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Licenciatura em Eng.

ª Mecânica
Mecânica Aplicada I
Ano letivo 2017-2018

Conceitos Elementares

1. Grandezas Escalares e Vetoriais

1.1 – Noção de vetor

As grandezas escalares para serem totalmente definidas basta um número para que todos
saibamos de que se trata. Por exemplo a soma de 5€ mais 3€ faz 8€ - todos sabemos do que se
trata. Porém se a adição atrás referida disser respeito a duas forças coloca-se a questão de
saber qual a direção e sentido dessas forças, apesar de sabermos que a intensidade, ou
magnitude, de cada uma é de 5 e de 8 unidades.
As grandezas ditas vetoriais para serem definidas além da sua intensidade precisa-se de saber
qual a sua direção e sentido. Uma força para ser corretamente definida, além da sua
intensidade temos de saber qual o ângulo que faz com um eixo de referência (45º por
exemplo) e o seu sentido (direita, esquerda, cima ou para baixo, sentido positivo dos eixos ou
sentido negativo).
F1 F2

α α

As forças F1 e F2 apesar de terem a mesma intensidade e direção (mesmo ângulo) têm


sentidos opostos.
Como consequência deste facto as grandezas vetoriais não se podem adicionar da mesma
forma que as grandezas escalares.

1.2. – Adição de vetores

A soma de vetores dá origem a um outro vetor resultante cuja direção, sentido e intensidade
equivale às forças que lhe deram origem. A resultante de duas ou mais forças, em geral, não
corresponde à soma algébrica das forças que lhe deu origem.
Os exemplos seguintes ilustram o modo de determinar graficamente a resultante R de duas
forças complanares, aqui designadas por F1 e por F2.

R
R F1 R F2
F1

F2 F2 F1
Em qualquer dos casos apresentados a força resultante não corresponde à soma algébrica do
da intensidade das forças que deram origem à resultante.
A força resultante, atuando no ponto de aplicação das forças concorrentes, produz o mesmo
efeito que as forças que lhe deram origem.
No caso dos vetores serem perpendiculares a intensidade da resultante pode ser determinada
recorrendo ao teorema de Pitágoras. Nesse caso particular, teremos então:
2 2
R  F1  F2 1

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Quando os vetores são colineares (têm a mesma direção), nesse caso, ,a intensidade da
resultante corresponde à soma algébrica das forças.
F1
F1 R
F2
F2 R

Suponhamos que F1 e F2 têm a mesma direção e sentido, nesse caso R  F1  F2


No caso de F1 e de F2 terem a mesma direção e sentidos opostos a resultante, em valor
absoluto, ou módulo, será dada pela diferença de intensidade dos vetores R  F1  F2 , como
se pode ver na figura acima.
Sendo o eixo de referência positivo, da esquerda para a direita, no caso de F2 e F1 serem
colineares e F  F , mas de sentidos opostos, a resultante será negativa.
2 1

Supondo F1  1,5 e (sentido +) F2


F2   2 R
F1
a resultante vale R  0,5

No caso dos vetores força fazerem entre si um ângulo agudo ou obtuso a resultante,
analiticamente, não pode ser obtida através da soma algébrica da intensidade dos vetores,
como se procedeu no caso anterior.

R
O ângulo α está oposto à F1 R F2
β F’2
resultante R β α α
F’1
F2 F1
F1 e F’1 são paralelos.
F2 e F’2 são paralelos.

Neste caso o valor (intensidade ou modulo) da resultante de F1 e F2 é dado por:

R  F12  F22  2.F1 .F2 . cos   F12  F22  2.F1 .F2 . cos  2

Notar que o ângulo α+β=180º donde β=180º-α por sua vez:


Donde α=180-β logo cos β = - cos(180-α)
Expressão esta a que chamamos lei dos cossenos.
Notar que o ângulo α é oposto à resultante, ao posso que o ângulo β é o ângulo formado
pelos dois vetores.
Graficamente a resultante obtém-se com recurso à regra do paralelogramo.
Os vetores podem-se deslocar paralelamente a si próprios sem perderem as suas propriedades,
por isso se dizem livres.
O vetor só deixa de ser livre quando se lhe fixa um ponto de aplicação.

1.3 Resolução de Triângulos

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Como se sabe um triângulo é uma figura geométrica, fechada, constituída por 3 lados e
consequentemente com 3 ângulos.
Contudo, para se definir um triângulo não precisamos de conhecer a totalidade dos elementos
que o constituem. Assim sendo, para que um triângulo fique definido basta que conheça:

 Dois lados e o ângulo por eles formado;


 Um lado e os dois ângulos adjacentes a esse lado.

Suponhamos que conhecemos um lado de um triângulo e os dois ângulos a ele adjacentes.

EXEMPLO:
Admitamos que o lado conhecido mede150 mm e os dois ângulos que formam os dois
restantes lados, com esse lado, são respetivamente de 25º 30’e de 60º 15’. Qual é o
comprimento dos outros dois lados em falta?
Antes de mais convém notar que os ângulos estão
expressos no sistema Sexagesimal. Contudo, por uma
questão de facilidade operativa, devem ser convertidos
25,5º 60,25º no sistema Internacional. Para tal basta reparar que um
grau tem 60 minutos.
A B Portanto 30’ corresponde a 0,5 do grau logo em lugar de
25º 30’terememos antes 25,5º no sistema decimal.
Se dividirmos 15’ por 60’ obtemos ¼ ou seja 0,25º logo
em lugar de 60º 15’ teremos 60,25º no sistema decimal.
Como a soma dos ângulos internos de um triângulo é 180º isso significa que o ângulo restante
mede 180-25,5-60,25=94,25º. Este ângulo é oposto ao lado AB, que mede 150mm.
As medidas dos outros lados podem ser determinadas pelo aquilo a que chamamos a lei dos
senos:
Num qualquer triângulo é constante a razão entre cada lado e o seno do ângulo oposto.
Recorrendo a este princípio teremos, no caso presente:

150 AC BC
 
sin 94, 25 sin 60, 25 sin 25.5 3
AC  130, 6mm; BC  64,8mm

Numa outra situação suponhamos que conhecemos dois lados e o ângulo por eles formado.

EXEMPLO:
Os dois lados de um triângulo medem 100mm e 50mm sendo o ângulo por eles formado de
33º. Qual a medida do outro lado?
Basta recorrer à expressão 2 (pág.2) para sabermos o valor do lado em falta.
O lado que pretendemos determinar (BC) é oposto ao ângulo de 33º.
B
C
50
BC  100  50  2 �100 �50 �cos 33º  108mm
2 2
33º
O lado BC mede 108 mm. Recorrendo à lei dos senos podemos 100
A
determinar a amplitude dos outros ângulos do triângulo.

Se em lugar de medidas de lado tivéssemos vetores a situação era idêntica. O que se


determinavam eram forças.

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Suponhamos agora que o que se pretende determinar é a resultante de duas forças de 50N e de
100N, que fazem entre si 33º como se representa na figura ao lado.
A expressão acima usada permite-nos determinar o módulo
R
da resultante AR.
O
uurângulo
uuur de 33º é o ângulo formado pelos dois vetores
50 e 100 , recorrendo á expressões 2: 5033º
A 100
uuu
r
AR  50  100  2 �50 �100 �cos33º  115,5 N
2 2

O mesmo resultado pode ser obtido se considerarmos o ângulo oposto à resultante, em vez do
ângulo formado pelos vetores.
A soma dos ângulos internos de um quadrilátero vale 360º. Seja α o ângulo oposto à
uuur 360  2 �33
resultante AR . Esse ângulo vale:    147º R
2
Recorrendo de novo à lei dos cossenos teremos:
5033º 147º
uuu
r 100
AR  502  1002  2 �50 �100 �cos147º  115,5 N A

2. Circunferência e Círculo

Definição de circunferência: É uma linha curva plana e fechada com todos os seus pontos à
mesma distância de um ponto interior, chamado centro.
Tratando-se de uma linha não tem área, mas apenas comprimento.
O comprimento ou perímetro (P) desta linha curva é dado por: P  2. .r  d .
r – raio da linha curva expresso em unidades de comprimento (m; cm; mm; etc.)
d – diâmetro igualmente expresso em unidades de comprimento (m; cm; mm; etc.)

Um radiano corresponde ao comprimento de um arco cujo valor é igual ao raio desse


mesmo arco.
O comprimento de um qualquer arco é igual ao produto do ângulo ao centro pelo raio desse
arco, sendo o arco medido em radianos.

A
Sendo α em radianos (rad) o
r comprimento do arco AB de centro
O e de raio r é dado por:
α AB    r
O B

Sendo o perímetro da circunferência dado por P  2. .r pudemos concluir que uma
circunferência encerra, ou tem, um ângulo ao centro de 2. rad. Deste facto conclui-se que
360º equivalem a 2. rad.

Meia circunferência tem um ângulo ao centro de  rad e um quarto terá rad.
2
Por exemplo, para calcular o comprimento e um arco de 30º com o raio de 200 mm, teremos
então:
π 180º
x 30º

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  30 
O valor de x   rad
180 6
o comprimento do arco será de:

 100
 200     104,7 mm
6 3

Suponhamos que temos uma roda com um diâmetro de 250 mm e desejamos saber quantas
voltas a referida roda tem de dar para percorre uma distância de 7500 metros.
Cada vez que a roda dá uma volta descreve uma linha que equivale ao seu perímetro ou seja
P  250    785,3 em milímetros.
Se uma volta equivale a percorrer 785,3 mm para fazer 7500 metros tem de dar:
7.500.000
n  9550,5 voltas
785,3

O círculo é a porção de plano limitada por uma circunferência. A circunferência é a fronteira


que separa essa porção de plano do plano envolvente. Sendo uma porção de plano a sua área
é expressa em unidades de comprimento ao quadrado (m2 ;cm2 ;km2; etc.).
A área de um círculo de raio r é dado por:
d2
A   .r 2    onde r- raio e d - diâmetro
4
2. Sistemas de unidades

Para pudermos comparar grandezas, sejam elas quais forem, temos de ter elementos de
referência. Ao sistema no qual essas referências, para servir de termo de comparação, são
definidas chama-se “Sistema de Unidades”.
Há vários sistemas de unidades. Os países anglo-saxónicos usam unidades diferentes dos
demais países. Já todos ouvimos falar de quilómetros e de milhas, de milímetros e polegadas.
O sistema mais usado na Europa é o “Sistema Internacional” ( S.I).
As unidades de referência do sistema internacional são:
Comprimento – mm (milímetro)
Força – N (Newton)
Massa – kg (quilograma)
Potência – w (Watt)
Energia – J(Joule)
Intensidade corrente eléctrica – I (Ampere)
Tempo – s (segundo)
Velocidade – m/s
Aceleração – m/s2
etc.
As unidades de força e de massa estão relacionadas devido à gravidade de cada local. Quanto
maior for a massa de um corpo maior será a força com que a Terra o atrai. Assim sendo, a
força de atração depende do local onde nos encontramos.
Em Portugal está convencionado que a aceleração da gravidade é de 9,81 m/s2.
A força que se exerce sobre um corpo cuja massa é de 1 kg é de 9,81 N(Newton).
P  m.g
Onde g representa a aceleração de gravidade (9,81 m/s2), m a massa do corpo em kg.
Recorrendo à equação acima é fácil converter massa em força e vice-versa.

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3. Noções básicas de trigonometria

A resolução dum triângulo retângulo permite determinar cada um dos catetos e a hipotenusa
sabendo qual o ângulo que estes fazem. Sabemos que a hipotenusa tem de ser maior que
qualquer dos catetos. Fazendo o quociente de qualquer dos catetos pela hipotenusa obtemos
sempre uma fração cujo valor é menor ou igual a um.
Num triângulo retângulo, além do ângulo reto temos necessariamente dois ângulos agudos.
Se, num triângulo retângulo, dividirmos o cateto oposto a um ângulo pela hipotenusa vamos
obter um valor chamado seno (sin).
Se, num triângulo retângulo, dividirmos o cateto adjacente a um ângulo pela hipotenusa
vamos obter um valor chamado Cosseno (cos).
Se, num triângulo retângulo, dividirmos o cateto oposto a um ângulo pelo cateto adjacente a
esse ângulo vamos obter uma tangente (tg).

C BC é a hipotenusa. Ângulo α é oposto a AB e β


α é oposto a AC. O ângulo β é adjacente a AB e o
α adjacente a AC.
AB AC AC
β sin   ; cos   ; sin  
A BC BC BC
B

A tangente calcula-se pelo cociente da dimensão do cateto oposto ao ângulo pelo adjacente.
AB AC
tg  ; tg 
AC AB

Resolvendo as equações atrás apresentadas também é possível escrever que:

AC  BC  cos  ; AC  BC  sin  Num triângulo retângulo qualquer cateto é


AB  BC  cos  ; AB  BC  sin  igual ao produto da hipotenusa pelo seno do
ângulo oposto ou pelo co-seno do ângulo
adjacente.
Esta propriedade permite-nos projetar forças sabendo qual o ângulo que as mesmas fazem
Com os eixos coordenados.
Y

C
F
O α
A projeção da força F no eixo OX é AB e A B
no eixo OY é OC. X
Usando a noção de senos e cossenos temos que:

AB  F  cos  ; OC  F  sin 

Por outro lado, também nos permite decompor uma força em duas ou mais direções.

EXEMPLO:
Suponhamos três forças F1;F2;F3 concorrentes num ponto O. As forças têm as intensidades e
as direções abaixo indicadas. y
F1= 50N ; α=25º
F1

α 6/
x 9
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200N F2 = 40N ; β=60º F2 β


F3= 25N ; γ=70º

Determine a direção sentido e intensidade da O


γ
resultante das três forças.
F3
Projetando as três forças nos eixos coordenados temos:
Nos eixos coordenados xx’ e yy’:
Pr oj.( xx ')  50 cos 25º 40sin 60º 25cos 70  2,12 N
Pr oj.( yy ')  50sin 25  40cos 60  25sin 70  17, 64 N
cujo módulo da resultante pode ser calculado pelo teorema de Pitágoras:
ur
R  2,122  17, 642  17, 77 N
O ângulo que a resultante faz com os eixos coordenados pode ser determinado pela tangente,
recorrendo ás projeções nos eixos.
17, 64
tgj   8,32 � (tg 8,32)1  83,15º
2,12
O vetor resultante com a intensidade de 17,77N de origem em O e fazendo um ângulo no
sentido positivo (sentido contrário ao andamento dos ponteiros do relógio) com o eixo xx’ de
83,15º é equivalente ao conjunto das 3 forças com as direções indicadas.

O mesmo princípio pode ser usado para decompor uma força em duas direções.
Suponhamos uma força F=200N que se deseja decompor nas duas direções s seguir
indicadas.
Para tal basta analisar a geometria do paralelogramo e recorrer à lei dos senos.
Num paralelogramo os ângulos opostos são iguais. Recorrendo á lei dos senos temos que:

200 Fy Fx '
180º-60º-50º=70º  
sin 70º sin 60 sin 50º
y
200 �sin 60º
Fy   184,32 N
50º
sin 70º
200 �sin 50º
60º Fx '   163, 04 N
sin 70º
x’
4. Relação entre velocidade linear e angular

A velocidade não fica definida apenas pela indicação do seu valor. Dizer que um corpo se
desloca, por exemplo, a 60km/h não refere em que circunstância se processa essa deslocação.
Não sabemos se é num rio, se numa estrada, se a subir ou descer, qual o local de partida e o
destino. Por estes motivos a velocidade terá de ser encarada como uma grandeza vectorial.
A intensidade do vector velocidade é o cociente entre uma distância e o tempo em que essa
distância é percorrida.
No “Sistema Internacional” (S.I.) exprime-se em m/s mas admite múltiplos, como km/h, e
submúltiplos, como mm/s.
É possível relacionar uma velocidade linear com a velocidade dum corpo em rotação.

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Basta reparar que uma roda ao deslocar-se numa estrada percorre uma distância
correspondente ao seu perímetro, ou seja, 2.π.r = d.π . Se essa roda der n voltas então
percorre um espaço e de d.π.n e = d.π.n=2πr.n
Se dividirmos ambos os membros da equação pelo tempo em que essa distância foi percorrida
passamos a ter uma velocidade, em cada um dos membros:
e 2. .r.n
  V  w.r onde V é uma velocidade linear e w uma velocidade angular e r
t t
o raio da trajetória do corpo em rotação.
e 2.
V  ; w n a igualdade tem de ser coerente (quanto às unidades em cada membro).
t t
Se V estiver em km/h o raio terá de estar em km e o tempo em horas. Se V estiver em m/s o
raio terá de estar em m e o tempo em segundos.
Suponhamos um corpo que se desloca a 90km/h e cuja roda tem um raio de 20 cm qual o seu
número de voltas?

V  w.r  90  2. .0,00002.n  71619,7 voltas ou rotações numa


hora

Se V  1500m / min (o que equivale a 90km/h) então o número de voltas


 1500  2. .0,20.n  n  1193,7 num minuto. Se multiplicarmos este resultado por 60
min obtemos (à parte dos arredondamentos) o número de voltas numa hora.
Se usarmos como unidade de tempo o segundo e o metro teremos, igualando distâncias:
90km/h  25m / s  25  2. .0,20.n  19,7 voltas por segundo. Multiplicando pelo
número de segundos de uma hora (3600 segundos), tem o número de voltas numa hora.
Acontece que, em geral, as rotações são expressas em rotação por minuto (r.p.m) e a
velocidade em m/s. neste caso temos de passar de r.p.m para rotações por segundo dividindo,
2. .n  .n
por 60 α V  r   r sendo V em m/s e r em metros (m) e n em r.p.m.
60 30
 .n
No exemplo apresentado temos  25   0,20  n  1193,7r. p.m.
30

5. Noção de trabalho e potência

Quando sobre um corpo se exerce uma força e este sofre uma deslocação diz-se que a força
produziu um trabalho. Quando a força actua na direcção do movimento toda a força é
aproveitada para produzir essa deslocação. Quando a força actua, fazendo um certo ângulo
com o sentido da deslocação, apenas se aproveita para produzir movimento a componente
dessa força que coincide com a direcção do movimento.
F
F α
F1

Apenas F1 produz movimento. F1 = F.cos α uma parte da força F é desaproveitada ( F.sin α).

A potência é definida com sendo um trabalho por unidade de tempo e é expressa em watt (W)
admitindo múltiplos e submúltiplos. Um W equivale a 1N/seg. Um kW a 1000 W.

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F .e e
Potência   F .  F .V onde F é a força que produz o movimento, na direção deste e
t t
V a velocidade imprimida ao corpo.
Porém, já vimos anteriormente que V  w.r substituindo também pudemos dizer que a
potência pode ser calculada por:
Pot  F1 .V  F2 .w.r  F2 .r.w
F2
O
r

Mas uma força a multiplicar pelo raio dá origem a um momento M  F2 .r pelo que a
expressão anterior pode ser escrita como:

 .n
Pot  M  w  M  onde n em r.p.m. e M em N.m vindo a potência expressa em W
30

Notar o seguinte: O vector velocidade é tangente à circunferência, logo perpendicular ao raio


da trajectória descrita por um ponto em movimento circular. Um momento é o produto de
uma força por uma distância. A noção de distância de um ponto a uma recta é o comprimento
de um segmento de recta medido na perpendicular do ponto para a recta. Neste caso, o
comprimento desse segmento de recta é o raio da trajectória circular.

Num movimento rectilíneo, a potência é dada por W  F .V (F  Newton e V em m/s)


 .n
No caso dum movimento de rotação a potência é dada por W  M . com n em r.p.m. e o
30
momento em N.m
As duas expressões para cálculo da potência são compatíveis quando um momento M
aplicado a um veio imprime ao corpo, a ele acoplado, uma velocidade linear V .

Como as acções têm de ser sempre iguais às reacções, as duas potências têm de ser iguais, dai
pudermos concluir que:
 .n
M.  F .V
30

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