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Coordenação Geral:
Prof. Ulysses M Santos

EPP
ESCOLA PSICANALÍTICA PAULINA

CEHFORTE
COMPORTAMENTO EMOCIONAL HUMANO COM FORMAÇÃO TEOLÓGICA

CURSO DE FORMAÇÃO EM PSICANÁLISE CLINICA

MÓDULO XXIV
PSICANÁLISE E DEPENDÊNCIA QUÍMICA
(Apostila exclusiva para os docentes e estudantes da AEP)

Equipe Docente da AEP


Coordenada pelo
Prof. Dr. Ulysses M Santos (IBF)
Médico psiquiatra, Psicanalista e Pneumapsicanalista.

Endereço da sede da AEP, Aulas, Psicoterapias e Administração:


Rua Lauro Cunha Freire, 160, Ilha de Monte Belo, Vitória, ES,
CEP:29.053- 200.

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I – REFLEXÃO
COMPORTAMENTO DE JESUS
“Deram-lhe a beber vinho misturado com fel; mas ele, provando-o, não quis beber.”
Mat 27: 34
Se analisarmos todo o sofrimento de Jesus em favor da humanidade, poderíamos afirmar
que Ele tinha motivos de sobra para experimentar as drogas. Para usar uma substância
entorpecente que pudesse amenizar suas dores. Influenciasse suas decisões e o modo de
encarar as agruras da vida e de sua responsabilidade diante da sociedade que vivia.

1. Era filho, humanamente falando, adotivo.


2. Estava longe de sua pátria, de sua casa – Fp 2:5-11
3. Foi tentado.
4. Foi rejeitado pelos seus.
a) O Povo – Mat. 27:21-23
b) Seus discípulos – Mat. 26:31
c) Seus amigos – Mat. 26:74-75
5. Fizeram conspiração contra Ele – Mat. 26:4
6. Agiram com falsidade para com Ele e o traíram – Mat. 26:15-16, 21, 48-50
7. Foi incompreendido.
a) Por Pedro – Mat. 16:21-23
b) Pelos discípulos – João 21:2-3
c) Pelos seus ensinos – Lucas 24:25-26
8. Sofrimento e Dor
a) Solidão e abandono – Mat. 26:36-40
b) Perseguição – Mat. 26:47
c) Dor Física – Mat. 26:65-68, 27:26
d) Dor Moral – Mat. 27:27-28
e) Humilhação – Mat. 27:29-31
f) Foi injustiçado

PORQUE JESUS NÃO USOU DROGAS?


1. Tinha propósitos definidos, objetivos
a) Dar a vida em resgate de muitos – Isaías 53
b) Veio buscar e salvar o que se havia perdido – Lc. 19:10
c) Veio para servir a humanidade – Mat. 20:28
d) Veio para desfazer as obras do diabo – I João 3:8
2. Não foi vítima indefesa da incompreensão da vontade de Deus. – Mat. 26:42
3. Possuía uma paternidade – João 1:14, 3:35

CONCLUSÃO
1. Jesus conquistou o direito de ser o LSD (Liberdade Sem Drogas) da humanidade – I
Co 6:12, o Maior e o Melhor prazer
2. Jesus encoraja a humanidade dizer não, mesmo que tenha que sofrer a afronta – At
5:41
3. Jesus ensina-nos a ter propósitos definidos na vida – Lc 14:28

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II - EXPERIÊNCIAS DA VIDA
Todo ser humano passa por experiências na vida. São os Momentos Históricos Sociais
(MHS) de cada indivíduo. São os desafios da escola da vida, do ser humano como ser
individual e social em toda sua integralidade, intersetoriaidade, interdisciplinaridade e
resiliência.

PENS AMENTOS
Lógica e idé ias O que nós pensamos
certamente afeta o modo como
nos sentimos e o que fazemos

O TRIANGULO DE
EXPERIÊNCIAS DA VIDA É UM
CÍRCULO INFINITO NO QUAL
PENSAMENTOS,
SENTIMENTOS E AÇÕES
ESTÃO SE INFLUENCIANDO
AÇÕE S EM OÇÕES CONTÍNUA E MUTUAMENTE

O modo como
sentimos as coisas
afeta fortemente o
que pensamos e o
que fazemos
O medo pode nos paralisar e nos
tornar inativos; a raiva pode nos
fazer atacar; as crenças otimistas
podem nos dá coragem

III – DEPENDÊNCIA QUÍMICA A CRISE ENTRE O TER E O SER


“Somos os autores da nossa própria doença”
1. TRIANGULO DO INDIVÍDUO (necessidades, expectativas e reações)

Desejo (compulsão) – Oferta da Droga

SER (indivíduo) Vivência (MHS)

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2. VULNERABILIDADE ESPECÍFICA – Lei: Física, moral, emocional e espiritual
3. CONCEITOS – psicoativas e psicotrópicas, lícitas e ilícitas
a. Droga
b. Tóxico
c. Remédio

4 – QUERER E EFETUAR
1. Um grande abismo
2. Um vácuo, oco, vazio
3. Fonte de prazer efêmero, passageiro e utópico

5 – “NÃO SE PÕE REMENDO NOVO EM PANO VELHO”


1. Conflito provocado – RDC 101 (Norma Regulamentadora da ANVISA) que
regulamenta toda a intervenção, seja qual for adotada, em Dependência Química.
a. Amor suave – amor e importância, mas, não é o centro das atenções.
b. Amor severo – Busca desesperada da lei, do interdito, do limite.
2. Lugar de Confronto e dor, para desmistificar, desestruturar, desestabilizar o “ganho
secundário” Não é Lamber feridas e viver de ganho secundário
3. Recuperação não é Spah, colônia de férias, acampamento. As feridas precisam ser
expostas e espremidas. Varrer, Lixar, talhar, marretar e derrubar (implodir) – Todo
dependente em recuperação é equiparado a um canteiro de obra.

6 – ATADURA EMOCIONAL – Cordão umbilical


1. Negligência
2. LIBERDADE FALSA
a. Faça tudo o que desejar - Licenciosidade e Gratificação instantânea e imediata
b. Faça tudo o que sua emoção mandar – libertinagem
c. Faça tudo que seu comportamento individual exigir, não tenha limites –
liberalidade
d. Viva uma vida de permissividade e indulgências
e. Cometa todo tipo de depravação e torpeza.
f. Os fins justificam os meios (manipulações, mentiras, fábulas, historinhas,
meias verdades)
g. Não se submeta as autoridades
h. Seja vítima e viva na auto-piedade.

IV - NÍVEIS DO PROCESSO DE ABORDAGEM NA RECUPERAÇÃO – Jô 5:1-14, Mc


10:45, Lc 19:10, I Jô 3:8, Sl 34:22,
1. ALIENAÇÃO – Tudo que acontece no mundo, não é de nosso interesse. Viver num
mundo virtual. Evitar qualquer tipo de ação. Criticar e condenar os que praticam.
“Dane-se o mundo que eu não me chamo Raimundo”, “Dependente Químico tem que
morrer”
a) Alienação Monástica – Não sou do mundo e devo fugir do mundo
b) Alienação Tradicional – Não sou do mundo, estou no mundo, não devo fugir do
mundo, mas, devo viver isolado, intra-mundo e defender-se do mundo.

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2. ASSISTENCIALISTA
a) Imediatismo temperado com superficialismo.
b) Palavra principal: DAR. Carregada de paliativo.
c) Atende ao interesse do assistencialista. DESPERTA COMPAIXÃO.
3. EDUCATIVO
a) Incomparavelmente superior. “Ensinar a pescar” – Multiminstério.
b) Prepara a pessoa para ocupar um lugar na Estrutura Social Excludente, por
natureza, não acolhe. DESPERTA INTERESSE.
4. PARTICIPATIVO – Rompe com o desnivelamento nas relações. DESPERTA
PACIÊNCIA E HUMILDADE.
a) Um que tem para outro que não têm.
b) Um que sabe para outro que não sabe.
c) Todos procuram juntos, soluções.
d) São criadas associações comunitárias, conselhos de moradores e etc., que
podem interagir diretamente junto aos poderes constituídos e obter soluções
de seus problemas.
e) Nossos templos fechados a maior parte da semana, podem ser excelentes
lugares para reunir as comunidades e associações para que discutam e tomem
decisões.
5. AÇÃO TRANSFORMADORA – DESPERTA SABEDORIA
a) Reinserção social, reintegração social.
b) Discipulado, vidas marginalizadas transformados em cristãos ativos e
reprodutivos. Is 49: 6,8
c) Missão da Igreja
 Profética – At 8:32-35
 Restauradora – II Co 5:14-15, Ef 4:28
 Glorificadora - Pv 4:18, Mt 5:16

CONCLUSÃO: O trabalho de RECUPERAÇÃO exige uma longa experiência de


aprendizado.
V - A psicanálise das toxicomanias e das adicções

1º- Sobre as noções de toxicomania com e sem droga em Freud


Freud se utiliza de uma terminologia própria para se referir às toxicomanias propriamente
ditas, isto é, às toxicomanias das substâncias químicas, ou das drogas: "accoutumance",
traduzido para português como "hábito"; e "dépendance", que corresponde a "dependência"
na tradução do termo para o português (Freud, 1890/1991a, p. 19 e 1905/1972d, p. 312). A
expressão "Accoutumance" é assim definida no Grand Dictionnaire de la Psychologie:

1. hábito (...)
2. Estado resultante do consumo repetido de uma droga, e provocante do
desejo de repeti-lo (...).

De maneira mais geral, o hábito representa apenas um dos aspectos da farmaco-


dependência ou das toxicomanias: a adaptação ou habituação do sujeito exposto a tomada
regular de uma substância psicotrópica. Ele implica num grau indubitável de dependência
psicológica, e é por certos autores (por exemplo, A. Porot) sinônimo do fenômeno de
tolerância fisiológica: a adaptação do organismo a uma substância implica, então, um
aumento das doses para obter um efeito idêntico.“A tolerância é uma das chaves da
dependência física” (Valleur, 1991a, p. 5)
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Portanto, ao se utilizar acima dos termos "hábito" e "dependência", Freud se refere à
toxicomania propriamente dita das substâncias químicas. Contudo, além disso, parece que
ele lhe dá também um sentido mais geral e metafórico. Mais precisamente, ao importar os
termos "hábito" e "dependência", especificamente utilizados para se referir à substância
química, para o campo das relações humanas

2º - TEORIAS
1. TEORIA DA ORALIDADE – “Três ensaios sobre a teoria da sexualidade”
Quando, por opção ou mesmo na falta dessa, o paciente é internado num centro de
tratamento com características de comunidade terapêutica, na maior parte das vezes irá se
deparar com uma estratégia de tratamento que contempla a teoterapia como atividade
terapêutica principal. A teoterapia, muitas vezes em conjunto com a psicoteologia, é a
responsável pela tentativa de remodelamento interior que o dependente irá experimentar.
Nessa tentativa, a busca da espiritualidade, a comunhão com um Deus soberano, supremo
e sábio, é que, espera-se, moverá as estruturas internas do dependente e fará com que ele
erga novas pilastras de sustentação do seu caráter. Um dos grandes problemas
encontrados, entretanto, para que isso ocorra, guarda estreita relação com um dos
comportamentos mais execrados pelas comunidades terapêuticas e que pode ser
encontrado em oito entre dez dependentes de drogas: a compulsão sexual expressa na
masturbação excessiva.
Enquanto a masturbação do dependente químico é a extensão da sua compulsão (cuja raiz
está na não satisfação do auto-erotismo infantil projetado junto a mãe) o dependente de
drogas se masturba como um sucedâneo para mitigação de suas satisfações represadas
desde a infância
O sexo, para Freud, é a energia vital que move o homem.
Na argamassa dessa construção, a criança passará por todas as fases do
desenvolvimento: a oral, anal, fálica, edipiana, a puberdade, adolescência e a adulta. A
família disfuncional permitirá o surgimento na primeira infância de quadros compulsivos.
Avulta, nesse aspecto, a importância da fase oral.
“Freud foi o primeiro (1905), a destacar a presença de fixações orais em
dependentes químicos. Escreveu em seus três ensaios sobre a teoria
da sexualidade: " ... Da importância erógena da região labial,
constitucionalmente determinada. Se esta importância persistir, estas
crianças quando crescerem, torna-se-ão epicuros do beijo, inclinar-se-
ão ao beijo pervertido, ou, se do sexo masculino, terão poderoso motivo
para beber e fumar." (Freud, S. (1905), Três ensaios sobre a teoria da
sexualidade, in: Sigmund Freud, Obras Completas, Vol 7, Ed. Imago,
Rio de Janeiro,1972, citado por Sérgio Paulo Ramos, em “Da
contribuição de fatores psicodinâmicos na gênese da dependência
química”).
“Para estes autores os dependentes químicos estariam fixados na fase oral, como
resultado de imperativos constitucionais ou determinantes biográficos. Uns e outros
contribuindo para a não resolução de conflitos primitivos. Desta maneira a relação com a
droga representaria a satisfação das necessidades orais – capaz de reviver o orgasmo oral
infantil, como referiu Rádo em 1926 – com sentimento de triunfo sobre as outras pessoas”. O
mesmo autor, afirma que Vaillant (A História Natural do Alcoolismo Revisitada, 1995, Artes
Médica, Porto Alegre), uma das maiores autoridades mundiais em alcoolismo, não concorda
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com essa oralidade quando se fala em alcoolismo.

Paralisado na oralidade difusa, o dependente químico tem ainda de se a ver com a


agressão natural que não pôde exercer na infância. Engolir choro, ver-se proibido de
qualquer manifestação de desagrado, com tentativas constantes de acomodação e sempre
carente da nutrição emocional da qual foi privado, ele pode cultivar um agressividade
destruidora e latente. Quem adia o ódio, odeia dia-a-dia. No vácuo da desatenção, da vilania
ou da permissividade familiar, o potencial compulsivo propenso a desenvolver um superego
violento, encontrará frestas para se manifestar. Com sua oralidade não satisfeita,
desequilíbrio na mediação da gratificação, ele pode desenvolver uma vivência perversa
contra si e contra os outros. Compulsivo, ele exibirá atitudes de busca do “orgasmo oral
infantil”, quando se voltará para o beber ou comer compulsivo, o fumar desbragadamente
(cigarro ou qualquer coisa), ou o sexo, mecânico e instintivo, que lhe foi “negado” nas
proibições e imposições da infância.
Para estes autores os dependentes químicos estariam fixados na fase oral,como
resultado de imperativos constitucionais ou determinantes biográficos.Uns e outros
contribuindo para a não resolução de conflitos primitivos.Desta maneira a relação com a
droga representaria a satisfação das necessidades orais - capaz de reviver o orgasmo oral
infantil,como referiu Rádo em 1926 - com sentimento de triunfo sobre as outras pessoas.

2. TEORIA DAS RELAÇÕES NARCÍSICAS


Que o envolvimento com substâncias psicoativas implicitaria uma relação narcisística
parece também concordar Clark (1919) quando sublinha a importância das regressões
profundas no alcoolismo, tais como as identificações primárias com a mãe, combinadas o
intenso auto-amor (narcisismo); e Kielholz (1924), citado por Rosenfeld (1964) quando inclui
o alcoolismo como uma neurose narcísica. Estão também de acordo com o caráter narcisista
da dependência química Simmel (1930), Rádo (1933), e Fenichel(1945).
Simmel (1930) avança nesta direção ao mencionar que "as mães dos toxicômanos, não
raro, são sedutoras e super-indulgentes enquanto mãe nutrícia,retirando,elas mesmas,um
prazer auto-erótico do amamentar",coisa com o que concorda Knight(1937) acrescentando
que: "elas procuram aplacar o bebê satisfazendo-o constantemente,de modo que o
desmame eventual da criança só poderá significar traição da mãe,que aliás,a levou a
esperar indulgência,e a criança tenta por todos os meios reaver aquela experiência perdida"
O fato é que sejam por atributos maternos, sejam por características do próprio indivíduo
(constitucionais ou não), parece haver uma concordância entre os autores revisados, que na
dependência química existiria fundamentalmente uma relação narcísica objetal onde a
substância seria a fonte desta satisfação.Portanto a droga vista como fonte de prazer
(narcísico).
Em 1987, Olievenstein e seus colaboradores (Oliviestein,1990), chamaram atenção para o
problema da falta.Para estes autores,talvez mais importante do que o prazer narcísico
propiciado pelas drogas,esteja o sentimento de falta determinado por elas.As mães
insuficientemente boas gerariam um estado de crônica falta.Uma falta oceânica e jamais
saciável.Desta óptica,o depender de drogas seria o resultado do deslocamento deste
sentimento de falta para um objeto,com a notória vantagem de este ser alcançável em
qualquer esquina do mundo.
Olivienstein desenvolve, portanto, a linha tangenciada por Winnicott (1953) quando este
compara o "vicio em drogas” a um objeto transicional.

3. TEORIA DAS RELAÇÕES MANÍACAS


O fato de que, na vigência do efeito das substâncias psicoativas, o indivíduo
experimentar sensações de enaltecimento pessoal, com consequente reforço da

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onipotência, sempre chamou a atenção dos vários psicanalistas, que tentaram melhor
entender a psicodinâmica dos dependentes químicos.Assim é que Freud (1917,1927)
destacou a relação entre a elação alcoólica e a mania.
Caracteristicamente defendem-se com idealizações, identificações com o objeto ideal e o
controle onipotente dos objetos.
Clark (1919) talvez tenha sido o primeiro a chamar atenção para a importância do
exame da relação entre depressão e dependência química. Nisto foi seguido por uma
infinidade de outros pesquisadores que tiveram sempre o desafio de tentar separar qual
condição determinaria a outra.
Seja, no entanto mania ou depressão, do ponto de vista destas contribuições, estas
seriam condições prévias, onde o uso de substâncias psicoativas apareceria como
subproduto.

4. TEORIA DAS PERVERSÕES


Abraham (1908) concorda com isso, sustentando que o comportamento, muitas vezes
criminoso, de alcoolistas se daria devido a liberação, pelo álcool, de perversões como o
sadismo e o masoquismo.
Kielholz( 1924),citado por Rosenfeld (1964), avança nesta direção ao esclarecer que
tanto umas(fantasias homossexuais), quanto outras (sádicas) estariam ligadas às
ansiedades relacionadas a cena primária.
Rádo (1926) enfatiza que a homossexualidade do toxicômano se desenvolveria sob a
influência do masoquismo e as drogas um papel meramente liberalizante;para outros a
dependência química,em si, precisaria ser entendida dentro do referencial perverso.

O método psicanalítico implica, de alguma maneira, que a dependência química seja


estudada do presente para o passado, uma vez já instalada, portanto.

VI – “NEM TUDO QUE RELUZ É OURO”


“A gente não se liberta de um hábito atirando-o pela janela: é preciso fazê-lo descer a escada,
degrau por degrau” Mark Twain

“Curar quando possível, aliviar quando a cura não for possível e consolar quando não se
puder fazer mais nada”. Hipócrates
1. Quando se fala de drogas, percebem-se três formas de entendimento:
 A primeira é aquela que as pessoas buscam conhecer os aspectos técnicos
específicos.
 A outra, de pessoa que querem conhecer, e combater só com a forma moral.
 E uma outra, formada pelas pessoas que acreditam que teriam sucesso apenas com
as técnicas religiosas.

2. CONCEITOS FUNDAMENTAIS
 De acordo com o que se pensa, tem-se a noção do que deve-se ou não fazer; do que
pode-se ou não fazer; do que é adequado ou não. Ou seja, dá o direcionamento das
decisões e das condutas.
 E, se os conceitos são coletivos, o entendimento também é coletivo, podendo ser
mais homogêneo. A comunicação fica mais uniforme, facilitando todos os atos, todos
os procedimentos na área em questão.

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3. CONCEITOS
 Droga no Brasil significa no sentido popular alguma coisa ruim. Droga nos países de
língua inglesa é drug.
 Misticismo Persa = Demônio
 pharmakon - grego antigo: remédio ou veneno. Qualquer droga (substância)
produzida ou modificada tecnicamente.

4. CONCEITOS
 Tóxico vem do grego antigo toxon - arco, dardo ou flecha. Aquilo que pode matar
mesmo em pequena quantidade.
 Dependente: é a pessoa que faz uso da substância psicoativa e que preenche os
critérios estabelecidos pela OMS - farmacodependente.
 Etilista ou alcoolista - A designação sem conotação de adorador ou de viciado.

5. LEGAIS
 São aquelas em que não há restrição, há a liberação do plantio, da colheita, da
manufaturação, industrialização, comercialização e uso. Incluem uma grande
quantidade de substâncias (bebidas alcoólicas e o tabaco, p.ex.). Dentre estas
substâncias estão incluídos os medicamentos.
 Entre os medicamentos psicotrópicos (aqueles que têm a ação principalmente
relacionada às funções mentais)

6. PSICOTRÓPICOS
7. Hipnóticos – medicamentos que induzem ao sono
 Neurolépticos – medicamentos que controlam a agitação psicomotora, a
agressividade, as alucinações e os delírios.
 Antidepressivos – são os medicamentos que combatem os estados depressivos,
estimulando as atividades ou o humor.
 Anticonvulsivantes – protegem o Sistema Nervoso Central dificultando ou
impedindo os ataques epilépticos ou ainda sintomas correlacionados.
 Ansiolíticos/Tranqüilizantes – diminuem a ansiedade e induzem a um estado de
calma.

8. ILEGAIS
 Estão sujeitos à legislação pertinente e são substâncias em que estão proibidos o
plantio, a colheita, a manufaturação, a industrialização e a comercialização.
Habitualmente a legislação tem como referência a legislação de outros países,
buscando-se um consenso internacional. Em nosso meio as substâncias mais
comuns têm sido a maconha, a cocaína e a pasta base.

9. QUANTO AOS SEUS EFEITOS BASICOS


a. Depressoras:
 Diminuem a velocidade do funcionamento das funções mentais,
 Diminuem a atividade motora, a reação à dor e a ansiedade
 Deixam a pessoa “desligada”, sonolenta e devagar.
 Causam, em geral, depressão.
 Maconha, os tranqüilizantes, o álcool, morfina, heroína, solventes, inalantes e
etc.

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b. Estimulantes
 Aceleram a velocidade do funcionamento das funções mentais e de uma forma
geral estimulam as funções fisiológicas
 Produzem o aumento do estado de alerta e insônia.
 Alcool em pequena quantidade, a cafeína, a cocaína, a nicotina, a anfetamina
e etc.

c.Perturbadoras
 Altera no indivíduo a percepção da realidade.
 Provocam uma visão distorcida em relação ao mundo real.
 Causam alterações senso perceptivas (alucinações, ilusões e delírios) sem que
haja inibição ou estimulação do SNC.
 Derivados da cannabis: Maconha(THC), haxixe, epadu.
 Derivados indólicos: plantas e cogumelos.
 Sintéticos: LSD, MDMA (ectasy), drogas desenhadas.

10. DO PONTO DE VISTA DO USUARIO


a. Naturais – também conhecida como erva, e que pelo fato de ser um vegetal, não
faria mal, pois a crença nesta população é que as plantas não trazem, não fazem
mal. O exemplo maior referido por eles é a maconha.
b. Químicas – designação dada às substâncias vegetais ou não, mas que para
serem utilizadas têm a necessidade de passar por algum tipo de alteração
industrializada ou não, ou seja não usada em sua forma encontrada na natureza.
Nesta categoria estão incluídas todas as substâncias que não a maconha ou os
cogumelos.
c. Leves – Outra designação dada aos produtos vegetais na natureza sendo a
referência maior, e quase freqüentemente a única que é a maconha.
d. Pesadas – Designação das substâncias de uso e abuso que passam por algum
processo de alteração de forma ou de estrutura. Desta forma a cocaína, a pasta
base, as anfetaminas entram nesta categoria

11. DO PONTO DE VISTA DO CONTEXTO CULTURAL


a. Ritualístico – Uso seja de bebidas alcoólicas ou outras substâncias
psicoativas para intermediar a comunicação das pessoas com as divindades.
Atualmente em alguns povos indígenas parece equivaler ao rito de passagem.
Assim entre os Kaingang no Paraná, o uso de bebidas alcoólicas pelas pessoas
mais novas parece fazer com que seja aceito pelas pessoas mais velhas.
b. Religioso – desde o início da organização das religiões, alguns procedimentos
são realizados com o uso de substâncias psicoativas, especialmente o álcool e
dependendo de algumas religiões também outras substâncias. Atualmente no Brasil
proliferam algumas “religiões” como a do Santo Daime, União do Vegetal e
Barquinha que usam em seus cultos a “ayuasca”.
c. Hedonístico - Uso freqüente como forma de prazer, ou ainda como preferem
algumas pessoas a busca da satisfação do vazio pessoal ou coletivo de nossa
civilização.
12. Relação da espécie humana com as drogas

a. O elemento humano sempre teve contato com as substâncias psicoativas e


provavelmente sempre terá, tornando-se obstáculo para qualquer tentativa de
erradicação.
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b. Nas culturas mais antigas o uso das substâncias psicoativas principalmente com
os objetivos de aliviar dores e sofrimentos; de forma ritualística para fazer a
ligação das pessoas com os seres transcendentais e nas festas profanas.
(...) a dependência é o encontro de uma personalidade com uma substância e o seu
meio ambiente... Olivenstein (1983)
13. AS DEPENDÊNCIAS
a. “Remir o tempo, porque os dias são maus”
b. “Irai-vos mas, não pequeis”
14. DEPENDÊNCIAS

a. Consumo exagerado
b. Excessos – Tv, Games, Computadores, comidas
c. Manias – obsessão compulsiva
d. Práticas abusivas
e. Personalidade dependente
f. Workholic
g. Apegos doentios
h. Paixão simbiótica
i. Doença da adoração: energia excessiva gasta em atividades da igreja ou busca
doentia de experiências pessoais intensas. (Psicologia das Experiências
Religiosas, Champs Nouveaux)

15. PADRÃO DE USO


 DISCERNIR MODO COMO CONSOME.
 QUAIS AS ÁREAS DA VIDA PESSOAL, SOCIAL E FAMILIAR QUE ESTÃO SENDO
AFETADAS.
 CRISE DE ABSTINÊNCIA
 FISSURA
 CRAVING

16. “O SINTOMA ANDA E EVOLUI” - A dependência é um processo


a. Controle
b. Mal estar
c. Escravidão
 Ela não é um Oasis – sofrimento, vazio
 Ela monopoliza
 Obsessão
 Afastamento – de si mesmo, dos outros, das responsabilidades sociais, dos projetos
de vida.

VII – AS DEPENDÊNCIAS
1. TABAGISMO
 30 milhões no Brasil
 03 milhões de 15 a 19 anos.
 Metade são mulheres
 Freud teve um câncer na boca em decorrência do tabagismo.

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 SIGNIFICAÇÕES SIMBÓLICAS
 Rito de iniciação, principalmente para jovens e adolescentes
 Uma transgressão
 Uma identificação (falta de ideologias e ícones)
 Potência viril, posse – Fogo de Prometeu
 Eliminação, cinzas – Poder, fixação fase anal
 Meio de ação, postura, decisão e raciocínio
 Pulsões orais
 Absorção da fumaça (comida)
 Resposta, satisfação (vazio, incompletude, falta, algo fantasioso de exaltação e
preenchimento
 Objeto Social – compartilhado, trocado, consumido
 Auto-erotismo – excitante e tranquiliaznte
 Masoquismo – “O Ministério da Saúde adverte...”
 Religiosidade
 Fumaça ponte entre a terra e o céu
 Confrontação inconsciente com Deus

2. TOXICOMANIA - “Um sintoma, um sinal de causas múltiplas.”

“Em uma busca confessada ou inconsciente, o homem procura paraísos artificiais nas
drogas para escapar de suas condições existenciais, aliviar suas dores físicas ou morais,
comunicar-se com os deuses, fazer sacrifícios em ritos ou sacudir o tédio da estrutura do
ego equilibrado ou pobre demais.” (J. Thuillier)
 Praga social, econômica e de saúde pública
 Epidemiologia
 “Fracasso da gestão pessoal dos objetivos da vida de um sujeito.” (Jean Bergeret)
 Vazio interior profundo (um abismo)
 Jogo de vida ou morte
 Tocar e provar sua própria existência
 Transgredir, assumir riscos
 Busca desesperada da lei Pai: Dita a lei, o permitido, o proibido, O ilícito
 Relação objetal com o prazer – totalmente ID
 Real e violenta
 Orgasmo
 Atenua o mal estar
 “Uma doença, uma lembrança embelezada de uma experiência de prazer.
(Intervenção Primária)
3. ALCOOLISMO
“HÁ ALCOOLISMO QUANDO O INDIVÍDUO PERDEU A LIBERDADE DE DEIXAR DE
BEBER” (Pierre Fouquet – 1951)
 AÇÃO
 Atinge a pessoa por inteiro – relacionamentos, corpo, alma e emoções
 Associado a fatores fisiológicos (genéticos, sócio-culturais)
 Associado a crises
 Associado a questões psicológicas e afetivas
 Sem identidade própria
 Auto-estima reduzida a zero
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 QUANDO CRIANÇA
 Relação distante dos pais
 Não aprendeu a comunicar-se
 Seus sentimentos foram ignorados
 Foi lhe privado a intimidade
 Não teve referencial

 QUANDO ADULTO
 Torna-se impotente para administrar acontecimentos cotidianos, a embriagues é a
sensação de onipotência
 Cercam-se de mecanismos de defesa, principalmente negação e recalcamento
 Cerca-se da proteção familiar e de euforia por um dia.
 A família leva em média 7 anos para aceitar e mais 2 anos para buscar ajuda

 FILHOS - TRIBUTO MAIS PESADO


 Crescem rápidos demais numa família desprovida de elementos essenciais a saúde
psíquica (amor, disciplina, limites justos, coerência)
 Acham-se responsáveis pelo alcoolismo do pai ou da mãe e experimentam angustias
e total impotência que destrói a auto-estima
 Aprendem a sobreviver aos maus tratos e violências físicas e verbais com
comportamentos defensivos
 Tornam-se responsáveis e protetores
 Trabalhador, bom aluno, sucesso profissional
 Plano emocional: inseguro, ansioso, solitário e tenso.
 Tornam-se passivos
 Aceitar tudo conformar-se para sofres menos
 Adultos impotentes diante das escolhas
 Apatia confundida com serenidade mas é desespero
 Conciliadores e consoladores
 Não sabe dizer não
 Busca agradar a todos
 Generosidade que esconde um inferno emocional
 Tornam-se revoltados criadores de aborrecimentos
 Um pré-delinquente, negativo, toxicômano e escravo de compulsões.
 Um adulto marginal, ilegal e violento
 30% se casam com alcoolistas e metade se transformam em um
 Sujeitos a depressão, suicídio e divórcio.

4. Lugar da Drogadicção na Sociedade


a) Racionalização e normatização = Sentimentos desvalorizados
b) Ritmo acelerado das transformações, a descartabilidade de objetos e pessoas.
c) Fragilidade dos laços entre as pessoas
d) Falta de modelos de identificação
e) Medicalização da vida – a substância química substituindo o conforto humano.
f) A sociedade consumista, aparência é colocada como fundamental, do que a essência
de termos uma vida humilde
g) Egocentrismo exarcebado.
h) “O Mito da Grama Mais Verde”

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5. Conflitos atuais
 Abstinência total x abstinência parcial
 Descriminalização x não descriminalização
 Prevenção x tratamento
 Repressão x prevenção
 Traficante x dependente

6. MOTIVAÇÕES na Adolescência
 A curiosidade; correr riscos; viver radicalmente e perigosamente
 Pressão do grupo; prazer e fuga.
 Alterações psicológicas (timidez, depressão);
 Perdas – Lutos da adolescência (corpo infantil, identidade infantil, relação com os
pais).
 Poucas opções de lazer e de trabalho – ociosidade, mente vazia.
 Da afirmação e da identidade – conflitos interiores; instabilidade emocional

7. Alguns impasses da Adolescência:


 Escolha amorosa
 Separação do outro parental
 Agir sexual

8. Função da droga na adolescência:


 Pode funcionar como uma defesa;
 Uma saída para o mal estar/ Angústia;
 Uma estratégia para evitar o encontro com o outro sexo;
 Uma estratégia para não lidar com a angústia com relação ao próprio corpo;
 Uma tentativa de separação da autoridade parental;
 Pode ser um anteparo diante do outro- psicose.

9. Motivação Entre os adultos


 A busca do prazer como bem de consumo
 Busca da felicidade
 Alívio para transtornos psíquicos – depressão, pânico, ansiedade, baixa-estima
 Preenchimento de vazio
 Fuga de sofrimentos físicos, emocionais ou de fatores diversos.
 Continuidade do início da adolescência por não conseguir interromper

10. CAUSAS SOCIAIS

 Ambiente familiar:
a. O primeiro a influenciar na vida do ser humano.
b. É o alicerce para a construção do caráter, dos princípios e dos exemplos a serem
seguidos.
 Doenças e perdas
 Violência, autoritarismo, maus tratos e falta de diálogo
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 Falta de limites, mimo excessivo, falta de referência ética e religiosa.
 Necessidades individuais primárias:
a. Materiais – roupas, alimentos e moradia
b. Sociais – Amor. Aceitação, poder e prestígio.
c. Espirituais – Conhecimento, ética e religião

VIII - PERSONALIDADE
“São padrões de comportamento de cada indivíduo, caracteristicamente recorrentes, aos
quais são evidenciados na resposta às súbitas e persistentes pressões da vida, expressados
na conduta social pelo caráter.”
1. Veio de fatores hereditários
2. Veio do ambiente
3. É de sua escolha
 É parcialmente inata
 É parcialmente aprendida.
Como é desenvolvida ou modulada a personalidade humana?
1. Instrução – adestramento, com internalização de conhecimentos
2. Criação – receber condições de sobrevivência.
3. Educação – “sensações” do meio ambientes internalizadas pelos órgãos dos
sentidos. Princípios morais, sociais e espirituais.
 PERSONALIDADE - Comportamento humano que se expressa através do caráter. É
intrínseca (dentro de nós). Forma-se do útero até seis a oito anos e se desenvolve.
Após pode ser moldada para + ou -. Com os seguintes fatores ou atributos
formadores da personalidade humana:
a. Inteligência – Aprendizado por imitação
1. Sábia – Internalização de Princípios
2. Astuta – Malícia e sagacidade. Uso de fraude e malandragem
OBS.: As características de personalidade têm importância fundamental na dinâmica
do uso, abuso e posteriormente a dependência das drogas.
b. Hierarquia de valores preferenciais - Os valores são aprendidos dentro de uma
hierarquia. Armazenados no SNC dentro de uma hierarquia preferencial, pelo
sistema de gratificação. Qual é o + importante?
1. Física – mais fácil
2. Emocional – tem que aprender com a família
3. Espiritual – Conseqüências, positivas e negativas.
Geram no ser humano a vulnerabilidade específica – Leis distorcidas e valores
incorretos.
A DEPENDÊNCIA DAS DROGAS É UMA DOENÇA DO SER POR INTEIRO

“Os usuários de drogas são amantes da liberdade, mas, sorrateiramente, matam aquilo que
mais os motiva viver. Passam por freqüentes crises existenciais...” (Augusto Cury –
“Superando o Cárcere da Emoção”)
“Muitos estudiosos vêm a toxicomania como “BUSCA DESESPERADA DA LEI”, de alguém
que o jovem possa respeitar, por ensinar-lhe regras e proibições à extrapolação de certos
limites. Esse alguém é o pai, que dita a lei, o permitido e o proibido, o ilícito.” (Jacques e
Claire Poujol – Manual de Relacionamento de Ajuda)

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IX - CO-DEPENDÊNCIA
1. Atadura Emocional
Papel Sentimento de Sintomas Pagamento Preço possível
motivação identificados individual família
dependente vergonha uso de químicos aliviar a dor nenhum dependência
facilitador ira impotência importância sentir-se responsabilidade doença "mártir"
correcto
herói inadequado: culpa muito sucesso atenção (positiva) sente-se com valor comportamento
compulsivo
bode expiatório magoado delinquência atenção (negativa) foco fora da pessoa autodestruição:
problemática dependência
criança perdida solidão solidão: timidez escape alívio isolamento social
mascote medo fazendo palhaçada atenção (divertido) diversão imaturidade: doença
emocional
profissional não desejo de ajudar tratamento sem alívio do sintoma é alívio temporário tratamento sem
tratado e não sucesso temporário sucesso:
treinado esgotamento

O co-dependente é a pessoa que deixa o comportamento de outra pessoa controlar o


seu próprio e que fica obcecada em controlar o comportamento da outra pessoa.

Tudo começa com o fato de nos encontrarmos ligados (por amor, obrigação ou dever)
a alguém muito complicado, doente física ou emocionalmente, que por conta desta
doença se auto-destrói ou desiste de viver e precisa, aparentemente, de nosso apoio e
cuidado constante.

A outra pessoa pode ser uma criança que nasceu com defeito físico, um adulto
deprimido, uma esposa ou amante anoréxica, um irmão que não se saiu bem na vida,
uma irmã que sempre se mete em encrencas e parece frágil para resolvê-las,um pai
alcoólatra ou outro dependente de qualquer outra droga.
Enfim, o importante não é quem esta outra pessoa é, ou qual a doença ela tem. O núcleo
da questão está em nós mesmos, na forma como deixamos que ela afete nosso
comportamento e nas formas como tentamos influir no comportamento dela ou "ajudá-
la".
O co-dependente desenvolve a fantasia de que é ele que tem que suprir a necessidade do
outro, esquecendo-se totalmente de si.
A carreira profissional do co-dependente pode ser utilizada para que se proteja dos
sentimentos doloridos (reuniões no escritório, congressos, jantares, prática de esportes,
festas, encontros sociais, estudos). Tudo isto procurando o conforto do distanciamento dos
conflitos interiores.A co-dependência é um processo que envolve a pessoa em amarras
emocionais tirânicas, que provocam muito sofrimento. Quando acontece algo doloroso, e o co-
dependente diz a si mesmo que falhou, está na verdade dizendo que tem controle sobre
aquele acontecimento.Culpando-se, ele se prende à esperança de que será capaz de
descobrir onde está o erro e corrigi-lo, controlando dessa forma a situação e fazendo o
sofrimento cessar.

Todo co-dependente é indireto, não fala o que sente, e deseja desesperadamente que os
outros adivinhem tais sentimentos e desejos, e fica ressentido quando eles não atendem suas

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expectativas. O co-dependente não diz o que deseja dizer, e nem deseja dizer o que diz.

2. “Somos os autores de nossa própria doença” (desconhecido)

A doença mental/emocional é uma doença emocional e espiritual. Espiritual no sentido


de que somos doentes nos pensamentos, emoções, atitudes, crenças, modo de sentir,
tudo, enfim, que leva o ser humano a agir da maneira que o faz.
São as nossas reações diante dos acontecimentos e não os acontecimentos em si
mesmos, que determinam o nosso modo de sentir. (Nossa interpretação dos
acontecimentos e situações que resulta em saúde ou doença emocional).

Como recuperar-se? Não fuja da realidade, decida-se a olhar para onde as falhas
realmente se encontram: dentro de nós mesmos. É nossa responsabilidade fazer alguma
coisa a respeito. Culpa, censuras e críticas só atrapalham, descarte-as. Se for difícil,
procure ajuda.

A escolha é sua.
As respostas estão dentro de você.
Tudo o que tem a fazer é analisar, ouvir e acreditar.
" O pessimista queixa-se dos ventos. "
" O otimista espera que eles mudem. "
" O realista ajusta as velas... "
( Autor Desconhecido )

3. Recuperação da Co-dependência

A co-dependência também pode ser agravante e desencadeante de depressão, suicídio,


doenças psicossomáticas, e outros transtornos. Os grupos de ajuda para familiares de
dependentes (químicos e alcoólicos) visam, principalmente, reverter este quadro, orientando
os familiares a adotarem comportamentos mais saudáveis. Os profissionais acham que o
primeiro passo em direção a esta mudança é tomar consciência e aceitar o problema.
O tratamento da co-dependência pode consistir de psicoterapia, grupos de auto-ajuda,
terapia familiar e em alguns casos, antidepressivo e ansiolítico. Os grupos de auto-ajuda
para familiares de dependentes, tais como, Alanom e Co-dependentes Anônimos são de
grande utilidade no processo de recuperação familiar da co-dependência.
A American Society of Addiction Medicine propõe três fases para o tratamento de famílias de
dependentes químicos, sendo que o nível de intervenção varia de acordo com a meta de
tratamento estabelecida, bem como as necessidades da família. A tabela abaixo sumariza
os níveis de intervenção familiar de acordo com as fases:

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Fase I:
1. Trabalhar a negação;
2. Interromper o consumo de substâncias
Fase II:
1. Prevenir recaídas;
2. Estabilizar a família, melhorando seu funcionamento.
Fase III:
1. Aumentar a intimidade do casal, no plano emocional e sexual.
Segundo Neliana Buzi Figlie, psicóloga, especialista em dependência química, a fase I tem
como objetivo o dependente a atingir a abstinência. Para tal é importante auxiliar as pessoas
a assumir a responsabilidade sobre seus comportamentos e sentimentos. Por vezes, alguns
membros podem ser atendidos conjuntamente, enfatizando a diminuição da reatividade do
impacto de um familiar nos outros. Ao pensar no modelo de doença, nesta fase é trabalhado
o conceito de co-dependência. No referencial sistêmico, o foco centra-se na esposa definir
uma posição de modo a quebrar o circulo repetitivo do funcionamento familiar e desta forma,
auxiliar o dependente em sua recuperação. O referencial comportamental trabalha com a
perspectiva de visualizar comportamentos do cônjuge que reforcem o comportamento
aditivo, almejando a substituição por comportamentos que reforcem a sobriedade.
Na fase II, ainda segundo Neliana Buzi Figlie, o foco é identificar padrões disfuncionais na
família como um todo, tanto na família de origem, quanto da família de procriação. Nesta
fase é importante retomar rituais familiares e conforme o grau de dificuldade, o
encaminhamento para uma psicoterapia familiar especializada pode ser realizado.
A fase III é definida como uma nova fronteira no tratamento da dependência química, sendo
uma das áreas menos exploradas e talvez uma das mais controversas. Muito tempo após a
cessação do consumo de substâncias, alguns relacionamentos continuam desgastados.
Nesta fase o tratamento tem como meta aumentar a intimidade do casal e a participação de
ambos no processo é fundamental.
Em termos de modalidades de tratamentos psicológicos, Neliana Buzi Figlie discorre sobre
quatro tipos:

1. Grupos de Pares
Onde os membros da família são distribuídos em diferentes grupos dependentes
químicos, pais, mães, irmãos, cônjuges, etc. A interação entre pares é facilitadora de
mudanças, uma vez que escutar de um par não é o mesmo que escutar de um
profissional, porque o par passa por situação semelhante e não é alvo de fantasias e
idealizações como o terapeuta.

2. Grupos de Multi-familiares.
Através de um encontro de famílias que compartilham da mesma problemática, cria-
se um novo espaço terapêutico que permite um rico intercâmbio a partir da
solidariedade e ajuda mútua, onde as famílias se convocam para ajudar a solucionar
o problema de uma e de todas, gerando um efeito em rede. Todas as famílias são
participantes e destinatárias de ajuda.

3. Psicoterapia de Casal
Onde os casais podem ser atendidos individualmente ou também em grupos, uma
vez que o profissional tenha habilidades para conduzir as sessões sem expor
particularidades que não sejam adequadas ao tema focado.

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4. Psicoterapia Familiar.
Aqui a é a abordagem mais especializada segundo um referencial teórico de escolha
do profissional para a compreensão do padrão familiar e intervenção. Nesta
modalidade se reúne a família e o dependente químico.
VI - A FAMÍLIA ANTES E DEPOIS DA RECUPERAÇÃO

"Todas as famílias que são felizes são iguais, mas cada família que é infeliz o é a sua
própria maneira" LEON TOLSTOI

1- A FAMÍLIA D.Q. - Escultura familiar:

 O segredo familiar em esconder o problema, a isso se isola e ainda fica disfuncional


 Com o agravamento do D.Q. os filhos ficam órfãos de pais vivos.
 Os co-dependentes são pessoas que amam demais o D.Q.
 Os co-dependentes criam novos comportamentos e papel, para diminuir a dor e para
aliviá-las.
 Ocorre à generalização, quer dizer a maioria dos familiares é atingida pelo problema.
 Não há comunicação, não se revela os sentimentos.
 O certo ou o errado é uma interrogação, usa-se muitos os extremos [já está curado,
etc.]
 Procuram mentir, quando o mais fácil seria dizer a verdade
 Os co-dependentes se acham pessoas diferentes, pôr se acharem culpado, etc.
2. A FAMÍLIA D.Q. em RECUPERAÇÃO: FAMÍLIA é CALOR + RESPEITO + DISCIPLINA
e:

 Reconhece, identifica e afirma sentimentos


 Ensina a ouvir ativamente
 Permite que cresça no seu espaço
 Compete sem ser competitiva
 Reconhece e apóia o trabalho, opera com amor.
3. NA MINHA CONDIÇÃO DE PESSOA EU TENHO O DIREITO DE:

 Ser eu mesmo
 Recusar solicitações sem sentir que sou egoísta
 Ser competente e me orgulhar das minhas realizações
 Sentir e expressar raiva
 Pedir carinho e ajuda [podendo ser recusadas, mas eu posso pedir por eles]
 Ser tratado com um ser humano capaz
 Faltar à lógica numa tomada de decisão
 Errar... E responsabilizar-me pelos meus erros
 Mudar de idéia
 Dizer - não sei, não concordo, não compreendo, não me interessa, ou não me
importa
 Não oferecer razão ou justificativa alguma pelo meu comportamento

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 Exigir que minhas necessidades sejam tão importantes quanto às
necessidades dos outros
 Dizer a alguém quais são as minhas necessidades [pode até ser que não
interessa a essa pessoa fazer alguma coisa por ou para ela]
 Avaliar o meu próprio comportamento, pensamento e emoções e
responsabilizar-me pela iniciação deles e pelas conseqüências que
acarretarem sobre mim.
 Crescer, aprender e mudar, quer dizer com isso eu tenho que dar valor à minha
idade experiência.
 E dependendo da maneira que trato as pessoas, tenho o direito de exigir
coisas dessas pessoas, por exemplo: RESPEITO.

BIBLIOGRAFIA
1. Ballone GJ - Codependência - in. PsiqWeb, Internet, disponível em
www.psiqweb.med.br, 2006
2. CODA – Co-dependentes Anônimos
3. Charles L. Whitfield, M.D. 1984
4. Grand Dictionnaire de la Psychologie
5. Freud, 1890/1991a, p. 19 e 1905/1972d, p. 312)
6. Valleur, 1991a, p. 5
7. Sigmund Freud, Obras Completas, Vol 7, Ed. Imago, Rio de Janeiro,1972, citado por Sérgio
Paulo Ramos, em “Da contribuição de fatores psicodinâmicos na gênese da dependência
química”)
8. A História Natural do Alcoolismo Revisitada, 1995, Artes Médica, Porto Alegre
9. Jacques e Claire Poujol – Manual de Relacionamento de Ajuda
10. Augusto Cury – “Superando o Cárcere da Emoção

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