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CEDERJ - CENTRO DE EDUCAÇÃO SUPERIOR A DISTÂNCIA

DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

MATERIAL DIDÁTICO IMPRESSO

CURSO: Química DISCIPLINA: QUÍMICA III

CONTEUDISTAS : Rodrigo José Corrêa e Elânio A. Medeiros

AULA 9 b
SUBSTITUIÇÃO NUCLEOFÍLICA EM COMPOSTOS CARBONILADOS

METAS:
Ao fim desta aula você deverá entender as reações de substituição nucleofílica em
compostos carbonilados.

OBJETIVOS:
Após o estudo dessa aula, você deverá ser capaz de:
1. Reconhecer a substituição nucleofílica em compostos carbonilados.
2. Nomear os compostos carbonilados segundo a IUPAC.
3. Identificar as transformações simples dos compostos carbonilados.
4. Entender as propriedades físico-químicas das estruturas.

INTRODUÇÃO

A substituição nucleofílica aromática é uma reação de substituição em química


orgânica na qual o nucleófilo desloca um bomgrupo de saída , tal como um halogeneto ,
em um anel aromático . Há 6 de substituição nucleofílica mecanismos encontrados com
sistemas aromáticos:
Curso de Química - Disciplina: Química III - Módulo II

Rodrigo e Elânio

1. A ESTRUTURA DE COMPOSTOS CARBONILADOS E SEUS USOS

Você deve se lembrar que na aula anterior aprendemos que os compostos


carbonilados fazem parte de uma grande família de substâncias. A presença do grupo
carbonila vizinho a outro grupo dá origem a uma série de produtos cuja química em muito
se assemelha, mas que, apresentam propriedades bastantes diversificadas. Na Tabela 1
apresentamos alguns compostos carbonilados e onde os encontramos mais facilmente.

Tabela 1: Derivados carbonilados.

Uso/onde é
Estrutura Nome
encontrado
O

Grupo acila x
~

O
Ácido fórmico Picada de formiga
H OH
O
Cloreto de
x
acila
Cl

O
Preparo de nylon,
Acetamida
síntese de fármacos.
R NH2

O
Estabilizante em
Ácido
OH comidas
benzóico
industrializadas.
Ácido
O
OH

dodecanóico Gordura em peixes


ou olêico
O
Éster acetato Aromatizantes. Odor
O de butila de banana.
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Anidrido
fitálico ou
O Plastificante.
anidrido
benzóico
O

Como pode ser visto na Tabela 1, a cadeia carbônica ligada ao grupo acila tanto
pode ser alifática como aromática. Todavia, independentemente da cadeia lateral, a
química do grupo C=O permanece inalterada, como esperado.
A nomenclatura dos elementos derivados dos compostos carbonilados pode ser
obtida a partir do respectivo ácido carboxílico, da seguinte forma:

Tabela 2: Nomenclatura dos derivados de ácido carboxílico.


Ácido
Derivados do ácido carboxílico
carboxílico
O
O O
O O

O
Cl NH2
OH
O

Ácido Benzóico Anidrido Cloreto de Benzamida Benzoato de


Benzóico Benzoíla Etila

Atividade 1: Dê a nomenclatura das cetonas abaixo:

a) b) O
O

c) O
d)

O
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Resposta comentada:
a) 2-pentanona
b) 2-propanona (Acetona)
c) Cicloexanona
d) 3-etil-5-metil-2-hexanona

Podemos observar que a nomenclatura dos derivados do ácido benzóico é formada


a partir do respectivo ácido, tendo apenas pequenas adições ou substituições ao nome
original. Portanto, para nomearmos:

- Um anidrido: basta substituir a palavra ácido por anidrido;


- Os haletos de acila: o nome da molécula é dado iniciando-se pelo nome do haleto
(cloreto, brometo, iodeto etc.) e substituindo a terminação óico por ila;
- Uma amida: substitui-se a terminação óico por amida e elimina-se a palavra ácido do
início do nome;
- Um éster: retira-se a palavra ácido e coloca-se o sufixo ato ao grupo antes da carbonila e
o sufixo ila ao grupo após a carbonila. Este fato é explicado logo abaixo.
Para os ésteres é comum definirmos sua estrutura veio da reação de um ácido
carboxílico com um álcool gerando uma única estrutura com a união de duas partes. Uma
de origem de um ácido e a outra de origem de um álcool, sendo assim, a parte que veio do
ácido leva o sufxo ato e a parte que veio do álcool leva o sufixo ila. Para isso, precisamos
entender como um éster é formado. Voltaremos com mais cuidado a esta reação mais a
frente nesta aula.
Apresentamos aqui apenas uma ilustração para entendimento da função éster. Na
Figura 6.1, observamos como ocorre esta reação.
O O

HO-H
OH

OH O

Figura 6.1: Reação de esterificação de um ácido carboxílico

Podemos notar na Figura 6.1 que o éster possui as cadeias carbônicas inteiras do
ácido e do álcool e, além disso, que a água é formada pela hidroxila do ácido e não pelo
grupo OH do álcool (em negrito). Assim, como mencionado acima, o nome do éster é feito
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pela substituição do sufixo óico do ácido carboxílico pelo sufixo ato e substituição do sufixo
ol do álcool pelo sufixo ila.
Como sabemos, a presença da carbonila em um composto torna a estrutura desta
molécula polar, o que os faz ter pontos de ebulição mais elevados que os respectivos
isômeros não carbonilados, mas com o mesmo peso molecular. Todavia, o ponto de
ebulição de ácidos carboxílicos e amidas é ainda superior aos demais compostos
carbonilados, visto que são passíveis de realizar ligações de hidrogênio entre si e por isso
aumentam o valor do ponto de ebulição. (Figura 6.2).
O
O

O H------O
N H------O

OH H NH2

Figura 6.2: Ligação hidrogênio em ácidos carboxílicos e amidas.

Na tabela 2, podemos observar a variação dos pontos de ebulição dos derivados


carbonilados em função do grupo ligado à carbonila.

Tabela 2: Pontos de ebulição de derivados de ácido carboxílico.

Composto Ponto de ebulição (oC)


Cloreto de acetila 51
Ácido acético 118
Anidrido acético 140
Acetamida 221
Ácido butanóico 165

Cabe notar que entre os compostos contendo apenas dois carbonos, os pontos de
ebulição são maiores para o ácido acético e a acetamida, justamente por serem capazes
de fazer ligação hidrogênio. Para o cloreto de acetila, podemos ver que o ponto de
ebulição é muito inferior quando comparado aos demais. No caso do anidrido acético
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(contendo 4 carbonos), notamos que sua temperatura de ebulição é inferior ao respectivo


ácido carboxílico com quatro átomos de carbono (ácido butanóico), mostrando, mais uma
vez, a importância da ligação hidrogênio na temperatura de ebulição.

Atividade 2
Fenóis são compostos ácidos como ácidos carboxilícos, ou seja, a hidroxila é
desprotonada na presença de uma base apropriada e também pode fazer ligação
hidrogênio, como os ácidos carboxílicos. Explique a diferença do ponto de fusão do p-
nitrofenol e do o-nitrofenol.

Ponto de fusão (OC)


p-nitrofenol 113
o-nitrofenol 45
H OH
O O

N
O O

_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
Resposta Comentada
Podemos explicar a diferença dos pontos de fusão pelo fato de que no o-nitrofenol a
hidroxila está formando uma ligação de hidrogênio intramolecular, enquanto que no p-
nitrofenol esta ligação intramolecular não é possível. Desta forma, o p-nitrofenol é obrigado
a fazer ligação hidrogênio com outra molécula de p-nitrofenol, o que leva a um
fortalecimento da estrutura do cristal, caracterizado pelo ponto de fusão mais alto do que o
o-nitrofenol.
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2.SUBSTITUIÇÃO NUCLEOFÍLICA EM COMPOSTOS CARBONILADOS

Na aula anterior mencionamos que a geometria e os átomos constituintes do grupo


carbonila tornam este grupo funcional bastante especial. No tocante à geometria, o fato de
ser plano faz com que a aproximação de grupos nucleofílicos seja facilitada. Por outro
lado, a presença do oxigênio ligado ao carbono por uma ligação dupla permite haver
deslocamento de carga pelo grupo, o que diminui, em muito, a energia de ativação para se
chegar ao estado de transição.
Desta forma, duas reações são possíveis para o grupo carbonila: adição e
substituição, conforme Figura 6.3, abaixo:
O OH
O

+ Nu- Nu Nu

R
R R
O
O O

+ Nu- Nu S_

S Nu
S

Figura 6.3: Reações de adição e substituição nucleofílicas em compostos carbonilados.

Cabe notar que no caso da adição nucleofílica (Figura 6.3) o grupo R pode ser uma
cadeia alquílica ou hidrogênio, o que nos levaria, respectivamente, a uma cetona e um
aldeído. Nestes casos temos a adição nucleofílica, pois se ocorresse substituição
nucleofílica haveria, obrigatoriamente, a saída de H- ou R- (Grupo S, na Figura 6.3). Como
sabemos, cátions e ânions de carbono não são bons grupos de saída, tampouco o hidreto.
Portanto, para que possa ocorrer substituição nucleofílica em compostos carbonilados
deverá haver um bom grupo de saída (S)-, como Cl-, tosilato ou Br-. Uma maneira simples
de entender se um grupo de saída é bom ou não, é analisar a basicidade do ânion.
Observe os casos abaixo na figura 6.4:
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Rodrigo e Elânio

HCl Cl- + H+

+ H+
O O

S S

O OH O O-

O
O

OH + OH-

Figura 6.4: Pares de ácidos e bases conjugadas

Como podemos ver, as bases conjugadas dos três ácidos são bastante distintas,
conferindo equilíbrios químicos diferentes em cada caso. Em água, sabemos que HCl está
100% dissociado. Logo, podemos entender que a base conjugada (Cl-) é bem estabilizada
pelo solvente, ou seja, é uma base fraca.
No caso do grupo tosilato, podemos notar que a base conjugada é capaz de fazer
ressonância, deslocando a carga negativa, o que diminui a basicidade do grupo. Por outro
lado, ácido acético é um ácido fraco e, portanto, o equilíbrio está deslocado para o ácido.
Isto mostra que o solvente não solvata (“envolve”) bem a hidroxila nem o acetílio. Ou seja,
temos base e ácido como conjugados fortes. Desta análise, podemos dizer que a hidroxila
é um grupo de saída ruim, enquanto que tosilato e cloreto são bons grupos de saída.

Solvatação (Verbo: Solvatar)


A solvatação consiste na interação de íons de um soluto com as moléculas do solvente.
Por exemplo, quando se dissolve cloreto de sódio (NaCl) em água, os íons de sódio
atraem moléculas de água que são polares, com os átomos de oxigênio de carga negativa
apontando para o íon positivo sódio (Na+).
A solvatação de íons de metais de transição também pode ocorrer por formação de
ligações coordenadas, tal como é o caso do íon hexa-aquocobre(II) ([Cu(H2 O)6 ]2+ ).
A solvatação é o processo que provoca a dissolução de sólidos iônicos, porque a energia
libertada compensa a energia necessária para quebrar a rede do cristal. Ocorre somente
com solventes polares.
A solvatação na qual o solvente é a água é designada de hidratação.
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Analisando mais de perto o mecanismo da substituição nucleofílica em compostos


carbonilados, podemos notar que grupos de saída eletrofílicos ajudam a aumentar a
velocidade de reação, pois vão dispersar a carga negativa gerada no estado de transição.
Por outro lado, grupos volumosos vizinhos à carbonila vão dificultar a aproximação do
nucleófilo (por impedimento estérico) e, consequentemente, diminuir a velocidade de
reação.
O Nu O
Nu
+ Nu- S_

S S Nu
S O-
O-

Estdo de Transição Intermediário

Figura 6.5: Mecanismo para substituição nucleofílica em compostos carbonilados.

Observando a Figura 6.5, podemos notar que no estado de transição existe o


desenvolvimento de uma carga negativa oriunda do nucleófilo. Esta carga se puder ser
espalhada pela molécula vai diminuir a energia do estado de transição (lembre-se que
carga concentrada requer energia para solvatar; a natureza prefere lidar com sistemas
pouco carregados) e consequentemente, aumentar a velocidade de reação. Assim, grupos
eletronegativos ligados ao carbono da carbonila favorecerão a reação.
Por outro lado, um grupo volumoso ligado à carbonila (t-butila, por exemplo), vai
causar grande repulsão eletrônica no estado de transição (note que a molécula sai de uma
estrutura plana no reagente para tetraédrica no estado de transição). Ou seja, elevação da
energia do estado de transição e diminuição da velocidade de reação.
A substituição nucleofílica em compostos carbonilados também pode sofrer catálise,
tanto pela adição de ácidos como por bases. Vamos acompanhar o que ocorre quando
adicionamos estes reagentes ao meio reacional (figura 6.6).
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O OH OH

+ Nu- + H+

S S S

Nu-

Nu
O

S
Nu O H

Figura 6.6: Substituição nucleofílica em compostos carbonilados catalisada por ácidos.

Como já dito em aulas anteriores, a reação entre um ácido e uma base é sempre
muito rápida. Portanto, o próton (catalisador) reagirá antes, com a base (carbonila), do que
o nucleófilo com a carbonila (neste caso a carbonila é o eletrófilo). O mesmo mecanismo
pode ser reescrito para a catálise básica. Todavia, o produto final é o sal do ácido
carboxílico (figura 6.7).
O OH
O

+ Nu- + OH-

S S
O- OH

OH-

O-

Figura 6.7: Substituição nucleofílica em compostos carbonilados catalisada por base.

Atividade 3

Nas reações abaixo, indique o grupo de saída e grupo acila em cada molécula. Em sua
opinião qual o melhor dos três grupos de saída?
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O
O

(a) H2O CH3OH


OCH3
OH
O O

(b)
CH3OH HCl
Cl OCH3
O O
O O
(c) CH3NH2 +
O OH
NH2

_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
Resposta comentada:
(a) O grupo acila é CH3CO tanto no reagente como no produto; o grupo de saída é –

OCH3. ;
(b) O grupo acila é CH3CO tanto no reagente como no produto; o grupo de saída é o
Cl-. ;
(c) O grupo acila é CH3CO tanto no reagente como no produto; o grupo de saída é –

OCCH3. ;

2. PREPARANDO DERIVADOS CARBONILADOS

Agora que você entende como ocorrem as reações de substituição na carbonila,


veremos como preparar seus derivados mais comuns no dia-a-dia, como já foi mostrado
anteriormente na tabela 1, no começo desta aula.
Partindo-se de um ácido carboxílico podemos preparar uma gama de derivados. Mas,
como preparamos um ácido carboxílico? Talvez a maneira mais fácil de fazermos um ácido
seja partir de um haleto de alquila e um sal de cianeto. Na primeira etapa temos uma
reação de substituição nucleofílica em carbono sp3, usando cianeto como nucleófilo. O
produto formado é nitrila, no caso propanonitrila. Na segunda etapa fazemos uma hidrólise
da nitrila, que tanto pode ser em meio ácido ou meio básico. Independentemente do meio,
o produto final é o ácido carboxílico, como mostrado na figura 6.8.
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Cl + NaCN
CN + Cl-

CN + H2O

HO- H3O+

O- OH

O O

Figura 6.8: Síntese de ácidos carboxílicos.

Na natureza existem várias fontes de ácidos carboxílicos. Os ácidos graxos, por


exemplo, são produzidos por plantas e animais, compondo parte essencial na nossa vida.
Na grande maioria os ácidos graxos possuem número par de carbonos, pois sua síntese é
feita a partir da acetil coenzima-A (acetil=2 carbonos), variando entre 4-28 átomos de
carbono. Todavia, existem ácidos com número ímpar de carbonos. Os ácidos carboxílicos
são preparados a partir da hidrólise das gorduras vegetais e animais, que é a forma
escolhida pela natureza para armazenar energia em seres vivos. Uma gordura, por sua
vez, é um triéster (figura 6.9) do glicerol, onde o ácido carboxílico varia de acordo com a
bioquímica do ser vivo.
R

O O

O O R
R

O O

Figura 9: Triéster (gordura) do glicerol.

Atividade 4: (Atende ao objetivo 1)


Como a hidratação de carbonilados é difícil de se comprovar experimentalmente, pois os
produtos não são isoláveis, usa-se água enriquecida com O18 para mostrar que houve
reação. Proponha um mecanismo para que exemplifique como acontece esta reação para
provar a hidratação.
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Rodrigo e Elânio

_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
Resposta comentada: Observando o mecanismo proposto abaixo (e mostrado acima),
podemos ver que o hidrato é formado pela incorporação de um grupo OH advindo da água.
Ao alcançar o equilíbrio, alguns compostos carbonilados retornarão ao reagente mantendo
o grupo OH da água marcada com o isótopo O18.
H

O + H+ O

H2O* + O H2O* OH H2O OH


ou

H2O

HO* OH H2O OH

O* O

Esquema 3: Hidratação de cetona com H2O* marcada com O18.


FIM DA RESPOSTA COMENTADA

3. A adição de organometálicos a compostos carbonilados


Compostos organometálicos são preparodos pela a partir de haletos de alquila e um
metal, normalmente, Zn, Mg e Li. O solvente para preparar o organometálico deve ser
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isento de água, para que não ocorra hidrólise do reagente. Mas, como é a estrutura de um
organometálico? Como o nome mesmo indica, um organometálico é um composto possui
um metal ligado à cadeia carbônica. No caso do Mg e Zn, sabemos que são compostos
divalentes, ou seja, vão se ligar a dois outros átomos. Além disso, estes metais possuem
carga positiva, jamais negativa. Assim sendo, o carbono terá que assumir a carga negativa
para que o composto seja eletricamente neutro. Como resultado desta ligação, podemos
dizer que estes compostos são relativamente polares, apresentando ligações C-Metal com
caráter iônico. O carbono ligado ao metal se comportará como carbânion.

M
M2+

Cl
Cl

Figura 6.10: Caráter iônico da ligação C-Metal em compostos organometálicos.


O método de preparação de compostos organometálicos se baseia na reação do
metal com um haleto de alquila em éter (como solvente).

Mg0
Cl M2+
O Cl

Figura 6.11: Formação de um composto organometálico.

Uma vez formado o reagente organometálico ou reagente de Grignard (em


homenagem ao pesquisador Francês que o descobriu, Victor Grignard, em 1912), o
composto carbonilado pode ser adicionado ao meio reacional, promovendo a adição do
Grignard à carbonila.
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O Mg O

Cl
MgCl

H3O+
OH OMgCl

Figura 6.12: Mecanismo de adicção de um organometálico à uma carbonila.

Note que ao final, adiciona-se ácido diluído ao meio reacional para hidrolisar o
produto de adição e liberar o álcool como produto final. A adição do ácido diluído também
ajuda a dissolver o Mg(OH)2 formado. Vale notar que alcoóis terciários são muito sensíveis
à ácidos, podendo sofrer desidratação, fornecendo olefinas como produtos finais da adição
de um reagente de Grignard à carbonilas, como mostra a figura 6.13.

H3O+
OH
OH2

Figura 6.13: Desidratação de álcoois formados pela adição de Grignard à carbonilas.

4. A adição de compostos metálicos à olefinas


Vamos mostrar agora como um composto metálico, em especial o Boro reage com
olefinas. Note que um reagente de Grignard não adiciona à uma olefina devido ao fato de
seu carbono apresentar caráter aniônico. Pelo fato de a dupla ligação de um alceno não
apresenta momento dipolar como ocorre na carbonila, o carbânio não pode interagir com
os átomos ricos em elétrons da olefina. Por outro lado, um átomo deficiente em elétrons vai
adicionar às olefinas facilmente.
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Apesar de não ser um cátion no BH3, o átomo de boro possui um orbital 2p vazio, o
que o torna um aceptor de um par de elétrons, ou seja, um ácido de Lewis. Por isso, BH 3
existe como dímero, cuja estrutura é tetraédrica, ver figura 6.14.
H H
H
2 BH3 B B
H
H H

Figura 6.14: Equilíbrio químico na formação do dímero da borana.

O orbital vazio do boro é apto a receber um par de elétrons de qualquer base de


Lewis, como por exemplo, sulfetos, hidretos, olefinas, como mostra a figura 6.15.
H H

B S H
B
S

H H
H

Figura 6.15: Reação ácido-base em boranas.

No caso de olefinas, temos o equilíbrio que , leva à total hidrogenação da olefina,


como na figura 6.16 abaixo:
H H
BH2

B H
B H

H H
H

H2O2 BH
B
OH + B(OH)3

Figura 6.16: Hidroboração de olefinas.

Assim como, para carbonilas que reagiram com o reagente de Grignard, as alquil
boranas possuem o átomo de carbono aniônico ligado ao boro. Portanto, para terminar a
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reação, basta lavar com peróxido de hidrogênio para termos o álcool e B(OH) 3, como
produtos finais.

5. A oxidação de alcenos
Alcenos podem ser oxidados por KMnO4, OsO4 e O3 a compostos oxigenados. De
modo geral, podemos dizer que o alceno reage como uma base e os agentes oxidantes
como ácidos de Lewis, como observado na figura 6.17.
O
O
Mn
KMnO4/HO-
HO OH
O O

MnO42-
O_
O O

+
+ O3

O O
O

O O
H2O/Zn O
+

O O

Ozonídeo

Figura 6.17: Oxidação de alcenos.

6. Alcenos e carbonilados na natrureza


Devido à grande reatividade dos alcenos frente a ácidos de Lewis e de Brönsted, os
alcenos são sujeitos à reações catalíticas que levam à formação de compostos aromáticos
(figura 6.18). Estes compostos, como vimos em aula anterior, podem levar ao
desenvolvimento de câncer.
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H
H3 O+

X X

(x = agente desidrogenante como Pd, Pt etc).


Figura 6.17: Rota mecanística para aromatização de olefinas.

Por toutro lado, a presença dos compostos carbonilados são presentes, no meio
ambiente, em quantidades traço (abaixo de 0,01 ppm). Todavia, em uma atmosfera com
metano e demais compostos orgânicos voláteis (COV), o formaldeído pode ser formado
pela oxidação destes COV, no processo chamado de smog fotoquímico. O termo inglês
smog é a aglutinação de duas outras palavras: smoke e fog (fumaça e névoa,
respectivamente).
Dois tipos de smog podem ocorrer e cada se caracteriza pelo composto(s) químico
majoritário: (a) de SO2 ou smog redutor e foi muito comum em Londres, na década de
1950 e, (b) smog fotoquímico, comum hoje em dia em cidades industrializadas com alta
densidade demográfica. O smog de SO2 foi bastante reduzido de vido ao controle nas
emissões de enxofre por combustíveis. Por outro lado, o smog fotoquímico ainda presente,
causa danos no sistema pulmonar e irritação nos olhos. Vamos ver como este smog se
forma.
O smog fotoquímico requer quatro ingredientes para acontecer:
1. Luz solar;
2. Hidrocarbonetos voláteis e NO;
3. Cidades densas que ajudem a impedir fluxo de ar;
4. Ar quente (acima de 25 oC).
O processo todo inicia na troposfera com a fotólise do NO2 pela luz UV.

NO2 + h → NO + O
O + O 2 → O3
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Por estas duas reações o ozônio seria formado continuamente, porém, existe um
outro processo que mantém a concentração do O3 contante:
O3 + NO → NO2 + O2

Contudo, sobre cidades populosas, a emissão dos carros contém muito NO, o que reduz a
concentração do ozônio, acabando com o equilíbrio das três primeiras reações. Além
disso, oxigênio atômico, formado pela clivagem do ozônio, pode reagir com COVs, gerando
HO. e, por sua vez, esta espécie pode reagir com os COV, formando aldeídos.

RH2CH + O → RH2C. + HO.


RH2C. + O2 → RH2COO.
RH2COO. + NO → RH2CO. + NO2
RH2CO. + O2 → RHC=O + HOO.

Desta forma, podemos ver a formação de aldeídos devido a poluentes causados


pelo uso de combustíveis fósseis, por exemplo. Do ponto de vista biológico, o smog
fotoquímico gera produtos irritantes aos olhos e pulmões; por outro lado, quimicamente
falando, estes compostos são passíveis de oxidar metais e cimento quando em contato.

ATIVIDADE FINAL
Indique o produto de reação em cada caso.
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O
MgBr

H3O+

HBr/H2O2

HBr

HCN

_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
Resposta comentada:
Os produtos em cada caso são:
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Rodrigo e Elânio

O OH
MgBr

H3O+

Br

HBr/H2O2

HBr
Br

O
OH

HCN

CN

FIM RESPOSTA COMENTADA

Conclusão
Nesta aula pudemos estudar a reação de substituição nucleofílica em compostos
carbonilados. Vimos que em compostos contendo bons grupos de saída como Cl -, Br-, I-,
OTs-, OCOR etc., a substituição ocorre com facilidade, não havendo adição nucleofílica.
Discutimos métodos de preparo de ésteres, amidas, ácidos carboxílicos e haletos de acila,
tendo sempre uma visão do estado de transição envolvido e como este influencia na
velocidade de reação.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. Organic Chemistry. Jonathan Clayden, Nick Greeves, Stuart Warren,
and Peter Wothers. Ed. Oxford University Press, 2000.
2. Química Orgânica, 5a. Edição. Morrisson e Boyd. Ed. Allyn and Bacon.
3. Química Orgânica, vol. 1, Solomons, ed. LTC.

SITES CONSULTADOS
Compostos Aromáticos e Alifáticos. Infopédia / Porto: Porto Editora, 2003-2010. Link:
<URL: http://www.infopedia.pt/$compostos-aromaticos>
Solvatação. Infopédia / Porto Editora, 2003-2010. Link: <URL:
http://www.infopedia.pt/$solvatacao>.