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SÉRIE ENGENHARIA DE PETRÓLEO

GEOLOGIA
DO
PETRÓLEO
TRADUÇÃO DA 3ª EDIÇÃO

Richard C. Selley
Stephen A. Sonnenberg
Exploração de Petróleo:
Passado, Presente e Futuro

Passado: Geólogo de petróleo procurando petróleo na Pérsia (atual Irã) no iní‑ cio do século XX.
(Cortesia da British Petroleum.)

Presente: Geocientistas de petróleo procurando petróleo em qualquer lugar no mundo no final do


século XX. (Cortesia da Esso UK plc.)

Futuro: Jovem estagiário da geração cibernética pós‑milênio procurando pe‑ tróleo abiogênico
em qualquer lugar do universo. (Cortesia da Paradigm Geophysical, criado por
Sachnowitz & Co.)
GEOLOGIA
DO PETRÓLEO
Tradução da 3a Edição
RichaRd c. Selley
Stephen a. SonnenbeRg

Tradução e Revisão Técnica


pRof. dR. helio J. p. SeveRiano RibeiRo, geólogo
laboRatóRio de engenhaRia e exploRação de petRóleo (lenep/Uenf)
Nota do Tradutor

Traduzir um livro‑texto sobre geologia do petróleo é Guerra, A.T. e Guerra, A.J.T. 2003. Novo di‑ cionário
uma tarefa hercúlea, uma vez que exige o domínio de geológico‑geomorfológico. Rio de Janeiro:
conhecimentos de quase todas as áreas do BertrandBrasil,648p.
conhecimento científico, desde os mistérios das células IBGE, 1999. Glossário geológico. Rio de Ja‑ neiro:
até as comple‑ xas formulações da matemática, da IBGE, 214 p
física e da computação. Entretanto, é uma tarefa ex‑ Jost, H. e Brod, J.A. 2005. Como redigir e ilus‑ trar textos
tremamente necessária para o momento atu‑ al, uma vez em geociências. São Paulo: SBG (Série Textos
que o Brasil vem se configurando num importante país no 1). 93 p.
produtor de petróleo e, principalmente, vem preencher Suguio, K. 1998. Dicionário de geologia sedi‑ mentar e
uma enorme lacuna de livro‑texto em língua áreas afins. Rio de Janeiro: Ber‑ trand Brasil.
portuguesa que abordasse esta temática com a devida 1217 p.
profundidade. Não obstante, existem termos e expressões da língua
Nesta obra buscou‑se ao máximo traduzir para o inglesa que não foram traduzidos, uma vez que já estão
português os termos, expressões e con‑ ceitos que a nossa plenamente incorpora‑ dos no jargão da geologia do
língua permite, e respeitar o jargão consagrado na petróleo, tais como: rift e drift, tornando‑se
geologia do petróleo. Além de livros‑texto específicos desnecessária a criação de novos termos. Além disso,
para cada temática, tomou‑se como apoio alguns glos‑ não foram traduzidos alguns termos e expres‑ sões,
sários e guias de redação de uso comum na área de como: play, gross pay, net pay, pool e pro‑ ductive
geociências, tais como: fairways; os quais não encontram cor‑ relatos na língua
portuguesa, que expressem, devidamente, os
Branco, P.M. 2014. Guia de redação para a área de respectivos conceitos. Da mesma forma, foram
geociências. São Paulo: Oficina de Textos. 224 aplicados alguns angli‑ cismos de uso comum na
p. geologia do petró‑ leo (por exemplo, onlapar e
Duarte, O.D. 2003. Dicionário enciclopédico pervasivo).
inglês‑português de geologia e geofísica. 2a ed. Rio A expressão gás de xisto, comumente utili‑ zada na
de Janeiro: SBGf. 352 p. imprensa escrita e falada como tra‑ dução para shale
Ferreira, J.B. 1995. Dicionário de geociências. 2a ed. Belo gas, não foi aqui utilizada, pois é tecnicamente
Horizonte: Armazém de Idéias. 533 p. inapropriada do ponto de vista dos geocientistas, uma
vez que xisto é uma rocha metamórfica que não
expressa o significado de uma rocha sedimentar gera‑
vi NOTA DO TRADuTOR

dora de hidrocarbonetos e, simultaneamente, portadora de na F. da Cruz, Marco Ceia e, em específico, aos colegas
gás. Portanto, utilizou‑se a ex‑ pressão mais adequada Eliane S. de Souza (geoquímica do petróleo) e Adolfo P.
que é gás de folhelho. Porúltimo,gostariadeagradecer Pires (engenharia do petróleo) pela constante paciência
aogran‑ de suporte dado por diversos colegas do La‑ com que me atenderam nas inúmeras vezes que a eles
boratóriodeEngenhariadeExploraçãoePro‑ dução de recorri. Não obstante, a responsabilidade úl‑ tima é toda
Petróleo (LENEP) da Universidade Estadual do Norte minha, caso algum equívoco ain‑ da tenha persistido.
Fluminense Darcy Ribeiro (UENF), nas suas áreas
específicas de conhe‑ cimento, entre os quais, Abel
Carrasquilla, Roseane Misságia, Laércio Martins, Helio J.P. Severiano Ribeiro
Georgia‑
Prefácio à 3a Edição
1a edição de Elementos de geologia do petróleo refletores progrediu, permitindo até inter‑ pretar a
foi publicada em 1985, cerca de 30 anos atrás. O amplitude de um traço individual de uma onda
objetivo do livro era descrever os elementos da sísmica.
geologia do petróleo, ini‑ ciando com a deposição e a Quando a Elsevier solicitou a RCS, então no início
maturação de uma rocha geradora, abordando em de sua aposentadoria, a produção de uma 3a edição, ele
seguida a migração do petróleo a partir da rocha ge‑ sentiu‑se desencoraja‑ do para a tarefa. A Elsevier
radora até um reservatório de rochas porosas e sugeriu, então, um coautor. SAS aceitou o desafio e
permeáveis, sendo, finalmente, aprisiona‑ do numa fez uma grande contribuição na revisão do li‑ vro
armadilha (trapa) subjacente a uma rocha impermeável, para a 3a edição. Durante os anos entre a 2a e 3a edição,
dita selante ou capea‑ dora. Este livro também aumentou sobremaneira a importância da produção
descrevia a ciência e a tecnologia de exploração e do petróleo não convencional. Os avanços
produção de petróleo, desde os primeiros tecnológicos, principalmente a perfuração de poços
levantamentos geofísicos até os estertores de um campo hori‑ zontais e o fraturamento hidráulico, permi‑ tiram
de petróleo, com a aplicação da recuperação a produção de óleo e gás a partir das próprias rochas
avançada de petróleo (EOR – Enhanced Oil geradoras, não havendo migração e nem a retenção
Recovery). em um reserva‑ tório convencional dentro de uma
Quando a 2a edição foi publicada em armadi‑ lha (trapa). A produção de óleo e gás a par‑ tir
1998, os elementos fundamentais da geolo‑ gia do de folhelhos (oil shale e shale gás),* juntamente
petróleo permaneciam quase inalte‑ rados, mas a com o crescimento da produção de metano a partir de
ciência e a tecnologia de explo‑ ração e produção de camadas de carvão (coal bed methane) têm
petróleo tinham evoluído de modo significativo. aumentado nos últi‑ mos anos. Tais mudanças
Por exem‑ plo, o incrível avanço da capacidade de pro‑ apresentam mui‑ tos e significativos benefícios
cessamento computacional permitiu o de‑ econômicos e ambientais, uma vez que diminuem a
senvolvimento de levantamentos sísmicos 3D. A de‑ pendência da queima de carvão, implican‑
capacidade de interpretar horizontes

*Nota do Tradutor: Em geral, shale gas e oil shale são traduzidos coloquialmente como gás de xisto e xisto betumi‑
noso/pirobetuminoso, respectivamente. Entretanto, xisto é uma rocha metamórfica que não tem mais capacidade para gerar petróleo, em face das
altas temperaturas a que foi submetida. Dessa forma, adotou‑se aqui a terminolo‑ gia geologicamente mais adequada na tradução de shale gas
para gás de folhelho e de oil shale para óleo de folhelho ou folhelho betuminoso/pirobetuminoso.

vii
viii PREFácIO à 3A EDIçãO

do a redução das emissões de dióxido de carbono conhecimentos em uma importante área das ciências e
para a atmosfera. das engenharias.
Espera‑se que esta 3a edição, como as an‑ teriores,
Richard C. Selley
seja útil para estudantes de geociên‑ cias e engenharias
Royal School of Mines, Imperial College,
que estejam se graduando em carreiras voltadas para a
Londres, Reino Unido
indústria de energia, bem como, para profissionais já
ex‑ perientes do segmento inicial da indústria do petróleo Stephen A. Sonnenberg
(upstream), que buscam aprofundar Colorado School of Mines,
Golden/Colorado, EUA
Agradecimentos
Existem dois problemas principais a serem superados Sciences Ltd., Blackwell Scientific Publica‑ tions, BP
ao se escrever um livro sobre geo‑ logia do petróleo. O Exploration, Gebruder Borntraeger, Geoexplorers
assunto é muito vasto, vai desde os enigmas da International Inc., Cambridge University Press,
bioquímica molecu‑ lar até os segredos matemáticos do Canadian Association of Petroleum Geologists,
processa‑ mento de dados sísmicos. É, também, um Chapman and Hall, Esso UK plc., Coherence
tema que evolui muito rápido à medida que novos Technology Com‑ pany, WH Freeman and Company,
dados se tornam disponíveis, e novos conceitos são Geology, The Geologists Association of London, Geo‑
desenvolvidos. Sou muito gra‑ to às muitas pessoas que logical Magazine, Geological Society of Lon‑ don,
leram o manuscrito, apontaram erros de fato ou de ênfase Geological Society of South Africa, Gulf Coast
e suge‑ riram melhorias. Grande parte dessa carga foi Association of Geological Societies, Ge‑ ophysical
suportada pela equipe do Imperial Colle‑ ge, em Development Corporation, GMG Europe Ltd., GVA
Londres. Os temas de geofísica foram tratados pelo Dr. International Consultants, Institute of Petroleum,
Thomas‑Betts, pelo finado Weildon e pelo falecido Journal of Geochemical Exploration, Journal of
Williamson; a geo‑ química do petróleo pelo falecido Petroleum Geology, Ma‑ rine and Petroleum
Dr. Kin‑ ghorn; a engenharia de petróleo pelo finado Geology, McGraw‑Hill, No‑ rwegian Petroleum
Professor Wall e a maioria dos tópicos res‑ tantes pelo Society, NUMAR UK Ltd., Offshore Technology
falecido Professor Stoneley. O as‑ sunto de avaliação de Conference (OTC), Paradigm Geophysical Corporation,
formações foi revisado pelo Sr. Maret da Prince‑ ton University Press, Sachnowitz & Co.,
Schlumberger. Schlumberger Wireline Logging Services,
Sou grato pela permissão prévia do uso Schlumberger Oil‑field Review, Society of Pe‑
das ilustrações publicadas às seguintes ins‑ tituições: troleum Engineers (SPE), Society of Profes‑ sional
Academic Press, American Associa‑ tion of Petroleum Well Log Analysts (SPWLA), Sprin‑ ger‑Verlag,
Geologists (AAPG), Applied Science Publishers, John Wiley & Sons, World Geoscience UK Ltd.
Badley Earth e World Oil.

ix
Sumário

Prefácio à 3a Edição vii


Agradecimentos ix

1 Introdução 1

2 Propriedades Físicas e Químicas do Petróleo 13

3 Métodos de Exploração 41

4 O Ambiente de Subsuperfície 155

5 Geração e Migração de Petróleo 193

6 Rochas Reservatórios 257

7 Armadilhas, Selos e Rochas capeadoras 325

8 Bacias Sedimentares e Sistemas Petrolíferos 381

9 Recursos Petrolíferos Não convencionais 433

10 conclusões 491

Índice 507

xi
CAPÍTULO

1
Introdução
E disse Deus a Noé ... Faça uma arca de tábuas de cipreste; deverás fazer compartimentos na arca e aplicarás uma camada de
betume por dentro e fora. Gênesis 6: 13‑14

RESUMO

O petróleo é utilizado desde o início da civilização. Exsudações, ou seja, surgimento natural de petróleo na superfície,
foram as fontes do óleo aplicado como medicamentos, em impermea‑ bilizações e na guerra. O primeiro poço perfurado
no mundo ocidental deliberadamente para extração de petróleo ocorreu na França em 1745. O mais importante estímulo
para a produção mundial de petróleo foi o desenvolvimento do motor a combustão interna nas décadas de 1870 e 1880.
Nos conceitos utilizados para encontrar petróleo e gás estão inclusos: a perfuração pró‑ xima a exsudações, a teoria do
anticlinal como armadilha para o aprisionamento do óleo, a exploração de armadilhas estratigráficas e armadilhas
combinadas. Nos primórdios, a explora‑ ção era focada na localização de exsudações para detectar ocorrências de
petróleo em profun‑ didade, além de técnicas de mapeamento da superfície, as quais buscavam encontrar os anticli‑ nais.
Posteriormente, a exploração foi ampliada com o uso de técnicas de investigação de subsuperfície, com a aplicação
de métodos geofísicos (gravimetria, magnetometria e sísmica), além da perfilagem geofísica. A ciência da geologia do
petróleo incorpora importantes áreas da geologia (por exemplo, geologia estrutural, sedimentologia, estratigrafia,
geoquímica, paleonto‑ logia, entre outras), e, também, da geofísica (por exemplo, gravimetria, magnetometria e sísmica). A
geologia do petróleo é uma parte crítica e vital do negócio do petróleo. A importância do geocientista do petróleo
não pode ser subestimada.
Palavras‑chave: Evolução de conceitos e técnicas de exploração; Revisão histórica; Importân‑ cia da geologia do
petróleo para a exploração e produção de petróleo; Relações da geologia do petróleo com a geologia e a geofísica;
Condições para a existência de acumulações comerciais de petróleo e gás; Novas Sete Irmãs; Sete Irmãs

1.1 ANÁLISE HISTÓRICA DA EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO


1.1.1 Petróleo de Noé à Organização dos Países Exportadores de
Petróleo (OPEP)
Exploração de petróleo é uma atividade muito antiga, como a citação acima ilustra. A Bí‑ blia contém muitas
referências à utilização de betume ou asfalto retirado de exsudações na‑ turais abundantes no Oriente Médio.
Heródoto, escrevendo em aproximadamente 450 a.C.,

1
CAPÍTULO

2
Propriedades Físicas e
Químicas do Petróleo

RESUMO

O gás natural e o óleo cru são dois grupos diferentes, química e fisicamente, de compostos denominados
hidrocarbonetos. Moléculas de hidrocarbonetos são classificadas, com base na sua estrutura molecular, em parafinas,
naftenos e aromáticos. Heterocompostos são aqueles que contêm, além de carbono e hidrogênio, outros elementos
químicos, tais como oxigênio, nitrogê‑ nio e enxofre. Os hidrocarbonetos gasosos consistem, principalmente, em
hidrocarbonetos da família das parafinas (isto é, metano, etano, propano, butano e, eventualmente, pentano). O gás natural
pode conter gases inertes de forma acessória menor. Os gases inertes mais comuns são: hélio, hidrogênio, dióxido de
carbono e gás sulfídrico. Hidratos de gás é uma combinação de moléculas de gás com água congelada. Os hidratos de
gás são formados em sedimentos árticos rasos e em depósitos marinhos profundos. O óleo cru é uma mistura de
hidrocarbonetos no estado líquido que ocorre naturalmente em reservatórios de subsuperfície, permanecendo tam‑ bém
no estado líquido quando na pressão atmosférica. O óleo cru é constituído, essencialmente, por carbono e hidrogênio,
com traços de vanádio, níquel, enxofre, oxigênio e nitrogênio e é classificado com base nas percentagens de parafinas,
naftenos e compostos aromáticos. Os deri‑ vados típicos do refino do óleo cru são: gasolina, querosene, óleo diesel,
óleo lubrificante e resíduo.
Palavras‑chave: Aromático; Dióxido de Carbono; Classificação dos óleos crus; Óleo cru; Hidra‑ tos de gás; Hélio;
Heterocompostos; Gás Sulfídrico; Hidrogênio; Nafteno; Gás natural; Nitrogê‑ nio; Gases não‑hidrocarbonetos;
Parafina; Derivados do petróleo

A exploração de petróleo está voltada, principalmente, para a descoberta de petróleo e gás, que são dois grupos
diferentes, quimicamente e fisicamente, de compostos denomina‑ dos hidrocarbonetos. Fisicamente,
hidrocarbonetos variam de gases até sólidos, passando por substâncias líquidas e plásticas. Os hidrocarbonetos
gasosos incluem o gás seco (metano) e os gases úmidos (etano, propano, butano, etc.). Os condensados são os
hidrocarbonetos ga‑ sosos em subsuperfície, mas que condensam para líquido quando resfriam na superfície.
Hidrocarbonetos líquidos são denominados de petróleo, petróleo bruto ou óleo cru, para dife‑ renciá‑los dos
derivados de petróleo refinados. Dentre os hidrocarbonetos plásticos estão o asfalto e substâncias relacionadas. Nos
hidrocarbonetos sólidos incluem‑se o carvão e o que‑

13
CAPÍTULO

3
Métodos de Exploração
RESUMO

A extração de petróleo de exsudações em superfície remonta a cerca de 450 aC. Poços de minas também foram utilizados
antigamente na exploração e desenvolvimento. O primeiro poço perfurado no mundo ocidental foi em Oil Creek,na Pennsylvania,
em 1859. Sondas de perfuração a cabo foram desenvolvidas no início do século XIX. A profundidade média atingida por
perfurações foi de cerca de 1.000 m. As sondas de perfuração a cabo foram, em grande parte, substituídas pelas sondas de
perfuração rotativas, as quais tornaram possível a perfuração de poços com mais segurança e com maiores profundidades.
Atualmente, são muito comuns os poços direcionais profundos.
A avaliação de formação por perfis geofísicos e testemunhagem permite a determinação da porosidade, litologia e
das zonas saturadas de hidrocarbonetos. Os perfis geofísicos de poços são aplicados também para fins de correlações
estratigráficas, permitindo a elaboração de mapas de subsuperfície. Os métodos geofísicos incluem a magnetometria, a
gravimetria e o sísmico. O advento da sísmica 3D (tridimensional) e sua capacidade para análises estruturais e estratigrá‑
ficas foi um importante avanço na indústria petrolífera. Atualmente, a sísmica e a estratigrafia de sequências são partes
importantes e integrantes da exploração de petróleo. A aquisição de dados sísmicos 4D (sendo o tempo a quarta
dimensão) são corriqueiras hoje em dia. A geologia de subsuperfície envolve a integração de dados de perfis geofísicos e
de levantamentos geofísi‑ cos com os dados e os conceitos geológicos. As tarefas típicas da geologia de superfície são a
confecção de seções geológicas e mapas, tais como, estruturais, estratigráficos, de porosidade, de espessura eficaz (net
pay map), de qualidade da rocha geradora, etc. O sensoriamento remoto é a obtenção de dados sem contato efetivo com
o objeto de estudo. O sensoriamento remoto inclui a aquisição de dados geofísicos aeromagneométricos e
aerogravimétricos, levantamentos sísmicos bi e tridimensional, visual, radar e varredura multiespectral. O sensoriamento
remoto é uma técnica valiosa na exploração de petróleo.
Palavras‑chave: Perfuração a cabo; Perfuração rotativa; Avaliação de formação; Perfis geofí‑ sicos; Saturação de óleo,
gás e água; Porosidade e permeabilidade; Métodos geofísicos; Gravi‑ métrico; Magnetométrico, Sísmico (2D, 3D e 4D);
Geologia de subsuperfície; Seções geológicas; Mapeamento; Sensoriamento remoto; Visual; Radar; Varredura
Multiespectral

3.1 PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO DE POÇOS


Nos primórdios da exploração de petróleo, o óleo era extraído de exsudações superficiais. Heródoto, em escritos de
cerca de 450 a.C., relatou a ocorrência de exsudações de óleo em Cartago, na Tunísia, e na ilha grega de Zachynthus.
Ele descreveu detalhes da extração de petróleo em poços próximos a Ardericca, no atual Irã. Entretanto,
conforme exposto no

41
CAPÍTULO

4
O Ambiente de Subsuperfície

RESUMO

A geologia do petróleo está voltada para o estudo dos fluidos, principalmente petróleo, gás e água. Dois tipos de águas
de subsuperfície são reconhecidos: água livre e água intersticial ou irredutível. As águas de subsuperfície são analisadas
através da resistividade e da salinidade da água de formação. De acordo com sua gênese, pode‑se definir quatro tipos de
águas de subsu‑ perfície: juvenil, meteórica, conata e mista. As águas de subsuperfície contêm concentrações de sais
inorgânicos, juntamente com vestígios de compostos orgânicos, incluindo os hidrocarbonetos. A temperatura da Terra
aumenta da superfície para o centro. As temperaturas de fundo de poço (Bottom Hole Temperature – BHT) podem ser
registradas a partir dos poços ou de outros dados de testes de formação. Os gradientes geotérmicos podem ser calculados
a partir das temperaturas de fundo de poço (BHTs). A média global do valor do gradiente geotérmico é de 2,6 ºC/100 m.
O fluxo de calor é igual ao produto do gradiente geotérmico pela condutividade térmica da rocha. As rochas com diferentes
composições têm diferentes condutividades térmicas. As pressões de subsuperfície podem ser calculadas a partir dos
dados sísmicos, medidas a partir de testes de formação convencionais (Drill Stem Test – DST) ou por testes de
formação a cabo (Repeat Forma‑ tions Test – RFT). Além disto, aumentos anormais de pressão podem ser
detectados durante a perfuração de um poço quando ocorrer um aumento abrupto na taxa de penetração, um aumento
acentuado na temperatura da lama de perfuração e uma diminuição na densidade das amostras de folhelhos. As zonas de
sobrepressão (overpressure) são constatadas por um acentuado aumento na porosidade, observado nos perfis sônico,
densidade e neutrônico, e com uma correspondente diminuição na resistividade. A pressão em subsuperfície pode ser
classificada em (1) litostática e (2) pressão de fluido. A pressão litostática é causada pela pressão da rocha e transmitida
em subsuperfície através dos contatos grão‑a‑grão. A pressão de fluido é provocada pelos fluidos contidos no interior
do espaço poroso. As pressões em subsuperfície podem ser igual, menor ou maior do que aquelas correspondentes a um
gradiente hidrostático normal, sendo denominadas, respectivamente, como normal, subnormal e supernormal.
Muitas bacias sedimentares podem conter compartimentos com diferentes pressões, consis‑ tindo em dois ou mais
sistemas hidrológicos superpostos. Os sistemas de pressão de fluidos mais profundos, subjacentes às rochas selantes,
estão onde a maior parte do petróleo e gás do mundo foi gerada. A pressão e a temperatura afetam os fluidos do petróleo
em subsuperfície. Um fluido puro pode existir tanto em estado líquido como gasoso. O petróleo é uma mistura de
vários hidrocarbonetos em diferentes estados gasosos ou líquidos. Os diagramas de fase pressão versus temperatura
podem ser construídos para as misturas de petróleo. A migração primária é a movimentação dos hidrocarbonetos da
rocha geradora para as rochas carreadoras permeáveis. A migração secundária é a movimentação dos hidrocarbonetos
através das rochas carreadoras até os reservatórios numa armadilha. A dinâmica dos fluxos de fluidos em bacias

155
CAPÍTULO

5
Geração e Migração de Petróleo

RESUMO

Qualquer teoria de geração de petróleo tem que explicar as seguintes constatações geológi‑ cas: (1) a maioria das
acumulações de hidrocarbonetos ocorre em bacias sedimentares; (2) as acumulações de hidrocarbonetos, em muitos
casos, estão integralmente inseridas em rochas sedimentares impermeáveis e (3) as acumulações comerciais no
embasamento sempre estão em continuidade lateral com rochas sedimentares. Dessa forma, a maior parte das
quantidades comerciais de petróleo é gerada por maturação térmica da matéria orgânica. Os principais gru‑ pos de
compostos químicos que ocorrem na matéria orgânica de plantas e animais são as pro‑ teínas, carboidratos, lipídios e
ligninas. Esses compostos químicos constituem a matéria orgânica que é transformada em querogênio pelo processo de
diagênese durante o soterramento.
A quantidade de matéria orgânica incorporada nas rochas sedimentares está relacionada com a razão entre a produção e a
destruição da matéria orgânica. A preservação da matéria orgânica nos mares e oceanos é favorecida por condições
anóxicas em profundidade e por rápidas taxas de sedimentação. Existem quatro tipos principais de ambientes anóxicos
favoráveis à preserva‑ ção da matéria orgânica nos sedimentos: lagos com águas estratificadas, bacias restritas, plata‑
formas continentais com ressurgência e eventos anóxicos em bacias oceânicas. Em ambientes continentais, a
produtividade orgânica e a preservação ocorrem principalmente em pântanos. A formação do querogênio ocorre a pouca
profundidade em subsuperfície e em temperaturas e pressões próximas das normais, sendo produto da decomposição
biogênica da matéria orgânica. O metano, o dióxido de carbono e a água são liberados da matéria orgânica, deixando um
hidro‑ carboneto complexo denominado querogênio. Essa importante fase na evolução da matéria orgânica em
resposta ao soterramento é denominada por diagênese. São identificados três tipos de querogênio: tipo I (algal), tipo II
(liptinítico) e tipo III (húmico). O tipo I tende a gerar óleo; o tipo II gera óleo e gás e o tipo III gera gás. Após a
diagênese, segue a fase de catagênese, a qual ocorre em maiores profundidades em subsuperfície, com o aumento das
pressões conforme progride o soterramento. O petróleo é liberado a partir do querogênio durante a catagênese. A geração
de petróleo ocorre entre 60 ºC e 120 ºC e a geração de gás entre 120 ºC e 225 ºC. Uma relação empírica entre a ocorrência
de óleo e a desidratação das argilas sugere que a perda de água estrutural que se encontra ligada às argilas durante o
soterramento desempenha um papel importante durante a migração primária.
A terceira fase aproxima‑se do metamorfismo e é denominada metagênese e, geralmente, apenas o metano é
expulso nessa fase. A migração do petróleo compreende a migração primária e a secundária. A migração primária é a
expulsão dos hidrocarbonetos da rocha geradora (folhe‑ lhos) para as rochas carreadoras permeáveis (arenitos e calcários).
A migração secundária sub‑

193
CAPÍTULO

6
Rochas Reservatórios

RESUMO

As principais propriedades dos reservatórios de hidrocarbonetos são a porosidade e a per‑ meabilidade. A


porosidade é o espaço poroso, ou vazio, dentro de uma rocha e que, geralmente, está preenchido por água conata, porém,
quando num campo de petróleo, contém óleo ou gás. Normalmente, a porosidade é expressa como uma percentagem da
rocha. A porosidade efetiva de um reservatório consiste naquela em que os poros estão conectados entre si. A
porosidade efetiva está diretamente relacionada com a permeabilidade de uma rocha. O tamanho e a geo‑ metria dos
poros, bem como, o diâmetro das gargantas de poros e a tortuosidade dos caminhos que conectam os poros, afetam a
produtividade do reservatório. A porosidade primária é aquela formada quando um sedimento é depositado. A
porosidade e a permeabilidade primária são influenciadas pelos parâmetros dos grãos, tais como: forma, tamanho,
seleção, empacotamento e orientação. A porosidade secundária é aquela que se desenvolveu na rocha reservatório algum
tempo após a deposição. A porosidade pode ser medida de três maneiras: diretamente a partir de testemunhos e,
indiretamente, através dos perfis geofísicos ou a partir dos dados sísmicos. A permeabilidade é a capacidade que um
meio poroso tem de se deixar atravessar por fluidos. A unidade de medida da permeabilidade é o Darcy, a qual é
definida como a permeabilidade que permite que um fluido de 1 cP de viscosidade flua a uma velocidade de 1
cm/s em um diferencial de pressão de 1 atm/s. A permeabilidade média dos reservatórios de petróleo está geralmente
na faixa de 5 a 500 mD. A permeabilidade pode ser medida por meio dos testes de formação ou de produção, a partir de
perfis geofísicos (qualitativa) e por meio de um permeâ‑ metro. A pressão capilar de um reservatório aumenta com a
diminuição do tamanho do poro ou, mais especificamente, com o diâmetro da garganta de poro. A pressão capilar
também está relacionada com a tensão superfícial gerada entre dois fluidos adjacentes. A pressão capilar aumenta
conforme cresce a tensão superficial. A diagênese afeta os reservatórios tanto reduzindo a porosidade devido à compactação
e cimentação, quanto elevando a porosidade por dissolução. O reconhecimento da continuidade de um reservatório é um
pré‑requisito para as estimativas dos cálculos de reservas, bem como, para definir o método ideal para recuperá‑las. A
maioria das armadilhas é constituída por reservatórios com diferentes graus de heterogeneidade. Bar‑ reiras
deposicionais, diagenéticas e estruturais impactam a continuidade dos reservatórios.
A caracterização de reservatórios objetiva a elaboração de um modelo geológico coerente com os dados disponíveis, o
qual possa ser utilizado para prever a distribuição da porosidade, per‑ meabilidade e dos fluidos em todo o campo. As
reservas de um campo são calculadas usando equações de balanço de massa ou volumétrico, ambas envolvendo a
porosidade do reservatório. Os mecanismos de produção de um reservatório são: influxo de água, capa de gás e gás
em solução. O fator de recuperação para o influxo de água pode atingir até 60%; para capa de gás

257
CAPÍTULO

7
Armadilhas, Selos e Rochas Capeadoras

RESUMO

Uma armadilha (trap) de petróleo é “o lugar onde o óleo e o gás estão impedidos de movi‑ mentação posterior”
(Levorsen, 1967). O ponto mais alto de uma armadilha é chamado de crista ou ápice. O ponto mais baixo em que os
hidrocarbonetos podem estar acumulados numa arma‑ dilha é denominado ponto de extravasamento (spill point). Este
ponto determina um plano hori‑ zontal designado por plano de extravasamento (spill plane). A distância vertical entre
a crista e o plano de extravasamento é chamada de fechamento (closure) de uma armadilha. Uma arma‑ dilha pode
conter óleo, gás ou ambos. O contato óleo/água é o nível mais profundo no qual se pode produzir petróleo num campo.
Alguns campos de petróleo têm uma camada de óleo pesado delgada (asfáltica) no contato óleo/água, denominada tar
mat. Esta camada asfáltica impede o fluxo de água para dentro do reservatório quando o petróleo está sendo produzido.
Os contatos entre os fluidos em uma armadilha são geralmente plano‑horizontais, mas alguns podem ser inclinados,
causados por fluxos hidrodinâmicos, pela produção ou por variações de fácies. Uma alteração no tamanho de grãos dentro
de um reservatório pode provocar a inclinação do contato óleo/água. Os selos são rochas impermeáveis, denominadas
rochas capeadoras, que impedem o petróleo de escapar de uma armadilha. Os folhelhos são as rochas capeadoras mais
comuns, porém, os evaporitos constituem os selos mais eficazes.
As armadilhas podem ser classificadas como estruturais, associadas à diápiros, estratigráficas, hidrodinâmicas e
combinadas. As armadilhas estruturais consistem em anticlinais de dobras por compressão e por compactação, em
falhas ou associadas a falhas. As armadilhas associadas à diápiros incluem os domos salinos e os diápiros de folhelho.
As armadilhas estratigráficas incluem aquelas associadas a discordâncias, canais, barras arenosas de complexo
barreira‑laguna, acunhamentos (pinch out), recifes e diagênese. Nas armadilhas associadas a fluxos hidrodinâmi‑ cos é
essencial a circulação de água mergulho abaixo, impedindo a migração ascendente do petróleo e gás. Muitas das
acumulações de óleo e gás no mundo não se enquadram exclusiva‑ mente num dos tipos das armadilhas estruturais,
estratigráficas ou de fluxo hidrodinâmico, mas sim numa combinação de dois ou mais tipos, sendo denominadas,
portanto, armadilhas com‑ binadas. O momento de formação de uma armadilha em relação à migração de petróleo é muito
importante. As armadilhas que já estiverem formadas antes da migração do petróleo têm boas probabilidades de
estarem preenchidas com hidrocarbonetos.
Palavras‑chave: Armadilhas de barras arenosas de complexo barreira‑laguna; Aquífero de fundo; Armadilhas em canais;
Armadilhas combinadas; Armadilhas diagenéticas; Armadilhas associadas à diápiros; Aqüífero lateral; Fluxo
hidrodinâmico; Armadilhas de petróleo (traps); Armadilhas por acunhamento (pinch out); Armadilhas em recifes; Selos;
Ponto de extravasamento (spill point); Plano de extravasamento (spill plane); Armadilhas estratigráficas; Armadilhas
estruturais; Camadas asfál‑ ticas(tar mat);Contatosóleo/águainclinados;Armadilhasassociadasadiscordâncias

325
CAPÍTULO

8
Bacias Sedimentares e
Sistemas Petrolíferos

RESUMO

As bacias sedimentares são áreas da crosta terrestre abaixo das quais ocorrem espessas suces‑ sões de rochas
sedimentares. Os hidrocarbonetos comumente ocorrem nas bacias sedimentares. A maioria das bacias abrange dezenas de
milhares de quilômetros quadrados e pode conter mais de 5 km de preenchimento sedimentar. As bacias podem ser
divididas em bacias verdadeiras (subcirculares em planta) e aquelas na forma de fossa (alongadas). Os embaciamentos são
bacias que se abrem para bacias maiores. As bacias sin‑deposicionais ocorrem onde a subsidência e a deposição
desenvolvem‑se simultaneamente. As bacias pós‑deposicionais são aquelas em que as direções das paleocorrentes e das
fácies são dissonantes com as estruturas presentes na bacia e claramente anteriores a estas. As bacias se formam de quatro
maneiras principais. As bacias rift se formam como resultado da extensão crustal, inicialmente da crosta continental e,
poste‑ riormente, com o espalhamento dos fundos oceânicos. Um segundo grupo de bacias ocorre como um resultado da
compressão da crosta nos limites das placas convergentes. Um terceiro grupo de bacias forma‑se em resposta a
movimentos verticais da crosta terrestre. Um quarto mecanismo é a simples sobrecarga sedimentar sobre a crosta. Muitos
esquemas foram propostos para clas‑ sificação das bacias sedimentares. Usando uma abordagem descritiva e genética, as
bacias podem ser classificadas como: (1) cratônicas; (2) fossas; (3) rift‑drift1; e (4) transtensionais (strike‑slip). As bacias
cratônicas podem ser subdivididas em bacias intracratônicas (estão completamente sobre crosta continental) e bacias
epicratônicas (sobrejazem, em parte, em crosta continental e em parte sobre crosta oceânica). As fossas são bacias lineares
com complexidades tanto estruturais como nas fácies. As fossas são, principalmente, consequência dos três tipos de zonas
de subducção de placas (continente‑continente, continente‑oceânica, oceânica‑oceânica). As bacias associadas com as zonas
de subducção são denominadas bacias de retroarco (back‑arc basins) e bacias de antearco (back‑arc basins). As bacias
rifts são delimitadas por grandes sistemas de falhas. Os rifts simétri‑ cos são delimitados por dois conjuntos de falhas,
enquanto que os rifts assimétricos são delimi‑ tados por somente um conjunto de falhas. As bacias rift‑drift ocorrem
nos limites de placas divergentes e são importantes províncias petrolíferas. Essas bacias são normalmente preenchidas

1
Nota da tradução: O termo drift, isoladamente, pode ser traduzido como deriva, Entretanto, optou‑se pela não tra‑ dução de “rift‑drift”, uma vez
que não existe terminologia correspondente adequada em português para o signifi‑ cado desejado; bem como, tanto rift, quanto drift são termos
já bem incorporados no jargão técnico da geologia do petróleo.

381
CAPÍTULO

9
Recursos Petrolíferos Não Convencionais

RESUMO

Extensas reservas de hidrocarbonetos estão contidas em reservatórios não convencionais. Entre as quais estão o
hidrato de gás, os arenitos asfálticos (tar sands), reservatórios de baixa permeabilidade com óleo (tight oil
reservoirs), folhelhos betuminosos (oil shale), gás de folhelho (shale gás) e metano em camadas de carvão (coalbed
methane). A presença de hidrocarbonetos dúcteis e sólidos, muitos dos quais viscosos, distintos dos óleos crus, é
comum em rochas sedi- mentares de diversas idades e em muitas partes do mundo.
Os hidrocarbonetos pesados sólidos e viscosos ocorrem como lagos ou poças na superfície da Terra e, em
subsuperfície, estão disseminados em veios e poros. São reconhecidas duas for- mas de ocorrência geneticamente
distintas: (1) depósitos solidificados (inspissated) e (2) depósitos secundários. Os depósitos de óleo pesado viscoso podem
ocorrer na superfície da Terra ou pró- ximo em muitas partes do mundo. Tais depósitos têm de 5 a 15 ºAPI (American
Petroleum Ins- titute) e, em geral, ocorrem dentro de arenitos altamente porosos, comumente referidos como arenitos
asfálticos (tar sands) ou arenitos betuminosos, como também, depósitos de óleo pesado. Expressivas reservas petrolíferas
estão contidas nestes depósitos. Dois processos básicos foram desenvolvidos para extrair o óleo dos arenitos asfálticos:
mineração em superfície e processa- mento (ex situ) e extração em subsuperfície (in situ). Os dois métodos para
recuperação do óleo in situ são: (1) a injeção cíclica de vapor e (2) a drenagem gravitacional assistida por vapor (ste‑
am‑assisted gravity drainage – SAGD). O folhelho betuminoso, também conhecido como folhelho querogênio, é
uma rocha sedimentar de granulação fina que produz óleo por aquecimento. Nos folhelhos betuminosos, o óleo está
contido dentro da estrutura complexa do querogênio, do qual pode ser destilado. Os folhelhos betuminosos são
amplamente distribuídos em todo o mundo e podem conter mais energia do que em todas as reservas de petróleo
convencional atualmente descobertas. No mundo todo, tais folhelhos podem conter 30 trilhões de barris de petróleo. Os
métodos de extração incluem: (1) lavra e aquecimento em superfície e (2) aquecimento em sub- superfície seguida por
extração. A indústria da extração de óleo de folhelhos betuminosos tem visto vários ciclos de “altos e baixos”. As razões
para a ascensão e queda da indústria de extra- ção de óleo dos folhelhos betuminosos são duas: econômica e
tecnológica.
As reservas de óleo em reservatórios de baixa permeabilidade (tight oil) consistem nas rochas geradoras ricas em
matéria orgânica sapropelítica e nos reservatórios adjacentes com baixa poro- sidade e permeabilidade, os quais estão
localizados dentro da janela de geração de óleo de uma bacia sedimentar. Os principais parâmetros para a produção nesses
reservatórios são: pressão anormal, porosidade e permeabilidade de espaço intergranular e de fratura; baixa saturação de
água no espaço intergranular (algum sistema molhável a óleo); rochas geradoras ricas em matéria orgânica e maturas; rochas
reservatório quebradiças e saturação pervasiva de óleo. Até hoje, o

433
CAPÍTULO

10
Conclusões

RESUMO

A geologia do petróleo é essencial para a exploração e produção e muito mais apropriada do que a perfuração
aleatória. A geologia do petróleo e a viabilidade econômica são aspectos fun‑ damentais na avaliação de um prospecto.
Os principais parâmetros geológicos na avaliação de um prospecto são: (1) rocha geradora; (2) rocha reservatório; (3) rocha
capeadora; (4) armadilha e (5) história térmica adequada e não destrutiva. A probabilidade de que cada um destes parâ‑
metros esteja sendo atendido deve ser cuidadosamente examinada. Os quatro aspectos econô‑ micos são: (1) lucro
potencial do empreendimento; (2) recursos disponíveis para investimento de risco; (3) risco total do investimento e (4)
aversão ao risco. Técnicas computacionais de simu‑ lação podem ser aplicadas para auxiliar na decisão de se investir ou não
em um empreendimento de exploração. Os recursos podem ser definidos por dois critérios: viabilidade econômica da
explotação e conhecimento geológico. As reservas são os recursos que podem ser economica‑ mente explotados de uma
base de recursos. As reservas podem ser subdivididas nas categorias de provadas, prováveis e possíveis. Muitas
estimativas dos recursos petrolíferos globais e dos recursos remanescentes têm sido buscadas, porém, tais estimativas
variam amplamente. A maio‑ ria dos recursos e reservas está contida nos campos gigantes de petróleo. O consumo
mundial de petróleo é de cerca de 90 milhões de barris por dia. A maioria das estimativas das reservas mundiais de
petróleo indica que seria suficiente para atender um fornecimento para 50 anos. Entretanto, os números quantitativos
das reservas estão sempre mudando. Além disso, a quan‑ tidade dos recursos petrolíferos não convencionais não vem
sendo rigorosamente avaliada.
O petróleo é um recurso finito e é apenas um dos componentes no atendimento das neces‑ sidades totais de energia
do mundo. Os combustíveis fósseis (carvão, combustíveis líquidos e gás natural) são projetados para fornecer a maior
parte do consumo total de energia mundial para as próximas décadas. A água sustenta a vida; enquanto a energia
sustenta a civilização.
Palavras‑chave: Economia do petróleo; Lucratividade de empreendimentos; Avaliação de Prospectos; Análise de
risco; Reservas; Categorias das Reservas: provadas, prováveis e possíveis; Recursos

10.1 PROSPECTOS E PROBABILIDADES


Os capítulos anteriores descreveram e discutiram os elementos da geologia do petróleo: desde a geração,
migração e acumulação no reservatório de uma armadilha, passando pela distribuição dentro das bacias até a
exsudação e degradação do petróleo na superfície. Este

491
O QUE HÁ DE NOVO NESTA EDIÇÃO?
• Estatísticas inteiramente atualizadas.
• Novas imagens para ilustrar pontos importantes e aplicações
mais recentes.
• Novos temas: interpretação sísmica 3D, compartimentos de
pressão, adsorção e absorção de hidrocarbonetos em rochas
geradoras e sistemas petrolíferos não convencionais.
• Atualizações sobre os arenitos asfálticos (tar sands) e folhelhos
betuminosos (oil shale).
Esta 3ª edição está completamente atualizada e ampliada, objetivando
refletir as enormes mudanças desta área do conhecimento desde a publi-
cação da 2ª edição, incluindo informações sobre os métodos das ativida-
des de perfuração e produção.
ELEMENTOS DE GEOLOGIA DO PETRÓLEO é um livro-texto
muito útil para geofísicos, geólogos e engenheiros de petróleo atuantes
na indústria petrolífera que desejam ampliar seus conhecimentos além
das suas áreas de especialização. É também um excelente texto introdu-
tório para um curso de graduação em geociências do petróleo.