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FICHAMENTO

-Introdução ao estudo da Libras: Parâmetros, histórico e inclusão das Libras


-AS CONTRIBUIÇÕES DA LEI 10.436 Á SOCIEDADE, AOS PROFISSIONAIS E A EDUCAÇÃO: Inclusão social
do surdo. (Joana Dark de Lima)

A surdez é a perda da percepção dos sons, podendo ser definida em vários níveis, que vão
desde o portador de surdez leve até o portador de surdez profunda. As pessoas que lidam com essa
deficiência durante muito tempo foram excluídas da sociedade, chegando mesmo a serem chamados
de pessoas amaldiçoadas, e por isso muito sofreram por representarem uma espécie de pessoa
castigada por Deus. As visões a respeito dessas pessoas mudaram bastante com o tempo, mas ainda
hoje existe uma exclusão dessas na sociedade, pois a cultura ocidental competitiva e difícil
naturalmente faz com que muitos portadores de deficiência fiquem atrasados em questões
educacionais e profissionais. Porém, com o tempo, foram se desenvolvendo formas de se comunicar
com essas pessoas, e a princípio, essas comunicações foram evoluindo e se espalhando, até que
finalmente, no período monárquico brasileiro chegaram aqui, trazidas por um francês, fato que tornou
possível a criação de uma comunicação totalmente dedicada aos surdos brasileiros.
A linguagem brasileira de sinais (LIBRAS) é uma língua especial que utiliza o canal gestual-visual para
a comunicação da sociedade surda, possuindo sua própria e complexa estrutura gramatical, que de
forma eficiente e concreta torna possível que essa comunicação seja realizada rápida e claramente. A
educação dessa sociedade no Brasil existe desde o Segundo Império, e foi possível graças ao
educador francês Hernes Huet, que trouxe os primeiros modelos pedagógicos para tal, o que por sua
vez fez com que a libras tivesse algumas semelhanças com a linguagem francesa de sinais. Através da
Lei 839, que D. Pedro II assinou em 1857, foi possível a fundação do Instituto Nacional de Surdos-
Mudos, atual INES. Desde então, a sociedade foi dando mais importância a essa causa, e mesmo com
a forte exclusão que o mundo moderno e contemporâneo naturalmente traz aos surdos, pouco a pouco
as medidas de inclusão foram se estabelecendo e mais sistemas e elementos surgiram para tornar a
vida dessas pessoas mais fácil.
No ano de 2001 foi lançado o Dicionário Enciclopédico Ilustrado de Libras, através de um projeto
coordenado pelo educador Fernando Capovilla, o que impulsionou a criação de diversos materiais a
respeito do estudo de libras. Esses esforços também serviram para que educadores e políticos
articulassem a Lei n.°4.857 / 2002, que oficializa a libras como a língua dos surdos brasileiros.Dessa
forma, a LDB, desde 1996, possui um capítulo dedicado à inclusão e a respeito das escolas para os
surdos, o que de forma legal permite que o aluno portador da deficiência não seja excluído do
aprendizado coletivo, pois o educador deverá ter o domínio de inclusão e ter conhecimento dos direitos
desses alunos e dos recursos que deve utilizar para incluí-lo. Os Estados e municípios brasileiros
passaram a coordenar o ensino dos surdos, que eram referidos como portadores de deficiências, e
então surgiram as classes especiais para esses alunos, tanto na rede pública como na privada. A partir
de então, os surdos começaram a ter mais autonomia e passaram a melhor reivindicar seus direitos, o
que ocasionou numa série de leis a respeito dessa comunidade, e que trouxe mais conforto e
segurança para a inserção destes na sociedade. Mesmo havendo situações em que opiniões de
profissionais se dividem, podendo causar certos atrasos nessa área delicada, de modo geral, os surdos
estão seguros dentro dos direitos assegurados pela lei.
Todos esses elementos de inclusão podem ser melhor explicados e consultados a partir da Lei N°
10.436, de 24 de abril de 2002, que de forma clara especifica e garante que a Libras seja reconhecida
de forma oficial como a linguagem dos surdos brasileiros, que o poder público, bem como os setores
privados e institucionais apoiem o uso e a difusão dessa linguagem e garantam os tratamentos
adequados aos portadores da deficiência e que os sistemas federais, estaduais e municipais garantam
a inclusão nos cursos de formação de educação especial, de fonoaudiólogo e de magistério do ensino
da libras como parte integrante dos parâmetro curriculares nacionais.
Assim, compreende-se que o Estado deve se responsabilizar também pela formação dos instrutores de
libras, bem como dos recursos médicos e estruturais par a facilitar o aprendizado dos surdos no
ambiente educacional. A formação desses profissionais deve ser realizada no nível de educação
superior em diversos cursos de licenciatura e pedagogias. Com isso, espera-se que cada vez mais
essas pessoas sejam inseridas na sociedade e que com isso a população tome consciência também
das dificuldades enfreadas por diversos outros grupos sociais, exercitando a cidadania e a
honestidade.