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Brasília, 1º a 5 de dezembro de 1997 - Nº 95

Data (páginas internas): 11 de dezembro de


1997.

Este Informativo, elaborado a partir de


notas tomadas nas sessões de julgamento das
Turmas e do Plenário, contém resumos não-
oficiais de decisões proferidas pelo Tribunal. A
fidelidade de tais resumos ao conteúdo efetivo
das decisões, embora seja uma das metas
perseguidas neste trabalho, somente poderá
ser aferida após a sua publicação no Diário da
Justiça.

ÍNDICE DE ASSUNTOS

Adicional de Tarifa Portuária


Caso Collor: Impeachment
CIPA e Estabilidade de Membro Suplente
Competência da União Federal
Concurso Público e Direito à Nomeação
Extradição: HC e Autoridade Coatora
Tinta Especial para Jornal e Imunidade
IPTU e Taxas do Município de São Paulo
Jornada de Trabalho e Revezamento
Lei de Anistia: Inaplicabilidade
Lei 9.099/95 e Retroatividade da Lei Penal
Multa Indevida: Restituição in Totum
Regime de Cumprimento de Pena
Remuneração e Coisa Julgada
Representação de Inconstitucionalidade
Tráfico de Entorpecentes e Competência

PLENÁRIO

IPTU e Taxas do Município de São Paulo


A única progressividade admitida pela CF/88, em
relação ao Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), é a
extrafiscal, destinada a garantir o cumprimento da função
social da propriedade urbana, tal como previsto nos arts. 156,
§ 1o e 182, § 4o, II, todos da CF. Com esse entendimento, o
Tribunal declarou incidentalmente a inconstitucionalidade
dos arts. 7o, I e II da Lei 6.989/66, com a redação dada pela
Lei 11.152/91, do Estado de São Paulo, que estabeleciam
para o IPTU alíquotas progressivas em função do valor venal
do imóvel. No mesmo julgamento, decretou-se a
inconstitucionalidade dos arts. 87, I e II e 94 do referido
diploma legal, com a redação dada pela Lei 11.152/91, que
prevêem a cobrança de taxa de conservação e limpeza de rua,
por possuir base de cálculo própria de imposto — afronta ao
art. 145, § 2o , da CF — e pelo fato de não serem divisíveis
os serviços públicos que elas visam custear, o que ofende o
inciso II do art.145, da CF. Vencido o Min. Marco Aurélio.
Precedente citado: RE 204.827-SP (DJU de 25.4.97, v.
Informativo 57). RE 199.969-SP, rel. Min. Ilmar Galvão,
27.11.97 .
Extradição: HC e Autoridade Coatora
Não se conhece de habeas corpus impetrado contra
ato de Ministro do STF que — na qualidade de relator de
processo de pedido de prisão preventiva para fins de
extradição — decreta a custódia preventiva do extraditando,
sem que tenha notícia prévia do alegado constrangimento.
No caso, o Ministro indicado como coator só tomara
conhecimento das alegações do paciente ao prestar
informações no writ. Precedentes citados: HHCC 71.115-MA
(DJU de 10.8.95), 73.782-SP (DJU de 7.3.97) e 73.783-SP
(DJU de 1.7.96). HC 75.929-DF, rel. Min. Maurício Corrêa,
3.12.97 .

Lei 9.099/95 e Retroatividade da Lei Penal


Por aparente contrariedade ao disposto no art. 5 o,
XL, da CF (“XL - a lei penal não retroagirá, salvo para
beneficiar o réu.”), o Tribunal, por unanimidade, deferiu, em
parte, pedido de liminar formulado em ação direta ajuizada
pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil
contra o art. 90 da Lei 9.099/95 (“As disposições desta Lei
não se aplicam aos processos penais cuja instrução já
estiver iniciada.”), para lhe dar interpretação conforme à
Constituição e excluir, com eficácia ex tunc, do dispositivo
impugnado, o sentido que impeça a aplicação — aos
processos penais com instrução já iniciada quando da
vigência da referida lei — de norma de direito penal mais
favorável ao réu. Precedentes citados: INQ. 1.055-AM (DJU
de 24.5.96) e HC 74.305-SP (acórdão pendente de
publicação, v. Informativo 57). ADInMC 1.719-UF, rel. Min.
Moreira Alves, 3.12.97 .

Caso Collor: “Impeachment” - 1


O Tribunal, acolhendo proposta do Min. Moreira
Alves, entendeu não ser aplicável ao caso o disposto no art.
40 do RISTF (“Para completar quorum no Plenário, em
razão de impedimento ou licença superior a três meses, o
Presidente do Tribunal convocará Ministro licenciado, ou,
se impossível, Ministro do Tribunal Federal de
Recursos ... .”), à vista do impedimento dos Ministros
Nelson Jobim, Maurício Corrêa e Sydney Sanches, bem
como da suspeição do Min. Marco Aurélio.

Caso Collor: “Impeachment” - 2


Continuando o julgamento, o Tribunal, resolvendo
questão de ordem suscitada pelo Min. Néri da Silveira,
relator, negou trânsito à petição em que se postula seu
conhecimento como argüição, prevista no art. 102, § 1 o, da
CF (“A argüição de descumprimento de preceito
fundamental, decorrente desta Constituição, será apreciada
pelo Supremo Tribunal Federal, na forma da lei.”),
adotando-se, para tanto, o rito da ação cível originária, ou
seu conhecimento e procedência como revisão criminal, com
vistas à declaração, em qualquer das hipóteses, de nulidade
da pena imposta ao argüente pelo Senado — perda do cargo
de Presidente da República, com inabilitação, por oito anos,
para o exercício de função pública —, como órgão judiciário,
em razão de sua prévia renúncia ao mandato de Presidente.

Caso Collor: “Impeachment” - 3


Fundou-se a decisão no fato de não ser auto-
aplicável o disposto no § 1o do art. 102 da CF. O preceito
demanda lei regulamentadora. Quanto à possibilidade de se
acolher o pedido como revisão criminal, ponderou-se ser esta
ação própria ao reexame de casos criminais julgados pelo
Tribunal e não de decisão proferida pelo Senado da
República. Precedentes citados: AgRgMS 22.427-PA (DJU
de 15.3.96) e AgRgPET 1.140-TO (DJU de 31.5.96) [sobre o
“Caso Collor”, v. publicações do STF: Impeachment.
Brasília: Imprensa Nacional, 1996 e RTJ 162, v. 1]. PET
1.365-DF (QO), rel. Min. Néri da Silveira, 3.12.97 .
Jornada de Trabalho e Revezamento
Tratando-se de trabalho realizado em turnos
ininterruptos de revezamento, o intervalo fixado para
descanso e alimentação do trabalhador não afasta o seu
direito à jornada de 6 horas, assegurado pelo art. 7º, XIV, da
CF (“Art. 7º São direitos dos trabalhadores ... XIV - jornada
de trabalho de seis horas para o trabalho realizado em
turnos ininterruptos de revezamento, salvo negociação
coletiva.”). Com esse entendimento, o Tribunal, concluindo
o julgamento de recurso extraordinário (v. Informativo 72),
por maioria, manteve decisão do TST que considerou, à vista
do que dispõe o mencionado inciso XIV do art. 7º da CF, que
os intervalos fixados durante a jornada de trabalho de 6 horas
não descaracterizam o sistema de turnos ininterruptos de
revezamento. Prevaleceu o voto-vista do Min. Nelson Jobim
que — ponderando referir-se a qualificação “ininterruptos”
ao sistema de produção da empresa (cujas máquinas têm de
estar funcionando continuamente) e não à jornada de
trabalho individual do empregado — concluíra no sentido de
não conhecer do recurso extraordinário da empresa
porquanto a ratio do inciso XIV, do art. 7º, da CF é
minimizar os desgastes biológicos causados ao empregado
sujeito a revezamento (que trabalha ora pela manhã, ora pela
tarde, ora pela noite, ora pela madrugada), garantindo-lhe a
jornada de trabalho de 6 horas. Vencido o Min. Carlos
Velloso, relator. RE 205.815-RS, rel. originário Min. Carlos
Velloso, rel. p/ acórdão, Min. Nelson Jobim, 4.12.97.

Adicional de Tarifa Portuária


Iniciado o julgamento de recursos extraordinários
em que se discute a constitucionalidade do Adicional de
Tarifa Portuária, instituído pelo art. 1º, § 1º, da Lei 7.700/88
[ “Art. 1º. É criado o Adicional de Tarifa Portuária - ATP,
incidente sobre as Tabelas das Tarifas Portuárias. § 1º. O
Adicional a que se refere este artigo é fixado em 50%
(cinqüenta por cento), e incidirá sobre as operações
realizadas com mercadorias importadas ou exportadas,
objeto do comércio na navegação de longo curso.”]. Após o
voto do Min. Carlos Velloso, relator, dando pela
constitucionalidade do referido adicional, tendo em vista sua
natureza jurídica de taxa, o julgamento foi adiado em virtude
dos pedidos de vista do Min. Ilmar Galvão e do Min.
Sepúlveda Pertence. RE 218.061-SP e 209.365-SP, rel. Min.
Carlos Velloso, 4.12.97.

Competência da União Federal


Por aparente ofensa à competência privativa da
União Federal para legislar sobre trânsito e transporte (CF,
art. 22, XI), o Tribunal deferiu medida cautelar requerida em
ação direta ajuizada pelo Governador do Estado do Mato
Grosso para suspender a eficácia da Lei estadual nº 6.908/97,
que autoriza o uso da película de filme solar nos vidros dos
veículos, em todo o Estado de Mato Grosso. Considerou-se
não estar esta matéria ligada à política de educação para
segurança do trânsito, que é da competência comum da
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios
(CF, art. 23, XII). ADInMC 1.704-MT, rel. Min. Marco
Aurélio, 4.12.97.

PRIMEIRA TURMA

Concurso Público e Direito à Nomeação


A abertura de novo concurso, antes da extinção do
prazo de validade do primeiro não faz nascer, para os
aprovados neste último, o direito à nomeação. Com esse
entendimento, a Turma negou provimento a recurso
ordinário em mandado de segurança interposto contra
acórdão do STJ, que indeferira mandado de segurança
impetrado contra atos do Ministro da Administração Federal
e Reforma do Estado e do Diretor de Recursos Humanos do
INSS. Os recorrentes alegaram afronta ao disposto no inciso
IV do art. 37, da CF (“IV - durante o prazo improrrogável
previsto no edital de convocação, aquele aprovado em
concurso público de provas ou de provas e títulos será
convocado com prioridade sobre novos concursados para
assumir cargo ou emprego, na carreira.”), e ao previsto no §
2o do art. 12 da Lei 8.112/90 (“§ 2o - Não se abrirá novo
concurso enquanto houver candidato aprovado em concurso
anterior com prazo de validade não expirado.”). RMS
22.926-DF, rel. Min. Ilmar Galvão, 2.12.97 .

Tinta Especial para Jornal e Imunidade


A imunidade tributária prevista no art. 150, VI, d,
da CF — que veda a instituição de imposto sobre livros,
jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão —
não abrange tinta especial para jornal. Tal imunidade atinge,
tão-só, os materiais relacionados com o papel, segundo a
jurisprudência do STF. Com base nas decisões do Tribunal, a
Turma deu provimento ao recurso extraordinário da União
interposto contra decisão do Tribunal de Justiça do Paraná.
Precedentes citados: RREE 174.476-SP (v. Informativo 46,
acórdão pendente de publicação), 178.863-SP (DJU de
30.5.97), 204.234-RS (v. Informativo 57, acórdão pendente
de publicação). RE 215.435-PR, rel. Min. Moreira Alves,
2.12.97.

Tráfico de Entorpecentes e Competência


É competente a Justiça Federal para o julgamento
do crime de tráfico internacional de entorpecentes, quando o
transporte da droga for além do território nacional, ainda que
praticado o delito por um único agente, já que os efeitos
atingem mais de um país. Com esse entendimento, e
invocando o disposto na Súmula 522 do STF (“Salvo
ocorrência de tráfico para o Exterior, quando, então, a
competência será da Justiça Federal, compete à Justiça dos
Estados o processo e julgamento dos crimes relativos a
entorpecentes.”), a Turma indeferiu pedido de habeas
corpus contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4a
Região. Precedentes citados: CJ 4.067-GB (RTJ 43/117) e
HC 68.996-RJ (RTJ 140/169). HC 76.288-PR, rel. Min.
Sepúlveda Pertence, 2.12.97 .

SEGUNDA TURMA

CIPA e Estabilidade de Membro Suplente


Estende-se ao membro suplente da comissão
interna de prevenção de acidente (CIPA) a estabilidade
provisória conferida — pelo art. 10, II, a, do ADCT (“Art.
10. Até que seja promulgada a lei complementar a que se
refere o art. 7o, I, da CF: ... II - Fica vedada a dispensa
arbitrária ou sem justa causa: a) do empregado eleito para
o cargo de direção de comissões internas de prevenção de
acidentes, desde o registro de sua candidatura até um ano
após o final de seu mandato.”) — ao empregado eleito para
o cargo de direção da CIPA, visto que a norma
constitucional mencionada não faz distinção entre titular e
suplente. Com esse entendimento, a Turma não conheceu de
recurso extraordinário interposto contra decisão do TST.
Precedente citado: AG 191.864-SP (DJU de 14.11.97, v.
Informativo 86). RE 205.701-SP, rel. Min. Maurício Corrêa,
1.12.97.

Multa Indevida: Restituição in Totum


Julgando recurso em mandado de segurança contra
acórdão do STJ que entendera legítima a multa imposta por
ocupação irregular de imóvel funcional, a Turma,
considerando não ter havido ocupação ilegítima uma vez
que o direito do impetrante à aquisição do imóvel fora
reconhecido por sentença judicial transitada em julgado e
entendendo dispensável que a restituição dos valores das
multas cobradas ilegalmente seja feita pelas vias ordinárias,
deu provimento ao recurso em mandado de segurança, por
maioria, para determinar que a União Federal restitua os
valores das multas, inclusive as anteriores ao ajuizamento do
mandado de segurança. Vencidos em parte os Ministros
Marco Aurélio e Nelson Jobim, que davam provimento ao
recurso em menor extensão, excluindo da concessão a
restituição, por via de mandado de segurança, das parcelas
referentes a multas anteriores a seu ajuizamento.
Precedentes citados: RMS 22.069-DF (RTJ 158/861); RMS
22.347-DF (DJU de 6.6.97). RMS 22.346-DF, rel. Min.
Carlos Velloso, 1º.12..97.

Lei de Anistia: Inaplicabilidade


Julgando recurso em mandado de segurança
impetrado por empregados do extinto Banco Nacional de
Crédito Cooperativo S/A - BNCC que pretendiam o seu
retorno ao trabalho sob a alegação de que a eles se aplicaria a
Lei 8.878/94 que reconhece “anistia aos servidores
públicos civis e empregados da Administração Pública
Federal direta, autárquica e fundacional, bem como aos
empregados de empresas públicas e sociedades de economia
mista sob controle da União que, no período compreendido
entre 16 de março de 1990 a 30 de setembro de 1992,
tenham sido: ... III - exonerados, demitidos ou dispensados
por motivação política, devidamente caracterizada, ou por
interrupção de atividades profissional em decorrência de
movimentação grevista” , a Turma, considerando que a
extinção de órgão por conveniência da Administração
Pública não caracteriza a necessária motivação política na
dispensa de seus servidores, negou provimento ao recurso
tendo em vista que a rescisão do contrato de trabalho dos
impetrantes resultara da extinção da pessoa jurídica onde
estes eram lotados e não decorrera, portanto, de eventuais
ilegalidades, injustiças e excessos contra eles cometidos para
ensejar a concessão da anistia. Precedente citado: RMS
22.717-DF (DJU de 13.6.97). RMS 22.835-DF, rel. Min.
Carlos Velloso, 1º.12.97.

Remuneração e Coisa Julgada


O art. 17, do ADCT (“Os vencimentos, a
remuneração, as vantagens e os adicionais, bem como os
proventos de aposentadoria que estejam sendo percebidos
em desacordo com a Constituição serão imediatamente
reduzidos aos limites dela decorrentes, não se admitindo,
neste caso, a invocação de direito adquirido ou percepção
de excesso a qualquer título.”), não alcança o instituto da
coisa julgada. Com base nesse entendimento, a Turma
conheceu e deu provimento a recurso extraordinário
interposto por servidores públicos do Estado de São Paulo
para restabelecer a sentença de 1º grau que assegurara aos
autores vantagens pecuniárias sob o argumento de que esse
direito fora reconhecido por decisão transitada em julgado.
Matéria similar foi julgada pela 1ª Turma no RE 171.235-
MA (DJU de 23.8.96). RE 146.331-SP, rel. Min. Marco
Aurélio, 2.12.97.

Representação de Inconstitucionalidade
A circunstância de a representação de
inconstitucionalidade de lei municipal frente à Constituição
Estadual (CF, art. 125, § 2º) alegar violação a dispositivo da
Constituição do Estado-membro que reproduz norma da
Constituição Federal não afasta a competência do tribunal
local para julgá-la. Com esse entendimento, a Turma deu
provimento a recurso extraordinário para reformar acórdão
do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo que julgara
extinta a representação na qual se alegara
inconstitucionalidade por vício de iniciativa de projeto de
lei, princípio este que emana da Constituição Federal , para
que este prossiga no seu julgamento quanto ao mérito, como
entender de direito. RE 176.482-SP, rel. Min. Maurício
Corrêa, 28.11.97.

Regime de Cumprimento de Pena


Considerando que a gravidade do delito, sem
suficiente fundamentação, não basta, por si só, para a fixação
do regime de cumprimento de pena mais gravoso, a Turma,
reconhecendo serem favoráveis as circunstâncias judiciais do
art. 59, do CP já que pena-base do réu, primário e de bons
antecedentes, fora fixada no mínimo legal , deferiu habeas
corpus para garantir ao paciente o regime semi-aberto de
cumprimento da pena, nos termos do art. 33, § 2º, b, do CP
(“o condenado não reincidente, cuja pena seja superior a
quatro anos e não exceda a oito, poderá, desde o princípio,
cumpri-la em regime semi-aberto;”). HC 75.875-SP, rel.
Min. Nelson Jobim, 2.12.97.

Sessões Ordinárias Extraordinárias Julgamentos

Pleno 3.12.97 4.12.97 8


1ª Turma 2.12.97 5.12.97 244
2ª Turma 2.12.97 1.12.97 369

CLIPPING DO DJ
5 de dezembro de 1997

ADIn N. 182
RELATOR : MIN. SYDNEY SANCHES
EMENTA: - DIREITO CONSTITUCIONAL E
ADMINISTRATIVO.
FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS. CARGOS EM COMISSÃO.
VANTAGEM. REGIME JURÍDICO. CONSTITUIÇÃO
ESTADUAL. PODER DE INICIATIVA DE LEI. LIVRE
EXONERAÇÃO.
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE DOS
PARÁGRAFOS 3º, 4º E 5º DO ART. 32 DA CONSTITUIÇÃO DO
ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL.
ARTIGOS 25, 37, II, 61, § 1º, "C", DA C.F. DE 1988 E ART. 11 DO
ADCT.
1. Estabelece o art. 32 da Constituição do Estado do Rio Grande
do Sul, de 1989:
"Art. 32 - Os cargos em comissão, criados por lei em número e
com remuneração certos e com atribuições definidas de chefia,
assistência ou assessoramento, são de livre nomeação e exoneração,
observados os requisitos gerais de provimento em cargos estaduais.
...
§ 3º - Aos ocupantes de cargos de que trata este artigo será
assegurado, quando exonerados, o direito a um vencimento integral
por ano continuado na função, desde que não titulem outro cargo ou
função pública.
§ 4º - Não terão direito às vantagens do parágrafo anterior os
Secretários de Estado, Presidentes, Diretores e Superintendentes da
administração direta, autárquica e de fundações públicas.
§ 5º - O servidor público que se beneficiar das vantagens do § 3º
deste artigo e, num prazo inferior a dois anos, for reconduzido a
cargo de provimento em comissão não terá direito ao benefício".
2. Ao tempo da Constituição anterior (1967/1969), já era pacífica a
jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, no sentido de não
poder a Constituição Estadual estabelecer normas sobre matéria
reservada à iniciativa do Poder Executivo, por implicarem burla ao
respectivo exercício. E tal entendimento não se alterou sob a
vigência da atual Constituição, de 05.10.1988 (ADIMC nº 568 -
RTJ 138/64).
3. Fica, assim, evidenciada a inconstitucionalidade das normas
impugnadas (§§ 3º, 4º e 5º do art. 32 da C.E. do Rio Grande do Sul),
por caracterizarem obstáculo à privativa competência do Poder
Executivo para iniciativa de lei sobre regime jurídico de servidores
públicos (artigos 25 e 61, § 1º, "c", da parte permanente da C.F. de
1988, e art. 11 do ADCT).
4. Além dessa inconstitucionalidade formal, ocorre, também, no
caso, a material, pois, impondo uma indenização em favor do
exonerado, a norma estadual condiciona, ou ao menos restringe, a
liberdade de exoneração, a que se refere o inc. II do art. 37 da C.F.
(Precedente: ADI 326 - DJ 19.09.97, Ementário nº 1883-1).
5. Adotados os fundamentos deduzidos nos precedentes, o
Plenário do S.T.F. julga procedente a ação, declarando, com eficácia
"ex tunc", a inconstitucionalidade dos parágrafos 3º, 4º e 5º do art.
32 da C.E. do Rio Grande do Sul.
6. Decisão unânime.

ADIn N. 1.135
RED. PARA O ACÓRDÃO: MIN. SEPÚLVEDA PERTENCE
EMENTA: Previdência Social: contribuição social do servidor
público: restabelecimento do sistema de alíquotas progressivas pela
MProv. 560, de 26.7.94, e suas sucessivas reedições, com vigência
retroativa a 1.7.94 quando cessara à da L. 8.688/93, que
inicialmente havia instituído: violação, no ponto, pela MProv.
560/94 e suas reedições, da regra de anterioridade mitigada do art.
195, §6º, da Constituição; conseqüente inconstitucionalidade da
mencionada regra de vigência que, dada a solução de continuidade
ocorrida, independe da existência ou não de majoração das alíquotas
em relação àquelas fixadas na lei cuja vigência já se exaurira.

ADIn N. 1.623
RELATOR : MIN. MOREIRA ALVES
EMENTA: Ação direta de inconstitucionalidade. Lei n° 2.050, de 30
de dezembro de 1992, do Estado do Rio de Janeiro. Vedação de
cobrança ao usuário de estacionamento em área privada. Pedido de
liminar.
- Tendo em vista o precedente invocado na inicial - o da concessão
de liminar na ADIN 1.472 que versa hipótese análoga à presente -
não há dúvida de que é relevante a fundamentação jurídica do
pedido, quer sob o aspecto da inconstitucionalidade material (ofensa
ao artigo 5º, XXII, da Constituição Federal, por ocorrência de grave
afronta ao exercício normal do direito de propriedade), quer sob o
ângulo da inconstitucionalidade formal (ofensa ao artigo 22, I, da
Carta Magna, por invasão de competência privativa da União para
legislar sobre direito civil).
- Por outro lado, manifesta-se a conveniência da concessão da
liminar, inclusive pela possibilidade de aumento dos distúrbios
sociais que vem causando a aplicação dessa lei.
Medida cautelar deferida, para suspender, "ex nunc", a eficácia da lei
estadual em causa.
* noticiado no Informativo 77

ADIn N. 1.677
RELATOR : MIN. MOREIRA ALVES
EMENTA: Ação direta de inconstitucionalidade. Pedido de liminar.
- Relevância da fundamentação jurídica do pedido.
- Ocorrência, no caso, do "periculum in mora", bem como da
conveniência da concessão da liminar.
Pedido de liminar deferido, para suspender, "ex nunc", a eficácia da
Lei nº 1.626, de 11 de setembro de 1997, do Distrito Federal.
* noticiado no Informativo 90

EXTRADIÇÃO N. 682
RELATOR : MIN. FRANCISCO REZEK
EMENTA: EXTRADIÇÃO. PREENCHIMENTO DE
SEUS PRESSUPOSTOS. DUPLA INCRIMINAÇÃO. NÃO
OCORRÊNCIA QUANTO A UM DOS DELITOS. APLICAÇÃO
DA LEI 9.099/95: IMPOSSIBILIDADE. EXTRADIÇÃO
DEFERIDA EM PARTE.
I - Não há no confronto comparativo entre a infidelidade
agravada do direito sueco e figuras penais da nossa legislação o que
configure, no ponto, o pressuposto da dupla incriminação.
II - Corrupção ativa: a Lei 6.815/80 não impõe como
requisito para o deferimento do pedido que a qualificação jurídica
dada ao fato motivador do pedido no Estado requerente seja idêntica
à da lei brasileira. É certo que nossa lei restringiu ao exigir a
prática, omissão ou retardamento de ato de ofício o alcance do
tipo. O núcleo, entretanto, é comum: oferecer ou dar a funcionário
público vantagem indevida pelo exercício de suas funções.
III - Nem o Direito Internacional, nem o nosso ordenamento
jurídico condescendem com a "exportação" forçada de institutos
penais. É inapropriado impor ao Estado requerente a aceitação de
institutos peculiares ao direito penal brasileiro: suspensão do
processo (Lei 9.099/95).
Extradição parcialmente deferida.

HC N. 74.964
RELATOR : MIN. OCTAVIO GALLOTTI
EMENTA: Revisão Criminal. Sendo cabível, em tal sede, o exame
das nulidades suscitadas pelo condenado (art. 621, I, do Código de
Processo Penal), defere-se habeas corpus de ofício, a fim de que
venha o Tribunal estadual a julgar, como entender de direito, o
pedido de revisão.
* noticiado no Informativo 89

HC N. 75.025
RELATOR : MIN. SEPÚLVEDA PERTENCE
EMENTA: Mandado de segurança do MP contra decisão judicial
penal: litisconsórcio passivo necessário do réu beneficiado.
A admitir-se mandado de segurança do Ministério Público contra
decisão favorável à defesa, no processo penal, o réu é litisconsorte
passivo e não mero assistente litisconsorcial, impondo-se sua
citação, pena de nulidade; de qualquer modo, a sua audiência, no
processo do mandado de segurança tendente a afetar posição
favorável que lhe decorrera da decisão impugnada resultaria das
garantias do contraditório e da ampla defesa: conseqüente nulidade
do processo de mandado de segurança deferido ao MP para conferir
efeito suspensivo a recurso contra o deferimento ao condenado de
progressão do regime de execução penal.

HC N. 75.575
RELATOR : MIN. SYDNEY SANCHES
EMENTA: - DIREITO PROCESSUAL PENAL.
SUSPENSÃO DO PROCESSO PENAL (ARTIGOS 89 E 90 DA
LEI N° 9.099, DE 26.09.1995). CONDENAÇÃO SEM TRÂNSITO
EM JULGADO, À ÉPOCA DE SEU ADVENTO.
"HABEAS CORPUS".
1. No julgamento do H.C. 74.305, o Plenário do Supremo Tribunal
Federal firmou entendimento no sentido de que: "se já foi prolatada
sentença condenatória, ainda que não transitada em julgado, antes da
entrada em vigor da Lei 9.099/95, não pode ser essa transação
processual (art. 89) aplicada retroativamente, porque a situação em
que, nesse momento, se encontra o processo penal já não mais
condiz com a finalidade para a qual o benefício foi instituído,
benefício esse que, se aplicado retroativamente, nesse momento,
teria, até, sua natureza jurídica modificada para a de verdadeira
transação penal".
2. No caso dos autos, a sentença condenatória e o acórdão que em
grau de apelação, a manteve, por maioria de votos, foram proferidos
antes do advento da referida Lei.
3. E os Embargos Infringentes apresentados pelo réu não foram
conhecidos, por intempestivos, transitando em julgado a
condenação, já que se conformou com o indeferimento do Recurso
Especial, na instância de origem.
4. Transitada em julgado a condenação, já não se pode sequer
cogitar de suspender o processo em que ela se proferiu. Nem é caso
de anulá-lo, para que eventualmente se proceda à suspensão.
5. " H.C." indeferido.

HC N. 75.600
RELATOR : MIN. SYDNEY SANCHES
EMENTA: - DIREITO CONSTITUCIONAL E PROCESSUAL
PENAL.
PROCESSO-CRIME CONTRA FUNCIONÁRIO PÚBLICO:
NOTIFICAÇÃO PARA RESPOSTA ESCRITA (ART. 514 DO
CÓDIGO DE PROCESSO PENAL). INTIMAÇÃO PARA
DILIGÊNCIAS (ART. 499 DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL).
NULIDADES. PRISÃO SEM TRÂNSITO EM JULGADO DA
CONDENAÇÃO (ART. 5°, INC. LVII, DA CONSTITUIÇÃO
FEDERAL).
"HABEAS CORPUS".
1. A notificação do denunciado, para resposta escrita, prevista no
art. 514 do Código de Processo Penal, só é necessária quando a
denúncia vem acompanhada apenas de documentos ou justificação.
Não, assim, quando precedida de inquérito policial, que a instrui.
Precedentes do S.T.F.
2. Sua falta, ademais, só induz a nulidade relativa, que fica
preclusa, quando não argüida no momento próprio.
3. Corre em cartório, ou seja, independe de intimação, o prazo,
para requerimento de diligências, previsto no art. 499 do Código de
Processo Penal. E, também nesse ponto, se nulidade houvesse, seria
relativa, dependente sempre de oportuna argüição.
4. Havendo sido a condenação mantida, em grau de apelação, por
votação unânime, ou seja, não comportando Embargos Infringentes,
e não tendo efeito suspensivo os Recursos Extraordinário e Especial,
a ordem de prisão podia ter sido expedida imediatamente, como foi.
5. "H.C." indeferido.
* noticiado no Informativo 89

HC N. 75.624
RELATOR : MIN. SYDNEY SANCHES
EMENTA: - DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL.
CRIMES DE IMPRENSA: RESPONSABILIDADE.
IDONEIDADE MORAL E FINANCEIRA DO AGENTE (ARTS.
37, INCS. I, II, 39, "CAPUT", §§ 1º, 2º E 3º, DA LEI Nº 5.250, DE
09.02.1967).
"HABEAS CORPUS".
1. Dada a própria natureza da sentença e do acórdão confirmatório,
que se limitaram a declarar a inidoneidade moral e financeira do
paciente, para responder a processo criminal, a fim de que terceira
pessoa possa ser responsabilizada, nos termos do § 3º do art. 39 da
Lei nº 5.250, de 09.02.1967, não se vislumbra nesses atos jurídicos
processuais qualquer ameaça e muito menos lesão ao direito de
locomoção do paciente.
2. E é pacífica a jurisprudência do S.T.F., apoiada, aliás, no próprio
inciso LXVIII do art. 5º da Constituição Federal e no art. 647 do
Código de Processo Penal, no sentido de que não se presta o
"Habeas Corpus" à defesa de direito estranho à liberdade de
locomoção, pois é para preservá-lo - e só a ele - que o remédio
heróico foi instituído.
3. Enfim, não há, no acórdão impugnado, qualquer ameaça e muito
menos lesão à liberdade de locomoção do paciente.
4. "H.C". não conhecido.
* noticiado no Informativo 91

HC N. 75.700
RELATOR : MIN. SYDNEY SANCHES
EMENTA: - DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL.
PRESCRIÇÃO. CRIME CONTINUADO: PENA; ACRÉSCIMO
PELA CONTINUIDADE. SÚMULA 497. "HABEAS CORPUS".
1. O enunciado 497 da Súmula assim expressa a orientação
jurisprudencial do S.T.F. sobre a matéria:
"Quando se tratar de crime continuado, a prescrição regula-se pela
pena imposta na sentença, não se computando o acréscimo
decorrente da continuação."
2. A pena imposta na sentença e, nesse ponto, mantida pelo
acórdão impugnado, foi, sem o acréscimo pela continuidade delitiva
(correspondente a quatro meses), fixada em dois (2) anos.
3. O prazo prescricional da pretensão punitiva, em tal
circunstância, é de quatro anos, e pode ser computado entre a data
dos fatos delituosos e a do recebimento da denúncia, em face do que
conjugadamente dispõem os artigos 109, inc. V, e 110, § 3°, do
Código Penal.
4. No caso, entre uma data e outra já haviam decorrido mais de
quatro anos.
5. Sendo assim, o "Habeas Corpus" é deferido para se julgar
extinta a punibilidade, pela prescrição da pretensão punitiva, em
relação aos fatos objetos do Processo n° 18/93, da 3ª Vara Criminal
Central da comarca de São Paulo (Ap. Criminal 173.508-TACRIM-
SP).
6. Decisão unânime.

HC N. 75.767
RELATOR : MIN. OCTAVIO GALLOTTI
EMENTA: - Não cabe a pretensão de renovar, em fase de execução
(art. 733 do C.P.C.), a dilação própria do processo de conhecimento
da ação de alimentos.
Recusa de pagamento compreendendo prestações atuais, além das
supostamente pretéritas.
Habeas corpus indeferido.

INTERVENÇÃO FEDERAL N. 103


RELATOR : MIN. NÉRI DA SILVEIRA
EMENTA: Intervenção Federal. Não cumprimento de
decisão judicial. Se, embora tardiamente, a decisão judicial veio a
ser cumprida, com a desocupação do imóvel, pelos
esbulhadores, os autos da intervenção federal devem ser
arquivados. Se se noticia que, posteriormente, nova invasão do
imóvel, já pertencente a outros proprietários, aconteceu, sem que
haja, entretanto, sequer prova de outra ação de reintegração
de posse, com deferimento de liminar, esse fato subseqüente,
mesmo se verdadeiro, não pode ser considerado nos autos da
Intervenção Federal, motivada pela decisão anterior, que acabou
por ser executada. Arquivamento dos autos, sem prejuízo de
eventual nova providência, na forma da Constituição, quanto
ao segundo fato referido.

MS N. 22.666
RELATOR : MIN. ILMAR GALVÃO
EMENTA: REFORMA AGRÁRIA. IMÓVEL RURAL.
DECRETO QUE O DECLAROU DE INTERESSE SOCIAL, PARA
ESSE FIM. ALEGADA AFRONTA AO ART. 185, II, DA
CONSTITUIÇÃO.
Imóvel que cumpriu sua função social até ser invadido por
agricultores "sem-terra", em meados de 1996, quando teve suas
atividades paralisadas.
Situação configuradora da justificativa da força maior, prevista no §
7º do art. 6º da Lei nº 8.629/93, que tem por efeito tornar o imóvel
insuscetível de desapropriação por interesse social, para fim de
reforma agrária.
Mandado de segurança deferido.
* noticiado no Informativo 76

AG (QO) N. 197.032
RELATOR : MIN. SEPÚLVEDA PERTENCE
EMENTA: Agravo em recurso extraordinário criminal: subsistência
do art. 28 da L. 8.038/90, não revogado, em matéria penal, pela L.
8.950/94, de âmbito normativo restrito ao do C.Pr.Civil, que alterou:
conseqüentemente, é de cinco e não de dez dias o prazo para a sua
interposição.
* noticiado no Informativo 91

AG (AgRg) N. 199.864
RELATOR : MIN. CARLOS VELLOSO
EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. ICMS.
PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS REMETIDOS PARA O
EXTERIOR: NÃO INCIDÊNCIA DO ICMS. SEMI-
ELABORADOS: INCIDÊNCIA SOBRE OS SEMI-
ELABORADOS DEFINIDOS EM LEI COMPLEMENTAR. C.F.,
art. 155, § 2º, X, a. CONVÊNIO: LEGITIMIDADE. ADCT, art. 34,
§ 8º.
I. - Legitimidade do convênio para definir os semi-elaborados, na
forma do disposto no art. 34, § 8º, ADCT. É que se trata de
incidência nova, já que a Constituição pretérita não a previa. Por
isso, não editada a lei complementar necessária à efetivação da nova
incidência, vale o convênio: ADCT, art. 34, § 8º.
II. - Precedente do STF: RE 205.634-RS, M. Corrêa, Plenário,
07.08.97.
III. - R.E. inadmitido. Agravo não provido.

RE (EDcl-EDv) N. 191.392
RELATOR : MIN. CARLOS VELLOSO
EMENTA: CONSTITUCIONAL. MILITARES. ANISTIA.
SARGENTO: PROMOÇÃO AO OFICIALATO SUPERIOR.
ADCT, art. 8º.
I. - Promoções asseguradas na inatividade: ADCT, art. 8º: são
aquelas a que teriam direito se houvessem permanecido em serviço
ativo, não aquelas que só poderiam ter obtido se houvessem sido
admitidos a determinado curso e logrado concluí-lo com
aproveitamento. Precedentes do STF. Voto vencido do Min. C.
Velloso.
II. - Embargos de divergência não admitidos. Agravo não provido.

RE N. 172.815
RELATOR : MIN. SYDNEY SANCHES
EMENTA: - DIREITO CONSTITUCIONAL, CIVIL E
PROCESSUAL CIVIL.
DESAPROPRIAÇÃO. IMÓVEL URBANO. IMISSÃO
PROVISÓRIA NA POSSE. DEPÓSITO PRÉVIO. JUSTA
INDENIZAÇÃO (CONSTITUIÇÃO FEDERAL - ART. 5º, INC.
XXIV). ART. 15 DA LEI Nº 3.365/41. ART. 3º DO DECRETO-LEI
Nº 1.075/70.
1. Na vigência da Constituição Federal anterior, a jurisprudência
do Supremo Tribunal Federal firmou-se no sentido de que o
princípio constitucional da prévia e justa indenização, em ação de
desapropriação, é de ser observado com o pagamento do valor
definitivo da expropriação, ou seja, quando ocorre a transferência do
domínio. Não, desde logo, na oportunidade do depósito prévio para
fins de imissão provisória na posse do imóvel.
2. Sempre entendeu, portanto, que, o art. 15 e seus parágrafos da
Lei nº 3.365/41 não eram inconstitucionais, enquanto vigoraram as
Constituições anteriores, que também exigiam prévia e justa
indenização nas desapropriações.
3. Já sob a vigência da atual Constituição, a 1a. Turma manteve
essa orientação, no julgamento do R.E. nº 141.795 (DJU 29.09.95, p.
31.907), ocasião em que também se afirmou a constitucionalidade
do art. 3º do Decreto-lei nº 1.075/70, que permite ao expropriante o
pagamento da metade do valor arbitrado para imitir-se
provisoriamente na posse do imóvel urbano residencial.
4. Precedentes.
5. R.E. conhecido e provido.

RE N. 191.505
RELATOR : MIN. MARCO AURÉLIO
IMUNIDADE - IMPOSTOS - LIVROS, JORNAIS E PERIÓDICOS
- FILMES. A imunidade prevista na alínea "d", inciso VI, artigo 150
da Constituição Federal alcança o filme fotográfico utilizado para a
confecção de periódicos. Precedente: Recurso Extraordinário nº
203.859-8/SP, julgado pelo Plenário, cujo redator para o acórdão foi
o Ministro Maurício Corrêa.

RE N. 198.346
RELATOR : MIN. SEPÚLVEDA PERTENCE
EMENTA: Controle incidente de constitucionalidade: suscitada, no
voto de um dos juízes do colegiado, a questão de
inconstitucionalidade da lei a aplicar, deve o Tribunal decidir a
respeito; omitindo-se e persistindo na omissão - não obstante
provocado mediante embargos de declaração - viola as garantias
constitucionais da jurisdição e do devido processo legal (CF, art. 5º,
XXXV e LIV), sobretudo quando, com isso, possa obstruir o acesso
da parte ao recurso extraordinário.

RE N. 208.422
RELATOR : MIN. CARLOS VELLOSO
EMENTA: - CONSTITUCIONAL. ADMINISTRATIVO.
SERVIDOR PÚBLICO. CONCURSO PÚBLICO. LIMITE DE
IDADE. TAQUÍGRAFO FORENSE. C.F., art. 7º, XXX, art. 39, §
2º.
I. - Pode a lei, desde que o faça de modo razoável, estabelecer
limites mínimo e máximo de idade para ingresso em funções,
emprego e cargos públicos. Interpretação harmônica dos artigos 7º,
XXX, 39, § 2º e 37, I, da C.F.
II. - Taquígrafo-forense: limite máximo de quarenta anos de idade
para ingresso no cargo: inexistência, nos autos de qualquer
justificativa para a exigência, ou indicação de sua razoabilidade.
III. - Precedentes do STF: RMS 21.033-DF, RTJ 135/958; RMS
21.046; RE 156.404-BA; RE 157.863-DF; RE 175.548-AC; RE
136.237-AC; RE 146.934-PR; RE 141.358-RS; RE 156.972-PA; RE
177.570-BA; RE 184.835-AM; RE 184.635-MT.
IV. - R.E. conhecido e provido.

ADIn N. 1.610 (Republicado por haver saído com incorreção no DJ


do dia 21.11.97)
RELATOR : MIN. SYDNEY SANCHES
EMENTA: - DIREITO CONSTITUCIONAL E
PREVIDENCIÁRIO.
MEDIDA PROVISÓRIA Nº 560, DE 26.07.1994,
SUCESSIVAMENTE REEDITADA, NO PRAZO, E NÃO
REJEITADA PELO CONGRESSO NACIONAL: EFICÁCIA DE
LEI. ALÍQUOTA DE CONTRIBUIÇÃO AO PLANO DE
SEGURIDADE SOCIAL.
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE DA
RESOLUÇÃO DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DO
SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, DE 14.05.1997
(PROCESSO STJ 01813/97). MEDIDA CAUTELAR.
1. A Resolução do Conselho de Administração do Superior
Tribunal de Justiça, no Processo STJ 01813/97, pela qual deferiu
requerimento formulado por dois servidores da Corte, no sentido da
"limitação da alíquota de contribuição ao Plano de Seguridade
Social do Servidor a 6%, com o ressarcimento dos valores
recolhidos indevidamente, no período julho/94 a abril/97" e ainda
determinou a extensão dos efeitos de tal decisão "a todos os demais
servidores do mesmo Tribunal, nos termos do voto do Ministro
Relator", é ato normativo, impugnável mediante Ação Direta de
Inconstitucionalidade, conforme precedentes do S.T.F.: ADIs nºs
577, 664, 683, 658, 666, entre outras.
2. A Medida Provisória nº 560, de 26.07.1994, e suas sucessivas
reedições, sem alteração no ponto que aqui interessa (a última de n°
1.482-36, de 15.05.1997), não chegaram a ser votadas e, por tanto,
rejeitadas pelo Congresso Nacional, sendo certo que todas as
reedições ocorreram antes de esgotados os trinta dias a que alude o
parágrafo único do art. 62 da Constituição Federal.
3. A última M.P. tem, portanto, eficácia de Lei, nos termos do
"caput" do mesmo artigo, pelo menos até trinta dias seguintes a
15.05.1997, enquanto não for convertida em Lei de conteúdo diverso
ou rejeitada.
4. O S.T.F. não admite reedição de M.P., quando já rejeitada pelo
Congresso Nacional (ADI 293-RTJ 146/707). Tem, contudo,
admitido como válidas e eficazes as reedições de Medidas
Provisórias, ainda não votadas pelo Congresso Nacional, quando tais
reedições hajam ocorrido dentro do prazo de trinta dias de sua
vigência. Até porque o poder de editar M.P. subsiste, enquanto não
rejeitada (ADI 295, ADI 1.533, entre outras).
5. No caso, o Conselho Administrativo do S.T.J. partiu do
pressuposto de que, não convertida em Lei a M.P., após sucessivas
reedições, perdeu ela sua eficácia. Sucede que a última foi baixada,
na mesma data de tal Resolução (14.05.1997), e ainda dentro do
prazo de trinta dias da M.P. anterior. Tudo conforme demonstrado na
inicial.
6. Está, por conseguinte, satisfeito o requisito da plausibilidade
jurídica da ação ("fumus boni iuris"), pois havendo M.P., com
eficácia de Lei, em vigor, não podia o Conselho Administrativo do
S.T.J., que não tem competência legislativa, baixar ato normativo em
sentido contrário, reduzindo a alíquota de contribuição ao Plano de
Seguridade Social.
7. Preenchido, igualmente, o requisito do "periculum in mora", ou
da alta conveniência da Administração Pública, pois a interrupção
dos recolhimentos, segundo as alíquotas previstas na Medida
Provisória, e, ainda, a restituição do que havia sido recolhido, a
maior, desde julho de 1994, evidenciam a possibilidade de grave
prejuízo para os cofres já combalidos da Previdência Social, em
detrimento de todos aqueles que não foram contemplados pela
Resolução em questão.
8. Medida cautelar deferida, nos termos do voto do Relator, para
suspensão, "ex-tunc", ou seja, desde 14.05.1997, da Resolução do
Conselho Administrativo do S.T.J., da mesma data, no Processo
01813/97.
* noticiado no Informativo 73

PETIÇÃO N. 1.378 (Republicado por haver saído com incorreção


no DJ do dia 28.11.97)
RELATOR : MIN. MOREIRA ALVES
EMENTA: Petição em que se requer medida cautelar, com pedido de
liminar, para dar efeito suspensivo a recurso extraordinário que,
admitido na origem, já se encontra em tramitação nesta Corte.
- Em se tratando de medida cautelar para dar efeito suspensivo a
recurso extraordinário já admitido, aplica-se a norma especial, de
natureza processual, constante no artigo 21, IV, do Regimento
Interno desta Corte.
- Ocorrência de acentuada plausibilidade jurídica da pretensão
deduzida no recurso extraordinário e que visa a garantir eventual
decisão da causa em favor do ora requerente.
Medida cautelar deferida para dar efeito suspensivo ao recurso
extraordinário, ficando prejudicado o pedido de liminar.

Acórdãos publicados: 384

Assessores responsáveis pelo Informativo


Maria Ângela Santa Cruz Oliveira
Márcio Pereira Pinto Garcia

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