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As medidas cautelares em processo penal (actuação do ministério público)

» 1979,foi institucionalizada a procuradoria geral da república como órgão fiscalizador


da legalidade, órgão que integramos.
» 1980,o conselho da revolução aprova a 1ª lei nº4-d/80, de 25 de junho e,após 12 a
assembleia do povo aprovou a lei nº 18-a/92, de 17 julho,(23 anos) desta feita a 2ª lei
da prisão preventiva, cuja validade terminou no dia 17 de dezembro de 2015, passando a
vigorar a nova lei no dia 18 de dezembro, a lei nº 25/15, de 18 de setembro.

As medidas processuais de natureza cautelar,expressas na lei nº 25/15, de 18 de


setembro, denominada de lei das medidas cautelares em processo penal, representam,
em abono da verdade, o novo rosto das anteriores leis que antes se denominaram de
lei da prisão preventiva em instrução preparatória.
A liberdade é um princípio primário e essencial, salvaguardado constitucionalmente
como um dos mais elementares direitos de qualquer cidadão, do qual apenas se deve ver
privado perante a decisão de um tribunal, nos termos da lei.

Por razões ponderosas pode, entretanto, este princípio sofrer desvios, levando a
que determinada pessoa se veja privada de sua liberdade em momento anterior a uma
decisão condenatória, ou seja, conheça detenção (prisão preventiva) para garantir o
interesse processual e não só.

A detenção requer existência de fortes indícios da prática de infracção penal


punível com pena privativa de liberdade. e, por outro, determina a constituição como
arguido, a aplicação de qualquer medida de coacção pessoal, para além do tir,
depende da prévia constituição de arguido e verificação de crime punível com pena
superior a 1 ano (art. 2º, 1 e 2).
• a nova lei distingue detenção de prisão preventiva,dando um conceito claro do
primeiro, diferenciando-o da prisão preventiva, que à luz da lei antiga eram tidos
como sinónimos.
Na nova lei - a detenção como um acto precário do processo de privação de liber dade,
a ocorrer num limite de tempo não superior a 48 horas, para unicamente:
a) apresentar esse arguido a julgamento sumário;
b) ser submetido ao primeiro interrogatório;
c) garantir a sua presença em acto processual;
d) ou atingir qualquer outro fim como ilustrado na lei (art.º 4º).
A essa detenção deve verificar-se perante :
a) flagrante delito em que qualquer autoridade judiciária ou entidade policial
deve (imposição ou ob rigação) e qualquer cidadão pode (faculdade) prender
desde que haja um facto punível a ser cometido (art.º 6º, nº 1);
b) fora de flagrante delito, só é permitida quando houver razões suficientes para
crer que essa pessoa a deter não se apresentaria voluntária e espontaneamente perante
a autoridade judiciária no prazo que lhe fosse fixado (art.º 8º, nº 1). Neste caso só o
ministério público deve e pode prender, mas ainda assim respeitados os
formalismos instituídos, ou seja, mediante mandados de detenção (art.º 8º, nº 2) -
passados em triplicado, com a identificação da pessoa a deter, a identificação e a
assinatura da autoridade competente) - o que é aplicável ao magistrado
judicial quando o processo se ache introduzido em juízo (art.º 50º).

A exequibilidade dos mandados de detenção tem extensão nacional e são, por


conseguinte, executados pelos oficiais de diligências ou técnicos de justiça,

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podendo, sempre que necessário, ser solicitado apoio dos órgãos da polícia ou
ainda das autoridades militares- nota: (trate-se de arguidos militares ou não).
A entrada no lugar do cometimento do crime obedece rigorosamente ao estabelecido
na lei, sendo de dia ou de noite, pelo que é considerado noite o período compreendido
entre as 19 e as 6 horas, repare-se na alteração introduzida, pois antes era das
19 às 5 h (art.º 7º, nº 7). referência à lei das revistas, buscas e apreensões.
O conceito de flagrante delito não conheceu qualquer alteração.
a) F lagrante delito próprio – quando se verifica q o facto punível está a
cometer-se ou se acabou de cometer (art.º 5º, nº 1) – ( com a boca na botija).
b) Flagrante delito impróprio - quando o infractor é, logo a seguir à pratica da
infracção, perseguido por qualquer pessoa sem que haja solução de continuidade,
ou seja, essa perseguição não poderá conhecer interrupção até que se apanhe o
indivíduo (art.º 5º, nº 2, 1ª parte);
c) Quase flagrante delito- resulta quando se é encontrado com objectos ou sinais que
mostrem claramente que a cometeu ou nela participou (art.º 5º, nº 2, in fine).
Quatro notas importantes a reter:
1. sendo efectuada a prisão por qualquer cidadão que não autoridade, os detidos
devem ser entregues imediatamente à autoridade ou agente de autoridade que for
encontrado mais próximo do local e este, por seu turno, fará chegar ao magistrado do
ministério público;
2. Dependendo a acção penal de queixa, a detenção só se mantém se o titular
do respectivo direito vier exercê-lo em acto seguido;
3.Efectuada a detenção, deve ser imediatamente levantado o correspondente auto
de notícia e de seguida ser apresentado o detido ao magistrado do ministério
público competente para promover o que se mostrar necessário;
4.Não há lugar à detenção em flagrante delito, nos casos em que o
procedimento criminal depender de acusação particular.
Fora de flagrante delito, uma segunda entidade pode prender, na fase de instrução,
a polícia criminal
✓ quando o crime admite prisão preventiva,
✓ existam elementos que fundamentem o receio de fuga e,
não seja possível a intervenção imediata do magistrado do ministério público (art.º 8º, nº
3).
Mas isto não constitui um princípio geral. não constitui um a competência própria. é
algo que pode o correr circunstancialmente. significa isto dizer, que só
excepcionalmente poderá a polícia criminal intervir para deter fora de flagrante
delito. e mais, importará definir-se quem, no âmbito da corporação deverá ter essa
incumbência.
Como é lógico não poderão ser todos os seus integrantes (todos os componentes do
sic). é matéria que deve merecer regulamentação., aliás, em vista no quadro da orgânica
do próprio sic.
Não repugna que essa competência possa recair sobre detentores de
responsabilidade, nomeadamente:
✓ o director geral e seus adjuntos, a nível nacional;
✓ os directores provinciais dos spic, a nível de província e,
✓ em situações de emergência sejam chamados a actuar os respons áveis do serviço
a nível municipal., considerado o distanciamento das sedes.

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Essa intervenção só poderá ter lugar quando em situação de urgência e em que se
evidencie perigo, se houver demora na acção ou intervenção directa do magistrado do
ministério público, pelo que fica aqui patente que a polícia criminal tem intervenção
subsidiária.
O cidadão que se vir privado de liberdade, que seja objecto de detenção, deve
ficar incomunicável, enquanto não for submetido ao primeiro interrogatório.
Essa incomunicabilidade pode prolongar-se, mediante despacho fundamentado do
magistrado do mº pº, durante a instrução, se tal se mostrar indispensável para evitar
tentativas de perturbação (art.º 11, nº 2).
Porém, uma excepção surge ainda antes do primeiro interrogatório:
✓a comunicabilidade do detido para contacto com o seu advogado, quando o tenha
constituído
✓ou o contacto com algum familiar para assim manifestar a necessidade de
constituição de mandatário (art.º 11º, nº 1, in fine).

A lei em apreço, atribui ao M.P a missão da legalização da prisão.


É o magistrado do mº pº a ouvir em primeiro interrogatório o arguido e a
validar ou não a sua detenção, respeitando o legalmente estabelecido no que à
matéria de interrogatório diz respeito, quanto ao modo, meio e método em que tal deve
verificar.se (art.ºs 12º e 13º), sem violar o consagrado na constituição.
É de realçar aqui que
✓é o magistrado quem deve ouvir o detido, exclusivamente o magistrado. nunca
qualquer outro funcionário da pgr e levar à assinatura do magistrado, o que nos parece
constituir alguma prática, deveras errada. nenhum funcionário deve fazê-lo porque
contrário à lei.
✓nunca o instrutor, mas sempre e sempre o magistrado do M.P. agir de modo contrário,
constitui irregularidade processual (art.º 12.º, n.º 1) e certamente declarada indisciplina
passível de sancionamento e que, no nosso entender, deve ser objecto de denúncia.
O magistrado do M.P, findo o interrogatório e lavrado o correspondente auto (art.º
15º, nº 1), deve validar a detenção, ordenando a prisão preventiva, se for o caso, ou
aplica outra medida de coacção, desde que verificados pressupostos de facto e de direito,
não se verificando esses pressupostos, restituirá o detido à liberdade (art.º 15º, nº 1, al.
a).
A decisão a tomar, num caso ou outro, deve ser sempre numa base fundamentada (art.º
15º, nº 2).
O detido é interrogado pelo magistrado do M.P no prazo máximo de 48 horas
após a detenção, na presença do advogado constituído, se o detido o tiver, ou perante
defensor que lhe seja nomeado, preferencialmente entre:
✓advogados,
✓advogados estagiários,
✓ou licenciados em direito.
Sempre que o prazo termine em domingo ou dia feriado, e não seja possível ouvir-se o
apresentado, o interrogatório deve ser efectuado “obrigatoriamente” no primeiro dia útil
imediato.
É bem verdade que tendo sido instituídos piquetes - (instrutivo do pgr) - aos fins-
de-semana e em dias feriados, em princípio, de nulo efeito será a sua aplicação, salvo
em situações pontuais.
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Prevê-se que o advogado a constituir possa sê-lo por via verbal:
✓ através do próprio detido com a simples consignação nos autos ou
✓ pelo cônjuge ou companheiro de união de facto, ascendentes ou descendentes ou
outros parentes, agora elevado até ao 6º grau da linha colateral (art.º 14º).
naturalmente que este acto deverá merecer a consequente formalização.
A lei estabelece, em exclusivo, a tipologia dessas medidas (art.º 16º) e citamos:
a) O termo de identidade e residência;
b) A obrigação de apresentação periódica às autoridades;
c) A caução;
d) A proibição e a obrigação de permanência em local concreto e a proibição de
contactos;
e) A interdição de saída do país;
f) A prisão domiciliária;
g) A prisão preventiva.
Na fase de instrução preparatória, as medidas de coacção pessoal são aplicadas
pelo magistrado do M.P por despacho que deve conter os requisitos previstos por lei
(art.º 20º, nº 1).
Caracterização das medidas cautelares
Termo de identidade e residência (art.º 25º)
Medida pela qual o detido se sujeita aos termos do processo fazendo:
✓ Prova da sua identidade;
✓ Peclarando a sua residência, local de trabalho ou outro domicílio de onde possa
ser notificado (art.º 25º, nº 2);
✓ Obrigando-se a comparecer perante a autoridade, quando chamado;
✓ E a não mudar de residência sem comunicação prévia (art.º 25º, nº 4). medida que
pode ser cumulada com qualquer outra (art.º 25º, nº 6).
A obrigação de apresentação periódica às autoridades (art.º 26º)
Aplicá-se quando ao crime imputado se puna com pena de prisão superior a um
ano (art.º 26º, nº 1).
Com esta medida fica o arguido sujeito ao dever de se apresentar em período pré-
estabelecido a uma determinada autoridade (seja judiciária, criminal ou policial)
que, por sua vez, tem a incumbência de fazer o controlo do grau de cumprimento da
apresentação pelo arguido e, havendo desrespeito, de o levar ao conhecimento do
magistrado do ministério público, em 10 dias, (art.º 26º, nº 2).
A proibição ou obrigação de permanência em local concreto e a proibição de
contactos (art.º 27º)
Aplica-se ao crime imputado quando punível com pena de prisão superior a um
ano. • revela-se pela
✓ proibição de permanência em determinada localidade;
✓ proibição de contactar, sem autorização, com certas pessoas;
✓ e obrigação de não se ausentar, sem autorização, da localidade onde reside (art.º 27º,
nº 1).
A caução (art.º 28º)
Se o crime imputado for punível com pena de prisão superior a um ano pode ser
arbitrada a medida de caução (art.º 28º, nº 1).

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Não há montante pré-definido, sendo determinado em consideração aos fins que a
medida se destina a acautelar, a gravidade do crime, o dano por este causado e a
condição económica e social do arguido.
Sendo manifestada a impossibilidade ou dificuldade de sua prestação,
oficiosamente pelo mº pº ou a requerimento do arguido, pode ser reduzido o seu valor
ou substituí-la por qualquer outra das medidas de coacção aplicáveis (art.º 28º, nº 3),
ainda que cumuláveis (art.º 28º, nº 4), à excepção das privativas de liberdade, portanto,
a prisão domiciliária ou a prisão preventiva.
Formas de prestação da caução: por depósito, penhor, hipoteca, fiança, garantia
bancária (art.º 29º, nº 1) ou ainda nos termos concretamente admitidos pelo mº pº
(art.º 29º, nº 2) e é processada por apenso (art.º 29º, nº 3).
Prestada caução pode esta conhecer reforço, se forem conhecidas ou
sobrevierem circunstâncias que a tornem insuficiente, bem como o seu modo de
prestação pode ser alterado (art.º 30º, nº 1).
O valor da caução fixada e prestada é sempre pertença do arguido, na medida em
que constitui uma garantia dada e tem por fim particular assegurar a comparência
dos arguidos a todos os termos do processo e o cumprimento das obrigações que lhe
forem impostas.
Tem, por isso, carácter devolutivo, devendo ser requerida essa devolução com o fim
do processo.
A maioria dos arguidos ou réus despreocupa-se com isso, não quer saber desses
valores, pois, quer ver-se o mais longe possível da justiça que muito teme. Porque os
juízes e os procuradores não devem fazer uso desses dinheiros, perdem-se pelos bancos.
Que benefício isso representa, é assunto para reflexão dos órgãos competentes e que
nos parece importante. Nenhum juiz ou procurador está legalmente autorizado a
movimentar as contas abertas para deposição das cauções, seja nos tribunais ou na
pgr ou ainda junto de qualquer outro órgão judiciário.
No entanto, vezes há em que esses valores se perdem e não poderá o
interessado reavê-los, ainda que o queira, porque revertem a favor do estado (art.º 31º, nº
2). Quando é que isto acontece?
❖ quando o arguido falte injustificadamente a qualquer acto do processo a que deva
comparecer ou não cumpra qualquer outra obrigação imposta, e se opera a quebra da
caução (art.º 31º, nº1).
Quebrada a caução, ao arguido, poderá impor-se-lhe outra ou outras medidas adequadas
ao caso e legalmente admissíveis (art.º 22º).
A interdição de saída do país (art.º 32º)
Aplica-se ao crime imputado quando seja punível com pena de prisão superior
a dois anos, em que o arguido fica proibido de se ausentar do país (art.º 32º, nº 1),
nestes casos, o magistrado do M-P que a aplica, deve proceder às comunicações
necessárias às autoridades migratórias para aplicação da medida (art.º 32º, nº 2). Esta
medida obedece aos prazos estabelecidos para a prisão preventiva (art.º 32º, nº 3).
A prisão domiciliária (art.º 33º)
Aplica-se quando ao crime imputado caiba pena de prisão superior a dois anos e
não seja aplicável qualquer das medidas até agora referidas (art.º 33º, nº 1), o
magistrado do M.P pode impor ao arguido a medida de prisão domiciliária, medida
que pode ser cumulável com a proibição de contacto, por qualquer meio, com
determinadas pessoas (art.º 33º, nº 4).
Com a aplicação desta medida, o arguido obriga-se a permanecer na habitação
onde resida, não se ausentando da mesma sem autorização (art.º 33º, nº 2),

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Esta medida pode ser cumprida em instituição de saúde ou de solidariedade social,
se face às circunstâncias de vida e de saúde do arguido, assim for ordenado (art.º 33º, nº
3).
Numa situação ou outra, o cumprimento das obrigações do arguido durante a
prisão domiciliária podem fazer-se por qualquer meio não proibido por lei,
nomeadamente, vigilância de autoridade policial ou uso de meios electrónicos de
controlo à distância - pulseiras (art.º 33º, nº 5).
Os prazos de duração são os previstos igualmente na prisão preventiva (art.º 34º, nº 1).

A prisão preventiva (art.º 35º)


A prisão preventiva já se mostra aqui como a medida de coacção pessoal mais
gravosa, a aplicar como ultima ratio, que só deve ser usada na impossibilidade de ser
aplicada qualquer outra medida de menor impacto.
Medida de coacção que leva à privação da liberdade e que conduz ao internamento
de qualquer pessoa em estabelecimento de detenção, apenas permitido mediante
mandado de captura ou mandado de condução datado e assinado pela entidade
competente (art.º 35º).
Qressupostos da sua aplicaçâo:
✓ Quando se considerem inadequadas o u insuficientes as medidas de coacção menos
graves;
✓ Existam fortes indícios da prática de um crime doloso (art.º 36º, nº 2);
✓ O crime seja punível com pena de prisão superior a 3 anos;
✓ Ou haja incumprimento das obrigações a que o arguido em liberdade esteja sujeito
(art.º 36º, nº 1).
A prisão preventiva mostra-se obrigatória perante a comissão dos crimes de:
✓genocídio (art.º 36, nº 3);
✓crimes contra a humanidade (art.º 36, nº 3);
✓crimes de organização terrorista, terrorismo, terrorismo internacional (art.º 36, nº 3);
✓financiamento ao terrorismo (art.º 36, nº 3);
✓nos crimes que a lei declare imprescritíveis (art.º 36, nº 3);
✓ou em que se torna obrigatória a prisão preventiva (art.º 36, nº 3).
Entretanto,existem circunstâncias em que não pode ser imposta prisão
preventiva, o que se opera (art.º 37º, nº 1):
» Quando haja pessoa portadora de doença grave e,por isso, incompatível a privação
da sua liberdade;
» Perante o dia em que faleça cônjuge ou qualquer ascendente, descendente ou afim, o
que se estende até aos três (3) dias imediatos;
» Tratando-se de mulher grávida com mais de 6 meses de gravidez (inovação) e se
alarga até 3 meses depois do parto;
» Diante de cidadão com mais de 70 anos de idade, em que o estado de
saúde comprovadamente desaconselhe a privação de liberdade e;
» Ante pessoa que estiver a cuidar de cônjuge, ascendente, descendente ou afim nos
mesmos graus, cujo apoio se considere indispensável, a prisão não poderá adiar-se por
mais de 30 dias.

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Para os casos de doença e gravidez, o magistrado do M.P poderá solicitar ou
determinar exames necessários à certificação da sua real existência ou ordenar
eventualmente a transferência do detido para um hospital, onde possa ficar sob
custódia, quando inadmissível ou inconveniente a liberdade provisória (art.º 37º, nº 2).
De modo a evitar fuga da pessoa a deter, devem ser tomadas as devidas precauções,
mantendo-se a residência sob vigilância, se necessário (art.º 37º, nº 3).
Nas situações em que a prisão preventiva não pode ser imposta, ou seja, de
inaplicabilidade, pode a prisão preventiva ser substituída por prisão domiciliária e
sujeitar cumulativamente o arguido a outras medidas de coacção com ela compatíveis
(art.º 37º, nº 4).
A execução da medida de prisão preventiva aplicada ao arguido pode suspender-
se (art.º 38º, nº 1) :
1. Em face da inaplicabilidade dessa medida; (art.º 37º, nº 1) ou aquando do reexame
obrigatório e oficioso dos pressupostos da prisão preventiva.
• o reexame deve ocorrer de dois em dois meses. (art.º 39º, nº 1 al.a)
quando?:
❑na dedução da acusação, (art.º 39º, nº 1 al.b)
❑ao ser proferido o despacho de pronúncia (art.º 39º, nº 1 al.b)
❑perante decisão que conheça do objecto do processo desde que não
determine a extinção da prisão preventiva (art.º 39º, nº 1 al.c)
A falta de reexame do processo constitui irregularidade processual. (art.º 39º, nº 1)
A prisão preventiva obedece a prazos, devendo sempre (obrigatriedade) libertar-se
o arguido quando sejam atingidos os limites máximos. assim, desde o início da
prisão (art.º 40º, nº 1), não podem decorrer:
• Quatro meses (120 dias) sem acusação do arguido;
• Seis meses (180 dias) sem pronúncia do arguido;
• Doze meses (365 dias) sem condenação em primeira instância.
Prorrogação - quando se trate de crime punível com pena de prisão superior a 8
anos e o processo revista especial complexidade,
❑Pelo número de arguidos e ofendidos,
❑Em função do carácter violento ou organizado do crime
❑E do particular circunstancialismo em que foi cometido,
Os prazos podem ser acrescidos de mais dois meses em qualquer das situações
(art.º 40º, nº 2), sempre mediante despacho do magistrado, devidamente fundamentado
(art.º 40º, nº 3

Naturalmente que o tempo de detenção sofrido pelo arguido e o tempo de


prisão domiciliária contam-se, para efeitos de determinação do prazo decorrido, como
tempo de prisão preventiva (art.º 40º, nº 4).
todavia, pode o tempo de prisão preventiva suspender-se, não sendo computado para
efeitos de tempo de prisão sofrido (art.º 41º), nomeadamente:
d urante o período de internamento hospitalar do arguido havendo doença física ou
mental, devidamente comprovada por exame médico, a menos que o internament o
ocorra em hospital-prisão, ou o arguido esteja sob vigilância comparável a um
estabelecimento prisional.

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Extinta a prisão preventiva deve o magistrado do ministério público, na fase
de instrução preparatória, ou o juiz, na fase judicial, a todo o tempo, restituir o
arguido à liberdade (art.º 42º, nº 3), podendo impor a este uma ou mais das medidas de
coacção (art.º 42º, nº 2).
As medidas de coacção pessoal a aplicar são exclusivamente as que a lei prevê
(art.º 17º), nem mais nem menos, em obediência estricta aos princípios, pelo que :
✓devem ser as necessárias, - necessidade
✓as adequadas às exigências do caso em apreço, - adequação
✓e que se mostrem proporcionais à gravidade da infracção (art.º 18º, nº 1). -
proporcionalidade
• recorrendo-se às mais gravosas, apenas quando não forem suficientes ou adequadas
as menos gravosas (art.º 18º, nº 2). – subsidiariedade
• ousamos dizer que a regra é começar por baixo, ou seja, pelas mais
brandas e subir-se gradualmente. para as mais gravosas.
Pressupostos gerais a ter em conta na aplicação das medidas de coacção(art.º 19º):
✓ fuga ou perigo de fuga, (art.º 19º nº 1 al. a):
✓ perigo de perturbação da instrução, que influa na prova(art.º 19º nº 1 al. b):
✓ perigo da continuação da actividade criminosa(art.º 19º nº 1 al. c):
✓ perigo de perturbação grave da ordem e tranquilidade), (art.º 19º nº 1 al. c):

atenção: no momento da decisão, importa avaliar ainda a natureza e as circunstâncias do


crime e bem assim a personalidade do arguido.(art.º 19º nº 1) a estes pressupostos deverão
adicionar-se , considerando os pressupostos específicos de cada medida.
Revogaçâo da medida:
• é admissível a revogação da medida de coacção por juiz do tribunal territorialmente
competente:
✓ quando não aplicadas nas circunstâncias em que a lei o permite;
✓ ou as circunstâncias deixarem de as justificar (art.º 23º, nº 1).
A revogação não impede, no entanto, que uma medida revogada seja de novo imposta, se
as circunstâncias que a justificam voltarem a ocorrer (art.º 23º, nº 2).

Quando as circunstâncias se alterem de forma a que uma medida de coacção se torne


excessiva, pode o juiz substituí-la por outra menos gravosa para o arguido, ou determinar
uma forma menos gravosa de a executar (art.º 23º, nº 3).
A revogação e a substituição são requeridas pelo magistrado doM . P ou pelo
arguido ou ordenadas oficiosamente pelo juiz, depois de ouvidos os sujeitos processuais
(art.º 23º, nº 4).
As medidas de coacção aplicadas ao arguido (art.º 24º, nº 1) extinguem-se com:
O decurso do respectivo prazo legal;
O despacho que ordenar o arquivamento do processo ou que mande aguardar produção de
melhor prova;
O despacho de não pronúncia ou de rejeição da acusação;
A sentença absolutória, mesmo havendo recurso;
O trânsito em julgado da sentença condenatória.

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A condenação extingue imediatamente as medidas de prisão preventiva e de prisão
domiciliária, mesmo sendo interposto recurso, quando a pena aplicada não for superior
à duração daquelas (art.º 24º, nº 2).
Medidas de garantia patrimonial: caução económica e arresto preventivo.
Caução económica: o magistrado do M.P pode requerê-la perante fundado receio de
falta ou diminuição relevante das garantias de pagamento da multa, trate-se de pena
principal, de pena de substituição ou resultado de conversão de outras penas, das custas
do processo ou de qualquer outra dívida ao estado relacionada com o crime (art.º 44º, nº
1).
Essa caução subsiste até decisão final absolutória, ou seja, enquanto não transitar em
julgado o despacho que mandar arquivar o processo e o seu valor, em caso de
condenação, cobre as custas do processo e as dívidas para com o lesado, a multa,
outras obrigações para com a justiça, a indemnização e outras dívidas do arguido
derivadas do crime, a crédito do lesado (art.º 44º, nº 5 e

A caução económica e a caução como medida de coacção pessoal mantêm-se


distintas e autónomas (art.º 44º, nº 4), sendo que aquela pode decair, enquanto a
económica prevalece.
Arresto preventivo: é uma figura nova, autuado por apenso, nos termos do cpc,
que pode ser requerido pelo (mº pº/arguido) quando, fixada caução económica o
arguido não a preste no prazo de (8) oito dias (art.º 45º, nº 1). entretanto, tão logo seja
prestada é revogado (art.º 45º, nº 3).

Após o interrogatório, decidindo o magistrado do mº pº pela restituição à liberdade do


arguido é suposto que não venha a surgir reclamação.
impugnação
Mas se a decisão for pela manutenção da prisão, no âmbito da fiscalização
jurisdicional das medidas de coacção, podem ser impugnadas pelo arguido ou seu
representante perante o juiz presidente do tribunal territorialmente competente, que
imediatamente distribui o processo ao juiz de turno para decisão no prazo máximo
de (8) oito dias úteis, a contar da data de recepção do processo (art.º 3º, nº 1).

Convém sublinhar que é ao juiz presidente que cabe a competência própria, que
pode ser delegada ao juiz de turno, para dizer que embora os processos sejam
distribuídos a esses juízes de turno, nada inibe que o juiz presidente possa despachar
em processos.

Havendo impugnação, o juiz pode, se achar necessário, realizar novo interrogatório ao


arguido, na presença do magistrado do M.P e do seu defensor, devendo no final decidir
pela manutenção ou não da medida de coacção anteriormente imposta (art.º 3º, nº 2).

A impugnação pode ocorrer desde que seja aplicada qualquer medida cautelar,
embora seja mais evidente essa reacção perante a aplicação de uma das medidas de
prisão ou outra mais restritiva da liberdade.A impugnação feita nos termos acima
referidos não suspende a execução da medida de coacção aplicada (art.º 3º, nº 3) e
tratando-se de pessoas que gozem de foro especial, o recurso deve ser apresentado ao
juiz presidente do tribunal competente para o julgar (art.º 3º, nº 4).

O juiz de turno, magistrado judicial a quem o presidente do tribunal competente


pode distribuir o processo.

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vejamos que pela primeira vez se referiu a esta entidade quando com a
aprovação da lei de organização e funcionamento dos tribunais de jurisdição
comum, a lei nº 2/15, de 2 de fevereiro, se fez menção a turnos aflorando-se que :
✓“em todos os tribunais organizam-se turnos para fazer face ao serviço urgente”(art.º 8º)
ou ✓“a organização de turnos para assegurar o serviço urgente durante as férias
judiciais”(art.º 9º, nº 3).

De modo explícito se referencia que “durante as férias judiciais e em caso de


necessidade deve haver juízes de turno, para julgar processos urgentes de réus presos
com culpa formada”(art.º 18º).
A organização dos turnos a nível dos tribunais superiores e da relação, durante esse
período, é da responsabilidade dos respectivos juízes presidentes e quanto ao mº pº,
do procurador geral da república e do sub-procurador geral da república titular,
aplicando-se à primeira instância.
Decorre disso que juiz de turno é um magistrado escalado, durante as férias
judiciais, para dar vazão ao serviço urgente.

Porém, a lei das medidas cautelares em processo penal, lei nº 25/15, de 18 de


setembro, volta a falar em juiz de turno como sendo um magistrado judicial escalado
por uma semana, por quinze dias ou por um mês (art.º 51º, nº 1), dependendo de
programação, no âmbito da participação no processo de fiscalização jurisdicional
dessas medidas, circunstâncias em que esse juiz de turno fica dispensado do
exercício das funções habituais (art.º 51º, nº 2).
Da análise aos dois conceitos se entende não constituírem uma mesma
realidade, todavia, conciliável.Se pode entender ser o juiz de turno aquele
magistrado que escalado sirva os interesses da instituição, quer pelos trabalhos
devidos às férias judiciais, como para coadjuvar o juiz presidente do tribunal
territorialmente competente no domínio da fiscalização das garantias.

Não se deve confundir o juiz de turno com o juiz de instrução, figura que o nosso
ordenamento jurídico não contempla e, por conseguinte, inexistente.
A constituição refere-se à fiscalização das garantias por juiz que igualmente não
deve ser entendido ou confundido como juiz de instrução.

A instrução processual é presidida directamente pelo mº pº que é, por outro, o


detentor do exercício da acção penal.

A intervenção do juiz de turno não é permanente, ou seja, não se verifica em todos os


processos sujeitos a legalização da prisão. é casual e deve ser suscitada pelo
arguido, nos termos da lei.

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