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Secretaria de Estado da Educação - BA

SEE-BA
Professor de Educação Básica

ÍNDICE
Conhecimentos Gerais
Língua Portuguesa - Leitura e interpretação de textos verbais extraídos de livros e periódicos contemporâneos. Textos mistos verbais /
não-verbais, incluindo os textos imagéticos...................................................................................................................................................... 01

Semântica e o sentido das palavras: relação entre significantes (sinais, símbolos, palavras e frases) ........................................................... 09

Pontuação e seus recursos sintático-semânticos ............................................................................................................................................. 11

Conhecimentos Contextuais
Entendimento da construção do conhecimento científico, tecnológico e cultural como um processo sócio histórico e o lugar do ensino médio
na formação da juventude, inserido nesse contexto. O ensino médio configurado como um momento em que necessidades, interesses,
curiosidades e saberes diversos dialogam com os saberes sistematizados e devem produzir aprendizagens socialmente e subjetivamente
significativas, próprias para a formação de sujeitos autônomos, protagonistas e eticamente interessados no bem estar comum ....................... 01

Princípios da contextualização e da interdisciplinaridade no desenvolvimento da competência para o saber em uso no cotidiano e nas
inferências sobre a construção científica. ......................................................................................................................................................... 18

Inclusão e exclusão no contexto das práticas educativas nos sistemas formais de educação. ....................................................................... 19

Conhecimentos Específicos da Organização dos Sistemas de Ensino


Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9.394/96: Título IV e Título V - Capítulos I, Capítulo II - Secções I, IV, IV-A,
(Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008, que trata da integração do ensino médio com ensino profissional) e Secção V. ................................ 01

Lei nº 11.769/2008 - Ensino de Música nas escolas: implicações, consensos e dissensos. ........................................................................... 10

Decreto nº 7.083/2010 - Educação Integral no Brasil: o legado de Anísio Teixeira na atualidade: novas perspectivas. ................................. 10

Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio e a (re)configuração de conteúdos. ........................................................................... 18

O papel dos PCN no ordenamento de conteúdos para a escola de ensino médio. ......................................................................................... 39

A Portaria/SEC nº 1.128/2010, de 27 de janeiro 2010, publicada no Diário Oficial do Estado em 28 de janeiro de 2010. ............................. 39

CONHECIMENTO PARA OS COMPONENTES CURRICULARES


Área de Linguagens
As linguagens como instrumento de comunicação, acesso ao conhecimento e exercício da cidadania. A consideração da construção do
sujeito nas relações inter-subjetivas e coletivas mediadas pelas linguagens - em qualquer um dos campos de ensino em Língua Portuguesa,
Literatura Brasileira, Educação Física e Arte, sublinhando-se o papel dessas linguagens nas manifestações culturais diversas, a exemplo de:
compreensão de textos no cotidiano e o sentido da "leitura do mundo" de Paulo Freire; a literatura como expressão estética; as paisagens
culturais na subjetividade dos sujeitos; o lazer implícito nas atividades físicas, dentre outras. Ressalta-se, a prática pedagógica deve
apreender a garantia do direito de aprender; a ética docente no contexto das relações de aprendizagem. ................................................... 01

1 Professor de Educação Básica

Apostila Digital Licenciada para Gilson Yuri Silva Moura - yuri_darko@hotmail.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
- Arte
Cidade, cultura e práticas culturais: intervenções urbanas e ambientais como projeto poético; o encontro entre arte e público; a poética da
materialidade nos múltiplos territórios das linguagens da arte (pictórica, gestual, musical, corporal, recitativa, imagética...); o desfrute frente à
obra de arte, em qualquer uma das suas linguagens e arte e intervenções urbanas: a rua e as paisagens culturais (murais, música, dança,
festivais, exposições, teatro, folias e pantomimas, circo, marcos arquitetônicos, etc.); equipamentos de escuta artístico-poético: encontros
entre arte e público, espaços para concerto, exposições e festivais - coretos e arenas, cinemas, projetos de poética pessoal ou coletiva;
patrimônio artístico-cultural: imaterial e material - tradição e ruptura. A prática pedagógica em linguagens da arte, voltada para a garantia do
direito de aprender; a ética docente no contexto das relações de aprendizagem. ........................................................................................... 20

- Educação Física
Esporte e ginástica: modalidades, táticas e técnicas, desempenho e apreço ao espetáculo esportivo: processos históricos, tendências e
modismos; hipocinesia e modificações orgânicas funcionais; o lazer implícito na atividade esportiva nas dimensões estética, comunitária e
de entretenimento; efeitos fisiológicos, morfológicos e psicossociais da atividade física corporal; educação do corpo: capacidades físicas,
atividades físicas, exercícios físicos, saúde e qualidade de vida; padrões de beleza corporal e saúde; fatores de adesão e permanência à
prática da atividade física/exercício físico/pratica esportivo; fatores de risco à saúde corporal; mídias, estereótipos e hegemonia na definição
de modelos de beleza corporal; atividade física e equilíbrio energético do corpo: equações, gasto energético, metabolismo e controle de peso.
A prática pedagógica em Educação Física, voltada para a garantia do direito de aprender sobre a educação e saúde corporal; a ética
docente no contexto das relações de aprendizagem. ...................................................................................................................................... 25

- Língua Estrangeira Moderna (Inglês e Espanhol)


A Língua Estrangeira Moderna como veículo de acesso a outras culturas e de processos de comunicação de outros grupos sociais e,
também, entre grupos sociais diferentes. Aquisição de repertório lexical e reconhecimento de estruturas gramaticais, para uso em
diversas situações de comunicação, valorizando vários gêneros textuais para leitura e escrita. A construção da competência discursiva e
a mediação da língua espanhola ou inglesa: a ênfase comunicativa e ação voltada para a prática oral e o desenvolvimento da fluência;
a aquisição do repertório lexical e reconhecimento de estruturas linguísticas a partir de situações do entorno das relações sociais; a
ampliação do repertório lexical e conhecimento de estruturas linguísticas em uso no contexto do cotidiano da ação comunicativa.
A prática pedagógica voltada para a garantia do direito de aprender em Língua Estrangeira; a ética docente no contexto das relações
de aprendizagem. ............................................................................................................................................................................................. 27

- Área de Ciências Humanas


Entendimento de que essas ciências marcam o processo histórico que envolve a constituição das sociedades, além da compreensão
analítica da experiência humana e seus desdobramentos para a ordem social em contextos, épocas, cosmovisões, tempos e espaços
diferentes. Há que se valorizar as relações dinâmicas entre a sociedade, natureza e processos produtivos, na perspectiva de se
estruturar o reconhecimento de que esses processos produtivos regem o ordenamento do espaço geográfico e suas implicações
concretas no plano social, político, econômico, ambiental e humano. ............................................................................................................. 45

- História
A compreensão do processo histórico de transformação da sociedade: a passagem do mundo feudal para o moderno e do moderno
para o contemporâneo. A ordem econômica a partir dos fatos históricos; a prática pedagógica voltada para a garantia do direito de
aprender o conhecimento histórico e sua importância na percepção das relações sociais; a ética docente no contexto das relações de
aprendizagem. .................................................................................................................................................................................................. 52

- Geografia
A dinâmica da organização humana para uso de espaços - materiais ou não, temporalidades, consensos e dissensos da convivência de
grupos sociais; a prática pedagógica voltada para a garantia do direito de aprender o conhecimento geográfico e seu papel na
organização dos espaços; a ética docente no contexto das relações de aprendizagem. ................................................................................ 61

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- Sociologia
A compreensão dos fenômenos sociais (estado e organização política, ordenamento jurídico/social e instituições, produção de
governos, constituição social dos indivíduos/escola, família, trabalho). O entendimento da cultura na produção de subjetividades;
a prática pedagógica voltada para a garantia do direito de aprender sobre o saber sociológico e a ética docente no contexto das
relações de aprendizagem. ............................................................................................................................................................................... 66

- Filosofia
O pensamento filosófico na representação do mundo: dos mitos à ciência, em breves contextos no âmbito do mundo antigo e no âmbito
da construção da sociedade moderna e sua transformação para a contemporânea; o pensamento científico na formação do pensamento
moderno: arte, ciência e política; a prática pedagógica voltada para a garantia do direito de aprender sobre o conhecimento filosófico e a
ética docente no contexto das relações de aprendizagem. .............................................................................................................................. 71

- Área de Ciências da Natureza


A origem das ciências da natureza, dos seus primórdios à matematização, na sociedade moderna, no contexto do estabelecimento da
moderna compreensão sobre a organização do conhecimento da natureza. A busca metodológica sobre o conhecimento das ciências
da natureza e na compreensão sobre os fenômenos da natureza, com a organização de seus modelos de representação. ........................ 77

- Química
O destaque para a relação entre a compreensão do significado da ciência e os processos produtivos que organizam a estrutura social e
econômica, considerando-se o conhecimento sobre a estrutura da matéria e as relações entre moléculas e substâncias no cotidiano,
bem como na produção de compostos, à luz do conhecimento químico; a prática pedagógica voltada para a garantia do direito de
aprender a organização da Química e o papel dos seus conhecimentos na sociedade atual; a ética docente no contexto das relações
de aprendizagem .............................................................................................................................................................................................. 94

- Física
O destaque para a relação entre a compreensão do significado da ciência e os processos produtivos que organizam a estrutura social e
econômica, considerando-se a conexão entre as manifestações e uso da energia e atividades humanas e tecnológicas, sobre o foco do
conhecimento físico, sobretudo na produção de equipamentos eletro-eletrônicos e seus elos com sistemas de comunicação; a prática
pedagógica voltada para a garantia do direito de aprender o papel da Física, seus conhecimentos e suas aplicações; a ética docente no
contexto das relações de aprendizagem. ....................................................................................................................................................... 125

- Biologia
O destaque para a relação entre a compreensão do significado da ciência e os processos produtivos que organizam a estrutura social e
econômica, considerando-se o equilíbrio dinâmico da vida no processo de desenvolvimento dos organismos (em qualquer um dos seus
níveis de organização inerentes à matéria viva), com o aval do conhecimento biológico; a prática pedagógica voltada para a garantia
do direito de aprender sobre os principais processos biológicos e seus nexos com a organização da vida, vinculada aos debates sobre
ética nas decisões a respeito do papel do conhecimento biológico no mundo atual. .................................................................................... 134

Matemática
O conteúdo de Matemática como meio para desenvolver ideias matemáticas fundamentais, a exemplo de: proporcionalidade, equivalência,
igualdade, inclusão, relação, função, escala, dentre outros. O papel do conhecimento geométrico na matemática e sua vinculação com
processos de representação técnica e de linguagem gráfica. A modelagem na organização de ideias matemáticas. As medidas, a notação
científica e seu papel na leitura do mundo. O destaque para prioridade de resolução de problemas e a prática pedagógica voltada para a
garantia do direito de aprender matemática; a ética docente no contexto das relações de aprendizagem. .................................................. 141

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APOSTILAS OPÇÃO

A Opção Certa Para a Sua Realização


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APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
A última fase da interpretação concentra-se nas perguntas e opções de
resposta. Aqui são fundamentais marcações de palavras como não, exce-
to, errada, respectivamente etc. que fazem diferença na escolha adequa-
da. Muitas vezes, em interpretação, trabalha-se com o conceito do "mais
adequado", isto é, o que responde melhor ao questionamento proposto. Por
isso, uma resposta pode estar certa para responder à pergunta, mas não
ser a adotada como gabarito pela banca examinadora por haver uma outra
alternativa mais completa.
LEITURA E INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS VERBAIS Ainda cabe ressaltar que algumas questões apresentam um fragmento
EXTRAÍDOS DE LIVROS E PERIÓDICOS CONTEM- do texto transcrito para ser a base de análise. Nunca deixe de retornar ao
PORÂNEOS. TEXTOS MISTOS VERBAIS / NÃO- texto, mesmo que aparentemente pareça ser perda de tempo. A descontex-
tualização de palavras ou frases, certas vezes, são também um recurso
VERBAIS, INCLUINDO OS TEXTOS IMAGÉTICOS. para instaurar a dúvida no candidato. Leia a frase anterior e a posterior para
ter ideia do sentido global proposto pelo autor, desta maneira a resposta
Os concursos apresentam questões interpretativas que têm por finali- será mais consciente e segura.
dade a identificação de um leitor autônomo. Portanto, o candidato deve
compreender os níveis estruturais da língua por meio da lógica, além de
Podemos, tranquilamente, ser bem-sucedidos numa interpretação de
necessitar de um bom léxico internalizado.
texto. Para isso, devemos observar o seguinte:
As frases produzem significados diferentes de acordo com o contexto
em que estão inseridas. Torna-se, assim, necessário sempre fazer um 01. Ler todo o texto, procurando ter uma visão geral do assunto;
confronto entre todas as partes que compõem o texto. 02. Se encontrar palavras desconhecidas, não interrompa a leitura, vá
até o fim, ininterruptamente;
Além disso, é fundamental apreender as informações apresentadas por 03. Ler, ler bem, ler profundamente, ou seja, ler o texto pelo monos
trás do texto e as inferências a que ele remete. Este procedimento justifica- umas três vezes ou mais;
se por um texto ser sempre produto de uma postura ideológica do autor 04. Ler com perspicácia, sutileza, malícia nas entrelinhas;
diante de uma temática qualquer. 05. Voltar ao texto tantas quantas vezes precisar;
06. Não permitir que prevaleçam suas ideias sobre as do autor;
Denotação e Conotação 07. Partir o texto em pedaços (parágrafos, partes) para melhor compre-
Sabe-se que não há associação necessária entre significante (expres- ensão;
são gráfica, palavra) e significado, por esta ligação representar uma con- 08. Centralizar cada questão ao pedaço (parágrafo, parte) do texto cor-
venção. É baseado neste conceito de signo linguístico (significante + signi- respondente;
ficado) que se constroem as noções de denotação e conotação. 09. Verificar, com atenção e cuidado, o enunciado de cada questão;
10. Cuidado com os vocábulos: destoa (=diferente de ...), não, correta,
O sentido denotativo das palavras é aquele encontrado nos dicionários, incorreta, certa, errada, falsa, verdadeira, exceto, e outras; palavras que
o chamado sentido verdadeiro, real. Já o uso conotativo das palavras é a aparecem nas perguntas e que, às vezes, dificultam a entender o que se
atribuição de um sentido figurado, fantasioso e que, para sua compreensão, perguntou e o que se pediu;
depende do contexto. Sendo assim, estabelece-se, numa determinada 11. Quando duas alternativas lhe parecem corretas, procurar a mais
construção frasal, uma nova relação entre significante e significado. exata ou a mais completa;
12. Quando o autor apenas sugerir ideia, procurar um fundamento de
Os textos literários exploram bastante as construções de base conota- lógica objetiva;
tiva, numa tentativa de extrapolar o espaço do texto e provocar reações 13. Cuidado com as questões voltadas para dados superficiais;
diferenciadas em seus leitores. 14. Não se deve procurar a verdade exata dentro daquela resposta,
mas a opção que melhor se enquadre no sentido do texto;
Ainda com base no signo linguístico, encontra-se o conceito de polis- 15. Às vezes a etimologia ou a semelhança das palavras denuncia a
semia (que tem muitas significações). Algumas palavras, dependendo do resposta;
contexto, assumem múltiplos significados, como, por exemplo, a palavra 16. Procure estabelecer quais foram as opiniões expostas pelo autor,
ponto: ponto de ônibus, ponto de vista, ponto final, ponto de cruz ... Neste definindo o tema e a mensagem;
caso, não se está atribuindo um sentido fantasioso à palavra ponto, e sim 17. O autor defende ideias e você deve percebê-las;
ampliando sua significação através de expressões que lhe completem e 18. Os adjuntos adverbiais e os predicativos do sujeito são importantís-
esclareçam o sentido. simos na interpretação do texto.
Ex.: Ele morreu de fome.
Como Ler e Entender Bem um Texto de fome: adjunto adverbial de causa, determina a causa na realização
Basicamente, deve-se alcançar a dois níveis de leitura: a informativa e do fato (= morte de "ele").
de reconhecimento e a interpretativa. A primeira deve ser feita de maneira Ex.: Ele morreu faminto.
cautelosa por ser o primeiro contato com o novo texto. Desta leitura, extra- faminto: predicativo do sujeito, é o estado em que "ele" se encontrava
em-se informações sobre o conteúdo abordado e prepara-se o próximo quando morreu.;
nível de leitura. Durante a interpretação propriamente dita, cabe destacar 19. As orações coordenadas não têm oração principal, apenas as idei-
palavras-chave, passagens importantes, bem como usar uma palavra para as estão coordenadas entre si;
resumir a ideia central de cada parágrafo. Este tipo de procedimento aguça 20. Os adjetivos ligados a um substantivo vão dar a ele maior clareza
a memória visual, favorecendo o entendimento. de expressão, aumentando-lhe ou determinando-lhe o significado. Eraldo
Cunegundes
Não se pode desconsiderar que, embora a interpretação seja subjetiva,
há limites. A preocupação deve ser a captação da essência do texto, a fim ELEMENTOS CONSTITUTIVOS
de responder às interpretações que a banca considerou como pertinentes.
TEXTO NARRATIVO
No caso de textos literários, é preciso conhecer a ligação daquele texto  As personagens: São as pessoas, ou seres, viventes ou não, for-
com outras formas de cultura, outros textos e manifestações de arte da ças naturais ou fatores ambientais, que desempenham papel no desenrolar
época em que o autor viveu. Se não houver esta visão global dos momen- dos fatos.
tos literários e dos escritores, a interpretação pode ficar comprometida. Aqui
não se podem dispensar as dicas que aparecem na referência bibliográfica Toda narrativa tem um protagonista que é a figura central, o herói ou
da fonte e na identificação do autor. heroína, personagem principal da história.

Conhecimentos Gerais 1 A Opção Certa Para a Sua Realização


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APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
O personagem, pessoa ou objeto, que se opõe aos designos do prota- - visão “de fora”: o narrador descreve e narra apenas o que vê,
gonista, chama-se antagonista, e é com ele que a personagem principal aquilo que é observável exteriormente no comportamento da per-
contracena em primeiro plano. sonagem, sem ter acesso a sua interioridade, neste caso o narra-
dor é um observador e a narrativa é feita em 3a pessoa.
As personagens secundárias, que são chamadas também de compar-  Foco narrativo: Todo texto narrativo necessariamente tem de
sas, são os figurantes de influencia menor, indireta, não decisiva na narra- apresentar um foco narrativo, isto é, o ponto de vista através do
ção. qual a história está sendo contada. Como já vimos, a narração é
feita em 1a pessoa ou 3a pessoa.
O narrador que está a contar a história também é uma personagem,
pode ser o protagonista ou uma das outras personagens de menor impor- Formas de apresentação da fala das personagens
tância, ou ainda uma pessoa estranha à história. Como já sabemos, nas histórias, as personagens agem e falam. Há
três maneiras de comunicar as falas das personagens.
Podemos ainda, dizer que existem dois tipos fundamentais de perso-
nagem: as planas: que são definidas por um traço característico, elas não  Discurso Direto: É a representação da fala das personagens atra-
alteram seu comportamento durante o desenrolar dos acontecimentos e vés do diálogo.
tendem à caricatura; as redondas: são mais complexas tendo uma dimen- Exemplo:
são psicológica, muitas vezes, o leitor fica surpreso com as suas reações “Zé Lins continuou: carnaval é festa do povo. O povo é dono da
perante os acontecimentos. verdade. Vem a polícia e começa a falar em ordem pública. No carna-
val a cidade é do povo e de ninguém mais”.
 Sequência dos fatos (enredo): Enredo é a sequência dos fatos, a
trama dos acontecimentos e das ações dos personagens. No enredo po- No discurso direto é frequente o uso dos verbo de locução ou descendi:
demos distinguir, com maior ou menor nitidez, três ou quatro estágios dizer, falar, acrescentar, responder, perguntar, mandar, replicar e etc.; e de
progressivos: a exposição (nem sempre ocorre), a complicação, o climax, o travessões. Porém, quando as falas das personagens são curtas ou rápidas
desenlace ou desfecho. os verbos de locução podem ser omitidos.

Na exposição o narrador situa a história quanto à época, o ambiente,  Discurso Indireto: Consiste em o narrador transmitir, com suas
as personagens e certas circunstâncias. Nem sempre esse estágio ocorre, próprias palavras, o pensamento ou a fala das personagens.
na maioria das vezes, principalmente nos textos literários mais recentes, a Exemplo:
história começa a ser narrada no meio dos acontecimentos (“in média”), ou “Zé Lins levantou um brinde: lembrou os dias triste e passa-
seja, no estágio da complicação quando ocorre e conflito, choque de inte- dos, os meus primeiros passos em liberdade, a fraternidade
resses entre as personagens. que nos reunia naquele momento, a minha literatura e os me-
nos sombrios por vir”.
O clímax é o ápice da história, quando ocorre o estágio de maior ten-
são do conflito entre as personagens centrais, desencadeando o desfecho,  Discurso Indireto Livre: Ocorre quando a fala da personagem se
ou seja, a conclusão da história com a resolução dos conflitos. mistura à fala do narrador, ou seja, ao fluxo normal da narração.
 Os fatos: São os acontecimentos de que as personagens partici- Exemplo:
pam. Da natureza dos acontecimentos apresentados decorre o gê- “Os trabalhadores passavam para os partidos, conversando
nero do texto. Por exemplo o relato de um acontecimento cotidiano alto. Quando me viram, sem chapéu, de pijama, por aqueles
constitui uma crônica, o relato de um drama social é um romance lugares, deram-me bons-dias desconfiados. Talvez pensassem
social, e assim por diante. Em toda narrativa há um fato central, que estivesse doido. Como poderia andar um homem àquela
que estabelece o caráter do texto, e há os fatos secundários, rela- hora, sem fazer nada de cabeça no tempo, um branco de pés
cionados ao principal. no chão como eles? Só sendo doido mesmo”.
 Espaço: Os acontecimentos narrados acontecem em diversos lu- (José Lins do Rego)
gares, ou mesmo em um só lugar. O texto narrativo precisa conter
informações sobre o espaço, onde os fatos acontecem. Muitas ve- TEXTO DESCRITIVO
zes, principalmente nos textos literários, essas informações são ex- Descrever é fazer uma representação verbal dos aspectos mais carac-
tensas, fazendo aparecer textos descritivos no interior dos textos terísticos de um objeto, de uma pessoa, paisagem, ser e etc.
narrativo.
 Tempo: Os fatos que compõem a narrativa desenvolvem-se num As perspectivas que o observador tem do objeto são muito importantes,
determinado tempo, que consiste na identificação do momento, tanto na descrição literária quanto na descrição técnica. É esta atitude que
dia, mês, ano ou época em que ocorre o fato. A temporalidade sa- vai determinar a ordem na enumeração dos traços característicos para que
lienta as relações passado/presente/futuro do texto, essas relações o leitor possa combinar suas impressões isoladas formando uma imagem
podem ser linear, isto é, seguindo a ordem cronológica dos fatos, unificada.
ou sofre inversões, quando o narrador nos diz que antes de um fa-
to que aconteceu depois. Uma boa descrição vai apresentando o objeto progressivamente, vari-
ando as partes focalizadas e associando-as ou interligando-as pouco a
O tempo pode ser cronológico ou psicológico. O cronológico é o tempo pouco.
material em que se desenrola à ação, isto é, aquele que é medido pela
natureza ou pelo relógio. O psicológico não é mensurável pelos padrões Podemos encontrar distinções entre uma descrição literária e outra téc-
fixos, porque é aquele que ocorre no interior da personagem, depende da nica. Passaremos a falar um pouco sobre cada uma delas:
sua percepção da realidade, da duração de um dado acontecimento no seu  Descrição Literária: A finalidade maior da descrição literária é
espírito. transmitir a impressão que a coisa vista desperta em nossa mente
 Narrador: observador e personagem: O narrador, como já dis- através do sentidos. Daí decorrem dois tipos de descrição: a subje-
semos, é a personagem que está a contar a história. A posição em tiva, que reflete o estado de espírito do observador, suas preferên-
que se coloca o narrador para contar a história constitui o foco, o cias, assim ele descreve o que quer e o que pensa ver e não o que
aspecto ou o ponto de vista da narrativa, e ele pode ser caracteri- vê realmente; já a objetiva traduz a realidade do mundo objetivo,
zado por: fenomênico, ela é exata e dimensional.
- visão “por detrás” : o narrador conhece tudo o que diz respeito às  Descrição de Personagem: É utilizada para caracterização das
personagens e à história, tendo uma visão panorâmica dos acon- personagens, pela acumulação de traços físicos e psicológicos, pe-
tecimentos e a narração é feita em 3a pessoa. la enumeração de seus hábitos, gestos, aptidões e temperamento,
- visão “com”: o narrador é personagem e ocupa o centro da narra- com a finalidade de situar personagens no contexto cultural, social
tiva que é feito em 1a pessoa. e econômico.

Conhecimentos Gerais 2 A Opção Certa Para a Sua Realização


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 Descrição de Paisagem: Neste tipo de descrição, geralmente o conteúdo, ou daquilo que fora tratado seja concretado. A formação discursi-
observador abrange de uma só vez a globalidade do panorama, va é responsável pelo emassamento do conteúdo que se deseja transmitir,
para depois aos poucos, em ordem de proximidade, abranger as ou persuadir, e nele teremos a formação do ponto de vista do sujeito, suas
partes mais típicas desse todo. análises das coisas e suas opiniões. Nelas, as opiniões o que fazemos é
 Descrição do Ambiente: Ela dá os detalhes dos interiores, dos soltar concepções que tendem a ser orientadas no meio em que o indivíduo
ambientes em que ocorrem as ações, tentando dar ao leitor uma viva. Vemos que o sujeito lança suas opiniões com o simples e decisivo
visualização das suas particularidades, de seus traços distintivos e intuito de persuadir e fazer suas explanações renderem o convencimento
típicos. do ponto de vista de algo/alguém.
 Descrição da Cena: Trata-se de uma descrição movimentada, que
se desenvolve progressivamente no tempo. É a descrição de um Na escrita, o que fazemos é buscar intenções de sermos entendidos e
incêndio, de uma briga, de um naufrágio. desejamos estabelecer um contato verbal com os ouvintes e leitores, e
 Descrição Técnica: Ela apresenta muitas das características ge- todas as frases ou palavras articuladas produzem significações dotadas de
rais da literatura, com a distinção de que nela se utiliza um vocabu- intencionalidade, criando assim unidades textuais ou discursivas. Dentro
lário mais preciso, salientando-se com exatidão os pormenores. É deste contexto da escrita, temos que levar em conta que a coerência é de
predominantemente denotativa tendo como objetivo esclarecer relevada importância para a produção textual, pois nela se dará uma se-
convencendo. Pode aplicar-se a objetos, a aparelhos ou mecanis- quência das ideias e da progressão de argumentos a serem explanadas.
mos, a fenômenos, a fatos, a lugares, a eventos e etc. Sendo a argumentação o procedimento que tornará a tese aceitável, a
apresentação de argumentos atingirá os seus interlocutores em seus objeti-
TEXTO DISSERTATIVO vos; isto se dará através do convencimento da persuasão. Os mecanismos
Dissertar significa discutir, expor, interpretar ideias. A dissertação cons- da coesão e da coerência serão então responsáveis pela unidade da for-
ta de uma série de juízos a respeito de um determinado assunto ou ques- mação textual.
tão, e pressupõe um exame critico do assunto sobre o qual se vai escrever
com clareza, coerência e objetividade. Dentro dos mecanismos coesivos, podem realizar-se em contextos
verbais mais amplos, como por jogos de elipses, por força semântica, por
A dissertação pode ser argumentativa - na qual o autor tenta persuadir recorrências lexicais, por estratégias de substituição de enunciados.
o leitor a respeito dos seus pontos de vista ou simplesmente, ter como
finalidade dar a conhecer ou explicar certo modo de ver qualquer questão. Um mecanismo mais fácil de fazer a comunicação entre as pessoas é a
linguagem, quando ela é em forma da escrita e após a leitura, (o que ocorre
A linguagem usada é a referencial, centrada na mensagem, enfatizan- agora), podemos dizer que há de ter alguém que transmita algo, e outro
do o contexto. que o receba. Nesta brincadeira é que entra a formação de argumentos
com o intuito de persuadir para se qualificar a comunicação; nisto, estes
Quanto à forma, ela pode ser tripartida em: argumentos explanados serão o germe de futuras tentativas da comunica-
 Introdução: Em poucas linhas coloca ao leitor os dados funda- ção ser objetiva e dotada de intencionalidade, (ver Linguagem e Persua-
mentais do assunto que está tratando. É a enunciação direta e ob- são).
jetiva da definição do ponto de vista do autor.
Sabe-se que a leitura e escrita, ou seja, ler e escrever; não tem em sua
 Desenvolvimento: Constitui o corpo do texto, onde as ideias colo-
unidade a mono característica da dominação do idioma/língua, e sim o
cadas na introdução serão definidas com os dados mais relevan-
propósito de executar a interação do meio e cultura de cada indivíduo. As
tes. Todo desenvolvimento deve estruturar-se em blocos de ideias
relações intertextuais são de grande valia para fazer de um texto uma
articuladas entre si, de forma que a sucessão deles resulte num
alusão à outros textos, isto proporciona que a imersão que os argumentos
conjunto coerente e unitário que se encaixa na introdução e de-
dão tornem esta produção altamente evocativa.
sencadeia a conclusão.
 Conclusão: É o fenômeno do texto, marcado pela síntese da ideia
A paráfrase é também outro recurso bastante utilizado para trazer a um
central. Na conclusão o autor reforça sua opinião, retomando a in-
texto um aspecto dinâmico e com intento. Juntamente com a paródia, a
trodução e os fatos resumidos do desenvolvimento do texto. Para
paráfrase utiliza-se de textos já escritos, por alguém, e que tornam-se algo
haver maior entendimento dos procedimentos que podem ocorrer
espetacularmente incrível. A diferença é que muitas vezes a paráfrase não
em um dissertação, cabe fazermos a distinção entre fatos, hipótese
possui a necessidade de persuadir as pessoas com a repetição de argu-
e opinião.
mentos, e sim de esquematizar novas formas de textos, sendo estes dife-
- Fato: É o acontecimento ou coisa cuja veracidade e reconhecida; é
rentes. A criação de um texto requer bem mais do que simplesmente a
a obra ou ação que realmente se praticou.
junção de palavras a uma frase, requer algo mais que isto. É necessário ter
- Hipótese: É a suposição feita acerca de uma coisa possível ou
na escolha das palavras e do vocabulário o cuidado de se requisitá-las,
não, e de que se tiram diversas conclusões; é uma afirmação so-
bem como para se adotá-las. Um texto não é totalmente auto-explicativo,
bre o desconhecido, feita com base no que já é conhecido.
daí vem a necessidade de que o leitor tenha um emassado em seu histórico
- Opinião: Opinar é julgar ou inserir expressões de aprovação ou
uma relação interdiscursiva e intertextual.
desaprovação pessoal diante de acontecimentos, pessoas e obje-
tos descritos, é um parecer particular, um sentimento que se tem a
As metáforas, metomínias, onomatopeias ou figuras de linguagem, en-
respeito de algo.
tram em ação inseridos num texto como um conjunto de estratégias capa-
zes de contribuir para os efeitos persuasivos dele. A ironia também é muito
O TEXTO ARGUMENTATIVO utilizada para causar este efeito, umas de suas características salientes, é
Baseado em Adilson Citelli que a ironia dá ênfase à gozação, além de desvalorizar ideias, valores da
oposição, tudo isto em forma de piada.
A linguagem é capaz de criar e representar realidades, sendo caracte-
rizada pela identificação de um elemento de constituição de sentidos. Os Uma das últimas, porém não menos importantes, formas de persuadir
discursos verbais podem ser formados de várias maneiras, para dissertar através de argumentos, é a Alusão ("Ler não é apenas reconhecer o dito,
ou argumentar, descrever ou narrar, colocamos em práticas um conjunto de mais também o não-dito"). Nela, o escritor trabalha com valores, ideias ou
referências codificadas há muito tempo e dadas como estruturadoras do conceitos pré estabelecidos, sem porém com objetivos de forma clara e
tipo de texto solicitado. concisa. O que acontece é a formação de um ambiente poético e sugerível,
capaz de evocar nos leitores algo, digamos, uma sensação...
Para se persuadir por meio de muitos recursos da língua é necessário
que um texto possua um caráter argumentativo/descritivo. A construção de Texto Base: CITELLI, Adilson; “O Texto Argumentativo” São Paulo SP,
um ponto de vista de alguma pessoa sobre algo, varia de acordo com a sua Editora ..Scipione, 1994 - 6ª edição.
análise e esta dar-se-á a partir do momento em que a compreensão do

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TIPOLOGIA TEXTUAL enquanto sua mãe, da sala, fazia comentários banais sobre a história
familiar." O perfeito, ao contrário, apresenta as ações concluídas no passa-
do: "De repente, chegou o pai com suas botas sujas de barro, olhou sua
A todo o momento nos deparamos com vários textos, sejam eles filha, depois o pretendente, e, sem dizer nada, entrou furioso na sala".
verbais e não verbais. Em todos há a presença do discurso, isto é, a ideia
intrínseca, a essência daquilo que está sendo transmitido entre os A apresentação das personagens ajusta-se à estratégia da definibilidade:
interlocutores. são introduzidas mediante uma construção nominal iniciada por um artigo
indefinido (ou elemento equivalente), que depois é substituído pelo definido,
Esses interlocutores são as peças principais em um diálogo ou em um por um nome, um pronome, etc.: "Uma mulher muito bonita entrou apressa-
texto escrito, pois nunca escrevemos para nós mesmos, nem mesmo damente na sala de embarque e olhou à volta, procurando alguém impaci-
falamos sozinhos. entemente. A mulher parecia ter fugido de um filme romântico dos anos 40."
É de fundamental importância sabermos classificar os textos dos quais O narrador é uma figura criada pelo autor para apresentar os fatos que
travamos convivência no nosso dia a dia. Para isso, precisamos saber que constituem o relato, é a voz que conta o que está acontecendo. Esta voz
existem tipos textuais e gêneros textuais. pode ser de uma personagem, ou de uma testemunha que conta os fatos
na primeira pessoa ou, também, pode ser a voz de uma terceira pessoa
Comumente relatamos sobre um acontecimento, um fato presenciado que não intervém nem como ator nem como testemunha.
ou ocorrido conosco, expomos nossa opinião sobre determinado assunto,
ou descrevemos algum lugar pelo qual visitamos, e ainda, fazemos um Além disso, o narrador pode adotar diferentes posições, diferentes pontos
retrato verbal sobre alguém que acabamos de conhecer ou ver. de vista: pode conhecer somente o que está acontecendo, isto é, o que as
personagens estão fazendo ou, ao contrário, saber de tudo: o que fazem,
É exatamente nestas situações corriqueiras que classificamos os pensam, sentem as personagens, o que lhes aconteceu e o que lhes acon-
nossos textos naquela tradicional tipologia: Narração, Descrição e tecerá. Estes narradores que sabem tudo são chamados oniscientes.
Dissertação.
A Novela
Para melhor exemplificarmos o que foi dito, tomamos como exemplo
um Editorial, no qual o autor expõe seu ponto de vista sobre determinado É semelhante ao conto, mas tem mais personagens, maior número de
assunto, uma descrição de um ambiente e um texto literário escrito em complicações, passagens mais extensas com descrições e diálogos. As
prosa. personagens adquirem uma definição mais acabada, e as ações secundá-
rias podem chegar a adquirir tal relevância, de modo que terminam por
Em se tratando de gêneros textuais, a situação não é diferente, pois se
converter-se, em alguns textos, em unidades narrativas independentes.
conceituam como gêneros textuais as diversas situações
sociocomunciativas que participam da nossa vida em sociedade. Como A Obra Teatral
exemplo, temos: uma receita culinária, um e-mail, uma reportagem, uma
monografia, e assim por diante. Respectivamente, tais textos classificar-se- Os textos literários que conhecemos como obras de teatro (dramas, tragé-
iam como: instrucional, correspondência pessoal (em meio eletrônico), texto dias, comédias, etc.) vão tecendo diferentes histórias, vão desenvolvendo
do ramo jornalístico e, por último, um texto de cunho científico. diversos conflitos, mediante a interação linguística das personagens, quer
dizer, através das conversações que têm lugar entre os participantes nas
Mas como toda escrita perfaz-se de uma técnica para compô-la, é situações comunicativas registradas no mundo de ficção construído pelo
extremamente importante que saibamos a maneira correta de produzir esta texto. Nas obras teatrais, não existe um narrador que conta os fatos, mas
gama de textos. À medida que a praticamos, vamos nos aperfeiçoando um leitor que vai conhecendo-os através dos diálogos e/ ou monólogos das
mais e mais na sua performance estrutural. Por Vânia Duarte personagens.
O Conto Devido à trama conversacional destes textos, torna-se possível encontrar
neles vestígios de oralidade (que se manifestam na linguagem espontânea
É um relato em prosa de fatos fictícios. Consta de três momentos perfeita-
das personagens, através de numerosas interjeições, de alterações da
mente diferenciados: começa apresentando um estado inicial de equilíbrio;
sintaxe normal, de digressões, de repetições, de dêiticos de lugar e tempo.
segue com a intervenção de uma força, com a aparição de um conflito, que
Os sinais de interrogação, exclamação e sinais auxiliares servem para
dá lugar a uma série de episódios; encerra com a resolução desse conflito
moldar as propostas e as réplicas e, ao mesmo tempo, estabelecem os
que permite, no estágio final, a recuperação do equilíbrio perdido.
turnos de palavras.
Todo conto tem ações centrais, núcleos narrativos, que estabelecem entre
As obras de teatro atingem toda sua potencialidade através da representa-
si uma relação causal. Entre estas ações, aparecem elementos de recheio
ção cênica: elas são construídas para serem representadas. O diretor e os
(secundários ou catalíticos), cuja função é manter o suspense. Tanto os
atores orientam sua interpretação.
núcleos como as ações secundárias colocam em cena personagens que as
cumprem em um determinado lugar e tempo. Para a apresentação das Estes textos são organizados em atos, que estabelecem a progressão
características destes personagens, assim como para as indicações de temática: desenvolvem uma unidade informativa relevante para cada conta-
lugar e tempo, apela-se a recursos descritivos. to apresentado. Cada ato contém, por sua vez, diferentes cenas, determi-
nadas pelas entradas e saídas das personagens e/ou por diferentes qua-
Um recurso de uso frequente nos contos é a introdução do diálogo das dros, que correspondem a mudanças de cenografias.
personagens, apresentado com os sinais gráficos correspondentes (os
travessões, para indicar a mudança de interlocutor). Nas obras teatrais são incluídos textos de trama descritiva: são as chama-
das notações cênicas, através das quais o autor dá indicações aos atores
A observação da coerência temporal permite ver se o autor mantém a linha sobre a entonação e a gestualidade e caracteriza as diferentes cenografias
temporal ou prefere surpreender o leitor com rupturas de tempo na apre- que considera pertinentes para o desenvolvimento da ação. Estas notações
sentação dos acontecimentos (saltos ao passado ou avanços ao futuro).
apresentam com frequência orações unimembres e/ou bimembres de
A demarcação do tempo aparece, geralmente, no parágrafo inicial. Os predicado não verbal.
contos tradicionais apresentam fórmulas características de introdução de
O Poema
temporalidade difusa: "Era uma vez...", "Certa vez...".
Texto literário, geralmente escrito em verso, com uma distribuição espacial
Os tempos verbais desempenham um papel importante na construção e na
muito particular: as linhas curtas e os agrupamentos em estrofe dão rele-
interpretação dos contos. Os pretéritos imperfeito e o perfeito predominam
vância aos espaços em branco; então, o texto emerge da página com uma
na narração, enquanto que o tempo presente aparece nas descrições e nos
silhueta especial que nos prepara para sermos introduzidos nos misteriosos
diálogos.
labirintos da linguagem figurada. Pede uma leitura em voz alta, para captar
O pretérito imperfeito apresenta a ação em processo, cuja incidência chega o ritmo dos versos, e promove uma tarefa de abordagem que pretende
ao momento da narração: "Rosário olhava timidamente seu pretendente, extrair a significação dos recursos estilísticos empregados pelo poeta, quer
seja para expressar seus sentimentos, suas emoções, sua versão da
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realidade, ou para criar atmosferas de mistério de surrealismo, relatar linguística, inclusão de gráficos ilustrativos que fundamentam as explica-
epopeias (como nos romances tradicionais), ou, ainda, para apresentar ções do texto.
ensinamentos morais (como nas fábulas).
É pertinente observar como os textos jornalísticos distribuem-se na publica-
O ritmo - este movimento regular e medido - que recorre ao valor sonoro ção para melhor conhecer a ideologia da mesma. Fundamentalmente, a
das palavras e às pausas para dar musicalidade ao poema, é parte essen- primeira página, as páginas ímpares e o extremo superior das folhas dos
cial do verso: o verso é uma unidade rítmica constituída por uma série jornais trazem as informações que se quer destacar. Esta localização
métrica de sílabas fônicas. A distribuição dos acentos das palavras que antecipa ao leitor a importância que a publicação deu ao conteúdo desses
compõem os versos tem uma importância capital para o ritmo: a musicali- textos.
dade depende desta distribuição.
O corpo da letra dos títulos também é um indicador a considerar sobre a
Lembramos que, para medir o verso, devemos atender unicamente à posição adotada pela redação.
distância sonora das sílabas. As sílabas fônicas apresentam algumas
diferenças das sílabas ortográficas. Estas diferenças constituem as chama- A Notícia
das licenças poéticas: a diérese, que permite separar os ditongos em suas Transmite uma nova informação sobre acontecimentos, objetos ou
sílabas; a sinérese, que une em uma sílaba duas vogais que não constitu- pessoas.
em um ditongo; a sinalefa, que une em uma só sílaba a sílaba final de uma
palavra terminada em vogal, com a inicial de outra que inicie com vogal ou As notícias apresentam-se como unidades informativas completas, que
h; o hiato, que anula a possibilidade da sinalefa. Os acentos finais também contêm todos os dados necessários para que o leitor compreenda a infor-
incidem no levantamento das sílabas do verso. Se a última palavra é paro- mação, sem necessidade ou de recorrer a textos anteriores (por exemplo,
xítona, não se altera o número de sílabas; se é oxítona, soma-se uma não é necessário ter lido os jornais do dia anterior para interpretá-la), ou de
sílaba; se é proparoxítona, diminui-se uma. ligá-la a outros textos contidos na mesma publicação ou em publicações
similares.
A rima é uma característica distintiva, mas não obrigatória dos versos, pois
existem versos sem rima (os versos brancos ou soltos de uso frequente na É comum que este texto use a técnica da pirâmide invertida: começa pelo
poesia moderna). A rima consiste na coincidência total ou parcial dos fato mais importante para finalizar com os detalhes. Consta de três partes
últimos fonemas do verso. Existem dois tipos de rimas: a consoante (coin- claramente diferenciadas: o título, a introdução e o desenvolvimento. O
cidência total de vogais e consoante a partir da última vogal acentuada) e a título cumpre uma dupla função - sintetizar o tema central e atrair a atenção
assonante (coincidência unicamente das vogais a partir da última vogal do leitor. Os manuais de estilo dos jornais (por exemplo: do Jornal El País,
acentuada). A métrica mais frequente dos versos vai desde duas até de- 1991) sugerem geralmente que os títulos não excedam treze palavras. A
zesseis sílabas. Os versos monossílabos não existem, já que, pelo acento, introdução contém o principal da informação, sem chegar a ser um resumo
são considerados dissílabos. de todo o texto. No desenvolvimento, incluem-se os detalhes que não
aparecem na introdução.
As estrofes agrupam versos de igual medida e de duas medidas diferentes
combinadas regularmente. Estes agrupamentos vinculam-se à progressão A notícia é redigida na terceira pessoa. O redator deve manter-se à mar-
temática do texto: com frequência, desenvolvem uma unidade informativa gem do que conta, razão pela qual não é permitido o emprego da primeira
vinculada ao tema central. pessoa do singular nem do plural. Isso implica que, além de omitir o eu ou o
nós, também não deve recorrer aos possessivos (por exemplo, não se
Os trabalhos dentro do paradigma e do sintagma, através dos mecanismos referirá à Argentina ou a Buenos Aires com expressões tais como nosso
de substituição e de combinação, respectivamente, culminam com a criação país ou minha cidade).
de metáforas, símbolos, configurações sugestionadoras de vocábulos,
metonímias, jogo de significados, associações livres e outros recursos Esse texto se caracteriza por sua exigência de objetividade e veracidade:
estilísticos que dão ambiguidade ao poema. somente apresenta os dados. Quando o jornalista não consegue comprovar
de forma fidedigna os dados apresentados, costuma recorrer a certas
TEXTOS JORNALÍSTICOS fórmulas para salvar sua responsabilidade: parece, não está descartado
Os textos denominados de textos jornalísticos, em função de seu portador ( que. Quando o redator menciona o que foi dito por alguma fonte, recorre ao
jornais, periódicos, revistas), mostram um claro predomínio da função discurso direto, como, por exemplo:
informativa da linguagem: trazem os fatos mais relevantes no momento em O ministro afirmou: "O tema dos aposentados será tratado na Câmara dos
que acontecem. Esta adesão ao presente, esta primazia da atualidade, Deputados durante a próxima semana .
condena-os a uma vida efêmera. Propõem-se a difundir as novidades
produzidas em diferentes partes do mundo, sobre os mais variados temas. O estilo que corresponde a este tipo de texto é o formal.

De acordo com este propósito, são agrupados em diferentes seções: infor- Nesse tipo de texto, são empregados, principalmente, orações
mação nacional, informação internacional, informação local, sociedade, enunciativas, breves, que respeitam a ordem sintática canônica. Apesar das
economia, cultura, esportes, espetáculos e entretenimentos. notícias preferencialmente utilizarem os verbos na voz ativa, também é
frequente o uso da voz passiva: Os delinquentes foram perseguidos pela
A ordem de apresentação dessas seções, assim como a extensão e o polícia; e das formas impessoais: A perseguição aos delinquentes foi feita
tratamento dado aos textos que incluem, são indicadores importantes tanto por um patrulheiro.
da ideologia como da posição adotada pela publicação sobre o tema abor-
dado. A progressão temática das notícias gira em tomo das perguntas o quê?
quem? como? quando? por quê e para quê?.
Os textos jornalísticos apresentam diferentes seções. As mais comuns são
as notícias, os artigos de opinião, as entrevistas, as reportagens, as crôni- O Artigo de Opinião
cas, as resenhas de espetáculos. Contém comentários, avaliações, expectativas sobre um tema da atualida-
A publicidade é um componente constante dos jornais e revistas, à medida de que, por sua transcendência, no plano nacional ou internacional, já é
que permite o financiamento de suas edições. Mas os textos publicitários considerado, ou merece ser, objeto de debate.
aparecem não só nos periódicos como também em outros meios ampla- Nessa categoria, incluem-se os editoriais, artigos de análise ou pesquisa e
mente conhecidos como os cartazes, folhetos, etc.; por isso, nos referire- as colunas que levam o nome de seu autor. Os editoriais expressam a
mos a eles em outro momento. posição adotada pelo jornal ou revista em concordância com sua ideologia,
Em geral, aceita-se que os textos jornalísticos, em qualquer uma de suas enquanto que os artigos assinados e as colunas transmitem as opiniões de
seções, devem cumprir certos requisitos de apresentação, entre os quais seus redatores, o que pode nos levar a encontrar, muitas vezes, opiniões
destacamos: uma tipografia perfeitamente legível, uma diagramação cuida- divergentes e até antagônicas em uma mesma página.
da, fotografias adequadas que sirvam para complementar a informação Embora estes textos possam ter distintas superestruturas, em geral se
organizam seguindo uma linha argumentativa que se inicia com a identifica-

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ção do tema em questão, acompanhado de seus antecedentes e alcance, e entrevistas se ajustem a uma progressão temática linear ou a temas deri-
que segue com uma tomada de posição, isto é, com a formulação de uma vados.
tese; depois, apresentam-se os diferentes argumentos de forma a justificar
esta tese; para encerrar, faz-se uma reafirmação da posição adotada no Como ocorre em qualquer texto de trama conversacional, não existe uma
início do texto. garantia de diálogo verdadeiro; uma vez que se pode respeitar a vez de
quem fala, a progressão temática não se ajusta ao jogo argumentativo de
A efetividade do texto tem relação direta não só com a pertinência dos propostas e de réplicas.
argumentos expostos como também com as estratégias discursivas usadas
para persuadir o leitor. Entre estas estratégias, podemos encontrar as TEXTOS DE INFORMAÇÃO CIENTÍFICA
seguintes: as acusações claras aos oponentes, as ironias, as insinuações, Esta categoria inclui textos cujos conteúdos provêm do campo das ciências
as digressões, as apelações à sensibilidade ou, ao contrário, a tomada de em geral. Os referentes dos textos que vamos desenvolver situam-se tanto
distância através do uso das construções impessoais, para dar objetividade nas Ciências Sociais como nas Ciências Naturais.
e consenso à análise realizada; a retenção em recursos descritivos - deta-
lhados e precisos, ou em relatos em que as diferentes etapas de pesquisa Apesar das diferenças existentes entre os métodos de pesquisa destas
estão bem especificadas com uma minuciosa enumeração das fontes da ciências, os textos têm algumas características que são comuns a todas
informação. Todos eles são recursos que servem para fundamentar os suas variedades: neles predominam, como em todos os textos informativos,
argumentos usados na validade da tese. as orações enunciativas de estrutura bimembre e prefere-se a ordem
sintática canônica (sujeito-verbo-predicado).
A progressão temática ocorre geralmente através de um esquema de temas
derivados. Cada argumento pode encerrar um tópico com seus respectivos Incluem frases claras, em que não há ambiguidade sintática ou semântica,
comentários. e levam em consideração o significado mais conhecido, mais difundido das
palavras.
Estes artigos, em virtude de sua intencionalidade informativa, apresentam
uma preeminência de orações enunciativas, embora também incluam, com O vocabulário é preciso. Geralmente, estes textos não incluem vocábulos a
frequência, orações dubitativas e exortativas devido à sua trama argumen- que possam ser atribuídos um multiplicidade de significados, isto é, evitam
tativa. As primeiras servem para relativizar os alcances e o valor da infor- os termos polissêmicos e, quando isso não é possível, estabelecem medi-
mação de base, o assunto em questão; as últimas, para convencer o leitor ante definições operatórias o significado que deve ser atribuído ao termo
a aceitar suas premissas como verdadeiras. No decorrer destes artigos, polissêmico nesse contexto.
opta-se por orações complexas que incluem proposições causais para as A Definição
fundamentações, consecutivas para dar ênfase aos efeitos, concessivas e
condicionais. Expande o significado de um termo mediante uma trama descritiva, que
determina de forma clara e precisa as características genéricas e diferenci-
Para interpretar estes textos, é indispensável captar a postura ideológica do ais do objeto ao qual se refere. Essa descrição contém uma configuração
autor, identificar os interesses a que serve e precisar sob que de elementos que se relacionam semanticamente com o termo a definir
circunstâncias e com que propósito foi organizada a informação exposta. através de um processo de sinonímia.
Para cumprir os requisitos desta abordagem, necessitaremos utilizar
estratégias tais como a referência exofórica, a integração crítica dos dados Recordemos a definição clássica de "homem", porque é o exemplo por
do texto com os recolhidos em outras fontes e a leitura atenta das excelência da definição lógica, uma das construções mais generalizadas
entrelinhas a fim de converter em explícito o que está implícito. dentro deste tipo de texto: O homem é um animal racional. A expansão do
termo "homem" - "animal racional" - apresenta o gênero a que pertence,
Embora todo texto exija para sua interpretação o uso das estratégias men- "animal", e a diferença específica, "racional": a racionalidade é o traço que
cionadas, é necessário recorrer a elas quando estivermos frente a um texto nos permite diferenciar a espécie humana dentro do gênero animal.
de trama argumentativa, através do qual o autor procura que o leitor aceite
ou avalie cenas, ideias ou crenças como verdadeiras ou falsas, cenas e Usualmente, as definições incluídas nos dicionários, seus portadores mais
opiniões como positivas ou negativas. qualificados, apresentam os traços essenciais daqueles a que se referem:
Fiscis (do lat. piscis). s.p.m. Astron. Duodécimo e último signo ou parte do
A Reportagem Zodíaco, de 30° de amplitude, que o Sol percorre aparentemente antes de
É uma variedade do texto jornalístico de trama conversacional que, para terminar o inverno.
informar sobre determinado tema, recorre ao testemunho de uma figura- Como podemos observar nessa definição extraída do Dicionário de La Real
chave para o conhecimento deste tópico. Academia Espa1ioJa (RAE, 1982), o significado de um tema base ou
A conversação desenvolve-se entre um jornalista que representa a publica- introdução desenvolve-se através de uma descrição que contém seus
ção e um personagem cuja atividade suscita ou merece despertar a aten- traços mais relevantes, expressa, com frequência, através de orações
ção dos leitores. unimembres, constituídos por construções endocêntricas (em nosso exem-
plo temos uma construção endocêntrica substantiva - o núcleo é um subs-
A reportagem inclui uma sumária apresentação do entrevistado, realizada tantivo rodeado de modificadores "duodécimo e último signo ou parte do
com recursos descritivos, e, imediatamente, desenvolve o diálogo. As Zodíaco, de 30° de amplitude..."), que incorporam maior informação medi-
perguntas são breves e concisas, à medida que estão orientadas para ante proposições subordinadas adjetivas: "que o Sol percorre aparentemen-
divulgar as opiniões e ideias do entrevistado e não as do entrevistador. te antes de terminar o inverno".
A Entrevista As definições contêm, também, informações complementares relacionadas,
Da mesma forma que reportagem, configura-se preferentemente mediante por exemplo, com a ciência ou com a disciplina em cujo léxico se inclui o
uma trama conversacional, mas combina com frequência este tecido com termo a definir (Piscis: Astron.); a origem etimológica do vocábulo ("do lat.
fios argumentativos e descritivos. Admite, então, uma maior liberdade, uma piscis"); a sua classificação gramatical (s.p.m.), etc.
vez que não se ajusta estritamente à fórmula pergunta-resposta, mas Essas informações complementares contêm frequentemente abreviaturas,
detém-se em comentários e descrições sobre o entrevistado e transcreve cujo significado aparece nas primeiras páginas do Dicionário: Lat., Latim;
somente alguns fragmentos do diálogo, indicando com travessões a mu- Astron., Astronomia; s.p.m., substantivo próprio masculino, etc.
dança de interlocutor. É permitido apresentar uma introdução extensa com
os aspectos mais significativos da conversação mantida, e as perguntas O tema-base (introdução) e sua expansão descritiva - categorias básicas da
podem ser acompanhadas de comentários, confirmações ou refutações estrutura da definição - distribuem-se espacialmente em blocos, nos quais
sobre as declarações do entrevistado. diferentes informações costumam ser codificadas através de tipografias
diferentes (negrito para o vocabulário a definir; itálico para as etimologias,
Por tratar-se de um texto jornalístico, a entrevista deve necessariamente etc.). Os diversos significados aparecem demarcados em bloco mediante
incluir um tema atual, ou com incidência na atualidade, embora a conversa- barras paralelas e /ou números.
ção possa derivar para outros temas, o que ocasiona que muitas destas

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Prorrogar (Do Jat. prorrogare) V.t.d. l. Continuar, dilatar, estender uma pessoa do singular, coloco/coloquei em um recipiente ... Jogo obser-
coisa por um período determinado. 112. Ampliar, prolongar 113. Fazer vo/observei que ... etc., ou do plural: colocamos em um recipiente... Jogo
continuar em exercício; adiar o término de. observamos que... etc. O uso do impessoal enfatiza a distância existente
entre o experimentador e o experimento, enquanto que a primeira pessoa,
A Nota de Enciclopédia do plural e do singular enfatiza o compromisso de ambos.
Apresenta, como a definição, um tema-base e uma expansão de trama A Monografia
descritiva; porém, diferencia-se da definição pela organização e pela ampli-
tude desta expansão. Este tipo de texto privilegia a análise e a crítica; a informação sobre um
determinado tema é recolhida em diferentes fontes.
A progressão temática mais comum nas notas de enciclopédia é a de
temas derivados: os comentários que se referem ao tema-base constituem- Os textos monográficos não necessariamente devem ser realizados com
se, por sua vez, em temas de distintos parágrafos demarcados por subtítu- base em consultas bibliográficas, uma vez que é possível terem como
los. Por exemplo, no tema República Argentina, podemos encontrar os fonte, por exemplo, o testemunho dos protagonistas dos fatos, testemunhos
temas derivados: traços geológicos, relevo, clima, hidrografia, biogeografia, qualificados ou de especialistas no tema.
população, cidades, economia, comunicação, transportes, cultura, etc.
As monografias exigem uma seleção rigorosa e uma organização coerente
Estes textos empregam, com frequência, esquemas taxionômicos, nos dos dados recolhidos. A seleção e organização dos dados servem como
quais os elementos se agrupam em classes inclusivas e incluídas. Por indicador do propósito que orientou o trabalho. Se pretendemos, por exem-
exemplo: descreve-se "mamífero" como membro da classe dos vertebra- plo, mostrar que as fontes consultadas nos permitem sustentar que os
dos; depois, são apresentados os traços distintivos de suas diversas varie- aspectos positivos da gestão governamental de um determinado persona-
dades: terrestres e aquáticos. gem histórico têm maior relevância e valor do que os aspectos negativos,
teremos de apresentar e de categorizar os dados obtidos de tal forma que
Uma vez que nestas notas há predomínio da função informativa da lingua- esta valorização fique explícita.
gem, a expansão é construída sobre a base da descrição científica, que
responde às exigências de concisão e de precisão. Nas monografias, é indispensável determinar, no primeiro parágrafo, o tema
a ser tratado, para abrir espaço à cooperação ativa do leitor que, conjugan-
As características inerentes aos objetos apresentados aparecem através de do seus conhecimentos prévios e seus propósitos de leitura, fará as primei-
adjetivos descritivos - peixe de cor amarelada escura, com manchas pretas ras antecipações sobre a informação que espera encontrar e formulará as
no dorso, e parte inferior prateada, cabeça quase cônica, olhos muito hipóteses que guiarão sua leitura. Uma vez determinado o tema, estes
juntos, boca oblíqua e duas aletas dorsais - que ampliam a base informativa textos transcrevem, mediante o uso da técnica de resumo, o que cada uma
dos substantivos e, como é possível observar em nosso exemplo, agregam das fontes consultadas sustenta sobre o tema, as quais estarão listadas
qualidades próprias daquilo a que se referem. nas referências bibliográficas, de acordo com as normas que regem a
O uso do presente marca a temporalidade da descrição, em cujo tecido apresentação da bibliografia.
predominam os verbos estáticos - apresentar, mostrar, ter, etc. - e os de O trabalho intertextual (incorporação de textos de outros no tecido do texto
ligação - ser, estar, parecer, etc. que estamos elaborando) manifesta-se nas monografias através de cons-
O Relato de Experimentos truções de discurso direto ou de discurso indireto.

Contém a descrição detalhada de um projeto que consiste em manipular o Nas primeiras, incorpora-se o enunciado de outro autor, sem modificações,
ambiente para obter uma nova informação, ou seja, são textos que tal como foi produzido. Ricardo Ortiz declara: "O processo da economia
descrevem experimentos. dirigida conduziu a uma centralização na Capital Federal de toda tramitação
referente ao comércio exterior'] Os dois pontos que prenunciam a palavra
O ponto de partida destes experimentos é algo que se deseja saber, mas de outro, as aspas que servem para demarcá-la, os traços que incluem o
que não se pode encontrar observando as coisas tais como estão; é neces- nome do autor do texto citado, 'o processo da economia dirigida - declara
sário, então, estabelecer algumas condições, criar certas situações para Ricardo Ortiz - conduziu a uma centralização...') são alguns dos sinais que
concluir a observação e extrair conclusões. Muda-se algo para constatar o distinguem frequentemente o discurso direto.
que acontece. Por exemplo, se se deseja saber em que condições uma
planta de determinada espécie cresce mais rapidamente, pode-se colocar Quando se recorre ao discurso indireto, relata-se o que foi dito por outro,
suas sementes em diferentes recipientes sob diferentes condições de em vez de transcrever textualmente, com a inclusão de elementos subordi-
luminosidade; em diferentes lugares, areia, terra, água; com diferentes nadores e dependendo do caso - as conseguintes modificações, pronomes
fertilizantes orgânicos, químicos etc., para observar e precisar em que pessoais, tempos verbais, advérbios, sinais de pontuação, sinais auxiliares,
circunstâncias obtém-se um melhor crescimento. etc.

A macroestrutura desses relatos contém, primordialmente, duas categorias: Discurso direto: ‘Ás raízes de meu pensamento – afirmou Echeverría -
uma corresponde às condições em que o experimento se realiza, isto é, ao nutrem-se do liberalismo’
registro da situação de experimentação; a outra, ao processo observado. Discurso indireto: 'Écheverría afirmou que as raízes de seu pensamento
Nesses textos, então, são utilizadas com frequência orações que começam nutriam -se do liberalismo'
com se (condicionais) e com quando (condicional temporal): Os textos monográficos recorrem, com frequência, aos verbos discendi
Se coloco a semente em um composto de areia, terra preta, húmus, a (dizer, expressar, declarar, afirmar, opinar, etc.), tanto para introduzir os
planta crescerá mais rápido. enunciados das fontes como para incorporar os comentários e opiniões do
emissor.
Quando rego as plantas duas vezes ao dia, os talos começam a mostrar
manchas marrons devido ao excesso de umidade. Se o propósito da monografia é somente organizar os dados que o autor
recolheu sobre o tema de acordo com um determinado critério de classifi-
Estes relatos adotam uma trama descritiva de processo. A variável tempo cação explícito (por exemplo, organizar os dados em tomo do tipo de fonte
aparece através de numerais ordinais: Em uma primeira etapa, é possível consultada), sua efetividade dependerá da coerência existente entre os
observar... em uma segunda etapa, aparecem os primeiros brotos ...; de dados apresentados e o princípio de classificação adotado.
advérbios ou de locuções adverbiais: Jogo, antes de, depois de, no mesmo
momento que, etc., dado que a variável temporal é um componente essen- Se a monografia pretende justificar uma opinião ou validar uma hipótese,
cial de todo processo. O texto enfatiza os aspectos descritivos, apresenta sua efetividade, então, dependerá da confiabilidade e veracidade das fontes
as características dos elementos, os traços distintivos de cada uma das consultadas, da consistência lógica dos argumentos e da coerência estabe-
etapas do processo. lecida entre os fatos e a conclusão.

O relato pode estar redigido de forma impessoal: coloca-se, colocado em Estes textos podem ajustar-se a diferentes esquemas lógicos do tipo
um recipiente ... Jogo se observa/foi observado que, etc., ou na primeira problema /solução, premissas /conclusão, causas / efeitos.

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Os conectores lógicos oracionais e extra-oracionais são marcas linguísticas to, ferramentas para consertar algo, diferentes partes de um aparelho, etc.),
relevantes para analisar as distintas relações que se estabelecem entre os a outra, desenvolve as instruções.
dados e para avaliar sua coerência.
As listas, que são similares em sua construção às que usamos habitual-
A Biografia mente para fazer as compras, apresentam substantivos concretos acompa-
nhados de numerais (cardinais, partitivos e múltiplos).
É uma narração feita por alguém acerca da vida de outra(s) pessoa(s).
Quando o autor conta sua própria vida, considera-se uma autobiografia. As instruções configuram-se, habitualmente, com orações bimembres, com
verbos no modo imperativo (misture a farinha com o fermento), ou orações
Estes textos são empregados com frequência na escola, para apresentar unimembres formadas por construções com o verbo no infinitivo (misturar a
ou a vida ou algumas etapas decisivas da existência de personagens cuja farinha com o açúcar).
ação foi qualificada como relevante na história.
Tanto os verbos nos modos imperativo, subjuntivo e indicativo como as
Os dados biográficos ordenam-se, em geral, cronologicamente, e, dado que construções com formas nominais gerúndio, particípio, infinitivo aparecem
a temporalidade é uma variável essencial do tecido das biografias, em sua acompanhados por advérbios palavras ou por locuções adverbiais que
construção, predominam recursos linguísticos que asseguram a conectivi- expressam o modo como devem ser realizadas determinadas ações (sepa-
dade temporal: advérbios, construções de valor semântico adverbial (Seus re cuidadosamente as claras das gemas, ou separe com muito cuidado as
cinco primeiros anos transcorreram na tranquila segurança de sua cidade claras das gemas). Os propósitos dessas ações aparecem estruturados
natal Depois, mudou-se com a família para La Prata), proposições tempo- visando a um objetivo (mexa lentamente para diluir o conteúdo do pacote
rais (Quando se introduzia obsessivamente nos tortuosos caminhos da em água fria), ou com valor temporal final (bata o creme com as claras até
novela, seus estudos de física ajudavam-no a reinstalar-se na realidade), que fique numa consistência espessa). Nestes textos inclui-se, com fre-
etc. quência, o tempo do receptor através do uso do dêixis de lugar e de tempo:
A veracidade que exigem os textos de informação científica manifesta-se Aqui, deve acrescentar uma gema. Agora, poderá mexer novamente. Neste
nas biografias através das citações textuais das fontes dos dados apresen- momento, terá que correr rapidamente até o lado oposto da cancha. Aqui
tados, enquanto a ótica do autor é expressa na seleção e no modo de pode intervir outro membro da equipe.
apresentação destes dados. Pode-se empregar a técnica de acumulação TEXTOS EPISTOLARES
simples de dados organizados cronologicamente, ou cada um destes dados
pode aparecer acompanhado pelas valorações do autor, de acordo com a Os textos epistolares procuram estabelecer uma comunicação por escrito
importância que a eles atribui. com um destinatário ausente, identificado no texto através do cabeçalho.
Pode tratar-se de um indivíduo (um amigo, um parente, o gerente de uma
Atualmente, há grande difusão das chamadas "biografias não autorizadas" empresa, o diretor de um colégio), ou de um conjunto de indivíduos desig-
de personagens da política, ou do mundo da Arte. Uma característica que nados de forma coletiva (conselho editorial, junta diretora).
parece ser comum nestas biografias é a intencionalidade de revelar a
personagem através de uma profusa acumulação de aspectos negativos, Estes textos reconhecem como portador este pedaço de papel que, de
especialmente aqueles que se relacionam a defeitos ou a vícios altamente forma metonímica, denomina-se carta, convite ou solicitação, dependendo
reprovados pela opinião pública. das características contidas no texto.
TEXTOS INSTRUCIONAIS Apresentam uma estrutura que se reflete claramente em sua organização
espacial, cujos componentes são os seguintes: cabeçalho, que estabelece
Estes textos dão orientações precisas para a realização das mais diversas o lugar e o tempo da produção, os dados do destinatário e a forma de
atividades, como jogar, preparar uma comida, cuidar de plantas ou animais tratamento empregada para estabelecer o contato: o corpo, parte do texto
domésticos, usar um aparelho eletrônico, consertar um carro, etc. Dentro em que se desenvolve a mensagem, e a despedida, que inclui a saudação
desta categoria, encontramos desde as mais simples receitas culinárias até e a assinatura, através da qual se introduz o autor no texto. O grau de
os complexos manuais de instrução para montar o motor de um avião. familiaridade existente entre emissor e destinatário é o princípio que orienta
Existem numerosas variedades de textos instrucionais: além de receitas e a escolha do estilo: se o texto é dirigido a um familiar ou a um amigo, opta-
manuais, estão os regulamentos, estatutos, contratos, instruções, etc. Mas se por um estilo informal; caso contrário, se o destinatário é desconhecido
todos eles, independente de sua complexidade, compartilham da função ou ocupa o nível superior em uma relação assimétrica (empregador em
apelativa, à medida que prescrevem ações e empregam a trama descritiva relação ao empregado, diretor em relação ao aluno, etc.), impõe-se o estilo
para representar o processo a ser seguido na tarefa empreendida. formal.
A construção de muitos destes textos ajusta-se a modelos convencionais A Carta
cunhados institucionalmente. Por exemplo, em nossa comunidade, estão
amplamente difundidos os modelos de regulamentos de co-propriedade; As cartas podem ser construídas com diferentes tramas (narrativa e argu-
então, qualquer pessoa que se encarrega da redação de um texto deste mentativa), em tomo das diferentes funções da linguagem (informativa,
tipo recorre ao modelo e somente altera os dados de identificação para expressiva e apelativa).
introduzir, se necessário, algumas modificações parciais nos direitos e
deveres das partes envolvidas. Referimo-nos aqui, em particular, às cartas familiares e amistosas, isto é,
aqueles escritos através dos quais o autor conta a um parente ou a um
Em nosso cotidiano, deparamo-nos constantemente com textos instrucio- amigo eventos particulares de sua vida. Estas cartas contêm acontecimen-
nais, que nos ajudam a usar corretamente tanto um processador de alimen- tos, sentimentos, emoções, experimentados por um emissor que percebe o
tos como um computador; a fazer uma comida saborosa, ou a seguir uma receptor como ‘cúmplice’, ou seja, como um destinatário comprometido
dieta para emagrecer. A habilidade alcançada no domínio destes textos afetivamente nessa situação de comunicação e, portanto, capaz de extrair a
incide diretamente em nossa atividade concreta. Seu emprego frequente e dimensão expressiva da mensagem.
sua utilidade imediata justificam o trabalho escolar de abordagem e de
produção de algumas de suas variedades, como as receitas e as instru- Uma vez que se trata de um diálogo à distância com um receptor conheci-
ções. do, opta-se por um estilo espontâneo e informal, que deixa transparecer
marcas da oralidade: frases inconclusas, nas quais as reticências habilitam
As Receitas e as Instruções múltiplas interpretações do receptor na tentativa de concluí-las; perguntas
que procuram suas respostas nos destinatários; perguntas que encerram
Referimo-nos às receitas culinárias e aos textos que trazem instruções para em si suas próprias respostas (perguntas retóricas); pontos de exclamação
organizar um jogo, realizar um experimento, construir um artefato, fabricar que expressam a ênfase que o emissor dá a determinadas expressões que
um móvel, consertar um objeto, etc. refletem suas alegrias, suas preocupações, suas dúvidas.
Estes textos têm duas partes que se distinguem geralmente a partir da Estes textos reúnem em si as diferentes classes de orações. As enunciati-
especialização: uma, contém listas de elementos a serem utilizados (lista vas, que aparecem nos fragmentos informativos, alternam-se com as
de ingredientes das receitas, materiais que são manipulados no experimen- dubitativas, desiderativas, interrogativas, exclamativas, para manifestar a

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subjetividade do autor. Esta subjetividade determina também o uso de A semântica linguística estuda o significado usado por seres humanos
diminutivos e aumentativos, a presença frequente de adjetivos qualificati- para se expressar através da linguagem. Outras formas de semântica
vos, a ambiguidade lexical e sintática, as repetições, as interjeições. incluem a semântica nas linguagens de programação, lógica formal, e
semiótica.
A Solicitação
A semântica contrapõe-se com frequência à sintaxe, caso em que a
É dirigida a um receptor que, nessa situação comunicativa estabelecida primeira se ocupa do que algo significa, enquanto a segunda se debruça
pela carta, está revestido de autoridade à medida que possui algo ou tem a sobre as estruturas ou padrões formais do modo como esse algo é
possibilidade de outorgar algo que é considerado valioso pelo emissor: um expresso(por exemplo, escritos ou falados). Dependendo da concepção de
emprego, uma vaga em uma escola, etc. significado que se tenha, têm-se diferentes semânticas. A semântica formal,
Esta assimetria entre autor e leitor um que pede e outro que pode ceder ou a semântica da enunciação ou argumentativa e a semântica cognitiva,
não ao pedido, — obriga o primeiro a optar por um estilo formal, que recorre fenômeno, mas com conceitos e enfoques diferentes.
ao uso de fórmulas de cortesia já estabelecidas convencionalmente para a
abertura e encerramento (atenciosamente ..com votos de estima e conside-
ração . . . / despeço-me de vós respeitosamente . ../ Saúdo-vos com o Na língua portuguesa, o significado das palavras leva em
maior respeito), e às frases feitas com que se iniciam e encerram-se estes consideração:
textos (Dirijo-me a vós a fim de solicitar-lhe que ... O abaixo-assinado,
Antônio Gonzalez, D.NJ. 32.107 232, dirigi-se ao Senhor Diretor do Instituto Sinonímia: É a relação que se estabelece entre duas palavras ou mais
Politécnico a fim de solicitar-lhe...) que apresentam significados iguais ou semelhantes, ou seja, os sinônimos:
As solicitações podem ser redigidas na primeira ou terceira pessoa do Exemplos: Cômico - engraçado / Débil - fraco, frágil / Distante - afastado,
singular. As que são redigidas na primeira pessoa introduzem o emissor remoto.
através da assinatura, enquanto que as redigidas na terceira pessoa identi- Antonímia: É a relação que se estabelece entre duas palavras ou mais
ficam-no no corpo do texto (O abaixo assinado, Juan Antonio Pérez, dirige- que apresentam significados diferentes, contrários, isto é, os antônimos:
se a...). Exemplos: Economizar - gastar / Bem - mal / Bom - ruim.
A progressão temática dá-se através de dois núcleos informativos: o primei- Homonímia: É a relação entre duas ou mais palavras que, apesar de
ro determina o que o solicitante pretende; o segundo, as condições que possuírem significados diferentes, possuem a mesma estrutura fonológica,
reúne para alcançar aquilo que pretende. Estes núcleos, demarcados por ou seja, os homônimos:
frases feitas de abertura e encerramento, podem aparecer invertidos em
algumas solicitações, quando o solicitante quer enfatizar suas condições;
As homônimas podem ser:
por isso, as situa em um lugar preferencial para dar maior força à sua
apelação.  Homógrafas: palavras iguais na escrita e diferentes na pronúncia.
Essas solicitações, embora cumpram uma função apelativa, mostram um Exemplos: gosto (substantivo) - gosto / (1ª pessoa singular presente
amplo predomínio das orações enunciativas complexas, com inclusão tanto indicativo do verbo gostar) / conserto (substantivo) - conserto (1ª pessoa
singular presente indicativo do verbo consertar);
de proposições causais, consecutivas e condicionais, que permitem desen-
volver fundamentações, condicionamentos e efeitos a alcançar, como de  Homófonas: palavras iguais na pronúncia e diferentes na escrita.
construções de infinitivo ou de gerúndio: para alcançar essa posição, o Exemplos: cela (substantivo) - sela (verbo) / cessão (substantivo) - sessão
solicitante lhe apresenta os seguintes antecedentes... (o infinitivo salienta (substantivo) / cerrar (verbo) - serrar ( verbo);
os fins a que se persegue), ou alcançando a posição de... (o gerúndio  Perfeitas: palavras iguais na pronúncia e na escrita. Exemplos:
enfatiza os antecedentes que legitimam o pedido). cura (verbo) - cura (substantivo) / verão (verbo) - verão (substantivo) / cedo
(verbo) - cedo (advérbio);
A argumentação destas solicitações institucionalizaram-se de tal maneira
que aparece contida nas instruções de formulários de emprego, de solicita-  Paronímia: É a relação que se estabelece entre duas ou mais
ção de bolsas de estudo, etc. palavras que possuem significados diferentes, mas são muito parecidas na
pronúncia e na escrita, isto é, os parônimos: Exemplos: cavaleiro -
Texto extraído de: ESCOLA, LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS, Ana cavalheiro / absolver - absorver / comprimento - cumprimento/ aura
Maria Kaufman, Artes Médicas, Porto Alegre, RS. (atmosfera) - áurea (dourada)/ conjectura (suposição) - conjuntura (situação
decorrente dos acontecimentos)/ descriminar (desculpabilizar) - discriminar
(diferenciar)/ desfolhar (tirar ou perder as folhas) - folhear (passar as folhas
SEMÂNTICA E O SENTIDO DAS PALAVRAS: de uma publicação)/ despercebido (não notado) - desapercebido
RELAÇÃO ENTRE SIGNIFICANTES (SINAIS, (desacautelado)/ geminada (duplicada) - germinada (que germinou)/ mugir
(soltar mugidos) - mungir (ordenhar)/ percursor (que percorre) - precursor
SÍMBOLOS, PALAVRAS E FRASES). (que antecipa os outros)/ sobrescrever (endereçar) - subscrever (aprovar,
assinar)/ veicular (transmitir) - vincular (ligar) / descrição - discrição /
onicolor - unicolor.
 Polissemia: É a propriedade que uma mesma palavra tem de
apresentar vários significados. Exemplos: Ele ocupa um alto posto na
empresa. / Abasteci meu carro no posto da esquina. / Os convites eram de
graça. / Os fiéis agradecem a graça recebida.
 Homonímia: Identidade fonética entre formas de significados e
origem completamente distintos. Exemplos: São(Presente do verbo ser) -
São (santo)

Conotação e Denotação:
 Conotação é o uso da palavra com um significado diferente do
original, criado pelo contexto. Exemplos: Você tem um coração de pedra.
 Denotação é o uso da palavra com o seu sentido original.
Exemplos: Pedra é um corpo duro e sólido, da natureza das rochas.
Semântica (do grego σημαντικός, sēmantiká, plural neutro de
sēmantikós, derivado de sema, sinal), é o estudo do significado. Incide Sinônimo
sobre a relação entre significantes, tais como palavras, frases, sinais e Sinônimo é o nome que se dá à palavra que tenha significado idêntico
símbolos, e o que eles representam, a sua denotação. ou muito semelhante à outra. Exemplos: carro e automóvel, cão e cachorro.

Conhecimentos Gerais 9 A Opção Certa Para a Sua Realização


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O conhecimento e o uso dos sinônimos é importante para que se evitem quente frio
repetições desnecessárias na construção de textos, evitando que se tornem
presente ausente
enfadonhos.
escuro claro
Eufemismo inveja admiração
Alguns sinônimos são também utilizados para minimizar o impacto,
normalmente negativo, de algumas palavras (figura de linguagem Homógrafo
conhecida como eufemismo). Homógrafos são palavras iguais ou parecidas na escrita e diferentes na
Exemplos: pronúncia.
 gordo - obeso Exemplos
 morrer - falecer  rego (subst.) e rego (verbo);
 colher (verbo) e colher (subst.);
Sinônimos Perfeitos e Imperfeitos  jogo (subst.) e jogo (verbo);
Os sinônimos podem ser perfeitos ou imperfeitos.
Sinônimos Perfeitos
 Sede: lugar e Sede: avidez;
Se o significado é idêntico.  Seca: pôr a secar e Seca: falta de água.
Exemplos: Homófono
Palavras homófonas são palavras de pronúncias iguais. Existem dois
 avaro – avarento,
tipos de palavras homófonas, que são:
 léxico – vocabulário,
 Homófonas heterográficas
 falecer – morrer,
 Homófonas homográficas
 escarradeira – cuspideira, Homófonas heterográficas
 língua – idioma Como o nome já diz, são palavras homófonas (iguais na pronúncia), mas
 catorze - quatorze heterográficas (diferentes na escrita).
Exemplos
Sinônimos Imperfeitos cozer / coser;
Se os signIficados são próximos, porém não idênticos. cozido / cosido;
Exemplos: córrego – riacho, belo – formoso censo / senso
consertar / concertar
Antônimo conselho / concelho
Antônimo é o nome que se dá à palavra que tenha significado contrário paço / passo
(também oposto ou inverso) à outra. noz / nós
O emprego de antônimos na construção de frases pode ser um recurso hera / era
estilístico que confere ao trecho empregado uma forma mais erudita ou que ouve / houve
chame atenção do leitor ou do ouvinte. voz / vós
Palavra Antônimo cem / sem
aberto fechado acento / assento
Homófonas homográficas
alto baixo Como o nome já diz, são palavras homófonas (iguais na pronúncia), e
bem mal homográficas (iguais na escrita).
bom mau Exemplos
Ele janta (verbo) / A janta está pronta (substantivo); No caso,
bonito feio janta é inexistente na língua portuguesa por enquanto, já que
demais de menos deriva do substantivo jantar, e está classificado como
doce salgado neologismo.
Eu passeio pela rua (verbo) / O passeio que fizemos foi bonito
forte fraco
(substantivo).
gordo magro
salgado insosso Parônimo
amor ódio Parônimo é uma palavra que apresenta sentido diferente e forma
semelhante a outra, que provoca, com alguma frequência, confusão. Essas
seco molhado palavras apresentam grafia e pronúncia parecida, mas com significados
grosso fino diferentes.
duro mole O parônimos pode ser também palavras homófonas, ou seja, a
pronúncia de palavras parônimas pode ser a mesma.Palavras parônimas
doce amargo
são aquelas que têm grafia e pronúncia parecida.
grande pequeno Exemplos
soberba humildade Veja alguns exemplos de palavras parônimas:
louvar censurar acender. verbo - ascender. subir
acento. inflexão tônica - assento. dispositivo para sentar-se
bendizer maldizer cartola. chapéu alto - quartola. pequena pipa
ativo inativo comprimento. extensão - cumprimento. saudação
simpático antipático coro (cantores) - couro (pele de animal)
deferimento. concessão - diferimento. adiamento
progredir regredir
delatar. denunciar - dilatar. retardar, estender
rápido lento descrição. representação - discrição. reserva
sair entrar descriminar. inocentar - discriminar. distinguir
sozinho acompanhado despensa. compartimento - dispensa. desobriga
destratar. insultar - distratar. desfazer(contrato)
concórdia discórdia emergir. vir à tona - imergir. mergulhar
pesado leve eminência. altura, excelência - iminência. proximidade de ocorrência
emitir. lançar fora de si - imitir. fazer entrar

Conhecimentos Gerais 10 A Opção Certa Para a Sua Realização


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enfestar. dobrar ao meio - infestar. assolar • No vocativo e no aposto:
enformar. meter em fôrma - informar. avisar Meninos, prestem atenção!
entender. compreender - intender. exercer vigilância Termópilas, o meu amigo, é escritor.
lenimento. suavizante - linimento. medicamento para fricções • Nos termos independentes entre si:
migrar. mudar de um local para outro - emigrar. deixar um país para O cinema, o teatro, a praia e a música são as suas diversões.
morar em outro - imigrar. entrar num país vindo de outro • Com certas expressões explicativas como: isto é, por exemplo. Neste
peão. que anda a pé - pião. espécie de brinquedo caso é usado o duplo emprego da vírgula:
recrear. divertir - recriar. criar de novo Ontem teve início a maior festa da minha cidade, isto é, a festa da pa-
se. pronome átono, conjugação - si. espécie de brinquedo droeira.
vadear. passar o vau - vadiar. passar vida ociosa • Após alguns adjuntos adverbiais:
venoso. relativo a veias - vinoso. que produz vinho No dia seguinte, viajamos para o litoral.
vez. ocasião, momento - vês. verbo ver na 2ª pessoa do singular • Com certas conjunções. Neste caso também é usado o duplo emprego
da vírgula:
DENOTAÇAO E CONOTAÇAO Isso, entretanto, não foi suficiente para agradar o diretor.
A denotação é a propriedade que possui uma palavra de limitar-se a • Após a primeira parte de um provérbio.
seu próprio conceito, de trazer apenas o seu significado primitivo, original. O que os olhos não veem, o coração não sente.
• Em alguns casos de termos oclusos:
A conotação é a propriedade que possui uma palavra de ampliar-se Eu gostava de maçã, de pêra e de abacate.
no seu campo semântico, dentro de um contexto, podendo causar várias
interpretações. RETICÊNCIAS
• São usadas para indicar suspensão ou interrupção do pensamento.
Observe os exemplos Não me disseste que era teu pai que ...
Denotação • Para realçar uma palavra ou expressão.
As estrelas do céu. Vesti-me de verde. O fogo do isqueiro. Hoje em dia, mulher casa com "pão" e passa fome...
• Para indicar ironia, malícia ou qualquer outro sentimento.
Conotação Aqui jaz minha mulher. Agora ela repousa, e eu também...
As estrelas do cinema.
O jardim vestiu-se de flores PONTO E VÍRGULA
O fogo da paixão • Separar orações coordenadas de certa extensão ou que mantém
alguma simetria entre si.
SENTIDO PRÓPRIO E SENTIDO FIGURADO "Depois, Iracema quebrou a flecha homicida; deu a haste ao desco-
nhecido, guardando consigo a ponta farpada. "
As palavras podem ser empregadas no sentido próprio ou no sentido • Para separar orações coordenadas já marcadas por vírgula ou no seu
figurado: interior.
Construí um muro de pedra - sentido próprio Eu, apressadamente, queria chamar Socorro; o motorista, porém, mais
Maria tem um coração de pedra – sentido figurado. calmo, resolveu o problema sozinho.
A água pingava lentamente – sentido próprio.
DOIS PONTOS
• Enunciar a fala dos personagens:
Ele retrucou: Não vês por onde pisas?
PONTUAÇÃO E SEUS RECURSOS SINTÁTICO- • Para indicar uma citação alheia:
SEMÂNTICOS. Ouvia-se, no meio da confusão, a voz da central de informações de
passageiros do voo das nove: “queiram dirigir-se ao portão de embar-
Pontuação é o conjunto de sinais gráficos que indica na escrita as que".
pausas da linguagem oral. • Para explicar ou desenvolver melhor uma palavra ou expressão anteri-
or: Desastre em Roma: dois trens colidiram frontalmente.
PONTO • Enumeração após os apostos:
O ponto é empregado em geral para indicar o final de uma frase decla- Como três tipos de alimento: vegetais, carnes e amido.
rativa. Ao término de um texto, o ponto é conhecido como final. Nos casos
comuns ele é chamado de simples. TRAVESSÃO
Marca, nos diálogos, a mudança de interlocutor, ou serve para isolar
Também é usado nas abreviaturas: Sr. (Senhor), d.C. (depois de Cris- palavras ou frases
to), a.C. (antes de Cristo), E.V. (Érico Veríssimo). – "Quais são os símbolos da pátria?
– Que pátria?
PONTO DE INTERROGAÇÃO – Da nossa pátria, ora bolas!" (P. M Campos).
É usado para indicar pergunta direta. – "Mesmo com o tempo revoltoso - chovia, parava, chovia, parava outra
Onde está seu irmão? vez.
– a claridade devia ser suficiente pra mulher ter avistado mais alguma
Às vezes, pode combinar-se com o ponto de exclamação. coisa". (M. Palmério).
A mim ?! Que ideia! • Usa-se para separar orações do tipo:
– Avante!- Gritou o general.
PONTO DE EXCLAMAÇÃO – A lua foi alcançada, afinal - cantava o poeta.
É usado depois das interjeições, locuções ou frases exclamativas. Usa-se também para ligar palavras ou grupo de palavras que formam
Céus! Que injustiça! Oh! Meus amores! Que bela vitória! uma cadeia de frase:
Ó jovens! Lutemos! • A estrada de ferro Santos – Jundiaí.
• A ponte Rio – Niterói.
VÍRGULA • A linha aérea São Paulo – Porto Alegre.
A vírgula deve ser empregada toda vez que houver uma pequena pau-
sa na fala. Emprega-se a vírgula: ASPAS
• Nas datas e nos endereços: São usadas para:
São Paulo, 17 de setembro de 1989. • Indicar citações textuais de outra autoria.
Largo do Paissandu, 128. "A bomba não tem endereço certo." (G. Meireles)

Conhecimentos Gerais 11 A Opção Certa Para a Sua Realização


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APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
• Para indicar palavras ou expressões alheias ao idioma em que se _______________________________________________________
expressa o autor: estrangeirismo, gírias, arcaísmo, formas populares:
Há quem goste de “jazz-band”. _______________________________________________________
Não achei nada "legal" aquela aula de inglês. _______________________________________________________
• Para enfatizar palavras ou expressões:
Apesar de todo esforço, achei-a “irreconhecível" naquela noite. _______________________________________________________
• Títulos de obras literárias ou artísticas, jornais, revistas, etc. _______________________________________________________
"Fogo Morto" é uma obra-prima do regionalismo brasileiro.
• Em casos de ironia: _______________________________________________________
A "inteligência" dela me sensibiliza profundamente.
Veja como ele é “educado" - cuspiu no chão.
_______________________________________________________
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PARÊNTESES
Empregamos os parênteses: _______________________________________________________
• Nas indicações bibliográficas. _______________________________________________________
"Sede assim qualquer coisa.
serena, isenta, fiel". _______________________________________________________
(Meireles, Cecília, "Flor de Poemas").
_______________________________________________________
• Nas indicações cênicas dos textos teatrais:
"Mãos ao alto! (João automaticamente levanta as mãos, com os olhos _______________________________________________________
fora das órbitas. Amália se volta)".
(G. Figueiredo) _______________________________________________________
• Quando se intercala num texto uma ideia ou indicação acessória: _______________________________________________________
"E a jovem (ela tem dezenove anos) poderia mordê-lo, morrendo de
fome." _______________________________________________________
(C. Lispector) _______________________________________________________
• Para isolar orações intercaladas:
"Estou certo que eu (se lhe ponho _______________________________________________________
Minha mão na testa alçada)
Sou eu para ela."
_______________________________________________________
(M. Bandeira) _______________________________________________________

COLCHETES [ ] _______________________________________________________
Os colchetes são muito empregados na linguagem científica. _______________________________________________________
ASTERISCO _______________________________________________________
O asterisco é muito empregado para chamar a atenção do leitor para
_______________________________________________________
alguma nota (observação).
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BARRA
A barra é muito empregada nas abreviações das datas e em algumas _______________________________________________________
abreviaturas. _______________________________________________________

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Conhecimentos Gerais 12 A Opção Certa Para a Sua Realização


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2) num conteúdo cultural de educação livresco, de revalorização da es-
colástica, do dogmatismo, de ilustração, de catequese;
3) numa classe dominante, detentora de poder político e econômico e
dos bens culturais importados que recebia a educação escolarizada. A
função social da escola era a de fornecer os elementos que iriam preencher
os quadros da política, da administração pública e formar a "inteligência" do
regime, fatores estes que atuam de forma integrada até o período que
ENTENDIMENTO DA CONSTRUÇÃO DO CONHECI- antecede a crise de 1930.
MENTO CIENTÍFICO, TECNOLÓGICO E CULTURAL
A organização do ensino no país, numa rápida abordagem cronológica
COMO UM PROCESSO SÓCIO HISTÓRICO E O LU- - de 1500 a 1930 - e como segue:
GAR DO ENSINO MÉDIO NA FORMAÇÃO DA JU-
1530 — A forma como foi feita a colonização das terras brasileiras, a
VENTUDE, INSERIDO NESSE CONTEXTO. O ENSI-
obra da catequese, mais de três séculos de escravidão e patriarcalismo,
NO MÉDIO CONFIGURADO COMO UM MOMENTO num conteúdo cultural com enfoque no robustecimento da memória, uma
EM QUE NECESSIDADES, INTERESSES, CURIOSI- organização social que permite se destine a educação aos filhos dos donos
DADES E SABERES DIVERSOS DIALOGAM COM da terra alijando primogênitos e mulheres evidenciando uma organização
OS SABERES SISTEMATIZADOS E DEVEM PRO- de ensino fragmentada. Há necessidade de manter os desníveis sociais - a
DUZIR APRENDIZAGENS SOCIALMENTE E SUBJE- educação é instrumento de reforço das desigualdades. A ordem social
TIVAMENTE SIGNIFICATIVAS, PRÓPRIAS PARA A escravocrata estigmatiza o trabalho manual e as profissões técnicas. O
FORMAÇÃO DE SUJEITOS AUTÔNOMOS, PROTA- povo está excluído deste tipo de educação.
GONISTAS E ETICAMENTE INTERESSADOS NO 1759 — Ocorre a expulsão dos jesuítas, do reino e da colônia, termina
BEM ESTAR COMUM. o monopólio do ensino pelos jesuítas. São causas; a decadência econômi-
ca do reinado português, o atraso cultural, a escravidão dos índios, as
Romanelli, Otaíza de Oliveira (1996). ideias provindas do enciclopedismo declaradamente anticlericais, a ascen-
História da educação no Brasil. Petrópolis: Vozes. são do Marquês de Pombal. Leva-se 13 anos para se tomar algum rumo na
educação da colônia. E após, a uniformidade da ação pedagógica e a
Para:
perfeita graduação são substituídas pela diversificação das disciplinas
a) compreensão da "trama das relações existentes entre os fatores que isoladas. Leigos começam a se introduzir no Ensino e o estado assume,
atuam no sistema educacional brasileiro e respondem pela maioria dos pela primeira vez, os encargos da Educação. Dos professores formados
problemas" e pelos jesuítas, foram recrutados aqueles que trabalhavam com as aulas
b) Repensar Valores e objetivos, é preciso fazer uma abordagem socio- régias - ensino fragmentado, rebaixado de nível, com os mesmos métodos
lógico-crítica da História da Educação no Brasil, é o que faz Otaíza de pedagógicos e o mesmo apelo às autoridades e disciplina estreitas.
Oliveira Romanelli, em sua obra "História da Educação no Brasil". No século XIX, o Brasil vê surgir uma estratificação social algo mais
Através de uma abordagem teórica onde faz considerações em torno complexa do que a predominante no período colonial onde uma camada,
do conceito de cultura e suas implicações na Educação (demanda escolar e não surgida, mas acentuada pela mineração (como artesanato, pequeno
organização de ensino) e no desenvolvimento social e estruturas de poder, comércio e Pequena Burguesia), participa da vida social de forma mais
distingue fatores atuantes, na evolução do sistema educacional brasileiro, ativa, pelo comprometimento político. Desta camada, é que recrutaram os
bem como a integração e desintegração destes fatores. jornalistas cuja presença foi tão marcante no período da Regência. O
As incursões pelo campo da história da educação no Brasil "levam a mercado interno, criado e reforçado pela economia da mineração, foi um
constatação de que, substancialmente, pouca coisa mudou na forma de fator importante na ascenção desta classe, cuja ideologia burguesa era
encarar a educação que foi legada pelos jesuítas. Houve tempo, em que européia e que tinha relação de dependência com a classe dos donos da
esta forma de encarar a educação tinha razão de ser, dado o contexto terra. Esta classe usa a escola como veículo de ascensão social, para a
sócio-cultural em que estava incerta a instituição escolar brasileira. Em obtenção de título de doutor e status social almejado.
períodos recentes porém, toda a ideologia que alimentava o sistema, assim 1800 — A rede de escolas se compõe de algumas, escolas primárias e
como sua própria estrutura, começou a chocar-se com o referido contexto, médias em mãos de eclesiásticos. Funda-se o seminário da Oluida. Man-
daí algumas constatações de ordem teórica: tém-se algumas aulas régias criadas pela reforma Pombalina.
1. A forma como evolui a economia interfere na evolução da organiza- 1808 — A presença do príncipe Regente D. João, por 12 anos, traz
ção do ensino, já que o sistema econômico pode ou não criar uma deman- sensíveis alterações no quadro educacional da época e no processo de
da de recursos que podem ou não ser preparados pela escola (Implicações autonomia que culminaria com a independência política.
do Modelo Econômico). Para proporcionar educação para uma elite autocrática e nobre, criam-
2. A herança cultural influi sobre os valores e a escolha da população se os primeiros cursos superiores não teológicos, e que embora baseados
que procura a escola. Os objetivos perseguidos na escola, por essa de- em aulas avulsas, tinham um sentido profissional prático.
manda social de educação, estão diretamente relacionados com os conteú- Entre eles: Academia Real da Marinha
dos que a escola passa a oferecer (Implicações da Evolução da Cultura).
Academia Real Militar
3. A forma, pela qual se organiza o poder, também se relaciona direta-
Cursos Médico Cirúrgico da Bahia e do Rio.
mente com a organização do ensino, porque o legislador é sempre o repre-
sentante dos interesses políticos da camada ou facção responsável pela Gabinete de Química
sua eleição ou nomeação e atua, naquela organização, segundo os interes- Cursos de Agricultura
ses, ou segundo os valores da camada que ele representa (Implicações de A preocupação exclusiva era com a criação do ensino superior que
Ordem Política). lança bases para uma certa forma de pensamento e ação que vigoraram na
O conteúdo destas três constatações são fatores que podem atuar de Europa e no século XIX.
forma integrada, ou não na organização de ensino: em que, atuação de 1824 — Constituição outorgada.
forma integrada significa que o sistema responde às reais necessidades do
contexto e atuação de forma não integrada significa que o sistema opera A independência política não modifica a situação de ensino.
sempre de forma defasada e desequilibrada, obedecendo ao jogo de forças 1827 — Lei Geral de Ensino - às províncias cabe o ensino fundamen-
que estes fatores mantém entre si. tal.
A evolução do ensino no Brasil, em termos dos fatores apresentados Criam-se as faculdades de direito de São Paulo e Recife que fornecem
configura-se: os contigentes de letrados para os quadros do Império e acentuam a ten-
1) numa economia colonial fundada na grande propriedade e na mão- dência de condicionar a estrutura do ensino secundário como propedêutica,
de-obra escrava; universalista e humanista.

Conhecimentos Contextuais 1 A Opção Certa Para a Sua Realização


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1834 — Com a edição do ato adicional tenta-se reunir antigas aulas ré- - o início da industrialização em forma de transplante cultural (a
gias em Liceus, sem muita organização e com falta de recursos. tecnologia).
1880 —Primeira Escola Normal Oficial - As províncias já as possuíam, A crise delineia-se com uma necessidade de reajustar o aparelho do
com orientações regionais e recursos próprios. Estado às novas necessidades da política e da economia, substituindo
1888 - 1889 — A classe intermediária, depende da aristocracia rural a urgentemente toda a estrutura do poder político.
quem procurava alcançar, e com ideologia burguesa européia faz a aboli- A expansão da demanda ocorre em zonas onde se intensificam as re-
ção da escravatura seguida da proclamação da República. lações de produção capitalista.
1891 — O poder político é dos donos da terra, do café e do canavial, 1930 — Washington Luiz, Presidente do Brasil, é deposto por um mo-
assistidos pela burguesia letrada. vimento armado que resultou de uma coalização de forças de uma lado os
O modelo econômico é o agrário - exportador com o monopólio do ca- militares superiores, uma parcela de plantadores de café e a elite política da
fé. oposição; de outro lado, os revolucionários que tiveram participação mais
efetiva no movimento, preocupados com as mudanças de caráter institucio-
Enquanto perdura a economia exportadora agrícola, com base em mo- nal e constitucional, eleições livres, regeneração nacional.
dos arcaicos da produção, a escola permanece como agente formador para
o ócio e para as carreiras liberais. Não há demanda social da educação e - Instala-se o governo provisório que dura 15 anos (de 30 a 37 pe-
realmente não ocorre o interesse pela educação universal e gratuita garan- ríodo instável; de 37 a 45 a ditadura).
tida pela letra da Lei. Transparecia a este tempo a heterogeneidade de O ensino expande-se fortemente: A ABE, fundada em 1924 consegue
composição social popular pela divergência de interesses, origens e posi- realizar várias conferências nacionais de educação das quais as mais
ções dos letrados, dos padres, da burguesia industrial ensaiando os primei- famosas, foram VI e a V, das quais partiram os motivos para a redação do
ros passos e ainda um contigente e imigrantes de cultura européia que, na manifesto dos Pioneiros da Educação Nacional, de debates acirrados em
zona urbana se ocupava de profissões que definiam classes médias, e na torno de questões cruciais como a gratuidade e obrigatoriedade do ensino,
zona rural se ocupavam da lavoura. laicidade, a co-educação e o Plano Nacional de Educação. No plano ideo-
As pressões não tardariam a provocar uma ruptura das limitações im- lógico, as conferências realizadas pela ABE representavam o confronto de
postas pela Constituição e a instituição da Escola, comprometida com a duas correntes opostas: a dos reformadores que se batiam pelos princípios
dualidade do sistema, sem alicerces para enfrentar o crescimento e a que viam na interferência do Estado, um perigo para o monopólio e na
complexidade das camadas sociais descritas. laicidade e co-educação, uma afronta aos princípios da educação católica.
A vitória do liberalismo político - (dos princípios federalistas) consagra Quando assumiu o poder, o governo provisório tratou de estabelecer
na Constituição a descentralização e o sistema atual de ensino, por força condições de infra-estrutura administrativa para fazer valer alguns interes-
da autonomia dos Estados responsáveis pela educação primária e a res- ses do novo regime.
ponsabilidade do poder central pelo ensino secundário e superior. Desta forma se criam logo novos ministérios, entre eles o da educação
1911 — Entre as várias reformas que acontecem: Lei Orgânica Repú- e da saúde.
blica Correia (supressão do caráter oficial do ensino) seguida da reforma de Ocorre a Reforma de Ensino Francisco Campos (6 decretos reorgani-
Carlos Maximiliano em que se reoficializa o ensino e se reforma o Colégio zando o ensino secundário que não passava de cursos preparatórios de
D. Pedro II. caráter exclusivamente propedêutico).
A taxa de alfabetização não sofreu praticamente modificações. Ocorre a reforma do ensino superior e a 1ª universidade criada segun-
1925 — Reforma Rocha Vaz - que faz o primeiro acordo de ensino en- do as normas e os estatutos das universidades é a USP que pretendia
tre Estados e Poder Central. elevar o nível da cultura geral, e estimular a investigação científica. Ocorre
a reforma do ensino comercial e é instituído o Conselho Nacional de Edu-
Acentuam-se os fatores de desigualdade pela: cação.
a) intensificação do processo de urbanização; Ao traçar novas diretrizes e da nova organização do ensino, inovou-se
b) deteorização das formas de produção no campo; a sentença escolar, refletindo uma realidade sócio-política também nova. A
c) industrialização crescente. tomada à nova oligarquia, do controle das decisões políticas; a situação
econômica assumida por novas forças, com um número de ação planejada,
Um contingente cada vez maior de extratos médios e populares de-
tentou e conseguiu salvar o país da catástrofe econômica; e a necessidade
mandam a instrução. A estreita oferta começa a chocar-se com a crescente
de por ordem na vida geral da nação acabaram por levar o governo a voltar
procura.
os olhos para os problemas educacionais através desta reforma que entre-
Na Economia, passa-se de modelo agrário exportador para um modelo tanto não conseguiu eliminar a velha concepção liberal aristrocrática relati-
parcialmente urbano-industrial de orientação capitalista. va à Educação voltada para as carreiras liberais e não se preocupou com a
O modelo econômico passa a fazer solicitações à escola, e o desequi- implantação efetiva de um ensino técnico e científico, oficializou um es-
líbrio ocorre na ordem: quema arcaico, rígido e exagerado de avaliação quanto ao número de
a) quantitativa - representada pela pequena oferta e pela discriminação provas e exames, o qual muito contribuiu para o alto grau de retenção de
social do sistema. (Além do baixo rendimento da própria escola). alunos nas escolas.
b) estrutural - representada por um ensino que já correspondia às no-
vas necessidades criadas com a expansão econômica e estratificação LUTAS IDEOLÓGICAS EM TORNO DA EDUCAÇÃO
social. Aconteceram na primeira fase do nosso regime. A elite pagava a sua
Há comprimentos políticos e econômicos como a velha ordem social educação e a igreja exercia um quase monopólio do ensino. As classes
oligárquica causada por: médias em ascensão reivindicavam o ensino médio e as classes populares,
- superprodução de café e queda da exportação. o ensino primário. As lutas ideológicas tiveram consequências práticas na
elaboração do texto das constituições de 1934 e 1937, em que a constitui-
- crise econômica mundial de 1929 e impossibilidade de novos emprés- ção de 37 é moderada ao tratar do ensino religioso e dá quase nenhuma
timos do Exterior. ênfase ao Estado, como Educador. Ainda, a Constituição de 37 oficializa o
- necessidade de apelo ao capital acumulado de forma primitiva e ensino profissional como ensino destinado aos pobres.
ampliação crescente do mercado interno (que se satisfazia então de impor- 1942 — Por iniciativa de Gustavo Capanema começam a ser reforma-
tações). dos alguns ramos do ensino. Essas reformas, nem todas realizadas sob o
- descontentamentos existentes nos vários setores da classe mé- Estado Novo, tomaram o nome de Leis Orgânicas do Ensino.
dia, sobretudo na ala mais jovem das forças armadas que se sentia margi- Cria-se também o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial que re-
nalizada politicamente. velou uma preocupação do governo de engajar as indústrias na qualificação
- o êxodo rural, fazendo crescer o operário urbano (já sindicali- de seu pessoal, à época a guerra funcionava como mecanismo de conten-
zando-se). ção da exportação de mão-de-obra dos países europeus para o Brasil, bem

Conhecimentos Contextuais 2 A Opção Certa Para a Sua Realização


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como dificultava a importação dos produtos industrializados (acelerou-se o de uma orientação dos rumos da política e da economia, de forma que
modelo econômico de substituição de importações). As escolas de aprendi- eliminasse os obstáculos, que se interpunham à inserção definitiva do país
zagem acabaram por transformar-se, ao lado das escolas pecuniárias em na esfera do controle do capital internacional. Foi esta última, a opção feita
escolas das camadas populares formando o chamado sistema paralelo. e levada a cabo pelas lideranças de 1964. O modelo e concentrador de
1946 — O retorno à normalidade democrática consubstanciou-se na renda, pretende a recuperação econômica e o governo se ocupa com a
adoção de uma nova Constituição, caracterizada pelo espírito liberal e captação de recursos.
democrático de seus enunciados. Foi a partir da carta de 1946 que o então Há reforço do executivo e consequente remanejamento das forças na
ministro da Educação, Clemente Marioni, constituiu uma Comissão de estrutura do poder, aumento do controle feito pelo Conselho de Segurança
Educadores com o fim de estudar e propor um projeto de reforma geral da Nacional, centralização e modernização da administração pública, cessa-
educação nacional. ção do processo social. A modernização dentro deste esquema impede um
Há uma tentativa de retorno às antigas posições quanto ao papel do desenvolvimento autônomo e transforma-se em mecanismo de dominação
Estado, no desenvolvimento industrial. e de controle do setor interno pelo externo.
1947 — São instalados, na maior parte dos municípios brasileiros, as A redefinição do jogo político é determinado pelo fortalecimento do em-
classes de ensino supletivo, em horários vespertino e noturno, para pesso- presariado que participa do poder e das forças armadas.
as de mais de 14 anos (entre 1940 e 1970, a população da faixa etária de 5 Se o significado da Educação como fator de desenvolvimento foi per-
a 24 anos ultrapassou o dobro e a matrícula na escola primária quadrupli- cebido, desde a implantação do novo regime, isto não foi demonstrado.
cou). Ao lado da contenção e da repressão constatou-se uma aceleração do
Entre vários aspectos do crescimento da população de 7 a 14 anos no ritmo do crescimento da demanda social de educação, o que provocou,
Brasil avulta uma realidade educacional, onde estão muito claras as dispa- consequentemente um agravamento da crise do sistema educacional, isto
ridades regionais quer quanto ao crescimento demográfico, quer quanto à serviu como justificativa para a assinatura de convênios entre o MEC e
distribuição da educação de base. seus órgãos e a Agency for International Developmment.
O crescimento demográfico entre 1940 e 1950 é de 19,6% e expansão O governo respondeu com a lei 5.540/68, respaldada pelo relatório da
escolar é de 59,3%, o que revela uma expansão da escola elementar. Há Comissão Meira Matos e pelo grupo de trabalho da reforma universitária.
no reinício, lutas ideológicas em torno da organização do sistema educaci- O governo cuidou também de reestruturar a representação estudantil
onal. Instala-se uma comissão que foi presidida pelo prof. Lourenço Filho. eliminando a antiga estrutura, baseando-se para a política educacional
Elaborado o ante projeto, este foi encaminhado à Câmara Federal em brasileira, nos acordos e relatórios MEC/USAID.
novembro de 1948 e após uma longa polêmica, cheia de marchas e con- Ainda, antecipando-se, aos reclamos da sociedade civil e do próprio
tramarchas, chegou-se à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, sistema educacional o governo propôs uma lei de ensino de 1º e 2º graus,
em dezembro de 1961. No fundo o que houve foi uma nova investida das onde se compatibiliza, (pelo menos aparentemente), à educação Geral
lideranças conservadoras contra a ação do Estado, que se separara da Humanística com a formação Especial, (Formação para o Trabalho). Há
igreja, com a proclamação da República, e vinha, desde então, assumindo uma preocupação de sintonizar o sistema do ensino com os princípios da
um papel que antes cabia à esta com prioridade: O da Educação. A lei que grande empresa capitalista com vistas a maior eficácia e produtividade.
fora tão discutida e que poderia ter modificado substancialmente o sistema Aumenta-se a fonte de capitação de recursos através do salário educação e
educacional brasileiro, iria, no entanto, fazer prevalecer a velha situação, dos fundos especiais das loterias federal e esportiva.
agravada quando da sua edição pelas necessidades do desenvolvimento.
Até os anos 20, a educação comportou-se como instrumento de mobili-
1950 — Getúlio volta à presidência através das camadas populares dade social no sentido mais amplo do termo. Com a reforma de 1930, a
(beneficiadas pelas várias leis do trabalho) e da burguesia industrial que via chamada autonomia da universidade foi utilizada para criar aquilo que se
no seu retorno, a volta à política do Estado Novo. Getúlio é o próprio símbo- chamou "feudos do saber"; o ensino que era aristocrático, passou a ser
lo de nacionalismo. seletivo. A crise do sistema educacional no final dos anos 50 e da década
de 60 aparece como a crise da universidade.
A lei de remessa de lucros custa-lhe a vida. A modernização tem atendido a interesses internos e externos.
A taxa de escolarização abrange mais de 50% da população, corres- Há esporádicas divergências e o setor externo tem atuado em função
pondendo a uma concentração máxima a nível primário e uma presença do comportamento das estruturas de dominação interna e do jogo político
insignificante dos outros níveis. Getúlio representou, nesta volta, a espe- dela decorrentes.
rança do dirigismo estatal que favoreceu a indústria, determinou objetivos Há um esforço de dependência que não exclui a possibilidade da ex-
de bem estar social e nacionalismo econômico sob tutela autoritária. pansão econômica e da capitalização.
1955 — O governo de Juscelino Kubitschek foi marcado por golpes e A educação tem servido como instrumento do aparato do Estado para
contragolpes que evidenciaram a luta ideológica que se tratava no Brasil criar condições infra-estruturais de desenvolvimento do capitalismo e tam-
em torno de rumo de seu desenvolvimento econômico. É o chamado de- bém manter e reforçar a estrutura e, por isso sofre injunções oriundas de
senvolvimentista e que estabelece rupturas entre o poder político e o mode- pressões divergentes.
lo econômico, já que no setor político dá-se continuidade ao nacionalismo,
e no setor econômico, abrem-se as portas da economia nacional ao capital Dessa forma a modernização se ajudou a mudar os atores da cena po-
estrangeiro. lítica, a redefinir pelo esforço, a expansão econômica com vistas a uma
melhor integração do Brasil no processo de Desenvolvimento do Capitalis-
1960 — Jânio é eleito mas seu caráter populista e personalista não lhe mo, tem contudo, colaborado para que, através de produto acabado que a
permite fidelidade partidária. Há impossibilidade de conciliar o modelo Universidade e o ensino de modo geral proporcionam que o país se mante-
econômico desenvolvimentista (dependente de subsídio estrangeiros), com nha na periferia deste processo.
o seu modelo político de "Política Externa Independente" o que o levou à
renúncia, após apenas 7 meses de governo. A evolução do Ensino Brasileiro tem respondido sempre a injunções de
ordem econômica, cultural, social e política.
1961 — O vice-presidente que sucede a Jânio era herdeiro político de
Getúlio Vargas. Seu governo foi caracterizado por radicalização política, As inovações formalmente propostas ao sistema educacional são o re-
extrema. João Goulart toma posição pró esquerda ao final de seus dias no flexo da polarização dos interesses na esfera das decisões. A necessidade
governo, mas esta tomada de posição não o salva do 31.03.64. de se adequar o modelo escolar econômico chocava-se com a ordem
política vigente no País.
1964 — As contradições chegaram a um impasse com a radicalização
das posições de direita à esquerda. O livro de Romanelli foi editado em 1978, sob limitações de análise de-
vido ao contexto político. É necessário refletir sobre o período posterior que
chega até os nossos dias, em que a escola pública reflete as consequên-
Os cursos do desenvolvimento precisavam então ser definidos, ou em cias das reformas implantadas pela Lei Federal 5.692 e vivencia um perío-
termos de uma revolução social e econômica pró esquerda ou em termos do de crise profunda.

Conhecimentos Contextuais 3 A Opção Certa Para a Sua Realização


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AS TEORIAS DA EDUCAÇÃO Querendo a todo custo utilizar para fins educativos todas as formas de
O PAPEL EDUCATIVO DO SABER NA ESCOLA saber, a pedagogia tradicional termina por misturar tudo: as aquisições de
tipo instrumental, os conhecimentos científicos, as informações, o conheci-
mento de obras literárias ou estéticas etc. Esses tipos diferentes de saberes
Na pedagogia tradicional: são confundidos nos programas e nos métodos da escola tradicional.
Como já vimos, a escola se organiza como meio educativo com finali- Por falta de uma nítida distinção de seu estatuto não são para a crian-
dades culturais. (...) A escola foi lugar de instrução antes de se colocar ça mais do que saberes escolares, assimiláveis uns aos outros, sem valor
como meio educativo. Enquanto meio de educação, a escola integra o educativo ou instrutivo real. Atribuindo ao saber um papel educativo dema-
próprio saber em sua mira educativa: para a escola, o saber é antes de siado ambicioso, a pedagogia tradicional deixa de lado, de fato, um elemen-
tudo, um i instrumento de educação. to essencial para que o saber tenha um valor educativo: a compreensão de
A escola, que se atribui finalidades essencialmente educativas, reinter- sentido do saber. A pedagogia tradicional tende sempre a trazer a resposta
preta o próprio saber em termos de educação. O objetivo primeiro do saber esquecendo a pergunta, substituindo-a por um “problema” puramente
não é mais instruir, mas cultivar. Mas o que significa exatamente a ideia de escolar, que não corresponde a nenhuma pergunta da criança.
que o saber deve ser um instrumento de educação? Cumpramo-nos distin-
guir, aqui, a posição da pedagogia tradicional e da pedagogia nova. Elas Na pedagogia nova:
não têm, e não podem ter, a mesma a mesma concepção do papel educati-
vo do saber. A pedagogia nova não esquece a pergunta. Mas cai no erro inverso e
concede de tal maneira importância às perguntas da criança que muitas
Por outro lado, uma é profundamente racionalista, considera que a vo- vezes esquece o interesse da resposta. Todo o conhecimento pressupões
cação humana é impor ao corpo a lei do pensamento, e valoriza sistemati- uma pergunta prévia, mas é preciso ainda que constitua uma resposta
camente a atividade intelectual em detrimento das outras formas de ativida- verdadeira a essa pergunta. Essa pedagogia não hesita em sua definição
de humana, ao passo que a outra concede muita importância à afetividade do valor educativo do saber.
e à imaginação que, mais imediatamente, do que à inteligência, exprimem a
natureza infantil. Por outro lado, uma faz do mestre o pivô do ato pedagógi- Para ela, é o modo de apropriação dos conhecimentos que é essencial,
co e o detentor das grandes verdades da humanidade, enquanto a outra bem mais do que o conteúdo desse conhecimento. Além disso, esse modo
privilegia o grupo de crianças desconfia de tudo que vem do adulto e prefe- de apropriação não se reduz à interiorização do saber de uma consciência
re o contato direto da criança com a realidade à transmissão de verdades já crítica. A criança encontra-se em contato direto com a realidade e deve
elaboradas. assimilar esta realidade graças a todos os poderes de suas personalidade:
a inteligência, mas também a sensibilidade, a imaginação a percepção
A pedagogia tradicional hesita, de fato, constantemente, entre duas estética, o contato corporal etc.
concepções do papel educativo do saber. Considera como educativo ora o
próprio saber, ora o modo de aquisição do saber. O saber educa o indiví- O conhecimento conceptual é apenas uma via particular de acesso à
duo, permitindo-lhe compreender melhor o mundo e o lugar do homem no realidade. No próprio domínio intelectual, pedagogia nova tende a se satis-
mundo. A História, a Geografia, as Ciências, a Matemática, A Literatura, fazer com saberes que estão mais próximos da opinião do que de um
levam a refletir sobre a estrutura do universo, sobre as paixões humanas, verdadeiro conhecimento. Privilegia a pesquisa ativa da criança e o tatear
sobre a pequeneza e a grandeza do homem. experimental, o que está muito bem, mas demasiado frequentemente
permanece nesse estágio, sem passar ao segundo momento, também ele
Mas o saber educa igualmente a criança formando seu espírito para o indispensável: o da colocação em ordem lógica e sistemática de noções
rigor, a lógica, a objetividade, o sentido das nuanças etc. A pedagogia que não foram aproximadas senão intuitivamente, no melhor dos casos,
tradicional valoriza o saber ora como conteúdo, ora como matéria para a pela criança. O tatear da criança leva-a a se colocar perguntas: ainda é
formação do espírito. Na medida em que o saber é educativo, enquanto preciso que, ao término do processo de aprendizagem, disponha de respos-
conteúdo, existem coisa que a criança deve obrigatoriamente conhecer, tas claras e verdadeiras. Como o mostrou igualmente Bachelard, as noções
pois representam as grandes descobertas da humanidade, e, colocando a científicas não são o simples prolongamento da experiência familiar da
criança em contato com as maiores produções da inteligência humana elas criança; o saber implica, ao contrário, uma ruptura com a experiência. A
têm em si mesmas uma valor cultural. criança pode fazer corpos flutuarem tanto quanto o quiser, que não desco-
A pedagogia tradicional define então o saber por acumulação, e en- brira jamais por si mesma o princípio de Arquimedes; com efeito, essa
gendra programas enciclopédicos, pois a criança não deve ignorar nada descoberta pressupões que a criança deixe de pensar no corpo que sub-
dos êxitos do espírito humano. Mas, a pedagogia tradicional denuncia ao merge, o que lhe sugere a experiência familiar dos corpos pesados que
mesmo tempo a passividade da inteligência na aquisição dos conhecimen- correm no fundo da água, e dirija sua atenção para o papel da água. Da
tos. A criança deve interiorizar o saber e dar prova de espírito crítico. Nesse mesma forma, a observação e a experiência provam de maneira irrefutável,
sentido a pedagogia tradicional não se interessa mais pelos próprios co- que é o Sol que se desloca no céu e um conhecimento verdadeiro do
nhecimentos, mas pela formação do espírito é a apropriação dos conheci- movimento relativo do Sol e da Terra pressupõe que nos desviemos dessa
mentos que se torna cultural e não mais esses próprios conhecimentos. O experiência cotidiana. Se nos ativermos à experiência da criança, mesmo
saber deve desenvolver-se diante de uma consciência individual, e não raciocinada, mesmo confrontada à das outras crianças, corremos fortemen-
simplesmente diante das gerações que os transmitem entre si. te o risco de não passar do estágio da opinião. Queiramos ou não, o mestre
A pedagogia tradicional reúne essas duas interpretações do valor edu- possui conhecimentos que o grupo de crianças ignora e que não poderá
cativo do saber na noção ambígua de cultura geral. A cultura geral é defini- adquirir por si mesmo, a não ser referendo-se graças à ajuda do professor,
da aos mesmo tempo pelo conjunto dos conhecimentos que um homem a esses outros mestres que os livros representam; e ainda terá de assegu-
cultivado deve possuir e por certa forma de espírito, resumida geralmente rar-se então de que seu conteúdo foi assimilado corretamente. Na pedago-
pela expressão, ela própria vaga, de espírito crítico. Por isso, seus adversá- gia nova, o apagamento do mestre em proveito do grupo de crianças tem
rios denunciam na cultura geral, ora seu enciclopedismo, ora seu formalis- frequentemente por consequências substituir a confrontação de opiniões à
mo. Essa ambiguidade da concepção tradicional do saber aparece nitida- aquisição de conhecimentos verdadeiros. Isso, no entanto, não significa
mente quando a pedagogia defende os programas escolares. Procura que seja preferível preferir o método dogmático da pedagogia tradicional
justificas as disciplinas especializadas enaltecendo seu valor para a forma- aos métodos ativos. Isso que dizer que a experiência, as pesquisas e as
ção geral da criança e procura legitimar as disciplinas de formação geral, discussões das crianças constituem apenas o momento inicial de apropria-
ressaltando-lhes o aspecto utilitário: a Botânica e a Geologia permitiriam ção do saber e que devem desembocar, graças à ajuda indispensável do
assim compreender o lugar do homem no mundo natural e o latim seria mestre, em noções claras e verdadeiras.
indispensável para falar bem o francês. Essa ambiguidade teórica não Um conhecimento que não responde a nenhuma pergunta não tem
deixar de influenciar a prática escolar: as disciplinas especializadas são significação para a criança que o adquire e faz mesmo perder o sentido do
ensinas das como disciplinas de formação geral, de uma forma verbal se saber. Mas a justaposição de opiniões controvertidas, ou de conhecimentos
sem recursos suficientes à observação e à experimentação; universalmen- fragmentários, também não possui valor educativo real e faz, também ela,
te, as disciplinas gerais dão lugar a um ensino de fatos colocados como perder o sentido do saber.
positivos e incontestáveis.

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A pedagogia nova e a pedagogia tradicional têm sem comum o erro de A Didática tradicional tem resistido ao tempo, continua prevalecendo na
considerar toda forma de saber sob um ângulo essencialmente educativo e prática escolar. É comum nas nossas escolas atribuir-se ao ensino a tarefa
cultural. Aí está uma consequências de seu esforço em construir um mundo de mera transmissão de conhecimentos, sobrecarregar o aluno de conhe-
escolar inteiramente consagrado ‘a cultura da pessoa, entendida num cimentos que são decorados sem questionamento, dar somente exercícios
sentido metafísico. Mas ver no saber apenas uma fonte de educação é repetitivos, impor externamente a disciplina e usar castigos.
suprimir toda distinção clara entre os diferentes tipos de saberes. A peda- Trata-se de uma prática escolar que empobrece até as boas intenções
gogia tradicional, que concede muita importância ao conteúdo do saber, da Pedagogia Tradicional que pretendia, com seus métodos, a transmissão
tende a dar uma mesmo valor a todos os conhecimentos transmitidos pelo da cultura geral, isto é, das grandes descobertas da humanidade, e a
mestre. formação do raciocínio, o treino da mente e da vontade.
A pedagogia nova para a qual o essencial é a apropriação do saber pe- Os conhecimentos ficaram estereotipados, insossos, sem valor educa-
la criança, tende a recusar toda a transmissão sistemática pelo mestre e a tivo vital, desprovidos de dignificados sociais, inúteis para a formação das
esquecer o estatuto científico de certos conhecimentos. De fato, é falso capacidades intelectuais e para a compreensão crítica da realidade. O
acreditar que qualquer saber é educativo, assim como é falso acreditar que intento de formação mental, de desenvolvimento do raciocínio, ficou reduzi-
um saber não pode ter alcance verdadeiramente educativo pelo único fato do a práticas de memorização.
de que é dispensado pelo mestre. Desta vez ainda, a pedagogia, seja ela
tradicional ou nova, permanece fechada numa problemática da natureza A Pedagogia Renovada inclui várias correntes: a progressista (que se
humana: a natureza infantil é tal que todo a atividade intelectual cultiva a baseia na teoria educacional de John Dewey), a não-diretiva (principalmen-
criança; ou, ao contrario, é tal que todos os conhecimentos trazidos pelo te inspirada em Carl Rogers), a ativista-espiritualista (de orientação católi-
adulto trazem prejuízo para sua espontaneidade. ca), a culturalista, a piagetiana, a montessoriana e outras. Todas, de algu-
ma forma, estão ligadas ao movimento da pedagogia ativa que surge no
A criança já fez certas experiências; ela se coloca, por cima mesmo, final do século XIX como contraposição à Pedagogia Tradicional.
certas perguntas; não pensa em se colocar outras que, entretanto, são
requeridas pelos aspectos contraditórios de suas experiências; encontra Entretanto, segundo estudo feito por Castro (1984), os conhecimentos
problemas para os quais se podem obter respostas científicas e problemas e a experiência da Didática brasileira pautam-se, em boa parte, no movi-
para os quais o próprio adulto não pode dar soluções definitivas e seguras, mento da Escola Nova, inspirado principalmente na corrente progressista.
ou mesmo problemas que, porque mal formulados, não são suscetíveis de Destacaremos, aqui, apenas a Didática ativa inspirada nessa corrente e a
encontrar uma resposta qualquer. É assim que é preciso considerar a Didática Moderna de Luís Alves de Mattos, que incluímos na corrente
questão da aquisição do saber pela criança, e não em função de uma culturalista.
concepção metafísica da natureza humana. A Didática da Escola Nova ou Didática ativa é entendida como “direção
da aprendizagem”, considerando o aluno como sujeito da aprendizagem. O
que o professor tem a fazer é colocar o aluno em condições propícias para
AS TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS NO BRASIL que, partindo das suas necessidades e estimulando os seus interesses,
Nos últimos anos, diversos estudos têm sido dedicados à história da possa buscar por si mesmo conhecimentos e experiências. A ideia é a de
Didática no Brasil, suas relações com as tendências pedagógicas e à que o aluno aprende melhor o que faz por si próprio.
investigação do seu campo de conhecimentos. Os autores, em geral, Não se trata apenas de aprender fazendo, no sentido de trabalho ma-
concordam em classificar as tendências pedagógicas em dois grupos: as de nual, ações de manipulação de objetos. Trata-se de colocar o aluno em
cunho liberal - pedagogia Tradicional, pedagogia renovada e tecnicismo situações em que seja mobilizada a sua atividade global e que se manifesta
educacional; as de cunho progressista - pedagogia Libertadora e Pedago- em atividade intelectual, atividade de criação, de expressão verbal, escrita,
gia Crítico social dos Conteúdos. Certamente existem outras correntes plástica ou outro tipo. O centro da atividade escolar não é o professor nem
vinculadas a uma ou a outra dessas tendências, mas essas não são as a matéria é o aluno ativo e investigador. O professor incentiva, orienta,
mais conhecidas. organiza as situações de aprendizagem, adequando-as às capacidades de
Na pedagogia Tradicional, a Didática é uma disciplina normativa, um características individuais dos alunos.
conjunto de princípios e regras que regulam o ensino. A atividade de ensi- Por isso, a Didática ativa dá grande importância aos métodos e técni-
nar é centrada no professor que expões e interpreta a matéria. Às vezes cas como o trabalho de grupo, atividades cooperativas, estudo individual,
são utilizados meios como a apresentação de objetos, ilustrações, exem- pesquisas, projetos, experimentações etc., bem como aos métodos de
plos, mas o meio principal é a palavra, a exposição oral. Supõe-se que reflexão e método científico de descobrir conhecimentos.
ouvindo e fazendo exercícios repetitivos, os alunos “gravam” a matéria para
depois reproduzi-la, seja através das interrogações do professor, seja Tanto na organização das experiências de aprendizagem como na se-
através das provas. Para isso, é importante que o aluno “preste atenção”, leção de métodos, importa o processo de aprendizagem e não diretamente
porque ouvindo facilita-se o registro do que se transmite, na memória. O o ensino. O melhor método é aquele que atende as exigências psicológicas
aluno é assim, um recebedor da matéria e sua tarefa é decorá-la. do aprender.
Os objetivos, explícitos ou implícitos, referem-se à formação de um Em síntese, a Didática ativa dá menos atenção aos conhecimentos sis-
aluno ideal, desvinculado da sua realidade concreta. O professor tende a tematizados, valorizando mais o processo da aprendizagem e os meios que
encaixar os alunos num modelo idealizado de homem que nada tem a ver possibilitam o desenvolvimento das capacidades e habilidades intelectuais
com a vida presente e futura. A matéria de ensino é tratada isoladamente, dos alunos. Por isso, os adeptos da Escola Nova costumam dizer que o
isto é, desvinculada dos interesses dos alunos e dos problemas reais da professor não ensina; antes, ajuda o aluno a aprender. Ou seja, a Didática
sociedade e da vida. O método é dado pela lógica e sequência da matéria, não é a direção do ensino, é a orientação da aprendizagem, uma vez que
é o meio utilizado pelo professor para comunicara matéria e não dos alunos esta é uma experiência própria do aluno através da pesquisa, da investiga-
para aprendê-la. É ainda forte a presença dos métodos intuitivos, que foram ção.
incorporados ao ensino tradicional. Baseiam-se na apresentação de dados Esse entendimento da Didática tem muitos aspectos positivos, princi-
sensíveis, de modo que os alunos possam observá-los e formar imagens palmente quando baseia a atividade escolar na atividade mental dos alu-
deles em sua mente. nos, no estudo e na pesquisa, visando a formação de um pensamento
Muitos professores ainda acham que “partir do concreto” é a chave do autônomo. Entretanto, é raro encontrar professores que apliquem inteira-
ensino atualizado. Mas esta ideia já fazia parte da Pedagogia Tradicional mente o que propõe a Didática ativa. Por falta de conhecimento aprofunda-
porque o “concreto” (mostrar objetos, ilustrações, gravuras etc.) Serve do das bases teóricas da pedagogia ativa, falta de condições materiais,
apenas para gravar na mente o que é captado pelos sentidos. O material pelas exigências de cumprimento do programa oficial e outra razões, o que
concreto é mostrado, demonstrando, manipulado, mas o aluno não lida fica são alguns métodos e técnicas. Assim, é muito comum os professores
mentalmente com ele, não o reelabora com o seu próprio pensamento. A utilizarem procedimentos e técnicas como trabalho de grupo, estudo dirigi-
aprendizagem, assim, continua receptiva, automática, não mobilizando a do, discussões, estudo do meio etc., sem levar em conta seu objetivo
atividade mental do aluno e o desenvolvimento de suas capacidades inte- principal que é levar o aluno a pensar, a raciocinar cientificamente, a de-
lectuais. senvolver sua capacidade de reflexão e a independência de pensamento.
Com isso, na hora de comprovar os resultados do ensino e da aprendiza-

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gem, pedem matéria decorada, da mesma forma que se faz no ensino rindo maior solidez e sistematização por volta dos anos 80. São também
tradicional. denominadas teorias críticas da educação. Não é que não tenham existido
Em paralelo à Didática da Escola Nova, surge a partir dos anos 50 a antes esforços no sentido de formular propostas de educação popular. Já
Didática Moderna proposta por Luís Alves de Mattos. Seu livro sumário de no começo do século formaram-se movimentos de renovação educacional
Didática Geral foi largamente utilizado durante muitos anos nos cursos de por iniciativa de militantes socialistas.
formação de professores e exerceu considerável influência em muitos Muitos dos integrantes do movimento dos pioneiros da Escola Nova ti-
manuais de Didática publicados posteriormente. Conforme sugerimos nham real interesse em superar a educação elitista e discriminadora da
anteriormente, a Didática Moderna é inspirada na pedagogia da cultura, época. No início dos anos 60 surgiram os movimentos de educação de
corrente pedagógica de origem alemã. Mattos identifica sua Didática com adultos que geraram ideias pedagógicas e práticas educacionais de educa-
as seguintes características: o aluno é fator pessoal e decisivo na situação ção popular, configurando a tendência que veio a ser denominada de
escolar; em função dele giram as atividades escolares, para orientá-lo e Pedagogia Libertadora.
incentivá-lo na sua educação e na sua aprendizagem, tendo em vista Na segunda metade da década de 70, com a incipiente modificação do
desenvolver-lhe a inteligência e formar-lhe o caráter e a personalidade. quadro político repressivo em decorrência de lutas sociais por maior demo-
O professor é o incentivador, orientador e controlador da aprendiza- cratização da sociedade, tornou-se possível a discussão de questões
gem, organizando o ensino em função das reais capacidades dos alunos e educacionais e escolares numa perspectiva de crítica das instituições
do desenvolvimento dos seus hábitos de estudo e reflexão. A matéria é o sociais do capitalismo.
conteúdo cultural da aprendizagem, o objeto ao qual se aplica o ato de Muitos estudiosos e militantes políticos se interessaram apenas pela
aprender, onde se encontram os valores lógicos e sociais a serem assimi- crítica e pela denúncia do papel ideológico e discriminador da escola na
lados pelos alunos; está a serviço do aluno para formar as suas estruturas sociedade capitalista. Outros, no entanto, levando em conta essa crítica,
mentais e, por isso, sua seleção, dosagem e apresentação vinculam-se às preocuparam-se em formular propostas e desenvolver estudos no sentido
necessidades e capacidades reais dos alunos. O método representa o de tornar possível uma escola articulada com os interesses concretos do
conjunto dos procedimentos para assegurar a aprendizagem, isto é, existe povo.
em função da aprendizagem, razão pela qual, a par de estar condicionado
pela natureza da matéria, relaciona-se com a psicologia do aluno. Entre essas tentativas destacam-se a Pedagogia Libertadora e a Pe-
dagogia Crítico-Social dos Conteúdos. A primeira retomou as propostas de
Esse autor destaca como conceitos básicos da Didática o ensino e a educação popular dos anos 60, refundindo seus princípios e práticas em
aprendizagem, em estreita relação entre si. O ensino é a atividade mental função das possibilidades do seu emprego na educação formal em escolas
intensiva e propositada do aluno em relação aos dados fornecidos pelos públicas, já que inicialmente tinham caráter extra-escolar, não oficial e
conteúdos culturais. Ele escreve: “A autêntica aprendizagem consiste voltadas para o atendimento de clientela adulta.
exatamente nas experiências concretas do trabalho reflexivo sobre os fatos
e valores da cultura e da vida, ampliando as possibilidades de compreen- A segunda, inspirando-se no materialismo histórico dialético, consti-
são e de interação do educando com seu ambiente e com a sociedade. (...) tuiu-se como movimento pedagógico interessado na educação popular, na
O autêntico ensino consistirá no planejamento, na orientação e no controle valorização da escola pública e do trabalho do professor, no ensino de
dessas experiências concretas de trabalho reflexivo dos alunos, sobre os qualidade para o povo e, especificamente, na acentuação da importância
dados da matéria ou da vida cultural da humanidade” (1967, pp.72-73). do domínio sólido por parte de professores e alunos dos conteúdos científi-
cos do ensino como condição para a participação efetiva do povo nas lutas
Definindo a Didática como disciplina normativa, técnica de dirigir e ori- sociais ( na política, na profissão, no sindicato, nos movimentos sociais e
entar eficazmente a aprendizagem das matérias tendo em vista os seus culturais).
objetivos educativos. Mattos propõe a teoria do Ciclo docente, que é o
método didático em ação. Trata-se de duas tendências pedagógicas progressistas, propondo
uma educação escolar crítica a serviço das transformações sociais e eco-
O ciclo docente, abrangendo as fases de planejamento, orientação e nômicas, ou seja, de superação das desigualdades sociais decorrentes das
controle da aprendizagem e suas subfases, é definido como “o conjunto de formas sociais capitalistas de organização da sociedade. No entanto,
atividades exercidas, em sucessão ou ciclicamente, pelo professor, para diferem quanto a objetivos imediatos, meios e estratégias de atingir essas
dirigir e orientar o processo de aprendizagem dos seus alunos, levando-o a metas gerais comuns.
bom termo. É o método em ação”.
A Pedagogia Libertadora não tem uma proposta explícita de Didática e
Quanto ao tecnicismo educacional, embora seja considerada como muitos dos seus seguidores, entendendo que toda didática resumir-se-ia ao
uma tendência pedagógica, inclui-se, em certo sentido, na Pedagogia seu caráter tecnicista, instrumental, meramente prescritivo, até recusam
Renovada. Desenvolveu-se no Brasil na década de 50, à sombra do pro- admitir o papel dessa disciplina na formação dos professores. No entanto,
gressivismo, ganhando nos anos 60 autonomia quando constituiu-se espe- há uma didática implícita na orientação do trabalho escolar, pois, de alguma
cificamente como tendência, inspirada na teoria behaviorista da aprendiza- forma, o professor se põe diante de uma classe com a tarefa de orientar a
gem e na abordagem sistêmica do ensino. Esta orientação acabou sendo aprendizagem dos alunos. A atividade escolar é centrada na discussão de
imposta às escolas pelos organismos oficiais ao longo de boa parte das temas sociais e políticos; poder-se-ia falar de um ensino centrado na reali-
duas últimas décadas, por ser compatível com a orientação econômica, dade social, em que professor e alunos analisam problemas e realidades do
política e ideológica do regime militar então vigente. Com isso, ainda hoje meio sócio-econômico e cultural, da comunidade local, com seus recursos e
predomina nos cursos de formação de professores o uso de manuais necessidades, tendo em vista a ação coletiva frente a esses problemas e
didáticos de cunho tecnicista, de caráter meramente instrumental. A Didáti- realidades.
ca instrumental está interessada na racionalização do ensino, no uso de
meios e técnicas mais eficazes. O trabalho escolar não se assenta, prioritariamente, nos conteúdos de
ensino já sistematizados, mas no processo de participação ativa nas dis-
O sistema de instrução se compõe das seguintes etapas: a) especifica- cussões e nas ações práticas sobre questões da realidade social imediata.
ção de objetivos instrucionais operacionalizados; b) avaliação prévia dos Nesse processo em que se realiza a discussão, os relatos da experiência
alunos para estabelecer pré-requisitos para alcançar os objetivos; c) ensino vivida, a assembléia, a pesquisa participante, o trabalho de grupo etc., vão
ou organização das experiências de aprendizagem; d) avaliação dos alunos surgindo temas geradores que podem vir a ser sistematizados para efeito
relativa ao que se propôs nos objetivos iniciais. de consolidação de conhecimentos. É uma didática que busca desenvolver
O arranjo mais simplificado dessa sequência resultou na fórmula: obje- o processo educativo como tarefa que se dá no interior dos grupos sociais e
tivos, conteúdos, estratégias, avaliação. O professor é um administrador e por isso o professor é coordenador ou animador das atividades que se
executor do planejamento, o meio de previsão das ações a serem executa- organizam sempre pela ação conjunta dele e dos alunos.
das e dos meios necessários para se atingir os objetivos. Boa parte dos A pedagogia Libertadora tem sido empregada com muito êxito em vá-
livros didáticos em uso nas escolas são elaborados com base na tecnologia rios setores dos movimentos sociais, como sindicatos, associações de
da instrução. bairro, comunidades religiosas. Parte desse êxito se deve ao fato de ser
As tendências de cunho progressista interessadas em propostas peda- utilizada entre adultos que vivenciam uma prática política e onde o debate
gógicas voltadas para os interesses da maioria da população foram adqui- sobre a problemática econômica, social e política pode ser aprofundado

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com a orientação de intelectuais comprometidos com os interesses popula- Temos que ter criatividade para mudar esse esquema, senão não atin-
res. Em relação à sua aplicação nas escolas públicas, especialmente no giremos os milhares e milhares de professores ansiosos por renovação.
ensino de 1º grau, os representantes dessa tendência não chegaram a Uma reforma do pensamento não será efetuada por alguns iluminados na
formular uma orientação pedagógico-didática especialmente escolar, com- torre de marfim da academia, preparando as receitas para que os professo-
patível com a idade, o desenvolvimento mental e as características de res as executem depois como autômatos, mecanicamente.
aprendizagem das crianças e jovens. Sabemos que é preciso dividir, partilhar e construir o saber e o conhe-
Para a Pedagogia Crítico-Social dos conteúdos a escola pública cum- cimento com todos. É este aspecto profundamente democrático da forma-
pre a sua função social e política, assegurando a difusão dos conhecimen- ção de professores que nos leva a propor novas situações de discussões
tos sistematizados a todo, como condição para a efetiva participação do para a elaboração de uma prática pedagógica que seja práxis.
povo nas lutas sociais. Não considera suficiente colocar como conteúdo A denominação de pós- piagetiano, começou a ser utilizada antes
escolar a problemática social quotidiana, pois somente com o domínio dos mesmo de Piaget morrer, por pesquisadores e estudiosos de sua teoria, a
conhecimentos, habilidades e capacidades mentais podem os alunos partir de um pedido da próprio Piaget na homenagem que foi feita a ele
organizar, interpretar e reelaborar as suas experiências de vida em função pelos seus 80 anos. Naquela ocasião, ele disse que era da essência do
dos interesses de classe. O que importa é que os conhecimentos sistemati- construtivismo que aquilo que descobriu fosse continuado, ampliado, modi-
zados sejam confrontados com as experiências sócio-culturais e a vida ficado pelos que seguiriam a ele. Concretamente foi feita por Pierre Greco
concreta dos alunos, como meio de aprendizagem e melhor solidez na foi feita uma pergunta se ele achava que os mesmos estádios que existem
assimilação dos conteúdos. Do ponto de vista didático, o ensino consiste na na macrogênese dos conceitos, que é o estádio sensório-motor, o estádio
mediação de objetivos-conteúdos-métodos que assegure o encontro forma- pré-operatório, operatório concreto e operatório formal, se existiriam está-
tivo entre os alunos e as matérias escolares, que é o fator decisivo da dios para os conceitos em especial, e ele respondeu, neste dia, que não
aprendizagem. tinha resposta para essa pergunta. Ele agiu humildemente, como compete
A Pedagogia Crítico-Social dos conteúdos atribui grande importância à a todos nós que não somos a caixa de todos os saberes, porque não so-
Didática, cujo objeto de estudo é o processo de ensino nas suas relações e mos capazes de abordar a infinitude que é a realidade. Ele disse “eu não
ligações com a aprendizagem. As ações de ensinar e aprender formam sei isso mas suscito, incentivo que outros pesquisadores se debrucem
uma unidade, mas cada uma tem a sua especificidade. A Didática tem sobre essa problemática”.
como objetivo a direção do processo de ensinar, tendo em vista finalidades Foi o que Emília Ferrero fez, ouvindo a voz do mestre, estudando a al-
sócio-políticas e pedagógicas e as condições e meios formativos; tal dire- fabetização e constatando não a existência de estádios tão amplos como
ção, entretanto, converge para promover a auto-atividade dos alunos, a na macrogênese do conhecimento, mas níveis psicogenéticos pelos quais
aprendizagem. os alunos passam para chegarem a serem leitores e escritores.
Com isso, a Pedagogia Crítico-Social busca uma síntese superadora Essa descoberta já caracteriza um Construtivismo Pós-Piagetiano por-
de traços significativos da Pedagogia Tradicional e da Escola Nova. Postula que Piaget não trabalhou esses elementos. Nós nos sentimos impelidos a
para o ensino a tarefa de propiciar aos alunos o desenvolvimento de suas ampliar o campo piagetiano e para além dessas descobertas de que há
capacidades e habilidades intelectuais, mediante a transmissão e assimila- níveis para a construção de conceitos. A ampliação tem que ser maior.
ção ativa dos conteúdos escolares articulando, no mesmo processo, a
aquisição de noções sistematizadas e as qualidades individuais dos alunos Piaget, reiteradas vezes, disse que estudou o sujeito epistêmico, o su-
que lhes possibilitam a auto-atividade e a busca independente e criativa das jeito da inteligência, o sujeito da construção dos conhecimentos. Ele fez um
noções. Mas trata-se de uma síntese superadora. Com efeito, se a Peda- aparte da caminhada, para entender a aprendizagem. Ele só se ocupou da
gogia define fins e meios da prática educativa a partir dos seus vínculos inteligência, não pôde se ocupar da esfera do desejo. Embora tenha usado
com a dinâmica da prática social, importa um posicionamento dela face a expressões como “o prazer é a energia da ação”, esta frase, apenas, em 60
interesses sociais em jogo no quadro das relações sociais vigentes na livros, não significa que tenha trabalhado a questão do desejo nesta área.
sociedade. Os conhecimentos teóricos e práticos da Didática medeiam os Então, o construtivismo Pós- Piagetiano, precisa incorporar esta instân-
vínculos entre o pedagógico e a docência; fazem a ligação entre o “para cia fundamental que nos constitui, que é o desejo. Mas tanto a inteligência
quê ”(opções político-pedagógicas) e o “como” da ação educativa escolar (a como o desejo funcionam em nós pelo mergulho no social, no cultural, na
prática docente). palavra da Lancan de que “todo conhecimento é conhecimento do outro” e,
A Pedagogia Crítico-Social toma o partido dos interesses majoritários ainda, na palavra profundamente rica de Wallon; ele diz que “somos” gene-
da sociedade, atribuindo à instrução e ao ensino o papel de proporcionar ticamente sociais. A compreensão de que somos geneticamente sociais
aos alunos o domínio de conteúdos científicos, os métodos de estudo e não porque nós precisamos dos outros para conviver e para viver, mas
habilidades e hábitos de raciocínio científico, de modo a irem formando a porque cada um de nós é mais de um internamente.
consciência crítica face às realidades sociais e capacitando-se a assumir no Essa realidade tão simples ficou escondida durante muitos séculos.
conjunto das lutas sociais a sua condição de agentes ativos de transforma- Quem não sabe que, mesmo aqui, pode estar conversando consigo mesmo
ção da sociedade e de si próprios. aparentemente ouvindo outro a lhe falar, mas realmente conversando
consigo? Quem não se surpreende diuturnamente falando e falando com
quem? Falando com este outro que nos habita e levar em conta este outro
O processo ensino-aprendizagem que nos habita modifica todo o esquema didático-pedagógico. Porque como
nós sabemos - e pela sabedoria da poesia de Lupicínio Rodrigues, “o
A escola não está cumprindo com suas finalidades. Ou ela se reinventa pensamento parece uma coisa à toa, mas como é que a gente voa quando
ou desempenhará apenas um papel secundário para a construção de uma começa a pensar? - podemos estar aqui e não estar.
sociedade mais feliz e mais fraterna, onde haja mais prazer neste mundo. A
começar porque ela não cumpre com a sua finalidade básica de produzir o Estes achados mudam completamente nossa perspectiva dentro da sa-
acesso ao mundo letrado através da alfabetização. la de aula. Precisamos estar na sala de aula com nossos alunos presentes
psicologicamente. Onde está aquele que nos habita? Para onde ele nos
Infelizmente, não prerrogativa brasileira ter-se nas classes populares, leva? Ele está onde está o nosso desejo. E o que desejamos? Desejamos o
mais de 50% de reprovação nas turmas de alfabetização. Portanto, a que não temos, desejamos o que nós sonhamos ter.
escola não consegue vencer este primeiro passo, de colocar os alunos na
possibilidade mínima de participar do mundo que aí está Um mundo que Não se trata de necessidades - como o desejo de beber água- o que eu
para além da leitura e da escrita necessária na era de Guttemberg, está já desejo entra na esfera do simbólico e na esfera do imaginário. Eu desejo
na era da informática, onde leitura e escrita são ainda mais fundamentais aquilo que, de experiências anteriores positivas, dentre elas o orgasmo
do que para a era da imprensa. Mas, se nós queremos repensar a escola, sexual, crio o sonho de, mais do que repeti-lo, ampliá-lo. E é por aí que se
nós temos que repensar as estratégias de formação de professores. Não gera o desejo. O desejo não se gera de uma falta, e sim de uma riqueza.
podemos mais ter esquemas acadêmicos clássicos de pequenos grupos, Porque temos um sistema de representação interior que nos permite guar-
como para formar pós-graduados, mestres ou doutores, onde é impossível dar nossas recordações, as quais nos caracterizam, sonhamos com elas
trabalhar com mais de quinze. aliadas, com a força do infinito.

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Estas ideias não são Pós-Piagetianas. Estão enfocando o que Piaget nele todos os desejos. Com a ruptura deste modelo, nos lançamos à tenta-
fez, mas acrescentando inúmeras outras contribuições. Se quisermos ser tiva de construir um outro modelo, dando uma guinada de 180º e começa-
construtivistas temos que saber que somos portadores de uma capacidade mos a exercitar uma prática espontaneísta, onde só vale o desejo do edu-
de construir, e que cada um de nós tem uma possibilidade de uma elabora- cando, como se na verdade uma autoridade devesse sempre ser autoritá-
ção original, e cada um de nós é chamado a participar desta construção ria, quer de um lado, quer de outro.
coletiva, e só desta forma seremos efetivamente democráticos na constru- Para existir grupo é preciso existir a presença do educador. Nosso de-
ção de propostas de ensino, de propostas didáticas, de propostas pedagó- safio é de que não vale só, para construir, na cumplicidade dessa constru-
gicas, para a escola que abarca apenas uma pequena fatia da problemática ção desse processo, não basta só o desejo do educador ou apenas o
da aprendizagem. desejo do educando. O que é essencial são os desejos do educando e do
Questões tão essenciais para que saiamos do âmbito dos nossos cole- educador; educador aqui como leitor da necessidade, da falta, do que não
gas de aula, das nossas colegas de classes paralelas, dos companheiros se conhece, para que no seu ensinar possa possibilitar a construção desse
de disciplina, para nos jogarmos numa visão ampla que as características conhecimento.
do mundo hoje nos permitem. Além da presença do educador, para se construir um grupo é essencial
A incorporação feita da esfera desejante no âmbito da aprendizagem a construção de uma rotina de trabalho. A escola não é um grupo familiar,
escolar faz-nos perceber que aprendemos a prosa e a poesia. não tem uma rotina familiar, não é um grupo primário. A escola é um grupo
Nós não nascemos sabendo amar. Porque amar exige uma linguagem, secundário; é um espaço profissional com uma rotina de trabalho. Não é
mas ela não chega pronta, construída. um grupo de amigos, embora no trabalho haja muitos amigos.
O que se refere ao lógico, nós dizemos que é a didática. E o que se re- A rotina envolve tempo, espaço, atividade. Tempo-história porque cada
fere ao dramático dizemos que é da área de pedagogia. Os aspectos uma tem o direito, a obrigação, o dever de ter a sua história na mão. Tem-
didáticos passam pela educação de zero a seis anos até o trabalho de po-história, espaço-geografia onde vivo a minha história, atividade-
música, teatro e educação física. construção do conhecimento. Tempo que envolve ritmo, que significa
pulsação pedagógica, ritmo que significa abre-fecha, direciona-observa,
E o que é pedagógico? É o que está nos nossos cursos, desde a entra-sai, acelera-acalma. Ritmo significa organizar este meu pulsa de vida,
agressividade até os meninos de rua, o feminino e o masculino, e o protesto e num grupo - aqui começa a complicação- o ritmo do grupo é constituído
denúncia que se faz é que a escola se esterilizou doas aspectos pedagógi- dos vários ritmos de todos. O papel do educador é reger estas diferenças
cos. Pensando que é possível ignorar que uma criança esteja triste porque rítmicas para a peça pedagógica.
seu pai morreu, porque seu irmão morreu, sua avó morreu, que é possível
ignorar problemas de sexualidade, de transar bem ou mal, pensando que Ritmo envolve também silêncio. Pausa. Que faz parte, é inerente, inte-
isso não interfere na aprendizagem de matemática, de português, na alfa- grante, constituidor da ação rítmica do falar, de expor pensamento, de
betização... estamos mutilando a escola. Se não aprendermos a ser profes- silenciar conversando consigo mesmo. Silêncio que fala em cada atividade
sores para nós e pra eles, não poderemos ser professores eficazes. na rotina que se constrói. Ritmo também envolve a constância e a variação.
A rotina que conhecemos é a rotina rotineira, enfadonha, cansativa, tediosa,
Essa distinção entre o didático e o pedagógico só existe dentro desta porque é alienada aos ritmos, aos desejos, ao pulsa do pensamento de
visão construtivista pós-piagetiana, quando fazemos a passagem do epis- educador e do educando, por que ambos nesta rotina não tem a história e a
têmico para além do epistêmico e que entra no desejante, sendo que a geografia, nem a construção do conhecimento na mão, por isso é um tédio.
inteligência e desejo só funcionam inseridos no social.
A rotina, porém, de que falamos é aquele que é o pulsar apaixonado,
Por outro lado, não aprendemos linearmente por acréscimo, tranqüilo, com amor e ódio, com raiva; que é heterogênea em seus ritmos, que com-
sereno, de mais alguns elementos ao que sabíamos antes. Aprendemos põem uma sinfônia, onde todos participam de um projeto coletivo.
permeados por grandes períodos de conflitos, de ruptura.
Não se constrói uma rotina sem um constância. Canstância de tempo e
Para aprender não se segue a lógica dos conteúdos científicos. Tem-se de horários. Fixar não significar rigidez, e sim compromisso. Constância de
uma outra lógica no processo de apropriação de conceitos, que resultam de espaço e de atividades. A insconstância não possibilita o aprofundamento
um entrelaçamento da vida com os paradigmas, inclusive aquelas que se dos passos, nem do movimento do processo de aprendizagem e do pro-
realizam na escola. cesso criador que envolver ruminar idéias, conversar consigo mesmo, por
Desta vinculação profunda que nasce o construtivismo pós-piagetiano para qualquer material em que a linguagem esteja sendo trabalhada a
e a possiblidade de distinguir a didática da pedagogia, não para separá-las, expressão máxima de si, talvez o racunho mental, que conta com um
mas para que compreendamos que estas duas instâncias, na dinâmica planejamento e uma avaliação.
escolar, são indispensáveis de serem consideradas na reivenção da escola Na inconstância não se aprofunda os conhecimentos do processo de
(Grossi, Ester Pillar). aprender.
O construir, exercitar o pensamento, a inteligência e o conhecimento se Faz parte da construção do grupo estruturar uma rotina de trabalho,
faz no grupo. Por isso, o grupo é o motivo de grandes preocupações para porque envolve, está imbricada na construção do exercício da disciplina
Madalena Freire, e talvez para muitos de nós educadores que buscam intelectual que alicerça a construção do conhecimento. Sem disciplina, no
delineamentos para as questões pedagógicas que discutem os aspectos social do grupo, não se constrói o conhecimento.
fundamentais do grupo.
Aprende-se porque se deseja, porque se exercita agressividade e
FREIRE, coloca que a nossa vivência em grupos foi uma vivência auto- aprende-se porque se exercita a sexualidade, entendida aqui, como energia
ritária, massificada, de homogeneização, de massa, de reprodução. E este vital que me impulsiona no conhecimento, na interação com o outro. A
grupo aqui, inspirado nestas fundamentações teóricas, é um outro grupo. energia vital nos faz amar, odiar, destruir e construir; essa agressividade,
Envolve um outro tipo de trabalho, uma construção. O grupo tem movimen- energia vital que me lança para a busca de conhecer, que me dá raiva por
tos no seu processo de construção; e nele nos defrontamos com as dife- não conhecer, que me faz perder a cabeça de perdição, mas que é a mola
renças, aprendemos esse difícil processo de conviver com as divergências, propulsora que me impulsiona a buscar conviver com o outro. Este é o
os conflitos, as diferenças. Isso tudo envolve e significa processo de cons- desafio que se propõe, pois não fomos educados para isso, e portanto, este
trução de conhecimento, significa processo de apropriação do saber de desafio aparece diante de nós muito maior, porque ao mesmo tempo em
cada um para deflagrar o que ainda não se conhece. que temos o desafio de estrutura, construir uma proposta com nossos
Com esta questão Freire, toma como premissa que o grupo que não educando, temos o desafio de viver, ao mesmo tempo, conosco mesmos.
está construído- não basta juntar meia dúzia de pessoas- gostaria de Freire expõe a história de Eliane, uma ex-aluna, da Vila Helena, uma
pontuar uma questão. favela de Carapicuíba, São Paulo Capital.
O grupo para discutir necessita da presença de um educador , que “Eliane era uma criança de cinco anos que não parecia ser gente. Ela
constrói instevenções significativas, pois sem essa intervenção, não há chegava à escola maltrapilha - e não era por falta de roupa ou por ser
construção . favelada - toda suja, cabelo desgrenhado, se arrastava pelo chão, não se
Nós vivemos um processo de ruptura de um saber e um conhecimento sentava à mesa para trabalhar. Vivia no chão. E na sua parte mais suja,
de grupo autoritário, onde o educador era a autoridade que centralizava perto do lixo que havia na classe.

Conhecimentos Contextuais 8 A Opção Certa Para a Sua Realização


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Seu olhar não tinha fundo. Era um olhar solto. Vagueante. Procurava o Se eu já estava em pandareco, naquele momento já não conseguia me
contato com Eliane pelo olhar, e ele era solto, não tinha fundo, embora sua levantar. Em silêncio, as duas, como se as tivesse vendo num videoteipe de
base fosse o chão. O chão era a sua geografia mais íntima, perto do lixo. nascimento. Dei um tempo. Falei para ela: ‘Que bom, Eliane, você ter dito
Fiz de tudo.(...) No máximo no apogeu da minha conquista, ela sentou isso hoje. Eliane, mãe perde a cabeça. Mãe ama e odeia, Eliane, mas é
um segundo no banco e voltou imediatamente para o chão, perto do lixo. E mãe...’E ela começou a contar da avó, começou a contar da mãe. Antes,
eu observando. Observando. Registrando e perguntando: ‘Que diabo será? essa mãe nunca tinha sido nomeada. Na ficha da matrícula, a mãe era a
O que acontece? Por quê?’. Tinha umas hipóteses, mas não era por ali, avó. Não existia mãe.
que negócio tão forte é esse? O que é isso? Nada. Nada mesmo. E continuei: ‘Mas você já saiu do lixo, você não está mais no lixo, você
Decidi descer para o chão. Era a única maneira de dizer: ‘Eliane, estou pode tomar banho, se limpar, se vestir, se pentear. Você está viva, Eliane!
aqui, no chão, neste espaço com você’. Não pense não que parei a classe Veja quanto você já trabalhou aqui mesmo no chão...Tem muito trabalho,
todinha só para cuidar da Eliane. Não. Tinha que fazer isso ao mesmo Eliane, pra você continuar fazendo e vivendo...’ Por obra e graça do Espírito
tempo, com pensamento articulado de tempo, em que eu podia descer para Santo, tinha um sabonete na minha bolsa. Peguei e disse: ‘Isso aqui é para
o chão e tempo em que eu não podia. Sentada no chão, perto do lixo, igual. você tomar um banho!’ O banho do recém-nascido. ‘E venha para a escola!’
Quem me ouve aqui pensa que eu estava muito segura...
Comecei a organizar o espaço do chão com Eliane. Organizar no sen-
tido de não haver nenhum elemento estranho - no sentido da limpeza, não Saí de lá, acabou o dia me tranquei no diabo de um carro velho que eu
do lixo. Ou começava a partir para o que ela conhecia, ou não poderia tinha e chorei. Fui chorando caminho afora e não parava de chorar, e chorei
construir nada de novo com ela. Comecei a limpar o chão. (...) E comecei a a noite toda. Meu Deus, foi só naquele momento que percebi que foi partei-
planejar atividades - desenho, construção, escrita, construção da pipa, a ra da Eliane. Quem tem a confiança de que ela voltará amanhã? E se ela
construção dos brinquedos, ali no chão. Marcava um traço, delimitava um não voltar? No outro dia chegou, abriu a porta. Parecia uma princesa.
espaço, ‘nossa mesa é aqui’, e pronto. Cabelo penteado. Cara limpa. ninguém via a cor da Eliane antes. Cara
limpa, mostrando pelo. Cheiro. E para mim, a imagem era única. Tudo o
Ali ela iniciou, levemente, a realizar uma atividade. Pegava um palito, que estava ao redor desaparecera, ofuscara-se. Eliane vindo, nascida, nova
desenhava uma coisa, conversava, comentava. Imediatamente desfazia. para uma outra vida.
Ela foi se fazendo cada vez mais presente, trocávamos os palitinhos, fazí-
amos pontas neles, varríamos, fazíamos outro, até que chegou o papel. Eliane chegou e me disse: ‘Onde é meu lugar na mesa?’
Papel posto, lápis introduzido, caneta... junto com o papel um madeira, A partir desse dia, começou seu trabalho na mesa e começou a trazer
não mais o piso. E com o papel começou o segundo grande movimento. O a mãe. Para o lanche, para o café, para ver o álbum, para ver sua pasta.
desenho começou a existir de leve, mas um segundo grande movimento Assumiu o amor e o ódio na relação. Chega, pelo amor de Deus, que meu
iniciou-se. Pegava um papel, amarrotava e atirava para o lixo. coração está em frangalhos...”
Este movimento de lançar, várias e várias vezes, o papel no lixo foi Esse relato é a demonstração de como a interferência do educador é
sendo observado. Fui percebendo que este movimento era de um ódio capaz de atingir a raiz dos problemas da sala de aula. Você já parou para
mortal. Ao mesmo tempo tinha alguma coisa de amor nele. Eu não sabia, pensar em como que as outra crianças reagiram diante daquela situação?
mas eu só via que aquilo tinha uma história! E ia tentar decifrá-la! Madalena Freire diz que não abandonou o restante das crianças para
dedicar-se somente a Eliane. Diante disso, somente a construção de um
O lixo e este gesto passaram a ser signos de Eliane. Este arremessar grupo é que poderá possibilitar a troca, o respeito por cada ritmo, a solidari-
com ódio misturado com amor...Desenvolvi várias situações: ‘você conse- edade, a cooperação. O Educador não precisa se despojar de si, de suas
gue lançar com mais força, com menos força? Em câmera lenta?’. Nada, dúvidas, de seus recesseios e de seus conflitos internos para interargir no
nada tinha ressonância, só aquele arremessar violento. espaço de sua sala de aula para torná-la ausente de interferências e indu-
Planejei representar, trazer a situação do conflito para ser pensada, ções; ao contrário, ele deve ser todo sensibilidade a fim de compreender e
socializada para poder deflagrar a construção do conhecimento. Nesse explicitar esses conflitos (FREIRE, Madalena).
sentido, o educador é um artista, porque lida com a leitura do inusitado e Cristovan Buarque - talvez, tanto como nós - se identifica com a histó-
com essa reapresentação cotidianamente. ria da Eliane. Lembra-nos, que no nosso país, devem existir pelo menos
Decidi, sem saber, confesso, que iria reapresentar para Eliane aquele cem milhões de Eliane. Cem milhões de pessoas muito próximas do lixo e
seu gesto de ódio e de amor no lançar objetos ao lixo. Como? Aonde? Em sentadas no chão. Pessoas que ao nascerem foram, metaforicamente,
quê? Que hora? De que maneira? O que é que eu invento? Com todas jogadas no lixo pela elite vergonhosa e podre deste país.
estas questões, fiquei de olho aberto, procurando uma atividade em que A recuperação da Eliane, através de um trabalho, nos coloca que ne-
pudesse atuar. nhum educador deve estar livre da tarefa de resgatar as cem milhões de
Ela tinha um jogo de casinha, onde era a mãe. Ninava, ninava, ninava Elianes que estão espalhadas por aí. E a tarefa de proporcionar educação
e, depois, como se estivesse de lua, repetia aquele mesmo gesto. Onde para todos exige de nós ser construtivista.
estivesse. Eu pensei: é ali. É ali que vou ter que buscar para pegar. Propus Buarque se declara construtivista porque trabalha com as três palavras-
uma atividade de construção com massa, barro, e ela trabalhando no chão, chave usadas nessa reflexão. Trabalha com o desejo, o desejo de que tipo
ainda, com aquela madeira e fez, nesse dia, um boneco. de país queremos. A descoberta deste desejo de para onde queremos levar
Quando ela fez o boneco - e eu por perto - senti que estava na hora de este país. Trabalha com a energia. A energia dos recursos naturais, dos
entrar em cena. Cheguei perto, por que tinha absoluta certeza de que, recursos físicos, dos recursos humanos, do saber, canalizados para fazer
rapidinho, aquele boneco iria ser esmagado. Aproximei-se, e quando ela foi do Brasil um país onde não haja Elianes. A descoberta do desejo e o co-
pegando para fazer isso, mais do que depressa avancei em cima dela, nhecimento da energia com um profundo sentimento de prazer. O prazer de
carreguei-a e fiz o mesmo movimento: o de jogá-la no lixo. participar da aventura de descobrir qual é o desejo da nossa nação e quais
E o medo? E a dúvida? E a minha agressividade? Meu Deus o que é ao os recursos, as energias que dispomos. Além desse processo de apren-
que eu estou fazendo? Que ato será esse de amor e de ódio?, o que é dizagem, Buarque fala do susto; sim, do susto de ser jogado na lata do lixo
isso? Eu não sabia. para saber porque queria ficar perto do lixo. São sustos profundos que nos
fazem querer descobrir para onde ir e não continuar indo por um caminho
Quando repeti o mesmo movimento, o mesmo gesto, perguntei: ‘Você
equivocado.
quer, Eliane, você quer que eu lhe jogue no lixo?’- ela aterrisou o olhar.
Pela primeira vez eu vi o fundo de seu olho, e ela disse: ‘Não, eu não quero Os dois sustos que estamos tendo nesse momento são a percepção,
que você me jogue no lixo.’ que ninguém imaginava há 50 anos, de que o país realizou muito mais do
que pensava, do ponto de vista da técnicas que temos. Ninguém imaginava
Sentamos no chão. Eu, em pandareco, desfeita, sem ter o rumo, mas
que o país se industrializaria, que iríamos urbanizá-lo, construiríamos
tinha claro uma conquista: vi o fundo do olho! Ela pegou em alguma coisa
rodovias e que resolveríamos, praticamente, o problema da energia.
de sua história. E a primeira coisa que ela me disse foi: ‘Você sabia que,
quando eu nasci, minha mãe jogou eu na lata do lixo? Você sabia que Estamos rendo o susto de como é possível fazer as coisas neste país,
quem me pegou foi minha vó?’ como foi possível a realização das coisas no espaço da técnica.

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Ao mesmo tempo, um outro susto está nos destruindo, corroendo o 2. Teoria Behaviorista de Watson: “aprender é estabelecer uma ca-
nosso coração. O susto de como fomos incapazes de construir uma utopia deia de condicionamentos”. Aprender é adquiri hábitos.
num país tão rico como o nosso. De que como avançamos tanto na técnica Baseia-se na lei da frequência e na lei da decência.
e regredimos tanto na utopia, pois resolvemos a energia e não a educação,
exportamos alimentos e não comemos, aqui dentro, o suficiente. E, ainda, 3. Teoria moderna ou Gestaltista ou do Insight: “aprender é dis-
como foi o susto de como foi possível urbanizar, mas não sanear. cernir a situação total estimuladora. ”Insight quer dizer: compreen-
são imediata, discernimento, intravisão, penetração. Baseada nes-
Estes dois sustos nos despertam para o entendimento de que a lógica sa teoria, a aprendizagem não é consequência da repetição em si,
que nos levou a avançar na técnica e regredir na utopia foi a falta de valo- automática, porque ela não é devida ao acaso, como queria
res éticos no uso destas técnicas. Porque nós acreditávamos que bastaria a Thorndike, e sim, ela provém do discernimento, da compreensão.
técnica para construir a utopia. Agora percebemos que a técnica só leva à
utopia, e não ao desastre, se formos capazes de dizer para onde iremos, e A aprendizagem só ocorre quando existe INSIGHT.
não indo só atrás das técnicas que inventamos. Quando há tentativas, há insights parciais; quando há grande interesse,
É hora deste país, que definiu como prioridade industrializar-se, cons- há insights totais.
truir hidrelétricas e as construiu, exportar e exportou, é hora desse país Baseia-se, a teoria moderna, nos seguintes princípios:
dizer: Está no momento de ter como busca de nosso futuro construir o • O estímulo não é uma soma de elementos e sim uma estrutura;
nosso desejo. O desejo de não ter nenhuma criança fora da escola. O
• A Gestalt é formada por estímulos e respostas, G=S-R;
desejo de não ter nenhuma Eliane sentada no lixo, no chão. É hora de
percebermos que este desejo nós temos. E além do desejo, dispomos de • Aprende-se por tentativas, mas não às cegas e sim por insights ou
energia para Construir o Brasil. discernimentos;
O desafio é que os educadores eduquem, movidos pelo desejo de fa- • Há várias modalidades de insight: total, parcial, súbita, gradual;
zê-lo. Para isso, é preciso que o educador sente-se na cadeira de aluno e • Aprender não é repetir; aprender é assimilar o conhecimento pela
olhe o que está acontecendo ao seu redor. Qual é o desastre que nós reflexão, para aplicá-lo; aprender, é modificar o comportamento.
construímos? Porque este país se dividiu em luxo e lixo, ao invés de dar • Para essa concepção de aprendizagem ocorrem dois elementos:
vida digna para todos? Por quê?
• Maturidade e desenvolvimento do sistema nervoso;
Precisamos de um povo que leia o Brasil como ele é. Precisamos de
educadores que olhem para a educação e a leiam como ela é, com tem • Interesse e motivação.
sido arrastada por esse anos, afim de descobrir uma nova linguagem que As teorias de Thorndike e da Gestalt apresentam um ponto de contato:
atinja a realidade, e, mais do que ler escrevam uma educação diferente, um em ambas o indivíduo aprende por tentativas, e apresentam uma
país diferente. A aventura de ser professor e de tentar também aprender. diferenças: na primeira, as tentativas se realizam ao acaso, às cegas, e na
segunda, pela compreensão.
APRENDIZAGEM: CONCEITO, CARACTERÍSTICAS E NÍVEIS E A A aprendizagem com base nas duas primeiras teorias é pseudo-
ABORDAGEM CONSTRUTIVISTA? aprendizagem.
EVOLUÇÃO DO CONCEITO DE APRENDIZAGEM
1. Conceito tradicional (mecanicista ou conexionista), com base DISTINÇÃO ENTRE AS APRENDIZAGENS
na teoria psicológica de Thorndike sobre a aprendizagem: “apren- PSEUDO-APRENDIZAGEMAPRENDIZAGEM AUTÊNTICA
der é relacionar a um determinado estímulo S uma certa resposta a. Processa-se no plano verbal e motora. Processa-se no plano
R (que surge Por ensaio e erro) até fixá-la pela repetição”. Apren- da inteligência.
der é decorar, mecanicamente, pela repetição
b. É passiva. É auto ativa
2. Conceito moderno (gestaltista), com base na teoria psicológica
c. Atrofia as funções superiores; é um processo imbecilizante, mecâ-
da Gestalt sobre a aprendizagem: “aprender é compreender uma
nico, sem utilização ou aplicação dos dados. Enriquece as funções
situação global de forma a reagir adequadamente em face dela”.
superiores, é um processo inteligente, reflexivo, com consciência
Aprende-se por “insight” (discernindo, penetração intravisão). A re-
de fim a atingir, com aplicação dos dados na vida prática.
petição se faz, apenas, para facilitar a resposta correta.
d. Tem base na decoração e na repetição Tem base na reflexão
Mattos: “A essência do aprender está na atividade mental intensiva a
e na compreensão
que os alunos se dedicam no trato direto com os dados da matéria”.
e. Não desenvolve a personalidade nem integra o indivíduo ao meio,
Ambos os conceitos mecanicistas e gestaltista, focalizam o processo
porque é rotineira, assistemática, sem finalidade. Desenvol-
de aprender.
ve a personalidade e integra o indivíduo ao meio, porque é funcio-
3. Conceito moderno em função do fim ou do resultado: “apren- nal, dinâmica, progressiva, sistemática e finalista
der é a modificação, para melhor, do comportamento, em seu trí-
f. Contribui para a formação de indivíduos mutilados, manhosos, as-
plice aspecto: pensar, sentir e agir com o objetivo de promover
tuciosos, vencidos, fracassados Contribui para a for-
adequado e eficiente ajustamento do educando ao meio físico e
mação de indivíduos íntegros, sinceros, firme, honestos, dignos, vi-
social”.
toriosos.
Os alunos aprendem quando refletem, raciocinam, aplicando conheci-
mento.
TIPOS DE APRENDIZAGEM
4. Outros conceitos adequados:
Qualquer aprendizagem apresenta aspectos motores, ideativos e emo-
a) Dewey: “a aprendizagem é a contínua reconstrução da experiên-
cionais; contudo, há sempre um aspecto dominante, daí dizer-se que há
cia”.
três tipos de aprendizagem:
b) Goetting: “A aprendizagem é autocriação através da auto ativida-
• aprendizagem motora ou motriz, como a da escrita;
de.”
• aprendizagem ideativa, como os estudo das regras de regência ou
concordância verbal;
TEORIAS DA APRENDIZAGEM
• aprendizagem emocional, sentimental ou de apreciação do belo,
1. Teoria tradicional de Thorndike (do ensaio e erro; conexionis- da arte etc.
ta; mecanicista): “aprender é formar conexões entre estímulos e
respostas.” Não se aprende uma só coisa de cada vez, mas várias, e, por isso o
que existe é uma aprendizagem principal e aprendizagem concomitantes, e
O indivíduo aprende por ensaio e erro, às cegas, por tentativas. Ë uma daí o “caráter compósito” que toda aprendizagem oferece.
aprendizagem mecânica baseada no ensaio e no erro, na lei do exercício e
na lei do efeito.
Conhecimentos Contextuais 10 A Opção Certa Para a Sua Realização
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ASPECTOS FUNDAMENTAIS DA APRENDIZAGEM desconhecida a criança mobiliza o que chamamos de repertório. O reper-
A aprendizagem é um processo: tório é o conjunto de elementos que fazem parte de toda a experiência da
criança, o produto de todas as relações já estabelecidas com o mundo, toda
• auto-avaliativo: depende da auto-atividade pessoal do aluno e a sua bagagem, todas as impressões que têm sobre a realidade em que e
cabe ao professor estimulá-la atua constantemente.
• reflexivo ou inteligente: não é mecânica, exige pensamento re- Ao mobilizar o seu repertório a criança o sujeito cognoscente gera um
flexivo e consciente, inteligente; conflito. Este conflito é a mola propulsora que a ajudará a desvelar o
• finalista: tem um fim em vista e cabe ao mestre dar uma base objeto de conhecimento (o que vai se dar a conhecer). O conflito consiste
construtiva ao trabalho escolar, o que consegue animando essa em se contrapor as informações conhecidas às desconhecidas, o que leva
atividade, propósitos claramente assimilados pelos alunos. ao desejo de apreender a nova situação e o sujeito passa a levantar hipó-
O ensino existe para motivar a aprendizagem, orientá-la, dirigi-la; existe teses. Nesse levantamento de hipóteses, ela atribuirá ao objeto de conhe-
sempre para a eficiência da aprendizagem. cimento que está se deparando, todas as suas impressões contrapostas
com a informações que este objeto de conhecimento lhe oferece. Começa a
CARACTERÍSTICAS DA APRENDIZAGEM estabelecer relações que vão proporcionando-lhe um definição desse
objeto de conhecimento.
A aprendizagem é um processo:
Quanto maior o número de hipótese ela conseguir levantar, melhor po-
• contínuo: existe do nascimento à morte; derá estabelecer a conceituação do que se trata este objeto de conheci-
• progressivo: de adaptação constante; mento o qual ela deseja conhecer.
• dinâmico: de atividade constante; Como pudemos ver, a criança é desafiada à ampliação do seu conhe-
• auto-ativo pessoal: exige auto-atividade individual; cimento. Mas, as situações de aprendizagem que mobilizam o repertório,
criam conflitos e levantam hipóteses, precisam se constituir me situações
• de automodificação do comportamento (no pensar, no agir, no significativas de aprendizagem.
sentir), modificação esta que depende da experiência anterior.
E, aí, podemos ainda perguntar: O que é, pois, significativo no contexto
“Aprender é modificar o comportamento, pela experiência, Com um da aprendizagem? O que ‘significativo para a criança? Até que ponto as
sentido de progressiva adaptação”. práticas pedagógicas têm refletido acerca do que seja significativo para a
criança?
EXISTE OUTRA FORMA DE PENSARMOS A APRENDIZAGEM? Talvez, para que possamos melhor compreender este ponto da nossa
Quando nos deparamos com um texto assim fica-nos bem claro, as discussão, tentemos definir o que não é significativo para a criança.
concepções que ele engedram. A Pedagogia Tradicional e a Pedagogia Quando falamos do que não é significativo podemos dizer que: signifi-
Nova estão aqui, bem explicitadas através das colocações feitas. Porém, a cativo é aquilo que não é da realidade presente da criança. Por exemplo,
realidade da educação tem demonstrado que ambas não estão mais dando será necessário estudar a África, um país tão distante e tão diferente do
conta da produção do conhecimento de nossas crianças. Em que, então, nosso, tão fora da realidade de nossas crianças? A África seria um objeto
devemos buscar nossos referenciais, que orientem nossa prática pedagógi- de conhecimento significativo? A primeiro momento quando olhamos para
ca? Como superar o tradicionalismo e o espontaneísmo, tão empregnado esta proposta, achamos que ela seja desencontrada da problemática da
na prática e na convicção docente? realidade em que o nosso sujeito cognoscente está. Podemos perguntar:
Podemos diante desse quadro propor alternativas que vão mais de en- será significativo ou não? Termos, talvez, várias hipóteses a levantar sobre
contro com a realidade que dispomos, onde realmente possamos ver nas esse assunto. Temos pessoas que vieram da África em nossa sala de aula?
palavras discutidas a presença do sujeito que a prende, o sujeito cognos- Ou pessoas que descendem de africanos? Conhecemos pessoas que, no
cente. seu modo de ser, expressam aspectos da cultura africana?
É pensando nesse sujeito ativo que podemos nos perguntar até que Poderíamos responder afirmativamente a todas estas questões, e tal-
ponto o trabalho de ensinar está realmente acontecendo, quando desloco o vez esse objeto de conhecimento pudesse, então, ser significativo para a
meu olhar para a situação que mais fará emergir essa resposta: como o produção/construção do conhecimento.
aluno aprende? Aí, sim, posso caminha, avançando na construção de um Tentemos responder a esta questão olhando para o que seja significa-
conhecimento que amplie a prática pedagógica e que nos faça caminhar na tivo. Pelo exemplo tomado, pudemos perceber que o objeto de conheci-
produção de um conhecimento coletivo, que explicite estes questinamentos. mento passa a ser significativo quando podemos estabelecer com ele
Precisamos desvelar a prática espontaneísta e passiva a que nossas relações de descoberta, troca; notamos, também, que este significativo
crianças são submetidas, nas prática escolares que têm efetivado apenas a parte de um desejo que se possui para ser possível se lançar como sujeito
reprodução de conteúdo ou sua mutilação em detrimento do descobridor, desbravador, atuante, cognoscente. O significativo está relaci-
estabelecimento da gama de relações que o educando é capaz de onado ao desejo. Aprendo aquilo que eu desejo aprender. E como se
construir, na formulação e construção, e ainda podemos dizer, na produção deseja? O desejo aqui, não deve ser entendido como necessidade, mas
do seu conhecimento. sim procura daquilo que já conheço, e que me agrada tanto, que me leva a
O sujeito, ora espontaneísta, ora passivo, tem sido trabalhado para um desejar mais ainda.
fim, que parece ter sentido somente em si mesmo. A criança é chamada a Este sujeito cognoscente, é o mesmo sujeito da aprendizagem, sujeito
diferenciar; decodificar símbolos; utilizar padrões da língua, sem ter claro a ativo, que busca um significado, movido pelo desejo. Na verdade, ele
própria função desta; a saber seguir comando, sem questionamento sobre procura construir a possibilidade de aprender diante do objeto de conheci-
eles; generalizar assuntos que desconhece, que estão totalmente fora da mento.
sua realidade, com subsídios mínimos; a trabalha com pouca variação de Esta relação do conhecimento é interessante para enriquecer a nossa
modalidades da língua; a calcular situações ou hipotéticas demais, ou discussão.
somente centradas no conhecimento do seu mundo - que ainda é restrito, e
o seja por muito tempo. Podemos estabelecer que de um lado temos o sujeito, sujeito cognos-
cente, ativo, sujeito da aprendizagem, que possui um conhecimento e que é
Mas, como podemos trabalhar com a ampliação do conhecimento que capaz de conhecer e produzir conhecimento; de outro lado temos o objeto
a criança possui? Como isso acontece com este sujeito? Como a criança de conhecimento, que possui, também, conhecimento, que é também,
lida com a informação? Como a criança pensa? Como a criança aprende? relativo, provisório, formal, construído num processo histórico. Que relação
Podemos observar que nas questões iniciais deste texto procuramos, podemos explicitar entre estes dois lados? A relação entre eles, será uma
procuramos e não encontramos a criança. Encontramos uma série de relação integradora, onde ambos sairão modificados dela. Esta relação
conceituações que não nos desvelam esse universo rico que é o conheci- também é diferente de sujeito para sujeito, pois é dependente do repertório
mento acerca de como a criança aprende. que cada sujeito possui. Por exemplo, se uma pessoa possui um conheci-
A primeira consideração a fazer, é que a criança aprende estabelecen- mento prévio da Língua Inglesa, por já ter morado em países que se utili-
do relações entre o conhecido e o desconhecido. Diante de uma questão zam dela, resolver aprofundar seus conhecimentos nesta área de conheci-

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mento, a sua relação com este objeto de conhecimento será diferente ao de 5. Fiscalização: aulas em que o professor fiscaliza a disciplina e exi-
uma pessoa que nunca teve contato com esta língua. Os repertórios destas ge lições de cor.
pessoas são diferentes, e, portanto, a relação de integração delas com a
Língua Inglesa, no caso, serão diferentes.
CONCLUSÕES DOBRE O PROCESSO DE ENSINAR
Este momento de confronto, é movido pela intençãoXação, ou seja é o
confronto da teoria com a prática. Primeira: há uma relação intrínseca entre ensino-aprendizagem: “não
há ensino se não há aprendizagem”.
Nessa proposta o professor é visto como mediador, como veremos a
seguir no ítem que trata sobre o ENSINO, a construção do conhecimento é Segunda: há de se conhecer o fenômeno sobre o qual o ensino atua,
coletiva, as técnicas não garantem a aprendizagem a atividade não é o que é aprendizagem.
centro do processo de aprendizagem. Prossiguemos, desvelando, refletindo Para haver ensino e aprendizagem é preciso:
sobre as concepções acerca do ensino. a) uma comunhão de propósitos e identificação de objetivos entre o
mestre e o aluno;
ENSINO: PROCESSO, OBJETIVOS, CONTEÚDOS, MÉTODOS E PRO- b) um constante equilíbrio entre: o aluno, a matéria, os objetivos do
CEDIMENTOS E A ABORDAGEM CONSTRUTIVISTA? ensino e as técnicas de ensino.
EVOLUÇÃO DO CONCEITO DE ENSINO
1. Conceito etimológico (do latim in signare): ensinar é colocar O ENSINO: UMA PERSPECTIVA DIFERENCIADA
dentro, gravar no espírito”. Ensinar, pois, é gravar ideias na cabeça Como vimos anteriormente, a aprendizagem que aqui enfatizamos, tem
do aluno. Método usado: “marcar e tomar a lição”. o foco totalmente redimensionado. Como fica, então, o conceito de ensino,
2. Conceito antigo: “ensinar é transmitir conhecimentos”. Para Co- diante dos pressuposto defendidos?
menius, o processo de ensinar abrangia: “intellectus, memoria et A definição do ensino passa, também, por uma reflexão, que tentare-
usus”, isto é, compreensão, memorização e aplicação. mos explicitar aqui.
3. Conceito moderno: “ensinar é dirigir, tecnicamente, a aprendiza- Se eu tenho de um lado o sujeito cognoscente, de outro ou objeto de
gem”, isto é, “orientar a atividade do aluno num sentido valioso pa- conhecimento, e afirmo que existe entre eles uma relação, e que ambos
ra a vida”. Método: “learn by doing”, isto é, aprender a fazer, fazen- saem desta relação modificados, o que me falta? Falta o elemento que vai
do. realizar a mediação entre ambos os elementos citados, o mediador.
O mediador vai se o elemento que proporcionará está relação entre su-
CONSEQÜÊNCIAS DAS CONCEPÇÕES DE ENSINO jeito e objeto, e na instituição escolar ele poderá ser o professor. Digo
Na escola tradicional: poderá, porque quando pensamos que construímos nosso conhecimento na
relação com o objeto e temos um mediador desta relação, esse mediador
1. Centro do sistema escolar: o professor, cujo objetivo era dar ma- poderá ser, também, um outro aluno, um outro sujeito que possua mais
téria1. Centro do sistema escolar: o aluno - escola paidocêntrica informações acerca do objeto a ser conhecido. Esta figura aparece muito na
2. Ensino e aprendizagem: formas paralelas subordinadas à matéria sala de aula, quando são proporcionados momentos de troca, em grupo,
de ensino.2. Ensino e aprendizagem: formas entrosadas, correlaci- duplas, discussões e exposições de vários pontos de vista, aceitação do
onadas, subordinadas às necessidades do aluno. ponto de vista do outro, explicitação dos conflitos, enfim quando os momen-
3. Método: aquele de que o professor mais gosta3. Método: aquele tos privilegiam uma produção coletiva. Mas, trataremos, as seguir, da figura
em função do qual o aluno melhor aprende. Problema do aluno do professor, por ele ser realmente, a ponte entre o sujeito que já conhece,
com o objeto de conhecimento (o desconhecido).
4. Elemento a atuar sobre o aluno: apenas o mestre (através da
matéria que lhe era impostas).4. Elementos para atuarem sobre o Como tratamos anteriormente, a significação é indispensável para
aluno: todos os do meio e o mestre que age, sistematicamente, assimilação. Note-se que não falamos mais da memorização. O sujeito,
através da matéria e do método, articulando ambos para dar ao que aprende, que deseja aprende e que já sabe - faço questão de frisar
aluno uma experiência significativa e valiosa essas qualidades do sujeito para que ele não apareça como passivo, nem
com espontaneísta)-, assimila sobre o objeto de conhecimento aquilo que
5. Objetivo: transmitir conhecimento automaticamente, sem interes- lhe for significativo, ou seja, aquilo que possui “conexão” com o que já
sa, pelo aproveitamento e aplicação da aprendizagem.5. Objetivo: conhece, e que amplia este conhecimento, não sendo, pois, necessário a
transmitir conhecimento, reflexivamente, para educar, havendo in- simples memorização deste objeto. A sua relação com este objeto é de
teresse pelo ajustamento do ensino às diferenças individuais, vi- intensa troca, reflexão e de função, não se convertendo num fim em si
sando à integração do aluno na vida social. mesmo. É uma produção de conhecimento que faz diferença para quem
6. Matéria: sem valor, autônomo, apresentada sob a forma de lista de está produzindo - teria o sentido, o significado e a valorização de um parto.
pontos6. Matéria: significativa, funcional, selecionada, programada Se acreditamos, então, que sujeito e objeto se relacionam e se modifi-
e dosada em função dos objetivos, das necessidades e dos inte- cam, a nossa postura enquanto mediadores, ultrapassará a retórica, o
resses do aluno e apresentada sob a forma de unidades didáticas. laissez-faire, e passamos a assumir uma posição de garantir essa troca,
assumindo o processo ensino-aprendizagem como sendo interativo, coleti-
OBSERVAÇÕES COMUMENTE ENCONTRADA NOS QUE ENSINAM vo, a fim de acionar o conhecimento individual na conquista de uma produ-
ção de um conhecimento social, que não é a soma de todos os conheci-
1. Exibição:
mentos, mas a construção coletiva e histórica dele, garantida através da
a) de dotes oratórios: aulas discursivas, em que o professor se trans- socialização dos repertórios para a possibilidade de sua ampliação.
forma em orador;
E é neste momento, que nos colocamos em “xeque”. Qual tem sido a
b) de conhecimentos: aulas artificiais, em que o professor mostra sua concepção, ou concepções, que temos defendido enquanto educadores?
erudição, cita autor, usa terminologia técnica. Não seria o momento de explicitarmos em nossa prática e em nosso dis-
2. Divagação: aulas em que o professor apresenta a matéria de for- curso, exatamente, por quê utopias temos nos levado?
ma dispersa, fazendo o aluno perder tempo. Ele faz do “ensino um Aí é que surge a valorização da concepção construtivista, pois ela
passatempo”. defende o sujeito como o centro do processo ensino-aprendizagem, garan-
3. Rotina: aulas sempre idênticas, em que o professor parece um tidos os aspectos da interação, da socialização, da confrontação.
“disco” de gravação, usando os mesmos exemplos sem se atuali- Para nos situarmos melhor, a fim de desvelarmos nossas concepções,
zar. seria bom um olhar reflexivo nas colocações que MIZUKAMI, faz em rela-
4. Pregação de moral: aulas em que o professor em vez de dar a ção à abordagens do ensino.
matéria, faz sermões de moral, verdadeiras “catilinárias moralizan-
tes”.

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ABORDAGEM TRADICIONAL Para os comportamentalistas, tanto a Ciência como o Comportamento, são
Não se fundamenta em teorias empiricamente válida, mas numa prática um forma de conhecer os eventos, e isto torna possível o seu controle e
educativa. utilização. SKINNER é representante da análise funcional do comportamen-
to; para ele tanto o comportamento, como cada parte do comportamento é
O HOMEM é visto com tábula rasa, receptor passivo, inserido num uma função de alguma condição (condicionamento): se alguém der a
mundo que deve conhecer através de informações e conteúdos, cuja posse condição, surge o comportamento esperado. Tem fundamentos no Neobe-
o fará eficiente. haviorismo Skineriano, a abordagem sistemática da instrução, os modelos
O MUNDO é externo ao indivíduo e será apossado por este, gradati- ou sistemas de instrução como os de POPHAM, PAPY etc. Os modelos
vamente, principalmente pela educação formal. Quanto à SOCIEDADE- são desenvolvidos a partir da análise dos processos pelos quais o ser
CULTURA, os conteúdos exprimem os níveis culturais a serem adquiridos humano é modelado e reforçado. Para isso deve haver: o planejamento das
na educação formal pelas novas gerações que disso dependem para so- contingências (condicionamentos) e a recompensa, que reforça o compor-
brevive. O diploma confere uma hierarquia cultural, a educação é bancária: tamento. O comportamento deve ser operacionalizado, desprezando-se os
depósito de conhecimentos valorizados culturalmente e formalmente. elementos não -observáveis ou subjacentes ao comportamento. Qualquer
Quanto ao CONHECIMENTO aborda os pressupostos de que a inteli- estratégia instrucional tem a preocupação de basear-se na ciência e na
gência é uma faculdade capaz de acumular informações; o ensino é mais tecnologia educacional, aplicando-a no planejamento, implementação,
dedutivo; valoriza-se a escola e a educação formal; o sujeito tem papel condução e avaliação do processo de aprendizagem. O ensino é composto
insignificante na elaboração do conhecimento, ele deve memorizar: defini- por padrões de comportamento que podem ser mudados pelo treinamento,
ções, enunciados de leis, sínteses e resumos que lhe são dados a partir de de acordo com os objetivos instrucionais (operacionais) pré-fixados. O
um esquema atomístico. conteúdo transmitido visa objetivos e habilidades que levam à competência.
Tais habilidades são tidas como respostas emitidas devido à contingência.
A EDUCAÇÃO é vista como instrução e transmissão de conhecimen-
tos; a ênfase está no produto da educação, ou seja, ideias selecionadas e O HOMEM é visto como não sendo livre: é uma consequência das for-
organizadas logicamente. ças do meio. O seu comportamento é ordenado e determinado. O que o
homem faz é resultado de condições que uma vez planejadas podem
A ESCOLA é o lugar por excelência da educação que se restringe a
determinar e antecipar o comportamento que vai ocorre. Assim, os arranjos
transmitir informações na sala de aula; é também o lugar onde mais racio-
adventícios das variáveis genéticas e ambientais são responsáveis pelos
cina-se. O professor é mediador entre os alunos e os modelos, e a relação
erros e virtudes dos homens. Mas o ideal é que o próprio sujeito tenha o
professor/ aluno é vertical.
controle da sistemática ambiental: assim, a pessoa torna-se autocrontrolá-
No PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM a ênfase é dada à sala de vel, auto-suficiente.
aula, onde os alunos são instruídos e ensinados. A aprendizagem tem um
O MUNDO, a realidade, é visto como um fenômeno objetivo: o mundo
fim e, si mesma. A problemática do ensino- tradicional está no tipo de
já é construído e o Homem é produto do meio (que é controlador). O meio
intervenção que é sempre necessária. A aprendizagem consiste em aquisi-
seleciona. O comportamento pode ser mudado desde que se modifiquem
ção de informações em formação de hábitos. O programa é artificial e não
as condições ambientais da qual ele é função. Para isso devem-se especifi-
facilita a transferência da aprendizagem. Ignoram-se as diferenças individu-
car as contingências do reforço: a resposta desejada - o comportamento
ais, pois as metodologias não variam; valorizam-se as expressões do
que se quer que o organismo tenha-, a ocasião - as condições para a
mestre (verbalismo) e a memorização do aluno; enfatiza-se a transmissão
resposta ocorrer-, as consequências da resposta -reforços.
de conhecimentos de forma sistemática e acabada; as tarefas são padroni-
zadas e valoriza-se a rotina. SOCIEDADE-CULTURA. Para Skinner, o ambiente social é a cultura, é
esta que dá forma e preserva o comportamento dos que nele vivem. Uma
Na RELAÇÃO PROFESSOR/ALUNO, o poder decisório é do profes-
cultura se desenvolve quando novas práticas surgem e são submetidas à
sor; a ele compete informar e conduzir os alunos, em direção aos objetivos
seleção; isto não ocorre por acaso, mas por alguém que planeja. Uma
externos a eles, ou são impostos pela Escola ou pela Secretaria. As rela-
cultura bem planejada é um conjunto de contingências de reforço. A socie-
ções são verticais e longitudinais. As relações sociais são praticamente
dade ideal é a que implica planejamento social e cultural. A sua Tese
suprimidas: a classe fica afetiva e intelectualmente dependente do profes-
Básica consiste em: pelo planejamento a vida do homem pode ser boa e
sor. A relação predominante é individual, professor/aluno, sendo a classe
gratificante, mas o controle e o diretivismo do comportamento humano são
uma justaposição de relações duais, sem interações entre alunos.
inquestionáveis, o papel do homem é ser passivo e correspondente àquilo
A METODOLOGIA baseia-se na aula expositiva e nas demonstrações; que é planejado para ele. Skinner admite o relativismo cultural, dizendo que
a classe limita-se a escutar o professor. A reprodução automática dos o que é bom numa cultura pode não ser em outra.
conteúdos é indicador de que houve aprendizagem. A didática limita-se a
Quanto ao CONHECIMENTO, defendem que a base do conhecimento
“das aula” e a “tomar lição”. O MAGISTÉRIO é visto como arte. O método
é a experiência planejada (empirismo); o método é indutivo; a inteligência é
expositivo é tem por pressuposto basear a aprendizagem no exercício do
herdada, mas as formas específicas de comportamento, não são. A onto-
aluno que começa após a exposição do professor. A motivação é extrínse-
gênese do comportamento são contingências do reforço, que são externas
ca. Trata-se a todos os alunos igualmente. Privilegiam-se o verbal (escrito e
ao indivíduo; os “estados internos” existem, mas não interessam à análise
oral), as atividades intelectuais e o raciocínio abstrato. Algumas matérias
funcional em que a: variável dependente é o comportamento previsto e
são consideradas mais importantes que as outras. O sucessor do ensino
controlado; as variáveis independentes (causas do comportamento) são as
verbalista é o ensino intuitivo, que usa o método Maiêutico, em que o
condições externa das quais o comportamento deriva, das quais é função;
professor dirige a classe para um resultado básico, através de perguntas
as relações de causa e efeito entre ambos são as leis da ciência; uma
que representam passos para o objetivo proposto.
síntese dessas leis desenha um esboço inteligente do organismo, como um
A AVALIAÇÃO, visa à exatidão de reprodução do conteúdo sistema que se comporta.
comunicado na aula. O exame é um ritual exigido e coercitivo, com fim em
A EDUCAÇÃO está ligada à transmissão da cultura: transmissão de
si mesmo.
conhecimentos, habilidades, práticas sociais e comportamentos éticos. O
CONSIDERAÇÕES FINAIS problema é saber o que se quer ensinar. Quem decide (família, grupos) são
O termo Ensino Tradicional é ambíguo e engloba vários sentidos. Tem centros da sistemática do ensino-aprendizagem. Assim, a educação assu-
subjacente uma epistemologia que consiste em supor que o conhecimento me um papel controlador. A finalidade do sistema é promover mudanças
vem do meio e é transmitido na escola. Põe ênfase no professor para que a desejáveis nos indivíduos, para isso modifica os comportamentos existen-
transmissão do patrimônio cultural seja garantido. O aluno é um ser passi- tes e leva-os a adquirirem outros. O organismo humano pagaria caro se
vo. fosse regulado só por acidentes e contingências naturais; é importante
ABORDAGEM COMPORTAMENTALISTA planejá-las. Para isso há a educação, ou treinamento social, que consiste
em aumentar as contingências do reforço e sua frequência para obter
Caracteriza-se pelo primado do objeto (empirismo) COMPORTAMEN- certos objetivos.
TALISMO (BEHAVIORISTAS), INSTRUMENTALISTAS e POSITIVISTAS
LÓGICOS, considera a experimentação ou a experimentação planejada A ESCOLA é uma agência de educação formal que deve adotar uma
como base do conhecimento que seja resultado de uma experiência direta. forma peculiar de controle com os comportamentos que pretende instalar e

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manter. Está ligada a outras agências controladora da sociedade. Há uma aluno, decorrente da teoria sobre personalidade e conduta. Esta aborda-
interdependência entre as escolas e essa agências. Sendo agência de gem dá ênfase às relações interpessoais, à vida psicológica e emocional,
controle social, a escola é uma agência de limitação do desenvolvimento da com o autoconceito.
individualidade da pessoa, o conteúdo pessoal passa a ser o conteúdo O professor não transmite conteúdo, dá assistência, sendo um facilita-
social. Skinner critica a escola pelo uso que ela faz do controle aversivo, dor da aprendizagem. O professor não ensina, cria condições para que os
pois, este não leva à aprendizagem efetiva e é contrário à democracia, os alunos aprendam. O conteúdo advém das experiências dos alunos.
direitos humanos e os ideais religiosos.
O HOMEM é visto como uma pessoa situada no mundo; é único. É
No PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM, a aprendizagem é uma pessoa em processo contínuo de autodescoberta, ligando-se a outras
mudança relativamente permanente numa tendência do comportamento pessoas ou grupos. O fundamento para a construção do conhecimento
e/ou na vida mental do indivíduo. Tal mudança é resultante de uma prática abstrato é a experiência pessoal subjetiva. O homem goza de liberdade
reforçada. Ensinar consiste num arranjo ou disposição de contingências plena e é um projeto permanente e inacabado. Ele se cria a si próprio,
para uma aprendizagem eficaz. É responsabilidade do professor assegurar arquiteto de si mesmo, num constante processo de atualização. Sua exis-
a aquisição dos comportamentos desejados dos alunos; tais comportamen- tência não é condicionada a priori. O pressuposto básico da teoria rogeria-
tos serão instalados e mantidos por condicionantes e reforçadores arbitrá- na é a capacidade das pessoas em seu próprio crescimento. A tendência
rios tais como: elogios, graus, notas, prêmios, prestígio, os quais estão de desenvolver-se, de crescer é comum a todos os viventes e é o motor da
associados com reforçadores mais remotos: diploma, futura profissão, personalidade humana. O homem é consciente da sua incompletude, tanto
ascensão social, status. O arranjo do ensino depende de um evento ante- do mundo interior como do exterior, sendo agente transformador da reali-
cedente, uma resposta do aluno, um evento consequente, o planejamento dade.
de contingência e o fato do comportamento humano ser complexo e fluido.
Os elementos mínimos para um sistema instrucional são: o aluno, um O MUNDO, para Rogers, a realidade é um fenômeno subjetivo, o mun-
objetivo de aprendizagem, e um plano para alcançar este objetivo. A apren- do é produzido pelo homem, diante de si mesmo. O mundo é o projeto
dizagem será garantida pela sua programação. humano, é o homem que faz com que o mundo se historicize numa tempo-
ralidade. O papel do mundo é criar condições para as pessoas. Mas, nem
Na RELAÇÃO PROFESSOR/ALUNO, a responsabilidade do professor sempre a interpretação pessoal do mundo coincide com o mundo objetivo.
é planejar e desenvolver o sistema do ensino-aprendizagem de forma que o Por isso nada é totalmente objetivo. O “EU” inclui todas as percepções que
desempenho do aluno seja maximizado. O professor é considerado com um o indivíduo tem sobre o seu organismo, e todas as suas experiências. A
planejador, analista de contingências, engenheiro comportamental; a sua ênfase é no sujeito, mas o ambiente é condição para o desenvolvimento do
função básica é arranjar as contingências do reforço. Os passos do ensino sujeito.
e os objetivos são baseados em critérios que fixam os comportamentos de
entrada (pré-requisitos) e os que o aluno terá no processo de ensino. A SOCIEDADE-CULTURA. Rogers não trata da sociedade, mas tem
enorme confiança no pequeno grupo. A única autoridade necessária é a de
A METODOLOGIA baseia-se na aplicação da tecnologia educacional, estabelecer qualidade de relacionamento pessoal. Enfatiza o processo e a
as estratégias de ensino e as formas de reforço na relação- profes- “sociedade aberta”, definida por POPPER como aquela em que os indiví-
sor/aluno. É uma maneira sistemática de planejar, conduzir e avaliar o duos assumem a responsabilidade das decisões pessoais. NEILL não criou
processo total de ensino-aprendizagem. A individualização é uma estratégia crianças para ajustar à sociedade, seu objetivo é que eles se tornassem
de ensino que decorre da coerência teórico-metodológica; implica especifi- felizes, pois não baseava seu trabalho na propriedade e no consuma, mas
cação dos objetos, envolvimento do aluno, controle de contingências, feed- sim, no ser.
back, apresentação em passos e respeito ao ritmo do aluno. Geralmente,
usa o módulo instrucional como material de ensino. A instrução programada Quanto ao CONHECIMENTO o fundamento pelo qual ele é construído,
é um esquema para fazer efetivo o uso de reforços, modelagem e manu- é a experiência pessoal subjetiva. Roggers não sabe se existe uma realida-
tenção do comportamento. Toma como princípio, que a matéria deve ser de objetiva, a percepção é a realidade para o indivíduo. O sujeito tem papel
dividida em passos de modo que cada resposta, cada comportamento central na criação do conhecimento, pois ao experimentar o homem conhe-
possa ser reforçado. As formas de combinar reforços e contingências são: ce, e a experiência é o conjunto de realidades vividas pelo homem. O único
encadeamento, modelagem fading - mudança graduada do estímulo. São homem que se educa é o que aprendeu como aprender. O Jovem é intrin-
importantes os objetivos do ensino. Ao defini-lo, três elementos são impor- secamente motivado em alto grau para conhecer.
tantes segundo MAGER: o que ensinar, em que nível e em condições. A EDUCAÇÃO é vista em amplo sentido: tudo o que estiver a serviço
A AVALIAÇÃO consiste em constatar se o aluno atingiu os objetivos do crescimento pessoal, interpessoal e intergrupal é educação. A Filosofia
propostos. É realizada no início, no decorrer e no fim do processo. A avalia- da Educação Rogeriana, chamada Filosofia da Educação democrática,
ção é um elemento constituinte da própria aprendizagem, pois, fornece deixa a responsabilidade da educação para o próprio aluno. A finalidade
dados para o arranjo de contingências e reforços, uma vez que os compor- primeira da educação é criar condições que facilitem a aprendizagem. A
tamentos dos alunos são modelados à medida em que estes têm conheci- educação centrada no aluno o leva à valorização da busca de autonomia -
mento dos resultados do seu comportamento. dar-se regras a si mesmo ou assumir as regras que propõe ao próprio
grupo-, em oposição à anomia ausência de regras) e à heteronomia (nor-
mas dadas aos outros). A educação formal par Roggers é um encontro
CONSIDERAÇÕES FINAIS deliberado e intencional entre pessoas que visam experiências significati-
O meio e o Homem podem ser controlados e manipulados. Compreen- vas, crescimento, atualização e mudança. Características da próprias
dendo este controle e manipulação, Skinner pensa que o homem será livre. educação: autodescoberta, autodeterminação.
Educação, ensino-aprendizagem, instrução, são arranjos de contingências A ESCOLA deve respeitar a criança e oferecer-lhe condições para o
para a transmissão cultural. O ensino é função de uma tecnologia. Pedago- seu desenvolvimento autônomo. NEILL, mostrou a possibilidade da escola
gia, Educação e Ensino são identificados como métodos e tecnologia que se governar pela autonomia democrática, com as leis estabelecidas por um
deriva da análise experimental do comportamento. O que não é programa- parlamento escolar. O princípio básico é a não-interferência no crescimento
do não é desejável, e a ênfase cai no produto, na transmissão cultural, no da criança. Roggers declara que aboliria o ensino, os exames, as notas, os
diretivismo. A direção do ensino aqui é mais eficiente que na Pedagogia créditos, o diploma, o sistema de expor conclusões.
Tradicional, porque é garantido pela programação (planejamento). No PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM o professor deve usar téc-
nicas de dirigir a pessoa à sua própria experiência (é um dirigir, sem dirigir).
ABORDAGEM HUMANISTA É esta a finalidade do método não-diretivo. Ele exige a atitude básica de
confiança e respeito pelo aluno. Não é um método estruturante do processo
Esta abordagem considera as tendências sobretudo do sujeito, mas ensino-aprendizagem mas é um método informante no qual o professor não
não deixa de ser interacionista porque não é nativismo ou apriorismo puros. dirige o processo, mas facilita a comunicação do aluno consigo mesmo. Os
NEILL, é tido por espontaneísta, porque propõe que a criança se desenvol- conceitos básico da teoria da aprendizagem, resultantes desta análise,
va sem intervenção, dando ênfase no papel do sujeito como principal segundo MAHONEY são: potencialidade para aprender, tendência à reali-
elaborador do conhecimento humano. ROGGERS é representante da zação desta potencialidade, capacidade organística de valoração, aprendi-
psico-humanista (3ª força em Psicologia), propõe o ensino centrado no zagem significativa, abertura à experiências, auto-avaliação, resistência

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pequena à aprendizagem, criatividade, autoconfiança, independência. As estruturas posteriores. O núcleo do processo de desenvolvimento consiste
funções da auto-avaliação são: a valoração, a criatividade, a auto-confiança numa progressiva adaptação - feita de assimilaçãoXacomodação- do
e a independência. Aprendizagem significativa é aquela que envolve toda a homem ao meio. Ao tentar controlar o meio, o homem modifica e se modifi-
pessoa, tanto no cognitivo como no sensível; ela é auto-iniciada, penetran- ca. A inteligência se modifica ontogeneticamente na espécie, sendo, por-
te, avaliada pelo aluno que sabe que está indo na direção do que quer tando, uma construção histórica: em seu desenvolvimento a criança rein-
saber, de suas necessidades; é auto-dirigida, auto-apropriada. Roggers diz venta todo o processo racional da humanidade - lei biogenética.
que toda aprendizagem é uma auto-descoberta e que não pode ser comu- Com o desenvolvimento caminha para o máximo de operacionalidade
nicada a outro, por isso as consequências do ensino não são importantes, nas atividades, seja elas motoras ou mentais. Assim, o homem progride de
são até nocivas. Aprecia aprendizagem em grupos, na terapia ou por conta estágios mais primitivos - menos plásticos e menos móveis - para o pensa-
própria. Não se pode ensinar o outro com ensinar. mento hipotético-dedutivo. Um fenômeno básico no desenvolvimento da
Na RELAÇÃO PROFESSOR/ALUNO, COMBS defende que cada pro- criança é acoplagem do sujeito simbólico à atividade real, o que lhe possibi-
fessor é uma personalidade única, daí, não ser possível ensinar-lhe estra- lita por o pensamento a serviço da ação. Toda atividade humana implica em
tégias de ensino (Abordagem Personalista). Ele acha que o professor não duas variantes: a inteligência e a afetividade que são interdependentes. A
precisa ter conhecimentos nem competência para ensinar, pois eles refe- inteligência é uma forma de coordenação da ação (motora, verbal ou men-
rem-se a um a forma de relacionamento pessoal e única com o aluno. A tal) a uma situação nova com o objetivo de auto-organizar-se para enfrentar
competência básica seria a habilidade de compreender a si e aos outros. um sistema, encontrar um comportamento que mantenha o equilíbrio entre
Treinar o professor seria ajudá-lo a descobrir o seu EU. Desse relaciona- o organismo e o meio. A evolução da criança vai do egocentrismo à res-
mento devem nascer as condições de aceitação e compreensão, pois ponsabilidade, da assimilação a um eu insconsciente, à compreensão
através delas o professor terá feito tudo para criar um clima favorável. mútua, da indiferenciação caótica no grupo à diferenciação baseada na
A METODOLOGIA não é enfatizada como facilitadora da aprendiza- organização disciplinada de um dualismo inicial até o pensamento hipotéti-
gem. Para Roggers, o ensino é uma atividade sem importância, que os co-dedutivo.
outros valorizam demais. O professor deve descobrir um estilo para facilitar SOCIEDADE-CULTURA. O desenvolvimento social deve caminhar no
a aprendizagem. Neill é mais radical, para ele não existem novos métodos sentido da democracia. A infraestrutura dos fatos sociais é o nível de estru-
e técnicas de ensino por que o ensino não tem grande importância. O turação lógica dos indivíduos, por isso, os fatos sociais variam de grupo
material menos importante na educação, são os livros; os demais recursos para grupo, conforme o nível mental médio das pessoas desse grupo.
são tão falhos quanto as aulas expositivas. Enfatriza-se a relação pedagó- Comparando, assim como o desenvolvimento ontogênico do indivíduo
gica que crie um clima de liberdade para prender. A proposta de Roggers é passa por fases de anomia (própria do egocentrismo), heteronomia, até
que se estimule a curiosidade, promova todos os tipos de recursos, encora- atingir a autonomia, o desenvolvimento do sujeito vai da anarquia, passan-
je o aluno a escolher e a assumir as responsabilidades, desenvolva o aluno do pela tirania (imposição de regras a serem obedecidas), até a democracia
auto-disciplinado e crítico, capaz de avaliar a si e aos outros. A pesquisa (onde há deliberação comum sobre as regras, na base do respeito mútuo.
dos conteúdos será feita pelos alunos que deverão criticá-las, aperfeiçoá- Liberdade implicaria em participação ativa na elaboração de regras comuns
las e até substituí-las. para o grupo. A moral (lógica da conduta) é uma construção gradual que vai
A AVALIAÇÃO. Roggers e Neill desprezam qualquer padronização de da heteronomia (regras impostas) até o contrato social, de deliberação
avaliação do processo de aprendizagem. As crianças aprendem o que coletiva que evita que interesses egocêntricos dominem a decisão. A de-
desejam aprender; só os pedantes dizem a aprendizagem livresca é educa- mocracia é, pois, uma conquista gradual e deve ser praticada desde a
ção. Tudo o que a criança precisa é saber ler, escrever e contar, o resto infância; a democracia não seria um produto final, mas uma tentativa cons-
deve compor-se de ferramentas, argila, esporte, teatro, pintura e liberdade. tante de reequilibração; ela se consistirá na superação da teocracia e da
Defendem a auto-avaliação, pois se, só o indivíduo pode conhecer sua gerontocracia. A intervenção gera o desiquilíbrio cuja superação leva à
experiência, está só pode ser julgada por critérios internos ao organismo, e reequilibração.
pela auto-avaliação é que a capacidade auto-iniciada se torna aprendiza- Para os epistemológicos genéticos, o CONHECIMENTO é uma cons-
gem responsável. trução contínua, que não nasce do sujeito e nem do objeto, mas de intera-
CONSIDERAÇÕES FINAIS ções entre ambos. O problema pois inicial do conhecimento é elaborar os
Na Perspectiva Humanista, há necessidade de elaboração de uma teo- MEDIADORES. A epistemologia genética não visa conhecer o sujeito, nas
ria de instrução que seja validada empiricamente, e que dê diretrizes à as etapas de sua formação. Ele não é um sujeito psicológico, nem coletivo,
educação. Já que a obra de Rogers é própria para terapia. Nesta proposta, mas um sujeito epistêmico ou sujeito operatório. Conhecer um objeto é agir
os conteúdos são secundários, enfatiza-se a interação entre as pessoas. sobre ele, é transformá-lo. E assimilar o real as estruturas de transformação
Não se aceitam planejamento, tecnologia educacional, controle social. estruturas elaboradas pela inteligência, enquanto prolongamento direto da
Troca-se as relações EU-ISTO (verticais), por EU-TU e a avaliação pela ação). As fases da aquisição do conhecimento:
auto-avaliação. • é a fase da constatação, da cópia, da repetição;
ABORDAGEM COGNITIVISTA • endógena - fase da compreensão das relações, das combinações.
Esta abordagem refere-se a processos centrais, dificilmente observá- A aprendizagem pode parar na fase exógena, mas o conhecimento im-
veis, tais como: organização do conhecimento, processamento de informa- plica também, a fase endógena, pois pressupõe a abstração, que pode ser
ções, estilos de pensamento, tomada de decisões. Assim, cognitivismo empírica, que retira as informações do próprio objeto, e reflexiva, que só é
implica em estudar cientificamente a aprendizagem como sendo mais que possível graças às operações, ou seja, as coordenações das ações. As
uma produção do ambiente, mais do que fatores externos ao aluno; ela estruturas mentais ou orgânicas que constituem a inteligência, não são nem
considera as formas pelas quais as pessoas lidam com estímulos ambien- inatas, nem determinadas pelo meio, mas construídas devido às perturba-
tais, organizam dados, sentem os problemas e os resolvem, adquirem os ções do meio, problemas, e a capacidade do organismo responder a esta
conceitos, e empregam os símbolos. É uma abordagem interacionista que perturbação. É através das ações do indivíduo, a partir dos esquemas
tem como representante Piaget e Bruner. motores que se dá a compreensão a essa perturbações, ou seja, a adapta-
O HOMEM E O MUNDO. Devido à perspectiva interacionista, o conhe- ção. Pra Piaget não há começo absoluto, pois o que é assimilado, o é
cimento é produção da interação entre o Homem e o Mundo, ou entre o sempre a um esquema anterior, ou seja toda estrutura tem uma gênese;
sujeito e o objeto. Para Piaget o desenvolvimento humano de dá por fases toda gênese parte um uma estrutura e chega a uma estrutura. Gênese
que se inter-relaciona e se sucedem: os estágios. Cada estágio tem um estrutura são indissociáveis; a gênese é a passagem de um estado para
período de formação -gênese- e um período de realização - está se carac- outro, que lhe é interior. Construir, implica tornar as estruturas do compor-
teriza por uma progressiva organização composta de operações mentais. tamento mais complexas, mais móveis, mais estáveis. Criar implica realizar
Cada estrutura constitui ao mesmo tempo, a realização de um estágio e o novas combinações. A criatividade pode se dar no sensório-motor, no
começo do estágio seguinte. A ordem de sucessão dos estágios é fixa e verbal e no mental. O desenvolvimento humano é determinado. Os deter-
constante, as idades de realização do estágio podem variar dentro dos minantes são: motivação interna do organismo, ligada à maturação do
limites certos, em função de fatores, como: motivos, exercícios, estimulação sistema nervos, pela estimulação ou imposição do meio social. Pelas
do meio cultural etc. As estruturas de um estágio tornam-se parte das equilibrações ao longo da construção sequencial dos estágios, pelas aqui-

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sições devidas à experiência. A experiência é a relação sujeito/objeto ou o Caberá ao aluno o papel de: observar, experimentar, comparar, relaci-
homem/mundo. Como tipos de experiência temos: onar, analisar, justapor, compor, encaixar, levantar hipótese, argumentar
• exercício - consolidação e coordenação dos reflexos hereditários etc.
• experiência física - consiste em agir sobre os objetos para desco- METODOLOGIA. Não existe um modelo pedagógico piagetiano, o que
brir suas propriedades, que são abstraídas dele próprio por abstra- existe é uma teoria do Conhecimento e do Desenvolvimento Humano, a
ção empírica; exige a observação e uma estrutura lógico- qual traz implicações para o ensino. A ação do indivíduo é o centro do
matemática; processo educativo, pois, a inteligência se constrói a partir da troca do
organismo com o meio, por meio das ações do indivíduo. H. AEBLI, deline-
• exp. lógico-matemática - consiste me agir sobre objetos para ou uma didática baseada em Piaget, onde o ensino deve atender à constru-
descobrir propriedades que são abstraídas pelas próprias ações do ção das operações pelo aluno, sendo para isso, baseado na investigação,
sujeito, por abstração reflexiva. onde o problema será autoregulador. O trabalho da equipe é decisivo como
No desenvolvimento há, pois, processos vinculados à experiência do su- estratégia de ensino: para o desenvolvimento intelectual, por que os mem-
jeito em função do meio, processos que derivam da própria consistência bros funcionam como forma de controle lógico do pensamento individual;
interna da organização mental. A diferença básica entre desenvolvimento e para a superação de egocentrismo e desenvolvimento da autonomia. O
aprendizagem é que, num dado momento do desenvolvimento, os processos ambiente tem que ser desafiador, promovendo desiquilíbrios. A motivação é
indutivos poderão tornar-se formas de pensamento aplicadas ao mundo físico. caracterizada por desequilíbrios, carência, contradição, desorganização. O
EDUCAÇÃO. O processo educacional tem um papel importante no de- jogo é fundamental no ensino, em todos os seus tipos: individual, simbólico,
senvolvimento do conhecimento, por provocar sistemas que desejam ser pré-social e social (regras). As regras ajudam a superar o egocentrismo
desequilibrados para o aluno. Na educação há dois elementos que mere- individual e a instaurar a cooperação. Os recursos audiovisuais são irrele-
cem destaque: o intelectual e o moral. Sem o desenvolvimento intelectual vantes. A didática dá ênfase à pesquisa pelo aluno, porque a construção de
não se formam personalidades autônomas no moral; se na moral o sujeito operações se efetua durante a pesquisa e esta parte de uma problemática.
for submisso, não consegue ser ativo intelectualmente. O intelectual é A construção de operações é a formação do pensamento. As experiências
inseparável do moral, social e afetivo. O objetivo da educação não é a devem ser feitas pelo próprio aluno que deve construir o seu material. O
transmissão de verdades e modelos, mas a conquista da autonomia pelo ensino programado só leva a criar se a programação for feita pela criança.
aluno. A educação é, também, um processo de socialização, de democrati- A individualização do ensino consiste no respeito ao ritmo da criança e ao
zação. A primeira tarefa da educação é formar o raciocínio. seu modo de agir, de pensar, de descobrir, de inventar e criar. O princípio
fundamental dos métodos ativos é inspirado na história das ciências: com-
A ESCOLA deveria começar ensinado a observar. A verdadeira causa
preender e descobrir ou reconstruir pela redescoberta.
do fracasso escolar decorre daí, começar pela linguagem ao invés de o
fazer pela ação real e material. A educação deve dar posse ao aluno inves- Para Piaget, o conhecimento não é mensurável. Mas, o conhecimento
tigar aprender por si, para desenvolver suas possibilidades de ação motora, começa quando ele fica comunicável e controlável. A AVALIAÇÃO será a
verbal e menta, vindo a intervir no processo sociocultural e inovar a sua partir de parâmetros da própria teoria, e verificará se o aluno já adquiriu
aprendizagem a motivação deve ser intrínseca. As diretrizes que norteiam noções, já realizou operações, relações. O aproveitamento deve considerar
uma escola piagetiana são: a assimilação e a aplicação devem ser em situações variada. Como a
• liberdade de ação à criança; interpretação do mundo é realizado de forma qualitativamente, nos diferen-
tes estágios, a avaliação deve considerar soluções erradas, incompletas e
• propor trabalharem com conceitos em níveis operatório conforme o
distorcidas.
estágio de desenvolvimento do aluno num processo de
desequilíbrio/equilíbrio; CONSIDERAÇÕES FINAIS
Para Piaget, tudo o que se aprende é assimilado por uma estrutura já
• trabalhar em grupos; desenvolver a diretividade da aprendizagem
existente e provoca uma reestruturação. Essa abordagem difere, funda-
consistem em criar situações onde possam se operacionados os
mentamente, do Comportamentalismo, onde o que o organismo persegue é
conceitos;
o esforço e não a aprendizagem em si. Assim, a aprendizagem ocorre
• a forma de solução deve ser buscada pelo aluno. como fixação de respostas padronizadas, o que para Piaget, é característi-
Uma escola para o pensamento, conforme FURTH e WACHS afirmam, ca dos organismos elementares e dos primeiros estágios do desenvolvi-
tira a ênfase dos conteúdos e a põem em atividades, como jogos, leituras, mento humano. O não-diretivismo que refere-se ao respeito dado ao aluno,
visitas, excursões, discussões, artes, oficinas, exercício físico etc. A cons- quanto ao “como” ele vai trabalhar, decorre do cognitivismo, cuidado espe-
trução do currículo deve considerar a estrutura do aluno e a estrutura da cial com a pré-escola, que não deve ser propedêutica; a sua finalidade é
matéria de ensino. acelerar a sua aquisição de noções, criando condições para que a criança
ENSINO-APRENDIZAGEM. Um ensino que procura desenvolver a in- desenvolva as estruturas inerentes a esta fase.
teligência deve priorizar as atividades do sujeito. Aprender significa assimi- ABORDAGEM SÓCIO-CULTURAL
lar o objeto a esquemas mentais. O ensino segundo Piaget tem de ser Enfatiza os aspectos sócio-político-culturais. A preocupação coma edu-
baseado no ensaio e erro, na pesquisa, na investigação, na solução dos cação popular surge após a II Guerra Mundial e se liga à democratização
problemas, onde a descobertas garantirá a compreensão da estrutura da cultura. Um dos seus grandes representante é Paulo Freire. A sua obra
fundamental do conhecimento. O ponto fundamental do ensino são os é uma síntese de tendências do neotomismo, humanismo, fenomenologia,
processos e não os produtos. A aprendizagem se dá no exercício operató- existencialismo e neomarxismo.
rio da inteligência. A aprendizagem depende do estágio do desenvolvimen-
to: a inteligência é um instrumento de aprendizagem. Assim, o ensino Nos países industrializados, o Movimento de Cultura Popular, visa o
consiste na organização dos dados da experiência. Tudo o que se ensina povo em geral, no Terceiro Mundo, serve à camadas mais inferiores, socio-
diretamente à criança, a impede de inventar ou descobrir. Por isso, o ensino economicamente falando, sobretudo a educação de adultos.
deve evitar a formação de hábitos que constitui uma fixação de uma forma HOMEM E MUNDO. É uma abordagem interacionista, embora com ên-
de ação, sem reversibilidade, nem associabilidade. A inteligência é um fase no sujeito, como elaborador e criador do conhecimento. Mas a intera-
mecanismo de fazer relações e combinatórias. O desenvolvimento refere-se ção homem/mundo ou sujeito/objeto, é imprescindível para que o homem
aos mecanismos gerais doa to de pensar-conhecer. A aprendizagem refere- se desenvolva e se torne sujeito de sua PRÁXIS (ação/reflexão do homem
se ao domínio de conhecimentos específicos. As crianças não aprendem a sobre o mundo para transformá-lo). Só existem homens concretos, situados
pensar, as crianças pensam. num contexto sócio-político-cultural-histórico. O homem é sujeito da educa-
PROFESSOR/ALUNO. Caberá ao professor criar situações, que ofere- ção e esta deve considerar a vocação ontológica - de sujeito- e as condi-
çam condições para que se estabeleça reciprocidade intelectual e coopera- ções do contexto. O homem chega a ser sujeito através da reflexão sobre
ção, ao mesmo tempo, racional e moral. Evitar rotina, fixação de respostas, seu ambiente concreto o que o leva à consciência e ao compromisso de
hábitos. Propor problemas sem ensina as soluções, ou seja, provocar mudar a realidade. Assim, a educação deve promover o indivíduo e não
desequilíbrios, desafios. Orientar o aluno, dando-lhe ampla margem de ajustá-lo à sociedade.
auto-controle e autonomia. Oferecer contra-exemplos que forçam à reflexão SOCIEDADE-CULTURA. Cultura é todo o resultado da atividade hu-
e obrigam à reformulação de soluções. Conviver com o aluno. mana através do trabalho. O homem cria cultura quando se integra no seu

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contexto, reflete e dá resposta aos desafios que encontra. A cultura é a • criações de situações existenciais típicas;
aquisição sistemática da experiência humana e deve ser crítica e criadora. • decodificação
A História consiste nas respostas dadas pelo Homem à natureza, aos
outros homens e às estruturas sociais. A participação do homem como • codificação de novas palavras
sujeito da cultura, na História, se faz na medida de sua conscientização que • análise de um tema gerador que visa explicitar o pensamento do
implica desmistificação. homem sobre a realidade
Uma época se cumpre, quando seus temas são captados e suas tare- A palavra tem duas dimensões: ação/reflexão (práxis). A palavra sem
fas são realizadas; torna-se superada quando seus temas e tarefas não ação é verbalismo, e a ação sem reflexão é um ativismo. Só através do
correspondem mais às necessidades que surgem. O tema fundamental da diálogo é possível democratizar a cultura. É a partir consciência que se
nossa época é a DOMINAÇÃO X LIBERTAÇÃO. Está só chegará pela tenha sobre a realidade, que se vais buscar o conteúdo programático da
práxis de sua busca. Assim, a consciências crítica da realidade nacional é educação. Os termos geradores são tirados do universo temático do povo.
imprescindível para a revolução que arranque o país do subdesenvolvimen- Na educação problematizadora investiga-se a palavra geradora; na pós-
to econômico. Para isso é necessário constituir uma ideologia vinculada às alfabetização investigam-se os temas geradores.
massas que desencadeie o movimento social de sua libertação. As socie- AVALIAÇÃO. A verdadeira avaliação é a auto avaliação mútua e
dades latino-americanas são fechadas, são as culturas do silêncio; têm permanente da prática educativa por professores e alunos. A avaliação é da
uma estrutura social hierárquica rígida; faltam-lhes mercados internos, pois prática educativa e não só um pedaço dela.
a economia é controlada pelo exterior; exportam matérias-primas e impor-
CONSIDERAÇÕES FINAIS
tam produtos manufaturados; possuem um sistema de educação seletivo e
precário, que ajuda a manter o status quo; são sujeito-objeto dependentes, Na abordagem sociocultural, a educação não se restringe às situações
com processos culturais alienados, onde o pensamento é dissociado da formais de aprendizagem. Esta abordagem contrapõe-se essencialmente,
ação, e o homem não se compromete com o mundo real. ao ensino tradicional e ao comportamentalista. O aspecto técnico de edu-
cação é descartado. Na proposta de FREIRE, a conscientização se faz de
CONHECIMENTO. O homem se constrói na medida em que, integrado
estágios mais primitivos para os mais elaborados, podendo tanto o indiví-
ao seu contexto, reflete sobre ele e se compromete. O desenvolvimento do
duo permanecer na consciência ingênua. Na teoria de Piaget, indivíduo e
conhecimento está ligado ao processo de conscientização que liga teoria à
grupos podem permanecer no período simbólico, intuitivo ou mesmo no
prática e que consiste num contínuo, progressivo e inacabado processo de
operatório concreto sem chegar aos finais, pensamento hipotético dedutivo.
desvelamento da realidade.
Destaca três tipos de consciência: As abordagens do processo ensino-aprendizagem e o professor
• intransitiva - centralizadas nas formas mais vegetativas de vida;
Pudemos ver que a multidimensionalidade do fenômeno educativo, ou
falta historicidade e compromisso do homem com sua existência;
seja, um pluralismo de interpretações. A possibilidade de analisá-lo em
• transitiva ingênua - apresenta explicações mágicas para a reali- seus pressupostos e implicações - decorrências. Mizukami, analisou, cada
dade; tem forte inclinação ao gregorismo e à massificação; fragili- teoria em função dos dez conceitos: mundo, cultura, conhecimento, educa-
dade de argumentação, pessimismo, resistência a projetos reno- ção, escola, ensino-aprendizagem, Professor/aluno, metodologia- que em
vadores, atitude reacionária, absolutização da situação; certas abordagens são enfatizados mais alguns aspectos do que outros,
• transitiva - manifesta consciência de sua dependência, buscando gerando reducionismos. Na medida em que se articulam essas abordagens,
os fatores que as causam, tem forma crítica de pensar; é aberta, poder-se-á superar tais reducionismo.
explica-se em termos de dependência histórica, sabe que é condi- O papel da teoria é limitado; não há teoria que resista às mudanças so-
cionada pelo processo social, é histórica, sua representação do re- ciais, filosóficas e psicológicas. As teorias não são as únicas fontes de
al é condicionada por uma objetividade relativa - não vê a verdade respostas para a situação de ensino-aprendizagem, há também, os dados
como eterna e absoluta-, é anti-reacionário e antecipadora. do real, que darão o critério da aceitação ou não da teoria. Tais teorias
A passagem da consciência intransitiva para a transitiva ingênua se dá constituem o ideário pedagógico são externas aos professores. Precisam
automaticamente, paralelamente à promoção dos padrões e consciência da ser conhecidas, refletidas, e vivenciadas.
comunidade; mas a passagem da transitiva ingênua para a transitiva (críti- Um curso de formação de professor deveria dar confronto entre a abor-
ca) só se dá pelo trabalho educacional. dagem tanto teórico quanto no fazer. Os professores rejeitam a abordagem
EDUCAÇÃO. Toda ação educativa deve ser precedida de uma reflexão comportamentalista; isto é estranho, porque desde a 5.692/71, a visão
sobre o homem e de uma análise do seu meio de vida, do contrário a tecnicista tem sido imposta. Os professores aceitam no máximo, conceito
educação fica pré-fabricada e torna o homem um objeto. O primeiro objetivo sobre planejamento, execução e avaliação, mas rejeitam mais os pressu-
da educação é a tomada de consciência. A educação tem caráter utópico: postos sobre homem, mundo, conhecimento, sociedade, cultura. Os profes-
anunciar-denunciar. sores preferem o cognitivismo; Mizukami, acha que isso é devido ao fato de
ESCOLA. Para Paulo Freire a educação não é restrita à escola; a es- tal teoria abranger tantos princípios de ensino tradicional, como da escola
cola é um lugar de crescimento mútuo da consciência de professores e nova e do liberalismo; ao fato de tal teoria ter mais poder de síntese. Ao
alunos, não é nem alavanca das transformações sociais, nem puro reflexo fato de o cognitivismo acentuar o desenvolvimento intelectual, que a escola
da sociedade. Para ser compreendida, é necessário ver como o poder se tradicional consagra.
constitui na sociedade e a serviço de quem. As cinco abordagens podem ser separadas em: ensino tradicional e em
ENSINO-APRENDIZAGEM. A Pedagogia do Oprimido é que faz da ensino renovado (as outras). Tirando a sócio-cultural, as outras estão
opressão de sua consciência, o objeto de reflexão, resultando daí, o enga- impreganadas de princípios compatíveis com o escolanovismo e a versão
jamento do homem na luta por sua libertação. liberal de educação conservadora. Por exemplo, admitem que o desenvol-
vimento pode ser atingido pelo mérito.
O oprimido tem uma atitude de aderência ao opressor, é seu hospedei-
ro, é fatalista, é de auto-desvalia (atração pelo opressor, quer imitá-lo, tem O que há de comum entre o cognitivismo e o escolanovismo: participa-
meda da liberdade que o faz ter submissão. ção ativa do aluno na aprendizagem, sendo ambos, processualistas. Mas
todas as outras se unem ao escolanovismo, contra o tradicional.
O ensino-aprendizagem deve se preocupar com a superação desta re-
lação opressor/oprimido, assumindo o significado da educação. O ensino Os professores o cognitivismo, mas o complementam com abordagem
deve se diálogo, sem autoritarismo e sem intelectualismo. sócio-cultural e humanista.
PROFESSOR/ALUNO. A relação é horizontal e a educação só se efe- Há um descompasso entre o que os professor dizem teoricamente e o
tiva quando nesta relação quando o homem for sujeito de sua própria que fazem na sal de aula; as manifestações verbais são consistentes:
educação. quase todos escolhem uma abordagem, mas na prática, usam o ensino
tradicional, na autoridade de professor e no livro texto, verbalista, mecânico,
METODOLOGIA. Ela se dá através de fases:
reprodutivo, com aula expositiva precária e desestruturada. Talvez isso se
• levantamento do universo vocabular dos alfabetizandos; explique porque os professore use mais os modelos a que foi submetido na
• escolha das palavras geradoras; sua formação como aluno, e menos o que aprendeu no curso de didática.

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PRINCÍPIOS DA CONTEXTUALIZAÇÃO E DA IN- Em nome da interdisciplinaridade todo um projeto de educação para a
TERDISCIPLINARIDADE NO DESENVOLVIMENTO cidadania foi alterado.
A autora pesquisou também educadores que tinham uma proposta in-
DA COMPETÊNCIA PARA O SABER EM USO NO
terdisciplinar. A partir dessas pesquisas a década de 80 a autora anuncia o
COTIDIANO E NAS INFERÊNCIAS SOBRE A CONS- quanto seria importante o registro dessas práticas.
TRUÇÃO CIENTÍFICA. Os anos 90 representam o ápice da contradição para estudos e pes-
quisas sobre interdisciplinaridade.
Fazenda, Ivani Catarina Arantes.
Interdisciplinaridade: história, teoria e pesquisa. 2 - A construção interdisciplinar a partir da relação profes-
Campinas, Papirus Editora, 1995.
sor/aluno.
A autora faz uma análise das fases da relação professor/aluno, pontu-
1 - Revisão histórica crítica dos estudos sobre interdisciplinarida-
ando desde a velha Grécia (preceptor e discípulo) com uma educação
de
matriarcal; passando por Rousseau, Montessori até chegarmos ao final do
A pesquisa sobre o tema iniciou-se em 1970. Em 90 a autora foi impe-
século onde a palavra ordem é interdisciplinaridade na educação.
dida a uma parada para reflexão. Entre tantas conclusões - é impossível a
Conclui que o professor precisa ser o condutor do processo, mas é ne-
construção de uma única, absoluta e geral teoria da interdisciplinaridade.
cessário adquirir a sabedoria da espera, o saber ver no aluno aquilo que
nem o próprio aluno havia lido nele mesmo, ou em suas produções. A
1ª - necessidade de superação da dicotomia ciência/existência, no trato
alegria, o afeto, o aconchego, a troca, próprias de uma relação primal,
da interdisciplinaridade.
urobórica, não podem pedir demissão da escola, sua ausência poderia criar
a) primeiro símbolo - conhece-te a ti mesmo - Sócrates coloca que a to-
um mundo sem colorido, sem brinquedo, sem lúdico, sem criança, sem
talidade só é possível pela busca da interioridade. A interioridade nos
felicidade.
conduz a um profundo exercício de humildade.
b) segundo símbolo - Penso logo existo - Descartes. Com isto um novo
3 - A construção da identidade fundamentada no autoconhecimen-
caos se anuncia, um desejo inconsciente de volta ao matriarcado.
to - ensaio.
1º) identidade pessoal é algo que vai sendo construído num processo
Para fins didáticos subdividiríamos: em 1970 partimos para uma cons-
de tomada de consciência gradativa das capacidades, possibilidades e
trução epistemológica da interdisciplinaridade. Em 1980 partimos para a
probabilidades de execução.
explicitação das contradições dessa construção em 1990 estamos tentando
2º) o compromisso
construir uma nova epistemologia, a própria interdisciplinaridade.
3º) competência, envolvimento, marcam o itinerário do profissional que
O movimento da interdisciplinaridade na década de 1970.
luta por uma educação melhor, afirmando-a diariamente.
O movimento surge na Europa, principalmente França e Itália, em me-
Por outro lado temos as negações que marcam o trabalho desses pro-
ados de 1960, época dos movimentos estudantis pelo novo estatuto da
fissionais:
universidade e da escola.
- a solidão;
A totalidade como categoria de reflexão foi o tema do precursor do mo-
- a ordem institucional;
vimento Georges Gusdorf.
- a marca de seu trabalho são de resistência às instituições acomoda-
A interdisciplinaridade não seria apenas uma panacéia para assegurar
das.
a evolução das universidades, mas, um ponto de vista capaz de exercer
Para superarmos estas questões torna-se necessário um projeto de
uma reflexão aprofundada, crítica e salutar sobre o funcionamento da
formação de professor/pesquisador.
instituição universitária. O projeto partia de uma distinção conceitual entre
os seguintes níveis de relação. multi, pluri, inter e transdisciplinar.
4 - A construção da comunicação fundamentada no diálogo.
No Brasil a primeira produção sobre o tema é H.Sapiassú. Ele coloca
Neste capítulo a autora desenvolve as seguintes relações: palavra-
como condição para efetivação dessa metodologia interdisciplinar numa
mudo, palavra-encontro, palavra-ação, palavra-valor como introdução a
nova espécie de cientistas, i interdisciplinar. Na época o autor foi bastante
uma pedagogia da comunicação.
criticado mas hoje a autora - Ivani - coloca que é um dos pressupostos
O valor da linguagem como elaboradora da história e do próprio ho-
básicos para a realização de um trabalho interdisciplinar.
mem, ressaltamos o papel da leitura em tornar o homem mais consciente,
O auto trabalho que aparece no Brasil na década de 70 foi a pesquisa
mais responsável, mais dinâmico, interferindo no processo de vida.
de mestrado pela autora a partir dos estudos de Japiassu e de outros que
vinha sendo realizadas sobre interdisciplinaridade na Europa. Na época a
5 - A construção de m método fundamentado na ação.
análise apontou para o caos generalizado, a partir do caos conceitual que
A metodologia interdisciplinar em seu exercício requer como pressu-
se instaurou.
posto uma atitude especial ante o conhecimento, que se evidencia no
Na década de 80 o movimento caminhou na busca de epistemologias
reconhecimento das competências, incompetências, possibilidades e limites
que explícitas sem o teórico, o abstrato, a partir do prático, do real. Um dos
da própria disciplina e de seus agentes, no conhecimento e na valorização
documentos importantes “Interdisciplinaridade e Ciências Humanas (1983)
suficientes das demais disciplinas e dos que a sustentam.
elaborado por Gusdorf, Apostel, Bottomore, Dufrenne, Mommesen, Nuorim,
Palmarini, Smirnov e Ui.
6 - A construção da didática a partir da prática dos professores.
A construção de uma didática interdisciplinar pressupõe antes de mais
Sintetizaremos os avanços do grupo em relação ao tema:
nada a questão de perceber-se interdisciplinar. Na medida em que se pare
- a atitude interdisciplinar não seria apenas resultado de uma simples
para observar os aspectos que você já caminhou, fica mais fácil perceber a
síntese, mas de sínteses imaginativas e análises.
necessidade de caminhar em aspectos ainda duvidosos, seja no pensar
- interdisciplinaridade não é categoria de conhecimento, mas de ação.
seja no fazer a didática.
- a interdisciplinaridade nos conduz a um exercício de conhecimento: o
perguntar e o duvidar.
7 - A construção de fundamentos a partir de uma prática docente
- entre as disciplinas e a interdisciplinaridade existe uma diferença de
interdisciplinar.
categoria.
- movimento dialético;
- interdisciplinaridade é a arte do tecido que nunca deixa ocorrer o di-
- a memória;
vórcio entre seus elementos, entretanto, de um tecido bem traçado e flexí-
- a parceria.
vel.
Interdisciplinaridade não é categoria de conhecimento, mas de ação.
- a interdisciplinaridade se desenvolve a partir do desenvolvimento das
próprias disciplinas.
8 - A construção de uma alfabetização interdisciplinar - ensaio.
A autora relata sua busca - no cenário nacional - através da Pesquisa -
A interdisciplinaridade é uma exigência natural e interna da ciências no
as contradições, o quadro político brasileiro, as vozes dos educadores, dos
sentido de uma melhor compreensão da realidade que elas nos fazem
alunos que fora caladas gradativamente, a mudez da imprensa, e o conluio
conhecer.
desonesto na articulação das propostas educacionais.
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9 - A construção de um projeto fundamentado na pesquisa. em ambiente próprio e adequado ao processo ensino/aprendizagem do
A autora propõe-se a ativar por meio da busca a memória adormecida, educando portador de necessidades educacionais especiais.
ou seja selecionou todo o seu material produzido desde o início de sua Na Classe Especial tentamos encontrar caminhos e meios facilitadores
caminhada. para a aprendizagem dos educandos com necessidades educacionais
especiais, através de uma política de ação pedagógica, recursos educacio-
10 - A construção de uma pesquisa de múltiplas temáticas. nais mais individualizados e conta com o professor especializado.
A autora analisa 30 pesquisas de orientadas suas, sempre estabele- A educação especial faz parte de “um todo” que é a educação, e ter o
cendo a relação entre o sujeito pesquisado e a percepção da totalidade a seu valor reconhecido é de fundamental importância para que os educan-
ser pesquisada. dos tenham seu crescimento e desempenho educacional satisfatório.

11 - A construção da pesquisa a partir da identidade do pesquisa- Educação inclusiva


dor. A educação inclusiva é uma educação voltada de TODOS PARA TO-
O caminho a seguir numa pesquisa interdisciplinar é único, e sua esco- DOS onde os ditos “normais” e os portadores de algum tipo de deficiência
lha depende de uma profunda ligação do pesquisador com o objeto pesqui- poderão aprender uns com os outros. Uma depende da outra para que
sado. realmente exista uma educação de qualidade. A educação inclusiva no
Brasil é um desafio a todos os profissionais de educação.
Segundo Mrech (http://www.crmariocovas.org.sp.br/), neste texto a au-
INCLUSÃO E EXCLUSÃO NO CONTEXTO DAS tora faz considerações sobre a educação inclusiva e nos da um panorama
PRÁTICAS EDUCATIVAS NOS SISTEMAS FORMAIS sobre a mesma.
O conceito de inclusão é:
DE EDUCAÇÃO.
- atender aos estudantes portadores de necessidades especiais na vi-
zinhança da sua residência.
Uma reflexão sobre a educação especial e a educação inclusiva no - propiciar a ampliação do acesso destes alunos às classes regular.
Brasil - propiciar aos professores da classe regular um suporte técnico.
Saiba as diferenças entre os dois segmentos - perceber que as crianças podem aprender juntas, embora tendo obje-
A educação, em geral, tem por necessidade básica o interesse pela tivos e processos diferentes.
pesquisa e, principalmente, a colocação em prática, para que exista real- - levar os professores a estabelecer formas criativas de atuação com as
mente uma educação de qualidade onde todos, sem exceção, tenham crianças portadoras de deficiência.
acesso a ela. - propiciar um atendimento integrado ao professor de classe comum do
Para que isso realmente aconteça todos os profissionais e pessoas en- ensino regular.
volvidas devem sempre se atualizar, pois, sendo assim, a educação inclusi-
va e a educação especial serão uma só educação onde os portadores de O conceito de inclusão não é:
necessidades educativas especiais terão seus direitos respeitados. - levar crianças às classes comuns sem o acompanhamento do profes-
O esclarecimento é o enfoque principal deste trabalho para o entendi- sor especializado.
mento real e significativo dos profissionais da área, que na maioria das - ignorar as necessidades específicas da criança.
vezes desconhecem a importância e a diferença da educação especial e - fazer as crianças seguirem um processo único de desenvolvimento,
inclusiva. ao mesmo tempo e para todas as idades.
- extinguir o atendimento de educação especial antes do tempo.
Introdução - esperar que os professores de classe regular ensinem as crianças
Com o presente artigo pretendemos levar ao conhecimento e discus- portadoras de necessidades especiais sem um suporte técnico.
são sobre esse desafio que é verdadeiramente incluir os portadores de A educação inclusiva tem de atender esses educandos com qualidade,
necessidades especiais não somente na escola, mas em um contexto mais mas tem que dar condições e especializações aos profissionais, para que
amplo que é a sociedade. Sentimos a necessidade de esclarecer alguns os objetivos e o desenvolvimento aconteçam.
pontos que permeiam a educação (educação especial e a educação inclu- Percebemos ao longo da história e, também na atualidade, que a maio-
siva). ria dos profissionais envolvidos na educação não sabem ou desconhecem a
Para que a educação seja realmente uma realidade no qual todos importância e a diferença da educação especial e educação inclusiva. Por
aprendam o verdadeiro sentido de se tornar um cidadão pleno, antes temos essa razão, veio a realização deste artigo para o esclarecimento das pes-
um ideal que é o de elevar o conhecimento cultural a todos, sem exceção. soas envolvidas na educação e interessados.
Isso inclui, é claro, os portadores de necessidades especiais. Mas, antes, Primeiramente, quando descobrimos uma determinada deficiência em
temos que esclarecer o que é educação especial e educação inclusiva. uma pessoa ela deveria ser encaminhada aos profissionais especializados:
psicólogos, neuropediatras, fonoaudiólogos, fisioterapeutas e pedagogos
Educação especial especializados, entre outros. Isso é de extrema importância para o desen-
Almeida (Abril-2002 Revista Pedagógica), nos da uma idéia da verda- volvimento físico e também cognitivo desse educando tão especial.
deira educação especial, seguindo os referenciais teóricos e práticos da Segundo Sá (http://www.espacoacademico.com.br/ julho de 2002), a
educação. educação destas pessoas tem sido objeto de inquietações e constitui um
Educação Especial é uma modalidade de ensino que visa promover o sistema paralelo de instituições e serviços especializados no qual a inclu-
desenvolvimento das potencialidades de pessoas portadoras de necessida- são escolar desponta como um ideal utópico e inviável. Para autora, o
des especiais, condutas típicas ou altas habilidades e, que abrange os sujeito com deficiência é um “aluno especial”, cujas necessidades específi-
diferentes níveis e graus do sistema de ensino. Fundamenta-se em referen- cas demandam recursos, equipamentos e níveis de especialização defini-
ciais teóricos e práticos compatíveis com as necessidades específicas de dos de acordo com a condição física, sensorial ou intelectual.
seu alunado. Colocando dessa forma, Sá nos leva a uma reflexão: a educação tem
A educação especial se trata de uma educação voltada para os porta- que ser algo maior e único ou fragmentada?.
dores de deficiências, como deficiências auditivas, visuais, intelectual, Mudando a postura e as concepções por parte de nós educadores e
física, sensorial, surdocegueira e as múltiplas deficiências. pesquisadores, consideramos as diferenças como sendo atributos naturais
Para que esses educandos tão especiais possam ser educados e rea- da humanidade.
bilitados, é de extrema importância a participação deles em escolas e
instituições especializadas. E que eles disponham de tudo o que for neces- A criança especial e a escola normal
sário para o seu desenvolvimento cognitivo. A mesma autora, nos apresen- A criança portadora de necessidades especiais, como qualquer outra
ta uma visão sobre um ambiente mais apropriado às crianças com necessi- criança tem o direito de cursar uma escola e ter expectativas em relação ao
dades educativas especiais. seu futuro. Mas infelizmente, ainda no século XXI, existe um preconceito
A Classe Especial é uma sala de aula preferencialmente distribuída na exagerado por parte da sociedade em geral e o mais grave: por parte
educação infantil e ensino fundamental, organizada de forma a se constituir daqueles que deveriam vir a lutar e dar exemplos dentro de uma sociedade,

Conhecimentos Contextuais 19 A Opção Certa Para a Sua Realização


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que são os educadores. Isto infelizmente ocorre em todo o segmento Carvalho (Removendo Barreiras para a Aprendizagem Educação Inclu-
educacional brasileiro. Mas ainda existe pessoas e profissionais que vem siva -2000), em seu trabalho, ressalta sob enfoque da esperança, os movi-
trabalhando para minimizar essa vergonha que é o preconceito por parte mentos em prol da qualidade de vida dessas pessoas e a crença de que a
dos educadores. conscientização da sociedade acerca de seus direitos e de suas potenciali-
Como vem realizando a Psicóloga Marilda Da Silva na escola Carlos dades terão eco, mais cedo ou mais tarde. A possibilidade de construirmos
Saloni, em São José dos Campos (SP), onde aos poucos foi abrindo espa- cenários otimistas a movimentos a partir dos movimentos para a inclu-
ço para crianças com os mais diferentes tipos de deficiências. Ela relata são/integração dessas pessoas, o que significa oferecer educação de
que as crianças a ensinaram muito, melhorando-a como profissional e qualidade para todos.
também como ser humano. Ela enfatiza que a diferença só acrescenta. Segundo Sobrinho e Maujorks (Pesquisa em Educação Especial: O de-
No início, como tudo que é novo causa muitas ansiedades, foram ne- safio da Qualificação - 2001) as pesquisas no Brasil dirigidas às pessoas
cessárias reuniões periódicas com todos os profissionais, mas hoje os com necessidades educativas especiais sugerem a concentração da produ-
encontros são mais esporádicos. Todas essas reuniões serviram de estímu- ção do conhecimento nos programas de Pós-Graduação stricto sensu sob a
lo para esses profissionais, pois as aulas foram melhores preparadas forma de dissertações e teses. Essa produção do saber, entretanto, deveria
enfatizando a socialização. estar diluída nos demais segmentos, envolvendo desde o ensino básico até
Infelizmente, essa é uma realidade e um sonho distante, de realmente os estágios mais avançados do sistema educacional. Os resultados dessas
incluir essas crianças em escola comum e atingir todos os objetivos, alme- mesmas pesquisas talvez pudessem ser adequadamente utilizados para a
jados por pessoas como por exemplo Hellen Keller. melhoria da qualidade de vida dos indivíduos com necessidades educativas
(Publicação Comemorativa do Centenário de Nascimento de Hellen especiais.
Keller -Editada pela Fundação Para o Livro do Cego no Brasil - 1980).
Hellen Keller, nasceu em 27 de junho de 1880 em Tuscumbia Estado de Conclusão
Alabama USA. Ao 18 meses ficou surdocega, devido a uma doença que foi Esperamos que esse artigo venha a acrescentar positivamente a edu-
diagnosticada na época como febre cerebral. Passou os seus primeiros cação no Brasil, pois não podemos ficar calados diante dessa situação
anos de sua infância sem orientação adequada, até a chegada de sua onde essas crianças tão especiais não estão sendo educadas e preparadas
professora Anne Sullivan, em março de 1887. A menina Hellen, aos 7 anos, para a vida em sociedade. E nem a sociedade está sendo preparada para
ainda não falava e não compreendia os significados das coisas. Com o lidar com esses educandos. Que esse artigo possa levar os leitores a uma
auxílio da professora Hellen, aprendeu a comunicação de sinais, o alfabeto reflexão e uma ação por parte de todos. Espero também que tanto os
manual, o sistema Braille e, com dez anos de idade, ela aprendeu a falar. órgãos governamentais quanto os não governamentais e as universidades
Com muita força de vontade cursou a faculdade de Filosofia, também possam criar políticas pedagógicas para beneficiar ainda mais os nossos
aprendeu diversos idiomas. Ao longo de sua vida Hellen Keller escreveu educandos, fazendo com que a sociedade brasileira valorize a diversidade
inúmeros artigos e livros: “O Mundo em que Vivo”, “A História de Minha humana. Assim, será possível se fazer a verdadeira educação inclusiva.
Vida”, entre outros. Hellen Keller faleceu aos 88 anos em sua casa “arcan Para isso, temos que valorizar a educação especial pois é ela que nos dá
Ridge”, em 1968. suporte para que o aluno portador de necessidades educativas especiais
Hellen Keller foi uma grande heroína, apesar de ser uma surdocega. possa vir a ser incluídos em toda sociedade. Por essa razão, ela é de
Com o auxílio da digníssima Profª Anne Sullivan viajou por todo o mundo fundamental importância para que a postura em relação à educação seja
dando uma grande contribuição para o avanço de políticas educacionais outra, a de educar a todos com qualidade sem exceção.
para a melhoria da qualidade do ensino e de vida dessas pessoas.
Enfim, todos podem aprender e ensinar, e também ensinar e principal- Referências Bibliográficas
mente aprender. KELLER, Hellen publicação comemorativa - editora Fundação para o Livro do
Cego no Brasil - 1980.
Oportunidade de aprender SOUZA, M. Do Sentido Pelos Sentidos Para o Sentido - Elcie F. Salzano Masini
Márcia Maurílio Souza,(Do sentido pelos sentidos para o sentido - E. - Ed. Vetor - São Paulo - 2002 (63-64).
Masini - 2002) nos apresenta um testemunho que emociona e simplesmen- SÁ, E. A Educação Inclusiva No Brasil: Sonho ou Realidade? -
te nos leva a refletir sobre o que nós educadores podemos fazer em nome http://www.espacoacademico.com.br/ - 2002.
de um sentimento, sendo o mais sublime deles o amor. SILVA, M. Crianças Especiais - A Crianças especial a Escola -
http://www.espacoacademico.com.br/ - 2002.
Ela inicia seu relato com um questionamento: o que se espera de uma
FALCINE, M. Inclusão: Um Sonho Real - http://www.espacoacademico.com.br/ -
mãe de uma criança deficiente? Sempre o óbvio... que fale de suas frustra- 2002.
ções ao descobrir um filho que não é perfeito; de suas ansiedades e pela SOBRINHO, Francisco. Naujorks, I Pesquisa em Educação Especial: O Desafio
procura da “cura” e, por fim, que fale de seu amor pelo seu filho e o quanto Da Qualidade - Ed. EDUSC, 2001.
ele é maravilhoso. CARVALHO, R. Removendo Barreiras para a Aprendizagem- Educação Inclusi-
Mas a história é contada de uma outra forma, e não deixa de ser dife- va. Ed. Mediação - 2000.
rente das demais. *Cristian Elvis Fernandes, aluno do curso de Pedagogia da Universidade do Sa-
Ela pensa que a vida reservou para ela e a filha esse dom de ser “es- grado Coração de Bauru, membro da Associação Brasileira de Surdocegos
(ABRASC), e do Grupo Brasil de apoio aos surdocegos e ao múltiplo deficiente
pecial” e colocou nela esta “luz” que é a Elis, uma menina muito carinhosa,
sensorial.
sorridente, cheia de ternura e amor. Elis nasceu com insuficiência cardíaca, *Silvia Carla Lopes, estudante de Pedagogia da Universidade do Sagrado Cora-
com comprometimentos motores sérios (quadriplegia), enfrentou cirurgias, ção, professora da Rede Estadual de Ensino do Estado de SP e monitora de Cristian
gessos e terapias sem fim até conseguir dar seus passos sozinha; mesmo na Universidade.
com mãozinhas que nunca seguravam e ainda se movem de maneira
desajeitada, consegue expressar palavras e pensamentos em LIBRAS ___________________________________
(Língua Brasileira de Sinais).
Sempre buscamos tratamentos e profissionais da melhor qualidade pa- ___________________________________
ra ela, o que, na maioria das vezes, significa pagá-los. Sempre nos senti- ___________________________________
mos indignados pela falta de atenção e despreparo que o Estado dá às
nossas crianças, chegando quase a ignorá-las. Os poucos serviços gratui- ___________________________________
tos que são oferecidos em sua maioria são precários, a não ser em hospi-
___________________________________
tais-escolas, que em sua infra-estrutura, possuem profissionais especializa-
dos e, em sua maioria, interessados pela evolução da criança. _______________________________________________________
Ao final disso meu trabalho foi reconhecido quando fui convidada a
atender alunos surdocegos e múltiplos deficientes sensoriais na AHIMSA _______________________________________________________
(Associação Educacional para a Múltipla Deficiência), colocando assim em _______________________________________________________
práticas suas experiências.
Na educação em geral é necessário, pesquisa, interesse e amor pelo _______________________________________________________
semelhante. Já na educação especial e educação inclusiva é preciso tudo _______________________________________________________
isso em dobro.
Conhecimentos Contextuais 20 A Opção Certa Para a Sua Realização
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dades, garantindo-se aos que forem trabalhadores as condições de acesso
e permanência na escola;
VIII - atendimento ao educando, no ensino fundamental público, por
meio de programas suplementares de material didático-escolar, transporte,
alimentação e assistência à saúde;
IX - padrões mínimos de qualidade de ensino, definidos como a varie-
dade e quantidade mínimas, por aluno, de insumos indispensáveis ao
LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NA- desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem.
CIONAL Nº 9.394/96: TÍTULO IV E TÍTULO V - CAPÍ- X – vaga na escola pública de educação infantil ou de ensino funda-
TULOS I, CAPÍTULO II - SECÇÕES I, IV, IV-A, (IN- mental mais próxima de sua residência a toda criança a partir do dia em
CLUÍDO PELA LEI Nº 11.741, DE 2008, QUE TRATA que completar 4 (quatro) anos de idade. (Incluído pela Lei nº 11.700, de
2008).
DA INTEGRAÇÃO DO ENSINO MÉDIO COM ENSINO
PROFISSIONAL) E SECÇÃO V. Art. 5º O acesso ao ensino fundamental é direito público subjetivo, po-
dendo qualquer cidadão, grupo de cidadãos, associação comunitária,
organização sindical, entidade de classe ou outra legalmente constituída, e,
Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional.
ainda, o Ministério Público, acionar o Poder Público para exigi-lo.
TÍTULO I § 1º Compete aos Estados e aos Municípios, em regime de colabora-
Da Educação ção, e com a assistência da União:
Art. 1º A educação abrange os processos formativos que se desenvol- I - recensear a população em idade escolar para o ensino fundamental,
vem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições e os jovens e adultos que a ele não tiveram acesso;
de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da socieda-
de civil e nas manifestações culturais. II - fazer-lhes a chamada pública;
§ 1º Esta Lei disciplina a educação escolar, que se desenvolve, predo- III - zelar, junto aos pais ou responsáveis, pela frequência à escola.
minantemente, por meio do ensino, em instituições próprias. § 2º Em todas as esferas administrativas, o Poder Público assegurará
§ 2º A educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à em primeiro lugar o acesso ao ensino obrigatório, nos termos deste artigo,
prática social. contemplando em seguida os demais níveis e modalidades de ensino,
conforme as prioridades constitucionais e legais.
TÍTULO II
Dos Princípios e Fins da Educação Nacional § 3º Qualquer das partes mencionadas no caput deste artigo tem legi-
timidade para peticionar no Poder Judiciário, na hipótese do § 2º do art. 208
Art. 2º A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princí- da Constituição Federal, sendo gratuita e de rito sumário a ação judicial
pios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade correspondente.
o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da
cidadania e sua qualificação para o trabalho. § 4º Comprovada a negligência da autoridade competente para garantir
o oferecimento do ensino obrigatório, poderá ela ser imputada por crime de
Art. 3º O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: responsabilidade.
I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; § 5º Para garantir o cumprimento da obrigatoriedade de ensino, o Po-
II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o der Público criará formas alternativas de acesso aos diferentes níveis de
pensamento, a arte e o saber; ensino, independentemente da escolarização anterior.
III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas; Art. 6o É dever dos pais ou responsáveis efetuar a matrícula dos meno-
IV - respeito à liberdade e apreço à tolerância; res, a partir dos seis anos de idade, no ensino fundamental. (Redação dada
pela Lei nº 11.114, de 2005)
V - coexistência de instituições públicas e privadas de ensino;
Art. 7º O ensino é livre à iniciativa privada, atendidas as seguintes con-
VI - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; dições:
VII - valorização do profissional da educação escolar; I - cumprimento das normas gerais da educação nacional e do respec-
VIII - gestão democrática do ensino público, na forma desta Lei e da le- tivo sistema de ensino;
gislação dos sistemas de ensino; II - autorização de funcionamento e avaliação de qualidade pelo Poder
Público;
IX - garantia de padrão de qualidade; III - capacidade de autofinanciamento, ressalvado o previsto no art. 213
X - valorização da experiência extra-escolar; da Constituição Federal.
XI - vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais. TÍTULO IV
TÍTULO III Da Organização da Educação Nacional
Do Direito à Educação e do Dever de Educar
Art. 8º A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios organi-
Art. 4º O dever do Estado com educação escolar pública será efetivado zarão, em regime de colaboração, os respectivos sistemas de ensino.
mediante a garantia de:
§ 1º Caberá à União a coordenação da política nacional de educação,
I - ensino fundamental, obrigatório e gratuito, inclusive para os que a articulando os diferentes níveis e sistemas e exercendo função normativa,
ele não tiveram acesso na idade própria; redistributiva e supletiva em relação às demais instâncias educacionais.
II - universalização do ensino médio gratuito; (Redação dada pela Lei § 2º Os sistemas de ensino terão liberdade de organização nos termos
nº 12.061, de 2009) desta Lei.
III - atendimento educacional especializado gratuito aos educandos Art. 9º A União incumbir-se-á de: (Regulamento)
com necessidades especiais, preferencialmente na rede regular de ensino;
I - elaborar o Plano Nacional de Educação, em colaboração com os Es-
IV - atendimento gratuito em creches e pré-escolas às crianças de zero tados, o Distrito Federal e os Municípios;
a seis anos de idade;
II - organizar, manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais do
V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da cria- sistema federal de ensino e o dos Territórios;
ção artística, segundo a capacidade de cada um;
III - prestar assistência técnica e financeira aos Estados, ao Distrito Fe-
VI - oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do edu- deral e aos Municípios para o desenvolvimento de seus sistemas de ensino
cando; e o atendimento prioritário à escolaridade obrigatória, exercendo sua função
VII - oferta de educação escolar regular para jovens e adultos, com ca- redistributiva e supletiva;
racterísticas e modalidades adequadas às suas necessidades e disponibili-
Conhecimentos Específicos 1 A Opção Certa Para a Sua Realização
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IV - estabelecer, em colaboração com os Estados, o Distrito Federal e Art. 12. Os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas co-
os Municípios, competências e diretrizes para a educação infantil, o ensino muns e as do seu sistema de ensino, terão a incumbência de:
fundamental e o ensino médio, que nortearão os currículos e seus conteú- I - elaborar e executar sua proposta pedagógica;
dos mínimos, de modo a assegurar formação básica comum;
II - administrar seu pessoal e seus recursos materiais e financeiros;
V - coletar, analisar e disseminar informações sobre a educação;
VI - assegurar processo nacional de avaliação do rendimento escolar III - assegurar o cumprimento dos dias letivos e horas-aula estabelecidas;
no ensino fundamental, médio e superior, em colaboração com os sistemas IV - velar pelo cumprimento do plano de trabalho de cada docente;
de ensino, objetivando a definição de prioridades e a melhoria da qualidade V - prover meios para a recuperação dos alunos de menor rendimento;
do ensino;
VI - articular-se com as famílias e a comunidade, criando processos de
VII - baixar normas gerais sobre cursos de graduação e pós-graduação; integração da sociedade com a escola;
VIII - assegurar processo nacional de avaliação das instituições de VII - informar pai e mãe, conviventes ou não com seus filhos, e, se for o
educação superior, com a cooperação dos sistemas que tiverem responsa- caso, os responsáveis legais, sobre a frequência e rendimento dos alunos,
bilidade sobre este nível de ensino; bem como sobre a execução da proposta pedagógica da escola; (Redação
IX - autorizar, reconhecer, credenciar, supervisionar e avaliar, respecti- dada pela Lei nº 12.013, de 2009)
vamente, os cursos das instituições de educação superior e os estabeleci- VIII – notificar ao Conselho Tutelar do Município, ao juiz competente da
mentos do seu sistema de ensino. Comarca e ao respectivo representante do Ministério Público a relação dos
§ 1º Na estrutura educacional, haverá um Conselho Nacional de Edu- alunos que apresentem quantidade de faltas acima de cinquenta por cento
cação, com funções normativas e de supervisão e atividade permanente, do percentual permitido em lei.(Incluído pela Lei nº 10.287, de 2001)
criado por lei. Art. 13. Os docentes incumbir-se-ão de:
§ 2° Para o cumprimento do disposto nos incisos V a IX, a União terá I - participar da elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento
acesso a todos os dados e informações necessários de todos os estabele- de ensino;
cimentos e órgãos educacionais.
II - elaborar e cumprir plano de trabalho, segundo a proposta pedagógi-
§ 3º As atribuições constantes do inciso IX poderão ser delegadas aos ca do estabelecimento de ensino;
Estados e ao Distrito Federal, desde que mantenham instituições de educa-
III - zelar pela aprendizagem dos alunos;
ção superior.
IV - estabelecer estratégias de recuperação para os alunos de menor
Art. 10. Os Estados incumbir-se-ão de:
rendimento;
I - organizar, manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais dos
V - ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidos, além de partici-
seus sistemas de ensino;
par integralmente dos períodos dedicados ao planejamento, à avaliação e
II - definir, com os Municípios, formas de colaboração na oferta do en- ao desenvolvimento profissional;
sino fundamental, as quais devem assegurar a distribuição proporcional das
VI - colaborar com as atividades de articulação da escola com as famí-
responsabilidades, de acordo com a população a ser atendida e os recur-
lias e a comunidade.
sos financeiros disponíveis em cada uma dessas esferas do Poder Público;
Art. 14. Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrá-
III - elaborar e executar políticas e planos educacionais, em consonân-
tica do ensino público na educação básica, de acordo com as suas peculia-
cia com as diretrizes e planos nacionais de educação, integrando e coorde-
ridades e conforme os seguintes princípios:
nando as suas ações e as dos seus Municípios;
I - participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto
IV - autorizar, reconhecer, credenciar, supervisionar e avaliar, respecti-
pedagógico da escola;
vamente, os cursos das instituições de educação superior e os estabeleci-
mentos do seu sistema de ensino; II - participação das comunidades escolar e local em conselhos escola-
res ou equivalentes.
V - baixar normas complementares para o seu sistema de ensino;
Art. 15. Os sistemas de ensino assegurarão às unidades escolares pú-
VI - assegurar o ensino fundamental e oferecer, com prioridade, o ensi-
blicas de educação básica que os integram progressivos graus de autono-
no médio a todos que o demandarem, respeitado o disposto no art. 38
mia pedagógica e administrativa e de gestão financeira, observadas as
desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 12.061, de 2009)
normas gerais de direito financeiro público.
VII - assumir o transporte escolar dos alunos da rede estadual. (Incluí-
Art. 16. O sistema federal de ensino compreende:
do pela Lei nº 10.709, de 31.7.2003)
I - as instituições de ensino mantidas pela União;
Parágrafo único. Ao Distrito Federal aplicar-se-ão as competências re-
ferentes aos Estados e aos Municípios. II - as instituições de educação superior criadas e mantidas pela inicia-
tiva privada;
Art. 11. Os Municípios incumbir-se-ão de:
III - os órgãos federais de educação.
I - organizar, manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais dos
seus sistemas de ensino, integrando-os às políticas e planos educacionais Art. 17. Os sistemas de ensino dos Estados e do Distrito Federal com-
da União e dos Estados; preendem:
II - exercer ação redistributiva em relação às suas escolas; I - as instituições de ensino mantidas, respectivamente, pelo Poder Pú-
blico estadual e pelo Distrito Federal;
III - baixar normas complementares para o seu sistema de ensino;
II - as instituições de educação superior mantidas pelo Poder Público
IV - autorizar, credenciar e supervisionar os estabelecimentos do seu
municipal;
sistema de ensino;
III - as instituições de ensino fundamental e médio criadas e mantidas
V - oferecer a educação infantil em creches e pré-escolas, e, com prio-
pela iniciativa privada;
ridade, o ensino fundamental, permitida a atuação em outros níveis de
ensino somente quando estiverem atendidas plenamente as necessidades IV - os órgãos de educação estaduais e do Distrito Federal, respecti-
de sua área de competência e com recursos acima dos percentuais míni- vamente.
mos vinculados pela Constituição Federal à manutenção e desenvolvimento Parágrafo único. No Distrito Federal, as instituições de educação infantil,
do ensino. criadas e mantidas pela iniciativa privada, integram seu sistema de ensino.
VI - assumir o transporte escolar dos alunos da rede municipal. (Incluí- Art. 18. Os sistemas municipais de ensino compreendem:
do pela Lei nº 10.709, de 31.7.2003) I - as instituições do ensino fundamental, médio e de educação infantil
Parágrafo único. Os Municípios poderão optar, ainda, por se integrar ao mantidas pelo Poder Público municipal;
sistema estadual de ensino ou compor com ele um sistema único de edu- II - as instituições de educação infantil criadas e mantidas pela iniciativa
cação básica. privada;

Conhecimentos Específicos 2 A Opção Certa Para a Sua Realização


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III – os órgãos municipais de educação. preservada a sequência do currículo, observadas as normas do respectivo
Art. 19. As instituições de ensino dos diferentes níveis classificam-se sistema de ensino;
nas seguintes categorias administrativas: (Regulamento) IV - poderão organizar-se classes, ou turmas, com alunos de séries dis-
I - públicas, assim entendidas as criadas ou incorporadas, mantidas e tintas, com níveis equivalentes de adiantamento na matéria, para o ensino
administradas pelo Poder Público; de línguas estrangeiras, artes, ou outros componentes curriculares;
II - privadas, assim entendidas as mantidas e administradas por pesso- V - a verificação do rendimento escolar observará os seguintes crité-
as físicas ou jurídicas de direito privado. rios:
Art. 20. As instituições privadas de ensino se enquadrarão nas seguin- a) avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno, com pre-
tes categorias: (Regulamento) valência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados
ao longo do período sobre os de eventuais provas finais;
I - particulares em sentido estrito, assim entendidas as que são instituí-
das e mantidas por uma ou mais pessoas físicas ou jurídicas de direito b) possibilidade de aceleração de estudos para alunos com atraso es-
privado que não apresentem as características dos incisos abaixo; colar;
II - comunitárias, assim entendidas as que são instituídas por grupos de c) possibilidade de avanço nos cursos e nas séries mediante verifica-
pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas, inclusive cooperati- ção do aprendizado;
vas educacionais, sem fins lucrativos, que incluam na sua entidade mante- d) aproveitamento de estudos concluídos com êxito;
nedora representantes da comunidade; (Redação dada pela Lei nº 12.020, e) obrigatoriedade de estudos de recuperação, de preferência paralelos
de 2009) ao período letivo, para os casos de baixo rendimento escolar, a serem
III - confessionais, assim entendidas as que são instituídas por grupos disciplinados pelas instituições de ensino em seus regimentos;
de pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas que atendem a VI - o controle de frequência fica a cargo da escola, conforme o dispos-
orientação confessional e ideologia específicas e ao disposto no inciso to no seu regimento e nas normas do respectivo sistema de ensino, exigida
anterior; a frequência mínima de setenta e cinco por cento do total de horas letivas
IV - filantrópicas, na forma da lei. para aprovação;
VII - cabe a cada instituição de ensino expedir históricos escolares, de-
TÍTULO V
clarações de conclusão de série e diplomas ou certificados de conclusão de
Dos Níveis e das Modalidades de Educação e Ensino cursos, com as especificações cabíveis.
CAPÍTULO I Art. 25. Será objetivo permanente das autoridades responsáveis alcan-
Da Composição dos Níveis Escolares çar relação adequada entre o número de alunos e o professor, a carga
horária e as condições materiais do estabelecimento.
Art. 21. A educação escolar compõe-se de:
Parágrafo único. Cabe ao respectivo sistema de ensino, à vista das
I - educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamen-
condições disponíveis e das características regionais e locais, estabelecer
tal e ensino médio;
parâmetro para atendimento do disposto neste artigo.
II - educação superior.
Art. 26. Os currículos do ensino fundamental e médio devem ter uma ba-
CAPÍTULO II
se nacional comum, a ser complementada, em cada sistema de ensino e
DA EDUCAÇÃO BÁSICA estabelecimento escolar, por uma parte diversificada, exigida pelas caracterís-
Seção I ticas regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e da clientela.
Das Disposições Gerais § 1º Os currículos a que se refere o caput devem abranger, obrigatoriamen-
Art. 22. A educação básica tem por finalidades desenvolver o educando, te, o estudo da língua portuguesa e da matemática, o conhecimento do mundo
assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania físico e natural e da realidade social e política, especialmente do Brasil.
e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores. § 2o O ensino da arte, especialmente em suas expressões regionais,
Art. 23. A educação básica poderá organizar-se em séries anuais, perí- constituirá componente curricular obrigatório nos diversos níveis da educa-
odos semestrais, ciclos, alternância regular de períodos de estudos, grupos ção básica, de forma a promover o desenvolvimento cultural dos
não-seriados, com base na idade, na competência e em outros critérios, ou § 3o A educação física, integrada à proposta pedagógica da escola, é
por forma diversa de organização, sempre que o interesse do processo de componente curricular obrigatório da educação básica, sendo sua prática
aprendizagem assim o recomendar. facultativa ao aluno: (Redação dada pela Lei nº 10.793, de 1º.12.2003)
§ 1º A escola poderá reclassificar os alunos, inclusive quando se tratar I – que cumpra jornada de trabalho igual ou superior a seis horas; (In-
de transferências entre estabelecimentos situados no País e no exterior, cluído pela Lei nº 10.793, de 1º.12.2003)
tendo como base as normas curriculares gerais.
II – maior de trinta anos de idade; (Incluído pela Lei nº 10.793, de
§ 2º O calendário escolar deverá adequar-se às peculiaridades locais, 1º.12.2003)
inclusive climáticas e econômicas, a critério do respectivo sistema de
ensino, sem com isso reduzir o número de horas letivas previsto nesta Lei. III – que estiver prestando serviço militar inicial ou que, em situação si-
milar, estiver obrigado à prática da educação física; (Incluído pela Lei nº
Art. 24. A educação básica, nos níveis fundamental e médio, será or- 10.793, de 1º.12.2003)
ganizada de acordo com as seguintes regras comuns:
IV – amparado pelo Decreto-Lei no 1.044, de 21 de outubro de 1969;
I - a carga horária mínima anual será de oitocentas horas, distribuídas (Incluído pela Lei nº 10.793, de 1º.12.2003)
por um mínimo de duzentos dias de efetivo trabalho escolar, excluído o
tempo reservado aos exames finais, quando houver; V – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.793, de 1º.12.2003)
II - a classificação em qualquer série ou etapa, exceto a primeira do VI – que tenha prole. (Incluído pela Lei nº 10.793, de 1º.12.2003)
ensino fundamental, pode ser feita: § 4º O ensino da História do Brasil levará em conta as contribuições
a) por promoção, para alunos que cursaram, com aproveitamento, a sé- das diferentes culturas e etnias para a formação do povo brasileiro, especi-
rie ou fase anterior, na própria escola; almente das matrizes indígena, africana e europeia.
b) por transferência, para candidatos procedentes de outras escolas; § 5º Na parte diversificada do currículo será incluído, obrigatoriamente,
a partir da quinta série, o ensino de pelo menos uma língua estrangeira
c) independentemente de escolarização anterior, mediante avaliação moderna, cuja escolha ficará a cargo da comunidade escolar, dentro das
feita pela escola, que defina o grau de desenvolvimento e experiência do possibilidades da instituição.
candidato e permita sua inscrição na série ou etapa adequada, conforme
regulamentação do respectivo sistema de ensino; § 6o A música deverá ser conteúdo obrigatório, mas não exclusivo, do
componente curricular de que trata o § 2o deste artigo. (Incluído pela Lei nº
III - nos estabelecimentos que adotam a progressão regular por série, o 11.769, de 2008)
regimento escolar pode admitir formas de progressão parcial, desde que
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Art. 26-A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino mé- sem prejuízo da avaliação do processo de ensino-aprendizagem, observa-
dio, públicos e privados, torna-se obrigatório o estudo da história e cultura das as normas do respectivo sistema de ensino.
afro-brasileira e indígena. (Redação dada pela Lei nº 11.645, de 2008). § 3º O ensino fundamental regular será ministrado em língua portugue-
§ 1o O conteúdo programático a que se refere este artigo incluirá diver- sa, assegurada às comunidades indígenas a utilização de suas línguas
sos aspectos da história e da cultura que caracterizam a formação da maternas e processos próprios de aprendizagem.
população brasileira, a partir desses dois grupos étnicos, tais como o estu- § 4º O ensino fundamental será presencial, sendo o ensino a distância utili-
do da história da África e dos africanos, a luta dos negros e dos povos zado como complementação da aprendizagem ou em situações emergenciais.
indígenas no Brasil, a cultura negra e indígena brasileira e o negro e o índio
na formação da sociedade nacional, resgatando as suas contribuições nas § 5o O currículo do ensino fundamental incluirá, obrigatoriamente, con-
áreas social, econômica e política, pertinentes à história do Brasil. (Reda- teúdo que trate dos direitos das crianças e dos adolescentes, tendo como
ção dada pela Lei nº 11.645, de 2008). diretriz a Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990, que institui o Estatuto da
Criança e do Adolescente, observada a produção e distribuição de material
§ 2o Os conteúdos referentes à história e cultura afro-brasileira e dos didático adequado. (Incluído pela Lei nº 11.525, de 2007).
povos indígenas brasileiros serão ministrados no âmbito de todo o currículo
escolar, em especial nas áreas de educação artística e de literatura e § 6º O estudo sobre os símbolos nacionais será incluído como tema
história brasileiras. (Redação dada pela Lei nº 11.645, de 2008). transversal nos currículos do ensino fundamental. (Incluído pela Lei nº
12.472, de 2011).
Art. 27. Os conteúdos curriculares da educação básica observarão,
ainda, as seguintes diretrizes: Art. 33. O ensino religioso, de matrícula facultativa, é parte integrante
da formação básica do cidadão e constitui disciplina dos horários normais
I - a difusão de valores fundamentais ao interesse social, aos direitos e das escolas públicas de ensino fundamental, assegurado o respeito à
deveres dos cidadãos, de respeito ao bem comum e à ordem democrática; diversidade cultural religiosa do Brasil, vedadas quaisquer formas de prose-
II - consideração das condições de escolaridade dos alunos em cada litismo. (Redação dada pela Lei nº 9.475, de 22.7.1997)
estabelecimento; § 1º Os sistemas de ensino regulamentarão os procedimentos para a
III - orientação para o trabalho; definição dos conteúdos do ensino religioso e estabelecerão as normas
IV - promoção do desporto educacional e apoio às práticas desportivas para a habilitação e admissão dos professores.
não-formais. § 2º Os sistemas de ensino ouvirão entidade civil, constituída pelas di-
Art. 28. Na oferta de educação básica para a população rural, os siste- ferentes denominações religiosas, para a definição dos conteúdos do
mas de ensino promoverão as adaptações necessárias à sua adequação às ensino religioso."
peculiaridades da vida rural e de cada região, especialmente: Art. 34. A jornada escolar no ensino fundamental incluirá pelo menos
I - conteúdos curriculares e metodologias apropriadas às reais necessi- quatro horas de trabalho efetivo em sala de aula, sendo progressivamente
dades e interesses dos alunos da zona rural; ampliado o período de permanência na escola.
II - organização escolar própria, incluindo adequação do calendário es- § 1º São ressalvados os casos do ensino noturno e das formas alterna-
colar às fases do ciclo agrícola e às condições climáticas; tivas de organização autorizadas nesta Lei.
III - adequação à natureza do trabalho na zona rural. § 2º O ensino fundamental será ministrado progressivamente em tempo
integral, a critério dos sistemas de ensino.
Seção II
Seção IV
Da Educação Infantil
Do Ensino Médio
Art. 29. A educação infantil, primeira etapa da educação básica, tem
como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de Art. 35. O ensino médio, etapa final da educação básica, com duração
idade, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, comple- mínima de três anos, terá como finalidades:
mentando a ação da família e da comunidade. I - a consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos adquiridos
Art. 30. A educação infantil será oferecida em: no ensino fundamental, possibilitando o prosseguimento de estudos;
I - creches, ou entidades equivalentes, para crianças de até três anos II - a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando, pa-
de idade; ra continuar aprendendo, de modo a ser capaz de se adaptar com flexibili-
dade a novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento posteriores;
II - pré-escolas, para as crianças de quatro a seis anos de idade.
III - o aprimoramento do educando como pessoa humana, incluindo a
Art. 31. Na educação infantil a avaliação far-se-á mediante acompa- formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensa-
nhamento e registro do seu desenvolvimento, sem o objetivo de promoção, mento crítico;
mesmo para o acesso ao ensino fundamental.
Seção III
IV - a compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos pro-
Do Ensino Fundamental cessos produtivos, relacionando a teoria com a prática, no ensino de cada
Art. 32. O ensino fundamental obrigatório, com duração de 9 (nove) disciplina.
anos, gratuito na escola pública, iniciando-se aos 6 (seis) anos de idade, Art. 36. O currículo do ensino médio observará o disposto na Seção I
terá por objetivo a formação básica do cidadão, mediante: (Redação dada deste Capítulo e as seguintes diretrizes:
pela Lei nº 11.274, de 2006)
I - destacará a educação tecnológica básica, a compreensão do signifi-
I - o desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como meios cado da ciência, das letras e das artes; o processo histórico de transforma-
básicos o pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo; ção da sociedade e da cultura; a língua portuguesa como instrumento de
II - a compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da comunicação, acesso ao conhecimento e exercício da cidadania;
tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade; II - adotará metodologias de ensino e de avaliação que estimulem a ini-
III - o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, tendo em vis- ciativa dos estudantes;
ta a aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes e III - será incluída uma língua estrangeira moderna, como disciplina
valores; obrigatória, escolhida pela comunidade escolar, e uma segunda, em caráter
IV - o fortalecimento dos vínculos de família, dos laços de solidariedade optativo, dentro das disponibilidades da instituição.
humana e de tolerância recíproca em que se assenta a vida social. IV – serão incluídas a Filosofia e a Sociologia como disciplinas obriga-
§ 1º É facultado aos sistemas de ensino desdobrar o ensino fundamen- tórias em todas as séries do ensino médio. (Incluído pela Lei nº 11.684, de
tal em ciclos. 2008)
§ 2º Os estabelecimentos que utilizam progressão regular por série po- § 1º Os conteúdos, as metodologias e as formas de avaliação serão or-
dem adotar no ensino fundamental o regime de progressão continuada, ganizados de tal forma que ao final do ensino médio o educando demonstre:

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I - domínio dos princípios científicos e tecnológicos que presidem a aos adultos, que não puderam efetuar os estudos na idade regular, oportu-
produção moderna; nidades educacionais apropriadas, consideradas as características do
II - conhecimento das formas contemporâneas de linguagem; alunado, seus interesses, condições de vida e de trabalho, mediante cursos
e exames.
§ 2º (Revogado pela Lei nº 11.741, de 2008)
§ 2º O Poder Público viabilizará e estimulará o acesso e a permanência
§ 3º Os cursos do ensino médio terão equivalência legal e habilitarão do trabalhador na escola, mediante ações integradas e complementares
ao prosseguimento de estudos. entre si.
Seção IV-A § 3o A educação de jovens e adultos deverá articular-se, preferencial-
Da Educação Profissional Técnica de Nível Médio mente, com a educação profissional, na forma do regulamento. (Incluído
(Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) pela Lei nº 11.741, de 2008)
Art. 36-A. Sem prejuízo do disposto na Seção IV deste Capítulo, o ensino Art. 38. Os sistemas de ensino manterão cursos e exames supletivos,
médio, atendida a formação geral do educando, poderá prepará-lo para o que compreenderão a base nacional comum do currículo, habilitando ao
exercício de profissões técnicas. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) prosseguimento de estudos em caráter regular.
Parágrafo único. A preparação geral para o trabalho e, facultativamen- § 1º Os exames a que se refere este artigo realizar-se-ão:
te, a habilitação profissional poderão ser desenvolvidas nos próprios esta- I - no nível de conclusão do ensino fundamental, para os maiores de
belecimentos de ensino médio ou em cooperação com instituições especia- quinze anos;
lizadas em educação profissional. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008)
II - no nível de conclusão do ensino médio, para os maiores de dezoito
Art. 36-B. A educação profissional técnica de nível médio será desen- anos.
volvida nas seguintes formas: (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008)
§ 2º Os conhecimentos e habilidades adquiridos pelos educandos por
I - articulada com o ensino médio; (Incluído pela Lei nº 11.741, de meios informais serão aferidos e reconhecidos mediante exames.
2008)
CAPÍTULO III
II - subsequente, em cursos destinados a quem já tenha concluído o
ensino médio.(Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008)
Da Educação Profissional e Tecnológica
(Redação dada pela Lei nº 11.741, de 2008)
Parágrafo único. A educação profissional técnica de nível médio deverá
observar: (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) Art. 39. A educação profissional e tecnológica, no cumprimento dos ob-
jetivos da educação nacional, integra-se aos diferentes níveis e modalida-
I - os objetivos e definições contidos nas diretrizes curriculares nacio- des de educação e às dimensões do trabalho, da ciência e da tecnologia.
nais estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação; (Incluído pela Lei (Redação dada pela Lei nº 11.741, de 2008)
nº 11.741, de 2008)
§ 1o Os cursos de educação profissional e tecnológica poderão ser or-
II - as normas complementares dos respectivos sistemas de ensino; ganizados por eixos tecnológicos, possibilitando a construção de diferentes
(Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) itinerários formativos, observadas as normas do respectivo sistema e nível
III - as exigências de cada instituição de ensino, nos termos de seu pro- de ensino. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008)
jeto pedagógico. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) § 2o A educação profissional e tecnológica abrangerá os seguintes
Art. 36-C. A educação profissional técnica de nível médio articulada, cursos: (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008)
prevista no inciso I do caput do art. 36-B desta Lei, será desenvolvida de I – de formação inicial e continuada ou qualificação profissional; (Incluí-
forma: (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) do pela Lei nº 11.741, de 2008)
I - integrada, oferecida somente a quem já tenha concluído o ensino II – de educação profissional técnica de nível médio; (Incluído pela Lei
fundamental, sendo o curso planejado de modo a conduzir o aluno à habili- nº 11.741, de 2008)
tação profissional técnica de nível médio, na mesma instituição de ensino,
efetuando-se matrícula única para cada aluno; (Incluído pela Lei nº 11.741, III – de educação profissional tecnológica de graduação e pós-
de 2008) graduação. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008)
II - concomitante, oferecida a quem ingresse no ensino médio ou já o § 3o Os cursos de educação profissional tecnológica de graduação e
esteja cursando, efetuando-se matrículas distintas para cada curso, e pós-graduação organizar-se-ão, no que concerne a objetivos, característi-
podendo ocorrer: (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) cas e duração, de acordo com as diretrizes curriculares nacionais estabele-
cidas pelo Conselho Nacional de Educação. (Incluído pela Lei nº 11.741/08)
a) na mesma instituição de ensino, aproveitando-se as oportunidades
educacionais disponíveis; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) Art. 40. A educação profissional será desenvolvida em articulação com
o ensino regular ou por diferentes estratégias de educação continuada, em
b) em instituições de ensino distintas, aproveitando-se as oportunida- instituições especializadas ou no ambiente de trabalho. (Regulamento)
des educacionais disponíveis; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008)
Art. 41. O conhecimento adquirido na educação profissional e tecnoló-
c) em instituições de ensino distintas, mediante convênios de intercom- gica, inclusive no trabalho, poderá ser objeto de avaliação, reconhecimento
plementaridade, visando ao planejamento e ao desenvolvimento de projeto e certificação para prosseguimento ou conclusão de estudos. (Redação
pedagógico unificado. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) dada pela Lei nº 11.741, de 2008)
Art. 36-D. Os diplomas de cursos de educação profissional técnica de Art. 42. As instituições de educação profissional e tecnológica, além
nível médio, quando registrados, terão validade nacional e habilitarão ao dos seus cursos regulares, oferecerão cursos especiais, abertos à comuni-
prosseguimento de estudos na educação superior. (Incluído pela Lei nº dade, condicionada a matrícula à capacidade de aproveitamento e não
11.741, de 2008) necessariamente ao nível de escolaridade. (Redação dada pela Lei nº
Parágrafo único. Os cursos de educação profissional técnica de nível 11.741, de 2008)
médio, nas formas articulada concomitante e subsequente, quando estrutu- CAPÍTULO IV
rados e organizados em etapas com terminalidade, possibilitarão a obten- DA EDUCAÇÃO SUPERIOR
ção de certificados de qualificação para o trabalho após a conclusão, com
aproveitamento, de cada etapa que caracterize uma qualificação para o Art. 43. A educação superior tem por finalidade:
trabalho. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) I - estimular a criação cultural e o desenvolvimento do espírito científico
Seção V e do pensamento reflexivo;
Da Educação de Jovens e Adultos II - formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos pa-
ra a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvi-
Art. 37. A educação de jovens e adultos será destinada àqueles que mento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua;
não tiveram acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e
médio na idade própria. III - incentivar o trabalho de pesquisa e investigação científica, visando
o desenvolvimento da ciência e da tecnologia e da criação e difusão da
§ 1º Os sistemas de ensino assegurarão gratuitamente aos jovens e
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cultura, e, desse modo, desenvolver o entendimento do homem e do meio Art. 48. Os diplomas de cursos superiores reconhecidos, quando regis-
em que vive; trados, terão validade nacional como prova da formação recebida por seu
IV - promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e titular.
técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber § 1º Os diplomas expedidos pelas universidades serão por elas pró-
através do ensino, de publicações ou de outras formas de comunicação; prias registrados, e aqueles conferidos por instituições não-universitárias
V - suscitar o desejo permanente de aperfeiçoamento cultural e profis- serão registrados em universidades indicadas pelo Conselho Nacional de
sional e possibilitar a correspondente concretização, integrando os conhe- Educação.
cimentos que vão sendo adquiridos numa estrutura intelectual sistematiza- § 2º Os diplomas de graduação expedidos por universidades estrangei-
dora do conhecimento de cada geração; ras serão revalidados por universidades públicas que tenham curso do
VI - estimular o conhecimento dos problemas do mundo presente, em mesmo nível e área ou equivalente, respeitando-se os acordos internacio-
particular os nacionais e regionais, prestar serviços especializados à comu- nais de reciprocidade ou equiparação.
nidade e estabelecer com esta uma relação de reciprocidade; § 3º Os diplomas de Mestrado e de Doutorado expedidos por universi-
VII - promover a extensão, aberta à participação da população, visando dades estrangeiras só poderão ser reconhecidos por universidades que
à difusão das conquistas e benefícios resultantes da criação cultural e da possuam cursos de pós-graduação reconhecidos e avaliados, na mesma
pesquisa científica e tecnológica geradas na instituição. área de conhecimento e em nível equivalente ou superior.
Art. 44. A educação superior abrangerá os seguintes cursos e progra- Art. 49. As instituições de educação superior aceitarão a transferência
mas: de alunos regulares, para cursos afins, na hipótese de existência de vagas,
e mediante processo seletivo.
I - cursos sequenciais por campo de saber, de diferentes níveis de
abrangência, abertos a candidatos que atendam aos requisitos estabeleci- Parágrafo único. As transferências ex officio dar-se-ão na forma da lei.
dos pelas instituições de ensino, desde que tenham concluído o ensino Art. 50. As instituições de educação superior, quando da ocorrência de
médio ou equivalente; (Redação dada pela Lei nº 11.632, de 2007). vagas, abrirão matrícula nas disciplinas de seus cursos a alunos não regu-
II - de graduação, abertos a candidatos que tenham concluído o ensino lares que demonstrarem capacidade de cursá-las com proveito, mediante
médio ou equivalente e tenham sido classificados em processo seletivo; processo seletivo prévio.
III - de pós-graduação, compreendendo programas de mestrado e dou- Art. 51. As instituições de educação superior credenciadas como universi-
torado, cursos de especialização, aperfeiçoamento e outros, abertos a dades, ao deliberar sobre critérios e normas de seleção e admissão de estudan-
candidatos diplomados em cursos de graduação e que atendam às exigên- tes, levarão em conta os efeitos desses critérios sobre a orientação do ensino
cias das instituições de ensino; médio, articulando-se com os órgãos normativos dos sistemas de ensino.
IV - de extensão, abertos a candidatos que atendam aos requisitos es- Art. 52. As universidades são instituições pluridisciplinares de formação
tabelecidos em cada caso pelas instituições de ensino. dos quadros profissionais de nível superior, de pesquisa, de extensão e de
domínio e cultivo do saber humano, que se caracterizam por:
Parágrafo único. Os resultados do processo seletivo referido no inciso II
do caput deste artigo serão tornados públicos pelas instituições de ensino I - produção intelectual institucionalizada mediante o estudo sistemático
superior, sendo obrigatória a divulgação da relação nominal dos classificados, dos temas e problemas mais relevantes, tanto do ponto de vista científico e
a respectiva ordem de classificação, bem como do cronograma das chama- cultural, quanto regional e nacional;
das para matrícula, de acordo com os critérios para preenchimento das vagas II - um terço do corpo docente, pelo menos, com titulação acadêmica
constantes do respectivo edital. (Incluído pela Lei nº 11.331, de 2006) de mestrado ou doutorado;
Art. 45. A educação superior será ministrada em instituições de ensino III - um terço do corpo docente em regime de tempo integral.
superior, públicas ou privadas, com variados graus de abrangência ou Parágrafo único. É facultada a criação de universidades especializadas
especialização. (Regulamento) por campo do saber. (Regulamento)
Art. 46. A autorização e o reconhecimento de cursos, bem como o cre- Art. 53. No exercício de sua autonomia, são asseguradas às universi-
denciamento de instituições de educação superior, terão prazos limitados, dades, sem prejuízo de outras, as seguintes atribuições:
sendo renovados, periodicamente, após processo regular de avaliação.
I - criar, organizar e extinguir, em sua sede, cursos e programas de
§ 1º Após um prazo para saneamento de deficiências eventualmente educação superior previstos nesta Lei, obedecendo às normas gerais da
identificadas pela avaliação a que se refere este artigo, haverá reavaliação, União e, quando for o caso, do respectivo sistema de ensino;
que poderá resultar, conforme o caso, em desativação de cursos e habilita-
ções, em intervenção na instituição, em suspensão temporária de prerroga- II - fixar os currículos dos seus cursos e programas, observadas as di-
tivas da autonomia, ou em descredenciamento. (Regulamento) retrizes gerais pertinentes;
§ 2º No caso de instituição pública, o Poder Executivo responsável por III - estabelecer planos, programas e projetos de pesquisa científica,
sua manutenção acompanhará o processo de saneamento e fornecerá produção artística e atividades de extensão;
recursos adicionais, se necessários, para a superação das deficiências. IV - fixar o número de vagas de acordo com a capacidade institucional
Art. 47. Na educação superior, o ano letivo regular, independente do e as exigências do seu meio;
ano civil, tem, no mínimo, duzentos dias de trabalho acadêmico efetivo, V - elaborar e reformar os seus estatutos e regimentos em consonância
excluído o tempo reservado aos exames finais, quando houver. com as normas gerais atinentes;
§ 1º As instituições informarão aos interessados, antes de cada período VI - conferir graus, diplomas e outros títulos;
letivo, os programas dos cursos e demais componentes curriculares, sua VII - firmar contratos, acordos e convênios;
duração, requisitos, qualificação dos professores, recursos disponíveis e
VIII - aprovar e executar planos, programas e projetos de investimentos
critérios de avaliação, obrigando-se a cumprir as respectivas condições.
referentes a obras, serviços e aquisições em geral, bem como administrar
§ 2º Os alunos que tenham extraordinário aproveitamento nos estudos, rendimentos conforme dispositivos institucionais;
demonstrado por meio de provas e outros instrumentos de avaliação espe-
IX - administrar os rendimentos e deles dispor na forma prevista no ato
cíficos, aplicados por banca examinadora especial, poderão ter abreviada a
de constituição, nas leis e nos respectivos estatutos;
duração dos seus cursos, de acordo com as normas dos sistemas de
ensino. X - receber subvenções, doações, heranças, legados e cooperação fi-
nanceira resultante de convênios com entidades públicas e privadas.
§ 3º É obrigatória a frequência de alunos e professores, salvo nos pro-
gramas de educação a distância. Parágrafo único. Para garantir a autonomia didático-científica das uni-
versidades, caberá aos seus colegiados de ensino e pesquisa decidir,
§ 4º As instituições de educação superior oferecerão, no período notur-
dentro dos recursos orçamentários disponíveis, sobre:
no, cursos de graduação nos mesmos padrões de qualidade mantidos no
período diurno, sendo obrigatória a oferta noturna nas instituições públicas, I - criação, expansão, modificação e extinção de cursos;
garantida a necessária previsão orçamentária. II - ampliação e diminuição de vagas;
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III - elaboração da programação dos cursos; III - professores com especialização adequada em nível médio ou superi-
IV - programação das pesquisas e das atividades de extensão; or, para atendimento especializado, bem como professores do ensino regular
capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns;
V - contratação e dispensa de professores;
IV - educação especial para o trabalho, visando a sua efetiva integra-
VI - planos de carreira docente. ção na vida em sociedade, inclusive condições adequadas para os que não
Art. 54. As universidades mantidas pelo Poder Público gozarão, na revelarem capacidade de inserção no trabalho competitivo, mediante articu-
forma da lei, de estatuto jurídico especial para atender às peculiaridades de lação com os órgãos oficiais afins, bem como para aqueles que apresentam
sua estrutura, organização e financiamento pelo Poder Público, assim como uma habilidade superior nas áreas artística, intelectual ou psicomotora;
dos seus planos de carreira e do regime jurídico do seu pessoal. V - acesso igualitário aos benefícios dos programas sociais suplemen-
§ 1º No exercício da sua autonomia, além das atribuições asseguradas tares disponíveis para o respectivo nível do ensino regular.
pelo artigo anterior, as universidades públicas poderão: Art. 60. Os órgãos normativos dos sistemas de ensino estabelecerão
I - propor o seu quadro de pessoal docente, técnico e administrativo, critérios de caracterização das instituições privadas sem fins lucrativos,
assim como um plano de cargos e salários, atendidas as normas gerais especializadas e com atuação exclusiva em educação especial, para fins de
pertinentes e os recursos disponíveis; apoio técnico e financeiro pelo Poder Público.
II - elaborar o regulamento de seu pessoal em conformidade com as Parágrafo único. O Poder Público adotará, como alternativa preferenci-
normas gerais concernentes; al, a ampliação do atendimento aos educandos com necessidades especi-
III - aprovar e executar planos, programas e projetos de investimentos ais na própria rede pública regular de ensino, independentemente do apoio
referentes a obras, serviços e aquisições em geral, de acordo com os às instituições previstas neste artigo.
recursos alocados pelo respectivo Poder mantenedor; TÍTULO VI
IV - elaborar seus orçamentos anuais e plurianuais; Dos Profissionais da Educação
V - adotar regime financeiro e contábil que atenda às suas peculiarida- Art. 61. Consideram-se profissionais da educação escolar básica os
des de organização e funcionamento; que, nela estando em efetivo exercício e tendo sido formados em cursos
VI - realizar operações de crédito ou de financiamento, com aprovação reconhecidos, são: (Redação dada pela Lei nº 12.014, de 2009)
do Poder competente, para aquisição de bens imóveis, instalações e equi- I – professores habilitados em nível médio ou superior para a docência
pamentos; na educação infantil e nos ensinos fundamental e médio; (Redação dada
VII - efetuar transferências, quitações e tomar outras providências de pela Lei nº 12.014, de 2009)
ordem orçamentária, financeira e patrimonial necessárias ao seu bom II – trabalhadores em educação portadores de diploma de pedagogia,
desempenho. com habilitação em administração, planejamento, supervisão, inspeção e
§ 2º Atribuições de autonomia universitária poderão ser estendidas a orientação educacional, bem como com títulos de mestrado ou doutorado
instituições que comprovem alta qualificação para o ensino ou para a nas mesmas áreas; (Redação dada pela Lei nº 12.014, de 2009)
pesquisa, com base em avaliação realizada pelo Poder Público. III – trabalhadores em educação, portadores de diploma de curso técni-
Art. 55. Caberá à União assegurar, anualmente, em seu Orçamento co ou superior em área pedagógica ou afim. (Incluído pela Lei nº 12.014/09)
Geral, recursos suficientes para manutenção e desenvolvimento das insti- Parágrafo único. A formação dos profissionais da educação, de modo a
tuições de educação superior por ela mantidas. atender às especificidades do exercício de suas atividades, bem como aos
Art. 56. As instituições públicas de educação superior obedecerão ao objetivos das diferentes etapas e modalidades da educação básica, terá
princípio da gestão democrática, assegurada a existência de órgãos colegi- como fundamentos: (Incluído pela Lei nº 12.014, de 2009)
ados deliberativos, de que participarão os segmentos da comunidade I – a presença de sólida formação básica, que propicie o conhecimento
institucional, local e regional. dos fundamentos científicos e sociais de suas competências de trabalho;
Parágrafo único. Em qualquer caso, os docentes ocuparão setenta por (Incluído pela Lei nº 12.014, de 2009)
cento dos assentos em cada órgão colegiado e comissão, inclusive nos que II – a associação entre teorias e práticas, mediante estágios supervisi-
tratarem da elaboração e modificações estatutárias e regimentais, bem onados e capacitação em serviço; (Incluído pela Lei nº 12.014, de 2009)
como da escolha de dirigentes.
III – o aproveitamento da formação e experiências anteriores, em insti-
Art. 57. Nas instituições públicas de educação superior, o professor fi- tuições de ensino e em outras atividades. (Incluído pela Lei nº 12.014, de
cará obrigado ao mínimo de oito horas semanais de aulas.(Regulamento) 2009)
CAPÍTULO V Art. 62. A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-
DA EDUCAÇÃO ESPECIAL á em nível superior, em curso de licenciatura, de graduação plena, em
Art. 58. Entende-se por educação especial, para os efeitos desta Lei, a universidades e institutos superiores de educação, admitida, como forma-
modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente na rede ção mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas
regular de ensino, para educandos portadores de necessidades especiais. quatro primeiras séries do ensino fundamental, a oferecida em nível médio,
na modalidade Normal. (Regulamento)
§ 1º Haverá, quando necessário, serviços de apoio especializado, na
escola regular, para atender às peculiaridades da clientela de educação § 1º A União, o Distrito Federal, os Estados e os Municípios, em regime
especial. de colaboração, deverão promover a formação inicial, a continuada e a
capacitação dos profissionais de magistério. (Incluído pela Lei nº 12.056, de
§ 2º O atendimento educacional será feito em classes, escolas ou ser-
2009).
viços especializados, sempre que, em função das condições específicas
dos alunos, não for possível a sua integração nas classes comuns de § 2º A formação continuada e a capacitação dos profissionais de ma-
ensino regular. gistério poderão utilizar recursos e tecnologias de educação a distância.
(Incluído pela Lei nº 12.056, de 2009).
§ 3º A oferta de educação especial, dever constitucional do Estado, tem
início na faixa etária de zero a seis anos, durante a educação infantil. § 3º A formação inicial de profissionais de magistério dará preferência
ao ensino presencial, subsidiariamente fazendo uso de recursos e tecnolo-
Art. 59. Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com ne-
gias de educação a distância. (Incluído pela Lei nº 12.056, de 2009).
cessidades especiais:
Art. 63. Os institutos superiores de educação manterão:
I - currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização
específicos, para atender às suas necessidades; I - cursos formadores de profissionais para a educação básica, inclusi-
ve o curso normal superior, destinado à formação de docentes para a
II - terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o ní-
educação infantil e para as primeiras séries do ensino fundamental;
vel exigido para a conclusão do ensino fundamental, em virtude de suas
deficiências, e aceleração para concluir em menor tempo o programa II - programas de formação pedagógica para portadores de diplomas
escolar para os superdotados; de educação superior que queiram se dedicar à educação básica;

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III - programas de educação continuada para os profissionais de edu- mos obrigatórios, serão apuradas e corrigidas a cada trimestre do exercício
cação dos diversos níveis. financeiro.
Art. 64. A formação de profissionais de educação para administração, § 5º O repasse dos valores referidos neste artigo do caixa da União,
planejamento, inspeção, supervisão e orientação educacional para a edu- dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios ocorrerá imediatamente
cação básica, será feita em cursos de graduação em pedagogia ou em ao órgão responsável pela educação, observados os seguintes prazos:
nível de pós-graduação, a critério da instituição de ensino, garantida, nesta I - recursos arrecadados do primeiro ao décimo dia de cada mês, até o
formação, a base comum nacional. vigésimo dia;
Art. 65. A formação docente, exceto para a educação superior, incluirá II - recursos arrecadados do décimo primeiro ao vigésimo dia de cada
prática de ensino de, no mínimo, trezentas horas. mês, até o trigésimo dia;
Art. 66. A preparação para o exercício do magistério superior far-se-á III - recursos arrecadados do vigésimo primeiro dia ao final de cada
em nível de pós-graduação, prioritariamente em programas de mestrado e mês, até o décimo dia do mês subsequente.
doutorado.
§ 6º O atraso da liberação sujeitará os recursos a correção monetária e
Parágrafo único. O notório saber, reconhecido por universidade com à responsabilização civil e criminal das autoridades competentes.
curso de doutorado em área afim, poderá suprir a exigência de título aca-
dêmico. Art. 70. Considerar-se-ão como de manutenção e desenvolvimento do
ensino as despesas realizadas com vistas à consecução dos objetivos
Art. 67. Os sistemas de ensino promoverão a valorização dos profissio- básicos das instituições educacionais de todos os níveis, compreendendo
nais da educação, assegurando-lhes, inclusive nos termos dos estatutos e as que se destinam a:
dos planos de carreira do magistério público:
I - remuneração e aperfeiçoamento do pessoal docente e demais pro-
I - ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos; fissionais da educação;
II - aperfeiçoamento profissional continuado, inclusive com licenciamen- II - aquisição, manutenção, construção e conservação de instalações e
to periódico remunerado para esse fim; equipamentos necessários ao ensino;
III - piso salarial profissional; III – uso e manutenção de bens e serviços vinculados ao ensino;
IV - progressão funcional baseada na titulação ou habilitação, e na ava- IV - levantamentos estatísticos, estudos e pesquisas visando precipu-
liação do desempenho; amente ao aprimoramento da qualidade e à expansão do ensino;
V - período reservado a estudos, planejamento e avaliação, incluído na V - realização de atividades-meio necessárias ao funcionamento dos
carga de trabalho; sistemas de ensino;
VI - condições adequadas de trabalho. VI - concessão de bolsas de estudo a alunos de escolas públicas e pri-
§ 1o A experiência docente é pré-requisito para o exercício profissional vadas;
de quaisquer outras funções de magistério, nos termos das normas de cada VII - amortização e custeio de operações de crédito destinadas a aten-
sistema de ensino.(Renumerado pela Lei nº 11.301, de 2006) der ao disposto nos incisos deste artigo;
§ 2o Para os efeitos do disposto no § 5o do art. 40 e no § 8o do art. VIII - aquisição de material didático-escolar e manutenção de progra-
201 da Constituição Federal, são consideradas funções de magistério as mas de transporte escolar.
exercidas por professores e especialistas em educação no desempenho de
atividades educativas, quando exercidas em estabelecimento de educação Art. 71. Não constituirão despesas de manutenção e desenvolvimento
básica em seus diversos níveis e modalidades, incluídas, além do exercício do ensino aquelas realizadas com:
da docência, as de direção de unidade escolar e as de coordenação e I - pesquisa, quando não vinculada às instituições de ensino, ou, quan-
assessoramento pedagógico. (Incluído pela Lei nº 11.301, de 2006) do efetivada fora dos sistemas de ensino, que não vise, precipuamente, ao
aprimoramento de sua qualidade ou à sua expansão;
TÍTULO VII
Dos Recursos financeiros II - subvenção a instituições públicas ou privadas de caráter assisten-
cial, desportivo ou cultural;
Art. 68. Serão recursos públicos destinados à educação os originários
de: III - formação de quadros especiais para a administração pública, sejam
militares ou civis, inclusive diplomáticos;
I - receita de impostos próprios da União, dos Estados, do Distrito Fe-
deral e dos Municípios; IV - programas suplementares de alimentação, assistência médico-
odontológica, farmacêutica e psicológica, e outras formas de assistência
II - receita de transferências constitucionais e outras transferências; social;
III - receita do salário-educação e de outras contribuições sociais; V - obras de infra-estrutura, ainda que realizadas para beneficiar direta
IV - receita de incentivos fiscais; ou indiretamente a rede escolar;
V - outros recursos previstos em lei. VI - pessoal docente e demais trabalhadores da educação, quando em
Art. 69. A União aplicará, anualmente, nunca menos de dezoito, e os desvio de função ou em atividade alheia à manutenção e desenvolvimento
Estados, o Distrito Federal e os Municípios, vinte e cinco por cento, ou o do ensino.
que consta nas respectivas Constituições ou Leis Orgânicas, da receita Art. 72. As receitas e despesas com manutenção e desenvolvimento do
resultante de impostos, compreendidas as transferências constitucionais, ensino serão apuradas e publicadas nos balanços do Poder Público, assim
na manutenção e desenvolvimento do ensino público. como nos relatórios a que se refere o § 3º do art. 165 da Constituição
§ 1º A parcela da arrecadação de impostos transferida pela União aos Federal.
Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, ou pelos Estados aos res- Art. 73. Os órgãos fiscalizadores examinarão, prioritariamente, na pres-
pectivos Municípios, não será considerada, para efeito do cálculo previsto tação de contas de recursos públicos, o cumprimento do disposto no art.
neste artigo, receita do governo que a transferir. 212 da Constituição Federal, no art. 60 do Ato das Disposições Constitucio-
§ 2º Serão consideradas excluídas das receitas de impostos mencio- nais Transitórias e na legislação concernente.
nadas neste artigo as operações de crédito por antecipação de receita Art. 74. A União, em colaboração com os Estados, o Distrito Federal e
orçamentária de impostos. os Municípios, estabelecerá padrão mínimo de oportunidades educacionais
§ 3º Para fixação inicial dos valores correspondentes aos mínimos es- para o ensino fundamental, baseado no cálculo do custo mínimo por aluno,
tatuídos neste artigo, será considerada a receita estimada na lei do orça- capaz de assegurar ensino de qualidade.
mento anual, ajustada, quando for o caso, por lei que autorizar a abertura Parágrafo único. O custo mínimo de que trata este artigo será calcula-
de créditos adicionais, com base no eventual excesso de arrecadação. do pela União ao final de cada ano, com validade para o ano subsequente,
§ 4º As diferenças entre a receita e a despesa previstas e as efetiva- considerando variações regionais no custo dos insumos e as diversas
mente realizadas, que resultem no não atendimento dos percentuais míni- modalidades de ensino.

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Art. 75. A ação supletiva e redistributiva da União e dos Estados será IV - elaborar e publicar sistematicamente material didático específico e
exercida de modo a corrigir, progressivamente, as disparidades de acesso diferenciado.
e garantir o padrão mínimo de qualidade de ensino. § 3o No que se refere à educação superior, sem prejuízo de outras
§ 1º A ação a que se refere este artigo obedecerá a fórmula de domínio ações, o atendimento aos povos indígenas efetivar-se-á, nas universidades
público que inclua a capacidade de atendimento e a medida do esforço públicas e privadas, mediante a oferta de ensino e de assistência estudantil,
fiscal do respectivo Estado, do Distrito Federal ou do Município em favor da assim como de estímulo à pesquisa e desenvolvimento de programas
manutenção e do desenvolvimento do ensino. especiais. (Incluído pela Lei nº 12.416, de 2011)
§ 2º A capacidade de atendimento de cada governo será definida pela Art. 79-A. (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.639, de 9.1.2003)
razão entre os recursos de uso constitucionalmente obrigatório na manu- Art. 79-B. O calendário escolar incluirá o dia 20 de novembro como ‘Dia
tenção e desenvolvimento do ensino e o custo anual do aluno, relativo ao Nacional da Consciência Negra’.(Incluído pela Lei nº 10.639, de 9.1.2003)
padrão mínimo de qualidade.
Art. 80. O Poder Público incentivará o desenvolvimento e a veiculação
§ 3º Com base nos critérios estabelecidos nos §§ 1º e 2º, a União po- de programas de ensino a distância, em todos os níveis e modalidades de
derá fazer a transferência direta de recursos a cada estabelecimento de ensino, e de educação continuada. (Regulamento)
ensino, considerado o número de alunos que efetivamente frequentam a
escola. § 1º A educação a distância, organizada com abertura e regime especi-
ais, será oferecida por instituições especificamente credenciadas pela União.
§ 4º A ação supletiva e redistributiva não poderá ser exercida em favor
do Distrito Federal, dos Estados e dos Municípios se estes oferecerem § 2º A União regulamentará os requisitos para a realização de exames
vagas, na área de ensino de sua responsabilidade, conforme o inciso VI do e registro de diploma relativos a cursos de educação a distância.
art. 10 e o inciso V do art. 11 desta Lei, em número inferior à sua capacida- § 3º As normas para produção, controle e avaliação de programas de
de de atendimento. educação a distância e a autorização para sua implementação, caberão aos
Art. 76. A ação supletiva e redistributiva prevista no artigo anterior fica- respectivos sistemas de ensino, podendo haver cooperação e integração
rá condicionada ao efetivo cumprimento pelos Estados, Distrito Federal e entre os diferentes sistemas. (Regulamento)
Municípios do disposto nesta Lei, sem prejuízo de outras prescrições legais. § 4º A educação a distância gozará de tratamento diferenciado, que in-
Art. 77. Os recursos públicos serão destinados às escolas públicas, cluirá:
podendo ser dirigidos a escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas I - custos de transmissão reduzidos em canais comerciais de radiodifu-
que: são sonora e de sons e imagens;
I - comprovem finalidade não-lucrativa e não distribuam resultados, di- II - concessão de canais com finalidades exclusivamente educativas;
videndos, bonificações, participações ou parcela de seu patrimônio sob III - reserva de tempo mínimo, sem ônus para o Poder Público, pelos
nenhuma forma ou pretexto; concessionários de canais comerciais.
II - apliquem seus excedentes financeiros em educação; Art. 81. É permitida a organização de cursos ou instituições de ensino
III - assegurem a destinação de seu patrimônio a outra escola comuni- experimentais, desde que obedecidas as disposições desta Lei.
tária, filantrópica ou confessional, ou ao Poder Público, no caso de encer- Art. 82. Os sistemas de ensino estabelecerão as normas de realização
ramento de suas atividades; de estágio em sua jurisdição, observada a lei federal sobre a matéria.
IV - prestem contas ao Poder Público dos recursos recebidos. (Redação dada pela Lei nº 11.788, de 2008)
§ 1º Os recursos de que trata este artigo poderão ser destinados a bol- Art. 83. O ensino militar é regulado em lei específica, admitida a equiva-
sas de estudo para a educação básica, na forma da lei, para os que de- lência de estudos, de acordo com as normas fixadas pelos sistemas de
monstrarem insuficiência de recursos, quando houver falta de vagas e ensino.
cursos regulares da rede pública de domicílio do educando, ficando o Poder Art. 84. Os discentes da educação superior poderão ser aproveitados em
Público obrigado a investir prioritariamente na expansão da sua rede local. tarefas de ensino e pesquisa pelas respectivas instituições, exercendo fun-
§ 2º As atividades universitárias de pesquisa e extensão poderão rece- ções de monitoria, de acordo com seu rendimento e seu plano de estudos.
ber apoio financeiro do Poder Público, inclusive mediante bolsas de estudo. Art. 85. Qualquer cidadão habilitado com a titulação própria poderá exi-
TÍTULO VIII gir a abertura de concurso público de provas e títulos para cargo de docen-
Das Disposições Gerais te de instituição pública de ensino que estiver sendo ocupado por professor
Art. 78. O Sistema de Ensino da União, com a colaboração das agências não concursado, por mais de seis anos, ressalvados os direitos assegura-
federais de fomento à cultura e de assistência aos índios, desenvolverá progra- dos pelos arts. 41 da Constituição Federal e 19 do Ato das Disposições
mas integrados de ensino e pesquisa, para oferta de educação escolar bilingue Constitucionais Transitórias.
e intercultural aos povos indígenas, com os seguintes objetivos: Art. 86. As instituições de educação superior constituídas como univer-
I - proporcionar aos índios, suas comunidades e povos, a recuperação sidades integrar-se-ão, também, na sua condição de instituições de pesqui-
de suas memórias históricas; a reafirmação de suas identidades étnicas; a sa, ao Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia, nos termos da legislação
valorização de suas línguas e ciências; específica.
TÍTULO IX
II - garantir aos índios, suas comunidades e povos, o acesso às infor-
mações, conhecimentos técnicos e científicos da sociedade nacional e
Das Disposições Transitórias
demais sociedades indígenas e não-índias. Art. 87. É instituída a Década da Educação, a iniciar-se um ano a partir
da publicação desta Lei.
Art. 79. A União apoiará técnica e financeiramente os sistemas de en-
§ 1º A União, no prazo de um ano a partir da publicação desta Lei, en-
sino no provimento da educação intercultural às comunidades indígenas,
caminhará, ao Congresso Nacional, o Plano Nacional de Educação, com
desenvolvendo programas integrados de ensino e pesquisa.
diretrizes e metas para os dez anos seguintes, em sintonia com a Declara-
§ 1º Os programas serão planejados com audiência das comunidades ção Mundial sobre Educação para Todos.
indígenas. § 2o O poder público deverá recensear os educandos no ensino fun-
§ 2º Os programas a que se refere este artigo, incluídos nos Planos damental, com especial atenção para o grupo de 6 (seis) a 14 (quatorze)
Nacionais de Educação, terão os seguintes objetivos: anos de idade e de 15 (quinze) a 16 (dezesseis) anos de idade. (Redação
I - fortalecer as práticas sócio-culturais e a língua materna de cada co- dada pela Lei nº 11.274, de 2006)
munidade indígena; § 3o O Distrito Federal, cada Estado e Município, e, supletivamente, a
II - manter programas de formação de pessoal especializado, destinado União, devem: (Redação dada pela Lei nº 11.330, de 2006)
à educação escolar nas comunidades indígenas; I – matricular todos os educandos a partir dos 6 (seis) anos de idade no
III - desenvolver currículos e programas específicos, neles incluindo os ensino fundamental; (Redação dada pela Lei nº 11.274, de 2006)
conteúdos culturais correspondentes às respectivas comunidades; a) (Revogado) (Redação dada pela Lei nº 11.274, de 2006)

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b) (Revogado) (Redação dada pela Lei nº 11.274, de 2006) Art. 1o O Programa Mais Educação tem por finalidade contribuir para a
c) (Revogado) (Redação dada pela Lei nº 11.274, de 2006) melhoria da aprendizagem por meio da ampliação do tempo de permanên-
cia de crianças, adolescentes e jovens matriculados em escola pública,
II - prover cursos presenciais ou a distância aos jovens e adultos insufi- mediante oferta de educação básica em tempo integral.
cientemente escolarizados;
§ 1o Para os fins deste Decreto, considera-se educação básica em
III - realizar programas de capacitação para todos os professores em tempo integral a jornada escolar com duração igual ou superior a sete horas
exercício, utilizando também, para isto, os recursos da educação a distân- diárias, durante todo o período letivo, compreendendo o tempo total em que
cia; o aluno permanece na escola ou em atividades escolares em outros espa-
IV - integrar todos os estabelecimentos de ensino fundamental do seu ços educacionais.
território ao sistema nacional de avaliação do rendimento escolar. § 2o A jornada escolar diária será ampliada com o desenvolvimento
§ 4º Até o fim da Década da Educação somente serão admitidos pro- das atividades de acompanhamento pedagógico, experimentação e investi-
fessores habilitados em nível superior ou formados por treinamento em gação científica, cultura e artes, esporte e lazer, cultura digital, educação
serviço. econômica, comunicação e uso de mídias, meio ambiente, direitos huma-
§ 5º Serão conjugados todos os esforços objetivando a progressão das nos, práticas de prevenção aos agravos à saúde, promoção da saúde e da
redes escolares públicas urbanas de ensino fundamental para o regime de alimentação saudável, entre outras atividades.
escolas de tempo integral. § 3o As atividades poderão ser desenvolvidas dentro do espaço esco-
§ 6º A assistência financeira da União aos Estados, ao Distrito Federal lar, de acordo com a disponibilidade da escola, ou fora dele sob orientação
e aos Municípios, bem como a dos Estados aos seus Municípios, ficam pedagógica da escola, mediante o uso dos equipamentos públicos e do
condicionadas ao cumprimento do art. 212 da Constituição Federal e dispo- estabelecimento de parcerias com órgãos ou instituições locais.
sitivos legais pertinentes pelos governos beneficiados. Art. 2o São princípios da educação integral, no âmbito do Programa
Art. 88. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios adaptarão Mais Educação:
sua legislação educacional e de ensino às disposições desta Lei no prazo I - a articulação das disciplinas curriculares com diferentes campos de
máximo de um ano, a partir da data de sua publicação. (Regulamento) conhecimento e práticas socioculturais citadas no § 2o do art. 1o;
§ 1º As instituições educacionais adaptarão seus estatutos e regimen- II - a constituição de territórios educativos para o desenvolvimento de
tos aos dispositivos desta Lei e às normas dos respectivos sistemas de atividades de educação integral, por meio da integração dos espaços
ensino, nos prazos por estes estabelecidos. escolares com equipamentos públicos como centros comunitários, bibliote-
§ 2º O prazo para que as universidades cumpram o disposto nos inci- cas públicas, praças, parques, museus e cinemas;
sos II e III do art. 52 é de oito anos. III - a integração entre as políticas educacionais e sociais, em interlocu-
Art. 89. As creches e pré-escolas existentes ou que venham a ser cria- ção com as comunidades escolares;
das deverão, no prazo de três anos, a contar da publicação desta Lei, IV - a valorização das experiências históricas das escolas de tempo in-
integrar-se ao respectivo sistema de ensino. tegral como inspiradoras da educação integral na contemporaneidade;
Art. 90. As questões suscitadas na transição entre o regime anterior e o V - o incentivo à criação de espaços educadores sustentáveis com a
que se institui nesta Lei serão resolvidas pelo Conselho Nacional de Edu- readequação dos prédios escolares, incluindo a acessibilidade, e à gestão,
cação ou, mediante delegação deste, pelos órgãos normativos dos siste- à formação de professores e à inserção das temáticas de sustentabilidade
mas de ensino, preservada a autonomia universitária. ambiental nos currículos e no desenvolvimento de materiais didáticos;
Art. 91. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. VI - a afirmação da cultura dos direitos humanos, estruturada na diver-
Art. 92. Revogam-se as disposições das Leis nºs 4.024, de 20 de de- sidade, na promoção da equidade étnico-racial, religiosa, cultural, territorial,
zembro de 1961, e 5.540, de 28 de novembro de 1968, não alteradas pelas geracional, de gênero, de orientação sexual, de opção política e de nacio-
Leis nºs 9.131, de 24 de novembro de 1995 e 9.192, de 21 de dezembro de nalidade, por meio da inserção da temática dos direitos humanos na forma-
1995 e, ainda, as Leis nºs 5.692, de 11 de agosto de 1971 e 7.044, de 18 ção de professores, nos currículos e no desenvolvimento de materiais
de outubro de 1982, e as demais leis e decretos-lei que as modificaram e didáticos; e
quaisquer outras disposições em contrário. VII - a articulação entre sistemas de ensino, universidades e escolas
para assegurar a produção de conhecimento, a sustentação teórico-
metodológica e a formação inicial e continuada dos profissionais no campo
LEI Nº 11.769/2008 - ENSINO DE MÚSICA NAS ES- da educação integral.
COLAS: IMPLICAÇÕES, CONSENSOS E DISSENSOS Art. 3o São objetivos do Programa Mais Educação:
I - formular política nacional de educação básica em tempo integral;
Altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, Lei de Diretrizes e
II - promover diálogo entre os conteúdos escolares e os saberes locais;
Bases da Educação, para dispor sobre a obrigatoriedade do ensino da
música na educação básica. III - favorecer a convivência entre professores, alunos e suas comuni-
Art. 1o O art. 26 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, passa a dades;
vigorar acrescido do seguinte § 6o: IV - disseminar as experiências das escolas que desenvolvem ativida-
“Art. 26. .................................................................................. des de educação integral; e
§ 6o A música deverá ser conteúdo obrigatório, mas não exclusivo, do V - convergir políticas e programas de saúde, cultura, esporte, direitos
componente curricular de que trata o § 2o deste artigo.” (NR) humanos, educação ambiental, divulgação científica, enfrentamento da
Art. 2o (VETADO) violência contra crianças e adolescentes, integração entre escola e comuni-
Art. 3o Os sistemas de ensino terão 3 (três) anos letivos para se adap- dade, para o desenvolvimento do projeto político-pedagógico de educação
tarem às exigências estabelecidas nos arts. 1o e 2o desta Lei. integral.
Art. 4o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 4o O Programa Mais Educação terá suas finalidades e objetivos
desenvolvidos em regime de colaboração entre a União, os Estados, o
Distrito Federal e os Municípios, mediante prestação de assistência técnica
DECRETO Nº 7.083/2010 - EDUCAÇÃO INTEGRAL e financeira aos programas de ampliação da jornada escolar diária nas
NO BRASIL: O LEGADO DE ANÍSIO TEIXEIRA NA escolas públicas de educação básica.
ATUALIDADE: NOVAS PERSPECTIVAS. § 1o No âmbito federal, o Programa Mais Educação será executado e
gerido pelo Ministério da Educação, que editará as suas diretrizes gerais.
DECRETO Nº 7.083, DE 27 DE JANEIRO DE 2010. § 2o Para consecução dos objetivos do Programa Mais Educação, po-
Dispõe sobre o Programa Mais Educação. derão ser realizadas parcerias com outros Ministérios, órgãos ou entidades

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do Poder Executivo Federal para o estabelecimento de ações conjuntas, 1 Série Mais Educação: (i) Texto Referência para o Debate Nacional;
definindo-se as atribuições e os compromissos de cada partícipe em ato (ii) Gestão Intersetorial no Terrítório; (iii)Redes de Saberes Mais Educação
próprio. http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/cad_mais_educacao_2.pdf
§ 3o No âmbito local, a execução e a gestão do Programa Mais Edu- http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/cader_maiseducacao_2.pdf
cação serão coordenadas pelas Secretarias de Educação, que conjugarão , http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/cadfinal_educ_integral_2.pdf
suas ações com os órgãos públicos das áreas de esporte, cultura, ciência e
tecnologia, meio ambiente e de juventude, sem prejuízo de outros órgãos e Por sua vez, a Lei nº 10.172, de 9 de janeiro de 2001, que instituiu o
entidades do Poder Executivo estadual e municipal, do Poder Legislativo e Plano Nacional de Educação (PNE), retoma e valoriza a Educação Integral
da sociedade civil. como possibilidade de formação integral da pessoa. O PNE avança para
além do texto da LDB, ao apresentar a educação em tempo integral como
Art. 5o O Ministério da Educação definirá a cada ano os critérios de objetivo do Ensino Fundamental e, também, da Educação Infantil. Além
priorização de atendimento do Programa Mais Educação, utilizando, entre disso, o PNE apresenta, como meta, a ampliação progressiva da jornada
outros, dados referentes à realidade da escola, ao índice de desenvolvi- escolar para um período de, pelo menos, 7 horas diárias, além de promover
mento da educação básica de que trata o Decreto no 6.094, de 24 de abril a participação das comunidades na gestão das escolas, incentivando o
de 2007, e às situações de vulnerabilidade social dos estudantes. fortalecimento e a instituição de Conselhos Escolares.
Art. 6o Correrão à conta das dotações orçamentárias consignadas ao A Lei nº 11.494, de 20 de junho de 2007, que instituiu o FUNDEB, de-
Ministério da Educação as despesas para a execução dos encargos no termina e regulamenta a educação básica em tempo integral e os anos
Programa Mais Educação. iniciais e finais do ensino fundamental (art.10, § 3º), indicando que a legis-
Parágrafo único. Na hipótese do § 2o do art. 4o, as despesas do Pro- lação decorrente deverá normatizar essa modalidade de educação. Nesse
grama Mais Educação correrão à conta das dotações orçamentárias con- sentido, o decreto nº 6.253/07, ao assumir o estabelecido no Plano Nacio-
signadas a cada um dos Ministérios, órgãos ou entidades parceiros na nal de Educação, definiu que se considera “educação básica em tempo
medida dos encargos assumidos, ou conforme pactuado no ato que forma- integral a jornada escolar com duração igual ou superior a sete horas
lizar a parceria. diárias, durante todo o período letivo, compreendendo o tempo total que um
Art. 7o O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação - FNDE mesmo estudante permanece na escola ou em atividades escolares” (art.
prestará a assistência financeira para implantação dos programas de am- 4º).
pliação do tempo escolar das escolas públicas de educação básica, medi- Foi criado o Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação (De-
ante adesão, por meio do Programa Dinheiro Direto na Escola - PDDE e do creto nº 6.094/07) cujo objetivo é produzir um conjunto de medidas especí-
Programa Nacional de Alimentação Escolar - PNAE, instituído pela Lei no ficas que visem à melhoria da qualidade da educação básica em cada
11.947, de 16 de junho de 2009. território. Este compromisso significa a conjugação dos esforços da União,
Art. 8o Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. Estados, Distrito Federal e Municípios, atuando em regime de colaboração,
das famílias e da comunidade, em proveito da melhoria da qualidade da
educação básica.
MANUAL DA EDUCAÇÃO INTEGRAL PARA OBTENÇÃO DE APOIO
FINANCEIRO ATRAVÉS DO PROGRAMA DINHEIRO DIRETO NA ES- A Educação Integral também compõe as ações previstas no Plano de
COLA – PDDE/INTEGRAL, NO EXERCÍCIO DE 2010. Desenvolvimento da Educação, o qual prevê que a formação do estudante
seja feita, além da escola, com a participação da família e da comunidade.
DO PROGRAMA MAIS EDUCAÇÃO Esta é uma estratégia do Ministério da Educação para induzir a ampliação
O Programa Mais Educação instituído pela Portaria Interministerial nº da jornada escolar e a organização curricular, na perspectiva da Educação
17/2007 e pelo Decreto n° 7.083, de 27 de janeiro de 2010, integra as Integral.
ações do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), como uma estra- É elemento de articulação, no bairro, do arranjo educativo local em co-
tégia do Governo Federal para induzir a ampliação da jornada escolar e a nexão com a comunidade que organiza em torno da escola pública, medi-
organização curricular1, na perspectiva da Educação Integral. ante ampliação da jornada escolar, ações na área da cultura, do esporte,
Trata-se da construção de uma ação intersetorial entre as políticas pú- dos direitos humanos e do desenvolvimento social.
blicas educacionais e sociais, contribuindo, desse modo, tanto para a O Programa Mais Educação visa fomentar, por meio de sensibilização,
diminuição das desigualdades educacionais, quanto para a valorização da incentivo e apoio, projetos ou ações de articulação de políticas sociais e
diversidade cultural brasileira. Fazem parte o Ministério da Educação, o implementação de ações sócio-educativas oferecidas gratuitamente a
Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome, o Ministério da crianças, adolescentes e jovens, e que considerem as seguintes orienta-
Ciência e Tecnologia, o Ministério do Esporte, o Ministério do Meio Ambien- ções:
te, o Ministério da Cultura, o Ministério da Defesa, a Controladoria Geral da
União. i.contemplar a ampliação do tempo e do espaço educativo de suas re-
des e escolas, pautada pela noção de formação integral e emancipadora;
Essa estratégia promove a ampliação de tempos, espaços, oportunida-
des educativas e o compartilhamento da tarefa de educar entre os profissi- ii.promover a articulação, em âmbito local, entre as diversas políticas
onais da educação e de outras áreas, as famílias e diferentes atores soci- públicas que compõem o Programa e outras que atendam às mesmas
ais, sob a coordenação da escola e dos professores. Isso porque a Educa- finalidades;
ção Integral, associada ao processo de escolarização, pressupõe a apren- iii.integrar as atividades ao projeto político-pedagógico das redes de
dizagem conectada a vida e ao universo de interesses e de possibilidades ensino e escolas participantes;
das crianças, adolescentes e jovens. iv.promover, em parceria com os Ministérios e Secretarias Federais
Conforme o Decreto (n° 7.083/2010), os princípios da Educação Inte- participantes, a capacitação de gestores locais;
gral são traduzidos pela compreensão do direito de aprender como inerente v.contribuir para a formação e o protagonismo de crianças, adolescen-
ao direito à vida, à saúde, à liberdade, ao respeito, à dignidade e à convi- tes e jovens;
vência familiar e comunitária; e como condição para o próprio desenvolvi-
mento de uma sociedade republicana e democrática. Por meio da Educa- vi.fomentar a participação das famílias e comunidades nas atividades
ção Integral, se reconhece as múltiplas dimensões do ser humano e a desenvolvidas, bem como da sociedade civil, de organizações não-
peculiaridade do desenvolvimento de crianças, adolescentes e jovens. governamentais e esfera privada;
A Educação Integral está presente na legislação educacional brasileira vii.fomentar a geração de conhecimentos e tecnologias sociais, inclusi-
e pode ser apreendida em nossa Constituição Federal, nos artigos 205, 206 ve por meio de parceria com universidades, centros de estudos e pesqui-
e 227; no Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 9089/1990); em sas, dentre outros;
nossa Lei de Diretrizes e Bases (Lei nº 9394/1996), nos artigos 34 e 87; no viii.desenvolver metodologias de planejamento das ações, que permitam
Plano Nacional de Educação (Lei nº 10.179/01) e no Fundo Nacional de a focalização da ação do Poder Público em territórios mais vulneráveis; e
manutenção e Desenvolvimento do Ensino Básico e de Valorização do ix.estimular a cooperação entre União, Estados, Distrito Federal e Mu-
Magistério (Lei nº 11.494/2007). nicípios.

Conhecimentos Específicos 11 A Opção Certa Para a Sua Realização


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APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
DAS OFERTAS FORMATIVAS DO PROGRAMA MAIS EDUCA- 3.15 Xadrez Virtual
ÇÃO/EDUCAÇÃO INTEGRAL 3.16 Atletismo
O Programa Mais Educação é operacionalizado pela Secretaria de 3.17 Ginástica Rítmica
Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (SECAD), em parceria
com a Secretaria de Educação Básica (SEB), por meio do Programa Di- 3.18 Corrida de Orientação
nheiro Direto na Escola (PDDE), do Fundo Nacional de Desenvolvimento da 3.19 Ciclismo (somente para as escolas rurais)
Educação (FNDE), para as escolas dos territórios prioritários. As atividades 3.20 Tênis de Campo
fomentadas foram organizadas nos respectivos macrocampos: Acompa-
3.21 Programa Segundo Tempo (somente para as escolas de 2009,
nhamento Pedagógico;
com número mínimo de 150 estudantes do ensino fundamental e participan-
Educação Ambiental; Esporte e Lazer; Direitos Humanos em Educa- tes em 2010).
ção; Cultura e Artes; Cultura Digital; Promoção da Saúde; Comunicação e
uso de Mídias; Investigação no Campo das Ciências da Natureza e Educa-
ção Econômica. Cada macrocampo agrega as seguintes atividades especí- 4. DIREITOS HUMANOS EM EDUCAÇÃO
ficas: 4.1 Direitos Humanos e Ambiente Escolar
1. ACOMPANHAMENTO PEDAGÓGICO
(OBRIGATÓRIA PELO MENOS UMA ATIVIDADE) 5. CULTURA E ARTES
1.1 Ensino Fundamental 5.1 Leitura
1.1.1 Matemática 5.2 Banda Fanfarra
1.1.2 Letramento/Alfabetização 5.3 Canto Coral
1.1.3 Ciências 5.4 Hip-Hop
1.1.4 História e Geografia 5.5 Danças
1.1.5 Línguas Estrangeiras 5.6 Teatro
1.2 Ensino Médio 5.7 Pintura
1.2.1 Matemática 5.8 Grafite
1.2.2 Leitura e Produção de Texto ou Português 5.9 Desenho
1.2.3 Ciências: Cinética Química 5.10 Escultura
1.2.4 Ciências: Reações Químicas 5.11 Percussão
1.2.5 Ciências: Eletroquímica 5.12 Capoeira
1.2.6 Ciências: Química Orgânica 5.13 Flauta Doce
1.2.7 Ciências: Física Ótica 5.14 Cineclube
1.2.8 Ciências: Circuitos Elétricos 5.15 Práticas Circenses
1.2.9 Ciências: Calorimetria 5.16 Mosaico
1.2.10 Ciências: Célula Animal
1.2.11 Ciências: Estrutura do DNA 6. CULTURA DIGITAL
1.2.12 Ciências: Coleta de Sangue 6.1 Software educacional/Linux Educacional
1.2.13 História e Geografia 6.2 Informática e tecnologia da informação (Proinfo e/ou laboratório de
1.2.14 Filosofia e Sociologia informática)
1.2.15 Línguas Estrangeiras 6.3 Ambiente de Redes Sociais

2. EDUCAÇÃO AMBIENTAL 7. PROMOÇÃO DA SAÚDE


2.1 Com-Vida / Agenda 21 na Escola - Educação para a Sustentabili- 7.1 Promoção da Saúde e Prevenção de Doenças e Agravos
dade
2.2 Horta Escolar e/ou Comunitária 8. COMUNICAÇÃO E USO DE MÍDIAS
8.1 Jornal Escolar
3. ESPORTE E LAZER 8.2 Rádio Escolar
3.1 Recreação/Lazer 8.3 Histórias em Quadrinhos
3.2 Voleibol 8.4 Fotografia
3.3 Basquetebol 8.6 Vídeo
3.4 Basquete de Rua 9. INVESTIGAÇÃO NO CAMPO DAS CIÊNCIAS DA NATUREZA
3.5 Futebol 9.1 Laboratórios, Feiras e Projetos Científicos
3.6 Futsal 10. EDUCAÇÃO ECONÔMICA
3.7 Handebol 10.1 Educação Econômica
3.8 Tênis de Mesa
3.9 Judô CRITÉRIOS DE ADESÃO
3.10 Karatê I – ESTADOS, DISTRITO FEDERAL E MUNICÍPIOS
3.11 Taekwondo Após o recebimento do ofício enviado pela SECAD/MEC, a Entidade
3.12 Yoga Executora-EEx deverá confirmar a adesão ao Programa Mais Educação e
nomear dois técnicos, sendo um o coordenador responsável pelas ativida-
3.13 Natação
des realizadas nas escolas participantes do Programa, da secretaria esta-
3.14 Xadrez Tradicional dual, distrital ou municipal de educação.
Conhecimentos Específicos 12 A Opção Certa Para a Sua Realização
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Esses técnicos ficarão responsáveis para acompanhar a disponibiliza- Ministério da Educação
ção das senhas, o preenchimento do Plano de Atendimento pelos represen- Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade-
tantes das escolas, a tramitação dos documentos no sistema SIMEC e a SECAD
emissão do Plano Geral Consolidado que será assinado pelo prefeito ou
pelo secretário estadual ou distrital de educação. Diretoria de Educação Integral, Direitos Humanos e Cidadania
Os municípios, estados e distrito federal, estarão aptos a participar me- Esplanada dos Ministérios – Bloco “L” Anexo I - 4º andar – sala 423
diante, adesão ao Compromisso Plano de Metas Todos pela Educação CEP: 70047.900 - Brasília – DF
assinado pelo distrito federal, estado ou município (Decreto nº 6094/07).
O Programa Mais Educação estabelece os seguintes critérios para se- CONTRAPARTIDA DA ENTIDADE EXECUTORA
leção das unidades escolares:
Fica definido que as atividades a serem desenvolvidas para implemen-
• escolas contempladas com PDDE/Integral no ano de 2008 e 2009; tação da Educação Integral deverão ser coordenadas por um professor
• escolas com baixo IDEB e/ou localizadas em zonas de vulnerabilida- vinculado à escola, com dedicação de no mínimo vinte horas - chegando
de social; preferencialmente a quarenta horas -, que será denominado "Professor
• escolas que estejam localizadas nas capitais e nas cidades das nove Comunitário". Os custos dessa coordenação referem-se à contrapartida a
regiões metropolitanas conforme os dados do IBGE: Porto Alegre/RS, Belo ser oferecida pela Entidade Executora - EEx.
Horizonte/MG, Rio de Janeiro/RJ, São Paulo/SP, Salvador/BA, Recife/PE, ESCOLHA DAS ATIVIDADES
Fortaleza/CE, Belém/PA e Curitiba/PR; A escola poderá escolher três ou quatro macrocampos. A partir dos
• escolas das cidades com mais de 163 mil habitantes pertencentes ao macrocampos escolhidos, poderá optar por cinco ou seis atividades para
Grupo de Trabalho das Grandes Cidades/SEB/MEC; serem desenvolvidas com os estudantes. Porém, o macrocampo “Acompa-
• escolas das cidades com mais de 90 mil habitantes. nhamento Pedagógico” é obrigatório para todas as escolas, devendo haver
pelo menos uma atividade no Plano de Trabalho.
Para as escolas que aderiram ao Programa Mais Educação em 2009 e
II - ESCOLAS que em 2010 inscreverem - no ensino fundamental - 150 estudantes ou
Para confirmar a adesão ao programa, as escolas pré-selecionadas pe- mais, haverá a possibilidade de acrescentar ao seu Plano de Trabalho, no
la SECAD/MEC e validadas pelas respectivas EEx, conforme os critérios macrocampo Esporte e Lazer, o Programa Segundo Tempo/PST (atividade
acima, deverão preencher o Plano de Atendimento, disponível no sítio do Ministério do Esporte/ME, que compõe o Mais Educação). As escolas
www.simec.mec.gov.br declarando atividades, número de estudantes que atenderem aos critérios terão a oportunidade de conhecer melhor o
participantes e demais informações solicitadas. PST através do SIMEC, que disponibiliza links com informações. Ao fazer a
Os Planos de Atendimento deverão ser definidos de acordo com o pro- opção pelo Programa Segundo Tempo poderão, ainda, escolher mais uma
jeto político pedagógico das unidades escolares e desenvolvidos, através atividade esportiva entre as que seguem:Judô, Karatê Taekwondo, Yoga,
de atividades, dentro e fora do ambiente escolar, ampliando tempo, espaço Natação, Basquete de Rua e Ginástica Rítmica.
e oportunidades educativas, na perspectiva da Educação Integral do estu-
dante. ESTUDANTES INSCRITOS NO PROGRAMA
OBS: No caso das escolas que aderiram em 2008 e 2009, é obrigatória Recomenda-se às Unidades Executoras Próprias/UEx que estabele-
a inclusão do relatório. çam critérios claros e transparentes para a gradativa implementação da
Em caso de não adesão: ampliação da jornada escolar na perspectiva da Educação Integral, selecio-
Na hipótese de não adesão ao Programa, é importante que a escola nando, inicial e preferencialmente, para a participação no Programa:
formalize, por email, os motivos impeditivos da implantação da jornada • estudantes que apresentam defasagem idade/ano;
ampliada na perspectiva da Educação Integral (educacaointe- • estudantes das séries finais da 1ª fase do ensino fundamental (4º e/ou
gral@mec.gov.br), visando à identificação das principais dificuldades locais. 5º anos), onde existe maior saída extemporânea de estudantes na transi-
Destacamos que o preenchimento do Plano de Atendimento no SIMEC é ção para a 2ª fase;
obrigatório para a adesão, observando os prazos estabelecidos pelo Pro-
grama. • estudantes das séries finais da 2ª fase do ensino fundamental (8º e/ou
9º anos), onde existe um alto índice de abandono após a conclusão;
Síntese das Etapas de Habilitação:
• estudantes de anos/séries onde são detectados índices de evasão
Passos para que as escolas sejam habilitadas ao recebimento dos re- e/ou repetência e assim sucessivamente; e
cursos destinados à implementação do Programa, sendo imprescindível
que as entidades parceiras - EEXs e escolas - cumpram os prazos divulga- • estudantes que desempenham papel de lideranças congregadoras
dos pela SECAD/MEC para as etapas abaixo: em relação aos seus colegas.
1- Adesão das EEXs e indicação dos técnicos das secretarias estadu- A Educação Integral deverá ser implementada, preferencialmente, com
ais, distrital e municipais de educação, para a coordenação e acompanha- a participação de 100 (cem) estudantes no Programa Mais Educação,
mento do Programa; exceto nas escolas em que o número de estudantes inscritos no Censo
Escolar do ano anterior seja inferior a este número.
2- Liberação de senhas para os técnicos das secretarias estaduais, dis-
trital e municipais de educação e para os cadastradores das escolas parti- Atenção!
cipantes do Programa; • o número de estudantes inscritos no Programa (alunado participante)
3- Preenchimento dos Planos de Atendimento pelas escolas que farão não precisa ser igual ao número de estudantes que constam na tabela do
a adesão pela primeira vez; Censo Escolar;
4- Preenchimento de um novo Plano de Atendimento pelas escolas que • o número de alunado participante deve estar inscrito no mínimo em 5
já fizeram adesão ao Programa nos anos de 2008 e 2009 (no caso das atividades, garantindo, assim, que todos os estudantes tenham pelo menos
escolas que não iniciaram suas atividades no ano de 2009, orienta-se a 5 atividades diferentes; e
repetição do mesmo Plano de Atendimento de 2009 com a opção de ade- • é desejável que a escola estabeleça relações entre as atividades do
são ao Programa Segundo Tempo – PST); Programa Mais Educação e as atividades curriculares na perspectiva de
5- Aprovação e finalização do Plano de Atendimento Geral Consolida- constituição de um tempo continuum.
do, pelo MEC;
6- Impressão e envio ao MEC, pela EEx, do Plano de Atendimento Ge- FORMAÇÃO DAS TURMAS
ral Consolidado assinado pelo prefeito, no caso de escolas municipais, ou Para fim de cálculo de número de monitores, as turmas deverão ter 30
pelo secretário estadual/distrital, no caso de escolas estaduais ou distritais. estudantes que poderão ser de idades e séries variadas, conforme as
Esse documento deverá ser encaminhado para o endereço abaixo: características de cada atividade.
Conhecimentos Específicos 13 A Opção Certa Para a Sua Realização
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MONITORES • os dez meses de financiamento correspondem a dez meses letivos de
O trabalho de monitoria deverá ser desempenhado, preferencialmente, atividades, não correspondendo, necessariamente, ao ano civil. No caso de
por estudantes universitários de formação específica nas áreas de desen- não utilização total dos recursos, os mesmos poderão ser reprogramados
volvimento das atividades ou pessoas da comunidade com habilidades para o ano seguinte.
apropriadas, como, por exemplo, instrutor de judô, mestre de capoeira, Os recursos, transferidos por intermédio do PDDE para implementação
contador de histórias, agricultor para horta escolar, etc. Além disso, pode- de Educação Integral, destinam-se:
rão desempenhar a função de monitoria, de acordo com suas competên- a) Custeio, para o ressarcimento de despesas de alimentação e trans-
cias, saberes e habilidades, estudantes da EJA e estudantes do ensino porte dos monitores responsáveis pelo desenvolvimento de atividades de
médio. Recomenda-se a não utilização de professores da própria escola acompanhamento pedagógico, atividades culturais, artísticas, esportivas,
para atuarem como monitores, quando isso significar ressarcimento de de lazer, de direitos humanos, de Educação Ambiental, de cultura digital, de
despesas de transporte e alimentação com recursos do FNDE. saúde, de comunicação e uso de mídias e outras previstas neste manual. O
trabalho do monitor deverá ser considerado de natureza voluntária, na
KITS DE MATERIAIS forma definida pela Lei nº 9.608 de 18 de fevereiro de 1998, e o ressarci-
mento das despesas deverá ser calculado de acordo com o número de
Os kits são compostos por materiais pedagógicos e de apoio indicados turmas monitoradas e limitado a R$ 300,00 (trezentos reais) mensais,
para o desenvolvimento de cada uma das atividades escolhidas pelas conforme a tabela a seguir:
escolas que integram o Programa Mais Educação. Para cada uma das
atividades do Programa, há um kit de material específico. Insumos para Valor do Ressarcimento Destinado ao Monitor, por Turma
impressão podem ser substituídos por serviço de impressão nos casos Quantidade de turmas Valor (R$)
indicados. Os kits poderão ser adquiridos de duas formas:
1 60
• Por meio do repasse de recursos financeiros do FNDE/MEC para as
UEx, ficando estas, neste caso, responsáveis pela aquisição; 2 120
• ou pelo repasse do material que será adquirido pelo FNDE/MEC e 3 180
enviado às escolas (materiais referentes as atividades de banda fanfarra,
4 240
hip-hop, cineclube, vídeo, rádio escolar e algumas publicações, conforme
as planilhas no Anexo II). 5 300
Os materiais e os expressos nas planilhas são referenciais para efeito
de cálculo de repasse de recursos e para prestação de contas, devendo b) Custeio, para a aquisição de materiais de consumo ou contratação
cada Unidade Executora Própria-UEx responsabilizar-se pela qualidade dos de serviços;
mesmos, assim como sua compatibilidade com as atividades constantes no Valor do Repasse Financeiro de acordo com a quantidade de estudan-
Plano de Atendimento da Escola. As economias geradas na compra de tes inscritos no Programa Mais Educação
materiais poderão ser remanejadas - dentro do projeto - obedecidas as
regras de destinação: custeio e capital. Quantidade de estudantes Recursos mensais - R$ Total (R$)
Recomenda-se, nos casos de atividades iguais entre duas ou mais es- Até 500 estudantes 500 5.000,00
colas do mesmo município, a junção das UEx para aquisição dos materiais
dos kits, possibilitando a redução de preço, ressaltando que, neste caso, a De 501 a 1.000 estudantes 1.000,00 10.000,00
empresa deverá emitir uma nota fiscal para cada UEx, de maneira a não Mais de 1.001 estudantes 1.500,00 15.000,00
comprometer a elaboração das correspondentes prestações de contas.
Lembramos que os recursos deverão ser aplicados em atividades que
FINANCIAMENTO DO PROGRAMA contribuem para o desenvolvimento da educação integral na categoria
econômica custeio. Como exemplo podemos citar:
O apoio financeiro da Educação Integral destina-se às escolas públicas
das redes municipais, estaduais e do Distrito Federal, que possuem estu- • a escola realiza atividade em outro espaço da cidade, cinema ou tea-
dantes matriculados no ensino fundamental e no ensino médio conforme os tro, e, para o desenvolvimento dessa atividade, necessitará deslocar os
critérios definidos neste Manual, selecionadas pela Secretaria de Educação estudantes. Então poderá utilizar o recurso para alugar ônibus para trans-
Continuada, Alfabetização e Diversidade do MEC (SECAD/MEC) e divulga- portar os estudantes até o local da atividade e custear a entrada dos mes-
das por intermédio das páginas eletrônicas www.fnde.gov.br e mos, quando for cobrada taxa específica. Atenção: este recurso não poderá
www.simec.gov.br. ser utilizado para o transporte escolar, de casa para a escola e vice-versa;
O montante de recursos destinados a cada escola será repassado por in- • a escola que fez opção por atividade esportiva e já possui quadra de
termédio do Programa Dinheiro Direto na Escola - PDDE/Educação Integral, esportes, mas necessita de tabelas novas de basquete ou traves novas de
para conta corrente em nome da Unidade Executora Própria - UEX represen- futebol ou handebol, pintura demarcatória de garrafões e áreas, etc., pode-
tativa da unidade escolar, liberado em uma só parcela, considerando as rá, então, utilizar este recurso para a aquisição do material;
necessidades de 10 (dez) meses letivos para realização das atividades. • tendo realizado escolha por banda fanfarra ou canto coral, os recur-
Cabe ressaltar, que: sos poderão ser utilizados para aquisição de partituras diversas e para
• para as escolas que não iniciaram as atividades em 2009 e recebe- manutenção dos instrumentos, considerando os tipos de instrumentos a
ram recursos PDDE/Integral, será feito um repasse relativo a 4 (quatro) serem recebidos e o estilo de música a ser adotado; e
meses, que complementará os seis meses recebidos no ano de 2009. Este • se a escolha foi pela criação de uma horta escolar e a escola possuir
repasse refere-se ao pagamento de custeio, ressarcimento de transporte e área para seu desenvolvimento, mas precisar de preparo do terreno, de
alimentação de monitores e garante a realização dos dez meses letivos de cercamento da área e de adaptação local para depósito do material, pode
atividades preconizados pelo Programa. Entende-se que os recursos relati- utilizar o recurso para a aquisição do material e contratação de mão de obra
vos a aquisição de materiais já foram repassados em 2009; para a realização dos serviços; e assim por diante em todas as atividades.
• o recebimento dos recursos PDDE/Integral está condicionado à reali- c) Custeio e/ou capital, para a aquisição de kits de materiais e/ou servi-
zação de prestação de contas pela Unidade Executora Própria-UEx, à ços definidos neste manual, conforme as atividades selecionadas no Plano
situação de adimplência da entidade executora, e à atualização cadastral de Atendimento de cada escola (ver tabelas de atividades do Anexo II).
da UEx e adesão da EEx no PDDE web;
ALIMENTAÇÃO ESCOLAR
• as escolas de 2009 que não receberam recursos e encontram-se em
Os recursos para a alimentação escolar estão garantidos pela RESO-
situação regular junto do FNDE, receberão recursos para dez meses de
LUÇÃO nº 38, de 10 de agosto de 2009, do Programa Nacional de Alimen-
atividades, contemplando o pagamento de custeio/capital, ressarcimento de
tação Escolar - PNAE), que estabelece o valor de R$ 0,90 (noventa centa-
transporte e alimentação de monitores e aquisição de materiais; e
vos de real) para os estudantes participantes do Programa Mais Educação.

Conhecimentos Específicos 14 A Opção Certa Para a Sua Realização


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Os recursos financeiros serão transferidos às Secretarias Estaduais e recursos foram depositados e da Relação de Atividades Voltadas à Imple-
Distrital de Educação e às Prefeituras Municipais, que atenderão às escolas mentação da Educação Integral.
mediante envio de gêneros alimentícios ou repasse dos recursos às Unida- • As prestações de contas das EEx ao FNDE, deverão ser apresenta-
des Executoras. Para mais informações consultar: das até 28 de fevereiro do ano seguinte ao repasse, constituída do De-
https://www.planalto.gov.br/Consea/static/documentos/outros/fnde.pdf.pdf monstrativo da Execução da Receita e da Despesa e de Pagamentos
Efetuados, da Relação de Bens Adquiridos ou Produzidos, do extrato
FORMAÇÃO DE COMITÊS bancário da conta corrente específica em que os recursos foram deposita-
dos, da conciliação bancária, se for o caso, do Demonstrativo Consolidado
Os comitês devem fomentar, articular e integrar os diferentes setores, da Execução Físico-Financeira das Unidades Executoras Próprias - UEx,
atores e políticas sociais envolvidos com a implementação do Programa com parecer conclusivo acerca da aplicação dos recursos, e, se couber, da
Mais Educação nas escolas e nas regiões onde ele está acontecendo, Relação de Unidades Executoras (UEx) Inadimplentes com Prestação de
tendo caráter consultivo para qualificação do Programa. Contas.
I - Comitês Locais Fica o FNDE autorizado a suspender o repasse dos recursos do PDDE
As equipes gestoras das escolas deverão incentivar a criação de comi- nas seguintes hipóteses:
tês locais do Programa Mais Educação. Os comitês locais deverão ser • omissão na prestação de contas, conforme definido pelo seu Conse-
constituídos de professores da escola, pais de alunos, representantes dos lho Deliberativo;
estudantes e representantes da comunidade, desempenhando o papel de
instância permanente de debates acerca dos desafios e das possibilidades • rejeição da prestação de contas; ou
na implementação do Programa Mais Educação. Sugere-se que seja coor- • utilização dos recursos em desacordo com os critérios estabelecidos
denado por um colegiado composto por um coordenador geral, um repre- para a execução da Educação Integral, conforme constatado por análise
sentante pedagógico para intersetorialidade, um representante de assuntos documental ou de auditoria.
comunitários, um representante para execução financeira e prestação de Em caso de omissão no encaminhamento da prestação de contas, pela
contas da UEx e outros membros que participem das ações do Programa. UEx, essa terá seu repasse suspenso e, se pela EEx, será suspenso o
II - Comitês Metropolitanos, Regionais ou Estaduais repasse dos recursos de todas as escolas da rede de ensino do respectivo
Os coordenadores do Programa Mais Educação no âmbito dos municí- ente federado.
pios, estados e Distrito Federal deverão incentivar a criação de comitês O gestor, responsável pela prestação de contas, que permitir, inserir ou
metropolitanos e/ou Regionais e/ou Estaduais. Estes comitês deverão ser fizer inserir documentos ou declaração falsa ou diversa da que deveria ser
constituídos pela representação de cada secretaria estadual, municipal e inscrita, com o fim de alterar a verdade sobre os fatos, será responsabiliza-
distrital que desenvolve o Programa Mais Educação, por representantes de do civil, penal e administrativamente.
secretarias municipais, estaduais e distritais de áreas de atuação com
interface no Programa (Cultura, Esporte, Desenvolvimento Social e outras) DÚVIDAS E ESCLARECIMENTOS
e atores sociais e institucionais diversos que colaboram para a realização Para esclarecimento de dúvidas e outras informações:
das ações. SECRETARIA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA, ALFABETIZAÇÃO E
A composição pode contemplar representantes das universidades, pro- DIVERSIDADE – SECAD
fissionais de todas as secretarias estaduais, municipais e distrital responsá- Diretoria de Educação Integral, Direitos Humanos e Cidadania
veis pela garantia de direitos das crianças e adolescentes, representante da
Coordenação Geral de Ações Educacionais Complementares
Entidade Executora-EEx responsável pelo PDDE/Integral, Conselho Muni-
cipal de Direitos da Criança e do Adolescente, diretor, professor comunitário PROGRAMA MAIS EDUCAÇÃO
e demais entidades parceiras, de acordo com a realidade da região. Fones: (061) 2022 9172/ 9177/ 9241/ 9233/ 9179/ 9212/ 9182/ 9186
III - Atribuição dos Comitês Fone Fax: (061) 20229214
• Acompanhar a execução do Programa Mais Educação, viabilizando a Email: educacaointegral@mec.gov.br
participação social a fim de qualificar a gestão e a interlocução entre as
políticas públicas, na perspectiva de uma ação intersetorial; ANEXO I
•compartilhar informações dos Programas e serviços federais, distrital, EMENTAS
estaduais e municipais para crianças e adolescentes;
1. ACOMPANHAMENTO PEDAGÓGICO
• monitorar o Programa a partir da especificidade do município em rela-
ção às deliberações do Estatuto da Criança e do Adolescente, do Plano Instrumentalização metodológica para ampliação das oportunidades de
Nacional de Desenvolvimento da Educação, do Plano Nacional de Educa- aprendizado dos educandos em Educação Integral.
ção em Direitos Humanos, do Programa Nacional de Educação Ambiental, 1.1 Ensino Fundamental
e demais instrumentos de planejamento da ação pública para a infância e 1.1.1 Matemática – Potencialização de aprendizagens matemáticas
adolescência; significativas por meio de resoluções de problemas, mobilizando os recur-
• incentivar a formação de pessoas para atuarem no Programa Mais sos cognitivos dos educandos.
Educação em âmbito local/regional; 1.1.2 Letramento/Alfabetização – Desenvolvimento da função social da
• mapear as oportunidades educativas do território, em termos de ato- língua portuguesa, comunicação verbal, leitura e escrita.
res sociais, equipamentos públicos e políticas sociais; e Compreensão e produção de textos dos mais diversos gêneros em di-
• produzir registros sobre a implantação, execução e resultados dos ferentes situações comunicativas, tanto na modalidade escrita quanto na
trabalhos instituídos pelo Comitê para implementação do Programa Mais modalidade oral.
Educação e socializá-los para contribuir com a qualificação da política 1.1.3 Ciências – Incentivo ao estudo dos aspectos biológicos e sócio-
pública de educação integral. culturais do ser humano e de todas as formas de vida. Fomento das ciên-
cias como ferramentas de recriação da vida e da sustentabilidade da Terra.
INFORMAÇÕES SOBRE PRESTAÇÃO DE CONTAS Problematização das ciências da natureza e das ciências ambientais. O
compromisso do ser humano na sustentabilidade do planeta.
• O procedimento será o mesmo de todas as prestações de contas dos
recursos provenientes do PDDE/Integral. 1.1.4 História e Geografia – Estudo da relação dos seres humanos com
tempos e espaços na co-produção e transformação cultural, política e
• As prestações de contas das UEx para as EEx, deverão ser apresen- histórica.
tadas até 31 de dezembro do ano do repasse ou até as datas antecipadas
pela EEx, constituída do Demonstrativo da Execução da Receita e da 1.1.5 Línguas Estrangeiras - Introdução de estruturas básicas em lín-
Despesa e de Pagamentos Efetuados, da Relação de Bens Adquiridos ou guas estrangeiras para a leitura, escrita e oralidade, necessárias à comuni-
Produzidos, do extrato bancário da conta corrente específica em que os cação e ao aprendizado pelo reconhecimento da diversidade sócio-cultural.

Conhecimentos Específicos 15 A Opção Certa Para a Sua Realização


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1.2 Ensino Médio valores pelos próprios sujeitos envolvidos, atribuindo significado às práticas
1.2.1 Matemática - Apoio aos processos de aprendizagem que visam desenvolvidas, com criticidade e criatividade. Destaque para o duplo aspec-
domínio dos conceitos básicos necessários ao desenvolvimento do raciocí- to educativo do esporte e do lazer; desenvolvimento da educação pelo
nio matemático na interpretação e sistematização de caminhos lógicos para esporte e pelo lazer. Incorporação das práticas de esporte e lazer como
a solução de situações-problemas, na decodificação e codificação dos modo de vida cotidiana.
fenômenos sociais, físicos, químicos e biológicos, contribuindo para a 3.1 Recreação e lazer - Incentivo às práticas de recreação e lazer como
ampliação da visão de mundo e garantia de prosseguimento de estudos. potencializadoras do aprendizado das convivências humanas em prol da
1.2.2 Leitura e Produção de Texto ou Português - Ampliação das con- Saúde e da Alegria. Priorização do brincar como elemento fundamental da
dições de interpretação da leitura e produção escrita por meio da utilização constituição da criança e do adolescente.
e aplicação dos elementos que favoreçam a formulação de boas estratégias 3.2 Atividades Esportivas (Voleibol, Basquetebol, Futebol, Futsal e
de leitura e de escrita. Aplicação dos conhecimentos sobre a língua pela Handebol) - Apoio às práticas esportivas e meditativas para o desenvolvi-
produção de texto e sua adequação a diferentes formas e tecnologias da mento integral dos educandos. Promoção da saúde pela cooperação,
comunicação. socialização e superação de limites pessoais e coletivos.
1.2.3 Ciências - Estímulo ao desenvolvimento de conhecimentos cientí- 3.3 Basquete de Rua - O movimento esportivo-cultural Basquete de
ficos capazes de ampliar a visão de mundo dos educandos. Rua, surgiu espontaneamente como forma de lazer e entretenimento social,
Valorização de metodologias interdisciplinares e transdisciplinares por fazendo interface com a Cultura Hip-Hop em um novo contexto social, sob a
meio de atividades que oportunizem aos estudantes uma melhor compre- lógica da interação sociocultural, culminando na prática esportiva saudável
ensão dos fenômenos naturais e humanos pela observação de suas vidas e fortalecendo a cultura urbana.
cotidianas e dos muitos mundos que coexistem dentro do que denomina- 3.4 Tênis de Mesa - Esporte baseado em movimentos de intercepta-
mos mundo. ção, tendo como base a interceptação da trajetória feita pela bola; e a
1.2.4 História e Geografia – Estudos históricos e geográficos dos seres maneira como esta ocorre é que define o sucesso ou fracasso de um dos
humanos na co-produção e transformação cultural, em seus aspectos atletas, proporcionando aos jogadores a prática concomitante dos sentidos:
políticos e históricos. Participação, compromisso e recriação dos tecidos Tato e Visual.
societais. 3.5 Lutas (Judô, Karatê e Taekwondo) - Estímulo à prática e vivência
1.2.5 Filosofia e Sociologia – Incentivo à formulação de pensamentos das manifestações corporais relacionadas às Lutas e suas variações, como
por meio da compreensão e produção de conceitos. Estudo e reflexão motivação ao desenvolvimento cultural, social, intelectual, afetivo e emocio-
acerca dos planos filosóficos, fomentando o amor à sapiência. Leitura, nal de crianças e adolescentes. Acesso aos processos históricos das lutas
debates e incentivo à pesquisa sociológica, como dispositivos de compre- e suas relações às questões histórico-culturais, origens e evolução, assim
ensão e recriação societária. como o valor contemporâneo destas manifestações para o Homem. Incenti-
vo ao uso e valorização dos preceitos morais, éticos e estéticos trabalhados
1.2.6 Línguas Estrangeiras – Aprofundamento no estudo das estruturas pelas lutas.
básicas em língua estrangeira, necessária à comunicação, envolvendo
leitura e compreensão de textos escritos, bem como a produção oral e 3.6 Yoga - Atividade que estimula exercícios respiratórios, controle da
escrita. Introdução de conhecimentos básicos de fonética e fonologia. energia vital e a prática da meditação, cujo resultado traz efeito calmante
potencializando atividades cotidianas, pois tranquiliza o corpo e o fluxo de
pensamento, proporcionando aos seus praticantes mais serenidade em
2. EDUCAÇÃO AMBIENTAL suas ações diárias.
Educação a partir do meio ambiente e para a sustentabilidade. Ações e 3.7 Natação - Atividade física que consiste no deslocamento dentro
processos estruturantes de educação ambiental, numa perspectiva sistêmi- d'água, oportunizando ao seu praticante adaptação ao meio líquido, criando
ca e integrada, abrangendo: o planejamento interdisciplinar; a inserção uma prática social inclusiva e pedagógica no desenvolver de suas ativida-
qualificada de temas socioambientais no currículo; o fortalecimento do des.
diálogo escola/comunidade; e a construção da sustentabilidade em três 3.8 Xadrez Tradicional - Desenvolvimento da capacidade intelectual e
eixos – prédio escolar, currículo e gestão. do raciocínio-lógico promovendo a observação, a reflexão, a análise de
2.1 Com-Vida / Agenda 21 na Escola: Constituição e/ou fortalecimento problemas e busca de soluções, a socialização, a inclusão e a melhoria do
da Com-Vida – Comissão de Meio Ambiente e Qualidade de Vida na Esco- desempenho escolar.
la. 3.9 Xadrez Virtual - Desenvolvimento do raciocínio-lógico e o gosto dos
Participação da comunidade escolar. Construção da Agenda 21 na Es- estudantes para atividades intelectuais: observação, reflexão e análise; a
cola. interação dos estudantes com a informática e a promoção da socialização e
Promoção de intercâmbios entre escola e comunidade. Combate a prá- inclusão digital por meio do jogo de xadrez virtual.
ticas relacionadas ao desperdício, à degradação e ao consumismo, visando 3.10 Atletismo - O Atletismo é reconhecido, pelos especialistas, como o
à melhoria do meio ambiente e da qualidade de vida. Adoção dos 5 Rs, na “Esporte Base”, pois estimula os movimentos naturais de correr, saltar e
seguinte ordem: Refletir, Recusar, Reduzir, Reutilizar, Reciclar. Cidadania lançar. A modalidade Atletismo Escolar favorece as camadas mais jovens
ambiental. Educação para a Sustentabilidade: Diagnóstico da situação da sociedade, potencializando novos talentos e estimulando a prática da
socioambiental para enfrentamento das mudanças climáticas. Pegada atividade física em geral.
Ecológica: dimensionamento do impacto do estilo de vida e padrões de 3.11 Ginástica Rítmica - Esse esporte envolve a prática de evoluções
consumo do indivíduo sobre o planeta Terra. Pequenos reparos na edifica- especiais, numa combinação de elementos, que exige força equilíbrio e
ção escolar. Criação de espaços educadores sustentáveis. precisão. Também inclui exercícios de solo, isto é, performances que são
Readequação da escola com o uso racional da água e o aproveitamen- executadas numa espécie de tablado, com movimentos acrobáticos, asso-
to das energias naturais (vento, luz etc.), do bioma, dos materiais, das ciados na forma de coreografias. Possui grande valor para promoção da
tecnologias e dos talentos locais. disciplina, concentração e desenvolvimento corporal.
2..2 Horta Escolar e/ou Comunitária - Implantação da horta como um 3.12 Corrida de Orientação - Trata-se de uma atividade multidisciplinar,
espaço educador sustentável, que estimule a incorporação, a percepção e na qual o terreno exige vivências motoras, cognitivas e físicas, variadas e
a valorização da dimensão educativa a partir do meio ambiente, bem como diversas. O mapa de orientação retrata, minuciosamente, os detalhes de
produtora de aprendizagens múltiplas e significativas. uma região (relevo, vegetação, hidrografia, edificações e outros), através de
3. ESPORTE E LAZER símbolos convencionados internacionalmente e, com isso, o sentimento de
pertencimento e a consolidação dos processos identitários do grupo em
Atividades baseadas em práticas corporais, lúdicas e esportivas promo-
relação ao espaço territorial da comunidade.
toras de práticas de sociabilidade, com ênfase no resgate da cultura local,
bem como o fortalecimento da diversidade cultural. Ênfase na perspectiva 3.13 Ciclismo - O desenvolvimento da prática do Ciclismo, não pressu-
lúdica das atividades, com livre escolha na participação e construção de põe um ciclista experiente, basta respeitar os próprios limites, fazendo da

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prática do pedalar ações que visem a simplicidade e, sobretudo, que reve- do desenho como linguagem, comunicação e conhecimento. Percepção
lem a vida simples, através do contato direto do ciclista com as cores, das formas. Desenho artístico. Composição, desenho de observação e de
formas, cheiros e sons da natureza local. memória. Experimentações estéticas a partir do ato de desenhar. Ofereci-
3.14 Tênis de Campo - Elemento do desenvolvimento sociocultural com mento de diferentes possibilidades de produção artística e/ou técnicas por
suas modalidades culturais, individuais e coletivas, trabalhando numa meio do desenho. Desenvolvimento intelectual, por meio do ato de criação.
perspectiva de valoração do tempo e desenvolvimento do esporte de lazer, 5.10 Escultura - Experimentações estéticas a partir de práticas de es-
somando-se a sua trajetória concorrência com esportes de alta competição. cultura. Introdução às principais questões da escultura contemporânea.
3.15 Programa Segundo Tempo - Múltiplas vivências do esporte em Iniciação aos procedimentos de preparação e execução de uma obra
suas diversas modalidades, trabalhadas na perspectiva do Esporte Educa- escultórica como arte. Desenvolvimento intelectual, por meio do ato de
cional, voltado ao desenvolvimento integral do indivíduo. Acesso à prática criação, emocional, social, perceptivo, físico, estético através da escultura.
esportiva por meio de ações planejadas, inclusivas e lúdicas como estímulo 5.11 Percussão - Iniciação musical por meio da Percussão. Técnicas de
à vida ativa. Incentivo ao uso e valorização dos preceitos morais, éticos e performance em diversos instrumentos de percussão diversos por meio de
estéticos possibilitados pelo esporte. uma abordagem integradora, tratando de aspectos relacionados não só com a
mecânica e a técnica instrumental, mas também com performance, aprecia-
ção e criação musical. Integração social e desenvolvimento sócio-cultural pela
4. DIREITOS HUMANOS EM EDUCAÇÃO valorização, reconhecimento e recriação das culturas populares.
4.1. Direitos Humanos e Ambiente Escolar - Promoção de uma cultura 5.12. Capoeira - Incentivo à prática da capoeira como motivação para de-
de paz, democrática e solidária por meio de práticas que valorizem o res- senvolvimento cultural, social, intelectual, afetivo e emocional de crianças e
peito, a tolerância e as diversidades étnico-racial, religiosa, cultural, geraci- adolescentes, enfatizando os seus aspectos culturais, físicos, éticos, estéticos
onal, territorial, físico-individual, de gênero, de orientação sexual, de nacio- e sociais, a origem e evolução da capoeira, seu histórico, fundamentos,
nalidade, entre outras, na perspectiva da (re)criação do ambiente escolar. rituais, músicas, cânticos, instrumentos, jogo e roda e seus mestres.
5.13 Flauta Doce - Iniciação musical por meio da Flauta Doce, enten-
5. CULTURA E ARTES dendo a música como linguagem, manifestação cultural e prática socializa-
Incentivo à produção artística e cultural, individual e coletiva, dos edu- dora. Desenvolvimento sócio-cultural pela valorização, reconhecimento e
candos como possibilidade de reconhecimento e recriação estética de si e recriação das culturas populares. Aprendizado de estruturas básicas de
do mundo. “diálogo musical”, envolvendo leitura, interpretação e improvisação por meio
de vivências artísticas coletivas com crianças e adolescentes.
5.1 Leitura - Desenvolvimento de atitudes e práticas que favoreçam a
constituição de leitores assíduos a partir de procedimentos didáticos criati- 5.14 Cineclube - Produção e realização de sessões, desde a curadoria
vos, seduzindo os educandos às diferentes possibilidades de leitura e e divulgação (conteúdo e forma), técnicas de operação dos equipamentos,
escrita. Incentivo à leitura de obras que permitam aos educandos encontros implementação de debate. Noções básicas sobre como distribuir o equipa-
com diferentes gêneros literários e de escrita, especialmente no que se mento no espaço destinado a ele, sobre modelos de sustentabilidade para
refere ao ler para apreciar/fruir e conhecer. a atividade de exibição não comercial e sobre direitos autorais e patrimoni-
ais, além de cultura cinematográfica – história do cinema, linguagem,
5.2 Banda Fanfarra - Iniciação musical por meio da Banda Fanfarra.
cidadania audiovisual.
Desenvolvimento da auto-estima, integração sócio-cultural, trabalho em
equipe e civismo pela valorização, reconhecimento e recriação das culturas 5.15 Práticas Circenses - Incentivar práticas circenses junto aos edu-
populares. Conhecimento e recriação da cultura musical erudita. candos e a comunidade a fim de promover a saúde e a educação por meio
de uma cultura corporal e popular a partir do legado patrimonial do circo.
5.3 Canto Coral - Iniciação musical por meio do Canto Coral. Propiciar
ao educando condições para o aprimoramento de técnicas vocais do ponto 5.16 Mosaico - Introdução ao conhecimento teórico-prático da lingua-
de vista sensorial, intelectual e afetivo, tornando-o capaz de expressar-se gem visual, do processo criativo e da criação de imagens. Experimentação
com liberdade por meio da música e auxiliando na formação do ouvinte. do desenho como linguagem, comunicação e conhecimento. Percepção
das formas. Desenho artístico. Composição, desenho de observação e de
Integração social e valorização das culturas populares.
memória. Criação bi e tridimensional no plano e no espaço, através da
5.4 Hip Hop - Valorização do Hip Hop como expressão cultural juvenil linguagem gráfica do mosaico, procedimentos e materiais. Sistemas de
que busca enraizamento identitário local/global. Estímulo ao protagonismo escalas. Conceitos de representação gráfica de elementos ortogonais.
juvenil na concepção de projetos culturais, sociais e artísticos a serem Noções gerais de geometria. Geometria plana: construção de figuras geo-
desenvolvidos na escola ou na comunidade. métricas. Geometria espacial: planificação e construção de poliedros.
5.5 Danças - Organização de danças coletivas (regionais, clássicas, Pertinência, paralelismo e perpendicularidade.
circulares e contemporâneas) que permitam apropriação de espaços, ritmos
e possibilidades de subjetivação de crianças, adolescentes e jovens. Pro-
moção da Saúde e Socialização por meio do movimento do corpo em 6. CULTURA DIGITAL
dança. Utilização do microcomputador e de redes nas atividades educativas da
5.6 Teatro - Promoção por meio dos jogos teatrais de processos de so- geração pós-alfabética que hoje freqüenta nossas escolas. Noções básicas
cialização e criatividade, desenvolvendo nos educandos a capacidade de de Informática. Fornecimento de conceitos básicos de informática, fomen-
comunicação pelo corpo em processos de reconhecimentos em práticas tando a inteligência geral, livre e colaborativa oferecida pela rede mundial
coletivas. de computadores.
5.7 Pintura - Estudo teórico e prático da linguagem pictórica. Desenvol- 6.1 e 6.2. Software educacional, Informática e tecnologia da informação
vimento intelectual, por meio do ato de criação, emocional, social, percepti- - Promoção da apropriação crítica das Novas Tecnologias de Informação e
vo, físico e estético, tendo como mote a pintura como arte. Utilização de Comunicação, contribuindo para a alfabetização tecnológica e formação
técnicas tradicionais, contemporâneas e experimentais das formas de cidadã de crianças e adolescentes. Utilização dos recursos da informática e
pintura. Conhecimento e apreciação de obras clássicas e contemporâneas conhecimentos básicos de tecnologia da informação no desenvolvimento de
de pintura. projetos educativos e culturais, dentro dos espaços escolares e na comuni-
dade organizada, em comunicação colaborativa com a rede mundial de
5.8 Grafite - Valorização do Grafite como arte gráfica e estética. Pro- computadores.
moção da auto-estima pessoal e comunitária por meio da revitalização de
espaços públicos. Grafite como expressão cultural juvenil que busca enrai- 6.3 Ambientes de Redes Sociais (:) Promoção da cultura participativa
zamento identitário local/global. Estímulo ao protagonismo juvenil na con- por meio de ambientes de relacionamento em rede que facilitam a expres-
cepção de projetos culturais, sociais e artísticos a serem desenvolvidos na são artística-linguística e o engajamento sócio-cultural, fomentando a
escola ou na comunidade. Diferenciação de pichação e grafite. criação e o compartilhamento como novo modelo de produção colaborativa.
Aproveitamento da Inteligência Geral e Colaborativa da Geração Pós-
5.9 Desenho - Introdução ao conhecimento teórico-prático da lingua- Alfabética.
gem visual, do processo criativo e da criação de imagens. Experimentação

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7.PROMOÇÃO DA SAÚDE 10.EDUCAÇÃO ECONÔMICA
Apoio à formação integral dos estudantes com ações de promoção e 10.1 Educação Econômica - Atividades baseadas em experiências que
atenção à saúde, bem como prevenção de doenças e agravos, por meio de motivem o empreendedorismo a partir do protagonismo juvenil, promovam
atividades educativas incluídas no projeto político pedagógico (projetos a educação para o consumo consciente, responsável e sustentável dos
interdisciplinares, teatro, oficinas, palestras, debates e feiras) em temas da recursos naturais e materiais; direcionem para o desenvolvimento de habili-
área da saúde como saúde bucal, alimentação saudável, cuidado visual, dades relacionadas ao gerenciamento das finanças pessoais; promovam a
práticas corporais, educação para saúde sexual e reprodutiva, prevenção consciência sobre a importância social e econômica dos tributos bem como
ao uso de drogas (álcool, tabaco e outras), saúde mental e prevenção à a participação no controle social dos gastos públicos, por meio da atuação
violência. Desse modo, possibilitar o desenvolvimento de uma cultura de de professores, educandos do ensino médio e da comunidade em geral.
prevenção e promoção à saúde no espaço escolar, a fim de prevenir os
agravos à saúde e vulnerabilidades, com objetivo de garantir a qualidade de
vida, além de fortalecer a relação entre as redes públicas de educação e DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS PARA O
saúde. ENSINO MÉDIO E A (RE) CONFIGURAÇÃO DE
7.1 Atividades de Promoção da Saúde e Prevenção de Doenças e CONTEÚDOS.
Agravos - por meio de alimentação saudável dentro e fora da escola; Saúde
Bucal; Práticas Corporais e Educação do Movimento; Educação para a O Brasil vive, nos últimos anos, um processo de desenvolvimento que
Saúde Sexual, Saúde Reprodutiva e Prevenção das DST/AIDS; Prevenção se reflete em taxas ascendentes de crescimento econômico tendo o au-
ao Uso de Álcool, Tabaco e Outras Drogas; Saúde Ambiental; Promoção da mento do Produto Interno Bruto ultrapassado a casa dos 7%, em 2010.
Cultura de Paz e Prevenção das Violências e Acidentes. Criação de estra- Este processo de crescimento tem sido acompanhado de programas e
tégias de promoção da saúde e prevenção de doenças e agravos a partir medidas de redistribuição de renda que o retroalimentam. Evidenciam-se,
do estudo de problemas de saúde regionais: dengue, febre amarela, malá- porém, novas demandas para a sustentação deste ciclo de desenvolvimen-
ria, hanseníase, doença falciforme, outros. Promoção da saúde e preven- to vigente no País. A educação, sem dúvida, está no centro desta questão.
ção de doenças e agravos no currículo escolar. O crescimento da economia e novas legislações, como o Fundo de De-
senvolvimento da Educação Básica (FUNDEB), a Emenda Constitucional
8. COMUNICAÇÃO E USO DE MÍDIAS n.º 59/2009 – que extinguiu a Desvinculação das Receitas da União (DRU)
– e dispôs sobre outras medidas, têm permitido ao País aumentar o volume
Criação de “ecossistemas comunicativos” nos espaços educativos, que
de recursos destinados à Educação.
fomentem práticas de socialização e convivência, bem como do acesso de
Tais iniciativas, nas quais o Conselho Nacional de Educação (CNE)
todos ao uso adequado das tecnologias da informação.
tem tido destacada participação, visam criar condições para que se possa
8.1 Jornal Escolar - Utilização de recursos de mídia impressa no de- avançar nas políticas educacionais brasileiras, com vistas à melhoria da
senvolvimento de projetos educativos dentro dos espaços escolares. Exer- qualidade do ensino, à formação e valorização dos profissionais da educa-
cício da inteligência comunicativa compartilhada com outras escolas e ção e à inclusão social.
comunidades. Construção de propostas de cidadania engajando os edu- Para alcançar o pleno desenvolvimento, o Brasil precisa investir forte-
candos em experiências de aprendizagens significativas. Fomento da mente na ampliação de sua capacidade tecnológica e na formação de
relação escola-comunidade. profissionais de nível médio e superior. Hoje, vários setores industriais e de
8.2 Rádio Escolar - Utilização dos recursos da mídia rádio no desenvol- serviços não se expandem na intensidade e ritmos adequados ao novo
vimento de projetos educativos dentro dos espaços escolares. Exercício da papel que o Brasil desempenha no cenário mundial, por se ressentirem da
inteligência comunicativa compartilhada com outras escolas e comunida- falta desses profissionais. Sem uma sólida expansão do Ensino Médio com
des. Construção de propostas de cidadania envolvendo os educandos em qualidade, por outro lado, não se conseguirá que nossas universidades e
experiências de aprendizagens significativas. Fomento da relação escola- centros tecnológicos atinjam o grau de excelência necessário para que o
comunidade. País dê o grande salto para o futuro.
8.3 Histórias em Quadrinhos - Utilização das Histórias em Quadrinhos Tendo em vista que a função precípua da educação, de um modo ge-
para desenvolvimento estético-visual de projetos educativos dentro e fora ral, e do Ensino Médio – última etapa da Educação Básica – em particular,
dos espaços escolares incentivado à comunicação criativa. Construção de vai além da formação profissional, e atinge a construção da cidadania, é
propostas de cidadania envolvendo os educandos em experiências de preciso oferecer aos nossos jovens novas perspectivas culturais para que
aprendizagens significativas. possam expandir seus horizontes e dotá-los de autonomia intelectual,
assegurando-lhes o acesso ao conhecimento historicamente acumulado e à
8.4 Fotografia - Utilização da Fotografia como dispositivo pedagógico produção coletiva de novos conhecimentos, sem perder de vista que a
de reconhecimento e recriação de imagens de realidades dos educandos, educação também é, em grande medida, uma chave para o exercício dos
da escola e da comunidade. Conhecimento da história da representação, demais direitos sociais.
da pintura das cavernas à fotografia digital, compreensão das diferentes É nesse contexto que o Ensino Médio tem ocupado, nos últimos anos,
possibilidades de atuação da fotografia, capacitação técnica e estética para um papel de destaque nas discussões sobre educação brasileira, pois sua
a produção de fotos, manipulação digital e domínio editorial. estrutura, seus conteúdos, bem como suas condições atuais, estão longe
8.5 Vídeos - Introdução à leitura crítica do produto audiovisual, com- de atender às necessidades dos estudantes, tanto nos aspectos da forma-
preensão dos elementos que compõem a sintaxe audiovisual, instrumenta- ção para a cidadania como para o mundo do trabalho. Como consequência
lização para a produção de conteúdos audiovisuais locais e busca de dessas discussões, sua organização e funcionamento têm sido objeto de
espaços de visibilidade para as produções locais. Utilização de recursos mudanças na busca da melhoria da qualidade. Propostas têm sido feitas na
audiovisuais para produção de vídeos educativos. Criação de pequenos forma de leis, de decretos e de portarias ministeriais e visam, desde a
documentários e/ou curtas-metragens, envolvendo os educandos em inclusão de novas disciplinas e conteúdos, até a alteração da forma de
pesquisas, levando-os a refletirem e recriarem suas vidas em movimento. financiamento. Constituem-se exemplos dessas alterações legislativas a
criação do FUNDEB e a ampliação da obrigatoriedade de escolarização,
resultante da Emenda Constitucional no 59, de novembro de 2009.
9. INVESTIGAÇÃO NO CAMPO DAS CIÊNCIAS DA NATUREZA A demanda provocada por essas mudanças na legislação, por si só, já
9.1 Laboratórios e Projetos Científicos - Investigação no campo das Ci- indica a necessidade de atualização das Diretrizes Curriculares Nacionais
ências da Natureza na escola e comunidade a fim de que ciência e tecnolo- para o Ensino Médio (Parecer CNE/CEB no 15/98 e Resolução CNE/CEB
gia se constituam como dispositivos de reconhecimento e recriação das nº 3/98), além de se identificarem outros motivos que reforçam essa neces-
problemáticas da vida dos educandos e de suas comunidades. Organiza- sidade.
ção, manutenção e acompanhamento de exposições, demonstrações, A elaboração de novas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino
experimentos e exposições. Incentivo à criação em Feiras de Ciência, à Médio se faz necessária, também, em virtude das novas exigências educa-
inscrição no Prêmio Ciências do Ministério da Educação e/ou à participação cionais decorrentes da aceleração da produção de conhecimentos, da
na Olimpíada Brasileira de Ciências. ampliação do acesso às informações, da criação de novos meios de comu-

Conhecimentos Específicos 18 A Opção Certa Para a Sua Realização


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nicação, das alterações do mundo do trabalho, e das mudanças de interes- estruturar um cenário de possibilidades que sinalizam para uma efetiva
se dos adolescentes e jovens, sujeitos dessa etapa educacional. política pública nacional para a Educação Básica, comprometida com as
Nos dias atuais, a inquietação das “juventudes” que buscam a escola e múltiplas necessidades sociais e culturais da população brasileira. Nesse
o trabalho resulta mais evidente do que no passado. O aprendizado dos sentido, situam-se a aprovação e implantação do FUNDEB (Lei nº
conhecimentos escolares tem significados diferentes conforme a realidade 11.494/2007), a formulação e implementação do Plano de Desenvolvimento
do estudante. Vários movimentos sinalizam no sentido de que a escola da Educação (PDE), e a consolidação do Sistema de Avaliação da Educa-
precisa ser repensada para responder aos desafios colocados pelos jovens. ção Básica (SAEB), do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) e do
Para responder a esses desafios, é preciso, além da reorganização Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). No âmbito deste
curricular e da formulação de diretrizes filosóficas e sociológicas para essa Conselho, destacam-se as Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a
etapa de ensino, reconhecer as reais condições dos recursos humanos, Educação Básica (Parecer CNE/CEB nº 7/2010 e Resolução CNE/CEB nº
materiais e financeiros das redes escolares públicas em nosso país, que 4/2010) e o processo de elaboração deste Parecer, de atualização das
ainda não atendem na sua totalidade às condições ideais. Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio.
É preciso que além de reconhecimento esse processo seja acompa- O Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), concretizado por Es-
nhado da efetiva ampliação do acesso ao Ensino Médio e de medidas que tados e Municípios, por meio da estruturação da adesão ao Plano de Metas
articulem a formação inicial dos professores com as necessidades do Compromisso Todos pela Educação e respectivos Planos de Ações Articu-
processo ensino-aprendizagem, ofereçam subsídios reais e o apoio de uma ladas (PAR), conduz à revisão das políticas públicas de educação e poten-
eficiente política de formação continuada para seus professores – tanto a cializa a articulação de programas e ações educacionais de governo.
oferecida fora dos locais de trabalho como as previstas no interior das A concepção de uma educação sistêmica expressa no PDE, ao valori-
escolas como parte integrante da jornada de trabalho – e dotem as escolas zar conjuntamente os níveis e modalidades educacionais, possibilita ações
da infraestrutura necessária ao desenvolvimento de suas atividades educa- articuladas na organização dos sistemas de ensino. Significa compreender
cionais. o ciclo educacional de modo integral, promovendo a articulação entre as
No sentido geral, da forma como está organizado na maioria das esco- políticas orientadas para cada nível, etapa e modalidade de ensino e,
las, o Ensino Médio não dá conta de todas as suas atribuições definidas na também, a coordenação entre os instrumentos disponíveis de política
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). O trabalho “Melho- pública. Visão sistêmica implica, portanto, reconhecer as conexões intrínse-
res Práticas em Escolas de Ensino Médio no Brasil” (BID, 2010) mostrou, cas entre Educação Básica e Educação Superior; entre formação humana,
entretanto, que é possível identificar, nos Estados da Federação, escolas científica, cultural e profissionalização e, a partir dessas conexões, imple-
públicas que desenvolvem excelentes trabalhos. mentar políticas de educação que se reforcem reciprocamente.
Com a promulgação da Lei nº 9.394/96 (LDB), o Ensino Médio passou Para levar adiante todas as ideias preconizadas na LDB, a educação
a ser configurado com uma identidade própria, como etapa final de um no Ensino Médio deve possibilitar aos adolescentes, jovens e adultos
mesmo nível da educação, que é a Educação Básica, e teve assegurada a trabalhadores acesso a conhecimentos que permitam a compreensão das
possibilidade de se articular, até de forma integrada em um mesmo curso, diferentes formas de explicar o mundo, seus fenômenos naturais, sua
com a profissionalização, pois o artigo 36-A prevê que “o Ensino Médio, organização social e seus processos produtivos.
atendida a formação geral do educando, poderá prepará-lo para o exercício O debate sobre a atualização das Diretrizes Curriculares Nacionais pa-
de profissões técnicas”. ra o Ensino Médio deve, portanto, considerar importantes temáticas, como
No Brasil, nos últimos 20 anos, houve uma ampliação do acesso dos o financiamento e a qualidade da Educação Básica, a formação e o perfil
adolescentes e jovens ao Ensino Médio, a qual trouxe para as escolas dos docentes para o Ensino Médio e a relação com a Educação Profissio-
públicas um novo contingente de estudantes, de modo geral jovens filhos nal, de forma a reconhecer diferentes caminhos de atendimento aos varia-
das classes trabalhadoras. Os sistemas de ensino passam a atender novos dos anseios das “juventudes” e da sociedade.
jovens com características diferenciadas da escola tradicionalmente organi- É sabido que a questão do atendimento das demandas das “juventu-
zada. Situação semelhante acontece com o aumento da demanda do des” vai além da atividade da escola, mas entende-se que uma parte signi-
Ensino Médio no campo, cujo atendimento induz a novos procedimentos no ficativa desse objetivo pode ser alcançada por meio da transformação do
sentido de promover a permanência dos mesmos na escola, evitando a currículo escolar e do projeto político-pedagógico.
evasão e diminuindo as taxas de reprovação. A atualização das Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Mé-
Apesar das ações desenvolvidas pelos governos estaduais e pelo Mi- dio deve contemplar as recentes mudanças da legislação, dar uma nova
nistério da Educação, os sistemas de ensino ainda não alcançaram as dinâmica ao processo educativo dessa etapa educacional, retomar a dis-
mudanças necessárias para alterar a percepção de conhecimento do seu cussão sobre as formas de organização dos saberes e reforçar o valor da
contexto educativo e ainda não estabeleceram um projeto organizativo que construção do projeto político-pedagógico das escolas, de modo a permitir
atenda às novas demandas que buscam o Ensino Médio. Atualmente mais diferentes formas de oferta e de organização, mantida uma unidade nacio-
de 50% dos jovens de 15 a 17 anos ainda não atingiram esta etapa da nal, sempre tendo em vista a qualidade do ensino.
Educação Básica e milhões de jovens com mais de 18 anos e adultos não Para tratar especificamente da atualização das Diretrizes Curriculares
concluíram o Ensino Médio, configurando uma grande dívida da sociedade Nacionais para o Ensino Médio foi criada, em janeiro de 2010, pela Portaria
com esta população. CNE/CEB nº 1/2010, recomposta pela Portaria CNE/CEB nº 2/2010, a
De acordo com o documento “Síntese dos Indicadores Sociais do IB- Comissão constituída na Câmara de Educação Básica (CEB) do CNE,
GE: uma análise das condições de vida da população brasileira” (IBGE, formada pelos Conselheiros Adeum Sauer (presidente), José Fernandes de
2010), constata-se que a taxa de frequência bruta às escolas dos adoles- Lima (relator), Mozart Neves Ramos, Francisco Aparecido Cordão e Rita
centes de 15 a 17 anos é de 85,2%. Já a taxa de escolarização líquida dos Gomes do Nascimento.
mesmos adolescentes (de 15 a 17 anos) é de 50,9%. Isso significa dizer Registre-se, por oportuno, que o Conselho Nacional de Educação, no
que metade dos adolescentes de 15 a 17 anos ainda não está matriculada cumprimento do que determina o art. 7o da Lei no 9.131/95 (que altera
no Ensino Médio. No Nordeste a taxa de escolaridade líquida é ainda dispositivos da Lei nº 4.024, de 20 de dezembro de 1961), vinha trabalhan-
inferior, ficando em 39,1%. A proporção de pessoas de 18 a 24 anos de do na atualização das várias Diretrizes Curriculares Nacionais. Além da
idade, economicamente ativas, com mais de 11 anos de estudos é de elaboração das Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação
15,2% e a proporção de analfabetos nessa mesma amostra atinge a casa Básica, já foram atualizadas, entre outras, as Diretrizes para a Educação
de 4,6%. Infantil, para o Ensino Fundamental e para a Educação de Jovens e Adul-
Especificamente em relação ao Ensino Médio, o número de estudantes tos.
da etapa é, atualmente, da ordem de 8,3 milhões. A taxa de aprovação no Em agosto de 2010, a Secretaria de Educação Básica do Ministério da
Ensino Médio brasileiro é de 72,6%, enquanto as taxas de reprovação e de Educação (SEB/MEC) encaminhou ao CNE uma sugestão de resolução
abandono são, respectivamente, de 13,1% e de 14,3% (INEP, 2009). feita por especialistas daquela Secretaria e outros contratados especifica-
Observe-se que essas taxas diferem de região para região e entre as zonas mente para elaboração do referido documento. Juntamente com a proposta
urbana e rural. Há também uma diferença significativa entre as escolas de resolução, a SEB encaminhou outros documentos para subsidiar as
privadas e públicas. discussões, além de disponibilizar técnicos para acompanhamento dos
Em resposta a esses desafios que permanecem, algumas políticas, di- trabalhos, dentre os quais cumpre destacar o Diretor de Concepções e
retrizes e ações do governo federal foram desenvolvidas com a proposta de Orientações Curriculares para a Educação Básica, Carlos Artexes Simões,

Conhecimentos Específicos 19 A Opção Certa Para a Sua Realização


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e a Coordenadora Geral do Ensino Médio, Maria Eveline Pinheiro Villar de didático-escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde, bem como
Queiroz, bem como o consultor Bahij Amin Aur. reduz, anualmente, a partir do exercício de 2009, o percentual da Desvincu-
A proposta foi encaminhada aos membros do Fórum dos Coordenado- lação das Receitas da União incidente sobre os recursos destinados a
res do Ensino Médio que apresentaram, além das sugestões das Secretari- manutenção e ao desenvolvimento do ensino;
as Estaduais de Educação, um documento coletivo discutido na reunião do XII – a homologação das Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para
Fórum, realizada em Natal, RN, em 1º de setembro de 2010. Em seguida, a a Educação Básica (Parecer CNE/CEB nº 7/2010 e Resolução CNE/CEB nº
mesma proposta foi submetida à apreciação de especialistas que deram 4/2010);
suas sugestões na reunião conjunta com os membros da Comissão Espe- XIV – a aprovação do Parecer CNE/CEB nº 8/2010, que estabelece
cial da CEB e da Secretaria de Educação Básica do MEC, realizada nas normas para aplicação do inciso IX do art. 4º da Lei nº 9.394/96 (LDB), que
dependências do CNE, em 17 de setembro de 2010. trata dos padrões mínimos de qualidade de ensino para a Educação Básica
No dia 4 de outubro de 2010, a sugestão de resolução destas Diretrizes pública;
foi discutida em audiência pública convocada pela Câmara de Educação XV – iniciativas relevantes, tanto na esfera federal, sobretudo com o
Básica e realizada no CNE e contou com a participação de mais de 100 Programa Ensino Médio Inovador do MEC, como na esfera estadual e,
pessoas, entre educadores e representantes de entidades. Destaque-se mesmo, na municipal;
que o mesmo documento foi enviado ao Conselho Nacional de Secretários XVI – a consolidação de sistemas nacionais de avaliação, como o Sis-
de Educação (CONSED) que, por sua vez, o encaminhou para as Secreta- tema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) e o Exame Nacional do
rias Estaduais de Educação. Ensino Médio (ENEM);
XVII – a reformulação do ENEM e sua utilização nos processos seleti-
Foram recebidas diversas contribuições individuais e de associações, vos das Instituições de Educação Superior, visando democratizar as opor-
dentre as quais se destaca o documento enviado pela Associação Nacional tunidades de acesso a esse nível de ensino, potencialmente induzindo a
de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd). reestruturação dos currículos do Ensino Médio;
Em 16 de fevereiro de 2011, o relator participou da reunião do CON- XVIII – a criação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica
SED com os Secretários Estaduais de Educação, para informar sobre o (IDEB) para medir a qualidade de cada escola e de cada rede de ensino,
andamento dos trabalhos de elaboração destas Diretrizes e solicitar a com base no desempenho do estudante em avaliações do INEP e em taxas
contribuição dos mesmos. de aprovação;
É importante considerar que este parecer está sendo elaborado na vi- XIX – a instituição do Programa Nacional de Direitos humanos (PNDH
gência de um quadro de mudanças e propostas que afetam todo o sistema 3), o qual indica a implementação do Plano Nacional de Educação em
educacional e, particularmente, o Ensino Médio, dentre as quais se desta- Direitos humanos (PNEDH).
cam os seguintes exemplos: XX – o envio ao Congresso Nacional do Projeto de Lei que trata do no-
I – os resultados da Conferência Nacional da Educação Básica (2008); vo Plano Nacional de Educação para o período de 2011-2020.
II – os 14 anos transcorridos de vigência da LDB e as inúmeras altera- É expectativa que estas diretrizes possam se constituir num documento
ções nela introduzidas por várias leis, bem como a edição de outras que orientador dos sistemas de ensino e das escolas e que possam oferecer
repercutem nos currículos da Educação Básica, notadamente no do Ensino aos professores indicativos para a estruturação de um currículo para o
Médio; Ensino Médio que atenda as expectativas de uma escola de qualidade que
III – a aprovação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Edu- garanta o acesso, a permanência e o sucesso no processo de aprendiza-
cação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação Básica gem e constituição da cidadania.
(FUNDEB), regulado pela Lei nº 11.494/2007, que fixa percentual de recur- Desse modo, o grande desafio deste parecer consiste na incorporação
sos a todas as etapas e modalidades da Educação Básica; das grandes mudanças em curso na sociedade contemporânea, nas políti-
IV – a criação do Conselho Técnico Científico (CTC) da Educação Bá- cas educacionais brasileiras e em constituir um documento que sugira
sica, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior do procedimentos que permitam a revisão do trabalho das escolas e dos
Ministério da Educação (CAPES/MEC); sistemas de ensino, no sentido de garantir o direito à educação, o acesso, a
V – a formulação, aprovação e implantação das medidas expressas na permanência e o sucesso dos estudantes, com a melhoria da qualidade da
Lei nº 11.738/2008, que regulamenta o piso salarial profissional nacional educação para todos.
para os profissionais do magistério público da Educação Básica; 2. Direito à educação
VI – a implantação do Programa Nacional do Livro Didático para o En- 2.1 Educação como direito social
sino Médio (PNLEM); A educação, por meio da escolarização, consolidou-se nas sociedades
VII – a instituição da política nacional de formação de profissionais do modernas como um direito social, ainda que não tenha sido universalizada.
magistério da Educação Básica (Decreto nº 6.755/2009); Concebida como forma de socializar as pessoas de acordo com valores e
VIII – a aprovação do Parecer CNE/CEB nº 9/2009 e da Resolução padrões culturais e ético-morais da sociedade e como meio de difundir de
CNE/CEB nº 2/2009, que fixam as Diretrizes Nacionais para os Planos de forma sistemática os conhecimentos científicos construídos pela humanida-
Carreira e Remuneração dos Profissionais do Magistério da Educação de, a educação escolar reflete um direito e representa componente neces-
Básica Pública; sário para o exercício da cidadania e para as práticas sociais.
IX – a aprovação do Parecer CNE/CEB nº 9/2010 e da Resolução No Brasil, constituem-se importantes instrumentos normativos relativos
CNE/CEB nº 5/2010, que fixam as Diretrizes Nacionais para os Planos de à educação, além da própria Constituição da República Federativa do Brasil
Carreira e Remuneração dos Funcionários da Educação Básica pública; de 1988 e da Lei nº 9.394/96 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Naci-
X – o final da vigência do Plano Nacional de Educação (PNE), bem onal), também a Lei nº 10.172/2001 (Plano Nacional de Educação para
como a mobilização em torno da nova proposta do PNE para o período 2001-2010), embora já tenha chegado ao final de seus dez anos de vigên-
2011-2020; cia.
XI – as recentes avaliações do PNE, sistematizadas pelo CNE, expres- No tocante à Constituição Federal, lembra-se a importante alteração
sas no documento “Subsídios para Elaboração do PNE: Considerações promovida pela Emenda Constitucional nº 59/2009, que assegura Educa-
Iniciais. Desafios para a Construção do PNE” (Portaria CNE/CP nº ção Básica obrigatória e gratuita dos 4 aos 17 anos de idade, o que signifi-
10/2009); ca que, regularizado o fluxo escolar no Ensino Fundamental, o Ensino
XII – a realização da Conferência Nacional de Educação (CONAE), Médio também estará incluído na faixa de obrigatoriedade, constituindo-se
com tema central “Construindo um Sistema Nacional Articulado de Educa- em direito público subjetivo.
ção: Plano Nacional de Educação: suas Diretrizes e Estratégias de Ação”, Na LDB, destaca-se que o inciso VI do art. 10 determina que os Esta-
visando à construção do PNE 2011-2020; dos incumbir-se-ão de “assegurar o Ensino Fundamental e oferecer, com
XII – a relevante alteração na Constituição, pela promulgação da prioridade, o Ensino Médio a todos que o demandarem” (Redação dada
Emenda Constitucional nº 59/2009, que, entre suas medidas, assegura pela Lei nº 12.061/2009).
Educação Básica obrigatória e gratuita dos 4 aos 17 anos de idade, inclusi- O PNE 2001-2010 apresentou diagnóstico e estabeleceu diretrizes, ob-
ve a sua oferta gratuita para todos os que a ela não tiveram acesso na jetivos e metas para todos os níveis e modalidades de ensino, para a
idade própria, assegura o atendimento ao estudante, em todas as etapas formação e a valorização do magistério e para o financiamento e a gestão
da Educação Básica, mediante programas suplementares de material da educação. Para o Ensino Médio, estabeleceu a meta de atender 100%

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da população de 15 a 17 anos até 2011, e Diretrizes para o Ensino Médio, educação, porém gastava mal, prevaleceram preocupações com a eficácia
que constituíam pressupostos para serem considerados na definição de e a eficiência das escolas, e a atenção voltou-se, predominantemente, para
uma política pública para essa etapa. os resultados por elas obtidos quanto ao rendimento dos estudantes. A
Desde 2007, o Ministério da Educação, vem implementando o Plano de qualidade priorizada somente nesses termos pode, contudo, deixar em
Desenvolvimento da Educação (PDE), como uma estratégia complementar segundo plano a superação das desigualdades educacionais.
ao PNE no que se refere ao seu caráter executivo e de posição política de Outro conceito de qualidade passa, entretanto, a ser gestado por mo-
governo. Com prioridade na Educação Básica de qualidade, o PDE assume vimentos de renovação pedagógica, movimentos sociais, de profissionais e
uma concepção sistêmica da educação e o compromisso explícito com o por grupos políticos: o da qualidade social da educação. Ela está associada
atendimento aos grupos discriminados pela desigualdade educacional. às mobilizações pelo direito à educação, à exigência de participação e de
Além disso, propõe envolver todos, pais, estudantes, professores e gesto- democratização e comprometida com a superação das desigualdades e
res, em iniciativas que busquem o sucesso e a permanência na escola. injustiças.
Para a implementação dessas medidas, o PDE adotou como orientação A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cul-
estratégica a mobilização dos agentes públicos e da sociedade em geral, tura (UNESCO), ao entender que a qualidade da educação é também uma
com vistas à adesão ao Plano de Metas Compromisso Todos pela Educa- questão de direitos humanos, defende conceito semelhante (2008). Para
ção, a ser viabilizado mediante programas e ações de assistência técnica e além da eficácia e da eficiência, advoga que a educação de qualidade,
financeira aos Estados e Municípios. como um direito fundamental, deve ser antes de tudo relevante, pertinente
O Projeto de Lei que cria o novo PNE estabelece 20 metas a serem al- e equitativa. A relevância reporta-se à promoção de aprendizagens signifi-
cançadas pelo país de 2011 a 2020. As metas voltadas diretamente ou que cativas do ponto de vista das exigências sociais e de desenvolvimento
têm relação com o Ensino Médio são: pessoal. A pertinência refere-se à possibilidade de atender às necessidades
I – Universalizar, até 2016, o atendimento escolar para toda a popula- e às características dos estudantes de diversos contextos sociais e culturais
ção de 15 a 17 anos e elevar, até 2020, a taxa líquida de matrículas no e com diferentes capacidades e interesses.
Ensino Médio para 85%, nesta faixa etária. A educação escolar, comprometida com a igualdade de acesso ao co-
II – Universalizar, para a população de 4 a 17 anos, o atendimento es- nhecimento a todos e especialmente empenhada em garantir esse acesso
colar aos estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvi- aos grupos da população em desvantagem na sociedade, é uma educação
mento e altas habilidades ou superdotação na rede regular de ensino. com qualidade social e contribui para dirimir as desigualdades historica-
III – Oferecer educação em tempo integral em 50% das escolas públi- mente produzidas, assegurando, assim, o ingresso, a permanência e o
cas de Educação Básica. sucesso de todos na escola, com a consequente redução da evasão, da
IV – Atingir as médias nacionais para o IDEB já previstas no Plano de retenção e das distorções de idade-ano/série (Parecer CNE/CEB nº 7/2010
Desenvolvimento da Educação (PDE). e Resolução CNE/CEB n° 4/2010, que definem as Diretrizes Curriculares
V – Elevar a escolaridade média da população de 18 a 24 anos de mo- Nacionais Gerais para a Educação Básica).
do a alcançar o mínimo de 12 anos de estudo para as populações do Exige-se, pois, problematizar o desenho organizacional da instituição
campo, da região de menor escolaridade no país e dos 25% mais pobres, escolar que não tem conseguido responder às singularidades dos sujeitos
bem como igualar a escolaridade média entre negros e não negros, com que a compõem. Torna-se inadiável trazer para o debate os princípios e as
vistas à redução da desigualdade educacional. práticas de um processo de inclusão social que garanta o acesso e consi-
VI – Oferecer, no mínimo, 25% das matrículas da Educação de Jovens dere a diversidade humana, social, cultural e econômica dos grupos histori-
e Adultos na forma integrada à Educação Profissional nos anos finais do camente excluídos.
Ensino Fundamental e no Ensino Médio. Para que se conquiste a inclusão social, a educação escolar deve fun-
VII – Duplicar as matrículas da Educação Profissional Técnica de Nível damentar-se na ética e nos valores da liberdade, justiça social, pluralidade,
Médio, assegurando a qualidade da oferta. solidariedade e sustentabilidade, cuja finalidade é o pleno desenvolvimento
VIII – Garantir, em regime de colaboração entre a União, os Estados, o de seus sujeitos, nas dimensões individual e social de cidadãos conscientes
Distrito Federal e os Municípios, que todos os professores da Educação de seus direitos e deveres, compromissados com a transformação social.
Básica possuam formação específica de nível superior, obtida em curso de Diante dessa concepção de educação, a escola é uma organização tempo-
licenciatura na área de conhecimento em que atuam. ral, que deve ser menos rígida, segmentada e uniforme, a fim de que os
IX – Formar 50% dos professores da Educação Básica em nível de estudantes, indistintamente, possam adequar seus tempos de aprendiza-
pós-graduação lato e stricto sensu, garantir a todos formação continuada gens de modo menos homogêneo e idealizado.
em sua área de atuação. A escola, face às exigências da Educação Básica, precisa ser reinven-
X – Valorizar o magistério público da Educação Básica a fim de apro- tada, ou seja, priorizar processos capazes de gerar sujeitos inventivos,
ximar o rendimento médio do profissional do magistério com mais de onze participativos, cooperativos, preparados para diversificadas inserções
anos de escolaridade do rendimento médio dos demais profissionais com sociais, políticas, culturais, laborais e, ao mesmo tempo, capazes de intervir
escolaridade equivalente. e problematizar as formas de produção e de vida. A escola tem, diante de
XI – Assegurar, no prazo de dois anos, a existência de planos de car- si, o desafio de sua própria recriação, pois tudo que a ela se refere consti-
reira para os profissionais do magistério em todos os sistemas de ensino. tui-se como invenção: os rituais escolares são invenções de um determina-
XII – Garantir, mediante lei específica aprovada no âmbito dos Estados, do contexto sociocultural em movimento.
do Distrito Federal e dos Municípios, a nomeação comissionada de direto- A qualidade na escola exige o compromisso de todos os sujeitos do
res de escola vinculada a critérios técnicos de mérito e desempenho e à processo educativo para:
participação da comunidade escolar. I – a ampliação da visão política expressa por meio de habilidades ino-
XIII – Ampliar progressivamente o investimento público em educação vadoras, fundamentadas na capacidade para aplicar técnicas e tecnologias
até atingir, no mínimo, o patamar de 7% do Produto Interno Bruto (PIB) do orientadas pela ética e pela estética;
país. II – a responsabilidade social, princípio educacional que norteia o con-
junto de sujeitos comprometidos com o projeto que definem e assumem
2.2 Educação com qualidade social como expressão e busca da qualidade da escola, fruto do empenho de
O conceito de qualidade da educação é uma construção histórica que todos.
assume diferentes significados em tempos e espaços diversos e tem rela- Construir a qualidade social pressupõe conhecimento dos interesses
ção com os lugares de onde falam os sujeitos, os grupos sociais a que sociais da comunidade escolar para que seja possível educar e cuidar
pertencem, os interesses e os valores envolvidos, os projetos de sociedade mediante interação efetivada entre princípios e finalidades educacionais,
em jogo (Parecer CNE/CEB nº 7/2010). objetivos, conhecimentos e concepções curriculares. Isso abarca mais que
Conforme argumenta Campos (2008), para os movimentos sociais que o exercício político-pedagógico que se viabiliza mediante atuação de todos
reivindicavam a qualidade da educação entre os anos 70 e 80, ela estava os sujeitos da comunidade educativa. Ou seja, efetiva-se não apenas
muito presa às condições básicas de funcionamento das escolas, porque mediante participação de todos os sujeitos da escola – estudante, profes-
seus participantes, pouco escolarizados, tinham dificuldade de perceber as sor, técnico, funcionário, coordenador – mas também, mediante aquisição e
nuanças dos projetos educativos que as instituições de ensino desenvolvi- utilização adequada dos objetos e espaços (laboratórios, equipamentos,
am. Na década de 90, sob o argumento de que o Brasil investia muito na mobiliário, salas-ambiente, biblioteca, videoteca, ateliê, oficina, área para

Conhecimentos Específicos 21 A Opção Certa Para a Sua Realização


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práticas esportivas e culturais, entre outros) requeridos para responder ao sassem em cursos superiores, desde que comprovassem nível de conhe-
projeto político-pedagógico pactuado, vinculados às condi- cimento indispensável à realização dos aludidos estudos. Na década se-
ções/disponibilidades mínimas para se instaurar a primazia da aquisição e guinte, sobreveio a plena equivalência entre os cursos, com a equiparação,
do desenvolvimento de hábitos investigatórios para construção do conhe- para todos os efeitos, do ensino profissional ao ensino propedêutico, efeti-
cimento. vada pela primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº
A escola de qualidade social adota como centralidade o diálogo, a co- 4.024/61).
laboração, os sujeitos e as aprendizagens, o que pressupõe, sem dúvida, Novo momento decisivo ocorreu dez anos depois, com a promulgação
atendimento a requisitos tais como: da Lei no 5.692/71, que reformou a Lei nº 4.024/61, no que se refere ao,
I – revisão das referências conceituais quanto aos diferentes espaços e então, ensino de 1º e de 2º graus. Note-se que ocorreu aqui uma transposi-
tempos educativos, abrangendo espaços sociais na escola e fora dela; ção do antigo ginasial, até então considerado como fase inicial do ensino
II – consideração sobre a inclusão, a valorização das diferenças e o secundário, para constituir-se na fase final do 1o grau de oito anos.
atendimento à pluralidade e à diversidade cultural, resgatando e respeitan- Para o 2o grau (correspondente ao atual Ensino Médio), a profissionali-
do os direitos humanos, individuais e coletivos e as várias manifestações de zação torna-se obrigatória, supostamente para eliminar o dualismo entre
cada comunidade; uma formação clássica e científica, preparadora para os estudos superiores
III – foco no projeto político-pedagógico, no gosto pela aprendizagem, e e, outra, profissional (industrial, comercial e agrícola), além do Curso Nor-
na avaliação das aprendizagens como instrumento de contínua progressão mal, destinado à formação de professores para a primeira fase do 1o grau.
dos estudantes; A implantação generalizada da habilitação profissional trouxe, entre seus
IV – inter-relação entre organização do currículo, do trabalho pedagógi- efeitos, sobretudo para o ensino público, a perda de identidade que o 2º
co e da jornada de trabalho do professor, tendo como foco a aprendizagem grau passara a ter, seja a propedêutica para o ensino superior, seja a de
do estudante; terminalidade profissional. Passada uma década, foi editada a Lei nº
V – compatibilidade entre a proposta curricular e a infraestrutura, en- 7.044/82, tornando facultativa essa profissionalização no 2º grau.
tendida como espaço formativo dotado de efetiva disponibilidade de tempos O mais novo momento decisivo veio com a atual lei de Diretrizes e Ba-
para a sua utilização e acessibilidade; ses da Educação Nacional (LDB), a Lei Federal nº 9.394/96, que ainda vem
VI – integração dos profissionais da educação, dos estudantes, das recebendo sucessivas alterações e acréscimos. A LDB define o Ensino
famílias e dos agentes da comunidade interessados na educação; Médio como uma etapa do nível denominado Educação Básica, constituído
VII – valorização dos profissionais da educação, com programa de for- pela Educação Infantil, pelo Ensino Fundamental e pelo Ensino Médio,
mação continuada, critérios de acesso, permanência, remuneração compa- sendo este sua etapa final.
tível com a jornada de trabalho definida no projeto político-pedagógico; Das alterações ocorridas na LDB, destacam-se, aqui, as trazidas pela
VIII – realização de parceria com órgãos, tais como os de assistência Lei nº 11.741/2008, a qual redimensionou, institucionalizou e integrou as
social, desenvolvimento e direitos humanos, cidadania, trabalho, ciência e ações da Educação Profissional Técnica de Nível Médio, da Educação de
tecnologia, lazer, esporte, turismo, cultura e arte, saúde, meio ambiente; Jovens e Adultos e da Educação Profissional e Tecnológica. Foram altera-
IX – preparação dos profissionais da educação, gestores, professores, dos os artigos 37, 39, 41 e 42, e acrescido o Capítulo II do Título V com a
especialistas, técnicos, monitores e outros. Seção IV-A, denominada “Da Educação Profissional Técnica de Nível
A qualidade social da educação brasileira é uma conquista a ser cons- Médio”, e com os artigos 36-A, 36-B, 36-C e 36-D. Esta lei incorporou o
truída coletivamente de forma negociada, pois significa algo que se concre- essencial do Decreto nº 5.154/2004, sobretudo, revalorizando a possibilida-
tiza a partir da qualidade da relação entre todos os sujeitos que nela atuam de do Ensino Médio integrado com a Educação Profissional Técnica, con-
direta e indiretamente. Significa compreender que a educação é um pro- trariamente ao que o Decreto nº 2.208/97 anteriormente havia disposto.
cesso de produção e socialização da cultura da vida, no qual se constroem, A LDB define como finalidades do Ensino Médio a preparação para a
se mantêm e se transformam conhecimentos e valores. Produzir e sociali- continuidade dos estudos, a preparação básica para o trabalho e o exercí-
zar a cultura inclui garantir a presença dos sujeitos das aprendizagens na cio da cidadania. Determina, ainda, uma base nacional comum e uma parte
escola. Assim, a qualidade social da educação escolar supõe encontrar diversificada para a organização do currículo escolar.
alternativas políticas, administrativas e pedagógicas que garantam o aces- Na sequência, foram formuladas as Diretrizes Curriculares Nacionais
so, a permanência e o sucesso do indivíduo no sistema escolar, não ape- para o Ensino Médio, em 1998, que destacam que as ações administrativas
nas pela redução da evasão, da repetência e da distorção idade- e pedagógicas dos sistemas de ensino e das escolas devem ser coerentes
ano/série, mas também pelo aprendizado efetivo. com princípios estéticos, políticos e éticos, abrangendo a estética da sensi-
3. O Ensino Médio no Brasil bilidade, a política da igualdade e a ética da identidade. Afirmam que as
Em uma perspectiva histórica (UNESCO, 2009), verifica-se que foi a re- propostas pedagógicas devem ser orientadas por competências básicas,
forma educacional conhecida pelo nome do Ministro Francisco Campos, conteúdos e formas de tratamento dos conteúdos previstos pelas finalida-
que regulamentou e organizou o ensino secundário, além do ensino profis- des do Ensino Médio. Os princípios pedagógicos da identidade, diversidade
sional e comercial (Decreto no 18.890/31) que estabeleceu a modernização e autonomia, da interdisciplinaridade e da contextualização são adotados
do ensino secundário nacional. Apesar de modernizadora, essa reforma como estruturadores dos currículos. A base nacional comum organiza-se, a
não rompeu com a tradição de uma educação voltada para as elites e partir de então, em três áreas de conhecimento: Linguagens, Códigos e
setores emergentes da classe média, pois foi concebida para conduzir seus suas Tecnologias; Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias; e
estudantes para o ingresso nos cursos superiores. Ciências Humanas e suas Tecnologias.
Em 1942, por iniciativa do Ministro Gustavo Capanema, foi instituído o Mesmo considerando o tratamento dado ao trabalho didático-
conjunto das Leis Orgânicas da Educação Nacional, que configuraram a pedagógico, com as possibilidades de organização do Ensino Médio, tem-
denominada Reforma Capanema: a) Lei orgânica do ensino secundário, de se a percepção que tal discussão não chegou às escolas, mantendo-se
1942; b) Lei orgânica do ensino comercial, de 1943; c) Leis orgânicas do atenção extrema no tratamento de conteúdos sem a articulação com o
ensino primário, de 1946. Nas leis orgânicas firmou-se o objetivo do ensino contexto do estudante e com os demais componentes das áreas de conhe-
secundário de formar as elites condutoras do país, a par do ensino profissi- cimento e sem aproximar-se das finalidades propostas para a etapa de
onal, este mais voltado para as necessidades emergentes da economia ensino, constantes na LDB. Foi observado em estudo promovido pela
industrial e da sociedade urbana. UNESCO, que incluiu estudos de caso em dois Estados, que os ditames
Nessa reforma, o ensino secundário mantinha dois ciclos: o primeiro legais e normativos e as concepções teóricas, mesmo quando assumidas
correspondia ao curso ginasial, com duração de 4 anos, destinado a fun- pelos órgãos centrais de uma Secretaria Estadual de Educação, têm fraca
damentos; o segundo correspondia aos cursos clássico e científico, com ressonância nas escolas e, até, pouca ou nenhuma, na atuação dos profes-
duração de 3 anos, com o objetivo de consolidar a educação ministrada no sores (UNESCO, 2009).
ginasial. O ensino secundário, de um lado, e o ensino profissional, de outro, O Parecer CNE/CEB nº 7/2010 e a Resolução CNE/CEB nº 4/2010,
não se comunicavam nem propiciavam circulação de estudos, o que veio a que definem as Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para Educação
ocorrer na década seguinte. Básica, especificamente quanto ao Ensino Médio, reiteram que é etapa final
Em 1950, a equivalência entre os estudos acadêmicos e os profissio- do processo formativo da Educação Básica e indicam que deve ter uma
nais foi uma mudança decisiva, comunicando os dois tipos de ensino. A Lei base unitária sobre a qual podem se assentar possibilidades diversas.
Federal nº 1.076/50 permitiu que concluintes de cursos profissionais ingres-

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A definição e a gestão do currículo inscrevem-se em uma lógica que se Todavia, é possível que, se os jovens atribuíssem um sentido mais vivo
dirige, predominantemente, aos jovens, considerando suas singularidades, e uma maior importância à sua escolarização, uma parcela maior continu-
que se situam em um tempo determinado. Os sistemas educativos devem asse frequentando as aulas, mesmo depois de empregados.
prever currículos flexíveis, com diferentes alternativas, para que os jovens O desencaixe entre a escola e os jovens não deve ser visto como de-
tenham a oportunidade de escolher o percurso formativo que atenda seus corrente, nem de uma suposta incompetência da instituição, nem de um
interesses, necessidades e aspirações, para que se assegure a permanên- suposto desinteresse dos estudantes. As análises se tornam produtivas à
cia dos jovens na escola, com proveito, até a conclusão da Educação medida que enfoquem a relação entre os sujeitos e a escola no âmbito de
Básica. um quadro mais amplo, considerando as transformações sociais em curso.
Pesquisas realizadas com estudantes mostram a necessidade de essa Essas transformações estão produzindo sujeitos com estilos de vida, valo-
etapa educacional adotar procedimentos que guardem maior relação com o res e práticas sociais que os tornam muito distintos das gerações anteriores
projeto de vida dos estudantes como forma de ampliação da permanência e (Dayrell, 2007). Entender tal processo de transformação é relevante para a
do sucesso dos mesmos na escola. Estas Diretrizes orientam-se no sentido compreensão das dificuldades hoje constatadas nas relações entre os
do oferecimento de uma formação humana integral, evitando a orientação jovens e a escola.
limitada da preparação para o vestibular e patrocinando um sonho de futuro Possivelmente, um dos aspectos indispensáveis a essas análises é a
para todos os estudantes do Ensino Médio. Esta orientação visa à constru- compreensão da constituição da juventude. A formação dos indivíduos é
ção de um Ensino Médio que apresente uma unidade e que possa atender hoje atravessada por um número crescente de elementos. Se antes ela se
a diversidade mediante o oferecimento de diferentes formas de organização produzia, dominantemente, no espaço circunscrito pela família, pela escola
curricular, o fortalecimento do projeto político pedagógico e a criação das e pela igreja, em meio a uma razoável homogeneidade de valores, muitas
condições para a necessária discussão sobre a organização do trabalho outras instituições, hoje, participam desse jogo, apresentando formas de ser
pedagógico. e de viver heterogêneas.
A identidade juvenil é determinada para além de uma idade biológica
4. Os sujeitos/estudantes do Ensino Médio
ou psicológica, mas situa-se em processo de contínua transformação
4.1 As juventudes
individual e coletiva, a partir do que se reconhece que o sujeito do Ensino
Os estudantes do Ensino Médio são predominantemente adolescentes
Médio é constituído e constituinte da ordem social, ao mesmo tempo em
e jovens. Segundo o Conselho Nacional de Juventude (CONJUVE), são
que, como demonstram os comportamentos juvenis, preservam autonomia
considerados jovens os sujeitos com idade compreendida entre os 15 e os
relativa quanto a essa ordem.
29 anos, ainda que a noção de juventude não possa ser reduzida a um
Segundo Dayrell, a juventude é “parte de um processo mais amplo de
recorte etário (Brasil, 2006). Em consonância com o CONJUVE, esta pro-
constituição de sujeitos, mas que tem especificidades que marcam a vida
posta de atualização das Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino
de cada um. A juventude constitui um momento determinado, mas não se
Médio concebe a juventude como condição sócio-histórico-cultural de uma
reduz a uma passagem; ela assume uma importância em si mesma. Todo
categoria de sujeitos que necessita ser considerada em suas múltiplas
esse processo é influenciado pelo meio social concreto no qual se desen-
dimensões, com especificidades próprias que não estão restritas às dimen-
volve e pela qualidade das trocas que este proporciona”. (2003).
sões biológica e etária, mas que se encontram articuladas com uma multi-
Zibas, ao analisar as relações entre juventude e oferta educacional ob-
plicidade de atravessamentos sociais e culturais, produzindo múltiplas
serva que a ampliação do acesso ao Ensino Médio, nos últimos 15 anos,
culturas juvenis ou muitas juventudes.
não veio acompanhada de políticas capazes de dar sustentação com
Entender o jovem do Ensino Médio dessa forma significa superar uma
qualidade a essa ampliação. Entre 1995 e 2005, os sistemas de ensino
noção homogeneizante e naturalizada desse estudante, passando a perce-
estaduais receberam mais de 4 milhões de jovens no Ensino Médio, totali-
bê-lo como sujeito com valores, comportamentos, visões de mundo, inte-
zando uma população escolar de 9 milhões de indivíduos (2009).
resses e necessidades singulares. Além disso, deve-se também aceitar a
É diante de um público juvenil extremamente diverso, que traz para
existência de pontos em comum que permitam tratá-lo como uma categoria
dentro da escola as contradições de uma sociedade que avança na inclu-
social. Destacam-se sua ansiedade em relação ao futuro, sua necessidade
são educacional sem transformar a estrutura social desigual – mantendo
de se fazer ouvir e sua valorização da sociabilidade. Além das vivências
acesso precário à saúde, ao transporte, à cultura e lazer, e ao trabalho –
próprias da juventude, o jovem está inserido em processos que questionam
que o novo Ensino Médio se forja. As desigualdades sociais passam a
e promovem sua preparação para assumir o papel de adulto, tanto no plano
tensionar a instituição escolar e a produzir novos conflitos (idem).
profissional quanto no social e no familiar.
Segundo Dayrell (2009), o censo de 2000 informa que 47,6% dos jo-
Pesquisas sugerem que, muito frequentemente, a juventude é entendi-
vens da Região Sudeste de 15 a 17 anos frequentavam o Ensino Médio; no
da como uma condição de transitoriedade, uma fase de transição para a
Nordeste apenas 19,9%; e a média nacional era de 35,7%. O autor assina-
vida adulta (Dayrell, 2003). Com isso, nega-se a importância das ações de
la, com base em dados do IPEA (2008), que há uma frequência líquida no
seu presente, produzindo-se um entendimento de que sua educação deva
Sul/Sudeste de 58%, contra 33,3% no Norte/Nordeste. Em que pese essa
ser pensada com base nesse “vir a ser”. Reduzem-se, assim, as possibili-
presença ser expressivamente maior na Região Sul do país, observa-se um
dades de se fazer da escola um espaço de formação para a vida hoje
quadro reiterado de desistência da escola também nessa região. Esse
vivida, o que pode acabar relegando-a a uma obrigação enfadonha.
quadro parece se intensificar no Ensino Médio, devido à existência de forte
Muitos jovens, principalmente os oriundos de famílias pobres, vivenci-
tensão na relação dos jovens com a escola (Correia e Matos, 2001; Dayrell,
am uma relação paradoxal com a escola. Ao mesmo tempo em que reco-
2007; Krawczyk, 2009 apud Dayrell, 2009).
nhecem seu papel fundamental no que se refere à empregabilidade, não
Dentre os fatores relevantes a se considerar está a relação entre juven-
conseguem atribuir-lhe um sentido imediato (Sposito, 2005).
tude, escola e trabalho. Ainda que não se parta, a priori, de que haja uma
Vivem ansiosos por uma escola que lhes proporcione chances mínimas
linearidade entre permanência na escola e inserção no emprego, as rela-
de trabalho e que se relacione com suas experiências presentes.
ções entre escolarização, formação profissional e geração de independên-
Além de uma etapa marcada pela transitoriedade, outra forma recorren-
cia financeira por meio do ingresso no mundo do trabalho vêm sendo
te de representar a juventude é vê-la como um tempo de liberdade, de
tensionadas e reconfiguradas conforme sinalizam estudos acerca do em-
experimentação e irresponsabilidade (Dayrell, 2003). Essas duas maneiras
prego e do desemprego juvenil.
de representar a juventude – como um “vir a ser” e como um tempo de
O Brasil vive hoje um novo ciclo de desenvolvimento calcado na distri-
liberdade – mostram-se distantes da realidade da maioria dos jovens brasi-
buição de renda que visa à inclusão de um grande contingente de pessoas
leiros. Para esses, o trabalho não se situa no futuro, já fazendo parte de
no mercado consumidor.
suas preocupações presentes. Uma pesquisa realizada com jovens de
A sustentação desse ciclo e o estabelecimento de novos patamares de
várias regiões brasileiras, moradores de zonas urbanas de cidades peque-
desenvolvimento requerem um aporte de trabalhadores qualificados em
nas e capitais, bem como da zona rural, constatou que 60% dos entrevista-
todos os níveis, o que implica na reestruturação da escola com vistas à
dos frequentavam escolas. Contudo, 75% deles já estavam inseridos ou
introdução de novos conteúdos e de novas metodologias de ensino capa-
buscando inserção no mundo do trabalho (Sposito, 2005). Ou seja, o mun-
zes de promover a oferta de uma formação integral.
do do trabalho parece estar mais presente na vida desses sujeitos do que a
Os jovens, atentos aos destinos do País, percebem essas modificações e
escola.
criam novas expectativas em relação às possibilidades de inserção no mundo
Muitos jovens abandonam a escola ao conseguir emprego, alegando
do trabalho e em relação ao papel da escola nos seus projetos de vida.
falta de tempo.
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Diante do exposto, torna-se premente que as escolas, ao desenvolve- Desse modo, o enfrentamento das necessidades detectadas no ensino
rem seus projetos político-pedagógicos, se debrucem sobre questões que noturno passa, inicialmente, pelo reconhecimento da diversidade que
permitam ressignificar a instituição escolar diante de uma possível fragiliza- caracteriza a escola e o corpo discente do ensino noturno para, em segui-
ção que essa instituição venha sofrendo, quando se trata do público alvo do da, adequar seus procedimentos aos projetos definidos para a mesma.
Ensino Médio, considerando, ainda, a necessidade de acolhimento de um A própria Constituição Federal, no inciso VI do art. 208, determina, de
sujeito que possui, dentre outras, as características apontadas anteriormen- forma especial, a garantia da oferta do ensino noturno regular adequado às
te. Assim, sugerem-se questões como: Que características sócio- condições do educando. A LDB, no inciso VI do art. 4º, reitera este manda-
econômico-culturais possuem os jovens que frequentam as escolas de mento como dever do Estado.
Ensino Médio? Que representações a escola, seus professores e dirigentes Ainda a LDB, no § 2º do art. 23, prescreve que o calendário escolar de-
fazem dos estudantes? A escola conhece seus estudantes? Quais os verá adequar-se às peculiaridades locais, inclusive climáticas e econômi-
pontos de proximidade e distanciamento entre os sujeitos das escolas cas, a critério do respectivo sistema de ensino, sem com isso reduzir o
(estudantes e professores particularmente)? Quais sentidos e significados número de horas letivas previsto.
esses jovens têm atribuído à experiência escolar? Que relações se podem Considerando, portanto, a situação e as circunstâncias de vida dos es-
observar entre jovens, escola e sociabilidade? Quais experiências os jovens tudantes trabalhadores do Ensino Médio noturno, cabe indicar e possibilitar
constroem fora do espaço escolar? Como os jovens interagem com a formas de oferta e organização que sejam adequadas às condições desses
diversidade? Que representações fazem diante de situações que têm sido educandos, de modo a permitir seu efetivo acesso, permanência e sucesso
alvo de preconceito? Em que medida a cultura escolar instituída compõe nos estudos desta etapa da Educação Básica. É óbice evidente a carga
uma referência simbólica que se distancia/aproxima das expectativas dos horária diária, a qual, se igual à do curso diurno, não é adequada para o
estudantes? Que elementos da cultura juvenil são derivados da experiência estudante trabalhador, que já cumpriu longa jornada laboral. Este problema
escolar e contribuem para conferir identidade(s) ao jovem da contempora- é agravado em cidades maiores, nas quais as distâncias e os deslocamen-
neidade? Que articulações existem entre os interesses pessoais, projetos tos do local de trabalho para a escola e desta para a morada impõe acrés-
de vida e experiência escolar? Que relações se estabelecem entre esses cimo de sacrifício, levando a atraso e perda de tempos escolares. Essa
planos e as experiências vividas na escola? Em que medida os sentidos sobrecarga de horas no período noturno torna-se, sem dúvida, causa de
atribuídos à experiência escolar motivam os jovens a elaborar projetos de desestímulo e aproveitamento precário que leva a uma deficiente formação
futuro? Que expectativas são explicitadas pelos jovens diante da relação e/ou à reprovação, além da retenção por faltas além do limite legal e, no
escola e trabalho? Que aspectos precisariam mudar na escola tendo em limite, de abandono dos estudos.
vista oferecer condições de incentivo ao retorno e à permanência para os Nesse sentido, com base no preceito constitucional e da LDB, e respei-
que a abandonaram? tados os mínimos previstos de duração e carga horária total, o projeto
Viabilizar as condições para que tais questões pautem as formulações pedagógico deve atender com qualidade a singularidade destes sujeitos.
dos gestores e professores na discussão do seu cotidiano pode permitir
novas formas de organizar a proposta de trabalho da escola na definição de 4.3 Os estudantes de Educação de Jovens e Adultos (EJA)
seu projeto político-pedagógico. O inciso I do art. 208 da Constituição Federal determina que o dever do
Estado para com a educação é efetivado mediante a garantia da Educação
4.2 Os estudantes do Ensino Médio noturno
Básica obrigatória e gratuita dos 4 aos 17 anos de idade, assegurada,
O Ensino Médio noturno tem estado ausente do conjunto de medidas
inclusive, sua oferta gratuita para todos os que a ele não tiverem acesso na
acenadas para a melhoria da Educação Básica. Estas Diretrizes definem
idade própria.
que todas as escolas com Ensino Médio, independentemente do horário de
A LDB, no inciso VII do art. 4º, determina a oferta de educação escolar
funcionamento, sejam locais de incentivo, desafios, construção do conhe-
regular para jovens e adultos, com características e modalidades adequa-
cimento e transformação social.
das às suas necessidades e disponibilidades, garantindo-se, aos que forem
Para que esse objetivo seja alcançado, é necessário ter em mente as
trabalhadores, as condições de acesso e permanência na escola. O art. 37
especificidades dos estudantes que compõem a escola noturna, com suas
traduz os fundamentos da EJA, ao atribuir ao poder público a responsabili-
características próprias.
dade de estimular e viabilizar o acesso e a permanência do trabalhador na
Em primeiro lugar, cabe destacar que a maioria dos estudantes do en-
escola, mediante ações integradas e complementares entre si e mediante
sino noturno são adolescentes e jovens. Uma parte está dando continuida-
oferta de cursos gratuitos aos jovens e aos adultos, que não puderam
de aos estudos, sem interrupção, mesmo que já tenha tido alguma reprova-
efetuar os estudos na idade regular, proporcionando-lhes oportunidades
ção. Outra parte, no entanto, está retornando aos estudos depois de haver
educacionais apropriadas, consideradas as características do alunado,
interrompido em determinado momento.
seus interesses, condições de vida e de trabalho, mediante cursos e exa-
Levantamentos específicos mostram que os estudantes do ensino no-
mes. Esta responsabilidade deve ser prevista pelos sistemas educativos e
turno diferenciam-se dos estudantes do ensino diurno, pois estes últimos
por eles deve ser assumida, no âmbito da atuação de cada sistema, obser-
têm o estudo como principal atividade/interesse, enquanto os do noturno
vado o regime de colaboração e da ação redistributiva, definidos legalmen-
são, na sua maioria, trabalhadores antes de serem estudantes. Do ponto de
te.
vista das expectativas destes estudantes, uns objetivam prosseguir os
As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação e Jovens e Adul-
estudos ingressando no ensino superior, enquanto outros pretendem man-
tos estão expressas na Resolução CNE/CEB nº 1/2000, fundamentada no
ter ou retomar sua dedicação ao trabalho.
Parecer CNE/CEB nº 11/2000, sendo que o Parecer CNE/CEB nº 6/2010 e
O fato de muitos terem retornado aos estudos depois de tê-los aban-
a Resolução CNE/CEB nº 3/2010 instituem Diretrizes Operacionais para a
donado, é um atestado de que acreditam no valor da escolarização como
Educação de Jovens e Adultos (EJA) nos aspectos relativos à duração dos
uma forma de buscar melhores dias e um futuro melhor. Em geral são
cursos e idade mínima para ingresso nos cursos de EJA; idade mínima e
estudantes que, não tendo condição econômica favorável, não têm acesso
certificação nos exames de EJA; e Educação de Jovens e Adultos desen-
aos bens culturais e, como tal, esperam que a escola cumpra o papel de
volvida por meio da Educação a Distancia. Indicam, igualmente, que man-
supridora dessas condições. Não raras vezes, a escola noturna é vista por
tém os princípios, objetivos e diretrizes formulados no Parecer CNE/CEB nº
esses estudantes trabalhadores como um locus privilegiado de socializa-
11/2000.
ção.
Sendo os jovens e adultos que estudam na EJA, no geral trabalhado-
Os que estudam e trabalham, em geral, enfrentam dificuldades para
res, cabem as considerações anteriores sobre os estudantes do Ensino
conciliar as duas tarefas. Todos têm consciência de que as escolas notur-
Médio noturno, uma vez que esta modalidade é, majoritariamente, oferecida
nas convivem com maiores dificuldades do que as do período diurno e isso
nesse período. Assim, deve especificar uma organização curricular e meto-
é um fator de desestímulo.
dológica que pode incluir ampliação da duração do curso, com redução da
Segundo Arroyo (1986, in Togni e Carvalho, 2008), ao tratar do “aluno
carga horária diária e da anual, garantindo o mínimo total de 1.200 horas.
(estudante)-trabalhador”, estamos nos referindo a um trabalhador que
A aproximação entre a EJA – Ensino Médio – e a Educação Profissio-
estuda, ou seja, jovens que, antes de serem estudantes, são trabalhadores
nal, materializa-se, sobretudo, no Programa Nacional de Integração da
e que “dessa diferenciação, não deveria decorrer qualquer interpretação
Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Educa-
que indique uma valorização diferente, por parte dos estudantes, da escola-
ção de Jovens e Adultos (PROEJA), instituído pelo Decreto nº 5.840/2006.
rização, mas sim, especificidades nas relações estabelecidas na escola”
A proposta pedagógica do PROEJA alia direitos fundamentais de jovens e
(Oliveira e Sousa, 2008).
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adultos, educação e trabalho. É também fundamentada no conceito de O Ensino Médio de pessoas com deficiência, transtornos globais do
educação continuada, na valorização das experiências do indivíduo e na desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação3 segue, pois, os
formação de qualidade pressuposta nos marcos da educação integral. princípios e orientações expressos nos atos normativos da Educação
Especial, o que implica assegurar igualdade de condições para o acesso e
4.4 Os estudantes indígenas, do campo e quilombolas permanência na escola e o atendimento educacional especializado na rede
O Ensino Médio, assim como as demais etapas da Educação Básica, regular de ensino.
assumem diferentes modalidades quando destinadas a contingentes da Conforme expresso no texto da Convenção sobre os Direitos das Pes-
população com características diversificadas, como é, principalmente, o soas com Deficiência e de seu Protocolo Facultativo4, “a deficiência é um
caso dos povos indígenas, do campo e quilombolas. conceito em evolução”, resultante “da interação entre pessoas com defici-
O art. 78 da LDB se detém na oferta da Educação Escolar Indígena. Da ência e as barreiras devidas às atitudes e ao ambiente que impedem a
confluência dos princípios e direitos desta educação, traduzidos no respeito plena e efetiva participação dessas pessoas na sociedade em igualdade de
à sociodiversidade; na interculturalidade; no direito de uso de suas línguas oportunidades com as demais pessoas”. Considerando o “respeito pela
maternas e de processos próprios de aprendizagem, na articulação entre os dignidade inerente, a autonomia individual, inclusive a liberdade de fazer as
saberes indígenas e os conhecimentos técnico-científicos com os princípios próprias escolhas” e o entendimento da diversidade dos educandos com
da formação integral, visando à atuação cidadã no mundo do trabalho, da necessidades educacionais especiais, as instituições de ensino não podem
sustentabilidade socioambiental e do respeito à diversidade dos sujeitos, restringir o acesso ao Ensino Médio por motivo de deficiência. Tal discrimi-
surge a possibilidade de uma educação indígena que possa contribuir para nação “configura violação da dignidade e do valor inerentes ao ser huma-
a reflexão e construção de alternativas de gerenciamento autônomo de no”.
seus territórios, de sustentação econômica, de segurança alimentar, de Cabe assim às instituições de ensino garantir a transversalidade das
saúde, de atendimento às necessidades cotidianas, entre outros. Esta ações da Educação Especial no Ensino Médio, assim como promover a
modalidade tem Diretrizes próprias instituídas pela Resolução CNE/CEB nº quebra de barreiras físicas, de comunicação e de informação que possam
3/99, que fixou Diretrizes Nacionais para o Funcionamento das Escolas restringir a participação e a aprendizagem dos educandos.
Indígenas, com base no Parecer CNE/CEB nº 14/99, A escola desta moda- Nesse sentido, faz-se necessário organizar processos de avaliação
lidade tem uma realidade singular, inscrita na territorialidade, em processos adequados às singularidades dos educandos, incluindo as possibilidades
de afirmação de identidades étnicas, produção e (re)significação de cren- de dilatamento de prazo para conclusão da formação e complementação do
ças, línguas e tradições culturais. Em função de suas especificidades atendimento.
requer normas e ordenamentos jurídicos próprios em respeito aos diferen- Para o atendimento desses objetivos, devem as escolas definir formas
tes povos, como afirmado no Parecer CNE/CEB nº 14/99: “Na estruturação inclusivas de atendimento de seus estudantes, devendo os sistemas de
e no funcionamento das escolas indígenas é reconhecida sua condição de ensino dar o necessário apoio para a implantação de salas de recursos
escolas com normas e ordenamento jurídico próprios, com ensino intercul- multifuncionais; a formação continuada de professores para o atendimento
tural e bilíngue, visando à valorização plena das culturas dos povos indíge- educacional especializado e a formação de gestores, educadores e demais
nas e a afirmação e manutenção de sua diversidade étnica”. profissionais da escola para a educação inclusiva; a adequação arquitetôni-
A escola indígena, portanto, visando cumprir sua especificidade, alicer- ca de prédios escolares e a elaboração, produção e distribuição de recur-
çada em princípios comunitários, bilíngues e/ou multilíngues e interculturais, sos educacionais para a acessibilidade, bem como a estruturação de nú-
requer formação específica de seu quadro docente, observados os princí- cleos de acessibilidade com vistas à implementação e à integração das
pios constitucionais, a base nacional comum e os princípios que orientam a diferentes ações institucionais de inclusão de forma a prover condições
Educação Básica brasileira (artigos 5º, 9º, 10, 11, e inciso VIII do art. 4º da para o desenvolvimento acadêmico dos educandos, propiciando sua plena
LDB), como destacado no Parecer CNE/CEB nº 7/2010, de Diretrizes e efetiva participação e inclusão na sociedade.
Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica.
A educação ofertada à população rural no Brasil tem sido objeto de es- 5. Pressupostos e fundamentos para um Ensino Médio de qualidade
tudos e de reivindicações de organizações sociais há muito tempo. O art. social
28 da LDB estabelece o direito dos povos do campo a uma oferta de ensino 5.1 Trabalho, ciência, tecnologia e cultura: dimensões da formação
adequada à sua diversidade sociocultural. É, pois, a partir dos parâmetros humana
político-pedagógicos próprios que se busca refletir sobre a Educação do O trabalho é conceituado, na sua perspectiva ontológica de transfor-
Campo. As Diretrizes Operacionais para a Educação Básica nas Escolas do mação da natureza, como realização inerente ao ser humano e como
Campo estão orientadas pelo Parecer CNE/CEB nº 36/2001, pela Resolu- mediação no processo de produção da sua existência. Essa dimensão do
ção CNE/CEB nº 1/2002, pelo Parecer CNE/CEB nº 3/2008 e pela Resolu- trabalho é, assim, o ponto de partida para a produção de conhecimentos e
ção CNE/CEB nº 2/2008. de cultura pelos grupos sociais.
Esta modalidade da Educação Básica e, portanto, do Ensino Médio, es- O caráter teleológico da intervenção humana sobre o meio material, is-
tá prevista no art. 28 da LDB, definindo, para atendimento da população do to é, a capacidade de ter consciência de suas necessidades e de projetar
campo, adaptações necessárias às peculiaridades da vida rural e de cada meios para satisfazê-las, diferencia o ser humano dos outros animais, uma
região, com orientações referentes a conteúdos curriculares e metodologias vez que estes não distinguem a sua atividade vital de si mesmos, enquanto
apropriadas às reais necessidades e interesses dos estudantes da zona o homem faz da sua atividade vital um objeto de sua vontade e consciência.
rural; organização escolar própria, incluindo adequação do calendário Os animais podem reproduzir, mas o fazem somente para si mesmos; o
escolar as fases do ciclo agrícola e as condições climáticas; e adequação à homem reproduz toda a natureza, porém de modo transformador, o que
natureza do trabalho na zona rural. As propostas pedagógicas das escolas tanto lhe atesta quanto lhe confere liberdade e universalidade. Desta forma,
do campo com oferta de Ensino Médio devem, portanto, ter flexibilidade produz conhecimentos que, sistematizados sob o crivo social e por um
para contemplar a diversidade do meio, em seus múltiplos aspectos, obser- processo histórico, constitui a ciência.
vados os princípios constitucionais, a base nacional comum e os princípios Nesses termos, compreende-se o conhecimento como uma produção
que orientam a Educação Básica brasileira. do pensamento pela qual se apreende e se representam as relações que
Especificidades próprias, similarmente, tem a educação destinada aos constituem e estruturam a realidade.
quilombolas, desenvolvida em unidades educacionais inscritas em suas Apreender e determinar essas relações exige um método, que parte do
terras e cultura, requerendo pedagogia própria em respeito à especificidade concreto empírico – forma como a realidade se manifesta – e, mediante
étnico-cultural de cada comunidade e formação específica de seu quadro uma determinação mais precisa através da análise, chega a relações gerais
docente. A Câmara de Educação Básica do CNE instituiu Comissão para a que são determinantes do fenômeno estudado. A compreensão do real
elaboração de Diretrizes Curriculares específicas para esta modalidade como totalidade exige que se conheçam as partes e as relações entre elas,
(Portaria CNE/CEB nº 5/2010). o que nos leva a constituir seções tematizadas da realidade. Quando essas
relações são “arrancadas” de seu contexto originário e ordenadas, tem-se a
4.5 Os estudantes da Educação Especial teoria. A teoria, então, é o real elevado ao plano do pensamento. Sendo
Como modalidade transversal a todos os níveis, etapas e modalidades assim, qualquer fenômeno que sempre existiu como força natural só se
de ensino a Educação Especial deve estar prevista no projeto político- constitui em conhecimento quando o ser humano dela se apropria tornan-
pedagógico da instituição de ensino. do-a força produtiva para si. Por exemplo, a descarga elétrica, os raios, a

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eletricidade estática como fenômenos naturais sempre existiram, mas não transformá-la. Equivale a dizer, ainda, que é sujeito de sua história e de sua
são conhecimentos enquanto o ser humano não se apropria desses fenô- realidade. Em síntese, o trabalho é a primeira mediação entre o homem e a
menos conceitualmente, formulando teorias que potencializam o avanço realidade material e social.
das forças produtivas. O trabalho também se constitui como prática econômica porque garan-
A ciência, portanto, que pode ser conceituada como conjunto de co- te a existência, produzindo riquezas e satisfazendo necessidades. Na base
nhecimentos sistematizados, produzidos socialmente ao longo da história, da construção de um projeto de formação está a compreensão do trabalho
na busca da compreensão e transformação da natureza e da sociedade, se no seu duplo sentido – ontológico e histórico.
expressa na forma de conceitos representativos das relações de forças Pelo primeiro sentido, o trabalho é princípio educativo à medida que
determinadas e apreendidas da realidade. O conhecimento de uma seção proporciona a compreensão do processo histórico de produção científica e
da realidade concreta ou a realidade concreta tematizada constitui os tecnológica, como conhecimentos desenvolvidos e apropriados socialmente
campos da ciência, que são as disciplinas científicas. Conhecimentos assim para a transformação das condições naturais da vida e a ampliação das
produzidos e legitimados socialmente ao longo da história são resultados capacidades, das potencialidades e dos sentidos humanos. O trabalho, no
de um processo empreendido pela humanidade na busca da compreensão sentido ontológico, é princípio e organiza a base unitária do Ensino Médio.
e transformação dos fenômenos naturais e sociais. Nesse sentido, a ciência Pelo segundo sentido, o trabalho é princípio educativo na medida em
conforma conceitos e métodos cuja objetividade permite a transmissão para que coloca exigências específicas para o processo educacional, visando à
diferentes gerações, ao mesmo tempo em que podem ser questionados e participação direta dos membros da sociedade no trabalho socialmente
superados historicamente, no movimento permanente de construção de produtivo. Com este sentido, conquanto também organize a base unitária,
novos conhecimentos. fundamenta e justifica a formação específica para o exercício de profissões,
A extensão das capacidades humanas, mediante a apropriação de co- estas entendidas como forma contratual socialmente reconhecida, do
nhecimentos como força produtiva, sintetiza o conceito de tecnologia aqui processo de compra e venda da força de trabalho. Como razão da forma-
expresso. Pode ser conceituada como transformação da ciência em força ção específica, o trabalho aqui se configura também como contexto.
produtiva ou mediação do conhecimento científico e a produção, marcada Do ponto de vista organizacional, essa relação deve integrar em um
desde sua origem pelas relações sociais que a levaram a ser produzida. O mesmo currículo a formação plena do educando, possibilitando construções
desenvolvimento da tecnologia visa à satisfação de necessidades que a intelectuais mais complexas; a apropriação de conceitos necessários para a
humanidade se coloca, o que nos leva a perceber que a tecnologia é uma intervenção consciente na realidade e a compreensão do processo histórico
extensão das capacidades humanas. A partir do nascimento da ciência de construção do conhecimento.
moderna, pode-se definir a tecnologia, então, como mediação entre conhe-
cimento científico (apreensão e desvelamento do real) e produção (inter- 5.3 Pesquisa como princípio pedagógico
venção no real). A produção acelerada de conhecimentos, característica deste novo sé-
Entende-se cultura como o resultado do esforço coletivo tendo em vista culo, traz para as escolas o desafio de fazer com que esses novos conhe-
conservar a vida humana e consolidar uma organização produtiva da socie- cimentos sejam socializados de modo a promover a elevação do nível geral
dade, do qual resulta a produção de expressões materiais, símbolos, repre- de educação da população. O impacto das novas tecnologias sobre as
sentações e significados que correspondem a valores éticos e estéticos que escolas afeta tanto os meios a serem utilizados nas instituições educativas,
orientam as normas de conduta de uma sociedade. quanto os elementos do processo educativo, tais como a valorização da
Por essa perspectiva, a cultura deve ser compreendida no seu sentido ideia da instituição escolar como centro do conhecimento; a transformação
mais ampliado possível, ou seja, como a articulação entre o conjunto de das infraestruturas; a modificação dos papeis do professor e do aluno; a
representações e comportamentos e o processo dinâmico de socialização, influência sobre os modelos de organização e gestão; o surgimento de
constituindo o modo de vida de uma população determinada. novas figuras e instituições no contexto educativo; e a influência sobre
Uma formação integral, portanto, não somente possibilita o acesso a metodologias, estratégias e instrumentos de avaliação.
conhecimentos científicos, mas também promove a reflexão crítica sobre os O aumento exponencial da geração de conhecimentos tem, também,
padrões culturais que se constituem normas de conduta de um grupo como consequência que a instituição escolar deixa de ser o único centro de
social, assim como a apropriação de referências e tendências que se geração de informações.
manifestam em tempos e espaços históricos, os quais expressam concep- A ela se juntam outras instituições, movimentos e ações culturais, pú-
ções, problemas, crises e potenciais de uma sociedade, que se vê traduzi- blicas e privadas, além da importância que vão adquirindo na sociedade os
da e/ou questionada nas suas manifestações. meios de comunicação como criadores e portadores de informação e de
Assim, evidencia-se a unicidade entre as dimensões científico- conteúdos desenvolvidos fora do âmbito escolar.
tecnológico-cultural, a partir da compreensão do trabalho em seu sentido Apesar da importância que ganham esses novos mecanismos de aqui-
ontológico. sição de informações, é importante destacar que informação não pode ser
O princípio da unidade entre pensamento e ação é correlato à busca in- confundida com conhecimento. O fato dessas novas tecnologias se aproxi-
tencional da convergência entre teoria e prática na ação humana. A relação marem da escola, onde os alunos, às vezes, chegam com muitas informa-
entre teoria e prática se impõe, assim, não apenas como princípio metodo- ções, reforça o papel dos professores no tocante às formas de sistematiza-
lógico inerente ao ato de planejar as ações, mas, fundamentalmente, como ção dos conteúdos e de estabelecimento de valores.
princípio epistemológico, isto é, princípio orientador do modo como se Uma consequência imediata da sociedade de informação é que a so-
compreende a ação humana de conhecer uma determinada realidade e brevivência nesse ambiente requer o aprendizado contínuo ao longo de
intervir sobre ela no sentido de transformá-la. toda a vida. Esse novo modo de ser requer que o aluno, para além de
A unidade entre pensamento e ação está na base da capacidade hu- adquirir determinadas informações e desenvolver habilidades para realizar
mana de produzir sua existência. É na atividade orientada pela mediação certas tarefas, deve aprender a aprender, para continuar aprendendo.
entre pensamento e ação que se produzem as mais diversas práticas que Essas novas exigências requerem um novo comportamento dos pro-
compõem a produção de nossa vida material e imaterial: o trabalho, a fessores que devem deixar de ser transmissores de conhecimentos para
ciência, a tecnologia e a cultura. serem mediadores, facilitadores da aquisição de conhecimentos; devem
Por essa razão trabalho, ciência, tecnologia e cultura são instituídos estimular a realização de pesquisas, a produção de conhecimentos e o
como base da proposta e do desenvolvimento curricular no Ensino Médio trabalho em grupo. Essa transformação necessária pode ser traduzida pela
de modo a inserir o contexto escolar no diálogo permanente com a neces- adoção da pesquisa como princípio pedagógico.
sidade de compreensão de que estes campos não se produzem indepen- É necessário que a pesquisa como princípio pedagógico esteja presen-
dentemente da sociedade, e possuem a marca da sua condição histórico- te em toda a educação escolar dos que vivem/viverão do próprio trabalho.
cultural. Ela instiga o estudante no sentido da curiosidade em direção ao mundo que
o cerca, gera inquietude, possibilitando que o estudante possa ser protago-
5.2 Trabalho como princípio educativo
nista na busca de informações e de saberes, quer sejam do senso comum,
A concepção do trabalho como princípio educativo é a base para a or-
escolares ou científicos.
ganização e desenvolvimento curricular em seus objetivos, conteúdos e
Essa atitude de inquietação diante da realidade potencializada pela
métodos.
pesquisa, quando despertada no Ensino Médio, contribui para que o sujeito
Considerar o trabalho como princípio educativo equivale a dizer que o
possa, individual e coletivamente, formular questões de investigação e
ser humano é produtor de sua realidade e, por isto, dela se apropria e pode
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buscar respostas em um processo autônomo de (re)construção de conhe- à diversidade de nacionalidade, etnia, gênero, classe social, cultura, crença
cimentos. Nesse sentido, a relevância não está no fornecimento pelo do- religiosa, orientação sexual e opção política, ou qualquer outra diferença,
cente de informações, as quais, na atualidade, são encontradas, no mais combatendo e eliminando toda forma de discriminação.
das vezes e de forma ampla e diversificada, fora das aulas e, mesmo, da Os direitos humanos, como princípio que norteia o desenvolvimento de
escola. O relevante é o desenvolvimento da capacidade de pesquisa, para competências, com conhecimentos e atitudes de afirmação dos sujeitos de
que os estudantes busquem e (re)construam conhecimentos. direitos e de respeito aos demais, desenvolvem a capacidade de ações e
A pesquisa escolar, motivada e orientada pelos professores, implica na reflexões próprias para a promoção e proteção da universalidade, da indivi-
identificação de uma dúvida ou problema, na seleção de informações de sibilidade e da interdependência dos direitos e da reparação de todas as
fontes confiáveis, na interpretação e elaboração dessas informações e na suas violações.
organização e relato sobre o conhecimento adquirido. Em um contexto democrático, nos diversos níveis, etapas e modalida-
Muito além do conhecimento e da utilização de equipamentos e materi- des, é imprescindível propiciar espaços educativos em que a cultura de
ais, a prática de pesquisa propicia o desenvolvimento da atitude científica, o direitos humanos perpasse todas as práticas desenvolvidas no ambiente
que significa contribuir, entre outros aspectos, para o desenvolvimento de escolar, tais como o currículo, a formação inicial e continuada dos profissio-
condições de, ao longo da vida, interpretar, analisar, criticar, refletir, rejeitar nais da educação, o projeto político-pedagógico, os materiais didático-
ideias fechadas, aprender, buscar soluções e propor alternativas, potencia- pedagógicos, o modelo de gestão, e a avaliação, conforme indica o Plano
lizadas pela investigação e pela responsabilidade ética assumida diante das Nacional de Educação em Direitos Humanos (PNEDH). É nesse sentido
questões políticas, sociais, culturais e econômicas. que a implementação deste Plano é prescrita pelo Programa Nacional de
A pesquisa, associada ao desenvolvimento de projetos contextualiza- Direitos Humanos (PNDH 3), instituído pelo Decreto nº 7.037/2009.
dos e interdisciplinares/articuladores de saberes, ganha maior significado Para isso, a escola tem um papel fundamental, devendo a Educação
para os estudantes. Se a pesquisa e os projetos objetivarem, também, em direitos humanos ser norteadora da Educação Básica e, portanto, do
conhecimentos para atuação na comunidade, terão maior relevância, além Ensino Médio.
de seu forte sentido ético-social.
É fundamental que a pesquisa esteja orientada por esse sentido ético, 5.5 Sustentabilidade ambiental como meta universal
de modo a potencializar uma concepção de investigação científica que O compromisso com a qualidade da educação no século XXI, em mo-
motiva e orienta projetos de ação visando à melhoria da coletividade e ao mento marcado pela ocorrência de diversos desastres ambientais, amplia a
bem comum. necessidade dos educadores de compreender a complexa multicausalidade
A pesquisa, como princípio pedagógico, pode, assim, propiciar a parti- da crise ambiental contemporânea e de contribuir para a prevenção de seus
cipação do estudante tanto na prática pedagógica quanto colaborar para o efeitos deletérios e para o enfrentamento das mudanças socioambientais
relacionamento entre a escola e a comunidade. globais. Esta necessidade e decorrentes preocupações são universais.
Tais questões despertam o interesse das juventudes de todos os meios
5.4 Direitos humanos como princípio norteador sociais, culturais, étnicos e econômicos, pois apontam para uma cidadania
As escolas, assim como outras instituições sociais, têm um papel fun- responsável com a construção de um presente e um futuro sustentáveis,
damental a desempenhar na garantia do respeito aos direitos humanos. sadios e socialmente justos. No Ensino Médio há, portanto, condições para
Este respeito constitui irrevogável princípio nacional, pois nossa Consti- se criar uma educação cidadã, responsável, crítica e participativa, que
tuição, já no seu preâmbulo, declara a instituição de um Estado Democráti- possibilita a tomada de decisões transformadoras a partir do meio ambiente
co, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a no qual as pessoas se inserem, em um processo educacional que supera a
liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a dissociação sociedade/natureza.
justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem No contexto internacional é significativa a atuação da Organização das
preconceitos. Entre os princípios fundamentais do país, consagra o funda- Nações Unidas (ONU), da qual o Brasil é protagonista destacado. Ressalta-
mento da dignidade da pessoa humana; os objetivos de construir uma se, nesse âmbito, o Tratado de Educação Ambiental para Sociedades
sociedade livre, justa e solidária, de garantir o desenvolvimento nacional, de Sustentáveis e Responsabilidade Global, 1992, elaborado na Conferência
erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92).
regionais, e de promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, Esse documento enfatiza a Educação Ambiental como instrumento de
etnia, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação; além de transformação social e política, comprometido com a mudança social,
consagrar o princípio da prevalência dos direitos humanos nas suas rela- rompendo com o modelo desenvolvimentista e inaugurando o paradigma de
ções internacionais. A Constituição estabelece, ainda, os direitos e garanti- sociedades sustentáveis.
as fundamentais, afirmando, discriminadamente, os direitos e deveres Na Cúpula do Milênio, promovida em setembro de 2000 pela ONU, 189
individuais e coletivos. países, incluindo o Brasil, estabeleceram os Objetivos de Desenvolvimento
Após sua promulgação em 1988, novos textos legais, documentos, do Milênio (ODM), com o compromisso de colocar em prática ações para
programas e projetos vêm materializando a defesa e promoção dos direitos que sejam alcançados até 2015. Um dos objetivos é o de Qualidade de
humanos. São exemplos os Programas Nacional5, Estaduais e Municipais Vida e Respeito ao Meio Ambiente, visando inserir os princípios do desen-
de Direitos Humanos, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o volvimento sustentável nas políticas e nos programas nacionais, e reverter
Estatuto do Idoso, a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pesso- a perda de recursos ambientais.
as com Deficiência (que tem status constitucional), as leis de combate à A mesma ONU instituiu o período de 2005 a 2014 como a Década da
discriminação racial e à tortura, bem como as recomendações das Confe- Educação para o Desenvolvimento Sustentável, indicando uma nova identi-
rências Nacionais de Direitos Humanos. Estas iniciativas e medidas são dade para a Educação, como condição indispensável para a sustentabilida-
fundamentadas em vários instrumentos internacionais dos quais o Brasil é de, promovendo o cuidado com a comunidade de vida, a integridade dos
signatário, sob a inspiração da Declaração Universal de Direitos Humanos, ecossistemas, a justiça econômica, a equidade social e de gênero, o diálo-
de 1948. go para a convivência e a paz.
Compreender a relação indissociável entre democracia e respeito aos Estas preocupações universais têm crescente repercussão no Brasil,
direitos humanos implica no compromisso do Estado brasileiro, no campo que, institucionalmente, possui um Ministério específico no Governo Fede-
cultural e educacional, de promover seu aprendizado em todos os níveis e ral, secundado por Secretarias e órgãos nos Estados e em Municípios.
modalidades de ensino. Os direitos humanos na educação encontram-se No contexto nacional, a Educação Ambiental está amparada pela
presentes como princípio internacional, não só nas Resoluções da ONU Constituição Federal e pela Lei nº 9.795/99, que dispõe sobre a Educação
acerca da Década da Educação em direitos humanos, como no Programa Ambiental e institui a Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA),
Mundial de Educação em Direitos Humanos. Conclama-se a responsabili- bem como pela legislação dos demais entes federativos. A PNEA entende
dade coletiva de todos os países a dar centralidade à Educação em direitos por esta educação os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletivi-
humanos na legislação geral e específica, na estrutura da política e planos dade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e
educacionais, e nas diretrizes e programas de educação. competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso
Educar para os direitos humanos, como parte do direito à educação, comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilida-
significa fomentar processos que contribuam para a construção da cidada- de”. Entre os objetivos fundamentais da Educação Ambiental, estão o
nia, do conhecimento dos direitos fundamentais, do respeito à pluralidade e desenvolvimento de uma compreensão integrada do meio ambiente em

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suas múltiplas e complexas relações, e o incentivo à participação individual organização, inclusive a formação técnica, com o intuito de tratar diferente-
e coletiva, permanente e responsável, na preservação do equilíbrio do meio mente os desiguais, conforme seus interesses e necessidades, para que
ambiente, entendendo-se a defesa da qualidade ambiental como um valor possam ser iguais do ponto de vista dos direitos.
inseparável do exercício da cidadania. E preceitua que ela é componente Desse modo, dentre os grandes desafios do Ensino Médio, está o de
essencial e permanente da educação nacional, devendo estar presente, de organizar formas de enfrentar a diferença de qualidade reinante nos diver-
forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, sos sistemas educacionais, garantindo uma escola de qualidade para
seja formal ou não formal. Na educação formal e, portanto, também no todos. Além disso, também é desafio indicar alternativas de organização
Ensino Médio, deve ser desenvolvida como uma prática educativa integra- curricular que, com flexibilidade, deem conta do atendimento das diversida-
da, contínua e permanente sem que constitua componente curricular espe- des dos sujeitos.
cífico. 6.1 Função do Ensino Médio no marco legal
A Lei nº 9.394/96 (LDB), define que a educação escolar brasileira está
6. Desafios do Ensino Médio constituída em dois níveis: Educação Básica (formada pela Educação
É preciso reconhecer que a escola se constitui no principal espaço de Infantil, o Ensino Fundamental e o Ensino Médio) e Educação Superior. A
acesso ao conhecimento sistematizado, tal como ele foi produzido pela Educação Básica tem por finalidade desenvolver o educando, assegurar-lhe
humanidade ao longo dos anos. Assegurar essa possibilidade, garantindo a a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-
oferta de educação de qualidade para toda a população, é crucial para que lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores.
a possibilidade da transformação social seja concretizada. Neste sentido, a Cury considera o conceito de Educação Básica definido na LDB um
educação escolar, embora não tenha autonomia para, por si mesma, mudar conceito novo e esclarece:
a sociedade, é importante estratégia de transformação, uma vez que a A Educação Básica é um conceito mais do que inovador para um país
inclusão na sociedade contemporânea não se dá sem o domínio de deter- que por séculos, negou, de modo elitista e seletivo, a seus cidadãos o
minados conhecimentos que devem ser assegurados a todos. direito ao conhecimento pela ação sistemática da organização escolar.
Com a perspectiva de um imenso contingente de adolescentes, jovens Resulta daí que a Educação Infantil é a base da Educação Básica, o
e adultos que se diferenciam por condições de existência e perspectivas de Ensino Fundamental é o seu tronco e o Ensino Médio é seu acabamento, e
futuro desiguais, é que o Ensino Médio deve trabalhar. Está em jogo a é de uma visão do todo como base que se pode ter uma visão consequente
recriação da escola que, embora não possa por si só resolver as desigual- das partes.
dades sociais, pode ampliar as condições de inclusão social, ao possibilitar A Educação Básica torna-se, dentro do art. 4º da LDB, um direito do ci-
o acesso à ciência, à tecnologia, à cultura e ao trabalho. O desenvolvimento dadão à educação e um dever do Estado em atendê-lo mediante oferta
científico e tecnológico acelerado impõe à escola um novo posicionamento qualificada. E tal o é por ser indispensável, como direito social, a participa-
de vivência e convivência com os conhecimentos capaz de acompanhar ção ativa e crítica do sujeito, dos grupos a que ele pertença, na definição de
sua produção acelerada. A apropriação de conhecimentos científicos se uma sociedade justa e democrática. (CURY, 2007, 171-2)
efetiva por práticas experimentais, com contextualização que relacione os A LDB 7 estabelece, portanto, que o Ensino Médio é etapa que comple-
conhecimentos com a vida, em oposição a metodologias pouco ou nada ta a Educação Básica (art. 35), definindo-a como a conclusão de um perío-
ativas e sem significado para os estudantes. Estas metodologias estabele- do de escolarização de caráter geral. Trata-se de reconhecê-lo como parte
cem relação expositiva e transmissivista que não coloca os estudantes em de um nível de escolarização que tem por finalidade o desenvolvimento do
situação de vida real, de fazer, de elaborar. Por outro lado, tecnologias da indivíduo, assegurando-lhe a formação comum indispensável para o exercí-
informação e comunicação modificaram e continuam modificando o com- cio da cidadania, fornecendo-lhe os meios para progredir no trabalho e em
portamento das pessoas e essas mudanças devem ser incorporadas e estudos posteriores (art. 22). Segundo Saviani, a educação integral do
processadas pela escola para evitar uma nova forma de exclusão, a digital. homem, a qual deve cobrir todo o período da Educação Básica que vai do
De acordo com Silva (2005), privilegiar a dimensão cognitiva não pode nascimento, com as creches, passa pela Educação Infantil, o Ensino Fun-
secundarizar outras dimensões da formação, como, por exemplo, as di- damental e se completa com a conclusão do Ensino Médio por volta dos
mensões física, social e afetiva. Des- dezessete anos, é uma educação de caráter desinteressado que, além do
se modo, pensar uma educação escolar capaz de realizar a educação conhecimento da natureza e da cultura envolve as formas estéticas, a
em sua plenitude, implica em refletir sobre as práticas pedagógicas já apreciação das coisas e das pessoas pelo que elas são em si mesmas,
consolidadas e problematizá-las no sentido de produzir a incorporação das sem outro objetivo senão o de relacionar-se com elas. (Saviani, 2000).
múltiplas dimensões de realização do humano como uma das grandes Ainda, segundo Cury, do ponto de vista legal, o Ensino Médio não é
finalidades da escolarização básica. nem porta para a Educação Superior e nem chave para o mercado de
Como fundamento dessa necessidade podemos recorrer, por exemplo, trabalho, embora seja requisito tanto para a graduação superior quanto
a um dos grandes pensadores dos processos cognitivos, Henry Wallon, e para a profissionalização técnica.
apreender, a partir dele, essa natureza multidimensional implicada nas No contexto desta temática, consideram-se, na LDB, os artigos 2º e 35.
relações de ensinar e aprender. Segundo Wallon (apud Silva, 2005), para Um explicita os deveres, os princípios e os fins da educação brasileira; o
que a aprendizagem ocorra, um conjunto de condições necessita estar outro trata das finalidades do Ensino Médio. Diz o art. 2º:
satisfeito: a emoção, a imitação, a motricidade e o socius, isto é, a condição A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de
da interação social. Esses quatro elementos, marcados por uma estreita liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno
interdependência, geram a possibilidade de que cada um de nós possa se desenvolvimento do educando, seu preparo para a cidadania e sua qualifi-
apropriar dos elementos culturais, objeto de nossa formação. Na ausência cação para o trabalho.
de qualquer um deles, esse processo ocorre de forma limitada. Este artigo possibilita-nos afirmar que a finalidade da educação é de
Do mesmo modo, assim como a dimensão emocional-afetiva foi, histo- tríplice natureza:
ricamente, tratada de modo periférico, a dimensão físico-corpórea também I – o pleno desenvolvimento do educando deve ser voltado para uma
não tem merecido a atenção necessária. Aceita, geralmente, como atributo concepção teórico-educacional que leve em conta as dimensões: intelectu-
de um terreno específico – o da Educação Física Escolar – raramente se al, afetiva, física, ética, estética, política, social e profissional;
têm disseminadas compreensões mais abrangentes que nos permitam 7 Leis que alteraram a LDB, no que se relaciona direta ou indiretamen-
entender que o crescimento intelectual e afetivo não se realizam sem um te com o Ensino Médio, e cujas alterações estão em vigor atualmente:
corpo, e que, enquanto uma das dimensões do humano, tem sua concep- -Lei nº 12.061/2009: alterou o inciso II do art. 4º e o inciso VI do art. 10
ção demarcada histórico-culturalmente. Desse modo, ao educador é im- da LDB, para assegurar o acesso de todos os interessados ao Ensino
prescindível tomar o educando nas suas múltiplas dimensões – intelectual, Médio público.
social, física e emocional – e situá-las no âmbito do contexto sócio-cultural -Lei nº 12.020/2009: alterou a redação do inciso II do art. 20, que define
em que educador e educando estão inseridos. instituições de ensino comunitárias.
Tomar o educando em suas múltiplas dimensões tem como finalidade -Lei nº 12.014/2009: alterou o art. 61 para discriminar as categorias de
realizar uma educação que o conduza à autonomia, intelectual e moral. trabalhadores que se devem considerar profissionais da Educação Básica.
Para o Ensino Médio, reconhecidos seu caráter de integrante da Edu- -Lei nº 12.013/2009: alterou o art. 12, determinando às instituições de
cação Básica e seu necessário asseguramento de oferta para todos, a ensino obrigatoriedade no envio de informações escolares aos pais, convi-
própria LDB aponta para a possibilidade de ofertar distintas modalidades de ventes ou não com seus filhos.

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-Lei nº 11.788/2008: alterou o art. 82, sobre o estágio de estudantes. legislação. Para tanto, há necessidade de refletir sobre a ação educativa
-Lei nº 11.741/2008: redimensionou, institucionalizou e integrou as que a escola desenvolve com base nas finalidades e os objetivos que ela
ações da Educação Profissional Técnica de nível médio, da Educação de define. Uma das principais tarefas da escola ao longo do processo de
Jovens e Adultos e da Educação Profissional e Tecnológica. elaboração do seu projeto político-pedagógico é o trabalho de refletir sobre
-Lei nº 11.769/2008: incluiu parágrafo no art. 26, sobre a Música como sua intencionalidade educativa.
conteúdo obrigatório, mas não exclusivo. O projeto político-pedagógico exige essa reflexão, assim como a expli-
-Lei nº 11.684/2008: incluiu Filosofia e Sociologia como obrigatórias no citação de seu papel social, e a definição dos caminhos a serem percorri-
Ensino Médio. dos e das ações a serem desencadeadas por todos os envolvidos com o
-Lei nº 11.645/2008: alterou a redação do art. 26-A, para incluir no cur- processo escolar.
rículo a obrigatoriedade do estudo da História e Cultura Afro-Brasileira e
Indígena. 6.2 Identidade e diversificação no Ensino Médio
-Lei nº 11.301/2006: alterou o art. 67, incluindo, para os efeitos do dis- Um dos principais desafios da educação consiste no estabelecimento
posto no § 5º do art. 40 e no § 8º do art. 201 da Constituição Federal, do significado do Ensino Médio, que, em sua representação social e reali-
definição de funções de magistério. dade, ainda não respondeu aos objetivos que possam superar a visão
-Lei nº 10.793/2003: alterou a redação do art. 26, § 3o, e do art. 92, dualista de que é mera passagem para a Educação Superior ou para a
com referência à Educação Física nos Ensinos Fundamental e Médio. inserção na vida econômico-produtiva. Esta superação significa uma forma-
-Lei nº 10.709/2003: acrescentou incisos aos art. 10 e 11, referentes ao ção integral que cumpra as múltiplas finalidades da Educação Básica e, em
transporte escolar. especial, do Ensino Médio, completando a escolaridade comum necessária
-Lei nº 10.287/2001: incluiu inciso no art. 12, referente à notificação ao a todos os cidadãos. Busca-se uma escola que não se limite ao interesse
Conselho Tutelar do Município, ao juiz competente da Comarca e ao res- imediato, pragmático e utilitário, mas, sim, uma formação com base unitária,
pectivo representante do Ministério Publico da relação dos estudantes que viabilizando a apropriação do conhecimento e desenvolvimento de métodos
apresentem quantidade de faltas acima de cinquenta por cento do percen- que permitam a organização do pensamento e das formas de compreensão
tual permitido em lei. das relações sociais e produtivas, que articule trabalho, ciência, tecnologia
II – o preparo para o exercício da cidadania centrado na condição bási- e cultura na perspectiva da emancipação humana.
ca de ser sujeito histórico, social e cultural; sujeito de direitos e deveres; Frente a esse quadro, é necessário dar visibilidade ao Ensino Médio no
III – a qualificação para o trabalho fundamentada na perspectiva de sentido da superação daquela dupla representação histórica persistente na
educação como um processo articulado entre ciência, tecnologia, cultura e educação brasileira. Nessa perspectiva, a última etapa da Educação Básica
trabalho. precisa assumir, dentro de seus objetivos, o compromisso de atender,
O Ensino Médio corporifica a concepção de trabalho e cidadania como verdadeiramente, a todos e com qualidade, a diversidade nacional com sua
base para a heterogeneidade cultural, de considerar os anseios das diversas juventudes
formação, configurando-se enquanto Educação Básica. A formação ge- formadas por adolescentes e jovens que acorrem à escola e que são sujei-
ral do estudante em torno dos fundamentos científico-tecnológicos, assim tos concretos com suas múltiplas necessidades.
como sua qualificação para o trabalho, sustentam-se nos princípios estéti- Isso implica compreender a necessidade de adotar diferentes formas
cos, éticos e políticos que inspiram a Constituição Federal e a LDB. Nesse de organização desta etapa de ensino e, sobretudo, estabelecer princípios
sentido, não é possível compreender a tríplice intencionalidade expressa na para a formação do adolescente, do jovem e, também, da expressiva fração
legislação de forma fragmentada e estanque. São finalidades que se entre- de população adulta com escolaridade básica incompleta.
cruzam umas nas outras, fornecendo para a escola o horizonte da ação A definição da identidade do Ensino Médio como etapa conclusiva da
pedagógica, quando se vislumbram, também, as finalidades do Ensino Educação Básica precisa ser iniciada mediante um projeto que, conquanto
Médio explicitadas no art. 35, da LDB: seja unitário em seus princípios e objetivos, desenvolva possibilidades forma-
Art. 35 O Ensino Médio, etapa final da Educação Básica, com duração tivas com itinerários diversificados que contemplem as múltiplas necessidades
mínima de três anos, terá como finalidade: socioculturais e econômicas dos estudantes, reconhecendo-os como sujeitos
I – a consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos adquiridos de direitos no momento em que cursam esse ensino. As instituições escolares
no Ensino Fundamental, possibilitando o prosseguimento de estudos; devem avaliar as várias possibilidades de organização do Ensino Médio,
II – a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando, garantindo a simultaneidade das dimensões trabalho, ciência, tecnologia e
para continuar aprendendo, de modo a ser capaz de se adaptar com flexibi- cultura e contemplando as necessidades, anseios e aspirações dos sujeitos e
lidade a novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento posteriores; as perspectivas da realidade da escola e do seu meio.
III – o aprimoramento do educando como pessoa humana incluindo a
formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensa- 6.3 Ensino Médio e profissionalização
mento crítico; A identidade do Ensino Médio se define na superação do dualismo en-
IV – a compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos pro- tre propedêutico e profissional. Importa que se configure um modelo que
cessos produtivos, relacionando a teoria com a prática, no ensino de cada ganhe uma identidade unitária para esta etapa e que assuma formas diver-
disciplina. sas e contextualizadas da realidade brasileira.
Estas finalidades legais do Ensino Médio definem a identidade da esco- No referente à profissionalização, a LDB, modificada pela Lei nº
la no âmbito de quatro indissociáveis funções, a saber: 11.741/2008, prevê formas de articulação entre o Ensino Médio e a Educa-
I – consolidação dos conhecimentos anteriormente adquiridos; ção Profissional: a articulada (integrada ou concomitante) e a subsequente,
II – preparação do cidadão para o trabalho; atribuindo a decisão de adoção às redes e instituições escolares.
III – implementação da autonomia intelectual e da formação ética; e A profissionalização nesta etapa da Educação Básica é uma das for-
IV – compreensão da relação teoria e prática. mas possíveis de diversificação, que atende a contingência de milhares de
A escola de Ensino Médio, com essa identidade legalmente delineada, jovens que têm o acesso ao trabalho como uma perspectiva mais imediata.
deve levantar questões, dúvidas e críticas com relação ao que a instituição Parte desses jovens, por interesse ou vocação, almejam a profissiona-
persegue, com maior ou menor ênfase. lização neste nível, seja para exercício profissional, seja para conexão
As finalidades educativas constituem um marco de referência para fixar vertical em estudos posteriores de nível superior.
prioridades, refletir e desenvolver ações em torno delas. Elas contribuem Outra parte, no entanto, a necessita para prematuramente buscar um
para a configuração da identidade da escola no lugar da homogeneização, emprego ou atuar em diferentes formas de atividades econômicas que
da uniformização. Kuenzer (2000) chama a atenção para as finalidades e gerem subsistência. Esta profissionalização no Ensino Médio responde a
os objetivos do Ensino Médio, que se resumem (...) no compromisso de uma condição social e histórica em que os jovens trabalhadores precisam
educar o jovem para participar política e produtivamente do mundo das obter uma profissão qualificada já no nível médio.
relações sociais concretas com comportamento ético e compromisso políti- Entretanto, se a preparação profissional no Ensino Médio é uma impo-
co, através do desenvolvimento da autonomia intelectual e da autonomia sição da realidade destes jovens, representando importante alternativa de
moral. organização, não pode se constituir em modelo hegemônico ou única
A escola persegue finalidades. É importante ressaltar que os profissio- vertente para o Ensino Médio, pois ela é uma opção para os que, por uma
nais da educação precisam ter clareza das finalidades propostas pela ou outra razão, a desejarem ou necessitarem.

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O Ensino Médio tem compromissos com todos os jovens. Por isso, é II – apoiar a oferta e a expansão de cursos de formação inicial e conti-
preciso que a escola pública construa propostas pedagógicas sobre uma nuada a profissionais do magistério pelas instituições públicas de Educação
base unitária necessariamente para todos, mas que possibilite situações de Superior;
aprendizagem variadas e significativas, com ou sem profissionalização com III – promover a equalização nacional das oportunidades de formação
ele diretamente articulada. inicial e continuada dos professores do magistério em instituições públicas
de Educação Superior;
6.4 Formação e condição docente IV – identificar e suprir a necessidade das redes e sistemas públicos de
A perspectiva da educação como um direito e como um processo for- ensino por formação inicial e continuada de profissionais do magistério;
mativo contínuo e permanente, além das novas determinações com vistas a V – promover a valorização do docente, mediante ações de formação
atender novas orientações educacionais, amplia as tarefas dos profissionais inicial e continuada que estimulem o ingresso, a permanência e a progres-
da educação, no que diz respeito às suas práticas. Exige-se do professor são na carreira;
que ele seja capaz de articular os diferentes saberes escolares à prática VI – ampliar o número de docentes atuantes na Educação Básica pú-
social e ao desenvolvimento de competências para o mundo do trabalho. blica que tenham sido licenciados em instituições públicas de ensino supe-
Em outras palavras, a vida na escola e o trabalho do professor tornam-se rior, preferencialmente na modalidade presencial;
cada vez mais complexos. VII – ampliar as oportunidades de formação para o atendimento das
Como consequência, é necessário repensar a formação dos professo- políticas de Educação Especial, Alfabetização e Educação de Jovens e
res para que possam enfrentar as novas e diversificadas tarefas que lhes Adultos, Educação Indígena, Educação do Campo e de populações em
são confiadas na sala de aula e além dela. situação de risco e vulnerabilidade social;
Uma questão a ser discutida é a função docente e a concepção de VIII – promover a formação de professores na perspectiva da educação
formação que deve ser adotada nos cursos de licenciatura. De um lado, há integral, dos direitos humanos, da sustentabilidade ambiental e das rela-
a defesa de uma concepção de formação centrada no “fazer” enfatizando a ções étnico-raciais, com vistas à construção de ambiente escolar inclusivo e
formação prática desse profissional e, de outro, há quem defenda uma cooperativo;
concepção centrada na “formação teórica” onde é enfatizada, sobretudo, a IX – promover a atualização teórico-metodológica nos processos de
importância da ampla formação do professor. formação dos profissionais do magistério, inclusive no que se refere ao uso
A LDB, no Parágrafo único do art. 61, preconiza a associação entre te- das tecnologias de comunicação e informação nos processos educativos;
orias e práticas ao estabelecê-la entre os fundamentos da formação dos X – promover a integração da Educação Básica com a formação inicial
profissionais da educação, para atender às especificidades do exercício das docente, assim como reforçar a formação continuada como prática escolar
suas atividades, bem como aos objetivos das diferentes etapas e modalida- regular que responda às características culturais e sociais regionais.
des da Educação Básica. O Projeto de Lei que propõe o II Plano Nacional de Educação, para o
As diretrizes indicadas no I Plano Nacional de Educação 2001-2010 de- decênio 2011-2020, prevê, entre suas diretrizes, a valorização dos profissi-
ram uma ideia da amplitude das qualidades esperadas dos professores: onais da educação, o que inclui o fortalecimento da formação inicial e
I – sólida formação teórica nos conteúdos específicos a serem ensina- continuada dos docentes. Destacam-se metas que dizem respeito direta-
dos na Educação Básica, bem como nos conteúdos especificamente peda- mente à essa valorização:
gógicos; Meta 15 Garantir, em regime de colaboração entre a União, os Esta-
II – ampla formação cultural; dos, o Distrito Federal e os Municípios, que todos os professores da Educa-
III – atividade docente como foco formativo; ção Básica possuam formação específica de nível superior, obtida em curso
IV – contato com realidade escolar desde o início até o final do curso, de licenciatura na área de conhecimento em que atuam.
integrando a teoria à prática pedagógica; Meta 16 Formar 50% dos professores da Educação Básica em nível de
V – pesquisa como princípio formativo; pós-graduação lato e stricto sensu, garantir a todos formação continuada
VI – domínio das novas tecnologias de comunicação e da informação e em sua área de atuação.
capacidade para integrá-las à prática do magistério; Meta 17 Valorizar o magistério público da Educação Básica a fim de
VII – análise dos temas atuais da sociedade, da cultura e da economia; aproximar o rendimento médio do profissional do magistério com mais de
VIII – inclusão das questões de gênero e da etnia nos programas de onze anos de escolaridade do rendimento médio dos demais profissionais
formação; com escolaridade equivalente.
IX – trabalho coletivo interdisciplinar; Meta 18 Assegurar, no prazo de dois anos, a existência de planos de
X – vivência, durante o curso, de formas de gestão democrática do en- carreira para os profissionais do magistério em todos os sistemas de ensi-
sino; no.
XI – desenvolvimento do compromisso social e político do magistério; Levar adiante uma política nacional de formação e condição docente
XII – conhecimento e aplicação das Diretrizes Curriculares Nacionais pode ser considerado um grande desafio na medida em que tal perspectiva
dos níveis e modalidades da Educação Básica. implica a priorização da educação e formação de professores como política
O CNE, em fins de 2001, definiu orientações gerais para todos os cur- pública de Estado, superando, desse modo, a redução desse debate às
sos de formação de professores do país, pelo Parecer CNE/CP nº 9/2001, diferentes iniciativas governamentais nem sempre convergentes.
com alteração dada pelo Parecer CNE/CP nº 27/2001. Após homologação Destaque-se, por fim, que a discussão sobre a formação de professo-
destes, foi editada a Resolução CNE/CP nº 1/2002 que institui Diretrizes res não pode ser dissociada da valorização profissional, tanto no que diz
Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação respeito a uma remuneração mais digna, quanto à promoção da adequação
Básica, em nível superior, curso de licenciatura, de graduação plena. e melhoria das condições de trabalho desses profissionais.
Em 2008, considerando a persistência da notória carência por profes-
sores com formação específica, o MEC propôs o Programa Emergencial de 6.5 Gestão democrática
Segunda Licenciatura para Professores da Educação Básica Pública, com o O currículo da Educação Básica e, portanto, do Ensino Médio, exige a
objetivo de enfrentar uma demanda já existente de professores licenciados, estruturação de um projeto educativo coerente, articulado e integrado de
mas que atuam em componentes curriculares distintos de sua formação acordo com os modos de ser e de se desenvolver dos estudantes nos
inicial. O CNE, por meio do Parecer CNE/CP nº 8/2008 e da Resolução diferentes contextos sociais. Ciclos, séries, módulos e outras formas de
CNE/CP nº 1/2009, estabeleceu Diretrizes Operacionais para a implantação organização a que se refere a LDB são compreendidos como tempos e
desse Programa, a ser coordenado pelo MEC em regime de colaboração espaços interdependentes e articulados entre si ao longo dos anos de
com os sistemas de ensino e realizado por instituições públicas de Educa- duração dessa etapa educacional.
ção Superior. Ao empenhar-se em garantir aos estudantes uma educação de quali-
A implantação de uma política efetiva de formação de docentes para o dade, todas as atividades da escola e a sua gestão devem estar articuladas
Ensino Médio constitui-se um grande desafio. Um caminho para efetivação para esse propósito. O processo de organização das turmas de estudantes,
dessa política pública foi sinalizado no Decreto no 6.755/2009, que estabe- a distribuição de turmas por professor, as decisões sobre o currículo, a
lece os seguintes objetivos para a Política Nacional de Formação de Pro- escolha dos livros didáticos, a ocupação do espaço, a definição dos horá-
fessores: rios e outras tarefas administrativas e/ou pedagógicas precisam priorizar o
I – promover a melhoria da qualidade da Educação Básica pública; atendimento dos interesses e necessidades dos estudantes, e a gestão

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democrática é um dos fatores decisivos para assegurar a todos eles o entes federados, sendo que o Projeto de Lei do II Plano Nacional de Edu-
direito ao conhecimento. cação para o decênio 2011-2020 reafirma esta necessidade, em seu art. 8º.
O projeto político-pedagógico da escola traduz a proposta educativa Os órgãos gestores devem contribuir e apoiar as escolas nas tarefas
construída pela comunidade escolar no exercício de sua autonomia, com de organização dos seus projetos na busca da melhoria da qualidade da
base no diagnóstico dos estudantes e nos recursos humanos e materiais educação, embora se saiba que a vontade da comunidade escolar é um
disponíveis, sem perder de vista as orientações curriculares nacionais e as fator determinante para que esse sucesso seja alcançado.
orientações dos respectivos sistemas de ensino. É muito importante que Nenhum esforço é vitorioso se não for focado no sucesso do estudante.
haja uma ampla participação dos profissionais da escola, da família, dos Por isso, o projeto político-pedagógico deve colocar o estudante no centro
estudantes e da comunidade local na definição das orientações imprimidas do planejamento curricular. É preciso considerá-lo um sujeito com todas as
nos processos educativos. Este projeto deve ser apoiado por um processo suas necessidades e potencialidades, que tem uma vivência cultural e é
contínuo de avaliação que permita corrigir os rumos e incentivar as boas capaz de construir a sua identidade pessoal e social.
práticas. Como sujeitos de direitos, os estudantes devem tomar parte ativa nas
Diferentemente da ideia de texto burocrático, como muitas vezes ocorre discussões para a definição das regras da escola, sendo estimulados à
nas escolas, o projeto político-pedagógico é o instrumento facilitador da auto-organização e devem ter acesso a mecanismos que permitam se
gestão democrática. Quando a escola não discute o seu projeto político- manifestar sobre o que gostam e o que não gostam na escola e a respeito
pedagógico ou o faz apenas de uma forma burocrática, os professores da escola a que aspiram.
desenvolvem trabalhos isolados que, em geral, têm baixa eficiência. A descentralização de recursos, por outro lado, é fundamental para o
O desenvolvimento de todo o processo democrático depende, em mui- exercício da autonomia das escolas públicas. Por isso é necessário que a
to, dos gestores dos sistemas, das redes e de cada escola, aos quais cabe comunidade escolar, e necessariamente aqueles que ocupam os cargos de
criar as condições e estimular sua efetivação, o que implica em que sejam direção, dominem os processos administrativos e financeiros exigidos por
escolhidos e designados atendendo a critérios técnicos de mérito e de lei. Isso evita o uso indevido dos recursos. Todos esses processos reque-
desempenho e à participação da comunidade escolar. rem qualificação da comunidade escolar.
Cabe lembrar que a gestão democrática do ensino público é um dos
princípios em que se baseia o ensino, conforme determina o inciso VIII do 6.6 Avaliação do Ensino Médio
art. 3º da LDB, completado pelo seu art. 14: As Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica
Art. 3º (...) indicam três dimensões básicas de avaliação: avaliação da aprendizagem,
VIII – gestão democrática do ensino público, na forma desta Lei e da avaliação institucional interna e externa e avaliação de redes de Educação
legislação dos sistemas de ensino. Básica.
Art. 14 Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrá- A avaliação da aprendizagem, que conforme a LDB pode ser adotada
tica do ensino público na Educação Básica, de acordo com as suas peculia- com vistas à promoção, aceleração de estudos e classificação, deve ser
ridades e conforme os seguintes princípios: desenvolvida pela escola refletindo a proposta expressa em seu projeto
I – participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto político-pedagógico. Importante observar que a avaliação da aprendizagem
pedagógico da escola; deve assumir caráter educativo, viabilizando ao estudante a condição de
II – participação das comunidades escolar e local em conselhos escola- analisar seu percurso e, ao professor e à escola, identificar dificuldades e
res ou equivalentes. potencialidades individuais e coletivas.
Embora na LDB a gestão democrática apareça especificamente como A avaliação institucional interna é realizada a partir da proposta peda-
orientação para o ensino público, ela está indicada, implicitamente, para gógica da escola, assim como do seu plano de trabalho, que devem ser
todas as instituições educacionais nos arts. 12 e 13, entre as quais as avaliados sistematicamente, de maneira que a instituição possa analisar
instituições privadas, que não devem se furtar ao processo, sob pena de seus avanços e localizar aspectos que merecem reorientação.
contrariarem os valores democráticos e participativos que presidem nossa A Emenda Constitucional nº 59/2009, ao assegurar o atendimento da
sociedade. população de 4 aos 17 anos de idade, com oferta gratuita determina um
A institucionalização da participação é necessária, com especial desta- salto significativo no processo de democratização do ensino, garantindo
que para a constituição de conselhos escolares ou equivalentes, indicados não só o atendimento para aqueles matriculados na idade tida como regular
no inciso II do art. 14, com atuação permanente, garantindo a constância do para a escolarização, como para aqueles que se encontram em defasagem
processo democrático na unidade de ensino. idade-tempo de organização escolar ou afastados da escola.
Outro elemento necessário para a gestão democrática, com previsão O esforço necessário para cumprir tais objetivos exige mais do que in-
de direitos e deveres dos sujeitos comprometidos com a unidade educacio- vestimentos em infraestrutura e recursos materiais e humanos. E necessá-
nal, é o seu regimento escolar. rio estabelecer ações no sentido de definir orientações e práticas pedagógi-
Convém que este possa assegurar à escola as condições institucionais cas que garantam melhor aproveitamento, com atenção especial para
adequadas para a execução do projeto político-pedagógico e a oferta de aqueles grupos que até então estavam excluídos do Ensino Médio.
uma educação inclusiva e com qualidade social. A elaboração do regimento Um dos aspectos que deve estar presente em tais orientações é o
deve ser feita de forma a garantir ampla participação da comunidade esco- acompanhamento sistêmico do processo de escolarização, viabilizando
lar. É essa participação da comunidade que pode dar protagonismo aos ajustes e correções de percurso, bem como o estabelecimento de políticas
estudantes e voz a suas famílias, criando oportunidades institucionais para e programas que concretizem a proposta de universalização da Educação
que todos os segmentos majoritários da população, que encontram grande Básica.
dificuldade de se fazerem ouvir e de fazerem valer seus direitos, possam A avaliação de redes de ensino é responsabilidade do Estado, seja rea-
manifestar os seus anseios e expectativas e possam ser levados em conta, lizada pela União, seja pelos demais entes federados. Em âmbito nacional,
tendo como referência a oferta de um ensino com qualidade para todos. no Ensino Médio, ela está contemplada no Sistema de Avaliação da Educa-
A experiência mostra que é possível alcançar melhorias significativas ção Básica (SAEB), que informa sobre os 8 A Emenda Constitucional nº
da qualidade de ensino desenvolvendo boas práticas, adequadas à situa- 59/2009 deu nova redação ao Inciso I do art. 208 da Constituição Federal:
ção da comunidade de cada escola. Em outras palavras, existem diferentes “Art. 208. O dever do Estado com a educação será efetivado mediante
caminhos para se desenvolver uma educação de qualidade social, embora a garantia de:
todas elas passem pelo compromisso da comunidade e da escola. Sempre I - Educação Básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos 17 (de-
que, por intermédio do desenvolvimento de um projeto educativo democrá- zessete) anos de idade, assegurada inclusive sua oferta gratuita para todos
tico e compartilhado, os professores, a direção, os funcionários, os estudan- os que a ela não tiveram acesso na idade própria” resultados de aprendiza-
tes e a comunidade unem seus esforços, a escola chega mais perto da gem estruturados no campo da Língua Portuguesa e da Matemática, lem-
escola de qualidade que zela pela aprendizagem, conforme o inciso III do brando-se o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), que
art. 13 da LDB. mede a qualidade de cada escola e rede, com base no desempenho do
Além da organização das escolas, é necessário tratar da organização estudante em avaliações do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas
dos sistemas de ensino, os quais devem, obrigatoriamente, nortear-se por Anísio Teixeira (INEP) e em taxas de aprovação.
Planos de Educação, sejam estaduais, sejam municipais. A obrigação Para tratar das exigências relacionadas com o Ensino Médio, além do
destes planos, lamentavelmente, não vem sendo cumprida por todos os cumprimento do SAEB, o Ministério da Educação vem trabalhando no

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aperfeiçoamento do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) que, grada- to das ações educativas próprias das etapas da Educação Básica assumi-
tivamente, assume funções com diferentes especificidades estratégicas das, de acordo com as especificidades que lhes correspondam, preservan-
para estabelecer procedimentos voltados para a democratização do ensino do a sua articulação sistêmica.
e ampliação do acesso a níveis crescentes de escolaridade. Neste sentido, Segundo o art. 44 da Resolução CNE/CEB no 4/2010, o projeto políti-
este exame apresenta hoje os seguintes objetivos, conforme art. 2º da co-pedagógico, instância de construção coletiva que respeita os sujeitos
Portaria nº 109/2009: das aprendizagens, entendidos como cidadãos com direitos à proteção e à
I – oferecer uma referência para que cada cidadão possa proceder à participação social, deve contemplar:
sua auto-avaliação com vistas às suas escolhas futuras, tanto em relação I – o diagnóstico da realidade concreta dos sujeitos do processo educa-
ao mundo do trabalho quanto em relação à continuidade de estudos; tivo, contextualizados no espaço e no tempo;
II – estruturar uma avaliação ao final da Educação Básica que sirva II – a concepção sobre educação, conhecimento, avaliação da aprendi-
como modalidade alternativa ou complementar aos processos de seleção zagem e mobilidade escolar;
nos diferentes setores do mundo do trabalho; III – o perfil real dos sujeitos – crianças, jovens e adultos – que justifi-
III – estruturar uma avaliação ao final da Educação Básica que sirva cam e instituem a vida da e na escola, do ponto de vista intelectual, cultural,
como modalidade alternativa ou complementar a processos seletivos de emocional, afetivo, socioeconômico, como base da reflexão sobre as rela-
acesso aos cursos de Educação Profissional e Tecnológica posteriores ao ções vida-conhecimento-cultura, professor-estudante e instituição escolar;
Ensino Médio e à Educação Superior; IV – as bases norteadoras da organização do trabalho pedagógico;
IV – possibilitar a participação e criar condições de acesso a programas V – a definição de qualidade das aprendizagens e, por consequência,
governamentais; da escola, no contexto das desigualdades que se refletem na escola;
V – promover a certificação de jovens e adultos no nível de conclusão VI – os fundamentos da gestão democrática, compartilhada e participa-
do Ensino Médio nos termos do arti. 38, §§ 1º e 2º da Lei nº 9.394/96 tiva (órgãos colegiados e de representação estudantil);
(LDB); VII – o programa de acompanhamento de acesso, de permanência dos
VI – promover avaliação do desempenho acadêmico das escolas de estudantes e de superação da retenção escolar;
Ensino Médio, de forma que cada unidade escolar receba o resultado VIII – o programa de formação inicial e continuada dos profissionais da
global; educação, regentes e não regentes;
VII – promover avaliação do desempenho acadêmico dos estudantes IX – as ações de acompanhamento sistemático dos resultados do pro-
ingressantes nas Instituições de Educação Superior. cesso de avaliação interna e externa (SAEB, Prova Brasil, dados estatísti-
Assim, cada um destes objetivos delineia o aprofundamento de uma cos, pesquisas sobre os sujeitos da Educação Básica), incluindo dados
função do ENEM: referentes ao Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) e/ou
I – avaliação sistêmica, que tem como objetivo subsidiar as políticas que complementem ou substituam os desenvolvidos pelas unidades da
públicas para a Educação Básica; federação e outros;
II – avaliação certificatória, que proporciona àqueles que estão fora da X – a concepção da organização do espaço físico da instituição escolar
escola aferir os conhecimentos construídos no processo de escolarização de tal modo que este seja compatível com as características de seus sujei-
ou os conhecimentos tácitos construídos ao longo da vida; tos, que atenda as normas de acessibilidade, além da natureza e das
III – avaliação classificatória, que contribui para o acesso democrático à finalidades da educação, deliberadas e assumidas pela comunidade educa-
Educação Superior. cional.
Nesse caminho, o ENEM vem ampliando o espectro de atendimento O primeiro fundamento para a formulação do projeto político-
apresentando um crescimento que veio de 156.000 inscritos, em 1998, e pedagógico de qualquer escola ou rede de ensino é a sua construção
alcançou 4,6 milhões, em 2009. coletiva. O projeto político-pedagógico só existe de fato – não como um
À medida que se garantir participação de amostragem expressiva do texto formal, mas como expressão viva de concepções, princípios, finalida-
sistema, incluindo diferentes segmentos escolares, se estará aproximando des, objetivos e normas que orientam a comunidade escolar – se ele resul-
de uma percepção mais fiel do sistema, na perspectiva do direito dos tar do debate e reflexão do grupo que compõe a formação destes espaços
estudantes. Nesse sentido, deve manter-se alinhado com estas Diretrizes e (escola ou rede de ensino). Nesse contexto, identifica-se a necessidade do
com as expectativas de aprendizagem a serem elaboradas. grupo comprometer-se com esse projeto e sentindo-se autores e sujeitos de
O INEP deve continuar desenvolvendo metodologia adequada no sen- seu desenvolvimento.
tido de alcançar esta multifuncionalidade do sistema de avaliação. Sua construção e efetivação na escola ocorrem em um contexto con-
creto desta instituição, de sua organização escolar, relação com a comuni-
7. Projeto político-pedagógico e organização curricular dade, condições econômicas e realidade cultural, entre outros aspectos.
7.1. Projeto político-pedagógico Por isso, trata-se de um processo político, tanto quanto pedagógico, pois
As Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica ocorre em meio a conflitos, tensões e negociações que desafiam o exercí-
(Parecer CNE/CEB no 7/2010 e Resolução CNE/CEB no 4/2010) tratam cio da democracia na escola. Em decorrência, a construção desse projeto é
pertinentemente do projeto político-pedagógico, já referido várias vezes essencial e necessariamente coletiva.
neste Parecer, como elemento constitutivo para a operacionalização da O projeto político-pedagógico aponta um rumo, uma direção, mas, prin-
Educação Básica e, portanto, do Ensino Médio. cipalmente, um sentido específico para um compromisso estabelecido
Segundo o Parecer CNE/CEB no 7/2010, o projeto politico-pedagógico, coletivamente. O projeto, ao se constituir em processo participativo de
interdependentemente da autonomia pedagógica, administrativa e de decisões, preocupa-se em instaurar uma forma de organização do trabalho
gestão financeira da instituição educacional, representa mais do que um pedagógico que desvele os conflitos, as contradições, buscando eliminar as
documento, sendo um dos meios de viabilizar a escola democrática para relações competitivas, corporativas e autoritárias, rompendo com a rotina
todos e de qualidade social. do mando pessoal e racionalizado da burocracia e permitindo as relações
Continua o citado Parecer indicando que a autonomia da instituição horizontais no interior da escola.
educacional baseia-se na busca de sua identidade, que se expressa na O projeto político-pedagógico exige um compromisso ético-político de
construção de seu projeto político-pedagógico e do seu regimento escolar, adequação intencional entre o real e o ideal, assim como um equilíbrio
enquanto manifestação de seu ideal de educação e que permite uma nova entre os interesses individuais e coletivos.
e democrática ordenação pedagógica das relações escolares. Cabe à A abordagem do projeto político-pedagógico, como organização do tra-
escola, considerada a sua identidade e a de seus sujeitos, articular a formu- balho de toda a escola, está fundamentada em princípios que devem norte-
lação do projeto político-pedagógico com os Planos de Educação nacional, ar a escola democrática, entre os quais, liberdade, solidariedade, pluralis-
estadual e/ou municipal, o contexto em que a escola se situa e as necessi- mo, igualdade, qualidade da oferta, transparência, participação.
dades locais e de seus estudantes. Com fundamento no princípio do pluralismo de ideias e de concepções
A proposta educativa da unidade escolar, o papel socioeducativo, artís- pedagógicas e no exercício de sua autonomia, o projeto político-pedagógico
tico, cultural, ambiental, as questões de gênero, etnia e diversidade cultural deve traduzir a proposta educativa construída coletivamente, garantida a
que compõem as ações educativas, a organização e a gestão curricular são participação efetiva da comunidade escolar e local, bem como a permanen-
componentes integrantes do projeto político-pedagógico, devendo ser te construção da identidade entre a escola e o território no qual está inseri-
previstas as prioridades institucionais que a identificam, definindo o conjun- da.

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Concretamente, o projeto político-pedagógico das unidades escolares III – adequação dos recursos físicos, inclusive organização dos espa-
que ofertam o Ensino Médio deve considerar: ços, equipamentos, biblioteca, laboratórios e outros ambientes educacio-
I – atividades integradoras artístico-culturais, tecnológicas, e de inicia- nais.
ção científica, vinculadas ao trabalho, ao meio ambiente e à prática social; 7.2. Currículo e trabalho pedagógico
II – problematização como instrumento de incentivo à pesquisa, à curi- O currículo é entendido como a seleção dos conhecimentos historica-
osidade pelo inusitado e ao desenvolvimento do espírito inventivo; mente acumulados, considerados relevantes e pertinentes em um dado
III – a aprendizagem como processo de apropriação significativa dos contexto histórico, e definidos tendo por base o projeto de sociedade e de
conhecimentos, superando a aprendizagem limitada à memorização; formação humana que a ele se articula; se expressa por meio de uma
IV – valorização da leitura e da produção escrita em todos os campos proposta pela qual se explicitam as intenções da formação, e se concretiza
do saber; por meio das práticas escolares realizadas com vistas a dar materialidade a
V – comportamento ético, como ponto de partida para o reconhecimen- essa proposta.
to dos Direitos humanos, da cidadania, da responsabilidade socioambiental Os conhecimentos escolares são reconhecidos como aqueles produzi-
e para a prática de um humanismo contemporâneo expresso pelo reconhe- dos pelos homens no processo histórico de produção de sua existência
cimento, respeito e acolhimento da identidade do outro e pela incorporação material e imaterial, valorizados e selecionados pela sociedade e pelas
da solidariedade; escolas que os organizam a fim de que possam ser ensinados e aprendi-
VI – articulação teoria e prática, vinculando o trabalho intelectual às ati- dos, tornando-se elementos do desenvolvimento cognitivo do estudante,
vidades práticas ou experimentais; bem como de sua formação ética, estética e política.
VII – integração com o mundo do trabalho por meio de estágios de es- Para compreender a dinâmica do trabalho pedagógico escolar a partir
tudantes do Ensino Médio conforme legislação específica; do currículo, é necessário que se tome como referência a cultura escolar
VIII – utilização de diferentes mídias como processo de dinamização consolidada, isto é, as práticas curriculares já vivenciadas, os códigos e
dos ambientes de aprendizagem e construção de novos saberes; modos de organização produzidos, sem perder de vista que esse trabalho
IX – capacidade de aprender permanente, desenvolvendo a autonomia se articula ao contexto sócio-histórico-cultural mais amplo e guarda com ele
dos estudantes; estreitas relações.
X – atividades sociais que estimulem o convívio humano; Falar em currículo implica em duas dimensões:
XI – avaliação da aprendizagem, com diagnóstico preliminar, e enten- I – uma dimensão prescritiva, na qual se explicitam as intenções e os
dida como processo de caráter formativo, permanente e cumulativo; conteúdos de formação, que constitui o currículo prescritivo ou formal; e
XII – acompanhamento da vida escolar dos estudantes, promovendo o II – uma dimensão não explícita, constituída por relações entre os sujei-
seguimento do desempenho, análise de resultados e comunicação com a tos envolvidos na prática escolar, tanto nos momentos formais, como
família; informais das suas atividades e nos quais trocam ideias e valores, consti-
XIII – atividades complementares e de superação das dificuldades de tuindo o currículo oculto, mesmo que não tenha sido pré-determinado ou
aprendizagem para que o estudante tenha sucesso em seus estudos; intencional.
XIV – reconhecimento e atendimento da diversidade e diferentes nuan- Ambas as dimensões geram uma terceira, real, que concretiza o currí-
ces da desigualdade, da diversidade e da exclusão na sociedade brasileira; culo vivo ou em ação, que adquire materialidade a partir das práticas for-
XV –valorização e promoção dos Direitos humanos mediante temas re- mais prescritas e das informais espontâneas vivenciadas nas salas de aula
lativos a gênero, identidade de gênero, raça e etnia, religião, orientação e nos demais ambientes da escola.
sexual, pessoas com deficiência, entre outros, bem como práticas que O conhecimento é a “matéria prima” do trabalho pedagógico escolar.
contribuam para a igualdade e para o enfrentamento de todas as formas de Dada sua condição de ser produto histórico-cultural, isto é, de ser produzido
preconceito, discriminação e violência sob todas as formas; e elaborado pelos homens por meio da interação que travam entre si, no
XVI – análise e reflexão crítica da realidade brasileira, de sua organiza- intuito de encontrar respostas aos mais diversificados desafios que se
ção social e produtiva na relação de complementaridade entre espaços interpõem entre eles e a produção da sua existência material e imaterial, o
urbanos e do campo; conhecimento articula-se com os mais variados interesses. Na medida em
XVII – estudo e desenvolvimento de atividades socioambientais, con- que a produção, elaboração e disseminação do conhecimento não são
duzindo a educação ambiental como uma prática educativa integrada, neutras, planejar a ação educativa, melhor definindo, educar é uma ação
contínua e permanente; política que envolve posicionamentos e escolhas articulados com os modos
XVIII – práticas desportivas e de expressão corporal, que contribuam de compreender e agir no mundo.
para a saúde, a sociabilidade e a cooperação; O trabalho pedagógico ganha materialidade nas ações: no planejamen-
XIX – atividades intersetoriais, entre outras, de promoção da saúde fí- to da escola em geral e do currículo em particular, no processo de ensinar e
sica e mental, saúde sexual e saúde reprodutiva, e prevenção do uso de aprender e na avaliação do trabalho realizado, seja com relação a cada
drogas; estudante individualmente ou ao conjunto da escola. No que se refere à
XX – produção de mídias nas escolas a partir da promoção de ativida- avaliação, muito se tem questionado sobre seus princípios e métodos. Vale
des que favoreçam as habilidades de leitura e análise do papel cultural, ressaltar a necessidade de que a avaliação ultrapasse o sentido de mera
político e econômico dos meios de comunicação na sociedade; averiguação do que o estudante aprendeu, e torne-se elemento chave do
XXI – participação social e protagonismo dos estudantes, como agen- processo de planejamento educacional.
tes de transformação de suas unidades escolares e de suas comunidades; O planejamento educacional, assim como o currículo e a avaliação na
XXII – condições materiais, funcionais e didático-pedagógicas, para escola, enquanto componentes da organização do trabalho pedagógico,
que os profissionais da escola efetivem as proposições do projeto. estão circunscritos fortemente a esse caráter de não neutralidade, de ação
O projeto político-pedagógico das unidades escolares deve, ainda, ori- intencional condicionada pela subjetividade dos envolvidos, marcados,
entar: enfim, pelas distintas visões de mundo dos diferentes atores do processo
I – dispositivos, medidas e atos de organização do trabalho escolar; educativo escolar. Desse modo, o trabalho pedagógico define-se em sua
II – mecanismos de promoção e fortalecimento da autonomia escolar, complexidade, e não se submete plenamente ao controle. No entanto, isso
mediante a alocação de recursos financeiros, administrativos e de suporte não se constitui em limite ou problema, mas indica que se está diante da
técnico necessários à sua realização; riqueza do processo de formação humana, e diante, também, dos desafios
9 A Lei nº 11.788/2008 define as normas para a oferta de estágio aos que a constituição dessa formação, sempre histórica, impõe.
estudantes, caracterizado como “ato educativo escolar, supervisionado e O currículo possui caráter polissêmico e orienta a organização do pro-
desenvolvido no ambiente de trabalho”. O estágio, obrigatório ou não, “faz cesso educativo escolar. Suas diferentes concepções, com maior ou menor
parte do projeto pedagógico do curso, além de integrar o itinerário formativo ênfase, refletem a importância de componentes curriculares, tais como os
do educando”. O CNE estabeleceu Diretrizes Nacionais para a organização saberes a serem ensinados e aprendidos; as situações e experiências de
e a realização de estágio de alunos da Educação Profissional e do Ensino aprendizagem; os planos e projetos pedagógicos; as finalidades e os objeti-
Médio, inclusive nas modalidades de Educação Especial e de Educação de vos a serem alcançados, bem como os processos de avaliação a serem
Jovens e Adultos, pela Resolução CNE/CEB nº 1/2004, fundamentada no adotados. Em todas essas perspectivas é notável o propósito de se organi-
Parecer CNE/CEB nº 35/2003. Embora anterior à citada lei, é aplicável no zar e de se tornar a educação escolar mais eficiente, por meio de ações
que não a contrariar. pedagógicas coletivamente planejadas.

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O planejamento coletivo promove “a conquista da cidadania plena, me- Nessa perspectiva, são também importantes metodologias de ensino
diante a compreensão do significado social das relações de poder que se inovadoras, distintas das que se encontram nas salas de aula mais tradicio-
reproduzem no cotidiano da escola, nas relações entre os profissionais da nais e que, ao contrário dessas, ofereçam ao estudante a oportunidade de
educação, o conhecimento, as famílias e os estudantes, bem assim, entre uma atuação ativa, interessada e comprometida no processo de aprender,
estes e o projeto político-pedagógico, na sua concepção coletiva que digni- que incluam não só conhecimentos, mas, também, sua contextualização,
fica as pessoas, por meio da utilização de um método de trabalho centrado experimentação, vivências e convivência em tempos e espaços escolares e
nos estudos, nas discussões, no diálogo que não apenas problematiza, extraescolares, mediante aulas e situações diversas, inclusive nos campos
mas também propõe, fortalecendo a ação conjunta que busca, nos movi- da cultura, do esporte e do lazer. Do professor, espera-se um desempenho
mentos sociais, elementos para criar e recriar o trabalho da e na escola” competente, capaz de estimular o estudante a colaborar e a interagir com
(Parecer CNE/CEB nº 7/2010). seus colegas, tendo-se em mente que a aprendizagem, para bem ocorrer,
Nesse sentido, ressalta-se a inter-relação entre projeto político- depende de um diálogo produtivo com o outro.
pedagógico, currículo, trabalho pedagógico e, concretamente, condição e Cabe enfatizar, neste momento, que os conhecimentos e os saberes
jornada dos professores. trabalhados por professores e estudantes, assumem contornos e caracte-
Reitera-se, com base na legislação concernente ao Ensino Médio, o rísticas específicas, constituindo o que se tem denominado de conhecimen-
quanto os princípios adotados e as finalidades perseguidas precisam norte- to escolar.
ar as decisões tomadas no âmbito do currículo, compreendido esse como o O conhecimento escolar apresenta diferenças em relação aos conhe-
conjunto de experiências escolares que se desdobram a partir do conheci- cimentos que lhe serviram de referência, aos quais se associa intimamente,
mento, em meio às relações sociais que se travam nos espaços institucio- mas dos quais se distingue com bastante nitidez.
nais, e que afetam a construção das identidades dos estudantes. Os conhecimentos escolares provêm de saberes histórica e socialmen-
Currículo tem a ver com os esforços pedagógicos desdobrados na es- te formulados nos âmbitos de referência dos currículos. Segundo Terigi
cola, visando a organizar e a tornar efetivo o processo educativo que con- (1999), tais âmbitos de referência podem ser considerados como corres-
forma a última etapa da Educação Básica. Expressa, assim, o projeto pondendo aos seguintes espaços:
político-pedagógico institucional, discutido e construído pelos profissionais e I – instituições produtoras de conhecimento científico (universidades e
pelos sujeitos diretamente envolvidos no planejamento e na materialização centros de pesquisa);
do percurso escolar. II – mundo do trabalho;
Pode-se afirmar a importância de se considerar, na construção do cur- III – desenvolvimentos tecnológicos;
rículo do Ensino Médio, os sujeitos e seus saberes, necessariamente IV – atividades desportivas e corporais;
respeitados e acolhidos nesse currículo. O diálogo entre saberes precisa V – produção artística;
ser desenvolvido, de modo a propiciar a todos os estudantes o acesso ao VI – campo da saúde;
indispensável para a compreensão das diferentes realidades no plano da VII – formas diversas de exercício da cidadania;
natureza, da sociedade, da cultura e da vida. Assume importância, nessa VIII – movimentos sociais.
perspectiva, a promoção de um amplo debate sobre a natureza da produ- Nesses espaços são produzidos e selecionados conhecimentos e sa-
ção do conhecimento. Ou seja, o que se está defendendo é como inserir no beres dos quais derivam os escolares. Esses conhecimentos são escolhi-
currículo, o diálogo entre os saberes. dos e preparados para compor o currículo formal e para configurar o que
Mais do que o acúmulo de informações e conhecimentos, há que se in- deve ser ensinado e aprendido.
cluir no currículo um conjunto de conceitos e categorias básicas. Não se Compreender o que são os conhecimentos escolares faz-se relevante
pretende, então, oferecer ao estudante um currículo enciclopédico, repleto para os profissionais da educação, pois permite concluir que os ensinados
de informações e de conhecimentos, formado por disciplinas isoladas, com nas escolas não constituem cópias dos saberes e conhecimentos social-
fronteiras demarcadas e preservadas, sem relações entre si. A preferência, mente produzidos. Por esse motivo, não faz sentido pensar em inserir, nas
ao contrário, é que se estabeleça um conjunto necessário de saberes salas de aula, os saberes e as práticas tal como funcionam em seus con-
integrados e significativos para o prosseguimento dos estudos, para o textos de origem. Para se tornarem conhecimentos escolares, os conheci-
entendimento e ação crítica acerca do mundo. mentos e saberes de referência passam por processos de descontextuali-
Associado à integração de saberes significativos, há que se evitar a zação e recontextualização. A atividade escolar, por conseguinte, implica
prática, ainda frequente, de um número excessivo de componentes em uma determinada ruptura com as atividades específicas dos campos de
cada tempo de organização do curso, gerando não só fragmentação como referência (Moreira e Candau, 2006; Terigi, 1999).
o seu congestionamento. Explicitado como a concepção de conhecimento escolar pode influir no
Além de uma seleção criteriosa de saberes, em termos de quantidade, processo curricular, cabe discutir, resumidamente, em que consistem os
pertinência e relevância, e de sua equilibrada distribuição ao longo dos mencionados processos de descontextualização e recontextualização do
tempos de organização escolar, vale possibilitar ao estudante as condições conhecimento escolar. Tais processos incluem algumas estratégias, sendo
para o desenvolvimento da capacidade de busca autônoma do conheci- pertinente observar que o professor capaz de melhor entender o processo
mento e formas de garantir sua apropriação. Isso significa ter acesso a de construção do conhecimento escolar pode, de modo mais acurado,
diversas fontes, de condições para buscar e analisar novas referências e distinguir em que momento os mecanismos implicados nesse processo
novos conhecimentos, de adquirir as habilidades mínimas necessárias à favorecem ou dificultam as atividades docentes. Ou seja, a compreensão
utilização adequada das novas tecnologias da informação e da comunica- de como se constitui os conhecimentos escolares e saberes é um fator que
ção, assim como de dominar procedimentos básicos de investigação e de facilita tanto o planejamento quanto o desdobramento do próprio processo
produção de conhecimentos científicos. É precisamente no aprender a pedagógico.
aprender que deve se centrar o esforço da ação pedagógica, para que,
mais que acumular conteúdos, o estudante desenvolva a capacidade de 7.3. Organização curricular do Ensino Médio
aprender, de pesquisar e de buscar e (re)construir conhecimentos. Toda ação educativa é intencional. Daí decorre que todo processo
Por se desejar que as experiências de aprendizagem venham a tocar educativo fundamenta-se em pressupostos e finalidades, não havendo
os estudantes, afetando sua formação, mostra-se indispensável a promo- neutralidade possível nesse processo. Ao determinar as finalidades da
ção de um ambiente democrático em que as relações entre estudantes e educação, quem o faz tem por base uma visão social de mundo, que orien-
docentes e entre os próprios estudantes se caracterizem pelo respeito aos ta a reflexão bem como as decisões tomadas.
outros e pela valorização da diversidade e da diferença. O planejamento curricular passa a ser compreendido de forma estrei-
Faz-se imprescindível uma seleção de saberes e conhecimentos signi- tamente vinculada às relações que se produzem entre a escola e o contexto
ficativos, capazes de se conectarem aos que o estudante já tenha apreen- histórico-cultural em que a educação se realiza e se institui, como um
dido e que, além disso, tenham sentido para ele, toquem-no intensamente, elemento, portanto, integrador entre a escola e a sociedade.
como propõe Larrosa (2004), e, ainda, contribuam para formar identidades As decisões sobre o currículo resultam de um processo seletivo, fazen-
pautadas por autonomia, solidariedade e participação na sociedade. do-se necessário que a escola tenha claro quais critérios orientam esse
Nesse sentido, deve ser levado em conta o que os estudantes já sa- processo de escolha.
bem, o que eles gostariam de aprender e o que se considera que precisam O currículo não se limita ao caráter instrumental, assumindo condição
aprender. de conferir materialidade às ações politicamente definidas pelos sujeitos da

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escola. Para concretizar o currículo, essa perspectiva toma, ainda, como das disciplinas nos currículos e substituí-las por aspectos mais globalizado-
principais orientações os seguintes pontos: res e que abranjam a complexidade das relações existentes entre os ramos
I – a ação de planejar implica na participação de todos os elementos da ciência no mundo real.
envolvidos no processo; Tais estratégias e metodologias são práticas desafiadoras na organiza-
II – a necessidade de se priorizar a busca da unidade entre teoria e ção curricular, na medida em que exigem uma articulação e um diálogo
prática; entre os conhecimentos, rompendo com a forma fragmentada como histori-
III – o planejamento deve partir da realidade concreta e estar voltado camente tem sido organizado o currículo do Ensino Médio.
para atingir as finalidades legais do Ensino Médio e definidas no projeto Nesta etapa de ensino, tais metodologias encontram barreiras em fun-
coletivo da escola; ção da necessidade do aprofundamento dos conceitos inerentes às discipli-
IV – o reconhecimento da dimensão social e histórica do trabalho do- nas escolares, já que cada uma se caracteriza por ter objeto próprio de
cente. estudo e método específico de abordagem. Dessa maneira, tem se revela-
Como proporcionar, por outro lado, compreensões globais, totalizantes do praticamente difícil desenvolver propostas globalizadoras que abranjam
da realidade a partir da seleção de componentes e conteúdos curriculares? os conceitos e especificidades de todas as disciplinas curriculares.
Como orientar a seleção de conteúdos no currículo? Assim, as propostas voltadas para o Ensino Médio, em geral, estão ba-
A resposta a tais perguntas implica buscar relacionar partes e totalida- seadas em metodologias mistas (SANTOMÉ, 1998), as quais são desen-
de. Segundo Kosik (1978), cada fato ou conjunto de fatos, na sua essência, volvidas em, pelo menos, dois espaços e tempos. Um, destinado ao apro-
reflete toda a realidade com maior ou menor riqueza ou completude. Por fundamento conceitual no interior das disciplinas, e outro, voltado para as
esta razão, é possível que um fato contribua mais que outro na explicitação denominadas atividades integradoras. É a partir daí que se apresenta uma
do real. Assim, a possibilidade de se conhecer a totalidade a partir das possibilidade de organização curricular do Ensino Médio, com uma organi-
partes é dada pela possibilidade de se identificar os fatos ou conjunto de zação por disciplinas (recorte do real para aprofundar conceitos) e com
fatos que esclareçam sobre a essência do real. Outros aspectos a serem atividades integradoras (imersão no real ou sua simulação para compreen-
considerados estão relacionados com a distinção entre o que é essencial e der a relação parte-totalidade por meio de atividades interdisciplinares). Há
acessório, assim como o sentido objetivo dos fatos. Além disso, o conheci- dois pontos cruciais nessa proposta: a definição das disciplinas com a
mento contemporâneo guarda em si a história da sua construção. respectiva seleção de conteúdos; e a definição das atividades integradoras,
O estudo de um fenômeno, de um problema, ou de um processo de pois é necessário que ambas sejam efetivadas a partir das inter-relações
trabalho está articulado com a realidade em que se insere. A relação entre existentes entre os eixos constituintes do Ensino Médio integrando as
partes que compõem a realidade possibilita ir além da parte para compre- dimensões do trabalho, da ciência, da tecnologia e da cultura.
ender a realidade em seu conjunto. Cabem, aqui, observações referentes às atividades integradoras inter-
A partir dos referenciais construídos sobre as relações entre trabalho, disciplinares, como colocadas nas Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais
ciência, tecnologia e cultura e dos nexos estabelecidos entre o projeto para a Educação Básica (Parecer CNE/CEB nº 7/2010 e Resolução
político-pedagógico e a organização curricular do Ensino Médio, são apre- CNE/CEB nº 4/2010):
sentadas, em seguida, algumas possibilidades deste. A interdisciplinaridade pressupõe a transferência de métodos de uma
Estas possibilidades de organização devem considerar as normas disciplina para outra. Ultrapassa-as, mas sua finalidade inscreve-se no
complementares dos respectivos sistemas de ensino e apoiar-se na partici- estudo disciplinar. Pela abordagem interdisciplinar ocorre a transversalida-
pação coletiva dos sujeitos envolvidos, bem como nas teorias educacionais de do conhecimento constitutivo de diferentes disciplinas, por meio da ação
que buscam as respectivas soluções. didático-pedagógica mediada pela pedagogia dos projetos temáticos.
Ninguém mais do que os participantes da atividade escolar em seus di- A interdisciplinaridade é, assim, entendida como abordagem teórico-
ferentes segmentos, conhece a sua realidade e, portanto, está mais habili- metodológica com ênfase no trabalho de integração das diferentes áreas do
tado para tomar decisões a respeito do currículo que vai levar à prática. conhecimento.
Compreende-se que organizar o currículo implica romper com falsas Continua o citado Parecer, considerando que essa orientação deve ser
polarizações, oposições e fronteiras consolidadas ao longo do tempo. Isso enriquecida, por meio de proposta temática trabalhada transversalmente:
representa, para os educadores que atuam no Ensino Médio, a possibilida- A transversalidade é entendida como forma de organizar o trabalho di-
de de avançar na compreensão do sentido da educação que é proporcio- dático-pedagógico em que temas, eixos temáticos são integrados às disci-
nada aos estudantes. Esses professores são instigados a buscar relações plinas, às áreas ditas convencionais de forma a estarem presentes em
entre a ciência com a qual trabalham e o seu sentido, enquanto força todas elas.
propulsora do desenvolvimento da sociedade em geral e do cidadão de cuja A interdisciplinaridade é, portanto, uma abordagem que facilita o exer-
formação está participando. cício da transversalidade, constituindo-se em caminhos facilitadores da
Após as análises e reflexões desenvolvidas, discute-se a organização integração do processo formativo dos estudantes, pois ainda permite a sua
curricular propriamente dita, ou seja, como os componentes curriculares participação na escolha dos temas prioritários. A interdisciplinaridade e a
podem ser organizados de modo a contribuir para a formação humana transversalidade complementam-se, ambas rejeitando a concepção de
integral, tendo como dimensões o trabalho, a ciência, a tecnologia e a conhecimento que toma a realidade como algo estável, pronto e acabado.
cultura. Qualquer que seja a forma de organização adotada, esta deve, como
Em geral, quando se discute currículo no Ensino Médio, há uma ten- indica a LDB, ter seu foco no estudante e atender sempre o interesse do
dência a se questionar, corretamente, o espaço dos saberes específicos, processo de aprendizagem.
alegando-se que, ao longo da história, a concepção disciplinar do currículo No que concerne à seleção dos conteúdos disciplinares, importa tam-
isolou cada um deles em compartimentos estanques e incomunicáveis. Os bém evitar as superposições e lacunas, sem fazer reduções do currículo,
conhecimentos de cada ramo da ciência, para chegarem até a escola ratificando-se a necessidade de proporcionar a formação continuada dos
precisaram ser organizados didaticamente, transformando-se em conheci- docentes no sentido de que se apropriem da concepção e dos princípios de
mentos escolares. Estes se diferenciam dos conhecimentos científicos um Ensino Médio que integre sua proposta pedagógica às características e
porque são retirados/isolados da realidade social, cultural, econômica, desenvolvimento das áreas de conhecimento. Igualmente importante é
política, ambiental etc. em que foram produzidos para serem transpostos organizar os tempos e os espaços de atuação dos professores visando
para a situação escolar. Nesse processo, evidentemente, perdem-se muitas garantir o planejamento, implementação e acompanhamento em conjunto
das conexões existentes entre determinada ciência e as demais. Como das atividades curriculares.
forma de resolver ou, pelo menos, minimizar os prejuízos decorrentes da Com relação às atividades integradoras, não cabe especificar denomi-
organização disciplinar escolar, têm surgido, ao longo da história, propostas nações, embora haja várias na literatura, cada uma com suas peculiarida-
que organizam o currículo a partir de outras estratégias. É muito rica a des. Assume-se essa postura por compreender que tal definição é função
variedade de denominações. Mencionam-se algumas dessas metodologias de cada sistema de ensino e escola, a partir da realidade concreta vivenci-
e estratégias, apenas a título de exemplo, sendo propostas que tratam da ada, o que inclui suas especificidades e possibilidades, assim como as
aprendizagem baseada em problemas; centros de interesses; núcleos ou características sociais, econômicas, políticas, culturais, ambientais e labo-
complexos temáticos; elaboração de projetos, investigação do meio, aulas rais da sociedade, do entorno escolar e dos estudantes e professores.
de campo, construção de protótipos, visitas técnicas, atividades artístico- Entretanto, de forma coerente com as dimensões que sustentam a
culturais e desportivas, entre outras. Buscam romper com a centralidade concepção de Ensino Médio aqui discutido, é importante que as atividades

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integradoras sejam concebidas a partir do trabalho como primeira mediação com as áreas de conhecimento, a saber: Linguagens, Matemática, Ciências
entre o homem e a natureza e de suas relações com a sociedade e com da Natureza e Ciências Humanas. As áreas de conhecimento favorecem a
cada uma das outras dimensões curriculares reiteradamente mencionadas. comunicação entre os conhecimentos e saberes dos diferentes componen-
Desse modo, sugere-se que as atividades integradoras sejam desen- tes curriculares, mas permitem que os referenciais próprios de cada com-
volvidas a partir de várias estratégias/temáticas que incluam a problemática ponente curricular sejam preservados.
do trabalho de forma relacional. A legislação, seja pela LDB seja por outras leis específicas, já determi-
Assim sendo, a cada tempo de organização escolar as atividades inte- na componentes que são obrigatórios e que, portanto devem ser tratados
gradoras podem ser planejadas a partir das relações entre situações reais em uma ou mais das áreas de conhecimento para compor o currículo.
existentes nas práticas sociais concretas (ou simulações) e os conteúdos Outros, complementares, a critério dos sistemas de ensino e das unidades
das disciplinas, tendo como fio condutor as conexões entre o trabalho e as escolares, podem e devem ser incluídos e tratados como disciplinas ou, de
demais dimensões. forma integradora, como unidades de estudos, módulos, atividades, práti-
É, portanto, na busca de desenvolver estratégias pedagógicas que con- cas e projetos contextualizados e interdisciplinares ou diversamente articu-
tribuam para compreender como o trabalho, enquanto mediação primeira ladores de saberes, desenvolvimento transversal de temas ou outras for-
entre o ser humano e o meio ambiente, produz social e historicamente mas de organização.
ciência e tecnologia e é influenciado e influencia a cultura dos grupos Os componentes definidos pela LDB como obrigatórios são:
sociais. I – o estudo da Língua Portuguesa e da Matemática, o conhecimento
Este modo de organizar o currículo contribui, não apenas para incorpo- do mundo físico e natural e da realidade social e política, especialmente do
rar ao processo formativo, o trabalho como princípio educativo, como Brasil;
também para fortalecer as demais dimensões estruturantes do Ensino II – o ensino da Arte, especialmente em suas expressões regionais, de
Médio (ciência, tecnologia, cultura e o próprio trabalho), sem correr o risco forma a promover o desenvolvimento cultural dos estudantes, com a Música
de realizar abordagens demasiadamente gerais e, portanto, superficiais, como seu conteúdo obrigatório, mas não exclusivo;
uma vez que as disciplinas, se bem planejadas, cumprem o papel do ne- III – a Educação Física, integrada à proposta pedagógica da instituição
cessário aprofundamento. de ensino, sendo sua prática facultativa ao estudante nos casos previstos
em Lei;
7.4. Base nacional comum e a parte diversificada: integralidade IV – o ensino da História do Brasil, que leva em conta as contribuições
A organização da base nacional comum e da parte diversificada no cur- das diferentes culturas e etnias para a formação do povo brasileiro, especi-
rículo do Ensino Médio tem sua base na legislação e na concepção adotada almente das matrizes indígena, africana e europeia;
nesse parecer, que apresentam elementos fundamentais para subsidiar V – o estudo da História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena, no âmbito
diversos formatos possíveis. Cada escola/rede de ensino pode e deve de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de educação artística e
buscar o diferencial que atenda as necessidades e características sociais, de literatura e história brasileiras;
culturais, econômicas e a diversidade e os variados interesses e expectati- VI – a Filosofia e a Sociologia em todos os anos do curso;13
vas dos estudantes, possibilitando formatos diversos na organização curri- VII – uma língua estrangeira moderna na parte diversificada, escolhida
cular do Ensino Médio, garantindo sempre a simultaneidade das dimensões pela comunidade escolar, e uma segunda, em caráter optativo, dentro das
do trabalho, da ciência, da tecnologia e da cultura. disponibilidades da instituição.
O currículo do Ensino Médio tem uma base nacional comum, comple- Em termos operacionais, os componentes curriculares obrigatórios de-
mentada em cada sistema de ensino e em cada estabelecimento escolar correntes da LDB que integram as áreas de conhecimento são os referen-
por uma parte diversificada. Esta enriquece aquela, planejada segundo tes a:
estudo das características regionais e locais da sociedade, da cultura, da I – Linguagens:
economia e da comunidade escolar, perpassando todos os tempos e espa- a) Língua Portuguesa.
ços curriculares constituintes do Ensino Médio, independentemente do ciclo b) Língua Materna, para populações indígenas.
da vida no qual os sujeitos tenham acesso à escola. c) Língua Estrangeira moderna.
A base nacional comum e a parte diversificada constituem um todo in- d) Arte, em suas diferentes linguagens: cênicas, plásticas e, obrigatori-
tegrado e não podem ser consideradas como dois blocos distintos. A articu- amente, a musical.
lação entre ambas possibilita a sintonia dos interesses mais amplos de e) Educação Física.
formação básica do cidadão com a realidade local e dos estudantes, per- II – Matemática.
passando todo o currículo. III – Ciências da Natureza:
Voltados à divulgação de valores fundamentais ao interesse social e à a) Biologia;
preservação da ordem democrática, os conhecimentos que fazem parte da b) Física;
base nacional comum a que todos devem ter acesso, independentemente da c) Química.
região e do lugar em que vivem, asseguram a característica unitária das III – Ciências Humanas:
orientações curriculares nacionais, das propostas curriculares dos Estados, a) História;
Distrito Federal e Municípios e dos projetos político-pedagógicos das escolas. b) Geografia;
Os conteúdos curriculares que compõem a parte diversificada são defi- c) Filosofia;
nidos pelos sistemas de ensino e pelas escolas, de modo a complementar e d) Sociologia.
enriquecer o currículo, assegurando a contextualização dos conhecimentos Em decorrência de legislação específica, são obrigatórios:
escolares diante das diferentes realidades. I – Língua Espanhola, de oferta obrigatória pelas unidades escolares,
É assim que, a partir das Diretrizes Curriculares Nacionais e dos conte- embora facultativa para o estudante (Lei nº 11.161/2005).
údos obrigatórios fixados em âmbito nacional, multiplicam-se as propostas II – Tratados transversal e integradamente, permeando todo o currícu-
e orientações curriculares de Estados e Municípios e, no seu bojo, os lo, no âmbito dos demais componentes curriculares:
projetos político-pedagógicos das escolas, revelando a autonomia dos a) a educação alimentar e nutricional (Lei nº 11.947/2009, que dispõe
entes federados e das escolas nas suas respectivas jurisdições e traduzin- sobre o atendimento da alimentação escolar e do Programa Dinheiro Direto
do a pluralidade de possibilidades na implementação dos currículos escola- na Escola aos alunos da Educação Básica, altera outras leis e dá outras
res diante das exigências do regime federativo. providências);
Os conteúdos que compõem a base nacional comum e a parte diversi- b) o processo de envelhecimento, o respeito e a valorização do idoso,
ficada têm origem nas disciplinas científicas, no desenvolvimento das de forma a eliminar o preconceito e a produzir conhecimentos sobre a
linguagens, no mundo do trabalho e na tecnologia, na produção artística, matéria (Lei nº 10.741/2003: Estatuto do Idoso);
nas atividades desportivas e corporais, na área da saúde, nos movimentos c) a Educação Ambiental (Lei nº 9.795/99: Politica Nacional de Educa-
sociais, e ainda incorporam saberes como os que advêm das formas diver- ção Ambiental);
sas de exercício da cidadania, da experiência docente, do cotidiano e dos d) a educação para o trânsito (Lei nº 9.503/97: Código de Trânsito Bra-
estudantes. sileiro).
Os conteúdos sistematizados que fazem parte do currículo são deno- e) a educação em direitos humanos (Decreto nº 7.037/2009: Programa
minados componentes curriculares,10 os quais, por sua vez, se articulam Nacional de Direitos Humanos - PNDH 3).

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Reitera-se que outros componentes complementares, a critério dos sis- VI – Atendida a formação geral, incluindo a preparação básica para o
temas de ensino e das unidades escolares e definidos em seus projetos trabalho, o Ensino Médio pode preparar para o exercício de profissões
político-pedagógicos, podem ser incluídos no currículo, sendo tratados ou técnicas, por articulação na forma integrada com a Educação Profissional e
como disciplinas ou com outro formato, preferencialmente, de forma trans- Tecnológica, observadas as Diretrizes específicas, com as cargas horárias
versal e integradora. mínimas de:
Ainda nos termos da LDB, o currículo do Ensino Médio, deve garantir a) 3.200 horas, no Ensino Médio regular integrado com a Educação
ações que promovam a educação tecnológica básica, a compreensão do Profissional Técnica de Nível Médio;
significado da ciência, das letras e das artes; o processo histórico de trans- b) 2.400 horas, na Educação de Jovens e Adultos integrada com a
formação da sociedade e da cultura; e a língua portuguesa como instru- Educação Profissional Técnica de Nível Médio, respeitado o mínimo de
mento de comunicação, acesso ao conhecimento e exercício da cidadania. 1.200 horas de educação geral;
Deve, também, adotar metodologias de ensino e de avaliação que es- c) 1.400 horas, na Educação de Jovens e Adultos integrada com a for-
timulem a iniciativa dos estudantes, bem como organizar os conteúdos, as mação inicial e continuada ou qualificação profissional, respeitado o mínimo
metodologias e as formas de avaliação de tal modo que ao final do Ensino de 1.200 horas de educação geral;
Médio o estudante demonstre domínio dos princípios científicos e tecnoló- VII – Na Educação Especial, Educação do Campo, Educação Escolar
gicos que presidem a produção moderna, e conhecimento das formas Indígena, Educação Escolar Quilombola, de pessoas em regime de acolhi-
contemporâneas de linguagem. mento ou internação e em regime de privação de liberdade, e na Educação
Na perspectiva das dimensões trabalho, ciência, tecnologia e cultura, a Distância, devem ser observadas as respectivas Diretrizes e normas
as instituições de ensino devem ter presente que formam um eixo integra- nacionais.
dor entre os conhecimentos de distintas naturezas, contextualizando-os em VIII – Os componentes curriculares que integram as áreas de conheci-
sua dimensão histórica e em relação à realidade social contemporânea. mento podem ser tratados ou como disciplinas, sempre de forma integrada,
Essa integração entre as dimensões do trabalho, ciência, tecnologia e ou como unidades de estudos, módulos, atividades, práticas e projetos con-
cultura na perspectiva do trabalho como princípio educativo, tem por fim textualizados e interdisciplinares ou diversamente articuladores de saberes,
propiciar a compreensão dos fundamentos científicos e tecnológicos dos desenvolvimento transversal de temas ou outras formas de organização.
processos sociais e produtivos, devendo orientar a definição de toda propo- IX – Tanto na base nacional comum quanto na parte diversificada a or-
sição curricular, constituindo-se no fundamento da seleção dos conheci- ganização curricular do Ensino Médio deve oferecer tempos e espaços
mentos, disciplinas, metodologias, estratégias, tempos, espaços, arranjos próprios para estudos e atividades que permitam itinerários formativos
curriculares alternativos e formas de avaliação. opcionais diversificados, a fim de melhor responder à heterogeneidade e
Estas dimensões dão condições para um Ensino Médio unitário que, ao pluralidade de condições, múltiplos interesses e aspirações dos estudantes,
mesmo tempo, deve ser diversificado para atender com motivação à hetero- com suas especificidades etárias, sociais e culturais, bem como sua fase de
geneidade e pluralidade de condições, interesses e aspirações dos estudan- desenvolvimento.
tes. Mantida a diversidade, a unidade nacional a ser buscada, no entanto, X – Formas diversificadas de itinerários formativos podem ser organi-
necessita de alvos mais específicos para orientar as aprendizagens comuns a zadas, desde que garantida a simultaneidade das dimensões do trabalho,
todos no país, nos termos das presentes Diretrizes. Estes alvos devem ser da ciência, da tecnologia e da cultura, e definidas pelo projeto político-
constituídos por expectativas de aprendizagem dos conhecimentos escolares pedagógico, atendendo necessidades, anseios e aspirações dos sujeitos e
da base nacional comum que devem ser atingidas pelos estudantes em cada a realidade da escola e de seu meio.
tempo do curso de Ensino Médio, as quais, por sua vez devem necessaria- XI – A interdisciplinaridade e a contextualização devem assegurar a
mente orientar as matrizes de competência do ENEM. transversalidade e a articulação do conhecimento de diferentes componen-
Nesse sentido, o Conselho Nacional de Educação deverá apreciar pro- tes curriculares, propiciando a interlocução entre os saberes das diferentes
posta dessas expectativas, a serem elaboradas pelo Ministério da Educa- áreas de conhecimento.
ção, em articulação com os órgãos dos sistemas de ensino dos Estados, do Note-se que as horas acima indicadas são, obviamente, de 60 minutos,
Distrito Federal e dos Municípios. não se confundindo com as horas-aula, as quais podem ter a duração
necessária que for considerada no projeto de cada escola.
7.5. Formas de oferta e de organização do Ensino Médio Destaque-se que há redes escolares com Ensino Médio que já vêm
O Ensino Médio, etapa final da Educação Básica, deve assegurar sua desenvolvendo formas de oferta que atendem às indicações acima, inclusi-
função formativa para todos os estudantes, sejam adolescentes, jovens ou ve com ampliação da duração e da carga horária do curso e com organiza-
adultos, atendendo: ção curricular flexível e integradora. São exemplos desse comportamento
I – O Ensino Médio pode organizar-se em tempos escolares no formato as escolas que aderiram aos Programas Mais Educação e Ensino Médio
de séries anuais, períodos semestrais, ciclos, alternância regular de perío- Inovador, ambos incentivados pelo MEC na perspectiva do desenvolvimen-
dos de estudos, grupos não seriados, com base na idade, na competência to de experiências curriculares inovadoras.
e em outros critérios, ou por forma diversa de organização, sempre que o Ao lado das alternativas que incluem a ampliação da carga horária de-
interesse do processo de aprendizagem assim o recomendar. ve-se estimular a busca de metodologias que promovam a melhoria da
II – No Ensino Médio regular, a duração mínima é de 3 anos, com car- qualidade, sem necessariamente implicar na ampliação do tempo de per-
ga horária mínima total de 2.400 horas, tendo como referência uma carga manência na sala de aula, tais como o uso intensivo de tecnologias da
horária anual de 800 horas, distribuídas em pelo menos 200 dias de efetivo informação e comunicação.
trabalho escolar. No referente à integração com a profissionalização, acrescenta-se que a
III – O Ensino Médio regular diurno, quando adequado aos seus estu- base científica não deve ser compreendida como restrita àqueles conheci-
dantes, pode se organizar em regime de tempo integral, com no mínimo 7 mentos que fundamentam a tecnologia específica. Ao contrário, a incorpora-
horas diárias; ção das ciências humanas na formação do trabalhador é fundamental para
IV – No Ensino Médio regular noturno, adequado às condições de tra- garantir o currículo integrado. Por exemplo: história social do trabalho, da
balhadores e respeitados os mínimos de duração e carga horária, o projeto tecnologia e das profissões; compreensão, no âmbito da geografia, da produ-
pedagógico deve atender com qualidade a sua singularidade, especificando ção e difusão territorial das tecnologias e da divisão internacional do trabalho;
uma organização curricular e metodológica diferenciada, e pode, para filosofia, pelo estudo da ética e estética do trabalho, além de fundamentos da
garantir a permanência e o sucesso destes estudantes: epistemologia que garantam uma iniciação científica consistente; sociologia
a) ampliar a duração para mais de 3 anos, com menor carga horária di- do trabalho, com o estudo da organização dos processos de trabalho e da
ária e anual, garantido o mínimo total de 2.400 horas para o curso; organização social do trabalho; meio ambiente, saúde e segurança, inclusive
V – Na modalidade de Educação de Jovens e Adultos, observadas su- conhecimentos de ecologia, ergonomia, saúde e psicologia do trabalho, no
as Diretrizes específicas, a duração mínima é de 1.200 horas, sendo que o sentido da prevenção das doenças ocupacionais.
projeto pedagógico deve atender com qualidade a sua singularidade, espe-
cificando uma organização curricular e metodológica diferenciada que pode, 8. Implementação das Diretrizes Curriculares Nacionais e o compro-
para garantir a permanência e o sucesso de estudantes trabalhadores: misso com o sucesso dos estudantes
a) ampliar seus tempos de organização escolar, com menor carga ho- O Ensino Médio, fundamentado na integração das dimensões do traba-
rária diária e anual, garantida sua duração mínima; lho, da ciência, da tecnologia e da cultura, pode contribuir para explicitar o

Conhecimentos Específicos 37 A Opção Certa Para a Sua Realização


Apostila Digital Licenciada para Gilson Yuri Silva Moura - yuri_darko@hotmail.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
significado da formação na etapa conclusiva da Educação Básica, uma vez educação integral, dotada de qualidade social. Tais padrões mínimos são
que materializa a formação humana integral. definidos como os que levam em conta, entre outros parâmetros: professo-
Para que essa educação integral constitua-se em política pública edu- res qualificados com remuneração adequada; pessoal de apoio técnico e
cacional é necessário que o Estado se faça presente e que assuma uma administrativo que assegure o bom funcionamento da escola; escolas
amplitude nacional, na perspectiva de que as ações realizadas nesse possuindo condições de infraestrutura e de equipamentos adequados;
âmbito possam enraizar-se em todo o território brasileiro. definição de relação adequada entre número de estudantes por turma e por
Para que isso possa ocorrer é fundamental que as ações desencadea- professor, e número de salas e estudantes.
das nesse domínio sejam orientadas por um regime de coordenação e Finalmente, visando alcançar unidade nacional e respeitadas as diver-
cooperação entre as esferas públicas dos vários níveis, dentro do quadro sidades, reitera-se que o Ministério da Educação elabore e encaminhe ao
de um sistema nacional de educação, no qual cada ente federativo, com Conselho Nacional de Educação, precedida de consulta pública nacional,
suas peculiares competências, colabora para uma educação de qualidade. proposta de expectativas de aprendizagem dos conhecimentos escolares e
A Emenda Constitucional nº 59/2009, incluiu na Constituição Federal justa- saberes que devem ser alcançadas pelos estudantes em diferentes tempos
mente a prescrição de que a União, os Estados, o Distrito Federal e os do curso de Ensino Médio que, necessariamente, se orientem por estas
Municípios devem organizar em regime de colaboração seus sistemas de Diretrizes. Esta elaboração deve ser conduzida pelo MEC em articulação e
ensino (art. 211), e que será articulado o sistema nacional de educação em colaboração com os órgãos dos sistemas de ensino dos Estados, do Distri-
regime de colaboração, o qual é um objetivo do Plano Nacional de Educa- to Federal e dos Municípios. As expectativas de aprendizagem, que não
ção, de duração decenal, a ser estabelecido por lei (art. 214). significam conteúdos obrigatórios de currículo mínimo, devem vir a ser
Em nível nacional, almeja-se coordenação e cooperação entre o MEC e encaradas como direito dos estudantes, portanto, com resultados corres-
outros Ministérios, tendo em vista a articulação com as políticas setoriais pondentes exigíveis por eles.
afins; internamente, entre suas Secretarias e órgãos vinculados; e externa- É imprescindível que o MEC articule e compatibilize, com estas Diretri-
mente, com as instituições de Educação Superior, os sistemas estaduais, zes, as expectativas de aprendizagem, a formação de professores, os
do Distrito Federal e os sistemas municipais de ensino. investimentos em materiais didáticos, e as avaliações de desempenho e
No nível de cada unidade da Federação, espera-se que haja coordena- exames nacionais, especialmente o ENEM. Com essa compatibilização, o
ção e cooperação entre o respectivo sistema de ensino, as instituições de Ensino Médio, em âmbito nacional, ganhará coerência e consistência,
Educação Superior e os sistemas municipais de ensino. Pressupõe igual- visando à sua almejada qualidade social.
mente a cooperação entre órgãos ou entidades responsáveis pelas políticas Ao Ministério cabe, ainda, oferecer subsídios para a implementação
setoriais afins no âmbito estadual e dos municípios. destas Diretrizes.
No nível das unidades escolares é igualmente relevante a criação de
mecanismos de comunicação e intercâmbio, visando à difusão e adoção de II – VOTO DA COMISSÃO
boas práticas que desenvolvam. À vista do exposto, propõe-se à Câmara de Educação Básica a apro-
É esse regime de colaboração mútua que deve contribuir para que as vação das Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio, na forma
escolas, as redes e os sistemas de ensino possam desenvolver um Ensino deste Parecer e do Projeto de Resolução em anexo, do qual é parte inte-
Médio organicamente articulado e sequente em relação às demais etapas grante.
da Educação Básica, a partir de soluções adequadas para questões cen- Brasília, (DF), 4 de maio de 2011.
trais como financiamento; existência de quadro específico de professores Conselheiro José Fernandes de Lima – Relator
efetivos; formação inicial e continuada de docentes, profissionais técnico- Conselheiro Adeum Hilário Sauer
administrativos e de gestores; infraestrutura física necessária a cada tipo de Conselheiro Francisco Aparecido Cordão
instituição, entre outros aspectos relevantes. Conselheiro Mozart Neves Ramos
No tocante aos profissionais da educação – gestores, professores, es- Conselheira Rita Gomes do Nascimento.
pecialistas, técnicos, monitores e outros – cabe papel de relevo aos gesto-
res, seja dos sistemas, seja das escolas. A eles cabe liderar as equipes, III – DECISÃO DA CÂMARA
criar as condições adequadas e estimular a efetivação do projeto político- A Câmara de Educação Básica aprova por unanimidade o voto do Re-
pedagógico e do respectivo currículo, o que requer processo democrático lator.
de seleção segundo critérios técnicos de mérito e de desempenho, como Sala das Sessões, em 4 de maio de 2011.
também lhes deve ser propiciada formação apropriada, inclusive continua- Conselheiro Francisco Aparecido Cordão – Presidente
da, para atualização e aprimoramento do desempenho desse papel. Conselheiro Adeum Hilário Sauer – Vice-Presidente
Quanto aos professores, embora repetitivo, cabe reiterar a necessidade
de efetivação da sua valorização, tanto no referente a remuneração, quanto REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
a plano de carreira, condições de trabalho, jornada de trabalho completa BRASIL. Atos Normativos do Conselho Nacional de Educação.
em única escola, organização de tempos e espaços de sua atuação para http://portal.mec.gov.br/cne/index.php?option=content&task=section&id=7&Itemi
garantia de planejamento, implementação e acompanhamento conjunto das d=206
BRASIL. Legislação. http://www.presidencia.gov.br/legislacao/
atividades curriculares, formação inicial e continuada, inclusive para que se
BRASIL. Plano Nacional de Educação em Direitos humanos. Brasília: Secretaria
apropriem da concepção e dos princípios do Ensino Médio proposto nestas Especial dos Direitos humanos/MEC, 2003.
diretrizes e no respectivo projeto político-pedagógico, incorporando atuação BRASIL. Política Nacional de Juventude: diretrizes e perspectivas. São Paulo:
diversificada, com estratégias, metodologias e atividades integradoras, Conselho Nacional de Juventude; Fundação Friedrich Ebert, 2006.
contextualizadas e interdisciplinares ou diversamente articuladores de BRASIL. Melhores Práticas em Escolas de Ensino Médio no Brasil. Brasília:
saberes. INEP, 2010.
É oportuno lembrar que as ações do MEC voltadas para a expansão e CALLEGARI, C. (org.) O FUNDEB e o Financiamento da Educação Pública no
melhoria do Ensino Médio, como a proposição do FUNDEB (Lei nº Estado de São Paulo. São Paulo: Aquariana - IBSA/APEOESP, 2010.
CAMPOS, M. M. Qualidade da educação: conceitos, representações, práticas.
11.494/2007), a formulação e implementação do Plano de Desenvolvimento
Trabalho apresentado na mesa redonda Qualidade da Educação: conceitos, e
da Educação (PDE), do Plano de Ações Articuladas (PAR) e vários progra- representações, no Ciclo A qualidade da educação básica, promovido pelo Instituto
mas, dentre estes, o Brasil Profissionalizado, o Ensino Médio Inovador, o de Estudos Avançados/USP, 26/04/2007.
Programa Nacional do Livro Didático para o Ensino Médio (PNLEM), vêm CARVALHO, M. J. S., TOGNI, A. C. A escola noturna de Ensino Médio no Bra-
criando condições que favorecem a implementação destas Diretrizes. sil. Revista Ibero-Americana de Educação. OEI, nº 44, maio-agosto 2008.
Lembra-se, igualmente, a proposta do Custo Aluno-Qualidade Inicial CURY, C. R. J. O Ensino Médio no Brasil. Cadernos de Pesquisa. V.38, nº 134,
(CAQi), que indica insumos essenciais associados aos padrões mínimos de maio/agosto 2008.
qualidade para a Educação Básica pública no Brasil, previstos na Constitui- DAYRELL, J. O jovem como sujeito social. Revista Brasileira de Educação.
set./out./nov./dez. 2003.
ção Federal (inciso VII do art. 206) e na LDB (inciso IX do art. 4º), a qual foi
DAYRELL, J. e REIS, J. B. Juventude e Escola: Reflexões sobre o Ensino da Soci-
objeto do Parecer CNE/CEB nº 8/2010. No contexto do CAQi, é exigência ologia no ensino médio. Anais do XIII Congresso Brasileiro de Sociologia. Recife: 2007.
um padrão mínimo de insumos, que tem como base um investimento com DAYRELL, J. et alli. O aluno do Ensino Médio: o jovem desconhecido, in Juven-
valor calculado a partir das despesas essenciais ao desenvolvimento dos tude e escolarização: os sentidos do Ensino Médio. TV Escola. Ano XIX. Boletim 18.
processos e procedimentos formativos, que levem, gradualmente, a uma Brasília: MEC. novembro 2009.

Conhecimentos Específicos 38 A Opção Certa Para a Sua Realização


Apostila Digital Licenciada para Gilson Yuri Silva Moura - yuri_darko@hotmail.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
GOMES, C. A. G. (org.). A nova LDB: uma lei de esperança. Brasília: Universa – § 2º - A educação ambiental deve estar contida nas orientações do
UCB, 1998. Programa de Educação Ambiental do Sistema Educacional – ProEASE, em
KOSIK, K. Dialética do Concreto. Petrópolis: Vozes, 1978. que todas as escolas estão aptas a participar.
KUENZER, A. (org.). Ensino médio: Construindo uma proposta para os que vi-
vem do trabalho. São Paulo: Cortez, 2000. § 3º - O ProEASE incluirá preocupação sobre os ambientes naturais e
LARROSA, J. Notas sobre a experiência e o saber de experiência. In: GERALDI, o uso e coeficiente dos recursos naturais como a água, gastos supérfluos
C. G., RIOLFI, C. R., GARCIA, M. F. (orgs.). Escola Viva: elementos para a constru- de energia e a lida pela redução de resíduos.
ção de uma educação de qualidade social. Campinas: Mercado de Letras, 2004. Art. 3º - A Portaria N.º 1.892/2008, que formaliza a programação dos
MOREIRA, A. F., CANDAU, V. M. Indagações sobre currículo: currículo, conhe- Projetos Socioeducativos está suspensa em 2010, reiterando-se que a
cimento e cultura. Brasília: MEC/Secretaria de Educação Básica, 2007.
OLIVEIRA, R. P., SOUSA, S. Z. Ensino Médio Noturno: democratização e diver-
revisão e reorganização das matrizes curriculares dos ensinos fundamental
sidade. Revista Educar. Nº 30, UFPR, 2008. e médio terão como foco as aprendizagens prioritárias decorrentes da base
SANTOMÉ, J. T. Globalização e interdisciplinaridade: O currículo integrado. Por- nacional comum.
to Alegre: Artes Médicas, 1998. Art. 4º - A presente Portaria estabelece o currículo referenciado, com
SAVIANI, D. A educação musical no contexto da relação entre currículo e socie- ênfase no cuidado para com os componentes da base nacional comum,
dade. Revista HISTEDBR on line, nº 1, 2000. sem nenhum componente de natureza estritamente profissional no segundo
http://www.histedbr.fae.unicamp.br/reder2.html
SILVA, M. R. In: SOUZA, A.R.; GOUVEIA, A.B.; SCWHENDLER, S. S. Coletâ-
segmento do ensino fundamental e no ensino médio, exceto o vinculado
nea Gestão da Escola Pública. Caderno 2. Brasília: MEC - Curitiba: Editora da UFPR. diretamente com a formação profissional técnica de nível médio assegurado
TERIGI, F. Curriculum: itinerários para aprehender un território. Buenos Aires: pela Superintendência de Educação Profissional – SUPROF.
Santillana, 1999. Parágrafo único – Entende-se como currículo referenciado o que privi-
UNESCO: Educação de qualidade para todos: um assunto de direitos humanos. legia a ênfase nos componentes curriculares da base nacional comum,
Brasília: UNESCO, OREALC, 2008. vistos como fonte técnica de apropriação dos conteúdos universalmente
UNESCO: AUR, B. A. Integração entre o ensino médio e a educação profissio-
aceitos para a estruturação dos currículos escolares e, sobremaneira, o
nal. In: REGATTIERI, M. e CASTRO, J.M. (orgs.) Ensino médio e educação profissi-
onal: desafios da integração, Brasília: UNESCO, 2009. alcance disso na ordem social, em que a escola formal se constitui em um
ZIBAS, D. et alli (org.). O ensino médio e a reforma da educação, da escola e dos elementos essenciais.
das políticas educativas. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2009. Art. 5º - O currículo referenciado da educação básica da rede pública
de escolas estaduais será constituído à luz das Diretrizes Curriculares
Nacionais em vigência.
O PAPEL DOS PCN NO ORDENAMENTO DE CON-
§ 1º - Para a escola de ensino fundamental, reitera-se a Resolução
TEÚDOS PARA A ESCOLA DE ENSINO MÉDIO. CNE/CES Nº. 2/98, destacando-se que as áreas de conhecimento ali men-
cionadas devem enfatizar a correlação entre as disciplinas formais destas
Os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio são o re- áreas com a vida cidadã, por intermédio dos nexos transversais entre estas
sultado de meses de trabalho e de discussão realizados por especialistas e ditas disciplinas e os campos da saúde, sexualidade, vida familiar e social,
educadores de todo o país. Foram feitos para auxiliar as equipes escolares meio ambiente, trabalho, ciência e tecnologia, cultura e linguagens.
na execução de seus trabalhos. Servirão de estímulo e apoio à reflexão
sobre a prática diária, ao planejamento de aulas e sobretudo ao desenvol- § 2º - Para a escola de ensino médio, reitera-se a Resolução CNE/CES
vimento do currículo da escola, contribuindo ainda para a atualização Nº. 3/98, destacando-se as referências da organização curricular nas três
profissional. áreas de conhecimento constantes nesta Resolução e, também, a impor-
Segue no CD anexo a este volume Arquivos com os Parâmetros Curri- tância dos princípios da interdisciplinaridade e contextualização no desen-
culares Nacionais para o Ensino Médio (PCNEM). volvimento das atividades escolares.
§ 3º - Considera-se a Diretoria Regional de Educação – DIREC como
órgão responsável pela supervisão da proposta curricular advinda das
A PORTARIA/SEC Nº 1.128/2010, DE 27 DE JANEI- escolas, estando apta para efetuar ajustes e sugerir alterações para, em
RO 2010, PUBLICADA NO DIÁRIO OFICIAL DO ES- seguida, notificar a Superintendência de Desenvolvimento da Educação
TADO EM 28 DE JANEIRO DE 2010. Básica – SUDEB sobre a finalização da proposição de cada escola, caben-
do à mesma a o registro e acompanhamento gerencial.
O SECRETÁRIO DA EDUCAÇÃO DO ESTADO DA BAHIA, no uso de Art. 6º - A formação profissional técnica de nível médio poderá conter
suas atribuições, e considerando: componentes de profissionalização no sentido estrito, nos termos das
A necessidade de realizar ajustes na organização curricular da escola orientações legais advindas do Ministério de Educação e do Conselho
de educação básica (ensinos fundamental e médio), tendo em vista os Nacional de Educação.
dados levantados pelo Programa Escola 10, no que tange às adequações Art. 7º - Ficam estabelecidas as datas 11 de fevereiro de 2010 para a
dos componentes curriculares da parte diversificada. conclusão dos trabalhos de organização do currículo pelas escolas e seu
A premente necessidade de realizar modificações na organização cur- encaminhamento para a DIREC e 19 de fevereiro de 2010 para a remessa
ricular da escola de educação básica (ensinos fundamental e médio), tendo de cada DIREC para a SUDEB.
em vista a consolidação das aprendizagens da base nacional comum. Art. 8º - Estabelecem-se os projetos relacionados a seguir como aque-
RESOLVE les referendados pela Secretaria da Educação para que as unidades esco-
lares realizem suas programações institucionais correlatas à programação
Art. 1º - Ficam Canceladas todas as disciplinas de cunho estritamente
de carga horária e institucionalização de projetos.
profissional da organização curricular do segundo segmento do ensino
fundamental, em todas as escolas da rede pública estadual. a. Mais Educação
Parágrafo único – Esse ato fundamenta-se no disposto pela Resolução b. Centro Juvenil de Ciência e Cultura
CNE/CES Nº. 3/98, ao propugnar que “não haverá dissociação entre a c. Escola de Tempo Integral
formação geral e a preparação para o trabalho, nem está se confundirá com d. Escola Aberta
a formação profissional”. e. Ensino Médio Inovador
Art. 2º - Considerar que as indicações para a organização da parte di- f. Ensino Médio no Campo com Intermediação Tecnológica
versificada do currículo da educação básica devem estar apoiadas no g. Pro-Jovem Campo/Saberes da Terra
Anexo II da Portaria Nº. 1.285/2000, publicada do DOE em 28 de janeiro de
2000, exceto Educação Ambiental, que não condiz com o § 1º do Art. 10 da h. Escola Ativa
Lei Nº. 9.795/99, não se traduzindo, todavia, as citadas indicações em i. Rede das Escolas Famílias Agrícolas
componentes curriculares de cunho profissionalizante. j. Artes (Festival Anual da Canção Estudantil; Artes Visuais Estudantis;
§ 1º - Ficam extintas, doravante, todas as disciplinas cuja denominação Tempos de Arte Literária)
seja Educação Ambiental ou Estudos Ambientais, nas matrizes curriculares k. Ressignificação da Dependência
da escola pública da rede estadual de educação básica. l. Educação Ambiental – ProEASE

Conhecimentos Específicos 39 A Opção Certa Para a Sua Realização


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APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
m. Altas Habilidades 2. Educação Religiosa é um componente desdobrado em atividades a
n. Gestar ser desenvolvida em dias específicos, previstos no Projeto Político Pedagó-
o. Jogos Estudantis da Rede Pública gico, sem notas/conceitos para efeito de promoção, a ser realizado de
forma a assegurar o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil.
Parágrafo único – Subentende-se que o ato contido no caput direciona
a ação educativa da escola para valorização da base nacional comum e 3. Arte tem sua dimensão cultural e se propõe a valorizar as possibili-
seus efeitos na ordem social a partir da escolarização formalizada, ficando dades criadoras e discutir a inserção da arte na sociedade como elemento
estes mencionados projetos e programas na pauta da programação da dinamizador da cultura.
carga horária docente fora do âmbito dos componentes listados no currículo 4. Estudos transversais apontados no Projeto Político Pedagógico, es-
referenciado, no limite de 20 horas. pecificados nas disciplinas correspondentes e nas devidas unidades didáti-
Art. 9º - O Anexo I estabelece o padrão de organização curricular que cas, sobre as temáticas:
sustenta a noção de currículo referenciado e se constitui no fundamento a) Estudos transversais sobre a temática da Lei Nº. 11.645/2008 –
para as unidades escolares realizarem a programação de carga horária dos Educação das Relações Étnico-raciais.
docentes. b) Estudos transversais sobre a temática da Lei Nº. 9.795/99 – Educa-
Art. 10º - Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação e os ção Ambiental no Sistema Educacional.
casos omissos serão resolvidos pelo núcleo inter-setorial da Secretaria da c) Estudos transversais sobre a temática do Plano Nacional de Educa-
Educação. ção em Direitos Humanos.

Anexo I 5. A Matriz Curricular para a Educação Fundamental para adolescentes


Matriz Curricular Referenciada de 15 a 17 anos, será objeto de uma Portaria específica.
MODELO PARA O ENSINO FUNDAMENTAL DIURNO
Ensino Fundamental (2º segmento) 5ª 6ª 7ª 8ª Matriz Curricular Referenciada
MODELO PARA O ENSINO MÉDIO DIURNO
I – BASE NACIONAL COMUM Séries
Português 4 4 4 4 COMPONENTES
1ª 2ª 3ª
CURRICULARES
Matemática 4 4 4 4 SEM ANO SEM ANO SEM ANO
Geografia 3 3 3 3
História 3 3 3 3
Ciências 3 3 3 3
Testes
Artes 2 2 2 2 01. Consta no artigo 14º da atual LDB o princípio da gestão
Ed. Física 2 2 2 2 democrática. Sobre este princípio pode-se afirmar:
a) Norteia as ações de todos os estabelecimentos de ensino, sejam
Ed. Religiosa xx xx xx xx
eles dos sistemas públicos ou privados de ensino.
Sub Total 21 21 21 21 b) Diz respeito, entre outras coisas, à participação das comunidades
escolar e local na elaboração do projeto pedagógico da escola.
II – PARTE DIVERSIFICADA c) É o próprio conselho escolar eleito e por representantes da
comunidade escolar e usuária.
Eixo Temático 1 – Meio Ambiente
d) Significa eleições de diretores em todos os estabelecimentos
Foco: Recursos Naturais 2 públicos de ensino que oferecem educação básica.
Eixo Temático 2 – Ciência e Tecnologia e) É o mesmo que proposta pedagógica ou projeto político
pedagógico da escola pública de ensino fundamental.
Foco: Leitura de Rótulos de Alimentos 2
Eixo Temático 3 – Identidade e Cultura 02. Constitui-se como um princípio da Educação Nacional:
Foco: Território, memória histórica e a) Ensino fundamental obrigatório e extensão do ensino médio.
identidade 2 b) Atendimento gratuito à criança de zero a seis anos em creches e
pré-escolas.
Eixo Temático 4 – Linguagens e Comuni-
c) Oferta de ensino regular noturno adequado às condições do
cação
educando.
Foco: Língua Estrangeira Moderna 2 2 2 2 d) Igualdade de condições para o acesso e permanência na escola.
e) Zelar, junto aos pais ou responsáveis, pela frequência à escola.
Eixo Temático 5 – Cidadania
Foco: Consumo e Cidadania 2 03. Sobre o ensino médio no Brasil é correto afirmar:
a) É a primeira etapa da educação básica e de caráter
Sub Total 4 4 4 4
profissionalizante.
b) A fonte principal de seu financiamento e suprimento é o FUNDEF.
III- ESTUDOS TRANSVERSAIS xx xx xx xx c) Sua conclusão é requisito para a matrícula em qualquer curso
TOTAL 25 25 25 25 profissional.
d) Orienta-se pela LDB e Diretrizes Curriculares Nacionais de 1998
Nota: do CNE.
e) É direito líquido e subjetivo de todo cidadão brasileiro desde 1988.
1. Na Parte Diversificada, os docentes serão destinados aos Eixos Te-
máticos; os focos sobre os quais são materializadas as atividades didáticas 04. A partir da Lei 9394/96 foram introduzidas mudanças em relação
destes citados Eixos são produtos de orientações das escolas e, no caso aos exames supletivos:
de haver mais de um deles, será necessária a avaliação sobre qual (is) Eixo a) As exigências foram modificadas, incluindo a redução da idade
(s) deixará (ão) de ser oferecidos. Os Focos impressos nesta matriz se para sua prestação.
constituem apenas em exemplos possíveis, com exceção de Língua Es- b) O formato e requisitos permaneceram idênticos ao preconizado
trangeira Moderna. Caberá, portanto, à Unidade Escolar definir os focos pela Lei 5692/71.
respectivos de cada Eixo.
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c) São realizados somente nas instituições públicas municipais e d) Visa à difusão das conquistas e benefícios resultantes da criação
estaduais. cultural e da pesquisa científica e tecnológica.
d) Foram extintos, sendo agora o ensino fundamental e médio de e) Procura estimular a criação cultural e o desenvolvimento do espírito
natureza presencial. científico e do pensamento reflexivo.
e) Permaneceram apenas como possibilidade para conclusão do
ensino fundamental. 10) Constituem-se como modalidades de educação na legislação atual:
a) Educação pública, educação privada educação de jovens e
05. A inclusão da educação infantil na Lei de Diretrizes e Bases da comunitária.
Educação 9394/96, como seção autônoma foi uma importante resposta
b) Educação básica, educação técnica, educação profissional e
às demandas da sociedade brasileira. Qual das alternativas abaixo
tecnológica.
está em desacordo com o que a atual lei define para Educação
Infantil? c) Educação superior, educação básica e educação de jovens e
a) A finalidade da Educação Infantil é o desenvolvimento físico, adultos.
psicológico, social e intelectual da criança em idade de 0 a 6 anos. d) Educação de jovens e adultos, educação básica e educação
b) O processo de avaliação do desenvolvimento da criança deve ser tecnológica.
feito mediante registro, cujo objetivo é a promoção para o ensino e) Educação de jovens e adultos, educação profissional e educação
fundamental. especial.
c) As instituições privadas de Educação Infantil integram o sistema
municipal de educação. 11. Conforme o Art. 2º da LDB - Lei 9394/96, leia:
d) Essa modalidade de educação deve ser oferecida em creches A educação, ___________________, inspirada nos princípios de
para crianças de zero a três anos e em pré-escolas para crianças liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o
de quatro a seis anos de idade. pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da
e) A educação Infantil é considerada a primeira etapa da educação cidadania e sua qualificação para o __________. Assinale a alternativa
básica e deve complementar as ações da família frente à que completa corretamente as lacunas acima respectivamente:
criança. a) Dever da família e da comunidade – aprendizado.
b) Dever da comunidade – mercado profissional.
06. Como proclama a Lei 9394/96, uma das regras comuns para c) Dever da sociedade e integralmente da família – trabalho.
organização da Educação Básica no Brasil é:
d) Dever da família e do Estado – trabalho.
a) Baixar normas complementares para seu sistema
e) Exclusivo do Estado – mercado profissional.
estabelecimentos de ensino.
b) Assegurar o ensino fundamental e oferecer com prioridade o
ensino infantil, médio e superior. 12. O ensino é ministrado em um dos princípios apresentados abaixo,
c) Cumprir carga horária mínima anual de oitocentas horas, de acordo com a Lei 9394/96, exceto:
distribuídas por um mínimo de duzentos dias letivos. a) Respeito à liberdade e apreço à tolerância.
d) Analisar e autorizar o funcionamento de escolas de ensino normal c) Valorização do profissional da educação escolar.
médio, tecnológico e profissional. d) Garantia de padrão de qualidade.
e) Recensear a população em idade escolar para o ensino e) Valorização da experiência extra-escolar.
fundamental e de jovens e adultos desescolarizados. e) Desvinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas
sociais.
07. Não é considerada uma incumbência dos estabelecimentos de
ensino: 13. Conforme o Art. 5º da Lei 9394/96-LDB, complete a lacuna abaixo:
a) Autorizar, credenciar e supervisionar os sistemas de ensino.
“Art. 5º. O acesso ao ensino fundamental é direito público subjetivo,
b) Elaborar com auxílio da comunidade sua proposta pedagógica.
podendo qualquer cidadão, grupo de cidadãos, associação
c) Assegurar o cumprimento dos dias letivos e horas aula
comunitária, organização sindical, entidade de classe ou outra
estabelecidas.
legalmente constituída e, ainda, o (a) __________, acionar o Poder
d) Velar pelo cumprimento do plano de trabalho de cada docente.
Público para exigí-lo.”
e) Prover meios para recuperação dos alunos de menor rendimento.
a) Comunidade.
b) Município.
08. Os currículos do ensino fundamental e médio, segundo a atual Lei
de Diretrizes e Bases da Educação Nacional: c) Estado.
a) Incluem em sua base comum nacional o incentivo ao desporto d) Ministério Público.
educacional e práticas desportivas não formais. e) Conselho Regional de Educadores.
b) Devem ter uma base nacional comum a ser complementada em
cada sistema e estabelecimento de ensino por uma parte 14. Conforme a Lei Federal 9394/96, título IV “Da Organização da
diversificada. Educação Nacional”, Art. 20, não são consideradas como instituições
c) Autorizam e credenciam os estabelecimentos de ensino baixando de ensino privado:
normas gerais e específicas para seu funcionamento. a) Confessionais.
d) Incluem em sua parte diversificada, a partir do primeiro ano da b) Comunitárias.
educação básica, o ensino de uma língua estrangeira moderna. c) Filantrópicas.
e) Integram sua parte diversificada programas de aceleração de d) Particulares em sentido amplo.
estudos para alunos da educação básica em atraso escolar. e) Particulares em sentido estrito.

09. Trata-se de uma referência a Educação Especial na atual LDB: 15. Sobre a Lei Federal 9394/96, Seção II “Da Educaçã