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O Conflito da Crimeia

Data: 23 de fevereiro – 28 de março de 2014

Onde fica a Crimeia?


Antes de esclarecer a questão da crise na Crimeia, é
necessário elucidar onde fica esta região e as características
sobre esta península.
A Crimeia é uma república autónoma da Ucrânia, localizada
numa península no Mar Negro. A região já pertenceu à Rússia, e
foi anexada pela Ucrânia em 1954 – o então líder soviético Nikita
Khrushchev, que era de origem ucraniana, cedeu a região como
um presente. Contrariamente ao resto da Ucrânia, a maioria da
população neste local é de origem russa.

Fig.1 – Localização da Crimeia


O que foi?
Este conflito baseou-se numa crise político-institucional
ocorrida na sequência da revolução ucraniana de 2014. Num
breve resumo sobre esta revolução podemos considerar que se
baseou numa onda de manifestações nacionalistas e agitação da
população na Ucrânia (teve início dia 21 de novembro de 2013)
que exigiam uma maior integração europeia. Estes protestos
consolidaram a deposição do presidente Viktor Yanukovytch e do
respetivo governo. Os protestos foram a transição para um novo
governo, que servirá, entretanto, para colocar fim à crise na
Ucrânia.

Causas
Em novembro de 2013, o então presidente da Ucrânia,
Viktor Yanukovych anunciou num comunicado oficial que desistia
de assinar um acordo de livre-comércio com a União Europeia,
preferindo dar prioridade às suas relações com a Rússia. No dia
21 do mesmo mês, milhares de pessoas foram para as ruas
protestar contra esta decisão, resultando numa repressão
violenta e em dezenas de mortos.
No dia 22 de fevereiro, Yanukovych deixou a capital do país,
Kiev, e foi afastado da presidência pelo Parlamento do país.
Foram convocadas eleições para maio de 2014 e foi formado um
novo governo.
Na Crimeia, o parlamento local foi tomado por um
comando pró-Rússia, que nomeou um novo premiê (primeiro-
ministro) - Sergei Axionov e aprovou sua independência e
posterior anexação à Federação Russa. O governo é considerado
ilegítimo pela Ucrânia, que pede às forças internacionais que não
o reconheçam.
A importância estratégica da Crimeia
A Crimeia é uma província semiautónoma da Ucrânia
localizada na região sul do país, numa península situada às
margens do Mar Negro. Trata-se de uma zona que, apesar de
fazer parte do território ucraniano, ainda possui fortes relações
étnicas e políticas com a Rússia, sendo um dos principais
entraves entre os dois países no âmbito diplomático.
O principal valor estratégico da Crimeia é, sem dúvida, a
sua posição geográfica. A região representa uma saída
importante para o Mar Negro, que é o único porto de águas
quentes da Rússia. Isso significa que essa zona possui relevância
tanto em nível comercial tanto no plano militar para os russos,
por facilitar a movimentação de cargas e por garantir o controle
do canal que liga esse mar ao Mar de Arzov.
Outro ponto importante é o valor económico desta região,
dado que é uma grande produtora de grãos e vinhos,
apresentando também uma avançada indústria alimentar. Os
portos da Crimeia também são responsáveis por boa parte do
escoamento da produção agrícola ucraniana que segue em
direção à Europa e à própria Rússia, além de ser o ponto onde o
país realiza uma considerável parte de suas importações,
incluindo o gás russo.
Num acordo assente em 2010, a Rússia instalou uma base
militar em Sebastopol, cidade localizada no sul da Crimeia, com a
permanência prevista até o ano de 2042. Em troca, o governo de
Moscovo cedeu 40 bilhões de dólares em gás natural, fonte de
energia da qual a Ucrânia é extremamente dependente.
Revolução Ucraniana e a Crise da Crimeia

Após a revolução ucraniana de 2014, a Rússia recusou-se a


reconhecer o novo governo, chamando a revolução de um
"golpe de Estado" e iniciou uma invasão oculta da península da
Crimeia. O recém-nomeado governo da Ucrânia assinou o acordo
de associação com a EU comprometeu-se na adoção de reformas
no seu sistema judiciário e político, bem como nas políticas
financeiras e económicas. Os investimentos estrangeiros vieram
do Fundo Monetário Internacional, sob a forma de empréstimos
no valor de mais de 18 bilhões, dependendo das reformas
adotadas pela Ucrânia.

Consequências
O referendo
No dia 16 de março, foi realizado um referendo na Crimeia
(apesar da forte oposição da ONU), apresentando resultados
favoráveis para a Rússia, em que 95% dos eleitores votaram pela
separação da Ucrânia e a consequente anexação à Rússia. O
acontecimento é um marco definitivo na crise entre estes países,
mas os problemas na Ucrânia começaram em novembro de
2013, com protestos violentos.
No entanto, uma pesquisa feita antes da invasão revelou que
apenas 42% dos habitantes eram favoráveis ao
desmembramento, o que levantou suspeitas na comunidade
internacional de que o resultado do referendo possa ter sido
manipulado. Os EUA e União europeia reiteraram que a votação
nunca será reconhecida pela comunidade internacional.
Após o referendo, o governo de Moscovo anunciou que
consideraria a Crimeia como parte de seu território. Por
unanimidade, o Tribunal Constitucional da Rússia considerou
legal a assinatura do tratado que anexa a Crimeia a seus
territórios pelo presidente Vladimir Putin.
“A Crimeia sempre foi parte da Rússia nos corações e mentes das
pessoas “, declarou Putin em um pronunciamento em Moscovo,
após a assinatura.

Qual o papel da Rússia na crise?

Com a intensificação das tensões separatistas, o


Parlamento russo aprovou, a pedido do presidente Vladimir
Putin, o envio de tropas à Crimeia para “normalizar” a situação.
Tropas sem identificação, mas claramente russas – algumas
em veículos com placas registradas na Rússia – invadiram a
Crimeia, dominando bases militares e aeroportos. A Rússia
justificou o movimento dizendo que estava a reservar o direito
de proteger os seus interesses e os dos seus cidadãos em casos
de violência na Ucrânia e na região da Crimeia.
A escalada militar fez com que diversos oficiais do exército
ucraniano se juntassem ao governo local pró-russo. Outros
abandonaram seus postos. O novo governo da Crimeia anunciou
que assumiu o controle da península, fazendo um ultimato para
que os últimos oficiais leais à Ucrânia se rendessem.
Segundo a Ucrânia, mais de 30 mil soldados russos já foram
enviados à região. A Rússia nega ter efetivo militar na região
superior ao de seu posto fixo em Sebastopol.

Qual a reação do governo da Ucrânia?


O novo governo ucraniano, pró-União Europeia, criticou os
movimentos separatistas e classificou a aprovação de
intervenção militar russa como uma declaração de guerra. Logo
em seguida, o governo convocou todas suas reservas militares
para reagir a um possível ataque russo.
O país também pediu apoio do Conselho de Segurança da
ONU para ajudar a resolver a crise na península e defender a sua
integridade territorial.
Para o governo da Ucrânia, o parlamento da Crimeia é
ilegal e não tem legitimidade para declarar independência. Kiev
(Ucrânia) também não reconheceu o resultado do referendo,
que aprovou a reintegração em Moscovo, nem do tratado
assinado entre Crimeia e Rússia confirmando a adesão.

Qual a reação dos países ocidentais?


Os Estados Unidos e outros países ocidentais exigem que a
Rússia recuasse com as suas tropas na Crimeia. Os EUA também
ameaçaram a Rússia com sanções, suspenderam as transações
comerciais com o país e cancelaram um acordo de cooperação
militar com Moscovo.
“O Presidente Trump deixou bem claro que espera que o
Governo russo abrande a violência na Ucrânia e que devolva a
Crimeia”, explicou Spicer (porta-voz da Casa Branca) durante a
comunicação diária aos jornalistas. -
https://www.publico.pt/2017/02/14/mundo/noticia/trump-
quer-que-a-russia-devolva-a-crimeia-a-ucrania-1762075

Outros países do ocidente pressionaram a Rússia para uma


saída diplomática. A escalada de tensão também levou a uma
rutura entre as grandes potências, com o G7 condenando a ação
e cancelando uma reunião com o governo de Moscovo.
Após esta crise, a Comissão Europeia divulgou um plano de
ajuda de pelo menos 11 bilhões de euros para a Ucrânia. Os EUA
também anunciaram um pacote de assistência técnica e
económica ao país, demonstrando apoio ao novo governo, no
valor de bilhão de dólares. O governo da Casa Branca acusa,
ainda, a Rússia de violar o Memorando de Budapeste, por
interferir diretamente nas fronteiras ucranianas.
Nota: Este memorando inclui garantias de segurança contra
ameaças ou uso da força contra a integridade territorial ou a
independência política da Ucrânia.

Como está atualmente a situação da Crimeia?


A federação Russa administra atualmente a península como
duas entidades federias: a República da Crimeia (pró-soviética) e
a Cidade Federal de Sevasto. A Ucrânia continua a afirmar o seu
direito sobre a península, mas procura uma resposta
diplomática. Porém, relativamente ao aspeto militar tem
mobilizado as suas forças armadas
Atualmente a Rússia pretende continuar uma política de
anexação de regiões próximas do seu território para se
desenvolver economicamente (e politicamente) e fazer face ao
domínio da União Europeia.
Os Estado Unidos, o Reino Unido, França, Alemanha, Itália,
Polónia, Canadá, Japão, Coreia do Sul, Geórgia, Moldávia,
Turquia, Austrália e a União Europeia condenam a Rússia,
acusando-a de violar o direito internacional e a soberania da
Ucrânia. Defendem que a região da Crimeia deverá ter
possibilidade de optar por ser uma região independente.
A China inicialmente não tinha apoiado nem criticado a
Rússia, ao mesmo tempo que defendia a integridade territorial
da Ucrânia. O governo chinês declarou posteriormente que não
desejava sanções contra a Rússia.
Conclusão
A possibilidade de um conflito armado na região preocupa
o resto da Europa. Todo o gás exportado pela a Rússia, que
abastece a Alemanha, a Áustria e a Itália, passam pela Ucrânia.
Concluímos então que este conflito ainda não se resolveu e
prevê-se que ainda irão surgir mais conflitos.

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