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Felipe Ribeiro Vieira

Iniciação Tecnológica cursada no primeiro semestre de 2015

Amplificador Diferencial

Relatório apresentado à
Coordenadoria de Iniciação Científica
e Integração Acadêmica da
Universidade Federal do Paraná por
ocasião da conclusão das atividades
de Iniciação em desenvolvimento
tecnológico e inovação – 2015/2015.

Professor Oscar da C. Gouveia Filho


Departamento de Engenharia Elétrica

Curitiba
2015
Resumo

Com o avanço da tecnologia, os circuitos integrados (Cis) começaram a ficar mais


complexos e menores. Para se projetar um circuito integrado é necessário passar por
diversas etapas, entre as quais se pode citar análises teóricas e simulações
computacionais, para se obter um resultado satisfatório. Um dos componentes básicos de
circuitos integrados analógicos é o amplificador operacional de dois estágios polarizado
por uma fonte de corrente. Objetivo deste trabalho é projetar um amplificador operacional
CMOS com ganho variável. O projeto do amplificado consiste em 2 etapas: análise teórica
do circuito para determinar sua função de transferência; dimensionamento dos
transistores e determinação da corrente de polarização para atender a um conjunto de
especificações. Em seguida se faz a simulação do circuito para confirmar se as
especificações foram atendidas. As especificações utilizadas neste projeto foram:
200MHz de produto ganho banda, 3,7V de inversão dos transistores, 0,22 Cc e 600nm de
lenght nos transistores.
Para varação do ganho optou-se por utilizar uma fonte de corrente programável
digitalmente, realizada por um divisor de corrente binário MOS de 3 bits, obtendo-se
assim 7 valores distintos de ganho. Os resultados obtidos foram: aproximadamente 36dB
de ganho máximo, aproximadamente 20dB de ganho mínimo, 200MHz de produto ganho
banda, 5​µA de corrente mínima e 30µA de corrente máxima.
Objetivo
Como objetivo principal, o projeto visa a construção de um amplificador diferencial
com ganho variável. Inicialmente, haverá o estudo dos circuitos integrados necessários
para a construção do amplificador. Logo após, faz se necessário o aprendizado da
ferramenta de programação do circuito integrado (Cadence), para este aprendizado
necessita do desenvolvimento de circuitos e suas analises. Um dos circuitos utilizados
para a analise é o amplificador de dreno comum (figura 1). Nestes circuitos se faz as
analises ac e dc para se concluir ganho e outras variâncias.

Figura 1 – ​amplificador de dreno comum utilizado para aprendizado e análise.

Em seguida, haverá a criação do amplificador diferencial. Para se construir o


amplificador se precisa escolher previamente certos valores. Como a inversão dos
transistores, o produto ganho banda, etc. Calculando todas as especificações por meio de
formulas se pode simular no software o circuito e concluir se o resultado foi alvejado. A
figura 2 mostra o design do amplificador escolhido.
Por ultimo, deve-se projetar o divisor de corrente que irá controlar a corrente que
de entrada do amplificador. Por consequência, o ganho variável. Para isso, deve-se
escolher o numero de bits do divisor e o modelo dele. Pois ele pode ser normal ou de
saturação. Deve-se analisar a porcentagem de erro das correntes em cada divisor e ver
qual funciona melhor para cada situação. Isto é feito por simulações. A figura 3 mostra o
modelo de divisor de corrente simplificado.
O ganho do amplificador varia conforme a corrente de entrada. Para ele funcionar
binariamente com o divisor de corrente se faz necessário a mudança manual de cada
fonte de tensão dos transistores do divisor. Por isso, a cada mudança de tensão e
corrente, deve-se calcular o ganho.

Figura 2 –​ amplificador diferencial.


Figura 3 –​ divisor de corrente simplificado.

Introdução

Os circuitos integrados são essenciais em todos os equipamentos eletrônicos


atualmente. Com isso, uma melhor performance com menor consumo de energia são
fatores alvejados por todas as empresas de tecnologia. Os amplificadores são partes
essenciais de vários componentes, por isso o alto estudo nesta área.

O projeto vem como teste de um modelo de amplificador para baixas tensões e


correntes, com isso, uma possível utilização em outros componentes. Seu modelo de 2
fases deixa o amplificador mais sensível a variações de corrente e sua resposta no
ganho. Com a maior diferenciação de cada corrente se faz uma variação maior em cada
ganho. Podendo assim ser utilizado em vários projetos que precisem de ganhos variáveis.

Materiais e Métodos

Amplificador diferencial de 1 fase:

Utilizando o software Cadence da IBM com tecnologia de 130 nm. Foi projeto o
amplificador de 1 fase para observar o quão sensível é o amplificador a diferentes
correntes. Para isso, foi utilizado o produto ganho banda como 200MHz e 3V como
inversão dos transistores. Outras especificações para a construção do amplificador estão
na tabela 1. Foi utilizado a formula 1 para calcular a corrente total que iria no espelho de
corrente. Para se conseguir o Gm se utilizou a formula 2. O molde do amplificador
diferencial de uma fase esta representado na figura 4.
gm . n . ∅e . if
Id =
2(√1+if −1)
Formula 1 – ​corrente total.

g m = 2π . Cc . Gbw
Formula 2 – ​calculo do gm.

Porem, este amplificador não reagiu muito bem as variações de corrente. Pois são
ganho não variou conforme a corrente variava. Sendo assim, sua utilização não era a
mais sensata para o projeto. Então, foi escolhido o amplificador diferencial de duas fases
como mostra a figura 2.

Cc ∅e Gbw Cox µ​n


−3
1pF 26mV 200MHz 11,5. 10 0,440

Tabela 1 –​ constantes utilizadas no amplificador diferencial.

Figura 4 – ​amplificador diferencial com 1 fase.


Amplificador diferencial de duas fases:

If = 1,8:

Primeiramente foi escolhido como nível de inversão dos transistores que iriam
compor o amplificador como 1,8 V. Utilizando este valor e mais as constantes da tabela 2,
foi-se calculado a corrente de entrada do amplificador. Para isso se utilizou as formulas 1
e 2.

Cc ∅ Cox µ​n µ​p L


−3 −4
0,22pF 26mV 11,5. 10 0,440 98,55. 10 600nm

Tabela 2 – ​constantes utilizadas no amplificador diferencial (1,8).

Obtendo-se assim, a corrente Id = 5,75​µ​A e um gm de 2,76. Para o calculo das


dimensões dos transistores foi utilizado a formula 3 e a formula 4. Obtendo-se como
resultado L = 600nm e W=9,35​µ​m para os transistores nmos e L=600nm e W=42​µ​m para
os transistores pmos. O transistor da parte superior esquerdo possui, por definição, um
gm igual a 10 vezes maior que o gm encontrado para os outros transistores. Por isso,
suas dimensões são maiores. As dimensões deste transistor são L=600nm e W=820​µ​m.
O L (length) dos transistores são todos iguais porque foi utilizado o menor valor possível
para a tecnologia em que o projeto foi montado. O transistor do lado esquerdo inferior
possui um W= 310,1​µ​m e os transistores do espelho de corrente que faz o fornecimento
para o amplificador possuem um W de 18,7​µ​m.
∅t² W
I s = n . µn . Cox . 2
. L
Formula 3 – ​calculo do Is.

W Id
L
= Is . if
Formula 4 - ​calculo das dimensões.

Com todos os dados prontos e o circuito projetado corretamente, foi feita as


analises ac do circuito. No começo, foi apenas utilizada a corrente Id calculada para se
constatar o valor do ganho com a corrente desejada. O valor do ganho foi de 14dB como
mostra o gráfico 1.

Foi feito também a analise dc do circuito como mostra o gráfico 2.


Gráfico 1 – ​analise ac.

O gráfico 3 mostra que a variação da corrente no amplificador não muda o ganho.


Isso significa que não ira importar a corrente que entra no amplificador, seu ganho
continuara o mesmo. Sendo assim, foi projetado o amplificador diferencial com o valor
maior de inversão para se conseguir o ganho e efeito desejado.
Gráfico 2 – ​analise dc do amplificador (1,8).

Gráfico 3 – ​analise paramétrica do ganho.


If = 3,7:

Foi utilizado o valor de inversão dos transistores igual a 3,7 para se determinar os
ganhos do amplificador. As formulas para se calcular os valores de corrente e dimensão
são as mesmas utilizadas nos outros amplificadores. Os valores das constantes são os
mesmos da tabela 2. O valor do gm dos transistores do amplificador é de 2,76. Sendo
assim, sua corrente Id possui o valor de 6,8​µ​A.
Utilizando as formulas 3 e 4 para se calcular as dimensões dos transistores foi
adquirido o W = 5,37​µm para os transistores nmos e 24µm para os pmos. O transistor 6 possui
−3
um gm = 2,76. 10 e um W = 480µm. Os transistores do espelho de corrente possuem um W =
10,7µm e o transistor adjacente possui W = 107,6µm. Após obter os dados, foi feita uma análise dc
como demonstra a gráfico 4.

Gráfico 4 - ​analise dc do amplificador (3,7).

A seguir, foi feita à analise ac do circuito com sua corrente calculada e a resposta
esta representada no gráfico 5. O ganho obtido foi de 15dB. A analise paramétrica do
ganho apresentou uma diferença no ganho para cada corrente de entrada. Sendo assim,
este amplificador se mostrou adequado para a utilização no divisor de corrente binário. A
analise paramétrica esta representada no gráfico 6.
Gráfico 5 – ​analise ac para corrente calculada (3,7).

Gráfico 6 – ​analise paramétrica ac (3,7).


Resultado de ganho para cada corrente:

Cada uma das 7 correntes consideradas no projeto precisa-se calcular o ganho.


Para isso foi modificado o valor da fonte de corrente na entrada do amplificador e o valor
da fonte de tensão para se obter o ganho máximo em cada corrente.

A primeira corrente é de 5​µ​A e o valor na fonte de tensão dela é de 714,33mV. O


gráfico 7 mostra o ganho da corrente.

Gráfico 7 – ​ganho para a corrente de 5​µA.

A segunda corrente é de 9,17​µA e o valor da tensão correspondente é 684,85mV. O


gráfico 8 mostra o ganho equivalente a esta corrente.
Gráfico 8 – ​ganho para a corrente de 9,17​µA.

A terceira corrente tem o valor de 13.33​µ​A e possui uma tensão equivalente a


corrente de 671.01mV. O gráfico 9 apresenta o ganho desta corrente.

Gráfico 9 – ​representação do ganho da corrente de 13.33​µA.

A quarta corrente do projeto é a de valor 17,50​µ​A, sua tensão correspondente é de


662,4mV.
O gráfico 10 representa o ganho nesta corrente.
Gráfico 10 – ​ganho equivalente a corrente 17,50µA.

A quinta corrente do circuito é de 21,67µA. Sua tensão correspondente equivale a


656,24mV​. ​O gráfico 11 representa o ganho desta corrente.

Gráfico 11 – ​representa o ganho do circuito com a corrente de 21,67µA.

A sexta corrente do circuito tem o valor de 25,83µA e uma tensão correspondente de


651.4mV. O gráfico 12 demonstra de foma gráfico o ganho desta corrente no circuito.
Gráfico 12 – ​demonstração gráfica do ganho da corrente de 25,83µA.
​ A corrente máxima é de 30.00µA. Sua tensão correspondente é de 648.20mV. Sendo
esta a ultima corrente possível fornecida pelo divisor binário. O gráfico 13 mostra o ganho
correspondente a esta corrente.
Gráfico 13 – ​ganho equivalente a corrente de 30,00µA.

Divisor de corrente binário:

Para se obter as correntes dos circuitos diferenciadas e por consequência


conseguir ganhos variados, foi necessário o projeto de um divisor de correntes binário. O
divisor divide por 2 a corrente total conforme o numero de bits escolhido. Cada divisão da
corrente gera 2 correntes de valores iguais, sendo que a primeira é direcionada a saída e
a segunda se direciona a próxima divisão (ou bit). Para que isso ocorra, cada transistor do
circuito deve conter as mesmas dimensões, ou seja, possuir o mesmo valor de W. Pois,
com os transistores do mesmo tamanho se pode garantir a divisão igual da corrente em
cada bit. A perfeição da divisão da corrente corresponde a tensão aplicada ni gate de
cada transistor. Isso significa que quanto menor a tensão aplicada no circuito menor sera
a precisão na corrente obtida.

Utilizando-se do mesmo método aplicado nos amplificadores de analise dos


transistores para se obter os valores das dimensões dos transistores. Foi calculado o
valor de W que corresponde a 23,73µm. O valor de L se contem constante em 600nm.

Saturação:

Primeiramente se foi projetado o divisor de corrente binário que funciona-se na


região de saturação. O molde deste divisor está representado na figura 4. Este divisor
funciona, no primeiro bit, como um espelho de corrente. Por consequência, o primeiro bit
deste divisor corresponde a corrente total do circuito. O erro percentual na corrente
conforme se diminui a tensão no gate é alto. Por isso não foi utilizado como forma de
variar a corrente no amplificador diferencial.

Figura 5 – ​divisor binário da corrente (saturação).


Divisor Projetado:

Conforme mostra a figura 3, o molde de um divisor de corrente funciona de forma


sistemática e quanto maior a tensão no gate mais precisa as parcelas da corrente será. A
figura 6 mostra o circuito do divisor de corrente utilizado sem as fontes de tensão que
fazem a sequencia binaria. Para se obter as 7 correntes utilizadas nos ganhos (gráficos 7
à 13), projetou-se um divisor de 3 bits, demonstrado na figura 6. Os erros, em
porcentagem, das correntes necessitadas são de 6,5% utilizando uma tensão no gate de
0,85V. Neste projeto, a tensão utilizada foi de 1.2V. Nestas circunstancias, o erro
percentual foi quase nulo. Outro fator para a escolho deste divisor é o modo como ele
divide a corrente. 0 primeiro bit corresponde a uma corrente de 15µA, sendo que para se
obter a corrente total, 30µA, deve-se acionar todos os bits do circuito. Ao contrario do
divisor de saturação que para cada parcela menor se deve desativar um bit. A última
saída do amplificador possui 2µA, isso se deve ao fato que as divisões seriam infinitas.
Por isso, a última saída é uma corrente não significante para o circuito. O divisor é
projetado para variar a corrente conforme o circuito precise de um ganho diferenciado.
Deixando-se o circuito flexível. O circuito foi acoplado a entrada do amplificador
diferencial.

Para variar os bits do projeto se utiliza 3 fontes de tensão e 3 portas logicas não
(not). Quando aplicada a tensão na fonte de corrente ela fornece o bit 1 e o bit 0. Se
aplicou 2 transistores em paralelo em cada saída do divisor. Se o bit for fornecido, apenas
o transistor que está acoplado ao amplificador será ativado. Sendo assim, no transistor
com o bit 0 não ira passar a corrente.
Figura 6 – ​divisor de corrente binário.

Resultados e Discussão

O projeto do amplificador diferencial de 2 fases foi um sucesso. O ganho variou em


cada uma das 7 correntes fornecida pelo divisor binário de 3 bits. Sendo assim, o circuito
pode ser utilizado no futuro. A necessidade de estudar os amplificadores e suas respostas
foi alta, pois para cada amplificador analisado sua resposta poderia não funcionar como
esperado. Como ocorreu com o amplificador de 1 fase ou com o amplificador diferencial
de 2 fases com 1,8V de inversão. O funcionamento do amplificador junto com o divisor de
corrente se mostrou funcionar de maneria satisfatória. Se utilizou da ferramenta ADE L
para analisar o ganho em cada corrente com os dois circuitos juntos. A diferença no
ganho entre cada corrente variou entre 2dB a 8dB. Sendo que o proposto para o projeto
era ocorrer uma variação no ganho para cada corrente. O ganho máximo é de
aproximadamente 36dB e o ganho mínimo é aproximadamente 20dB.

A corrente máxima projetada para o divisor de corrente binário é de 30​µA e a


corrente mínima é de 5µA. O divisor apresentou um erro mínimo entre a corrente calculada e a
corrente simulada computacionalmente. Por este erro ser baixo, o ganho entre as correntes ocorreu
dentro do esperado. A cada corrente o amplificador projeta um ganho diferente e como o divisor de
corrente funcionou os ganhos foram alcançados.

Todas as especificações contidas nas análises teóricas, como: produto ganho banda; nível de
inversão; gm e corrente Id foram mantidos nas análises computacionais e os resultados na
ferramenta ADE L se mostraram os mesmos projetados.

Referências

Gouveia. Oscar Costa Filho. ​Um Modelo Compacto do Transistor MOS para
Simulação de Circuitos.​ 1999 158 páginas. Universidade Federal de Santa Catarina.
Santa Catarina.
Klimach. Hamilton. ​Modelo do descasamento ( ​mismatch ) ​entre transistores MOS.
2008 161 páginas. Universidade Federal de Santa Catarina. Santa Catarina.

A. Sedra, K. Smith. ​Microeletrônica​. Pearson Pratice Hall, 2007.