Você está na página 1de 35

UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ

CENTRO DE EDUCAÇÃO
CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GESTÃO PÚBLICA MUNICIPAL

HELDER LIMA DOS SANTOS

O COMPORTAMENTO DE COMPRA DOS BENEFICIÁRIOS PELO PROGRAMA


BOLSA FAMÍLIA NO MUNICÍPIO DE VÁRZEA ALEGRE – CE

ORÓS – CEARÁ
2018
HELDER LIMA DOS SANTOS

O COMPORTAMENTO DE COMPRA DOS BENEFICIÁRIOS PELO PROGRAMA


BOLSA FAMÍLIA NO MUNICÍPIO DE VÁRZEA ALEGRE – CE

Trabalho de Conclusão de Curso apresentada


ao Curso de Especialização em Gestão Pública
Municipal do Centro de Educação da
Universidade Estadual do Ceará, da
Universidade Aberta do Brasil como requisito
parcial para obtenção da certificação de
especialista em Gestão Pública Municipal.

Orientador: Prof. Me.Carlos Alberto Pereira


Leite Filho.

ORÓS – CEARÁ
2018
Dedico o presente trabalho à minha família,
que esteve comigo em todos os momentos, na
graduação e na pós, bem como ao longo do
curso e nesta reta final.
AGRADECIMENTOS

Em primeiro lugar, agradeço, de modo especial a Deus, por sempre me proporcionar novas
oportunidades e a graça de mais uma vez conquistar um novo curso;
À minha família, que esteve comigo e contribuiu de todas as formas para que pudesse concluir
mais uma especialização;
Aos meus colegas e companheiros de curso e viagem, que dividiram comigo idas e vindas à
cidade de Orós, momentos bons e ruins na caminhada e sem a presença deles parte desse
processo não teria acontecido;
Agradeço aos professores, que nos proporcionaram uma visão crítica e novos conhecimentos.
Um agradecimento especial à Tutora do curso Bruna, pelo seu compromisso, empenho e
dedicação em todo o decorrer do curso, pessoa de estima e extrema competência;
Agradeço também à Universidade Federal do Ceará, por nos dar a oportunidade de adquirir
conhecimentos, através de meios tecnológicos, com parte do curso feito à distância, tendo em
vista o tempo e a correria da vida atual. Com isso, garantimos mais um título através desta.
“Para realizar grandes conquistas, devemos
não apenas agir, mas também sonhar; não
apenas planejar, mas também acreditar.”
(Anatole France).
RESUMO

O Bolsa Família é um programa de transferência de renda que se destina a pessoas limitadas


em nível de pobreza e extrema pobreza, com o propósito de distribuir um recurso de acordo
com a quantidade de pessoas existentes na família, e através dessa renda, garantir uma
condição financeiras favorável para elas. Este estudo abordará a forma como os beneficiários
do Programa Bolsa Família (PBF) destinam o recurso financeiro recebido, na cidade de
Várzea Alegre – CE. Para tanto, foi realizado um estudo exploratório e descritivo, de
abordagem quantitativa, uma vez que esta possibilita maior comparação com o cotidiano e as
experiências propostas pelo tema. O trabalho procura identificar, através de uma pesquisa em
campo, desenvolvida no período de primeiro de outubro ao dia cinco do mesmo mês, com 60
beneficiários do programa, em locais aleatórios na cidade. No estudo, foi observado que a
grande maioria são mulheres, boa parte desenvolve uma atividade para complementar a renda.
Os recursos recebidos são, de fato, utilizados nas necessidades da casa, aplicados nos
seguintes itens: alimentação, medicamentos, educação e pagamento de água e luz.

Palavras-chave: Comportamento. Consumidor de baixa renda. Programa bolsa família.


ABSTRACT

The Bolsa Família is an income transfer program for people limited in terms of poverty and
extreme poverty, in order to distribute a resource according to the number of people in the
family, and through this income, guarantee a condition favorable to them. This study will
address how the beneficiaries of the Bolsa Família Program (PBF) allocate the financial
resources received in the city of Várzea Alegre - CE. For that, an exploratory and descriptive
study was carried out, with a quantitative approach, since this allows a greater comparison
with the daily life and the experiences proposed by the theme. The study seeks to identify,
through field research, carried out in the period from the first of October to the fifth of the
same month, with 60 beneficiaries of the program, in random locations in the city. In the
study, it was observed that the great majority are women, much of which develops an activity
to supplement income. The resources received are, in fact, used in the needs of the house,
applied in the following items: food, medicines, education and payment of water and
electricity.

Keywords: Behavior. Low income consumer. Family grant program.


LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Tabela 1 - Valores repassados às famílias beneficiárias do PBF -


Várzea Alegre - CE ......................................................................................... 18
Tabela 2 – Comportamento de compra dos beneficiários do BPF de
Várzea Alegre-CE ........................................................................................... 26
Gráfico 1 – Faixa etária ...................................................................................................... 21
Gráfico 2 – Sexo................................................................................................................... 22
Gráfico 3 - Qual é o seu grau de escolaridade? ............................................................... 22
Gráfico 4 - É beneficiário (a) do PBF há quanto tempo? ............................................... 23
Gráfico 5 - Qual é o valor do benefício do bolsa família que você recebe? ................... 24
Gráfico 6 - Tem emprego ou outra fonte de renda além do PBF? ................................. 24
Gráfico 7 - Quantos membros tem a família? .................................................................. 25
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 11
2 CONTEXTO E PROBLEMA ................................................................................. 12
2.1 OBJETIVOS ............................................................................................................... 12
2.1.1 Geral....................................................................................................................................... 12
2.1.2 Específicos ............................................................................................................................. 13
2.2 JUSTIFICATIVA ....................................................................................................... 13
3 REFERENCIAL TEÓRICO ................................................................................... 14
3.1 COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR DE BAIXA RENDA .......................... 14
3.2 PROGRAMA DE TRANSPARÊNCIA DE RENDA BOLSA FAMÍLIA (PBF) ..... 14
3.3 PROGRAMA BOLSA FAMÍLIA EM VÁRZEA ALEGRE - CE ............................ 17
4 METODOLOGIA .................................................................................................... 19
5 ANÁLISE DOS DADOS COLETADOS ................................................................ 21
5.1 PERFIL SOCIOECONÔMICO DOS ENTREVISTADOS ....................................... 21
5.2 ANÁLISE DO COMPORTAMENTO DE COMPRA DOS BENEFICIÁRIOS
DO PBF ...................................................................................................................... 26
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS................................................................................... 28
REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 30
APÊNDICES ............................................................................................................. 32
APÊNDICE A - QUESTIONÁRIO (BOLSA FAMÍLIA) ......................................... 33
APÊNDICE B - ANÁLISE DO COPORTAMENTO DE COMPRA DOS
BENEFICIÁRIOS (AS) DO PROGRAMA BOLSA FAMÍLIA, LEVANDO EM
CONSIDERAÇÃO O QUE PODEM COMPRAR COM O DINHEIRO QUE
RECEBEM? ............................................................................................................... 34
11

1 INTRODUÇÃO

A sociedade, ao longo do tempo, destaca a diferente relação entre as classes no


Brasil. Manifestando, a partir do cenário passado da história do país que vem desde a
colonização, os regimes fundiários, o período republicano e até os atuais dias, a pobreza e a
desigualdade social em elevado nível (Dedecca, 2014). Diante do cenário de desigualdade em
que o país se encontra, o governo cria um programa de assistência, constituído de
transferência de renda direta, condicionalidades e ações complementares para as famílias
necessitadas.
O Programa Bolsa Família (PBF) ganhou grande popularidade no decorrer dos
anos. Consolidado em 2003, contendo o objetivo de acabar a miséria, a exclusão social e
possibilitar a independência de famílias mais pobres (Santana, 2007).
Por ser considerada uma das mais importantes práticas de assistência, o Bolsa
Família é um programa que destina uma renda com propósito de garantir uma melhor
condição da atuação das áreas da educação, da saúde e assistência social e, dessa forma,
necessitam do compromisso de todas as famílias assistidas pelo programa para que a
utilização do recurso ocorra da forma correta. Visto que esse recurso, nas famílias
beneficiadas, deve suprir pontos de extrema necessidade entre as pessoas assistidas pelo PBF.
Defende-se neste trabalho, a importância de que o programa tem, desde o seu
inicio, até os dias atuais, recursos direcionados de forma direta, proporcionando para as
familias de baixa renda uma estabilidade econômica e social na sociedade.
Para nortear a construção do presente trabalho, foi dividido em etapas:
primeiramente a utilização de pesquisas bibliográficas, pesquisas documentais e análise de
dados secundários, a fim de construir o referencial teórico, que permitiu o entendimento para
o alcance dos objetivos propostos.
Em seguida, a coleta de dados primários feitos através da pesquisa de campo e
aplicada entre 60 (sessenta) beneficiários do PBF – Programa Bolsa Família, na cidade de
Várzea Alegre – CE, a fim de analisar o destino dos recursos financeiros recebidos pelos
beneficiários do programa Bolsa Família.
E por fim, o presente trabalho encerra com as análises de resultados,
estabelecendo o paralelo entre as fundamentações teóricas e a discussão do comportamento de
compra dos beneficiários pelo programa Bolsa Família, no município de Várzea Alegre – CE,
além da conclusão com as principais análises acerca do estudo.
12

2 CONTEXTO E PROBLEMA

A problemática do trabalho gira em torno da proporcionalidade, em que boa parte


dos assistidos do Bolsa Família não destina o recurso financeiro de forma correta em sua
utilização. Dessa forma, busca-se entender: Como as famílias do programa Bolsa Família em
Várzea Alegre – CE estão utilizando o recurso? Será que todas as famílias entendem que o
recurso deve ser direcionado à saúde, à educação? Será que as famílias sabem de suas
obrigações perante o programa? Como devem ser utilizados os recursos do PBF? Quais
orientações devem ser tomadas para mudar esse cenário da cidade?
Diante de tantas indagações, é visível a curiosidade de compreensão como é
utilizado o recurso do programa Bolsa Família em Várzea Alegre, e assim buscar orientar
sobre a importância da forma correta da utilização do recurso, para que possam sempre contar
com o apoio do programa Bolsa Família na vida de quem necessita.
A presente pesquisa busca analisar a utilização dos recursos financeiros do
programa, e através desse estudo desenvolvido, orientar aos beneficiários uma melhor
utilização do Programa Bolsa Família (PBF) na cidade de Várzea Alegre – CE. Com base
nesse recorte, tem-se como ponto de partida a análise de como o dinheiro do Bolsa Família é
utilizado por quem o recebe.
A importância em desenvolver esta pesquisa se originou através de uma
curiosidade em entender como uma das mais essenciais ações de assistência do governo
voltada para a população de baixa renda tem, nos últimos anos, proporcionado uma melhor
condição de vida às família que estão enquadradas no programa Bolsa Família.
As percepções decorrentes das observações que se têm feito no cotidiano de
algumas famílias, levam-nos ao desenvolvimento deste estudo, uma vez que nos motivam a
compreender as diferentes maneiras em que os usuários dos serviços do programa vêm
utilizando os recursos financeiros a eles destinados, diferenciando uns dos outros.

2.1 OBJETIVOS

2.1.1 Geral

Identificar o comportamento de compra dos beneficiários pelo Programa Bolsa


Família, no município de Várzea Alegre - CE.
13

2.1.2 Específicos

a) Descrever a dinâmica do programa e mostrar sua real importância para as


famílias que estão sendo beneficiadas;
b) Traçar o perfil dos beneficiários do Programa Bolsa Família;
c) Analisar o destino dos recursos financeiros recebidos pelos Beneficiários do
Programa Bolsa Família em Várzea Alegre.

2.2. JUSTIFICATIVA

Através desse estudo, acredita-se que será compreendido o comportamento de


compra dos usuários do programa na cidade de Várzea Alegre-CE, o que pode auxiliar para a
escolha de estratégias públicas que buscam melhorar as condições de decisão financeira dos
beneficiários do PBF, garantindo assim, segurança financeira e satisfação aos que fazem parte
do programa.
Além disso, busca-se aprimorar a compreensão das estruturas e condições dos
usuários do PBF que fazem parte do grupo de brasileiros que vivem em situação de nível
financeiro baixo. A ideia desta pesquisa está voltada ao foco do comportamento de compra
dos indivíduos de baixa renda vinculados ao programa PBF, com um destaque na realização
do estudo em uma região do interior, cidade de Várzea Alegre-CE, município assim, como os
demais interioranos, com condições econômicas precárias e que destacam o programa Bolsa
Família como uma das mais importantes rendas da maior parte da população, tendo em vista
que as oportunidades de trabalho são poucas, o que requer maior atenção a essas pessoas
assistidas pelo programa Bolsa Família, visto que são as pessoas com menos conhecimento
para conseguir uma oportunidade de trabalho.
14

3 REFERENCIAL TEÓRICO

3.1 COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR DE BAIXA RENDA

A humanidade, no decorrer da história, sempre procurou maneiras de satisfazer os


desejos e as necessidades existentes no dia a dia. No que diz respeito ao consumo do ser
humano, esse comportamento está ligado aos pensamentos, sentimentos e ações de cada um.
Essa área de estudo é um tanto extensa para o entendimento do assunto.
De acordo com (SHETH; MITTAL; NEWMAN, 2001), o comportamento está
definido através das atividades físicas e mentais dos clientes, pelos bens de consumo que
resultam nas ações e decisões, bem como utilizar serviços, comprar produtos, e até mesmo em
pagá-los.
Engel, Miniard e Blackwell (2008) definem o comportamento do consumidor,
como sendo uma atividade que envolve consumir, adquirir e possuir produtos e serviços,
envolvendo processos de tomada de decisão de compra e consolidam o ato de consumir.
Nos dias atuais, é fundamental o estudo sobre o comportamento do consumidor,
levando em consideração que existe desde o período em que as trocas apareceram,
caracterizando desde então o comportamento de compra dos consumidores da época.
Conforme relatam Barros e Rocha (2007), para o consumidores de baixa renda, os
créditos são essenciais por serem um meio em que esses consumidores têm acesso a bens de
consumo, e a opção das lojas está ligada aos atendimentos de qualidade.
Em referência ao comportamento dos consumidores de baixa renda, as empresas
não buscam se adequar às necessidades dessas classes, visto que é uma classe de quantidade
grande e tem um potencial elevado junto ao consumo. (PARENTE, 2000).

3.2 PROGRAMA DE TRANSPARÊNCIA DE RENDA BOLSA FAMÍLIA (PBF)

Desde o inicio da década de 1990, surge na América Latina, proposta de rendas


com o propósito de controlar a pobreza. Esses projetos, como são tratados por Lavinas e Cobo
(2010, p. 4), buscam beneficiar os que se enquadram, posterior à comprovação de sua
situação, que é definida normalmente como a incapacidade de insuficiência existente na
condição de vida, devido à decorrência dos baixos rendimentos financeiros.
De fato, classificada pela renda, a pobreza não se limita apenas às finanças, mas
também às privações das necessidades básicas. Sendo assim, são considerados pobres os que
de maneira temporária ou permanente, não obtiveram um pouco de bens e recursos, sendo
assim excluídos da riqueza e classe social mais elevada.
15

No Brasil, pais que têm; através do programa, contribuído para que famílias de
baixa renda possam suprir parte das necessidades e melhorar sua situação financeira, vêm;
segundo a autora Carloto (2012), afirmar sua existência, desde a década de 1990, e sua
ampliação com várias denominações, reorganizando e diversificando os benefícios como, por
exemplo auxílio gás, bolsa escola federal e bolsa auxílio alimentação no Programa Bolsa
Família.
Ainda, segundo Carloto (2012), o PBF trata-se de um projeto de transferência
condicionada de renda que abrange aproximadamente 13 milhões de famílias, aptas a adquirir
o auxílio proposto e que tendem a receber cerca de R$ 32,00 a R$ 242,00, dependendo da
renda existente(s) na família e do número e idade dos filhos existentes na moradia, devendo
estarem inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico).
O programa Bolsa Família, sugerido pelo Governo Federal, teve início em outubro
de 2003, com o propósito de contribuir para as famílias mais necessitadas e pobres,
procurando garantir o direito à alimentação e o propósito de alterações na situação financeira
das famílias assistidas pelo programa.
Atualmente, o principal programa de redistribuição da renda no Brasil é o Programa
Bolsa Família, que foi criado no ano de 2003 e formalizado com a Lei n. 10.836, de
09 de janeiro de 2004, e regulamentado pelo Decreto nº 5.209, de 17 de setembro de
2004. (ROSINKE et al, 2010, pag. 79).

O projeto do programa é uma ação de combate à fome, e administrado pelo


Ministério de Desenvolvimento Social, que visa ao seu objetivo principal a diminuição
imediata da pobreza e o progresso das famílias, através de uma renda direta. Tem nos últimos
anos se transformado, tanto pelo seu rápido crescimento quanto ao alcance do território social
brasileiro.
A proposta que vem crescendo, nesse intervalo de tempo, traz em seu processo o
objetivo de superar a pobreza e também a interação e o compromisso das famílias
beneficiadas, garantindo a cada um direitos e deveres, já que estão inseridos no programa.
(CARNELOSSI; BERNARDES, 2014).
O projeto que transforma a situação da realidade econômica do Brasil tem o
objetivo de beneficiar, combater a fome, proteger e orientar os seus inclusos na conquista
de uma vida melhor. Conforme verifica-se abaixo:
Art. 4º - Os objetivos básicos do Programa Bolsa Família, em relação aos seus
beneficiários, sem prejuízo de outros que venham a ser fixados pelo Ministério do
Desenvolvimento Social e Combate à Fome, são:
I - Promover o acesso à rede de serviços públicos, em especial, de saúde, educação e
assistência social;
II - Combater a fome e promover a segurança alimentar e nutricional;
16

III - Estimular a emancipação sustentada das famílias que vivem em situação de


pobreza e extrema pobreza;
IV - Combater a pobreza; e
V - Promover a intersetorialidade, a complementaridade e a sinergia das ações
sociais do Poder Público. (DECRETO Nº 5.209 DE 17 DE SETEMBRO DE 2004).

O Programa Bolsa Família, além de ser um projeto que visa beneficiar famílias de
baixa renda, busca se incluir na estratégia “Fome Zero” com o propósito de superar a fome e a
pobreza. Segundo Carloto (2012), destacam-se dimensões como: alívio imediato da pobreza,
através de renda direta à família; acesso aos direitos sociais de Saúde e Educação, com o
cumprimento das condicionalidades e programas complementares, que visam desenvolver os
beneficiários do programa.
A proposta gerenciada pelo governo garante à população de renda mais baixa a
certeza de que estará amparada(s) pelo programa, mas fixa um compromisso sujeito ao
cancelamento dessa assistência, caso não venham sendo cumpridos. (CARNELOSSI;
BERNARDES, 2014). Portanto, a garantia do direito à renda do programa que por sua vez é
embasado na transferência de renda com condicionalidade direcionada às famílias mais
carentes, tenta definir a pobreza, segundo a renda per capita de cada casa, durante o mês,
mesmo entendendo que a pobreza trata-se de um fenômeno de dimensões diferentes e que não
apenas as rendas das famílias, mas a insuficiência de renda está interligada ao fato de existir
pobreza. (CUNHA, 2008).
Também precisa ser entendido que as famílias beneficiadas se enquadram na lei
de criação do Bolsa Família, que define o programa a partir de articulação específica para a
existência desse projeto, conforme é analisado por Cunha (2008, p. 5):
A lei que criou o PBF considerava elegíveis famílias com até R$ 100,00 de renda
per capita mensal. No início do ano de 2006, esta linha de pobreza foi reajustada e,
hoje, o PBF considera como famílias pobres aquelas com renda per capita mensal de
até R$ 120,00. Dentre essas, as famílias com renda per capita mensal de até R$
60,00 são consideradas extremamente pobres e são elegíveis para o PBF
independentemente de sua composição. As famílias com renda per capita mensal
entre R$ 60,01 e R$ 120,00, por sua vez, podem ingressar no Programa, desde que
apresentem em sua composição crianças e adolescentes de até 17 anos.

Entende-se que o programa busca estimular sustentação das famílias que vivem
em situação vulnerável, por ser um programa de transferência direta de renda, identificadas no
Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal, e que ao longo desses anos vem
a cada dia ganhando forma e mudanças que visam melhorar ainda mais as situações das
famílias. Sendo assim, são elegíveis ao PBF, famílias que se enquadram com cadastros
atualizados nos últimos 24 meses; e renda mensal por pessoa de até R$ 85,00 ou renda mensal
17

por pessoa de R$ 85,01 a R$170,00, desde que possuam crianças ou adolescentes de 0 a 17


anos em sua composição. (BRASIL, 2018).
Conforme o manual de gestão do Cadastro Único do Ministério do
desenvolvimento Social, O Cadastro Único trata-se de um sistema que registra as informações
sobre cada família de baixa renda, identificando seus membros e suas condições econômicas e
sociais. O Governo Federal utiliza os dados do Cadastro Único para conceder benefícios de
programas sociais, como: Tarifa Social de Energia Elétrica, Benefício de Prestação
Continuada (BPC), Programa Bolsa Família, entre outros. Todos os municípios brasileiros já
operam o Cadastro Único.

3.3 PROGRAMA BOLSA FAMÍLIA EM VÁRZEA ALEGRE - CE

No município de Várzea Alegre, verifica-se uma abrangência que totaliza a


quantidade significativa de beneficiários do Programa Bolsa Família de 6.212 (seis mil,
duzentos e doze) famílias inseridas, destacando sua parcela equivalente, aproximadamente, a
36,38% total da população do município de Várzea Alegre. Verifica-se que em junho de 2018,
obtiveram uma quantidade equivalente a R$ 1.378.778,00 às famílias do Programa e o
benefício médio repassado foi de R$ 221,95 por família. Conforme destaca o estudo realizado
pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), fundação pública federal vinculada ao
Ministério do Planejamento. (BRASIL, 2018). Na cidade de Várzea Alegre, a abrangência do
programa é em relação à estimativa de famílias de baixa renda do município. Essa estimativa
é calculada com base nos dados mais atuais do Censo Demográfico, realizado pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística que destaca o percentual de 104,46% com relação às
famílias mais carentes da cidade. (IBGE, 2018).
O município em tempos atuais alcançou a meta de atendimento do programa que
visa uma abrangência em quantidade de cobertura voltada para as famílias carentes. Para que
possam ter resultados positivos, destaca-se o foco da gestão municipal que é voltada para a
atualização cadastral dos beneficiários, e dessa forma, tentar evitar que famílias não tenham o
pagamento interrompido. Com a qualidade dos dados cadastrais, engrandece as possibilidades
e garante que todas as famílias pobres do Município sejam beneficiárias do Programa.
(BRASIL, 2018). Destaca-se, em constantes momentos, que o Ministério do Desenvolvimento
Social (MDS) junto aos órgãos responsáveis pelos programas nos municípios atualizem as
famílias beneficiárias do PBF, através de informações nos cadastros e averiguação cadastral
das informações que constam no sistema. Em cada um desses processos, as famílias são
organizadas pelos gestores da cidade, critério em que todos os integrantes possam atualizar
18

seus dados junto ao sistema e continuarem sendo assistidas pelo programa na cidade.
(BRASIL, 2018).
Atualmente o Programa Bolsa Família utiliza os dados do Cadastro Único para o
planejamento das ações e para a seleção de beneficiários dos programas sociais do município,
que já vem realizando as atividades de cadastramento, totalizando 9.009 famílias, inseridas no
Cadastro Único, 7.061 famílias com o cadastro atualizado nos últimos dois anos, 8.042
famílias com renda até ½ salário mínimo e um total de 6.229 famílias beneficiadas pelo
Programa Bolsa Família. (Várzea Alegre, 2018). Em Várzea Alegre, destaca-se entre o
período de julho de 2017 a junho de 2018, através do gráfico ilustrativo que traz durante esse
período de 12 meses a movimentação em números de beneficiados e valores conforme segue
abaixo:

Tabela 1 - Valores repassados às famílias beneficiárias do PBF - Várzea Alegre - CE

MÊS QTD FAMÍLIAS VALOR


JUNHO DE 2018 6.212 R$ 1.378.778,00
MAIO DE 2018 6.281 R$ 1.389.016,00
ABRIL DE 2018 6.263 R$ 1.385.934,00
MARÇO DE 2018 6.330 R$ 1.394.159,00
FEVEREIRO DE 2018 6.286 R$ 1.385.615,00
JANEIRO DE 2018 6.284 R$ 1.388.560,00
DEZEMBRO DE 2017 6.243 R$ 1.382.156,00
NOVEMBRO DE 2017 6.224 R$ 1.377.017,00
OUTUBRO DE 2017 6.213 R$ 1.377.075,00
SETEMBRO DE 2017 6.185 R$ 1.369.734,00
AGOSTO DE 2017 6.209 R$ 1.374.027,00
JULHO DE 2017 5.944 R$ 1.336.406,00
Fonte: MDS - Ministério de Desenvolvimento Social – Secretaria Nacional de Renda e
Cidadania. Disponível em:<http://mds.gov.br/bolsafamilia>. Acesso em: 15 ago.2018.

Destaca-se através da tabela que os recursos recebidos pelo município são


distribuídos e devem ser aplicados aos que de fato são enquadrados pelo programa, tendo
durante esses 12 meses diferenças entre meses, conforme se verifica acima.
19

4 METODOLOGIA

Para a realização do presente trabalho foram feitas inicialmente pesquisas


bibliográficas, em livros e artigos científicos, com o objetivo de construir o referencial teórico
e entender melhor o assunto do comportamento de compra dos beneficiários pelo Programa
Bolsa Família no município de Várzea Alegre – CE.
A fim de atender aos objetivos propostos, realizou-se um estudo exploratório e
descritivo, de abordagem quantitativa, uma vez que esta possibilita maior comparação com o
cotidiano e as experiências propostas pelo tema.
Pesquisa exploratória, por destacar conceitos e ideias que nos permitirão formular
problemas e hipóteses relacionados ao tema trabalhado. Nesse tipo de pesquisa, basicamente
se faz um levantamento bibliográfico ou documental do assunto, conforme destaca o autor
abaixo:
Para Zikmund (2000), as observações exploratórias confirmam o diagnóstico de
situações, exploraram alternativas e descobrem novas ideias. Esses exercícios são traçados
durante o início do processo de pesquisa mais amplo, onde se procura entender e definir a
natureza de um problema e construir dados que possam ser adquiridos para a realização de
futuros estudos.
Já a descritiva, conforme relata o autor Vergara (2000), ao defender a pesquisa
descritiva pelo fato de expor as características de determinada população ou fenômeno,
criando uma correlação entre variáveis e definindo a sua natureza, o autor não traz a
explicação dos fenômenos que descreve, mas busca servir de base para tal explicação.
Logo após a exploração bibliográfica, identificou-se a forma de utilização do
recurso. E dessa maneira, tem-se uma visão de como esses recursos devem ser utilizados.
Com isso, analisaram-se as divergências existentes no processo financeiro que norteiam o
tema, por meio de um estudo de caso, através da aplicação de questionários quantitativos. O
método quantitativo é o que agrupa um grande número de informações detalhadas. Busca
analisar determinada situação e descreve a sua complexidade que, segundo Lakatos (2009); é
uma pesquisa de análise matemática, com traços definidos e objetivos relacionados aos
conteúdos que devem ser compreendidos e explicados através dos fatos apurados.
Dessa forma, primeiramente será feito um levantamento de informações e dados
relevantes ao assunto e, somente depois, irá se propor uma resposta para a problemática do
nosso estudo, que se trata do comportamento de compra dos beneficiários pelo Programa
20

Bolsa Família, no município de Várzea Alegre – CE, através do questionário quantitativo com
aplicações da pesquisa em campo, junto aos beneficiários do programa do município.
21

5 ANÁLISE DOS DADOS COLETADOS

Este item avaliará os resultados obtidos por meio de uma pesquisa qualitativa
realizada no período de 01 a 05 de outubro, com os beneficiários do PBF da cidade de Várzea
Alegre – CE, através de formulários usados para identificar o perfil social do entrevistado,
bem como a forma que este utiliza os recursos financeiros recebidos pelo programa.
Os resultados buscavam analisar como os usuários do Bolsa Família gastavam os
seus recursos financeiros, a partir do momento em que eram citados itens que possivelmente
seriam desconsiderados pelos usuários.

5.1 PERFIL SOCIOECONÔMICO DOS ENTREVISTADOS

As entrevistas foram realizadas em pontos aleatórios da cidade de Várzea Alegre -


CE, com aplicação de formulários, que nos proporcionou o entendimento do cenário atual dos
beneficiados do programa, com base nos dados coletados. Na pesquisa, foram obtidos os
seguintes resultados:
Gráfico 1 – Faixa etária

FAIXA ETÁRIA

MAIS DE 70; 0%
18% 18 AOS 30 ANOS
28%
31 AOS 45 ANOS
46 AOS 60 ANOS

54% MAIS DE 70

Fonte: Dados da pesquisa - outubro de 2018

Nota-se a partir do Gráfico 1, que a faixa etária com abordagem em nível maior,
de acordo com os 60 questionários aplicados em Várzea Alegre, foi a população entre as
idades de 31 aos 45 anos com 54% do total dos questionários.
Esta informação se justifica devido ao fato de que foram estes os mais abordados
segundo a pesquisa, ficando bem próximo a esse número os que se enquadram entre 46 e 60
anos com uma parcela de 28% do total, fato este que nos leva a crer que o PBF é uma renda
que contribui até bem próximo da aposentadoria de muitos, pelo fato de que a faixa etária
acima de 70 anos não houve nem uma abordagem, se comparada com as demais, por ser uma
idade que não é mais assistida pelo programa BPF.
22

Gráfico 2 – Sexo

SEXO

12%
0%

MASCULINO
88%
FEMININO

Fonte: Dados da pesquisa outubro de 2018.

Com o objetivo de traçar o perfil da população beneficiária do PBF na cidade de


Várzea Alegre – CE, foi utilizada a variável relativa ao aspecto de ordem individual como
gênero, conforme mostra o gráfico 02 em que faz a distribuição dos beneficiários, mostrando
a participação das mulheres bem superior à participação dos homens. Tem-se em vista que o
PBF nos mostra que as mulheres são as que mais se encontram cadastradas para o
recebimento do benefício.
No país, em 2013, cerca de 93% das moradias eram conduzidas por mulheres, de
acordo com Camargo et al. (2013, p, 171). Dessa forma, analisando os dados, segundo a
pesquisa, e verificou-se que do total da amostra, 88% dos entrevistados foram às mulheres.
Verifica-se nesse caso um perfil mais feminino dominante nas famílias de baixa renda,
visitadas.
Gráfico 3 - Qual é o seu grau de escolaridade?

GRAU DE ESCOLARIDADE
[NOME DA
10% CATEGORIA][[PO
[NOME DA
RCENTAGEM]
CATEGORIA][[PO ENSINO FUNDAMENTAL
RCENTAGEM] COMPLETO
ENSINO FUNDAMENTAL
28% 17% INCOMPLETO
ENSINO MÉDIO COMPLETO
[PORCENTAGEM
] ENSINO MÉDIO INCOMPLETO

Fonte: Dados da pesquisa outubro de 2018

Para analisar o grau de instrução de escolaridade, foi verificado entre os


entrevistados, conforme é apresentado no gráfico 03, que o nível é bem baixo. De acordo com
23

os dados coletados, a situação é precária, pelo fato de que os responsáveis pela família não
têm nem o ensino fundamental completo.
A maior parcela das pessoas entrevistadas possui em torno de 4 a 7 anos de
estudo, com o ensino fundamental incompleto, totalizando 45% de todos entrevistados. É
importante evidenciar que quanto ao nível de estruturação educacional, o índice é baixo entre
os responsáveis pela família, esses indicadores, nos levam a crer que a escolaridade em baixa
que ainda existe no país, deve continuar sendo alvo de políticas públicas, pois somente com
uma reversão desse fato, vai garantir uma melhor qualificação, e mais oportunidades para que
as famílias beneficiadas possam encontrar oportunidades de serem inseridas no mercado de
trabalho.
Gráfico 4 - É beneficiário (a) do PBF há quanto tempo?

TEMPO QUE É BENEFICIÁRIO


14%
8%

3%

75% 1 ANO
2 ANOS
3 ANOS
MAIS DE 4 ANOS

Fonte: Dados da pesquisa outubro de 2018

Buscando analisar o tempo de recebimento do PBF, este repercutiu de forma


positiva em que a maior parte dos beneficiários entrevistados relata, com gosto, o tempo que o
programa vem proporcionando uma condição melhor em suas vidas.
Neste quesito, como mostra o gráfico 4, observou-se que é importante destacar
que muitas das famílias já são beneficiárias há um longo tempo, destacando um percentual de
75% em que as famílias beneficiárias foram inscritas há mais de quatro anos, percentual que
se aproxima desse que se destaca são as que recebem apenas um ano com 14%. Esse requisito
deixa claro que o programa tem aquecido o comércio em valores financeiros, por proporcionar
as famílias de baixa renda uma forma de serem inseridas na economia.
24

Gráfico 5 - Qual é o valor do benefício do bolsa família que você recebe?

VARIAÇÃO DOS VALORES RECEBIDOS

20

11
7
4 4 4 5
3
1 0 1 0
R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ 70,00
600,00 550,00 500,00 450,00 400,00 350,00 300,00 250,00 200,00 150,00 100,00

QUANTIDADE DE PESSOAS POR CADA VALOR.

Fonte: Dados da pesquisa outubro de 2018

Na apresentação dos dados, foram consideradas as informações de acordo com o


que os entrevistados repassaram, no entanto, o gráfico 5 nos expõe a renda familiar recebida
pelo programa: distribuído da seguinte forma: 20 entrevistados recebem em torno de R$
150.00, 11; R$ 70.00, 7; R$ 250.00. Já 5, recebem em torno de R$ 100.00; 4 em torno de R$
200.00; mais 4, em torno R$ 350.00. 4 recebem mais ou menos R$ 400.00. 3 em torno de R$
500.00. 1 em torno de R$ 450.00 e 1 em torno de R$ 600.00.
Com essa informação, analisou-se que o BPF é desproporcional ao valor de um
salário mínimo (R$ 954,00), ficando assim uma parcela muito alta de famílias com renda per
capita muito abaixo, em relação ao percentual do salário mínimo no Brasil.
Dessa forma, acabam as famílias ficando excluídas, visto que elas compõem
aproximadamente 36,38% total da população do município de Várzea Alegre (BRASIL, 2018)
- uma quantidade alta de pessoas com renda inferior ao nível do salário base existente.
Gráfico 6 - Tem emprego ou outra fonte de renda além do PBF?

POSSUI EMPREGO OU OUTRA FONTE DE RENDA?

[PORCENTAGEM]

[PORCENTAGEM]

SIM
NÃO

Fonte: Dados da pesquisa outubro de 2018


25

De maneira geral, os questionários aplicados comprovam a hipótese de que a


maioria dos beneficiários buscam complementar a renda em suas casas, mesmo diante do
cenário difícil em relação ao desemprego. Destaca-se dessa forma que os assistidos pelo
programa acreditam que, quando trabalham, garantem um complemento financeiro mesmo
que seja através de atividades informais, instáveis e desgastantes fisicamente, como o
emprego doméstico e a agricultura.
Assim, o gráfico 6 apresenta uma outra fonte de renda pelos beneficiários, de
acordo com os 60 formulários aplicados. Verificou que a grande maioria com 68% dos
entrevistados possuem uma outra fonte de renda e apenas 32% a renda que tem é a do PBF.
Contudo, foi observada uma grande diferença, que expõe de forma clara
atividades exercidas pela grande maioria dos entrevistados, destacando a renda complementar
nas casas dos beneficiados pelo PBF.
Gráfico 7 - Quantos membros tem a família?

Fonte: Dados da pesquisa outubro de 2018

Todavia, nos últimos anos, o espaço no geral vem sempre em constantes


crescimentos, resultando em um aumento entre as famílias, em especial, as de baixa renda,
conforme é observado através dos dados coletados no município em que apresenta a
quantidade de 6.229 famílias beneficiadas pelo Programa Bolsa Família na cidade. (VÁRZEA
ALEGRE, 2018).
Nesta realidade, a importância do PBF é evidenciada através dos dados mostrados
no Gráfico 7, que apresenta a quantidade de membros das famílias atendidas com base nos 60
formulários aplicados, ficando distribuído, conforme foi analisado, 21 famílias com 3 pessoas,
26

15 com 2 pessoas, 9 com 5 pessoas, 6 com 4, 4 com 6 pessoas, 3 com 7 pessoas, e 2 com 1
uma pessoa.
Essas informações mostram a importância do programa na distribuição da renda e
na inclusão dos beneficiados em meio à economia.

5.2 ANÁLISE DO COMPORTAMENTO DE COMPRA DOS BENEFICIÁRIOS DO PBF

Tabela 2 – Comportamento de compra dos beneficiários do BPF de Várzea Alegre-CE


COMPORTAMENTO DE COMPRA
ANÁLISE EM ESCALA DE ACORDO COM
ITENS SELECIONADOS SUA IMPORTÂNCIA.

01 02 03 04 05
ALIMENTOS 5 # 5 # 50
MEDICAMENTOS 20 2 8 7 23
ELETRODOMÉSTICOS/ MÓVEIS 54 2 1 1 2
ENERGIA / ÁGUA 20 1 5 2 32
TRANSPORTES 51 1 5 1 2
ROUPAS / CALÇADOS 43 2 4 5 6
BEBIDAS ALCOÓLICAS 60 # # # #
CONTAS DIVERÇAS 37 4 9 4 6
EDUCAÇÃO 27 5 5 # 23
OUTROS 46 2 8 1 3
Fonte: Dados da pesquisa outubro de 2018

A tabela 2 demonstra os resultados acerca da importância que os beneficiários dão


ao receber os recursos financeiros. Foi questionado a eles, através de itens que usariam em
suas casas, que deveriam avaliar a importância de cada um, em uma escala de 1 a 5, levando
em consideração que quanto maior o número maior seria a sua importância.
Os resultados apontam, quanto ao quesito alimentação, que é considerado pelas
beneficiárias do Bolsa Família um item fundamental, visto que 50 pessoas afirmam
destinarem ao receber o recurso do programa, sendo ele o primeiro a ser comprado.
Outro ponto que chama a atenção, ficando em segundo, como um dos mais
importantes é o item de água e luz, a maioria diz que por se tratar de um pagamento que
quando não é pago, pode acabar perdendo, é induzida a pagar com o recurso, conforme foi
avaliado como muito importante por 32 pessoas abordadas.
27

A pesquisa revela também um empate com itens importantes - medicamentos e


educação, em que 23 dos entrevistados afirmam utilizar o recurso, o fato da educação é
referente às famílias que têm em casa crianças na escola, e os entrevistados dizem com
firmeza que o dinheiro deve sim ser utilizado sempre em itens que proporcionem uma melhor
educação para as crianças da casa.
No quesito bebidas alcoólicas, foi o único item considerado por todos sem
nenhuma importância. Os 60 entrevistados dizem com clareza que esse recurso não dá nem
para o consumo da casa, muito menos para ser utilizado em bebidas, tendo estes o
entendimento de que é uma ajuda financeira, que deve ser destinada com os membros da
família em itens considerados de extrema importância.
A pesquisa nos mostra através dos resultados que as famílias pertencentes ao
programa, são de fato, entendedoras e que o dinheiro é um recurso para contribuir na renda da
casa, conforme é orientado que o programa em que relata a importância de estimular
sustentação das famílias, que vivem em situação vulnerável, por ser um programa de
transferência direta de renda, identificadas no Cadastro Único para Programas Sociais do
Governo Federal. (BRASIL, 2018).
28

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Verificou-se, em decorrência do estudo aqui apresentado, que o Programa Bolsa


Família com seu propósito de transferência de renda, vem desempenhando um papel
extremamente importante na melhoria e qualidade de vida das famílias em situação de
extrema pobreza, levando em consideração que no Brasil de modo geral, a principal causa da
pobreza é a grande desigualdade existente em um nível de escala muito alta.
Dessa maneira, destacam-se no presente estudo as reais limitações e os principais
dados analisados por esta pesquisa no município de Várzea Alegre – CE, cidade com pouco
mais de 38.434 habitantes, segundo últimos estudos e que beneficia aproximadamente 6.229
famílias no Programa Bolsa Família.
Os resultados alcançados após a coleta de dados, mostram-nos que dos 60
questionários aplicados, as mulheres têm uma maior autonomia em relação aos homens, tendo
em vista que elas são as encarregadas de utilizar os recursos recebidos pelo programa nas
necessidades do dia a dia.
Destaca-se um percentual de 88% de mulheres e apenas 12% de homens, cidadãos
esses que afirmam ser apenas no nome deles, mas que toda autonomia da utilização é por
conta da mulher, pelo fato de que o recurso deve ser utilizado nas necessidades de casa,
aspecto esse que nos chamou muito a atenção pelo domínio econômico de ser da mulher. No
entanto, os dados indicados mostram que a oferta dos benefícios dá o poder da decisão
financeira às mulheres e que elas buscam adotar métodos que possam melhorar as
necessidades existentes em sua casa.
Outro ponto a se destacar é que, dos entrevistados, 68% disseram que acabam
desempenhando uma atividade extra para complementar a renda da família, como diaristas,
domésticas, vendedoras ambulantes, costureiras, agricultores, lavadeiras, garçons, pedreiros
dentre outros.
Segundo os entrevistados, o recurso é uma ajuda muito boa, porém, não é
suficiente para todas as despesas da casa, e estes buscam complementar através de atividades
extras à sua renda. Disso conclui-se que os beneficiários não encontram oportunidades
melhores de trabalho, pelo fato de a economia local e o índice baixo de oferta de emprego, e
também porque a maioria dos entrevistados mal tem o ensino fundamental completo,
deixando esses dependentes fora da competição de um emprego melhor.
Em se tratando da utilização do recurso recebido, destaca-se que o dinheiro do
PBF já é todo comprometido, mesmo antes de receber, entende-se que os entrevistados
29

buscam utilizar de acordo com as suas necessidades principais, que se destacam em


alimentação, pagamentos de água e energia, educação, medicamentos dentre outros. Com isso,
é consumido todo o recurso. No entanto, os beneficiários, mesmo em condições
desfavoráveis, a maior parte revela estar satisfeita, e deseja ter uma situação de estabilidade
financeira favorável. Dessa maneira, pode-se verificar que o benefício traz para essas famílias
uma percepção de melhoria na vida deles, pois parte das necessidades básicas existentes estão
sendo supridas.
Dessa maneira, espera-se que a avaliação, os dados e as informações fornecidos
por este estudo contribuam no alinhamento do processo de planejamento para as famílias
beneficiadas, possibilitando a Gestão do Programa Bolsa Família da cidade Várzea Alegre -
CE uma visão em que destaca a necessidade de complementos de renda financeira entre as
famílias assistidas, e com isso ajustes para melhoria da qualidade financeira das famílias
beneficiadas.
Sugere-se que o estudo do tema - o comportamento de compra dos beneficiários
pelo Programa Bolsa Família no município de Várzea Alegre – CE tenha muitos outros, para
que através dessa pesquisa, as famílias beneficiadas possam ser de maneira igualitária,
inseridas na sociedade, não como uma classe de necessitados, mas como contribuintes do
desenvolvimento econômico e social do país.
30

REFERÊNCIAS

BRASIL, Ministério de desenvolvimento Social. Relatório do município de Várzea Alegre.


2018. Secretaria Nacional de Renda e cidadania, 2018. Disponível
em:<http://mds.gov.br/bolsafamilia>. Acesso em: 15 ago. 2018.
.
______. Estimativas de População. Disponível em: <https://www.ibge.gov.br/estatisticas-
novoportal/sociais/populacao/9103-estimativas-de-populacao.html?=&t=o-que-e> Acesso em:
20 ago.2018.

BARROS, C; ROCHA, E. Lógica de consumo em um grupo das camadas populares: uma


Visão antropológica de significados culturais. Rio de Janeiro: ANPAD, 2007.

CAMARGO, Camila F. et al. Perfil socioeconômico dos beneficiários do Programa Bolsa


Família: o que o Cadastro Único revela? In: CAMPELLO, Tereza; NERI, Marcelo C. (Orgs.).
Bolsa Família: uma década de inclusão e cidadania. Brasília: IPEA, 2013. p. 157-177.

CARLOTO, Cassia Maria; Condicionalidades nos Programas de Transferência de Renda e


autonomia das mulheres. Sociedade em Debate, v. 18, n. 2, p. 121-130, 2013.

CARNELOSSI, Bruna Cristina Neves; BERNARDES, Maria Eliza Mattosinho. A


condicionalidade de educação dos programas de transferência de renda: uma análise
crítica do programa Bolsa Família. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.5007/2175-
795X.2014v32n1p285> Acesso em: 21 jul.2018.

CUNHA, Rosani. A garantia do direito à renda no Brasil: a experiência do Programa Bolsa


Família. Disponívelem:<http://www.ipcundp.org/doc_africa_brazil/Webpage/missao/Artigos/
ARTIGOROSANICUNHA.pdf>. Acesso em: 25 out.2018.

DEDECCA, C. S. O enfoque multidimensional da pobreza no Plano Brasil Sem Miséria,


Inclusão Produtiva Urbana: experiências, desafios e resultados. Cadernos de Estudos
Desenvolvimento Social em Debate, n. 19, p. 22-34, 2014.

ENGEL, James F.; BLACKWELL, Roger D.; MINIARD, Paul W. Comportamento do


Consumidor. 8. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2008.

LAKATOS, Eva Maria. Metodologia cientifica. São Paulo: Atlas, 2009.

PARENTE, Juraci. Varejo no Brasil: gestão e estratégia. São Paulo: Atlas, 2000.

PAIVA, Adenilton Silva de. Hábitos de consumo de um grupo de beneficiários residentes


do Programa Bolsa Família: o caso da Comunidade de Coqueiros em São Gonçalo do
Amarante/RN. 2017. 49f.: il. Monografia (Graduação em Administração) - Universidade
Federal do Rio Grande do Norte, Centro de Ciências Sociais Aplicadas, Departamento de
Ciências Administrativas. Natal, 2017.

SANTANA, J. A. A evolução dos programas de transferência de renda e o Programa Bolsa


Família. In: SEMINÁRIO POPULAÇÃO, POBREZA E DESIGUALDADE. 2007. Anais...
Belo Horizonte: ABEP (Associação Brasileira de Estudos Populacionais) e pela CNPD
(Comissão Nacional de População e Desenvolvimento), 2007.
31

ROSINKE, João Germano et al. Efeitos sociais e econômicos para o desenvolvimento local
através das contribuições do Programa Bolsa Família no município de Sinop-MT no período
de 2004-2009. Interações, Campo Grande, v. 12, n. 1, p.77-88, 2016.

STRAUSS, Anselm; CORBIN, Juliet. Pesquisa quantitativa: técnicas e procedimentos para


o desenvolvimento de teoria fundamentada. Porto Alegre: Artmed, 2008.
SHETH, J. N; MITTAL, B.; NEWMAN, B. I. Comportamento do Cliente: indo além do
comportamento do consumidor. São Paulo: Atlas, 2001.
TEIXEIRA, E. B. A análise de dados na pesquisa científica – importância e desafios em
estudos organizacionais. Desenvolvimento em Questão, Ijuí, ano 1, n. 2, p. 177-201, jul./ago.
2003.
VERGARA, Sylvia C. Projetos e relatórios de pesquisa em administração. 3.ed. Rio de
Janeiro: Atlas, 2000.
ZIKMUND, W. G. Business research methods. 5.ed. Fort Worth: Dryden, 2000.
32

APÊNDICES
33

APÊNDICE A - QUESTIONÁRIO (BOLSA FAMÍLIA)

1- FAIXA ETÁRIA

( ) 18 AOS 30 ANOS
( ) 31 AOS 45 ANOS
( ) 46 AOS 60 ANOS
( ) MAIS DE 70.

2 – SEXO

( ) MASCULINO
( ) FEMININO

3- QUAL É O SEU GRAU DE ESCOLARIDADE?

( ) ENSINO FUNDAMENTAL COMPLETO


( ) ENSINO FUNDAMENTAL INCOMPLETO
( ) ENSINO MÉDIO COMPLETO
( ) ENSINO MÉDIO INCOMPLETO
( ) ENSINO SUPERIOR COMPLETO
( ) ENSINO SUPERIOR INCOMPLETO

4 – É BENEFICIÁRIO (A) DO PBF HÁ QUANTO TEMPO?

( ) 1 ANO
( ) 2 ANOS
( ) 3 ANOS
( ) MAIS DE 4 ANOS

5 – QUAL É O VALOR DO BENEFÍCIO DO BOLSA FAMÍLIA QUE VOCÊ RECEBE?

R$_______________________________________________________________________

6 – TEM EMPREGO OU OUTRA FONTE DE RENDA ALÉM DO PBF?

( ) SIM. QUAL?__________________
( ) NÃO

7 – QUANTOS MEMBROS TEM A FAMÍLIA?


34

APÊNDICE B - ANÁLISE DO COPORTAMENTO DE COMPRA DOS BENEFICIÁRIOS


(AS) DO PROGRAMA BOLSA FAMÍLIA, LEVANDO EM CONSIDERAÇÃO O QUE
PODEM COMPRAR COM O DINHEIRO QUE RECEBEM?

AVALIANDO O USO EM SUA CASA DE ACORDO COM AS QUESTÕES ABAIXO,


BASEANDO-SE EM UMA ESCALA QUE VARIA DE 01 A 05.

ALIMENTOS

()1 ()2 ()3 ()4 ()5

MEDICAMENTOS

()1 ()2 ()3 ()4 ()5

ELETRODOMESTICOS/MOVEIS

()1 ()2 ()3 ()4 ()5

PAGAMENTOS DE ENERGIA/ÁGUA

()1 ()2 ()3 ()4 ()5

TRANSPORTES

()1 ()2 ()3 ()4 ()5

ROUPAS/CALÇADOS

()1 ()2 ()3 ()4 ()5

BEBIDAS ALCOÓLICAS

()1 ()2 ()3 ()4 ()5

CONTAS DIVERSAS

()1 ()2 ()3 ()4 ()5

EDUCAÇÃO

()1 ()2 ()3 ()4 ()5

OUTROS

()1 ()2 ()3 ()4 ()5