Motor Trifásico de Gaiola


− Potência 90 kw
− Tensão 440 Volt
− Freqüência 60 Hz
− 4 Pólos
− Classe de isolação F
− Proteção IP 54
− Forma construtiva B3E
− Categoria N.

ESPECIFICAÇÃO DE MOTORES PARA TRANSPORTADORES CONTÍNUOS

TRANSPORTADORES CONTÍNUOS

Considerações

Os sistemas de transportadores contínuos proporcionam a possibilidade


de despachar grandes quantidades de material ou mercadoria num tempo
reduzido por um percurso fixo de transporte.;
Os transportadores contínuos podem ser de vários tipos: transportador
horizontal, vertical em trechos retos, angulares e curvos.
Segundo a DIN, os transportadores são classificados como:
transportadores para mercadoria a granel; transportadores para mercadoria a
granel e a volume; transportadores de mercadoria em volume.

CRITÉRIOS PARA SELECIONAR O MOTOR QUE IRÁ ACIONAR O


TRANSPORTADOR

Características da rede de alimentação

a) Tensão de alimentação do motor (e dos aquecedores internos)


b) Freqüência nominal em Hz
c) Método de Partida (quando esta informação não for fornecida, será
considerado como partida direta)

38
39

Características do Ambiente

a) Altitude
b) Temperatura Ambiente
c) Atmosfera Ambiente

Quando não são informados valores de altitude e temperatura serão


considerados valores de normas, ou seja, 1000m e 40 º C.

Características Construtivas

a) Forma construtiva
b) Potência
c) Rotação (n) em rps
d) Proteção Térmica
e) Sentido de rotação (olhando-se pelo lado do acionamento)

Características do Transportador

a) Velocidade da Correia (m/s)


b) Comprimento da Correia (m)
c) Largura da Correia (m)
d) Altura da Elevação (m)
e) Carga (t/h)
f) Momento de Inércia da Correia (kgm2)
g) Momento de Inércia da Carga (kgm2)
h) Conjugado da Carga (mN)
i) Diâmetro do Tambor de Acionamento (m)
j) Dados do Acoplamento
k) Esforços Radiais e/ou axiais (se existirem)

DETERMINAÇÃO DA VELOCIDADE DO MOTOR

Conhecendo-se a velocidade da correia (Vc) e o diâmetro do tambor de


acionamento (Dc) é possível calcular a rotação do tambor (nc) em rps, por:

Vc
nc =
πD c

Na expressão acima o diâmetro Dc é dado em metros.


Se o fator de redução (R) do acoplamento for conhecido então a rotação
do motor é dada por:

nc
n=
R

39
40

Conhecendo-se a rotação do motor e com base na expressão pode se


obter a polaridade do motor.

POTÊNCIA NOMINAL OU DE SERVIÇO DO MOTOR (Pn)

A grande maioria dos transportadores em uso são inclinados, elevando o


material, além de transportá-lo.
A potência necessária para o transporte é calculada em três parcelas a
saber:

P1 = Potência para acionar o transportador vazio. Está é a parcela de


potência necessária para vencer as perdas por atrito.
P2 = Potência para transportar o material na horizontal.
P3 = Potência para elevar o material de uma altura H.

A potência requerida pelo transportador corresponde a soma das três


parcelas:

Pt = P1 + P2 + P3

A seguir são apresentados tabelas que permitem calcular as parcelas


P1, P2, P3 para um determinado transportador de correia.
A potência (P1) requerida para acionar o transportador a vazio a uma
velocidade diferente de 100m/min é obtida por:

Vc
P1 = N1
100

Onde Vc velocidade da esteira em m/min e P1 é dado em kw.

ESPECIFICAÇÃO DE MOTORES PARA COMPRESSORES

COMPRESSOR

Definição

São máquinas destinadas a produzir a compressão de gases. Os


compressores convertem trabalho mecânico em aquecimento.
A pressão de um gás ou vapor pode ser aumentada ou pela diminuição
do volume (compressores de deslocamento positivo) ou pelo fornecimento de
uma energia cinética que é convertida em forma de pressão em um difusor
(compressores dinâmicos).
Os compressores de deslocamento positivo são subdivididos em:

− Compressores de pistão: neste tipo de compressor o volume de gás muda


devido a ação de um ou dois pistões recíprocos movendo-se axialmente
em um cilindro;

40
41

− Compressores de membranas: a variação de volume é efetuada pela


deflexão de uma parede elástica;
− Compressores rotacionais: podem ser de vários tipos.

Os compressores dinâmicos são divididos em:

− Compressores centrífugos: estes compressores geralmente trabalham


em altas velocidades. O gás é comprimido por meio de um rotor provido de
pás, que provoca em sua saída, pressões e velocidade elevadas.
− Compressor axial: a circulação de gás é feita através de lâminas de
formato aerodinâmico no rotor na direção da saída. Cada grupo de hélice
pela ação de uma hélice produz uma difusão do gás, para que haja
expansão de energia cinética.

Os compressores podem ainda ser divididos quanto a sua pressão:

− Baixa pressão: são destinados os compressores em que a pressão final for


superior a 25 atm;
− Alta pressão: para compressores de 100 até 500 atm;

CRITÉRIOS PARA SELECIONAR O MOTOR QUE IRÁ ACIONAR O


COMPRESSOR

Neste capítulo iremos analisar os compressores a pistão e membranas


que apresentam uma curva de conjugado constante com a rotação. Os
compressores centrífugos e axiais apresentam curva de conjugado parabólico
e portanto são análogos a bombas e ventiladores.

Características da rede de alimentação

a) Tensão de alimentação do motor (e dos aquecedores internos)


b) Freqüência nominal em Hz
c) Método de Partida (quando esta informação não for fornecida, será
considerado como partida direta)

Características do Ambiente

a) Altitude
b) Temperatura Ambiente
c) Atmosfera Ambiente

Quando não são informados valores de altitude e temperatura serão


considerados valores de normas, ou seja, 1000m e 40 º C.

Características Construtivas

a) Forma construtiva
b) Potência
c) Rotação (n) em rps

41
42

d) Proteção Térmica
e) Sentido de rotação (olhando-se pelo lado do acionamento)

Características do Compressor

a) Momento de Inércia do Compressor (Jc) em (kgm2)


b) Conjugado de Partida em (mN)
c) Conjugado Nominal em (mN)
d) Velocidade Nominal em (rps)
e) Dados de Acoplamento
f) Esforços radiais e/ou axiais (se existirem)

DETERMINAÇÃO DA VELOCIDADE DO MOTOR

A determinação da velocidade do motor é análoga ao dos ventiladores.

DETERMINAÇÃO NOMINAL OU DE SERVIÇO DO MOTOR (Pn)

Conhecendo-se o conjugado nominal do compressor (Ccn) em mN e a


velocidade do compressor (nc) em rps, a potência requerida pelo compressor
em kw é dado por:

Pc = 10-3 . 2π . nc . Ccn

Portanto a potência nominal do motor em kw é dada por:

Pc
Pn =
ηac

TEMPO DE ACELERAÇÃO (ta)

Como o conjugado é constante com a velocidade o conjugado médio da


carga é dado por :

Ccmed = Ccn

Logo o conjugado resistente médio (CRmed) é dado por:

CRmed = R Ccmed

Para compressores centrífugos e axiais o motor pode ser Categoria N.


Para compressores de pistão ou de membrana o motor pode ser
Categoria H.
Para alguns casos o motor pode ser categoria N, desde que o conjugado
de partida do motor não seja menor que o requerido pelo compressor na
partida.
O conjugado motor médio (CMmed) tanto para Categoria N como H é dado
por:

42
43

 Cp C máx. 
C Mmed = 0,45  +  ⋅ Cn ⋅ 9,81
 Cn Cn 

 Cp  C 
O conjugado de partida   , máxima  máx  e o conjugado nominal
 Cn   Cn 
(Cn) em kgfm, são obtidos do catálogo de motores ou da folha de dados do
motor. O conjugado nominal (Cn) é expresso em kgfm. O CMmed é obtido em
mN.
Portanto o tempo de aceleração em (s) é obtido a partir da expressão

 JM + Jce 
t a = 2πn 
 C Mmed − CRmed 

Onde JM momento de inércia do motor e Jce momento de inércia da


carga referida ao eixo do motor.
Se ta > tb deve-se escolher um motor de potência superior e repetir a
análise.

EXEMPLOS

Determinar que motor deve ser empregado para acionar um compressor


com as seguintes características:

1. Características da Rede de Alimentação

a) U = 440 Volts
b) f = 60 Hz
c) Partida Direta

2. Características do Ambiente

a) Normal

3. Características Construtivas

a) Horizontal
b) Proteção Térmica para Classe F
c) Sentido de rotação horário

4. Características do Compressor

a) Momento de Inércia Jc = 2,5 kgm2


b) Conjugado de Partida 37 mN
c) Conjugado Nominal Ccn = 24 mN
d) Velocidade nc = 1130 rpm
e) Redução do acoplamento R = 0,65
f) Rendimento do Acoplamento nac = 97%

43
44

SOLUÇÃO

a) Velocidade do Motor

Como o fator de redução do acoplamento é 0,65, a rotação do motor é


dada por:

n c 1130
n= = = 1738 rpm
R 0,65

1738
n= = 28,97 rps
60

n = 28,97 rps

b) Potência Nominal do Motor (Pn)

A potência requerida pelo compressor (Pc) em kw:

1130
Pc = 10 −3 ⋅ 2 ⋅ π ⋅ ⋅ 24
60

Pc 2,9
Pc = 2,9 kW e Pn = = = 2,99 kW
ηac 0,97

De catálogo temos um motor de 3 kw ou 4cv

c) Conjugado resistente Médio (CRmed)

O conjugado resistente médio, é dado por:

CRmed = 0,65 . 24

CRmed = 15,6 mN

d) Conjugado Motor Médio (CMmed)

Do catálogo obtemos:

Cn = 1,7 kgfm

Cp
= 2,9
Cn

44
45

C máx
= 3,4
Cn
Logo:

CMmed = 0,45 (2,9 + 3,4) . 1,7 . 9,81

CMmed = 47,3 mN

e) Tempo de Aceleração (ta)

Do catálogo temos:

JM = 0,0084 kgm2

A inércia do compressor referido ao motor:

Jce = (0,65)2 . 2,5


Jce = 1,06 kgm2

Logo o tempo de aceleração é dado por:

 0,0084 + 1,06 
Ta = 2.π.23,83.  
 47,3 − 15,6 

Ta = 6,1 s

Do catálogo temos o tempo de rotor bloqueado tb = 6,0 s.


Como ta > trb somos obrigados a escolher um motor de potência MAIOR.
Toma-se o de 3,7 kw ou 5cv, imediatamente superior:

Cn = 2 kgf

Cp
= 3,0
Cn

C máx
= 3,0
Cn

JM – 0,0091 kgm2

Jrb = 6,0 s

Logo:

CMmed = 0,45 (3,0 + 3,0) . 2,0 . 9,81

CMmed = 53 mN

45
46

 0,0091 + 1,06 
Ta = 2.π. 28,5.  
 53 − 15,6 

ta = 5,1 s

Como ta = trb não é aconselhável. Tomaremos um motor de potência


maior. Toma-se o motor de 4,4 kw ou 6 cv, potência imediatamente superior.

Cn = 2,5 kgf

Cp
= 2,7
Cn

C máx
= 3,0
Cn

JM = 0,0177 kgm2

trb = 6,0 s

CMmed = 0,45 (2,7 + 3,0) . 2,5 . 9,81

CMmed = 62,9 mN

Logo:

 0,0177 + 1,06 
ta = 2.π. 28,83 .  
 62,9 − 15,6 

ta = 4,13 s

Como ta < trb podemos concluir que o motor de 4,4 kw aciona o


compressor.

f) Especificação do Motor

− Motor Trifásico de gaiola


− Potência 4,4 kw
− Tensão 440 Volts
− Freqüência 60 Hz
− 4 Pólos
− Classe de Isolação F
− Proteção IP 23
− Forma Construtiva B3E
− Categoria H

46
47

ESPECIFICAÇÃO DE MOTORES PARA TALHAS

TALHAS

Definição

Talhas são máquinas mecânicas ou eletromecânicas que, pela utilização


de uma relação força-velocidade, prestam-se ao levantamento e translação de
cargas. Existem os seguintes tipos de talhas:

Tipos de Talhas

1. Talhas Simples ou Exponencial

Também denominada de “moitão”, possuem polias de diâmetro quase


sempre iguais e ficam enfileiradas em cima e em baixo. Sua capacidade de
cargas é de até 200 kg.

2. Talhas Helicoidais

Estas talhas utilizam correntes de aço redondo (até 10 t) ou corrente de


rolos (até 20t) para suspender a carga. O pinhão da corrente é acionado pela
roda do cabrestante através de uma engrenagem helicoidal de dois passos
(ângulo de inclinação de ≅ 20º). O empuxo axial da engrenagem aciona um
freio cônico ou lamelar de atrito. Seu rendimento está em torno de 60%.

CRITÉRIOS PARA SELECIONAR O MOTOR QUE IRÁ ACIONAR A TALHA

As características do local e onde o motor irá trabalhar são fatores


importantes na seleção do motor, e portanto, devem ser conhecidos
previamente. São eles:

Características da Rede de Alimentação

a) Tensão de alimentação do motor ( e dos aquecedores internos)


b) Freqüência nominal em Hz
c) Método de partida (quando esta informação não for fornecida, será
considerada como partida direta)

Características do Ambiente

a) Altitude
b) Temperatura Ambiente
c) Atmosfera
Quando não são informados valores de altitude e temperatura serão
considerados valores de normas, ou seja, 1000m e 40º C.

47
48

Características Construtivas

a) Forma construtiva
b) Potência
c) Rotação (n) em RPS
d) Proteção térmica
e) Sentido de Rotação (achando-se pelo lado de acionamento)

Características da Talha

a) Fator de redução da velocidade (R)


b) Carga a ser levantada (m) em kg
c) Velocidade de levantamento da carga (Vc) em m/s
d) Rendimento total do sistema (n)
e) Momento de Inércia do acoplamento e redutor (Jac) em kg.m2
f) Diâmetro do tambor ou polia (Dc) onde está suspensa a carga (m)
g) Classe de operação de acordo com o Norma P-4-10.4-4004 –
Seleção de Motores Elétricos para elevação ou, nº máximo de
manobras por hora (S) e o valor percentual da duração operacional
do ciclo (ED).

DETERMINAÇÃO DA VELOCIDADE DO MOTOR (n)

Conhecendo-se a velocidade de levantamento da carga (Vc),


determinamos a velocidade do tambor (nc) em RPS dada por:

Vc
nc =
πD c

Onde Dc é o diâmetro do tambor em m.


Dividindo-se a velocidade do tambor pelo fator de redução (R), obtemos
a velocidade requerida pelo motor.

nc
n=
R

Dessa forma, temos determinado qual a polaridade do motor a ser


utilizado para o acionamento, porém ainda há necessidade de uma análise
técnico-econômica para se determinar qual a melhor relação fator de redução
(R) e polaridade do motor (2p).

DETERMINAÇÃO DO CONJUGADO NOMINAL REQUERIDO PELA TALHA


(Ccn)

Em função da carga a ser levantada, do diâmetro do tambor ou polia,


podemos determinar o conjugado nominal (Ccn) da talha da seguinte forma:

48
49

m ⋅ g ⋅ Dc
C cn =
2

POTÊNCIA NOMINAL OU DE SERVIÇO DO MOTOR (Pn)

Para se determinar a potência absorvida pela talha existem duas


maneiras:

1º. Conhecendo-se a carga a ser levantada (m) em kg e a velocidade de


levantamento (Vc) em m/s, a potência requerida pela talha em kw é dada
por:

m ⋅ g ⋅ Vc
Pt = 10 −3 ⋅
nt

Onde nt representa o rendimento total da talha.

2º. Conhecendo-se o conjugado (Ccn) nominal da carga


Sendo o conjugado (Ccn) dado em mN e a rotação (nc) dada em rps, a
potência requerida pela talha em kw é dada por:

Pt = 10-3 . 2πnc . Ccn

CATEGORIA DO MOTOR

Em função do regime de trabalho da talha, geralmente intermitente, o


motor mais adequado é do tipo categoria D, cujas características normalizadas
são: Conjugado de partida igual ou superior à 75% do nominal e
escorregamento nominal 5 a 8% ou 8 a 13%. Entretanto, existem casos em que
o motor categoria N satisfaz as exigências da aplicação.

49