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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR MINISTRO PRESIDENTE DO

SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

(NOME DO IMPETRANTE), advogado, que


esta subscreve, conforme instrumento de mandato incluso, inscrito na
OAB/Estado sob o nº ..., endereço eletrônico ..., com endereço profissional à
Rua ..., nº ..._, Bairro ..., Cidade/Estado, CEP ..., local indicado para receber
intimações, nos termos do artigo 77, V, do Código de Processo Civil, vem,
respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, com fundamento no artigo
5º, LXVIII, da Constituição Federal, bem como nos artigos artigo 647, e
seguintes, do Código de Processo Penal, impetrar o presente HABEAS
CORPUS PREVENTIVO COM PEDIDO LIMINAR em favor de JOVENTINA
AMARO, brasileira, casada, profissão, portadora do RG nº ..., inscrita no CPF
sob o nº ..., residente e domiciliada na Rua ..., nº ..._, Bairro ...,
Cidade/Estado, CEP ..., com endereço eletrônico ..., contra ato do
PRESIDENTE DA COMISSÃO PARLAMENTAR DE INQUÉRITO NO
SENADO FEDERAL, com sede de suas atividades na Rua ..., nº ..._, Bairro ...,
Cidade/Estado, CEP ..., pelos motivos de fato e de direito a seguir aduzidos.

I. DOS FATOS
A Paciente foi convocada a comparecer, na
condição de testemunha, no dia 10 de abril de 2019, pelo Impetrante, tendo
em vista a investigação aberta para apuração de eventual esquema de
corrupção na PETROBRÁS.
A mesma foi Ministra de Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior, entre os anos de 2014 e 2018, e por conta de
seu cargo, a imprensa está veiculando informações a respeito de sua
participação, além de ter seu nome mencionado em delação premiada pelo ex-
presidente da PETROBRAS, causando lhe temor por uma possível prisão
arbitrária.

II. DO CABIMENTO
O presente habeas corpus é o remédio
constitucional adequado e encontra cabimento no artigo 5º, LXVIII, da
Constituição Federal, que dispõe:
“LXVIII - conceder-se-á habeas corpus sempre que
alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer
violência ou coação em sua liberdade de locomoção,
por ilegalidade ou abuso de poder;”

Neste caso, a Paciente sofre a ameaça do


cerceamento da sua liberdade de locomoção, por ter sido intimada para prestar
depoimento na CPI, e teme pela sua prisão.
Assim sendo, não há outra ferramenta a ser
utilizada, senão a concessão do remédio constitucional em questão.

III. DA COMPETÊNCIA

O Supremo Tribunal Federal é o Tribunal


competente para julgar a referida concessão.
O artigo 102, I, i, da Constituição Federal,
dispõe que:
“Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal,
precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-
lhe:

I - processar e julgar, originariamente:

i) o habeas corpus, quando o coator for Tribunal


Superior ou quando o coator ou o paciente for
autoridade ou funcionário cujos atos estejam sujeitos
diretamente à jurisdição do Supremo Tribunal Federal,
ou se trate de crime sujeito à mesma jurisdição em
uma única instância;”
Neste caso, a autoridade coatora está
submetida a julgamento direto pelo Supremo Tribunal Federal.
Portanto, não há outro Tribunal competente
senão o Supremo Tribunal Federal.

IV. DO DIREITO
A Carta Magna garante, como um dos direitos
fundamentais, que ninguém poderá ter cessado seu direito a locomoção. O
artigo 5º, XV, da Constituição Federal, prevê que:

“XV - é livre a locomoção no território nacional em


tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos
da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus
bens;”

De acordo com o doutrinador JOSÉ AFONSO


DA SILVA, a oposição a liberdade da pessoa física é a detenção, a prisão ou
qualquer impedimento à locomoção da pessoa, inclusive a doença. Liberdade é
a possibilidade jurídica que se reconhece a todas as pessoas de serem senhoras
de sua própria vontade e de se locomoverem-se desembaraçadamente dentro
do território nacional. Inclui também a possibilidade de sair e entrar no
território nacional (Curso de direito constitucional positivo. 29 ed. São Paulo:
Malheiros, 2007).
Ora vista, a paciente teme sofrer lesão ao seu
direito de ir e vir, ainda mais por conta da imprensa está veiculando
informações de sua participação em eventual esquema de corrupção na
PETROBRAS.
Outro direito fundamental ameaçado é o
direito ao silêncio, no qual está previsto no artigo 5º, LXIII, da Constituição
Federal, que assim dispõe:
“LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre
os quais o de permanecer calado, sendo-lhe
assegurada a assistência da família e de advogado;”
A regra constitucional transcrita garante ao
preso o direito de permanecer calado. Mas como regra básica aos direitos
fundamentais, a interpretação destes devem ter a maior eficácia que lhes
emprestem, ou seja, conferir às normas constitucionais relacionadas a direitos
fundamentais, o sentido que lhes confira mais efetividade, conforme ensina J. J.
GOMES CANOTILHO: "Este princípio, também designado por princípio da
eficiência ou princípio da interpretação efetiva, pode ser formulado da seguinte
maneira: a uma norma constitucional deve ser atribuído o sentido que maior
eficácia lhe dê. É um princípio operativo em relação a todas e quaisquer normas
constitucionais, e embora a sua origem esteja ligada à tese da atualidade das
normas programáticas (THOMA) é hoje sobretudo invocado no âmbito dos
direitos fundamentais " (Direito constitucional. 5. ed. Coimbra: Almedina,
1991).
Sendo assim, a interpretação da referida
norma não pode ficar restrita somente àqueles que estão sendo presos e sim é
prerrogativa constitucional atribuída a todos os indivíduos, mesmo que
respondendo a processos ou a qualquer outro tipo de acusação.
Tal direito deve ser garantido à paciente de
permanecer calada, e também dando o direito de não declarar contra si
próprio, proporcionando a segurança jurídica para silenciar ou não quando lhe
foram feitos questionamentos.
Portanto, a paciente se vê na ameaça de
sofrer uma prisão arbitrária e de ter violado o seu direito ao silêncio, fazendo-se
necessário impetrar com este presente habeas corpus.

V. DA LIMINAR
Justifica-se o pedido de liminar tendo em vista
que o fumus boni iuris está presente pela possível violação ao direito de
locomoção e o direito ao silêncio, considerando que a prisão é inconstitucional,
pois existe dano irreparável à liberdade de locomoção da paciente.
O periculum in mora se caracteriza pela
proximidade da data para o depoimento, e se não for concedida a liminar, a
paciente terá que prestar o depoimento sem nenhuma proteção jurídica.

VI. DO PEDIDO E DOS REQUERIMENTOS


Diante do exposto, o impetrante requer de
Vossa Excelência:
a) A juntada aos autos dos documentos
que comprovam que o paciente se encontra ameaçado de sofrer coação em sua
liberdade de locomoção;

b) A concessão da liminar no presente


pedido de habeas corpus, com a expedição de salvo conduto, em favor da
paciente;

c) A notificação da autoridade
coatora/impetrado para prestar informações;

d) A determinação da oitiva do
representante do Ministério Público;

e) No julgamento de mérito, a
confirmação da liberdade, ratificando-se a liminar concedida.

Termos em que,
pede deferimento.

Local ou Município, data.

Nome do advogado
OAB/Estado sob o nº ...

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