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Guia de Estudo

Curso Técnico
Eletrotécnica
EAD

ELETRÔNICA LINEAR I

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Guia de Estudos de Eletrônica Linear I

ÍNDICE

CAPÍTULO 1 .............................................................................................. 3
RESISTORES LINEARES E NÃO LINEARES ................................................. 3
1.1 – RESISTORES LINEARES ........................................................................3
1.2 – RESISTORES NÃO LINEARES .................................................................4
1.3 – EXERCÍCIOS .......................................................................................7
CAPÍTULO 2 .............................................................................................. 9
FÍSICA DOS SEMICONDUTORES E DIODOS ............................................... 9
2.1 – CONDUTORES, ISOLANTES E SEMICONDUTORES .....................................9
2.2 – ESTRUTURA DA JUNÇÃO PN ..................................................................9
2.3 – EXERCÍCIOS ..................................................................................... 13
2.4 – DIODO (JUNÇÃO PN) .......................................................................... 15
2.5 – EXERCÍCIOS ..................................................................................... 21
2.6 – CLASSES DE DIODOS ......................................................................... 23
2.7 – CIRCUITOS COM DIODOS ................................................................... 25
2.8 – EXERCÍCIOS ..................................................................................... 28
2.9 – DIODO EMISSOR DE LUZ (LED)............................................................ 30
2.10 – FOTODIODO ..................................................................................... 31
2.11 – DIODO ZENER ................................................................................... 32
2.12 – EXERCÍCIOS ..................................................................................... 37
CAPÍTULO 3 ............................................................................................ 39
FONTES DE ALIMENTAÇÃO E CIRCUITOS RETIFICADORES ...................... 39
3.1 – FUNDAMENTOS ................................................................................. 39
3.2 – DIAGRAMA EM BLOCOS ...................................................................... 39
3.3 – CIRCUITOS RETIFICADORES ............................................................... 41
3.4 – EXERCÍCIOS ..................................................................................... 44
3.5 – FILTROS EM FONTES DE ALIMENTAÇÃO ................................................ 46
3.6 – CIRCUITOS REGULADORES A ZENER .................................................... 51
3.7 – EXERCÍCIOS ..................................................................................... 52
BIBLIOGRAFIA........................................................................................ 54

Índice 2
Guia de Estudos de Eletrônica Linear I
CAPÍTULO 1

RESISTORES LINEARES E NÃO LINEARES

1.1 – RESISTORES LINEARES

São aqueles que obedecem a lei de Ohm, ou seja, a variação de resistência é


linear. São divididos em três categorias: fixos, ajustáveis e variáveis.

Resistores fixos: São aqueles em que a resistência não pode ser variada.
Ela permanece fixa no mesmo valor que está expresso em seu corpo.

Resistores ajustáveis: São aqueles em que podemos escolher valores


intermediários de resistência e que, depois de escolhidos esses valores, assim
permanecem. São resistores fixos, de fio, com derivação que possibilita a escolha
do valor intermediário.

Resistores variáveis: São aqueles cuja variação de resistência é feita


continuamente dentro de determinados valores através de um contato móvel que
desliza livremente por todo o elemento resistivo. Os resistores variáveis permitem
a variação de seu valor de resistência entre extremos pré-determinados.

Os resistores variáveis podem ser de dois tipos: potenciômetros e


reostatos.

Potenciômetro: É um resistor variável provido de meios mecânicos para


variar a sua resistência, sem abrir o circuito no qual está ligado. Contém três
terminais, dois dos quais estão ligados às extremidades do elemento resistivo e o
terceiro desliza sobre esse elemento, fornecendo os valores intermediários de
resistência. Sua função principal é converter uma tensão aplicada entre seus
extremos; em valores que podem ir desde uma pequena porcentagem dessa
tensão, até aproximadamente, a tensão total, funcionando assim como um divisor
de tensão.

Capítulo 1 – Resistores não Lineares 3


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Aplicações: controle de volume, controle de brilho, controle de tonalidade,
etc.

Potenciômetros lineares: são aqueles que apresentam variação linear de


valor resistivo em toda a sua extensão. Ex.: valor entre as extremidades = 200;
valor do ponto central em relação às extremidades com o cursor no meio = 100.

Potenciômetro logarítmico: não apresentam variação linear de valor


resistivo em toda a sua extensão.

Trim-Pot: são pequenos potenciômetros de carvão utilizados para controle


de baixíssimos valores de corrente. Podem ser lineares ou logarítmicos.

Reostato: É idêntico ao potenciômetro, variando apenas a sua aplicação e


ligação elétrica. Funciona como controlador de corrente. Este termo é mais
empregado em eletricidade.

1.2 – RESISTORES NÃO LINEARES

Resistores não lineares são aqueles que não obedecem a lei de Ohm, isto é, a
variação da resistência é não linear, dependendo da intensidade de incidência de
luz, voltagem ou temperatura. Os tipos de resistores não lineares são: Foto
resistor (LDR); Varistor (VDR); Termistor (PTC ou NTC).

LDR - Light Dependent Resistor (resistor dependente de luz):


constituído de material semicondutor, caracteriza-se por possuir resistência que
varia em função da incidência de luz.
No escuro, a resistência do LDR é alta, e, à medida que aumenta a incidência
de luz, esta resistência sofre reduções que não são lineares, conforme o gráfico.

Os LDR’s podem ser do tipo sulfeto de cádmio, cuja curva espectral abrange
parte das radiações visíveis, ou sulfeto de chumbo, cuja curva espectral está fora
do alcance da visão humana (infravermelho).

Capítulo 1 – Resistores não Lineares 4


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Símbolos dos LDR:

Aplicações: utilizados principalmente em dispositivos sensores, como


contagem de objetos, controle automático de brilho, detecção de dispositivos pela
cor, em fotômetros para otimização de processos fotográficos etc.

Varistores (VDR): também chamados supressores de transitório, têm por


função filtrar a linha de alimentação, eliminando os problemas causados pelos
transitórios (descargas, falha na linha de alimentação, chaveamento de carga
reativa etc...). São fabricados para diversos valores de tensão de ruptura e
corrente de pico.
Varistores são resistências dependentes da tensão com uma curva
característica V x I simétrica, conforme o gráfico.

No exemplo dado, a especificação 510V - 810K 150, fornecida pelo manual da


lcotron, significa:

 SIOV - varistor de óxido metálico


 S1OK - diâmetro nominal do disco (lOmm);
 150-tensão eficaz nominal 150Vef ou aproximadamente 2l2Vmáx

Capítulo 1 – Resistores não Lineares 5


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Símbolos dos Varistores:

Termistores (PTC e NTC): os termistores são componentes semicondutores


cuja resistência varia com a temperatura. São utilizados como transdutores de
temperatura em sinal elétrico. Dependendo da forma como a resistência se altera
em função da temperatura, os termistores se classificam em PTC (Positive
Temperature Coeficient) e NTC (Negative Temperature Coeficient). Assim, temos
que o PTC aumenta sua resistência quando a temperatura aumenta, e o NTC
diminui sua resistência quando a temperatura aumenta. A seguir, são ilustradas as
curvas características de resistência versus temperatura de cada um deles.

Símbolos dos termistores:

Aplicações do NTC: Medidores de temperatura (termômetros médicos ou


industriais) ou como compensadores de temperatura.

Aplicações do PTC: Proteção de motores, controle de temperatura e relé de


ação retardada (relé térmico).

Capítulo 1 – Resistores não Lineares 6


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1.3 – EXERCÍCIOS

1 – Os resistores lineares são divididos em três categorias, são elas:

a) ( ) ajustáveis, variáveis e temporários


b) ( ) fixos, ajustáveis e temporários
c) ( ) fixos, ajustáveis e variáveis
d) ( ) variáveis, fixos e temporários

2 – Como são denominados os resistores que não permitem a variação de seu


valor nominal?

a) ( ) resistores fixos
b) ( ) resistores temporários
c) ( ) resistores ajustáveis
d) ( ) resistores variáveis

3 – A que categoria de resistores pertence a simbologia abaixo?

a) ( ) fixos
b) ( ) variáveis
c) ( ) temporários
d) ( ) ajustáveis

4 – O _______________, é um resistor variável provido de meios mecânicos para


variar a sua resistência, sem abrir o circuito no qual está ligado.

a) ( ) resistor fixo
b) ( ) varistor
c) ( ) LDR
d) ( ) potenciômetro

5 – Como são denominados os pequenos potenciômetros de carvão utilizados para


controle de baixíssimos valores de corrente?

a) ( ) trim-Pot
b) ( ) reostato
c) ( ) potenciômetro logarítmico
d) ( ) potenciômetro linear

6 – Cite os tipos de resistores não lineares.

a) ( ) LRR; VDR; PTC ou NTC


b) ( ) LDR; VDR; PTC ou NTC
c) ( ) LDR; VRR; PTT ou NTC
d) ( ) LDR; VDR; PTC ou NTS

Capítulo 1 – Resistores não Lineares 7


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7 – Como é denominado o componente representado pelo símbolo abaixo?

a) ( ) VDR b) ( ) PTC
c) ( ) LDR d) ( ) NTC

8 – Qual é a sigla do componente largamente utilizado, principalmente em


dispositivos sensores, como contagem de objetos, controle automático de brilho,
detecção de dispositivos pela cor, em fotômetros para otimização de processos
fotográficos etc?

a) ( ) VDR
b) ( ) LDR
c) ( ) PTC
d) ( ) NTC

9 – Qual é a sigla dos componentes também chamados supressores de transitório,


têm por função filtrar a linha de alimentação, eliminando os problemas causados
pelos transitórios (descargas, falha na linha de alimentação, chaveamento de
carga reativa?

a) ( ) PTC
b) ( ) NTC
c) ( ) LDR
d) ( ) VDR

10 – Como são denominados os são componentes semicondutores cuja resistência


varia com a temperatura?

a) ( ) resistores
b) ( ) termistores
c) ( ) varistores
d) ( ) sensores

11 – Como é denominado o componente aplicado em medidores de temperatura


ou como compensadores de temperatura?

a) ( ) PTC b) ( ) NTC
c) ( ) LDR d) ( ) VDR

12 – Como é denominado o componente aplicado na proteção de motores,


controle de temperatura e relé de ação retardada (relé térmico).

a) ( ) PTC b) ( ) NTC
c) ( ) LDR d) ( ) VDR

Capítulo 1 – Resistores não Lineares 8


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CAPÍTULO 2

FÍSICA DOS SEMICONDUTORES E DIODOS

2.1 – CONDUTORES, ISOLANTES E SEMICONDUTORES

Condutores: São caracterizados pelo fato dos elétrons de valência estarem


fracamente ligados ao núcleo do átomo, podendo ser facilmente deslocados do
mesmo. Os corpos condutores apresentam baixa resistência à passagem da
corrente elétrica. Ex.: prata, cobre, alumínio, ouro, etc.
Percebemos bem isso quando olhamos a estrutura atômica do cobre, onde
vemos um elétron de valência numa órbita muito grande em torno da parte
central. Então o núcleo exerce uma força de atração muito pequena, ocasionando
um fácil desprendimento deste elétron de valência.

Isolantes: São corpos que apresentam alta resistência à passagem da


corrente elétrica, pois os elétrons de valência dos seus átomos estão rigidamente
ligados ao núcleo. Ex.: borracha, mica, porcelana, etc. Os isolantes são elementos
de valência 8, ou seja, possuem 8 elétrons na camada de valência.

Semicondutores: São elementos cuja resistência situa-se entre as dos


condutores e as dos isolantes.

Exemplo: germânio e silício. Um semicondutor é um elemento de valência 4.


Observamos então que os condutores são elementos de valência 1, os
semicondutores de valência 4 e os isolantes de valência 8. Os semicondutores
estão em condutibilidade entre os isolantes e condutores.

2.2 – ESTRUTURA DA JUNÇÃO PN

Substância cristalina: É toda substância onde os átomos se posicionam no


espaço formando uma estrutura ordenada. Quando átomos de silício, por exemplo,
se combinam para formar um sólido, eles são arranjados segundo um padrão
ordenado chamado cristal.

Ligação covalente: Os átomos procuram atingir a sua situação mais estável


(oito elétrons na camada de valência). Como o material semicondutor possui
apenas quatro elétrons nessa camada, eles se combinam com outros átomos para
que se complete oito elétrons. A ligação é chamada covalente porque o

Capítulo 2 – Física dos Semicondutores e Diodos 9


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semicondutor recebe elétrons ao mesmo tempo que empresta os seus próprios
elétrons para o átomo usado na ligação.

Estrutura covalente: É a estrutura formada por ligação covalente. Neste


tipo de estrutura, ao aplicarmos uma tensão, não resultará numa corrente, pois os
elétrons acham-se presos à ligação de valência, não havendo, por conseguinte,
elétrons livres para a condução.
Para que haja circulação de corrente teremos de romper as ligações
covalentes mediante a aplicação de energia suficiente para tal. Essa energia pode
ser em forma de luz, calor, etc.

Formação de buracos ou lacunas: Com o rompimento da ligação


covalente, ocorre a liberação de elétrons e o espaço vazio (buraco) deixado pela
liberação comporta-se como uma carga positiva móvel. Suponhamos uma
estrutura cristalina sobre a qual aplicamos uma diferença de potencial (ddp):

Cada elétron retirado do material pelo polo positivo da bateria ocasionará a


formação de uma lacuna, porém, o polo negativo da bateria se encarregará de
repor um outro elétron nessa lacuna.
Notamos na Figura que um elétron passou a ocupar a lacuna originada pelo
elétron atraído, porém, ao deslocar-se em seu antigo lugar, uma nova lacuna e,
por este mecanismo, teremos duas circulações de corrente dentro do material,
uma de portadores positivos (buracos) e outra de portadores negativos (elétrons).
O buraco apresenta carga igual a do elétron, porém com polaridade oposta.
A energia necessária para quebrar a ligação covalente do germânio é de 0,2V
a 0,3V e do silício é de 0,6V a 0,7V.
A zero grau Kelvin (- 273ºC) as ligações covalentes ficam intactas e o cristal
se comporta como isolante.

Capítulo 2 – Física dos Semicondutores e Diodos 10


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Conceitos fundamentais:

Semicondutor intrínseco: É o cristal semicondutor puro, isto é, sem


impurezas.
Os corpos básicos empregados na construção de semicondutores são o
germânio e o silício. Esses cristais em estado puro são excelentes isolantes,
porque a estrutura cristalina mantém, convenientemente, em seu lugar, todos os
elétrons externos, formando uma união covalente, que é como se o núcleo
“enxergasse”, na órbita externa, oito elétrons, apesar desses cristais serem
tetravalentes (quatro elétrons na última camada).
O corpo cristalino puro impede que a corrente elétrica circule por ele e, desta
forma, o germânio e o silício têm que ser modificados em sua estrutura, para que
seja possível que a circulação de corrente se dê de maneira controlável.

Dopagem: Processo de introduzir impurezas (doadoras ou receptoras de


elétrons) em um cristal semicondutor.

Elemento trivalente: É todo elemento que possui na sua camada de


valência um total de três elétrons.

Exemplos: boro, alumínio, gálio, índio e tálio (grupo 3A da tabela periódica).

Elemento pentavalente: É todo elemento que possui em sua camada de


valência um total de cinco elétrons.

Exemplos: antimônio, fósforo, arsênico, etc (grupo 5A da tabela periódica).

Formação do material tipo “N”: O semicondutor tipo “N” é aquele que se


obtém adicionando (dopando) ao cristal puro, átomos com cinco elétrons na
camada de valência (átomos pentavalentes).
O tipo de semicondutor assim tratado recebe a denominação de tipo N porque
um dos elétrons adicionado ao átomo não consegue se ligar firmemente na
estrutura do cristal, podendo ser facilmente deslocado do material.
Como essas impurezas fornecem (doam) elétrons, elas são chamadas de
impurezas doadoras ou impurezas tipo N.
A corrente circulante neste tipo de material consiste de excesso de partículas
negativas, daí chamar-se corrente de elétrons.

Capítulo 2 – Física dos Semicondutores e Diodos 11


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Formação do material tipo “P”: Semicondutor tipo P é aquele que se


obtém adicionando-se ao cristal puro, átomos com três elétrons na camada de
valência (átomos trivalentes).
Essa ligação covalente ficará incompleta, uma vez que o átomo do
semicondutor tem quatro elétrons e o da impureza trivalente três elétrons na
camada de valência
Esse semicondutor recebe a denominação de tipo “P” porque um dos átomos
a ele adicionado causou uma falta de elétron na estrutura do cristal o qual,
facilmente aprisionará um elétron.
Essas impurezas trivalentes que dão origem a buracos na rede cristalina são
chamadas impurezas aceitadoras ou impurezas tipo P.
A corrente circulante neste tipo de material deve-se a deficiência de elétron,
daí chamar-se lacunas (buracos).

Resistência de corpo: resistência de corpo é a característica intrínseca do


semicondutor dopado. Um semicondutor levemente dopado tem resistência de
corpo alta. Aumentando-se a dopagem a resistência diminui.

Capítulo 2 – Física dos Semicondutores e Diodos 12


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2.3 – EXERCÍCIOS

1 – Os materiais condutores são caracterizados pelo fato dos eletros estarem


_______________ ligados ao núcleo do átomo.

a) ( ) fortemente
b) ( ) lentamente
c) ( ) fracamente
d) ( ) rapidamente

2 – Os materiais isolantes são caracterizados pelo fato dos eletros estarem


_______________ ligados ao núcleo do átomo.

a) ( ) fortemente
b) ( ) lentamente
c) ( ) fracamente
d) ( ) rapidamente

3 – Qual a valência dos elementos semicondutores?

a) ( ) valência 1
b) ( ) valência 2
c) ( ) valência 4
d) ( ) valência 4

4 – Como é denominada toda substância onde os átomos se posicionam no espaço


formando uma estrutura ordenada.

a) ( ) substância intrínseca
b) ( ) substância cristalina
c) ( ) substância trivalente
d) ( ) substância pentavalente

5 – Como é denominada a estrutura, na qual mesmo ao aplicarmos uma tensão,


não resultará numa corrente, pois os elétrons acham-se presos à ligação de
valência, não havendo, por conseguinte, elétrons livres para a condução?

a) ( ) cristalina
b) ( ) trivalente
c) ( ) pentavalente
d) ( ) covalente

6 – Através de que tipo de ligação s átomos procuram atingir a sua situação mais
estável (oito elétrons na camada de valência)?

a) ( ) ligação cristalina
b) ( ) ligação trivalente
c) ( ) ligação covalente
d) ( ) ligação pentavalente

Capítulo 2 – Física dos Semicondutores e Diodos 13


Guia de Estudos de Eletrônica Linear I
7 – Como é denominado o cristal semicondutor puro, isto é, sem impurezas?

a) ( ) semicondutor intrínseco
b) ( ) semicondutor impuro
c) ( ) semicondutor extrínseco
d) ( ) semicondutor cristalino

8 – Como é denominado o processo de introduzir impurezas (doadoras ou


receptoras de elétrons) em um cristal semicondutor?

a) ( ) drenagem
b) ( ) Dopagem
c) ( ) sulfatação
d) ( ) polarização

9 – O semicondutor tipo “N” é aquele que se obtém adicionando (dopando) ao


cristal puro, átomos com _______________ elétrons na camada de valência.

a) ( ) 5 elétrons
b) ( ) 6 elétrons
c) ( ) 7 elétrons
d) ( ) 8 elétrons

10 – Semicondutor tipo “P” é aquele que se obtém adicionando-se ao cristal puro,


átomos com _______________ elétrons na camada de valência.

a) ( ) 2 elétrons
b) ( ) 3 elétrons
c) ( ) 4 elétrons
d) ( ) 7 elétrons

Capítulo 2 – Física dos Semicondutores e Diodos 14


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2.4 – DIODO (JUNÇÃO PN)

Fluxo de corrente no semicondutor tipo N: Se aplicarmos uma bateria em


um material tipo N, haverá um fluxo de elétrons livres através do material em
direção ao potencial positivo da bateria.
Podemos afirmar que os elétrons livres são os responsáveis pela condução
extrínseca e os buracos pela condução intrínseca. Os elétrons são portadores
majoritários e os buracos portadores minoritários.

Fluxo de corrente no semicondutor tipo P: Se aplicarmos uma bateria em


um material tipo P, haverá um fluxo de buracos através do material em direção ao
polo negativo da bateria.
No cristal tipo P, os buracos são os portadores majoritários e os elétrons são
os portadores minoritários. A quantidade de portadores minoritários está
diretamente ligada à execução externa tal como calor e luz.

Princípio de funcionamento dos diodos semicondutores: Por si só, um


pedaço de semicondutor tipo N tem a mesma utilidade um resistor de carbono; o
mesmo pode ser dito do semicondutor tipo P. Mas quando um fabricante dopa um
cristal de modo que metade dele seja tipo P e a outra metade tipo seja tipo N,
acontece um fato novo.
Supondo-se um cristal de germânio ou silício no qual, por um processo
qualquer, foi feita uma dopagem diferente em duas regiões:

Capítulo 2 – Física dos Semicondutores e Diodos 15


Guia de Estudos de Eletrônica Linear I

Do lado N haverá muitos elétrons livres, ao passo que do lado P existirão


buracos, como consequência, haverá um processo de difusão entre os elétrons e
os buracos.

Funcionamento da junção PN: Juntando-se quimicamente os dois tipos de


semicondutores forma-se um diodo do estado sólido, também chamado de junção
PN.
Assim, teremos duas regiões distintas a saber: a região N e a região P. Do
lado N haverá muitos elétrons livres, ao passo que do lado P existirão buracos e
como consequências, haverá um processo de difusão entre os elétrons e os
buracos na junção dos dois tipos de materiais (região de contato).
Nessa região, forma-se uma barreira de potencial causada por íons positivos
e íons negativos, polarizando positivamente a região de contato tipo N; e
negativamente a região de contato do material tipo P.
Conforme os elétrons passam para o cristal P, esse potencial vai crescendo
até atingir um ponto que impede que eles transitem pela junção. A região da
junção onde não existe elétrons livres, nem buracos, recebe o nome de zona de
depleção (região de transição).
O potencial que aparece entre os dois cristais devido à ionização de ambos
recebe o nome de barreira de potencial. Essa barreira é da ordem de 0,2V para o
germânio e da ordem de 0,6V para o silício.

Capítulo 2 – Física dos Semicondutores e Diodos 16


Guia de Estudos de Eletrônica Linear I

Barreira de potencial através da região de esgotamento: Dependendo


do material usado na construção e do método de construção dos diodos (ponto de
contato, difusão, liga, etc), encontramos aplicações prática dos diodos em: fontes
de alimentação (atuando como retificador), em circuitos detetores, circuitos
limitadores, etc.
A borda entre o material tipo P e o material tipo N é chamada de junção PN e
foi ela que deu origem a todos os tipos de invenções, incluindo diodos,
transistores e circuitos integrados. A compreensão da junção PN permite que você
entenda todos os tipos de dispositivos encontrados.

Simbologia:

Os diodos semicondutores são representados de forma que a barra vertical


simboliza o material tipo N, e a ponta da seta, o material tipo P.
A barra é denominada catodo, e a ponta da seta, ânodo.
Um fabricante pode produzir um cristal simples com um material tipo P de um
lado e um material tipo N do outro. A junção é a borda onde as regiões do tipo P e
do tipo N se encontram e o diodo de junção é outro nome dado para um cristal
PN. A palavra diodo é a contração de dois eletrodos.

Polarização direta: Um diodo está diretamente polarizado, quando o catodo


estiver negativo em relação ao ânodo com uma diferença de potencial superior ao
valor da barreira de potencial do diodo, para que o efeito da mesma possa ser
vencido. Ou seja, positivo da bateria no lado P (ânodo) e negativo no lado N
(catodo).
Lembrando que para uma temperatura de 25ºC, a barreira de potencial é
aproximadamente igual a 0,3V para os diodos de germânio e 0,7V para os diodos
de silício.

Capítulo 2 – Física dos Semicondutores e Diodos 17


Guia de Estudos de Eletrônica Linear I

Os elétrons livres do lado N serão repelidos pelo terminal negativo da bateria


e tenderão a penetrar na junção. Os buracos também serão repelidos pelo
terminal positivo da bateria e também tenderão a penetrar na junção. Como
consequência, haverá uma diminuição da região de depleção e circulará grande
corrente através da junção. A corrente circula facilmente num diodo de silício com
polarização direta, enquanto a tensão aplicada for maior que a barreira de
potencial.

Polarização reversa: É o tipo de polarização que torna o catodo positivo em


relação ao ânodo. Ela reforça (aumenta) o efeito da barreira de potencial. Positivo
da bateria no lado N Catodo) e negativo no lado P (ânodo).

Os elétrons livres do material N serão atraídos pelo potencial positivo da


bateria externa e as lacunas do material P são preenchidas com elétrons do
terminal negativo da bateria.
Como consequência, haverá aumento da zona de depleção, tornando
praticamente impossível o deslocamento de portadores, ou seja, não haverá
circulação de corrente.
Não deveria circular nenhuma corrente através do diodo, no entanto nota-se
uma corrente muito débil (corrente de fuga), devido à ruptura de certas ligações
na estrutura cristalina, por causa da agitação térmica (corrente de portadores
minoritários). Existe uma pequena corrente com a polarização reversa (inversa).
Lembre-se de que a energia térmica gera pares de elétrons livres e lacunas
incessantemente. Isso significa que existem alguns poucos portadores minoritários
nos dois lados da junção. Muitos deles se recombinam com os portadores
majoritários, mas aqueles dentro da camada de depleção podem não existir
suficientemente para cruzar a junção.
Quando isso ocorre uma pequena corrente circula pelo circuito externo.

Capítulo 2 – Física dos Semicondutores e Diodos 18


Guia de Estudos de Eletrônica Linear I
Corrente de saturação (Is): Corrente de saturação é a corrente reversa
produzida por portadores minoritários. Esta tem seu valor dobrado para cada
1000 de aumento de temperatura.

Corrente de fuga superficial (IFs): Origina-se devido a impurezas da


superfície criarem um caminho ôhmico para corrente.

Corrente reversa (IR): Geralmente dada para uma determinada tensão


reversa (VR) e uma temperatura ambiente (Ta)•

Exemplo:
O diodo 1N914 tem uma corrente reversa (IR) igual a 25nA, para uma tensão
reversa de 20V, a uma temperatura ambiente de 2500.

Tensão de ruptura (VR): Nível de tensão reversa para a qual o diodo


conduz. Para retificadores, VR >50V.

Efeito Avalanche: Ocorre quando, na camada de depleção, um elétron


deslocado ganha velocidade, podendo desalojar um elétron de valência. O par de
elétrons deslocados continua ganhando velocidade, e quanto maior for a
polarização reversa, maior será a velocidade, desalojando mais elétrons de
valência. Devido ao elevado número de elétrons livres, o diodo conduzirá
intensamente e será danificado pelo excesso de potência dissipada.

Terminologias: a seguir temos algumas terminologias empregadas na


determinação de características elétricas de diodos, com seus respectivos
significados.

VBR: Tensão de ruptura VRWM: Tensão reversa máxima de Trabalho


PIV: Tensão de pico inversa PRV: Tensão reversa de pico
BV: Tensão de ruptura VRM: Tensão reversa máxima

Componentes lineares: Os componentes cujo gráfico, tensão x corrente,


origina uma reta são denominados componentes lineares. O gráfico abaixo ilustra,
com detalhes, o que foi descrito.

Capítulo 2 – Física dos Semicondutores e Diodos 19


Guia de Estudos de Eletrônica Linear I
Curva características dos diodos (Gráfico do diodo): Podemos distinguir
duas regiões distintas no gráfico. No primeiro quadrante, inicialmente não há
corrente fluindo pelo diodo. Aumentando-se gradativamente a polarização direta,
atinge-se um ponto no qual o diodo inicia a condução. Para diodos de silício, esta
tensão de limiar é de aproximadamente 0,7V, denominada tensão de joelho. A
partir daí, aumentos sucessivos na tensão de polarização implicam grandes
variações na corrente direta. No terceiro quadrante, aumentando-se
gradativamente a polarização reversa, obtém-se apenas o fluxo de uma corrente
inicialmente desprezível (corrente de fuga, da ordem de nano ampéres). Caso esta
tensão atinja o valor de ruptura (dado pelo fabricante - BV), o diodo conduzirá
intensamente e será destruído por causa da dissipação excessiva de potência.

Resistência de carregamento: Abaixo de 0,7V predomina a resistência não


linear da camada de depleção e, em função disso, o aumento da tensão de
polarização não provoca aumento na corrente. Acima de 0,7V, a única oposição à
corrente é a resistência linear das regiões P e N.

Especificação de potência e de corrente: As folhas de dados dos


fabricantes de diodos trazem, entre outras, informações dos limites máximos de
dissipação de calor (potência) e de condução de corrente, sendo que, uma vez
desrespeitados tais limites, pode-se danificar irreparavelmente os mesmos. A
seguir apresentamos dois exemplos de especificação de potência e corrente de
diodos:

• diodo 1 N91 4, potência máxima igual a 250mW;


• diodo 1 N4002, corrente máxima igual a lA.

Capítulo 2 – Física dos Semicondutores e Diodos 20


Guia de Estudos de Eletrônica Linear I
2.5 – EXERCÍCIOS

1 – Considerando o fluxo de corrente no semicondutor tipo N, podemos afirmar


que os elétrons são portadores _______________ e os buracos portadores
_________________.

a) ( ) minoritários, majoritários
b) ( ) minoritários, minoritários
c) ( ) majoritários, majoritários
d) ( ) majoritários, minoritários

2 – Considerando o fluxo de corrente no semicondutor tipo P, podemos afirmar


que os buracos são os portadores _______________ e os elétrons são os
portadores _______________.

a) ( ) minoritários, majoritários
b) ( ) majoritários, minoritários
c) ( ) majoritários, majoritários
d) ( ) minoritários, minoritários

3 – Considerando a junção PN, o potencial que aparece entre os dois cristais


devido à ionização de ambos recebe o nome de barreira de potencial. Essa
barreira é da ordem de 0,6V para o _______________.

a) ( ) germânio
b) ( ) gálio
c) ( ) silício
d) ( ) tálio

4 – Considerando a junção PN, o potencial que aparece entre os dois cristais


devido à ionização de ambos recebe o nome de barreira de potencial. Essa
barreira é da ordem de 0,2V para o _______________.

a) ( ) germânio
b) ( ) gálio
c) ( ) silício
d) ( ) tálio

5 – Um diodo está _______________ polarizado, quando o catodo estiver


negativo em relação ao ânodo com uma diferença de potencial superior ao valor
da barreira de potencial do diodo, para que o efeito da mesma possa ser vencido.

a) ( ) diretamente
b) ( ) respectivamente
c) ( ) reversamente
d) ( ) inversamente

Capítulo 2 – Física dos Semicondutores e Diodos 21


Guia de Estudos de Eletrônica Linear I
6 – Polarização _______________, é o tipo de polarização que torna o catodo
positivo em relação ao ânodo.

a) ( ) direta
b) ( ) condutiva
c) ( ) reversa
d) ( ) neutra

7 – Corrente de saturação é a corrente _______________ produzida por


portadores minoritários.

a) ( ) direta
b) ( ) reversa
c) ( ) alternada
d) ( ) continua

8 – Corrente de _______________ superficial, origina-se devido a impurezas da


superfície criarem um caminho ôhmico para corrente.

a) ( ) direta
b) ( ) reversa
c) ( ) alternada
d) ( ) fuga

9 – Como é chamado o nível de tensão reversa para a qual o diodo conduz?

a) ( ) tensão de ruptura
b) ( ) tensão contínua
c) ( ) joelho
d) ( ) tensão alternada

10 – O efeito avalanche, ocorre quando, na camada de _______________, um


elétron deslocado ganha velocidade, podendo desalojar um elétron de valência.

a) ( ) valência
b) ( ) depleção
c) ( ) neutra
d) ( ) orbital

Capítulo 2 – Física dos Semicondutores e Diodos 22


Guia de Estudos de Eletrônica Linear I
2.6 – CLASSES DE DIODOS

Os diodos são classificados, de acordo com sua potência máxima, em diodos


de sinais, cuja potência é menor que meio Watt (1/2W), e retificadores, cuja
potência é maior que meio Watt (1/2W).

Exemplos:
 Diodo 1N914, pequeno sinal (0,25W).
 Diodo 1 N4003, retificador (1W).

Resistor limitador de corrente: conforme visto anteriormente, elevando-se


a tensão de polarização direta do diodo acima da tensão de joelho ele conduz, e a
única oposição à elevação desta corrente é a resistência de corpo, ou seja, a
resistência linear das regiões P e N.
Isso originaria um valor alto de corrente, que destruiria o diodo. A fim de
evitar que isto ocorra, e inserido um resistor em série com o diodo, que tem
como função limitar a máxima corrente direta do mesmo.

Linhas de carga: uma forma de determinar com exatidão os valores de


tensão e corrente do diodo é através da linha (reta) de carga. Dois pontos
determinam a reta de carga, sendo eles a saturação e o corte. Para a saturação
consideramos o diodo como uma chave fechada, isto é, com uma tensão direta
(VD) igual a zero; e para o corte, como uma chave aberta, ou seja, sem fluxo de
corrente (1=0). A corrente de trabalho (quiescente) é determinada levando-se em
conta a queda de tensão da barreira de potencial do diodo e a relação entre a
fonte e o resistor limitador. A interseção entre a curva do diodo e a reta de carga
determina o ponto de trabalho do circuito ou ponto quiescente (ponto Q). As
coordenadas deste ponto são os valores de tensão de trabalho (V0) e corrente de
trabalho (IQ). (Gráfico).

Capítulo 2 – Física dos Semicondutores e Diodos 23


Guia de Estudos de Eletrônica Linear I
Aproximações do diodo: para análise de circuitos eletrônicos, devemos
lembrar que respostas matematicamente exatas não têm muito sentido, do ponto
de vista prático, se considerarmos que dispositivos tais como resistores, diodos
etc.., possuem tolerância de valores. É necessário, portanto conhecer tais
variáveis, a fim de que se possam aproximar ao máximo os valores teóricos dos
práticos. A seguir apresentaremos as aproximações, considerando diodos de
silício.

Primeira aproximação (diodo ideal): considera-se como diodo ideal, ou


primeira aproximação, o fato do mesmo agir como um condutor perfeito, isto é,
queda de tensão zero quando polarizado diretamente; e isolante perfeito, corrente
zero, quando polarizado reversamente.

Segunda aproximação: para que o diodo comece a conduzir, é necessário


que a tensão de polarização ultrapasse o valor da barreira de potencial. Em se
tratando de diodos de silício, o limiar da condução situa-se próximo de 0,7V. A
ideia é comparar o diodo a uma chave ideal ligada em série com uma bateria de
0,7V, que se fecha assim que a tensão de polarização direta ultrapassa este valor,
e que se abre toda vez que ela se torna menor que 0,7V ou reversa (negativa). A
figura ilustra com detalhes o que foi descrito.

Terceira aproximação: como terceira aproximação do diodo, inclui-se ao


circuito da segunda aproximação uma resistência ligada em série com a bateria,
que representa a resistência linear das regiões P e N (resistência de corpo - RD).
A corrente direta, fluindo através desta resistência, origina uma queda de
tensão, que varia proporcionalmente ao aumento da corrente; isto é, quanto
maior a corrente, maior será a queda de tensão através de RD. A tensão total,
através do diodo (VF), é igual à soma da tensão de limiar (0,7V) com a queda de
tensão através da resistência de corpo (RD) A figura a seguir ilustra o que foi
descrito.

Capítulo 2 – Física dos Semicondutores e Diodos 24


Guia de Estudos de Eletrônica Linear I

Observação: geralmente, utiliza-se a segunda aproximação para resolução


de circuitos envolvendo diodos.

Resistência de corrente contínua (CC) de um diodo: na polarização


direta, a resistência CC do diodo diminui à medida que a corrente aumenta; e na
polarização reversa o mesmo acontece, à medida que a tensão de polarização
reversa se aproxima do valor da ruptura.

Teste estático do diodo: utilizando o ohmímetro, podemos detectar se um


diodo encontra-se em curto ou aberto. Isto é possível através da relação entre as
medidas de resistência direta e reversa do mesmo. Um diodo será considerado em
bom estado, pelo teste estático se a relação entre as medidas de resistência direta
pela reversa for igual ou maior que 1/1000.

2.7 – CIRCUITOS COM DIODOS

Limitador: sua função é limitar sinais de tensão abaixo ou acima de um


determinado nível, variando assim a forma dos mesmos. Os imitadores podem ser
positivos, negativos e polarizados.

Limitador positivo: também chamado ceifador, o circuito retira partes


positivas do sinal. No primeiro semiciclo do sinal de entrada (Ve), o diodo está
polarizado diretamente e conduz. Assim, a tensão de saída (Vo) fica limitada ao
valor de condução do diodo (0,7V). Quando inverte o sinal de entrada, o diodo fica
polarizado reversamente, indo para o corte (chave aberta). Assim teremos,
idealmente, todo o sinal de entrada sobre a carga (na saída, V0). Fazendo uma
relação entre a carga (RL) e o resistor imitador (R) maior ou igual a 100, obtém-
se sobre a carga praticamente todo o sinal de entrada.

Capítulo 2 – Física dos Semicondutores e Diodos 25


Guia de Estudos de Eletrônica Linear I
Limitador negativo: invertendo-se a polaridade do diodo, obtém-se um
imitador negativo.

Limitador polarizado: consiste em ligar em série um gerador CC com o


diodo, a fim de conseguir ceifar o sinal em V + 0,7V para limitadores positivos e -v
- 0,7V para limitadores negativos, conforme as figuras.

Associação de Limitadores: podemos, em algumas situações, necessitar de


limitação do sinal de entrada em ambos os semiciclos, ou seja, positivo e
negativo. Para tal, utilizamos os circuitos limitadores associados, de forma que
possamos obter o efeito desejado, de acordo com a figura.

Grampeador de CC: sua função é somar uma tensão contínua ao sinal de


entrada.

Grampeador positivo: no primeiro semiciclo negativo da tensão de entrada,


o diodo está polarizado diretamente e conduz, levando o capacitor a carregar até
aproximadamente VP.
Pouco depois do pico negativo, o diodo corta. Fazendo a constante RLC muito
maior que o período (T) do sinal de entrada, o capacitor permanece carregado
completamente durante todo o tempo em que o diodo estiver cortado.

Capítulo 2 – Física dos Semicondutores e Diodos 26


Guia de Estudos de Eletrônica Linear I

Invertendo-se a polaridade do diodo, obtém-se um grampeador negativo.

Detector de pico a pico: consiste em associar em cascata um grampeador


de CC e um retificador de pico (D2). Devemos fazer a constante RLC muito maior
que o período do sinal de entrada, a fim de obtermos uma tensão contínua de
aproximadamente ondulação de saída pequena.2VP e uma ondulação de saída
pequena.

Capítulo 2 – Física dos Semicondutores e Diodos 27


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2.8 – EXERCÍCIOS

1 – Os diodos são classificados, de acordo com sua _______________ máxima,


em diodos de sinais e retificadores.

a) ( ) tensão
b) ( ) corrente
c) ( ) potência
d) ( ) resistência

2 – Conforme visto anteriormente, elevando-se a tensão de polarização direta do


diodo acima da tensão de _______________ ele conduz, e a única oposição à
elevação desta corrente é a resistência de corpo, ou seja, a resistência linear das
regiões P e N.

a) ( ) corte
b) ( ) joelho
c) ( ) avalanche
d) ( ) polarização

3 – Conforme verificamos, quais valores podem ser determinados com exatidão


através da linha de carga do diodo?

a) ( ) tensão e corrente
b) ( ) tensão e resistência
c) ( ) tensão e frequência
d) ( ) tensão e potência

4 – Considera-se como diodo ideal, ou _______________ aproximação, o fato do


mesmo agir como um condutor perfeito, isto é, queda de tensão zero quando
polarizado diretamente; e isolante perfeito, corrente zero, quando polarizado
reversamente.

a) ( ) quarta
b) ( ) segunda
c) ( ) primeira
d) ( ) terceira

5 – Para que o diodo comece a conduzir, é necessário que a tensão de polarização


ultrapasse o valor da barreira de potencial. Em se tratando de diodos de silício, o
limiar da condução situa-se próximo de 0,7V. A ideia é comparar o diodo a uma
chave ideal ligada em série com uma bateria de 0,7V, que se fecha assim que a
tensão de polarização direta ultrapassa este valor, e que se abre toda vez que ela
se torna menor que 0,7V ou reversa (negativa). A análise refere-se a:

a) ( ) quarta aproximação
b) ( ) segunda aproximação
c) ( ) primeira aproximação
d) ( ) terceira aproximação

Capítulo 2 – Física dos Semicondutores e Diodos 28


Guia de Estudos de Eletrônica Linear I
6 – A corrente direta, fluindo através da resistência, origina uma queda de tensão,
que varia proporcionalmente ao aumento da corrente; isto é, quanto maior a
corrente, maior será a queda de tensão através de RD. A tensão total, através do
diodo (VF), é igual à soma da tensão de limiar (0,7V) com a queda de tensão
através da resistência de corpo (RD). A análise refere-se a:

a) ( ) quarta aproximação
b) ( ) segunda aproximação
c) ( ) primeira aproximação
d) ( ) terceira aproximação

7 – Geralmente, utiliza-se a _________ __________ para resolução de circuitos


envolvendo diodos.

a) ( ) primeira aproximação
b) ( ) segunda aproximação
c) ( ) terceira aproximação
d) ( ) quarta aproximação

8 – O circuito limitador tem a função de limitar sinais de ____________ abaixo ou


acima de um determinado nível, variando assim a forma dos mesmos. Os
imitadores podem ser positivos, negativos e polarizados.

a) ( ) tensão
b) ( ) corrente
c) ( ) potência
d) ( ) variações

9 – O circuito _______________ de CC, tem a função de somar uma tensão


contínua ao sinal de entrada.

a) ( ) limitador
b) ( ) ceifador
c) ( ) grampeador
d) ( ) detetor

10 – Considerando a terceira aproximação, calcule a corrente que circula pelo


diodo (ID) em um circuito com as seguintes características: Rs = 300Ω; Ry =
10Ω; Vcc = 50V; e Vy = 0,7V.

a) ( ) ID = 0,129A
b) ( ) ID = 0,139A
c) ( ) ID = 0,149A
d) ( ) ID = 0,159A

Capítulo 2 – Física dos Semicondutores e Diodos 29


Guia de Estudos de Eletrônica Linear I
2.9 – DIODO EMISSOR DE LUZ (LED)

O LED difere dos diodos comuns pelo fato de que, quando polarizado
diretamente, irradia energia em forma de luz, enquanto nos diodos comuns ela é
irradiada em forma de calor.
Consiste em um cristal com junção PN. Quando ocorre polarização direta,
movem-se os elétrons da região N em direção às lacunas da região P. Desta
maneira há uma recombinação (elétrons livres + lacunas), ocasionando liberação
de energia, a qual se propaga em forma de luz. A figura ilustra o funcionamento
do LED.

Vantagens: baixo consumo de potência, vida longa e chaveamento rápido


(liga/desliga).

Detalhes construtivos: são utilizados elementos tais como gálio, arsênio e o


fósforo, podendo irradiar-se no vermelho, verde, amarelo, azul, laranja ou
infravermelho. A figura ilustra a forma física de um LED.

Tensão e corrente no LED: a tensão do LED (VLED ) varia de


aproximadamente 1,35 a 3V, e a corrente (I LED ) máxima 13OmA, sendo
considerados como valores usuais VLED = 2V e I LED = 20mA

Símbolo do LED:

Capítulo 2 – Física dos Semicondutores e Diodos 30


Guia de Estudos de Eletrônica Linear I
Circuito:

Orientação para projeto: utilizar fonte (V S) e resistor (RS) altos para


obter brilho aproximadamente constante com LED’s.

Exemplo:
Para o TIL 222 (verde)
VLED = 1,8 a 3V
I LED = 25mA

Utilizando uma fonte (V S ) igual a 20V e um resistor (RS) de 750R, ILED igual
a:

2.10 – FOTODIODO

O fotodiodo é um dispositivo semicondutor que converte intensidade luminosa


em quantidade elétrica. Sua operação está limitada à região reversa. A figura
mostra um arranjo básico de sua construção.

Símbolo:

Circuito:

Capítulo 2 – Física dos Semicondutores e Diodos 31


Guia de Estudos de Eletrônica Linear I
À medida que a luz se torna mais brilhante, a corrente reversa aumenta,
diminuindo a queda de tensão no diodo e aumentando a queda no resistor
imitador de corrente R5.

Optoacoplador com fotodiodo: o optoacoplador associa um LED e um


fotodiodo em um só invólucro. Este dispositivo é muito utilizado para
interfaceamento de circuitos eletrônicos com isolação, pois a conexão é através da
luz.

2.11 – DIODO ZENER

O diodo zener é otimizado para trabalhar na região de ruptura. Ao contrário


dos diodos retificadores, os diodos zener trabalham melhor na região de ruptura.
O diodo zener tem um nível de dopagem superior ao do diodo retificador. Variando
o nível de dopagem, o fabricante pode produzir diodos com tensões de ruptura de
2 até 200V. Quando polarizado diretamente, o diodo zener se comporta como um
diodo retificador, conduzindo a aproximadamente 0,7V. Na região de polarização
reversa (entre o zero e a ruptura) ele apresenta apenas uma pequena fuga ou
corrente reversa. Quando o polarizamos reversamente e é atingida a ruptura, o
diodo zener conduz, mantendo a tensão reversa entre seus terminais
praticamente constante (Vz), com valores que podem variar de acordo com
especificações do fabricante, O diodo zener é a parte importante dos reguladores
de tensão, circuitos que mantêm a tensão na carga praticamente constante
mesmo que ocorram variações da linha ou da resistência de carga.

Símbolo:

Capítulo 2 – Física dos Semicondutores e Diodos 32


Guia de Estudos de Eletrônica Linear I
Curva característica I x V:

Especificações:

Vz- tensão zener


Izt - corrente zener de teste
Izm - corrente zener máxima especificada
Pzm - potência especificada

A potência dissipada num diodo zener é igual ao produto da sua tensão pela
corrente. Ou seja:

Pz = Vz x Iz

Um diodo zener de 10V, com potência especificada de 500mW, tem uma


corrente máxima especificada de:

𝟓𝟎𝟎𝒎𝑾
𝑰𝒁𝑴 − 𝟓𝟎𝒎𝑨
𝟏𝟎𝑽

No exemplo dado, o diodo zener funcionará sem se danificar se a corrente


que fluir por ele não ultrapassar o valor de 50mA.

Resistência zener: quando um diodo zener trabalha na região de ruptura, se


variamos a corrente zener notamos uma ligeira variação na tensão zener (Vz).
Isto indica que o diodo zener tem uma pequena resistência de corpo. Os
fabricantes especificam a resistência zener para a mesma corrente de teste
utilizada para medir Vz. A resistência zener para esta corrente de teste é
simbolizada por RzT (ou Zzt).

Regulação de tensão: o diodo zener é, as vezes, chamado de diodo


regulador de tensão porque mantém uma tensão de saída praticamente constante.
Em funcionamento normal, o diodo zener deve ser polarizado reversamente, e,
para produzir a ruptura, a tensão da fonte deve ser maior que a tensão zener Vz.
Ao ligarmos o diodo zener, sempre utilizamos um resistor conectado em série com
a fonte a fim de limitar a corrente máxima a um nível dentro da especificação do
fabricante, pois, se a potência dissipada no componente for superior à
especificada, o diodo provavelmente se danificará.

Capítulo 2 – Física dos Semicondutores e Diodos 33


Guia de Estudos de Eletrônica Linear I
A seguir, veremos duas retas de carga cujos extremos foram obtidos
aleatoriamente. Podemos observar, no gráfico a seguir, que tivemos dois pontos
de interseção na curva do diodo (Q1 e Q2) para Vz = 20V e Vs = 30V.
Comparando os pontos Q1 e Q2 notamos que a corrente sobre o diodo zener
variou em 10mA, porém a tensão Vz manteve-se praticamente inalterada (10V).
Esta é a ideia básica de regulação de tensão. A tensão de saída manteve-se
praticamente inalterada, mesmo que a tensão de entrada sofresse variações.

O diodo zener ideal: para algumas análises de defeito podemos considerar


a região de ruptura como um valor constante de tensão, mesmo que a corrente
varie, o que equivale a desconsiderar a resistência zener. Um diodo zener na
região de ruptura se comporta como uma bateria. Para análises podemos
substituir o diodo zener por fonte de tensão Vz. A figura a seguir mostra a
aproximação ideal para um diodo zener.

Em uma segunda aproximação, considerando agora a resistência zener,


devemos analisar o diodo zener como uma fonte de tensão Vz em série com uma
resistência Rz. A figura a seguir mostra-nos o diodo zener em uma segunda
aproximação.

A resistência zener é relativamente pequena e provoca uma queda de tensão


maior a cada aumento da tensão Vs. Isto quer dizer que, se a tensão Vs variar, a
corrente Iz irá variar também, fazendo com que a tensão zener Vz varie
ligeiramente. Este fato pode ser descrito em uma equação, que veremos a seguir.

Capítulo 2 – Física dos Semicondutores e Diodos 34


Guia de Estudos de Eletrônica Linear I
O regulador zener: a figura a seguir mostra o diodo zener utilizado para
regular a tensão na resistência de carga. Neste caso teremos duas malhas, sendo
que a corrente Irs será igual à soma da corrente no zener com a corrente na
carga.

A corrente Iz jamais deve ultrapassar o valor de Izmáx determinado a partir


da potência máxima especificada pelo fabricante. Para que o diodo zener
mantenha constante a tensão entre seus terminais, é necessário que haja uma
corrente mínima que garanta a ruptura. Esta corrente mínima é determinada com
10% de Izmáx.
Para verificarmos se teremos tensão suficiente para colocar o zener em
ruptura, devemos tirar o zener do circuito e calcular o divisor de tensão formado
entre Rs e a carga RL, como na figura.

O valor da tensão VRL deverá se maior que a tensão Vz, pois, caso contrário,
o zener não entrará em condução, não havendo assim regulação de tensão.

Ondulação no resistor de carga: um regulador, normalmente, é


alimentado por um retificador com um filtro capacitivo. A tensão de carga é
mantida praticamente constante, apesar da ondulação do retificador. O regulador
zener reduz consideravelmente a ondulação, mas não totalmente.
Determinaremos agora o valor de ondulação residual no regulador, considerando a
segunda aproximação para o diodo zener.
Vimos, anteriormente, que a variação na tensão zener é determinada pelo
produto da variação da corrente zener pela resistência zener.

Da mesma forma, poderemos determinar a variação da tensão na fonte Vs


como sendo o produto da corrente pelo valor do resistor Rs.

Capítulo 2 – Física dos Semicondutores e Diodos 35


Guia de Estudos de Eletrônica Linear I
Considerando a relação entre as variações de entrada e de saída, teremos:

Para uma resistência de carga constante, a variação na corrente zener é igual


à variação na corrente da fonte.
Com a primeira condição satisfeita, garantimos que o regulador zener tenha
variações menores que a variação da fonte(pelo menos de 100 vezes). No caso da
segunda condição, o regulador zener comporta-se como fonte de tensão
estabilizada.

Coeficiente de temperatura: da mesma forma que em todos os dispositivos


semicondutores, variações térmicas no ambiente causam variações na tensão
zener. O efeito da temperatura é apresentado nos manuais de fabricante como
coeficiente de temperatura. É importante saber que, para diodos zener com
tensões de ruptura menores que 5V, o coeficiente de temperatura é negativo.
Para os diodos zener com tensões de ruptura maiores que 6V,o coeficiente de
temperatura é positivo. Portanto, os diodos Zener com tensões de ruptura entre 5
e 6V têm seu coeficiente de temperatura variando do negativo para o positivo,
permitindo-nos determinar um ponto no qual o diodo zener tenha um coeficiente
de temperatura nulo.

Capítulo 2 – Física dos Semicondutores e Diodos 36


Guia de Estudos de Eletrônica Linear I
2.12 – EXERCÍCIOS

1 – Como é denominado semicondutor que difere dos diodos comuns pelo fato de
que, quando polarizado diretamente, irradia energia em forma de luz, enquanto
nos diodos comuns ela é irradiada em forma de calor?

a) ( ) LDR
b) ( ) ZENER
c) ( ) LED
d) ( ) VDR

2 – Qual a corrente que circula no LED, se o valor do resistor série for de 680Ω e a
tensão da fonte de 10V?

a) ( ) ILED = 11.8mA
b) ( ) ILED = 12.8mA
c) ( ) ILED = 13.8mA
d) ( ) ILED = 14.8mA

3 – Qual o valor do resistor (Rs), se a alimentação for de 50VCC e no LED circula


uma corrente de 16mA?

a) ( ) 2000Ω
b) ( ) 2500Ω
c) ( ) 3000Ω
d) ( ) 3500Ω

4 – Qual o valor da fonte (Vi), se o valor do resistor série for de 1KΩ e a corrente
que circula pelo LED for de 1,45mA?

a) ( ) 45V
b) ( ) 50V
c) ( ) 55V
d) ( ) 60V

5 – O fotodiodo é um dispositivo semicondutor que converte intensidade


_______________ em quantidade elétrica.

a) ( ) química
b) ( ) térmica
c) ( ) potencial
d) ( ) luminosa

Capítulo 2 – Física dos Semicondutores e Diodos 37


Guia de Estudos de Eletrônica Linear I
6 – Qual é o componente eletrônico representado pelo símbolo a seguir?

a) ( ) diodo retificador
b) ( ) foto diodo
c) ( ) diodo emissor de luz
d) ( ) foto acoplador

7 – Qual é o componente eletrônico representado pelo símbolo a seguir?

a) ( ) diodo retificador
b) ( ) foto diodo
c) ( ) diodo emissor de luz
d) ( ) foto acoplador

8 – Como é denominado o diodo otimizado para trabalhar na região de ruptura?

a) ( ) Retificador
b) ( ) emissor de luz
c) ( ) emissor de luz
d) ( ) zener

9 – Qual é o componente eletrônico representado pelo símbolo a seguir?

a) ( ) diodo zener
b) ( ) foto diodo
c) ( ) diodo emissor de luz
d) ( ) foto acoplado

10 – Calcule a corrente máxima especifica de um diodo zener de 12V, com


potência especificada de 400mW.

a) ( ) IZM = 13,33mA
b) ( ) IZM = 23,33mA
c) ( ) IZM = 33,33mA
d) ( ) IZM = 43,33mA

Capítulo 2 – Física dos Semicondutores e Diodos 38


Guia de Estudos de Eletrônica Linear I
CAPÍTULO 3

FONTES DE ALIMENTAÇÃO E CIRCUITOS RETIFICADORES

3.1 – FUNDAMENTOS

Fonte de alimentação: é um circuito ou aparelho usado para transformar a


energia elétrica da rede (CA) na quantidade de (CA) ou (CC) que necessitam os
diversos circuitos eletrônicos.

Finalidades das fontes: A maioria dos equipamentos eletrônicos operam


com uma grande variedade de tensões. A única tensão disponível é a da rede
elétrica e que, geralmente, é de 110 ou 220Vca, a qual não tem utilidade prática
nesta forma. É necessário, então, um dispositivo para transformarmos essa tensão
da rede em uma tensão própria para o uso dos equipamentos e, para tal, usamos
uma fonte de alimentação.
A fonte de alimentação é, portanto, um circuito destinado a prover
alimentação de tensões e/ou correntes alternadas e/ou contínuas necessária ao
funcionamento dos equipamentos.

Fonte de alimentação Ideal: Uma fonte de alimentação perfeita ou ideal


produz uma tensão de saída constante. O exemplo mais simples de uma fonte de
alimentação ideal é uma bateria perfeita, aquela que tem resistência interna zero.
A Figura abaixo mostra uma resistência de carga ajustável (reostato). A fonte de
alimentação ideal produzirá sempre 12V na resistência de carga,
independentemente do valor ajustado. Portanto, a tensão na carga é constante;
apenas a corrente na carga muda.

3.2 – DIAGRAMA EM BLOCOS

Partes componentes de uma fonte de alimentação: Uma fonte de


alimentação apresenta quatro partes, mostrados pela ordem no diagrama abaixo:
transformador, retificador, filtro e regulador.

Capítulo 3 – Fontes de Alimentação e Circuitos Retificadores 39


Guia de Estudos de Eletrônica Linear I
Transformador: o transformador, dispositivo sem partes necessariamente
em movimento, utilizado para abaixar ou elevar a tensão alternada da rede
elétrica. É constituído basicamente por dois enrolamentos, sendo um primário e o
outro secundário.

Relação de transformação (Rt ou n): é a relação entre a tensão no


primário (Vp ou V1) e no secundário (Vs ou V2) ou entre o número de espiras do
primário (Np) e o número de espiras de secundário (Ns), expresso por:

Princípio de funcionamento: baseia-se na indução mútua, ou seja, uma


corrente variável ao circular pelo enrolamento primário produz um campo
magnético variável.
As linhas de forças deste campo magnético variável cortam o enrolamento
secundário, induzindo no mesmo uma tensão. Quando NS<Np,Vs<Vp e quando
Ns>Np, Vs>Vp. O transformador não funciona com CC pura. Normalmente, utiliza-
se uma derivação central (center tape) no enrolamento secundário, a fim de se
conseguir duas tensões iguais e opostas (simétricas). O enrolamento primário
também pode ser constituído de forma que possa proporcionar uma ligação bivolt,
isto é 110/220V.

As tensões Vac e Vbc estão defasadas de 180° entre si.

As correntes elétricas no transformador: a relação entre a corrente o


primário (Ip) e a do secundário (Is) é igual à relação entre o número de espiras do
enrolamento secundário (Ns) e do enrolamento primário (Np), expresso por:

Retificador: Tem a função de eliminar uma das polaridades da tensão CA


aplicada, ou seja, transforma CA em CC pulsativa. Tipos de retificadores: meia
onda, onda completa e em ponte.

Filtro: Tem a função de eliminar a tensão CC pulsante, tornando-a


praticamente em uma onda contínua pura.

Capítulo 3 – Fontes de Alimentação e Circuitos Retificadores 40


Guia de Estudos de Eletrônica Linear I
Regulador: É o elemento capaz de manter constante a tensão de saída da
fonte, ou seja, para uma determinada faixa de valores de queda de tensão, o
regulador supre a fonte para manter constante a tensão.
Outros circuitos podem ser utilizados em fontes de alimentação, tais como:
protetor de sobrecarga, eliminador de ruídos, etc.

3.3 – CIRCUITOS RETIFICADORES

Tipos de circuitos retificadores: Meia onda, onda completa e retificador


em ponte.

Retificador de meia onda: É aquele que aproveita somente um dos


semiciclos do sinal de entrada, utilizando a propriedade do diodo de só conduzir
em um sentido.

Um circuito retificador de meia onda é composto de um transformador e um


diodo retificador.

Os semiciclos positivos tornam o ânodo positivo em relação ao catodo,


polarizando o diodo diretamente.
Deste modo, circula corrente através do resistor de carga com a polaridade
indicada. Os semiciclos negativos tornam o ânodo negativo em relação ao catodo,
polarizando o diodo inversamente. Não havendo corrente através do resistor de
carga, não há tensão de saída. O retificador de meia onda só conduz durante um
dos semiciclos do sinal de entrada, isto é, quando o diodo está diretamente
polarizado.

Forma de onda de tensão na saída (V0):

Capítulo 3 – Fontes de Alimentação e Circuitos Retificadores 41


Guia de Estudos de Eletrônica Linear I
Desvantagens: O retificador de meia onda, embora seja o mais barato e
mais simples em relação aos outros tipos de retificadores, apresenta certas
desvantagens, como: utiliza apenas metade da potência fornecida pelo
transformador, e maior tensão de ripple (ondulação).

Característica : A frequência de saída é igual a da entrada.

Valor CC ou valor médio de saída: É o valor medido por um voltímetro CC.


O valor médio (Vdc ou Vm) é igual ao valor de pico dividido por “pi” (“π” = 3,14).
Pode-se dizer também que o valor médio é igual a 31,8% da tensão de pico.

Vdc = Vp ÷ 3,14 ou Vm = 0,318 x Vp (onde: Vp = Vrms ÷


0,707).

Retificador de onda completa: É aquele que aproveita os dois semiciclos


do sinal de entrada fazendo com que um diodo conduza durante um semiciclo e
outro durante o semiciclo seguinte. O circuito retificador de onda completa permite
a circulação de corrente na mesma direção através da carga durante os dois
semiciclos do sinal de entrada.
Um circuito retificador de onda completa é composto por dois diodos
retificadores e um transformador com “Center tape” (derivação central no
enrolamento secundário).

Por causa da tomada central, o circuito é equivalente a dois retificadores de


meia onda. Cada diodo retifica um semiciclo.
Quando os sinal é positivo na entrada, faz com que a parte superior do
secundário fique positivo e a parte inferior negativo, o diodo D1 estará polarizado
diretamente e D2 inversamente, neste instante D1 estará conduzindo e D2
cortado.
O caminho de corrente será da parte central do transformador no secundário
através de RL e D1.
No semiciclo negativo do sinal de entrada, D2 ficará polarizado diretamente e
D1 inversamente. D2 estará conduzindo e D1 cortado. O caminho de corrente será
do ponto central do secundário através de RL e D3.

Vantagens: Maior tensão média de saída, pois aproveita os dois semiciclos


do sinal de entrada; filtragem mais fácil; e melhor regulação.

Característica: A frequência de saída é o dobro da entrada.

Capítulo 3 – Fontes de Alimentação e Circuitos Retificadores 42


Guia de Estudos de Eletrônica Linear I
Valor médio (CC) de saída: É 63,6 % da voltagem máxima no diodo, ou
seja, o dobro da tensão máxima dividido por 𝜋.

Vm = 0,636 x Vp ou Vm = 3.VP / 3,14.

Retificador em ponte: O circuito retificador em ponte necessita de quatro


diodos e dispensa o uso do “centertrap” (tomada central). A vantagem de não
usarmos uma tomada central é que a tensão retificada na carga é o dobro daquela
que teria o retificador de onda completa com tomada central.

Durante o semiciclo positivo, o ponto “A” é positivo em relação ao ponto “B”.


Os diodos D1 e D3 estão polarizados diretamente e estarão conduzindo, ao passo
que os diodos D2 e D4 estão polarizados inversamente, portanto estarão cortados.
No instante do semiciclo negativo, as polaridades dos pontos “A” e “B” são
invertidas. Assim, os diodos D2 e D4 passam a conduzir e os diodos D1 e D3 ficam
no corte.
Durante o corte, cada diodo deve suportar uma tensão inversa (TIP) igual a
tensão máxima do secundário (Vp). A tensão de pico inversa (TIP ou PIV) é a
característica mais importante dos diodos, pois indica a tensão máxima que o
diodo pode suportar sem se danificar (TIP = Vp do secundário).

Vantagem: A tensão média de saída (Vdc) é aproximadamente o dobro da


saída do retificador de onda completa.

Característica: A frequência de saída é o dobro da de entrada.

Capítulo 3 – Fontes de Alimentação e Circuitos Retificadores 43


Guia de Estudos de Eletrônica Linear I
3.4 – EXERCÍCIOS

1 – Como denominamos os circuitos cuja função é converter uma tensão alternada


em contínua, visto que a maioria dos dispositivos eletrônicos precisam de tensão
contínua para seu funcionamento adequado?

a) ( ) ceifadores
b) ( ) detetores
c) ( ) limitadores
d) ( ) retificadores

2 – Como denominamos a fonte de alimentação perfeita que produz uma tensão


de saída constante?

a) ( ) real
b) ( ) normal
c) ( ) ideal
d) ( ) parcial

3 – Quais as partes componentes de uma fonte de alimentação?

a) ( ) transformador, retentor, filtro e regulador


b) ( ) transformador, retificador, filtro e regulador
c) ( ) transferidor, retificador, filtro e regulador
d) ( ) transformador, ratificador, filtro e regulador

4 – Como denominamos o dispositivo sem partes necessariamente em


movimento, utilizado para abaixar ou elevar a tensão alternada da rede elétrica?

a) ( ) condensador
b) ( ) diodo
c) ( ) indutor
d) ( ) transformador

5 – Em uma fonte de alimentação, qual o bloco tem a função de eliminar uma das
polaridades da tensão CA aplicada, ou seja, transforma CA em CC pulsativa?

a) ( ) retificador
b) ( ) filtro
c) ( ) transformador
d) ( ) regulador

Capítulo 3 – Fontes de Alimentação e Circuitos Retificadores 44


Guia de Estudos de Eletrônica Linear I
6 – Em uma fonte de alimentação, qual o bloco tem a função de eliminar a tensão
CC pulsante, tornando-a praticamente em uma onda contínua pura?

a) ( ) transformador
b) ( ) retificador
c) ( ) filtro
d) ( ) regulador

7 – Em uma fonte de alimentação, qual o bloco tem a função de manter constante


a tensão de saída da fonte, ou seja, para uma determinada faixa de valores de
queda de tensão, o regulador supre a fonte para manter constante a tensão?

a) ( ) transformador
b) ( ) retificador
c) ( ) filtro
d) ( ) regulador

8 – Qual o tipo de retificador que aproveita somente um dos semiciclos do sinal de


entrada, utilizando a propriedade do diodo de só conduzir em um sentido?

a) ( ) onda complete
b) ( ) meia onda
c) ( ) conversor
d) ( ) em ponte

9 – Qual o tipo de retificador que aproveita os dois semiciclos do sinal de entrada


fazendo com que um diodo conduza durante um semiciclo e outro durante o
semiciclo seguinte?

a) ( ) onda complete
b) ( ) meia onda
c) ( ) conversor
d) ( ) em ponte

10 – Qual o tipo de retificador que necessita de quatro diodos e dispensa o uso do


centertrap?

a) ( ) onda complete
b) ( ) meia onda
c) ( ) conversor
d) ( ) em ponte

Capítulo 3 – Fontes de Alimentação e Circuitos Retificadores 45


Guia de Estudos de Eletrônica Linear I
3.5 – FILTROS EM FONTES DE ALIMENTAÇÃO

Características gerais dos filtros: a finalidade do filtro é suavizar as


pulsações de saída do retificador, a fim de produzir uma tensão constante com a
menor ondulação possível.
Os filtros têm como principal função minimizar as variações de corrente
contínua fornecida pelo retificador. Uma outra função é a de minimizar o ruído
gerado tanto pela carga como pela fonte geradora de CA.

A saída do circuito retificador é uma onda contínua pulsativa que varia em


torno de um valor médio, indo de zero até o valor máximo (Vp ou Vmáx). No caso
do retificador de onda completa, o valor médio é de 63,6% do valor máximo de
pico e do retificador de meia onda é de 31,8% do valor de pico. Esse não é o tipo
de tensão CC que a maioria dos circuitos eletrônicos precisa. É necessária uma
tensão estável ou constante similar à produzida por uma bateria. Para obter esse
tipo de tensão retificada na carga, precisamos de “filtro”.

Ondulação ou “ripple”: É a flutuação da voltagem em torno do valor médio


na saída do filtro.

Fator de ondulação: É o fator que determina a quantidade de CA em


relação à CC, é dada em porcentagem.
% ond. = (Erms ÷ Em) x 100

Onde: “Erms” é valor eficaz da tensão de ondulação


“Em” é o valor de tensão médio (Vdc ou Vm)

O “ripple” de um retificador de meia onda é de 121%; o “ripple” de um


retificador de onda completa é de 48%.

Exemplo: Em = +180Vcc; Emax = +181Vcc; Emin = +179Vcc; qual a


porcentagem de ondulação?
% ond. = (Erms ÷ Em) x 100  Erms = Ep x 0,707  Erms = 1V x 0,707 
0,707V  % ond = (0,707V ÷ 180V) x 100  % ond = 0,003927 x 100  %
ond  0,39%

Capítulo 3 – Fontes de Alimentação e Circuitos Retificadores 46


Guia de Estudos de Eletrônica Linear I
A porcentagem de ondulação ideal é de 0%.
O filtro mais utilizado é constituído de um capacitor (C) de alta capacitância
ligado em paralelo com a carga (RL).

Retificador de meia onda com filtro:

Funcionamento: quando a tensão de entrada é positiva, o diodo conduz e o


capacitor se carrega com o valor da tensão máxima (Vmáx ). Ao inverter a
polaridade da entrada o diodo está cortado e o capacitor se descarrega
lentamente sobre a carga. O capacitor será recarregado com uma frequência igual
à da rede de entrada. O ângulo de condução de diodo diminui e é representado,
no gráfico a seguir, pela área hachurada. A tensão de saída não volta mais a zero.

Cálculo da tensão de ondulação (Vond):

Capítulo 3 – Fontes de Alimentação e Circuitos Retificadores 47


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Cálculo de Vcc em função de Icc (quando RL não è dado):

Pode-se tomar como regra prática o dimensionamento do capacitor de filtro


na proporção de 1uF/mA.
A tensão de pico reversa sobre o diodo é igual ao dobro da tensão máxima,
ou: PIV=2Vmáx.

Retificador de onda completa com filtro a capacitor:

Pelo gráfico apresentado, podemos verificar que a frequência de saída do filtro


é igual ao dobro da frequência da rede de entrada, visto que cada diodo conduz
um semiciclo.
O capacitor será recarregado o dobro de vezes em relação ao circuito de meia
onda. Com isso, conclui-se que a tensão de ondulação (Vond) diminui.
Se retirarmos a carga (RL) obteremos, na saída, um sinal contínuo no valor
de Vmáx, conforme o gráfico a seguir.

Capítulo 3 – Fontes de Alimentação e Circuitos Retificadores 48


Guia de Estudos de Eletrônica Linear I
Retificador em ponte com filtro a capacitor:

Considerações finais: em se tratando de sinais de entrada pequenos,


considera-se a queda de tensão no diodo (0,7V) para RMO e ROC convencional e
1,4V para ROC em ponte na determinação da tensão máxima de saída, ou seja:

Vo(máx) = Ve(máx) - 0,7 ou Vo(máx) = Ve(máx) - 1,4

Como regra prática adota-se: desprezar a queda de tensão no diodo para


RMO e ROC convencional quando o sinal de entrada for maior ou igual a 10V.
Desprezar a queda de tensão nos diodos para ROC em ponte quando o sinal
de entrada for maior ou igual a 20V.

Filtros RC:

O capacitor C1 em paralelo com a carga armazenará energia no período t0 a


t1 e quando a voltagem de entrada começar a cair (t1 a t2) o capacitor começará
a se descarregar através da carga. O segundo pulso quando chega encontra o
capacitor ainda com certa quantidade de carga, devido a constante RC e
novamente carrega o capacitor. Após alguns pulsos do sinal de entrada, a saída
será então uma CC perto da ideal (pura).
Quanto maior a capacitância, menor será a ondulação e quanto maior a carga
(IRL) maior a ondulação:
(VR = IRL ÷ f.C)

Capítulo 3 – Fontes de Alimentação e Circuitos Retificadores 49


Guia de Estudos de Eletrônica Linear I
Onde: “VR” é a tensão de ondulação pico a pico,
“IRL” é a corrente CC na carga,
“f” é a frequência de ondulação e
“C” é a capacitância do capacitor de filtro.

O capacitor de entrada, combinado com as impedâncias do circuito da fonte,


têm baixa constante de tempo RC (o tempo de carga é muito rápido).
Nos filtros RC, a resistência (R) deve ser muito maior que Xc na frequência de
ondulação. Tipicamente R > 10 x Xc.

Corrente de surto: como o capacitor está descarregado antes da


alimentação do circuito ser ligada, no instante em que a alimentação for ligada, o
capacitor descarregado funcionará como se fosse um curto circuito. Portanto, a
corrente de carga inicial é muito alta. Os únicos elementos que limitam a corrente
é a resistência do enrolamento e a resistência de corpo dos diodos. Por essa
razão, a corrente inicial é muito alta. À medida que o capacitor se carrega, a
corrente diminui a níveis mais baixos.
A alta corrente instantânea quando a alimentação é ligada pela primeira vez é
chamada corrente de surto.
Se o capacitor de filtro for menor que 1000µF, a corrente de surto é muito
rápida e não causará danos aos diodos. Mas quando o capacitor é muito maior que
1000µF, ele necessita de alguns ciclos para carregar o capacitor; nesse caso, o
diodo pode ser danificado.
Capacitor de alto valor, significa corrente de surto prolongada. Se a corrente
de surto for muito alta, o capacitor pode sofrer danos pelo aquecimento e pela
formação de gases na eletrólise.

Nota: considerando um retificador com filtro capacitivo de entrada, temos


uma condição crítica no momento em que o circuito é ligado. O capacitor está
inicialmente descarregado, daí a saída do retificador ser colocada
temporariamente em curto, visto que a alta corrente de carga inicial do capacitor
flui através do retificador e do secundário do transformador. Sabendo-se que as
únicas resistências que limitam esta corrente são as resistências de corpo do(s)
diodo(s) e do secundário do transformador, podemos obtê-la por:

Onde:
Is -corrente de surto, em ampère n - n2 de diodos em condução
N – n° de diodos em condução
rb - resistência de corpo do diodo
Rsec - resistência do secundário do transformador

Vantagem: A principal vantagem deste tipo de filtro é a alta tensão de saída.

Desvantagem: Queda de tensão em R. O filtro RC é adequado apenas para


cargas leves (baixa corrente de carga ou alto valor de RL).

Capítulo 3 – Fontes de Alimentação e Circuitos Retificadores 50


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3.6 – CIRCUITOS REGULADORES A ZENER

Regulador a Zener: O diodo Zener às vezes também é chamado regulador


de tensão, porque mantém uma tensão de saída constante, embora a corrente
nele varie.
Quando polarizado inversamente conduz apenas num determinado valor de
tensão, tensão essa conhecida como tensão Zener (Vz). Esse efeito é conhecido
como efeito avalanche.
O diodo Zener deve ser polarizado inversamente, para obter uma operação na
ruptura (região Zener), a tensão da fonte (Vs) deve ser maior que a ruptura (Vz).
Um resistor em série (Rs) é sempre usado para limitar a corrente do Zener num
valor abaixo de sua corrente máxima nominal. Caso contrário, o diodo Zener
queimaria como qualquer outro dispositivo submetido a uma dissipação de
potência muito alta.
O mais interessante que se observa é que a corrente que circula pelo Zener
aumenta ou diminui em função de manter a tensão Vz constante. Por esta
propriedade o Zener é muito utilizado como estabilizador de tensão.

Is = (Vs – Vz) ÷ Rs  IL = VL ÷ RL  Is = Iz + IL  Iz = Is + IL .
Onde: Is = corrente em Rs;
IL = corrente na carga;
Iz = corrente no Zener.

Diodo Zener em circuito de regulação de tensão alternada (ou


limitador de picos):

Para diminuirmos as variações, usam-se dois diodos Zener em oposição. No


semiciclo positivo, o diodo D1 entra na região Zener (corta), quando a tensão
iguala a tensão de ruptura, estando o outro (D2) sendo polarizado diretamente e
funcionando praticamente como um curto circuito.
No semiciclo negativo, o diodo D1 funciona como um curto e D2 limita a
tensão no valor Zener. Quando a tensão CA alterna seu valor, seja para mais ou
para menos, os diodos Zener limitam a onda de tensão sempre nos mesmos
valores, fixados pelas suas tensões Zener.

Capítulo 3 – Fontes de Alimentação e Circuitos Retificadores 51


Guia de Estudos de Eletrônica Linear I
3.7 – EXERCÍCIOS

1 – Qual o retificador que embora seja o mais barato e simples em relação aos
outros tipos de retificadores, apresenta a desvantagem de utilizar apenas metade
da potência fornecida pelo transformador, e maior tensão de ripple (ondulação)?

a) ( ) onda complete
b) ( ) meia onda
c) ( ) conversor
d) ( ) em ponte

2 – Qual o retificador que apresenta as vantagens de maior tensão média de


saída; filtragem mais fácil; e melhor regulação. Com a característica de frequência
de saída com o dobro da entrada?

a) ( ) onda complete
b) ( ) meia onda
c) ( ) conversor
d) ( ) em ponte

3 – Como denominamos o retificador que apresenta a vantagem de uma tensão


média de saída aproximadamente com o dobro da saída do retificador de onda
completa.Com a característica de frequência de saída com o dobro da de entrada?

a) ( ) onda complete
b) ( ) meia onda
c) ( ) conversor
d) ( ) em ponte

4 – Ondulação ou ripple, é a flutuação da _______________ em torno do valor


médio na saída do filtro.

a) ( ) voltagem
b) ( ) corrente
c) ( ) potência
d) ( ) resistência

5 – Fator de _______________, é o fator que determina a quantidade de CA em


relação à CC, é dada em porcentagem.

a) ( ) retificação
b) ( ) tolerância
c) ( ) ondulação
d) ( ) regulagem

Capítulo 3 – Fontes de Alimentação e Circuitos Retificadores 52


Guia de Estudos de Eletrônica Linear I
6 – Os _______________ têm como principal função minimizar as variações de
corrente contínua fornecida pelo retificador. Uma outra função é a de minimizar o
ruído gerado tanto pela carga como pela fonte geradora de CA.

a) ( ) transformadores
b) ( ) retificadores
c) ( ) filtros
d) ( ) reguladores

7 – A saída do circuito retificador é uma onda contínua pulsativa que varia em


torno de um valor médio, indo de zero até o valor máximo (Vp ou Vmáx). No caso
do retificador de onda completa, o valor médio é de _______________ do valor
máximo de pico e do retificador de meia onda é de 31,8% do valor de pico.

a) ( ) 33,6%
b) ( ) 43,6%
c) ( ) 53,6%
d) ( ) 63,6%

8 – Qual a principal vantagem da aplicação do filtro capacitivo?

a) ( ) a alta tensão de saída


b) ( ) a alta corrente de saída
c) ( ) a alta resistência de saída
d) ( ) a alta potência de saída

9 – Como o diodo zener às vezes é chamado, porque mantém uma tensão de


saída constante, embora a corrente nele varie?

a) ( ) retificador
b) ( ) regulador
c) ( ) conversor
d) ( ) filtro

10 – Como o diodo zener deve ser utilizado para diminuirmos as variações em


circuito de regulação de tensão alternada ou limitador de picos?

a) ( ) em série
b) ( ) em paralelo
c) ( ) em oposição
d) ( ) separados

Capítulo 3 – Fontes de Alimentação e Circuitos Retificadores 53


Guia de Estudos de Eletrônica Linear I
BIBLIOGRAFIA

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