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A beleza total e completa não vem até nós de uma pessoa

amada, ou de uma paisagem, ou de uma casa, mas somente


por meio delas. Esses bens terrenos são coisas concretas e,
naturalmente, nós os prezamos, mas eles não constituem a
realidade final. Eles nos apontam para o que está mais acima
e nos fundamentos. J. R. Tolkien

A beleza é terrível! Terrível, porque indefinível. Deus só nos deixou


enigmas. Os extremos se tocam e todas as contradições se misturam.”

A liturgia do ordinário

Quando a trama da noite ainda pairava horizonte, vi as cores do dia, matizes


que, ainda tímidas, se despejam sobre terra! E no silencio da manhã, ouvi o artífice
da vida trabalhando a matéria prima da existência!
Acordei pasmo, perplexo, admirado com o milagre diante dos meus olhos.
Como um artista que articula uma grande obra, o autor da vida ia colorindo as
primeiras linhas de um novo amanhecer!
A música dos pássaros, as flores que desabrochavam, o vento que acariciava
a minha face. Tudo ressoava como acordes arranjados na mais bela melodia, ou
como as nuances de um poema que exprimem seu sentido nas entrelinhas.
Neste dia, este cenário inigualável, fez-se lembrar da famosa frase de Fiódor
Dostoiévski:

A beleza é terrível! Terrível, porque indefinível. Deus só nos deixou enigmas. Os


extremos se tocam e todas as contradições se misturam.

De repente, em um lapso temporal, acordei! Então, fiquei ali por alguns


minutos em silêncio e pensativo na possibilidade de compreender aquele devaneio.
Quando me dei conta, percebi que estava sonhando acordado e não mais conseguia
distinguir entre o sonho e a realidade. Foi quando me lembrei de uma de uma frase
de William Shakespeare:

“Somos feitos da mesma matéria que compõe os nossos sonhos”


A beleza em Os Irmãos Karamazov

A beleza é terrível! Terrível, porque indefinível. Deus só nos deixou


enigmas. Os extremos se tocam e todas as contradições se misturam. Eu,
irmão, sou pouco instruído, mas já pensei sobre tudo isso. Quantos
mistérios! Isto é demais para o homem. Decifra-os como pode e sai
sequinho da água. Oh! a beleza! Não posso suportar que um homem de
coração superior e poderosa inteligência tenha a Madona por primeiro
ideal e Sodoma por último. Ainda mais terrível, porém, é ter já o ideal de
Sodoma na alma e não negar o da Madona, sentindo o coração se
abrasar, sim, abrasar-se como nos inocentes anos da juventude. Não, o
homem é largo em suas concepções, muito largo. Eu gostaria de torná-lo
mais estreito. Diabo! O que ao cérebro aparece como abjeção é, para o
coração, a quintessência da beleza. Estará a beleza encarnada em
Sodoma? É lá que ela reside para a grande maioria dos homens –
conhecias este mistério? O que mais me apavora é que a beleza não é só
terrível, mas também misteriosa. O demônio luta com Deus e o campo de
batalha são os corações humanos. Aliás, é sempre assim: fala-se daquilo
que nos faz sofrer.

posted by Andre de Oliveira at 18:56

2 Comments:

 Este comentário foi removido pelo autor.

By Olhodolago, at 1:51 da tarde

 Gosto tanto desse trecho.


Dilacerante, lindo...

Dostoievski é incrível.

By Olhodolago, at 1:51 da tarde


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