Você está na página 1de 17

PRÁTICAS E TÉCNICAS COM PRODUTOS FLORESTAIS NÃO MADEIREIROS: UM ESTUDO DE

CASO COM FAMÍLIAS NO PÓLO RIO CAPIM DO PROAMBIENTE

Dulcilene Alves de Castro*

RESUMO

O uso sustentável das florestas tem motivado algumas ações no meio rural. Na comunidade de
Monte Sião, situada no Município de São Domingos do Capim-PA, com um histórico de uso intensivo
do solo, extração de látex de seringa e extração de madeira, tem em seu cenário a partir dos anos de
1990, modificações expressivas no ecossistema, despertando interesses para a pesquisa. Diante do
exposto, o objetivo do estudo versa apresentar as experiências de dez famílias da comunidade que
buscaram alternativas para suas práticas socioculturais e técnicas de produção dos sistemas
agroextrativistas, inserindo os Produtos Florestais Não Madeiros (PFNM) em suas unidades de produção
e/ou potencializando essas ações através da adesão ao Programa de Desenvolvimento Sustentável
da Produção Familiar Rural na Amazônia (PROAMBIENTE), o qual propõe para a agricultura familiar
possibilidades de utilização do solo e da floresta sem degradação do meio ambiente.

Palavras-chave: Agricultura familiar - práticas socioculturais. Técnicas de produção. Agroextrativismo.

*
Socióloga; Mestre em Agricultura Familiar pelo Programa de Pós-Graduação em Agriculturas Amazônicas do Núcleo de
Estudos Integrados Sobre Agricultura Familiar (NEAF), Centro Agropecuário da Universidade Federal do Pará (UFPA).
E-mail: <dulcilenealves@canal13.com.br>.

Amazônia: Ci. & Desenv., Belém, v. 2, n. 4, jan./jun. 2007. 159


PRACTICES AND TECHNICALS WITH FOREST PRODUCTS NOT WOODY: A STUDY OF CASE
WITH FAMILIES IN THE POLE CAPIM RIVER OF THE PROAMBIENTE

ABSTRACT

The sustainable use of the forests has motivated some actions in the rural environment. In the
Monte Sião community located in the São Domingos of Capim district, even having one historical of
intensive use of the soil, rubber extraction of rubber tree and wood extraction, it has in its scenery
since of 1990 years, expressive modify in the ecosystem, waking up interest for the research. In front
of the expose, the purpose of the study is to present the experiences of 10 families sought alternatives
for their social-culture practices and production technique of the agroextractive since the years of
1990 inserting the Forest Products Not Wood (FPNW) in their production unities and/or potentially this
actions through of adoption of the Program of Sustainable Development of the Production Rural
Familiar in the Amazon (PROENVIRONMENT) wich propose for the familiar farming the possibilities of
utilization of the soil and the forest without degradation of the environment.

Keywords: Familiar agriculture - social-cultural practices. Production technicals. Agroextractivism.

Amazônia: Ci. & Desenv., Belém, v. 2, n. 4, jan./jun. 2007. 160


1 INTRODUÇÃO

A discussão em torno da utilização dos O Programa de Desenvolvimento


recursos naturais com um acompanhamento Sustentável da Produção Familiar Rural na
técnico apropriado, aliado à conservação da Amazônia (PROAMBIENTE) 2 surge como
floresta, vem ganhando destaque nos últimos resultado dessa luta, reconhecido como
anos. Isto se deve ao crescimento do instrumento de política pública do Ministério do
desmatamento e à alteração na biodiversidade Meio Ambiente (MMA), atualmente gerenciado
dos ecossistemas naturais. pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário
(MDA), no intuito de apoiar os agricultores
Propostas e alternativas são lançadas a familiares na busca de uma nova maneira de uso
partir de vários âmbitos da estrutura institucional e conservação dos recursos naturais através dos
da sociedade, tendo em vista contraporem-se ao serviços ambientais3 e da articulação entre a
processo de alteração da natureza. O movimento figura de um agente comunitário4, que é um
ambientalista, emergido nos anos 1980, criticava membro da comunidade5, com os técnicos do
fortemente a utilização imprópria e destrutiva do Programa. Este engajamento, tenta garantir um
meio ambiente. melhor desenvolvimento para os
estabelecimentos familiares.
Naquele contexto, algumas posições
como as de Arnold e Perez (1998) citados por O interesse dos representantes das
Medina (2003, p. 5), defendiam o extrativismo instituições, quanto a este tipo de proposta, pode
dos Produtos Florestais não Madeireiros divergir em muitos pontos, mas se complementa
(PFNM)1 como alternativa menos destrutiva, na medida em que buscam juntar estratégias que
comparada à exploração madeireira. Nos dias possibilitem reflexões e sugestões para o fomento
atuais, Shanley (2003) demonstra o valor de ações que apontam para melhorias da
econômico e medicinal de tais produtos para qualidade de vida do agricultor e sua família.
as comunidades locais.
Estudos realizados no município de
O uso e a valorização dos PFNM podem Concórdia do Pará revelam que no início do século
ser compreendidos a partir do entendimento das XX, na região, “o extrativismo e a agricultura
práticas sociais que envolvem a utilização de formavam uma complementaridade que
algumas plantas por famílias, conhecedoras dos compunha à reprodução dos grupos camponeses”
benefícios e potencialidades a eles atribuídos. (CANETE, 2000, p. 87). Essa complementaridade
ainda faz parte do cotidiano de muitas famílias
O conhecimento acerca dos produtos da que se conservam próximas de áreas de florestas.
floresta e a luta contra a degradação ambiental Muitas delas localizadas em matas secundárias,
impulsionaram debates e o nascimento de encontram alternativas rentáveis extraindo ao
políticas de desenvolvimento para o campo, longo dos anos alguns PFNM. Muitos agricultores
articuladas através da pressão de representações familiares alternam o cultivo da roça com a coleta
institucionais como Organizações Não de frutos, sementes, raízes, folhas e outros
Governamentais (ONGs), sindicatos, órgãos produtos. Smith et al. (2000, p. 6), reforçam essa
públicos federais, dentre outros. discussão, argumentando que:

Amazônia: Ci. & Desenv., Belém, v. 2, n. 4, jan./jun. 2007. 161


[...] as florestas secundárias tendem a se tornar situações contraditórias têm motivado diversos
o principal recurso florestal para um número pesquisadores que as tomam como objeto de
crescente de pessoas de baixa renda no meio pesquisa. Aliado a isso, as estratégias realizadas
rural. Constatou-se também, que essas florestas para adaptação e preservação de algumas
contribuem valiosamente para o sustento de espécies garantem a diminuição de extinção de
vidas humanas não somente por recuperar o árvores, raízes e frutos, redobrando a contribuição
solo, mas por fornecer produtos silvestres. na manutenção dos grupos familiares.

Nesse contexto, com o decorrer das Neste contexto, objetiva-se o estudo de tais
décadas, a exploração intensiva de algumas práticas socioculturais e técnicas de produção
espécies de árvores das quais muitos agricultores desenvolvidas por dez famílias com plantas
familiares extraíam cascas, óleos, raízes, frutos e fornecedores de PFNM na comunidade de Monte
outros produtos para suas famílias, promove Sião, localizada no município de São Domingos
tanto a escassez dos recursos quanto ações e do Capim - antiga região Bragantina, e
estratégias de reelaborações de certas práticas pertencente a área delimitada ao Pólo Rio Capim
e técnicas com plantas geradoras de PFNM. Estas - PROAMBIENTE6.

2 ENFOQUE TEÓRICO METODOLÓGICO

As práticas desenvolvidas na roça somam- Pesquisa realizada por Medina (2003),


se àquelas com as plantas fornecedoras de PFNM. indica que na região do rio Capim a expansão
Termo muito novo na literatura e que aparece nos madeireira intensifica-se nas comunidades
anos de 1980 e 1990 através de alguns estudos. próximas do município de Ipixuna, nos anos de
Dentre estes, destacam-se os de Peters et al. 1980, com a chegada dos pequenos madeireiros
(1989), Arnold e Pérez (1998), citados por Medina que negociavam toras para serrarias. A partir dos
(2003 p. 5). Os primeiros exaltavam o uso anos de 1990 aparecem as empresas de grande
sustentável de um hectare de floresta nos porte que passam, também, a negociar com a
arredores de Iquito, no Peru, demonstravam a população.
vantagem com os ganhos de PFNM comparados
à exploração madeireira e a agricultura local. O processo de desmatamento na região do
Arnold e Pérez (1998) reforçam a questão frisando rio Capim e suas conseqüências estimularam
o valor da floresta quando mantida de pé, evitando pesquisas e estudos na área, revelando o
a derrubada das espécies arbóreas. Essas potencial dos PFNM para as populações locais.
alternativas refletem a exaustão das florestas
tropicais e podem ser compreendidas sob a luz Shanley, Luz e Swingland (2002),
dos estudos de Scholz (2002), no estado do Pará. estudando comunidades na bacia do rio Capim
Segundo o autor, nos anos de 1990, a indústria consideram ser PFNM frutos, produtos medicinais,
madeireira no Pará atingiu um desenvolvimento fibras e a caça. Fazem referência a viabilidade
considerável em decorrência da queda das na comercialização de alguns produtos, em
empresas asiáticas, o que significou lucros cada Belém, destacando árvores frutíferas como o
vez maiores para a economia na região e a busca bacuri ( Platonia insignis ), o uxi ( Cuatrec
mais acentuada de produtos madeireiros para Endopleura uchi) e o piquiá (Caryocar villosum)
atender a demanda (SCHOLZ, 2002, p. 15). por terem grande aceitação, sendo
Amazônia: Ci. & Desenv., Belém, v. 2, n. 4, jan./jun. 2007. 162
frequentemente procuradas pelo mercado A aceitação das espécies categorizadas
consumidor. Em decorrência da demanda como PFNM, que chegam do rio Capim ao
comercial para as frutíferas como o bacuri, na mercado do Ver-o-Peso em Belém é total, citando-
microrregião Bragantina “o crescimento do se como ilustração as folhas, frutas, flores,
mercado tem estimulado as famílias de sementes, cascas internas e externas e seivas.
agricultores do Nordeste Paraense a reservarem Sendo as indicações mais comuns para o
maior quantidade de áreas para a produção do consumo o mastruz ( Chenopodium
fruto” (MEDINA; FERREIRA, 2003, p. 1). ambrosioides), para tratamento de verminoses;
o chá de quebra-pedra (Phyllanthus niruri L.), para
Ainda, pesquisando frutíferas Shanley, Luz problemas nos rins; para queda de cabelos e a
e Cynerys (2002), destacam o valor nutricional fabricação de shampoo, o amor crescido
de algumas frutas para a segurança alimentar (Portulaca pilosa L.); o óleo de andiroba (Carapa
das famílias amazônicas, entre estas o jatobá guanensis) para reumatismo, e para problemas
(Hymenaea courbaril L.), a sapucaia (Lecythis vaginais a verônica ( Dalbergia subcymosa )
ollaria), o uxi e o piquiá. Destacam que estas (SHANLEY; LUZ, 2003, p. 5, 7).
frutíferas além de satisfazerem as necessidades
alimentares das famílias, por serem vendidas no Com base nos estudos de Shanley e
mercado local e regional, também atraem a caça Medina em comunidades do rio Capim, neste
quando ocorre a floração das espécies, trabalho, se parte do pressuposto que os PFNM
principalmente o piquiazeiro que é apreciado por são todos os produtos florestais cultivados e/ou
muitos animais. nativos como frutos, plantas medicinais, cipós,
sementes, ervas, óleos e outros extraídos sem
Enquanto a procura pelas frutas sofre agredir ao meio ambiente.
variações em decorrência da preferência no
mercado, outros estudos de Shanley e Luz (2003), Para obter uma aproximação maior com a
no rio Capim, apontam plantas medicinais área e o objeto de estudo o primeiro momento da
categorizadas também como PFNM, revelando pesquisa, em 2004, se deu com o apoio da equipe
que a procura por plantas com propriedades local do PROAMBIENTE e do Sindicato dos
medicinais ocorre pela alternativa de preços Trabalhadores Rurais de São Domingos do Capim.
diante dos produtos farmacêuticos e hábitos A continuidade do trabalho de campo, de 2005 a
culturais no tratamento de vários tipos de março de 2006, e a vivência em períodos alternados
doenças. Isto reforça e motiva a introdução de na comunidade possibilitaram a execução de dez
novos cultivos nos sistemas de produção. entrevistas gravadas com casais de agricultores.

3 A COMUNIDADE DE MONTE SIÃO

A comunidade de Monte Sião, no sessenta pessoas, distribuídas em casas de


município de São Domingos do Capim 7 madeira, algumas construídas sobre palafitas às
localizado na Mesorregião do Nordeste margens do rio Capim e outras nas áreas de terra
Paraense; na Microrregião do Guamá, é firme próximas da estrada. Monte Sião foi
constituída por trinta e duas famílias, sendo, escolhida para o estudo por apresentar
apenas, dez escolhidas para a pesquisa8. Nestas características que evidenciam famílias as quais
existem, em média, seis pessoas, totalizando trabalham com práticas agroextrativistas,
Amazônia: Ci. & Desenv., Belém, v. 2, n. 4, jan./jun. 2007. 163
mantendo áreas de mata secundária em de conhecimento entre as gerações. Veiga (2003)
algumas propriedades. Além disso, coletam assegura que práticas são explicadas através
produtos dos estabelecimentos familiares e da de saberes que estão em mudança constante
mata, como o açaí (Euterpe oleracea), cipós e em decorrência das experiências do dia a dia
sementes, revelam um perfil que demonstra a de homens e mulheres que os traduzem.
importância das práticas socioculturais aliadas Continuando no debate, Albaladejo (2000),
às técnicas de produção nos estudos sobre a citado por Veiga (2003), entende prática como
sustentabilidade de homens e mulheres da zona a reinvenção constante da técnica na
rural paraense. contingência da ação.

O termo sustentabilidade deve ser A prática associa-se a um sistema técnico


compreendido dentro da dinâmica real de cada que possibilita o desenvolvimento da ação no
família, isto é, levando-se em conta o que, estabelecimento familiar e segundo Mazoyer
realmente, seja sustentável para cada realidade (1987), citado por Figueiredo (2001), faz
e necessidade social, dentro de uma dinâmica referência ao sistema técnico, que passa a ser
relacional do homem com o meio ambiente e não uma combinação de atividades técnicas postas
um desenvolvimento sustentável que enfatize em prática pelos estabelecimentos agrícolas de
somente “a conservação dos recursos naturais uma determinada região.
como o solo, a água e a floresta” (PINHEIRO,
1995, p. 23). Neste artigo, as práticas são entendidas
como um conjunto de saberes e ações
A relação do homem com o meio ambiente construídos de acordo com a lógica familiar, nas
envolve a utilização dos recursos naturais através relações com a natureza, enquanto que as
de práticas nos estabelecimentos familiares, e técnicas são os recursos utilizados para o
falar de práticas, é falar de construções e formas desenvolvimento destas práticas.

4 PRÁTICAS E TÉCNICAS COM PRODUTOS FLORESTAIS NÃO MADEIREIROS

Estudando as famílias selecionadas de nas propriedades. Esses espaços são chamados


Monte Sião e suas práticas se percebe que, pelos agricultores de “áreas misturadas”.
mesmo a comunidade tendo passado por
processos de exploração dos recursos naturais Muitas plantas encontradas nas
com extração de madeiras e látex dos seringais, propriedades como a seringueira ( Hevea
que reduziam a quantidade de populações brasiliensis) são nativas, porém existem as plantas
fornecedoras de PFNM, ainda existem muitos cultivadas por alguns agricultores como o açaí
produtos desta categoria que podem ser que na várzea é plantado a partir do mês de maio,
encontrados enquanto plantas frutíferas, quando as águas baixam facilitando o plantio.
medicinais e essências, além do tímido artesanato
confeccionado através de sementes, palhas, talas Algumas, praticamente, desapareceram das
de palmeiras e de outras plantas. As espécies propriedades como a copaibeira (Copaifera spp.),
florestais aparecem plantadas em espaços o uxizeiro e a castanheira (Bertholletia excelsa HBK)
juntamente a outros cultivos agrícolas existentes em decorrência da extração para venda ou do

Amazônia: Ci. & Desenv., Belém, v. 2, n. 4, jan./jun. 2007. 164


avanço do fogo. Outras são utilizadas no manejo Apesar deste artigo não ter como propósito
de algumas áreas, como o taperebá (Spondias abordar o potencial madeireiro, mas sim o
mombim), que associado a mudas de aninga potencial não madeireiro, destaca-se a
(Caladium pictum), são plantados no verão para importância de certas plantas ao serem
reter a água no solo. O buriti (Mauritia flexuosa conservadas para que os PFNM como sementes,
L.), associado a aninga e ao mururé (Trymatococcus cascas, folhas, frutos continuem a existir. Por
amazonicus) plantados para a restauração de exemplo, nos estabelecimentos foram
algumas áreas são plantas que ajudam na fixação encontradas árvores que ao mesmo tempo
do solo não deixando ocorrer os desabamentos, fornecem PFNM e, também, têm grande valor
evitando as erosões às margens do rio. madeireiro, entre as quais ressalta-se o cedro
(Cedrola odorata), a andiroba, o pau d’arco
As plantas são cultivadas e coletadas nos (Tabebuia heptaphylla), e a virola (Virola sebifera).
sítios que se estabelecem distantes das casas, Outras com o potencial somente madeireiro como
servindo como alternativa, principalmente, em o mogno brasileiro (Swietenia macrophylla king),
situações onde as roças não produzam de modo o mogno africano (Khaya ivorensis), o mogno
satisfatório devido ao desgaste do solo, ataque amazônico (Swietenia macrophylla molongó) e
de pragas que apodrecem a raiz da mandioca, a pachiúba (Socratea exorrhiza), também são
entre outros motivos. As espécies frutíferas são encontradas.
as mais plantadas nos sítios, em especial aquelas
cujos frutos são vendidos na feira de São As plantas com propriedades medicinais
Domingos do Capim, como o cacau (Theobroma como a erva-cidreira (Melissa officinalis ), o
cacao L.), o cupuaçu (Theobroma grandiflorum), hortelãzinho (Mentha pilegium L.), o hortelã-
o açaí e a banana (Musa spp.). Outras plantas, grande ( Mentha sp. ), o capim-marinho
também, são encontradas como a ingazeira (Inga ( Cymbopogon citratus ) são cultivadas nos
spp.) que serve para fazer lenha e alimentação quintais das propriedades ao lado da japana
através do consumo dos frutos. branca (Eupatorium triplinerve), japana roxa
(Eupatorium ayapana), vindicá (Renealmia Sp.)
Durante o levantamento de campo e a catinga de mulata (Aeollanthus suaveolens),
considerou-se que os arranjos produtivos das mastruz e cipós como a verônica.
famílias podem ser identificados como Sistemas
Agroflorestais (SAFs) que, segundo Yared, Brienza O Quadro 1, destaca os vegetais
e Marques (1998), é a prática de combinar existentes nos estabelecimento pesquisados
espécies florestais com culturas agrícolas e ou selecionando as plantas categorizadas como
atividades da pecuária. fornecedoras de PFNM.

Amazônia: Ci. & Desenv., Belém, v. 2, n. 4, jan./jun. 2007. 165


Quadro 1 - Plantas fornecedoras de PFNM na comunidade de Monte Sião, município de São Domingos do
Capim, estado do Pará – outubro de 2005.
Fonte: dados da pesquisa.

As plantas fornecedoras de PFMN são artesanatos e adubos; as palhas, para cobrir casas
encontradas em vários espaços, mesmo não e galinheiros; os troncos, para fazer armações de
sendo observadas todas as variedades juntas em barracas nos quintais para abrigar os fogões de
uma única propriedade, destacam-se pela barro e o fruto para o consumo familiar. Muito
utilização de seus produtos. apreciado pelos moradores e considerado a
principal iguaria conforme relato que diz “o açaí
Todos os produtos são utilizados para é o produto principal porque é comida [...]. A
vários fins. Do açaí, os caroços servem para gente vende pra comprar as coisas que falta e
Amazônia: Ci. & Desenv., Belém, v. 2, n. 4, jan./jun. 2007. 166
come ele com a comida que compra” (Agricultora chamado de debulha. Em seguida, é colocado
de Monte Sião). de molho em um recipiente com água morna
durante vinte minutos para que os caroços
O açaí é apanhado dependendo da possam amolecer a polpa, depois é amassado,
necessidade e esta atividade é feita por todos da aos poucos, podendo ser em peneiras, máquinas
casa, salvo homens e mulheres idosos e as manuais ou com garrafas cheias de água. Essa
crianças menores de quatro anos. Para coletar os atividade, segundo os moradores, na maioria das
cachos utiliza-se um pano ou cipó chamado vezes é feita pelas mulheres ou pelos filhos e
peconha, amarrado aos pés para facilitar o filhas adolescentes. Observando essa atividade
equilíbrio na hora de subir na palmeira. com a máquina manual percebe-se o esforço que
os adolescentes faziam diariamente amassando
O preparo do açaí para o consumo passa o açaí, porém, para eles não representa um
por algumas etapas. Primeiro retiram-se os frutos esforço sendo, em momentos, motivo de
do cacho (Fotografia 1), através de um processo contentamento.

Fotografia 1 - Agricultora da comunidade de Monte Sião debulhando o açaí, julho de 2005.


Fonte: Dulcilene Alves de Castro.

Amazônia: Ci. & Desenv., Belém, v. 2, n. 4, jan./jun. 2007. 167


Além do fruto do açaí in natura ser As sementes da seringueira são
destinado para o consumo familiar e venda, aproveitadas para fazer cortinas para as casas,
também é beneficiado em forma de doces, sucos, as sementes de jatobá e pachiúba empregadas
bombons, licores e pudins. na confecção de colares ou ornamento em
peneiras e cestas que, também, podem ser
Assim como o açaí, outros frutos como confeccionadas com o cipó titica (Heteropsis
piquiá, taperebá, bacuri, cajuí ( anacardium flexuosatitica), entre outros.
pumilum), buriti, castanha-do-pará, uxi, jatobá,
além de consumidos naturalmente podem ser O artesanato de maior destaque vem das
beneficiados para a transformação em doces e talas da palmeira de guarumã (Ischinosiphon
biscoitos. arouma ) que são utilizadas diariamente na
confecção de rasas e cestos para pão, no uso
Andiroba e copaíba são usadas, algumas caseiro e também para comercialização na Feira
vezes, para o mesmo fim sendo suas de São Domingos do Capim. Estes e outros
finalidades equiparadas pelos agricultores produtos comercializados na feira são
como se estivessem falando do mesmo transportados em embarcações ou em bicicleta
produto. de uma das famílias de artesões.

A utilização dos PFNM, também pode ser Os preços obtidos dependem da venda. A
observada nas práticas de confecção artesanal rasa custa um real e cinqüenta centavos. O cajá,
de bolsas femininas, cestos, tapetes e chapéus. que é um cesto para colocar pão, vale quatro reais.
Esta atividade pode ser realizada por homens e O atorá que, ainda, não é um artesanato
mulheres da comunidade. A palha do confeccionado pelos moradores de Monte Sião,
tucumanzeiro (Astrocaryum vulgare) é muito mas é vendido a quinze reais, desperta o desejo
usada no artesanato de chapéus. de aprendizado pelos artesãos.

5 CONSUMO E VENDA DOS PFNM

Os PFNM são coletados tanto para produtos que eram coletados no passado para
consumo quanto para venda nas unidades venda e não são mais alvos de interesse nas
estudadas, entretanto registram-se alguns coletas atuais (Quadro 2).

Quadro 2 - Produtos coletados para consumo e venda na comunidade de Monte Sião, Município de São
Domingos do Capim, estado do Pará – outubro de 2005.
Fonte: dados da pesquisa.

Amazônia: Ci. & Desenv., Belém, v. 2, n. 4, jan./jun. 2007. 168


Na coluna com a especificação “já [...] A migração dos capimenses para o alto Rio
coletou”, todos os produtos fizeram parte do Capim para explorar grandes áreas de floresta
processo de coleta no passado das famílias, sendo intacta permitiram o comércio desses produtos
que, algumas delas ainda permanecem. Nas no final do século 19 até a metade do século
colunas “coleta atualmente para consumo” e 20. Durante os últimos 40 anos, entretanto, o
“coleta atualmente para venda”, são destacados comércio de produtos florestais não madeireiros
todos os produtos utilizados para consumo e da região tem declinado de maneira marcante.
venda atualmente. As mudanças econômicas, a rápida expansão
das indústrias madeireiras, pecuária da região
Outros produtos como a semente de e o uso crescente de produtos substitutos têm
ucuúba ou virola, do murumuru (Astrocaryum provocado este declínio. Por volta dos anos de
murumuru Mart) e de paracaxi ( Acácia 1990, o couro, o óleo de látex não eram muito
polyphylla), eram vendidas para extração de óleo vendidos ou trocados na região do Capim, mas
em indústrias de Belém, tal qual o látex da as toras de madeiras tornaram-se o principal
seringueira que, também, era vendido na Capital. artigo de comércio extraído das florestas da
região.
Em três das famílias estudadas os
agricultores já desenvolveram práticas Nos dias atuais o látex e as sementes
extrativistas com a extração do látex da quando coletados já não são com a intenção de
seringueira, e em sete das dez famílias estudadas venda em decorrência de um mercado maior e
os pais dos agricultores já extraíram látex, mais lucrativo para o açaí. Rogez (2000),
abandonando a prática devido o declínio do demonstra que a demanda crescente pelo açaí,
mercado brasileiro exportador da borracha que, nos últimos anos, deu-se em decorrência da
segundo Santos (1980), se deu por uma série de divulgação de suas propriedades calóricas e
fatores, entre os quais, a plantação em larga escala medicinais no Sul do país, levando o produto a
no Oriente depois de 1900. O mercado local ganhar destaque influenciando no consumo e
gradativamente foi deixando de comprar os venda na comunidade. O açaí tem seu mercado
produtos dos coletores, e as atividades com os no trapiche e Feira de São Domingos do Capim.
seringais em Monte Sião sofreram o reflexo que A andiroba (Fotografia 2), apesar de ser coletada
segundo os agricultores ocorreu por volta de 1980. por sete famílias e ter seu consumo para fins
variados, é vendida somente por duas das dez
Segundo Shanley, Luz e Swingland (2002, famílias estudadas. A prática de coleta das
p. 1-2), por muitas décadas os moradores do rio castanhas da andirobeira é feita, algumas vezes,
Capim utilizaram milhares de árvores para por todos os membros da família, porém quem
extraírem látex e caçaram para extraírem o couro. retira o óleo é a mulher. A prática foi repassada
Desta forma: de mãe para filha na comunidade.

Amazônia: Ci. & Desenv., Belém, v. 2, n. 4, jan./jun. 2007. 169


Fotografia 2 - Castanhas de andiroba e uma frondosa andirobeira à esquerda na comunidade de Monte Sião,
julho de 2005.
Fonte: Dulcilene Alves de Castro.

Para extrair o óleo de andiroba as quilos de castanhas retira-se, aproximadamente,


agricultoras relataram rapidamente o processo: dois litros de óleo.
primeiro cozinham-se as castanhas por quarenta
e cinco minutos, depois se reservam as A castanha-do-pará, o uxi, o açaí, o jutaí,
castanhas durante doze dias em uma caixa de o piquiá, a bacaba ( Oenocarpus bacaba), o
madeira para que a água possa escorrer. taperebá, o bacuri, o tucumã e a pupunha mesmo
Passado este período, retiram-se da caixa as não aparecendo nas mesmas proporções nas
castanhas para amassar e extrair o óleo. As áreas estudadas e nem tendo abundância na
agricultoras chamam a atenção para o cuidado produção como o açaí, tem demanda diretamente
no momento da extração do óleo que deve nos estabelecimentos de produção familiar, na
obedecer alguns critérios como retirá-lo em um Feira de São Domingos do Capim e no Porto Ponto
lugar sem luz solar para que não perca a cor Certo em Belém.
natural e nem engrosse.
Os produtos para serem comercializados são
Estudos de Shanley (1998), sobre transportados em embarcação que faz o trajeto duas
comunidades no Nordeste Paraense, fazem vezes na semana, saindo no final da tarde de Monte
referência ao processo de extração do óleo de Sião e chegando a Belém às cinco horas da manhã,
andiroba e indicam ser necessário retirá-lo sob a levando os agricultores com suas mercadorias.
exposição solar para que o processo seja mais
rápido e menos desgastante. Na comunidade de Os produtos para a venda destacam-se em
Monte Sião em um dos estabelecimentos períodos variados nos estabelecimentos. No
familiares estudados a produtividade em uma chuvoso a variedade é maior em decorrência da
operação onde se utiliza uma lata com dezoito safra de muitos frutos regionais.
Amazônia: Ci. & Desenv., Belém, v. 2, n. 4, jan./jun. 2007. 170
6 MOTIVAÇÕES PARA A REELABORAÇÃO DAS PRÁTICAS

Com a escassez de árvores rentáveis para Nas entrevistas e no trabalho de campo na


o mercado e a intensificação do uso de áreas para comunidade se constatou que das oito famílias que
o plantio de mandioca, no sistema de corte e incluíram o manejo de açaizais9 nos planos de uso
queima, algumas áreas foram ficando cada vez da propriedade (PU’s), cinco já o iniciaram,
mais descobertas e fracas na comunidade, o que apresentando um processo de conversão dos
não significou o abandono das práticas com o sistemas, o que nos PU’s estão estabelecidos
fogo. Porém, algumas famílias partem para novos enquanto projeções com possibilidades de se
investimentos, até mesmo, antes da chegada do transformarem durante um período de seis anos. O
PROAMBIENTE em 2003, inserindo cultivos com mesmo acontece com os SAFs, pois das sete famílias
plantas fornecedoras de PFNM e/ou que escolheram implantar cinco já vem
potencializando as já existentes nas propriedades, desenvolvendo em seus estabelecimentos. Assim
principalmente depois da criação da Associação, como a recuperação da mata ciliar que já vem
em 2001, que viabilizou a chegada de ocorrendo em um dos estabelecimentos através da
financiamentos do Banco da Amazônia para o Associação, e com a escolha da aninga com o cipó
manejo de açaizais em três propriedades na verônica que foram plantados às margens do
comunidade. Nogueira e Homma (1998), igarapé. Essas ações vêm acontecendo
descrevem que o manejo de recursos naturais é gradativamente depois dos anos de 1990, por conta
a forma de garantir uma extração sustentada, de apoio técnico, principalmente de profissionais que
no caso dos açaizais procura-se aumentar a visitam a propriedade do agente comunitário e são
capacidade de produção da palmeira convidados pela Associação para participarem de
assegurando rentabilidade. No entanto, os alguns eventos na comunidade. Existem, também,
autores alertam para a necessidade de uma os sistemas de mão-de-obra voluntária e troca de
extração equilibrada, evitando que grandes serviços entre parentes, vizinhos e compadres nos
estoques não suscitem a impressão de que a mutirões organizados pela Associação onde o agente
capacidade de produção seja infinita. comunitário repassa algumas práticas.

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O cenário do Nordeste Paraense reúne Essas intervenções possibilitaram diversas


elementos, formas e situações que marcam tipos formas de uso do meio ambiente, revelando uma
diversificados de explorações econômicas ao região cuja cobertura vegetal primitiva, em 1985,
longo dos anos. Criadas socialmente, fazem parte já tinha sido explorada cerca de 75% de seu total.
do cotidiano de muitas famílias que elaboram Os dados são observados em municípios do Pólo
redes de transmissões de um “modo de vida” Capim, do PROAMBIENTE, especificamente em
muito peculiar com dinâmicas de apropriação dos Irituia, Mãe do Rio, Concórdia do Pará e São
recursos naturais. Além disso, dinâmicas externas Domingos do Capim.
executadas através de agentes e interesses
particulares criaram formas de apropriação dos Em alguns municípios, o desflorestamento
recursos da floresta. é maior que em outros, porém o que atraiu a

Amazônia: Ci. & Desenv., Belém, v. 2, n. 4, jan./jun. 2007. 171


atenção para a realização desse trabalho foram fomentando a produção de algumas através do
as práticas com plantas fornecedoras de PFNM manejo dos açaizais.
construídas estrategicamente pelas famílias da
comunidade de Monte Sião, em São Domingos As reelaborações acompanharam as
do Capim, enquanto meio para sua reprodução necessidades locais, tendo impulso através de
social. discussões e ações facilitadas pela associação
composta pelas famílias com suas relações de
Algumas práticas ocorreram através da parentesco, vizinhança e compadrio, e também
adoção de novas técnicas, outras sofreram com o apoio de técnicos da Empresa de
adaptações em sua nomenclatura sendo Assistência Técnica e Extensão Rural do Pará
adequadas às expressões familiares dos (EMATER-PA), ONGs e outras instituições.
agricultores. O certo é que, cada uma contribuiu
a sua maneira para o aparecimento e estímulo Desta forma, a adesão às propostas do
às plantas fornecedoras desses produtos na área PROAMBIENTE criou possibilidades para a
de atuação do PROAMBIENTE. continuidade no desenvolvimento dessas ações,
com a intervenção de um membro do grupo, isto
No final de 1980, um novo perfil passa a é, o agente comunitário. Daí então, o porquê de
ser construído mediante a falta de terras algumas famílias aderirem a algumas práticas
apropriadas para o cultivo da mandioca e a ligadas aos serviços ambientais.
diminuição de plantas arbóreas rentáveis
comercialmente, trazendo novos arranjos como Sendo assim, as práticas que envolvem
a prática de consorciamento de plantas agrícolas plantas fornecedoras de PFNM podem ser uma
como banana + cupuaçu + cacau e mais o açaí. alternativa para novos investimentos, associando
o conhecimento técnico cientifico com o
Esses novos arranjos podem ser vistos conhecimento das famílias, em espaços
como reelaborações de práticas tanto inserindo agroextrativistas, onde a roça e a coleta de
plantas fornecedoras de PFNM, como a produtos complementam o rendimento familiar
castanheira e outras, enriquecendo os Sistemas em muitas comunidades, dentre estas, destaca-
Agroflorestais (SAFs) nas propriedades, quanto se Monte Sião, em São Domingos do Capim.

Amazônia: Ci. & Desenv., Belém, v. 2, n. 4, jan./jun. 2007. 172


NOTAS

1 Segundo Mcdermott e Beer (1996 citados por MEDINA 4 O agente comunitário é um membro da comunidade que
2003, p. 5), uma das definições mais difundidas diz que tem uma representação social e política importante no
o termo PFNM compreende todos os outros materiais local tendo o reconhecimento do grupo para exercer a
biológicos, mas não a madeira, que são extraídos da atividade.
floresta para uso humano; isto inclui alimentos,
medicamentos, óleos, resinas, látex, caça, plantas 5 Para este trabalho o termo comunidade indica espaços e
ornamentais, lenha, fibras, entre outros. situações criadas pelos grupos que compartilham de
sentimentos e hábitos comuns.
2 A proposta do programa visa [...] incentivar o uso
sustentável dos recursos naturais, priorizando o emprego 6 Cada pólo corresponde a uma microrregião, contendo
de sistemas de produção que incorporem tecnologias aproximadamente quatro Municípios de acordo com o
mitigadoras de impactos ambientais, o preparo da terra tamanho da área de cada um. O Pólo Rio Capim
sem uso do fogo, a utilização de áreas alteradas/ compreende os Municípios de São Domingos do Capim,
degradadas através de implantação de sistemas Irituia, Mãe do Rio e Concórdia do Pará.
alternativos de uso da terra, o uso de sistemas
agropastoris, sistemas agroflorestais, agroextrativismo, 7 O Município possui 01º 40’ 45” de latitude sul e 47º 46’
o extrativismo florestal madeireiro (através de manejo 17” de longitude oeste de Grenwich, com altitude de 20
comunitário) e não madeireiro, as modalidades de pesca metros.
artesanal, práticas indígenas e tradicionais e a
verticalização da produção familiar rural (GRUPO DE 8 O critério de escolha das famílias se deu por pertencerem
TRABALHO AMAZÔNICO, 2003, p. 4). ao PROAMBIENTE.

3 Para Born (2005), os serviços ambientais têm como 9 Apesar de não aparecer este dado nos croquis do
objetivo: “Transferir recursos ou benefícios da parte que diagnóstico individual do PROAMBIENTE as entrevistas
se beneficia, isto é, a sociedade global, para a parte que e o trabalho de campo revelaram que nos
“ajuda” a natureza a produzir ou manter os seres vivos estabelecimentos familiares os agricultores já
e as condições que garantem os processos ecológicos desenvolvem a prática de manejo nos açaizais.
de que necessitamos”, ou seja, o agricultor passa a ser
um protetor-recebedor.

Amazônia: Ci. & Desenv., Belém, v. 2, n. 4, jan./jun. 2007. 173


REFERÊNCIAS

BORN, Rubens Harry. Compensações por serviços ambientais: sustentabilidade ambiental com inclusão
social. Disponível em: <www.vitaecivilis.org.br/rbct11.htm> Acesso em: 6 jan. 2005.

CANETE, Voyner Ravena. Memória e herança da terra: a história de uma família camponesa do Nordeste
Paraense. 2000. Dissertação (Mestrado) - NAEA, UFPA, Belém, 2000.

FIGUEIREDO, Raul Batista. Políticas fundiárias para uma região de fronteira amazônica: elementos econômicos
sobre a região de Marabá. In: SIMÕES, Aquiles; SILVA, Luis Mauro Santos; MARTINS, Paulo Fernando da S;
CASTELLANET, Christian (Org.). Agricultura familiar: métodos e experiências de pesquisa-desenvolvimento.
Belém: NEAF; CAP; UFPA; GRET, 2001.

GRUPO DE TRABALHO AMAZÔNICO. Proambiente: proposta definitiva. Brasília, DF, 2003. 32 p.

MEDINA, Gabriel; FERREIRA, Socorro. Bacuri (platonia insignis mart – clusiaceae): o fruto amazônico
que virou ouro. Tradução SHANLEY, Patrícia. [S.l.: s. n.], 2003? 18 p. Tradução de: Bacuri (platonia insignis mart
– clusiaceae): the fruit amazonic which to turned gold.

MEDINA, Gabriel. A vida dirige o rio: cem anos de ocupação cabocla e extrativismo madeireiro no Alto
Capim. 2003. Dissertação (Mestrado) - Núcleo de Estudos sobre Agricultura Familiar, Universidade Federal do
Pará, Belém, 2003.

NOGUEIRA, O. L.; HOMMA, A. K. O. Análise econômica de sistemas de manejo de açaizais nativos


no estuário amazônico. Belém: Embrapa-CPATU, 1998. (Documentos, 128).

PINHEIRO, Sérgio L. G. O enfoque sistêmico na pesquisa e extensão rural (FSR/E): novos rumos para a agricultura
familiar ou apenas a reformulação de velhos paradigmas de desenvolvimento. In: ENCONTRO DA SOCIEDADE
BRASILEIRA DE SISTEMAS DE PRODUÇÃO, 2., 1995, Londrina. Anais... Londrina, 1995.

ROGEZ, Hervé. Açaí: preparo, composição e melhoramento da conservação. Belém: EDUFPA, 2000.

SANTOS, Roberto Araújo de Oliveira. História econômica da Amazônia: 1800-1920. São Paulo: T. A. Queiroz,
1980.

SCHOLZ, Imme. Comércio, meio ambiente e competitividade: o caso da indústria madeireira do Pará.
Belém: SECTAM, 2002.

SHANLEY, Patrícia; CYMERYS, M.; GALVÃO, J. Frutíferas da mata na vida amazônica. Belém: Supercores,
1998. 126 p.

______; LUZ, Leda. Impactos da degradação florestal sobre o uso de plantas medicinais e suas
implicações para a saúde na Amazônia oriental. Tradução Patrícia Shanley. [S.l.: s.n.], [2003?]. 22 p.
Tradução de: The impacts of forest degradation on medicinal plant use and implications for health care in
eastern Amazon.

Amazônia: Ci. & Desenv., Belém, v. 2, n. 4, jan./jun. 2007. 174


SHANLEY, Patrícia; LUZ, Leda; CYNERYS, Margaret. A interface entre os recursos madeireiros e não
madeireiros: recursos para subsistência em declínio. Tradução Patrícia Shanley. [S. l.: s.n.], [2002?]. 25 p.
Tradução de: The interface of timber and non-timber resources: declining resources for subsistence livelihoods
(Brasil).

SHANLEY, Patrícia; LUZ, Leda; SWINGLAND Ian. A frágil promessa de um mercado distante: um
levantamento sobre o comércio de produtos florestais não madeireiros em Belém. Tradução Patrícia Shanley.
[S. l : s. n.], [2002?]. 20 p. Tradução de: The faint promisse of a distant market: a survey of Belém’s trate in non-
timber forest products.

SMITH, J.; FERREIRA, M. do S. G.; KOP, P. Van de; FERREIRA, C. A. P.; SABOGAL, C. Cobertura florestal
secundária em pequenas propriedades rurais na Amazônia: implicações para a agricultura de corte
e queima . In: Embrapa Amazônia Oriental, Belém, 2000. p. 43. (Documentos, 51).

VEIGA, Iran. Saber e participação na transformação dos sistemas de produção da agricultura familiar amazônica.
In: SIMÕES, Aquiles (Org.). Coleta amazônica: iniciativas em pesquisa, formação e apoio ao desenvolvimento
rural sustentável na Amazônia. Belém: Alves, 2003.

YARED, J. A. G; BRIENZA JÚNIOR, S.; MARGUES, L. C. T. Agrossilvicultura: conceitos, classificação e


oportunidades para aplicação na Amazônia brasileira. Belém: Embrapa-CPATU, 1998. (Documentos, 104).

Amazônia: Ci. & Desenv., Belém, v. 2, n. 4, jan./jun. 2007. 175