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UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO

Centro de Ciências Agrárias


Farmácia

FARMACOGNOSIA
RELATÓRIO DA AULA PRATICA I

João Victor Matos


Mayra Mendes
Thais Martins

Alegre
2016
1. INTRODUÇÃO

O processo extrativo visa a retirada dos princípios ativos de uma droga vegetal, por
meio de um solvente, a fim de se obter formas terapêuticas que permitam melhor
manipulação e manuseio.
O processo de extração depende de fenômenos de difusão e a renovação do
solvente em contato com as substâncias solúveis permitem a dissolução dessas.
Devem-se considerar as características do material vegetal, o seu grau de divisão, o
líquido extrator (solvente) e a metodologia de extração.
O líquido extrator escolhido deve ser o mais seletivo possível, essa seletividade
varia com o grau de polaridade das substâncias presentes na planta as quais se
deseja extrair, utilizando-se da técnica onde semelhante dissolve semelhante.
Quando não se conhece as características das substâncias presentes em
determinada espécie estudada, utiliza-se normalmente extração com solventes de
diferentes polaridades, a fim de agrupar em cada solvente utilizado, diferentes
grupos de constituintes químicos.
Durante uma extração de droga vegetal, o líquido extrator penetra as células,
causando o intumescimento da droga até atingir os seus constituintes químicos, que
então são solubilizados e extraídos, obtendo-se uma solução extrativa. A solução
extrativa, que contém o líquido extrator e as substâncias extraídas, pode ser depois
purificada, por exemplo, por um método de secagem.
Para escolher um método extrativo deve-se avaliar a eficiência, a estabilidade das
substâncias extraídas, a disponibilidade dos meios e o custo do processo escolhido,
considerando a finalidade do extrato que se quer preparar, existem extração a frio e
sob aquecimento, nessa prática utilizamos a técnica de maceração, que é um
método a frio.
Maceração é a operação na qual a extração da matéria prima vegetal é realizada em
recipiente fechado, em temperatura ambiente, durante um período prolongado
(horas ou dias), sob agitação ocasional e sem renovação do líquido extrator
(processo estático). Tal processo não conduz ao esgotamento da matéria prima
vegetal, seja devido à saturação do líquido extrator ou ao estabelecimento de um
equilíbrio difusional entre o meio extrator e o interior da célula. Diversas variações
conhecidas desta operação objetivam, essencialmente, o aumento da eficiência de
extração, entre elas:
Digestão: consiste na maceração, realizada em sistema aquecido a 40 – 60°C;
Maceração dinâmica: maceração feita sob agitação mecânica constante;
Remaceração: quando a operação é repetida utilizando o mesmo material vegetal,
renovando-se apenas o líquido extrator. (SIMÕES et al., 2004)
Já a percolação ao contrário da maceração é um processo dinâmico, onde se faz o
arrastamento do princípio ativo pela passagem contínua do líquido extrator, levando
ao esgotamento da planta através do gotejamento lento do material. Também
permite obter soluções extrativas mais concentradas, gradiente de polaridade,
economia do líquido extrator e tempo relativamente curto. A percolação é indicada
em processo extrativos de substâncias farmacologicamente muito ativas, presentes
em pequena quantidade ou pouco solúveis. (NAVARRO, 2005)
O uso da percolação oferece grandes vantagens em relação à extração por
maceração, pois é mais rápido e tem um maior rendimento. Entretanto, a maceração
gasta menos líquido extrator durante a extração do que a percolação.

2. OBJETIVO

Avaliação de diferentes líquidos extratores (álcool, água e acetona) sobre a droga


vegetal (pó de café).

3. MATERIAIS E MÉTODOS

2 Béqueres de 150 ml
1 Béqueres de 100 ml
3 Provetas de 50 ml
3 Bastões de vidro
3 Funis de vidro
3 Pipetas de pasteur de vidro
3 Tetinas de silicone
1 Suporte universal
3 Argolas
3 Papeis de filtro
Balança
Chapa aquecida
15 g de Droga vegetal (pó de café)
50ml de Água
50 ml de Acetona
50 ml de Álcool etílico

Para tal procedimento, utilizou-se 3 amostras de 5 gramas da droga vegetal (pó de


café) pesados previamente em béqueres diferentes e identificados com o nome do
liquido extrator a ser utilizado em cada amostra. Posteriormente, transferiu-se para
três provetas identificadas, 50 ml de cada liquido extrator. Nesse processo foram
utilizados 3 tipos de liquido extrator: um mais polar (água), para que se retirasse da
amostra substâncias hidrofílicas, outro apolar (acetona) para que fosse retirada da
amostra substâncias mais lipofílicas, e então um líquido com polaridade
intermediária entre acetona e água (álcool) para retenção de substâncias dos dois
tipos. Logo após, transferiu-se cada líquido da proveta para os respectivos
béqueres, onde a amostra com o líquido extrator foram misturadas com ajuda do
bastão de vidro, e em seguida deixou-se repousar por 10 minutos aproximadamente.
Após o repouso das amostras, estas foram filtradas com papel de filtro em béqueres
limpos e tarados. Em seguida os líquidos extraídos foram pesados e levados para
chapa aquecedora, para que o solvente fosse evaporado, deixando apenas o extrato
puro. O último passo então foi a pesagem dos béqueres com o extrato final, para se
calcular os rendimentos.

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES

O líquido extrator com maior rendimento foi a água, que de 5g de droga vegetal,
conseguiu extrair 0,997g, ou seja, teve um rendimento de 19,94%. A acetona teve
um rendimento de 13,96%, pois extraiu 0,698g de substâncias. Já o álcool foi líquido
extrator com menor rendimento, pois extraiu apenas 0,597g dos 5g de droga
vegetal, tendo rendimento de 11,94%, quase metade do rendimento da água.
O motivo pelo qual o líquido extrator apresentou maior rendimento, deve-se ao fato
de o café possuir grandes quantidades de açúcares, que são solúveis em água, e
também de outros compostos hidrossolúveis como a cafeína e alguns taninos. A
quantidade de lipídeos é menor que a de açúcares, mas ainda assim é uma
quantidade considerável, portanto a acetona teve o segundo maior rendimento por
extrair essas substâncias lipofílicas (AGNOLETTI, 2015).
5. CONCLUSÕES

Conclui-se que antes de se fazer uma extração de droga vegetal, é importante que
se conheça a polaridade das substâncias a serem extraídas, pois assim é possível
escolher o líquido extrator mais apropriado para a extração. O experimento realizado
mostrou que a água teve maior rendimento como líquido extrator, o que leva a
dedução de que na droga vegetal analisada há grande quantidade de substâncias
hidrofílicas, fato comprovado pela revisão da literatura.

6. REFERÊNCIAS

NAVARRO, D. Estudo Químico, Biológico e Farmacológico das espécies Allamanda


blanchetti e Allamanda schottii na obtenção de moléculas bioativas de potencial
terapêutico. Florianópolis:2005
SIMÕES, C. M. O. et al. Farmacognosia: da planta ao medicamen-to. 5.ed.
Porto Alegre /Florianópolis: Editora da Universidade UFRGS / Editora da UFSC,
2004.
PORTAL EDUCAÇÃO ,http://www.portaleducacao.com.br/farmacia/artigos/21811/os-
metodos-de-extracao-de-material-vegetal#ixzz44tNRJeB8, visto em 04/04/2016
OLIVEIRA, F. DE.; AKISUE, G.; AKISUE, M. K. Farmacognosia. São Paulo: Atheneu,
2001. 426 p, 2° ed.
AGNOLETTI, Bárbara Zani. Avaliação das propriedades físico-químicas de café
arábica (Coffea arabica) e conilon (Coffea canephora) classificados quanto à
qualidade da bebida. 2015.

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