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Relatório Especial – Estratificação Social

19 de outubro de 2010

Um dia o C vira B

 Ao longo dos últimos anos o crescimento da economia


brasileira propiciou um forte movimento de escalada de classes.
No período 2003/2009 o grande destaque foi o crescimento da
classe C. No entanto, na medida em que o crescimento real da
renda se perpetua, a nova classe média não terá mais o padrão
de consumo da classe C de 2008, mas sim da classe B.

 Portanto, esperamos um crescimento expressivo da classe B


ao longo dos próximos anos. Alguns setores se beneficiam
desse movimento de classes, além é claro, das elasticidades-
renda dessas: alimentação fora do domicílio, transportes,
assistência à saúde, despesas diversas e outras despesas
correntes.

 Todos esses movimentos estão em linha com uma mudança


de uma classe B que já não completa as suas categorias
básicas de subsistência, e tem um mix de consumo mais
Índice: refinado.

Introdução................................ 02
 Nos últimos anos, foram verificadas mudanças nos hábitos de
consumo dos brasileiros, com alguns produtos ganhando peso
Conclusão............................... 10
na cesta de consumo, como é o caso de “alimentação fora do
domicílio”, “eletrodomésticos” e “higiene e cuidados pessoais”, e
Box Metodológico................... 12 outros perdendo participação: ”alimentação no domicílio” e
“vestuário”.
Análise Setorial de Consumo.. 17
 Para os próximos anos, acreditamos que o consumidor de
classe C estará se aproximando do padrão de consumo da
classe B. Deste modo, empresas como Lojas Renner, Natura,
Ponto Frio e B2W, assim como o setor de shopping center,
todas com forte exposição à classe B, deverão beneficiar-se
deste movimento.

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Introdução

Ao longo dos últimos anos houve um movimento migratório de classes impressionante para os
padrões brasileiros. Não só o fenômeno da mobilidade social se intensificou como as classes
mudaram seus padrões de consumo, para um mesmo nível de renda. Neste ano, o IBGE
publicou mais uma pesquisa de orçamento familiar (POF), referente ao biênio de 2008-2009,
que traz algumas conclusões interessantes para entendermos melhor para onde está indo o
consumo das famílias no Brasil. Além disso, a publicação da PNAD 2009 nos traz dados
recentes sobre esse movimento vertical das classes no Brasil.

Existe uma série de fatores que explicam esse movimento social vertical, no entanto, o principal
deles é claramente o crescimento econômico, e praticamente qualquer outro fato está ligado a
este. Sem dúvidas, os últimos anos trouxeram uma formalização no mercado de trabalho que
acabou por gerar um aumento expressivo da renda das pessoas. Além disso, essa ascensão
possibilitou o acesso ao crédito, o que por sua vez gerou ainda mais consumo.

Crescimento do PIB e CAGED


em milhares
10,0% 800
8,0% 600
6,0%
400
4,0%
2,0% 200
0,0% 0
-2,0% -200
-4,0%
-400
-6,0%
-8,0% -600
-10,0% -800
jun/98

jun/99

jun/00

jun/01

jun/02

jun/03

jun/04

jun/05

jun/06

jun/07

jun/08

jun/09

jun/10

Fonte:Macrodados CAGED (média trimestral) (eixo sec) Variação do PIB A/A

Além da formalização mencionada acima, a formação de novos postos de trabalho também foi
espetacular nos últimos anos. A população ocupada cresceu a ritmos muito mais fortes que a
população economicamente ativa, que por sua vez cresceu a ritmos mais fortes que sua média
histórica. O resultado disso é uma taxa de desemprego em níveis historicamente baixos, que
vem levando a reajustes salariais reais consistentes ao longo dos últimos anos.

Relatório Especial – Estratificação Social 2

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Taxa de desemprego e salário real médio
8,0% 8,0%
7,5%
4,0% 7,0%
0,0% 6,5%
6,0%
-4,0% 5,5%
5,0%
-8,0% 4,5%
-12,0% 4,0%
3,5%
-16,0% 3,0%
nov/03

nov/04

nov/05

nov/06

nov/07

nov/08

nov/09
jul/03

jul/04

jul/05

jul/06

jul/07

jul/08

jul/09

jul/10
mar/03

mar/04

mar/05

mar/06

mar/07

mar/08

mar/09

mar/10
Fonte:Macrodados Taxa de Desemprego Salário real médio A/A (eixo sec)

Outro fator importante para a melhoria do padrão de vida das famílias, ao longo dos últimos
anos, foi a expansão dos programas sociais. Como sabemos, estes se ampliaram muito no
governo Lula e foram importantes para o avanço principalmente das classes D e E para
melhores condições de vida. Na tabela abaixo podemos ver a divisão da renda por origem. Note
que os programas sociais são hoje parte essencial dos rendimentos dessas classes.

Rendimento Dentro das Classes


2008 - 2009 Classes
Em % do total Total E D C B A
Rendimento total 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0
Rendimento do trabalho 63,9 46,6 51,8 62,7 68,5 67,2
Transferência 19,4 26,9 26,3 19,3 16,9 19,2
Aposentadoria e pensão do INSS 10,7 15,7 18,8 13,1 8,6 5,6
Aposentadoria, pensão da previdência pública 4,9 0,9 1,2 2,8 5,5 10,0
Aposentadoria, pensão da previdência privada 0,7 0,0 0,1 0,2 0,9 1,9
Programas sociais federais 0,7 6,3 3,0 0,7 0,1 0,0
Pensão alimentícia, mesada ou doação 1,5 2,9 2,1 1,6 1,1 1,6
Outras transferências 0,7 1,0 1,1 0,9 0,8 0,2
Rendimento de aluguel 1,8 0,3 0,5 1,1 1,9 3,5
Outras rendas 1,6 0,3 0,3 1,0 2,3 2,7
Rendimento não monetário 13,4 25,9 21,1 16,0 10,4 7,5
Fonte: Ativa Research

Todas essas razões são claramente refletidas no crescimento do consumo das famílias, que por
sua vez vem avançando a um ritmo bastante acelerado. No entanto, para entendermos melhor
os impactos sobre o consumo de setores ou bens específicos devemos analisar onde este
crescimento está se dando de forma mais intensa. Sem dúvidas, para uma análise de equity, o
mais importante é quais setores são mais sensíveis a este crescimento de renda, além é claro
de qual o potencial de crescimento dos diferentes setores para os próximos meses.

Não existe maneira exata para se definir classes sociais, e, portanto, utilizamos a distribuição da
nova POF, onde os grupos do meio passaram a ser a classe C, e subdividimos o resto.
Baseamos essa categorização em um estudo da FGV, que utilizou a PNAD para o mesmo
período. Chegamos a números diferentes, provavelmente devido ao fato de eles utilizarem os
microdados, enquanto nós usamos os dados agregados.
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Dito isso, a principal qualificação que devemos fazer é como se classifica as classes ao longo do
tempo. A Classe C de 2003 é a classe média daquele período ou é a classe média de 2009, com
os rendimentos corrigidos pela inflação do período? Em termos econômicos, as classes são um
índice de Laspeyres ou Paasche? Ou seja, a classe C tem um cesta de consumo fixa ou móvel?
No caso da cesta fixa, teoricamente, caso o país tenha crescimento real expressivo, no limite
todos seriam classe A. No entanto, essa é a metodologia amplamente usada pelos especialistas,
para análises em períodos mais curtos.

Portanto, a nossa análise se baseia em quantas pessoas entre 2003 e 2009 passaram a ter um
padrão de consumo análogo ao da classe C de 2009. Olhando para frente, a pergunta segue a
mesma linha: ao final de 2011, quantas pessoas estarão consumindo no mesmo padrão de
consumo da classe C e B de 2009?

Devemos analisar 3 variáveis separadamente: o número de pessoas que migraram de classes


ao longo dos últimos anos e que devem migrar segundo as nossas projeções; as diferenças de
composição de gastos dessas pessoas, além de seu aumento de renda; e, finalmente, as
mudanças nos padrões de consumo das classes devido ao aumento real de renda.

Nº de pessoas
em cada classe

Gasto total com a


categoria X em 2011

Elasticidade de gastos ao
crescimento da renda

Mudança do perfil de
gastos entre classes

Feitas as devidas qualificações metodológicas (veja o Box sobre a metodologia para maiores
detalhes), o movimento dos números mostra uma tendência inequívoca, a da melhora do padrão
de vida da população brasileira, consistente com os resultados das empresas nos setores de
consumo e varejo. Na primeira análise chegamos ao impressionante crescimento da classe C,
que passou de 84 milhões para 99 milhões de pessoas em apenas 5 anos. Esta tendência foi
motivada pelos fatos acima mencionados.

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Tamanho das Classes Tamanho das Classes
2002 - 2003 2008 - 2009
nº em MM nº em MM
% %
A 7,613 4,3% A 7,276 3,8%
B 14,464 8,2% B 23,408 12,3%
C 84,396 48,0% C 99,338 52,2%
D 21,490 12,2% D 23,192 12,2%
E 47,987 27,3% E 37,183 19,5%
Total 175,951 Total 190,397
Fonte: ATIVA Research Fonte: ATIVA Research

Para analisarmos os próximos 2 anos, vamos usar algumas hipótese simplificadoras, sendo a
principal delas a de que o crescimento de renda real é uniforme em todas as classes; esta
hipótese sem dúvidas subestima o crescimento mais acelerado dos rendimentos das classes
mais baixas, portanto, esse estudo tem um viés super estimador das classes mais altas.
Usamos para isso os resultados da nossa estimativa de crescimento do salário real (vide Box
para entender a metodologia) e inflação até o final de 2011.

Tamanho das Classes


E (2011)
nº em MM
%
A 10,306 5,4%
B 29,363 15,4%
C 96,129 50,5%
D 19,999 10,5%
E 34,600 18,2%
Total 190,397
Fonte: ATIVA Research. * ignora crescimento populacional

Como podemos ver, com a manutenção do forte ritmo de crescimento da renda real a classe
que mais se beneficia é a B, uma vez que os salários crescem de forma uniforme. Esse
resultado pode estar exagerado, mas uma coisa é inequívoca, se continuarmos nesse ritmo de
crescimento do rendimento real, sem dúvidas teremos uma migração para a classe B, conforme
definida em 2008. É natural de se esperar esse resultado, uma vez que o crescimento de renda
real é expressivo nos anos projetados.

Classe A

Classe B

Classe C

Classe D

Classe E

2003
2008 2011
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No entanto, os movimentos aqui não são apenas de migração de classes, a renda média da
classe B está subindo, como dito acima, e, portanto, há também uma mudança do padrão de
consumo das pessoas, baseado no crescimento da renda real média. Usamos as POFs de 2003
e de 2009 para analisarmos as elasticidades-renda dos diferentes grupos ao crescimento de
renda. A pergunta é quanto a classe X aumenta os seus gastos na categoria de gastos Y,
quando sua renda sobe 1%. Por exemplo, no caso do ano de 2011, quando projetamos que o
salário real médio irá crescer 3,3%, como a elasticidade de higiene e cuidados pessoais (na
classe B) é de 1,31, os gastos com essa categoria irão subir cerca de 4,3%. Portanto, a
composição de gastos de cada classe muda de forma diferente, causando efeitos diferentes
para os gastos totais finais da população com um certo grupo de despesas.

Elasticidade-Renda das Demandas


Classes
Total E D C B A
Despesa total 0,90 0,61 0,78 0,88 1,05 0,95
Despesas correntes 0,88 0,62 0,80 0,86 1,02 0,90
Despesas de consumo 0,88 0,64 0,83 0,87 1,06 0,86
Alimentação 0,78 0,46 0,92 0,84 1,15 0,81
No Domicílio 0,59 0,27 0,80 0,70 1,01 0,39
Fora do Domicílio 1,36 1,84 1,55 1,33 1,39 1,53
Habitação 0,90 0,69 0,91 0,91 1,05 0,96
Eletrodomésticos 1,13 1,46 1,26 1,08 1,19 1,37
Mobiliário e artigos do lar 0,81 0,42 0,54 0,77 1,07 1,09
Vestuário 0,82 0,52 0,54 0,77 1,08 0,96
Transporte 1,01 0,64 0,65 0,89 1,14 1,01
Higiene e cuidados pessoais 1,08 1,25 1,03 1,09 1,31 0,82
Assistência à saúde 1,10 1,41 1,26 1,13 1,12 0,94
Educação 0,34 0,04 0,02 0,37 0,50 0,01
Recreação e cultura 0,54 0,72 0,33 0,50 0,53 0,46
Fumo 0,44 0,19 0,37 0,50 0,49 0,33
Serviços pessoais 1,07 0,82 0,75 1,12 1,19 0,84
Despesas diversas 0,96 0,77 0,23 0,78 1,32 0,93
Outras despesas correntes 0,91 0,05 0,40 0,81 0,82 1,06
Aumento do ativo 1,36 0,06 0,11 1,15 1,73 1,44
Diminuição do passivo 1,00 0,83 0,75 0,97 0,91 0,93
Fonte: Ativa Research

A partir desta tabela podemos notar alguns resultados interessantes. Notem que aqui não
estamos falando de quanto a mais uma pessoa gasta quando esta migra de classes, mas sim
quanto ela gasta a mais na medida em que fica mais rica dentro de sua própria classe. Notem
na classe B que a elasticidade dos grupos de alimentação fora do domicílio, transportes, higiene
e cuidados pessoais e assistência de saúde se destacam como os mais sensíveis a aumentos
de renda.

Na classe C os grupos não diferem muito, mas esses são menos intensos, possivelmente
porque ainda há o que melhorar nas condições mais básicas, que é bastante diferente da classe
B. Note que em nossas projeções nós usamos a hipótese de que o crescimento era uniforme em
todas as classes, embora saibamos que essa é uma simplificação; portanto, ao analisar essas

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elasticidades mais baixas não necessariamente estamos inferindo que o consumo de alguma
categoria na classe C irá subir menos.

Outra maneira de se analisar o impacto da estratificação social do Brasil no consumo é através


de uma analise dos diferentes perfis de consumo das classes. Ou seja, a pergunta aqui é como
muda a alocação de renda das famílias que migram de classe? Sabemos que praticamente
todos os gastos sobem como valor real, uma vez que a renda média é substancialmente maior,
porém, queremos analisar quais são os gastos que além de subir com a renda, recebem uma
alocação ainda maior.

Como mencionamos acima, entendemos que o próximo movimento de classes, dado o forte
crescimento da renda, é o início de uma migração para a classe B, com cesta de consumo de
2008. Portanto, vamos analisar quais são os setores que mais se beneficiam desse movimento.
O principal movimento que podemos observar na migração é o salto nos gastos com educação,
como era de se esperar, ou seja, nos movimentos de migração de classes as famílias passam a
priorizar de forma importante a educação dos seus filhos, na esperança da perpetuação da
melhoria da qualidade de vida e a fuga da educação pública. Além disso, outro grupo se
destaca, o de transportes; mais uma vez aqui, na fuga dos transportes públicos, as famílias
passam a recorrer aos veículos próprios, que faz com que os gastos com combustíveis também
subam de forma substancial. Por fim, o grupo de serviços pessoais também se beneficia dessa
migração de classes.

Despesa Dentro das Classes


2008 - 2009 Classes
Em % do Total Total E D C B A
Despesa total 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0
Despesas correntes 92,1 96,9 96,4 93,8 91,2 87,1
Despesas de consumo 81,3 93,9 92,1 86,2 78,6 67,2
Alimentação 16,1 27,8 24,9 18,7 12,5 8,5
No Domicílio 11,1 23,0 19,8 13,3 7,5 4,3
Fora do Domicílio 5,0 4,8 5,1 5,4 5,0 4,2
Habitação 29,2 37,2 36,5 31,7 26,1 22,8
Eletrodomésticos 2,1 3,2 2,9 2,4 1,7 1,3
Mobiliários e artigos do lar 1,8 2,5 2,2 1,9 1,5 1,4
Vestuário 4,5 5,4 5,2 5,1 4,1 3,2
Transporte 16,0 9,7 11,0 15,1 18,9 17,7
Higiene e cuidados pessoais 1,9 2,8 2,7 2,3 1,6 1,0
Assistência à saúde 5,9 5,5 6,0 6,0 5,9 5,6
Educação 2,5 0,9 1,1 2,0 3,6 2,9
Recreação e cultura 1,6 1,1 1,3 1,6 1,8 1,7
Fumo 0,4 0,9 0,8 0,6 0,2 0,2
Serviços pessoais 0,9 0,8 0,8 1,0 1,0 0,8
Despesas diversas 2,4 1,7 1,7 2,2 2,7 2,8
Outras despesas correntes 10,9 3,1 4,3 7,6 12,7 19,9
Aumento do ativo 5,8 2,2 2,3 4,2 6,4 10,5
Diminuição do passivo 2,1 0,9 1,3 2,0 2,4 2,4
Fonte: Ativa Research

Os grupos despesas diversas e outras despesas correntes também se beneficiam bastante


desse movimento de classes. Estes grupos são uma combinação de vários componentes, sendo
o primeiro composto por: despesas com comunicação, festas, serviços profissionais como

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cartório e advogados e aluguel de imóveis de uso ocasional. Já o grupo outras despesas é
composto pelos diversos impostos, seguros de vida e previdência. Ao observar cada um dos
sub-componentes do grupo, não há nenhum destaque, mas é de se esperar que estes subam de
forma mais do que proporcional na medida em que a população enriqueça.

O grupo que mais perde importância é alimentação no domicílio. As famílias de classe C já


contam com uma dieta completa e mais balanceada, logo os gastos com alimentação sobem de
forma menos do que proporcional ao salto da renda. Repetimos aqui que isso não implica que
os gastos com alimentação irão cair para essas famílias, pois, por exemplo, uma família média
que migra da classe C para B passa a gastar R$ 819, vindo de R$ 461, porém a renda dela
cresceu 2,35 vezes. Apesar do grupo assistência de saúde se manter constante, vemos isso
como um fator positivo, uma vez que a renda cresce expressivamente, ou seja, as pessoas
investem rapidamente em melhorias de seus planos de saúde na medida em que vão
melhorando os seus rendimentos.

Somando as influências das 3 variáveis analisadas podemos constatar quais setores se


beneficiam mais do cenário que se materializou, como uma espécie de backtest, e quais devem
se beneficiar agora. Na tabela abaixo notamos quanto do montante gasto em cada um dos
grupos de despesa é atribuído a cada classe econômica:

Proporção das despesas por classe sobre os gastos totais de cada categoria de bem
2002 - 2003
Em % do Total Total E D C B A A+B
Despesa total 100,0 8,8 6,1 43,8 20,2 21,2 41,3
Despesas correntes 100,0 9,2 6,2 44,4 20,1 20,2 40,3
Despesas de consumo 100,0 10,0 6,6 46,1 19,2 18,0 37,3
Alimentação 100,0 15,3 8,5 50,2 14,5 11,5 26,0
No Domicílio 100,0 17,7 9,4 51,1 12,3 9,6 21,9
Fora do Domicílio 100,0 7,9 5,7 47,6 21,2 17,6 38,8
Habitação 100,0 11,1 7,2 47,0 18,1 16,6 34,7
Eletrodomésticos 100,0 12,5 7,8 50,3 17,2 12,2 29,4
Mobiliário e artigos do lar 100,0 12,3 8,2 47,5 16,4 15,6 32,0
Vestuário 100,0 10,4 7,6 50,1 17,4 14,5 31,9
Transporte 100,0 5,5 4,6 42,4 23,7 23,7 47,5
Higiene e cuidados pessoais 100,0 11,7 8,1 51,1 16,1 13,0 29,1
Assistência à saúde 100,0 7,5 5,6 43,1 21,6 22,2 43,8
Educação 100,0 2,8 3,1 34,9 29,0 30,2 59,2
Recreação e cultura 100,0 4,8 4,9 43,0 24,6 22,7 47,4
Fumo 100,0 16,0 10,3 53,2 11,9 8,5 20,4
Serviços pessoais 100,0 7,5 5,8 44,3 22,1 20,3 42,4
Despesas diversas 100,0 6,3 5,7 42,3 20,5 25,2 45,7
Outras despesas correntes 100,0 2,9 2,9 31,4 26,2 36,7 62,8
Aumento do ativo 100,0 4,6 4,1 33,5 20,0 37,8 57,8
Diminuição do passivo 100,0 3,7 3,9 41,5 25,1 25,8 50,9
Fonte: Ativa Research

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Proporção das despesas por classe sobre os gastos totais de cada categoria de bem
2008 - 2009 Classes
Em % do Total Total E D C B A A+B
Despesa total 100,0 5,9 5,3 45,1 23,2 20,5 43,7
Despesas correntes 100,0 6,3 5,6 45,9 23,0 19,3 42,3
Despesas de consumo 100,0 6,9 6,0 47,8 22,4 16,9 39,3
Alimentação 100,0 10,3 8,2 52,6 18,0 10,8 28,9
No Domicílio 100,0 12,4 9,5 54,4 15,8 8,0 23,8
Fora do Domicílio 100,0 5,7 5,5 48,7 23,0 17,1 40,1
Habitação 100,0 7,6 6,7 49,0 20,7 16,0 36,8
Eletrodomésticos 100,0 9,2 7,5 51,7 19,0 12,6 31,6
Mobiliário e artigos do lar 100,0 8,3 6,7 48,4 20,0 16,7 36,7
Vestuário 100,0 7,2 6,2 50,8 21,1 14,7 35,8
Transporte 100,0 3,6 3,7 42,6 27,5 22,7 50,2
Higiene e cuidados pessoais 100,0 8,5 7,3 54,0 19,2 10,9 30,1
Assistência à saúde 100,0 5,6 5,4 46,0 23,5 19,5 43,0
Educação 100,0 2,2 2,5 37,1 34,2 24,1 58,2
Recreação e cultura 100,0 4,1 4,2 44,1 26,2 21,4 47,5
Fumo 100,0 12,5 9,6 57,3 12,9 7,8 20,7
Serviços pessoais 100,0 4,9 4,7 47,8 25,2 17,4 42,6
Despesas diversas 100,0 4,4 3,8 41,3 26,5 24,0 50,5
Outras despesas correntes 100,0 1,7 2,1 31,6 27,1 37,5 64,6
Aumento do ativo 100,0 2,2 2,1 32,9 25,6 37,1 62,8
Diminuição do passivo 100,0 2,6 3,3 43,7 26,3 24,1 50,4
Fonte: Ativa Research

Proporção das despesas por classe sobre os gastos totais de cada categoria de bem
2011E
Em % do Total Total E D C B A A+B
Despesa total 100,0 4,7 4,0 37,5 26,8 27,0 53,8
Despesas correntes 100,0 5,1 4,3 38,7 26,7 25,3 52,0
Despesas de consumo 100,0 5,6 4,7 40,9 26,7 22,1 48,8
Alimentação 100,0 8,8 6,6 47,0 23,1 14,5 37,6
No Domicílio 100,0 11,2 8,2 50,9 20,5 9,2 29,7
Fora do Domicílio 100,0 4,3 3,7 38,6 27,3 26,1 53,4
Habitação 100,0 6,2 5,1 42,0 24,8 21,8 46,6
Eletrodomésticos 100,0 7,5 5,6 44,0 23,2 19,7 42,9
Mobiliário e artigos do lar 100,0 6,7 5,2 40,7 23,7 23,6 47,3
Vestuário 100,0 5,9 4,9 43,5 25,6 20,1 45,7
Transporte 100,0 2,8 2,7 34,0 31,3 29,3 60,6
Higiene e cuidados pessoais 100,0 7,1 5,7 47,7 25,1 14,3 39,4
Assistência à saúde 100,0 4,5 4,0 38,5 27,6 25,4 53,0
Educação 100,0 2,0 2,3 34,9 38,4 22,4 60,8
Recreação e cultura 100,0 3,6 3,6 39,8 28,2 24,7 52,9
Fumo 100,0 11,8 8,8 55,6 14,8 9,0 23,8
Serviços pessoais 100,0 3,9 3,5 40,2 30,4 21,9 52,3
Despesas diversas 100,0 3,4 2,8 32,5 31,5 29,8 61,3
Fonte: Ativa Research

Como já era de se esperar, a classe B passa a ocupar um espaço mais relevante nas diversas
categorias de gastos, dado o seu crescimento absoluto em números de pessoas, assim como a
classe A. Portanto, empresas que estejam migrando parte do seu mix de produtos para o
consumo do padrão da classe B de 2008 devem se beneficiar dos próximos anos. Na tabela
abaixo temos as taxas de crescimento das despesas por categoria e por classes, sendo a
primeira coluna quanto cada categoria irá crescer, quando somarmos as migrações e as
mudanças dos perfis de consumo.

Relatório Especial – Estratificação Social 9

19 de outubro de 2010
Variação das Despesas por Classes Econômicas
E (2011) / 2008-2009
Variação em % Total E D C B A A+B
Despesa total 26,2 0,7 -4,7 4,9 45,9 66,2 55,5
Despesas correntes 24,4 0,7 -4,9 4,8 44,6 62,9 53,0
Despesas de consumo 22,6 0,7 -5,0 4,9 46,1 60,0 52,1
Alimentação 17,2 0,5 -5,6 4,7 50,2 56,6 52,6
No Domicílio 10,9 0,3 -4,9 3,9 44,2 27,3 38,5
Fora do Domicílio 35,5 2,0 -9,5 7,4 60,9 106,4 80,3
Habitação 22,4 0,8 -5,6 5,1 46,0 66,6 55,0
Eletrodomésticos 24,5 1,6 -7,7 6,1 51,9 95,3 69,2
Mobiliário e artigos do lar 23,9 0,5 -3,3 4,3 46,8 75,7 59,9
Vestuário 21,9 0,6 -3,3 4,3 47,3 67,0 55,4
Transporte 31,6 0,7 -3,9 5,0 50,0 70,1 59,1
Higiene e cuidados pessoais 20,2 1,4 -6,3 6,1 57,1 57,1 57,1
Assistência à saúde 26,8 1,6 -7,7 6,3 48,8 65,2 56,2
Educação 8,5 0,0 -0,1 2,1 22,0 0,9 13,3
Recreação e cultura 14,0 0,8 -2,0 2,8 23,0 31,9 27,0
Fumo 6,0 0,2 -2,2 2,8 21,4 22,9 22,0
Serviços pessoais 26,2 0,9 -4,6 6,3 52,0 58,8 54,8
Despesas diversas 32,5 0,9 -1,4 4,4 57,6 64,5 60,9
Fonte: Ativa Research

Os resultados das classes B e A são expressivos em grande parte devido à forte entrada de
novas pessoas nessas classes, porém, quando olhamos para as tabelas acima notamos que
essas ainda não representam nem 20% da população, apesar de representarem quase 53% do
consumo total em 2011, segundo as nossas projeções, vindo de 43% em 2008-2009. Alguns
grupos nos chamam especial atenção nas suas taxas de crescimento real, para todas as
classes: alimentação fora do domicílio, transporte, assistência de saúde, serviços pessoais e
despesas diversas, exatamente por serem especialmente sensíveis ao crescimento da classe B.
Do lado negativo, notamos uma taxa menor de crescimento de alimentação no domicílio, que é
natural de se esperar diante da melhoria do padrão de vida das famílias.

Conclusão

Sem dúvidas os últimos 8 anos foram de transformação da estratificação social para o Brasil, e
com isso uma nova classe C emergiu diante dos altos ganhos de renda real. Com o forte
crescimento da economia e a estabilidade econômica foi possível um maior controle
inflacionário, que por sua vez gerou uma ajuda extra para o crescimento da renda e o boom de
investimentos.

Analisando os próximos meses ainda vemos motivos para nos mantermos otimistas em relação
ao crescimento econômico e, conseqüentemente, com o crescimento da renda real que irá se
manter forte. Diante do quadro de maior leniência do BCB em relação ao nível inflacionário,
acreditamos que esse cenário se fortalece ainda mais. Apesar de que sem dúvidas a inflação
estará mais acelerada, devido à dinâmica de determinação salarial no Brasil, acreditamos que
esta não irá mudar profundamente a dinâmica positiva. Obviamente, no médio prazo,
acreditamos que essa política é prejudicial ao crescimento econômico, porém, nos próximos
anos o cenário ainda é róseo.

Relatório Especial – Estratificação Social 10

19 de outubro de 2010
Como podemos notar nos resultados do estudo, a principal classe que se beneficia desse
movimento nos próximos anos é a B, ao contrário da primeira parte da análise, onde a C foi a
grande beneficiada. Entendemos ser importante ressaltar que em um país de forte crescimento
econômico, como o Brasil nos últimos anos, a metodologia padrão para estudo de estratificação
social é apenas eficaz para uma análise de curto/médio prazo. Podemos imaginar que caso o
crescimento de renda real se mantenha como o atual por mais 10 anos, quase todas as famílias
serão o que chamamos aqui de classe B, pois esta é a Classe B de 2008, com sua cesta de
consumo fixa.

O que está acontecendo, mais do que uma explosão da classe B, é que a classe média
brasileira está subindo rapidamente o seu padrão de consumo. Falando de outra forma, a classe
C daqui a 5 anos terá o mesmo padrão de consumo da classe B de 2008. Portanto, não
podemos dizer que todos serão classe B, mas sim que a classe média brasileira está se
refinando.

Podemos notar que alguns setores são os principais beneficiados desse movimento quando
agregamos o crescimento de pessoas nas classes e as elasticidades renda das diferentes
classes: transportes, assistência de saúde, eletrodomésticos, alimentação fora do domicílio,
serviços pessoais e despesas diversas. Quando analisamos a diferença de alocação da
educação, notamos que apesar da baixa elasticidade deste grupo na classe B, a migração de
novos membros para essa classe irá fazer esse grupo crescer de forma expressiva, e, portanto,
o setor de educação para este grupo irá se beneficiar.

Relatório Especial – Estratificação Social 11

19 de outubro de 2010
Box Metodológico

Neste box iremos descrever a metodologia empregada para calcular o tamanho das
classes econômicas com base nos dados da POF de 2002-2003 e de 2008-2009. O ponto
de partida foi escolher qual seriam as faixas de renda que determinam o limite dentro do
qual uma família seria considerada membro de uma determinada classe econômica.
Como não há uma definição oficial do que define uma classe específica, e a própria
escolha das faixas de renda tem sua parcela de arbitrariedade, decidimos utilizar como
1
base os dados contidos em um estudo da FGV . Como as faixas de renda originais do
estudo não diferenciam entre as classes mais elevadas, que são definidas conjuntamente
como classe AB, definimos que as famílias com renda mensal acima de R$ 10.375
pertencem à classe A. Abaixo encontram-se as bandas de rendimento e as respectivas
2
classes, de acordo com o estudo da FGV :

Classificação das Classes


2008 - 2009 Bandas de Renda
inferior superior
A 10375 -
B 4807 10375
C 1115 4807
D 804 1115
E 0 804

Fonte: FGV e ATIVA Research

De posse da definição das classes econômicas, utilizamos os dados da POF 2008-2009,


que incluem o número de famílias e seus respectivos tamanhos médios contidos em
diversas faixas de renda. Vale ressaltar que as faixas de renda contidas na POF não
coincidem exatamente com as bandas definidas acima, como fica claro abaixo, onde
encontram-se as faixas da POF e o respectivo número de pessoas em cada uma:

Faixas de Renda da POF 2008-2009


Bandas de Renda
inferior superior
10375 -
6225 10375
4150 6225
2490 4150
1245 2490
830 1245
0 830
Fonte: POF 2008-2009

1
Consumidores, Produtores e a Nova Classe Média: Miséria, Desigualdade e Determinantes das Classes. Setembro de 2009.
2
Em R$ de dezembro de 2008.

Relatório Especial – Estratificação Social 12

19 de outubro de 2010
Portanto, de forma a computar o número de pessoas em cada uma das classes que
definimos acima, faz-se necessário algum ajuste. A hipótese que adotamos é que a
distribuição de indivíduos em cada uma das faixas da POF é uniforme: por exemplo,
supusemos que os 10% mais ricos de uma determinada faixa de renda são
numericamente idênticos aos 10% mais pobres. Esta hipótese, que é bastante forte,
tende a gerar uma distorção especialmente nas faixas de renda extremas (mais
3
pobres ou mais ricas), tendo em vista a maior heterogeneidade nos rendimentos .
Portanto, em termos práticos, computamos o número de indivíduos em determinada
classe econômica através de uma interpolação linear das faixas da POF. Por
exemplo, para a classe E fizemos o seguinte cálculo, e assim por diante:

Tamanho da Classe E = (804/830) * (nº de pessoas na faixa de renda mais pobre da


POF)

Por fim, feitos todos os cálculos descritos acima, chegamos ao número de indivíduos
pertencentes a cada uma das classes econômicas.

Calculando o tamanho das classes em 2002-2003 e a migração de classes

O segundo estágio do exercício consiste em encontrar quantas pessoas havia em


cada classe segundo os dados da POF de 2002-2003, de forma a obter uma medida
de migração de classe durante esse período. Para tal, optamos por deflacionar as
bandas de renda de cada classe pelo IPCA acumulado entre janeiro de 2003 e
4
janeiro de 2009 . Desta forma, travamos o poder de compra de cada uma das
classes na pesquisa de 2008-2009, e comparamos quantas famílias possuíam renda
compatível na pesquisa de 2002-2003. Em outras palavras, a classe C na POF de
2002-2003, por exemplo, será constituída pelos domicílios que tenham renda
suficiente para comprar a mesma cesta de consumo que define a mesma classe em
2008.

Vale aqui ressaltar que, entre as críticas sobre as quais a estratégia adotada está
sujeita, destaca-se o fato de que há uma tendência de crescimento real na
economia, e, por sua vez, cada classe econômica teria seu poder aquisitivo ampliado
ao longo do tempo, na medida em que a economia se desenvolvesse. A
metodologia, portanto, superestima a migração de classes. Dito isso, as faixas de
renda que definem as classes em 2003 são (em R$ de janeiro de 2003):

3
Sob a hipótese de uniformidade, necessariamente teríamos a mediana dos rendimentos igual à média. A simples comparação entre essas duas medidas sugere que a
hipótese que adotamos é mais distorciva nas categorias extremas.
4
Os valores em R$ da POF de 2002-2003 são centrados em janeiro de 2003, enquanto os da POF 2008-2009 em janeiro de 2009.

Relatório Especial – Estratificação Social 13

19 de outubro de 2010
Classificação das Classes
2002 - 2003 Bandas de Renda
inferior superior
A 7.480 -
B 3.466 7.480
C 804 3.466
D 580 804
E 0 580

Fonte: ATIVA Research

Bandas de rendas das classes em JAN/03

Para achar o número de pessoas, procedemos da mesma forma que o descrito


acima, interpolando entre as faixas de renda contidas na POF 2002-2003. Na tabela
abaixo encontram-se os respectivos tamanhos das classes em 2002-2003 e 2008-
2009, e as perspectivas participações percentuais sobre o total da população:

Tamanho das Classes Tamanho das Classes


2008 - 2009 2002 - 2003
nº em MM nº em MM
% %
A 7,276 3,8% A 7,613 4,3%
B 23,408 12,3% B 14,464 8,2%
C 99,338 52,2% C 84,396 48,0%
D 23,192 12,2% D 21,490 12,2%
E 37,183 19,5% E 47,987 27,3%
Total 190,397 Total 175,951
Fonte: ATIVA Research Fonte: ATIVA Research

Para acharmos a massa de renda (ou de despesa) correspondente a cada uma das
classes econômicas, adotamos estratégia análoga. Primeiro calculamos a massa de
renda (despesa) de cada uma das faixas de rendimento disponíveis na POF, através
da multiplicação da renda média (despesa média) de cada família pelo respectivo
número de famílias, para em seguida interpolarmos da mesma forma que fizemos
5
acima .

5
Caso a hipótese de uniformidade que supusemos para achar o número de indivíduos em cada classe fosse de fato verdadeira, esta metodologia acarretaria nova
distorção resultante de nossa interpolação linear. Como exercício, realizamos outra forma de cálculo, com resultados não satisfatórios, o que fornece mais uma
evidência de que a distribuição não é de fato uniforme.

Relatório Especial – Estratificação Social 14

19 de outubro de 2010
Projetando o tamanho e a renda das classes no final de 2011

Para obtermos uma projeção de quantos indivíduos cada classe econômica terá no
final do ano de 2011, adotamos o seguinte procedimento:

• Corrigimos as bandas de rendimento para cada classe incorporando a


variação do IPCA acumulada entre janeiro de 2009 e dezembro de 2011
(inclusive nossa projeção para 2011, de 5,6%);

• Em seguida, corrigimos as mesmas bandas pelo IPCA mais o crescimento


para o salário real médio no período (incluindo nossa projeção de 3,3% para
2011). Esse passo incorpora a hipótese simplificadora, e bastante
aproximada, de que todos os indivíduos de cada uma das distintas classes
apresentarão a mesma taxa de crescimento salarial; porém, tal hipótese
simplificadora torna-se necessária para que não tenhamos que impor ainda
mais hipóteses ad hoc;

• Por fim, utilizamos a mesma metodologia das POFs para encontrar uma
estimativa do número de pessoas que migrarão de classe. Em seguida,
aplicamos a taxa de crescimento do salário real acrescido do IPCA sobre o
rendimento médio per capita de cada classe, e ao multiplicarmos pelo
tamanho de cada classe obtemos uma estimativa para a massa de renda.

Vale ressaltar que nossa metodologia não contempla o crescimento populacional, o


que requereria imposição de mais hipóteses; como estamos tratando de um período
relativamente curto (2008-2009 até 2011), estaríamos falando de cerca de 7 milhões
de habitantes, considerando a taxa de crescimento populacional média dos últimos
vinte anos até de 2008. Como em geral as classes com nível de renda mais baixo
apresentam uma taxa de natalidade mais elevada, nosso exercício tende a
subestimar o tamanho dessas classes.

Calculando as elasticidades-renda das despesas das classes

O próximo passo para projetarmos as despesas das classes econômicas em 2011 é


a estimativa de como tais gastos variarão com o crescimento projetado para a renda.
Uma possível forma de responder a esta questão é estimar a elasticidade-renda de
cada uma das categorias de dispêndio (alimentação, habitação, etc.): o quanto varia
percentualmente a despesa quando a renda varia em 1%. Segundo a teoria
econômica, os itens classificados como bens de necessidade, que são aqueles que

Relatório Especial – Estratificação Social 15

19 de outubro de 2010
têm que impreterivelmente ser consumidos para sobrevivência do indivíduo
(alimento, por exemplo), apresentam uma elasticidade-renda mais baixa do que a de
bens considerados supérfluos. Como temos apenas dados referentes às duas POFs,
estimamos as elasticidades com base nestas duas pesquisas, o que obviamente não
gera uma estimativa muito precisa, e deve, portanto, ser vista como uma
aproximação.

Estimando o perfil de despesas de cada classe

Para projetarmos o perfil de despesas de cada uma das classes, utilizamos as


elasticidades-renda estimadas acima, multiplicando-as pela projeção de crescimento
da renda total de cada classe. Desta forma, obtemos uma estimativa de como se
alterará o perfil de consumo de cada classe, dado que o crescimento da despesa
com cada uma das diferentes categorias (alimentação, habitação, etc) será afetado
de forma distinta; ou seja, ao invés de aplicarmos uma taxa de crescimento
constante para cada categoria de dispêndio, permitimos que elas variem de acordo
com sua elasticidade. Mais uma vez, este exercício simples tem suas limitações, ao
supor que o comportamento dos consumidores apresenta o mesmo padrão
observado na transição do período de 2003-2008.

Relatório Especial – Estratificação Social 16

19 de outubro de 2010
A população enriqueceu e os hábitos de consumo mudaram...

Apesar do notável crescimento registrado pelas vendas do comércio varejista no Brasil nos
últimos anos, uma análise segmentada revela que alguns setores alcançaram desempenho
superior à média, enquanto outros tiveram performance inferior. Tomando os dados da Pesquisa
Mensal de Comércio do IBGE, as vendas no varejo em termos consolidados cresceram a uma
taxa média de 7,1% ao ano entre 2004 e 2009, enquanto o segmento de móveis e
eletrodomésticos registrou alta média de 11,6% a.a., seguido por artigos farmacêuticos, itens de
perfumaria e cosméticos, setor que avançou a uma expressiva taxa de 8,7% a.a.. No entanto, o
varejo de alimentos (hipermercados e supermercados) e de vestuário apresentaram crescimento
anual de 6% e 4%, respectivamente, e, portanto, abaixo da performance do varejo consolidado.

Com o objetivo de explicar esta dinâmica observada entre 2004 e 2009, faremos uma análise da
cesta de consumo da população e das mudanças ocorridas entre 2003 e 2009, utilizando para
isso a Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) do IBGE. Selecionamos a classe C, que segundo
nossa análise representava quase metade das despesas ligadas a consumo no país (47,8%),
seguida de longe pela classe B, responsável por 22,4%, o que nos leva a acreditar que seja de
fato a classe propulsora do consumo interno no Brasil na atualidade. Ilustramos a seguir as
alterações ocorridas na cesta de consumo deste grupo ao longo dos últimos anos.

Despesas Dentro da Cesta de Consumo Classe C


17,50%
2003 2009
15,00%

12,50%

10,00%

7,50%

5,00%

2,50%

0,00%

Fonte: IBGE e Ativa Research

Relatório Especial – Estratificação Social 17

19 de outubro de 2010
Conforme podemos observar, o grande destaque de alta vem do grupo “alimentação fora do
domicílio”, passando de 4,4% para 5,4% da despesa total da classe C. Aumentos de
participação também foram alcançados em “eletrodomésticos” e “higiene e cuidados pessoais”,
que chegaram a 2,4% e 2,3% da despesa total, respectivamente. Na ponta oposta, “alimentação
no domicílio” teve sua participação reduzida em 1,4 p.p., assim como “vestuário”, com queda de
0,3 p.p.. Este resultado veio ao encontro do que esperávamos, explicando o bom desempenho
das vendas de eletrodomésticos e perfumaria/ cosméticos, assim como a performance inferior
de hiper e supermercados, que estão diretamente relacionados ao item “alimentação no
domicílio” e vestuário. É importante destacar que “alimentação fora do domicílio”,
“eletrodomésticos” e “higiene e cuidados pessoais” são grupos de despesas com baixa
penetração no orçamento total do consumidor de classe C, em comparação a “alimentação no
domicílio” e até mesmo vestuário, o que explica a “razão” pela qual o consumidor passa a
direcionar um percentual maior de sua renda para estes itens quando obtém aumentos reais em
sua renda.

Em seguida, ampliamos nossa análise no sentido de englobar uma variedade maior de


despesas. Neste ponto, faremos uma comparação entre as diferentes categorias de despesas,
analisando, para isso, a evolução (em termos reais) dos gastos totais da classe C, por
categorias, entre 2003 e 2009.

Evolução Acum. 2009/2003 Despesas Classe C

Alimentação fora do domicílio


Aumento do ativo
Assistência à saúde
Serviços pessoais
Higiene e cuidados pessoais
Eletrodomésticos
Diminuição do passivo
Habitação
Transporte
Despesa total
Alimentação
Vestuário
Alimentação no domicílio
Educação

-10% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70%

Fonte: IBGE e Ativa Research

Mais uma vez “alimentação fora do domicílio” destaca-se, registrando um aumento de quase
60% no período, o que é resultado não somente do aumento da classe C em termos de números
de pessoas, mas também da alta de 36% do gasto médio per capita com este tipo de despesa
no período. Este resultado mostra uma tendência de substituição da alimentação em casa por
fora de casa quando o brasileiro melhora de vida, mudando de classe social. Ao mesmo tempo,
chama a atenção a categoria “aumento do ativo”, que representa o aumento do patrimônio

Relatório Especial – Estratificação Social 18

19 de outubro de 2010
familiar, o que pode ser entendido por aquisição de imóveis e outros investimentos, e explica
parte do bom desempenho da categoria “eletrodomésticos”, cujos gastos cresceram 43,8% entre
2003 e 2009, também muito acima da evolução da despesa total. Destacamos ainda o
desempenho de “higiene e cuidados pessoais” com alta de 44,3% no período, que revela que
ganhos de renda da população tendem a impulsionar os gastos com cosméticos e itens voltados
à higiene pessoal que não são necessariamente de primeira necessidade. Os maiores gastos
com saúde (+46,9%) refletem a busca da população pela contratação de planos de saúde. O
desempenho inferior à media foi registrado pelas categorias “vestuário” e “alimentação no
domicílio”, explicando a perda de participação a qual verificamos anteriormente.

Neste ponto, acreditamos que seja interessante relacionar o desempenho do varejo por
segmentos nestes últimos anos e mudanças no posicionamento estratégico das empresas.
Sendo assim, chamamos a atenção para Pão de Açúcar. O Pão de Açúcar, que tinha até
meados de 2009 cerca de 90% de suas receitas relacionadas a bens não-duráveis, em sua
grande maioria alimentos (75% do total), após a aquisição do Ponto Frio e a associação com
Casas Bahia, as quais ocorreram em um curto intervalo de tempo, aumentou significativamente
sua exposição a duráveis (eletroeletrônicos e móveis). Estas duas categorias representam hoje
aproximadamente 50% das vendas totais da companhia, constituindo-se em seu principal driver
de crescimento para o longo prazo. A mudança estratégica do Pão de Açúcar reflete os
resultados apresentados anteriormente: fortalecimento do consumo de eletrodomésticos
simultaneamente a uma redução da fatia dos rendimentos gasta com alimentação no domicílio.

E a classe B tende a crescer...

O fortalecimento da classe B que foi descrito anteriormente, com a entrada de aproximadamente


6 milhões de pessoas, tem como uma de suas principais implicações o fato de que o consumidor
que está migrando de classe, está se tornando mais rico e conseqüentemente mais exigente,
buscando itens antes não consumidos e outros de melhor qualidade. Ilustramos em seguida as
elasticidades da demanda do consumidor representativo da classe B, segmentadas por grupos
de despesas classificadas como “de consumo” pela POF. O objetivo aqui é selecionar os tipos
de despesas que tendem a mais se beneficiar de ganhos de renda desta classe B, pensando
não apenas em 2011, mas em um prazo mais longo.

Relatório Especial – Estratificação Social 19

19 de outubro de 2010
Despesa de Consumo Elast. Classe B
Alimentação fora do domicílio 1,39
Despesas diversas 1,32
Higiene e cuidados pessoais 1,31
Serviços pessoais 1,19
Eletrodomésticos 1,19
Transporte 1,14
Assistência à saúde 1,12
Vestuário 1,08
Mobiliário e artigos do lar 1,07
Habitação 1,05
Alimentação no domicílio 1,01
Recreação e cultura 0,53
Educação 0,50
Fumo 0,49

Fonte: IBGE e Ativa Research

Conforme podemos verificar na tabela acima, dividimos as despesas de consumo em quatro


grupos. No 1º grupo, que é formado pelas despesas de maior elasticidade, destacamos as
despesas com Higiene e Cuidados Pessoais. No 2º grupo, selecionamos Eletrodomésticos, com
elasticidade próxima de 1,2x. No 3º grupo, Vestuário apresenta elasticidade acima de 1x,
mostrando que quando aumenta a renda, a proporção dos gastos com roupas e calçados
também aumenta para a classe B. Alimentação no domicílio tem a pior performance dentre as
despesas de nosso interesse, mas ainda com elasticidade de 1x.

Mas a classe C mantém sua importância

Apesar deste aumento proporcional da classe B e conseqüente redução da classe C, esta


continua sendo a classe de maior peso no consumo das famílias, representando 41% do total
das despesas de consumo.

Despesas de Consumo (2003) Despesas de Consumo (2009)

10,0% 6,9%
18,0% 16,9% 6,0%
6,6%

19,2% 22,4%
46,1% 47,8%

E D C B A E D C B A
Fonte: IBGE e Ativa Research Fonte: IBGE e Ativa Research

Relatório Especial – Estratificação Social 20

19 de outubro de 2010
Despesas de Consumo (2011)

5,6%
4,7%
22,1%

40,9%
26,7%

E D C B A

Fonte: IBGE e Ativa Research

Por fim, ilustramos o crescimento real esperado para as despesas de consumo entre 2009 e
2011 para as classes B e C. Conforme podemos ver, teremos um crescimento ainda muito forte
no consumo destas duas classes, sendo que considerando despesas de consumo em termos
consolidados, o aumento esperado é de 18% neste período de pouco mais de 2 anos.

Evolução Acum. Despesas Classe B+C 2011/2009

Despesas diversas
Alimentação fora do domicílio
Transporte
Serviços pessoais
Assistência à saúde
Higiene e cuidados pessoais
Eletrodomésticos
Despesas de consumo
Habitação
Vestuário
Mobiliário e artigos do lar
Alimentação no domicílio
Educação
Recreação e cultura
Fumo

0% 5% 10% 15% 20% 25% 30%

Fonte: IBGE e Ativa Research

Análise comparativa entre empresas e setores

A seguir, fazemos uma comparação direta entre o crescimento que projetamos para as receitas
de vendas de mercadorias de quatro empresas de nosso universo de cobertura e o crescimento
estimado até o fim de 2011 para cada um dos setores onde elas estão inseridas. Para tal
análise, comparamos as vendas de 2011 com a soma do 2S08 com o 1S09 para cada
companhia. Conforme é possível observar, o Pão de Açúcar, de acordo com nossas projeções,
deverá apresentar crescimento 18 p.p. acima do setor, o que indica ganhos de market share,
lembrando que este número pode ser um pouco otimista, à medida que a companhia não deve

Relatório Especial – Estratificação Social 21

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atingir seu guidance inicial de abertura de lojas para 2010. Lojas Renner a Marisa deverão ter
desempenho pouco superior ao setor de vestuário, com ganhos marginais de market share. Por
fim, destacamos a fantástica performance do Ponto Frio, cerca de 40 p.p. acima do setor,
explicada pelo fato de que a base de comparação é muito depreciada, juntando-se ao fato de
que apenas este ano as vendas estão acumulando crescimento de 50% sobre os 9M09, com a
mudança para a gestão do Grupo Pão de Açúcar.

Crescimento acumulado 2011/2009


Empresa Setor
Empresa Setor ∆ p.p.
Pão de Açúcar Core Alimentação no Domicílio 45,72% 27,71% 18,0p.p.
Lojas Renner Vestuário 44,12% 40,39% 3,7p.p.
Lojas Marisa Vestuário 47,34% 40,39% 7,0p.p.
Ponto Frio Eletro 80,58% 39,69% 40,9p.p.

Fonte: IBGE e Ativa Research

Empresas beneficiadas e recomendações

Traçando um paralelo com as empresas do setor de consumo e varejo, possíveis beneficiadas


com esta migração do consumidor de classe C para um padrão de consumo mais semelhante à
classe B seriam Lojas Renner, Natura, Pão de Açúcar, através principalmente da bandeira Ponto
Frio e B2W. Em uma análise mais minuciosa, a partir das elasticidades, temos que o grande
destaque seria a Natura que, com isso, tende a aumentar a penetração de suas linhas mais
caras de sabonetes e maquiagem, por exemplo, contribuindo para um ticket médio maior.

Outra possibilidade é buscar uma associação com o setor de shopping center, o qual se
beneficia diretamente do crescimento do consumo no país. Neste caso, o que podemos citar é a
elevada elasticidade da demanda do grupo Alimentação fora do domicílio, que foi o destaque
quando comparamos os números de 2003 com os de 2009 e continuará sendo o tipo de
despesa mais beneficiada com esta convergência para o padrão de consumo da classe B,
explicada anteriormente.

Este cenário traçado para o fim de 2011 reforça nossa preferência por Pão de Açúcar, que
é atualmente nosso Top Pick no setor, pois acreditamos que, além das boas perspectivas
para o varejo de eletroeletrônicos, o papel ficou atrasado em relação à performance de seus
pares. Outras empresas que deverão beneficiar-se deste cenário traçado acima, como Lojas
Renner, Natura e BRMALLS, em nossa opinião, já estão refletindo em seu atual nível de
preço as expectativas positivas não só para 2011, como também para os próximos anos.
Em relação a B2W, mantemos nosso view NEUTRO para o curto prazo, pois acreditamos que
os próximos resultados trimestrais constituem relevante fator de risco ao papel.

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O analista responsável pela elaboração deste relatório declara, nos termos do art. 5º da Instrução CVM n.º 388/03 que:
I. suas análises refletem única e exclusivamente suas opiniões pessoais e que foram elaboradas de forma independente e
autônoma;
II. que não mantém vínculo com qualquer pessoa natural que atue no âmbito das companhias cujos valores mobiliários foram
alvo de análise no relatório divulgado;
III. que a instituição à qual está vinculado, bem como os fundos, carteiras e clubes de investimentos em valores mobiliários por
ela administrados não possui participação acionária direta ou indireta, igual ou superior a 1% (um por cento) do capital social
de quaisquer das companhias cujos valores mobiliários foram alvo de análise, ou esteja envolvida na aquisição, alienação e
intermediação de tais valores mobiliários no mercado;
IV. que não é titular, direta ou indiretamente, de valores mobiliários de emissão da companhia objeto de sua análise, que
representem 5% (cinco por cento) ou mais de seu patrimônio pessoal, ou esteja envolvido na aquisição, alienação e
intermediação de tais valores mobiliários no mercado;
V. que, tanto o analista como a instituição a que está vinculado, não recebem remuneração por serviços prestados ou
apresentam relações comerciais com qualquer das companhias cujos valores mobiliários foram alvo de análise no relatório
divulgado, ou pessoa natural ou pessoa jurídica, fundo ou universalidade de direitos, que atue representando o mesmo
interesse desta companhia;
VI. que sua remuneração ou esquema de compensação do qual é integrante não está atrelada à precificação de quaisquer dos
valores mobiliários emitidos por companhias analisadas no relatório ou às receitas provenientes dos negócios e operações
financeiras realizadas pela instituição a qual está vinculado.

Este boletim foi preparado pela Ativa SA Corretora de Títulos, Câmbio e Valores, sendo distribuído a título gratuito, com a
finalidade única de prestar informações ao mercado em geral. Apesar de ter sido tomado todo o cuidado necessário de forma a
assegurar que as informações aqui prestadas reflitam precisamente a realidade no momento, a exatidão não é de qualquer
forma garantida e a Corretora por elas não se responsabiliza. O informe é fornecido apenas como fonte de dados para
investidores profissionais, que devem tomar suas próprias decisões, não aceitando a Corretora responsabilidade, de qualquer
natureza, por perdas direta ou indiretamente derivadas do uso deste boletim ou do seu conteúdo. Este não pode ser
reproduzido, distribuído ou publicado por qualquer pessoa, para quaisquer fins.

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RESEARCH www.invistaativa.com.br

Economista Chefe Estratégia e Sales Analista Chefe Elétrico e Açúcar & Álcool
Arthur Carvalho Mônica Araújo, CNPI Luciana Leocadio, CNPI Ricardo Corrêa, CNPI
acarvalho@invistaativa.com.br maraujo@invistaativa.com.br lleocadio@invistaativa.com.br rcorrea@invistaativa.com.br

Economista Telecom e Tecnologia Construção Civil Serviços Financeiros


Henrique Santos Luciana Leocadio, CNPI Armando Halfeld, CNPI Luciana Leocadio, CNPI
hsantos@invistaativa.com.br lleocadio@invistaativa.com.br ahalfeld@invistaativa.com.br lleocadio@invistaativa.com.br

Augusto Xavier Petróleo e Concessões Bens de Capital e Autopeças Siderurgia & Mineração
axavier@invistaativa.com.br Mônica Araújo, CNPI Artur Delorme, CNPI Luciana Leocadio, CNPI
maraujo@invistaativa.com.br adelorme@invistaativa.com.br lleocadio@invistaativa.com.br
Guilherme Barros
gbarros@invistaativa.com.br Consumo, Varejo e Shoppings Logística Papel & Celulose
Juliana Campos, CNPI Artur Delorme, CNPI Mônica Araújo, CNPI
Analista Técnico jcampos@invistaativa.com.br adelorme@invistaativa.com.br maraujo@invistaativa.com.br
Pedro Azzam
pazzam@invistaativa.com.br

Hugo Carone
hcarone@invistaativa.com.br

INSTITUCIONAL
Ações Renda Fixa
Mesa Rio de Janeiro Tel.: (21) 3515-0290 Mesa Rio de Janeiro Tel.: (21) 3515-0290
Mesa São Paulo Tel.: (11) 3339-7036 Mesa São Paulo Tel.: (11) 3339-7036

Mercados Futuros SALES


Mesa Rio de Janeiro Tel.: (21) 3515-0290 Mônica Araújo Tel.: (21) 3515-0284
Mesa São Paulo Tel.: (11) 3339-7030 Amabile Rebeschini Tel.: (21) 3515-0290

PESSOA FÍSICA

Mesa Rio de Janeiro Tel.: (21) 3515-0256/3958-0256 Mesa Fortaleza Tel.: (85) 3923-2250
Mesa São Paulo Tel.: (11) 3896-6994/6995/6996 Mesa Brasília Tel.: (61) 2108-0000
Mesa Curitiba Tel.: (41) 3075-7400 Mesa Belo Horizonte Tel.: (31) 3025-0601
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