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INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO EDUCACIONAL DO ALTO URUGUAI

FACULDADE IDEAU
Credenciado pela Portaria nº 2.721 de 3 de setembro de 2004
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU
Resolução CNE/CES nº 1/2007 do Parecer nº 263/2006 do M.E.C.
E-mail: pos@ideau.com.br

ANÁLISE DE VIBRAÇÕES GENERALIZADAS EM MÁQUINAS PESADAS: UM


ESTUDO DE CASO

BARBIERI, Cristian Klein1*


KOSSMANN, Sidnei2
COSTA, Gisele Maria Tonin3

RESUMO: Neste trabalho foi realizado um estudo de caso sobre um operador de máquinas pesadas que é
exposto diariamente à vibração de corpo inteiro, também conhecida com vibração generalizada, e sofre com
algumas doenças características desta situação. Tem como objetivo estudar os efeitos da vibração no corpo
humano, destacando as principais doenças ocupacionais geradas pela exposição contínua através de
levantamento bibliográfico e comparação com o caso estudado. Em seguida são elencadas as principais normas
que tratam das análises qualitativa e quantitativa deste tipo de vibração. Por fim, são estudados e sugeridos meios
para mitigação da vibração e seus efeitos nos operadores.

Palavras-chave: Vibrações; Máquinas pesadas; Doenças ocupacionais.

ABSTRACT: In this work a case study was realized about a heavy machine operator that is daily exposed to a
whole body vibration and has characteristic diseases. It aims to study the effects of vibrations in the human body
and the main occupational diseases generated by continuous exposure through a bibliographic survey and
comparison with the case studied. Then, the main norms that deal with the qualitative and quantitative analysis
of this type of vibration are listed. Finally, methods to mitigate vibration and its effects on operators are studied
and suggested.

Keywords: Vibration; Heavy machines; Occupational diseases.

1 INTRODUÇÃO

“Veículos aéreos, terrestres e aquáticos, bem como maquinarias (da indústria ou


agricultura) expõem o homem à vibração mecânica, interferindo no seu conforto, na eficiência

1
Bacharel em Engenharia Mecânica; Técnico em finanças; Acadêmico de Engenharia e segurança no trabalho.
2
Bacharel em Engenharia mecânica; Acadêmico de Engenharia e segurança no trabalho; Técnico mecânico e
professor de disciplinas relacionadas a mecânica e formação profissional SENAI RS e JUMPER
3
Orientadora. Pedagoga, Especialista em Planejamento e Gestão da Educação, Mestre em Educação.
Coordenadora do Curso de Pedagogia, professora de cursos graduação e pós-graduação da Faculdade IDEAU.
gisele@centereletronica.com.br
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Artigo apresentado para conclusão do Curso de Especialização Lato Sensu Faculdade IDEAU
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do seu trabalho e, em algumas situações, na saúde e segurança” (INTERNATIONAL


ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION, 1978, p. 5).
Segundo dados estatísticos pode se perceber um elevado índice de doenças
ocupacionais no Brasil, porém ainda não é dada a devida atenção para os efeitos da vibração
no corpo humano. Evidencia-se que as atividades nas quais os colaboradores são expostos a
vibração merecem especial atenção, visto que, ter conhecimento dos riscos inerentes a
atividade é crucial para se identificar meios de prevenção.
De acordo com Saliba et al. (2002, apud Richter, 2012, p. 3), pessoas expostas à
condições severas de vibração desenvolvem “problemas na região dorsal e lombar,
gastrintestinais, sistema reprodutivo, desordens no sistema visual, problemas nos discos
intervertebrais, degeneração na coluna vertebral”
As normas regulamentadoras – NR, relativas à segurança e medicina do trabalho, são
de cumprimento obrigatório, porém não dispensam a observância de convenções e acordos
coletivos de trabalho (BRASIL, 2009). A Fundacentro publicou duas normas de higiene
ocupacional, em janeiro de 2013. A NHO 09 apresenta procedimento técnico para a avaliação
da exposição ocupacional a vibrações de corpo inteiro. Já a NHO 10 estabelece critérios para
avaliar a exposição ocupacional a vibrações em mãos e braços. Ambas têm como foco a
prevenção e o controle dos riscos, trazendo uma abordagem preliminar do risco de caráter
qualitativo e a medição quantitativa, quando necessária.
A vibração é um mecanismo relacionado com algumas atividades de trabalho que pode
ocasionar em nosso corpo uma série de problemas. Este trabalho tem a pretensão de
identificar as principais doenças relacionadas às vibrações generalizadas, relacionando-as com
um caso prático e estudar de que forma pode-se evitar ou reduzir este problema.
Com isso em mente é elaborado o seguinte problema de pesquisa deste trabalho: Quais
são as principais doenças relacionadas à vibração generalizada no ambiente de trabalho

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durante o uso de máquinas pesadas? Quais as normas pertinentes e como atenuar essa
consequência?

1.1 Objetivos
Visando responder este problema de pesquisa, dando respostas para as perguntas
levantadas, é definido como objetivo: Investigar as principais doenças relacionadas à vibração
do corpo inteiro, no uso de máquinas pesadas, estudando as normas pertinentes à área e
propondo formas de atenuá-las.
Assim, são definidos os objetivos específicos. Primeiramente foi realizado o
levantamento bibliográfico pertinente, em seguida fez-se necessário estudar as normas
relevantes sobre o tema visando encontrar formas de mitigação dos danos. Em posse desse
conhecimento o próximo passo foi relacioná-lo a um caso real da região, por fim destacou-se
possíveis formas de prevenir as doenças ocupacionais decorrentes das atividades que
exponham os colaboradores às vibrações generalizadas e sugerir formas de evitar o agravo das
já existentes.

2 DESENVOLVIMENTO

Nesta parte do trabalho é detalhado o referencial teórico, a metodologia empregada e


os resultados encontrados. Contém a exposição ordenada e pormenorizada do assunto tratado
do estudo.

2.1 Referencial Teórico


“Reynaud foi quem primeiro descreveu em 1862, os distúrbios vasculares observados
em indivíduos expostos a vibrações de mãos e braços, em sua tese intitulada Local
Asphyxiaand Symmetrical Gangrene of the Extremities.” (FILHO, 2011).
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Vendrame (2010, p. 1) elucida que desde o trabalho pioneiro iniciado em 1911 por
Loriga, onde é descrita a síndrome da vibração nos trabalhadores que operavam marteletes em
pedreiras, ligando com o fenômeno de Raynaud, muitos pesquisadores passaram a estudar o
assunto, resultando em milhares de artigos científicos a respeito das vibrações transmitidas às
mãos e braços.
De acordo com Pasinato (2017, p. 21), “A vibração é um agente nocivo presente em
várias atividades laborativas do nosso cotidiano. Na indústria é muito comum o uso de
máquinas e equipamentos que em sua maioria produzem vibrações, as quais podem ser
nocivas ao trabalhador”. Sobre isso Tuiuti (2017) explica que:

Pessoas que trabalham com maquinário pesado, que causa tremulações no corpo, são
as mais propensas a sofrer com os males das vibrações ocupacionais. Quem lida com
o asfaltamento de ruas, compactação de terra, perfuração ou executa qualquer outro
trabalho que envolve exposição a vibrações está sujeito a sofrer dores no corpo e
desenvolve problemas degenerativos com o passar do tempo. As vibrações podem
ser sentidas em todo o corpo quando o trabalho está relacionado à operação de
tratores, máquinas de terraplanagem, máquinas industriais, caminhões, entre outros
equipamentos de grande porte. Quando o trabalho envolve o uso de ferramentas
manuais como furadeira, compactadores, peneiras vibratórias e motosserras, as
vibrações afetam apenas regiões específicas, como mãos, ombros e braços.

Pasinato (2017, p. 22) destaca que as vibrações de corpo inteiro, também conhecidas
como vibrações generalizadas são de baixa frequência e alta amplitude, entre 1 e 20 Hz.
Sendo características em plataformas industriais, veículos pesados, tratores, retroescavadeiras,
embarcações marítimas e fluviais, trens, etc. Podendo ocasionar lesões na coluna vertebral e
como consequência dores lombares. Neto (2016), explica que a exposição por longa duração à
estas vibrações pode danificar o sistema nervoso central autônomo, resultando em fadiga,
irritação, cefaleia, problemas de coração, impotência, tendências a desenvolver tensão
muscular. Além de desordens espinhais, problemas musculares e de juntas, muito frequentes

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em motoristas de tratores, ônibus, caminhões, operadores de trens e operadores de


equipamentos pesados usados no asfaltamento.
Mesmo com todas estas consequências citadas o PPRA e o PCMSO das empresas
normalmente omitem esse agente. Nas ações trabalhistas de insalubridade, assim como nas
aposentadorias especiais, a caracterização da possível exposição à vibração também era
prejudicada em razão da dificuldade dos profissionais em aplicar os critérios de avaliação das
normas ISO. Porém existe uma nova regulamentação, na qual está incluso no anexo I do
PPRA a análise preliminar da exposição à vibração e as medidas de controle (MULTEE,
2014).
Em relação às medidas de controle Pasinato (2017, p. 27) esclarece que no mercado já
existem luvas antivibração, cuja eficácia já foi confirmada por diversos estudos, também se
recomenda instalar nas máquinas alguns dispositivos atenuadores. Além disso, existem EPIs
como calçados, luvas, proteção de punho, isoladores de vibração, sistemas de suspensão e
assentos antivibratórios, que ajudam a absorver as vibrações. Porém deve ser dada atenção na
utilização destes equipamentos, pois a maioria dos trabalhadores não gosta de usá-los e eles
são eficientes apenas para determinadas frequências de vibrações.
No seu artigo Neto (2016) comenta que até 1983 as perícias de insalubridade para
pessoas expostas á vibração eram realizadas quantitativamente, já que não existiam normas
para definir os limites de tolerância para exposição à vibração. Porém como já foi mencionado
em 83, a Portaria 12 do Ministério do Trabalho deu nova redação ao anexo 8 da NR 15,
determinando então a avaliação quantitativa para caracterização da insalubridade por vibração.
Sobre as normas ISO, ele explana que a norma ISO 5349 detalha a avaliação da vibração
localizada, enquanto que a norma ISO 2631 trata da avaliação quantitativa da vibração de
corpo inteiro, como pode ser visto a seguir:

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Devido ao fato de que os limites dados nesta Norma Internacional aplicam-se à


vibração no ponto de entrada do próprio corpo humano (isto é, na superfície do
corpo, mas não, por exemplo, à subestrutura de um assento elástico, a qual pode
transportar a vibração em direção ao homem), as medições de vibração deverão ser
feitas tão perto quanto possível do ponto ou área da qual a vibração é transmitida ao
corpo. Por exemplo, se o homem estiver em pé no chão ou sentado em uma
plataforma sem qualquer material elástico entre o corpo e a estrutura de sustentação,
o transdutor de medida ou “pick-up” deverá ser fixado àquela estrutura. Quando
existir qualquer elemento elástico, como almofada de assento, é lícito interpor
alguma forma de suporte transdutor rígido (por exemplo: fina chapa metálica
convenientemente modelada) entre o sujeito e a almofada; deve-se, porém, tomar
cuidado para certificar-se de que tal dispositivo não afetará a transferência de
vibração ao homem através da almofada ou introduzirá movimentos rotatórios que,
do contrário, estariam ausentes. Desta forma, se não for possível medir a vibração no
homem, no ponto de absorção, então as características de transmissão da almofada
do assento ou outro elemento elástico devem ser determinadas e levadas em
consideração ao calcular-se a vibração real transmitida ao corpo. Em tais casos as
características do sistema de amortecimento devem ser relatadas
(INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION, 1978, p. 5).

Já a NR-09 (BRASIL, 2009), em seu Anexo I que trata das vibrações, explica que a
avaliação preliminar da exposição é feita qualitativamente, levando em consideração os
seguintes aspectos:

• Ambientes de trabalho, processos, operações e condições de exposição;


• Características das máquinas, veículos, ferramentas ou equipamentos de trabalho;
• Informações fornecidas por fabricantes sobre os níveis de vibração gerados por
ferramentas, veículos, máquinas ou equipamentos envolvidos na exposição, quando
disponíveis;
• Condições de uso e estado de conservação de veículos, máquinas, equipamentos e
ferramentas, incluindo componentes ou dispositivos de isolamento e amortecimento que
interfiram na exposição de operadores ou condutores;
• Características da superfície de circulação, cargas transportadas e velocidades de
operação, no caso de vibrações de corpo inteiro;
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• Estimativa de tempo efetivo de exposição diária;


• Constatação de condições específicas de trabalho que possam contribuir para o
agravamento dos efeitos decorrentes da exposição;
• Esforços físicos e aspectos posturais;
• Dados de exposição ocupacional existentes;
• Informações ou registros relacionados a queixas e antecedentes médicos relacionados
aos trabalhadores expostos.

2.2 Material e Métodos


O estudo constitui-se uma investigação bibliográfica, com um estudo de caso
envolvendo um operador de máquinas pesadas que presta serviços em uma prefeitura da
região do Alto Uruguai Gaúcho, com abordagem qualitativa.
Segundo Oliveira (2014), o estudo de caso é útil quando o fenômeno a ser estudado é
amplo e complexo e não pode ser estudado fora do contexto onde ocorre naturalmente. Ele é
um estudo empírico que busca determinar ou testar uma teoria. A tendência do Estudo de
Caso é tentar esclarecer decisões a serem tomadas. Ele investiga um fenômeno
contemporâneo partindo do seu contexto real, utilizando de múltiplas fontes de evidências.
Fez-se a identificação dos riscos oriundos da vibração gerada durante o exercício de
atividades com máquinas pesadas através de levantamento bibliográfico, então relaciona-se
estes riscos e seus danos com os danos que o operador relata ter. A seguir são estudadas
normas brasileiras e internacionais pertinentes ao tema proposto, a fim de verificar os meios
usuais de mensuração das vibrações generalizadas e as formas de mitigação dos seus efeitos,
evitando assim que novos danos sejam causados ao operador e o agravo dos já existentes.
Para a abordagem qualitativa é utilizado o sistema descrito no Anexo I da NR-09
conforme demonstrado na revisão bibliográfica. A identificação dos riscos provenientes da
exposição a vibração generalizada e seus danos na saúde do operador foi realizada através de
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levantamento da literatura. Para os dados do estudo de caso foi realizada uma entrevista com
o operador, na qual ele relatou suas condições de trabalho, sua doença ocupacional,
apresentou exames médicos e atestados que teve ao longo dos anos. Por fim, a sugestão de
meios para redução dos danos foi baseada em conhecimentos obtidos ao longo da pós-
graduação e obtidos na realização deste estudo.

2.3 Análise dos Resultados


Tendo levantado uma base considerável de conhecimento através do estudo
bibliográfico, o próximo passo foi realizar o estudo de caso, então feita uma entrevista com o
operador.

2.3.1 Entrevista com o operador


Inicialmente o operador (47 anos) foi questionado, conforme os aspectos do Anexo I
da NR-09, como pode ser visto a seguir:

I. Ambientes de trabalho, processos, operações e condições de exposição:


Realiza carregamento de terras, minérios e outros materiais, também faz
terraplanagens e escavação de terrenos, principalmente no perímetro rural. Trabalha de
segunda a sexta com jornada semanal de trabalho de 44h.
II. Características das máquinas, veículos, ferramentas ou equipamentos de trabalho:
O operador trabalhou por aproximadamente 15 anos com uma pá carregadeira Fiatallis
FR12B semelhante à da Figura 1. Posteriormente esta máquina foi para outro setor e uma
New Holland FR12C foi adquirida (Figura 2).

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Figura 1: FR12B.
Disponível em: https://rj.olx.com.br

Figura 2: FR12C.
Disponível em: http://www.tradetratores.com.br

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III. Informações fornecidas por fabricantes sobre os níveis de vibração gerados por
ferramentas, veículos, máquinas ou equipamentos envolvidos na exposição, quando
disponíveis:
Não se tem acesso aos documentos da primeira máquina.
Na máquina atual o operador acredita que não existam tantos riscos, por ser uma
máquina mais nova, com mais funcionalidades e dispositivos para operação e conforto.

IV. Condições de uso e estado de conservação de veículos, máquinas, equipamentos e


ferramentas, incluindo componentes ou dispositivos de isolamento e amortecimento que
interfiram na exposição de operadores ou condutores:
A máquina antiga (FR12B) apresentava problemas semanalmente, como quebra de
peças, vazamento de óleo, rompimento de mangueiras, dando sinais de péssimo estado de
conservação.
Na atual o operador relata que apenas são realizadas as manutenções periódicas, que o
banco é mais confortável que ele percebe vibrar menos que a antiga.

V. Estimativa de tempo efetivo de exposição diária:


O tempo médio diário trabalhado com a máquina estimado pelo operador é de
aproximadamente 6 horas.

VI. Constatação de condições específicas de trabalho que possam contribuir para o


agravamento dos efeitos decorrentes da exposição:
Altas jornadas de trabalho ininterruptas, trabalha constantemente em terrenos
acidentados, que aumentam a vibração da máquina. Normalmente suas atividades são
desenvolvidas em campo aberto, exposto ao sol.

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VII. Esforços físicos e aspectos posturais:


Na maior parte do tempo trabalha sentado, eventualmente desce da máquina para
realizar alguma atividade circunstancial, como deslocar alguma pedra, destrancar valetas ou
bueiros, entre outros.

VIII. Dados de exposição ocupacional existentes:


Além da vibração que é o item de estudo deste trabalho, o operador recebe
insalubridade devido ao ruído ao qual está exposto. Também deve ser consideradas a
exposição ao sol e as condições ergonômicas, como má postura, longas jornadas na mesma
posição e movimentos repetitivos.

IX. Informações ou registros relacionados a queixas e antecedentes médicos


relacionados aos trabalhadores expostos:
Em março de 2014 o operador foi afastado do serviço devido a uma lesão no braço,
com ultrassonografia foi identificado espessamento e calcificação do tendão distal do bíceps
caracterizando uma tendinose, enquanto que o tendão do tríceps apresentou entesopatia.
Em julho de 2014 com uma nova ultrassonografia foi identificado tendinose em seu
manguito rotador direito e degeneração na articulação acrômio clavicular. Ainda em julho o
operador foi encaminhado para tratamento fisioterapêutico para ruptura no tendão do bíceps,
visando diminuir a dor e melhorar a amplitude de movimento e resistência muscular.
Em dezembro de 2017 o operador foi identificado com hérnia de disco e osteofitose
em diversas vértebras.

2.3.2 Principais doenças ocupacionais relacionadas a vibração generalizada e sua relação


com o estudo de caso

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Através da revisão bibliográfica foram identificados os principais problemas


relacionados a vibração generalizada, dentre os quais pode-se destacar:
• Desordens gastrointestinais;
• Distúrbios visuais;
• Danos no sistema nervoso;
• Aumento da frequência cardíaca;
• Problemas neurológicos como perda de equilíbrio e dificuldade de concentração;
• Lesões na coluna vertebral;
• Degeneração do tecido muscular.
Percebe-se que algumas destas doenças ocupacionais já foram constatadas no operador,
além disso, foi observado que o operador utiliza óculos, também relatou que sofre de pirose,
podendo haver relação com os distúrbios visuais e gastrointestinais causados pela vibração.
Desta forma fica claro que o operador é uma das vítimas da vibração ocupacional, restando
assim tomar atitudes para evitar o agravamento destas doenças e o surgimento de outras.

2.3.3 Medidas de mitigação das doenças ocupacionais


A análise qualitativa da vibração deve ser feita preliminarmente conforme o Anexo I
da NR-09. A análise quantitativa da vibração generalizada deve ser feita de acordo com a ISO
2631 enquanto que a análise da vibração de mãos e braços é feita conforme a ISO 5349.
A melhor forma de diminuir a vibração nas máquinas é tomar medidas ergonômicas na
fase de projeto das mesmas (forma adotada pelo empregador deste estudo de caso). As
máquinas devem ser lubrificadas regularmente e passar por manutenções periódicas. Existem
dispositivos amortecedores, um assento confortável ajuda minimizar os danos. Em longas
jornadas também recomenda-se pausas programadas para evitar a exposição contínua do
operador.

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Assim, mesmo com o operador trabalhando com uma máquina mais nova e, segundo
ele, mais cômoda, ainda recomenda-se que esta máquina esteja sempre em boas condições de
uso, que seja dada especial atenção para seu assento e que o operador adote pausas
estratégicas durante seu turno, para assim diminuir a exposição a vibração generalizada.

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os objetivos propostos inicialmente foram alcançados, sendo que as doenças


ocupacionais comumente relacionadas a vibrações generalizadas foram encontradas, assim
como as principais normas que tratam do assunto. Também foi realizado a análise qualitativa
no estudo de caso, neste ponto o ideal seria a realização da análise quantitativa para confirmar
a vibração acima dos limites, porém não pode ser realizada por falta de equipamentos e
recursos. Por fim foram apresentadas as melhores formas de reduzir os impactos da vibração
nos colaboradores.
Deve-se tentar eliminar a vibração ainda na fase de projetos, se não for possível,
prioriza-se por dispositivos atenuantes e isoladores. As máquinas devem ser mantidas em bom
estado, lubrificadas e com as manutenções em dia. Esgotadas todas as alternativas de
mitigação da vibração deve-se adotar pausas durante a jornada de trabalho.
Tendo em vista que a maioria das doenças geradas pela vibração generalizada são de
difícil tratamento, podendo não ter cura é muito importante que os empregadores que
possuem máquinas que geram vibrações possam realizar regularmente a medição da vibração.
Assim pode-se tomar medidas que neutralizem ou reduzam os riscos no ambiente de trabalho,
visando proteger a saúde do trabalhador.

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REFERÊNCIAS

BRASIL, Ministério do Trabalho e Emprego. NR-01: Disposições gerais. 2009.

______. NR-09: Programa de Prevenção de Riscos Ambientais. 2009.

INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION. ISO 2631 - Guia para


avaliação da exposição humana à vibrações de corpo inteiro. Genebra, 1978.

FILHO, Jose A. P. Análise do ruído e da vibração na utilização de roçadores motorizados. In:


XXXI Encontro Nacional de Engenharia de Produção: 2011, Belo Horizonte. Anais... Belo
Horizonte: ENGEP. 2011.

MULTEE. Vibrações Ocupacionais. 2014. Disponível em:


<http://www.multee.com.br/vibracoes-ocupacionais>. Acesso em: 13/04/2018.

NETO, Nestor W. Vibrações ocupacionais. 2016. Disponível em:


<https://segurancadotrabalhonwn.com/vibracoes-ocupacionais>. Acesso em: 07/04/2018.

OLIVEIRA, Emanuelle. Estudo de caso. 2014 Disponível em:


<https://www.infoescola.com/sociedade/estudo-de-caso/>. Acesso em: 07/04/2018.

PASINATO, Janaína. Higiene ocupacional 1. Rio Grande do Sul, 2017. (Apostila).

RICHTER, Tarciso. Avaliação do nível de exposição à vibração em operadores de tratores:


um estudo de caso para vibrações de corpo inteiro e sistema mão-braço. UFRGS, 2012.

TUIUTI. Entenda o que é vibração ocupacional e seus riscos à segurança do trabalho. 2017.
Disponível em: <https://www.epi-tuiuti.com.br/blog/entenda-o-que-e-vibracao-ocupacional-e-
seus-riscos-seguranca-trabalho>. Acesso em: 07/04/2018.

VENDRAME, Antonio C. Vibrações Ocupacionais. Estado da arte. 2010. Disponível em: <
http://www.higieneocupacional.com.br/download/vibracoes_vendrame.pdf>. Acesso em:
13/04/2018.

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